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A análise

institucional de
Georges Lapassade
Psicologia Institucional
Lapassade...

●No Brasil, o pensamento de Lapassade passa a ser


conhecido nos meados da década de 70;
●Abordagem predominantemente sociológica e
política ao trabalho institucional;
●A Análise Institucional como um “movimento” teve

sua origem na França, na década de 60, com


Lapassade e Lourau;
●Tem suas raízes teóricas na intersecção de
diferentes disciplinas: psicologia social, sociologia e
pedagogia;
●“Grupos, organizações e Instituições” e “El
encuentro institucional”.
Lapassade

Formula a proposta de intervenção por meio da


autogestão.

“... em meio a todo esse movimento do


pensamento e da ação, questiona o que ele
mesmo propõe, até não mais permitir que esta
Análise Institucional se sustente enquanto
proposta teórica e de intervenção”.
Os três níveis da realidade social

A Análise Institucional considera a realidade


social como acontecendo em três níveis: o dos
grupos, o da organização e o da instituição.

Toda relação social se faz sempre nos grupos.


Estes podem vir a configurar organização, e
são, ambos, sobredeterminados pelas
instituições.
Os três níveis da realidade social

1) Grupo:
Base da vida cotidiana- classe, escritório, oficina,
família. Estamos então, submetidos aos grupos aos quais
vivemos a uma rotina de comportamentos, instituídos.

2) Organização:
Constituído por regimentos e regulamentos.
Burocracia na sua mais concreta dimensão.

3) Estado ou Instituição propriamente dita:


É o Estado, entendido como o conjunto de leis que
regem a conduta social, quem criva a organização e o
grupo.
A instituição

É o conjunto do que está instituído e,


enquanto jurisdição e política, pauta toda e
qualquer relação.

Organização terá o mesmo significado que em


Lapassade.
Estado e Ideologia

Lapassade considera o Estado a instituição


primeira, aquela que legitima toda e qualquer
outra instituição.

O que o Estado reprime é o sentido daquilo que


se faz, o sentido da ação. Não se trata da
repressão física ou policial, mas a prática
repetitiva e referida a uma determinada lei, a
um conjunto de regramentos, é uma prática que
se aliena e aliena os sujeitos nela envolvidos.
Ideologia “negativa e prática”- 4 quadrante.
Estado e Ideologia

Atribuindo o “controle central” ao Estado,


Lapassade entende que o mesmo reprime a
Revolução.

O caminho seria, então, não um golpe de


Estado, mas a construção de um novo sistema
institucional, sendo o Estado substituído por por
uma sociedade revolucionária, em que não se
permitiria a cristalização em instituições
dominantes (assembléias gerais como
instituições da revolução).
Burocracia e Poder

Lapassade entende a Burocracia como uma


questão política.
“É um certo tipo de relação de poder que
atravessa toda a vida pessoal, desde as
relações de produção até o lazer, passando
pelos partidos políticos, pesquisa científica e
educação (controle do como fazer).
Existe aonde quer que se separe a decisão da
execução, e o pensar do fazer.
Burocracia = organização da separação.
Burocracia e Poder

A relação burocratizada é uma relação entre


desiguais quanto ao poder para definir o que
deve ser feito e como deve ser feito.

NATURALIZAÇÃO

“Tenho subitamente o sentimento de uma


impotência, e parece-me que as decisões são,
com frequência, tomadas em outro lugar, sem
que eu seja consultado”.
Burocracia e Poder

Características fundamentais da burocracia


tradicional:
1) Não é uma “doença” ou desfuncionamento, é
uma forma determinada de estruturação das
relações de poder;
2) A burocratização implica uma alienação das
pessoas nos papéis e dos papéis no aparelho;
3) As decisões são sempre tomadas por
instâncias anônimas, desconhecidas;
4) As comunicações ocorrem em um único
sentido: de cima para baixo;
Burocracia e Poder

Características fundamentais da burocracia


tradicional:
5) Estrutura de poder: na cúpula os que sabem e na
base os que não sabem;
6) Conformismo (falta de iniciativa);
7) O usuário se sente pertencendo ao conjunto,
quando se torna usuário do discurso e das atitudes
desenvolvidas no interior da burocracia;
8) Resistência à mudança;
9) Fonte do comportamento desviante e dos grupos
fragmentários ou informais;
Burocracia e Poder

10) Boa posição social (carreira)

As condições burocratizadas de vida e de


trabalho são a alienação primeira, que faz com
que pareçam naturais e necessárias todas as
outras.
A burocracia é portanto, o ritual de iniciação no
universo institucional.
A análise institucional

É com vistas à suspensão das instituições dominantes,


“provocando” as relações de poder rígidas e
hierarquizadas, que Lapassade propõe a Análise
Institucional.

Análise institucional e o Estado


Enquanto método de análise, redefine o conceito de
instituição. Permite compreender a experiência cotidiana
como estando aprisionada num sistema institucional.
Enquanto intervenção, propõe-se ser a condição
concreta para que se revele a determinação institucional,
oculta pela repressão do sentido e pelo encobrimento
ideológico.
A análise institucional

Análise institucional x Análise Organizacional


A organizacional aparece calcada numa concepção
de organizações como totalidades fechadas, trata a
empresa como uma ilhota social e cultural, com
suas leis próprias.
A tarefa da análise institucional é “provocar” a
palavra social liberta, torná-la “audível”.
“A análise institucional assume por objetivo o fazer
surgir na sua realidade concreta (na expressão dos
atores), o aspecto dialético, ao mesmo tempo
positivo e negativo de todo grupamento organizado”.
A análise institucional

As vias de Análise: palavra x ação

“Autogestão em ato, não somente em palavras”,


uma ação política de fato.
É mais ativa, mais subversiva.
Pag. 44.
A análise institucional

A crítica ao movimento e ao conceito de Análise


Institucional

Lapassade contrapõe à análise institucional (tal


como desenvolvida nas universidades) a ação
direta dos grupos cuja palavra social é
reprimida.
É esta ação que libera, não a análise. É ela que
transforma. É ela a prática subversiva (pg. 46).

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