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Tema I – Introdução ao estudo da Anatomia Humana.

1.1Breve Historial sobre a Anatomia

A anatomia já existia no século V a.c., apesar de se limitar a dados isolados e


resultados de observações feitas em animais. Uma das primeiras pessoas que abriu um
corpo animal para estudar a sua estrutura interna foi Alcmeão de Crotona (Grécia
antiga). Outra grande figura deste período, foi o médico grego e reformados da
medicina antiga, Hipócrates (460 – 377 a.c.). Ele considerava do ponto de vista
materialista as causas das doenças, negando-se a acreditar em forças extra-
naturais. Segundo Hipócrates, os factores do meio ambiente, conjuntamente com as
particularidades do próprio organismo, condicionavam o desenvolvimento de um
determina doença. Pertence-lhe a “teoria líquida” segunda qual na composição do
organismo entram líquidos (Sangue, bílis, muco e bílis negra); Hipócrates considerava
ainda que a constituição do corpo e o temperamento do homem dependiam das
quantidades destes líquidos.

Platão (427 – 347 a.c.) foi um representante da corrente idealista, dominante na


altura, e que considerava que o organismo era dirigido por três almas; ou três
“pnéumas”, situadas nos órgãos mais importantes, o cérebro o coração e o fígado.
Um dos alunos de Platão, e famoso médico grego da antiguidade, foi Aristóteles (384 –
322 a.c.) que, acreditando muito embora na alma, considerava que ela formava um
todo único com o corpo e morriam juntamente com este. Aristóteles foi o primeiro
que comparou a estrutura do corpo humano com a dos animais, tendo também iniciado
o estudo de embriões. Por tudo isso, ele é justamente considerado o pai da Anatomia
comparada e da Embriologia.

No início da era cristã aparecem os famosos trabalhos médicos de Galeno (130 –


201 d.c.) intitulados “investigações anatómicas”, “acerca das funções de diferentes
partes do corpo”, e outros. Claúdio Galeno foi uma das pessoas mais famosas do seu
tempo, interessando-se pela medicina, Biologia, filosofia, Anatomia e Fisiologia.
Durante treze (13) séculos, seguidos os seus tratados serviam de livros básicos para
todos os que estudavam medicina. Juntamente com valiosos dados materialistas sobre a

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estrutura do corpo humano, em Galeno aprecem algumas opiniões idealistas. Por
exemplo, apesar de afirma que para estudar o organismo é indispensável fazer
observações em doentes e dissecar cadáveres, ele aceitava “pnéuma” vital, físico e
psicológico (fígado, coração e cérebro).

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Outro relevante e filósofo foi Ibn – Sina (Avicena), que viveu entre 980 – 1037 d.c.
e escreveu o “Cânon da medicina”, onde se recolheram todos conhecimentos médicos
daquela época. Este foi o melhor manual médico utilizado pelos médicos ocidentais e
orientais até ao século XVII.

Com o renascimento, e graças a individualidades como A. Vesálio,


W. Harvey e Da Vinci, a Anatomia torna-se numa disciplina cinetífica.

Leonardo Da Vinci (1452— 1519) foi um dos primeiros a dissecar cadáveres


humanos para os estudar. Pintor de mérito, foi o primeiro a representar correctamente as
diversas partes e órgãos do corpo humano. Considera-se como o fundador da
Anatomia artística.

Uma das figuras mais revolucionárias da Anatomia foi Andrés Vesálio (1514—
1564). Estudava o organismo do ponto da vista materialista e utilizava o método
objectivo da observação, realizando muitas dissecções de cadáveres. Os resultados do
seu trabalho, baseado no método analítico sistemático, estão compilados na obra
“Acerca da estrutura do corpo humano em sete tomos”.

Também Fallopio e Eustachius descreveram detalhadamente alguns órgãos e o


seu desenvolvimento, descrições que se encontram nos livros “Observações
anatómicas” e “Guia de anatomia”.

William Harvey (1578— 1657), médico, fisiólogo e anatomista inglês, não se


limitou a descrever, mas utilizou largamente os dados da Anatomia comparada,
embriologia. Foi o primeiro a colocar a hipótese de que qualquer animal repete, durante
a sua ontogénese, a filogénese da espécie. Considerava também que todo e qualquer
animal se desenvolviam a partir de um ovo. Harvey fazia frequentes experiências
com animais. A obra “Investigações anatómicas sobre o movimento do coração e do
sangue nos animais”, onde, pela primeira vez, se descreve a circulação sistémica e se
expõe a teoria da circulação sanguínea, tem muita importância. No entanto, ele não
explica a forma como o sangue passa do sistema venoso para o arterial, pois se
desconhecia a existência dos capitalares, cujo sistema foi descoberto mais tarde por
Marcello Malpinghi (1628 – 1694). Apesar descrever o sistema capilar, ele considerava
que o sistema circulatório era aberto e que o sangue passava dos capilares arteriais
para um “espaço intermédio” e só depois ia para os venosos. Foi A. M. Chumlianski
(1748— 1795) que mostrou que o sistema circulatório era fechado ao estudar a
estrutura dos rins e dos seus vasos.

A partir dos tempos de Pedro I (século XVIII). a Anatomia começou a


desenvolver-se na Rússia. Pedro I, soberano Russo, comprou na Holanda uma colecção
de preparações com as quais organizou em Petersburgo o primeiro museu de história
natural. Em 1724, Pedro I funda a academia das Ciências de Petersburgo (Russa),
onde trabalhou um dos grandes nomes da ciência russa, M.V. Lomonossov (1711 –
1765). Lomonossov contribuiu muito para o desenvolvimento das ciências na Rússia e
fundou a primeira universidade em Moscovo. Ele considerava o estudo do corpo
humano muito importante para a formação dos futuros médicos.

Outros grandes nomes da Anatomia foram M. I. Chein, autor do primeira atlas


anatómico russo, A. M. Chumlianski, E. O. Mukhine que escreveu o primeiro “Curso
de Anatomia” onde indicava que “um médico que não conheça bem anatomia não só
inútil, mas chega a ser, por vezes, prejudicial”, e P. A. Zagorski.

P. A. Zagorski (1764— 1846), professor de Academia médico-Cirúrgica, criou


uma escola de médicos anatomistas e escreveu a primeira anatomia humana em
língua russa. Um dos seus discípulos I. V. Buialski (1789— 1866), foi um dos maiores
Anatomistas e cirurgiões do seu tempo, tendo escrito o manual “Anatomia Geram
resumida do corpo humano” e “Tabelas de Anatomia cirúrgica” que chegaram até aos
nossos dias.

Uma das figuras mais importantes na medicina Rússia foi N. I. Pirogov (1810-
1881), criador da Anatomia topográfica e que pôs em prática pela primeira vez, um
novo método de investigação, o dos cortes seriados de cadáveres congelados. Foi autor
da “Anatomina Cirúrgica dos troncos vasculares e das fáscias” do“Curso completo de
Anatomia aplicada” e do Atlas “Anatomia topográgrica segundo cortes seriados de
cadáveres congelados”. Podemos considerar que actividade de Pirogov marcou todo um
período no desenvolvimento da medicina. Investigadores como P. F. Lesgaft, V.L.
Gruber e D. N. Zernov contribuiram muito para o desenvolvimento da anatomia russa.
Assim, P. F. Lesgaft (1837- 1909) foi o primeiro a utilizar os raios Roentgen
em estudos anatómicos. As suas investigações, baseadas na unidade entre o organismo
e o meio, a forma e a função, foram fundamentais para o desenvolvimento da anatomia
fisiológica.
Quanto a V. L. Gruber (1814- 1890), professor da Academia médica militar,
dedicou-se à anatomia descritiva, tento fundado na Rússia um dos museus
anatómicos mais qualificados.

D N. Zernov (1843- 1917), célebre anatomista moscovita, escreveu diversos


trabalhos sobre o sistema nervoso central, além de um “Guia de estudo da Anatomia
descritiva humana” que, na altura, foi o manual fundamental para os estudantes de
medicina.
A seguir à Grande Revolução Socialista de Outubro, na U.R.S.S. começou-se a
desenvolver intensamente a medicina e o seu ensino. O número de institutos de
medicina aumentou de 13 para 95; os investigadores soviéticos dedicaram-se ao estudo
de alguns dos problemas centrais e periférico, do sistema linfático e cardio-vascular;
importantes questões de Anatomia etária e morfologia funcional do aparelho locomotor,
etc. Além disso, no plano ideológico o anatomistas e antropologistas soviéticos
pronunciaram-se decididamente contra a teoria racista reaccionária criada por alguns
cientistas burgueses.
Entre as grandes figuras do período soviético, contam-se V. P. Vorobiov, G. M. Iossifov,
V. N. Tonkov, V. N. Chevkunenko, etc.
V. P. Vorobiov (1876- 1937) foi o primeiro a usar o método de marco e
microscopia, sendo também o fundador da morfologia tridimensional. Dedicou-se a
estudar a inervação dos órgãos e a estrutura do sistema nervoso periférico. Pertence-lhe
o primeiro atlas de Anatomia editado depois da revolução. G. M. Iossifov (1870- 1933)
muito contribuiu para o conhecimento do sistema linfático. Uma das suas obras
fundamentais, “O sistema linfático humano com a descrição dos órgãos adenóides e das
vias de circulação da linfa”, trouxe-lhe fama mundial e consagrou os anatomistas
soviéticos no campo internacional. Um dos seus seguidores, D. A. Jdanov (1902- 1972),
recebeu o Prémio Estatal da U.R.S.S. pela obra “Cirurgia anatómica do fluxo linfático
toráxico”. As suas investigações encontram-se expostas em diversas monografias
fundamentais.
V. N. Tonkov (1872— 1954) foi o fundador de uma das mais importantes
escolas soviéticas de Anatomia. Continuando os trabalhos de Pirogov e de Lesgaft,
dedica-se à Anatomia experimental. As suas investigações realisadas junto com os
alunos sobre o sistema vascular levam-no a formular a hipótese da existência da
circulação sanguínea colateral. O seu manual de anatomia foi um dos mais longamente
usados. O seu discípulo B. A Dolgo-Saburov (1900— 1960) continua estes trabalhos. O
célebre anatomista da actualidade, galardoado com os prémios estatais da U.R.S.S, V. V.
Kupriano, que se dedicou a corrente microcirculatória em órgãos e tecidos.

V. N. Chevkuneflko (1872— 1952) trabalhou num campo da Anatomia aplicada


seguindo as ideias de Pirogov. Ele dava grande importância a variabilidade individual
dos vasos sanguíneos, nervos e órgãos, assim como a importância destes dados para
medicina. Juntamente com um discípulo A. N. Maksirnenkov (1906— 1968), estudou as
variantes estruturais do sistema nervoso e venoso, tendo os resultados obtidos sido
compilados no “Atlas sistema nervoso periférico e venoso”, contemplando com o
prémio estatal da U. R.S.S.
No IX Congresso Internacional de Anatomia, realizado em Leninegrado em
1970, foram patenteados e devidamente valorizados os êxitos obtidos pelos anatomistas
soviéticos no estudo das estruturas do sistema locomotor dos órgãos internos, dos
sistemas nervoso e vascular, dos órgãos dos sentidos, etc.

Recentemente, a Anatomia tornou-se submicroscópica. A fisiologia, a bioquímica, a


microscopia electrónica e positrônica, as técnicas de difracção com raios X, aplicadas ao
estudo das células, estão descrevendo suas estruturas íntimas em nível molecular.

Hoje em dia há a possibilidade de estudar anatomia mesmo em pessoas vivas,


através de técnicas de imagem como a radiografia, a endoscopia, a angiografia, a
tomografia axial computadorizada, a tomografia por emissão de positrões, a imagem de
ressonância magnética nuclear, a ecografia, a termografia e outras.

A Biologia, estuda os seres vivos fenómenos vitais e as suas leis. Está subdividido
em: Anatomia, Fisiologia, Zoologia, etc.
A Anatomia Humana e um ramo da Biologia, é a ciência que estuda a estrutura e a
morfologia do corpo humano, isto é, os órgãos que compõem os sistemas (Garvilov,
Tatarinov, 1988).

1.2.Os planos de corte

Podemos distinguir os seguntes planos principais:

 Plano sagital ou paramediano – divide o corpo no sentido do comprimento,


separando o corpo ou órgão nas partes direita e esquerda.

 Plano frontal ou coronal - divide o corpo no sentido do comprimento, separando


o corpo ou órgão nas partes anterior e posterior.

 Plano transverso ou horizontal – divide o corpo ou órgão horizontalmente


dividindo-o nas partes superior e inferior.
Figura:Panos do corpo.(Ramé, Thérond,2012).

1.3.As cavidade do corpo

Os ossos da cabeça, do pescoço e do tronco formam o esqueleto axial (eixo


longitudinal); comportando várias cavidades (craniana, vertebral, torácica, abdominal e
pélvico) que confinam os órgãos internos. Os ossos dos membros formam o esqueleto
apendicular, não contém qualquer cavidade.

Figura das cavidades do corpo.


1.4.Cavidades abdominopélvica

A cavidade abdominopélvica contém diferentes órgãos e, para melhor a situar,


ela é dividida em diversos sectores que a separam em nove regiões distintas.

Figura das cavidades abdominopélvica.

1.4 Célula, estrutura, função e as suas propriedades

O organismo humano e dos animais superiores é bastante complexo. Ele


compõe-se de diversas estruturas, células, substância intercelular, tecidos e
órgãos, cada uma das quais se caracteriza por um nível de organização biológica
determinado.
Alguns seres vivos são constituídos por uma só célula, outros são
multicelulares, podendo apresentar milhares de milhão de células. Admite-se, por
exemplo, que o número total de células do organismo humano é, em média, 1017.

1.4.1Célula – unidade de estrutura e de função

A evolução das técnicas de observação desempenhou um papel essencial


na evolução das ideias sobre células. Até meados do século XVII, a existência de
células foi totalmente ignorada. Em 1665, Robert Hook (1637-1703), físico,
astrónomo e naturalista inglês publicou um conjunto de desenhos relativos a
observações com o auxílio de um microscópio que ele próprio construiu.
Anos depois, um outro percursor célebre, o holandês Leeuwenhoek (1632 –
1723) realizou também observações com o seu microscópico.

Na actualidade, a teoria celular assenta nas seguintes generalizações:

 A célula é a unidade básica de estrura e função de todos os seres vivos.


 Todas as células provêm de células preexistentes.
 A célula é a unidade de reprodução, de desenvolvimento e de
hereditariedade de todos os seres vivos.

1.4.2 Organização celular

As células podem agrupar-se em duas grandes categorias: células


procarióticas (do grupo pró = antes + káryon= núcleo) e células eucarióticas
(do grego eu = verdadeiro + káryon).

As células procarióticas têm uma estrutura muito simples, não


apresentando núcleo individualizado e perfeitamente organizado. Estão
representadas pelas bactérias, cianófitas, algumas algas, etc. As células
eucarióticas têm uma organização estrutural mais complexa, nomeadamente no
que se refere ao núcleo, que aparece completamente organizado e delimitado por
um invólucro nuclear; representados pelas células animais e vegetal.

Uma das primeiras preocupações de quem estuda as células é estabelecer


uma relação de grandeza das estruturas celulares com objectos e com algumas
unidades de medida.

Célula animal e célula vegetal


Existem algumas diferenças estruturais entre uma célula animal e uma célula
vegetal que lhes conferem características específicas. Contudo, todas elas
possuem três constituintes fundamentais: membrana, citoplasma e núcleo.

14.2.1 Componentes celulares

Na célula animal podemos localizar os seguintes componentes: membrana plasmática,


retículo endoplasmático, complexo de golgi, lisossoma, núleo, mitocôndrias,
ribossomas, centríolos, citosqueleto e vacúolos

Membrana celular – Estrura; apresentam duas bandas escuras que ladeiam uma banda
clara. Tem como função o controlo de entrada e saída de substância, protecção e
recepção de informações.
Reticulo endoplasmática – Estrutura; constituído por um a sistema irregular de
cisternas ou sáculos, vesículas e por canalículos, existem retículo endoplasmático
rugoso e liso. Tem a função de intervir na síntese de compostos orgânicos, transporte de
proteínas e de outras substâncias dentro da célula.

Complexo de golgi – Estrutura; conjunto de sáculos e de vesículos que constituem uma


estrutura individualizado no interior do citoplasma. Tem como função de intervir em
fenómenos de secreção.

Lisossoma – Estruturas esféricas com membranas simples que contêm no seu interior
enzimas designadas genericamente por hidrolases. Tem como função de intervir na
decomposição de moléculas e estruturas celulares.

Núcleo – Estrutura celular limitado por um invólucro com poros. Tem como função de
controlar as actividades celulares.

Mitocôntrias – Estrutura organelos que possui duas membranas uma externa e outra
interna. Função de intervir na respiração aeróbia e também como centros de energia da
célula.

Ribossomas – Estruturas pequenas que apresenta-se isoladas ou agrupadas, muitas


vezes estão associadas ao reticulo endoplasmática rugoso. Tem como função
fundamental na síntese de proteínas.

Centriolos – Estruturas de arranjo microtubular constituído por 9 grupos de três


microtúbulos, apresentando o conjunto um aspecto cilíndrico. Tem como função
intervém na divisão celular.

Citosqueleto – Estrutura; rede de vários tipos de células de fibras que se intercruzam no


citoplasma. Tem como função de conferir o suporte mecânico a algumas estruturas e
mater a forma a célula.
Vacúolo – Estrutura; cavidades delimitadas por uma membrana contendo água com
substâncias dissolvidas. Tem como função de armazenamento de compostos orgânicos,
sendo também o local de reserva de iões inorgânicos.

Em suma:

 O estudo da célula envolveu e envolve um longo percurso de


investigações, em que se verifica a interacção de ideias e de invenções
técnicas. O aperfeiçoamento dos microscópios tem permitido desvendar
diversos aspectos da estrutura e da função celular.

 A célula é a unidade básica de estrutura e de função de todos os seres


vivos.

 Algumas células são muito simples, não apresentando núcleo organizado,


são células procarióticas. Outras, chamadas células eucarióticas, têm uma
organização estrutural mais complexa, com núcleo organizado, delimitado
por um invólucro nuclear. Os dois tipos de células possuem membrana
celular e citoplasma.

 As células animais não têm parede esquelética, a qual está presente nas
células das plantas e de muitos fungos e nas bactérias.
 Os plastos estão presentes em células de plantas e nas algas
 Os vacúolos são mais pequenos e numerosos na célula animal e maiores e
pouco numerosos na célula vegetal.

1.5 - TECIDOS

Cada célula é uma coisa viva e, de certa maneira, tem as características da


vida: todas elas podem crescer e regenerar-se, mover-se, respirar, ingerir
alimentos, expedir as excreções, produzir-se e reagir ao meio ambiente.
As células encontram-se ligadas, uma às outras de várias formas, formando
tecidos. Estes tecidos são na verdade os materiais que constituem o corpo
tendo cada a sua função específica.

Segundo a sua estrutura, função e desenvolvimento, os tecidos podem


diferenciar-se em: tecido Epitelial, Conjuntivo, Sangue e Linfa, muscular e
nervoso.

Tecido Epitelial (Epitélio)

O tecido Epitelial, constitui o estrato superficial da cútis (pele), a epiderme,


reveste os órgãos ocos, formam membranas serosas e grande parte das
glândulas

Há vários tipos de tecidos Epiteliais que, na sua maioria são tecidos de


revestimento.

Podendo encontrar no revestimento do coração, nos pulmões (semi-


permeáveis), que fora o aparelho digestivo (mucosas), nos canais de aparelhos
respiratórios onde nas suas membranas encontramos pequenos pelos
designados cílios (Epitélio ciliar).

O tecido Epitelial mais espesso é o que reveste a pele.

Tecido Conjuntivo

Uma das particularidades do tecido conjuntivo é o grande desenvolvimento


que a substância intercelular aqui atinge. Ela é composta de uma matriz
amorfa e de fibras conjuntivas especiais. Neste grupo de tecido incluem-se o
tecido propriamente dito, o tecido cartilaginoso e tecido ósseo. Podemos
encontrar nos ossos nas articulações e nos tendões.

Sangue

O Sangue é um tecido líquido que consta de uma substância intercelular


(plasma) e dos elementos celulares em suspensão (glóbulos vermelho ou
hemácia ou ainda eritrócitos, glóbulos brancos ou leucócitos e plaquetas ou
trombócitos) . Embora varie bastante, um organismo humano adulto tem, em
média 4,5 a 6 litros de sangue, o que representa 6 a 8% do peso do corpo. De
acordo com o volume, o plasma constitui 55 a 60%, e os elementos celulares,
40 a 45%.

Linfa

A linfa é composta por uma parte líquida chamada linfoplasma onde se


encontram os elementos celulares.

Tecido Muscular

Todos os movimentos efectuados pelo homem, assim como os que decorrem


dentro do organismo (circulação sanguínea, movimento dos alimentos através
do tracto digestivo, etc.), estão intimamente ligamos ao trabalhos dos
músculos.

A característica principal deste tecido é a presença das estruturas contrácteis,


a cujo conjunto se chama aparelho contráctil.
Podemos distinguir três (3) tipos de tecidos muscular: liso, estriado
esquelético e cardíaco.

Tecido Nervoso
O tecido nervoso é composto por células nervosas, que têm uma função muito
específica, e pelas células da neuróglia, que têm uma função de suporte
auxiliar do sistema nervoso. A função específica das células nervosas é a
transmissão dos estímulos nervosos, já que elas possuem propriedades como
a excitabilidade e condutibilidade. O sistema nervoso é composto por de
tecido nervoso.

Tema II estudo dos sistemas e órgãos

2.1 Sistema Osteomuscular ou locomotor

O sistema osteomuscular ou locomotor, compreende o estudo dos ossos


(Osteologia), músculos (Miologia) e articulações (Artrologia).

2.1.1 Estrutura e funções dos ossos

Ossos – são órgãos bastante duros e resistentes, de coleração


esbranquiçados, de forma variada unidos entre si, em número de 206 ossos no
indivíduo adulto normal e no recem-nascido 300 ossos, constituindo a parte
passiva do sistema.

Nas primeiras idades de vida, muitos deles são constituidos por diversas
peças exoladas que se soltam progrecivamente. O maior osso do corpo humano é
fêmur (coxa) e o menor é estribo (ouvido médio).

O esquema e as figuras que se seguem demostram a localização dos ossos


nas diversas parte do corpo.
Quadro sinótico

Frontal, parietais, occipital, temporais (ossiculos do ouvido


- martelo, bigorna e estribo), esfenóide, etmôide, conchas
nasais inferiores, nasais, lacrimais e Vómer

Ossos da face Maxilas, palatinos, zigomáticos e mandíbula

Osso hióide
Coluna vertebral 7 cervicais, 12 toráxicas, 5 lombares, 5 sacrais e 4coccígea
33 – vértebras

Costelas – 12 pares I a X - verdadeiras


XI a XII - falsas

Esterno
da cintura escapular Escápula
Clavícula
do braço – úmero

do antebraço ulna
rário
Ossos do Membro
Superior
do carpo escafóide, semilunar,piranidal, pisiforme,
trapézio trapezóide, capitato e hamato

do metacarpo – I, II, III, IV e V metacárpicos

proximal
dos dedos da mão – falanges média
distal
ílio
da cintura pelvíca osso do quadril ísquio
púbil

da coxa - fêmur

patela (rótula)

da perna tíbia
Ossos do membro inferior fíbula

do tarso tálus, calcânio, navicular, cuneiformes (medial,


intermédio e lateral) e cubóide

do metatarso – I, II, III, IV e V metatársicos

proxiaml
dos dedos do pé – falange média
distal
Esqueleto do corpo Humano
Um osso é um órgão independente de estrutura muito complexa. Ele é
constituido de tecido ósseo, compacto ou esponjoso, e coberto exteriormente pelo
periosteo, excepto nos pontos de inserção de tendões e ligamentos e nas
superficies articulares, onde é substituida por cartilagem. Dentro dos ossos
encontra-se a medula óssea e, como qualquer outro órgão, ossos tern vasos
sanguineos e nervos próprios. Com forme a figura que se segue:
As células ósseas: Cada placa óssea é constitulda por matriz calcificada
envolvendo numerosas células multi-ramificadas, os osteócitos osteoblastos e
osteoclastos.
 Os osteoblastos: são as células formativas do tecido ósseo. Produzem o
colagénio e os constituintes da substância fundamental;
 Os osteócitos: são as células nutritivas do tecido ósseo, de forma estrelada
e com prolongamentos que unem as células ósseas entre si;
 Os osteoclastos: são as células destrutivas do tecido ósseo. Trata-se de
enormes células muito móveis.

Em cada sistema existe um só orificio para a passagem dos vasos


sanguineos. Entre os sistemas vizinhos dispoem-se placas suplementares

Sob a substância compacta está a substância esponjosa. na qual a matriz é


disposta em rede de bastonetes, placas ou tubos (trabéculos), de tecido ósseo
esponjoso.

O periósteo consiste numa membrana fibrosa, fina e muito resistente, que


reveste as superficies dos ossos. Podemos distinguir duas camadas nesta
membrana, a interna, composta de tecido areolar, contérn muitas fibras colágenas
e elásticas, assirn como nervos, vasos sanguineos e osteoblastos (células
formadoras de tecido ósseo); a externa é constituida por tecido conjuntivo fibroso
e tern uma função protectora. Urna das mais importantes funções do periósteo é a
funcão trófica. È através dele que passam os vasos sanguineos que alimentarn o
tecido interno. È também o periósteo que garante o crescimento do osso, assim
como durante a regeneração do osso depois de uma fractura. O periósteo está
intimamente ligado ao osso por fibras colágenas que começam no periósteo e
terminam no próprio osso.
A medula óssea é um tecido formador de sangue (hematopoéticos), assim
como de uma reserva de substâncias nutritivas. Ela existe em todos os ossos
preenchendo os espaços entre a matriz (substância esponjosa) do osso, assim
como no canal interior dos ossos tubulares. Diferenciam-se dois tipos de medula,
a vermelha e a amarela.

A medula óssea vermelha consiste em tecido reticular, muito rico em


nervos e vasos sanguineos, onde se encontrarn os elementos hematopoéticos e
celulas maduras do sangue, assim como as células osseas que participam na
forrnação do sangue. A medida que as células do sangue se vão formando, elas
passam ao sistema circulatório através dos capilares relativamente largos da
medula, cujas paredes têm poros. A estas capilares dá-se o nome de sinusóides.

Na vida adulta a medula vermelha, que predomina durante o


desenvolvimento do organismo, é substituida parcialmente por medula amarela,
que consiste principalmente em gordura.

Num homem adulto, a medula amarela encontra-se nos ossos tubulares,


enquanto a vermelha persiste nos ossos esponjosos.

Actualmente, considera-se a medula óssea vermelha, juntamente como o


timo, como os principais órgãos hematopoéticos e responsáveis pelo sistema
imunológico. Na medula óssea formam-se eritrócitos, leucócitos, trombôcitos,

2.1.1.2- Funções dos ossos.

Sendo o esqueleto um conjunto de ossos cartilagens e artiulações exercem


as seguintes funções:
1. È uma estrutura de suporte rígido, mantém a forma a posição erecta
e suporte do peso do corpo (função de sustentação).

2. Serve de alavanca para os músculos, contribui passivamente na


deslocação do organismo, proporcionando superfície para inserção
(função de locomoção).

3. Oferecem protecção de certas víceras, como encéfalo, a medula


espinhal, o pulmões, o coração o fígado e a bexiga urinária (função
protectora).

4. Contêm medula óssea, participam na formação do sangue (função


hematopoética).

5. Os ossos servem de reserva essencialmente


ao cálcio, magnésio e fósforo; distribuem-nos em função das
necessidades do organismo (armazenamento dos minerais);

2.1.1.3- Composição química dos ossos

Na composição química dos ossos, o tecido ósseo é um tecido conjuntivo.


É composto por uma parte orgânica e uma parte inorgânica/mineral: Enquanto as
substâncias orgânicas, é composta por fibras de colagénio (95%) como a osseina
e outras, garantem a elasticidade dos ossos, a inorgânica é composta por sais
minerais complexos: fosfato de cálcio (80%),
carbonato de cálcio (14%), fosfato de magnésio e fluoreto de cálcio (6%),
comunicam-lhe dureza. É a conjugação destes dois tipos de compostos que dão
aos ossos a sua resistência e maleabilidade. Com a idade, a relação entre a
quantidade de substâncias orgânicas e inorgânicas altera-se, o que se reflete logo
nas propriedades dos ossos. Por exemplo, na idade avançada diminui a
quantidade de compostos orgânicos, enquanto aumenta a de inorgânicos, levando
a que os ossos se tornem mais frâgeis e se partam com mais facilidade.

2.1.1.4- Desenvolvimento e crescimento dos ossos

O desenvolvimento dos ossos é chamado osteogénise. Como qualquer


outro tecido, o tecido ósseo forma-se no embrião a partir do mesoderma e do seu
derivado, o mesênquima por volta da sexta semana da vida embrionária. A
maioria dos ossos do homem passa por 3 etapas de desenvolvimento:
membranoso, cartilaginoso e ósseo. As excepçães que habitualmente se
mencionam são a clavicula e a maior parte dos ossos do crânio que começam
logo como osso sem primeiro terem sido cartilagem. Os ossos que passam apenas
por duas etapas de desenvolvimento chamam-se primários; os outros são
secundários.

O processo de ossificação pode decorrer de diversas formas; endesmal,


encondral, pericondral e periosteal.
Por volta do fim do segundo mês de gestacão, começa a ossificação. Ela
pode iniciar a partir da acção dos osteoblastos na base membranosa do futuro
osso. Assim, no centro de cada unidade forma-se um núcleo de ossificação que
vai proliferando radialmente ao longo do plano do osso. Neste caso, as camadas
mais superficiais do tecido osseo formam o periósteo. Neste osso pode-se
distinguir o local onde se iniciou a ossificacão, que parece uma pequena
tuberosidade (por exemplo a tuberosidade do osso pariental)

O processo de ossificação pode-se iniciar dentro do rudimento


cartilaginoso, verificando-se um núcleo de ocificação dentro da cartilagem que,
entretanto, se distruiu. Pouco a pouco, a zona óssea vai aumentando do centro
para a periferia, formando-se tecido esponjonso. Este recebe o nome de
ossificação endocondral. Se o processo for semelhante, mas decorrer da
periferia para o centro do rudimento cartilaginoso, chama-se ossificação
pericondral e, neste caso, o papel principal pertence aos osteoblastos do
periósteo.
Geralmente, o processo de ossifição não termina com a ossificação do
centro cartilaginoso e o seu crescimernto e engrossamente decorrem pela adição
de novo tecido na sua periferia, e crescem pela adição da espessura, à custa da
acção das células do periósteo. A este tipo chama-se ossificação periosteal.

A ossificação de muitos ossos, só termina no segundo decénio de vida,


terminando em épocas diferentes consoante o osso em causa. O último tecido
cartilaginoso a ser ossificado é o que se encontra nas metàfises dos ossos
tubulares, lugares onde os ossos crescem longitudinalmente, assim como o que
existe nas zonas em que os músculos e os ligamentos se prendem aos ossos.

2.1.1.5- Segundo a forma, os osso podem ser:

 Longos peculiares aos


 Curtos membros (braço, antebraço, coxa,
perna, carpo e tarso) e os cíngulos
(vértebras)

 Chatos peculiares do esqueleto


(omoplata, ossos do crânio: frontal, parietal)

 Pneumáticos – peculiar do crânio (frontal,


temporais, etc.)
 Sesamóides – em certos tendões (suturas e fontenelas)

A forma dos ossos


Os ossos tem a forma variável, dependendo da função e localização no corpo:

Os ossos longos: são constituídos por um corpo ou diáfise, duas extremidades ou


epífises, e um canal medular escavado no centro da diáfise (fémur, úmero)

Os ossos chatos: a sua espessura é mínima em relação ao seu comprimento


ou largura (omoplata, ossos do crânio: frontal, parietal). São formados por
ossos esponjosos colocados entre duas camadas de osso compacto;

Os ossos curtos: são mais ou menos cúbicos, com comprimento, largura


e espessura aproximadamente idênticas (vértebras, ossos do carpo, ossos do
tarso). São pequenos mas muito sólidos.

Os ossos pneumáticos: têm forma variável. São revestidos por uma mucos a e
limitam uma cavidade cheia de ar (etmóide, esfenóide);

Os ossos sesamóides: são ossos pequenos de forma geralmente arredondada.


Encontram-se no esqueleto da mão e do pé, e estão muitas vezes incluídos
na espessura de um tendão. O mais volumoso é a rótula.
2.1.2- Estrutura e função dos músculsos

Músculos – são órgãos carnudos, moles e de coloração vermelha, em


números mais de 600 músculos esqueléticos, que ocupam 40% a 45% do peso
total do corpo e representam a parte activa do sistema locomotor.
Papel dos músculos

Os músculos são indispensáveis às deslocações do corpo no espaço, bem com


motricidade de certas vísceras. As diferentes funções musculares são:

 Os movimentos: os mais evidentes são os movimentos dos membros mas


existem outros movimentos musculares a que se dá menos importância e
que são os batimentos cardíacos, as contracções da bexiga, a
transformação dos alimentos, etc.;
 A manutenção da postura e do equilíbrio;
 A libertação de calor (85% do calor corporal são produzidos pela
contracção muscular).

2.1.2.4- Tipos de músculos

Existem três grandes tipos de tecido muscular:

1- Os músculos esquelético ou estriados que estão inseridos no esqueleto e


proporcionam o movimento voluntário, que ocorre nos músculos dos
membros, da parede do corpo e na face;

2- Os músculo viscerais ou lisos, são involuntário, permitem a mobilidade


das estruturas internas como o estômago, bexiga urinária, vasos
sanguíneos, ctc.

3- O músculo cardíaco(músculo estriado que tem a função automática) , que é


confinado ao coração;

Descrição dos músculos

Os músculos estriados podem assumir formas diferentes que dependem da função


que têm de cumprir e, assim, os movimentos que devem efectuar. De uma forma
geral, cada músculo estriado comporta duas extremidades (graças às quais se
insere) tendões e um corpo mais ou menos importante que é o corpo carnudo ou
ventre muscular.
2.1.2.1- Estrutura dos músculos

Segundo a forma os músculos estriados, podemos distiguir vários


tipos:
Distinguem-se vários tipos de músculos estriados:

1. Os músculos longos: as suas extremidades são chamadas tendões. Segundo


o número de tendões, o músculo diz-se bicípite, tricípite, quadricípite (C e
D);
2. Os músculos chatos: o corpo carnudo é alargado, o músculo insere-se
directamente numa vasta superfície óssea ou cutânea (grande peitoral,
grande dorsal, etc.) (B);
3. Os músculos curtos: o corpo é muito curto e encorpado (músculo do
polegar) (A);
4. Os músculos anelares (E): o corpo é circular e rodeia, quer um orifício
natural (boca, por exemplo), sendo então chamado orbicular, quer uma
víscera oca (o ânus, por exemplo) e, nesse caso, o músculo é chamado
esfíncter.
Segundo as fíbras musculares, eles podem se dispor:

 Paralelamente ao longo do eixo principal do músculo.


 Obliquamente, como as barbas de uma pena de ave.
 Radialmente como um leque.
Diferenças funcionais: O tipo paralelo tem fíbras longas (ou cadeias de fíbras),
porêm, são relativamente poucas; por isso, podem levantar peso leve a uma longa
distância. O tipo oblíquo tem fíbras curtas, mas numerosas; em consequência,
podem erguer peso considerável a curta distância.

1. Fíbras paralelos ou quase paralelas em relação ao eixo longo dos


Músculos. As fíbras músculares podem se dispor paralelamente de uma
estremidade a outra do músculo, tendo as vezes um tendão curto ou
aponeurose em uma ou embas estremidades. Essas disposições das fíbras
musculares encontram-se em muitos músculos chatos ou laminares (por
exemplo aos músculos sartório – coxa e joelho). O tipo fusiforme estreita-
se em ambas as extemidades, que se continuam por tendões. (por exemplo,
o músculo bíceps braquial – braço).
2. Fíbras Oblíquas em relação ao eixo longo do Músculo. Em vista da
disposição das suas fibras, à semelhança das barbas das penas das aves,
inseridas em um tendão central, esses músculos são chamados penados.
Eles são 1° unipenados, quando suas fibras musculares têm origem linear
e estreita, lembrando metade de uma pena. 2° Bipenado, quando o arranjo
de suas fibras é semelhante ao de uma pena inetira de ave; 3°
multipenado, quando os fascículos passam obliquamente entre as
aponeuroses superficial e profunda e o músculo; quando visto em corte
sagital é em parte unipenado (por exemplo, o músculo deltóide - ombro).
4° Circumpenados, são músculos cujas fibras musculares convergem a
partir das paredes de um espaço cilíndrico para um tendão central (por
exemplo, o músculo tibial anterior - perna).

3. Em um Músculo Radical, Triangular ou em Leque, as fibras musculares


convergem a partir de larga origem ou base para o ápice, que é
necessariamente fibroso e que deixa marca, linha, crista ou processo
grosseiro no osso.
2.1.2.3- Propriedadedos músculos
As propriedades dos músculos são as seguintes:

1. Condutibilidade – permite a condução dos estímolos do meio exterior para


o interior.
2. Contractibilidade- permitem contracção do musculo (encurta e espessa-
se).
3. Elasticidade – permite a extensão e a contracção do músculo.
4. Excitabilidade- permite a ligação com meio exterior, isto é, receber
estimulos.

Os músculos esqueléticos estão sob o controle da vontade; esse é o motivo de


serem denorninados músculos voluntários. Histologicarnente, suas fibras
possuem estrias transversais claras e escuras. O músculo cardíaco é tambérn
estriado, mas esse tipo de músculo e o tecido muscular liso não estão sob
controlo da vontade; ambos são involuntários.

Contrair e relaxer é função dos três tipos de músculos. Os músculos


esqueléticos ou voluntários passam principalmente de um osso a outro através de
uma ou mais articulações e, contraindo-se, aproximam os seus pontos de fixação;
assim sendo eles movimentam a articulação.

Os músculos cardíaco e lisos formam especialmente as túnicas musculares


das paredes das cavidades e tubos do corpo e suas contrações expelem o seu
conteúdo.

Contudo, a distinção entre o rnúsculo voluntário e o liso, com base no


controle da vontade, não é sempre clara. Assim, o músculo diafragma é
estruturalmente urn músculo voluntário como o músculo bíceps braquial e pode
ser controlado pela vontade, como na inspiração profunda, ou parar
momentanearnente a respiração; normalrnente, ele funciona autornaticamente.
Ainda, a túnica muscular da parte superior do esôfago é de natureza esquelética e
a da parte inferior, de rnusculatura lisa. Portanto, em circunstâncias ordinárias, o
controle voluntário não pode ser exercido em qualquer parte do órgão.

Parece que a distribuição de músculos voluntário e liso é determinada não


tanto pelo tipo de controlo, como pelo carácter da contracção requerida, pois o
músculo voluntário (esquelético) é doptado de contracção rápida, enquanto que o
músculo liso se contrai sustentada e lentamente sem fadiga.

Nota: Com o advento da morte, horas após, os músculos perem o seu tono e a
sua natural elasticideda e flexibilidade; tornam-se rigios e, sem se encurtar,
permanecem no estado em se encontravam nos útimos momentos de vida. Esta
condição corresponde à rigidez cadavérica, que desaparece com o início
daputrefação.

A Composição quimica dos músculos

Os músculos estão quimicamente compostos por:

 Água: 80%.
 Proteínas: mioglobina, miosina (40 %), actina (15 %) e tropomiosina.
(5%).
 Elementos minerais: sódio, potássio, magnésio, cálcio, zinco e fósforo.
2.1.3- Articulações, definição e classifição

Articulações – são cunjuntos de partes moles e duros, que unem duas ou


mais peças ósseas e/ ou cartilagens.
Os ossos estabecem conexões entre si por intermedio das articulações;
estas, de acordo com a conformação e o aspecto estrutural, são agrupadas em
três: articulações fibrosas, articulações cartilaginosas e articulações sinovias.
Nas articulações fibrosas e cartilaginosas há relativamente pouca
mobilidade e a conexão é feita por tecido interposto, conjuntivo ou cartilagem,
que se fixa em ambos os ossos.

Articulações fibrosas (Suturas, Sindesmoses e Gonfoses)

Articulações fibrosas suturas, quando há pequeno afastamento entre os


ossos, e consequentemente pequena quantidade de tecido conjuntivo interposto
(ossos do crânio em geral). De acordo com a modalidade de união dos ossos
podem ser: serrilhadas (sutura serrátil, sutura escamosa) e harmônicas (sutura
plana).

Articulações fibrosas sindesmoses, quando o afastarnento entre os ossos


é grande e há, consequentemente grande quantidade de tecido conjuntivo
interposto (mernbranas interósseas do antebraço e da perna).

Articulações fibrosas gonfoses, modo pelo qual se processa a união das raízes
dos dentes com as paredes dos alvéolos dentários.
Articulações cartilaginosas (Sincondroses e Sínfises)

Articulações cartilaginosas sincondroses, com interposição de cartilagem


hialina (sincondrose esfeno-occipital).

Articulações cartilaginosas sínfises, com interposição de fibrocartilagern


(sinfise pública, sínfise intercorpovertebral).
Havendo ossificação do tecido interposto entre dois ossos eles se soldarn
entre si; esta ocorrência, frequente em pessoas de idade avançada é denominada
sinostose.

As articulações sinoviais possuem, em geral, grande mobilidade e


apresentam elementos constituintes que as caracterizam; dentre estes destacam-se
a cápsula, a cavidade e as superficies articulares. A cápsula arricular insere-se à
distância variável das superfícies de contacto e delimita com estas a cavidade
articular. É constituída pela membrana fibrosa, externa e resistente, reforçada
pelos denominados ligamentos extra-capsulares e pela membrana sinovial,
interna, de tecido conjuntivo diferenciado.

Esta última reveste a cavidade articular corn exceção das superfícies


articulantes e pode ainda apresentar pregas ou vilosidades sinoviais. A cavidade
articular contém urn líquido viscoso, a sinóvia, elaborado pela membrana
sinovial, que lubrifica e nutre a cartilagem articular. As superficies articu lates
dos ossos são revestidas por cartilagem hialina, cartilagem articular. Em algumas
articulações sinoviais existem formações especiais, (lábios ou orlas, meniscos e
discos, que ampliam ou harmonizam as superfícies articulares, e ligamentos
intra-capsulares, como por exernplo os ligamentos cruzados da articulação do
joelho.

As articulaçães sinoviais

As articulaçães sinoviais de acordo com a forma das superfícies


articulares podem ser subdivididas nos seguintes tipos:

Articulação plana, na qual as superfícies articulares planas (articulações


dos cuneiformes). Apresenta movimento de deslizamento ou escor regamento
paralelo as superfícies articulares.

Articulação trocóide, com superfícies ósseas semi-cilíndricas


completadas por ligamentos (articulacoes rádio-ulnares proximal e distal). O
movi mento permitido é de rotação ao redor de um eixo longitudinal que segue a
direção do eixo longitudinal do osso que se desloca.
Gínglimo, com superfícies cilínfricas apresentando depreção em carretel
em im osso e saliência correspondentes no outro (articulação úmero – ulnar).
Neste tipo de articulação o eixo é transversal e os movimentos são de
flexão, diminuição do ângulo entre os dois ossos, e estensão, movimento oposto.
Estes dois tipos de articulação sinoviais, a trocóide e o gínglimo, por
terem um único eixo de movimento são ditas mono – axiais.

Articulação condilar e elipsóide, de superfície elipsoidas (articulação


têmporo – mandibular e rádio – cárpica, respectivamente).

Articulação selar, com superfície côncava em uma direcção e convexa


em outra, com encaixe recíproco (articulaçã trapézio – 1° petacárpico)

Estas articulações, condilar, elipsôide e selar alérn dos movimentos de


f1exão extensão, também permitem a abdução e a adução, isto é, o afastamento e
a aproximação em re1ação ao plano sagital mediano. Apresentam, por
conseguinte, dois eixos de movimentos, um transversal e outro longitudinal e são
ditas bi-axiais. Permitem, ainda, pela combinação dos movimentos de flexão,
extensão abdução e adução a circundução, ao descreverem cones cujos ápices
correspondam a própria articu1ação.

Articulação esferóide ou cotílica, com superfícies esféricas ou


esferóides oca e cheia, encaixada (articulações do quantril e escápulo –
umeral). É o tipo que permite a execução isolada ou combinada de todos os
movimentos anteriormente descritos. Possui três eixos equivalentes às três
direcções geométricas no espaço; é, portante, ti – axial.
Em Suma:

Na classifição formal das articulações; resume- se no seguinte:

 Articulações fibrosas – temos sindesmoses, suturas e gonfeses.


 Articulações cartilaginosas – sincondroses e sínfese
 Articulações sinoviais.

As articulações podem também ser classificadas como: imóveis (típicas da


crânio). Semimóveis (típicas da coluna vertebral) e bastante móveis ou
simplesmente móveis ou sinoviais (típicas dos membros).