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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

CENTRO DE TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL

ITAJÁ DANTAS DE SOUZA JÚNIOR

PLANILHA DE CÁLCULO PARA VERIFICAÇÃO DE


PILARES DE CONCRETO ARMADO

NATAL-RN
2018
Itajá Dantas de Souza Júnior

Planilha de cálculo para verificação de pilares de concreto armado

Trabalho de conclusão de curso na modalidade


Monografia, submetido ao Departamento de
Engenharia Civil da Universidade Federal do Rio
Grande do Norte como parte dos requisitos
necessários para obtenção do Título de Bacharel
em Engenharia Civil.

Orientadora: Prof. Dra. Fernanda Rodrigues


Mittelbach

Natal-RN
2018
Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN
Sistema de Bibliotecas - SISBI
Catalogação da Publicação na Fonte. UFRN / Biblioteca Central Zila Mamede

Junior, Itaja Dantas de Souza.


Planilha de cálculo para verificação de pilares de concreto
armado / Itaja Dantas de Souza Junior. - 2018.
60 f.: il.

Monografia (graduação) - Universidade Federal do Rio Grande


do Norte, Centro de Tecnologia, Graduação em Engenharia Civil.
Natal, RN, 2018.
Orientadora: Profª. Drª. Fernanda Rodrigues Mittelbach.

1. Pilares - Monografia. 2. Concreto armado - Monografia. 3.


Flexão composta oblíqua - Monografia. 4. Análise de Segunda
ordem - Monografia. I. Mittelbach, Fernanda Rodrigues. II.
Título.

RN/UF/BCZM CDU 624.012.45


C626.21
Itajá Dantas de Souza Júnior

Planilha de cálculo para verificação de pilares de concreto armado

Trabalho de conclusão de curso na modalidade


Monografia, submetido ao Departamento de
Engenharia Civil da Universidade Federal do Rio
Grande do Norte como parte dos requisitos
necessários para obtenção do título de Bacharel em
Engenharia Civil.

Aprovado em 28 de Novembro de 2018:

___________________________________________________
Prof. Dra. Fernanda Rodrigues Mittelbach

___________________________________________________
Prof. Dr. Rodrigo Barros

___________________________________________________
Eng. Pedro Mitzcun Coutinho

Natal-RN
2018
AGRADECIMENTOS
Aos meus pais, Itajá Dantas e Sara Joyce, que me deram a vida e os exemplos que me
formaram o caráter, a quem dedico esta conquista.
Ao meu irmão Ítalo Thales, por sempre estar presente nos momentos felizes e tristes, e
pela amizade que só existe entre irmãos.
À minha amada amiga e namorada, Luiza Leiros, por todo apoio e compreensão
durante as horas difíceis e pela adorável companhia nas horas felizes.
Aos meus amigos engenheiros Allan, Johan, Breno, Vanderson, Ewerton, Eduardo,
Amanda, Kaio, João, Paulo Henrique, Ricardo Barros, Maria Lopes e Francisco Romerito
pelo companheirismo nos momentos adversos (dos quais o curso de engenharia civil é repleto,
eles bem sabem) e pelos eventos marcantes no decorrer do curso.
Aos professores do curso de engenharia civil da UFRN, pelas valiosas lições
aprendidas ao longo deste bacharelado, particularmente à minha orientadora, Fernanda
Mittelbach, um verdadeiro anjo em forma de professora.
Ao seu Wilson Martins, da coordenação do curso, quem eu espero que esteja curtindo
sua aposentadoria.
“É um fato bem conhecido que um ingrediente vital para o sucesso é não sabermos que o que
estamos tentando é impossível.”

– Terry Pratchett
RESUMO
Este trabalho trata do desenvolvimento de um código computacional inserido numa planilha
do Microsoft Excel. A planilha é uma ferramenta prática capaz de, conforme as prescrições da
ABNT NBR 6118:2014, resolver numericamente problemas de flexão composta oblíqua e
também determinar os esforços de segunda ordem local em pilares biapoiados de concreto
armado com índice de esbeltez não superior a 140 e fck até 50 MPa, com os métodos do pilar-
padrão com curvatura aproximada, pilar-padrão com rigidez 𝜅 aproximada, pilar-padrão
acoplado a diagramas momento-curvatura e método geral acoplado a diagramas momento-
curvatura. Os resultados da planilha foram validados analiticamente pela verificação manual
de uma seção de concreto armado, com uma diferença de 0,897%, e numericamente
comparando-os aos resultados do CAD/TQS (MAPE = 0,57%), do P-Calc (MAPE = 0,0%,
análise de seção; MAPE = 0,60%, método geral acoplado a diagramas momento-curvatura) e
do Oblíqua (MAPE = 5,5%).

Palavras-chave: Pilares. Concreto armado. Flexão composta oblíqua. Análise de


segunda ordem.
ABSTRACT
This paper describes the development of a computer code inserted into a Microsoft Excel
workbook. The workbook is a practical tool able to, according to the ABNT NBR 6118:2014
prescriptions, numerically solve biaxial bending problems and also evaluate the additional
second-order loads in hinge-hinge columns of reinforced concrete whose slenderness ratio is
not greater than 140 and a fck not greater than 50 MPa, using the following methods: model
column with approximate curvature, model column with κ approximate rigidity, model
column with moment-curvature diagrams and general method with moment-curvature
diagrams. The results of the workbook were validated analytically by manually verifying a
reinforced concrete cross-section, with a difference of 0,897%, and numerically by comparing
these results to the CAD/TQS’s (MAPE = 0,57%), P-Calc’s (MAPE = 0,0%, cross-section
verification; MAPE = 0,60%, general method with moment-curvature diagrams) and
Oblíqua’s (MAPE = 5,5%) results.

Palavras-chave: Columns. Reinforced Concrete. Biaxial bending. Second order analysis.


ÍNDICE DE FIGURAS
Figura 1 – Momentos e excentricidades iniciais no topo e na base do tramo. ......................... 15
Figura 2 – Aproximação em apoios extremos. ......................................................................... 16
Figura 3 – Excentricidades de forma. ....................................................................................... 17
Figura 4 – Excentricidade de forma absorvida por viga. .......................................................... 17
Figura 5 – Imperfeições geométricas globais. .......................................................................... 18
Figura 6 – Excentricidade acidental por imperfeições local..................................................... 19
Figura 7 – Envoltória mínima de primeira ordem. ................................................................... 20
Figura 8 – Envoltória mínima de segunda ordem. ................................................................... 20
Figura 9 – Diagrama de tensão-deformação do concreto submetido à compressão. ................ 25
Figura 10 – Diagrama de tensão-deformação do aço. .............................................................. 26
Figura 11 – Domínios de estado-limite último de uma seção transversal de concreto armado.
.................................................................................................................................................. 26
Figura 12 – Seção de concreto armado no domínio 4. ............................................................. 27
Figura 13 – Seção de concreto armado. .................................................................................... 29
Figura 14 – Intervalo de iteração contendo a posição da linha neutra. .................................... 30
Figura 15 – Diagrama de interação de uma seção de concreto armado. .................................. 31
Figura 16 – Metodologia de solução numérica da planilha. ..................................................... 32
Figura 17 – Momentos de primeira e segunda ordem num pilar em balanço. ......................... 33
Figura 18 – Pilar biapoiado submetido a um carregamento. .................................................... 33
Figura 19 – Esforços num elemento infinitesimal de barra. ..................................................... 34
Figura 20 – Relação momento-curvatura. ................................................................................ 38
Figura 21 – Determinação do comprimento equivalente de flambagem. ................................. 39
Figura 22 – Entrada de dados. .................................................................................................. 45
Figura 23 – Entrada de dados: geometria, esforços e parâmetros de segunda ordem. ............. 46
Figura 24 – Entrada de dados: características dos materiais e detalhamento da armadura. ..... 46
Figura 25 – Saída de dados. ...................................................................................................... 47
Figura 26 – Saída de dados: resistência da seção. .................................................................... 47
Figura 27 – Saída de dados: resistência da seção. .................................................................... 48
Figura 28 – Saída de dados: envoltória resistente. ................................................................... 49
Figura 29 – Seção em análise. .................................................................................................. 50
Figura 30 – Equilíbrio da seção no ELU. ................................................................................. 51
Figura 31 – Seção submetida a flexão composta oblíqua. ........................................................ 52
Figura 32 – Envoltória resistente calculada pela planilha de cálculo com indicação dos pontos.
.................................................................................................................................................. 52
Figura 33 – Seção genérica. ...................................................................................................... 54
Figura 34 – Seção, comprimento equivalente e esforços atuantes no pilar. ............................. 55
Figura 35 – Envoltória resistente. ............................................................................................. 58
ÍNDICE DE TABELAS
Tabela 1 – Momentos Resistentes Calculados, em kNm.......................................................... 53
Tabela 2 – Diferenças nos momentos calculados. .................................................................... 53
Tabela 3 – Comparações entre momentos resistentes calculados na planilha e no TQS. ........ 54
Tabela 4 – Comparações entre momentos calculados na planilha e no P-Calc. ....................... 57
Tabela 5 – Comparações entre momentos calculados na planilha e no P-Calc. ....................... 57
Tabela 6 – Resumo dos resultados da análise de 2ª ordem local. ............................................. 58
SIMBOLOGIA

SÍMBOLO SIGNIFICADO
𝐴𝑠𝑖 Área da barra de aço “i”
𝑑′ Distância entre a superfície do pilar e o centro da barra de ço
𝑒2 Excentricidade de 2ª ordem
𝑒𝑎 Excentricidade acidental
𝑒𝑐𝑐 Excentricidade suplementar de fluência
𝑒𝑓 Excentricidade de forma
𝑒𝑖 Excentricidade inicial
𝐸𝑠 Modulo de elasticidade longitudinal do aço
𝑓𝑐𝑑 Resistência de cálculo a compressão do concreto
𝑓𝑐𝑘 Resistência característica à compressão do concreto em Mpa
𝑓𝑦𝑑 Resistencia de cálculo ao escoamento do aço
𝑓𝑦𝑘 Resistência característica ao escoamento do aço
𝐼 Momento de inercia
𝑖 Raio de Giração
𝑀 Momento fletor
𝑁 Esforço normal
𝑁𝑠 Esforço normal solicitante
𝑥𝑐 Distância ao longo do eixo x entre o centro geométrico do elemento
considerado e o centro geométrico da seção
𝑥𝐿𝑁 Profundidade da linha neutra
𝑦𝑐 Distância ao longo do eixo y entre o centro geométrico do elemento
considerado e o centro geométrico da seção
𝛼 Inclinação da linha neutra
𝛾𝑐 Coeficiente de ponderação da resistência do concreto
𝛾𝑠 Coeficiente de ponderação da resistência do aço
𝜀𝑐 Deformação específica de encurtamento no concreto
𝜀𝑐𝑔 Deformação específica do centro geométrico da seção
𝜀𝑠 Deformação específica no aço
𝜆 Índice de esbeltez
𝜎𝑐 Tensão normal no concreto
𝜎𝑠 Tensão normal no aço
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 14
1.1 Considerações iniciais .................................................................................................. 14
1.2 Excentricidades nos pilares........................................................................................... 14
Excentricidade inicial ............................................................................................ 15
Excentricidade de forma ........................................................................................ 16
Excentricidade acidental ........................................................................................ 17
Momento mínimo de primeira ordem .................................................................... 19
Excentricidade de segunda ordem ......................................................................... 21
Excentricidade suplementar de fluência ................................................................ 21
Resumo das excentricidades .................................................................................. 22
1.3 Objetivos ....................................................................................................................... 22
Geral ...................................................................................................................... 22
Específicos ............................................................................................................. 23
2 SEÇÕES DE CONCRETO ARMADO SUBMETIDAS À FLEXOCOMPRESSÃO EM
ESTADO-LIMITE ÚLTIMO ................................................................................................... 24
2.1 Hipóteses básicas .......................................................................................................... 24
2.2 Diagramas de tensão-deformação ................................................................................. 24
2.3 Domínios de estado-limite último ................................................................................ 26
2.4 Deformação num ponto qualquer da seção transversal ................................................ 27
2.5 Resistência à flexão da seção transversal ..................................................................... 28
2.6 Metodologia de solução numérica da planilha de cálculo ............................................ 29
3 ANÁLISE DA SEGUNDA ORDEM LOCAL EM PILARES ......................................... 33
3.1 Equação diferencial do equilíbrio de um pilar sem carregamentos transversais .......... 33
Solução analítica da equação diferencial do equilíbrio ......................................... 35
3.2 Pilar-Padrão .................................................................................................................. 36
3.3 Rigidez e relações momento-curvatura ........................................................................ 37
3.4 Índice de esbeltez 𝝀 ...................................................................................................... 39
Índice de esbeltez limite λ1 .................................................................................... 40
3.5 Métodos de determinação dos efeitos de segunda ordem local .................................... 41
Método do pilar-padrão com curvatura aproximada ............................................. 41
Método do pilar-padrão com rigidez κ aproximada .............................................. 42
Método do pilar-padrão acoplado a diagramas momento-curvatura ..................... 43
Método geral acoplado a diagramas momento-curvatura ...................................... 43
Resumo dos métodos ............................................................................................. 44
4 FUNCIONAMENTO DA PLANILHA DE CÁLCULO .................................................. 45
4.1 Entrada de dados ........................................................................................................... 45
4.2 Saída de dados .............................................................................................................. 47
5 VALIDAÇÃO DA PLANILHA DE CÁLCULO ............................................................. 50
5.1 Verificação de seção ..................................................................................................... 50
Verificação analítica da resistência a flexão normal simples ................................ 50
Verificação da resistência a flexão composta oblíqua ........................................... 51
Verificação da resistência de uma seção submetida a flexão composta normal em
comparação ao CAD/TQS .............................................................................................. 53
5.2 Determinação dos esforços de segunda ordem local .................................................... 55
. Pilar-padrão com curvatura aproximada ................................................................ 55
. Pilar-padrão com rigidez 𝜿 aproximada ................................................................ 56
. Método do pilar-padrão acoplado a diagramas momento-curvatura ..................... 56
. Método geral acoplado a diagramas momento-curvatura ...................................... 57
. Resumo dos resultados .......................................................................................... 57
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................ 59
7 REFERÊNCIAS ................................................................................................................ 60
14

1 INTRODUÇÃO

1.1 Considerações iniciais

A obtenção de soluções analíticas para o dimensionamento de pilares de concreto


armado representa um grande desafio devido à não linearidade física e geométrica do
problema. Além dos efeitos de fissuração, que reduzem a rigidez das peças de concreto
armado, elementos comprimidos precisam também, em muitos casos, ser analisados quanto à
instabilidade devido a efeitos de segunda ordem (não linearidade geométrica).
No dimensionamento de pilares de concreto armado, portanto, as soluções analíticas
são raramente utilizadas, de modo que os projetistas recorrem a ábacos ou programas de
cálculo estrutural (métodos numéricos). Se por um lado os programas de cálculo estrutural
consagrados no mercado são precisos e eficientes, por outro lado têm um elevado custo de
aquisição e por isso são frequentemente inacessíveis para estudantes (CARVALHO;
PINHEIRO, 2009), pequenos escritórios de engenharia ou engenheiros em início de carreira.
Já os ábacos de dimensionamento de pilares são pouco precisos, pois limitam as dimensões
geométricas, o cobrimento e a distribuição de armaduras no pilar, o que dificulta a sua
aplicação em muitas situações; pois para garantir a segurança de sua estrutura, um projetista
que utiliza um ábaco precisa arredondar seus resultados no sentido do superdimensionamento,
o que acaba elevando o custo da estrutura.
Este trabalho descreve, justifica e elabora um código computacional na linguagem de
programação Visual Basic for Applications [VBA]. Esse código está inserido numa planilha
de cálculo do software Microsoft Excel. A planilha resolve numericamente problemas de
flexão composta oblíqua em pilares com 𝑓𝑐𝑘 até 50 MPa seguindo as prescrições da NBR
6118 (Associação Brasileira de Normas Técnicas [ABNT], 2014).

1.2 Excentricidades nos pilares

Um passo importante do dimensionamento de pilares, não abordado pela planilha de


cálculo desenvolvida neste trabalho, é a obtenção dos esforços solicitantes de projeto nos
pilares. Nesta seção, será feita uma breve introdução acerca de alguns pontos relevantes para a
obtenção dos esforços solicitantes nos pilares.
Quando se realiza a análise de pilares, a determinação dos momentos fletores atuantes
é geralmente feita através da determinação da excentricidade do esforço normal em relação ao
15

centro geométrico da seção. De acordo com Carvalho e Pinheiro (2009), as excentricidades


atuantes nos pilares são divididas em:
 Excentricidade inicial;
 Excentricidade de forma;
 Excentricidade acidental;
 Excentricidade de segunda ordem;
 Excentricidade suplementar de fluência.

Excentricidade inicial

A excentricidade inicial é resultado do engastamento parcial entre pilar e viga,


particularmente em pilares de borda e de canto. A ligação monolítica transfere momentos
fletores ao pilar, originando a excentricidade inicial. A excentricidade inicial do esforço
normal atuante (𝑒𝑖 ) é determinada pela equação 1, onde 𝑀 é o momento fletor transferido ao
pilar e 𝑁 é o esforço normal no pilar.
𝑀
𝑒𝑖 = (1)
𝑁
Convém mencionar que a excentricidade inicial usualmente tem valores distintos no
topo e na base do tramo considerado (figura 1) e também nas das direções 𝑥 e 𝑦.
Figura 1 – Momentos e excentricidades iniciais no topo e na base do tramo.

Fonte: Scadelai, 2004, p. 34.

A NBR 6118/14, no item 14.6.6, permite uma simplificação do cálculo da influência


da solidariedade dos pilares extremos com uma viga contínua, conforme as equações 2 a 4 e a
figura 2:
16

 Na extremidade da viga:
𝑟𝑖𝑛𝑓 + 𝑟𝑠𝑢𝑝
𝑀𝑣𝑖𝑔𝑎 = 𝑀𝑒𝑛𝑔 (2)
𝑟𝑖𝑛𝑓 + 𝑟𝑠𝑢𝑝 + 𝑟𝑣𝑖𝑔𝑎
 No tramo superior do pilar:
𝑟𝑠𝑢𝑝
𝑀𝑝𝑖𝑙𝑎𝑟,𝑠𝑢𝑝 = 𝑀𝑒𝑛𝑔 (3)
𝑟𝑖𝑛𝑓 + 𝑟𝑠𝑢𝑝 + 𝑟𝑣𝑖𝑔𝑎
 No tramo inferior do pilar:
𝑟𝑠𝑢𝑝
𝑀𝑝𝑖𝑙𝑎𝑟,𝑖𝑛𝑓 = 𝑀𝑒𝑛𝑔 (4)
𝑟𝑖𝑛𝑓 + 𝑟𝑠𝑢𝑝 + 𝑟𝑣𝑖𝑔𝑎
Onde: 𝑟𝑖 = 𝐼𝑖 /𝑙𝑖 , sendo 𝐼𝑖 o momento de inércia do elemento 𝑖 e 𝑙𝑖 o seu comprimento,
conforme a figura 2.
𝑀𝑒𝑛𝑔 é o momento de engastamento perfeito da ligação viga contínua-pilar extremo;
𝑀𝑝𝑖𝑙𝑎𝑟,𝑠𝑢𝑝 é o momento na extremidade inferior do pilar superior;
𝑀𝑝𝑖𝑙𝑎𝑟,𝑖𝑛𝑓 é o momento na extremidade superior do pilar inferior;
𝑀𝑣𝑖𝑔𝑎 é o momento na extremidade da viga;
Figura 2 – Aproximação em apoios extremos.

Fonte: ABNT, 2014, p. 94.

Excentricidade de forma

Nos projetos estruturais de edifícios, devido a necessidades arquitetônicas, é comum


que o eixo da viga se desencontre do eixo baricêntrico do pilar no qual se apoia, como
ilustrado na figura 3. Nessas situações, a reação da viga apresenta uma excentricidade em
relação ao centro do pilar: a excentricidade de forma.
17

Figura 3 – Excentricidades de forma.

Fonte: Pinheiro, 2007, p. 16.9.

Carvalho e Pinheiro (2009) ressalvam que a excentricidade de forma pode, em


algumas situações, ser considerada absorvida por outra viga. É o caso da excentricidade de
forma no pilar P3 da figura 4: a excentricidade da viga V100 é considerada absorvida pela
inércia a flexão da viga V101.
Figura 4 – Excentricidade de forma absorvida por viga.

Fonte: Carvalho e Pinheiro, 2009, p. 332.

Excentricidade acidental

A NBR 6118/14 prescreve, no item 11.3.3.4, que na verificação do estado-limite


último das estruturas reticuladas devem ser consideradas as imperfeições geométricas da
18

estrutura. Essas imperfeições são classificadas em dois grupos: imperfeições globais e


imperfeições locais.
a) Imperfeições globais
A análise global das estruturas reticuladas, contraventadas ou não, deve sempre
considerar um desaprumo dos elementos verticais, conforme a figura 5.
Figura 5 – Imperfeições geométricas globais.

Fonte: ANBT, 2014, p. 59.

O ângulo de desaprumo, 𝜃𝑎 , pode ser avaliado pela equação 5:

1 + 1/𝑛
𝜃𝑎 = 𝜃1 √ (5)
2
1
𝜃1 = (6)
100√𝐻
Onde: 𝜃1𝑚í𝑛 vale 1/300 para estruturas reticuladas e imperfeições locais;
𝜃1𝑚á𝑥 vale 1/200 para estruturas reticuladas e imperfeições locais;
𝐻 é a altura total da edificação (para imperfeições globais) ou a altura do lance do
pilar (para imperfeições locais), em metros;
𝑛 é o número de prumadas de pilares no pórtico plano.
Em pilares isolados em balanço, considera-se 𝜃1 = 1/200, e se o edifício tiver
predominância de lajes lisas ou lajes cogumelo, adota-se 𝜃𝑎 = 𝜃1 .
As ações de vento também devem ser consideradas no cálculo das imperfeições
globais, de acordo com os seguintes critérios:
i. Se 30% da ação do vento for maior que a ação total do desaprumo, considera-
se somente a ação do vento.
19

ii. Se 30% da ação do desaprumo for maior que a ação total do vento, considera-
se somente a ação do desaprumo, respeitando-se a consideração de 𝜃1𝑚í𝑛 .
iii. Nos demais casos, as ações de vento e desaprumo devem ser combinadas, sem
a necessidade da consideração do 𝜃1𝑚í𝑛 .
b) Imperfeições locais
Imperfeições locais produzem uma excentricidade que é calculada para apenas um
lance de pilar. São considerados, nesse caso, o efeito do desaprumo do pilar e o efeito da falta
de retilineidade no pilar, conforme a figura 6.
Figura 6 – Excentricidade acidental por imperfeições local.

Fonte: Adaptado da ABNT, 2014, p. 60.

O ângulo 𝜃1 pode ser avaliado pela equação 6, e a NBR 6118/14 sugere que nos casos
usuais de estruturas reticuladas a análise das imperfeições locais pode prescindir da
verificação de desaprumo, considerando-se somente os efeitos da falta de retilineidade.

Momento mínimo de primeira ordem

A NBR 6118/14 permite, para estruturas reticuladas, que o efeito das imperfeições
locais seja substituído pela consideração de um momento mínimo de primeira ordem:

𝑀1𝑑,𝑚í𝑛 = 𝑁𝑑 (0,015 + 0,03ℎ) (7)

Onde ℎ é a altura da seção transversal na direção considerada, em metros.


O momento mínimo de primeira ordem pode ser convenientemente expresso em
termos de uma excentricidade mínima de acordo com a equação 8:

𝑒1𝑑,𝑚í𝑛 = 0,015 + 0,03ℎ (8)


20

Em pilares de seção retangular, pode-se definir uma envoltória mínima de primeira


ordem (figura 7), a qual precisa estar contida na envoltória resistente para atender a
verificação do momento mínimo.
Figura 7 – Envoltória mínima de primeira ordem.

Fonte: ABNT, 2014, p. 61.

Quando for necessário avaliar os efeitos locais de 2ª ordem, deve-se considerar a


envoltória mínima de segunda ordem, conforme a figura 7.
A construção dessa envoltória de segunda ordem pode ser realizada através de duas
análises de segunda ordem na flexão composta normal, em torno dos eixos 𝑥 e 𝑦. A
configuração deformada inicial a ser considerada nessa análise é determinada através da
aplicação dos momentos fletores mínimos de 1ª ordem nos extremos do pilar. Os métodos
para essas análises de segunda ordem são discutidos na seção 3.5, e a envoltória de segunda
ordem tem o aspecto ilustrado na figura 8. Note-se que nas figura 7 e 8 foram conservadas as
convenções de direção de momento fletor da NBR 6118/14; as convenções deste trabalho são
definidas na seção 2.5, com auxílio da figura 13.

Figura 8 – Envoltória mínima de segunda ordem.


21

Fonte: ABNT, 2014, p. 102.

Excentricidade de segunda ordem

A força normal solicitante, em conjunto com as excentricidades de primeira ordem,


causam deformações ao longo do pilar as quais dão origem a uma nova excentricidade, que se
denomina excentricidade de segunda ordem. Essa excentricidade é discutida na seção 3 deste
trabalho.

Excentricidade suplementar de fluência

A avaliação dos efeitos de fluência é obrigatória em pilares esbeltos (𝜆 > 90) e,


conforme o item 15.8.4 da NBR 6118/14, seu cômputo pode ser efetuado de maneira
simplificada pela consideração da excentricidade suplementar, 𝑒𝑐𝑐 , de acordo com as
equações 9 e 10.
O efeito da fluência deve ser considerado como um efeito imediato que se soma à
excentricidade de primeira ordem antes do cálculo dos momentos de segunda ordem.

𝜙𝑁𝑠𝑔
𝑀𝑠𝑔 𝑁𝑒 −𝑁𝑠𝑔
𝑒𝑐𝑐 =( + 𝑒𝑎 ) (2,718 − 1) (9)
𝑁𝑠𝑔
10𝐸𝑐𝑖 𝐼𝑐
𝑁𝑒 = (𝐶𝑎𝑟𝑔𝑎 𝐶𝑟í𝑡𝑖𝑐𝑎 𝑑𝑒 𝐸𝑢𝑙𝑒𝑟) (10)
𝑙𝑒2

𝐸𝑐𝑖 = 𝛼𝐸 ∙ 5600√𝑓𝑐𝑘 (11)


22

Onde: 𝑒𝑎 é a excentricidade acidental devido às imperfeições locais, conforme a figura 6;


𝑀𝑠𝑔 e 𝑁𝑠𝑔 são os o momento fletor e o esforço normal solicitantes devidos à
combinação quase permanente;
𝜙 é o coeficiente de fluência, adotado conforme a tabela 8.2 da NBR 6118/14 ;
𝐸𝑐𝑖 é o módulo de elasticidade longitudinal do concreto em MPa, conforme o item
8.2.8 da NBR 6118/14;
𝛼𝐸 é uma constante que avalia a influência do agregado graúdo na rigidez do
concreto, valendo 1,2 para basalto e diabásio; 1,0 para granito e gnaisse; 0,9 para calcário e
0,7 para arenito.
𝑓𝑐𝑘 é a resistência característica à compressão do concreto em MPa;
𝐼𝑐 é o momento de inércia da seção bruta de concreto para a direção estudada;
𝑙𝑒 é o comprimento equivalente de flambagem, conforme a seção 3.4.

Resumo das excentricidades

As excentricidades abordadas neste trabalho e seus campos de aplicação obrigatória


estão resumidos no quadro 1.
Quadro 1 – Resumo da aplicação das excentricidades.
Excentr. Símbolo Aplicação
Inicial 𝑒𝑖 Análise estrutural da ligação viga-pilar(1).
𝑒𝑓 ≠ 0 se não há viga
𝑒𝑓 = 0 se há viga capaz de
De forma 𝑒𝑓 capaz de absorver o
absorver o momento.
momento.
Acidental 𝑒𝑎 Comparar com a excentricidade mínima e usar a maior.
Mínima 𝑒1𝑑,𝑚í𝑛 Comparar com a excentricidade acidental e usar a maior.
Segunda
𝑒2 𝜆 ≤ 𝜆1 → 𝑒2 = 0 𝜆 > 𝜆1 → 𝑒2 ≠ 0
ordem
Suplementar
𝑒𝑐𝑐 𝜆 ≤ 90 → 𝑒𝑐𝑐 = 0 𝜆 > 90 → 𝑒𝑐𝑐 ≠ 0
(fluência)
(1) Em algumas situações de pilares internos, pode-se desconsiderar a excentricidade inicial, porém sempre se
considera a acidental ou a mínima.
Fonte: Adaptado de Carvalho e Pinheiro, 2009.

1.3 Objetivos

Geral

Desenvolver uma planilha de cálculo capaz de realizar as verificações de esgotamento


da capacidade resistente e estabilidade local de pilares com índice de esbeltez menor ou igual
a 140, confeccionados a partir de concreto de 𝑓𝑐𝑘 menor ou igual a 50 MPa, conforme a NBR
6118/14.
23

Específicos

 Desenvolver uma sub-rotina capaz de verificar a resistência de um elemento


flexocomprimido no Estado-Limite Último (ELU) de esgotamento da capacidade
resistente devido às solicitações normais.
 Desenvolver uma sub-rotina capaz de verificar a instabilidade devido a efeitos de
segunda ordem local pelo métodos do pilar-padrão com curvatura aproximada, método
do pilar-padrão com rigidez 𝜅 aproximada, método do pilar-padrão acoplado a
diagramas momento-curvatura e método geral acoplado a diagramas de momento-
curvatura, conforme a NBR 6118/14.
 Comparar resultados obtidos pela planilha com métodos analíticos e softwares de
cálculo comerciais.
24

2 SEÇÕES DE CONCRETO ARMADO SUBMETIDAS À


FLEXOCOMPRESSÃO EM ESTADO-LIMITE ÚLTIMO

O concreto armado é um material misto formado pela associação de concreto e barras


de aço que se vale da boa resistência a compressão do concreto em conjunto com a resistência
a tração do aço de modo a resistir de forma econômica a esforços de flexão ou
flexocompressão.
A análise de seções de concreto armado submetidas à flexocompressão consiste em
determinar a distribuição de deformações, e correspondentes tensões, que resulta no equilíbrio
das forças e momentos atuantes na seção.

2.1 Hipóteses básicas

No desenvolvimento deste trabalho foram admitidas as seguintes hipóteses básicas:


1. Linhas retas normais ao plano neutro da peça permanecem retas, normais à superfície
neutra e inalteradas em seu comprimento, após o carregamento [Hipótese das seções
planas].
2. As deformações da armadura passiva são iguais às do concreto em seu entorno.
3. A resistência à tração do concreto é desconsiderada.

2.2 Diagramas de tensão-deformação

Os diagramas de tensão-deformação do concreto comprimido e do aço foram adotados


conforme a NBR 6118/14, de acordo os diagramas das figuras 9 e 10, respectivamente.
A tensão de compressão no concreto pode ser determinada a partir da equação 12,
enquanto a tensão no aço pode é descrita pela equação 13. Neste trabalho a tração é
considerada com sinal positivo, portanto as tensões no concreto são sempre negativas.
𝜀𝑐 𝑛
−0,85 𝑓𝑐𝑑 [1 − (1 − ) ], 0 ≤ 𝜀𝑐 ≤ 𝜀𝑐2
𝜎𝑐 = { 𝜀𝑐2 (12)
−0,85 𝑓𝑐𝑑 , 𝜀𝑐 ≥ 𝜀𝑐2
𝐸𝑠 𝜀𝑠
|𝜎𝑠 | ≤ { (13)
𝑓𝑦𝑑
Onde: 𝜎𝑐 é a tensão de compressão no concreto.
𝑓𝑐𝑑 é a resistência de cálculo à compressão do concreto, obtida dividindo-se a
resistência característica à compressão do concreto, 𝑓𝑐𝑘 , pelo coeficiente de ponderação da
resistência do concreto, 𝛾𝑐 , usualmente igual a 1,4;
25

𝜀𝑐 é a deformação específica de encurtamento no concreto;


𝜀𝑐2 é a deformação específica de encurtamento do concreto no início do patamar
plástico, que é igual a 0,2% para concretos de classe até C50;
𝑛 é um parâmetro adimensional que, para concretos de classes até C50 é igual a
2;
𝜎𝑠 é a tensão no aço, que será positiva na tração e negativa na compressão;
𝐸𝑠 é o módulo de elasticidade longitudinal do aço, que, na falta de ensaios ou
valores fornecidos pelo fabricante, pode ser admitido como 210 GPa;
𝜀𝑠 é a deformação específica no aço;
𝑓𝑦𝑑 é a resistência de cálculo ao escoamento do aço, obtida dividindo-se a
resistência característica ao escoamento do aço, 𝑓𝑦𝑘 , pelo coeficiente de ponderação da
resistência do aço, 𝛾𝑠 , usualmente igual a 1,15.
Figura 9 – Diagrama de tensão-deformação do concreto submetido à compressão.

Fonte: ABNT, 2014, p. 26.


26

Figura 10 – Diagrama de tensão-deformação do aço.

Fonte: ABNT, 2014, p. 29.

2.3 Domínios de estado-limite último

Segundo a NBR 6118 (ABNT, 2014), o estado-limite último [ELU] de esgotamento da


capacidade resistente devido às solicitações normais fica caracterizado quando a distribuições
de deformações da seção transversal pertencer a um dos domínios definidos na figura 11.
Figura 11 – Domínios de estado-limite último de uma seção transversal de concreto armado.

Fonte: ABNT, 2014, p. 122.

Nesse ELU, a reta que define distribuição de deformações passa, necessariamente, por
um dos pontos A, B ou C, e a ruptura pode ser por deformação plástica excessiva do aço
(domínios 1 e 2 ou reta a) ou por encurtamento-limite do concreto (domínios 3, 4, 4a e 5 e reta
27

b). O domínio de deformação pode ser definido a partir da inclinação e profundidade da linha
neutra na seção, conforme demonstrado na seção 2.4.

2.4 Deformação num ponto qualquer da seção transversal

Se admitirmos, de acordo com a primeira hipótese básica deste trabalho, que as seções
transversais permanecem planas após o carregamento, a deformação específica de qualquer
ponto da seção (εc ) pode ser escrita em função de três variáveis: a deformação específica do
centro geométrico da seção (εcg ), a curvatura da seção (𝑘) e a distância do ponto considerado
à linha neutra (𝑦 ′ , ver figura 12), conforme a equação 14.

𝜀𝑐 = 𝜀𝑐𝑔 + 𝑘 ∙ 𝑦 ′ (14)
Figura 12 – Seção de concreto armado no domínio 4.

Fonte: Autor.

A curvatura e a deformação específica do centro geométrico da seção podem ser


determinados a partir da figura 11, segundo as equações 15, 16 e 17.
𝜀𝑐𝑢
 Se 𝑥𝐿𝑁 ≤ (𝜀 ) 𝑑 → 𝐷𝑜𝑚í𝑛𝑖𝑜 1 𝑜𝑢 2:
𝑐𝑢 +1%
28


10‰ (15)
𝜀𝑐𝑔 = 10‰ − 𝑘 ∙ (𝑑 − 𝑦𝑠𝑢𝑝 ), 𝑘=
𝑑 − 𝑥𝐿𝑁

𝜀𝑐𝑢
 Se (𝜀 ) 𝑑 < 𝑥𝐿𝑁 ≤ ℎ → 𝐷𝑜𝑚í𝑛𝑖𝑜 3 𝑜𝑢 4:
𝑐𝑢 +1%


𝜀𝑐𝑢
𝜀𝑐𝑔 = 𝜀𝑐𝑢 + 𝑘 ∙ 𝑦𝑠𝑢𝑝 , 𝑘=
𝑥𝐿𝑁 (16)

 Se 𝑥𝐿𝑁 > ℎ → 𝐷𝑜𝑚í𝑛𝑖𝑜 5:



𝜀𝑐2
𝜀𝑐𝑔 = (𝑦𝑠𝑢𝑝 − 𝑥𝐿𝑁 ) ∙ 𝑘, 𝑘=
3ℎ (17)
𝑥𝐿𝑁 − 7

2.5 Resistência à flexão da seção transversal

A resistência da seção transversal a momentos fletores está diretamente relacionada à


intensidade do esforço normal solicitante (𝑁𝑠 ) e ao ângulo de inclinação da linha neutra (𝛼,
conforme a figura 12). Os momentos fletores resistentes só podem ser determinados quando
se encontra a distribuição de tensões da seção transversal que equilibra o esforço normal
solicitante conforme a equação 18. O problema passa a ser, portanto, encontrar a raiz da
função 𝑓. Quando a raiz dessa função é determinada, o cálculo dos momentos resistentes pode
ser realizado através das equações 19 e 20.
𝑗

𝑓(𝑥𝐿𝑁 ) = ∫ 𝜎𝑐 𝑑𝐴 + ∑ 𝜎𝑠𝑖 ∙ 𝐴𝑠𝑖 − 𝑁𝑆 = 𝑅 − 𝑁𝑠 = 0 (18)


𝐴 𝑖=1
𝑗

𝑀𝑅𝑑,𝑥 = − ∫ 𝜎𝑐 ∙ 𝑥𝑐 ∙ 𝑑𝐴 − ∑ 𝜎𝑠𝑖 ∙ 𝑥𝑠𝑖 ∙ 𝐴𝑠𝑖 (19)


𝐴 𝑖=1
𝑗

𝑀𝑅𝑑,𝑦 = − ∫ 𝜎𝑐 ∙ 𝑦𝑐 ∙ 𝑑𝐴 − ∑ 𝜎𝑠𝑖 ∙ 𝑦𝑠𝑖 ∙ 𝐴𝑠𝑖 (20)


𝐴 𝑖=1

Onde: 𝑁𝑠 é o esforço normal solicitante atuando na seção;


𝑅 é o esforço normal resistente da seção;
𝑀𝑅𝑑,𝑥 é o momento fletor de projeto resistido pela seção em torno do eixo y,
conforme a figura 13;
𝑀𝑅𝑑,𝑦 é o momento fletor de projeto resistido pela seção em torno do eixo x,
conforme a figura 13;
𝐴𝑠𝑖 é a área da barra de aço “i” considerada;
29

𝑗 é o número de barras de aço na seção;


𝑥𝑐 é a distância ao longo do eixo x entre o centro geométrico do elemento
considerado e o centro geométrico da seção conforme a figura 13;
𝑦𝑐 é a distância ao longo do eixo y entre o centro geométrico do elemento
considerado e o centro geométrico da seção conforme a figura 13.
Figura 13 – Seção de concreto armado.

Fonte: Autor.

2.6 Metodologia de solução numérica da planilha de cálculo

Conforme discutido na seção 2.5, a verificação da capacidade resistente de uma seção


de concreto pode ser resumida à determinação da posição da linha neutra (𝑥𝐿𝑁 ) que equilibra a
seção em termos de esforço normal, para um dado valor de α, com posterior cômputo dos
momentos resistentes. O processo iterativo adotado na determinação da posição da linha
neutra na planilha de cálculo é descrito pelos dois passos a seguir, enquanto que a
determinação do momento resistente é realizada no terceiro passo. Todo o processo é
resumido ao final da seção por um fluxograma (figura 16).
Passo 1: Determinação do intervalo de iteração
O primeiro passo da metodologia de solução consiste em encontrar um intervalo
(𝑥𝑚í𝑛 ; 𝑥𝑚á𝑥 ) que contenha a posição de linha neutra que equilibra a seção (𝑥𝐿𝑁 ). Para tanto,
estimam-se como ponto de partida duas posições de linha neutra, uma inferior (𝑥𝑚í𝑛 ) e outra
30

superior (𝑥𝑚á𝑥 ). Neste trabalho, parte-se dos pontos 𝑥𝑚í𝑛 = ℎ/4 e 𝑥𝑚á𝑥 = ℎ e calcula-se o
esforço normal resistente referente a essas profundidades de linha neutra.
ℎ ℎ
Para garantir que o intervalo (4 ; ℎ) contenha 𝑥𝐿𝑁 , a função 𝑓(4 ) deve ser positiva,

indicando que a seção está tracionada e que a real posição da linha neutra que equilibra a
seção seria um valor superior a ℎ/4. Analogamente, 𝑓(ℎ) deve resultar num valor negativo,
indicando que a seção está comprimida e que a posição da linha neutra para equilíbrio da
seção (𝑥𝐿𝑁 ) é um valor inferior a h.
Se tais condições não forem atendidas no intervalo de partida, amplia-se o intervalo,
modificando os valores mínimo e/ou máximo do intervalo até que se garanta que o intervalo
analisado contenha o 𝑥𝐿𝑁 , conforme a figura 14.
Figura 14 – Intervalo de iteração contendo a posição da linha neutra.

Intervalo Contendo a Posição da Linha Neutra


35

30

xmáx ou x2
25
x (cm)

20
xLN; R(xLN) ≈ Ns = -1250
15

xmín ou x1
10

5
-2000 -1500 -1000 -500 0 500
R (kN)
Fonte: Autor.

Passo 2: Determinação da altura da linha neutra


Uma vez determinado um intervalo (𝑥1 ; 𝑥2 ) que contém 𝑥𝐿𝑁 , utiliza-se o método das
secantes para determinar a raiz da função 𝑓. Como se trata de uma análise numérica, é
necessário definir uma condição de parada. Neste trabalho, a aproximação é considerada
adequada quando o módulo do valor da função 𝑓 foi menor que 0,1% de 𝑁𝑠 ou 0,1 kN.
A aproximação seguinte do valor de 𝑥𝐿𝑁 (𝑥3 ) pelo método da secante é calculada pela
equação 21:
31

𝑥1 − 𝑥2
𝑥3 = 𝑥2 − 𝑓(𝑥2 ) (21)
𝑓(𝑥1 ) − 𝑓(𝑥2 )
Calcula-se 𝑓(𝑥3 ) e verifica-se se a condição de parada foi atendida. Caso a condição
de parada não seja atendida, analisa-se o sinal da função 𝑓(𝑥3 ): se positivo, significa que a
seção está tracionada e que 𝑥𝐿𝑁 > 𝑥3 , e portanto adota-se 𝑥3 como novo limite inferior do
intervalo. Caso contrário, 𝑥3 é adotado como limite superior do novo intervalo. O passo 2 é
repetido até que se encontre uma posição de linha neutra que satisfaça a condição de parada.
Passo 3: Determinação dos momentos resistentes e produção da envoltória resistente
Determinada a profundidade da linha neutra, os momentos resistentes podem ser
computados pelas equações 19 e 20. A inclinação da linha neutra (𝛼) é aumentada e uma nova
posição de linha neutra é encontrada pelos passos 1 e 2. É feito o cômputo de um novo par de
momentos resistentes; esse processo se repete até que esteja determinada uma envoltória de
ruptura completa, ou seja, o ângulo 𝛼 varie de 0 a 360º, com cada ângulo fornecendo um par
distinto de momentos resistentes. Esses pares de momentos resistentes podem ser plotados
num gráfico para formar a envoltória resistente da seção (figura 15). Se o ponto que define os
momentos solicitantes de projeto estiver interno à envoltória resistente, como é o caso do
ponto losangular na figura abaixo, a seção resiste às solicitações aplicadas.
Figura 15 – Diagrama de interação de uma seção de concreto armado.

Fonte: Autor.
32

Figura 16 – Metodologia de solução numérica da planilha.

Fonte: Autor.
33

3 ANÁLISE DA SEGUNDA ORDEM LOCAL EM PILARES

Conforme discutido por Cardoso Júnior (2014), quando um pilar como o da figura 17
é submetido a uma força normal de compressão P e um momento M, a deformação do pilar
causa um deslocamento do ponto de aplicação da força P. Esse deslocamento produz um
aumento do momento fletor no pilar, quando analisado em sua condição deformada. Esse
acréscimo de momento é denominado momento de segunda ordem.
Figura 17 – Momentos de primeira e segunda ordem num pilar em balanço.

Fonte: Adaptado de Cardoso Júnior, 2014, p. 16.

3.1 Equação diferencial do equilíbrio de um pilar sem carregamentos transversais

Considere uma barra biapoiada conforme a figura 18, submetida a uma carga normal P
constante ao longo de seu comprimento, às reações dos apoios V e aos momentos aplicados
M1 e M2 .
Figura 18 – Pilar biapoiado submetido a um carregamento.

Fonte: Autor.
34

Com a aplicação das solicitações, a barra se deforma de tal maneira que a flecha numa
seção transversal qualquer da barra é descrita pela função w(x). Numa seção genérica,
ocorrem o esforço normal P, o momento fletor M(x) e o esforço cortante V. Se for analisado
um elemento infinitesimal de barra de comprimento dx, o equilíbrio desse elemento se deve à
ação de esforços em suas extremidades conforme a figura 19.
Figura 19 – Esforços num elemento infinitesimal de barra.

Fonte: Autor.

O equilíbrio dos momentos em torno da seção C produz a equação 22, que pode ser
simplificada na forma da equação 23:
𝑑𝑀 𝑑𝑤
−𝑀 + (𝑀 + 𝑑𝑥) − 𝑃 𝑑𝑥 − 𝑉𝑑𝑥 = 0 (22)
𝑑𝑥 𝑑𝑥
𝑑𝑀 𝑑𝑤
−𝑃 −𝑉 =0 (23)
𝑑𝑥 𝑑𝑥
Se a equação 23 for diferenciada em x, e admitindo-se que tanto P quanto V são
constantes1 em x, tem-se:
𝑑2𝑀 𝑑2𝑤
− 𝑃 =0 (24)
𝑑𝑥 2 𝑑𝑥 2
Essa equação diferencial é válida para qualquer material (de comportamento elástico-
linear ou não), já que não foi feita nenhuma hipótese sobre a relação de momento-curvatura
para as seções transversais da barra. Se for admitido um material elástico-linear no regime de
rotações moderadas, a relação entre o momento fletor e a curvatura de uma seção pode ser
expressa pela equação 25, conforme demonstrado por Garcia (2007).
1 𝑑2𝑤 𝑀
≈ 2
≈− (25)
𝑟 𝑑𝑥 𝐸𝐼
Substituindo a expressão anterior na equação 24, obtém-se:

1
Desconsiderando-se o efeito peso próprio ao longo do tramo do pilar (o que leva a P constante em x) e
admitindo-se a ausência de carregamentos transversais ao longo do pilar (V constante em x).
35

𝑑2 𝑑2𝑤 𝑑2𝑤
(𝐸𝐼 ) + 𝑃 =0 (26)
𝑑𝑥 2 𝑑𝑥 2 𝑑𝑥 2
Essa é a equação diferencial de equilíbrio dos pilares constituídos por um material
elástico-linear e com esforço cortante constante ao longo do comprimento analisado. Se a
rigidez à flexão 𝐸𝐼 for considerada constante ao longo da barra, a equação diferencial de
equilíbrio pode ser simplificada para:
𝑑4 𝑤 𝑑2𝑤
𝐸𝐼 4 + 𝑃 2 = 0 (27)
𝑑𝑥 𝑑𝑥
A equação acima é uma equação diferencial homogênea e de quarta ordem e pode ser
resolvida pela solução geral:

𝑤(𝑥) = 𝐶1 𝑐𝑜𝑠(𝑘𝑥) + 𝐶2 𝑠𝑒𝑛(𝑘𝑥) + 𝐶3 𝑥 + 𝐶4 , 𝑘 = √𝑃/𝐸𝐼 (28)

As constantes C1 a C4 são obtidas por condições de contorno, que podem ser


mecânicas (esforços prescritos) ou geométricas (deslocamentos e rotações prescritos),
dependendo das condições de apoio do pilar, como demonstrado na seção 3.1.1.

Solução analítica da equação diferencial do equilíbrio

Sendo o pilar biapoiado, conforme a figura 18, há duas condições de contorno


geométricas e duas mecânicas, pois os deslocamentos transversais nos apoios serão nulos e os
momentos fletores nos apoios serão iguais aos momentos externos aplicados. As quatro
condições de contorno podem ser escritas da seguinte maneira:
1. 𝑤(0) = 0
2. 𝑤(𝐿) = 0
3. 𝑀(0) = 𝑀1
4. 𝑀(𝐿) = 𝑀2
Se o pilar composto por um material elástico-linear, a equação 25 é válida e o
momento fletor se escreve:
𝑑2 𝑤
𝑀(𝑥) = − ∙ 𝐸𝐼 = −𝐸𝐼(𝐶1 ∙ k 2 cos(𝑘𝑥) + 𝐶2 ∙ 𝑘 2 𝑠𝑒𝑛(𝑘𝑥)) (29)
𝑑𝑥 2
Observando-se que k 2 = P/EI, a equação 29 pode ser simplificada para:
𝑑2 𝑤
𝑀(𝑥) = − 2 ∙ 𝐸𝐼 = −𝐶1 ∙ 𝑃 cos(𝑘𝑥) − 𝐶2 ∙ 𝑃𝑠𝑒𝑛(𝑘𝑥) (30)
𝑑𝑥
Aplicando-se a terceira condição de contorno à equação 30, obtém-se a primeira
constante:
36

1 0
𝑀1
𝑀(0) = 𝑀1 = −𝐶1 ∙ 𝑃 ⏞cos(0) − 𝐶2 ∙ 𝑃 ⏞
𝑠𝑒𝑛(0)) → 𝐶1 = − (31)
𝑃
A primeira condição de contorno pode ser aplicada à solução geral para que se obtenha
a quarta constante:
𝑀1
𝑤(0) = 0 = 𝐶1 𝑐𝑜𝑠(0) + 𝐶2 𝑠𝑒𝑛(0) + 𝐶3 ∙ 0 + 𝐶4 → 𝐶4 = −𝐶1 = (32)
𝑃
A quarta condição de contorno, quando aplicada à equação 30, produz:

𝑀(𝐿) = 𝑀2 = −𝐸𝐼(𝐶1 ∙ 𝑃𝑐𝑜𝑠(𝑘𝐿) − 𝐶2 ∙ 𝑃𝑠𝑒𝑛(𝑘𝐿)) (33)

Da equação acima pode-se definir C2:


−𝑀2 csc(𝑘𝐿) + 𝑀1 𝑡𝑔(𝑘𝐿)
𝐶2 = (34)
𝑃
Por fim, a constante C3 pode ser determinada ao se aplicar a segunda condição de
contorno à equação 28:
1 cos 2 (𝑘𝐿) − 𝑠𝑒𝑛2 (𝑘𝐿)
𝐶3 = [𝑀2 + 𝑀1 ( −1)] (35)
𝑃𝐿 cos(𝑘𝐿)
E o deslocamento transversal resulta:
𝑀1 −𝑀2 csc(𝑘𝐿) + 𝑀1 𝑡𝑔(𝑘𝐿) 𝑥
𝑤(𝑥) = (1 − 𝑐𝑜𝑠(𝑘𝑥)) + 𝑠𝑒𝑛(𝑘𝑥) + ∙
𝑃 𝑃 𝑃𝐿
(36)
cos2 (𝑘𝐿) − 𝑠𝑒𝑛2 (𝑘𝐿)
∙ [𝑀2 + 𝑀1 ( −1)]
cos(𝑘𝐿)

3.2 Pilar-Padrão

O pilar-padrão é um processo simplificado de análise da segunda ordem local em


barras flexocomprimidas. Carvalho e Pinheiro (2009) explicam que o método busca
identificar a seção mais solicitada de um pilar engastado e livre e estabelecer expressões para
o cálculo do efeito de segunda ordem, com uso das seguintes hipóteses simplificadoras:
1. A linha elástica do pilar apresenta forma senoidal;
2. A flecha máxima 𝑎 é diretamente proporcional à curvatura máxima da barra;
3. É desconsiderada a não-linearidade física do pilar.
4. A curvatura (1/r) é igual ao oposto(2) da segunda derivada da equação da linha elástica,
conforme a equação 38.
A linha elástica 𝑤 é expressa pela seguinte função contínua:
𝜋
𝑤(𝑥) = 𝑎 ∙ 𝑠𝑒𝑛 ( ∙ 𝑥) (37)
𝑙𝑒

2
Oposto devido à convenção de sinais utilizada neste trabalho.
37

Na equação 37, 𝑎 é a flecha máxima do pilar e 𝑙𝑒 é o comprimento equivalente de


flambagem, cuja definição dada pela NBR 6118 é detalhada na figura 21, seção 3.4.
De acordo com a quarta hipótese simplificadora:
1 𝑑2𝑤
−( ) = (38)
𝑟 𝑑𝑥 2
Derivando-se a equação 37 duas vezes em 𝑥, chega-se a:
1 𝑑2𝑤 𝜋2 𝜋
−( ) = 2
= − 2 ∙ 𝑎 ∙ 𝑠𝑒𝑛 ( ∙ 𝑥) (39)
𝑟 𝑑𝑥 𝑙𝑒 𝑙𝑒
Para 𝑥 = 𝑙𝑒 /2 (extremidade livre do pilar engastado e livre, onde se apresenta a flecha
máxima), a equação acima toma a forma de:
1 𝜋2 𝑙𝑒2 1
( )= 2 ∙𝑎 →𝑎 = 2∙( ) (40)
𝑟 𝑙𝑒 𝜋 𝑟
Por fim, se for admitido 𝜋 2 = 10, o deslocamento máximo no pilar-padrão é dado por:
𝑙𝑒2 1
𝑎= ∙( ) (41)
10 𝑟
A equação 41 demonstra que, no pilar-padrão, a excentricidade máxima de segunda
ordem é diretamente proporcional à curvatura máxima do pilar. Portanto, o momento
adicional na seção de flecha máxima devido aos efeitos de segunda ordem pode ser calculado
por:
𝑙𝑒 𝑙𝑒2 1
𝑀2 (𝑥 = )=𝑃∙ ( ) (42)
2 10 𝑟
Desde que se conheça a curvatura máxima do pilar, a determinação do momento de
segunda ordem é direta; essa curvatura pode ser determinada de forma aproximada ou exata,
conforme os métodos expostos em 3.5.

3.3 Rigidez e relações momento-curvatura

Segundo a NBR 6118/14 (p. 100), o efeito da não-linearidade física na rigidez do pilar
pode ser, em geral, considerado através da elaboração da relação momento-curvatura para
cada seção, desde que conhecidos a armadura e o valor da força normal atuante.
Na construção da relação momento-curvatura da seção, a NBR 6118 permite a adoção
de uma formulação de segurança em que os efeitos de 2ª ordem são calculados com cargas
majoradas de 𝛾𝑓 /𝛾𝑓3, com 𝛾𝑓3 = 1,1, conforme a equação 44. Posteriormente, os efeitos são
majorados de 𝛾𝑓3, conforme a equação 43:

𝑆𝑑,𝑡𝑜𝑡 = 𝛾𝑓3 ∙ 𝑆(𝐹) (43)


38

𝑛
𝛾𝑓 𝛾𝑓
𝐹 = [ 𝐹𝑔𝑘 + (𝐹 + ∑ 𝜓0𝑗 𝐹𝑞𝑗𝑘 )] (44)
𝛾𝑓3 𝛾𝑓3 𝑞1𝑘
2

Onde: Sd,tot é a intensidade de projeto da solicitação de 2ª ordem;


𝛾𝑓 é o coeficiente de ponderação das ações;
𝛾𝑓3 é um coeficiente de ponderação que leva em consideração aproximações de
projeto;
𝐹𝑔𝑘 é o somatório das ações permanentes com seus valores característicos;
𝐹𝑞𝑘 é a ação variável com seus valores característicos;
𝜓0 é o fator de redução de combinação para ELU.

Além disso, a tensão de pico do concreto é tomada como 1,10𝑓𝑐𝑑 (e não 0,85𝑓𝑐𝑑 , como
no ELU). Essa consideração se deve ao fato de que na situação de perda de estabilidade, nem
todas as seções do pilar estão atingindo o esgotamento da capacidade resistente ao mesmo
tempo (CARDOSO JÚNIOR, 2014). Assim, a relação de momento-curvatura de uma seção
de concreto armado apresenta o aspecto da figura 20.
Figura 20 – Relação momento-curvatura.

Fonte: Adaptado de ABNT, 2014.

Na figura 20, o valor de 𝑀𝑅𝑑 , necessário para o traçado da reta AB é o momento


resistente obtido com o esforço normal solicitante igual a 𝑁𝑅𝑑 e tensão de pico do concreto
igual a 0,85 𝑓𝑐𝑑 .
A curva cheia AB é resultado da consideração da tensão de pico igual a 1,10 𝑓𝑐𝑑 e do
esforço normal solicitante igual a 𝑁𝑅𝑑 /𝛾𝑓3. Essa curva pode ser linearizada, em favor da
39

segurança, pela reta AB. Dessa reta é determinada a rigidez secante (𝐸𝐼)𝑠𝑒𝑐 , que pode ser
utilizada em processos aproximados de flexão composta.
O uso da rigidez secante é um bastante relevante, pois significa que o pilar pode ser
tratado, em processos aproximados, por uma análise elástico-linear.

3.4 Índice de esbeltez 𝝀

A esbeltez de um pilar qualquer pode ser avaliada pelo seu índice de esbeltez. Esse
índice atua como indicativo da importância dos efeitos de segunda ordem local num pilar, e é
calculado pela razão entre o comprimento equivalente de flambagem (𝑙𝑒 ) e o raio de giração
(𝑖), de acordo com a direção considerada.

𝑙𝑒 𝐼𝑐
𝜆= , 𝑜𝑛𝑑𝑒 𝑖 = √ (45)
𝑖 𝐴𝑐

𝐼𝑐 é a inércia da seção bruta de concreto, enquanto 𝐴𝑐 é a área da seção bruta de


concreto. O comprimento equivalente de flambagem, para pilares biapoiados, é o menor valor
entre a distância entre eixos dos apoios (𝑙) ou a distância as faces internas dos elementos
estruturais que vinculam o pilar (𝑙0 ), mais a altura da seção transversal do pilar na direção
considerada (ℎ), conforme a figura 21.
Figura 21 – Determinação do comprimento equivalente de flambagem.

Fonte: Cardoso Júnior, 2014, p. 26.

A NBR 6118 (ABNT, 2014) trata da análise dos efeitos de segunda ordem local na
seção 15.8. Nessa seção, a ABNT prescreve que pilares devem ter índice de esbeltez menor
40

ou igual a 200 (𝜆 ≤ 200), exceto em casos de elementos pouco comprimidos, com força
normal solicitante inferior a 0,10 𝑓𝑐𝑑 𝐴𝑐 (onde 𝐴𝑐 é a área da seção bruta de concreto).
Segundo Araújo (2010), quando analisados em termos de efeitos de segunda ordem, os
pilares podem ser classificados em curtos, medianamente esbeltos e esbeltos. Pilares curtos
(𝜆 < 𝜆1 , onde 𝜆1 é definido na seção 3.4) são aqueles cujos esforços obtidos na configuração
deformada – usando a teoria de segunda ordem – são praticamente iguais aos esforços da
configuração indeformada, e portanto os efeitos de segunda ordem são pouco relevantes.
Nos pilares moderadamente esbeltos (𝜆1 ≤ 𝜆 ≤ 90), os efeitos de segunda ordem local
são mais significativos e precisam ser considerados, mas podem ser analisados por processos
simplificados. Por fim, os pilares esbeltos (90 < 𝜆 ≤ 140) são aqueles em que os efeitos de
segunda ordem são tão importantes que sua análise não admite processos simplificados: a
análise de pilares esbeltos requer a consideração da não linearidade física e da não linearidade
geométrica de forma não-aproximada, além da consideração dos efeitos de fluência.
A NBR 6118 (ABNT, 2014) define um último tipo de pilar em termos de esbeltez,
chamado neste trabalho de pilar muito esbelto (𝜆 > 140). Para esses pilares, é obrigatório a
utilização do método geral (descrito em 3.5.1, porém não adotado na planilha de cálculo),
sendo igualmente obrigatório majorar os esforços solicitantes finais de cálculo pelo
coeficiente 𝛾𝑛1, calculado conforme a equação 46:

𝛾 − 140
𝛾𝑛1 = 1 + (0,01 ∙ ) (46)
1,4

Índice de esbeltez limite λ1

Pilares curtos são pilares cujos efeitos de segunda ordem local são pouco significativos
e, portanto, não precisam ser analisados. A NBR 6118 (ABNT, 2014) usa o índice de esbeltez
limite 𝛾1 para definir pilares cujos efeitos de 2ª ordem local podem ser desconsiderados.
O valor de 𝜆1 depende da direção considerada (𝑦 ou 𝑥), da altura da seção na direção
considerada (ℎ), da excentricidade de primeira ordem (𝑒1 , que considera também os efeitos de
segunda ordem global, quando houver), da vinculação nos extremos do pilar e da forma do
diagrama de momentos fletores de 1ª ordem. 𝜆1 pode ser calculado pela equação 47:

25 + 12,5𝑒1 /ℎ
𝜆1 = , 35 ≤ 𝜆1 ≤ 90 (47)
𝛼𝑏
41

O parâmetro 𝛼𝑏 considera as vinculações nos extremos do pilar e a forma do diagrama de


momentos fletores, sendo obtido, para pilares biapoiados e sem cargas transversais
significativas (foco deste trabalho), conforme a equação 48:

𝑀𝐵
𝛼𝑏 = 0,6 + 0,4 , 0,4 ≤ 𝛼𝑏 ≤ 1,0 (48)
𝑀𝐴

Onde: 𝑀𝐴 é o momento de primeira ordem (considerando também, se houver, a 2ª ordem


global) no extremo do pilar de maior valor absoluto, e deve ser tomado com valor positivo;
𝑀𝐵 é o momento de primeira ordem no outro extremo do pilar biapoiado, e deve
ter valor positivo se tracionar as mesmas fibras que 𝑀𝐴 .

3.5 Métodos de determinação dos efeitos de segunda ordem local

A NBR 6118 (ABNT, 2014) aborda quatro métodos para a determinação dos esforços
adicionais de segunda ordem local em pilares: O método do pilar-padrão com curvatura
aproximada, que pode ser empregado na análise de 2ª ordem local de pilares medianamente
esbeltos; o método do pilar-padrão com rigidez 𝜅 aproximada, também limitado a pilares
medianamente esbeltos; o método do pilar-padrão associado a diagramas de momento-
curvatura, que pode ser utilizado no cálculo de pilares esbeltos (90 < 𝜆 ≤ 140) e, por fim, o
método geral, que é obrigatório na análise de pilares muito esbeltos (𝜆 > 140).
Neste trabalho, a planilha de cálculo foi elaborada para a análise de segunda ordem
local pelos seguintes métodos:
 Pilar-padrão com curvatura aproximada;
 Pilar-padrão com rigidez 𝜅 aproximada;
 Pilar-padrão associado a diagramas de momento-curvatura;
 Método geral sem a consideração da relação momento-curvatura real.
É importante ressaltar a inadequação desta planilha de cálculo para a análise de pilares
muito esbeltos, pois para esses pilares a NBR 6118 (ABNT, 2014, p. 109) exige a “[...]
consideração da relação momento-curvatura real em cada seção.”

Método do pilar-padrão com curvatura aproximada

O método do pilar-padrão com curvatura aproximada, empregável apenas no cálculo


de pilares medianamente esbeltos (𝜆1 ≤ 𝜆 ≤ 90) com seção constante e armadura simétrica e
constante ao longo do eixo.
42

Neste método, a não linearidade geométrica é considerada de forma aproximada,


admitindo-se que a deformação da barra comprimida seja uma curva senoidal; a não
linearidade física é considerada através de uma expressão aproximada para a curvatura do
pilar, que é calculada da seguinte maneira conforme a equação 49, enquanto o momento fletor
máximo é avaliado pela equação 50:
1 0,005 0,005
= ≤ (49)
𝑟 ℎ(𝜈 + 0,5) ℎ
𝑙𝑒2 1
𝑀𝑆𝑑,𝑡𝑜𝑡 = 𝛼𝑏 𝑀1𝑑,𝐴 + 𝑁𝑆𝑑 ∙ ≥ 𝑀1𝑑,𝐴 (50)
10 𝑟
1
Onde: é a cuvatura aproximada do pilar;
𝑟

ℎ é a altura da seção na direção considerada;


𝜈 é a força normal adimensional, calculada por 𝜈 = 𝑁𝑑 /(𝐴𝑐 𝑓𝑐𝑑 );
𝑀𝑆𝑑,𝑡𝑜𝑡 é o momento fletor solicitante de projeto máximo;
𝑀1𝑑,𝐴 é o maior momento fletor na extremidade do pilar 𝑀𝐴 , conforme a seção 3.4;
𝑁𝑆𝑑 é o esforço normal solicitante de projeto.

Método do pilar-padrão com rigidez κ aproximada

Assim como o descrito na seção 3.5.1, o pilar-padrão com rigidez 𝜅 aproximada só


pode ser usado no cálculo de pilares com 𝜆 ≤ 90, de armadura simétrica e constante ao longo
do eixo. Uma outra limitação deste método é que ele só se aplica a pilares com seção
retangular constante.
A deformada transversal do pilar é também considerada por uma curva senoidal, mas a
não linearidade física é aproximada pela rigidez adimensional 𝜅. O momento fletor máximo é
calculado pela equação 51. O valor da rigidez κ pode ser determinado pela equação
𝛼𝑏 𝑀1𝑑,𝐴
𝑀𝑆𝑑,𝑡𝑜𝑡 = ≥ 𝑀1𝑑,𝐴
𝜆2 (51)
1−
120𝜅/𝜈
𝑀𝑆𝑑,𝑡𝑜𝑡
𝜅 = 𝜅𝑎𝑝𝑟𝑜𝑥 = 32 (1 + 5 )𝜈 (52)
ℎ ∙ 𝑁𝑑
Substituindo a equação 52 na equação 51 e desenvolvendo-se a equação, o momento
fletor solicitante de projeto pode ser calculado por:
−𝑏 + √𝑏 2 − 4 ∙ 𝑎 ∙ 𝑐
𝑀𝑆𝑑,𝑡𝑜𝑡 = (53)
2𝑎

Onde: 𝑎 = 5 ∙ ℎ
43

𝑙2
𝑏 = 𝑁𝑑 (ℎ2 − 320
𝑒
) − 5 ∙ ℎ ∙ 𝛼𝑏 𝑀1𝑑,𝐴

𝑐 = −𝑁𝑑 ∙ ℎ2 ∙ 𝛼𝑏 𝑀1𝑑,𝐴

Método do pilar-padrão acoplado a diagramas momento-curvatura

No caso de pilares esbeltos (90 < 𝜆 ≤ 140), os métodos do pilar-padrão com rigidez e
curvatura aproximados não podem ser utilizados. Para esses pilares, a NBR 6118 (ABNT,
2014) apresenta o método do pilar-padrão acoplado a diagramas momento-curvatura.
Neste método, utiliza-se a equação 51 para determinar o momento fletor máximo, com
a diferença de que a rigidez adimensional (𝜅𝑠𝑒𝑐 ) não é dada por uma expressão aproximada:
ela é calculada a partir da rigidez secante ((𝐸𝐼)𝑠𝑒𝑐 ), que é por sua vez obtida de um diagrama
de momento-curvatura elaborado conforme a seção 3.3. Conhecida a rigidez secante, a rigidez
adimensional do pilar pode ser determinada pela equação 54:
(𝐸𝐼)𝑠𝑒𝑐 (𝐸𝐼)𝑠𝑒𝑐
𝜅𝑠𝑒𝑐 = =
3
𝑏ℎ ∙ 𝑓𝑐𝑑 𝑓𝑐𝑘 (54)
𝑏ℎ3 ∙ 1,4

E o momento fletor máximo, conforme a equação 55:


𝛼𝑏 𝑀1𝑑,𝐴
𝑀𝑆𝑑,𝑡𝑜𝑡 = ≥ 𝑀1𝑑,𝐴
𝜆2 (55)
1−
120𝜅𝑠𝑒𝑐 /𝜈

Onde: 𝐼𝑐 é a inércia da seção bruta de concreto.


𝑏𝑒ℎ são a base e a altura do pilar, e dependem da direção considerada.

Método geral acoplado a diagramas momento-curvatura

O método geral acoplado a diagramas de momento curvatura pode ser utilizado para o
cálculo de pilares esbeltos, mas não para pilares muito esbeltos. Isso ocorre porque neste
método a não linearidade física é considerada de maneira aproximada por meio de diagramas
momento-curvatura.
Neste método, os deslocamentos são determinados de forma iterativa por integração
numérica da equação 25, adotando-se a rigidez secante proveniente da relação momento-
curvatura do pilar. Os deslocamentos na iteração 𝑖 podem ser calculados por:
𝑀𝑖 (𝑥)
𝑤𝑖 (𝑥) = ∬ 𝑑𝑥 (56)
(𝐸𝐼)𝑠𝑒𝑐
A partir dos deslocamentos calculados, novos momentos fletores solicitantes são
determinados:
44

𝑀𝑖+1 (𝑥) = 𝑀𝑖 (𝑥) + 𝑁𝑆𝑑 ∙ 𝑤𝑖 (𝑥) (57)

O processo é repetido até que a variação dos momentos fletores solicitantes seja
inferior a um valor de parada predeterminado. Neste trabalho, foi adotado um valor de parada
igual a 1% do momento fletor solicitante de primeira ordem.

Resumo dos métodos

Os métodos de determinação dos efeitos de segunda ordem local apresentados nesta


seção são resumidos abaixo no quadro 2.
Quadro 2 – Resumo dos métodos de determinação dos efeitos de segunda ordem local
Pilar Padrão Pilar Padrão com Método Geral com
Com Pilar Padrão Com Diagramas Diagramas
Método
Curvatura Rigidez Aproximada Momento- Momento-
Aproximada Curvatura Curvatura
Esbeltez 𝜆1 ≤ 𝜆 ≤ 90 𝜆1 ≤ 𝜆 ≤ 90 𝜆 ≤ 140 𝜆 ≤ 140
𝛼𝑏 𝑀1𝑑,𝐴 𝛼𝑏 𝑀1𝑑,𝐴 𝛼𝑏 𝑀1𝑑,𝐴
Não- 𝑙𝑒 1
+ 𝑁𝑆𝑑 ∙ 𝜆2 𝜆2
Linearidade 10 𝑟 1−
120𝜅/𝜈 1− Integração numérica
Geométrica 120𝜅𝑠𝑒𝑐 /𝜈
(Eq. 51) (Eq. 55)
(Eq. 50)
𝜅
Não- (𝐸𝐼)𝑠𝑒𝑐
1 0,005 = 32 (1 𝜅𝑠𝑒𝑐 =
Linearidade = 𝑓𝑐𝑘 (𝐸𝐼)𝑠𝑒𝑐
Física 𝑟 ℎ(𝜈 + 0,5) 𝑀𝑆𝑑,𝑡𝑜𝑡 𝑏ℎ3 ∙ 1,4
+5 )𝜈
ℎ ∙ 𝑁𝑑
Disposição
da Simétrica Simétrica Qualquer Qualquer
Armadura
Forma da
Qualquer Retangular Qualquer Qualquer
Seção
Fonte: Autor.

Conforme indicado por Cardoso Júnior (2014), a palavra “qualquer” do quadro 2 deve
ser tomada com cuidado, pois há muitas formas de seção e disposição de armadura que ainda
não foram devidamente investigadas e para os quais a adequação dos métodos descritos ainda
não foi analisada.
É sempre aconselhável buscar soluções que melhorem a segurança e o desempenho da
estrutura, particularmente no projeto de estruturas menos usuais.
45

4 FUNCIONAMENTO DA PLANILHA DE CÁLCULO

A planilha desenvolvida neste trabalho tem o intuito de auxiliar o estudo de pilares de


concreto armado, usando quatro métodos de determinação dos esforços de segunda ordem.
Este capítulo aborda a utilização da planilha, demonstrando o procedimento de entrada de
dados e os valores esperados na saída.

4.1 Entrada de dados

A entrada de dados se dá pela primeira planilha do arquivo, intitulada “Entrada de


Dados”, ilustrado na figura 22.
Figura 22 – Entrada de dados.

Fonte: Autor.

Conforme as figuras 22 e 23, são solicitadas as dimensões da seção geométrica


retangular, ℎ𝑥 e ℎ𝑦 . Podem ser realizados dois tipos de análise: análise de seção ou análise de
pilar biapoiado. A análise de pilar biapoiado difere da análise da seção por incluir o cômputo
dos efeitos de segunda ordem.
46

Figura 23 – Entrada de dados: geometria, esforços e parâmetros de segunda ordem.

Fonte: Autor.

Caso seja solicitado o cômputo dos efeitos de segunda ordem, é necessário definir o
comprimento efetivo (𝑙𝑒 ) e, para pilares com índice de esbeltez superior a 90 em alguma das
direções, o coeficiente de fluência (𝜙) e a relação entre o esforço normal devido às ações
permanentes e o esforço normal total (𝑁𝑠𝑔 /𝑁𝑠 ).
Os momentos solicitantes de projeto e o esforço normal de projeto também precisam
ser definidos. No caso de análise de pilar, são necessários os valores de momento no topo e na
base do pilar.
Figura 24 – Entrada de dados: características dos materiais e detalhamento da armadura.

Fonte: Autor.

Conforme a figura 24, é preciso definir as características do concreto (𝑓𝑐𝑘 , 𝛾𝑐 ) e do aço


da armadura longitudinal (𝑓𝑦𝑘 , 𝐸𝑠 , 𝛾𝑠 ). Também é necessário dispor a armadura na seção,
sendo essa disposição feita por meio das coordenadas de cada barra sua respectiva área de
aço. Por fim, para executar a planilha, utiliza-se a combinação de teclas “Ctrl + W”.
47

4.2 Saída de dados

A saída de dados é expressa na planilha “Resultados”. Os resultados da análise


completa de um pilar são mostrados na figura 25 e podem ser divididos em três categorias:
Resistência da seção, esforços de solicitantes e envoltória resistente.
Figura 25 – Saída de dados.

Fonte: Autor.

Em “Resistência da seção”, são expressos em forma de tabela os valores resultantes da


solução numérica do problema de resistência à flexão da seção transversal, conforme 2.6. Os
valores expressos na tabela são o ângulo de inclinação da linha neutra (ang), a profundidade
da linha neutra (𝑥𝐿𝑁 ), os momentos resistentes (𝑀𝑅𝑥 e 𝑀𝑅𝑦 ) e o domínio de deformação no
qual a seção se encontra.
Figura 26 – Saída de dados: resistência da seção.

Fonte: Autor.
48

Em “Esforços Solicitantes”, são expostos os esforços de primeira ordem, definidos


pelo usuário, e os esforços de segunda ordem, calculados pela planilha. Estes são calculados
pelos quatro métodos expostos neste trabalho: pilar-padrão com curvatura aproximada, pilar-
padrão com rigidez aproximada, pilar-padrão acoplado a diagramas momento-curvatura e
método geral acoplado a diagramas momento-curvatura. Cada um dos métodos produz
resultados de esforços solicitantes diferentes, que são plotados na envoltória resistente para
facilitar a análise do pilar.
Figura 27 – Saída de dados: resistência da seção.

Fonte: Autor.

A envoltória resistente (figura 28) é a ferramenta que confronta os valores dos


momentos resistentes com os momentos solicitantes. Através dela, é possível determinar de
forma prática se o pilar resiste ou não aos esforços de projeto.
49

Figura 28 – Saída de dados: envoltória resistente.

Envoltória Resistente
Momentos Resistentes Momentos de 1ª Ordem
Pilar-Padrão c/ Rigidez Aproximada Pilar-Padrão c/ Diagramas M, N, 1/r
Pilar-Padrão c/ Curvatura Aproximada Método Geral c/ Diagramas M, N, 1/r
Mx (kNm)
-80,0 -60,0 -40,0 -20,0 0,0 20,0 40,0 60,0 80,0
150,0

100,0

50,0

My (kNm)
0,0

-50,0

-100,0

-150,0
Fonte: Autor.
50

5 VALIDAÇÃO DA PLANILHA DE CÁLCULO

A validação da planilha de cálculo se dá através da comparação de seus resultados


com os resultados de outros métodos de solução, tanto analíticos quanto computacionais.

5.1 Verificação de seção

Nesta seção são verificadas as resistências de diversas seções de concreto armado, ora
por métodos analíticos, ora por métodos computacionais.

Verificação analítica da resistência a flexão normal simples

É estudada uma seção retangular de dimensões 40 x 20 cm de concreto armado. O


concreto tem 𝑓𝑐𝑘 = 30 MPa e é reforçado por aço CA-50. A armadura é formada por 2𝜙20
mm, localizadas nos cantos do bordo inferior da seção, com 𝑑′ = 3,5 cm. O módulo de
elasticidade longitudinal do aço é tomado como 210 GPa e os coeficientes minoradores de
resistência são 𝛾𝑠 = 1,15 e 𝛾𝑐 = 1,4.
Figura 29 – Seção em análise.

Fonte: Autor.

A verificação da capacidade resistente à flexão normal simples é um problema


tipicamente resolvido no dimensionamento de vigas e lajes. Essa verificação se resume a
determinar o momento que leva a seção à ruptura e também o domínio de estado-limite último
no qual a peça falhará. Aqui é verificada a capacidade resistente da seção à flexão em torno
do eixo 𝑥.
51

Conforme a seção 2.6, o primeiro passo da verificação da resistência de uma seção de


concreto armado é a determinação da posição da linha neutra na falha. Neste exemplo, a
posição da linha neutra, determinada pelo processo iterativo exposto no passo 2 da seção 2.6,
resulta em 𝑥𝐿𝑁 = 9,52 cm. De acordo com o exposto na seção 2.4, pode-se determinar, pela
profundidade da linha neutra, que a peça está no domínio 3 e que a armadura escoa a uma
deformação específica de 9,92‰, conforme a figura 30.
Figura 30 – Equilíbrio da seção no ELU.

Fonte: Autor.

As tensões no aço são calculadas conforme a equação 13, enquanto as tensões no


concreto, para a verificação analítica, são expressas por um retângulo com tensão 0,85 𝑓𝑐𝑑 e
profundidade 𝑦 = 0,8 𝑥𝐿𝑁 (simplificação proposta pela NBR 6118/14 em seu item 17.2.2).
Ressalte-se que na planilha de cálculo as tensões em cada elemento de concreto são
determinadas pela equação 12 (diagrama parábola-retângulo).
O momento fletor resistente de projeto pode ser computado pela equação 20,
reproduzida abaixo:
𝑗

𝑀𝑅𝑑,𝑦 = ∫ 𝜎𝑐 ∙ 𝑦𝑐 ∙ 𝑑𝐴 + ∑ 𝜎𝑠𝑖 ∙ 𝑦𝑠𝑖 ∙ 𝐴𝑠𝑖 (20)


𝐴 𝑖=1

𝐌𝐑𝐝,𝐲 = −(𝟏, 𝟖𝟐 ∙ 𝟏𝟔, 𝟐 ∙ (𝟎, 𝟖 ∙ 𝟗, 𝟓𝟐 ∙ 𝟐𝟎)) − 𝟒𝟑, 𝟓 ∙ (−𝟏𝟔, 𝟓) ∙ 𝟔, 𝟐𝟖 = 𝟗𝟎𝟎𝟎 𝒌𝑵𝒄𝒎


𝐌𝐑𝐝,𝐲 = 𝟗𝟎, 𝟎 𝒌𝑵𝒎

Resolvendo-se a seção acima pela planilha de cálculo, obtém-se um momento


resistente de 𝑀𝑅𝑑,𝑦 = 89,2 kNm. A diferença entre os dois resultados é de 0,897%.

Verificação da resistência a flexão composta oblíqua


52

Nesta verificação adota-se uma seção com armadura assimétrica, senda a geometria, a
armadura e os materiais conforme a figura 31. O esforço normal solicitante de projeto é -1250
kN (compressão).
Figura 31 – Seção submetida a flexão composta oblíqua.

Fonte: Autor.

A verificação da capacidade resistente de uma seção de concreto armado submetida a


flexão composta oblíqua é usualmente realizada por meio de diagramas de interação. Nesta
seção são comparados 8 pontos do diagrama interação produzido pela planilha de cálculo
(figura 32) com os mesmos pontos dos diagramas de interação produzidos pelos softwares P-
Calc (2014) e Oblíqua (2001).
Figura 32 – Envoltória resistente calculada pela planilha de cálculo com indicação dos pontos.
Mx (kNm)
-100 -50 0 50 100 150
100
1
2
8 3 50

4
0
My (kNm)

7
-50

5
-100

6 -150
Fonte: Autor.
53

Os momentos resistentes nas direções 𝑥 e 𝑦 (conforme as direções convencionadas na


seção 2.5) são expostos na tabela 1. As diferenças nos resultados dos softwares foram

2 2
avaliadas por meio do momento resistente total de cada ponto (𝑀𝑅 = √𝑀𝑅𝑥 + 𝑀𝑅𝑦 ),

conforme a tabela 2. Comparando-se as diferenças, observa-se que os resultados de momento


resistente total da planilha de cálculo foram idênticos aos resultados do P-Calc, mas
apresentaram-se conservadores em relação aos resultados do Oblíqua, sendo em média 5,5%
inferiores a estes.
Tabela 1 – Momentos Resistentes Calculados, em kNm.
Planilha P-Calc Oblíqua
Ponto
MRx MRy MRx MRy MRx MRy
1 33,8 76,8 33,8 76,8 34,0 80,7
2 88,8 57,9 88,8 57,9 92,0 64,2
3 114,3 37,2 114,3 37,2 119,0 40,1
4 131,8 14,4 131,8 14,4 137,2 15,0
5 59,7 -70,8 59,7 -70,8 62,0 -76,8
6 -19,4 -131,8 -19,4 -131,8 -23,0 -136,2
7 -76,7 -32,3 -76,7 -32,3 -81,5 -33,0
8 -25,9 40,1 -25,9 40,1 -30,8 44,0
Fonte: Autor.

Tabela 2 – Diferenças nos momentos calculados.


Planilha P-Calc Oblíqua
Ponto
MR (kNm) MR (kNm) Dif. MR (kNm) Dif.
1 83,8 83,8 0,0% 87,6 -4,3%
2 106,0 106,0 0,0% 112,2 -5,5%
3 120,2 120,2 0,0% 125,6 -4,3%
4 132,6 132,6 0,0% 138,0 -3,9%
5 92,6 92,6 0,0% 98,7 -6,2%
6 133,2 133,2 0,0% 138,1 -3,5%
7 83,2 83,2 0,0% 87,9 -5,3%
8 47,8 47,8 0,0% 53,7 -11,0%
Fonte: Autor.

Verificação da resistência de uma seção submetida a flexão composta normal em


comparação ao CAD/TQS

Os resultados de resistência de uma seção flexocomprimida também foram verificados


com os resultados de um dimensionamento de pilares do CAD/TQS, um sistema
computacional de cálculo estrutural. No relatório de dimensionamento de pilares emitido pelo
CAD/TQS (versão 18.5.71), são dados os valores de esforço normal e momentos fletores
solicitantes de cálculo, disposição da armadura e área de aço necessária (𝐴𝑠,𝑛𝑒𝑐 ) para resisti-
54

los. Esses valores foram verificados pela planilha de cálculo e os resultados encontram-se na
tabela 3.
Para o cálculo do momento resistente na planilha de cálculo, a disposição da armadura
foi adotada conforme especificado no relatório de dimensionamento do TQS. A distância
entre o bordo da seção e o centro geométrico das barras (𝑑′) foi determinado pela soma do
cobrimento (3 cm), do diâmetro do estribo (0,63 mm) e do raio das barras longitudinais (1,0
cm), sendo igual a 4,63 cm para todos os pilares, conforme a figura 33.
Figura 33 – Seção genérica.

Fonte: Autor.

A área de aço adotada para cada uma das barra foi igual à área de aço necessária
indicada pelo relatório (𝐴𝑠,𝑛𝑒𝑐 ) dividida pelo número de barras longitudinais na seção
(𝑛𝑏𝑎𝑟𝑟𝑎𝑠 ). No pilar P1, lance 2, por exemplo, foram adotadas 6 barras na seção do pilar. Com
uma área de aço necessária igual a 6,98 cm², cada barra de aço teve uma área igual a 1,163̅
cm². Observe-se que essa área de aço não corresponde a uma bitola comercial, representando
apenas um valor numérico usado no processo de dimensionamento do CAD/TQS.
Tabela 3 – Comparações entre momentos resistentes calculados na planilha e no TQS.
d′ hx x hy As,Nec N MRx,TQS MRx,Planilha Diferença
Pilar Lance nbarras
(cm) (cm x cm) (cm²) (kN) (kNm) (kNm) (%)
P1 2 4,63 19 x 40 6 6,98 -910 30,17 29,96 -0,7%
P1 1 4,63 19 x 40 6 12,68 -1063 34,56 34,40 -0,5%
P4 2 4,63 19 x 40 6 5,89 -884 29,31 28,99 -1,1%
P4 1 4,63 19 x 40 6 11,47 -1033 33,57 33,38 -0,6%
P16 3 4,63 19 x 60 6 11,49 -1392 46,13 45,75 -0,8%
P16 2 4,63 19 x 60 8 22,66 -1672 55,42 55,17 -0,5%
P16 1 4,63 19 x 60 12 31,86 -1953 60,73 60,86 0,2%
55

P17 3 4,63 19 x 60 6 13,65 -1446 47,94 47,61 -0,7%


P17 2 4,63 19 x 60 10 25,24 -1737 57,58 57,31 -0,5%
P17 1 4,63 19 x 60 12 34,71 -2029 63,11 63,03 -0,1%
Fonte: Autor.

5.2 Determinação dos esforços de segunda ordem local

Nesta seção, são comparados os resultados da análise de segunda ordem local pelos
métodos descritos nas seções 3.5.1 a 3.5.4. O pilar tem seção retangular, comprimento
equivalente de flambagem e esforços de primeira ordem conforme a figura abaixo. O índice
de esbeltez do pilar estudado é 69,3, em ambas as direções.
Figura 34 – Seção, comprimento equivalente e esforços atuantes no pilar.

Fonte: Autor.

Pilar-padrão com curvatura aproximada

Conforme a equação 49, a curvatura do pilar pode ser determinada por:


1 0,005 0,005
= = = 1,485 ∙ 10−4 𝑐𝑚−1 = 1,485 ∙ 10−2 𝑚−1
𝑟 h(ν + 0,5) 30(0,62 + 0,5)
A curvatura é igual nas duas direções porque ℎ𝑥 = ℎ𝑦 . Já os momentos de segunda
ordem dependem do parâmetro 𝛼𝑏 , que são diferentes para as direções 𝑥 e 𝑦.
𝑀𝐵
𝛼𝑏 = 0,6 + 0,4 , 0,4 ≤ 𝛼𝑏 ≤ 1,0 (48)
𝑀𝐴
50 75
𝛼𝑏𝑥 = 0,6 + 0,4 =1 𝛼by = 0,6 + 0,4 = 0,73̅
50 25
O cálculo do máximo momento fletor de segunda ordem, de forma analítica:
l2e 1 62
𝑀𝑆𝑑𝑥,𝑡𝑜𝑡 = 𝛼𝑏𝑥 𝑀1𝑑𝑥,𝐴 + 𝑁𝑆𝑑 ∙ = 1 ∙ 50 + 1000 ∙ ∙ 1,485 ∙ 10−2 = 103,5 𝑘𝑁𝑚
10 𝑟𝑥 10
l2e 1 62
𝑀𝑆𝑑𝑦,𝑡𝑜𝑡 = 𝛼𝑏𝑦 𝑀1𝑑𝑦,𝐴 + 𝑁𝑆𝑑 ̅
∙ = 0,73 ∙ 75 + 1000 ∙ ∙ 1,485 ∙ 10−2 = 108,5 𝑘𝑁𝑚
10 𝑟𝑦 10
56

Na planilha de cálculo, os resultados são:

𝑀𝑆𝑑𝑥,𝑡𝑜𝑡 = 103,5 𝑘𝑁𝑚 𝑀𝑆𝑑𝑦,𝑡𝑜𝑡 = 108,5 𝑘𝑁𝑚

Pilar-padrão com rigidez 𝜿 aproximada

Conforme a seção 3.5.2, o cálculo do pilar-padrão com rigidez 𝜅 aproximada pode ser
determinado por processo iterativo ou de forma exata pela equação 53, reproduzida abaixo.
−𝑏 + √𝑏 2 − 4 ∙ 𝑎 ∙ 𝑐
𝑀𝑆𝑑,𝑡𝑜𝑡 =
2𝑎
Onde: 𝑎 = 5 ∙ ℎ
𝑙2
𝑏 = 𝑁𝑑 (ℎ2 − 320
𝑒
) − 5 ∙ ℎ ∙ 𝛼𝑏 𝑀1𝑑,𝐴

𝑐 = −𝑁𝑑 ∙ ℎ2 ∙ 𝛼𝑏 𝑀1𝑑,𝐴
Na direção x:
𝑎 = 5 ∙ 0,3 = 1,5 𝑚
62
𝑏 = 1000 (0,32 − ) − 5 ∙ 0,3 ∙ 1 ∙ 50 = −97,5 𝑘𝑁𝑚2
320
𝑐 = −1000 ∙ 0,32 ∙ 1 ∙ 50 = −4500 𝐾𝑁 2 𝑚³
−(−97,5) + √(−97,5)2 − 4 ∙ 1,5 ∙ (−4500)
𝑀𝑆𝑑𝑥,𝑡𝑜𝑡 = = 96,2 𝑘𝑁𝑚
2 ∙ 1,5
Na direção y:
𝑎 = 5 ∙ 0,3 = 1,5 𝑚
62
𝑏 = 1000 (0,32 − ) − 5 ∙ 0,3 ∙ 0,73̅ ∙ 75 = −105 𝑘𝑁𝑚²
320
𝑐 = −1000 ∙ 0,32 ∙ 0,73̅ ∙ 75 = −4949,8 𝐾𝑁 2 𝑚³
−(−105) + √(−105)2 − 4 ∙ 1,5 ∙ (−4949,8)
𝑀𝑆𝑑𝑥,𝑡𝑜𝑡 = = 102,3 𝑘𝑁𝑚
2 ∙ 1,5
Na planilha de cálculo, os resultados são:

𝑀𝑆𝑑𝑥,𝑡𝑜𝑡 = 96,2 𝑘𝑁𝑚 𝑀𝑆𝑑𝑦,𝑡𝑜𝑡 = 102,3 𝑘𝑁𝑚

Método do pilar-padrão acoplado a diagramas momento-curvatura

Este método requer a elaboração de um diagrama momento-curvatura conforme a


seção 3.3. Como esse diagrama é uma solução numérica ao problema do pilar-padrão, não é
viável fazer uma verificação analítica. Como parâmetro de comparação, portanto, foi adotado
57

o P-Calc (2014) para as comparações. Foi adotado 𝛾𝑓3 = 1,1 na elaboração dos diagramas
momento-curvatura.
Tabela 4 – Comparações entre momentos calculados na planilha e no P-Calc.
Planilha P-Calc
Posição Direção Direção
𝒙 𝒚 𝒙 𝒚
(𝑬𝑰)𝒔𝒆𝒄 (𝒌𝑵𝒎²) 1,13∙104 1,13∙104 1,13∙104 1,13∙104
𝜿𝒔𝒆𝒄 78,0 78,0 78,0 78,0
𝑴𝑺𝒅,𝒕𝒐𝒕 (𝒌𝑵𝒎) 73,4 80,8 73,0 80,3
Fonte: Autor.

Método geral acoplado a diagramas momento-curvatura

Este método, conforme a seção 3.5.4, determina os momentos de segunda ordem do


pilar através da consideração não-aproximada da não-linearidade geométrica. Para a avaliação
aproximada da não-linearidade física, empregam-se diagramas momento-curvatura.
Assim como na seção anterior, foi adotado 𝛾𝑓3 = 1,1 na elaboração dos diagramas
momento-curvatura. As rigidezes resultantes, em ambas as direções, também foram iguais às
da seção anterior (1,13∙104 kNm²); a média percentual absoluta da diferença foi de 0,60%.
Tabela 5 – Comparações entre momentos calculados na planilha e no P-Calc.
Planilha P-Calc Diferença (%)
Posição
𝑴𝑺𝒅,𝒙 (𝒌𝑵𝒎) 𝑴𝑺𝒅,𝒚 (𝒌𝑵𝒎) 𝑴𝑺𝒅,𝒙 (𝒌𝑵𝒎) 𝑴𝑺𝒅,𝒚 (𝒌𝑵𝒎) 𝒙 𝒚
L (Topo) 50,0 75,0 50,0 75,0 - -
0,9 L 59,0 80,0 58,8 79,8 0,3% 0,3%
0,8 L 66,4 82,6 66,0 82,2 0,6% 0,5%
0,7 L 71,8 82,9 71,3 82,4 0,7% 0,6%
0,6 L 75,0 80,7 74,5 80,1 0,7% 0,7%
0,5 L 76,2 76,2 75,6 75,6 0,8% 0,8%
0,4 L 75,0 69,4 74,5 68,9 0,7% 0,7%
0,3 L 71,8 60,6 71,3 60,2 0,7% 0,7%
0,2 L 66,4 50,1 66,0 49,8 0,6% 0,6%
0,1 L 59,0 38,1 58,8 37,9 0,3% 0,5%
0 (Base) 50,0 25,0 50,0 25,0 - -
Fonte: Autor.

Resumo dos resultados

Nesta seção (5.2), o pilar foi resolvido por 4 métodos de análise de esforços de
segunda ordem local. A tabela 6 resume os resultados obtidos pela planilha, e a envoltória
resistente do pilar pode é exposta na figura 35.
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Tabela 6 – Resumo dos resultados da análise de 2ª ordem local.


𝑴𝑺𝒅𝒙,𝒕𝒐𝒕 𝑴𝑺𝒅𝒚,𝒕𝒐𝒕
Método 𝑴𝑺𝒅 < 𝑴𝑹𝒅 ?
(𝒌𝑵𝒎) (𝒌𝑵𝒎)
Pilar-padrão com curvatura aproximada 103,5 108,5 SIM

Pilar-padrão com rigidez 𝜅 aproximada 96,2 102,3 SIM


Pilar-padrão acoplado a diagramas 𝑁, 𝑀, 1/𝑟 73,4 80,8 NÃO
Método geral acoplado a diagramas 𝑁, 𝑀, 1/𝑟 76,2 82,9 NÃO
Fonte: Autor.
Conforme a tabela 6, observa-se que os métodos numéricos (pilar-padrão acoplado
diagramas 𝑁, 𝑀 𝑒 1/𝑟 e método geral acoplado a diagramas 𝑁, 𝑀 e 1/4) apresentam pequenas
diferenças entre si, mas resultam em momentos de segunda ordem muito inferiores aos
obtidos com os métodos analíticos, de forma que o pilar resiste aos momentos de segunda
ordem calculados pelos métodos numéricos, mas não aos momentos de segunda ordem
calculados pelos métodos analíticos.
Figura 35 – Envoltória resistente.

Envoltória Resistente
Momentos Resistentes Momentos de 1ª Ordem
Pilar-Padrão c/ Rigidez Aproximada Pilar-Padrão c/ Diagramas M, N, 1/r
Pilar-Padrão c/ Curvatura Aproximada Método Geral c/ Diagramas M, N, 1/r

Mx (kNm)
-160 -120 -80 -40 0 40 80 120 160

140

90

40
My (kNm)

-10

-60

-110

-160

Fonte: Autor.
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6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho introduziu uma planilha de cálculo no Microsoft Excel capaz de resolver
problemas de flexão oblíqua em pilares com índice de esbeltez não superior a 140 seguindo as
prescrições da NBR 6118/14. Essa ferramenta possibilita a resolução problemas de flexão
oblíqua sem o uso de ábacos, além de facilitar a abordagem da não-linearidade física e
geométrica em análises de pilares.
Os resultados de verificação de seção da planilha foram comparados com resultados
obtidos em outros programas de cálculo, a saber o CAD/TQS, o P-Calc e o Oblíqua. As
correlações entre a planilha e os dois primeiros programas foram muito boas, sendo as
diferenças da ordem de 1%. Em relação ao Oblíqua, as diferenças foram um pouco mais
significativas, da ordem de 5%. Cabe salientar que em praticamente todas as situações a
planilha de cálculo foi mais conservadora, resultando em resistências menores que os
programas comparados.
No que concerne a determinação dos esforços de segunda ordem, a planilha de cálculo
foi validada analiticamente (método do pilar-padrão com curvatura aproximada e rigidez
aproximada) e numericamente pelo software P-Calc (método do pilar-padrão acoplado a
diagramas e método geral acoplado a diagramas). As correlações com o P-Calc na
determinação dos esforços de segunda ordem também foram muito boas, sendo as diferenças
da ordem 0,60%.
Apesar dos bons resultados obtidos na validação, a planilha ainda deve ser testada
mais extensivamente, com diversos casos de carregamento e índices de esbeltez. Na
verificação de esforços de segunda ordem feita neste trabalho, observou-se que os métodos de
mais precisos (que se valem de diagramas momento-curvatura para avaliar a não-linearidade
física) tendem a resultar em dimensionamentos mais econômicos. No entanto, recomenda-se
que esses métodos, mais arrojados, sejam usados somente nas ocasiões em que o engenheiro
tenha o adequado domínio e experiência da situação de projeto analisada.
Finalmente, em futuros estudos seria oportuno programar a planilha de cálculo para
resolver seções de concreto armado diversas, como a seção em T, em I e em L; também seria
pertinente adaptar a planilha de cálculo para concretos de classe superior a C50.
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7 REFERÊNCIAS

ARAÚJO, José Milton. Curso de concreto armado. 3. ed. Rio Grande: Editora Dunas, 2010.
v. 3.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118/2014: Projeto de


estruturas de concreto – Procedimento. Rio de Janeiro, 2014.

CARDOSO JÚNIOR, Sander David. Sistema computacional para análise não linear de
pilares de concreto armado. 2014. Monografia (Especialização em Gestão de Projetos de
Sistemas Estruturais) – Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2014.

CARVALHO, Roberto Chust; PINHEIRO, Libânio Miranda. Cálculo e detalhamento de


estruturas usuais de concreto armado. 1. ed. São Paulo: Pini, 2009. v. 2.

GARCIA, Luiz Fernando Taborda. Elasticidade não linear: teoria e aplicações. Rio de
Janeiro: Letra Capital, 2007.

OBLÍQUA. Versão 1.0. Curitiba: Centro de Estudos de Engenharia Civil da Universidade


Federal do Paraná, 2001.

P-CALC. Versão 1.4. São Paulo: Escola Politécnica da Universidade de São Paulo/Sander
David Cardoso Júnior, 2014.

PINHEIRO, Libânio Miranda. Fundamentos do concreto e projeto de edifícios. São Carlos:


Universidade de São Paulo, 2007.

SCADELAI, Murilo Alessandro. Dimensionamento de pilares de acordo com a NBR 6118:


2003. 2004. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) – Escola de Engenharia de São
Carlos, Universidade Federal de São Paulo, São Carlos, 2004.