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24/05/2019 Ísis – Wikipédia, a enciclopédia livre

Ísis
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ísis  (em  egípcio:  Aset  ;  em  grego  antigo:  Ἶσις)  foi  uma  das Ísis
principais  divindades  na  religião  do  Antigo  Egito  cuja
veneração espalhou­se também para o mundo greco­romano.
Ela foi mencionada pela primeira vez no Império Antigo como
uma  das  personagens  principais  do  mito  de  Osíris,  em  que
ressuscita  seu  marido,  o  rei  Osíris,  e  produz  e  protege  seu
herdeiro,  Hórus.  Acreditava­se  que  Ísis  ajudava  os  mortos  a
entrarem  no  pós­vida  da  mesma  forma  que  tinha  feito  com
Osíris,  também  sendo  considerada  como  a  mãe  divina  do
faraó,  que  por  sua  vez  estava  ligado  a  Hórus.  Seu  auxílio
materno era invocado em feitiços de cura para beneficiarem o
povo  comum.  Ela  originalmente  desempenhou  um  papel
limitado  em  rituais  reais  e  templos,  porém  era  mais
proeminente em práticas funerárias e textos mágicos. Ísis era
retratada  artisticamente  como  uma  mulher  humana  usando
um hieroglifo no formato de trono em sua cabeça. Ela assumiu
no  Império  Novo  os  traços  que  originalmente  pertenciam  a
Hator,  a  deusa  mais  importante  durante  o  período  antigo,
passando assim a ser retratada usando a touca de Hator: um
disco solar entre os chifres de uma vaca.

Osíris e Ísis tornaram­se as divindades mais veneradas dentre
o  panteão  egípcio  durante  o  Terceiro  Período  Intermediário,
com  ela  absorvendo  várias  características  de  outras  deusas.
Governantes  tanto  do  Egito  quanto  de  sua  vizinha  Núbia ao
sul começaram a construir templos dedicados principalmente
a Ísis, com seu templo em Filas tornando­se um grande centro
religioso  para  ambos  egípcios  e  núbios.  O  poder  mágico Nome
nativo
atribuído  a  ela  era  maior  que  o  de  todos  os  outros  deuses,
[1]
sendo  dito  que  Ísis  protegia  o  reino  de  seus  inimigos,
governava os céus e o mundo natural e até mesmo tinha poder Local de Filas ꞏ Behbeit el­Hagar
culto
sobre o próprio destino.
Símbolo Tyet
Durante o Reino Ptolemaico,  quando  o  Egito  foi  governado  e Cônjuge(s) Osíris ꞏ Min ꞏ Hórus, o
colonizado  por  gregos,  Ísis  passou  a  ser  venerada  pelos Velho ꞏ Serápis
egípcios  e  gregos  junto  com  um  novo  deus,  Serápis.  Esta Pais Geb ꞏ Nut
adoração  espalhou­se  pelo  mundo  Mediterrâneo.  Os  devotos Irmão(s) Osíris ꞏ Seti ꞏ Néftis
gregos lhe atribuíam características tiradas de deuses gregos,
Filho(s) Hórus ꞏ Min ꞏ Filhos de
como intervenção no casamento e a proteção das embarcações Hórus

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nos  mares,  também  mantendo  ligações  fortes  com  o  Egito  e Portal:Antigo Egito


outras  divindades  egípcias  que  eram  populares  no  mundo
helenístico, como Osíris e Harpócrates. A cultura helenística foi absorvida por Roma no século I a.C. e o culto a
Ísis tornou­se parte da religião romana.  Seus  devotos  eram  pequenos  em  proporção  dentro  da  população  do
Império Romano,  porém  eram  encontrados  por  todo  seu  território.  Seu  culto  desenvolveu  festivais  distintos
como o Navigium  Isidis,  além  de  cerimônias  de  iniciação  semelhantes  a  cultos  de  mistério  greco­romanos.
Alguns de seus seguidores afirmavam que ela reunia todos os poderes divinos femininos do mundo.

A veneração a Ísis acabou com a ascensão do cristianismo no decorrer dos séculos IV e V. É possível que sua
adoração  tenha  influenciado  algumas  práticas  e  crenças  do  cristianismo,  como  por  exemplo  a  veneração  de
Maria, porém as evidências para isso são ambíguas e frequentemente controversas. Ísis continua a aparecer na
cultura ocidental, particularmente no esoterismo e neopaganismo,  frequentemente  como  a  personificação  da
natureza ou como o aspecto feminino do divino.

Índice
Egito e Núbia
Nome e origens
Papéis
Esposa e pranteadora
Mãe
Realeza e proteção
Magia e sabedoria
Céu
Universo
Iconografia
Veneração
Relação com a realeza
Templos e festivais
Ritos funerários
Culto popular

Mundo greco­romano
Difusão
Papéis
Relações com outros deuses
Iconografia
Veneração
Devotos e sacerdotes
Templos e ritos
Culto particular
Iniciação
Festivais

Influência no cristianismo
Influência em outras culturas
Notas
Referências
Bibliografia

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Ligações externas

Egito e Núbia

Nome e origens
Enquanto algumas divindades egípcias apareceram no final do Período Pré­Dinástico (antes de c. 3 100 a.C.),
tanto  Ísis  quanto  seu  marido  Osíris  não  foram  mencionados  claramente  até  a  Quinta  Dinastia  (c.
2494–2 345 a.C.). [2][3] Uma inscrição que talvez se refira a Ísis é datada para o reinado do faraó  Niuserré, [4]
com ela aparecendo proeminentemente nos Textos das Pirâmides,  que  começaram  a  ser  escritos  no  final  da
Quinta  Dinastia  e  cujo  conteúdo  pode  ter  sido  desenvolvido  tempos  antes. [5]  Várias  passagens  dos  textos
conectam  Ísis  com  a  região  do  Delta  do  Nilo  perto  de  Behbeit  el­Hagar  e  Sebenito,  com  ela  e  seu  culto
possivelmente se originando lá. [6][nota 1]

Muitos  acadêmicos  focaram­se  no  nome  de  Ísis  em  uma  tentativa  de  determinar  suas  origens.  Seu  nome
egípcio era ꜣst ou Aset, que deu origem a forma copta   (Ēse)  e  seu  nome  grego  Ἰσις  (Ísis),  do  qual  seu
nome moderno é baseado. O nome em hieroglifo incorpora o sinal de um trono, que ela também usa em sua
cabeça como sinal de sua identidade. O símbolo serve como fonograma, grafando o som st, porém é possível
que  tenha  representado  uma  ligação  com  tronos  reais.  O  termo  egípcio  para  trono  também  era  st  e  talvez
compartilhe uma etimologia em comum. Dessa forma, o egiptólogo Kurt Sethe sugeriu que ela originalmente
era uma personificação de tronos. [11] Henri Frankfort concordava, acreditando que o trono era considerado a
mãe do faraó e assim um deus, devido seu poder de transformar homem em faraó. [12] Já os acadêmicos Jürgen
Osing e Klaus P. Kuhlmann discordaram por causa de dissimilaridades entre o nome de Ísis e a palavra para
trono[11] e a falta de evidências de que o trono já foi deificado. [13]

Papéis
O mito sobre a morte e ressurreição de Osíris foi relatado pela primeira vez nos Textos da Pirâmides e cresceu
até se tornar o mais elaborado e influente de todos os mitos egípcios. [14] Ísis desempenha um papel mais ativo
nesse mito do que os outros protagonistas, tornando­se dessa forma o personagem literário mais complexo de
todas  as  divindades  egípcias  enquanto  a  história  desenvolvia­se  na  literatura  desde  o  Império  Novo
(c. 1550–1070 a.C.) até o Reino Ptolemaico (305–30 a.C.). [15] Ao mesmo tempo, ela absorveu as características
de muitas outras deusas, ampliando sua significância para além do mito de Osíris. [16]

Esposa e pranteadora
Ísis fazia parte da Enéade, uma família de nove deuses descendentes do deus criador: Atum ou Rá. Ela e seus
irmãos – Osíris, Seti e Néftis – eram a última geração da Enéade, nascidos de Geb, deus da terra, e Nut, deusa
do  céu.  O  deus  criador,  o  governante  original  do  mundo,  passou  sua  autoridade  através  das  gerações
masculinas, assim Osíris tornou­se rei. Ísis, esposa e irmã de Osíris, era sua rainha. [17]

Seti matou Osíris e, em várias versões, desmembrou seu corpo. Ísis e Néftis, junto com outras divindades como
Anúbis, procuraram pelas partes do corpo de seu irmão e o remontou. Seus esforços foram o protótipo mítico
da mumificação e outras antigas práticas funerárias egípcias. [18] Segundo alguns textos, elas também tiveram
de proteger o corpo de Osíris de mais dessacrações nas mãos de Seti ou de seus servos. [19] Ísis era a epítome da
viúva em luto. O amor e luto dela e de Néftis pelo irmão ajudaram a restaurá­lo a vida, assim como a recitação

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de feitiços mágicos. [20] Textos funerários continham discursos de Ísis em que expressava sua dor pela morte de
Osíris, seu desejo sexual por ele e até mesmo raiva por ele tê­la deixado. Todas essas emoções desempenharam
papéis  em  sua  ressuscitação,  já  que  tinham  a  intenção  de  estimulá­lo  a  agir. [21]  Ela  finalmente  conseguiu
restaurar a vida do corpo de Osíris e copulou com ele logo em seguida, concebendo seu filho Hórus. [18] Osíris,
deste momento em diante, passou a viver apenas no Tuat, o submundo. Entretanto, Ísis conseguiu garantir
que seu marido iria sobreviver no pós­vida por ter lhe dado um herdeiro que iria vingar sua morte e realizar
ritos funerários. [22]

O papel de Ísis nas crenças do pós­vida era baseado no mito. Ela ajudava a restaurar as almas dos mortos a
completude  da  mesma  forma  como  havia  feito  com  Osíris.  Assim  como  outras  deusas,  como  Hator,  ela
também  atuava  como  mãe  dos  mortos,  proporcionando  proteção  e
nutrição. [23]  De  acordo,  Ísis  algumas  vezes  assumia  a  forma  de
Amentent, a deusa do ocidente, que adotava a alma morta no pós­vida
como seu filho. [24] Durante boa parte da história egípcia, acreditava­se
que  divindades  masculinas  como  Osíris  possuíam  poderes
regenerativos,  incluindo  potência  sexual,  que  eram  cruciais  no
renascimento.  Achava­se  que  Ísis  apenas  tinha  ajudado  ao  estimular
esses  poderes. [23]  Poderes  divinos  femininos  tornaram­se  mais
importantes  na  crença  do  pós­vida  no  final  do  Império  Novo. [25]
Vários textos funerários ptolemaicos enfatizavam que Ísis assumiu um
papel  ativo  na  concepção  de  Hórus  ao  estimular  seu  marido
sexualmente, [26]  com  decorações  de  tumba  do  período  romano  a
representando  em  um  papel  central, [27]  enquanto  um  texto  funerário
Escultura de uma mulher,
da época sugeria que mulheres eram capazes de juntar­se ao séquito de
possivelmente Ísis, em posição
de luto, c. séculos XV ou Ísis e Néftis no pós­vida. [28]
XIV a.C.
Mãe
Ísis  foi  tratada  como  a  mãe  de  Hórus  até  mesmo  nas  cópias  mais
antigos  dos  Textos  da  Pirâmides. [29]  Mesmo  assim,  há  sinais  que
Hator  originalmente  era  considerada  sua  mãe, [30] enquanto algumas
outras tradições fazem uma forma velha de Hórus ser o filho de Nut e
irmão de Osíris e Ísis. [31] É possível que ela tenha tornado­se a mãe de
Hórus a medida que o mito de Osíris tomava forma durante o Império
Antigo, [30]  enquanto  sua  relação  com  ele  passou  a  ser  vista  como  a
epítome da devoção maternal. [32]

Ela  deu  à  luz  Hórus  na  forma  desenvolvida  do  mito,  logo  após  uma
gravidez  longa  e  trabalho  de  parto  difícil,  nas  moitas  de  papiro  no
Delta do Nilo. Ísis o protegeu de Seti e outros perigos à medida que ele
crescia. [33] Ela viajava entre os humanos em alguns textos e procurava
a  ajuda  deles.  Segundo  uma  dessas  histórias,  sete  divindades
Estátua de Ísis cuidado de
escorpiões  menores  viajavam  junto  de  Ísis  para  protegê­la.  Eles  se Hórus, c. século VII a.C.
vingaram  de  uma  mulher  rica  que  recusou  ajudar  a  deusa  ao
aferroarem  o  filho  dela,  fazendo  com  que  fosse  necessário  que  Ísis
curasse  a  criança. [34]  Sua  reputação  como  divindade  compassiva,  disposta  a  aliviar  o  sofrimento  humano,
muito contribuíram para seu apelo entre o povo. [35]

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Ísis continuou a ajudar Hórus quando ele foi desafiar Seti para reivindicar o trono que este havia usurpado de
Osíris, [36] porém mãe e filho foram retratados algumas vezes em conflito, como por exemplo da vez que Hórus
a decapitou e Ísis substituiu sua cabeça original por uma de uma vaca – um mito fundador para o adereço de
vaca que Ísis usava na cabeça. [37]

O aspecto maternal de Ísis estendia­se para outras divindades. Os Textos dos Sarcófagos do Império  Médio
(c. 2055–1650 a.C.) diziam que os Filhos de Hórus,  divindades  funerárias  que  protegiam  os  órgãos  internos
dos mortos, eram a prole de Ísis com a forma velha de Hórus. [38] Na mesma era, Hórus foi sincretizado com
Min,  o  deus  da  fertilidade,  assim  ela  foi  considerada  a  mãe  de  Min. [39]  Foi  dito  que  uma  forma  de  Min
conhecida  como  Kamutef,  "touro  de  sua  mãe",  que  representava  a  regeneração  cíclica  dos  deuses  e  realeza,
engravidou  sua  mãe  para  gerar  si  mesmo. [40]  Assim,  Ísis  também  era  considerada  a  consorte  de  Min. [41]  A
mesma  ideologia  de  realeza  pode  ser  a  base  de  uma  tradição,  encontrada  em  alguns  textos,  de  que  Hórus
estuprou  Ísis. [42][43]  Ámon,  a  principal  divindade  durante  os  Impérios  Novo  e  Médio,  também  assumiu  o
papel de Kamutef e Ísis muitas vezes atuou como sua consorte quando ele estava nessa forma. [41] Era dito que
Ápis, um touro venerado como um deus vivo em Mênfis, também era filho de Ísis com uma forma de Osíris
conhecida como Osíris­Ápis. A mãe de cada touro Ápis era conhecida como "vaca Ísis". [44]

Uma história no Papiro Westcar datado do Império Médio incluiu Ísis entre um grupo de deusas que serviram
de  parteiras  durante  os  nascimentos  de  três  futuros  reis. [45]  Ela  serviu  em  um  papel  similar  em  textos  do
Império Novo que descreviam os nascimentos dos faraós como sendo ordenados divinamente. [46] Ísis chamou
pelo  nome  as  três  crianças  que  nasceram  na  história  do  Papiro  Westcar.  Barbara  S.  Lesko  enxerga  essa
narrativa como um sinal que a deusa tinha o poder de prever ou influenciar eventos futuros, assim como outras
divindades  que  presenciavam  nascimentos, [45]  como  Shai  e  Renenutete. [47]  Textos  de  tempos  posteriores
chamaram Ísis explicitamente de "senhora da vida, governante do fado e destino", [45] indicando também que
ela exercia controle sobre Shai e Renenutete, da mesma forma como era dito que outros grandes deuses como
Ámon  faziam  em  épocas  antigas  da  história  egípcia.  Ísis,  ao  controlar  essas  divindades,  determinava  a
duração e qualidade das vidas humanas. [47]

Realeza e proteção
Hórus era igualado a cada faraó vivo enquanto Osíris por sua vez era igualado com os predecessores mortos do
faraó.  Ísis  era  assim  a  mãe  e  a  esposa  mitológica  dos  faraós.  Sua  importância  primária  nos  Textos  das
Pirâmides  para  o  faraó  era  como  uma  das  divindades  que  o  protegiam  e  o  auxiliavam  no  pós­vida.  Sua
proeminência  na  ideologia  real  cresceu  no  decorrer  do  Império  Novo. [48]  Relevos  em  templos  da  época
mostravam o faraó mamando do seio de Ísis; seu leite não apenas curava a criança, mas também simbolizava
seu direito divino para reinar. [49] A ideologia real passou cada vez mais a enfatizar a importância das rainhas
como contrapartes terrenas das deusas que atuavam como esposas do faraó e mães de seus herdeiros. Hator
era  inicialmente  a  mais  importante  dessas  divindades,  uma  contraparte  feminina  para  Rá  e  Hórus,  cujos
atributos  na  arte  eram  incorporados  nas  coroas  das  rainhas.  Entretanto,  devido  sua  própria  conexão
mitológica  com  a  realeza  feminina,  Ísis  também  recebeu  os  mesmos  títulos  e  regalias  que  as  rainhas
humanas. [50]

As ações de Ísis ao proteger Seti tornaram­se parte de um aspecto mais amplo e belicoso. [51] Textos funerários
do  Império  Novo  a  retratam  na  barca  de  Rá  enquanto  navegam  para  o  submundo,  atuando  como  uma  de
várias  divindades  que  subjugam  Apep,  o  arqui­inimigo  de  Rá. [52]  Os  faraós  também  invocavam  o  poder
mágico  protetor  dela  contra  seus  inimigos  humanos.  No  templo  de  Filas,  que  ficava  perto  da  fronteira  dos

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povos núbios que costumavam invadir o Egito, Ísis foi descrita como a protetora de toda a nação, sendo mais
eficiente em batalha do que "milhões de soldados", apoiando os faraós ptolemaicos e imperadores romanos em
seus esforços para subjugar os inimigos do Egito. [51]

Magia e sabedoria
Ísis também era conhecida por sua esperteza e também por seu poder mágico, o que permitiu que ela revivesse
Osíris e protegesse e curasse Hórus. [53] Foi dito que, por virtude de seu conhecimento mágico, ela era "mais
inteligente que um milhão de deuses". [54][55] Ísis usou suas habilidades para passar a perna em Seti em vários
episódios da história "As Disputas de Hórus e Set" do Império Novo. Em certa ocasião, ela se transformou em
uma jovem mulher que disse a Seti que estava envolvida em uma disputa de herança similar a usurpação da
coroa de Osíris. Quando Seti afirmou que a situação da mulher era injusta, Ísis zombou dele afirmando que ele
tinha acabado de julgar­se como o errado. [55] Ela usou seus poderes de transformação em textos posteriores
para lutar e destruir Seti e seus seguidores. [56]

Muitas das histórias sobre Ísis apareceram como prólogos de textos mágicos que descreviam eventos míticos
relacionados com o objetivo que o feitiço queria realizar. [15] Em um deles, Ísis criou uma cobra que picou Rá,
que era mais velho e mais poderoso, fazendo­o ficar doente. Ela se ofereceu para curar Rá caso ele lhe contasse
seu  nome  verdadeiro  e  secreto  –  uma  informação  que  carregava
consigo  poder  incomparável.  Rá  contou  seu  nome  depois  de  muita
coerção,  informação  que  ela  repassou  a  Hórus,  o  que  aumentou  a
autoridade real deste. [55] É possível que essa história tenha servido de
origem para explicar o motivo dos poderes mágicos de Ísis superarem
os de outros deuses, porém, como a narrativa mostra ela usando magia
para  subjugar  Rá,  esse  conto  parece  indicar  que  ela  tinha  tais
habilidades antes mesmo de descobrir o nome dele. [57]

Céu
Muitos  dos  papéis  que  Ísis  adquiriu  lhe  deram  uma  importante
posição  no  céu. [58]  Passagens  dos  Textos  das  Pirâmides  a  conectam
com Sótis, a deusa que representava a estrela Sirius, cuja relação com
seu  marido  Sah,  a  constelação  de  Órion,  e  seu  filho  Sopdu,  fazia
paralelo com as relações de Ísis com Osíris e Hórus. O nascer helíaco de
Sirius, que ocorria pouco antes das cheias do Nilo, davam a Sótis uma
ligação  próxima  com  a  cheia  e  consequentemente  o  crescimento  das
plantações. [59]  Ísis,  parcialmente  devido  sua  conexão  com  Sótis,
também tinha uma ligação com as cheias, [60] que algumas vezes eram
igualadas com as lágrimas que ela derramou por Osíris. [61] Ela estava
Alto relevo de Ísis com o faraó ligada a chuva no período ptolemaico, que textos egípcios chamavam
Seti I no colo, c. século XIII a.C.
de "Nilo no Céu", também estava conectada ao Sol como protetora da
barca de Rá, [62] e também com a Lua, possivelmente porque Ísis tinha
uma  conexão  com  a  deusa  lunar  grega  Ártemis  através  de  uma  ligação  em  comum  com  Bastet,  a  deusa  da
fertilidade egípcia. [63]  Hinos  inscritos  em  Filas  a  descrevem  como  "Senhora  do  Céu",  cujo  domínio  sobre  os
céus faziam paralelos com Osíris reinando o Tuat e Hórus governando a terra. [64]

Universo

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A esfera de influência de Ísis chegou a incluir todo o cosmos na época ptolemaica. [64] Ela tinha poder sobre
todas as nações como a divindade que protegia o Egito e sancionava seu faraó, e como a provedora das chuvas
ela avivava o mundo natural. [65] Um dos hinos em Filas inicialmente a chamava de governante dos céus até
expandir sua autoridade, com seu ápice sendo um domínio que englobava o céu, a terra e o Tuat. Dizia­se que
seu  poder  sobre  a  natureza  sustentava  humanos,  mortos  abençoados  e  deuses. [64]  Outros  hinos  em  grego
antigo  do  Reino  Ptolemaico  lhe  chamavam  de  "a  linda  essência  de  todos  os  deuses". [66]  Várias  divindades,
grandes  e  pequenas,  já  foram  descritas  em  termos  similarmente  grandiosos  no  decorrer  da  história  egípcia.
Ámon  era  comumente  referido  dessa  forma  no  Império  Novo,  enquanto  esses  termos  tendiam  a  serem
aplicados  a  Ísis  no  Egito  romano. [67]  Tais  textos  não  negavam  a  existência  de  outros  deuses,  porém  os
tratavam como aspectos de uma divindade suprema. [68]

Nos  tempos  ptolemaicos  e  romanos,  muitos  templos  continham  um  mito  de  criação  que  adaptava  antigas
ideias  sobre  criação  a  fim  de  darem  funções  primárias  para  divindades  locais. [69]  Ísis  era  descrita  em  Filas
como a criadora, da mesma maneira como textos antigos falavam sobre as obras do deus Ptá, [64] que dizia­se
que  tinha  projetado  o  mundo  com  seu  intelecto  e  esculpido­o  para  a  existência. [70]  Como  ele,  Ísis  formou  o
cosmos "através do que seu coração concebeu e suas mãos criaram". [64]

Ísis  tinha  muitas  formas  em  seus  centros  individuais  de  culto,  assim  como  outros  deuses  no  decorrer  da
história egípcia, com cada centro enfatizando aspectos diferentes de sua personalidade. Cultos locais focavam­
se nos traços distintos de sua divindade em vez de sua universalidade, enquanto alguns hinos a ela tratavam
de outras deusas por todo o Egito e Mediterrâneo como manifestações de Ísis. Um texto no templo de Dendera
dizia "em cada nomo é ela que está em toda cidade, em todo nomo com seu filho Hórus". [71]

Iconografia
Ísis era comumente representada na arte egípcia como uma mulher
usando um vestido de bainha, um cajado de papiro em uma mão e
um símbolo de ankh na outra. Seu adereço de cabeça original era o
símbolo  de  trono  usado  em  seu  nome  escrito.  Ela  e  Néftis
apareciam frequentemente juntas, particularmente ao lamentarem
a  morte  de  Osíris,  apoiando  em  seu  trono  ou  protegendo  os
sarcófagos dos mortos. Nessas situações, seus braços muitas vezes
estavam  sobre  seus  rostos  em  luto,  ou  ainda  abertos  ao  redor  de
Osíris  ou  do  morto  em  um  sinal  de  seus  papéis  de  protetoras. [72]
Nessas circunstâncias as duas eram representadas frequentemente
como milhafres ou mulheres com asas de milhafre. Esta forma pode
ter sido inspirada pela similaridades dos gritos dos milhares com o
choro  de  mulheres  gemendo, [73]  ou  ainda  como  metáfora
conectando a procura dos milhafres por caniça com a procura das
deusas por seu irmão morto. Ísis algumas vezes aparecia na forma
Ísis com os chifres de vaca e glifo
de  outros  animais:  uma  porca,  representando  seu  lado  maternal; de trono. Templo de Calabexa, c.
uma vaca, particularmente quando conectada com Ápis; ou ainda século I a.C. ou I d.C.
como escorpião. [72] Ela também assumia a forma de uma árvore ou
de uma mulher surgindo de uma árvore, algumas vezes oferecendo
comida e água para as almas mortas. Esta forma fazia referência ao sustento materno que proporcionava. [74]

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A  partir  do  Império  Novo,  devido  às  ligações  próximas  entre  Ísis  e  Hator,  a  primeira  passou  a  assumir
atributos  da  segunda,  como  o  chocalho  de  sistro  e  o  adereço  de  cabeça  com  os  chifres  de  vaca  cercando  um
disco solar. Algumas vezes seus dois adereços de cabeça eram combinados, com o glifo de trono ficando no topo
do disco solar. [72] Ela começou no mesmo período a usar as insígnias de uma rainha humana, como uma coroa
em formato de abutre na cabeça e um ureu real em sua testa. [50] Estátuas e estatuetas dos tempos ptolemaico e
romano  frequentemente  mostravam  Ísis  no  estilo  de  escultura  grega,  com  atributos  tirados  das  tradições
egípcias e gregas. [75][76] Algumas dessas imagens refletiam sua conexão com outras deusas de novos modos.
Ísis­Termute,  uma  combinação  dela  com  Renenutete  para  representar  a  fertilidade  na  agricultura,  era
representada no estilo de uma mulher com o corpo inferior de uma cobra. Estatuetas de uma mulher com um
adereço de cabeça elaborado e expondo seus genitais pode representar Ísis­Afrodite. [77][nota 2]

O símbolo de tyet, uma forma circular similar ao ankh, era visto como o emblema pessoal de Ísis a partir de
pelo menos o começo do Império Novo, apesar de existir desde muito tempo antes. [79] Era frequentemente feito
de jaspe vermelha e tinha ligação com o sangue da deusa. Era usado como amuleto funerário e dizia­se que
proporcionava proteção. [80]

Veneração

Relação com a realeza
Ísis originalmente era uma divindade menor na ideologia acerca do rei vivo, mesmo com toda sua importância
no enredo do mito de Osíris. Por exemplo, ela desempenhava uma função pequena no Papiro Ramesseum, a
escritura dos ritos de coroação realizados na ocasião da ascensão do faraó Sesóstris I do Império Médio. [81] Sua
importância  cresceu  no  Império  Novo, [82]  quando  foi  cada  vez  mais  conectada  com  Hator  e  com  a  rainha
consorte humana. [83]

O primeiro milênio a.C. viu uma ênfase cada vez maior na tríade familiar de Osíris, Ísis e Hórus, além de uma
explosão no crescimento da popularidade de Ísis. No século IV a.C., o faraó Nectanebo I da Trigésima Dinastia
reivindicou Ísis como sua divindade padroeira, conectando­a ainda mais com o poder político. [84] O Reino de
Cuxe, que governou a Núbia do século VIII ao IV a.C.,  absorveu  e  adaptou  a  ideologia  egípcia  que  cercava  a
realeza. Ele igualou a deusa a Candace, a rainha ou rainha­mãe do rei. [85]

Os faraós ptolemaicos desenvolveram uma ideologia que conectava os deuses egípcios e gregos com o objetivo
de  fortalecer  suas  reivindicações  ao  trono  nos  olhos  de  seus  súditos  gregos  e  egípcios.  Desde  séculos  antes,
colonos gregos e visitantes traçaram paralelos entre as divindades do Egito e as suas próprias, um processo
conhecido  como  interpretatio  graeca. [86]  Heródoto,  historiador  grego  do  século  V  a.C.,  conectou  Ísis  com
Deméter, cuja busca por sua filha Perséfone lembrava a procura de Ísis por Osíris. Deméter foi uma das poucas
divindades gregas amplamente adotadas pelos egípcios na época ptolemaica, assim as similaridades dela com
Ísis mostraram­se uma ligação entre as duas culturas. [87] Em outros casos, Ísis era ligada a Afrodite através
dos aspectos sexuais de sua personagem. [88] Ptolemeu I Sóter e Ptolemeu II Filadelfo, os dois primeiros faraós
ptolemaicos, construíram sobre essas tradições e promoveram a veneração de um novo deus chamado Serápis,
que combinava aspectos de Osíris e Ápis com aqueles de deuses gregos como Zeus e Dionísio. Ísis, retratada de
forma helenizada, era considerada a consorte de Serápis e também de Osíris. Ptolemeu II e sua irmã Arsínoe II
desenvolveram um culto ao governante ao redor de si mesmos, assim passaram a ser venerados nos mesmos
templos de Serápis e Ísis, com Arsínoe sendo ligada tanto a deusa egípcia quanto a Afrodite. [89] Algumas das

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rainhas  ptolemaicas  posteriores  identificaram­se  de  forma  ainda  mais  próxima  com  Ísis.  Cleópatra  III  do
século II a.C. usava o nome da deusa no lugar do seu próprio em inscrições, enquanto Cleópatra VII Filópator,
a última governante do Egito antes da anexação romana, usava o epíteto "a nova Ísis". [90]

Templos e festivais
O culto a Ísis tinha ligações próximas com o de divindades
masculinas como Osíris, Min e Ámon até por volta do final
do Império Novo. Ela era comumente venerada ao lado deles
como  sua  mãe  ou  consorte,  sendo  especialmente  cultuada
como  a  mãe  das  várias  formas  locais  de  Hórus. [91]  Mesmo
assim,  ela  tinha  seus  próprios  sacerdócios  individuais  em
alguns  locais, [92]  com  pelo  menos  um  templo  próprio  em
Abidos,  um  centro  de  culto  a  Osíris,  durante  a  parte
posterior do Império Novo. [93]

O templo de Ísis em Filas Os  primeiros  grande  templos  conhecidos  dedicados


exclusivamente a Ísis foram o Iseion em Behbeit el­Hagar no
norte do Egito e em Filas no extremo sul. Ambos começaram a ser construídos durante a Trigésima Dinastia e
completados ou expandidos pelos faraós ptolemaicos. [72] Graças a grande fama de Ísis, Filas atraia peregrinos
vindos de todo o Mediterrâneo. [94] Muitos outros templos dedicados a deusa surgiram no período ptolemaico,
indo desde Alexandria e Canopo na costa mediterrânea até a fronteira com a Núbia. [95] Uma série de templos
ficava nesta última região, espalhando­se de Filas no sul até Maarraca, sendo locais de veneração tanto para
egípcios quanto para os vários povos núbios. [96] Os núbios de Cuxe construíram seus próprios templos para
Ísis em locais bem ao sul como Wad ban Naqa, [97] incluindo um em sua capital Meroé. [98]

O rito templário mais frequente para qualquer divindade era as oferendas diárias, em que sacerdotes vestiam o
ídolo da divindade e lhe ofereciam comida. [99]  Templos  a  Ísis  na  época  romana  foram  construídos  no  estilo
egípcio,  em  que  o  ídolo  ficava  em  um  santuário  isolado  acessível  apenas  aos  sacerdotes,  e  no  estilo  greco­
romano, em que os devotos podiam ver o ídolo. [100] Mesmo assim, as culturas egípcia e grega eram altamente
misturadas  nessa  época  e  talvez  não  existisse  uma  separação  étnica  entre  os  adoradores  de  Ísis. [101]  As
mesmas pessoas possivelmente rezavam para a deusa do lado de fora dos templos egípcios e também em frente
de sua estátua no templos gregos. [100]

Os templos também celebravam festivais, tanto nacionais quanto locais. [102]  Uma  série  elaborada  de  rituais


eram  realizadas  por  todo  o  Egito  para  Osíris  durante  o  mês  de  choiak, [103]  com  Ísis  e  Néftis  sendo
proeminentes  nesse  rituais  até  pelo  menos  o  Império  Novo. [104]  Nos  tempos  ptolemaicos,  duas  mulheres
interpretavam os papéis das deusas durante o choiak, cantando ou lamentando pelo irmão morto. Seus cantos
foram preservados nas Canções de Festivais de Ísis e Néftis e Lamentações de Ísis e Néftis. [104][105]

Ísis acabou por desenvolver seus próprios festivais. Nos tempos romanos, egípcios de todo o país celebravam
seu aniversário, a Amesísia, carregando o ídolo local da deusa pelos campos, provavelmente celebrando seus
poderes de fertilidade. [106] Os sacerdotes em Filas realizavam um festival a cada dez dias quando o ídolo de
Ísis era levado para a ilha vizinha de Bigeh, onde dizia­se que estava localizado o local de enterro de Osíris,
com os sacerdotes fazendo os ritos funerários para o deus. O ídolo também visitava templos próximos ao sul,
mesmo  durante  os  últimos  séculos  de  atividade  em  Filas,  quando  esses  templos  eram  administrados  por
núbios fora do controle romano. [107]

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O  cristianismo  tornou­se,  durante  os  séculos  IV  e  V  d.C.,  a  religião  predominante  no  Império  Romano,
incluindo o Egito. Os cultos em templos egípcios morreram gradualmente e em diferentes épocas devido uma
combinação  de  falta  de  dinheiro  e  hostilidade  dos  cristãos. [108]  O  templo  de  Ísis  em  Filas,  graças  aos  seus
adoradores núbios, conseguiu manter um sacerdócio organizado e festivais regulares até pelo menos a metade
do século V, fazendo dele o último templo em funcionamento do Egito. [109][nota 3]

Ritos funerários
Ísis e Néftis eram retratadas ajudando o faraó falecido
a  alcançar  o  pós­vida  em  muitos  dos  feitiços
presentes  nos  Textos  das  Pirâmides.  Ísis  aparecia
mais  frequentemente  nos  Textos  dos  Sarcófagos  do
Império  Médio,  porém  nessas  escritas  Osíris  foi
creditads  mais  frequentemente  como  o  responsável
por trazer os mortos de volta a vida do que ela. Fontes
Ísis (esquerda) e Néftis (direita) como milhafres
do  Império  Novo  como  o  Livro  dos  Mortos
perto do esquife de uma múmia, século XIII a.C.
descreveram  a  deusa  como  protegendo  as  almas
falecidas  enquanto  enfrentam  os  perigos  do  Duat.
Eles também descreveram Ísis como membro dos conselhos divinos que julgavam as virtudes morais da alma
antes  de  aceitá­las  no  pós­vida,  aparecendo  em  vinhetas  ao  lado  de  Osíris  enquanto  ele  presidia  esse
tribunal. [111]

As  duas  deusas  apareciam  nas  cerimônias  funerárias,  em  que  duas  mulheres  pranteadoras  lamentavam  o
morto assim como Ísis e Néftis tinham feito com Osíris. [112] Ísis era frequentemente mostrada ou referida nos
equipamentos funerários: nos sarcófagos e baús canópicos como uma de quatro divindades que protegiam os
Filhos de Hórus, em tumbas como oferecendo seu leite ao morto e em amuletos tyet que frequentemente eram
colocados  nas  múmias  a  fim  de  garantir  que  o  poder  de  Ísis  os  protegeria  do  mau. [113]  Textos  funerários
posteriores a mostravam lamentando por Osíris e, em certo texto, parte dos Livros da Respiração, foi dito que
foi  escrito  pela  própria  em  benefícios  do  marido. [114]  Ísis  era  considerada  mais  importante  que  Osíris  na
religião funerária núbia, pois tinha sido a parceira ativa enquanto ele passivamente recebeu as oferendas feitas
para sustentá­lo no pós­vida. [115]

Culto popular
Diferentemente de outras divindades egípcias, Ísis raramente era mencionada em orações[116] ou invocada em
nomes pessoais até pelo menos o final do Império Novo. [117] Da Época Baixa (c. 664–332 a.C.) em diante, ela
tornou­se uma das divindades mais comumente mencionadas nas fontes, que frequentemente falavam de sua
personalidade bondosa e disposição para responder aqueles que pediam ajuda. [118] Centenas de milhares de
amuletos e estátuas votivas de Ísis cuidando de Hórus foram feitas no primeiro milênio a.C., [119] enquanto nos
tempos  romanos  ela  estava  entre  as  divindades  mais  comumente  representadas  em  artes  religiosas
particulares, como estatuetas e painéis. [120]

Ísis aparecia proeminentemente em textos mágicos a partir do Império Médio. Os perigos que Hórus enfrentou
na infância eram temas frequentes nos feitiços mágicos de cura, em que os esforços da deusa para curar o filho
eram estendidos para qualquer paciente. Ísis, em muitos desses feitiços, força Rá a ajudar Hórus ao declarar
que iria parar o Sol em seu caminho pelo céu caso seu filho não fosse curado. [121]  Outros  feitiços  igualavam
mulheres grávidas com a deusa a fim de garantir que elas dariam luz bem sucedidamente. [122]

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A magia egípcia começou a incorporar conceitos cristãos à medida que o cristianismo estabelecia­se no Egito,
porém  os  deuses  gregos  e  egípcios  continuaram  a  aparecer  em  feitiços  até  muito  depois  de  seus  cultos  em
templos terem cessado. [123] Feitiços que talvez datem dos séculos VI, VII e VIII invocam o nome de Ísis ao lado
de figuras cristãs. [124]

Mundo greco­romano

Difusão
Cultos baseados em uma cidade ou nação em particular
eram  comuns  pelo  mundo  antigo  até  meados  do
primeiro milênio a.C., quando o contato cada vez maior
entre  culturas  diferentes  permitiu  que  certos  cultos  se
espalhassem  mais  amplamente.  Os  gregos  tinham
ciência  das  divindades  egípcias,  incluindo  Ísis,  desde
pelo  menos  o  Período  Arcaico  (c.  700–480  a.C.),  com
seu  primeiro  templo  conhecido  na  Grécia  tendo  sido
construído por volta do século IV a.C. por egípcios que
moravam  em  Atenas.  As  conquistas  de  Alexandre,  o
As ruínas do templo de Ísis em Delos Grande no final desse século criaram reinos helenísticos
pelo  Mediterrâneo  e  no  Oriente  Próximo,  incluindo  o
Reino Ptolemaico no Egito, colocando religiões gregas e
não­gregas  em  contato  muito  mais  próximo.  A  difusão  de  culturas  que  se  resultou  permitiu  que  muitas
tradições  se  espalhassem  pelo  mundo  helenístico  nos  últimos  três  séculos  antes  de  Cristo.  Os  novos  cultos
móveis  adaptavam­se  para  atrair  pessoas  de  diferentes  culturas.  Os  cultos  de  Ísis  e  Serápis,  nas  formas
helenizadas criadas pelos ptolemaicos, estavam entre esses cultos que expandiram­se dessa forma. [125]

Os  cultos  de  Ísis  e  Serápis  foram  espalhados  por  comerciantes  e  outros  viajantes  mediterrâneos,  sendo
estabelecidos  em  cidades  portuárias  gregas  no  final  do  século IV a.C.  e  expandidas  pelos  Bálcãs  e  Anatólia
durante  os  séculos  III  e  II  a.C..  A  ilha  grega  de  Delos  foi  um  dos  primeiros  centros  de  culto  de  ambas  as
divindades,  com  sua  posição  como  centro  comercial  fazendo­a  o  trampolim  para  que  os  cultos  egípcios  se
espalhassem para a Península Itálica. [126] Ísis e Serápis também eram venerados em alguns locais dispersos no
Império Selêucida, um reino helenístico do Oriente Médio, porém eles desapareceram da região à medida que
os selêucidas perderam seu território oriental para o Império Parta. [127]

Os gregos consideravam as divindades egípcias exóticas e algumas vezes bizarras, porém cheias de sabedoria
antiga. [128]  O  culto  de  Ísis  atraía  gregos  e  romanos  ao  jogar  em  cima  de  suas  origens  exóticas,  como  outros
cultos vindos das regiões orientais do Mediterrâneo, [129] porém a forma que assumiu ao alcançar os Bálcãs era
muito helenizada. [130]

O  culto  de  Ísis  alcançou  a  Península  Itálica  e  a  esfera  de  influência  romana  em  algum  momento  do
século II a.C.. [131] Foi um de muitos cultos que foram introduzidos em Roma enquanto a República  Romana
expandia  seu  território  durante  os  últimos  séculos  antes  de  Cristo.  Autoridades  romanas  tentaram  definir
quais cultos eram aceitáveis e quais não eram, de forma assim a definir a identidade cultural romana em meio
às mudanças culturais acarretadas por sua rápida expansão. [132] No caso de Ísis, santuários e altares em sua
homenagem foram erguidos no Monte Capitolino, no centro da cidade, por pessoas particulares no começo do
século I a.C.. [131] A independência do culto em relação às autoridades o fez potencialmente inquietante para

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elas. [133]  O  Senado  Romano  destruiu  esses  santuários  nas  décadas  de  50  e  40  a.C.,  quando  a  Crise  da
República  Romana  fez  muitos  romanos  acreditarem  que  a  paz  entre  os  deuses  estava  perturbada, [134][135]
porém Ísis não foi banida completamente da cidade. [131]

Cultos egípcios enfrentaram mais hostilidades durante a Última Guerra Civil da República Romana,  quando
Roma,  liderada  por  Otaviano,  lutou  contra  Marco  Antônio  e  o  Egito  governado  por  Cleópatra  VII
Filópator. [136] Otaviano, após sua vitória, baniu os santuários de Ísis e Serápis dentro do Pomério, a fronteira
mais  interna  e  sagrada  da  cidade,  porém  os  permitiu  em  outras  partes,  fazendo  assim  que  as  divindades
egípcias  fossem  não­romanas  mas  aceitáveis. [137]  Os  cultos  egípcios  tornaram­se  gradualmente  uma  parte
aceitável  da  paisagem  religiosa  romana,  mesmo  tendo  sido  temporariamente  banidos  do  império  durante  o
reinado de Tibério. [nota 4] Os imperadores flavianos do final do século I trataram Serápis e Ísis como padroeiros
de seus reinados de forma similar a deuses romanos tradicionais como Júpiter e Minerva. [139] A veneração a
Ísis  desenvolveu  novos  elementos  que  enfatizavam  sua  origem  egípcia,  mesmo  enquanto  seu  culto  estava
sendo integrado à cultura romana. [140][141]

Os  cultos  expandiram­se  para  as  províncias  ocidentais,  começando  ao  longo  da  costa  mediterrânea.  Ísis  e
Serápis, em seu auge no final do século II e início do III, eram venerados na maioria das cidades ocidentais do
império,  porém  tinham  pouca  presença  no  interior. [142]  Seus  templos  eram  encontrados  desde  em  Petra  e
Palmira, nas províncias da Arábia Pétrea e Síria, até Itálica na Hispânia Ulterior e Londínio na Britânia. [143]
Nessa época eles estavam em situação comparável aos deuses romanos tradicionais. [144]

Papéis
O culto de Ísis, assim como outros no mundo greco­romano, não tinha um
dogma  concreto,  com  suas  crenças  e  práticas  permanecendo  apenas
vagamente  similares  entre  si  enquanto  difundiam­se  pela  região  e
evoluíam  com  o  decorrer  do  tempo. [146][147]  Aretologias  gregas  que
elogiavam  a  deusa  proporcionam  boa  parte  das  informações  sobre  esses
cultos.  Partes  dessas  aretologias  eram  similares  às  ideias  presentes  nos
hinos  egípcios  posteriores,  como  aqueles  existentes  em  Filas,  enquanto
outros elementos eram totalmente gregos. [148] Outras informações vem de
Plutarco,  cujo  livro  Sobre  Ísis  e  Osíris  interpreta  os  deuses  egípcios  a
partir  de  sua  filosofia  média  platônica, [149]  enquanto  vários  outros
trabalhos  de  literatura  latina  e  grega  falavam  da  veneração  de  Ísis,
especialmente um romance de Apuleio conhecido como Metamorfoses ou
O Asno de Ouro, que termina ao descrever como o protagonista tem uma
visão da deusa e torna­se um de seus devotos. [150]

Aretologias elaboraram sobre o papel de Ísis como esposa e mãe no mito Estátua romana de Ísis, c.
de Osíris e lhe chamaram de a inventora do casamento e paternidade. Ela século I ou II. Ela está
era  invocada  para  proteger  as  mulheres  no  parto  e,  em  romances  gregos segurando um sistrum e uma
como  Conto  Efésico,  para  proteger  sua  virgindade. [151]  Alguns  textos jarra d'água, porém estes
foram adicionados em uma
antigos  sugerem  que  ela  era  a  padroeira  em  geral  das  mulheres. [152][153]
restauração do
Seu  culto  pode  ter  servido  a  fim  de  promover  a  autonomia  feminina  de
século XVII.[145]
forma  limitada,  com  o  poder  e  autoridade  de  Ísis  atuando  como
precedente,  porém  no  mito  ela  era  dedicada  e  nunca  totalmente

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independente de seu filho e marido. As aretologias mostravam atitudes ambíguas em relação à independência
feminina: uma dizia que a deusa fez as mulheres em igualdade com os homens, porém outra dizia que ela fez as
mulheres subordinadas a seus maridos. [154][155]

Ísis  era  frequentemente  caracterizada  como  uma  deusa  lunar,  fazendo  um  paralelo  com  as  características
solares  de  Serápis. [156]  Ela  também  era  vista  como  uma  divindade  cósmica  de  forma  mais  geral.  Diversos
textos  afirmavam  que  ela  organizava  o  comportamento  do  Sol,  Lua  e  estrelas,  governando  o  tempo  e  as
estações do ano que, por sua vez, garantiam a fertilidade da terra. [157] Esses textos também lhe creditam com a
invenção da agricultura, estabelecimento das leis e elaboração ou promoção de outros elementos da sociedade
humana.  Esta  ideia  vinha  de  antigas  tradições  gregas  sobre  os  papéis  de  vários  deuses  e  do  herói  cultural,
incluindo Deméter, no estabelecimento da civilização. [158]

Ela  também  cuidava  dos  mares  e  portos.  Marinheiros  costumavam  deixar  inscrições  convocando­a  para
proteger  e  trazer  boa  sorte  em  suas  viagens.  Neste  papel  ela  era  chamada  de  Isis Pelagia,  "Ísis  do  Mar",  ou
também  Isis  Pharia,  em  referência  a  uma  vela  de  navegação  ou  à  ilha  de  Faros,  local  do  Farol  de
Alexandria. [159] Esta forma de Ísis emergiu durante os tempos helênicos e pode ter sido inspirada por imagens
egípcias  da  deusa  em  uma  barca,  além  de  por  deuses  gregos  que  protegiam  a  navegação,  como
Afrodite. [160][161]  Isis  Pelagia  desenvolveu  uma  significância  extra  em  Roma:  o  suprimento  alimentício  da
cidade era dependente de carregamentos de cereais vindos de suas províncias, especialmente do Egito, assim
Ísis garantia colheitas férteis e protegia os navios que carregavam a comida pelos mares – assim garantindo o
bem  estar  do  império  como  um  todo. [162]  Dizia­se  que  sua  proteção  do  Estado  estendia­se  também  para  os
exércitos, assim como era no Reino Ptolemaico, algumas vezes sendo inclusive chamada de Isis Invicta, "Ísis
Invencível". [163]  Suas  funções  eram  tão  numerosas  que  ela  acabou  por  ser  chamada  de  myrionymos,  "a  de
incontáveis  nomes",  e  panthea,  "deusa  de  tudo". [164]  Tanto  Plutarco  quanto  o  filósofo  Proclo  mencionaram
uma estátua velada da deusa egípcia Neite que eles misturaram com Ísis, citando isto como um exemplo de
sua universalidade e sabedoria enigmática. Ela tinha as inscrições "Sou tudo que já foi e será; e nenhum mortal
jamais levantou meu manto". [165][nota 5]

Também  dizia­se  que  Ísis  beneficiava  seus  seguidores  no  pós­vida,  algo  que  não  era  muito  enfatizado  nas
religiões grega e romana. [168] Metamorfoses e inscrições deixadas por adoradores sugerem que muitos de seus
seguidores acreditavam que ela lhes garantiria um pós­vida melhor em troca de sua devoção. Esse pós­vida era
caracterizado inconsistentemente. Alguns diziam que beneficiariam­se da água vivificante de Osíris, enquanto
outros esperavam velejar para as Ilhas Afortunadas da tradição grega. [169]

Dizia­se,  assim  como  no  Egito,  que  Ísis  tinha  poder  sobre  o  destino,  que  na  tradição  religiosa  grega  era  um
poder  que  até  mesmo  os  deuses  não  podiam  desafiar.  O  historiador  Valentino  Gasparini  afirma  que  esse
controle  unia  todos  os  traços  díspares  da  deusa.  Ela  governava  o  cosmos  ao  mesmo  tempo  que  aliviava  as
pessoas  de  seus  infortúnios  comparativamente  triviais,  com  sua  influência  estendendo­se  para  o  reino  dos
mortos, que era "individual e universal ao mesmo tempo". [170]

Relações com outros deuses
Mais de uma dúzia de divindades egípcias eram veneradas em uma série de cultos inter­relacionados fora do
Egito  nos  tempos  helenístico  e  romano,  porém  eram  relativamente  pequenos. [171]  Dentre  essas  divindades,
Serápis  era  ligado  proximamente  a  Ísis  e  frequentemente  aparecia  junto  dela  em  artes,  porém  Osíris
permaneceu central no mito dela e proeminente em seus rituais. [172] Templos para Ísis e Serápis algumas vezes
ficavam lado a lado, porém era raro que um único templo fosse dedicado a ambos. [173] Osíris parecia estranho
para os gregos por ser uma divindade morta diferentemente das divindades imortais da Grécia, assim tinha
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um papel pequeno nos cultos egípcios na época helenística. Ele tornou­se, junto com Dioniso, um símbolo do
pós­vida  feliz  nos  tempos  romanos,  com  o  culto  de  Ísis  focando­se  cada  vez  mais  nele. [174]  Hórus,
frequentemente sob o nome de Harpócrates, [nota 6] também aparecia nos templos de Ísis como seu filho junto
com Osíris ou Serápis. Ele absorveu traços de outros deuses gregos como Apolo e Eros, servindo como o deus
do  Sol  e  das  colheitas. [176]  Outro  membro  do  grupo  era  Anúbis,  que  era  conectado  a  Hermes  na  forma
helenizada de Hermanúbis. [177] Algumas vezes também dizia­se que Ísis aprendeu sua sabedoria de, ou mesmo
por ser a filha de, Tot, o deus egípcio da escrita e sabedoria,
que  era  conhecido  no  mundo  greco­romano  como  Hermes
Trismegisto. [178][179]

Ísis  também  tinha  uma  vasta  rede  de  ligações  com


divindades  gregas  e  romanas,  além  de  algumas  vindas  de
outras  culturas.  Ela  nunca  foi  integrada  totalmente  ao
panteão grego, porém em diferentes momentos foi igualada
com uma variedade de figuras mitológicas gregas, incluindo
Deméter,  Afrodite  e  Io,  uma  mulher  humana  que  foi
transformada  em  uma  vaca  e  perseguida  da  Grécia  até  o
Afresco em Pompeia de Ísis dando as boas Egito  pela  deusa  Hera. [180]  O  culto  de  Deméter  foi  uma
vindas a Io no Egito, c. século I influência  helenizadora  especialmente  importante  para  a
veneração  de  Ísis  depois  de  sua  chegada  aos  Bálcãs. [181]  A
relação de Ísis com as mulheres foi influenciada por suas colaborações frequentes com Deméter, que tinha a
função  dupla  de  deusa  virginal  e  promotora  da  fertilidade. [182]  Ísis,  por  seu  poder  sobre  o  destino,  era
conectada com as personificações grega e romana da sorte: Tique e Fortuna. [183] Hator era venerada como uma
forma  especial  da  deusa  local  Baaltis  em  Biblos  na  Fenícia  durante  o  segundo  milênio  a.C.;  Ísis  substituiu
Hator  gradualmente  no  decorrer  do  milênio  seguinte. [184]  Ela  foi  sincretizada  com  a  divindade  tutelar  local
Noreia em Nórica, [185] enquanto em Petra ela talvez tenha sido ligada à deusa árabe Uza. [186] O autor romano
Tácito afirmou que Ísis era venerada pelos suevos, um povo germânico  que  vivia  fora  do  império,  porém  ele
talvez a tenha confundido com uma divindade germânica que, assim como Ísis, era uma deusa simbolizada
por um barco. [187]

Muitas aretologias incluíam longas listas de deuses com quem Ísis tinha ligações. Estes textos tratavam todas
as  divindades  listadas  como  formas  de  Ísis,  sugerindo  que  ela  era  um  ser  sumodeístico:  a  única  deusa  para
todo o mundo civilizado. [188][189] Muitas divindades eram chamadas de "um" ou "única" no mundo religioso
romano em textos desse tipo. Ao mesmo tempo, filósofos helênicos frequentemente viam o princípio abstrato e
unificador do cosmo como divino. Muitos deles reinterpretavam religiões tradicionais a fim de encaixarem­se
em seus conceitos de ser superior, como Plutarco fez com Ísis e Osíris. [190] Em Metamorfoses, a deusa diz que
"minha pessoa manifesta os aspectos de todos os deuses e deusas" e que era "venerada por todo o mundo sob
formas diferentes, com vários ritos e muitos nomes diferentes", porém os egípcios e núbios usavam seu nome
verdadeiro, Ísis. [191][192] Entretanto, ao listar as formas que os vários povos mediterrâneos veneravam como
sendo ela, havia apenas divindades femininas. [193] Divindades greco­romanas eram divididas firmemente por
gênero, limitando o quão universal Ísis poderia ser. Uma aretologia evitou esse problema ao afirmar que Ísis e
Serápis,  que  dizia­se  frequentemente  que  subsumia  vários  deuses  masculinos,  eram  duas  divindades
"únicas". [194][195]  Da  mesma  forma,  tanto  Plutarco  quanto  Apuleio  limitaram  a  importância  de  Ísis  ao
subordiná­la a Osíris. [196]  A  reivindicação  de  que  era  única  tinha  o  objetivo  de  enfatizar  sua  grandeza,  não
necessariamente fazer uma afirmação teológica precisa. [194][195]

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Iconografia
Imagens  de  Ísis  criadas  fora  do  Egito  eram  no  estilo  helenístico,  assim
como  muitas  de  suas  imagens  feitas  no  Egito  durante  as  épocas
helenística  e  romana.  Os  atributos  dela  variavam  muito. [197]  Algumas
vezes  usava  o  adereço  de  chifres  de  vaca  de  Hator  na  cabeça,  porém  os
gregos  e  romanos  diminuíram  seu  tamanho  e  frequentemente  o
interpretavam  como  uma  espécie  de  Lua  Crescente. [198]  Também  usava
adereços que incorporavam folhas, flores ou espigas de milho. [199] Outros
traços  comuns  incluíam  cachos  de  cabelo  encaracolado  e  um  manto
elaborado  que  era  preso  por  um  grande  nó  sobre  seus  seios, [nota  7]  que
originava­se de uma roupa egípcia ordinária, porém era tratada como um
símbolo  de  Ísis  fora  do  Egito. [201]  Nas  mãos  a  deusa  podia  carregar  um
ureu ou sistrum, ambos tirados de sua iconografia egípcia, [202] ou ainda
uma sítula, um recipiente usado para libações de água ou leite que eram
realizados nos cultos de Ísis. [203]
Estatueta romana de bronze
Ela, na forma de Ísis­Fortuna ou Ísis­Tique, segurava em sua mão direita
de Ísis­Fortuna segurando
um  remo,  representando  seu  controle  do  destino,  enquanto  na  esquerda
uma cornucópia e remo,
tinha  uma  cornucópia,  simbolizando  abundância. [204]  Como  Ísis  Faria século I
usava uma capa que levantava­se atrás de si como uma vela, [159] já como
Ísis  Lacta  cuidava  de  Harpócrates  criança. [204]  Essas  imagens  diversas
vinham de suas muitas funções; o historiador Robert Steven Bianchi disse que "Ísis podia representar qualquer
coisa para qualquer um e podia ser representada em qualquer maneira imaginável". [205]

Veneração

Devotos e sacerdotes
O  culto  de  Ísis,  assim  como  muitos  outros  na  época,  não  exigia  que  seus  devotos  venerassem  a  deusa
exclusivamente, com seus níveis de comprometimento variando bastante. [206] Alguns devotos serviam como
sacerdotes em diferentes cultos e passavam por diferentes iniciações dedicadas a deuses diferentes. [207] Mesmo
assim, muitas pessoas enfatizavam uma devoção forte para com Ísis, com alguns chegando a considerá­la o
foco de suas vidas. [208] Eles estavam entre os poucos grupos religiosos no mundo greco­romano a ter um nome
distinto para si mesmos, vagamente equivalente a "judeu" ou "cristão", possivelmente indicando que eles se
definiam por sua afiliação religiosa. Entretanto, a palavra – Isiacus ou "Isíaco" – era raramente usada. [206]

Isíacos eram pequenos em proporção em relação a população do Império Romano, [209] porém eram oriundos
de  todos  os  níveis  da  sociedade,  desde  escravos  e  libertos  até  oficiais  e  membros  da  família  imperial. [210]
Relatos antigos sugerem que Ísis era popular com as classes mais baixas, proporcionando um possível motivo
por as autoridades romanas, atormentadas por disputas de classes, vissem seu culto com certas suspeitas. [211]
Mulheres eram mais bem representadas no culto de Ísis do que na maioria dos outros cultos greco­romanos,
podendo nos tempos imperiais servirem como sacerdotisas em muitas das mesmas posições hierárquicas que
os homens. [212]  Mulheres  formavam  menos  da  metade  dos  isíacos  conhecidos  a  partir  de  inscrições  e  eram
raramente listadas entre os altos níveis do sacerdócio, [213] porém sua participação pode ter sido muito maior
porque as mulheres tradicionalmente eram sub­representadas em inscrições romanas. [214]  Vários  autores  da

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época acusaram o culto da deusa de encorajar a promiscuidade feminina. O historiador Jaime Alvar sugere que
o  culto  atraía  suspeitas  masculinas  simplesmente  porque  proporcionava  às  mulheres  um  local  para  agirem
fora do controle de seus maridos. [215]

Sacerdotes  de  Ísis  eram  conhecidos  por  suas  cabeças  raspadas  e  roupas  de  linho  branco,  ambas  as
características  tiradas  de  sacerdócios  egípcios  e  dos  requisitos  para  a  pureza  ritual. [216]  Um  templo  de  Ísis
podia incluir várias hierarquias de sacerdotes, além de diversas associações cultuais e deveres especializados
para simples devotos. [217] Não há evidências de uma hierarquia supervisionando múltiplos templos, com cada
templo possivelmente tendo funcionado independentemente dos outros. [218]

Templos e ritos
Templos  para  divindades  egípcias  fora  do  Egito,  como  a  Basílica
Vermelha  em  Pérgamo,  o  Templo  de  Ísis  em  Pompeia  ou  o  Iseu
Campense  em  Roma,  foram  construídos  principalmente  no  estilo
greco­romano,  porém,  assim  como  os  templos  egípcios,  eram
cercados por pátios grandes fechados por muros. Eram decorados
com  artes  temáticas  egípcias,  algumas  vezes  incluindo  artefatos
importados  do  Egito.  Sua  disposição  era  mais  elaborada  que  os
templos  romanos  tradicionais  e  incluíam  aposentos  para  os
sacerdotes e para várias funções ritualísticas, com o ídolo da deusa
ficando  em  um  santuário  fechado. [220][221]  Diferentemente  de
ídolos egípcios, as estátuas helenísticas e romanas de Ísis eram em
tamanho  real  ou  maiores.  Seu  ritual  diário  ainda  consistia  em
Afresco de uma reunião isíaca, vestir  o  ídolo  em  roupas  elaboradas  todas  as  manhãs  e  oferecer
século I d.C.. Um sacerdote está libações,  porém  os  sacerdotes  permitiam  que  devotos  ordinários
cuidando do fogo, enquanto outro assistissem o culto durante os rituais matinais, diferentemente da
segura um jarro de água sagrada
tradição  egípcia,  com  eles  podendo  rezar  diretamente  para  a
flanqueado por duas esfinges.[219]
imagem e cantar hinos diante dela. [222]

A  água  era  outro  objeto  de  veneração,  tratada  como  um  símbolo  das  águas  do  Nilo.  Os  templos  de  Ísis
construídos  no  tempo  helenístico  muitas  vezes  possuíam  cisternas  subterrâneas  que  armazenavam  a  água
sagrada,  aumentando  e  diminuindo  seu  nível  em  imitação  das  cheias  do  Nilo.  Muitos  templos  romanos
empregavam um cântaro d'água que era venerado como ídolo ou manifestação de Osíris. [223]

Culto particular
O larário romano, ou santuário particular localizado em residências, continha estatuetas de penates, um grupo
variado de divindades protetoras escolhidas a partir da preferências pessoais dos moradores da casa. [224] Ísis e
outras divindades egípcias eram encontradas em larários na Península Itálica desde o final do século I a.C. até
o começo do IV d.C.. [225][226]

O culto exigia de seus devotos tanto pureza ritual quanto pureza moral, com banhos periódicos também sendo
necessários ou ainda longos períodos de abstinência sexual. Isíacos algumas vezes demonstravam sua piedade
em  ocasiões  irregulares,  clamando  elogios  a  deusa  nas  ruas  ou,  como  forma  de  penitência,  declarando  seus
pecados publicamente. [227]

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Alguns templos para divindades gregas, como Serápis, praticavam incubação, em que os devotos dormiam no
templo  na  esperança  que  o  deus  aparecesse  em  seus  sonhos  e  lhes  dessem  conselhos  ou  curasse  doenças.
Alguns  textos  implicavam  que  essa  prática  também  ocorria  em  templos  dedicados  a  Ísis,  porém  há
pouquíssimas evidências disso. [228] Entretanto, acreditava­se que a deusa comunicava­se através dos sonhos
em outras circunstâncias, incluindo convocar devotos para iniciações. [229]

Iniciação
Alguns templos de Ísis realizavam ritos de mistério e iniciações para novos membros do culto. Apesar desses
ritos  serem  os  elementos  mais  bem  conhecidos  do  culto  greco­romano  de  Ísis,  sabe­se  apenas  que  eram
realizados  na  Península  Itálica,  nos  Bálcãs  e  em  Anatólia. [230][nota  8]  As  iniciações  acrescentavam  uma
intensidade emocional ao processo de juntar­se ao culto por meio de uma experiência dramática e mística com
a deusa. [238]

Metamorfoses  proporciona  o  único  relato  detalhado  da  iniciação  isíaca. [239]  Os  motivos  de  Apuleio  para
escrever sobre o culto e a precisão de sua descrição ficcionalizada são muito debatidos. Entretanto, seu relato é
amplamente  consistente  com  outras  evidências  sobre  a  iniciação  e  acadêmicos  muito  se  baseiam  nele  para
estudarem o assunto. [240]

Ritos  de  mistério  empregavam  várias  experiências  intensas,  como  escuridão  noturna  interrompida  por  uma
luz  brilhante,  música  alta  e  barulhos,  com  o  objetivo  de  sobrecarregar  os  sentidos  e  criar  uma  experiência
religiosa intensa que poderia parecer um contato direto com a divindade dedicada. [241] Lúcio, o protagonista
de Apuleio, passa por uma série de iniciações, porém apenas a primeira é descrita em detalhes. O protagonista,
depois de entrar na parte mais interna do templo de Ísis, diz: "Cheguei à fronteira da morte e, tendo trilhado a
soleira  de  Proserpina,  viajei  por  todos  os  elementos  e  voltei.  No  meio  da  noite  vi  o  Sol  cintilando  com  luz
brilhante, fiquei cara a cara com os deuses abaixo e os deuses acima e prestei reverência a todos de perto". [242]
Esta  descrição  sugere  que  a  viagem  simbólica  do  iniciado  para  o  mundo  dos  mortos  era  conectada  com  o
renascimento  de  Osíris,  além  da  viagem  de  Rá  pelo  submundo  de  outro  mito  egípcio, [243]  possivelmente
implicando que Ísis trouxe o iniciado de volta a vida como tinha feito com o marido. [244]

Festivais
Os  calendários  romanos  listavam  desde  o  início  do  século  I  os  dois  festivais  mais  importantes  de  Ísis.  O
primeiro  era  o  Navigium  Isidis  em  março,  que  celebrava  sua  influência  sobre  o  mar  e  servia  de  reza  pela
segurança  dos  navegantes  e,  por  fim,  do  povo  romano  e  seus  líderes. [245]  Consistia  de  uma  procissão
elaborada,  formada  por  sacerdotes  isíacos  e  devotos  vestidos  com  roupas  diferentes  e  carregando  emblemas
sagrados, que carregava um modelo de um navio desde o templo local até o mar ou rio próximo. [246][247]  O
outro  festival  era  a  Isia  no  final  de  outubro  e  começo  de  novembro.  Assim  como  o  festival  de  Khoiak,  seu
predecessor egípcio, a Isia tinha um ritual de reencenamento da procura de Ísis por Osíris, seguido por uma
jubilação quando o deus era finalmente encontrado. [248] Existiam vários outros festivais menores, incluindo a
Pelusia no final de março que talvez também tenha celebrado o nascimento de Harpócrates, e a Liquinapsia,
ou festival da lamparina acesa, que celebrava o nascimento da própria Ísis em 12 de agosto. [245]

Festivais a Ísis ou outras divindades foram celebrados pelo decorrer do século IV,  apesar  do  crescimento  do


cristianismo e da perseguição de pagãos que se intensificou ao final do século. [249] A Isia foi celebrada até pelo
menos  417, [250]  enquanto  o  Navigium  Isidis  durou  até  o  século  VI. [251]  O  significado  de  todos  os  festivais
romanos  foi  esquecido  ou  ignorado  com  o  passar  do  tempo,  mesmo  com  os  costumes  continuando.  Esses
costumes, em alguns casos, tornaram­se parte da cultura clássica e cristã da Alta Idade Média. [252]

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Influência no cristianismo
Uma  questão  controversa  sobre  Ísis  é  se  seu  culto  influenciou  o
cristianismo. [253]  Alguns  costumes  isíacos  podem  ter  estado  entre  as
práticas  pagãs  que  foram  incorporadas  às  tradições  cristãs  enquanto  o
Império  Romano  era  cristianizado.  Por  exemplo,  o  historiador  Andreas
Alföldi  argumentou  que  o  festival  medieval  do  Carnaval,  em  que  um
modelo  de  barco  era  carregado  pelas  ruas,  desenvolveu­se  do  Navigium
Isidis. [254]

Grande atenção foi prestada para a questão de se traços do cristianismo
foram  tirados  de  cultos  de  mistério  pagãos,  incluindo  o  de  Ísis. [255]  Os
membros  mais  devotos  do  culto  faziam  um  comprometimento  pessoal  a
deusa  que  consideravam  superior  a  outros,  assim  como  os  cristãos. [256]
Tanto o cristianismo quanto o culto de Ísis tinham um rito de iniciação: o
mistério  de  Ísis  e  o  batismo,  respectivamente. [257]  Um  dos  temas  em
Ísis Lacta segurando
comum dos cultos de mistério – um deus cuja morte e ressurreição pode
Harpócrates em um afresco
estar ligada ao bem estar de seus adoradores no pós­vida – é semelhante egípcio do século IV
ao tema central do cristianismo. A sugestão de que as crenças básicas do
cristianismo podem ter sido tiradas de cultos de mistério tem provocado
grandes debates há mais de duzentos anos. [258] Em resposta, Hugh Bowden e Jaime Alvar, dois acadêmicos
que  estudaram  antigos  cultos  de  mistério,  sugerem  que  as  similaridades  entre  cristianismo  e  os  cultos  não
surgiram pela simples tomada de ideias, mas sim por seu passado em comum: a cultura greco­romana dentro
da qual os dois se desenvolveram. [257][259]

As  similaridades  de  Ísis  com  Maria  também  já  foram  analisadas.  Elas  foram  assunto  de  controvérsia  entre
cristãos protestantes e a Igreja Católica,  já  que  muitos  protestantes  consideram  que  a  veneração  católica  de
Maria é um resquício de paganismo. [260] O classicista R. E. Witt considera Ísis como a "grande precursora" de
Maria. Ele sugeriu que antigos devotos de Ísis convertidos ao cristianismo enxergavam Maria de maneira bem
similar  a  sua  deusa  tradicional.  Witt  destacou  que  as  duas  tinham  várias  esferas  de  influência  em  comum,
como  a  agricultura  e  a  proteção  dos  marinheiros.  Ele  comparou  o  título  "Mãe de Deus"  de  Maria  ao  epíteto
"mãe do deus" de Ísis, além do "Nossa Senhora Rainha" de Maria com o "Rainha do Céu" de Ísis. [261] Stephen
Benko,  historiador  dos  tempos  remotos  do  cristianismo,  argumentou  que  a  veneração  de  Maria  foi  muito
influenciada  pela  adoração  de  diversas  deusas  pagãs,  não  apenas  Ísis. [262]  Por  outro  lado,  o  padre  John
Anthony McGuckin, um historiador eclesiástico, falou que Maria absorveu traços superficiais dessas deusas,
como a iconografia, porém os fundamentos de seu culto eram praticamente todos cristãos. [263]

Imagens  de  Ísis  com  Hórus  no  colo  já  foram  sugeridas  como  inspirações  para  a  iconografia  de  Maria,
especialmente imagens da Virgem Amamentando, já que ilustrações de mulheres amamentando eram raras no
antigo mundo mediterrâneo fora do Egito. [264] Vincent Tran Tam Tinh salientou que as imagens mais recentes
de Ísis amamentando Hórus datam do século IV,  enquanto  as  imagens  mais  antigas  de  Maria  cuidando  de
Jesus são do século VII. Sabrina Higgins, partindo da pesquisa de Tran Tam Tinh, argumentou que, se há uma
conexão entre as iconografias de Ísis e Maria, está limitada às imagens da Virgem Amamentando do Egito. [265]
Por  outro  lado,  Thomas  F.  Mathews  e  Norman  Muller  pensam  que  a  pose  de  Ísis  influenciou  vários  ícones
marianos, tanto dentro quanto fora do Egito. [266] Elizabeth Bolman disse que essas imagens egípcias de Maria
amamentando  Jesus  tinham  a  intenção  de  significar  divindade,  assim  como  imagens  de  outras  deusas

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amamentando na iconografia egípcia. [267] Higgins afirmou que tais similaridades provam que as imagens de
Ísis influenciaram as de Maria, porém não que os cristãos adotaram deliberadamente a iconografia de Ísis ou
outros elementos de seu culto. [268]

Influência em outras culturas
A memória de Ísis sobreviveu à extinção de seu culto. Muitos europeus
modernos,  assim  como  os  gregos  e  romanos,  consideram  o  Antigo
Egito como local de uma sabedoria profunda e por vezes mística, com
essa sabedoria frequentemente sendo ligada a Ísis. [269] A biografia de
Ísis por Giovanni Boccaccio em sua obra De Mulieribus Claris de 1374,
baseado em fontes clássicas, tratou a deusa como uma rainha histórica
que  ensinou  habilidades  civilizadas  para  a  humanidade.  Alguns
pensadores  renascentistas  elaboraram  esta  perspectiva  de  Ísis.  João
Ânio  de  Viterbo  afirmou  na  década  de  1490  que  ela  e  Osíris  tinham
civilizado  a  Península  Itálica  antes  dos  Bálcãs,  dessa  forma  criando
uma conexão direta entre sua terra natal e o Egito. Os Apartamentos
Bórgia  no  Palácio  Apostólico  do  Vaticano,  pintados  para  o  papa
Alexandre VI, patrono de Ânio, incorporaram este mesmo tema em sua
representação ilustrada do mito de Osíris. [270]

O  esoterismo  ocidental  muitas  vezes  referenciou  Ísis.  Dois  textos


esotéricos  romanos  usaram  o  tema  mítico  em  que  Ísis  passa
conhecimentos  secretos  para  Hórus.  Em  Kore  Kosmou,  ela  o  ensina
Estátua de Ísis como a "deusa
da vida" velada, por Auguste sabedoria  recebida  de  Hermes  Trismegisto, [271]  enquanto  no  texto
Puttemans no século XX alquímico  Ísis,  a  Profeta  de  Seu  Filho  Hórus,  ela  lhe  ensina  receitas
alquímicas. [272]  Literatura  esotérica  moderna  tratava  Hermes
Trismegisto como um sábio egípcio e frequentemente lhe creditava textos, algumas vezes também creditando­
os a Ísis. [273] A descrição de Apuleio da iniciação isíaca influenciou práticas de muitas sociedades secretas. [274]
O romance Vida de Setos de Jean Terrasson em 1731 usou a descrição de Apuleio como inspiração para uma
iniciação egípcia fantasiosa dedicada a Ísis. [275] Ele foi imitado por sociedades maçônicas e pseudo­maçônicas
no século XVIII, além de outras obras artísticas, notavelmente em 1791 na ópera A Flauta Mágica de Wolfgang
Amadeus Mozart. [276]

A estátua velada de Ísis que Plutarco e Proclo mencionaram tem, desdo Renascimento, sido interpretada como
personificação da natureza, baseado em uma passagem nos trabalhos de Macróbio no século V que igualava a
deusa  com  a  natureza. [277][nota  9]  Autores  dos  séculos  XVII  e  XVIII  atribuíram  uma  grande  variedade  de
significados para essa imagem. Ísis representava a natureza como a mãe de todas as coisas, como um conjunto
de verdades esperando para serem reveladas pela ciência, como símbolo do conceito panteísta de um anônimo
–  uma  divindade  que  era  imanente  dentro  da  natureza[278]  –  ou  como  um  poder  sublime  inspirador  que
poderia  ser  sentido  através  de  ritos  de  mistério. [279]  A  deusa  serviu  como  alternativa  ao  cristianismo
tradicional durante descristianização da França na Revolução Francesa: um símbolo que poderia representar a
natureza, sabedoria científica moderna e uma conexão com um passado pré­cristão. [280] Por esses motivos, a
imagem de Ísis apareceu em obras patrocinadas pelo governo revolucionário, como a Fonte da Regeneração, e
pelo Primeiro Império Francês. [281][282] A metáfora do véu de Ísis continuou circulando no século XIX. Helena
Blavatsky,  fundadora  da  tradição  esotérica  da  Teosofia,  intitulou  seu  livro  de  1877  como  Ísis  sem  Véu,
implicando que iria revelar as verdades espirituais sobre a natureza que a ciência não podia. [283]

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Dentre egípcios modernos, Ísis foi usada como símbolo nacional durante o movimento Faraonista nas décadas
de  1920  e  1930,  enquanto  o  Reino  do  Egito  ganhou  independência  do  Reino  Unido.  Em  trabalhos  como  a
pintura Renascença do Egito de Mohamed Naghi no Parlamento do Egito e a peça O Retorno do Espírito de
Tawfiq al­Hakim, a deusa simboliza o renascimento da nação. Um escultura de Mahmoud Mokhtar, também
chamada de Renascença do Egito, brinca com o tema de Ísis remover seu véu. [284]

Ísis aparece frequentemente em obras ficcionais, como uma série de quadrinhos de super­herói, com seu nome
e imagem aparecendo em locais díspares como propagandas e nomes pessoais. [285] O nome Isidoro ou Isidro,
significando "presente de Ísis", [286] sobreviveu na cristandade apesar de suas origens pagãs, dando origem à
forma inglesa Isidore e suas diversas variantes. [287] "Ísis" por conta própria tornou­se no final do século XX e
início do XXI um nome pessoal feminino popular. [288]

A deusa continua a aparecer em crenças esotéricas modernas e neopagãs. O conceito de uma única divindade
que encarna todos os poderes femininos, parcialmente inspirado por Apuleio, tornou­se um tema amplamente
explorado na literatura do século XIX e início do XX. [289] Grupos e figuras esotéricas influentes, como a Ordem
Hermética da Aurora Dourada do final do século XIX e Dion Fortune na década de 1930, adotaram essa deusa
universal  em  seus  sistemas  de  crenças  e  a  chamaram  de  Ísis.  Esta  concepção  de  Ísis  influenciou  a  Grande
Deusa  encontrada  em  muitas  formas  de  bruxaria  contemporânea. [290][291]  Atualmente,  reconstruções  da
religião do Antigo Egito, como a Ortodoxia Quemética[292]  e  a  Igreja  da  Fonte  Eterna,  incluem  Ísis  entre  as
divindades  veneradas. [293]  A  Irmandade  de  Ísis,  uma  organização  religiosa  eclética  focada  em  divindades
femininas, tem esse nome pois, segundo sua sacerdotisa M. Isidora Forrest, Ísis pode ser uma "deusa universal
para todas as pessoas". [294]

Notas
1.  A veneração de um deus em particular, como Ísis, dentro da religião do Antigo Egito, é chamada de
"culto".[7] O mesmo é frequentemente válido para a veneração de divindades individuais dentro das religiões
grega e romana. Classicistas algumas vezes se referem à veneração de Ísis, ou de certas divindades que
foram introduzidas no mundo greco­romano, como "religiões" pois eram mais distintas da cultura ao redor do
que os cultos dos deuses gregos ou romanos.[8] Entretanto, esses cultos não formavam as comunidades
independentes e autônomas com visões de mundo distintas que os grupos judeus e cristãos dentro do
Império Romano.[9] Os historiadores Françoise Dunand e Jaime Alvar Ezquerra argumentaram que a
veneração de Ísis deve ser chamada de "culto", já que era parte de sistemas maiores nas religiões egípcia
e romana, em vez de serem um sistema de crenças independente e abrangente como no judaísmo e
cristianismo.[8][10]
2.  Essas estatuetas eram muito comuns no Egito romano e pensa­se que muitas vezes representavam Ísis ou
Hator combinadas com Afrodite, porém não se tem total certeza que elas realmente representavam uma
deusa.[78] Os genitais expostos podem representar fertilidade[77] ou tinham a intenção de afastar o mau.[78]
3.  Acadêmicos tradicionalmente acreditaram, seguindo as escritas de Procópio de Cesareia, que Filas fechou
por volta do ano 535 por uma expedição militar sob o imperador Justiniano I. Jitse Dijkstra argumentou que
o relato de Procópio sobre o fechamento do templo é incorreto e que as atividades religiosas regulares
terminaram pouco depois da última data inscrita no templo, em 456 ou 457.[109] Eugene Cruz­Uribe sugere
que o templo ficou vazio a maior parte do tempo durante os séculos V e VI, porém os núbios que viviam ali
perto continuaram a realizar festivais periódicos até meados do século VI.[110]
4.  A expulsão promovida por Tibério dos cultos egípcios era parte de uma reação maior contra práticas
religiosas consideradas uma ameaça à ordem e tradição, incluindo também o judaísmo e astrologia. Flávio
Josefo, um historiador judaico­romano que deu o relato mais detalhado da expulsão, contou que os cultos
egípcios foram alvos por causa de um escândalo em que um homem se passou por Anúbis, com a ajuda de
sacerdotisas de Ísis, a fim de seduzir uma nobre romana. Sarolta Takács duvida de Josefo, argumentando
que a história foi ficcionalizada com o objetivo de transmitir uma opinião moral.[138]
5.  A estátua ficava no templo de Saís, centro do culto de Neite. Ela era muitas vezes misturada com Ísis na
época de Plutarco, com este dizendo que a estátua era de "Atena [Neite], quem [os Egípcios] consideram
ser Ísis". A versão de Proclo da citação era "ninguém jamais ergueu meu véu", implicando que a deusa era

[166]
virginal.  Esta afirmação era ocasionalmente feita sobre Ísis no mundo greco­romano, apesar de
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virginal.[166] Esta afirmação era ocasionalmente feita sobre Ísis no mundo greco­romano, apesar de
contradizer a crença amplamente difundida que ela concebeu Hórus junto com Osíris.[167] Proclo também
escreveu "O fruto de meu ventre foi o sol", sugerindo que a deusa concebeu e deu luz ao Sol sem a
participação de uma divindade masculina, que significaria uma referência aos mitos egípcios sobre Neite
sendo a mãe de Rá.[166]
6.  O nome "Harpócrates" é uma helenização do nome egípcio para uma forma específica de Hórus: ḥr­pꜣ­ẖrd,
"Hórus, o Filho".[175]
7.  Esse nó é algumas vezes chamado de "Nó Ísis", porém não deve ser confundido com o símbolo tyet, que
por vezes era chamado de "nó de Ísis".[200]
8.  Os ritos de mistério podem ter surgido como parte da helenização de Ísis sob os ptolemaicos no decorrer do
século III a.C.,[231] nos Bálcãs sob a influência do culto de Deméter no século I a.C.,[232] ou mesmo por
volta dos séculos I e II d.C.[233] Afirmava­se que eram de origem egípcia e que podem ter sido inspirados
nas tendências secretas de alguns cultos egípcios, que eram realizados por sacerdotes longe do olhar
público.[234] Entretanto, eles eram baseados principalmente em vários cultos de mistério gregos,
proeminentemente os Mistérios de Elêusis dedicados a Deméter, com a inclusão de alguns mitos e ritos
egípcios.[235][236] Poucos textos no Egito fizeram referência a iniciação, mesmo depois dela ter sido
desenvolvida.[237]
9.  Ilustrações de Ísis como natureza datadas do início da modernidade a mostram com vários seios.
Originalmente, a forma de Ártemis venerada em Éfeso era representada com protuberâncias circulares em
seu peito que acabaram sendo interpretadas como seios. Artistas modernos desenharam Ísis desse modo
pois Macróbio afirmou que tanto ela quanto Ártemis eram mostradas assim.[277]

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