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Risco ou perigo

maio, 2012
https://www.osetoreletrico.com.br/risco-ou-perigo/

Edição 73 / Fevereiro de 2012


Por João José Barrico de Souza

Não é de hoje que se confrontam os conceitos dos dois termos “risco” e


“perigo”. Alunos da especialização em engenharia de segurança, ao
pesquisarem para elaborar suas monografias, encontram o problema e são
questionados nas suas apresentações.

Os conceitos dos termos risco e perigo, não se encerram na definição. Temos


outras aplicações e termos derivados que dependem fundamentalmente do
conceito do termo raiz, no nosso idioma.

Recentemente, um artigo publicado intitulado “Equipamentos de Proteção


Individual”, cujos trechos são transcritos, dizia o Eng. Edson Martinho,
batalhador pela segurança com eletricidade e co-fundador da Abracopel:

“Consultando a internet conseguimos várias definições de risco e de perigo e


algumas são descritas abaixo:

Risco: É a probabilidade ou chance de lesão ou morte (Sanders e McCormick)


ou uma ou mais condições de uma variável com potencial necessário para
causar danos (De Cicco e Fantazzini) ou, ainda, é a probabilidade potencial de
causar danos nas condições de uso e/ou exposição, bem como a possível
amplitude do dano (definição pela Comissão Européia).

A norma EN 50110, norma utilizada pela comunidade Européia para segurança


em trabalhos com eletricidade define o risco como sendo: “combinação da
probabilidade e da gravidade da possível lesão ou dano para a saúde de uma
pessoa exposta a um ou vários perigos”.

Perigo: É uma condição ou conjunto de circunstâncias, que tem o potencial de


causar ou contribuir para lesão ou morte (Sanders e McCormick) ou expressa
uma exposição relativa ao risco, que favorece sua materialização em danos
(De Cicco e Fantazzini) ou ainda é a propriedade ou capacidade intrínseca dos
materiais, equipamentos, métodos e práticas de trabalho, potencialmente
causadora de danos (definição pela Comissão Européia).

Questionado sobre o assunto, o engenheiro Jorge Reis, respeitável ex-


pesquisador da Fundacentro, responsável pela elaboração de normas
regulamentadoras e por inúmeras outras contribuições para a área de
engenharia de segurança esclarece:

1 – As definições em inglês envolvem os termos “damage, risk e hazard”.


2 – Ao ser feita a tradução, profissionais que trabalhavam na Fundacentro não
atentaram para a legislação nacional e, inadvertidamente, usaram a palavra
“perigo”, quando a versão dessa palavra seria “danger” em inglês.

3 – Em nossa legislação fica bem claro que o perigo advém do risco


acentuado e sem controle; ao se procurar traduzir a palavra por semelhança,
corre-se o risco (perigo??) de cometer falhas grotescas. Por exemplo, se você
traduzir “push” por “puxe”, não conseguirá abrir nenhuma porta, pois “puxe”
seria “pull” e “push” entende-se como “empurrar”.

4 – Todos os trabalhos em português que se basearam naquela tradução


carregam a mesma inadequação.

5-Como já discutimos intensamente, no GTTE, grupo Técnico Tripartite que


antecedeu a NR 10, apesar de ser considerado um risco, um revólver vai
representar perigo no momento em que ele está carregado ou não, se está nas
suas mãos, nas mãos de um policial ou apontado para sua cabeça por um
bandido, ou seja, pelo próprio bom senso, a palavra “perigo” não representa
uma constante, mas uma variável cuja intensidade muda em função da forma
como o risco (revólver) se apresenta!

Ou ainda, uma piscina cheia de água é um risco para uma pessoa que não
saiba nadar, e um perigo quase nulo se a pessoa estiver a um quilômetro de
suas bordas, mas vai se tornando um perigo maior à medida que essa pessoa
se aproxima dela.

Em inglês, pode-se verificar que “hazard” não é simples sinônimo de “danger”,


cada palavra reflete um conceito distinto.

Não foi por acaso que a NR 10 trouxe no glossário a definição dos termos.
Antes de ser escrito, o glossário foi objeto de consulta e de muita discussão.
Posteriormente, a norma foi à consulta pública, recebeu contribuições, críticas
e observações que depois de consolidadadas resultaram em cerca de 500
folhas de papel.

Acrescentaria aos exemplos do engenheiro Jorge Reis a altura, que representa


um risco (risco de altura) cujo perigo está na possibilidade da queda. O risco
(altura) é o mesmo dentro da sala no alto de um edifício, mas o perigo só
existirá se houver a possibilidade de queda, por ausência de medidas de
proteção.

Muito mais delicado e não menos aplicável é o conceito que acaba tentando
tomar espaço nessa polêmica, quando se procura definir a periculosidade. Ora,
o conceito de periculosidade está efetivamente atrelado à exposição ao risco.
Só se está exposto ao risco quando ele não estiver satisfatoriamente
controlado, o que é uma medida do perigo, esta sim uma medida inversamente
proporcional às medidas de segurança e de controle.
O risco é característica própria da grandeza que se discute (altura, eletricidade,
explosão, incêndio). Para o perigo são consideradas as medidas de proteção e
as circunstâncias que envolvem o controle do risco.

Concluindo, os termos estão definidos na Norma Regulamentadora legal (por


medida de segurança) para evitar que (se manifeste o risco de) uma
interpretação errada, o que seria um perigo.

18. Perigo: situação ou condição de risco com probabilidade de causar


lesão física ou dano à saúde das pessoas por ausência de medidas de
controle.

22. Risco: capacidade de uma grandeza com potencial para causar lesões
ou danos à saúde das pessoas.

Glossário da NR 10

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