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Citologia clínica de cães & gatos

Atlas colorido e guia de interpretação


2ª edição

Rose E. Raskin, DVM, PhD, DACVP


Director of Continuing Education and Professor of Veterinary Clinical Pathology,
Department of Comparative Pathobiology, School of Veterinary Medicine,
Purdue University, West Lafayette, Indiana

Courtesy Professor, Department of Physiological Sciences, College of Veterinary


Medicine, University of Florida, Gainesville, Florida

Denny J. Meyer, DVM, DACVIM, DACVP


Chief Scientific Officer, Charles River Preclinical Services, Reno, Nevada

Saunders Elsevier
Front matter

Citologia Clínica

DE CÃES & GATOS

ATLAS COLORIDO E GUIA DE INTERPRETAÇÃO

Citologia Clínica

DE CÃES & GATOS

ATLAS COLORIDO E GUIA DE INTERPRETAÇÃO

2ª edição

Rose E. Raskin, DVM, PhD, DACVP

Director of Continuing Education and, Professor of Veterinary Clinical


Pathology, Department of Comparative Pathobiology, School of Veterinary
Medicine, Purdue University, West Lafayette, Indiana;

Courtesy Professor, Department of Physiological Sciences, College of


Veterinary Medicine, University of Florida, Gainesville, Florida

Denny J. Meyer, DVM, DACVIM, DACVP

Chief Scientific Officer, Charles River Preclinical Services, Reno, Nevada

Com mais de 1.200 ilustrações


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© 2012 Elsevier Editora Ltda.


Tradução autorizada do idioma inglês da edição publicada por Saunders – um
selo editorial Elsevier Inc.
Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/1998.
Nenhuma parte deste livro, sem autorização prévia por escrito da editora,
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ISBN: 978-85-352-4499-1
Copyright © 2010, 2001 by Saunders, an imprint of Elsevier Inc.
This edition of Canine and Feline Cytology: A Color Atlas and Interpretation, 2nd
edition by Rose E. Raskin e Denny J. Meyer is published by arrangement with
Elsevier Inc.
ISBN: 978-1-4160-4985-27
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Editoração Eletrônica
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Nota
O conhecimento médico está em permanente mudança. Os cuidados normais de segurança
devem ser seguidos, mas, como as novas pesquisas e a experiência clínica ampliam nosso
conhecimento, alterações no tratamento e terapia à base de fármacos podem ser necessárias ou
apropriadas. Os proprietários dos animais são aconselhados a checar informações mais atuais dos
produtos, fornecidas pelos fabricantes de cada fármaco a ser administrado, para verificar a dose
recomendada, o método e a duração da administração e as contraindicações. É responsabilidade do
veterinário, com base na experiência e contando com o conhecimento do dono do animal, determinar
as dosagens e o melhor tratamento para cada um individualmente. Nem o editor nem o autor
assumem qualquer responsabilidade por eventual dano ou perda aos donos de animais ou a
propriedade originada por esta publicação.
O Editor

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA FONTE SINDICATO NACIONAL DOS


EDITORES DE LIVROS, RJ
R175c
Raskin, Rose
Citologia clínica de cães e gatos: atlas colorido e guia de interpretação / Rose
Raskin, Denny J. Meyer; [tradução Mariângela Spada … et al.]. - Rio de Janeiro :
Elsevier, 2011.472p. : il. ; 28 cm
Tradução de: Canine and feline cytology : a color atlas and interpretation guide,
2nd ed.
Inclui bibliografia e índice
ISBN 978-85-352-4499-1

1. Citologia veterinária - Atlas. 2. Cão - Citologia - Atlas. 3. Gato - Citologia - Atlas.


I. Meyer, Dennis J. II. Título.

11-5607 CDD: 636.0892

CDU: 636.1.09:612
Revisão Científica

Fabrizio Grandi (Caps. 11-17, índice)


Mestrando pelo Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina de Botucatu,
Universidade Estadual Paulista, SP

Residente do Serviço de Patologia Veterinária da Faculdade de Medicina Veterinária


e Zootecnia pela Universidade Estadual Paulista (FMVZ-Unesp), Botucatu, SP

Noeme Sousa Rocha (Caps. 1-10)


Livre Docente do Departamento de Clínica Veterinária da FMVZ-Unesp, Botucatu,
SPResponsável pela Implantação e Manutenção do Serviço de Citopatologia
Veterinária do Hospital Veterinário da FMVZ-Unesp, Botucatu, SPProfessora de
Graduação e de Pós-graduação da FMVZ-Unesp, Botucatu, SP

Tradução

Alexandre Krause (Cap. 7)


Mestrado em Fisiopatologia em Clínica Médica pela Faculdade de Medicina de
Botucatu (FMB-Unesp), Botucatu, SP

Doutorado em Medicina Veterinária pela Ludwig-Maximilians-Universität München


(LMU), Munique, Alemanha

Professor Adjunto do Departamento de Clínica de Pequenos Animais, da


Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS

Aline Paula de Oliveira (Caps. 10 e 11)


Médica Veterinária e Perita Criminal da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro

Mestre em Ciências pelo Instituto Oswaldo Cruz (FIOCRUZ/RJ)

Aline Santana da Hora (Cap. 3)


Médica Veterinária graduada pela Universidade do Estado de Santa Catarina (CAV-
UDESC)
Mestre em Clínica Médica pela Universidade de São Paulo (FMVZ-USP)
Doutoranda em Epidemiologia Experimental Aplicada às Zoonoses pela
Universidade de São Paulo (FMVZ-USP)

Dominguita Lühers Graça (Cap. 14)


Médica Veterinária graduada pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)
PhD em Patologia pela University of Cambridge, UK

Eduardo Kenji Nunes Arashiro (Cap. 12)


Médico Veterinário graduado pela Universidade Federal Fluminense (UFF)Mestre em
Ciências Veterinárias pela UFF Doutorando em Ciência Animal pela Universidade
Federal de Minas Gerais (UFMG)

Joana Barros Frota (Cap. 1)


Especialista em Patologia Clínica Veterinária (VCM-FMVZ USP)

Médica Veterinária graduada pela Faculdade de Medicina da Universidade Estadual


Paulista (FMVZ-Unesp), Botucatu, SP

Kalan Bastos Violin (Caps. 15 e 16)


Médico Veterinário graduado pela FMVZ-USP

Mestre em Ciências pelo Departamento de Patologia da FMVZ-USP

Doutorando pelo programa de Tecnologia Nuclear-Materiais no IPEN-USP

Keila Kazue Ida (Cap. 13)


Doutoranda no Departamento de Anestesiologia da Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo (FM-USP)

Mestre em Ciências pelo Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina


Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP)
Residente da Clínica Médica de Equinos e Cirurgia de Grandes Animais da FMVZ-
USP
Marcelo Sampaio Narciso (Cap. 4)
Professor Adjunto do Programa de Graduação de Histologia do Instituto de Ciências
Biomédicas (ICB) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Doutor e Mestre em Ciências Morfológicas pelo Programa de Pós-graduação em


Ciências Morfológicas do ICB da UFRJ

Especialista em Histologia e Embriologia pela Universidade do Estado do Rio de


Janeiro (UERJ)

Marcos Makoto Ishizaki (Caps. 5, 6 e 8d)


Médico Veterinário graduado pela Universidade Federal Fluminense (UFF)

Mestre em Clínica e Cirurgia Veterinária pela UFF

Natalia Coelho Couto de Azevedo Fernandes (Cap. 9)


Médica Veterinária patologista, com residência no Departamento de Patologia da
FMVZ-USP

Graduada em Medicina Veterinária pela FMVZ-USP

Rosana Cruz Dellamanha (Cap. 2)


Graduada em Língua e Literatura Inglesas pela Pontifícia Universidade Católica de
São Paulo (PUC-SP)

Licenciatura Plena para o Ensino de Língua e Literatura Inglesas pela PUC-SP

Certificação pela Universidade de Cambridge FCE e CPE.

Renata Jurema Medeiros (Índice)


Médica Veterinária

Doutora em Ciências pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde


- INCQS/Fiocruz

Silvia M. Spada (Cap. 17)


Graduada em Letras pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP
Certificação em Tradução pelo Curso Extracurricular de Tradução da Faculdade de
Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP
Colaboradores

A. Rick Alleman, DVM, PhD, DABVP, DACVP (Companion Animal Practice),


Professor, Clinical Pathology Department of Physiological Sciences College
of Veterinary Medicine University of Florida Gainesville, Florida

Capítulo 16: Sistema Endócrino

Claire B. Andreasen, DVM, PhD, DACVP, Professor and Chair Department of


Veterinary Pathology College of Veterinary Medicine Iowa State University
Ames, Iowa

Capítulo 7: Cavidade Oral, Trato Gastrointestinal e Estruturas Associadas

Anne C. Avery, VMD, PhD, Associate Professor Department of


Microbiology, Immuno logy and Pathology College of Veterinary Medicine
& Biomedical Sciences Colorado State University Fort Collins, Colorado

Capítulo 17: Técnicas Avançadas de Diagnóstico

Paul R. Avery, VMD, PhD, DACVP, Assistant Professor Department of


Microbiology, Immunology and Pathology College of Veterinary Medicine
& Biomedical Sciences Colorado State University Fort Collins, Colorado

Capítulo 17: Técnicas Avançadas de Diagnóstico

Anne M. Barger, DVM, MS, DACVP, Clinical Associate Professor,


PathobiologyClinical Associate Professor, Veterinary Diagnostic
LaboratoryCollege of Veterinary MedicineUniversity of Illinois at Urbana-
ChampaignUrbana, Illinois

Capítulo 13: Sistema Musculoesquelético

Dori L. Borjesson, DVM, PhD, DACVP, Associate Professor Department of


Pathology, Microbiology & Immunology School of Veterinary Medicine
University of California, Davis Davis, California
Capítulo 10: Trato Urinário

Mary Jo Burkhard, DVM, PhD, DACVP, Associate Professor Department of


Veterinary Biosciences College of Veterinary Medicine The Ohio State
University Columbus, Ohio

Capítulo 5: Trato Respiratório

Ul Soo Choi, DVM, PhD, Instructor Department of Veterinary Clinical


Pathology College of Veterinary Medicine Chonbuck National University
Jeonju, Korea

Capítulo 16: Sistema Endócrino

Sara L. Connolly, DVM, Department of Comparative Pathobiology School of


Veterinary Medicine Purdue University West Lafayette, Indiana

Capítulo 1: Obtenção e Manuseio de Amostras Citológicas

Keith DeJong, DVM, Department of Pathology, Microbiology &


Immunology School of Veterinary Medicine University of California, Davis
Davis, California

Capítulo 10: Trato Urinário

Davide De Lorenzi, DVM, DECVP, Specialist, Clinic and Pathology of


Companion Animals San Marco Veterinary ClinicPadua, Italy

Capítulo 14: O Sistema Nervoso Central

Hock Gan Heng, DVM, MVS, MS, DACVR, DECVDI, Clinical Assistant
Professor Department of Veterinary Clinical Sciences School of Veterinary
Medicine Purdue University West Lafayette, Indiana

Capítulo 1: Obtenção e Manuseio de Amostras Citológicas

Albert E. Jergens, DVM, MS, PhD, DACVIM, Associate Professor and Section
Head Professor, Small Animal Medicine Department of Veterinary Clinical
Sciences College of Veterinary Medicine Iowa State University Ames, Iowa

Capítulo 7: Cavidade Oral, Trato Gastrointestinal e Estruturas Associadas


Maria Teresa Mandara, DVM, Associate Professor, Neuropathology
Laboratory Department of Biopathological Science and Hygiene of Animal
and Food Production School of Veterinary Medicine University of Perugia
Perugia, Italy

Capítulo 14: O Sistema Nervoso Central

Laurie M. Millward, DVM, Goss Laboratory Department of Veterinary


Biosciences College of Veterinary Medicine The Ohio State University
Columbus, Ohio

Capítulo 5: Trato Respiratório

José A. Ramos-Vara, DVM, PhD, DECVP, Associate Professor of Veterinary


Pathology Animal Disease Diagnostic Laboratory School of Veterinary
Medicine Purdue University West Lafayette, Indiana

Capítulo 17: Técnicas Avançadas de Diagnóstico

Alan H. Rebar, DVM, PhD, DACVP, Executive Director of Discovery Park


Senior Associate Vice President for Research Professor of Veterinary
Clinical Pathology School of Veterinary Medicine Purdue University West
Lafayette, Indiana

Capítulo 6: Fluidos de Cavidade Corporal

Laia Solano-Gallego, DVM, PhD, DECVCP, Lecturer, Veterinary Clinical


Pathology Department of Pathology and Infectious Diseases The Royal
Veterinary College North Mymms Hatfield, Hertfordshire, United Kingdom

Capítulo 12: Sistema Reprodutivo

Craig A. Thompson, DVM, DACVP, Clinical Assistant Professor of Clinical


Pathology Department of Comparative Pathobiology School of Veterinary
Medicine Purdue University West Lafayette, Indiana

Capítulo 6: Fluidos de Cavidade Corporal

Heather L. Wamsley, DVM, DACVP, Assistant Professor, Clinical Pathology


Department of Physiological Sciences College of Veterinary Medicine
University of Florida Gainesville, Florida
Capítulo 8: Citologia Fecal de Montagem a Seco
Dedicação

De Rose:

Aos meus pais, que sempre apoiaram meus objetivos em minha carreira e
proporcionaram um ambiente amoroso. Eu nunca os esquecerei.

À minha filha adolescente Hannah, que enfrentou minha ausência muitas noites e
fins de semana durante a criação desta 2ª edição e que eu espero que tenha
compreendido a paixão que tive por este projeto. Você ainda é o amor da minha
vida.

Ao meu irmão Richard, a outros membros da família e aos meus melhores amigos
de infância (vocês sabem quem são). Sou eternamente grata pelo seu amor e
compreensão.

De Denny:

Ao meu pai, que incutiu em mim, por seu exemplo, uma ética profissional e um
estilo de vida fundamentado em princípios rígidos. Quando pensamentos sobre ele
fluem pela minha memória, um sorriso aflora em meu rosto… e a Mary, sua
companheira de caminhadas e de preces na vida.

À minha esposa, que me lembra que uma vida bem-sucedida é um equilíbrio entre
bem-estar pessoal e obrigações profissionais… embora eu nem sempre seja um bom
ouvinte.

Ao meu filho, Christopher, e à minha nora, Claudia, que ampliaram o amor de


nossa família entre a 1ª e a 2ª edições com a chegada de Alexander e Alexis.

À minha filha, Jeni, e ao meu genro, Ross, que me infundiram felicidade adicional
com o nascimento de Bianca Jenifer.

Ao meu irmão, Michael, que é… bem… um grande irmão para mim e para o resto
da família.

De Ambos:
A todos os estudantes de veterinária, residentes e profissionais que tocaram nossas
vidas e nos fizeram sentir que o que nós fazemos é valioso. Nós agradecemos a todos
vocês.
Agradecimentos

Trabalho em equipe = Esforço cooperativo dos membros de um grupo ou equipe para alcançar um
objetivo em comum.
Realização = Algo cumprido de maneira bem-sucedida, especialmente por meio do esforço, da
habilidade, da prática ou da perseverança.
— American Heritage Dictionary, 4ª– edição
Um Atlas que abrange com sucesso a ampla gama de achados citológicos descritos e ilustrados
nesta 2ª– edição não poderia estar completo sem a colaboração de muitos indivíduos. Vocês sabem
quem são, e agradecimento e gratidão são devidos a todos vocês pela ajuda que ofereceram de variadas
formas. O notável reconhecimento da equipe da Elsevier estende-se ao Dr. Anthony Winkel, por
acreditar em nós mais uma vez, e a Maureen Slaten, que demonstrou uma extraordinária paciência
quando perdemos prazos, e administrou com respeitável e tenaz encorajamento, estimulando-nos para
que o processo se mantivesse em movimento. Finalmente, a Andrea Campbell, que nos estágios finais do
projeto foi tecnicamente excelente, meticulosa, atenta aos detalhes e interessada.
Queremos cumprimentar os autores que contribuíram para a 1ª– edição, mas não foram envolvidos
na 2ª–. A experiência deles em citologia contribuiu para o sucesso da 1ª– edição e proporcionou uma
sólida base para a expansão desta 2ª–. A lista de autores, que pode ser lida como membros
recomendados para um “Hall da Fama da Citologia”, inclui:

• Dras. Amy Valenciano e Anne Berger – Sistema Respiratório

• Dra. Sonjia Shelly – Fluidos Cavitários

• Dra. Kristin Henson – Sistema Reprodutivo

• Dra. Kathleen Freeman – Sistema Nervoso Central

• Dra. Janice Andrews e Dr. David Malarkey – Técnicas Diagnósticas Avançadas


Também desejamos registrar nosso agradecimento aos citologistas que contribuíram de maneira
altruísta com fotomicrografias e são mencionados nas legendas das figuras. Denny, particularmente,
agradece ao seu amigo de longa data e colega Dr. Dave Edwards, por suas impressionantes
contribuições ao capítulo sobre o fígado. Denny também aproveita a oportunidade para agradecer a
Rose. Ela foi claramente a força incansável na 2ª– edição e seu apaixonado comprometimento, exaustiva
integridade, precisão e detalhes foram traduzidos na grande excelência da 2ª– edição.
Finalmente, desejamos expressar nossa gratidão aos autores colaboradores da 2ª– edição, que
generosamente adicionaram mais uma responsabilidade às suas obrigações, compartilhando sua prática
citológica para a melhora dos cuidados com os pacientes veterinários. São representados tanto pelos
mais experientes quanto pelos mais novos, promissores provedores da citologia hoje. Sua prática em
conjunto ampliou a gama de informações incluídas na 2ª– edição. Não poderíamos ter trabalhado com
melhor equipe profissional. Obrigado pela bem-sucedida parceria; esperamos que vocês compartilhem
conosco do orgulho do projeto final.
Rose & Denny
Apresentação

“Uma outra fonte de engano é o círculo vicioso de ilusões que consiste em, por um
lado, crer no que vemos e, por outro, ver aquilo em que cremos.”
– Sir Clifford Allbutt, M. D. (1836-1925). Introdutor do microscópio no
diagnóstico hospitalar.
O objetivo da 1ª– edição do Atlas foi compilar um guia prático para
citopatologia que focalizasse primariamente os tipos de lesões que os clínicos
encontram na rotina diária, além de ser uma ferramenta prática para os futuros
profissionais. Utilizamos tabelas, descrições breves e fotomicrografias
cuidadosamente selecionadas, acumuladas em décadas de diagnóstico citológico, com
legendas concisas e informativas para apoiar o exame microscópico da amostra
citológica. Nós nos empenhamos para organizar as apresentações em abordagens
lógicas e uniformes, facilitando a leitura, a compreensão e o aprendizado. Com base
no forte retorno positivo que recebemos, acreditamos que alcançamos nosso objetivo.
Sugestões construtivas indicaram que o citopatologista desejava a abordagem de
lesões adicionais, incluindo as menos comumente encontradas, mais correlações com
a histopatologia e um uso mais amplo das colorações e da imunocitoquímica para a
caracterização dos diagnósticos diferenciais. O encorajamento nos incentivou, nesta
nova edição, a expandir a coletânea de fotomicrografias, incluindo mais histologia
comparativa, além dos textos e das referências que as acompanham. Isso foi
alcançado com a participação de novos autores, que acrescentaram sua experiência
prática em microscopia na expansão dos capítulos já existentes, e com a adição de
um novo capítulo sobre citologia fecal. O enriquecimento da coletânea de fotos
também foi possibilitado pelo prestativo auxílio de outros citopatologistas, que
generosamente contribuíram com fotomicrografias de suas coleções.
Uma expansão significativa envolveu o capítulo sobre técnicas avançadas, para
incluir mais metodologia e a aplicação de algumas ferramentas atuais, como a
imuno-histoquímica, a microscopia eletrônica, a citometria de fluxo e os testes
moleculares. O desafio foi acomodar todas as alterações recomendadas sem ofuscar o
objetivo do Atlas de ser uma coletânea citológica prática, o que foi a base para o
sucesso da 1ª– edição. Esperamos que, por meio da cuidadosa edição que visa a
garantir uma narrativa clara, coerente integração entre as informações novas e as
atualizadas, ponderada seleção de novas e enriquecidas fotomicrografias e o uso de
listas que destacam critérios para diagnóstico diferencial, tenhamos produzido uma
2ª– edição que continuará a estar preferivelmente ao lado do microscópio devido a
sua utilidade.
Apresentamos a 2ª– edição com considerável entusiasmo e esperança de que
sejamos bem-sucedidos em transmitir ao leitor a beleza da extensão da aplicação da
citologia diagnóstica. Compartilhamos da satisfação quando a amostra citológica
desconhecida é traduzida em um diagnóstico citológico, isto é, “acredite no que você
vê”, com a ajuda deste Atlas.
Rose & Denny
Table of Contents

Front matter

Copyright

Revisão Científica

Colaboradores

Dedicação

Agradecimentos

Apresentação

Capítulo 1: Obtenção e Manuseio de Amostras Citológicas

Capítulo 2: Categorias Gerais de Interpretação Citológica

Capítulo 3: Pele e Tecido Subcutâneo

Capítulo 4: Sistema Linfoide

Capítulo 5: Trato Respiratório

Capítulo 6: Fluidos de Cavidade Corporal

Capítulo 7: Cavidade Oral, Trato Gastrointestinal e Estruturas Associadas

Capítulo 8: Citologia Fecal de Montagem a Seco

Capítulo 9: O Fígado

Capítulo 10: Trato Urinário

Capítulo 11: Exame Microscópico do Sedimento Urinário

Capítulo 12: Sistema Reprodutivo

Capítulo 13: Sistema Musculoesquelético

Capítulo 14: O Sistema Nervoso Central


Capítulo 15: Olhos e Anexos

Capítulo 16: Sistema Endócrino

Capítulo 17: Técnicas Avançadas de Diagnóstico

Índice
Capítulo 1

Obtenção e Manuseio de Amostras Citológicas

Denny J. Meyer, Sara L. Connolly, Hock Gan Heng

A classificação dos eventos que dependem da precisão da observação é limitada


pela habilidade do observador ao descrevê-los e do interpretador ao decifrá-los.
Michael Podell, M.Sc., D.V.M.

Para o exame microscópico de tecidos, o manuseio das amostras é um fator


importante que afeta a precisão da observação. O uso bem-sucedido da citologia
aspirativa depende de diversos procedimentos inter-relacionados: obtenção de
amostra representativa, aplicação apropriada à lâmina, coloração adequada e exame
em um microscópio de alta qualidade. Deficiências em um ou mais desses fatores
afetarão de maneira adversa a obtenção da informação diagnóstica. O objetivo deste
capítulo é fornecer recomendações gerais para o manuseio das amostras, de modo a
garantir que elas serão diagnosticadas com precisão.

Regras gerais para a obtenção de amostras

Antes da execução de qualquer procedimento de coleta, um kit para citologia deve ser
preparado para tal propósito. Uma simples caixa plástica de ferramentas funciona
bem. Os materiais sugeridos estão listados no Quadro 1-1. Seis ou mais lâminas são
colocadas em uma superfície firme e plana, tal como uma bandeja cirúrgica,
imediatamente antes do início do procedimento de coleta. A superfície da lâmina de
vidro deve ser limpa rotineiramente com papel-toalha, ou no mínimo na manga da
camisa, com o objetivo de remover partículas de vidro “invisíveis” que podem
interferir na distribuição do material.

Quadro 1-1 Componentes do kit de Citologia


Seringas: 6 a 12 mL

Agulhas: calibres 20 a 22; agulha espinhal com mandril 6,35 ou 8,9 cm


Lâminas de bisturi: nº–10 e nº–11

Caixa de lâminas de vidro previamente limpas com extremidade fosca

Tubos: EDTA (tampa roxa) e para soro (tampa vermelha sem gel)

Superfície plana e rígida com espaço para 6 a 10 lâminas

Scalps calibres 21 a 23 e extensores intravenosos

Lápis, caneta marcadora permanente preta (Sharpie®) ou marcador específico para lâminas

EDTA a 4% estéril

Secador de cabelos

O Quadro 1-2 lista indicações sugestivas de diagnóstico citológico. A coleta de


amostras para avaliação citológica de tecidos cutâneos e subcutâneos e de órgãos
abdominais e massas em pequenos animais é geralmente obtida usando uma agulha
de calibres 20 ou 22 com 2,5 a 3,8 cm, firmemente acoplada a uma seringa de 6 a 12
mL. Para órgãos internos de mais difícil acesso, utiliza-se uma agulha espinhal com
calibre entre 2,5 a 3,5 polegadas. O uso de calibre ampliado aumenta a área de coleta
de material e reforça a possibilidade de diagnóstico. Amostras de tecido hepático
podem ser coletadas com uma agulha mais longa. Uma cânula pode ser utilizada
durante a perfuração da cavidade para evitar contaminação durante o processo de
localização do tecido de interesse. A aplicação de EDTA dissódico estéril a 4% na
agulha e seringa antes da aspiração de tecidos vasculares, notadamente da medula
óssea, reduz o risco de formação de coágulo, o que comprometeria a qualidade da
amostra citológica. Para aqueles relativamente pouco experientes, pode-se considerar
o uso rotineiro dessa prática na coleta de qualquer tipo de tecido. As amostras
coaguladas frequentemente levam a baixa qualidade do preparado citológico.

Quadro 1-2 Indicações Gerais para o Uso da Citologia Diagnóstica


Derrames – torácico, abdominal e pericárdico

Sedimento urinário e lavado vesical

Próstata – aspirado direto, lavado

Linfadenopatia – focal, generalizada

Avaliação de doença metastática

Organomegalia difusa – fígado, rins e baço


Massas cutâneas/subcutâneas, lesões ulcerativas

Citologia conjuntival, de humor vítreo, de humor aquoso

Escovados/aspirados pulmonares/nasais, lavagem broncoalveolar/nasal

Massa abdominal não identificada

Avaliação de massa ou lesão observada em transoperatório

Os passos gerais para a obtenção de material para citologia estão ilustrados na


Figura 1-1A. A ponta da agulha é inserida no tecido de interesse, o êmbolo é
delicadamente puxado (0,5 a 1 mL de vácuo), e em seguida a agulha deve ser
introduzida e retirada seguidas vezes em diversas direções. O êmbolo deve ser
liberado e a agulha retirada, colocando-se a amostra na lâmina de vidro ou tubo com
EDTA (tampa roxa), conforme o que for mais apropriado. Existem pistolas para
aspiração citológica (Fig. 1-1B) comercialmente disponíveis, as quais podem ser
acopladas a diversos tamanhos de seringa (Fig. 1-1B). O êmbolo da seringa fica
apoiado no gatilho, o que contribui para uma aspiração mais fácil e estável. Se o
fluido for obtido de uma lesão nodular, a região deve ser completamente drenada, a
agulha retirada, o fluido acondicionado em tubo com EDTA, e o procedimento então
repetido com uma nova agulha, direcionada ao tecido firme. Ambas as amostras serão
examinadas ao microscópio. Para aumentar a flexibilidade na coleta, tubos
intravenosos extensores (Extension Set®, Abbott Laboratories) podem ser utilizados
para acoplar a agulha à seringa. O posicionamento e o redirecionamento da agulha
são facilitados, acomodando-se ao movimento do paciente (Fig. 1-1C).
Figura 1-1 A, Técnica de biópsia aspirativa. A agulha é inserida no tecido e redirecionada três
ou quatro vezes utilizando-se técnica com aspiração ou sem aspiração. O mesmo conceito é geralmente
aplicado ao uso da técnica para coleta de amostras no interior do tórax ou abdômen. B, Pistola para
punção aspirativa. O uso da pistola para punção aspirativa facilita o controle e permite uma retração
mais deliberada durante o processo de aspiração. C,Scalp. O uso de um scalp acoplado a uma seringa
permite maior flexibilidade em pacientes arredios na remoção de fluido. Uma torneira de três vias
pode ser acoplada entre o scalp e a seringa para facilitar a remoção de grandes quantidades de fluido.
D, Guia por ultrassonografia. Técnica de mão livre para biópsia aspirativa por agulha fina guiada
por ultrassom. E, Guia por ultrassonografia. A guia para biópsia é acoplada a um transdutor linear
que segura firmemente uma agulha para biópsia aspirativa por agulha fina guiada por ultrassom.
(A de Meyer, D.J.: The management of cytology specimens, Compend Contin Educ Pract Vet 9:10-17, 1987. B, Cortesia de Delasco.)

A aspiração não é um pré-requisito na obtenção de material para citologia. Uma


técnica baseada no princípio da capilaridade, referida como “amostragem capilar
com agulha fina”, pode ser realizada com o posicionamento da agulha no interior da
lesão com ou sem o acoplamento da seringa (Mair et al., 1989; Yue and Zheng, 1989).
Essa técnica mostrou ter sensibilidade diagnóstica similar à da técnica aspirativa na
coleta de diversos tipos de tecidos. Sua maior vantagem é a redução na contaminação
sanguínea em tecidos vasculares como os do fígado, baço, rim e tireoide. As células
penetram o interior da agulha pela ação da capilaridade quando esta é parcialmente
retirada e redirecionada três a seis vezes. A preferência pessoal é justificada na
decisão entre a coleta com aspiração ou sem aspiração de material. Por tentativa e
erro, o responsável pela coleta irá determinar que cada método tem seu valor na
coleta de diferentes tipos de tecido.

Ponto-Chave

A obtenção da amostra citológica é uma arte obtida somente com a prática. A escolha da técnica
adequada de coleta reforça a probabilidade de um diagnóstico preciso.

Ponto-Chave

Limpe rotineiramente a superfície da lâmina para remover partículas “invisíveis” de vidro que podem
interferir na propagação do material. Nunca reutilize lâminas lavadas.

Coleta de material guiada por imagem

A coleta de material para citologia pode ser guiada por fluoroscopia, ultrassonografia
e tomografia computadorizada. A guia pela ultrassonografia é o método preferido, já
que esta é uma técnica altamente difundida e portátil. Além disso, esse método
possibilita o monitoramento em tempo real do posicionamento preciso da agulha. A
técnica e suas indicações já foram descritas em detalhes (Nyland et al., 2002a). A
punção aspirativa para biópsia com agulha fina (PAAF) guiada por ultrassom é
indicada na avaliação citológica de nódulos e massas visualizados pelo ultrassom,
bem como na avaliação de organomegalia quando infiltrados celulares difusos como
linfoma e mastocitoma são suspeitas diagnósticas. A maioria dos sarcomas esfolia
pouco ou nada. A biópsia cirúrgica com agulha cortante ou guiada por ultrassom é
recomendada quando a PAAF não leva a um diagnóstico. Esta última pode ser
realizada na maioria dos pacientes sem contenção química nem anestesia local.
Quando a contenção química é necessária, os fármacos que levam a uma respiração
ofegante devem ser evitados, pois acarretam movimentos excessivos e ingestão de gás
(Nyland et al., 2002a).
Biópsia Guiada
A PAAF guiada por ultrassom pode ser realizada com a técnica de mão livre ou com o
auxílio de um guia para biópsia acoplado ao transdutor. A técnica de mão livre
consiste em segurar o transdutor com uma mão e inserir a agulha com a outra em um
ângulo oblíquo em relação ao eixo longitudinal, dentro do plano da imagem (Fig. 1-
1D). Essa técnica exige mais habilidade, porém permite grande flexibilidade. Se a
agulha não puder ser visualizada durante o procedimento, movimente suavemente o
transdutor pelo trajeto da agulha, agite-o delicadamente ou injete microbolhas de
solução salina, o que geralmente permite a determinação da posição da agulha. A
melhor visualização da agulha pode ser obtida assegurando-se da sua localização
dentro da zona focal do transdutor. A agulha deve ser mantida firme e dirigida em um
trajeto predeterminado dentro do plano da imagem ultrassonográfica (Fig. 1-1E).
Essa técnica pode ser mais simples para os iniciantes, já que a amostra da lesão é
obtida de forma mais fácil e confiável, porém o guia para biópsia limita o movimento
do transdutor.

Equipamento e Técnica
Deve-se manter a esterilidade durante o procedimento. O transdutor pode ser
esterilizado com desinfetantes compatíveis e soluções esterilizantes (a lista dos
produtos a serem utilizados pode ser encontrada no manual do aparelho de
ultrassom). Após a avaliação ultrassonográfica da região de interesse, o gel deve ser
removido e álcool ou água estéril é utilizado como meio condutor durante o
procedimento de PAAF. O uso do gel é evitado, pois este pode, potencialmente,
introduzir um artefato na amostra, o que poderia trazer alterações no resultado do
exame citológico. A preparação rotineira da pele deve ser realizada previamente à
inserção da agulha.

As agulhas mais comumente utilizadas são as hipodérmicas e espinhais, calibres 20


a 23. Elas são econômicas e longas o suficiente para passarem pelo guia de biópsia e
alcançar a maioria das lesões. As agulhas de maior calibre têm visualização mais fácil,
e geralmente aumentam a confiabilidade da amostra, porém aumentam os riscos de
hemorragias. Essas agulhas são utilizadas na aspiração de fluidos viscosos. Uma vez
posicionada na lesão, a cânula deve ser retirada, e a agulha é movida para cima e
para baixo em várias direções até que uma pequena quantidade de fluido seja
visualizada em seu canhão (Fagelman e Chess, 1990). Esse método geralmente produz
amostras com menor contaminação sanguínea. Alternativamente, uma seringa pode
ser acoplada à agulha para melhor manejo — poucos mililitros de pressão negativa
podem ser aplicados durante o movimento. A pressão negativa deve ser liberada
antes da remoção da agulha da lesão. Quando possível, duas ou três amostras devem
ser obtidas de cada lesão; uma nova agulha deve ser utilizada para cada amostra.
Uma lesão grande pode ter uma região necrótica central, portanto a coleta deve ser
realizada nas margens.

Complicações
As complicações associadas à PAAF guiada por ultrassom são incomuns e dependem
da experiência do operador, do tamanho da agulha e do tipo da lesão aspirada
(Léveillé et al., 1993). Os pacientes devem ser avaliados quanto a alterações na
coagulação antes da PAAF, especialmente em tecidos altamente vascularizados. A
implantação de tumor pela agulha já foi ocasionalmente descrita em animais (Nyland
et al., 2002b; Liu et al., 2007). Em humanos, a implantação é associada ao uso de
agulhas calibrosas, mas é rara no uso de calibre 22 ou menor. Como pode ocorrer
pneumotórax em decorrência de PAAF em estruturas torácicas, o paciente deve ser
observado frequentemente durante as 12 ou 24 horas seguintes ao procedimento.
Hipertensão e hipotensão paradoxal foram descritas em cães após PAAF guiada por
ultrassom de feocromocitoma de glândulas adrenais (Gilson et al., 1994). Portanto, a
PAAF da glândula adrenal deve ser realizada cautelosamente quando houver a
suspeita de tumor.

Manipulando a amostra citológica

Preparo por Esmagamento (squash)


A técnica de esmagamento (squash) é um procedimento importante e adaptável para
o preparo da amostras citológicas semissólidas, mucosas ou peletizadas por
centrifugação. Pequena quantidade de material é disposta em uma lâmina de vidro
limpa a aproximadamente 1 cm da sua extremidade fosca (Fig. 1-2A). Uma segunda
lâmina de vidro limpa é posicionada em ângulo reto sobre a amostra. Esta é suave e
firmemente comprimida entre as duas lâminas, e no mesmo movimento contínuo a
lâmina superior é deslizada através da superfície da inferior, levando o material no
sentido contrário ao da extremidade fosca (Fig. 1-2B). O objetivo é redistribuir o
material, fazendo de uma massa multicelular uma fina monocamada, ideal para o
máximo nivelamento de células individualizadas e para a penetração dos corantes.
Assim, o preparo por compressão otimiza a amostra para o exame microscópico da
morfologia celular. Uma lâmina bem preparada é caracterizada por uma área
peniforme (oblonga) com um final em monocamada chamado sweet spot (ponto mais
favorável) (Fig. 1-2C). A disposição inicial de amostra em excesso sobre a lâmina é
um erro comum, resultando em uma preparação espessa, inadequada para o exame
microscópico.

Figura 1-2 Confecção de lâmina. A, A aplicação de uma pequena gota ou porção da amostra na
lâmina de vidro próximo à extremidade fosca é um importante passo inicial para a confecção de uma
preparação citológica de qualidade. A aplicação de material em excesso na lâmina resulta em um
preparado muito espesso ou que se distribui até muito próximo da borda da lâmina. B, A amostra é
suave, mas firmemente comprimida entre duas lâminas de vidro (B) e em um movimento contínuo (C)
a lâmina superior é deslizada ao longo da superfície inferior, levando o material para o lado oposto ao
da extremidade fosca, resultando em uma distribuição semelhante a uma pena (D), chamada sweet
spot. C, A localização do sweet spot está ilustrada nesta lâmina bem preparada, corada e identificada
de uma amostra coletada de linfonodo.
(B, de Meyer, D.J., Franks, P.T.: Clinical cytology: Part I: Management of tissue specimens, Mod Vet Pract 67:255-59, 1986. C, de Meyer,

D.J.: The management of cytology specimens, Compend Contin Educ Pract Vet 9:10-17, 1987.)

Ponto-Chave
A compressão e o deslizamento das lâminas são contínuos. Não deve haver pausa momentânea
quando a lâmina superior tocar a amostra. Mantenha as superfícies paralelas. Uma leve angulação
entre as lâminas próximas ao final do deslizamento é um erro comum, levando a uma rotação do
punho no sentido anti-horário (horário em canhotos), o que causa lise celular ou uma distribuição
pouco uniforme das células. O som de “arranhamento” de vidro sobre vidro pode ser ouvido quando
tal erro ocorre. A limpeza das lâminas antes do procedimento assegurará a distribuição uniforme da
amostra citológica.

Ponto-Chave
O termo sweet spot refere-se à área ao redor da massa central de um taco de beisebol, raquete de
tênis ou taco de golfe, que é o local mais eficiente para se obter uma jogada eficaz. O mesmo conceito
é aplicado à localização da amostra citológica para o sucesso do diagnóstico. O material citológico
muito próximo das bordas da lâmina não pode ser examinado de forma apropriada. Quando as
lâminas passam por coloração automatizada, pode haver danificação do material diagnóstico que está
próximo às bordas da lâmina (Fig. 1-3). O material posicionado distante das bordas da amostra pode
não ser adequadamente exposto ao corante. As bordas e extremidades longitudinais não podem ser
adequadamente examinadas ao microscópio devido à inabilidade das objetivas de 40 × e 50 ×
(secas) e de 100 × (imersão) de focar apropriadamente nessas regiões extremas.
Figura 1-3 Confecção de lâmina. A área clara à esquerda representa a marca do aparelho de
coloração automatizada, que retirou parcialmente o único material citológico presente nesta lâmina
por ele estar perto demais de sua extremidade.

Ponto-Chave
Se o preparado por esmagamento lhe parecer espesso demais, é provável que esteja mesmo.
Confeccione outro. Se o material citológico parece estar muito próximo à borda da lâmina, também é
provável que isso seja verdade. Confeccione novamente. Se você tem dúvidas sobre a qualidade do
preparado, faça mais preparados.

Manipulação de Fluidos
A amostra de fluido deve ser imediatamente acondicionada em um tubo de EDTA para
evitar a formação de coágulo. Fluidos com consistência semelhante à do plasma
podem ser manipulados de maneira similar à preparação de esfregaço sanguíneo.
Uma pequena gota de fluido é disposta a cerca de 1 cm da borda fosca da lâmina. A
extremidade angulada de uma segunda lâmina de vidro, em ângulo agudo em relação
ao operador, é aproximada da amostra e deslizada no sentido contrário ao da borda
fosca, enquanto o fluido é distribuído até a extremidade (Fig. 1-4A-C). A velocidade
do deslizamento depende da viscosidade da amostra – quanto mais fina, maior deve
ser a velocidade do movimento, para uma distribuição uniforme e fina. Para fluidos
viscosos, como o líquido sinovial, a lâmina superior deve ser movimentada de modo
lento e uniforme.
Figura 1-4 Preparo de amostra fluida. A, Ilustração do procedimento para a confecção de uma
lâmina de amostra fluida. Uma pequena gota de amostra é posicionada a aproximadamente 1 cm da
extremidade fosca da lâmina. B, A lâmina superior é lentamente posicionada sobre a gota. C, Assim
que o líquido começa a se distribuir, a lâmina superior é deslizada, afastando-se da extremidade fosca.
D, Todo o material depositado deve permanecer na lâmina, e a tentação de deslizar a lâmina até o final
com excesso de líquido deve ser evitada. A lâmina inferior ilustra uma amostra de líquido distribuída
adequadamente na lâmina. A lâmina superior ilustra a “síndrome da beira do precipício”, na qual o
excesso foi direcionado até o final da lâmina. E, O líquido excessivo que permanece pode refluir
parcialmente e ser seco ao ar, como demonstrado pelo pequeno triângulo de líquido seco próximo à
borda fosca. Alternativamente, a borda da lâmina superior com excesso de líquido é transferida para
outra lâmina limpa, confeccionando-se um novo esfregaço.

Todo o fluido inicialmente aplicado à lâmina deve nela permanecer (Fig. 1-4 D e
E). Existe uma tendência de distribuir o excesso da amostra até o final da
extremidade, o que é conhecido como a “síndrome da beira do precipício”, mas o
resultado é uma potencial perda de material diagnóstico, que é descartado junto à
lâmina superior (Fig. 1-4D). A “síndrome da beira do precipício” representa um
problema notável nos fluidos pleurais e peritoneais, que contêm agregados de células
neoplásicas. Esses agregados frequentemente acompanham a lâmina superior e,
finalmente, aderem à superfície quando o fluido se dissipa (Fig. 1-5A e B). Para evitar
esse acidente citológico na presença de excesso de fluido, simplesmente interrompa o
movimento a cerca de 1 cm da extremidade da lâmina inferior e aplique o restante da
amostra aderida à lâmina superior em uma nova lâmina limpa, repetindo o
procedimento. Quando uma quantidade mínima de excesso de fluido permanece,
pode-se deixá-lo retornar sobre a camada já aplicada, desde que cubra uma pequena
camada do material já depositado. A região fina da citologia corada pode ser utilizada
para estimar a contagem celular, e a região relativamente espessa, concentrada, pode
ser avaliada quanto aos tipos celulares e/ou agentes infecciosos (Fig. 1-4E). Embora
não seja uma preparação ideal, essa técnica de “centrifugação humana simplificada” é
útil em emergências para uma rápida triagem inicial das amostras de fluidos.

Figura 1-5 Avaliação de lâmina. A, Avaliação da cauda da lâmina inferior ilustrada na Figura 1-
4D demonstra aglomerados de células localizadas ao longo da região onde houve refluxo do material,
enfatizando a necessidade de evitar o excesso de líquido. A área à direita do aglomerado de células
consiste apenas em eritrócitos (Wright; I.P.). B, Um diagnóstico de derrame neoplásico
(adenocarcinoma) foi feito através da análise do aglomerado de células (Wright; H.P. oil). A lâmina
superior ilustrada na Figura 1-4D da mesma amostra continha apenas eritrócitos e poucas células
mesoteliais, mas não havia aglomerados, impedindo o diagnóstico citológico.

A sedimentação também pode ser utilizada para concentrar células em amostras


sanguinolentas ou turvas. O fluido pode ser centrifugado no mesmo tubo em que foi
coletado após a confecção das lâminas. Após a centrifugação, a maior parte da porção
sobrenadante é removida com uma pipeta, e o agregado de células é ressuspenso no
fluido remanescente. Pode-se fazer um esfregaço ou preparado por esmagamento a
partir desse concentrado de células. É importante notar que as estimativas de
contagem celular não podem ser realizadas em amostras concentradas, apenas em
esfregaços diretos.

O diagnóstico obtido de uma amostra predominantemente sanguinolenta pode ser


melhorado por meio da técnica de concentração da capa leucocitária. Prepara-se um
tubo para micro-hematócrito como se faz para a leitura de hematócrito. Este é
quebrado na região das células plasmáticas, o concentrado celular (capa leucocitária)
é aplicado em duas ou três lâminas, e a técnica do esfregaço é utilizada para distribuir
o material. É uma técnica de grande utilidade na avaliação de amostras pericárdicas,
peritoneais e pleurais hemorrágicas (Figs. 1-6A e B). É também útil para o exame de
sangue periférico, em pesquisa de células neoplásicas e organismos infecciosos
associados às células.

Figura 1-6 Avaliação de lâmina. A, Este aspirado sanguinolento foi obtido em uma
pericardiocentese. Uma célula grande, rara, com morfologia fusiforme atípica sugestiva de sarcoma,
foi observada entre os diversos eritrócitos e um pequeno número de células mesoteliais reativas
(Wright; H.P oil.). B, Após a confecção de um esfregaço da capa leucocitária da mesma amostra
sanguinolenta, numerosas células fusiformes, apresentando características malignas foram observadas,
possibilitando um diagnóstico citológico de efusão neoplásica compatível com sarcoma. (Wright; H.P
oil.)

Os transudatos e o líquido cerebroespinhal são pobres em proteínas e em número de


células. O uso da citocentrífuga é recomendado para a captura de todas as células
(Figs. 1-7A e B). Para amostras de líquido cerebroespinhal, o preparado citológico
deve ser realizado preferencialmente entre 2 a 3 horas após a coleta, pois a baixa
densidade predispõe a lise celular. Entretanto, parece que quando estão presentes
células inflamatórias e neoplásicas e agentes infecciosos, sua integridade celular é
geralmente mantida por até 12 horas sob refrigeração.
Figura 1-7 Avaliação de lâmina. A, Este é um esfregaço direto de uma amostra de líquido
pleural de um gato com derrame torácico. Um pequeno número de linfócitos pequenos, médios e
grandes é observado. (Wright; H.P oil.) A concentração de triglicérides no líquido aproxima-se da do
soro, tornando o diagnóstico de derrame quilos o mais provável. (Wright; H.P oil.) B, Um preparado
em citocentrífuga da amostra demonstra facilmente que, em sua maioria, as células são linfócitos
médios e grandes, imaturos, indicativos de linfoma maligno. Um pequeno linfócito normal (seta longa)
e um neutrófilo (seta curta) são bons comparativos de tamanho. (Wright; H.P oil.)
(A, de Meyer, D.J., Franks, P.T.: Effusion: classification and cytologyc examination, Compend Contin Educ Pract Vet 9: 123-28, 1987.)

Ponto-Chave
Para a manipulação de amostras de fluidos, rotineiramente faça esfregaços diretos, centrifugados (ou
da capa leucocitária) e com o uso de citocentrífuga (se possível) e examine cada um deles para um
diagnóstico mais seguro.

Ponto-Chave
A concentração de proteína total deve ser aferida por refratometria em todos os líquidos pleurais e
abdominais para facilitar a distinção entre transudato e transudato modificado, quando essa
informação tiver importância diagnóstica (Meyer e Harvey, 2004).

Ponto-Chave
Para fluidos com baixa concentração proteica, como o sedimento urinário, o líquido cerebroespinhal
e transudatos, as células podem ser lavadas durante o processo de coloração. O uso de lâminas pré-
preparadas com cobertura de soro facilita a adesão celular, o que poder fazer toda a diferença no
diagnóstico. Algumas gotas do soro não utilizado nas análises químicas são aplicadas em toda a
superfície de uma lâmina de vidro, que é seca ao ar. São feitos dez a 20 preparados. Uma vez secas
(não aderentes ao toque), as lâminas podem ser acondicionadas em uma caixa de lâminas e levadas ao
freezer para evitar o crescimento bacteriano. Antes do uso, diversas lâminas são deixadas à
temperatura ambiente. É importante que não ocorra condensação na superfície, pois isso leva a uma
severa lise celular.

Dica Importante
Um secador de cabelos em baixa temperatura colabora para uma secagem uniforme das amostras
fluidas. Ele também pode ser utilizado para remover a condensação das lâminas cobertas com soro
retiradas do freezer.

Decalque (imprint)
Frequentemente as células se esfoliam em tecidos incisados quando a superfície
cortada é tocada por uma lâmina de vidro. Esse tipo de preparado citológico permite
imediata avaliação da biópsia, trazendo ao patologista uma segunda opção na
avaliação de tecidos, que é uma ferramenta valiosa. A interpretação do clínico pode
ser comparada aos achados histopatológicos. A superfície de corte do tecido incisado é
firmemente pressionada contra uma folha de papel-toalha para remoção de sangue e
de fluidos teciduais. A amostra está seca o suficiente para esfoliar células sem
contaminação sanguínea excessiva quando o papel adere nela. A superfície terá um
aspecto denso, seco e pegajoso. A amostra deve ser tocada firmemente pela superfície
da lâmina de vidro limpa em diversas regiões ao redor do sweet spot (Fig. 1-8A). O
tecido adequadamente preparado irá aderir à superfície do vidro momentaneamente.
Se for observado excesso de sangue ou fluido tecidual, o tecido deve ser seco
novamente e realiza-se novo decalque. As áreas do decalque que pareçam muito
espessas podem ser afinadas para se tornarem uma monocamada, com o uso, de
forma delicada, da técnica de esmagamento. O decalque deve ser realizado em todas
as áreas do tecido que apresentarem alterações macroscópicas.
Figura 1-8 A, Lâmina de decalque. Ilustração da técnica de decalque. A superfície incisada da
amostra é firmemente pressionada contra o papel-toalha (observe as manchas úmidas indicadas pela
seta) até que estejam com consistência pegajosa, e então são firmemente decalcadas diversas vezes na
superfície de uma lâmina de vidro limpa. B, Raspagem do tecido. Se o tecido não apresentar
esfoliação adequada, uma lâmina de bisturi é utilizada para uma raspagem de sua superfície. O tecido
pode ser decalcado na lâmina de vidro e/ou o material depositado na lâmina de bisturi arrastado sobre
a lâmina de vidro, seco ao ar e corado, ou, se muito espesso, prepara-se uma lâmina pela técnica do
esmagamento. C, Rolamento do tecido. Pequenas porções de tecido que não possam ser apreendidas
por uma pinça para decalque podem ser suavemente roladas sobre a lâmina de vidro com o auxílio de
uma agulha calibre 25. Isso permitirá a esfoliação de uma fina camada de células. Se o tecido não for
friável, múltiplas lâminas podem ser confeccionadas.
(B, de Meyer, D.J.: The management of cytology specimens, Compend Contin Educ Pract Vet 9:10-17, 1987.)
Tecidos com textura fibrosa, como os fibromas, fibrossarcomas e as inflamações
cicatriciais, podem não esfoliar adequadamente com o uso dessa técnica. A superfície
desses tecidos firmes e frequentemente planos deve ser debridada com uma lâmina de
bisturi e depois decalcada sobre a lâmina de vidro. Além disso, o tecido remanescente
na lâmina de bisturi pode ser utilizado para realizar decalques ou preparados por
esmagamento (Fig. 1-8B). Essa técnica funciona bem em lesões cutâneas ulceradas
quando há suspeita de neoplasia ou infecção micótica. A superfície estará
frequentemente contaminada por restos celulares, bactérias e células inflamatórias
como neutrófilos, macrófagos e fibroplasia, o que pode obscurecer a real etiologia se
for feito o decalque. É prudente debridar a área agressivamente, utilizando gaze
umedecida e/ou lâmina de bisturi. O material esfoliado, incluindo o tecido na lâmina
de bisturi, é utilizado para realizar decalques e preparados por esmagamento. Em
certas doenças bolhosas de pele, o toque com a lâmina de vidro em uma lesão
rompida recentemente pode ser utilizado para identificar células epiteliais
acantolíticas junto a neutrófilos não degenerados (citologia de Tzank), consistindo em
um diagnóstico empírico para alterações de pele imunomediadas.

Amostras de tecidos pequenas como aquelas obtidas por endoscopia ou com o uso
de agulha cortante podem ser roladas sobre a lâmina utilizando-se uma agulha
calibres 22 ou 25 (Fig. 1-8C), ou pode ser feito um preparado por esmagamento se
houver tecido extra que não se destine a exame histopatológico.

Corando as amostras

As colorações de Romanowsky, tipo Romanowsky e novo azul de metileno são


utilizadas em medicina veterinária para a identificação de células nucleadas.

Coloração de Papanicolaou
A coloração de Papanicolaou é utilizada rotineiramente na medicina para amostras
citológicas. Acentua detalhes nucleares e é de grande valor na detecção precoce de
aberrações morfológicas indicativas de displasia ou neoplasia. Não é utilizada de
forma rotineira na medicina veterinária por ser um procedimento obtido em diversas
etapas e por suas limitações na avaliação de reações inflamatórias. Um procedimento
de coloração rápido de Papanicolaou foi recentemente descrito na medicina
veterinária, e pode ser vantajoso na detecção de anormalidades nucleares em células
cancerosas (Jorundsson et al., 1999).
Coloração de Novo Azul de Metileno
O novo azul de metileno (New Methylene Blue®, Fisher Scientific) é uma coloração
básica que cora núcleos, a maioria dos agentes infecciosos, plaquetas e grânulos de
mastócitos. Os eosinófilos e as hemácias não são corados, e aparecem ao microscópio
como áreas circulares translúcidas. Como não há fixação por álcool, os lípides
associados a lipomas e cistos infundibulares foliculares podem ser facilmente
reconhecidos. Os cristais de colesterol associados a esses últimos ficam destacados
(Fig. 2-23). A solução para coloração consiste em 0,5 g de novo azul de metileno
dissolvido em 100 mL de solução salina a 0,9%. A formalina concentrada (1 mL) é
adicionada como conservante. A solução de estoque é mantida refrigerada. Para o uso
clínico, uma pequena garrafa é preenchida com a solução de estoque. O corante deve
passar inicialmente por papel-filtro, para a remoção de precipitados. Uma pequena
gota do preparado é aplicada diretamente a uma lâmina de citologia seca ao ar. Uma
lamínula livre de poeira (seque-a com papel-toalha ou na manga da camisa) é
posicionada na gota de corante, que irá se espalhar por capilaridade. As lamínulas
maiores, 20 mm × 40 ou 50 mm, permitem que uma quantidade maior do espécime
seja examinada. A amostra deve ser imediatamente analisada, pois a coloração é à
base de água e irá evaporar. A amostra citológica corada por novo azul de metileno é
útil para a detecção de células nucleadas, bactérias (tanto Gram-positivas quanto
Gram-negativas coram em azul-escuro), fungos e leveduras. Quando aplicada a um
esfregaço sanguíneo, os leucócitos e plaquetas podem ser estimados e os
policromatófilos (como reticulócitos) podem ser identificados. Isso faz dessa coloração
uma valiosa triagem para sangue e amostras fluidas examinadas em emergências.
Quando muito bem filtrada, é a coloração ideal na detecção de hemobartoneloses, já
que o eritrócito é essencialmente “invisível”, acentuando a silhueta do organismo em
azul-escuro.

Dica importante
Esta é uma coloração valiosa e de ótimo custo-benefício no preparo de lâminas citológicas, esfregaços
sanguíneos e sedimento urinário na prática veterinária. A necessidade adicional de preencher o
recipiente de uso com a coloração de estoque filtrada semanalmente compensa.

Colorações do Tipo Romanowsky


As colorações do tipo Romanowsky são frequentemente empregadas por serem
rápidas e de fácil utilização. São combinações de tinturas básicas e ácidas dissolvidas
em álcool metílico. Essas colorações policromáticas conferem as propriedades
tintoriais basofílicas e eosinofílicas observadas nos esfregaços sanguíneos. As
colorações de Wright (Wright’s Stain Solution®, Fisher Scientific) são amplamente
utilizadas na maioria dos laboratórios em medicina humana e veterinária, pois
resultam em esfregaços sanguíneos bem corados. Outras colorações do tipo
Romanowsky utilizadas isoladamente ou em variadas combinações incluem de
Leishman, May-Grunwald-Giemsa e Diff Quick® (Diff-Quick® Diferential Stain Set,
American Scientific Products). Este último é uma coloração policromática comumente
utilizada na prática veterinária por sua conveniente rapidez de preparo. Para
algumas amostras, como as de medula óssea, é importante atentar para a qualidade
da marca da coloração utilizada. Grânulos de mastócitos não são bem corados por
essa coloração. Se há suspeita de deficiência na coloração durante a análise de uma
célula neoplásica distinta, as colorações de novo azul de metileno ou de Giemsa
podem ser utilizadas para demonstrar a presença de grânulos de mastócitos.

Amostras mal coradas podem ter como causas intervalos de coloração impróprios,
corantes fracos por excesso de uso e preparados citológicos confeccionados
inadequadamente. É importante se familiarizar com um tipo de coloração de
Romanowsky e evitar trocar com frequência as marcas utilizadas. Já foi descrito que
as composições das tinturas dos corantes policromáticos variam consideravelmente
dependendo do fabricante e até entre lotes de um mesmo fabricante. Além disso, a
estocagem prolongada em temperatura ambiente (25 oC) pode danificar a intensidade
das colorações devido à formação de produtos de degradação no metanol. É mais
conveniente adquirir as colorações na forma líquida. O Quadro 1-3 enumera os
fatores que podem levar a amostras fracamente coradas com as colorações do tipo
Romanowsky.

Quadro 1-3 Causas de Alterações na Coloração


Basofilia excessiva (eritrócitos tornam-se azul-esverdeados)

Tempo de contato com o corante prolongado

Lavagem inadequada

Amostra espessa

Coloração ou diluente muito alcalino – pH > 7; checar com tira de papel para pH
Exposição da amostra à formalina ou ao seu vapor (p. ex., recipiente com formalina aberto)

Demora na fixação
Eosinofilia excessiva

Lavagem prolongada

Tempo de contato com o corante insuficiente

Corante ou diluente muito ácido – pH < 7; eritrócitos podem apresentar-se alaranjados ou pode
haver a formação de ácido fórmico avermelhado brilhante, resultante da oxidação do álcool metílico
prolongadamente exposto ao ar. Recomenda-se metanol fresco

Aplicação da lamínula antes que a amostra esteja seca


Coloração inadequada de células nucleadas e eritrócitos

Tempo de contato com uma ou mais das soluções corantes insuficiente

A superfície de uma segunda lâmina pode cobrir a amostra da primeira (pode ocorrer ao se corarem
duas lâminas em um recipiente ao mesmo tempo)
Precipitado na amostra corada

Lavagem da lâmina inadequada ao final do processo de coloração

Filtragem inadequada do corante

Lâminas sujas

O tempo de coloração varia de acordo com a espessura da amostra e as condições


do corante. A frequência da troca das soluções varia de acordo com a quantidade de
lâminas processadas. Núcleos com aparência azul-pálido e ausência de nitidez nos
detalhes da cromatina são um indicativo de solução fraca. Os corantes devem ser
trocados completamente quando agentes infecciosos ou elementos celulares
inadequados aparecem nas amostras. Os períodos de coloração do Diff Quick®
precisam ser aumentados de acordo com a espessura do preparado citológico e do
estado do corante. Um derrame pleural com baixa celularidade pode ser
adequadamente corado com cinco imersões em cada solução. Um preparado espesso
de amostra de linfonodo ou de medula óssea pode requerer imersão por 60 a 120
segundos em cada solução para a obtenção de uma coloração ótima (Fig. 1-9 A e B). O
Quadro 1-4 enumera diretrizes para o tempo de coloração.
Figura 1-9 Técnica de coloração. A, Esta é uma amostra obtida por aspiração de um linfonodo
com aumento de volume, a amostra foi corada desta forma: na solução fixadora foram
aproximadamente cinco imersões e também em cada uma das soluções do corante. Verificam-se os
limites das células, entretanto não se pode identificar adequadamente detalhes citomorfológicos. (Diff-
Quick; óleo de imersão) B, Retornou-se com a mesma lâmina, por 60 segundos em cada etapa do
procedimento, momento em que a lâmina era recolocada e removida lentamente. Com este novo
procedimento pode-se confirmar o diagnóstico de linfoma. Um linfócito de tamanho normal localizado
no centro da amostra é útil para se comparar o tamanho dos outros linfócitos. (Diff-Quick; óleo de
imersão).

Quadro 1-4 Procedimento Sugerido para Coloração de Amostras Citológicas


Utilizando-se as soluções do Diff-Quick®*
Fixação: 60 a 120 segundos

Solução 1: 30 a 60 segundos

Solução 2: 5 a 60 segundos†

Enxágue em água corrente: 15 segundos

Examinar a qualidade da coloração utilizando objetiva de pequeno aumento; a eosinofilia ou


basofilia podem ser reforçadas retornando-se à solução 1 ou 2, respectivamente, seguindo-se um
enxágue
Secar ao ar e examinar

* Intervalos de tempo sugeridos com base em soluções frescas. Com o tempo e o uso, as soluções enfraquecem, e
são necessários intervalos maiores. Amostras consistentemente pouco coradas são indicativas da necessidade de

substituição total das soluções por outras novas.

† Os períodos mais breves são sugeridos para amostras de fluidos hipocelulares pobres em proteína, como
transudatos, liquor e sedimento urinário.Modificado de Henry, M.J., Burton, L.G., Stanley, M.W., et al:

Application of a modified Diff-Quick® stain to fine needle aspiration smears: rapid staining with improved

cytologic detail, Act Cytol 1987; 31:954-955.

Ao final do processo de coloração, a lâmina é lavada em água fria corrente por 20


segundos para remover precipitados, e é colocada a secar em posição quase vertical
(veja também o PONTO-CHAVE relativo ao uso do secador de cabelos). Qualquer
material corado depositado no verso da lâmina pode ser retirado com uma gaze
embebida em álcool. A amostra corada é examinada ao microscópio utilizando-se
objetiva de 10× ou 20× para qualidade da coloração e uniformidade do material. Se
aceitável, uma lamínula é depositada sobre a amostra se for utilizada uma objetiva de
40 × . Uma montagem temporária pode ser feita adicionando-se uma gota de óleo de
imersão ao material seguida de uma lamínula. Uma montagem permanente é obtida
com o uso de cola para lamínula disponível comercialmente (p. ex., Eukitt®,
Calibrated Instruments).

Ponto-Chave
Uma lamínula é sempre necessária para obter boa focalização quando a objetiva de 40× é utilizada
para examinar amostras hematológicas e citológicas. Uma segunda gota de óleo pode ser colocada
sobre a lamínula para o uso da objetiva de imersão.

Ponto-Chave
Recomenda-se que sejam feitas rotineiramente duas baterias de coloração. Uma é utilizada para
amostras “limpas”, como esfregaços sanguíneos, derrames e aspirados de linfonodos. A outra é
utilizada para amostras “sujas”, como raspados de pele, citologias fecais e intestinais e suspeitas de
abscesso.

Considerações para regiões específicas


Nódulos Cutâneos e Linfonodos
Os nódulos cutâneos e os linfonodos com aumento de volume são tecidos de fácil
acesso para a citologia esfoliativa. Um mínimo de dois linfonodos deve ser submetido
à coleta de material quando há linfadenopatia generalizada. O centro do linfonodo
aumentado deve ser evitado para minimizar o risco de obtenção de material necrótico
não diagnóstico. O tecido deve ser palpado para avaliação da consistência e para
definir suas margens. Áreas mais macias sugestivas de líquidos ou tecidos necróticos
são identificadas, e aspirados dessas regiões e daquelas mais firmes são realizados
separa- damente. A área de interesse é tricotomizada e submetida a antissepsia antes
da aspiração. O tecido é firmemente imobilizado entre o polegar e o indicador. A
agulha é inserida no tecido, e pode ser utilizada a técnica com aspiração ou a sem
aspiração. A agulha é aprofundada sem ultrapassar o tecido de interesse, e é
redirecionada diversas vezes (Fig. 1-1A). O êmbolo da seringa é delicadamente
retornado à posição inicial e a agulha é retirada. A manutenção do vácuo no
momento da remoção da agulha leva a amostra para o interior da seringa, trazendo
maior chance de contaminação sanguínea de um vaso sanguíneo cutâneo. Quando se
encontra líquido, este deve ser totalmente aspirado e manuseado como amostra
fluida. Uma coleta separada é realizada nas áreas de tecido mais firme com nova
seringa e agulha.

Ponto-Chave
A esfoliação de células ocorre como consequência da passagem da agulha pelo tecido. O movimento
repetido da agulha através do tecido é um fator decisivo na obtenção de material diagnóstico de
tecidos não fluidos.

Ponto-Chave
Nem todos os tecidos sólidos são adequadamente coletados por meio de esfoliação citológica.
Quando não são obtidas células pela PAAF após exame do material ao microscópio, deve-se
considerar biópsia excisional.

Fígado, Baço e Rins


A melhor indicação para a investigação de organomegalia do fígado, baço e rins é a
citologia esfoliativa. A causa celular ou associada a célula de órgão com hiperplasia
frequentemente esfolia desses tecidos. O exame ultrassonográfico desses órgãos
aumentou o uso da PAAF para avaliação de lesões focais. A eficiência diagnóstica da
citologia é reduzida baseando-se nessa indicação. Há grande possibilidade de que o
tipo celular não esfolie ou de que a lesão não seja localizada corretamente, levando
ao exame do tecido ao redor, o que resulta em uma impressão errônea e na falha de
diagnóstico. Além disso, é necessário ter muita experiência no exame de amostras
coletadas por PAAF desses órgãos, porque as lesões hiperplásicas nodulares de baço e
fígado caninos tornam-se mais prevalentes em pacientes geriátricos (Cap. 9).

Ponto-Chave
A técnica de coleta sem aspiração reduz a contaminação sanguínea em órgãos vasculares como fígado
e baço.

Ponto-Chave
Lembre-se de que o fígado é um órgão em movimento, devido à sua íntima associação ao movimento
do diafragma. Consequentemente, o posicionamento craniodorsal da agulha reduz o risco de
laceração (Fig. 1-10).

Figura 1-10 Biópsia de fígado. A biópsia aspirativa com agulha fina do fígado pode ser realizada
com o cão em decúbito lateral esquerdo. Na foto, a cabeça está localizada à esquerda do leitor. A
agulha é inserida em direção craniodorsal no triângulo formado pela extremidade lateral do processo
xifoide e pela união da última costela com o esterno. Assim que toca a superfície do fígado, a agulha
irá movimentar-se de acordo com a movimentação do diafragma, mas na direção oposta.

Ponto-Chave
Duas ações devem ser empreendidas se for obtida uma amostra do fígado ou do baço com grande
contaminação sanguínea. Inicialmente, acondicione a amostra imediatamente em um tubo com EDTA.
Um esfregaço direto (similar ao de sangue periférico) e um preparado de capa leucocitária devem ser
examinados como triagem para a busca de material diagnóstico como células mesenquimais malignas
(hemangiossarcoma). Não tente cobrir uma lâmina inteira com a amostra contaminada por sangue em
busca de um diagnóstico. O resultado será um erro diagnóstico grosseiro. Em segundo lugar, se não
há presença de lesão preenchida por líquidos no exame ultrassonográfico, repita a PAAF com uma
agulha limpa e utilize uma técnica sem aspiração.

Cavidade Nasal e Pulmões


O exame da cavidade nasal é frequentemente comprometido pela natureza oculta da
patologia subjacente. A radiografia deve sempre preceder a coleta de amostra para
análise citológica ou histopatológica: ela pode definir a área da cavidade nasal
predominantemente envolvida, sugerindo a região a ser coletada. Além disso, a
manipulação do interior da cavidade nasal frequentemente resulta em hemorragia, o
que oculta os detalhes radiográficos. Após a radiografia, a orofaringe é examinada
visualmente e por palpação digital. A região dorsal do palato mole é examinada com
um espelho odontológico e por palpação. Se não há identificação de tecido alterado
para biópsia aspirativa e/ou excisional, os recessos da cavidade nasal são submetidos
à técnica de lavado ou aspiração para coleta de material. O exame da cavidade nasal
com um otoscópio pode permitir a visualização de alterações teciduais e pode auxiliar
na obtenção de amostras.
Lesões superficiais, como as rinites eosinofílicas ou fúngicas, podem ser
ocasionalmente identificadas pelo exame do muco nasal ou de raspados superficiais
da mucosa. Na maioria das vezes, amostras superficiais obtidas com swabs não levam
ao diagnóstico ou resultam em inflamação inespecífica e bactérias. Amostras
citológicas da cavidade nasal podem ser obtidas de modo mais agressivo pelas
técnicas de lavagem e aspiração. Um cateter urinário de borracha macia é flexível o
suficiente para o procedimento de lavagem por refluxo retrógrado. O material é
coletado e as lâminas são preparadas a partir do material mucoide e das porções de
tecidos obtidos. O material restante é centrifugado em tubo cônico, e confeccionam-se
lâminas (esfregaços diretos ou esmagamento) a partir da massa obtida. Um cateter
urinário rígido de poliuretano de grande calibre ou a capa plástica de um cateter
intravenoso Sovereign® (Sherwood Medical) são eficazes para a obtenção de
amostras nasais (Fig. 1-11A). A profundidade da cavidade nasal é medida por
aproximação, e o comprimento correspondente do cateter é cortado em ângulo. O
cateter é acoplado a uma seringa e firmemente introduzido na cavidade nasal até
encontrar resistência moderada. A aspiração é feita enquanto o cateter é manipulado
no interior da cavidade nasal (Fig. 1-11B). Para esse procedimento, a aspiração e a
manipulação do cateter podem ser mais agressivas, devido à natureza mucosa e
cartilaginosa do tecido acometido. Deve-se exercer pressão negativa no momento da
retirada do cateter, na tentativa de exteriorizar porções de tecidos. O líquido e as
porções de tecidos podem ser utilizados para os preparados citológicos. Porções
maiores de fragmentos de tecidos e coágulos sanguíneos podem ser acondicionados
em formalina a 10% para exame histopatológico, a fim de maximizar o resultado
diagnóstico.

Figura 1-11 Biópsia nasal. A, Esta representação esquemática demonstra um método de


adaptação de um cateter intravenoso para o uso na obtenção de amostras citológicas nasais por
aspiração. Uma extremidade da capa da agulha é cortada em ângulo, e a agulha é cortada próximo ao
canhão plástico. A capa plástica da agulha é encaixada firmemente no canhão da agulha. B, Uma
representação esquemática sagital da cabeça de um cão, demonstrando duas possíveis técnicas para a
obtenção de amostras citológicas das narinas. O cateter intravenoso adaptado ou um cateter urinário
rígido de grande calibre é firmemente inserido pela via externa das narinas, e a pressão para aspiração
é aplicada assim que é encontrada resistência. Alternativamente, um cateter urinário de borracha
flexível pode ser inserido pelo palato mole, e a cavidade nasal recebe um fluxo retrógrado. O material
líquido e sólido é coletado.
(A e B, de Meyer, D.J.: The management of cytology specimens, Compend Contin Educ Pract Vet 9:10-17, 1987.)

A PAAF do parênquima pulmonar é de grande valia em casos de doença infiltrativa


intersticial difusa ou em grandes lesões focais identificadas radiograficamente. A
menos que o infiltrado celular seja radiograficamente ou ultrassonograficamente
notável, não se pode esperar um diagnóstico frutífero. A guia ultrassonográfica da
agulha é uma forma precisa de assegurar que a amostra desejada será coletada. Para
lesões pequenas ou mal definidas, é complicado encontrar a localização correta da
agulha a partir da radiografia.

A utilização bem-sucedida do lavado transtraqueal e broncoalveolar para a pesquisa


de alterações pulmonares depende de o processo da doença envolver ou não a mucosa
e/ou a luz alveolar, da obtenção da amostra da região alterada e da coleta adequada
do líquido de lavagem (solução salina). Deve-se empreender grande esforço para
recuperar o líquido de lavagem, o que inclui o posicionamento da cabeça do paciente
em ângulo para trás, a fim de facilitar a obtenção do diagnóstico. Escovados ou
raspados de mucosa podem auxiliar no diagnóstico citológico das lesões em mucosas
(Clercx et al., 1996).

Ponto-Chave
Por ser um órgão dinâmico, o pulmão é suscetível à laceração pela agulha. Uma apneia momentânea
pode ser obtida ocasionalmente com um toque ou um suave sopro nas narinas do animal.

Articulações
A claudicação e o edema articular são as indicações comuns para o exame do líquido
sinovial. É prudente uma revisão da anatomia óssea da região de interesse antes do
início do procedimento de coleta. Em geral, a localização interóssea apropriada é
determinada pela palpação digital da articulação levemente flexionada. A região deve
ser tricotomizada e submetida a antissepsia para evitar contaminação bacteriana da
amostra. Tais procedimentos são extremamente importantes se a amostra de líquido
sinovial for enviada para cultura, e assegurarão a precisão quanto à presença de
bactérias. Utiliza-se uma agulha calibres 22 a 25 acoplada a uma seringa de 3 mL. O
líquido sinovial normal é viscoso, e até mesmo em inflamação essa viscosidade pode
estar presente. Consequentemente, a aspiração deve ser realizada de forma delicada e
paciente, até que o líquido viscoso lentamente suba pela agulha. A quantidade da
amostra é menos importante do que a sua qualidade. Para o preparo de uma lâmina,
utiliza-se uma gota, e duas a três em um tubo estéril ou meio de transporte são
suficientes para a realização de cultura. Se a suspeita for uma doença poliarticular
não localizada, o líquido de duas ou mais articulações deve ser coletado, incluindo
pelo menos uma articulação do carpo.

Lesões em Corpos Vertebrais


A patologia dos corpos vertebrais pode ser um achado radiográfico acidental ou pode
ser suspeita com base em alterações neurológicas como ataxia, dificuldade para
levantar-se em qualquer extremidade ou ainda dor cervical. A obtenção de uma
amostra citológica é um desafio nesses casos devido à dificuldade de localização da
lesão pela palpação e à proximidade da coluna espinhal. Radiologistas experientes
podem obter sucesso na coleta de amostras diagnósticas com o uso de guia
fluoroscópica da agulha.

Envio De Material A Um Laboratório De Referência

O profissional ocupado usualmente prefere enviar as amostras citológicas para serem


examinadas por um laboratório veterinário comercial. Muitos desses estabelecimentos
contam com profissionais especificamente treinados para fazer preparados de capa
leucocitária e a citocentrifugação de amostras fluidas, além de microscopistas
experientes para examinar as amostras citológicas. A experiência desses profissionais
só é eficaz se a amostra tiver sido obtida adequadamente.

As amostras fluidas devem ser acondicionadas imediatamente em tubos com EDTA


para evitar a formação de coágulos. Se a amostra permanecer em trânsito por mais de
24 horas, deve ser feita uma lâmina direta para acompanhar o tubo. A experiência
indica que os tubos de tampa vermelha e roxa não apresentam esterilidade confiável.
O crescimento bacteriano pode ocorrer em um tubo “estéril” quando este é
transportado durante períodos prolongados. Portanto, um meio de cultura apropriado
deve ser utilizado quando a amostra for submetida a cultura bacteriana.

Como previamente indicado, os decalques podem ser úteis para exame histológico
de tecidos fixados em formalina. O vapor da formalina pode alterar drasticamente as
características tintoriais dos decalques (Fig. 1-12A e B). Quando as lâminas de
decalques acompanharem tecidos fixados em formalina, elas devem ser
acondicionadas em recipientes herméticos separados. A quebra de lâminas é um
problema comum quando elas são enviadas acondicionadas em papelão. O plástico
rígido ou o isopor oferecem proteção adequada. Na falta de familiaridade com um
procedimento específico de coleta de amostras, o laboratório sempre deve ser
contatado para auxiliar antes da coleta.

Figura 1-12 Efeitos da formalina. A, Esta amostra de linfonodo foi inadvertidamente exposta ao
vapor da formalina. A maioria dos elementos presentes não pode ser reconhecida como linfócitos,
impedindo a interpretação citológica. O vapor de formalina altera a citomorfologia e as características
tintoriais das células nucleadas, o que pode ser considerado um motivo para uma amostra não
diagnóstica. (Wright; HP oil.) O diagnóstico citológico de hiperplasia linfoide foi obtido a partir de
um segundo aspirado (não apresentado). B, Esta amostra também foi exposta à formalina. Observe
como a morfologia do eritrócito apresenta falta de nitidez e uma coloração esverdeada.

Ponto-Chave

Os vapores de formalina são impregnantes e de rápida penetração. Alteram a coloração e a


morfologia de amostras hematológicas e citológicas. Mantenha recipientes abertos com formalina
longe das amostras, mesmo se estiverem abertos apenas momentaneamente.

Referências

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tumours. J Sm Anim Pract. 1996;37:423-437.
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diagnostic samples. Am J Roentgenol. 1990;155:1217-1219.
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1994;8:228-232.
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aspiration smears: rapid staining with improved cytologic detail. Acta Cytol. 1987;31:954-955.
Jorundsson E., Lumsden J.H., Jacobs R.M. Rapid staining techniques in cytopathology: a review and
comparison of modified protocols for hematoxylin and eosin, Papanicolaou and Romanowsky stains.
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Liu Y.W., Chen C.L., Chen Y.S., et al. Needle tract implantation of hepatocellular carcinoma after fine
needle biopsy. Dig Dis Sci. 2007;52(1):228-231.

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100 masses in various sites. Acta Cytol. 1989;33:809-813.

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Meyer D.J., Harvey J.W. Evaluation of fluids: effusions, synovial fluid, cerebrospinal fluid. In: Meyer
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Cytol. 1989;33:806-808.
Capítulo 2

Categorias Gerais de Interpretação Citológica

Rose E. Raskin

Uma aplicação da citologia é classificar as lesões para auxiliar o diagnóstico, o


prognóstico e a conduta de um caso. Em regra, as interpretações citológicas para o
diagnóstico classificam-se, em cinco grupos (Quadro 2-1). Existe uma sexta categoria,
que no entanto é para ser usada nas interpretações não diagnósticas. Amostras não
diagnósticas geralmente resultam de material com celularidade insuficiente ou com
excessiva contaminação sanguínea.

QUADRO 2-1 Categorias Gerais de Interpretação Citológica


Tecido normal ou hiperplásico

Massa cística

Inflamação ou infiltração celular

Reação a lesão do tecido

Neoplasia

Amostra não diagnóstica

Ponto-Chave

A interpretação de material citológico pode incluir mais de uma categoria, como inflamação
acompanhada de uma reação a lesão do tecido ou neoplasia acompanhada de inflamação.

Tecido normal ou hiperplásico

Tanto os tecidos normais quanto os tecidos hiperplásicos compõem-se


fundamentalmente de células maduras. As células normais apresentam uniformidade
em tamanho e forma celulares, nucleares e nucleolares. O volume citoplasmático é
geralmente alto em relação ao núcleo (Figs. 2-1 e 2-2). Hiperplasia é um aumento não
neoplásico de tecido que pode ocorrer como resposta a distúrbios hormonais ou a uma
lesão do tecido. O tecido hiperplásico tem tendência a aumentar simetricamente em
comparação à neoplasia. Citologicamente, as células hiperplásicas têm relação núcleo-
citoplasmática maior que as células normais. Exemplos de reações hiperplásicas
incluem proliferações nodulares dentro de parênquima da próstata (Fig. 2-3), do
fígado e do pâncreas (Fig. 2-4).

Figura 2-1. Músculo esquelético normal. Tecido aspirado. Cão. Numerosas miofibrilas
filiformes compõem cada célula, cujo núcleo é pequeno, condensado e oval. A estriação transversal,
característica do músculo esquelético, é praticamente invisível em contraste com o citoplasma azul-
escuro, mas pode ser vista na imagem aumentada (detalhe). (Wright–Giemsa; I.P.)

Figura 2-2. Glândula salivar normal. Tecido aspirado. Cão. A glândula tem aspecto uniforme
de tamanho nuclear, relação núcleo- citoplasmática e conteúdo citoplasmático. (Wright-Giemsa; HP
oil.)
Figura 2-3. Hiperplasia prostática canina. Tecido aspirado. Cão. O sinal clínico que se
apresenta neste caso envolve gotejamento de sangue do prepúcio. Citologicamente, o tamanho nuclear
é uniforme; entretanto, a relação núcleo-citoplasmática está maior, como indica a grande proximidade
entre os núcleos. (Wright–Giemsa; HP oil.)

Figura 2-4. Hiperplasia nodular do pâncreas. Tecido aspirado. Cão. O exame de ultrassom
revela massa hipoecoica na área do pâncreas. Citologicamente, os órgãos parenquimatosos
hiperplásicos normalmente apresentam binucleação. (Wright–Giemsa; HP oil.)

Massa cística

As lesões císticas contêm líquido e/ou material semissólido. O líquido, que é de baixo
teor proteico, em geral contém pequena quantidade de células. Essas lesões benignas
podem ser resultado da proliferação de células de revestimento ou lesão do tecido.
Alguns exemplos são o seroma (Fig. 2-5), mucocele salivar, cisto das glândulas
sudoríparas apócrinas, cisto epidérmico/folicular e cistos associados a glândulas não
cutâneas, como a mama ou a próstata (Fig. 2-6).
Figura 2-5. Seroma. Tecido aspirado. Cão. Remove-se líquido com vestígios de sangue de um
edema do pescoço. Citologicamente, a celularidade baixa e o conteúdo proteico também baixo são
observados ao fundo. Grandes células mononucleares com granulação citoplasmática delicada
predominam e estão acompanhadas de baixo número de eritrócitos. (Wright–Giemsa; HP oil.)

Figura 2-6. Cisto prostático. Histopatologia. Cão. As camadas de células epiteliais cuboidais
formam grandes espaços císticos que representam ductos dilatados. (H&E; L.P.)

Infiltrado celular ou inflamação celular

Pelo exame citológico classificam-se as condições inflamatórias, não só pela


identificação de tais células como também pela sua predominância. Em face disso,
com frequência é possível sugerir o tipo de agente que levou à condição inflamatória.

As lesões purulentas ou supurativas contêm mais de 85% de neutrófilos; são então


classificadas pela presença ou ausência de neutrófilos degenerados. Os neutrófilos não
degenerados são morfologicamente normais e predominam em ambientes
relativamente não tóxicos, tais como condições imunomediadas, lesões neoplásicas
(Fig. 2-7) e lesões estéreis causadas por fatores que causam irritação, como a urina e a
bile. Os neutrófilos degenerados apresentam núcleo edemaciado e pálido, a chamada
cariólise (Fig. 2-8), que indica a morte rápida da célula em ambiente tóxico (Perman et
al., 1979). O aumento da palidez nuclear com coalescência do núcleo para formar
uma única massa arredondada e uma membrana celular intacta caracteriza a picnose
(Fig. 2-9), uma alteração lenta, progressiva, frequentemente dentro de um ambiente
relativamente não tóxico. Um estágio final de morte celular chamado de cariorrexe
pode ser visto citologicamente como resultado de picnose dos núcleos
hipersegmentados (Fig. 2-10). Os neutrófilos degenerados predominam nas infecções
bacterianas, especialmente as do tipo gram-negativas. Sob condições sépticas, as
bactérias podem ser encontradas intracelularmente (Fig. 2-11).

Figura 2-7. Neutrófilos não degenerados. Fluido sinovial. Cão. A inflamação asséptica com
neutrófilos bem segmentados aparece em segundo plano em relação à neoplasia óssea. (Wright–
Giemsa; HP oil.)

Figura 2-8. Cariólise, cariorrexe. Tecido aspirado. Cão. A cariólise de netrófilos branda a
moderada fica evidente pela diminuição da intensidade da palidez nuclear e do edema dos lobos
nucleares. A picnose dos múltiplos segmentos nucleares aparece como estruturas densas, escuras e
redondas chamadas cariorrexe (seta), neste caso de dermatite bacteriana. (Wright–Giemsa; HP oil.)
Figura 2-9. Picnose. Efusão quilosa. Cão. A inflamação crônica desse líquido produz núcleos
neutrófilos que se transformam em geral em uma única estrutura arredondada, grande e escura, em
relação à lenta progressão da alteração celular em ambiente asséptico. A célula picnótica neste caso
também contém um segundo fragmento nuclear, menor e arredondado.

Figura 2-10. Cariorrexe. Tecido aspirado. Reação inflamatória evidenciada por múltiplos
segmentos picnóticos nucleares na célula central. (Wright–Giemsa; HP oil.)

Figura 2-11. Sépsis bacteriana. Tecido aspirado. Cão. Notadamente, neutrófilos cariolíticos
estão presentes com bactérias cocoides intra e extracelulares. A cariólise é tão acentuada que as células
mal são identificáveis como neutrófilos. (Wright–Giemsa; HP oil.)
As lesões histiocíticas ou macrofágicas contêm uma predominância de macrófagos, o
que sugere uma inflamação crônica (Fig. 2-12). Nos granulomas, os macrófagos
ativados que lembram morfologicamente as células epiteliais são chamados de
macrófagos epitelioides. Essas células podem se fundir para formar configurações
multinucleares gigantes (Fig. 2-13). As lesões granulomatosas estão normalmente
associadas a reações a corpos estranhos e a infecção por micobactérias.

Figura 2-12. Inflamação macrofagocitária. Marca no tecido. Cão. Doença pulmonar nodular
com células mononucleares grandes e numerosas com citoplasma cinza abundante e muitas células com
múltiplos vacúolos citoplasmáticos. (Wright–Giemsa; HP oil.).

Figura 2-13. Célula gigante multinuclear. Tecido aspirado. Gato. Uma lesão de pele com
inflamação piogranulomatosa, incluindo muitas células gigantes relacionadas à presença de hifas
fúngicas. Encontra-se ilustrada a célula com sete núcleos distintos e citoplasma granular abundante de
cor azul-acinzentada. (Wright–Giemsa; HP oil.)

As lesões inflamatórias de células mistas ou piogranulomatosas contêm uma mistura


de neutrófilos e macrófagos (Fig. 2-14) que pode incluir grande número de linfócitos
ou células plasmáticas. Esse tipo de inflamação está normalmente associado a reações
a corpos estranhos, infecções fúngicas, infecções micobacterianas, paniculite,
granuloma de lambedura e outras lesões teciduais crônicas.

Figura 2-14. Piogranulose ou inflamação de célula mista ou piogranulomatosa. Efusão


quilosa. Cão. O derrame quiloso crônico contém uma variedade de tipos de célula, incluindo
neutrófilos não degenerados, macrófagos vacuolados, linfócitos pequenos a médios e duas células
plasmáticas maduras. (Wright–Giemsa; HP oil.)

As lesões eosinofílicas contêm mais de 10% de eosinófilos, além de outros tipos de


células inflamatórias (Fig. 2-15). Podem ser vistas com ou sem ou envolvimento do
mastocitoma. Associa-se essa reação inflamatória a granuloma eosinofílico,
hipersensibilidades ou condições alérgicas, migrações parasitárias, infecções fúngicas,
mastocitomas e outras condições neoplásicas que causam eosinofilopoese.

Figura 2-15. Inflamação eosinofílica. Lavagem transtraqueal. Gato. Apresentação clínica de


uma tosse crônica nesse gato com suspeita de alergia pulmonar. O líquido contém 95% de eosinófilos.
Encontram-se ilustrados os diversos eosinófilos que produzem manchas róseas a azul-esverdeadas e
que aderem ao material mucoso róseo. (Wright–Giemsa; HP oil.)

Em geral, associa-se a infiltração plasmocítica ou linfocítica a reações alérgicas ou ao


sistema imunológico, a infecções virais em seu início e a inflamação crônica. A
população linfoide é heterogênea, com células plasmáticas e linfócitos de tamanho
pequeno e intermediário misturadas a outras células inflamatórias (Fig. 2-14). A
população monomórfica das células linfoides sem a presença de outras células
inflamatórias sugere uma neoplasia linfoide.

Reação à lesão do tecido

As amostras citológicas geralmente contêm evidências de lesão do tecido, além da


formação do cisto, inflamação ou neoplasia. Essas alterações incluem hemorragia,
fragmentos proteicos, cristais de colesterol, necrose e fibrose.
A hemorragia que é patológica se diferencia da contaminação sanguínea encontrada
durante a coleta citológica. Associa-se a contaminação sanguínea à presença de
numerosos eritrócitos e plaquetas. Associa-se a hemorragia aguda à fagocitose de
eritrócitos pelos macrófagos, chamada de eritrofagocitose (Fig. 2-16). Associa-se a
hemorragia crônica aos macrófagos ativos que contêm pigmento sanguíneo
degradado dentro de seu citoplasma — por exemplo, grânulos hemossiderina verde-
azulados a escuros (Figs. 2-17 e 2-18) ou cristais de hematoidina romboides
amarelados (Fig 2-18). A hemossiderina representa um acúmulo de moléculas
ferritinas ou micelas. Essa forma de armazenamento de ferro fica visível à luz
microscópica e cora em azuis com a reação de azul da Prússia. Os cristais de
hematoidina não contêm ferro, embora se formem durante a decomposição
anaeróbica de hemoglobina que pode ocorrer dentro dos tecidos ou das cavidades. Os
hematomas em geral contêm eritrócitos fagocitados se a lesão for aguda ou
macrófagos carregados de hemossiderina se a lesão for crônica.

Figura 2-16. Eritrofagocitose. Fluido cerebroespinhal. Gato. Muitos eritrócitos estão ao fundo
junto com um grande macrófago que fagocita numerosas células vermelhas intactas. Foi confirmada a
infecção no gato por coronavírus felino (peritonite infecciosa felina). (Wright–Giemsa; HP oil.)
Figura 2-17. Hemorragia crônica. Tecido aspirado. Cão. Diversos macrófagos ativados estão
presentes nesta lesão cística folicular. O macrófago bem abaixo do cristal de colesterol contém
material granular azul-esverdeado no citoplasma compatível com hemossiderina, um produto da
decomposição dos eritrócitos. Na margem esquerda vê-se um macrófago com grânulos grandes e
escuros que sugerem hemossiderina. (Wright; HP oil.)

Figura 2-18. Cristais hematoidina. Fluido pericardial. Cão. Macrófagos ativados com cristais
romboides amarelo vivo de diversos tamanhos aparecem nesse líquido hemorrágico relacionado à
decomposição de um ambiente anaeróbico. Diversos macrófagos também contêm material granular
escuro que sugere hemossiderina. (Wright–Giemsa; HP oil.)

Resíduos proteicos podem ser vistos no fundo do preparo. O muco cora levemente
basofílico e aparenta ser amorfo (Fig. 2-19). Os corpos linfoglandulares (Fig. 2-20)
são fragmentos citoplasmáticos de células frágeis, em geral linfócitos, que são
estruturas levemente basofílicas separadas e redondas (Flanders et al., 1993).
Correntes nucleares se referem a fibras lineares de cor rósea ou púrpura de resíduos
nucleares (Fig. 2-21) produzidas pelo tecido excessivo manipulado durante o preparo
citológico ou com o material necrótico de amostra. Fibras amorfas de cor clara a rosa-
claro representando o colágeno (Fig. 2-22A) podem se misturar às células fusiformes e
ao endotélio e se tornar um estroma fibrovascular. Entretanto, quando essas fibras de
colágeno são danificadas (como na colagenólise associada a mastocitoma), os
eosinófilos desgranulados liberam a colagenase que produz densas estrias de colágeno
de cor rósea hialinizadas (Fig. 2-22B). O amiloide é uma proteína patológica
incomum encontrada entre as células. Parece ser amorfo, eosinofílico, e hialina pode
ser associada a inflamação crônica.

Figura 2-19. Muco. Mucocele salivar. Cão. O fundo contém material amorfo róseo-azulado
pálido que representa o muco. Numerosos macrófagos ativados ou mucinófagos compõem a
população predominante. (Wright; HP oil.)

Figura 2-20. Corpos linfoglandulares. Tecido aspirado. Cão. O fundo deste preparo de
linfonodo contém numerosos fragmentos citoplasmáticos pequenos azul-acinzentados chamados corpos
linfoglandulares, que estão relacionados a ruptura dos frágeis linfócitos neoplásicos. Um macrófago
ativado tem fragmentos celulares fagocitados que aparecem em forma de grandes partículas azul-
escuras. (Wright; HP oil.)
Figura 2-21. Alinhamentos nucleares. Tecido aspirado. Fibras de cor púrpura de material
nuclear se formam das células rompidas ou como um artefato do preparo da lâmina ou de células
frágeis que são frequentemente neoplásicas. (Wright–Giemsa; HP oil.)
(Cortesia de Denny Meyer, Universidade da Flórida.)

Figura 2-22. A, Fibras de colágeno. Tecido aspirado. Cão. Fibras claras a rosa-claro do tecido
conjuntivo fibroso intacto fazem lembrar hifas fúngicas. As fibras de colágeno terão margens mal
definidas e diâmetro variável, ao contrário das hifas, que têm largura uniforme e margens distintas
(Wright–Giemsa; HP oil). B, Colagenólise. Tecido aspirado. Cão. Estrias de colágeno a esmo
aparecem em rosa vivo e hialinizadas devido à decomposição das fibras através da liberação da
colagenase por meio de eosinófilos desgranulados. Esse tipo de dano ao tecido conjuntivo ocorre em
geral em mastocitomas caninos. Entremeados entre os tumores celulares estão os eosinófilos e seus
grânulos (Wright; IP).

Os cristais de colesterol representam evidência de dano à membrana celular que


pode ser encontrado no fundo de alguns preparos citológicos. Esses cristais
retangulares e laminados são transparentes, a menos que as estruturas ao fundo
estejam realçadas como, por exemplo, com novo azul de metileno (Fig. 2-23).
Associam-se mais comumente esses cristais a cistos epidérmicos/foliculares.

Figura 2-23. Cristal de colesterol. Tecido aspirado. Lâminas retangulares claras com cantos
chanfrados são características do colesterol. Associa-se normalmente a isso o epitélio escamoso
degenerado, como nos cistos foliculares. Os cristais podem se destacar com a decomposição celular do
fundo ou a coloração. (Novo azul de metileno; HP oil.)
(Cortesia de Denny Meyer, Universidade da Flórida).

A necrose e a fibrose podem ocorrer juntas ou separadamente em alguns preparos


citológicos. A morte das células é representada por contornos indistintos e vagos e
por definição de tipo de célula (Fig. 2-24). Uma resposta reparadora acompanhada de
lesão do tecido envolve o aumento da atividade fibroblástica. É comum ver fibrócitos
bem reativos (Fig. 2-25) acompanhados de inflamação grave. É preciso ter cuidado
para não interpretar mal essa reatividade como uma condição neoplásica.
Figura 2-24. Necrose. Tecido aspirado. Cão. Os nucléolos proeminentes permanecem visíveis,
enquanto o outro tecido degenerou, transformando-se em decomposição amorfa azul-acinzentada que
representa material necrótico. A amostra foi colhida de um caso de carcinoma prostático em que o
local necrótico era focal. (Wright–Giemsa; HP oil.)

Figura 2-25. Fibroplasia reativa. Raspado de tecido. Gato. Massa oral associada a inflamação
séptica. Estão ilustradas diversas células caracteristicamente mesenquimais, com aparência estrelada a
fusiforme e núcleos proeminentes que se encontram dentro da inflamação supurativa. A gravidade da
reação inflamatória exige cautela ao sugerir uma massa mesenquimal maligna ou sarcoma. Observe
que o aspecto nuclear alinhado aparece como fibras de cor púrpura. (Base aquosa Wright; HP oil.)

Neoplasia

Aspectos Gerais
A neoplasia é inicialmente diagnosticada quando uma população de células
monomórficas está presente e não há inflamação significativa. A classificação
continua, em tipos benignos e malignos, com base nas características
citomorfológicas. As células benignas apresentam uniformidade em tamanho, relação
núcleo-citoplasmática e outros aspectos nucleares. As células malignas em geral
apresentam três ou mais critérios (Quadro 2-2 e Figs. 2-26 a 2-32) de imaturidade
celular ou atipia, que devem ser identificados antes que um diagnóstico de
malignidade seja feito. Nos casos de diagnóstico duvidoso ou de inflamação grave,
recomenda-se o exame histopatológico.

QUADRO 2-2 Critérios Citológicos Usados para Identificar Células Malignas


Pleomorfismo de tamanho, formato ou estado de maturação da célula entre células de origem
similar (Fig. 2-26)

Relação núcleo-citoplasmática alta ou variável (Fig. 2-27)

Variação no tamanho nuclear, chamada de anisocariose (Fig. 2-27)

Aglutinação da cromatina nuclear comum (Fig. 2-28)

Nucléolos múltiplos, expandidos e de formas variadas (Fig. 2-29)

Moldagem nuclear relacionada ao rápido crescimento das células (Fig. 2-30)

Multinucleação (Fig. 2-31)

Aparência mitótica anormal evidente como divisões irregulares e isoladas ou cromatina com atraso
(Fig. 2-32)

Figura 2-26. Pleomorfismo. Tecido aspirado. Cão. As células de um carcinoma de células


transicionais apresentam variação de tamanho e forma que sugere malignidade. (Wright–Giemsa; HP
oil.)
Figura 2-27. Anisocitose, anisocariose. Tecido aspirado. Cão. Um exemplar de
adenocarcinoma pulmonar com diversos aspectos de malignidade. Esses aspectos incluem relação
núcleo-citoplasmática alta e variável, anisocariose, binucleação e cromatina nuclear grosseira.
(Wright–Giemsa; HP oil.)

Figura 2-28. Cromatina grosseira. Tecido aspirado. Cão. O mesmo caso da Figura 2-26. O
material nuclear é mosqueado com espaços claros e escuros claramente evidentes. Associa-se essa
aparência ao epitélio transicional neoplásico, mas ele também pode ser visto com outros tecidos. Vê-se
a binucleação em uma célula, e o aspecto mitótico está presente no canto inferior. (Wright–Giemsa;
HP oil.)

Figura 2-29. Núcleos proeminentes. Tecido aspirado. Cão. O mesmo caso da Figura 2-24.
Encontra-se em cada núcleo uma célula binucleada com núcleos bem grandes. Nota-se um nucléolo
proeminente na célula adjacente, que também apresenta cromatina grosseira ou aglutinação de
cromatina. (Wright–Giemsa; HP oil.)

Figura 2-30. Amoldamento nuclear. Tecido aspirado. Cão. Condrossarcoma nasal ilustrado
com uma célula binucleada na qual um núcleo está envolto no outro. Esse aspecto está presente em
tecidos malignos e está relacionado à falta de inibição normal do crescimento da célula. (Wright–
Giemsa; HP oil.)

Figura 2-31. Multinucleação. Imprint de tecido. Cão. Feocromocitoma com duas células
multinucleadas, uma no lado inferior esquerdo com três núcleos e a outra à direita do centro com uma
região nuclear de forma irregular. Encontra-se também multinucleação nas neoplasias epiteliais,
mesenquimais e de células redondas. (Wright–Giemsa; HP oil.)
Figura 2-32. Mitose anormal. Tecido aspirado. Cão. O mesmo caso da Figura 2-26. Os
fragmentos cromossômicos estão dispersos irregularmente com alguns isolados do resto, são
chamados de cromatina com atraso. O aumento da atividade mitótica pode ser um indício de
malignidade, mas a divisão anormal é diagnóstico para malignidade. (Wright–Giemsa; HP oil.)

Categorias Citomorfológicas
As neoplasias podem ser divididas em quatro categorias gerais para auxiliar a
elaboração da interpretação citológica restringindo-se à lista de diagnósticos
diferenciais (Perman et al., 1979, Alleman e Bain, 2000). As categorias listadas na
Tabela 2-1 baseiam-se não na função ou origem da célula, mas em suas características
citomorfológicas gerais. Os dois primeiros termos são tirados da embriologia (Noden e
de Lahunta, 1985).

Tabela 2-1 Categorias Citomorfológicas da Neoplasia

Categoria Aspectos Gerais Exemplos

Epitelial Disposição de células justa, aglutinada Carcinoma de células transicionais, pulmonar

Mesenquimal Células individualizadas, Hemangiossarcoma, osteossarcoma


fusiformes a ovais

Célula Células individualizadas Linfoma, tumor venéreo transmissível


arredondada redondas, distintas

Núcleos nus Células frouxamente aderentes e com núcleos Tumores da tireoide, paragangliomas
arredondados e livres

Neoplasias Epiteliais
Associa-se esse tipo de neoplasma a um aglomerado de células em forma de bolas ou
lâminas de monocamadas. A origem celular dessas neoplasias em geral envolve tecido
glandular ou parênquima e superfícies de revestimento. São exemplos de neoplasias
epiteliais adenocarcinomas pulmonares (Fig. 2-33), adenoma perianal (tumor
hepatoide), tumor basocelular, adenoma sebáceo, carcinoma de célula transicional
(Fig. 2-34) e mesotelioma. Os aspectos citológicos específicos das neoplasias epiteliais
incluem as seguintes características:

• As células esfoliam em grupos compactos ou lâminas

• As células aderem umas às outras e podem apresentar junções compactas distintas


chamadas de desmossomos (Fig. 2-35)

• As células são grandes e redondas a poligonais com bordas citoplasmáticas intactas


e bem definidas

• Os núcleos são arredondados a ovais

Figura 2-33. Neoplasia epitelial. Lavado pulmonar. Cão. Grandes aglutinações de células
aderentes com bordas distintas de um caso de adenocarcinoma pulmonar. (Wright–Giemsa; IP.)
(Cortesia de Robert King, Gainesville, Flórida.)
Figura 2-34. Neoplasia epitelial. Tecido aspirado. Cão. Mesmo caso da Figura 2-26. As células
se transformam em bolas apertadas ou lâminas. Os núcleos são arredondados a ovais, e as células são
grandes, arredondadas a poligonais, com margens citoplasmáticas bem definidas. (Wright–Giemsa; HP
oil.)

Figura 2-35. Desmossomos. Tecido aspirado. Cão. Mesmo caso da Figura 2-24. Uma lâmina de
células de carcinoma com desmossomos proeminentes. Essas linhas claras (seta) entre as células
adjacentes representam as junções compactas do tecido que são características de células epiteliais.
(Wright–Giemsa; HP oil.)

Neoplasias Mesenquimais
As neoplasias com aparência mesenquimal fazem lembrar o tecido conjuntivo
embrionário, o mesênquima. Esse tecido fica disposto de forma frouxa, normalmente
com matriz extracelular abundante (Noden e de Lahunta, 1985) e células fusiformes
individualizadas ou células estreladas (Bacha 2000). As neoplasias mesenquimais
benignas e malignas frequentemente têm origem em elementos do tecido conjuntivo,
tais como fibroblastos, osteoblastos, adipócitos, miócitos e as células de revestimento
vascular. Exemplos de neoplasias mesenquimais incluem o hemangiossarcoma (Fig. 2-
36), o osteossarcoma (Fig. 2-37), o hemangiopericitoma e o melanoma amelanótico
(Fig. 2-38). Os aspectos citológicos específicos de neoplasias mesenquimais incluem os
seguintes:

• As células geralmente esfoliam individualmente (entretanto, grupos de células são


vistos ocasionalmente)

• As células são ovais, estreladas ou fusiformes, com bordas citoplasmáticas


geralmente indistintas

• As amostras são frequentemente de celularidade pobre


• As células são em geral menores comparadas às células epiteliais

• Os núcleos são arredondados a ovais

Figura 2-36. Neoplasias mesenquimais. Marca no tecido. Cão. As células neoplásicas esfoliam
individualmente e apresentam-se ovais ou fusiformes. Esta lesão óssea foi confirmada como
hemangiossarcoma pelo exame histológico. A característica da citologia do hemangiossarcoma é uma
amostra celular insuficiente com células mesenquimais plump arredondadas que contêm vacúolos
citoplasmáticos com numerosos pequenos pontos. (Wright–Giemsa; HP oil.)

Figura 2-37. Neoplasias mesenquimais. Tecido aspirado. Cão. Células pleomórficas


individualizadas, com material osteoide eosinofílico extracelular abundante que é compatível com
osteossarcoma. Formas binucleares e multinucleares são comuns e vistas nesta amostra. (Wright–
Giemsa; HP oil.)
Figura 2-38. Neoplasias mesenquimais. Marca no tecido. Cão. Núcleos redondos a ovais,
anisocariose, relação núcleo-citoplasmática alta, nucléolos proeminentes e em formatos variáveis e
células individualizadas com bordas citoplasmáticas indistintas que sugerem uma neoplasia
mesenquimal maligna. Esta lesão é proveniente de uma massa gengival com diagnóstico de melanoma
amelanótico confirmado histologicamente. Uma célula ao centro contém pequenas quantidades de
grânulos de pigmento de melanina. (Base aquosa Wright; HP oil.)

Neoplasias de Células Arredondadas


Essas neoplasias têm formas celulares redondas e distintas e em geral estão associadas
a células hematopoiéticas. Exemplos de neoplasias de células redondas incluem
mastocitoma, histiocitoma, linfoma (Fig. 2-39), plasmocitoma e tumor venéreo
transmissível (Fig. 2-40). As características citológicas específicas das neoplasias de
células redondas incluem o seguinte:

• As células esfoliam individualmente e têm bordas citoplasmáticas bem definidas

• O formato da célula em geral é redondo

• As amostras são moderadamente celulares

• As células são frequentemente menores em comparação às células epiteliais

• Os núcleos são redondos a denteados


Figura 2-39. Neoplasia de células arredondadas (distintas). Tecido aspirado. Cão. Células
distintas com formato redondo, bordas citoplasmáticas distintas e uma relação núcleo-citoplasmática
bem alta são características de células linfoides. Esta amostra é de um linfonodo ofuscado pelas células
do linfoma. (Wright–Giemsa; HP oil.)

Figura 2-40. Neoplasia de células arredondadas (distintas). Tecido aspirado. Cão. Esta massa
vulvar carnosa compõe-se de células redondas apoiadas em um único nucléolo proeminente e
citoplasma moderadamente abundante com formação de vacúolos citoplasmáticos pontilhados e
frequentes. O diagnóstico citológico é de tumor venéreo transmissível. (Wright–Giemsa; HP oil.)

Neoplasias de Núcleos Nus


As neoplasias de núcleos nus têm uma disposição celular frouxamente aderente e com
os núcleos livres. Essa aparência citológica é um artefato relacionado à natureza
frágil dessas células. Essas neoplasias estão normalmente associadas a tumores
endócrinos e neuroendócrinos. Os exemplos incluem tumores tireoidianos (Fig. 2-41),
tumores de células das ilhotas e paragangliomas (Fig. 2-42). Os aspectos citológicos
específicos de neoplasias de núcleos nus incluem o seguinte:

• As células esfoliam em lâminas frouxamente coesas com muitos núcleos livres


presentes, e frequentemente têm bordas citoplasmáticas indistintas
• Aglomerados ocasionais de células podem estar presentes com contornos de células
bem definidos

• O formato da célula geralmente é redondo a poligonal

• As amostras são altamente celulares

• Os núcleos são redondos a denteados

Figura 2-41. Neoplasia de núcleos nus. Tecido aspirado. Cão. Massa cervical na área da
tireoide de um animal com tosse semelhante ao grasnar dos gansos. Citologicamente a amostra se
apresenta como um sincício de núcleos redondos com aspectos relativamente uniformes. Isso é
característico de uma massa endócrina. Tipicamente, a distinção entre hiperplasia, adenoma e
carcinoma é difícil citologicamente e às vezes histologicamente. (Wright–Giemsa; HP oil.)

Figura 2-42. Neoplasia de núcleos nus. Marca no tecido. Cão. Os sinais clínicos incluem uma
inclinação da cabeça e atrofia muscular. A imagem da ressonância magnética sugeriu uma massa que
envolve a bolha óssea. A cirurgia encontrou uma massa na bifurcação da artéria carótida comum.
Citologicamente, o preparo contém principalmente núcleos redondos relaxados ou livres contra um
fundo eosinofílico granular refinado. Algumas células intactas continuam com o citoplasma pálido nas
bordas e ao centro. Há uma célula vermelha nucleada (seta) próxima à célula central intacta, o que
indica uma hematopoiese extramedular. O diagnóstico histológico é de paraganglioma,
especificamente um quemodectoma maligno neste caso, já que se metastatizou e envolveu o órgão
quimiorreceptor nesse local. (Wright–Giemsa; HP oil.)

Ponto-Chave
A aplicação dessas quatro categorias citomorfológicas pode ajudar a classificar as lesões neoplásicas
por sua aparência celular geral e sugerir tipos de tumores específicos. Lembre-se que essas categorias
podem não se adequar a algumas neoplasias, especialmente para tumores mal diferenciados.
Recomenda-se que sejam colhidas amostras de biópsia para exames histopatológicos a fim de
determinar o tipo específico de tumor e a extensão da lesão.

Referências

Alleman A.R., Bain P.J. Diagnosing neoplasia: the cytologic criteria for malignancy. Vet Med.
2000;95:204-223.

Bacha W.J., Bacha L.M. Color atlas of veterinary histology, ed 2. Philadelphia: Lippincott Williams &
Wilkins; 2000. pp 13-15
Flanders E., Kornstein M.J., Wakely P.E., et al. Lymphoglandular bodies in fine-needle aspiration
cytology smearsm. Am J Clin Pathol. 1993;99:566-569.
Noden D.M., de Lahunta A. The embryology of domestic animals. Baltimore: Williams & Wilkins; 1985.
pp 10-11

Perman V., Alsaker R.D., Riis RC:. Cytology of the dog and cat. South Bend, IN: American Animal Hospital
Association; 1979. pp 4-7
Capítulo 3

Pele e Tecido Subcutâneo

Rose E. Raskin

Histologia e citologia normais

Há diferenças regionais na histologia da pele de cães e gatos no que diz respeito à


espessura da epiderme e derme (Fig. 3-1A). Em geral, a epiderme é composta por
várias camadas de epitélio escamoso, incluindo uma camada queratinizada, uma
camada granular, uma camada espinhosa e uma camada basal. As estruturas anexas à
epiderme incluem folículo piloso, glândulas sudoríparas e glândulas sebáceas (Fig. 3-
1B). A derme, encontrada abaixo da camada epidérmica, apresenta as estruturas
anexas, faixas de músculo liso, vasos sanguíneos e linfáticos e fibras elásticas e de
colágeno de variados tamanhos. Sob a derme, descansa o subcutâneo, composto por
uma mistura de tecido adiposo frouxo e feixes de colágeno. A citologia normal da
derme e do subcutâneo apresenta uma mistura de epitélio escamoso epidérmico e
elementos glandulares bem diferenciados, bem como tecido adiposo e colágeno
maduros. As células basais são redondas e bastante basofílicas, com uma alta
proporção núcleo-citoplasma. As células de outras camadas epidérmicas são
denominadas queratinócitos, devido à sua composição de queratina. Já as células
poligonais da camada granular são citologicamente evidentes, por apresentarem
grânulos de querato-hialina de coloração basofílica a magenta dentro de um
citoplasma abundante levemente basofílico, tendo núcleo pequeno e contraído. A
camada mais superficial queratinizada consiste em escamas achatadas, nitidamente
delimitadas, hialinizadas, de coloração azul-esverdeada, que não apresentam núcleo.
As escamas alongadas, de coloração azul-escuro a púrpura, são denominadas barras de
queratina e apresentam células de forma cilíndrica ou espiral. Os melanócitos, que se
originam da crista neural, estão localizados dentro da camada basal da epiderme ou
da matriz pilosa. Os grânulos finos dos melanócitos de coloração marrom-escura ou
verde-escura podem ser observados em alguns queratinócitos. Também pode haver
um baixo número de mastócitos das regiões perivascular e perifolicular.
Figura 3-1. Secção histológica da pele normal. Cão. A, Secção da pele com folículos pilosos de
uma área do quadril; observam-se a epiderme (E), a derme (D) e o subcutâneo (S). Observam-se
folículos pilosos compostos, os quais são comuns em cães e gatos. (H&E; LP.) B, Secção da pele do
abdômen. A derme contém estruturas anexas de folículos pilosos, glândulas sebáceas (setas cheias) e
ductos de glândulas sudoríparas (setas abertas). Em adição, agrupamentos densos e frouxos estão
presentes na derme. (H&E; LP.)

Aparência normal do epitélio

Ponto-Chave

A presença de um único epitélio maduro em uma massa de pele costuma indicar uma condição não
neoplásica.

Lesões semelhantes a tumores, não inflamatórias e não neoplásicas correspondem


a, aproximadamente, 10% das lesões de pele retiradas de cães e gatos (Goldschmidt e
Shofer, 1992). Isso inclui os cistos e a hiperplasia glandular.

Cisto Epidérmico ou Cisto Folicular


Também denominado cisto de inclusão epidérmica ou cisto epidermoide, ele é
encontrado em um terço a metade das lesões semelhantes a neoplasias não
inflamatórias e não neoplásicas removidas de cães e gatos, respectivamente
(Goldschmidt e Shofer, 1992). Ocorre mais frequentemente em cães de meia-idade ou
mais idosos (Yager e Wilcock, 1994). Os cistos podem ser únicos ou múltiplos, firmes
ou flutuantes, de aparência lisa, redonda e bem circunscrita. Costumam estar
localizados no dorso e nas extremidades (Goldschmidt e Shofer, 1992). O revestimento
do cisto surge de epitélio escamoso bem diferenciado (Fig. 3-2A). Por definição, a
ausência de diferenciação anexa, sem conexão com a superfície da pele
histologicamente, chama-se cisto de inclusão epidérmica. O cisto folicular mais comum
caracteriza-se por folículo piloso afunilado distendido que se abre para a superfície
através de um poro (Fig. 3-2A). A distinção não pode ser obtida citologicamente.
Barras de queratina, escamas ou outros queratinócitos são predominantes na citologia
(Fig. 3-2B). A degradação dos cistos dentro das células pode levar à formação de
cristais de colesterol, que parecem placas retangulares, irregularmente cortadas e
coradas negativamente, mais bem vistas contra as estruturas basofílicas amorfas do
fundo da lâmina (Fig. 3-2C). Suspeita-se que surjam de traumatismos friccionais que
levam a obstrução do óstio folicular, quando encontrados sobre pontos de pressão.
Imagina-se que os cistos do leito ungueal (Fig. 3-2D) ocorram devido a traumatismos
que permitem a entrada de microrganismos na camada epidérmica em tecidos de
base, criando cistos de inclusão epitelial (Gross et al., 2005). Múltiplos cistos podem
apresentar bases de desenvolvimento e/ou ambiental para sua formação (Gross et al.,
2005). O comportamento desses cistos é benigno, mas a ruptura da parede desses
cistos pode induzir à formação de celulite piogranulomatosa localizada. Quando isso
ocorre, neutrófilos e macrófagos são frequentes. Para evitar essa resposta
inflamatória, a cirurgia costuma estar indicada, e o prognóstico é excelente.

Figura 3-2. A, Cisto folicular. Secção tecidual. Cão. A grande estrutura cística é composta de
lâminas de queratina circundadas por uma fina margem de epitélio escamoso estratificado. Observam-
se os cistos pequenos próximos a poros que se abrem na superfície, sugerindo que essas áreas são de
origem folicular. (H&E; LP.) B-C, Cisto folicular. Aspirado tecidual. Cão. B, Resíduos celulares
amorfos com epitélio escamoso anuclear e barras de queratina. (Wright; óleo HP.) C, Os cristais de
colesterol aparecem como placas claras retangulares visíveis contra o fundo proteináceo. (Wright; óleo
HP.) D, Cisto leito ungueal. Aspirado tecidual. Cão. Observa-se uma densa coleção de células
epiteliais escamosas queratinizadas, algumas vezes pigmentadas por sua coloração hialinizada
turquesa e formato angular (Wright-Giemsa; IP).

Diagnóstico citológico diferencial: acantoma queratinizante infundibular, cisto dermoide, tumores


foliculares.

Cisto Apócrino
Esta é uma lesão comum em cães e gatos formada pela oclusão do ducto apócrino ou
da glândula sudorípara. Macroscopicamente, surge como uma edemaciação flutuante
preenchida por um líquido sem coloração a marrom-claro, que pode se tornar marrom
e gelatinoso devido ao espessamento. Na citologia, tal líquido normalmente é
acelular, tendo um fundo claro. O tratamento envolve excisão cirúrgica, e o
prognóstico é excelente.

Diagnóstico citológico diferencial: hiperplasia da glândula apócrina, adenoma da glândula


apócrina.

Hiperplasia Nodular Sebácea


Macroscopicamente, tais massas são únicas ou múltiplas e frequentemente lembram
verrugas. Na maioria das vezes, medem menos de 1 cm de diâmetro, e possuem
superfície elevada, com rarefação pilosa e aspecto de couve-flor ou papilífero. A
hiperplasia sebácea é mais prevalente que o adenoma sebáceo (Yager e Wilcock,
1994). Essas afecções são mais comuns em cães idosos e menos comuns em gatos. A
distinção não é realizada citologicamente e pode ser difícil até mesmo
histologicamente, quando deve ser feita distinção entre hiperplasia sebácea e
adenoma sebáceo. A proliferação simétrica de lóbulos sebáceos maduros agrupados ao
redor de um ducto queratinizante escamoso alinhado é a base histopatológica usada
para classificar a condição de hiperplasia (Gross et al., 2005). Células sebáceas
epiteliais maduras são vistas citologicamente, às vezes em agrupamentos ou
individualmente, como células espumosas e pálidas com um núcleo centralmente
localizado, pequeno e denso, quase sempre erroneamente identificadas como
macrófagos fagocíticos. Estas são proliferações benignas que apresentam um
excelente prognóstico após excisão cirúrgica.

Diagnóstico citológico diferencial: adenoma sebáceo.

Inflamação não infecciosa

Dermatite Acral por Lambedura/Granuloma por Lambedura


Esta é uma resposta inflamatória crônica a lambedura ou mastigação persistente de
um membro, produzindo uma placa em alto-relevo espessa e firme que, muitas vezes,
se torna ulcerada (Fig. 3-3A). As causas incluem agentes infecciosos, reações de
hipersensibilidade, traumatismo e psicogênese. Citologicamente, há uma população
mista de células inflamatórias mononucleares, incluindo plasmócitos e epitélio
escamoso intermediário (Fig. 3-3B) relacionado à acantose, isto é, hiperplasia da
camada epidérmica do estrato espinhoso. A resposta curativa à erosão da superfície
pode produzir células fibroblásticas, que aparecem na amostra citológica como células
fusiformes volumosas, junto com numerosos eritrócitos relacionados a aumento da
vascularização. As lesões podem também envolver uma infecção bacteriana
secundária com supuração. O tratamento deve ser determinado pela causa de base e
costuma envolver o controle do pioderma superficial.
Figura 3-3. Dermatite por lambedura. Cão. A, Lesão ulcerada, espessa e com rarefação pilosa no
membro. B, Aspirado tecidual. Folhas de epitélio escamoso intermediário predominam em relação à
epiderme espessada observada nesses casos. Adjacente ao neutrófilo no lado esquerdo inferior observa-
se uma célula fibroblástica (seta) presente em resposta à reação estromal. (Wright; óleo HP.)
(A, Cortesia de Rosanna Marsella, Gainesville, Flórida.)

Diagnóstico diferencial citológico: reação a corpo estranho, reação a mordida deartrópode.

Reação a Corpo Estranho


Essas reações são ocasionadas pela penetração de material vegetal, animal ou
inorgânico na pele, produzindo uma ferida eritematosa, que progride a uma resposta
nodular que, muitas vezes, drena líquido. Citologicamente, há uma resposta
inflamatória mista, composta principalmente por macrófagos e linfócitos, com um
pequeno número de neutrófilos e, possivelmente, eosinófilos (Fig. 3-4A-C). Células
gigantes multinucleadas costumam estar presentes. Uma resposta fibroblástica é
comum. Uma infecção bacteriana secundária pode ocorrer. O tratamento inclui
exploração cirúrgica ou excisão com biópsia histológica e cultura, se necessário.
Figura 3-4. A, Reação a corpo estranho. Esfregaço do de sedimento tecidual. Cão.
Predominam pequenos linfócitos e macrófagos, ocasionalmente observam-se neutrófilos. Notam-se
células gigantes, o que sugere reação inflamatória granulomatosa. A reação inflamatória era
secundária a calcinose circunscrita, que foi diagnosticada por histopatologia. (Wright em base aquosa;
óleo HP.) B-C, O mesmo caso. Reação vacinal. Esfregaço de aspirado tecidual. Cão. B,
Intumescimento subcutâneo firme entre as lâminas do ombro. Observa-se uma população celular mista
composta por neutrófilos não degenerados, macrófagos, fibroblastos, eosinófilos (não mostrados na
imagem) e ocasionais linfócitos pequenos e médios contra um fundo hemodiluído. Em alguns casos,
uma população mista de linfócitos pode predominar (não mostrada na imagem). (Wright-modificado;
óleo HP.) C, Muitos macrófagos contendo material globular de tamanho variável de coloração
magenta brilhante. Esse material pode por vezes estar presente extracelularmente (não mostrado na
imagem) e é compatível com adjuvante vacinal mucopolissacarídeo. (Wright-modificado; óleo HP.)

Diagnóstico citológico diferencial: lesões inflamatórias fúngicas, bacterianas, não infecciosas ou


por mordida de artrópodes.

Reação por a Mordida de Artrópode


Mordidas de insetos, carrapatos e aranhas, por exemplo, induzem uma reação
moderada a grave caracterizada frequentemente por eritema, edemaciação, com
necrose aguda, que aparece na avaliação histopatológica como furunculose
eosinofílica ou mais tarde como um granuloma (Gross et al., 2005). Na avaliação
citológica, observam-se um infiltrado inflamatório misto composto por neutrófilos,
macrófagos e, frequentemente, um número elevado de eosinófilos relacionado a uma
reação de hipersensibilidade (Fig. 3-5A-B). Essas lesões, muitas vezes, regridem
espontaneamente, porém, em alguns casos, podem ser necessários cuidados
adicionais.

Figura 3-5. Reação à mordida de artrópode. Aspirado tecidual. Cão. A, Linfócitos pequenos e
de tamanho intermediário infiltrados em uma massa na região ventral do pescoço em adição a um
baixo número de eosinófilos e neutrófilos. (Wright-Giemsa; óleo HP.) B, Uma pequena massa dérmica
no focinho exibe uma população mista de células inflamatórias com numerosos eosinófilos e um
mastócito desgranulado (seta) em adição a muitos neutrófilos, tanto degenerados quanto não
degenerados. (Wright-modificado; óleo HP.)

Diagnóstico citológico diferencial: reações fúngicas, bacterianas, não infecciosas ou a corpo


estranho.

Paniculite/Esteatite Nodulares
As causas não infecciosas de paniculite são traumatismo, corpos estranhos, reações
vacinais, condições imunomediadas, reações medicamentosas, afecções pancreáticas,
deficiências nutricionais e idiopatia. A condição aparece no gato e no cão como lesão
solitária ou múltipla, firme a flutuante, em alto-relevo e bem demarcada. A lesão
pode vazar um líquido oleoso de coloração amarelo-amarronzada (Fig. 3-6A). Os
locais de prevalência são tronco dorsal, pescoço e região próxima aos membros.
Citologicamente, predominam neutrófilos não degenerados e macrófagos contra um
fundo vacuolizado composto por tecido adiposo (Fig. 3-6B e C). Pequenos linfócitos e
plasmócitos podem estar em grande número, especialmente em lesões induzidas por
reações vacinais. Macrófagos costumam aparecer, com citoplasma espumoso e
abundante ou como formas gigantes multinucleadas. Quando crônica, indica-se a
evidência de fibrose, pela presença de células fusiformes volumosas com imaturidade
nuclear. A fibrose pode ser tão extensa que sugeriria uma neoplasia mesenquimal. O
prognóstico é comumente bom para lesões solitárias que respondem à excisão
cirúrgica. Histologicamente, na paniculite estéril podem-se observar células
inflamatórias no subcutâneo (Fig. 3-6D) que se estendem à derme. Lesões múltiplas
estão, muitas vezes, associadas a doenças sistêmicas em cães jovens, e o tratamento
envolve a administração de glicocorticoides. Dachshunds e poodles são predispostos a
essa forma da doença. Recomendam-se cultura e avaliação histopatológica para
descartar as causas de infecção. Colorações específicas para fungos devem ser
utilizadas nas amostras citológicas.

Figura 3-6. A-B, Paniculite nodular estéril. Cão. A, Nódulo úmido e drenante de um membro.
B, Secreção tecidual. Tratos drenantes na região lombar de poodle de um ano de idade. Não foram
observados agentes infecciosos. Numerosos neutrófilos degenerados estão presentes, vários
macrófagos epitelioides e linfócitos ocasionais. (Wright-Giemsa; óleo HP.) C, Paniculite traumática.
Aspirado tecidual. Gato. Massa subcutânea no tórax ventral (esterno) exibindo um fundo de lipídios
livres e ocasionais cristais de coloração amarelo-esverdeada, que se presume serem minerais (setas).
Observam-se vários macrófagos com fina vacuolização e neutrófilos não degenerados. (Wright-Giemsa;
óleo HP.) D, Paniculite nodular estéril. Secção tecidual. Cão. Coleções focais de neutrófilos e
macrófagos aparecem dentro do tecido subcutâneo deste animal, o qual foi apresentado com múltiplos
nódulos subcutâneos. Nenhuma evidência de agente infeccioso foi encontrada. (H&E; LP.)
(A, Cortesia de Leslie Fox, Gainesville, Flórida.)

Diagnóstico citológico diferencial: paniculite infecciosa.

Granuloma/Placa Eosinofílica
A placa eosinofílica felina inicialmente apresenta-se como áreas alopécicas focais de
intenso prurido que progridem para ulceração com exsudação. Essa alteração é
associada a alergia por mordida de pulga, alergia alimentar e atopia. Os locais
acometidos incluem a face, o pescoço, o abdômen e a face medial das coxas. As lesões
podem se infeccionar secundariamente com bactérias. Citologicamente, predominam
eosinófilos e mastócitos, com poucos linfócitos. Quando as lesões se tornam
secundariamente infectadas, o número de neutrófilos é proeminente. O tratamento
inclui a administração de glicocorticoides e antibióticos, caso seja necessário.

O granuloma eosinofílico ocorre em cães e gatos jovens, em resposta a uma reação


de hipersensibilidade semelhante à formação de placa. Macroscopicamente, as lesões
podem aparecer como bandas lineares em alto-relevo de tecido amarelado a
eritematoso ao longo da face posterior dos membros pélvicos ou como pápulas e
nódulos no nariz, orelhas e patas. Essas lesões foram observadas na cavidade oral.
Citologicamente, observa-se uma resposta inflamatória mista, com macrófagos,
linfócitos, plasmócitos, neutrófilos e um número elevado de eosinófilos e mastócitos
(Fig. 3-7A). Raramente, há células gigantes multinucleadas. Pode ocorrer necrose do
colágeno como resultado da liberação dos grânulos dos eosinófilos, originando o
aparecimento ocasional de material basofílico amorfo no fundo da lâmina (Fig. 3-7B).
O número de eosinófilos costuma ser menor do que o observado na placa eosinofílica.
Recomendam-se a excisão cirúrgica para lesões nodulares solitárias.
Figura 3-7. Granuloma eosinofílico. Aspirado tecidual. Gato. A-B, O mesmo caso. A,
Observam-se coleções densas de eosinófilos, muitos dos quais se apresentam desgranulados. (Wright-
Giemsa; óleo HP.) B, Colagenólise aparece como material amorfo basofílico associado a eosinófilos
desgranulados. (Wright-Giemsa; IP.)

Diagnóstico citológico diferencial: reação por mordida de artrópodes, reação a corpo estranho.

Pênfigo Foliáceo
Esta é a doença de pele autoimune mais comum em cães e gatos. Sua ocorrência está
associada a medicamentos, doença crônica e causas espontâneas. Macroscopicamente,
as lesões aparecem como máculas eritematosas que progridem para pústulas brancas
ou amarelas e, finalmente, crostas (Fig. 3-8A). A cabeça e as patas são os locais de
preferência, embora orelhas, tronco e pescoço também sejam comumente acometidos
no gato. Em um imprint direto da crosta ou em um aspirado da pústula, observam-se
neutrófilos não degenerados e células acantolíticas aparecendo como queratinócitos
ovais individualizados corados intensamente (Fig. 3-8B). Eosinófilos também podem
ser observados, mas não costuma haver infecção bacteriana. O tratamento inclui o
uso de antibióticos e imunoterapia. É recomendada a biópsia excisional das lesões
iniciais. São necessários avaliação histológica e testes de imunofluorescência direta
para detecção de anticorpos ou testes de coloração de imunoperoxidase direta para
distinguir os diferentes tipos de pênfigo. Testes de anticorpo antinuclear também são
úteis.

Figura 3-8. A, Pênfigo foliáceo. Gato. Lesões crostosas e eritematosas nos pavilhões auriculares.
B, Células acantolíticas. Aspirado de pústula. Gato. Queratinócitos individualizados e densamente
corados de uma pústula cutânea de um animal com pênfigo foliáceo. Muitas vezes, essas células estão
associadas a dermatopatia imunomediada. Numerosos neutrófilos, a maioria não degenerada. (Wright-
Giemsa; óleo HP.)
(A, Cortesia de Janet Wojciechowski, Gainesville, Flórida.)
Diagnóstico citológico diferencial: pioderma.

Xantoma Cutâneo
A xantomatose é uma inflamação granulomatosa incomum que ocorre em felinos,
aves e anfíbios. Essa afecção está relacionada primariamente ou secundariamente a
diabetes melito, dietas com alto teor de gordura e hiperquilomicronemia hereditária
(Gross et al., 2005). A deposição de colesterol e triglicérides em tecidos resulta em
macrófagos carregados de lipídios. Macroscopicamente, as lesões são placas ou
nódulos únicos ou múltiplos de coloração branca a amarela, que podem ulcerar ou
drenar material caseoso. Os locais preferidos são face, tronco e coxins.
Citologicamente, observam-se numerosos macrófagos espumosos nos aspirados (Fig.
3-9A) que se coram positivamente com corantes lipídicos (Fig. 3-9B). Linfócitos e,
ocasionalmente, eosinófilos ou neutrófilos também estão presentes. Histologicamente,
fendas de colesterol e células gigantes podem ser proeminentes (Fig. 3-9C). O
tratamento objetiva a identificação e o controle da causa de base.

Figura 3-9. Xantomatose cutânea. Gato. A-C, O mesmo caso. A, Aspirado tecidual. Células
gigantes multinucleadas e macrófagos mononucleares espumosos predominam nesta amostra. Este
gato da raça siamês, de um ano de idade, foi apresentado com múltiplas massas cutâneas. (Wright-
Giemsa; óleo HP.) B, Aspirado tecidual. Esta coloração demonstra os lipídios contidos dentro do
citoplasma de macrófagos de tamanhos variados. (Óleo vermelho O/novo azul de metileno; óleo HP.)
C, Secção tecidual. Agregados de células gigantes circundam agrupamentos de fendas de colesterol
dentro da derme. (H&E; IP.)

Diagnóstico citológico diferencial: granuloma estéril; por exemplo, reação a corpo estranho.

Inflamação infecciosa

Abscesso Bacteriano Agudo e Pioderma


O abscesso é uma lesão subcutânea comum em gatos e cães, muitas vezes relacionada
a mordida ou outras feridas penetrantes. Pode estar localizado na pele ou associado a
sinais sistêmicos. A área acometida é firme a flutuante, inchada, eritematosa, quente
e dolorosa. Um exsudato branco cremoso pode ser aspirado, o qual se caracteriza
citologicamente por numerosos neutrófilos degenerados nos quais se observam
cariólise, cariorrexe e picnose (Cap. 2). Bactérias podem ser encontradas em
associação a núcleos redondos e de tamanho aumentado. O diagnóstico inclui cultivo
e teste de sensibilidade, com o tratamento objetivando a incisão cirúrgica e o uso de
antibióticos.
O pioderma profundo manifesta-se como uma inflamação bacteriana que se estende
até a derme e os folículos pilosos com subsequente dano ao folículo (furunculose). A
ruptura da parede folicular libera fragmentos de haste do pelo, assim como
queratinas foliculares no tecido ao redor, o que cria uma reação de corpo estranho e
inflamação piogranulomatosa com a formação de um nódulo dérmico (Gross et al.,
2005; Raskin, 2006a). O Staphylococcus intermedius é tipicamente o patógeno
principal, porém outras bactérias ou causas de base iniciam a inflamação. É comum a
ulceração. Células inflamatórias mistas, como neutrófilos e macrófagos, estão
presentes (Fig. 3-10A e B).
Figura 3-10. Pioderma. Aspirado tecidual. Cão. A-B, O mesmo caso. A, Uma massa dérmica
persistente na cauda consiste em uma população mista composta principalmente de neutrófilos
degenerados e células estromais volumosas. (Wright-modificado; óleo HP.) B, Observam-se agregados
de cocos grandes característicos de Staphylococcus espalhados no fundo da lâmina. (Wright-
modificado; óleo HP.)

Celulite Clostridiana
A infecção é geralmente associada a feridas penetrantes. A pele inchada pode estar
crepitante com exsudato serossanguinolento. Citologicamente, nos aspirados teciduais
podem-se observar estruturas grandes e redondas medindo 1 × 4 μm, algumas com
um endosporo subterminal claro e oval, ocorrendo isoladamente ou em cadeias curtas
(Fig. 3-11A). Esse organismo anaeróbico é Gram-positivo (Fig. 3-11B), porém pode
apresentar coloração variável como resultado de uma infecção crônica ou
antibioticoterapia. No fundo da lâmina, muitas vezes são observados resíduos
celulares e lipídios com poucas, ou nenhuma, células inflamatórias. Neutrófilos,
quando presentes, muitas vezes são degenerados. Para o diagnóstico, é necessário
cultura anaeróbica. O tratamento inclui intervenção cirúrgica e administração
apropriada de antibiótico.

Figura 3-11. Celulite clostridial. Aspirado tecidual. Cão. A-B, O mesmo caso. A, Bacilos com
formação terminal de esporos no tecido subcutâneo de um animal com enfisema subcutâneo e lise
óssea adjacente. (Wright-modificado; óleo HP.) B, Estruturas redondas Gram-positivas em cultivo
aeróbico foram confirmadas como Clostridium sp. (Gram; óleo HP.)

Celulite por Rhodococcus equi


A presença de numerosos neutrófilos e macrófagos, esses últimos contendo bactérias
pequenas, redondas a cocoides, deve sugerir infecção por Rhodococcus sp. Relatos de
caso descreveram intumescimentos ulcerativos que, muitas vezes, ocorrem nas
extremidades e envolvem os linfonodos adjacentes (Patel, 2002). Essas bactérias são
oportunistas e acometem animais imunossuprimidos, os quais apresentam altos riscos
de infecção.

Actinomicose/Nocardiose
A infecção apresenta-se como edemaciação subcutânea que progride para ulceração
como exsudação de líquido vermelho-amarronzado. A ocorrência é, frequentemente,
relacionada a feridas penetrantes. As infecções podem estar associadas a sinais
sistêmicos que, muitas vezes, incluem piotórax. Citologicamente, predominam
neutrófilos degenerados com macrófagos e pequenos linfócitos. A bactéria pode estar
presente intracelular ou extracelularmente, sendo a última muitas vezes observada
como agrupamentos densos desses organismos (Fig. 3-12A-C). Tais bactérias são
delgadas, filamentosas, ramificadas, redondas, basofílicas claras, com áreas
pontilhadas vermelhas ou em forma de rosário. Elas podem ser evidenciadas com
coloração de prata (Fig. 3-12D). Histologicamente, são células inflamatórias ao redor
de um emaranhado denso de organismos (Fig. 3-12E). Os Actinomyces sp. são
organismos Gram-positivos e álcool-acidonegativos, enquanto os Nocardia sp., apesar
de serem organismos Gram-positivos, são variavelmente positivos para coloração
álcool-ácido. A cultura é necessária para o diagnóstico do tipo específico, e devem ser
obtidas amostras anaerobicamente. O tratamento inclui drenagem cirúrgica e o uso
de antibióticos apropriados.
Figura 3-12. A, Actinomicose. Aspirado tecidual. Cão. Observam-se agrupamentos basofílicos
de organismos filamentosos que lembram resíduos amorfos. (Wright-Giemsa; óleo HP.) B-C, O mesmo
caso. Nocardiose. Aspirado tecidual. Cão. B, Agrupamentos de organismos circundados por muitos
neutrófilos degenerados e poucos macrófagos. A cultura confirmou a presença de Nocardia sp.
(Wright-Giemsa; óleo HP.) C, Filamentos bacterianos ramificados, em forma de conta de rosário e
finos, são demonstrados neste líquido obtido de um cão com edemaciação no membro pélvico.
(Wright-Giemsa; óleo HP.) D-E, Actinomicose. Cão. D, Aspirado tecidual. Filamentos bacterianos
ramificados, em forma de conta de rosário e finos, corados com coloração de prata. (GMS; óleo HP) E,
Secção tecidual. Celulite piogranulomatosa ao redor de ilhas irregulares de organismos filamentosos
que são Gram-positivos e álcool-acidonegativos. A periferia desses focos contém material hialinizado
densamente eosinofílico que se acredita corresponderem a complexo antígeno-anticorpos. Essa reação
foi denominada fenômeno de Splendori-Hoeppli. (H&E; LP.)

Ponto-Chave
Observar as áreas densas na amostra em busca de emaranhados basofílicos de bactérias.
Dermatofilose
Esta é uma infecção rara em gatos e cães, e geralmente ocorre como resultado de
feridas penetrantes contaminadas com água ou solo infectado. A lesão apresenta-se
como uma massa firme, alopécica e drenante do subcutâneo. O exsudato espesso e
cinza abaixo da superfície crostosa é purulento, com numerosos neutrófilos
degenerados, porém poucos eosinófilos e macrófagos. O organismo aparece como
filamentos ramificados Gram-positivos que se segmentam horizontalmente e
longitudinalmente em formas cocoides (Fig. 3-13). O diagnóstico é realizado por meio
da identificação morfológica do organismo em material de biópsia ou por cultura. O
tratamento envolve a administração de antibióticos apropriados e o correto manejo
da lesão (Carakostas et al., 1984; Kaya et al., 2000).

Figura 3-13. Dermatofilose. Raspado de pele. Equino.Dermatophilus congolensis é visto como


uma fita filamentosa de bactérias em formas cocoides pareadas. (Wright-modificado; óleo HP.)

Micobacteriose
Três formas clínicas de micobacteriose em cães e gatos são reconhecidas, as quais
incluem tubérculos internos, nódulos cutâneos localizados (lepromatosos) e formas
subcutâneas disseminadas (Greene e Gunn-Moore, 2006). A melhor forma de se obter
um diagnóstico é por meio da cultura de tecido e da histopatologia. A identificação
definitiva pode ser obtida pela reação em cadeia da polimerase (PCR) de amostras
teciduais. O tratamento inclui a excisão cirúrgica e a administração de antibióticos
apropriados. A forma tuberculosa relaciona-se ao Mycobacterium tuberculosis, ao
Mycobacterium bovis ou ao complexo oportunista Mycobacterium avium-intracellulare. O
contato com pessoas, bovinos, aves ou solo infectados foi documentado. A doença
pode estar associada a animais imunossuprimidos. Essa forma caracteriza-se por uma
doença sistêmica com perda de peso, febre e linfadenopatia. Embora os órgãos
internos sejam mais acometidos, os nódulos cutâneos aparecem na cabeça, nopescoço
e nos membros de cães e gatos (Miller et al., 1995). Tais organismos apresentam
crescimento lento, necessitando normalmente de 4 a 6 semanas para a cultura. A
detecção pode ser acelerada para 2 semanas, e pode ser necessário o uso de PCR e
outras técnicas moleculares para identificação. Citologicamente, macrófagos contendo
poucos a muitos bacilos em forma de contas de rosário e alguns organismos podem
ser observados extracelularmente (Fig. 3-14A). Coloração ácido-álcool é útil para o
reconhecimento desses organismos (Fig. 3-14B). Linfócitos e neutrófilos são mais
abundantes do que na forma lepromatosa.

Figura 3-14. A-B, O mesmo caso. Micobacteriose. Aspirado tecidual. Gato. A, Uma área
intumescida sobre o plano nasal foi confirmada como positiva para o complexo M. avium-
intracellulare. Observa-se a grande quantidade de bastões corados negativamente dentro do citoplasma
dos macrófagos. (Wright-Giemsa; óleo HP.) B, Coloração álcool-ácido positiva para bactéria linear em
forma de conta de rosário. (Ziehl-Neelsen; óleo HP.) C, Lepra felinefelina.Imprinttecidual. Gato.
Bactéria linear negativamente corada enchendo o citoplasma e aparecendo extracelularmente, visível
contra o fundo proteináceo da lâmina. (Giemsa; óleo HP.) D-F, O mesmo caso. Micobacteriose
atípica. Aspirado tecidual. Cão. D, Neutrófilos e macrófagos frequentemente são observados sem
evidências óbvias de sepse. Os neutrófilos apresentam-se levemente degenerados na massa de 2 cm
localizada no dorso. (Wright-Giemsa; óleo HP.) E, Bactéria filamentosa positiva observada dentro de
um macrófago (seta). (Álcool-ácido de Fite; óleo HP.) F, Aspirado tecidual. Bactéria filamentosa
positiva observada dentro de um lipócito (seta). (Álcool-ácido de Fite; óleo HP.)
(C, Cortesia de John Kramer, Washington State University; apresentado no ASVCP de 1988, na sessão de revisão de caso.)

A forma lepromatosa em gatos é ocasionada pelo Mycobacterium lepraemurium e é


comum em gatos de locais de clima úmido e frio e que tenham contato com roedores
infectados. Uma nova espécie de Mycobacterium não nomeada foi documentada em
cães na Austrália, na Nova Zelândia e, recentemente, nos EUA (Foley et al., 2002).
Nódulos em alto-relevo não dolorosos são encontrados na cabeça e nos membros
distalmente sem sinais sistêmicos em gatos. Esses nódulos são macios a firmes,
volumosos e, muitas vezes, localizados com ulceração ocasional e exsudação de pouco
volume. A remissão espontânea foi descrita em um gato (Roccabianca et al., 1996). Os
nódulos em cães são lisos a ulcerados, ocorrendo frequentemente na cabeça,
particularmente nas orelhas e focinho. A cultura do organismo é difícil.
Citologicamente, predominam macrófagos contendo numerosos organismos
intracelulares (Twomey et al., 2005) (Fig. 3-14C). Outras células observadas são
linfócitos, plasmócitos, neutrófilos e, ocasionalmente, células gigantes
multinucleadas.

A apresentação mais comum de micobacteriose cutânea em cães e gatos envolve


aquelas espécies de crescimento rápido apresentando um padrão de crescimento
atípico ou cultivo característico, como Mycobacterium fortuitum, Mycobacterium
chelonei e Mycobacterium smegmatis. Estes são resultado da inoculação de solo
contaminado ou água parada. As lesões caracterizam-se por uma inflamação
piogranulomatosa subcutânea disseminada, a qual apresenta frequentes tratos
drenantes. Essa forma também não apresenta sinais sistêmicos. A cultura bacteriana
de tecidos profundos é necessária, e o crescimento pode ocorrer dentro de 3 a 5 dias.
Citologicamente, uma população mista de neutrófilos e macrófagos predomina, com
ocasional presença de linfócitos, plasmócitos, células gigantes multinucleadas ou
fibroblastos reativos (Fig. 3-14D). Os organismos são ocasionalmente observados nas
amostras citológicas coradas com colorações ácido-álcool (Fig. 3-14E e F). Na
histopatologia, as lesões são difusas e os organismos podem ser observados dentro de
lipocistos rodeados por células inflamatórias. O prognóstico para essa forma é
reservado, devido a uma resposta aos antibióticos muitas vezes aquém do esperado.

Ponto-Chave
Os organismos micobacterianos são Gram-positivos e álcool-acidopositivos. Na citologia, são
observados como formas redondas não coradas, longas e finas, devido ao alto conteúdo lipídico da
sua parede celular.

Infecções Localizadas por Fungos Oportunistas


Lesões cutâneas ou subcutâneas ocorrem como resultado de ferimentos penetrantes
contaminados com solo ou água infectados, frequentemente em climas tropicais ou
subtropicais. Um tipo comum é a faeohifomicose, causada por um grupo de fungos
dematiáceos (pigmentados) com Alternaria, Curvularia ou Bipolaris spp. (Fig. 3-15A-C).
Um tipo raro de hialo-hifomicose é produzido por um fungo não pigmentado,
Paecilomyces spp. (Fig. 3-15D) (Elliott et al., 1984). Os nódulos desenvolvem-se
lentamente, em geral nas extremidades. Mais tarde, tornam-se ulcerados com tratos
drenantes. Citologicamente, observa-se uma inflamação piogranulomatosa, com
neutrófilos degenerados, macrófagos, células gigantes multinucleadas, linfócitos,
plasmócitos e fibroblastos maduros. As hifas são septadas, e constrições periódicas
podem ser observadas produzindo dilatações globosas. As formas de leveduras
raramente ocorrem. O diagnóstico envolve biópsia histopatológica e cultura de
tecidos. O tratamento envolve a excisão cirúrgica, porém o prognóstico é, muitas
vezes, de ruim a reservado.
Figura 3-15. A-B, Faeo-hifomicose (fungo pigmentado). Aspirado tecidual. Cão. A, Massa
pequena na superfície plantar da pata de um cão, a qual foi positiva para Curvularia sp. na cultura.
Neutrófilos degenerados e macrófagos rodeando as hifas fúngicas com aumento semelhante às
leveduras. (Wright em base aquosa; óleo HP.) B-C, O mesmo caso. B, Células inflamatórias mistas
com macrófagos, neutrófilos degenerados e linfócitos ao redor de uma estrutura de hifa (seta),
aumento semelhante às leveduras. (Wright-Giemsa; óleo HP.) C, Faeo-hifomicose. Secção tecidual.
Cão. Grandes colônias de fungos de coloração marrom confirmam o diagnóstico de fungos
pigmentados ou dematiáceos. (H&E; LP.) D, Hialo-hifomicose. Aspirado tecidual. Gato. A imagem
corresponde a um dígito intumescido contendo hifas com aumento semelhante às leveduras, causado
por Paecilomyces sp. Numerosos macrófagos são observados juntamente com poucos neutrófilos.
(Wright-Giemsa; óleo HP.)

Lesões Cutâneas de Infecções Fúngicas Sistêmicas


As lesões costumam se apresentar como nódulos múltiplos ou únicos que ulceram e
drenam um exsudato serossanguinolento. Linfadenopatia regional é comum ao longo
dos sistemas orgânicos acometidos. A avaliação do exsudato é diagnóstica, porém
recomenda-se a excisão cirúrgica com biópsia histopatológica. Titulação sérica e
cultivo de tecido são úteis em casos difíceis. Em geral, o tratamento é direcionado à
terapia antifúngica sistêmica. O prognóstico é reservado.

Blastomicose
A blastomicose é uma inflamação piogranulomatosa ou granulomatosa de cães e,
raramente, gatos, a qual está relacionada a leveduras e a raras hifas de Blastomyces
dermatitidis. A doença costuma ser endêmica nas áreas próximas das nascentes dos
rios Mississippi e Ohio e no interior do Canadá. Muitas vezes, as lesões aparecem nas
extremidades e no plano nasal. Citologicamente, neutrófilos degenerados,
macrófagos, células gigantes multinucleadas e linfócitos estão presentes. A forma
celular desse tipo de fungo é de levedura, e chega a medir em torno de 7 a 15 μm de
diâmetro, com parede espessa e refringente; entretanto, no seu interior a coloração é
fortemente basofílica (Fig. 3-16A e B). Os organismos podem ser fagocitados por
macrófagos ou observados fora deles. A divisão celular ocorre por brotamento com
base ampla, ao contrário do que acontece com a divisão por brotamento do
Cryptococcus sp., que tem a base estreita. As estruturas coram-se positivamente com o
ácido periódico de Schiff (PAS) (Fig. 3-16C) e com prata de metenamina. O
diagnóstico definitivo envolve a imunocoloração de seções de tecidos e cultura de
tecidos. Os métodos de imunodifusão em gel de ágar e ELISA realizados com amostras
de soro apresentam baixa sensibilidade. A confirmação dos organismos observados em
amostras de biópsia pode ser realizada por PCR.

Figura 3-16. A-C, Blastomicose. Cão. A,Imprinttecidual. Em uma massa no dígito observam-se
várias formas de leveduras em brotamento apresentando a parede espessada e intensamente basofílica,
juntamente com uma mistura de neutrófilos degenerados e macrófagos. (Wright em base aquosa; óleo
HP.) B,Imprinttecidual. Quatro formas de leveduras estão presentes, as quais apresentam dimensões
aproximadamente semelhantes às dos neutrófilos do mesmo campo. A parede espessada é visível nas
estruturas intensamente basofílicas. (Wright-modificado; óleo HP.) C, Secção tecidual. Acúmulo
denso de células inflamatórias ao redor de formas de leveduras densamente coradas (setas) que
colapsam na fixação para fora da parede celular espessada. (PAS; IP.)

Coccidioidomicose
Essa doença, ocasionada pelo Coccidioides immitis, produz uma resposta
piogranulomatosa semelhante àquela observada nos casos de blastomicose em cães e,
ocasionalmente, em gatos. É endêmica no sudoeste dos EUA. Citologicamente, os
organismos aparecem como esferas de parede espessa medindo de 20 a 200 μm de
diâmetro (Fig. 3-17A). Dentro das esferas basofílicas (Fig. 3-17B) estão os endósporos
redondos uninucleados, que medem 2 a 5 μm de diâmetro. Os endósporos livres (Fig.
3-17C) podem ser confundidos com leveduras de Histoplasma. Esferas pequenas e
vazias assemelham-se a Blastomyces. Tanto a parede celular quanto os endósporos
coram-se positivamente com metenamina de prata, enquanto a coloração de PAS
deixa a parede celular púrpura e os endósporos vermelhos. Esferas intactas são
fracamente quimiotáticas para neutrófilos, se comparadas aos esporos livres, que
atraem muitos neutrófilos (Fig. 3-17A). Os testes sorológicos utilizados incluem a
precipitina em tubo (IgM), a fixação do complemento (IgG), a aglutinação em látex, a
imunodifusão em gel de ágar e o teste imunoenzimático (ELISA). Métodos
fluorescentes que detectam anticorpos podem ser usados em amostras teciduais de
biópsia. A cultura de tecido não é recomendada, devido aos riscos de saúde pública.
Quando os resultados são equivocados, podem ser usados testes comerciais que usam
uma sonda de DNA marcada como quimioluminescente (Beaudin et al., 2005).
Figura 3-17. Coccidioidomicose. Aspirado tecidual. Cão. A, A amostra corresponde a várias
massas cutâneas semifirmes. Além disso, o animal não apresentava sinais sistêmicos. Uma esfera
púrpura de parede espessada (seta) medindo aproximadamente 60 μm de diâmetro está rodeada por
vários neutrófilos degenerados. (Wright-modificado; óleo HP.) B-C, O mesmo caso. B, Observa-se
uma esfera basofílica dentro de uma massa escapular. 1) O foco foi direcionado para a parede capsular
espessa, que apresenta conteúdo granular. 2) O foco foi reajustado para demonstrar os endósporos em
desenvolvimento. (Wright-modificado; óleo HP.) C, Uma pequena esfera (direita) e uma grande esfera
(esquerda); a última parece estar pronta para liberar numerosos cilindros pequenos (2 mícrons) de
endósporos dentro do fundo de lâmina composto por resposta inflamatória mista fracamente definida.
(Wright-modificado; óleo HP.)

Criptococose
A criptococose é observada em várias áreas geográficas, porém é frequente em climas
tropicais ou subtropicais ou em solos infectados por dejetos de pombos. As lesões em
cães e gatos apresentam-se como crostas ou erosões no plano nasal junto com os
nódulos. Muitas vezes, a resposta celular é granulomatosa com predominância de
macrófagos (Fig. 3-18A e B). Outras células presentes são linfócitos e células gigantes
multinucleadas. Há inflamação mínima em pacientes imunocomprometidos e quando
os organismos retêm sua cápsula externa espessa. O agente causal, Cryptococcus
neoformans, é observado em amostras citológicas como uma levedura de formato
redondo a oval, com 4 a 10 μm de diâmetro. O tamanho das células varia, de 2 a 20
μm. Quando presente, a cápsula lipídica espessa não se cora com colorações do tipo
Romanowsky (Fig. 5-11B). Como resultado, o fungo da lâmina de amostras de biópsia
aparece vacuolizado, muitas vezes com muitos corpúsculos celulares redondos e
densos. Colorações como o novo azul de metileno e a tinta nanquim são utilizadas
para aumentar a visibilidade da cápsula em amostras não coradas (Fig. 5-11C). O
corpo celular interno cora-se positivamente com metenamina de prata e PAS,
enquanto a parede celular necessita do corante de mucicarmim para ser corado. A
divisão celular envolve o brotamento por estreitamento, se comparado ao brotamento
por alargamento do Blastomyces. O diagnóstico definitivo envolve imunocolorações
em amostras teciduais de biópsia, testes de aglutinação em látex, ELISA ou cultura
fúngica. A confirmação em casos difíceis pode envolver a PCR e a detecção do gene
CAP59.

Figura 3-18. Criptococose. Gato. A, Aspirado tecidual. A amostra corresponde a uma massa
subcutânea encontrada na região submandibular contendo agrupamentos de leveduras em conjunto
com inflamação neutrofílica. Observam-se uma quantidade variável de cápsula lipídica circundando as
estruturas e uma levedura fagocitada por macrófago espumoso. A cápsula escassa permite maior
estimulação antigênica, o que induz a um maior processo inflamatório. Uma forma de brotamento é
observada entre o macrófago e o neutrófilo. (Wright em base aquosa; óleo HP.) B, Secção tecidual.
Inflamação perifolicular relacionada à presença de numerosas formas de leveduras de parede clara.
(H&E; IP.)

Histoplasmose
Essa doença produz uma resposta piogranulomatosa pelo agente Histoplasma
capsulatum e é semelhante à blastomicose na distribuição geográfica. Dejetos de aves e
morcegos fornecem o meio de crescimento ideal para esses organismos. Lesões
cutâneas (Fig. 3-19) são incomuns se comparadas àquelas em órgãos do trato
gastrointestinal e hematopoiéticos. Citologicamente, os macrófagos predominam, mas
linfócitos, plasmócitos e células gigantes multinucleadas ocasionais podem estar
presentes. Numerosas formas de leveduras ovais, intracelulares ou extracelulares,
medindo de 2 a 4 μm, são observadas com frequência nas amostras. Tais estruturas
coram-se positivamente com PAS e metenamina de prata. As estruturas de leveduras
se assemelham ao protozoário Leishmania, exceto pelo Histoplasma, que apresenta um
halo claro, devido a retração celular e à ausência de quinetoplasto no corpo celular. O
diagnóstico definitivo de histoplasmose é obtido por meio da identificação citológica,
imunocoloração em amostras teciduais de biópsia ou cultura fúngica. Não há testes
sorológicos disponíveis. Os testes moleculares foram utilizados em número limitado de
casos.

Figura 3-19. Histoplasmose. Gato. Estão presentes lesões de pele ao redor dos olhos do gato,
assim como lesões oculares.
(Cortesia de Heidi Ward, Gainesville, Flórida.)

Outras infecções sistêmicas podem envolver Aspergillus sp., Candida sp. ou


Paecilomyces sp. Muitas vezes, elas ocorrem em pacientes imunossuprimidos.

Dermatofitose
Este é um agente infeccioso comum e uma doença, muitas vezes, contagiosa a
humanos, que frequentemente acomete as camadas superficiais da pele, pelos e
unhas. Microsporum e Trichophyton sp. são os gêneros de dermatófitos mais comumente
associados a cães e gatos. As lesões costumam se apresentar com alopecia focal,
hastes pilosas quebradiças, crostas, escamas e eritema na cabeça, patas e cauda de
cães e gatos (Caruso et al., 2002). Nódulos dérmicos ou em alto-relevo denominados
quérions são menos comumente observados (Logan et al., 2006). Um quérion se forma
quando um folículo piloso infectado se rompe e tanto o fungo quanto a queratina são
derramados na derme, iniciando uma resposta inflamatória intensa. Nas amostras
citológicas observa-se uma inflamação piogranulomatosa com neutrófilos
degenerados e grandes macrófagos epitelioides. Artrósporos que medem 2 a 4 μm
possuem uma cápsula fina e clara (Fig. 3-20A). Os artrósporos e as hifas não coradas
estão associados à haste pilosa, os quais são mais bem visualizados utilizando-se
agentes clarificadores em pelos arrancados (Fig. 3-20B e C) ou coloração de
metenamina de prata (Fig. 3-20D) ou PAS (Fig. 3-20E). A cultura fúngica é necessária
para a identificação.
Figura 3-20. A-E. Dermatofitose. A,Imprinttecidual. Cão. Epitélio escamoso, remanescente de
haste pilosa e principalmente inflamação neutrofílica estão presentes juntamente com moderado
número de artrosporos. Essas estruturas basofílicas ovais a alongadas com uma cápsula clara medem
2-3 μm de largura e 2-5 μm de comprimento. (Wright-modificado; óleo HP.) B, Pelo arrancado. Baixa
magnificação da haste pilosa com queratina clarificada demonstrando artrósporos aderidos. (Não
corada; óleo HP.) C, Pelo arrancado. Alta magnificação da haste pilosa com queratina clarificada
demonstrando artrósporos fora do pelo e hifas fúngicas dentro dele. (Não corada; óleo HP.) D, Secção
tecidual. Cão. Observam-se as hifas coradas de negro dentro da haste pilosa de uma secção tecidual
de pele. Diagnóstico confirmado como Microsporum canis por cultura. (Metenamina de prata de
Gomori; óleo HP.) E, Aspirado tecidual. Cão. Nódulo dérmico (quérion) com múltiplos artroconídeos
ovais de coloração rosa intensa dentro de neutrófilos e extracelularmente. O resultado da cultura
indicou infecção por Microsporum canis. (Ácido periódico de Schiff ; óleo HP.) F-H, O mesmo caso.
Pseudomicetoma dermatofítico. Aspirado tecidual. Gato. F, Várias células gigantes multinucleadas
estão presentes na amostra, que corresponde a uma massa superficial de 3 cm, localizada na face
lateral do abdômen de um gato da raça persa. (Wright-Giemsa; óleo HP.) G, Hifas fúngicas são
variavelmente visíveis com a coloração de Romanowsky (setas). O resultado da cultura indicou
infecção por Microsporum canis. (Wright-Giemsa; óleo HP.) H, Hifas são claramente evidenciadas por
coloração de prata. (Metenamina de prata de Gomori; óleo HP.)
(B-C, Cortesia do Departamento de Dermatologia, da Universidade da Flórida. E, Cortesia de Michael Logan, Purdue University.).

Uma apresentação incomum é o pseudomicetoma dermatofítico, costumeiramente


observado em gatos da raça persa e causado por Microsporum canis (Zimmerman et
al., 2003). Este se apresenta como um granuloma nodular com tratos fistulosos
profundos ao tecido subcutâneo. Citologicamente, observam-se macrófagos com
citoplasma abundante e espumoso e numerosas células gigantes multinucleadas (Fig.
3-20F). Artrósporos podem estar presentes junto a hifas fúngicas que apresentam
formato e tamanhos irregulares, podendo se corar variavelmente com colorações do
tipo Romanowsky (Fig. 3-20G). Colorações positivas ocorrem com PAS e metenamina
de prata (Fig. 3-20H). O tratamento dos nódulos envolve a excisão cirúrgica e a
administração de drogas antifúngicas.

Malassezia
O agente causal, Malassezia pachydermatis, é um invasor oportunista da pele e do
canal auditivo. Está associado a dermatite seborreica disseminada, assim como a otite
externa em cães. Os organismos são observados em superfícies crostosas ou em crostas
de lesões exsudativas. Os locais de predileção incluem a face, a região ventral do
pescoço, o dorso das patas, a face ventral do abdômen e a região caudal das coxas.
Citologicamente, a infecção cutânea caracteriza-se, essencialmente por uma
inflamação mononuclear com linfócitos e macrófagos, porém pode ocorrer,
secundariamente, pioderma com a presença de neutrófilos focais (Fig. 3-21A).
Tipicamente, a infecção do canal auditivo apresenta inflamação mínima com os
organismos aderidos ao epitélio escamoso (Fig. 3-21B). Em colorações de
Romanowsky, observa-se o brotamento por alargamento de organismos de cor
púrpura caracterizados por um botão ou pelo formato de uma pegada (Fig. 3-21C). O
tratamento inclui a limpeza da superfície e a administração de agentes antifúngicos
apropriados.

Figura 3-21. A,Malassezia dermatitis.Imprintde pústula. Cão.Malassezia dermatitis Formas de


leveduras em brotamento abundante com uma resposta inflamatória de células mistas foram
observadas em um animal com dermatite pustular. Neutrófilos levemente degenerados estão presentes,
juntamente com linfócitos e macrófagos. (Wright-Giemsa; óleo HP.) B-C, O mesmo caso. Otite
porMalassezia otitis. Zaragatoa do conduto auditivo. Cão. B,Malassezia otitis, correspondentes a
Malassezia sp., aderidos ao epitélio escamoso queratinizado sem evidência de inflamação. (Wright em
base aquosa; óleo HP.) C, Morfologia característica em forma de pegada de uma forma de levedura em
brotamento por alargamento associada a otite externa crônica. (Wright em base aquosa; óleo HP.)
Oomicose
Dois agentes, Pythium insidiosum e Lagenidium sp., são os fungos aquáticos da classe
Oomycetes do reino Stromenopila (Grooters et al., 2003). Tais fungos distinguem-se
dos fungos verdadeiros na produção de zoósporos flagelados móveis na parede celular
sem quitina e em diferenças na divisão nuclear e nas organelas citoplasmáticas. Essa
doença é comum em cães e ocorre ocasionalmente em gatos. As regiões de climas
tropicais e subtropicais, como o sudeste dos EUA, são as áreas de ocorrência dessa
doença. Os animais infectam-se quando ingerem ou entram em água contaminada. Os
sinais sistêmicos são resultantes do envolvimento do sistema gastrointestinal e são
mais comuns que a apresentação cutânea. Nódulos dérmicos ulcerativos desenvolvem-
se em tratos drenantes com exsudação de líquido serossanguinolento dos locais
acometidos, que incluem as extremidades, a base da cauda e o períneo (Fig. 3-22A).
Citologicamente, observa-se nas amostras uma inflamação piogranulomatosa com
elevado número de eosinófilos e a presença de hifas ramificadas, pouco septadas e
largas. Enquanto as hifas de Pythium são uniformes, as hifas de Lagenidium tendem a
ter diâmetros maiores e formas mais bulbosas do que as de Pythium. Para se observar
os organismos, a coloração de metenamina de prata é preferível à de PAS (Fig. 3-
22B). A detecção de anticorpos séricos contra os antígenos dos oomicetos é útil como
teste de triagem. A cultura de tecidos infectados, seguida pela identificação
morfológica e molecular do patógeno, é altamente recomendada. As provas de imuno-
histoquímica utilizam um anticorpo policlonal específico para Pythium insidiosum e
não para Lagenidium. No entanto, a distinção entre esses dois oomicetos é mais bem
definida quando realizada por meio do sequenciamento do gene rRNA ou pela PCR
com amplificação específica. Os possíveis tratamentos envolvem a excisão cirúrgica
ampla ou a amputação de membros acometidos. O prognóstico é de reservado a ruim.
Figura 3-22. Oomicetose. Cão. A, Esta lesão drenante presente na pata de um cão de pelo longo
foi confirmada como pitiose. B-C, O mesmo caso. Secreção tecidual. B, Hifas aparecem como
estruturas ramificadas pouco septadas rodeadas por células inflamatórias. (Metenamina de prata de
Gomori; óleo HP.) C, Padrão linear pouco corado com neutrófilos degenerados intensamente aderidos
são observados nesta lesão drenante localizada no membro e na área perianal. Eosinófilos estão
presentes em um número significativo, porém são dificilmente notados neste campo. (Wright em base
aquosa; óleo HP.)

Ponto-Chave
Os organismos coram-se fracamente com corantes do tipo Romanowsky e são mais bem identificados
dentro de agregados densos de células inflamatórias em uma baixa magnificação. A presença de fitas
lineares, claras e de tamanho uniforme sugere hifas (Fig. 3-22C), mas estas devem ser diferenciadas
dos resíduos de colágeno, que também podem aparecer como fitas não coradas.

Prototecose
Esta é uma doença rara de cães e gatos relacionada a algas com ausência de clorofila,
Prototheca wickerhamii, que são encontradas em água e alimentos contaminados com
esgoto. Essa afecção é frequentemente associada a imunossupressão ou a uma doença
concomitante. Geralmente, os gatos desenvolvem a doença cutânea, enquanto os cães
desenvolvem tanto a forma sistêmica quanto a cutânea. O envolvimento sistêmico
inclui, essencialmente, trato gastrointestinal, olhos e sistema nervoso. As lesões
cutâneas em cães são crônicas, nodulares, exsudativas e ulcerativas e ocorrem no
tronco e nas extremidades. Nódulos grandes e firmes em membros, patas, cabeça e
base da cauda foram descritos em gatos. Citologicamente, a inflamação é
granulomatosa ou piogranulomatosa. Macrófagos epitelioides predominam, porém
linfócitos plasmócitos e, ocasionalmente, células gigantes multinucleadas também
podem ser observados. Os organismos estão presentes tanto dentro quanto fora dos
macrófagos e medem de 5 a 20 μm de diâmetro (Fig. 3-23A). Estes apresentam forma
redonda à oval com septação interna produzindo 2 a 20 endósporos dentro da parede
celular. Os endósporos são basofílicos e granulares com um único núcleo e
apresentam um halo claro ao redor. Tanto a coloração de PAS quanto a de
metenamina de prata demonstram a parede celular (Fig. 3-23B). Para o diagnóstico, é
necessária a cultura ou a biópsia de tecidos, além do uso das técnicas de
imunofluorescência ou imunoperoxidase. O tratamento envolve a excisão cutânea das
lesões. Antimicrobianos foram utilizados com sucesso limitado nas formas sistêmicas.
O prognóstico é de reservado a ruim.

Figura 3-23. Prototecose. Gato. A-B, O mesmo caso e magnificação. A, Aspirado tecidual.
Esta amostra de aspirado de um nódulo cutâneo nasal contém múltiplas estruturas de formato
redondo e basofílicas (endósporos), as quais se apresentam isoladamente ou em grupos (seta), que
podem medir, aproximadamente, 3-12 μm de diâmetro. A forma cutânea da prototecose é única no
gato. Este animal apresentou organismos que se estendiam da cavidade nasal para um linfonodo
mandibular drenante. Esta amostra citológica foi inicialmente considerada uma forma não encapsulada
de criptococose; entretanto, o resultado da cultura indicou infecção por Prototheca wickerhamii.
Detalhe: Vista de perto de um organismo esporulando com três endósporos. (Wright-Giemsa; óleo
HP.) B, Zaragatoa de amostra tecidual. Numerosos endósporos redondos corados positivamente com
prata de tamanho variável foram revelados em amostra da cavidade nasal obtida por zaragatoa de um
nódulo cutâneo de um gato. (Metenamina de prata de Gomori; óleo HP.)

Esporotricose
Esta doença está associada a imunossupressão, como aquela que ocorre com a
administração de glicocorticoides ou doenças concomitantes. A esporotricose
apresenta várias formas clínicas – cutânea sistêmica e, a mais frequente, a cutânea
linfática –, geralmente como resultado de feridas penetrantes (Welsh, 2003).
Macroscopicamente, os nódulos dérmicos a subcutâneos progridem para uma lesão
ulcerada que drenam o exsudato serossanguinolento. Em cães, a localização frequente
é na pele do tronco e das extremidades, enquanto em gatos grandes nódulos firmes
aparecem em membros, patas e base da cauda. O agente etiológico, Sporothrix
schenckii, é um fungo saprofítico que costuma aparecer em forma de levedura em
cigarrilha, medindo de 3 a 5 μm de diâmetro com um halo claro e fino ao redor do
citoplasma azul-pálido (Fig. 3-24A). O formato das leveduras é pleomórfico, com
formas redondas a ovais também observadas (Fig. 3-24B). Citologicamente, a
levedura localiza-se intra ou extracelularmente, e é abundante em gatos e rara em
cães (Bernstein et al., 2007). Em cães, a inflamação piogranulomatosa com neutrófilos
degenerados é comum, enquanto macrófagos e linfócitos predominam nos gatos. O
diagnóstico pode ser realizado por meio da aparência citológica característica. O
organismo cora-se positivamente, tanto com a metenamina de prata quanto com o
PAS. Para o diagnóstico definitivo, é necessária a cultura fúngica de amostras do
exsudato ou de tecidos, utilizando-se técnicas de imunofluorescência ou
imunoperoxidase. Um teste molecular foi desenvolvido e utilizado em um caso felino
(Kano et al., 2005). A excisão cirúrgica pode ser realizada em lesões cutâneas únicas.
O tratamento da forma sistêmica envolve uma variedade de antimicrobianos que
foram utilizados com sucesso variável. O prognóstico é de ruim a reservado. Uma boa
resposta foi observada nos casos tratados com itraconazol (Bernstein et al., 2007).
Figura 3-24. Esporotricose.Imprinttecidual. Gato. A, Amostra correspondente a uma lesão
granulomatosa de 2 cm em um dígito, na qual se observa um macrófago contendo numerosas formas
de levedura em formato oval a formato de cigarrilha, que apresentam um halo fino claro ao redor de
um centro basofílico. Essas estruturas medem 2 × 5 μm, aproximadamente a dimensão de um
eritrócito. (Wright; óleo HP.) B, Inflamação piogranulomatosa com leveduras fagocitadas dentro de
um macrófago. Essas formas apresentam um formato redondo a oval e são difíceis de diferenciar de
Histoplasma sp. apenas com base em sua morfologia. O resultado da cultura indicou infecção por
Sporothrix sp. (Romanowsky; óleo HP.)
(B, Cortesia de Peter Fernandes.)

Ponto-Chave
Os organismos se assemelham aos da histoplasmose, que podem ser ovais a redondos, mas apenas o
agente da esporotricose apresenta formato de cigarrilha ou forma de levedura delgada.

Ponto-Chave
A doença pode se disseminar para os humanos, e usualmente é transmitida por gatos.

Diagnóstico citológico diferencial: histoplasmose, toxoplasmose, criptococose.

Leishmaniose
Esta é uma doença multissistêmica incomum nos EUA, com apresentação cutânea e
linfadenopatia regional. O agente etiológico é um protozoário do gênero Leishmania,
que é transmitido por mosquitos. Muitas vezes, a doença é associada a viagens pelo
Mediterrâneo, embora áreas endêmicas, como Ohio e Oklahoma, sejam encontradas
nos EUA. Essa doença ocorre mais provavelmente em cães do que em gatos. A
condição pode se iniciar na pele e então se disseminar internamente. Alopecia
periorbital e lesões descamativas ou ulcerativas e erosivas no plano nasal são sinais
comuns, que podem progredir para nódulos cutâneos e mucocutâneos fracamente
definidos. Leishmania mexicana foi associada a uma forma cutânea não sistêmica em
gatos do Texas e México (Barnes et al., 1993). Na citologia, há a predominância de
macrófagos, porém linfócitos, plasmócitos e ocasionais células gigantes
multinucleadas podem estar presentes. Organismos intracelulares, denominados
amastigotas, medem de 1,5 a 2 × 2,5 a 5 μm e apresentam um núcleo vermelho e
quinetoplastos característicos em forma de barra (Fig. 3-25). Além da pele, outros
sítios comuns de envolvimento são a medula óssea e os órgãos linfoides. Outras
alterações laboratoriais incluem gamopatia policlonal ou monoclonal e anemia não
regenerativa. A citologia característica ou a cultura é utilizada para se obter o
diagnóstico definitivo. Além disso, coloração de imunoperoxidase pode ser utilizada
em biópsia de tecidos. Um teste de fluorescência indireta, que detecta anticorpos, está
disponível para Leishmania donovani, mas esse teste apenas indica uma exposição
prévia. O tratamento é realizado com compostos antimoniais pentavalentes,
itraconazol ou alopurinol (Lester e Kenyon, 1996) para a doença sistêmica e a excisão
cirúrgica para lesões cutâneas focais. O prognóstico é de bom a reservado; contudo,
trata-se de uma zoonose, e deve ser considerada a eutanásia.

Figura 3-25. Leishmaniose. Aspirado tecidual. Gato. Amostra de nódulo em orelha consistindo
em macrófagos com organismos intra e extracelulares que apresentam uma aparência característica de
Leishmania sp. (Wright em base aquosa; óleo HP.)
(Cortesia de Ruana Gosset, Texas A & M University; apresentado no ASVCP de 1991, na sessão de revisão de caso.).

Toxoplasmose
A toxoplasmose cutânea não é comum, porém foi recentemente descrita em um gato
(Park et al., 2007). O único nódulo descrito apresentou uma paniculite granulomatosa
necrosante e vasculite. Os organismos estavam presentes dentro de macrófagos e
outras células. Os testes geraram resultados positivos para os antígenos de
Toxoplasma gondii e Neospora caninum, e estudos ultraestruturais confirmaram a
presença de T. gondii. Além disso, PCR e sequenciamento foram compatíveis com a
infecção por T. gondii.

Infestação parasitária

Dracunculíase é uma afecção parasitária incomum em cães e potencial em gatos, que


causa intumescimento subcutâneo doloroso e com prurido (Giovengo, 1993) e que
pode ser diagnosticada por meio da avaliação citológica de aspirado de líquido
tecidual (Panciera e Stockham, 1988) ou por imprints da secreção da lesão. O primeiro
estágio larvário de Dracunculus insignis mede, aproximadamente, 25 μm de largura por
500 μm de comprimento e, quando corado, é azul-pálido (Baker e Lumsden, 2000) ou
granulado (Fig. 3-26), apresentando uma cauda longa que se estreita gradualmente.
O ciclo de vida envolve a digestão de água contendo larvas de moscas ou sapos, as
quais deixam o trato digestivo e migram, geralmente rumo aos membros. Utiliza-se
excisão cirúrgica para remover o nematódeo adulto, que, muitas vezes, chega a medir
20 cm de comprimento (Beyer et al., 1999), mas pode alcançar comprimento acima de
120 cm. Os anti-helmínticos parecem ser ineficazes em matar os parasitas adultos.

Figura 3-26. Dracunculíase. Aspirado tecidual. Cão. Amostra de uma massa subcutânea em
formato de verme, localizada no tórax, contendo estas larvas que apresentam cauda longa que se
afunila. (Romanowsky; IP.)
(Cortesia de Judy Radin et al., The Ohio State University; apresentado no ASVCP de 1990, na sessão de revisão de caso.)

Outra doença de pele incomum causada por parasitas é a demodicose (Neel et al.,
2007). Nesse caso, duas populações diferentes de ácaros demodécicos estavam
presentes nas lesões de pele.
Neoplasia

Epitelial

Papiloma Escamoso
Em geral, tais verrugas são lesões solitárias que acometem com mais frequência cães
idosos. Elas são raras em gatos. As verrugas geralmente surgem por um crescimento
lento, apresentam-se recobertas por queratina, com projeções semelhantes a dígitos
que aparecem na cabeça ou nos membros. Na avaliação citológica, todos os estágios
de desenvolvimento do epitélio escamoso estão presentes, porém formas maduras com
núcleos de aparência benigna predominam (Sprague e Thrall, 2001). Em cães jovens,
os papilomas ocorrem em locais mucocutâneos e podem ser induzidos por outro
papilomavírus, regredindo espontaneamente. Caso necessário, a excisão cirúrgica
resulta em um prognóstico de bom a excelente.

Diagnóstico citológico diferencial: carcinoma de células escamosas, acantoma infundibular


queratinizante.

Carcinoma de Células Escamosas


Esse é um tumor comum em cães e gatos. Ocorre como massas solitárias ou múltiplas,
proliferativas ou ulcerativas (Fig. 3-27A). Tal dermatopatia corresponde a 15% dos
tumores de pele em gatos e a apenas 2% em cães (Yager e Wilcock, 1994). A
ocorrência dá-se nos membros de cães e em áreas de rarefação pilosa das pinas ou da
face dos gatos. Em geral, os tumores são localmente invasivos e podem causar
metástase em linfonodos regionais. Aqueles de ocorrência nos dígitos são considerados
altamente malignos, com grande chance de metástase. Citologicamente observa-se
inflamação purulenta, muitas vezes acompanhada de epitélio escamoso imaturo ou
displásico (Fig. 3-27B). Pode ocorrer sepse bacteriana na superfície com erosão. O
formato de girino, com uma projeção semelhante a uma cauda e citoplasma
queratinizado azul-acinzentado hialinizado, pode ser um critério útil na determinação
da origem celular (Garma-Avina, 1994). O epitélio neoplásico aparece com células
individuais ou como folhas de células aderentes. Escamas e epitélio escamoso
queratinizado de aspecto angular nucleado com atipia celular predominam em
tumores bem diferenciados (Fig. 3-27C). Quando tais células estão dispostas
concentricamente, elas correspondem a pérolas de queratina observadas
histologicamente (Fig. 3-27D). A presença de um tipo celular dentro do citoplasma de
outro, denominada empeiripolese, pode ser observada em carcinomas de células
escamosas bem diferenciadas (Fig. 3-27E). Tumores moderadamente diferenciados
apresentam poucas células angulares e mais de 50% de células displásicas redondas
ou ovais (Fig. 3-27F). Células individualizadas redondas apresentam uma alta
proporção núcleo-citoplasma, predominando em tumores mail diferenciados. O
pleomorfismo celular e nuclear é acentuado em carcinomas de células escamosas
pouco diferenciadas. Acredita-se que a vacuolização perinuclear representa grânulos
querato-hialinos discretamente corados e que pode estar presente em tipos tumorais,
bem e moderadamente diferenciados (Fig. 3-27G). As considerações terapêuticas
incluem a excisão cirúrgica, a criocirurgia, a radioterapia, a quimioterapia
intralesional e a terapia fotodinâmica. O prognóstico é reservado, pois a recorrência
é comum, especialmente em gatos com face branca.
Figura 3-27 A-E, Carcinoma de células escamosas A, Gato Lesão ulcerativa na face. B, E, o
mesmo caso. B, Aspirado tecidual. Cão. Epitélio displásico com inflamação purulenta de uma massa
localizada no plano nasal. (Wright-Giemsa; óleo HP.) C, Aspirado tecidual. Gato. Observam-se
escamas intermediárias, superficiais e anucleadas nesta forma bem diferenciada de neoplasia obtida de
uma massa na bochecha. Muitos estágios precoces de maturação apresentam bordas celulares
angulares e citoplasma queratinizado, o que sugere desenvolvimento displásico. (Wright em base
aquosa; óleo HP.) D, Secção tecidual. Cão. Pérola de queratina no centro de um lóbulo de epitélio
escamoso neoplásico. (H&E; IP.) E, Aspirado tecidual. Cão. Emperipolese observada pela migração
de neutrófilos através do epitélio. (Wright-Giemsa; óleo HP.) F, Epitélio escamoso displásico.
Aspirado tecidual. Cão. Células redondas e queratinizadas do epitélio escamoso intermediário
semelhante àquelas observadas em um carcinoma de células escamosas de uma massa localizada na
pata de um animal. (Wright em base aquosa; óleo HP.) G, Carcinoma de células escamosas.
Aspirado tecidual. Gato. Pequenas lâminas de epitélio com acentuada anisocitose e anisocariose são
observadas nesta amostra de uma massa localizada na coxa. O citoplasma queratinizado exibe
vacuolização perinuclear proeminente. (Wright em base aquosa; óleo HP.)
(A, Cortesia de Jamie Bellah, Gainesville, Flórida.)

Ponto-Chave
É muito difícil determinar se as alterações displásicas são resultantes da reação a inflamação crônica
ou se indicam malignidade.

Diagnóstico citológico diferencial: acantoma queratinizante infundibular, papiloma escamoso,


carcinoma basoescamoso.

Neoplasias Cutâneas Epiteliais Basilares


As neoplasias, que previamente eram denominadas tumores de células basais,
atualmente são classificadas histologicamente, por evidências baseadas em sua
diferenciação, em epiderme, epitélio tricofoliar ou estruturas anexas das glândulas
sebáceas e sudoríparas. A maioria dos tumores anteriormente diagnosticados como
tumores de células basais caninas ou felinas era, provavelmente, de origem
germinativa do pelo e, portanto, deve ser classificada como tricoblastoma. Aqueles
tumores diagnosticados como de células basais em gatos provavelmente envolvem
neoplasias ductais apócrinas de glândulas sudoríparas (Gross et al., 2005). Os
tricoblastomas são comumente observados em cães e gatos e normalmente se
apresentam como uma massa intradérmica redonda, bem delimitada, elevada, firme e
benigna que pode ser ulcerada ou pigmentada, devido à elevada quantidade de
melanina (Fig. 3-28A). Essas massas localizam-se com frequência próximo à cabeça,
porém a ocorrência é maior no pescoço. Citologicamente, as células epiteliais basais
são pequenas, caracterizadas por uma proporção núcleo-citoplasma alta, núcleos
monomórficos e citoplasma intensamente basofílico, que pode estar pigmentado (Fig.
3-28B-D). Elas podem estar dispostas em agrupamentos ou enfileiradas (Fig. 3-28E).
Células basais podem predominar em um tumor, porém focos de queratinócitos
entremeados (Fig. 3-28F) sugerem a presença de tumores basais com diferenciação
folicular (Fig. 3-28G). A classificação dessas neoplasias basilares é difícil na avaliação
citológica, portanto recomenda-se a histopatologia para diferenciá-las (Bohn et al.,
2006).
Figura 3-28. A-C, Neoplasia cutânea epitelial basilar. A, Gato. Observa-se uma massa
intradérmica, firme, em alto-relevo, alopécica, redonda e bem delimitada. B,Imprinttecidual. Cão.
Grandes agrupamentos de células epiteliais de aparência uniforme e firmemente aderidas com
citoplasma intensamente basofílico estão presentes nesta amostra proveniente de uma massa labial. Na
histologia, as massas com essa aparência são mais provavelmente denominadas tricoblastoma. (Wright
em base aquosa; óleo HP.) C, Aspirado tecidual. Cão. Agrupamento compacto de células uniformes
que apresentam alta proporção núcleo-citoplasma. O citoplasma é escasso e basofílico. Na histologia, a
aparência citológica dessa massa é mais compatível com um tricoblastoma. (Wright-Giemsa; óleo HP.)
D-E, Tricoblastoma. Cão. D, Aspirado de massa localizada no pescoço. Lâmina de epitélio basal
com granulação citoplasmática proeminente e pigmentação, condizente com querato-hialina e
melanina. (Wright-Giemsa; óleo HP.) E, Secção tecidual. Observa-se o padrão medusoide com
cordões ou faixas de epitélio basal que se dispõem radialmente para longe do centro. F-G, O mesmo
caso. F, Neoplasia epitelial de células basais com diferenciação folicular. Aspirado tecidual.
Cão. Agrupamentos densos de epitélio basal com focos de queratinócitos como evidência de
diferenciação folicular de uma massa localizada no ombro. (Wright em base aquosa; óleo HP.) G,
Tricoblastoma. Secção tecidual. Cão. O mesmo caso de F. Observa-se o processo gradual de
queratinização dentro do epitélio basal espessado (seta). Esse tumor apresenta áreas de diferenciação
folicular dentro desse tricoblastoma semelhantes àquelas que aparecem no tricoepitelioma. (H&E; LP.)
(A, Cortesia do Departamento de Dermatologia, da Universidade da Flórida.)

Ponto-Chave
Devido a sua origem comum, há considerável sobreposição entre tumores das células basais e
tumores foliculares ou de anexos, quando da avaliação citológica.

Diagnóstico citológico diferencial: tumores foliculares, tumores das glândulas sebáceas ou


sudoríparas.

Tumores dos Folículos Pilosos


Em geral, tais tumores benignos são únicos, mas podem ser múltiplos. Muitas vezes,
são observados em cães idosos. Esses tumores são massas bem circunscritas, firmes,
em alto-relevo e com rarefação pilosa que pode ulcerar, além de serem considerados
tricoepitelioma (Fig. 3-29) e, menos comumente, pilomatricomas (Masserdotti e
Ubbiali, 2002). Citologicamente, resíduos queratináceos, queratinócitos e um pequeno
número de células basais, que lembram epitélio germinal, estão presentes.
Histologicamente, a queratinização abrupta do epitélio basal forma cistos córneos que
auxiliam a distinguir esses tumores dos tumores epiteliais basilares com diferenciação
folicular. O tratamento consiste em excisão cirúrgica ou criocirurgia. O prognóstico é
excelente.
Figura 3-29. Tricoepitelioma. Secção tecidual. Observa-se a queratinização abrupta no centro
que está rodeado por epitélio basal espessado, sugerindo formação pilosa rudimentar. (H&E; LP.)

Diagnóstico citológico diferencial: acantoma queratinizante infundibular, cisto epidérmico ou cisto


folicular.

Acantoma Queratinizante Infundibular


Esse tumor representa uma proliferação do epitélio contendo estruturas anexas e
foliculares com um poro para o lado externo, muitas vezes com numerosos cistos
córneos presentes (Fig. 3-30). Algumas raças (elkhound norueguês, keeshond) são
mais predispostas. O conteúdo dos poros é semelhante àqueles observados nos cistos
epidérmicos ou cistos foliculares. Citologicamente, resíduos queratinosos,
queratinócitos e cristais de colesterol caracterizam esse tumor. Um baixo número de
células epiteliais basais pode ser observado. O tratamento consiste em excisão
cirúrgica, criocirurgia e uso de retinoides, particularmente para as apresentações
múltiplas do tumor. O prognóstico é bom.
Figura 3-30. Acantoma queratinizante infundibular. Secção tecidual. Cão. A proliferação do
epitélio com estruturas foliculares pode ser observada. Nesta imagem, não está visível o poro voltado
para o exterior, o que demonstra a inversão epidérmica. (H&E; LP.)

Diagnóstico citológico diferencial: cistos epidérmicos ou cistos foliculares, tumores dos folículos
pilosos.

Adenoma Sebáceo
Esse tumor apresenta-se como uma lesão única com aspecto de couve-flor, macia, em
alto-relevo, com rarefação pilosa, ou como uma massa intradérmica multilobulada,
geralmentecom menos de 1 cm de diâmetro (Fig. 3-31A). A pele adjacente apresenta-
se alopécica e, algumas vezes, ulcerada. Em uma pesquisa, aproximadamente 6% de
todos os tumores de pele de cães e tumores subcutâneos corresponderam a esse tipo de
tumor, que é comum em cães (Gross et al., 2005). Cinquenta por cento desses tumores
em cães idosos ocorrem na cabeça (Goldschmidt e Shofer, 1992). Tumores múltiplos
são raros. Apesar de incomuns no gato, esses tumores são muitas vezes encontrados
na cabeça e no dorso. No centro dos lóbulos podem ocorrer degeneração cística e
inflamação lipogranulomatosa. Citologicamente, sebócitos maduros dispostos em
lóbulos ou agrupamentos predominam e são caracterizados por um citoplasma pálido
e espumoso que apresenta um núcleo pequeno, denso e posicionado centralmente
(Fig. 3-31B e C). Um número variável de células epiteliais germinais, que apresentam
citoplasma basofílico e uma alta proporção núcleo-citoplasma, pode acompanhar as
células secretórias. Centros necróticos contendo células com material amorfo e
basofílico, remanescentes de células espumosas, podem ser relacionados a
degeneração cística (Fig. 3-31D). O tratamento consiste em excisão cirúrgica ou
criocirurgia. O prognóstico é excelente.
Figura 3-31. Adenoma sebáceo. A, Cão. Lesão alopécica, em alto-relevo e lobulada, presente no
lábio. B-C, O mesmo caso. Aspirado tecidual. Cão. B, População monomórfica de células epiteliais
vacuolizadas apresentando um núcleo pequeno centralizado condizente com sebócitos maduros.
(Wright em base aquosa; óleo HP.) C, Observam-se a baixa proporção núcleo-citoplasma e o
citoplasma espumoso com delicadas estrias. (Wright em base aquosa; óleo HP.) D, Secção tecidual.
Pólipos consistindo em lóbulos sebáceos, ductos dilatados e áreas de degeneração cística de células
sebáceas. A ausência de orientação dos lóbulos ao redor dos ductos sustenta mais o diagnóstico de
crescimento adenomatoso do que de hiperplasia. (H&E; LP.)
(A, Cortesia do Departamento de Dermatologia, Universidade da Flórida.)

Ponto-Chave
A avaliação citológica é necessária para distinguir entre tumores sebáceos adenomatosos e
hiperplásicos.

Diagnóstico citológico diferencial: hiperplasia sebácea.

Epitelioma Sebáceo
Macroscopicamente, esse tumor assemelha-se ao adenoma sebáceo. Quando presente
na pálpebra, é denominado adenoma meibomianode. Os patologistas podem classificar
o epitelioma sebáceo na mesma categoria do adenoma sebáceo ou dos tumores de
células basais. Histologicamente, predomina o epitélio germinal, e pequenos lóbulos
de epitélio sebáceo maduro estão entremeados (Fig. 3-32A). Citologicamente, o tumor
assemelha-se a um tumor de células basais com pequenos agrupamentos epiteliais
basofílicos junto com grupos de sebócitos maduros espalhados (Fig. 3-32B) e pequenos
números de células epiteliais escamosas bem diferenciadas e individualizadas. O
comportamento é clínico, mas os tumores raramente podem apresentar recorrência
no local de origem. O prognóstico é geralmente excelente, seguido de excisão
cirúrgica.

Figura 3-32. Epitelioma sebáceo. Cão. A, Secção tecidual. Massa dérmica em orelha composta
de lóbulos e ilhas de epitélio basal neoplásico com focos ocasionais de sebócitos e queratinócitos.
(H&E; LP.) B, Aspirado tecidual. Observam-se agrupamentos de epitélio basal com sebócitos
dispersos nesta amostra de uma massa localizada no ombro. Seis meses após, esta massa foi
diagnosticada como carcinoma de células basais, relacionado a infiltração progressiva no tecido
subcutâneo. (Wright-Giemsa; óleo IP.)

Diagnóstico citológico diferencial: adenoma sebáceo, neoplasia cutânea epitelial basilar.

Carcinoma Sebáceo
Esse tumor é raro, porém, quando presente, é frequente na cabeça de cães. Cães da
raça cocker spaniel são mais predispostos. A massa é de crescimento rápido,
fracamente circunscrita, grande e ulcerada. Citologicamente, o epitélio glandular
pleomórfico apresenta características nucleares malignas, tais como anisocariose,
nucléolos proeminentes e frequentes figuras mitóticas atípicas. O citoplasma
finamente vacuolizado sugere diferenciação sebácea (Fig. 3-33). Em geral, esse tumor
é localmente invasivo, porém pode ocasionalmente causar metástase em linfonodos
regionais. O tratamento consiste em excisão cirúrgica ampla. O prognóstico é bom.
Figura 3-33. Carcinoma sebáceo. Aspirado tecidual. Cão. Uma população monomórfica de
células coesivas dispostas em folha e agregados é observada nesta amostra proveniente de uma massa
no ombro. Características malignas incluem uma alta proporção núcleo-citoplasma, anisocariose,
multinucleação, cromatina condensada e proeminente com nucléolos variáveis. O citoplasma é
basofílico, com frequentes vacúolos pontilhados e claros sugestivos de diferenciação sebácea. O
diagnóstico foi confirmado por histopatologia. (Wright-Giemsa; óleo HP.)

Diagnóstico citológico diferencial: carcinoma de células escamosas.

Adenoma da Glândula Perianal


O adenoma da glândula perianal é um tumor comum de cães machos intactos, o que
sugere a dependência de andrógenos. Goldschmidt e Shofer (1992) descreveram que
esse tumor corresponde a 9% dos tumores de pele. Os tumores das glândulas perianais
raramente são observados em gatos. O tumor pode ser único ou múltiplo, ocorrendo
geralmente próximo ao ânus (Fig. 3-34A), mas também pode ser encontrado na
cauda, no períneo, no prepúcio e na coxa e ao longo da linha média dorsal ou
ventral. Inicialmente, as lesões são redondas e possuem aparência lisa, em alto-
relevo, que se tornam lobuladas e ulceradas quando aumentam. O tumor tem origem
no epitélio glandular sebáceo modificado dentro da derme, que possui uma linha de
células basofílicas pequenas de reserva (Fig. 3-34B e C). Citologicamente, folhas de
células hepatoides redondas e maduras predominam, as quais são caracterizadas por
um citoplasma abundante finamente granular de coloração roxo-azulada (Fig. 3-34D).
Os núcleos assemelham-se aos núcleos normais observados nos hepatócitos,
aparecendo redondos com nucléolos muitas vezes únicos ou múltiplos e proeminentes.
Um pequeno número de células de reserva pequenas e basofílicas, contendo uma alta
proporção núcleo-citoplasma, também está presente, porém estas não apresentam
pleomorfismo celular (Fig. 3-34E). Adenomas de glândulas perianais são tumores
benignos que respondem a excisão cirúrgica ou criocirurgia acompanhada pela
castração. O prognóstico é de bom a excelente. A contrapartida maligna desse tumor
é raramente encontrada. Em geral, o pleomorfismo nuclear é acentuado nesses casos.

Figura 3-34. A, Tumor da glândula perianal. Massa anal. Cão. B, Tecido normal da glândula
perianal. Secção tecidual. Cão. O epitélio sebáceo modificado é constituído por células hepatoides
empilhadas que apresentam baixa proporção núcleo-citoplasma e que são limitadas por células de
reserva pequenas e basofílicas. (H&E; IP.) C-E, Adenoma de glândula perianal. C, Secção tecidual.
Cão. Esta imagem corresponde a uma massa bem circunscrita, e consiste em ilhas de células
hepatoides poligonais e uma proliferação densa de células de reserva pequenas e basofílicas
localizadas na área superior direita. (H&E; IP.) D, Aspirado tecidual. Cão. Observam-se nas células
hepatoides individuais um núcleo redondo e pequeno e um citoplasma rosa-azulado finamente
granulado. (Wright em base aquosa; óleo HP.) E, Aspirado tecidual. Cão. Células de reserva
pequenas e basofílicas apresentam-se espalhadas entre as células hepatoides. (Wright em base aquosa;
óleo HP.)
(A, Cortesia de Colin Burrows, Gainesville, Flórida.)
Diagnóstico citológico diferencial: hiperplasia da glândula perianal, carcinoma bem diferenciado
da glândula perianal.

Adenocarcinoma Glandular Apócrino do Saco Anal


(Adenocarcinoma do Saco Anal)
Há uma incidência elevada dessa doença em fêmeas de cães castradas e velhas, porém
não se confirmou uma maior prevalência de sexo (Goldschmidt e Shofer, 1992). A
maioria dos casos envolve cães, porém casos pouco frequentes foram descritos em
gatos. Macroscopicamente, o tumor apresenta-se como uma massa subcutânea
firmemente fixada ao redor do saco anal que se origina nas glândulas da parede
desses sacos. Uma síndrome paraneoplásica de hipercalcemia está associada a 50% a
90% dos casos, os quais podem resultar em doença renal (Ross et al., 1991).
Citologicamente, agrupamentos celulares densos com formato papilar apresentando
bordas celulares fracamente definidas são observadas em forma de carcinomas
anaplásicos e sólidos (Fig. 3-35A). Características malignas são facilmente detectadas
no epitélio glandular, mostrando pleomorfismo celular e nuclear, alta proporção
núcleo-citoplasma e, em alguns casos, pequenos e múltiplos vacúolos citoplasmáticos
(Fig. 3-35B). Um arranjo acinar deve ser detectado para auxiliar o diagnóstico e
permitir a diferenciação do carcinoma (hepatoide) perianal (Fig. 3-35C). O
tratamento consiste em ampla excisão cirúrgica com radioterapia no período pós-
operatório. Esses tumores malignos comumente causam metástase, que se inicia nos
linfonodos regionais. O prognóstico é de ruim a bom.
Figura 3-35. Adenocarcinoma glandular apócrino do saco anal. Aspirado tecidual. Cão. A-B,
mesmo caso. Agrupamentos de células frouxamente coesas com bordas celulares não perceptíveis
lembram uma aparência de núcleo livre ou nu. (Wright-Giemsa; óleo HP.) B, Características malignas
incluem alta e variável proporção núcleo-citoplasma, anisocariose, cromatina condensada e nucléolos
proeminentes. (Wright-Giemsa; óleo HP.) C, Uma disposição acinar com núcleos deslocados para a
periferia dentro de um agrupamento de células auxilia a diagnosticar esta massa neoplásica anal de
origem glandular. (Wright-Giemsa; óleo HP.)

Diagnóstico citológico diferencial: carcinoma da glândula perianal.

Adenoma/Adenocarcinoma da Glândula Ceruminosa


Esses tumores têm origem nas glândulas sudoríparas apócrinas especializadas
localizadas no conduto auditivo externo. São mais frequentes em gatos do que em
cães, especialmente em gatos mais idosos, e acometem, aproximadamente, 1% de
todos os tumores felinos submetidos a diagnóstico laboratorial (Moisan e Watson,
1996) e 6% de todos os tumores de pele felinos (Goldschmidt e Shofer, 1992). O
adenoma macroscopicamente assemelha-se a hiperplasia cística ceruminosa, um
crescimento não neoplásico, também comum em gatos, que está associado a otite
externa crônica. Tanto o adenoma quanto a hiperplasia são caracterizados por massas
pedunculadas ou nodulares lisas que raramente ulceram. Um líquido oleoso marrom a
negro sai de dentro do ducto glandular aumentado. Citologicamente, resíduos
amorfos junto com células inflamatórias em pequeno número e epitélio ductal podem
ser observados. O tratamento consiste em excisão cirúrgica conservadora. O
prognóstico é bom. Adenocarcinoma glandular ceruminoso foi observado em dois
terços dos tumores glandulares ceruminosos de gatos (Fig. 3-36A e B). Esse tumor é
localmente invasivo e, frequentemente, causa metástase nos linfonodos regionais. É
esperado que se observe na citologia pleomorfismo nuclear, e as células, em alguns
casos, contêm material granular negro, fino a grosseiro, que mimetiza o pigmento
melanina (Fig. 3-36C). A excisão cirúrgica radical é recomendada, e alguns sugerem a
radioterapia no período pós-operatório para limitar a recorrência.

Figura 3-36. A-C, O mesmo caso. Adenocarcinoma da glândula ceruminosa. Gato. A, Secção
tecidual de massa do canal auditivo. Proliferação neoplásica do epitélio ductular com grandes
cistos formados, os quais contêm sebo de coloração marrom. (H&E; LP.) B, Secção tecidual.
Alterações malignas observadas por anisocariose, núcleos vesiculares, nucléolos proeminentes e
epitélio ductular com anisocitose acentuada. Nota-se que a função apócrina dessas células é
demonstrada pelos glóbulos eosinofílicos localizados na superfície apical (setas). (H&E; óleo HP.)
C,Imprinttecidual. Agrupamentos compactos de epitélio demonstram uma elevada proporção núcleo-
citoplasma, nucléolos únicos proeminentes, cromatina condensada, anisocitose e anisocariose. Observa-
se a presença intracitoplasmática de material secretório globular negro em algumas células, que
podem estar finamente dispersos em outras células, o que lembra o pigmento melanina. (Wright em
base aquosa; óleo HP.) D-E, O mesmo caso. Cistadenoma apócrino. Aspirado tecidual. Cão. D,
Nota-se uma população uniforme de células epiteliais cuboides a colunares baixas. Os núcleos
redondos apresentam localização basilar. (Wright-Giemsa; óleo HP.) E, Alta magnificação de A. As
células epiteliais contêm um material secretório granular negro. (Wright-Giemsa; óleo HP.) F,
Adenoma apócrino ductular. Secção tecidual. Gato. Massa localizada na cabeça com proliferação
de epitélio basal ao redor dos centros que contêm colesterol, depósitos de cálcio ou material
liquefeito. Massas desta natureza eram anteriormente denominadas tumor cístico de células basais, o
que não é mais reconhecido como apropriado. (H&E; LP.)

Diagnóstico citológico diferencial: hiperplasia de glândulas ceruminosas (para adenoma).

Tumores das Glândulas Sudoríparas


Entre os tumores benignos das glândulas sudoríparas encontrados em cães e gatos, os
mais comumente observados são o cisto apócrino e o adenoma ductular apócrino,
comparados ao raramente encontrado cistadenoma apócrino e ao adenoma secretório
apócrino. Cavidades císticas revestidas por células cuboides a colunares que contêm
produto granular secretório podem ser observadas no cistadenoma apócrino (Fig. 3-
36D e E). Muitos adenomas ductulares apócrinos, especialmente aqueles observados
em gatos, foram previamente classificados como tumores císticos de células basais
(Gross et al., 2005). Eles são notados pelo epitélio basilar sólido e pelo aspecto
histológico cístico (Fig. 3-36F). O material cístico necrótico pode sofrer mineralização
distrófica.
Um tumor maligno de glândula sudorípara é um adenocarcinoma apócrino
secretório raro, o qual corresponde a 2 a 3% dos tumores de pele de cães e gatos,
respectivamente (Miller et al., 1991; Gross et al., 2005). Esse tumor quase sempre
localiza-se no dorso, nos flancos e nas patas de cães. Macroscopicamente, apresenta-
se como massa sólida, em alto-relevo e bem circunscrita, a qual muitas vezes ulcera.
Em gatos idosos, os locais de maior ocorrência são a cabeça e os membros, nos quais
aparece uma massa sólida e nodular. Uma forma alternativa observada no cão e no
gato é uma lesão ulcerativa, hemorrágica e frequentemente inflamada que se
assemelha à dermatite aguda. Citologicamente, o epitélio ductal está presente na
forma de agrupamentos de células basofílicas que exibem numerosas características
de malignidade. Em alguns casos, ocorre uma significativa fibroplasia, portanto
fibroblastos, junto com epitélio, podem ser observados em amostras aspiradas. O
tratamento consiste em ampla excisão cirúrgica. O prognóstico é de bom a reservado,
pois casos de recorrência e metástase foram descritos.

Diagnóstico citológico diferencial: adenocarcinoma da glândula mamária, adenocarcinoma do saco


anal, outros adenocarcinomas, neoplasias epiteliais basilares cutâneas.

Carcinomas Cutâneos Metastáticos


Os principais carcinomas que podem ocasionar metástase na pele incluem
adenocarcinoma duodenal (Juopperi et al., 2003), adenocarcinoma broncogênico
(Petterino et al., 2005) e carcinoma urotelial da bexiga urinária e próstata
(observações pessoais). Há uma associação bem reconhecida entre adenocarcinoma
pulmonar e alguns subtipos de metástases de falanges em gatos (Gross et al., 2005).
As características citológicas assemelham-se àquelas observadas nos sítios primários,
mas podem aparecer mais anaplásicas.

Mesenquimal

Fibroma
O fibroma é um tumor incomum de cães e gatos adultos que corresponde a
aproximadamente 1% das neoplasias cutâneas em cães (Yager e Wilcock, 1994). É
caracterizado por uma lesão solitária nas extremidades, cabeça, flancos e virilha.
Macroscopicamente, apresenta consistência firme a macia e é bem circunscrito, com
rarefação pilosa e formato redondo ou pedunculado. Citologicamente, números
variáveis de células fusiformes ou fusiformes com núcleo denso, oval, pequeno e
uniforme ocorrem individualmente ou em pequenos agrupamentos. Geralmente,
poucas células esfoliam para amostras citológicas. O citoplasma é levemente
basofílico e as bordas celulares são fracamente definidas à medida que formam caudas
citoplasmáticas no lado oposto ao núcleo (Fig. 3-37A). Material eosinofílico amorfo
representando colágeno intercelular pode estar associado a células neoplásicas.
Histologicamente, as células fusiformes podem estar dispostas ou frouxamente ou
como agrupamentos densos de colágeno (Fig. 3-37B) que raramente são observados
na análise citológica (Fig. 3-37C). Tais tumores são benignos, e o tratamento consiste
em excisão cirúrgica. Em geral, o prognóstico é bom, com exceção de recorrência
ocasional no local, seguida da remoção de grandes massas tumorais.
Figura 3-37. Fibroma. Cão. A-C, O mesmo caso.Imprinttecidual. Células fusiformes estão
presentes, com citoplasma levemente basofílico e não evidente que se estende de ambas as terminações
dos núcleos ovais. Observa-se material eosinofílico amorfo espalhado entre as células dessa massa
metatársica. (Wright em base aquosa; óleo HP.) B, Secção tecidual. Proliferação frouxa de fibrócitos
benignos dentro do padrão ondulado de fibras colágenas. (H&E; IP.) C, Secção tecidual. Alta
magnificação do campo observado em A. Feixes densos de colágeno corados levemente de rosa com
núcleos ovais basofílicos emaranhados no tecido conjuntivo. (Wright em base aquosa; óleo HP.)

Diagnóstico citológico diferencial: mixoma, fibrossarcoma bem diferenciado, tumores da bainha


neural.

Fibrossarcoma
Esse tumor comum de cães e gatos corresponde a 15 a 17% das neoplasias de pele em
gatos e é o quarto tumor de pele mais comum nessas espécies (Miller et al., 1991,
Goldschmidt e Shofer, 1992). Os fibrossarcomas que ocorrem em gatos jovens podem
ser ocasionados pelo vírus do sarcoma felino e apresentar-se de forma múltipla. Em
cães e gatos idosos, os tumores são solitários e com predileção por membros, tronco e
cabeça. Os tumores são fracamente circunscritos e algumas vezes apresentam-se
ulcerados (Fig. 3-38A). Tais tumores malignos são invasivos, e em aproximadamente
25% dos casos ocorre metástase por via hematógena. Os fibrossarcomas induzidos por
vacina, possivelmente relacionados à administração subcutânea de vacinas com vírus
morto em gatos, são localmente invasivos e agressivos (Gross et al., 2005).
Citologicamente, os fibrossarcomas consistem em um número abundante de células
grandes e volumosas (Fig. 3-38B), as quais ocorrem individualmente ou em agregados
muitas vezes associados a material colagenoso rosa. Células gigantes multinucleadas
podem estar presentes ocasionalmente.

Figura 3-38. Fibrossarcoma. A, Gato. Recorrência de tumor no sítio onde previamente foi
realizado um procedimento cirúrgico para remover a orelha e o tecido adjacente. B, Aspirado
tecidual. Gato. Células ovais volumosas com caudas citoplasmáticas escassas de uma massa localizada
na pata. Raras células multinucleadas são observadas na região inferior direita da imagem. (Wright em
base aquosa; óleo HP.) C, Aspirado tecidual. Cão. Grandes feixes intercalados de células fusiformes
com características malignas. (H&E; IP.)
(A, Cortesia de Jamie Bellah, Gainesville, Flórida.)

O pleomorfismo nuclear pode ser acentuado em relação à sua contrapartida


benigna. As células são menos uniformes e, geralmente, apresentam uma alta
proporção núcleo-citoplasma. O tratamento consiste em ampla excisão cirúrgica e/ou
amputação. A recorrência se dá em 30% dos casos caninos. Alternativamente, a
radioterapia com ou sem hipertermia pode ser útil no período pós-cirúrgico.
Imunoestimulantes em associação a um procedimento cirúrgico e a radioterapia
também mostraram resultados promissores. A quimioterapia apenas não provou ser
efetiva no tratamento do fibrossarcoma, mas pode ser útil quando utilizada em
associação a outras modalidades. O prognóstico é bom a ruim, dependendo do sítio e
do grau de anaplasia.

Ponto-Chave
A avaliação histológica é necessária para diferenciar entre fibrossarcoma e outras malignidades das
células fusiformes mesenquimais ou tecido de granulação (Fig. 3-38C). A imuno-histoquímica pode
ser semelhantemente útil na distinção da origem tecidual.

Diagnóstico citológico diferencial: tecido de granulação, tumores malignos da bainha neural,


sarcoma anaplásico com células gigantes, tumores da parede perivascular, mixossarcoma.

Mixoma/Mixossarcoma
Os mixomas são tumores raros em cães e gatos e correspondem a menos de 1% dos
tumores de pele (Goldschmidt e Shofer, 1992). Os mixomas apresentam crescimento
infiltrativo, e dão a impressão de serem uma massa flutuante e macia que se
apresenta levemente elevada. Os locais comuns de acometimento em cães e gatos são
membros, tórax e abdômen. Citologicamente, uma matriz intercelular está muitas
vezes presente no fundo da lâmina com um material amorfo, granular e eosinofílico
(Fig. 3-39A e B). Células estreladas e fusiformes bem diferenciadas são observadas em
pequenos números nas lesões benignas, as quais aumentam com base no grau de
pleomorfismo nuclear e celular na forma maligna (Fig. 3-39C). Células
multinucleadas estão presentes ocasionalmente em mixossarcomas. A coloração azul
alcião para detectar mucina é diagnóstica (Fig. 3-39D). O tratamento consiste em
excisão cirúrgica. O prognóstico é bom a razoável, já que a recorrência é comum,
porém raramente causa metástase.
Figura 3-39. A, D, O mesmo caso. A, Mixoma. Aspirado tecidual. Cão. Matriz intercelular
densa, granular e eosinofílica presente juntamente com pequenos núcleos densos, sugerindo uma
proliferação benigna desta amostra referente a uma massa localizada no carpo. (Wright em base
aquosa; óleo HP.) B-C, O mesmo caso. Mixossarcoma. Aspirado tecidual. Cão. B, Observa-se uma
matriz granular eosinofílica intra e extracelularmente distribuída, apresentando células mesenquimais
individualizadas oriundas de uma massa metacárpica. (Wright em base aquosa; óleo HP.) C, Células
fusiformes pleomórficas com núcleo oval e vesicular caracterizam a forma maligna do tumor
mixomatoso. (Wright em base aquosa; óleo HP.) D, Mixoma. Secção tecidual. Cão. As substâncias de
fundo coram-se de azul ou apresentam positividade para mucina observada pela coloração vermelha
entre os núcleos. (Azul alcião; IP.)

Diagnóstico citológico diferencial: fibroma, fibrossarcoma, tumores da bainha neural, tumores da


parede perivascular.

Tumores da Parede Perivascular (Hemangiopericitoma e


Miopericitoma Caninos)
Os tumores que se originam dessa localização são comuns no cão e podem estar
presentes em 7% das neoplasias de pele (Goldschmidt e Shofer, 1992). As células
neoplásicas são derivadas dos pericitos (hemangiopericitoma) e miopericitos
(miopericitoma); ambas as células estão localizadas na parede dos vasos sanguíneos,
adjacentes ao endotélio. Muitas vezes, os tumores são solitários e apresentam
predileção pelas articulações dos membros, porém são observados comumente no
tórax e no abdômen. Esses tumores são macios a firmes, multilobulados e muitas vezes
bem circunscritos. Histologicamente, pertencem a um grupo maior de células
fusiformes tumorais, com aparência típica de impressão digital formada por células
fusiformes volumosas e apresentando um baixo índice mitótico (Avallone et al., 2007)
(Fig. 3-40 A). Embora padrões vasculares em forma de coral estejam mais associados
a hemangiopericitoma, padrões em redemoinhos e placentoide estão mais associados
a miopericitoma. Citologicamente, as amostras apresentam quantidade celular
moderada a elevada (Fig. 3-34B). Células fusiformes volumosas podem estar
individualizadas ou dispostas em grupos, algumas vezes encontrados aderidos à
superfície dos capilares (Fig. 3-40C). Os núcleos são ovoides e apresentam um ou mais
nucléolos centrais proeminentes. Células multinucleadas podem ser observadas
ocasionalmente. Um estroma colagenoso amorfo de coloração rosa intensa pode estar
associado às células. O citoplasma é basofílico e, muitas vezes, apresenta numerosos
vacúolos separados e pequenos e ocasionais glóbulos eosinofílicos (Fig. 3-40D).
Células linfoides foram observadas em, aproximadamente, 10% dos casos. O
tratamento varia de acordo com o diagnóstico específico, incluindo a excisão cirúrgica
ampla ou amputação e a radioterapia com ou sem hipertermia para a doença
agressiva e recorrente denominada hemangiopericitoma. O prognóstico é
intermediário, pois 20 a 60% podem recorrer localmente, em especial naqueles casos
em que se utilizou excisão conservativa. O aparecimento de metástase é raro.
Miopericitomas são mais bem distinguidos por meio de imunomarcadores como a
desmina, a panactina ou a calponina (Avallone et al., 2007). O prognóstico é bom,
pois os miopericitomas respondem bem à excisão cirúrgica.
Figura 3-40. A, C, D, O mesmo caso. Miopericitoma. Secção tecidual. Cão. Configuração
clássica de impressão digital das células fusiformes volumosas ao redor dos vasos sanguíneos
provenientes de uma massa localizada na coxa. O padrão histológico de tumor da parede perivascular
sugere miopericitoma relacionado à forma convoluta de uma impressão digital. (H&E; IP.) B, Tumor
da parede perivascular. Aspirado tecidual. Cão. A amostra citológica de uma massa localizada no
subcutâneo da região esternal apresenta-se altamente celular, com agregados de células mesenquimais
e volumosas, mono ou multinucleares. (Wright-Giemsa; óleo HP.) C-D, Miopericitoma. Aspirado
tecidual. Cão. C, Observam-se células fusiformes volumosas aderidas à superfície dos capilares.
(Wright em base aquosa; óleo HP.) D, O citoplasma apresenta-se basofílico com numerosos vacúolos
separados e pequenos, e uma célula apresenta glóbulos eosinofílicos. (Wright em base aquosa; óleo
HP.)

Diagnóstico citológico diferencial: tumores da bainha neural, fibrossarcoma bem diferenciado,


tumores mixomatosos, sarcoma anaplásico com células gigantes.

Sarcoma Anaplásico com Células Gigantes (Histiocitoma


Fibroso Maligno)
Este é um tumor incomum em cães, correspondendo a 0,34% de todos os tumores
caninos (Waters et al., 1994), e envolve até 3% dos tumores de pele em gatos (Miller
et al., 1991). Esse tumor é de células fusiformes pleomórficas (Fig. 3-41A), e a origem
destas, provavelmente, envolve um precursor celular pluripotente dérmico primitivo,
desde que a imuno-histoquímica não determina a origem histiocítica (Pace et al.,
1994). Um subtipo desse é conhecido como tumor de células gigantes de partes moles,
no qual células multinucleadas são frequentes. Esses tumores podem ser solitários ou
múltiplos e ocorrem na maioria das vezes nos membros de cães e gatos idosos, porém
aparecem também em órgãos abdominais, pulmões e linfonodos. O músculo
esquelético e o tecido subcutâneo do ombro e o linfonodo regional foram
diagnosticados como histiocitoma fibroso maligno em uma descrição de caso de um
cão (Desnoyers e St-German, 1994). Os tumores são firmes e pouco circunscritos.
Citologicamente, as amostras apresentam uma população mista de células
multinucleadas e células fusiformes e volumosas (Fig. 3-41B e C). O tratamento
envolve a excisão cirúrgica radical e a quimioterapia, com ou sem radioterapia. O
prognóstico é reservado, pelo fato de que esses tumores são localmente invasivos,
com recorrência frequente, e raramente podem causar metástase, em especial
naqueles casos que apresentam uma alta porcentagem de células gigantes.

Figura 3-41. Sarcoma anaplásico com células gigantes. A, C, O mesmo caso. A, Secção
tecidual. Gato. Células fusiformes pleomórficas firmemente reunidas formando um redemoinho ou
feixes entrelaçados (estoriformes). Observam-se células multinucleadas espalhadas e frequentes por
toda a amostra correspondente a uma massa cutânea torácica. Este tumor recorreu 3 meses após a sua
excisão cirúrgica. (H&E; IP.) B, Aspirado tecidual. Cão. Uma população mista de células fusiformes
volumosas está presente nesta amostra de uma massa na região do flanco apresentando múltiplas
características de malignidade, incluindo elevada e variável proporção núcleo-citoplasma, nucléolos
proeminentes, anisocariose e multinucleação. (Wright-Giemsa; óleo IP.) C, Aspirado tecidual. Gato.
Células gigantes de tamanho variável estão presentes. O citoplasma contém granulação eosinofílica
fina. (Wright-Giemsa; óleo HP.)
Diagnóstico citológico diferencial: fibrossarcoma, sarcoma de outras origens, tecidos de
granulação, sarcoma histiocítico.

Lipoma
Este é um tumor mesenquimal muito comum em cães e corresponde a 8% dos tumores
de pele (Goldschmidt e Shofer, 1992). Apresenta um crescimento benigno. O lipoma
acomete geralmente fêmeas de cães obesas e velhas. Ocorre em 6% dos gatos
(Goldschmidt e Shofer, 1992). O tumor pode ser único ou múltiplo, acometendo
frequentemente o tronco e a região proximal dos membros. O lipoma apresenta um
formato redondo, bem circunscrito, macio, muitas vezes com massas móveis no
subcutâneo que podem crescer lentamente, tornando-se bastante grandes. Alguns
podem infiltrar por entre os músculos. Citologicamente, as amostras em lâminas não
coradas aparecem úmidas com gotas brilhantes que não secam completamente. Os
lipídios podem ser mais bem visualizados com uma coloração solúvel em água como
novo azul de metileno (Fig. 3-42A) ou uma coloração lipídica como o óleo vermelho
O. Quando são usados fixadores como o álcool em colorações tipo Romanowsky, o
lipídio é dissolvido, quase sempre deixando a lâmina sem células. Quando presentes,
os lipócitos intactos apresentam um citoplasma claro e abundante com um núcleo
pequeno e comprimido em um lado da célula (Fig. 3-42 B e C). O tratamento envolve
excisão cirúrgica. O prognóstico é excelente, porém alguns lipomas infiltrativos são
difíceis de ser completamente excisados.
Figura 3-42. Lipoma. Aspirado tecidual. A, Cão. Adipócitos não se dissolvem em colorações
solúveis em água e, portanto, são mais visíveis. Observa-se o núcleo picnótico e basofílico em relação
ao imenso volume citoplasmático. (Novo azul de metileno; IP.) B, Cão. Grande agregado de
adipócitos. (Romanowsky; LP) C, Gato. Adipócitos com núcleos densos e pequenos. O material de
fundo de coloração azul pálida é um artefato provavelmente resultante de lavagem incompleta da
lâmina no processo de coloração. (Wright-Giemsa; óleo HP.)

Diagnóstico citológico diferencial: gordura subcutânea normal.

Lipossarcoma
Os lipossarcomas são tumores raros de cães e gatos que correspondem a menos de
0,5% dos tumores de pele (Goldschmidt e Shofer, 1992). Esses tumores geralmente são
massas solitárias que ocorrem em qualquer lugar, porém quase sempre são observados
na região ventral do abdômen. Uma associação a um corpo estranho foi documentada
em um relato de caso (McCarthy et al., 1996). São tumores firmes, fracamente
circunscritos e aderentes ao tecido adjacente (Fig. 3-43A). Pode ocorrer ulceração da
epiderme. Citologicamente, observam-se células mesenquimais em agregados densos
contendo uma quantidade variável de vacúolos lipídicos (Fig. 3-43B). As células
apresentam-se volumosas, fusiformes, com um núcleo grande e vesicular e nucléolos
proeminentes, e podem conter vacúolos intracitoplasmáticos gordurosos de tamanhos
variados (Fig. 3-43C). Células multinucleadas podem estar presentes. Uma variante
mixoide pode estar associada a coloração abundante de azul alcião, porém vacúolos
citoplasmáticos permanecem dentro de algumas células, e devem ser considerados
lipoblastos (Boyd et al., 2005). Esses tumores são malignos e apresentam moderado
potencial metastático. O tratamento envolver excisão cirúrgica ampla, mas deve ser
acompanhada por radiação e hipertermia para controlar a recorrência. O prognóstico
é reservado, pois esses tumores provavelmente irão recorrer e causar metástase.

Figura 3-43. Lipossarcoma. Cão. A, Secção tecidual. Vacúolos lipídicos estão espalhados entre
as folhas densas de células mesenquimais com núcleos vesiculares. (H&E; IP.) B, Aspirado tecidual.
Agregados grandes de células mesenquimais com vacúolos lipídicos espalhados que parecem
enrugados e bem definidos observados na amostra de uma massa localizada na pata. (Wright em base
aquosa; óleo HP.) C, Aspirado tecidual. Células aparentando ser fusiformes e volumosas, com núcleos
vesiculares grandes e nucléolos proeminentes com vacúolos intracitoplasmáticos gordurosos de
tamanhos variáveis. (Wright em base aquosa; óleo HP.)
(C, Cortesia de Peter Fernandes.)

Diagnóstico citológico diferencial: fibrossarcoma, sarcoma não diferenciado, carcinoma


anaplásico.

Hemangioma
Esse tumor benigno é mais comum em cães do que em gatos, representando cerca de 5
e 2% das massas cutâneas, respectivamente (Goldschmidt e Shofer, 1992; Miller et al
., 1991). As massas podem ser solitárias ou múltiplas. Os hemangiomas são nódulos
separados observados na cabeça, tronco ou membros, de coloração vermelho-escuro a
púrpura e consistência esponjosa (Fig. 3-44). Citologicamente, observa-se conteúdo
sanguíneo semelhante a contaminação sanguínea. Pequenas células endoteliais
basofílicas não são frequentes. Muitas vezes, é observada hemorragia aguda ou
crônica, resultando em eritrofagocitose ou macrófagos carregados de hemossiderina.
As plaquetas não estão presentes comumente. O tratamento envolve a excisão
cirúrgica ou a criocirurgia.

Figura 3-44. Hemangioma. Secção tecidual. Cão. Nódulo dérmico bem definido com
proliferação endotelial e espaços cavernosos repletos de células sanguíneas. (H&E; LP.)

Diagnóstico citológico diferencial: hematoma, contaminação sanguínea.

Hemangiossarcoma
Esta é uma massa maligna infiltrativa da derme ou dosubcutâneo. É um tumor pouco
frequente em cães e gatos idosos, que corresponde a cerca de 1 e 3% dos tumores de
pele, respectivamente (Goldschmidt e Shofer, 1992). Estudos mostram uma associação
entre tumores dérmicos vasculares e radiação solar (Hargis et al., 1992). Mais
frequentemente, os tumores são observados em locais de rarefação pilosa, como na
região ventral do abdômen de cães e nas pinas dos gatos (Hargis et al., 1992; Miller et
al., 1992). As lesões são em alto-relevo, pouco circunscritas, ulceradas e hemorrágicas.
Citologicamente, as amostras apresentam baixa celularidade, com numerosas células
sanguíneas de fundo. Casos de hemangiossarcomas sólidos e anaplásicos podem
conter agregados grandes e densos de células mesenquimais acentuadamente
pleomórficas (Fig. 3-45 A). Espera-se evidência de eritrofagia aguda ou hemorragia
crônica com macrófagos carregados de hemossiderina (Fig. 3-45B). As células
neoplásicas são pleomórficas, variando de fusiformes a estreladas a epitelioides
(Wilkerson et al., 2002). O citoplasma é basofílico, apresentando bordas celulares
indistintas e frequente vacuolização pontilhada. As células apresentam uma alta
proporção núcleo-citoplasma, núcleo oval com cromatina c condensada e múltiplos
nucléolos proeminentes (Fig. 3-45C). O diagnóstico pode ser auxiliado por imuno-
histoquímica utilizando-se fator de von Willebrand (fator VIII relacionado a
antígeno), CD31 e vimentina (Miller et al., 1992; Bertazollo et al., 2005). Os
angiossarcomas epitelioides são negativos para citoqueratinas. O tratamento consiste
em excisão cirúrgica radical e, no caso de possíveis lesões metastáticas, deve-se
combinar a quimioterapia. O prognóstico é reservado, devido à invasão regional e à
recorrência local. A ocorrência de metástase é incomum, porém aqueles tumores que
ocorrem no tecido subcutâneo são os mais prováveis de se disseminar.

Figura 3-45. Hemangiossarcoma. Aspirado tecidual. Cão. A-C, O mesmo caso. A, Agregados
densos e grandes de células mesenquimais acentuadamente pleomórficas provenientes de uma massa
cutânea. (Wright-Giemsa; óleo HP.) B, Observam-se os grânulos azul-escuros relacionados à
hemorragia crônica. Uma figura mitótica é observada no canto direito superior. (Wright-Giemsa; óleo
HP.) C, Células com alta proporção núcleo-citoplasma, com núcleos ovais, cromatina condensada e
nucléolos múltiplos e proeminentes. Observam-se os vacúolos pontilhados no citoplasma, os quais são
comumente observados neste tumor. (Wright-Giemsa; óleo HP.)

Diagnóstico citológico diferencial: fibrossarcoma, sarcoma não diferenciado, tumores da parede


perivascular, linfangiossarcoma.
Melanoma
Formas benignas e malignas são comuns, correspondendo a 5% dos tumores cutâneos
de cães e 3% dos tumores cutâneos de gatos (Yager e Wilcock, 1994). Animais idosos
geralmente são acometidos, assim como aqueles que apresentam pigmentação negra
na pele. Fatores macroscópicos distinguem as formas malignas e benignas.
Aproximadamente 70% dos tumores melanocíticos são benignos, aparecendo
principalmente com coloração de marrom-escuro a preto, circunscritos, em alto-
relevo, em forma de abóbada e cobertos por uma pele lisa e com rarefação pilosa
(Fig. 3-46A e B). Os tumores malignos apresentam pigmentação variada, infiltração, e
com frequência ulceram e inflamam. Citologicamente, as células, tanto da forma
maligna quanto da benigna, são pleomórficas, variando de epitelioides (Fig. 3-46C) a
fusiformes (Fig. 3-46D), ou, ocasionalmente, são separadas e redondas,
assemelhando-se àquelas observadas no plasmocitoma cutâneo (Fig. 3-46E). Nos
tumores bem diferenciados, numerosos grânulos citoplasmáticos finos verde- escuros
podem mascarar o núcleo da célula (Fig. 3-46D,F). Os núcleos celulares nas formas
benignas são pequenos e uniformes, comparados com anisocitose, anisocariose,
cromatina condensada e nucléolos proeminentes observados nos melanomas malignos
(Fig. 3-46G). Tumores pouco diferenciados podem conter pouco ou nenhum grânulo
citoplasmático (Fig. 3-46C). Uma aparência granular cinza fina como poeira em
poucas células pode ser útil para determinar se o tumor é melanocítico (Fig. 3-46H).
Encontra-se raramente uma célula em forma de balão variante do melanoma, e pode
ser difícil diferenciá-la daquelas observadas no carcinoma sebáceo, lipossarcoma ou
outros tumores de células claras sem marcadores melanocíticos ou evidência
ultraestrutural de melanossomos (Wilkerson et al., 2003). Em geral, o tratamento
envolve excisão cirúrgica ampla. O prognóstico depende da localização do tumor, da
sua origem e das características histológicas. Tumores benignos de pele apresentam
taxa mitótica baixa e frequentemente têm um bom prognóstico. As formas malignas
aparecem mais frequentemente no leito ungueal, nos lábios e em outras junções
mucocutâneas orais em cães. As últimas formas apresentam um prognóstico de
reservado a ruim, o qual está relacionado à frequente ocorrência de metástase e
recorrência.
Figura 3-46. A, Melanoma. Massa cutânea. Cão. Observa-se uma massa redonda, em alto-relevo,
circunscrita e de coloração marrom-escura a negra. Tais características correspondem a tumores
melanocíticos bem diferenciados. B, D, F, O mesmo caso. B, Melanoma benigno. Secção tecidual.
Cão. Melanócitos estão presentes na camada basal da epiderme e dentro da derme superficial, os quais
se apresentam dispostos em grupamentos ou difusamente. Observam-se células altamente pigmentadas
nesta massa localizada no dorso. (H&E; IP.) C, E, O mesmo caso.Imprinttecidual. Cão. Células não
pigmentadas apresentam-se agrupadas, resultando em uma aparência epitelial coesa. Citoplasma claro
e abundante está presente no tipo de melanoma pouco diferenciado. Esta amostra corresponde a uma
massa oral localizada na gengiva e é associada a mau prognóstico. (Wright-Giemsa; óleo HP.) D,
Melanoma benigno.Imprinttecidual. Cão. Células fusiformes individualizadas com abundante
pigmentação de melanina. (Wright em base aquosa; óleo HP.) E, Melanoma
amelanótico.Imprinttecidual. Cão. Em outras partes da lâmina, células individualizadas com uma
aparência plasmocitoide são evidentes. Observam-se múltiplos nucléolos proeminentes, anisocariose,
cromatina condensada e núcleos redondos a ovais no melanoma pouco diferenciado. (Wright em base
aquosa; óleo HP.) F, Melanoma benigno.Imprinttecidual. Cão. Observam-segrandes agregados de
células pigmentadas de negro, o que mascara os detalhes nucleares. (Wright em base aquosa; óleo
HP.) G, Melanoma amelanótico.Imprintde lesão oral. Cão. As características malignas observadas
incluem nucléolos grandes e múltiplos, anisocariose, cromatina condensada e uma variável proporção
núcleo-citoplasma. Observa-se a célula com poucos grânulos negros semelhantes a areia. (Wright em
base aquosa; óleo HP.) H, Melanoma. Aspirado tecidual. Cão. Os grânulos de melanina finos de
coloração cinza-escura auxiliam na determinação do diagnóstico de tumores melanocíticos pouco
diferenciados. (Wright-Giemsa; óleo HP.) I, Melanoma. Aspirado de massa cutânea. Cão. Coloração
imuno-histoquímica proeminente no citoplasma de células de um melanoma amelanótico multicêntrico.
(Melan-A/AEC; óleo HP.)
(A, Cortesia de Leslie Fox, Gainesville, Flórida. I, Cortesia de Michael Logan, Purdue University.)
Ponto-Chave
O número de grânulos de melanina pode variar em um tumor de regiões mais profundas composto
de células fusiformes, com poucos grânulos, comparado àquele de áreas superficiais, composto por
células epitelioides. Colorações especiais, como o corante de Fontana, podem ser utilizadas nas
preparações citológicas para detectar grânulos de melanina que são difíceis de visualizar, e são
especialmente úteis nos melanomas amelanóticos. A coloração azul da Prússia auxilia na identificação
de grânulos de hemossiderina, que se coram, nesse caso, de verde-escuro e podem lembrar os
melanócitos. Além disso, a imuno- histoquímica com os corantes Melan-A e S-100 pode ser útil na
distinção do melanoma amelanóstico do plasmocitoma, assim como a expressão negativa de CD18 e
CD45 (Ramos-Vara et al., 2002) (Fig. 3-46I).

Diagnóstico citológico diferencial para melanoma benigno: melanócitos da pele normal, células
basais normalmente pigmentadas, melanófagos, macrófagos carregados de hemossiderina.

Diagnóstico citológico diferencial para o melanoma maligno: plasmocitoma, fibrossarcoma,


sarcoma não diferenciado e outros tumores cutâneos com células fusiformes.

Células arredondadas ou individualmente distintas

Histiocitoma Canino
O histiocitoma é um tumor benigno, comum, de crescimento rápido, que acomete cães
jovens, correspondendo a aproximadamente 12 a 14% das massas cutâneas
(Goldschmidt e Shofer, 1992; Yager e Wilcock, 1994). Origina-se das células de
Langerhans da epiderme. O tumor apresenta-se como uma massa solitária pequena,
bem circunscrita, em formato de abóbada, vermelha, ulcerada e com rarefação pilosa,
o chamado tumor em botão. Ocorre frequentemente na cabeça, especialmente nas
pinas, assim como nos membros pélvicos, patas e tronco. Histologicamente, observa-
se um infiltrado dérmico denso não encapsulado de células redondas, fortemente
associadas a epitélio hiperplásico (Fig. 3-47A). Figuras mitóticas são observadas com
frequência (Fig. 3-47B). Citologicamente, as células possuem bordas citoplasmáticas
variavelmente distintas (Fig. 3-47C). Os núcleos são ovais, redondos ou indentados,
com uma cromatina frouxa e nucléolos indistintos (Fig. 3-47D). As células exibem
anisocariose e anisocitose mínimas. O citoplasma é abundante e de coloração clara a
ligeiramente basofílica (Fig. 3-47E). Um número variável de linfócitos pequenos e
bem diferenciados, provavelmente células T citotóxicas, comumente aparece em
lesões de regressão e pode, algumas vezes, ocorrer como tipo celular predominante
(Fig. 3-47 F). A coloração citoquímica e a imunocoloração desses tumores podem ser
positivas para marcadores histiocíticos (Fig. 3-47 G), incluindo esterases não
específicas, lisosima, E-caderina, CD1, CD11c, CD18, CD45 e MHC-II (Moore et al.,
1996). O tratamento envolve excisão cirúrgica, caso seja necessário. O prognóstico é
de excelente a bom, pois o tumor, frequentemente, regride espontaneamente dentro
de 3 meses e a recorrência é rara.
Figura 3-47. A-G, Histiocitoma. Cão. A-B, O mesmo caso. Secção tecidual. A, A derme contém
um infiltrado difuso nodular e denso de células redondas que estão fortemente associadas a epitélio
hiperplásico. (H&E; IP.) B, Figuras mitóticas são frequentemente observadas entre as células
histiocíticas pleomórficas. Uma figura mitótica aparece no centro da imagem (seta). (H&E; óleo HP.)
C-D, O mesmo caso. Aspirado tecidual. Nesta amostra de uma massa localizada no dorso, as células
apresentam bordas citoplasmáticas variavelmente distintas. (Wright-Giemsa; óleo HP.) D, Aspirado
tecidual. Os núcleos são redondos, ovais ou indentados, com uma cromatina fina e nucléolos
imperceptíveis. Anisocitose e anisocariose moderadas. Um pequeno linfócito está presente no canto
inferior esquerdo, próximo ao centro. (Wright-Giemsa; óleo HP.) E, Aspirado tecidual. O citoplasma
é abundante e claro a levemente basofílico, e as células parecem separadas nesta amostra de uma massa
labial. (Wright-Giemsa; óleo HP.) F-G, O mesmo caso. F, Aspirado tecidual. Vários linfócitos estão
presentes, sugerindo regressão da lesão localizada no cotovelo. (Wright em base aquosa; óleo HP.) G,
Aspirado tecidual. Coloração vermelha citoplasmática indica reação positiva a este marcador
histiocítico citoquímico. (Alfanaftilbutirato esterase; óleo HP) H-I, O mesmo caso. Sarcoma
histiocítico. Aspirado tecidual. Cão. H, Massa cutânea no flanco, que um mês depois progrediu
para uma proliferação celular semelhante observada ao redor da cabeça do fêmur. A amostra é
altamente celular, com células redondas largas (20-30 μm) como população predominante. Essas
células apresentam núcleos redondos a indentados que são finamente granulados com múltiplos
nucléolos pequenos. O citoplasma cinza é geralmente abundante, com ocasionais vacúolos pequenos
pontilhados. O fundo da lâmina contém lipídios livres e uma mistura de linfócitos e plasmócitos.
Anisocitose, anisocariose e variável proporção núcleo-citoplasma caracterizam essa população.
(Wright-modificado; óleo HP.) I, Há uma membrana variavelmente vermelha e granular corada com
imuno-histoquímica para o antígeno anti-CD1c, indicando que a população celular é principalmente
composta por células dendríticas. Outra consideração para a aparência histiocítica deve ser a origem
macrofágica, porém neste caso não se espera CD1 positivo.
Diagnóstico citológico diferencial: linfoma, plasmocitoma, histiocitose cutânea benigna,
histiocitose sistêmica, histiocitose das células de Langerhans, dermatite granulomatosa nodular.

Histiocitose Felina Progressiva das Células Dendríticas Felina


Poucos casos foram identificados em gatos, os quais se apresentaram como nódulos
cutâneos únicos, costumeiramente ao redor de cabeça, pescoço ou extremidades
inferiores (Affolter e Moore, 2006). Esses tumores podem mudar para massas
múltiplas intradérmicas, que mais tarde se tornam ulceradas. Células histiocíticas
uninucleadas ou multinucleadas, as quais podem se assemelhar a plasmócitos,
predominam. As células expressam CD18, CD1 e MHC-II. Desde que a maioria
avaliada não apresenta E-caderina, é possível que as células apresentadas sejam
células dendríticas dérmicas, e não células de Langerhans. A quimioterapia ou a
administração de drogas imunossupressoras e imunomodulatórias não foram efetivas.
A etiologia é desconhecida. Inicialmente, a doença progride lentamente, porém, no
final, torna-se agressiva.

Diagnóstico citológico diferencial: linfoma, plasmocitoma.

Sarcoma Histiocítico
Esse tumor de células dendríticas neoplásicas ocorre como uma condição localizada ou
disseminada (Affolter e Moore, 2006). Sarcomas histiocíticos localizados são comuns
em cães e incomuns em gatos. Apresentam-se como massas firmes, muitas vezes
subcutâneas, localizadas nas extremidades e nos sítios periarticulares. Em contraste
com os histiocitomas e a histiocitose das células de Langerhans, que se originam na
derme e são E-caderina-positivos, os sarcomas histiocísticos originam-se no
subcutâneo de células dendríticas dérmicas que podem se estender até a derme.
Citologicamente, pode-se observar tanto a aparência de células redondas e
mesenquimais quanto células fusiformes. Células gigantes multinucleadas também
podem ocorrer, o que lembra o sarcoma anaplásico com células gigantes. Células
redondas individualizadas contendo citoplasma basofílico abundante, que também
podem mostrar vacuolização, também são observadas. Os núcleos são vesiculados,
redondos a indentados, com um ou mais nucléolos. Anisocariose e anisocitose
acentuadas são muitas vezes observadas (Fig. 3-47H). A expressão imunoquímica é
positiva para CD45, CD18, CD1, CD11c e MHC-II no cão e no gato (Fig. 3-47I).
Estudos preliminares conduzidos pela autora suportam a expressão por BLA.36, um
marcador frequentemente utilizado para células B. As células tumorais de origem
dérmica dendrítica não apresentam a expressão de E-caderina, indicando que não são
células de Langerhans. Sarcomas histiocíticos são localmente invasivos, provocando
metástase nos linfonodos drenantes. O prognóstico é favorável quando a excisão
cirúrgica ampla ou a amputação do membro é realizada precocemente.

Diagnóstico citológico diferencial: histiocitose das células de Langerhans, mastocitomas


fracamente granulados, melanoma amelanótico, sarcoma anaplásico com células gigantes, outros
sarcomas.

Mastocitoma
Esse tumor em cães corresponde a, aproximadamente, 10% dos tumores de pele e
apresenta alta prevalência em determinadas raças, como boxer, pug e Boston terrier
(Yager e Wilcock, 1994). Em cães, os tumores geralmente são solitários, não
encapsulados e altamente infiltrativos na derme e no subcutâneo (Fig. 3-48A-C).
Ocasionalmente, podem acometer filhotes de cães. Os tumores são mais comumente
observados no tronco e membros de cães. Citologicamente, células tumorais caninas
variam com relação ao grau de granularidade e de atipia nuclear. Os mastócitos
caninos que apresentam numerosos grânulos metacromáticos distintos com núcleo
pequeno e uniforme são considerados grau I (bem diferenciado). O grau II
(intermediário) possui poucos grânulos nos mastócitos e o núcleo pode variar em
forma e tamanho (Fig. 3-48D). O mastocitoma de grau III (pouco diferenciado)
apresenta mastócitos com poucos a nenhum grânulo citoplasmático e o núcleo
apresenta acentuada atipia com figuras mitóticas (Fig. 3-48E). Este envolve
anisocariose, cromatina condensada e múltiplos nucléolos proeminentes. As bordas
citoplasmáticas dos mastócitos de grau III são muitas vezes imperceptíveis. Células
gigantes binucleadas são mais comumente observadas nos mastocitomas de grau III.
Eosinófilos são mais numerosos nos tumores caninos que nos felinos. O fundo da
lâmina é usualmente recoberto por grânulos das células que se romperam. A
desgranulação pode estar associada a hemorragia, necrose vascular, edema e
colagenólise (Figs. 2-22B e 3-48F). A identificação por citoquímica ou imunoquímica
envolve a esterase cloroacetato, anticorpos contra triptase e KIT, em adição à
coloração por Giemsa para grânulos metacromáticos (Fernandez et al., 2005). O
tratamento inclui excisão cirúrgica ampla, criocirurgia, radioterapia e quimioterapia.
O prognóstico para cães varia de acordo com o grau histológico e o estágio. Tumores
de grau III apresentam alta chance de recorrência local e metástase em linfonodos.
Menos de 10% dos cães sobrevivem mais que um ano com tumores do grau III (Yager
e Wilcock, 1994). Os mastocitomas que ocorrem no períneo, escroto, prepúcio e
dígitos em cães parecem ser mais agressivos (Gross et al., 2005). Outra ferramenta
diagnóstica para cães inclui a frequência de regiões organizadoras nucleares
argirofílicas e Ki67 como indicadores para a proliferação celular; ambos, quando
aumentados, estão associados a diminuição da sobrevivência, como também é o caso
da proteína de localização KIT (Webster et al., 2007; Kiupel et al., 2004).
Figura 3-48. Mastocitoma. A, Massa em membro. Cão. Observa-se o nódulo grande, em alto-
relevo, com cobertura pilosa na região lateral do joelho que se assemelha macroscopicamente a um
lipoma. B-C, O mesmo caso. Secção tecidual. Gato. B, Infiltração dérmica difusa e densa de células
redondas. (H&E; IP) C, Alguma granulação está presente dentro das células redondas. O tamanho
nuclear é uniforme neste tumor bem diferenciado. (H&E; óleo HP.) D, H, O mesmo caso. D, Aspirado
tecidual. Cão. Coloração variável de grânulos e anisocariose sugerindo um tumor moderadamente
diferenciado desta massa de localização na glândula mamária. (Wright-Giemsa; óleo HP.)
E,Imprinttecidual. Cão. Poucos grânulos finos metacromáticos e dispersos estão presentes nas células
deste tumor pouco diferenciado localizado na região submandibular da pele. Alterações nucleares
malignas incluem cromatina condensada, anisocariose, uma proporção alta e variável núcleo-
citoplasma e nucléolos proeminentes. (Wright-Giemsa; óleo HP.) F, Aspirado tecidual. Cão. Este
tumor moderadamente diferenciado corresponde a uma massa cutânea torácica contendo fitas de
colágeno de coloração rosa pálido como resultado da colagenólise. (Wright-Giemsa; óleo HP.)
G,Imprintde uma massa no dígito. Gato. Observa-se um fundo de lâmina granular em decorrência da
liberação citoplasmática de grânulos. As células são pleomórficas com uma aparência “histiocítica” e
contêm um número variável de grânulos citoplasmáticos. Este gato de 8 anos de idade apresentou
múltiplos dígitos em duas patas acometidos pelo mesmo tumor. (Wright-Giemsa; óleo HP.) H,
Aspirado tecidual. Cão. A coloração hidrossolúvel lava o conteúdo granular, portanto a massa parece
citologicamente pouco diferenciada. Observa-se a microfilária de Dirofilaria immitis na área inferior
direita entre mastócitos pouco granulados. (Wright em base aquosa; óleo HP.) I, Aspirado tecidual.
Cão. Alta magnificação da figura D. Observa-se a granulação clara, semelhante a areia, nestas células,
relacionada ao uso de um corante hidrossolúvel. Pode-se comparar essas células àquelas observadas na
imagem D, a qual retém o conteúdo granular celular por ter sido utilizado um corante Giemsa de base
alcoólica. (Wright em base aquosa; óleo HP.)
(A, Cortesia de Leslie Fox, Gaisnesville, Flórida.)

Mastocitomas em gatos representam o segundo tipo de tumor de pele mais comum,


correspondendo a 12 a 20% dos tumores de pele (Goldschmidt e Shofer, 1992; Miller
et al., 1991). Esses tumores apresentam-se geralmente como massas dérmicas
solitárias bem circunscritas que ocorrem na cabeça, no pescoço e nos membros.
Massas múltiplas são comuns em gatos jovens da raça siamês (Gross et al., 2005).
Linfócitos pequenos e bem diferenciados podem estar associados a tumores felinos.
Células neoplásicas, que se assemelham a histiócitos pouco granulados, estão
associadas a múltiplas formas de mastocitomas (Fig. 3-48G). Em gatos, a forma
solitária da doença geralmente é considerada benigna, com algumas exceções nas
quais há recorrência e invasão (Johnson et al., 2002). O grau histopatológico do
tumor envolve o pleomorfismo nuclear, a taxa mitótica e a invasão dérmica profunda,
os quais não apresentam significância prognóstica em gatos com mastocitomas
solitários (Molander-McCrary et al., 1998). Um número significante de gatos jovens
com múltiplas massas responde com regressão espontânea dentro de meses.

Ponto-Chave
A coloração de Giemsa ou azul de toluidina deve ser utilizada para revelar os grânulos nas formas
pouco diferenciadas. Deve-se ressaltar que corante Wright em base aquosa, como o Diff-Quik®,
muitas vezes apresenta ausência de granulação, em especial nas formas de mastocitomas bem
diferenciadas. Essa característica está relacionada à natureza hidrossolúvel dos conteúdos dos
grânulos (Fig. 3-48H e I).

Diagnóstico citológico diferencial: mastócitos normais, dermatite alérgica crônica, linfoma,


melanoma de células em balão, histiocitoma, plasmocitoma.

Plasmocitoma
Esse tumor representa, aproximadamente, 2% dos tumores de pele dos cães e
raramente acomete gatos (Yager e Wilcock, 1994). As massas apresentam-se
principalmente solitárias e bem circunscritas nos dígitos, nas orelhas e na boca.
Citologicamente, as amostras de aspirados apresentam celularidade de moderada a
acentuada. Células individuais apresentam quantidades variáveis de citoplasma
basofílico com borda bem definida (Fig. 3-49A e B). As características proeminentes
são anisocitose e anisocariose. Os núcleos são redondos a ovais, com cromatina frouxa
a moderadamente condensada e nucléolos imperceptíveis. Frequentemente, os
núcleos são dispostos excentricamente e são binucleados. Células multinucleadas
podem estar presentes (Fig. 3-4C e D). Material eosinofílico amorfo representativo de
amiloide é observado em menos de 10% dos plasmocitomas (Fig. 3-49E e F). O
tratamento envolve excisão cirúrgica ampla. O prognóstico é geralmente bom, porém
costuma haver recorrência local. Um estudo descreveu casos com um tipo de
morfologia polimórfica-blástica associada a recorrência e a metástase (Platz et al.
1999). A transição do plasmocitoma extramedular para o mieloma raramente é
documentada em cães e gatos. Em um gato, a transição ocorreu após cinco meses
(Radhakrishnan et al., 2004). A identificação dos plasmocitomas pode envolver a
citoquímica (o RNA apresenta coloração magenta com metil verde pironina) ou
imunoquímica (CD45, CD79a, cadeia lambda, MUM1) (Majzoub et al., 2003; Ramos-
Vara et al., 2007). A aparência citológica de um tumor da bainha neural periférica em
um gato mostra uma aparência morfológica de plasmócitos, o que sugere que a
histopatologia é melhor para esses casos (Tremblay et al., 2005).
Figura 3-49. Plasmocitoma. A-B, O mesmo caso. A, Aspirado tecidual. Gato. Amostra
citológica com células que apresentam quantidade variável de citoplasma basofílico com bordas bem
definidas. A amostra foi obtida de massa do plano nasal. (Wright-Giemsa; óleo HP.) B, Aspirado
tecidual. Gato. Maior magnificação de A. Observa-se a aparência plasmocitoide com núcleos
deslocados excentricamente e cromatina condensada variável. Este caso possui uma produção
monoclonal de gamaglobulinas. (Wright-Giemsa; óleo HP.) C-D, O mesmo caso. C,Imprinttecidual.
Cão. Uma massa no dígito que apresenta células multinucleadas, um achado frequente neste tumor.
(Wright-Giemsa; óleo HP.) D, Secção tecidual. Cão. Observa-se infiltração dérmica densa com células
redondas pleomórficas. No lado esquerdo ao centro, são vistas células multinucleadas. (H&E; óleo
HP.) E-F, O mesmo caso. Plasmocitoma com amiloide.Imprinttecidual. Gato. E, A amostra de uma
massa localizada no jarrete é densamente celular, com acentuada anisocitose e anisocariose. Várias
células com uma aparência plasmocitoide, enquanto outras parecem histiocíticas com citoplasma
pálido abundante. Pequena quantidade de amiloide está presente entre as células (setas). (Wright; óleo
HP.) F, Um material amorfo rosa e abundante associado a células plasmocitoides está presente.
(Wright; óleo HP.)
(E-F, Cortesia de Gail Walter et al., Michigan State University; apresentado no ASVCP em 1992, na sessão de revisão de caso.)
Diagnóstico citológico diferencial: linfoma, histiocitoma, melanoma amelanótico, tumor
neuroendócrino (célula de Merkel), tumor da bainha neural periférico.

Linfoma Cutâneo
A doença pode ocorrer primariamente na pele ou raramente como uma manifestação
de linfoma generalizado. Esse tumor é mais comum em cães e gatos idosos, embora
sua presença tenha sido descrita em cães jovens (Choi et al., 2004). Histologicamente,
esse grupo tumoral é dividido em tipos epiteliotrópicos e não epiteliotrópicos. A
prevalência do linfoma epiteliotrópico é de 1% dos tumores de pele em cães, e tanto o
tipo epiteliotrópico quanto o não epiteliotrópico representam 2,8% de todos os
tumores de pele de felinos. O linfoma epiteliotrópico é menos comum no gato do que
no cão (Gross et al., 2005). As lesões são solitárias a múltiplas e apresentam a forma
de nódulos, placas, úlceras, eritroderma ou dermatite esfoliativa na forma de
descamação excessiva (Fig. 3-50A e B). Prurido pode ser comum. Os linfócitos T estão
presumidamente envolvidos na infiltração da derme e do subcutâneo nos linfomas
não epiteliotrópicos, semelhante aos linfomas epiteliotrópicos. O linfoma de células B
da pele é extremamente raro (Gross et al., 2005). O linfoma epiteliotrópico, quando
caracterizado por infiltrado de linfócitos neoplásicos na epiderme e anexo, é
denominado micose fungoide (Fig. 3-50C). Por vezes as coleções focais de células
neoplásicas, denominadas microabscessos de Paurtier, são formadas dentro da
epiderme. A origem celular é normalmente um linfócito T, com 80% deles
expressando CD8, enquanto os 20% remanescentes são duplos negativos para CD4 e
CD8 (Moore et al., 1994; Gross et al., 2005). Quando esses linfócitos T neoplásicos
estão presentes na epiderme e no sangue periférico, denomina-se síndrome de Sézary
(Foster et al., 1997), com base em sua apresentação semelhante em humanos. A
reticulose pagetoide canina é uma forma de linfoma de células T CD3+ em que
células TCRγδ (receptor gama delta de células T) positivas proliferam dentro da
epiderme. Citologicamente, os linfócitos variam de tamanho, de pequenos a grandes,
com núcleo redondo, indentado ou convoluto (Fig. 3-50D e E). Costumeiramente, os
nucléolos não são distintos, porém podem ser proeminentes. O citoplasma é limitado
a moderado e levemente basofílico. Uma população linfoide uniforme sem inflamação
ou infiltração de plasmócitos significativa é sugestiva de linfoma cutâneo. Em geral,
tratamento envolvendo quimioterapia, radioterapia e imunoterapia não obteve
sucesso na remissão em longo prazo. A excisão cirúrgica pode ser útil nos casos de
lesões solitárias (Choi et al., 2004). O prognóstico é ruim, pois a doença progride
rapidamente, tornando necessária a eutanásia. O envolvimento nodal, quando
presente, geralmente ocorre em um período tardio em ambos os tipos. Alterações
laboratoriais, como gamopatia monoclonal, hiperviscosidade sérica e hipercalcemia,
foram associadas a linfoma cutâneo.

Figura 3-50. Micose fungoide. Cão. A, Placas e nódulos estão presentes sobre o dorso. B,
Despigmentação e crostas são observadas ao redor do nariz e boca. C-E, o mesmo caso. C, Secção
tecidual. Infiltrados de linfócitos neoplásicos envolvem a derme e a epiderme do tórax. Pequenas
coleções focais de células neoplásicas denominadas microabscessos de Pautrier estão presentes na
epiderme. (H&E; óleo HP.) D, Aspirado tecidual. Linfócitos variáveis de pequenos a grandes com
núcleos redondos, indentados ou convolutos são observados. O citoplasma é escasso a moderado e
levemente basofílico. (Wright-Giemsa; óleo HP.) E, Aspirado tecidual. Maior magnificação da
imagem D. Dobras nucleares são comuns. Usualmente os nucléolos são imperceptíveis, porém
ocasionalmente proeminentes. Linfócito pequeno no canto esquerdo pode ser utilizado para
comparação do tamanho celular. (Wright-Giemsa; óleo HP.)
(A-B, Cortesia de Janet Wojciechowski, Gainesville, Flórida.)
Diagnóstico citológico diferencial: dermatite inflamatória crônica, histiocitoma.

Tumor Venéreo Canino Transmissível


Esse é um tumor de cães que ocorre mais frequentemente em animais de vida livre,
sexualmente ativos, que vivem em climas temperados, e está relacionado ao
transplante de células intactas. A imunoquímica suporta a vimentina e a
imunorreatividade a CD45 e a CD45RA, indicando origem leucocitária com expressão
positiva de lisozima e alfa-1-antitripsina suportiva da origem histiocítica (Gross et al.,
2005; Park et al., 2006). Entretanto, as células não parecem ser de origem canina, por
apresentarem um cariótipo anormal com 59 cromossomos, comparado ao cariótipo
normal de 78 nos cães. PCR e técnicas moleculares para analisar a sequência do
elemento nuclear intercalar longo (LINE) podem ser usadas para identificar as células
tumorais (Park et al., 2006). Esse tumor aparece na pele da genitália externa, assim
como nas membranas mucosas associadas ao contato sexual. Entretanto, foi descrito
um caso de uma fêmea canina pré-púbere com lesões de pele e nenhum envolvimento
de mucosa (Marcos et al., 2006a). Macroscopicamente, o tumor é rosa a vermelho,
pouco circunscrito, multinodular, em alto-relevo a pedunculado, macio, friável,
ulcerado e hemorrágico, que frequentemente necrosa e apresenta infecção bacteriana
superficial. A massa esfolia facilmente com a impressão tecidual, dando origem a uma
população monomórfica de grandes células redondas com um núcleo redondo,
cromatina condensada e um a dois nucléolos proeminentes (Figs. 12-42 e 12-43). O
citoplasma é abundante e levemente basofílico e frequentemente contém múltiplos
vacúolos pontilhados. Figuras mitóticas podem ser observadas. Células linfoides
pequenas e células inflamatórias associadas ao tumor frequentemente evidenciam
sepse bacteriana. O tratamento inclui quimioterapia, particularmente com
vincristina, radioterapia e excisão cirúrgica. O prognóstico é bom quando se utiliza a
quimioterapia. Os tumores podem regredir espontaneamente, o que está
presumivelmente relacionado a infiltração linfocitária. Pode ocorrer metástase (Park
et al., 2006), e a recorrência é alta quando se realiza intervenção cirúrgica.

Diagnóstico citológico diferencial: outros tumores de células redondas, melanoma amelanótico.

Núcleo livre

Tireoide
Massas cutâneas localizadas adjacentes à traqueia podem ser confirmadas como
glândulas tireoides por meio da aspiração com agulha fina. Normalmente, elas
consistem em pequenas lâminas de células agrupadas intimamente ou não, algumas
das quais contendo material intracitoplasmático granular negro (Fig. 3-51). A borda
citoplasmática pode ou não estar evidente, com a aparência de um núcleo livre.
Ocasionalmente as massas cervicais podem estar presentes sem nenhum sinal clínico
além de uma massa paratraqueal subcutânea no pescoço, como demonstrado por um
relato recente de carcinoma medular de tireoide ou de células C (Bertazollo et al.,
2003). O Capítulo 16 apresenta mais informações acerca dos tumores da tireoide.

Figura 3-51. Tecido de tireoide. Aspirado tecidual. Cão. Massas subcutâneas localizadas
adjacentes à traqueia podem ser confirmadas como tecido da tireoide por meio de aspiração com
agulha fina. Observam-se as lâminas coesas de células, muitas das quais contendo material
intracitoplasmático granular e negro, que se acredita corresponderem a tirosina. (Wright-Giemsa; óleo
HP.)

Resposta à lesão tecidual

Calcinose Cutânea e Calcinose Circunscrita


A calcinose cutânea é uma condição rara de deposição mineral na derme, epiderme ou
subcutâneo. Está associada ao uso de glicocorticoides e ao hiperadrenocorticismo (Fig.
3-52A) à e administração iatrogênica de cálcio para o tratamento do
hipoparatireoidismo de cães (Gross et al., 2005). A calcinose envolve a mineralização
distrófica do colágeno ou elastina da pele. Os locais de predileção incluem a região
dorsal do pescoço, área inguinal e a região axilar. Macroscopicamente, pápulas
eritematosas ou placas firmes com aspecto arenoso se desenvolvem e muitas vezes
ulceram. Citologicamente, material branco e de aspecto arenoso (Bettini et al., 2005)
aparece densamente granular no fundo da lâmina e ocorre uma resposta inflamatória
mista, incluindo macrófagos, células gigantes multinucleadas, neutrófilos, linfócitos e
plasmócitos. O prognóstico é bom, pois essas lesões benignas se resolvem mesmo não
tratadas em um período de vários meses.

Figura 3-52. A, C, O mesmo caso. A, Calcinose cutânea. Aspirado tecidual. Cão. Esta massa
localizada no lábio foi obtida de um paciente com hiperadrenocorticismo. Um epitélio escamoso e uma
degeneração neutrofílica são observados contra o fundo de lâmina, que se apresenta repleto de cristais
variáveis quanto ao tamanho e de formatos do redondo ao irregular, compatíveis com mineralização
distrófica. Microbiota bacteriana oral é ocasionalmente observada. (Wrigth-modificado; óleo HP.) B-C,
Calcinose circunscrita. Cão. B, Secção tecidual. Esta massa multinodular dérmica e subcutânea é
composta áreas centrais de mineralização que se coram intensamente de vermelho. Essas áreas estão
rodeadas por macrófagos, células gigantes e tecido conjuntivo fibroso e denso. (H&E; LP.) C,
Aspirado de massa localizada na tuberosidade coxal. Líquido dos cotovelos e quadril contendo
líquido semelhante que foi aspirado, sedimentado e corado. Amostra altamente celular contendo
macrófagos, células gigantes e linfócitos. No fundo da lâmina e nas células fagocíticas (seta) há
numerosas estruturas claras, refringentes, compatíveis com cristais de cálcio. (Wright em base aquosa;
óleo HP.)

Um subgrupo clínico da calcinose cutânea é a calcinose circunscrita, que é incomum


em cães e rara em gatos. Esta é uma lesão solitária bem circunscrita, localizada dentro
da derme profunda e do subcutâneo, formada por mineralização distrófica. A etiologia
é desconhecida. A calcinose circunscrita é mais frequentemente associada a cães
jovens da raça pastor-alemão. As lesões frequentemente ocorrem sob as áreas das
articulações ou pontos de pressão, em sítios de traumatismo prévio ou sobre a língua
(Marcos et al., 2006b, Gross et al., 2005). A textura da massa é firme e arenosa.
Histologicamente, a lesão distingue-se pela grande ausência de depósitos
mineralizados, rodeados por tecido conjuntivo fibroso denso e células gigantes de
corpo estranho (Fig. 3-52B). Citologicamente, é semelhante à calcinose cutânea,
exceto pelo fato de que os fibroblastos podem ser mais frequentemente visualizados.
Depósitos minerais muitas vezes se apresentam como grânulo amarelo-esverdeados
refringentes de tamanho e formato irregular e que são mais bem visualizados com o
condensador do microscópio diminuído (Fig. 3-52C). Material granular fino e de
coloração púrpura, que pode ser proeminente, presente no fundo da lâmina,
provavelmente representa tecido necrótico. A demonstração do cálcio pode ser
aumentada pelo uso de colorações citoquímicas como a von Kossa e vermelho de
alizarina S (Raskin, 2006b; Marcos et al., 2006b). Essas lesões são benignas e podem
ser tratadas por meio da excisão cirúrgica.

Granulação Tecidual
O intumescimento subcutâneo firme pode-se originar de uma resposta fibroblástica
exuberante de um tecido que sofreu lesão. Histologicamente, essa massa é composta
de fibroblastos em proliferação dispostos horizontalmente transeccionados
verticalmente por endotélio proliferativo de vasos sanguíneos (Fig. 3-53). Mitoses e
macrófagos são comumente encontrados. Fibroblastos reativos e volumosos
observados na citologia apresentam um núcleo ovoide, vesicular, e podem lembrar as
células fusiformes observadas no fibrossarcoma. Recomenda-se a avaliação
histopatológica para diferenciar essas duas condições.
Figura 3-53. Granulação tecidual. Secção tecidual. Cão. Uma massa no dorso contendo tecido
conjuntivo fibroso e denso colocado em camadas horizontais com capilares, cursando verticalmente
através do tecido. A reação foi secundária a paniculite não infecciosa. (H&E; LP.)

Hematoma
Macroscopicamente, essas massas cheias de sangue podem se assemelhar a condições
neoplásicas como hemangioma ou hemangiossarcoma. Inicialmente, quando formado,
o hematoma contém líquido idêntico no conteúdo celular ao sangue, com a exceção de
que não apresenta plaquetas (Hall e McWilliams, 1988). É comum a presença, algum
tempo mais tarde, de macrófagos fagocitando eritrócitos (eritrofagocitose). Com o
tempo, a hemoglobina é fragmentada, aparecendo como grânulos de hemossiderina
azul- esverdeados a negros dentro do citoplasma dos macrófagos. Ocasionalmente,
cristais de hematoidina, que se parecem com cristais dourados romboides, podem se
formar do pigmento de hemoglobina pobre em ferro. Como a resolução continua,
fibroblastos volumosos podem ser observados, os quais podem mimetizar uma
população celular mesenquimal neoplásica.

Higroma
O higroma é um intumescimento dentro do tecido subcutâneo que se forma sobre as
proeminências ósseas, comumente na região do cotovelo de cães de grande porte,
secundário a traumatismo ou pressão repetidos. Apresenta-se como uma estrutura em
forma de cisto de tecido conjuntivo denso que contém um líquido seroso a mucinoso,
claro, amarelo ou vermelho, dependendo do grau de hemorragia. Citologicamente
observam-se um líquido claro a levemente basofílico e células envolvendo a
contaminação sanguínea, além de macrófagos (Fig. 3-54) e fibrócitos reativos. A
fisiopatologia é semelhante à da formação do ceroma.
Figura 3-54. Higroma. Aspirado de uma região intumescida sobre o cotovelo. Cão. O líquido
obtido apresentava coloração laranja e turva com número de leucócitos menor que 400/μL e
concentração proteica de 3,3 g/dL. O fundo da lâmina apresenta-se levemente granular, o que está
relacionado ao elevado conteúdo proteico. As células são fagócitos mononucleares e exibem
eritrofagia. (Wright-Giemsa; óleo HP.)

Mucocele ou Sialocele
A ruptura de um ducto por trauma ou infecção leva ao acúmulo de saliva dentro dos
tecidos subcutâneos. A presença de uma massa flutuante contendo líquido claro a
sanguinolento com características macroscópicas semelhantes a um cordão sugere
uma ruptura do ducto da glândula salivar. Muitas vezes, a amostra cora-se
uniformemente de púrpura devido ao alto conteúdo proteico. O fundo da lâmina pode
conter material amorfo basofílico pálido e disperso, compatível com saliva. O líquido
é muitas vezes sanguinolento, com evidência de hemorragia tanto aguda quanto
crônica. A eritrofagocitose é comum, e, ocasionalmente, cristais amarelos romboides
podem ser observados. Esses cristais são denominados cristais de hematoidina e estão
associados a hemorragia crônica (Fig. 3-55A). As células nucleadas são
predominantemente macrófagos altamente vacuolizados que exibem fagocitose ativa
(Fig. 3-55B). A distinção entre essas células e o tecido glandular secretório pode ser
difícil, especialmente quando as células estão individualizadas e não fagocíticas.
Neutrófilos não degenerados são comuns, tornando-se degenerados quando ocorre
infecção bacteriana.
Figura 3-55. Sialocele. Aspirado de massa cervical. Cão. A, Hemorragia crônica é observada
pela presença de um cristal romboide amarelo e grande, denominado hematoidina. O fundo da lâmina
contém um material rosa-pálido e abundantes células mononucleares vacuolizadas. (Wright; óleo HP.)
B, As células nucleadas são predominantemente células mononucleares altamente vacuolizadas que não
são facilmente identificadas como epitélio glandular salivar ou macrófagos. O material amorfo
presente no fundo da lâmina corresponde a muco. (Wright em base aquosa; óleo HP.)

Seroma
Uma lesão pode levar a um seroma, que é composto de um líquido claro a levemente
tingido de sangue. O plasma perdido origina-se de capilares imaturos criados durante
a formação de tecido de granulação. Citologicamente, o líquido é pouco celular, e
pode ser necessária sedimentação prévia à avaliação citológica. Macrófagos
fagocíticos podem predominar entre uma mistura de células inflamatórias (Fig. 3-56).
Figura 3-56. Seroma. Aspirado tecidual. Cão. Líquido obtido de uma área intumescida do
pescoço apresentando aspecto sanguinolento com 3.800 leucócitos/μL e concentração proteica de 2,5
g/dL. Os elementos sanguíneos correspondem à maioria dos tipos celulares encontrada. Fagócitos
mononucleares como mostrados correspondem a 24% da população celular. (Wright-Giemsa; óleo
HP.)

Citologia Ótica
A citologia da orelha é frequentemente usada como uma ferramenta na prática
clínica, para tratar afecções auditivas e determinar a causa de base. As amostras
devem ser avaliadas quanto à presença, ao número e às características celulares
(leucócitos e não hematopoiéticos) e microbiológicas ou a agentes parasitários
(bactérias, leveduras, artrópodes) (Angus, 2004). Historicamente, a coleta de
amostras de zaragatoas do conduto auditivo era usada com fixação por calor, para
assegurar a boa qualidade do esfregaço. Esse fato foi debatido recentemente em dois
trabalhos distintos que mostram que a obtenção de amostras por meio de zaragatoas
do conteúdo do conduto auditivo não necessita de fixação pelo calor para avaliação
citológica (Toma et al., 2006; Griffin et al., 2007). Para massas da orelha, recomenda-
se a obtenção de biópsias por meio de aspirados, as quais em gatos apresentam uma
boa associação à histopatologia (De Lorenzi et al., 2005).

Referências

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Capítulo 4

Sistema Linfoide

Rose E. Raskin

Os órgãos linfoides comumente examinados pela citologia contemplam os


linfonodos superficiais e os internos, do baço e, ocasionalmente, do timo. Como
resultado de suas populações celulares similares, as seguintes categorias
citodiagnósticas são usadas. Deve-se observar que pode ocorrer mais de uma
apresentação em um espécime de cada vez.

Grupos citodiagnósticos gerais para a citologia dos órgãos


linfoides

• Tecido normal

• Tecido reativo/hiperplásico

• Inflamação

• Doença metastática

• Neoplasia primária

• Hematopoese extramedular

Linfonodos

Indicações para a Biópsia de Linfonodos


• A linfadenomegalia, ou aumento de tamanho de um ou de vários linfonodos, pode ser
detectada por palpação ou por radiografia e ultrassonografia.

• A avaliação de doença metastática envolve a avaliação do(s) linfonodo(s) que


drena(m) a lesão primária (Tabela 4-1).
• A classificação de linfomas pode ser melhorada pelos aspectos citológicos corados
pelas colorações Romanowsky, ou por marcações citoquímicas e imunocitoquímicas
(Cap. 17) para distinguir subtipos de células B e T; esses últimos métodos de
coloração podem ser realizados em laboratórios especializados.

Tabela 4-1 Linfonodos Periféricos Selecionados no Cão

Linfonodo(s) Localização Aspectos da Drenagem

Submandibulares Grupo de dois a quatro Inclui a maior parte da cabeça, compreendendo a porção rostral
linfonodos localizados da cavidade oral
ventralmente ao ângulo da
mandíbula

Pré-escapular Grupo de dois a três Inclui a parte caudal da cabeça (faringe, pavilhão auricular), a
linfonodos localizados em maior parte do membro torácico e parte da parede torácica
frente ao músculo
supraespinal

Axilar Um ou dois linfonodos Inclui a maior parte da parede torácica, estruturas profundas do
localizados caudalmente e membro torácico e do pescoço e as glândulas mamárias
medialmente à articulação torácicas e abdominais craniais
do ombro

Inguinais Dois linfonodos localizados Incluem as glândulas mamárias abdominais caudais e inguinais,
superficiais no sulco entre a parede metade ventral da parede abdominal, pênis, prepúcio, pele do
abdominal e a porção saco escrotal, cauda, porção ventral da pelve e parte medial da
medial da coxa coxa e jarrete

Poplíteo Um linfonodo atrás do Inclui áreas distais ao jarrete


jarrete

Considerações sobre Aspirados e Biópsias por Impressão


Os linfonodos submandibulares estão frequentemente aumentados de tamanho e
reativos devido à sua constante exposição a antígenos, o que faz deles uma opção
ruim para biópsia em uma linfadenopatia generalizada.

Ponto-Chave
Os linfonodos poplíteos e pré-escapulares são os locais preferenciais para biópsias em uma
linfadenopatia generalizada.

O tamanho do linfonodo também deve ser considerado. Linfonodo com acentuado


aumento de volume pode indicar informação errônea, uma vez que ele
frequentemente contém tecido necrótico ou hemorrágico. Linfonodo ligeiramente
aumentado de tamanho seria o ideal, e uma amostra de mais de um local é desejável.
Se um linfonodo exibir aumento de volume acentuado e tiver indicação para ser
aspirado, a agulha deve ser orientada em posição tangencial de modo a evitar a
região central do órgão.

Ponto-Chave
A região central de um linfonodo aumentado de volume deve ser evitada durante um procedimento
de aspiração.

Outra maneira de se coletar amostras de um linfonodo é aquela que lança mão de


agulha com calibre 22, que poderá ser usada sozinha ou acoplada a uma seringa de 6
ou 12 mL. A agulha acoplada ou não à seringa é inserida no linfonodo. A seguir, são
feitos movimentos rápidos e em várias direções, sem possibilitar que ela saia do
órgão. Posteriormente, se a punção foi realizada com auxílio de seringa, cria-se uma
pressão negativa, liberando o êmbolo da seringa antes da remoção da agulha, para
evitar que o material entre no interior da seringa. A agulha deve ser desacoplada da
seringa, aspirando para dentro dela um pequeno volume de ar, suficiente para
expulsar o conteúdo da agulha sobre o centro aproximado de uma lâmina de vidro. O
aspirado tem aspecto cremoso branco, de aquoso a viscoso, indicando que muitos
leucócitos estão presentes. O material é delicadamente estendido com auxílio de uma
segunda lâmina, deslizando-as em sentidos contrários horizontalmente. As distensões
(“esfregaços”) são secadas rapidamente com um secador de cabelos para evitar efeitos
de crenação.

Ponto-Chave
Um método alternativo de biópsia por aspiração não usa sucção, mas se baseia na ação capilar para
direcionar células para dentro da agulha. Essa técnica (Fig. 4-1) é preferida para órgãos linfoides
para evitar o excesso de contaminação por sangue.
Figura 4-1 Biópsia com agulha fina sem sucção. Ilustração diagramática das etapas do
procedimento de biópsia: A, A agulha é inserida no tecido-alvo; B, A agulha é movimentada para a
frente e para trás dentro do tecido-alvo, variando o ângulo; C, A agulha é retirada; D, A agulha
é presa a uma seringa e a amostra expelida sobre a lâmina de microscopia.
(De Orell, SR, Sterrett, GF, Whitaker, D: Fine needle aspiration cytology, Ed. 4, Edinburgh, 2005, Churchill Livingstone.)

Ponto-Chave
As distensões de aspirados devem ser espalhadas delicadamente, uma vez que células linfoides
imaturas costumam ser frágeis.

Quando da preparação de distensões por impressão a partir de uma biópsia por


excisão, é importante retirar o excesso de líquido do fragmento antes que as
preparações por impressão sejam feitas para aumentar a celularidade. A superfície de
corte do linfonodo que foi removido do corpo do animal é seca com papel-toalha; em
seguida, com o auxílio de uma lâmina de vidro, delicadamente realiza-se a impressão.
Para evitar o artefato causado pelo formol, amostras citológicas e histológicas devem
ser enviadas separadamente quando submetidas a um laboratório de referência.

Ponto-Chave
Mantenha as preparações citológicas longe de vapores de formol para evitar uma fixação prematura
que resulta em coloração e detalhes citológicos ruins.

Histologia e Citologias Normais


Os linfonodos de cães e gatos consistem em uma delicada cápsula de tecido conjuntivo
que envolve o tecido linfoide do córtex e da medula desses órgãos e se estende para
dentro do parênquima do órgão como trabéculas ou septos conjuntivos. O córtex, a
camada externa, contém nódulos linfoides de tamanho variado (Fig. 4-2A), compostos
principalmente de linfócitos B, circundados por uma delgada borda de linfócitos T. O
tecido linfoide difuso entre os nódulos, composto principalmente por linfócitos T,
estende-se para baixo, em direção ao paracórtex, no qual macrófagos e células
reticulares dendríticas atuam como células apresentadoras de antígenos. O tecido
linfoide difuso estende-se internamente, para formar os cordões medulares (Fig. 4-
2B), os quais contêm linfócitos B, plasmócitos, macrófagos e outros leucócitos. Entre
os cordões se encontram seios revestidos por células reticulares achatadas,
semelhantes a células endoteliais, em contato com células reticulares dendríticas e
fibras reticulares. A linfa entra pelos vasos linfáticos aferentes que penetram pela
cápsula, segue através dos seios subcapsulares e peritrabeculares do córtex, progride
em direção aos seios medulares e sai pelos vasos linfáticos eferentes no hilo. O fluxo
sanguíneo entra pelo hilo através de arteríolas que se ramificam no córtex para
perfundir os nódulos linfoides. Nessa região, os vasos aumentam para formar vênulas
pós-capilares, ou vênulas de endotélio alto, do paracórtex (Fig. 4-2C). Essas vênulas
são locais importantes para o trânsito de linfócitos do sangue para o parênquima do
linfonodo, o que está relacionado com a ligação seletiva dos linfócitos a receptores
nas células endoteliais. As vênulas de endotélio alto drenam para veias maiores que
saem através da região do hilo.
Figura 4-2 Mesmo caso, de A a C. Linfonodo. Corte histológico. Cão. A, O córtex contém
nódulos linfoides de tamanho variado e a região da medula contém cordões de células ao longo de
seios revestidos por células reticulares achatadas, semelhantes a células endoteliais. (H&E, pequeno
aumento.) B, Os cordões medulares, que aparecem como faixas escuras, são compostos por linfócitos,
plasmócitos e macrófagos e se encontram adjacentes aos espaços dos seios, palidamente corados.
(H&E, pequeno aumento.) C, O córtex profundo, ou paracórtex, contém vênulas de endotélio alto,
mostradas em corte transversal (embaixo, à esquerda) e em corte longitudinal (acima, à direita). Os
linfócitos aderem seletivamente aos receptores no endotélio para deixar a circulação e entrar no
linfonodo. (H&E; grande aumento em óleo de imersão) D, Linfonodo. Aspirado de tecido. Cão. Este
linfonodo pré-escapular contém uma maioria de pequenos linfócitos. Pequenas quantidades de
linfócitos de tamanho médio estão presentes, além de várias células lisadas que aparecem em
tonalidade rosa-clara e não apresentam bordas citoplasmáticas. (Wright-Giemsa; grande aumento em
óleo de imersão.) Mesmo caso, de E a F. Linfonodo normal. Aspirado de tecido. Cão. E, Este
linfonodo poplíteo contém uma maioria de pequenos linfócitos. Observe o linfócito de tamanho médio
(seta). (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) F, Uma população mista de células é
mostrada. Observe o grande linfócito no centro e ocasionais granulócitos. (Wright-Giemsa; grande
aumento em óleo de imersão).
Sob o ponto de vista citológico, pequenos linfócitos bem diferenciados, os quais
medem de 1 a 1,5 vez o diâmetro de um eritrócito no cão e no gato, compõem
aproximadamente 90% da população (Fig. 4-2D). A cromatina dessas células é
intensamente condensada, sem nucléolos visíveis. O citoplasma é escasso. Essas
células são as de coloração mais intensa dentre todos os linfócitos. Os linfócitos
médios e grandes, cujos núcleos medem duas a três vezes o diâmetro de um eritrócito,
podem estar presentes em pequena quantidade (< 5% a 10%) (Fig. 4-2E e F). Seus
núcleos apresentam um padrão delicado em sua cromatina, difuso e pouco corado. Os
nucléolos podem estar proeminentes. O citoplasma é mais abundante e
frequentemente basófilo. Plasmócitos maduros representam uma pequena porção das
células encontradas. Sua cromatina é intensamente condensada, e frequentemente o
núcleo se encontra excentricamente posicionado no citoplasma abundante,
intensamente basófilo. Uma área pálida ou um halo claro é observado adjacente ao
núcleo, o qual indica a zona do complexo de Golgi. Ocasionais macrófagos
(histiócitos) aparecem como grandes células mononucleares com abundante
citoplasma pouco corado, frequentemente contendo resíduos celulares. A cromatina
nuclear é delicadamente pontilhada, e nucléolos podem ser encontrados em
macrófagos ativados. Mastócitos e neutrófilos também podem estar presentes em
pequenas quantidades (Bookbinder et al., 1992).

Linfonodo Reativo ou Hiperplásico


O aumento de tamanho de um linfonodo sob essa condição é devido a qualquer
resposta antigênica local ou generalizada, a qual pode incluir infecção, inflamação,
doença imunomediada ou neoplasia a partir de uma área que é drenada pelo
linfonodo. Sob o ponto de vista histológico, os nódulos linfoides no córtex formam
proeminentes centros germinativos que se desenvolvem após estimulação antigênica
(Fig. 4-3A). Uma zona clara e uma zona escura compõem o centro germinativo. Além
de pequenos linfócitos, a zona clara central contém células reticulares dendríticas
foliculares, macrófagos e grandes células linfoides (Fig. 4-3B). Na hiperplasia
benigna, a zona escura, ou zona do manto, se expande a partir da proliferação de
pequenos linfócitos B que circundam a porção pálida do centro germinativo, com a
porção mais espessa do manto na extremidade apical (Fig. 4-3B). Os centros
germinativos hiperplásicos frequentemente demonstram polaridade (Fig. 4-3C)
direcionada para a fonte de antígenos, de modo que uma zona do manto celular, mais
escura, se encontra em uma extremidade (cortical) e um grupo mais pálido de grandes
linfócitos aparece na outra extremidade (medular). A presença de polaridade folicular
ajuda a distinguir entre a hiperplasia folicular e o linfoma folicular (Valli, 2007). Em
contraste com a heterogeneidade dos centros germinativos, os nódulos no linfoma
folicular contêm uma população monomórfica de linfócitos neoplásicos. Os folículos
expandidos podem pressionar a cápsula, produzindo uma delgada zona do manto,
mas não há destruição do seio subcapsular como ocorre no linfoma. Com a hiperplasia
expandida, as células da zona marginal que circundam as células da zona do manto
podem aumentar de quantidade, produzindo uma população heterogênea que se
expande para a região paracortical e se mistura com os linfócitos T residentes (Fig. 4-
3D). A amostragem dessas áreas apresenta, sob o ponto de vista citológico, uma
variabilidade no tamanho das células, sem um aumento marcante dos plasmócitos. As
células da zona marginal são únicas em sua aparência, com um tamanho celular
médio (núcleo cerca de 1,5 vez o diâmetro de um eritrócito) e um citoplasma
abundante que contribui para a cor mais clara à histopatologia. As células da zona
marginal podem ser transformadas apresentando uma cromatina marginada e
contendo um único e grande nucléolo, localizado centralmente, mas a atividade
mitótica é baixa, apesar da imaturidade dessas células (Fig. 4-3E). Vasos sanguíneos
especializados da zona paracortical, denominados vênulas de endotélio alto – devido ao
seu núcleo cuboide ou arredondado – aumentam em proeminência e número. Os
linfócitos T do sangue circulante entram no paracórtex passando por entre o
endotélio da parede dessas vênulas. A retenção dessas vênulas entre os folículos ajuda
a distinguir, do ponto de vista histológico, entre uma hiperplasia paracortical e um
linfoma, no qual elas podem ficar incorporadas em meio a neoplasia nodular ou
semelhante a uma neoplasia folicular. Em resposta à estimulação antigênica, os
plasmócitos movem-se a partir do paracórtex e acumulam-se em meio aos cordões
medulares (Fig. 4-3F e G), nos quais produzem anticorpos.
Figura 4-3 A-B, Linfonodo hiperplásico. Corte histológico. Cão. A, Proeminente centro
germinativo composto de duas zonas, uma zona escura com uma delgada borda de pequenos linfócitos
agregados (células do manto) e uma zona intermediária pouco corada, composta por linfócitos
maiores, células dendríticas e macrófagos. (H&E; aumento médio.) B, A zona clara de um centro
germinativo é mostrada acima da camada escura das células do manto. A zona clara é composta por
grandes linfócitos, células dendríticas e macrófagos, estas últimas células aparecendo como grandes
espaços claros com um material celular retraído. As células do manto são pequenas células
arredondadas com citoplasma escasso e um padrão condensado da cromatina. (H&E; grande aumento
em óleo de imersão.) C, Linfonodo reativo, córtex. Corte histológico. Cão. Um centro germinativo
demonstrando polaridade com o seio subcapsular (S) como a fonte de estimulação antigênica, um
manguito de pequenos linfócitos B do manto (M), área intermediária de células dendríticas e
macrófagos linfofagocíticos ou macrófagos com corpos tingíveis (DM), e uma área contendo
plasmócitos (PC) abaixo do centro germinativo. (H&E; aumento médio.) Mesmo caso, D-E. Linfonodo
hiperplásico. Corte histológico. Cão. D, Um manguito proeminente da zona marginal (MZ) em
coloração pálida circunda o centro germinativo fracamente corado com células do manto residuais (M)
reconhecidas pela sua aparência escura em pequenas células. (H&E, pequeno aumento.)E, Células de
uma zona marginal expandida, na parte de baixo da figura, frequentemente apresentam cromatina
vesicular e um grande nucléolo localizado centralmente. Observe a ausência de atividade mitótica
nessa região. No alto, observa-se a região da medula preenchida com abundantes macrófagos, muitos
dos quais contêm um pigmento amarelo-escuro, supostamente considerado hemossiderina. (H&E;
grande aumento em óleo de imersão.) F-G, Linfonodo reativo. Corte histológico. Cão. F, Os
cordões medulares preenchidos com plasmócitos e macrófagos carregados com hemossiderina estão
expandidos e comprimindo os seios preenchidos com sangue por entre os cordões. (H&E; aumento
médio.) G, Aumento maior de F. Os cordões medulares estão preenchidos com plasmócitos facilmente
identificados pelo seu núcleo em posição excêntrica. (H&E; aumento médio.) H-I, Linfonodo reativo.
Aspirado de tecido. Cão. H, Muitos pequenos linfócitos estão presentes juntamente com vários
plasmócitos bem diferenciados (setas). Números mais elevados do que o esperado de linfócitos de
tamanho médio em linfonodos normais são observados no centro. (Wright; grande aumento em óleo de
imersão.) I, Os plasmócitos se encontram moderadamente aumentados em número e dois aparecem
ainda imaturos (setas). (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) Mesmo caso, J-K. J,
Linfonodo reativo. Impressão de tecido. Cão. Observe o aumento marcante nas quantidades de
plasmócitos, em vários graus de diferenciação. Há um macrófago carregado com hemossiderina à
direita do campo. (Wright em base aquosa; grande aumento em óleo de imersão.)K, Célula de Mott.
Impressão de tecido. Cão. Este plasmócito obtido de um linfonodo reativo está altamente ativado,
com um abundante citoplasma basófilo que contém múltiplos e grandes vacúolos pálidos. Os vacúolos
– conhecidos como corpúsculos de Russell – representam agregados de imunoglobulinas para
secreção. (Wright em base aquosa; grande aumento em óleo de imersão.) L, Hiperplasia linfoide
atípica, linfonodo. Aspirado de tecido. Gato. Os aspirados de ambos os linfonodos submandibulares
foram similares. Este gato de 10 anos de idade foi tratado recentemente para hipertireoidismo e se
apresentou com uma estomatite ulcerativa. O gato se encontrava clinicamente normal e apresentou
resultados negativos para o vírus da leucemia felina (FeLV) e para o vírus da imunodeficiência felina
(FIV). O espécime continha uma população predominante de linfócitos médios e grandes, com
ocasionais plasmócitos (não mostrados). Presume-se que esta seja uma resposta hiperplásica da zona
paracortical relacionada com a lesão oral. (Wright; grande aumento em óleo de imersão.) Mesmo
caso, M-N. M, Linfonodo hiperplásico. Corte histológico. Gato. A linfadenopatia de um linfonodo
periférico neste caso é caracterizada por uma expansão da zona paracortical que desloca os nódulos
linfoides normais e cria uma aparência homogênea que se assemelha a um linfoma. À direita, uma
delgada faixa de pequenos linfócitos muito corados permanece no nódulo normal. (H&E; pequeno
aumento.) N, Linfonodo reativo e hiperplásico. Impressão de tecido. Gato. Esta amostra de um
linfonodo pré-escapular contém uma população mista de pequenos, médios e grandes linfócitos,
plasmócitos e um mastócito (embaixo, à direita). A maioria dos linfócitos é de tamanho médio, com
cromatina moderadamente condensada e nucléolos pouco distintos. (Wright em base aquosa; grande
aumento em óleo de imersão.) Mesmo caso, O-Q. Linfonodo reativo. Corte histológico.
Imunocitoquímica. Cão. O, Observe a forte marcação de linfócitos T na zona paracortical e o
envolvimento disseminado em meio à região da medula (CD3/diaminobenzidina [DAB]; pequeno
aumento); P, Uma forte marcação de linfócitos B nos centros germinativos é mostrada pela reação com
anticorpo anti-CD20 e marcação negativa nas áreas paracorticais (CD20/DAB; pequeno aumento). Q,
Uma forte marcação de linfócitos B da zona do manto está evidente, com uma fraca marcação
disseminada em meio ao córtex e nos cordões medulares. (CD79a/DAB; pequeno aumento.)

Sob o ponto de vista citológico, pequenos linfócitos predominam nos linfonodos


reativos ou hiperplásicos, mas há um aumento (> 15%) nos tipos celulares de
tamanhos médio e/ou grande da população celular total (Fig. 4-3H). Os plasmócitos
são leve a marcadamente aumentados em quantidade, e podem estar tendendo à
imaturidade (Fig. 4-3I e J). Alguns plasmócitos altamente ativados, denominados
células de Mott, são caracterizados por um citoplasma abundante preenchido com
múltiplos e grandes vacúolos esféricos e palidamente corados, que representam
acúmulos de imunoglobulina para secreção conhecidos como corpúsculos de Russell
(Fig. 4-3K). Macrófagos, neutrófilos, eosinófilos, e mastócitos também podem
aumentar ligeiramente em resposta à estimulação antigênica; entretanto, essas
células ocorrem em quantidades menores do que o esperado para uma linfadenite.

Durante a estimulação antigênica inicial antes que os centros germinativos tenham


se desenvolvido, o paracórtex responde com expansão e povoamento do córtex (Fig.
4-3L). A hiperplasia paracortical pode preceder a proliferação de plasmócitos, e duas
semanas podem se passar antes do aparecimento de centros germinativos
proeminentes. Durante esse momento, distensões de aspirados podem conter uma
população linfoide de tamanho variável, sem quantidades significativas de
plasmócitos.

Uma doença benigna em gatos jovens foi relatada (Moore et al., 1986; Mooney et
al., 1987), na qual linfonodos periféricos apresentam um marcado aumento de
tamanho que histologicamente se assemelha a um linfoma (Fig. 4-3M). As células
podem ser principalmente linfócitos médios e grandes, com pequenas quantidades de
pequenos linfócitos e plasmócitos (Fig. 4-3N). As vênulas de endotélio alto são
proeminentes no paracórtex nessa doença (Valli, 2007). Esses casos geralmente
regridem espontaneamente em 1 a 17 semanas (Mooney et al., 1987). Em um estudo,
a maioria dos gatos era positiva para o vírus da leucemia felina (FeLV), e 1 dos 14
gatos progrediu para um linfoma (Moore et al., 1986). Sabe-se que uma
linfadenopatia generalizada ocorre em gatos infectados com o vírus da
imunodeficiência felina (FIV) e com Bartonella sp. (Kordick et al., 1999).

A imunomarcação de linfonodos reativos demonstra a expansão dos linfócitos T na


zona paracortical (Fig. 4-3O) e o desenvolvimento dos centros germinativos (Fig. 4-
3P e Q).

Linfadenite
A população de células inflamatórias predominantes caracteriza o tipo de inflamação
em um linfonodo.

Linfadenite Neutrofílica

Uma linfadenite purulenta ou supurativa (Fig. 4-4A) envolve mais de 5% de


neutrófilos e pode estar associada a doenças bacterianas (Fig. 4-4B e C), neoplásicas
ou imunomediadas.

Figura 4-4 A, Linfadenite neutrofílica. Aspirado de tecido. Gato. Quatro neutrófilos não
degenerados estão presentes juntamente com pequenos e médios linfócitos. Um grande linfócito
também é observado. (Wright; grande aumento em óleo de imersão.) B, Linfadenite supurativa
séptica. Aspirado de tecido. Gato. Bactérias bipolares do tipo cocobacilos, confirmadas como
Yersinia pestis, estão presentes no meio extracelular, adjacentes a um neutrófilo degenerado (seta).
(Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) C, Linfadenite supurativa séptica.
Impressão de tecido. Cão. O histórico incluía uma briga de cães 2 meses antes da linfadenomegalia
presente. A maioria das células linfoides está necrótica e aparece como um material basófilo amorfo.
Observe dois neutrófilos degenerados intactos e um pequeno linfócito. Grandes bacilos com dilatações
subterminais e terminais encontram-se numerosos ao fundo, cuja cultura confirmou como Clostridium
sp. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.)
(B, Fotografia cortesia de Kyra Royals et al., Colorado State University; apresentado na sessão de revisão de casos da ASVCP de 1996.)

Linfadenite Eosinofílica
Mais de 3% de eosinófilos da população de células nucleadas estão frequentemente
relacionados com a hipersensibilidade à picada de pulgas, doença eosinofílica cutânea
felina (Fig. 4-5A), síndrome hipereosinofílica e síndrome paraneoplásica para um
tumor de mastócitos (Fig. 4-5B), além de certos linfomas (Thorn e Aubert, 1999) e
carcinomas (Fig. 4-5C).

Figura 4-5 A-C, Linfadenite eosinofílica. A, Aspirado de tecido. Gato. Dois eosinófilos estão
mostrados em uma população de pequenos linfócitos de um animal com uma úlcera do roedor da
boca. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) B, Aspirado de tecido. Cão. O linfonodo
submandibular é examinado para evidências de disseminação de um tumor de mastócitos no nariz. A
população linfoide é predominantemente de pequenos linfócitos, com pequenas quantidades de
linfócitos intermediários. Frequentes eosinófilos estão presentes, mas nenhuma evidência de um tumor
metastásico é encontrada. (Wright; grande aumento em óleo de imersão.) C, Impressão de tecido.
Cão. Pequenos linfócitos predominam juntamente com números aumentados de médios linfócitos e
eosinófilos. À direita, observa-se um aglomerado de células epiteliais pleomórficas de um animal com
carcinoma metastático de células de transição encontrado no linfonodo sublombar. (Wright-Giemsa;
grande aumento em óleo de imersão.)

Linfadenite Histiocítica ou Piogranulomatosa

A inflamação dos linfonodos pode envolver números aumentados de macrófagos,


denominada linfadenite histiocítica (Fig. 4-6A), ou envolve uma mistura de neutrófilos
e macrófagos, referida como linfadenite piogranulomatosa (Fig. 4-6B), muito embora
um granuloma seja mais bem apreciado em cortes histológicos. Doenças associadas a
essas respostas inflamatórias incluem infecções fúngicas sistêmicas, outras infecções
fúngicas (Walton et al., 1994) (Fig. 4-6C), micobacteriose (Grooters et al., 1995),
leishmaniose, doença do envenenamento pelo verme trematódeo do salmão (Fig. 4-
6D e E), prototecose (Fig. 4-6F e G), pitiose, vasculite (Fig. 4-6H-J) e hemossiderose
(Fig. 4-6K e L) (Fig. 4-3G). As doenças fúngicas sistêmicas incluem blastomicose (Fig.
4-6M), criptococose (Lichtensteiger e Hilf, 1994) (Fig. 4-6N), histoplasmose (Fig. 4-
6O) e coccidioidomicose.
Figura 4-6 A, Linfadenite histiocítica. Aspirado de tecido. Gato. Vários macrófagos estão
presentes, juntamente com pequenos e médios linfócitos. (Wright; grande aumento em óleo de
imersão.) B-C, Linfadenite piogranulomatosa. Aspirado de tecido. Cão. B, Numerosos macrófagos
e neutrófilos aparecem em meio a uma população mista de linfócitos. (Wright-Giemsa; grande
aumento em óleo de imersão.) C, Um infiltrado misto de células inflamatórias de neutrófilos
degenerados e macrófagos é mostrado a partir de um linfonodo inguinal que drena uma massa no
dedo. Observe as hifas fúngicas septadas com aparência bulbosa, o que foi confirmado pela cultura
como Fusarium sp. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) Mesmo caso em D-E.
Doença do envenenamento pelo verme trematódeo do salmão. Cão. D, Aspirado de linfonodo
periférico. Numerosos grânulos basófilos pequenos são mostrados em um macrófago infectado com
Neorickettsia helminthoeca (Romanowsky; grande aumento em óleo de imersão). E, Aspirado de
linfonodo. Os linfonodos demonstram números aumentados de médios linfócitos e plasmócitos, além
da resposta inflamatória. Observe a riquétsia dentro do macrófago (Romanowsky; grande aumento em
óleo de imersão). (Material do caso, cortesia de Jocelyn Johnsrude.) F-G, Prototecose. Cão. F,
Impressão de linfonodo cólico. Várias estruturas de formato arredondado a oval estão presentes, as
quais medem, aproximadamente, 6 a 10 μm de comprimento. Estes endósporos têm um citoplasma
granular basófilo e uma delgada parede celular clara. Observe as formas esporuladas com múltiplos
endósporos. (Wright em base aquosa; grande aumento em óleo de imersão.) G, Impressão de
linfonodo. Observe o endósporo isolado, engolfado por um macrófago. (Wright em base aquosa;
grande aumento em óleo de imersão.) Mesmo caso em H-J. H, Linfadenite histiocítica com
proeminentes elementos vasculares. Aspirado de linfonodo submandibular. Cão. Vários
agregados de elementos fibro-histiocíticos circundando vasos sanguíneos são observados neste
linfonodo que drena uma massa cutânea inflamada. A histopatologia suportou o diagnóstico clínico de
uma doença imunomediada pelo achado de uma vasculite linfoplasmocítica e supurativa em várias
regiões do tecido subcutâneo. (Wright-Giemsa; aumento médio.) I-J, Linfadenite histiocítica.
Aspirado de tecido. Cão. I, O aumento maior mostra uma massa coesa de grandes células
mononucleares que apresentam um abundante citoplasma claro. Pequenos linfócitos estão presentes ao
fundo. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) J, Células gigantes multinucleadas
estavam presentes em pequenas quantidades nesta proliferação histiocítica generalizada no linfonodo.
Uma população mista de células linfoides é observada ao fundo. (Wright-Giemsa; grande aumento em
óleo de imersão.) Mesmo caso em K-L. K, Linfadenite histiocítica com hemossiderose. Aspirado
de linfonodo. Cão. Numerosos macrófagos carregados com hemossiderina estão mostrados,
caracterizados por grandes grânulos grosseiros e de cor escura. O fundo contém vários pequenos
grânulos escuros, compatíveis com hemossiderina. A população de células linfoides é mista, o que é
condizente com estimulação imunológica. Uma neoplasia maligna foi previamente diagnosticada nessa
área drenada por esse linfonodo submandibular. (Wright em base aquosa; grande aumento em óleo de
imersão.) L, Hemossiderose. Aspirado de linfonodo. Citoquímica. Cão. A coloração para ferro
demonstra uma grande quantidade de um material granular grosseiro, de tonalidade azul-escura, em
localização intracelular e extracelular. Observe os pequenos grânulos positivamente corados ao fundo.
(Azul da Prússia; grande aumento em óleo de imersão.) M, Linfadenite piogranulomatosa com
blastomicose. Aspirado de tecido. Cão. Duas estruturas leveduriformes basófilas e arredondadas
estão circundadas por uma resposta inflamatória mista, incluindo macrófagos, neutrófilos
degenerados, pequenos e médios linfócitos e plasmócitos. (Wright; grande aumento em óleo de
imersão.) N, Linfadenite histiocítica com criptococose. Aspirado de linfonodo. Gato. Uma massa
subcutânea atrás da orelha está presente neste animal. Um linfonodo periauricular demonstra
numerosas formas leveduriformes encapsuladas, compatíveis com Cryptococcus sp. Observe os
linfócitos ao fundo com poucas células inflamatórias presentes. (Wright-Giemsa; grande aumento em
óleo de imersão.) O, Linfadenite piogranulomatosa na histoplasmose. Aspirado de linfonodo.
Gato. Várias pequenas formas leveduriformes ovais intracelulares estão presentes dentro de um
macrófago. Também são encontradas estruturas leveduriformes extracelulares, incluindo uma
população mista de células linfoides e neutrófilos degenerados. (Wright em base aquosa; grande
aumento em óleo de imersão).
(D, material do caso, cortesia de Jocelyn Johnsrude; F, material do caso, cortesia de Karyn Bird et al., Texas A&M University;

apresentado na sessão de revisão de casos da ASVCP de 1988; G, Fotografia cortesia de Peter Fernandes.)

Metástase para o Linfonodo


Uma metástase é sugerida pela presença de uma população celular normalmente não
esperada em um linfonodo, o qual para células epiteliais é relativamente mais fácil de
detectar devido a seu grande tamanho celular e aparência aglomerada (Fig. 4-7A e
B). Essas células estranhas frequentemente aparecem maiores que os linfócitos
circunjacentes e anormais, apresentando vários aspectos citológicos de malignidade
(Fig. 4-7C). Sob o ponto de vista histológico, uma metástase para o linfonodo pode
ocorrer nos seios periféricos (seios subcapsular e peritrabeculares) ou nos seios
medulares, relacionada com a disseminação da linfa (Fig. 4-7D).
Figura 4-7 A, Carcinoma renal metastásico. Aspirado de linfonodo. Cão. Um agregado de
capilares se encontra entrelaçado ao redor da população de células epiteliais malignas. (Wright;
grande aumento em óleo de imersão.) Mesmo caso em B-C. Carcinoma metastásico de células
escamosas. Aspirado de linfonodo. Cão. B, Uma camada de células epiteliais pavimentosas
neoplásicas está circundada por numerosos pequenos linfócitos. (Wright-Giemsa; grande aumento em
óleo de imersão.) C, O aumento maior demonstra o marcante pleomorfismo dos núcleos, intensa
coloração da cromatina e múltiplos e proeminentes nucléolos de tamanho variável. (Wright-Giemsa;
grande aumento em óleo de imersão.) D, Carcinoma metastático, linfonodo. Corte histológico.
Cão. A população neoplásica se infiltrou no córtex, começando pela região do seio subcapsular (seta).
(H&E; aumento médio). E-F, Melanoma metastático. Aspirado de linfonodo. Cão. E, Delicados
grânulos escuros definem a célula de origem. Proeminentes múltiplos nucléolos também são
observados. Pequenos linfócitos estão presentes ao fundo. (Wright em base aquosa; grande aumento
em óleo de imersão.) F, Citoquímica. Uma coloração para ferro ajuda a distinguir a hemossiderina de
coloração positiva ao fundo de uma célula não corada contendo grânulos de melanina. Costuma haver
hemorragia em lesões metastáticas. (azul da Prússia; grande aumento em óleo de imersão.) Mesmo
caso em G-H. Melanoma amelanótico metastático. Aspirado de linfonodo. Gato. G, Múltiplas
massas na perna e no dorso com metástase para os linfonodos regionais. Estão mostradas três grandes
células mal diferenciadas de um melanoma, com proeminentes nucléolos, contra um fundo de
pequenos e médios linfócitos. (Wright; grande aumento em óleo de imersão.) H, Imunocitoquímica.
O citoplasma de várias grandes células neoplásicas com nucléolos proeminentes é positivo para Melan-
A, um marcador sensível para melanina. Poucos pequenos linfócitos se apresentam não corados.
(Melan-A/AEC; grande aumento em óleo de imersão.) Mesmo caso em I-J. Leucemia granulocítica.
Aspirado de linfonodo. Cão. I, Uma população mista de células está presente, com muitas grandes
células de formato irregular. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) J, Pequenos
grânulos estão presentes no precursor granulocítico na célula na parte inferior do campo. Observe os
neutrófilos hipossegmentados do tipo Pelger-Huet no alto, indicando anormalidades morfológicas
naquela linhagem celular. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) Mesmo caso em K-
L. Leucemia granulocítica. K, Aspirado de linfonodo pré-escapular. Cão. Numerosos grandes
precursores granulocíticos estão presentes com núcleos de formato irregular. (Wright-Giemsa; grande
aumento em óleo de imersão.) L, Aspirado de linfonodo. Citoquímica. Cão. A marcação citoquímica
é positiva para este marcador granulocítico. (Cloroacetatoesterase; grande aumento em óleo de
imersão.) M-N, Tumor metastásico de mastócitos. Aspirado de linfonodo. M, Cão. Três mastócitos
e um eosinófilo estão mostrados neste linfonodo submandibular que drena um tumor ulcerado de
mastócitos no focinho. Estes mastócitos estão moderadamente diferenciados, apresentando
proeminentes nucléolos e mínima granulação. As células linfoides circunjacentes são
predominantemente pequenos linfócitos. (Wright; grande aumento em óleo de imersão.) N, Gato.
Observe as células arredondadas e pouco granuladas em meio aos pequenos linfócitos, sugerindo um
tumor mal diferenciado de mastócitos. (Wright em base aquosa; grande aumento em óleo de imersão.)
O, Grande linfoma granular metastásico. Aspirado de linfonodo intestinal. Gato. Quase todas as
células presentes neste linfonodo são de tamanho médio, com citoplasma moderadamente basófilo
contendo grânulos proeminentes em tonalidade púrpura. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de
imersão.) P, Angiossarcoma metastático. Aspirado de linfonodo poplíteo. Cão. Várias grandes
células pleomórficas individualizadas estão circundadas pela população linfoide normal
principalmente de pequenos linfócitos. A massa original no jarrete foi removida há 9 meses, mas agora
a perna se apresenta edemaciada, com metástase evidente para o linfonodo drenante. (Wright; grande
aumento em óleo de imersão.) Q, Linfadenite eosinofílica. Aspirado de tecido. Cão. Numerosos
eosinófilos estão presentes, juntamente com vários mastócitos, apresentando graus variáveis de
degranulação e pleomorfismo em um animal com um tumor de mastócitos. (Wright em base aquosa;
grande aumento em óleo de imersão.) Mesmo caso em R-S. R, Tumor metastático de células de
ilhotas de Langerhans. Linfonodo gástrico. Corte histológico. Cão. Há quase um completo
apagamento estrutural do linfonodo por uma expansão de células neoplásicas. Observe os pequenos
linfócitos remanescentes, intensamente corados, no centro, à esquerda. (H&E; aumento médio.) S,
Tumor metastático de células de ilhotas de Langerhans. Impressão de linfonodo gástrico. Cão.
Agregados de células intactas são ocasionalmente encontrados, com a maioria das células presentes se
assemelhando àquelas do lado esquerdo, apresentando núcleos desnudos com bordas celulares pouco
características, típicas do tecido endócrino. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) T-
U, Neuroblastoma metastático. Aspirado de linfonodo ilíaco. Cão. T, Em pequeno aumento, a
preparação citológica aparece altamente celularizada, com muitas células individualizadas, sugestivas
de células linfoides. (Wright; aumento médio). U, Aumento maior do material do caso em T. As células
parecem ter um citoplasma rosado mais abundante do que o esperado para linfócitos, e há uma
anisocariose moderada. A perda de aspectos nucleares definidos está relacionada com a necrose que
ocorre neste linfonodo. A ausência de bordas citoplasmáticas sustenta uma aparência de núcleos
desnudos para a neoplasia metastásica. A neoplasia primária foi encontrada durante uma laparotomia
exploratória, na qual uma grande massa foi localizada abaixo da porção lombar da coluna vertebral,
incorporada à veia cava, ao rim e a parte do pâncreas. A massa foi diagnosticada como neuroblastoma
neste Boxer de 1,5 ano de idade. (Wright; grande aumento em óleo de imersão.)
R-S, Material do caso cortesia de Robin Allison et al., Colorado State University; apresentado na sessão de revisão de casos da ASVCP de

1998.)

Neoplasias de aspecto mesenquimal são mais difíceis de ser reconhecidas devido a


sua apresentação celular individualizada. A presença de células anaplásicas de
formato arredondado a fusiforme em um aspirado de linfonodo pode suportar um
diagnóstico de malignidade (Desnoyers e St-Germain, 1994). Tumores tais como os
melanomas podem ser facilmente confundidos com macrófagos carregados com
hemossiderina (Grindem, 1994) (Fig. 4-6K), relacionado com os grânulos azul-escuros
ou negros. Grânulos de hemossiderina tendem a ser de tamanho variável e grosseiro
em comparação a grânulos de melanina, os quais são pequenos e delicadamente
granulares (Fig. 4-7E). Colorações citoquímicas podem ser necessárias para distinguir
os dois, tais como a coloração de Fontana para melanina e azul da Prússia para ferro
(Fig. 4-7F). Além disso, a imunocitoquímica pode ser útil em casos amelanóticos que
não apresentam grânulos visíveis (Fig. 4-7G), usando marcadores tais como S-100,
Melan-A (Fig. 4-7H) e outros (Cap. 17).

Neoplasias hematopoéticas metastáticas, tais como a leucemia granulocítica,


causam uma linfadenopatia de leve a moderada. A população celular aparece mista
(Fig. 4-7I), e células displásicas ou precursores granulares podem estar presentes (Fig.
4-7J). Em alguns casos, mieloblastos podem estar indistinguíveis de precursores
linfoides (Fig. 4-7K), e colorações citoquímicas para a linhagem granulocítica podem
estar indicadas (Fig. 4-7L). Mastócitos dotados de adequada quantidade de grânulos
podem aparecer em pequena quantidade, até 6 por lâmina em cães clinicamente
saudáveis (Bookbinder et al., 1992), mas números aumentados de células e a
aparência de mastócitos mal granulados sugerem metástase (Fig. 4-7M e N). A
presença de eosinófilos, especialmente no cão, sugere degranulação e liberação de
histamina. Doenças malignas linfoides que se originam da medula óssea ou de locais
de tecidos sólidos, tais como o baço ou o trato gastrintestinal (Fig. 4-7O), podem ser
facilmente reconhecidas em linfonodos quando as células são granulares (Goldman e
Grindem, 1997). Os aspectos imunofenotípicos de grandes linfócitos granulares de
felinos (GLG) são similares aos pequenos linfócitos intraepiteliais do intestino, e por
isso este pode ser o local de origem desse linfoma em gatos. Em cães, em contraste, o
baço é o local de origem (Roccabianca et al., 2006). O prognóstico é ruim para gatos
com linfoma GLG, com sobrevivência mediana de 57 dias em animais tratados (Krick
et al., 2008). Metástases de sarcomas são frequentemente difíceis de discernir entre os
elementos fibro-histiocíticos normais. Entretanto, angiossarcomas apresentam
grandes células individualizadas características que podem estar proeminentes em
relação aos pequenos linfócitos (Fig. 4-7P).

A inflamação pode acompanhar a metástase para o tecido linfoide, com eosinófilos


mais comumente presentes como uma síndrome paraneoplásica em tumores de
mastócitos em cães (Fig. 4-7Q) ou em alguns carcinomas (Fig. 4-5C). Neutrófilos
comumente ocorrem no carcinoma de células escamosas e podem envolver sepse
bacteriana. A população linfoide remanescente frequentemente aparece
imunoestimulada, com tipos celulares presentes como descrito na seção sobre
Linfonodo Reativo ou Hiperplásico. No começo do processo patológico, lesões
metastáticas usualmente envolverão uma pequena proporção de toda a população
celular, em geral menos de 50%. Em alguns casos, com frequência tardiamente na
doença, a neoplasia metastática pode substituir completamente o parênquima do
linfonodo, de tal modo a interferir no reconhecimento citológico do tecido como um
linfonodo (Fig. 4-7R-U).

Neoplasia Primária
Esses tumores originam-se do linfonodo e usualmente envolvem a população de
linfócitos; raramente, foram relatados tumores vasculares que se originam do
linfonodo. HogenEsch e Hahn (1998) descreveram oito hemangiomas e um
linfangioma, principalmente no linfonodo poplíteo de cães idosos de uma colônia de
pesquisas, os quais foram encontrados como lesões incidentais no post-mortem.

Linfoma

O linfoma é uma neoplasia espontânea muito comum em cães e gatos. Um estudo


encontrou uma incidência de 103 casos dentro de uma população de animais
domésticos de 130.684 segurados no Reino Unido (Edwards et al., 2003). Dentro dessa
população, os cães da raça Boxer tinham riscos relativos significativamente mais altos
em comparação a outras raças. As outras raças com alto risco relativo aumentado são
Basset hound, São Bernardo, Scottish terrier (Terrier escocês), Airedale terrier,
Buldogue, Labrador Retriever, Bouvier de Flandres e Rottweiler (Edwards et al.,
2003). Outras com alto risco observado são os Golden Retrievers e Bullmastiffs.
Uma neoplasia primária costuma envolver mais os linfócitos do linfonodo e é
denominada linfoma (anteriormente chamada de linfossarcoma). Em geral, ela é
reconhecida como uma linfadenomegalia (Fig. 4-8A). A célula neoplásica
predominante em cães e gatos é usualmente um linfócito imaturo médio ou grande;
entretanto, o gato pode apresentar um linfoma de pequenas células no trato digestivo
(Twoney e Alleman, 2005). Linfócitos de tamanho médio ou grande frequentemente
compõem > 50% das células totais no linfoma (Fig. 4-8B). Uma exceção é a rara
apresentação de um linfoma de células B rico em células T, no qual linfócitos T
reativos representam a maioria da população celular. Um relato por Steele et al.
(1997) demonstrou, por meio do uso de imuno-histoquímica, que uma massa na
parótida em um gato continha pequenas quantidades de grandes células B atípicas em
meio a muitos pequenos linfócitos T reativos.
Figura 4-8 A-C, Linfoma. Cão. A, Aumento de tamanho do linfonodo poplíteo. B, Aspirado de
linfonodo. Linfoma de células B, grau alto. Subtipo monomórfico e centroblástico. Os médios e
grandes linfócitos compõem 60% a 90% das células totais neste subtipo de linfoma de células B
monomórfico de alto grau da categoria centroblástica na classificação de Kiel (Wright-Giemsa; grande
aumento em óleo de imersão). C, Aspirado de linfonodo. Um micrômetro, tal como a medida de um
eritrócito no alto do campo, é usado para determinar o tamanho dos linfócitos presentes. Observe os
três pequenos linfócitos intensamente corados no centro, juntamente com dois linfócitos médios
intactos e um linfócito grande intacto. Fragmentos citoplasmáticos basófilos denominados corpúsculos
linfogranulares e remanescentes em tonalidade rosada de núcleos lisados circundam as células intactas.
(Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) D, Corpúsculos linfogranulares. Aspirado
de linfonodo. Cão. Proeminentes estruturas arredondadas basófilas de tamanho variável indicam a
fragmentação do citoplasma. Esta aparência está frequentemente associada a um linfoma, mas pode ser
encontrada em outras doenças que apresentam células frágeis. (Wright-Giemsa; grande aumento em
óleo de imersão.) E-F, Linfoma. Linfonodo. Corte histológico. Cão. E, Uma densa infiltração de
linfócitos neoplásicos desorganiza a arquitetura normal, impossibilitando a distinção das regiões de
córtex e medula. (H&E; pequeno aumento.) F, Imuno-histoquímica. Observe a expressão uniforme
de CD20 na superfície celular, indicando uma origem em células B, com o uso de uma técnica com
imunoperoxidase. (CD20/DAB; grande aumento em óleo de imersão). G, Linfoma. Aspirado de
linfonodo porcytospin. Imunocitoquímica. Cão. A expressão de CD21 na superfície celular indica a
origem em células B, usando aminoetilcarbazol como o cromógeno (CD21/AEC; grande aumento em
óleo de imersão.)
(A, cortesia de Leslie Fox, University of Florida.)
Um micrômetro, tal como um eritrócito, é usado para determinar o tamanho dos
linfócitos presentes (Fig. 4-8C). O núcleo de um linfócito de pequeno, médio e grande
tamanhos em cães é 1 a 1,5, 2 a 2,5 e > 3 vezes o diâmetro de um eritrócito,
respectivamente (Quadro 4-1).

QUADRO 4-1 Protocolo Citológico e Termos Usados para Avaliar Casos de


Linfoma

• Determinar o tamanho das células com base na comparação do núcleo em relação ao tamanho de um
eritrócito.
Pequeno: 1-1,5 3 eritrócitos
Médio: 2-2,5 3 eritrócitos
Grande: 3 3 eritrócitos

• Determinar o formato do núcleo e sua posição no citoplasma.


Arredondado: circular sem indentações
Irregularmente arredondado: poucas indentações ou convoluções
Convoluto: várias indentações profundas
Fendido: indentação profunda única
Posição central versus posição excêntrica

• Determinar o número, o tamanho, a visibilidade e a localização de nucléolos nos linfócitos neoplásicos.


Único versus múltiplos
Grandes versus pequenos
Indistintos: não visíveis ou dificilmente perceptíveis
Proeminentes: facilmente visíveis
Central versus marginal ou em posição periférica

• Descrever o citoplasma pela quantidade e cor. certifique-se de observar a presença de um complexo de Golgi
ou de granulação.
Escasso: pequena borda ao redor do núcleo
Tamanho moderado: quantidade intermediária entre escasso e abundante
Abundante: quase duas vezes o tamanho do núcleo
Pálido: leve basofilia ou claro
Basofilia moderada: cor intermediária entre pálido e azul-escuro
Basofilia intensa: azul-real ou mais escuro

• Estimar o índice mitótico olhando 5 campos celulares em objetivas de 40× ou de 50 × .


Baixo: 0-1 figuras mitóticas por 5 campos
Moderado: 2-3 figuras por 5 campos
Alto: > 3 figuras mitóticas por 5 campos
• O grau do tumor é morfologicamente baseado no tamanho celular e no índice mitótico.
Baixo grau: baixo índice mitótico e pequeno tamanho celular
Alto grau: índice mitótico moderado ou alto e tamanho celular médio ou grande

No fundo da preparação estão os corpúsculos linfogranulares (Fig. 4-8C) que


resultam da ruptura de linfócitos e aparecem como pequenos fragmentos
citoplasmáticos basófilos do tamanho de plaquetas. Embora eles possam ser vistos em
doenças benignas de linfonodos, uma frequência mais alta PE é esperada no linfoma
devido à imaturidade e fragilidade dessas células. Núcleos lisados podem aparecer
como um material eosinofílico amorfo de aspecto rendado (Fig. 4-8B e C).
A população é frequentemente homogênea (Fig. 4-8D e E), embora logo no início
da doença possa haver um apagamento incompleto da estrutura do linfonodo.
Quando populações celulares estão misturadas, incluindo diferentes tamanhos
celulares presentes, tais como pequenos e grandes linfócitos, o diagnóstico de linfoma
pode necessitar de procedimentos adicionais. A remoção cirúrgica e o exame
histológico do linfonodo são recomendados em todos os casos suspeitos para fazer um
diagnóstico definitivo e classificar o tipo celular do linfoma para fins de tratamento e
prognóstico. O estadiamento clínico, particularmente envolvendo o sangue, a medula
óssea ou local variados (estágio V), tem importância prognóstica pelo tempo de
recidiva após uma remissão completa e tempo de sobrevivência (Teske et al., 1994).

A imunofenotipagem do linfoma em tipos de células B e de células T tem se


mostrado um procedimento auxiliar no prognóstico de linfomas caninos (Teske et al.,
1994; Ruslander et al., 1997). Anticorpos contra antígenos (p. ex., CD20, CD21,
CD79a, BLA.36) podem ser usados para determinar a origem de neoplasias de células
B (Fig. 4-8F e G) (Jubala et al., 2005), enquanto anticorpos contra CD3, CD4 e CD8
são úteis para neoplasias derivadas de células T. O Capítulo 17 discorre sobre a
metodologia e a aplicação da imunofenotipagem de leucócitos. Em um estudo, os
tipos derivados de células B envolveram 76% dos casos de linfomas caninos, os tipos
derivados de células T envolveram 22%, e os tipos derivados de células nulas
envolveram 2% desses casos (Ruslander et al., 1997). No mesmo relato, cães com
linfomas de células T estavam em risco significativamente mais alto de recidiva (52
versus 160 dias) e morte precoce (153 versus 330 dias) em comparação a linfomas de
células B após terapia. Entretanto, outros estudos (Chiulli et al., 2003; Ponce et al.,
2004) demonstraram que, embora o fenótipo de células T estivesse associado, em
geral, a um mau prognóstico, diferenças prognósticas significativas eram evidentes
com os subtipos de células B e de células T do linfoma canino. Consequentemente, os
tipos de células B nem sempre são “melhores” e os tipos de células T nem sempre são
“terríveis”. Esses estudos sustentam o uso de uma caracterização clinicomorfológica da
doença em cães, de modo similar ao esquema de classificação atual para neoplasias
hematopoéticas na espécie humana, o qual é fundamentado na apresentação clínica,
no imunofenótipo, no local anatômico, na morfologia, na citogenética e na
agressividade clínica (Jaffe et al., 2001). Espera-se para breve uma edição atualizada
da classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de neoplasias
hematopoéticas (Swerdlow et al., 2008). A descrição de alguns dos subtipos
veterinários da OMS mostrados na Tabela 4-2 pode ser encontrada em livros-textos e
artigos (Fry et al., 2003; Cienava et al., 2004; Valli et al., 2006; Valli, 2007).

Tabela 4-2 Subtipos Reconhecidos para Doenças Linfoides Malignas Caninas e Felinas Usando a
Classificação Atual da Organização Mundial da Saúde

Células B Células T

Precursor Leucemia/linfoma linfoblástico Leucemia/Linfoma linfoblástico

Maduro Linfoma linfocítico/LLC Leucemia/linfoma linfocítico granular de


Leucemia pró-linfocítica células grandes
Linfoma de células do manto Leucemia pró-linfocítica
Tipos de linfomas da zona marginal Leucemia/linfoma de células T adultas
Linfoma folicular Linfoma hepatoesplênico de células T
Linfoma Linfoplasmocítico/macroglobulinemia de Linfoma semelhante a paniculite subcutânea
Indentation Micose fungoide/síndrome de Sezary
Neoplasias de plasmócitos: mieloma, plasmocitoma Linfoma de células T periféricas
Linfoma de grandes células B, difuso Linfoma de células T do tipo enteropatia
Linfoma mediastinal (tímico) Linfoma angioimunoblástico de células T
Linfoma primário de efusão Linfoma anaplásico de grandes células

A imunofenotipagem é necessária inicialmente para caracterizar o tipo de linfoma


e pode ser realizada por meio de uma variedade de técnicas. Uma neoplasia linfoide
canina ou felina pode ser imunofenotipada por citometria de fluxo, incluindo o uso de
aspirados com agulha fina (Dean et al., 1995; Ruslander et al., 1997; Grindem et al.,
1998; Culmsee et al., 2001; Gibson et al., 2004), ou por imunomarcação de cortes
histológicos (Teske et al., 1994; Fournel-Fleury et al., 1997a; Vail et al., 1998; Kiupel
et al., 1999; Fournel-Fleuryet al., 2002), ou por imunomarcação de preparações
citológicas obtidas por aspiração com agulha fina (Fisher et al., 1995; Caniatti et al.,
1996). O estudo de Fisher et al.(1995) demonstrou uma excelente correlação de
imunofenótipos entre amostras citológicas e histológicas caninas imunomarcadas. A
partir de evidências de vários estudos (Teske e van Heerde, 1996; Fournel-Fleury et
al., 1997a; Ponce et al., 2004; Raskin, 2004), linfomas de células B representaram
aproximadamente 60% dos casos, enquanto os tipos derivados de células T envolvem
40%. Neoplasias de origem em células natural killer raramente são encontradas em
medicina veterinária e são frequentemente consideradas por exclusão.
Às vezes, a imunofenotipagem convencional não consegue determinar a origem
celular, particularmente com populações de células imaturas. Como alternativa, o uso
de métodos moleculares, tais como PCR para rearranjo de receptores para antígenos
(PARR) para determinar a clonalidade e a origem celular, tem sido bastante favorável
(Vernau e Moore, 1999; Burnett et al., 2003; Avery, 2004). Os leitores devem
consultar o Capítulo 17 para informações adicionais sobre a metodologia e aplicação
em cães e gatos.

A aparência morfológica das células neoplásicas tem sido usada juntamente com a
imunofenotipagem para ainda classificar os linfomas com relação ao valor
prognóstico (Ponce et al., 2004). O esquema de classificação atualmente utilizado é a
Classificação de Kiel modificada ou atualizada (Lennert e Feller, 1992; Callanan et al.,
1996; Teske e van Heerde, 1996; Fournel-Fleury et al., 1997a). Teske e van Heerde
(1996) consideraram a classificação a partir de biópsias por aspiração com agulha
intimamente correlacionada àquela a partir de amostras histológicas. A classificação
em baixo e alto graus de malignidade tem se mostrado de importância prognóstica
para os casos de linfoma canino (Teske et al., 1994). O grau alto é morfologicamente
definido como de índice mitótico de moderado ou alto e um tamanho celular médio ou
grande (Quadro 4-1). O uso desse esquema indica que os tipos morfológicos de
linfoma com um alto grau de malignidade são mais frequentemente encontrados em
cães.

Outro indicador prognóstico envolve o uso de marcadores de proliferação celular


em espécimes histológicos e citológicos para avaliar a renovação celular ativa. Os
mais comumente usados são o índice mitótico, o percentual positivo para o antígeno
Ki-67, o percentual positivo para o antígeno nuclear de proliferação celular (PCNA) e
a quantificação de regiões argirofílicas de organizadores nucleolares (AgNOR) (Vail et
al., 1996; Vail et al., 1997; Fournel-Fleury et al., 1997b; Kiupel et al., 1998; Kiupel et
al., 1999; Dank et al., 2002; Hipple et al., 2003; Whitten e Raskin, 2004; Vadjovich et
al., 2004; Bauer et al., 2007). O anticorpo Ki-67 reconhece um antígeno expresso em
todas as fases do ciclo celular, exceto na fase de repouso (G0). O PCNA aumenta
durante a fase G1, se torna máximo na síntese de DNA (fase S) e diminui durante a
fase G2, mitose (fase M) e fase G0. O índice mitótico reflete apenas a fase M. O
marcador mais amplo parece ser o AgNOR, o qual indica proteínas associadas a alças
de DNA envolvidas na transcrição do RNA ribossomal. A quantidade de AgNOR reflete
não somente a porcentagem de células em ciclo, mas ele também aumenta quando o
ciclo celular está mais rápido. As contagens de AgNOR se correlacionaram bem com o
grau dos tumores (Kiupel et al., 1998). Estudos sobre a frequência de AgNOR e
parâmetros de área demonstraram um significativo potencial indicador para a
remissão e para o tempo de sobrevivência em casos tratados e não tratados de
linfoma canino (Vail et al., 1996; Kiupel et al., 1998; Kiupel et al., 1999). Um estudo
subsequente descobriu que o uso de contagens de AgNOR nucleolar pode ser mais
confiável sob o ponto de vista prognóstico do que o AgNOR médio ou contagens
percentuais de AgNOR proliferativo para certas formas de neoplasias linfoides
caninas (Whiten e Raskin, 2004).

Neoplasias de Células B. Dos cães que apresentam um alto grau de malignidade, o


tipo morfológico mais comum, que representa aproximadamente metade de todos os
casos de linfoma, é o tipo centroblástico de linfoma de células B, conforme é
denominado na classificação atualizada de Kiel. Os centroblastos são células de
tamanho médio a grande que se originam de áreas foliculares. Um subtipo
monomórfico é composto de mais de 60% de centroblastos (Fig. 45-8B). Essas células
apresentam um núcleo arredondado, um padrão delicado de cromatina nuclear e dois
a quatro pequenos nucléolos basófilos e localizados de modo proeminente na margem
do núcleo (Fig. 4-9A). O citoplasma é escasso a moderado, e de tonalidade basófila.
Outros tipos celulares foliculares, tais como centrócitos e imunoblastos, podem estar
presentes em um grau menor.
Figura 4-9 Neoplasias de células B. A-J, Linfoma difuso de grandes células B. Cão. A-C,
Aspirado de linfonodo. Alto grau, centroblástico. A, Subtipo monomórfico (Kiel). Estas células
de tamanho médio a grande apresentam um núcleo arredondado, padrão delicado na cromatina, dois a
quatro pequenos nucléolos proeminentes, geralmente posicionados marginalmente. O citoplasma é
escasso e intensamente basófilo. A imunomarcação foi positiva para CD21, CD79a e IgG. (Wright-
Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) B-C, Subtipo polimórfico (Kiel). B, Esta população
contém um número aumentado de imunoblastos. Observe a figura mitótica na parte de baixo do
campo. A atividade mitótica estava alta neste caso. A imunomarcação foi positiva para CD79a e IgG.
(Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) Mesmo caso em C e D. C, Um nucléolo único
e proeminente pode ser visto em várias células. Numerosos corpos linfogranulares estão presentes ao
fundo. A imunomarcação foi positiva para CD21, CD79a e IgG. (Wright-Giemsa; grande aumento em
óleo de imersão.) D, Aspirado de linfonodo em preparação porcytospin. Imunocitoquímica. A
imunomarcação foi positiva conforme indicado pela coloração marrom-escura de aspecto granular no
citoplasma. (IgG/DAB; grande aumento em óleo de imersão.)Mesmo caso em E, F e J. Neoplasias de
células B. E, Aspirado de linfonodo. Várias células linfoides de tamanho médio a grande estão
presentes, cada uma contendo um grande nucléolo localizado centralmente. A imunomarcação foi
positiva para CD79a. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) F, Aspirado de
linfonodo em preparação porcytospin. Imunocitoquímica. A imunomarcação é positiva, conforme
indicado pela marcação amarronzada difusa no citoplasma. Observe que este marcador pode mostrar
uma reação nuclear inespecífica, a qual não deve ser considerada positiva (CD79a/DAB; grande
aumento em óleo de imersão). G, Aspirado de linfonodo. Subtipo centrocitoide, centroblástico e
de alto grau (Kiel). Várias células de tamanho médio estão presentes, as quais contêm um ou mais
nucléolos. Um denso e pequeno centrócito (seta) é visto à esquerda de uma célula centrocitoide de
tamanho médio que apresenta um único e grande núcleo localizado centralmente. Às vezes, essa célula
centrocitoide é referida como uma célula macronucleada de tamanho médio, a qual provavelmente
representa uma célula derivada da zona marginal de folículos linfoides. A imunomarcação foi positiva
para CD21, CD79a e IgG. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) H, Aspirado de
linfonodo. Subtipo centrocitoide, centroblástico e de alto grau (Kiel). Neste subtipo, células
centrocitoides de tamanho médio excedem 30% da população celular. A imunomarcação foi positiva
para CD21 e CD79. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) I, Aspirado de linfonodo.
Subtipo centrocitoide, centroblástico e de alto grau (Kiel). Os núcleos medem de 1,5 a 2 vezes o
diâmetro de um eritrócito, indicando que estes são linfócitos de tamanho médio. Compare o tamanho
destas células em relação a um eritrócito palidamente corado no campo (seta). O abundante citoplasma
em várias células produz uma aparência plasmocitoide, o que leva a uma identificação errônea destas
células como imunoblastos, observando que muitas apresentam um único e proeminente nucléolo
localizado centralmente. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) J, Aspirado de
linfonodo. A população é predominantemente composta de grandes células linfoides que têm um
único e grande nucléolo localizado centralmente. Uma figura mitótica (seta) está presente no alto do
campo. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.)Neoplasias de células B. Mesmo caso
em K-L. Neoplasia de células B. Linfoma linfoblástico. Aspirado de linfonodo. Cão. K, As células
são de tamanho pequeno a médio, com núcleos arredondados medindo 1,5 a 2,5 vezes o diâmetro de
um eritrócito. Em geral, os nucléolos são pouco distintos. O citoplasma é escasso e moderadamente
basófilo. A imunomarcação foi positiva para CD21 e CD79a. Estas células estavam presentes na
medula óssea e no baço neste Cocker Spaniel de 7 anos de idade que sobreviveu apenas 29 dias após o
diagnóstico. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) L, A atividade mitótica é alta para
a categoria linfoblástica. Observe o pequeno linfócito intensamente corado para a comparação dos
tamanhos. A maioria das células é de tamanho médio, com nucléolos pouco distintos e citoplasma
escasso. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) Mesmo caso em M e N. Neoplasia
de célula B. Linfoma mediastínico. Aspirado de tecido. Subtipo anaplásico, de grandes células
e alto grau (Kiel). Cão. M, Entre os resíduos necróticos, são observadas várias grandes células
intactas que apresentam aspectos histiocíticos. Este Basset Hound de 3 anos de idade apresentou uma
massa mediastínica com líquido pleural e envolvimento pulmonar e de linfonodos periféricos. A
imunomarcação foi positiva apenas para IgG. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.)
N, Observe as grandes células de aparência histiocítica com vacuolização citoplasmática. O índice
mitótico estava alto (não mostrado). (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) O-R,
Neoplasia de células B. Linfoma da zona marginal. Cão. Mesmo caso em O e P. Corte
histológico de linfonodo mesentérico. O, Múltiplos folículos estão expandidos, com uma perda da
arquitetura normal. (H&E; pequeno aumento.) P, Nota-se um maior aumento de um único folículo com
células do manto remanescentes, pequenas e intensamente coradas, no centro de uma pálida
proliferação de células linfoides maiores. Observe a margem folicular mal demarcada, devido à
expansão das células malignas para as áreas interfoliculares circunjacentes, em comparação com um
folículo bem-definido com expansão da zona marginal na Figura 4-3D. (H&E; pequeno
aumento.)Neoplasias de células B. Mesmo caso em Q e R. Impressão de linfonodo mesentérico.
Q, Há uma população mista de células linfoides, cuja maioria é de pequenas células neste campo. As
poucas células remanescentes são linfócitos de tamanho médio, células de aspecto borrado e restos
celulares ao fundo, juntamente com pequena quantidade de eritrócitos. (Wright-Giemsa; grande
aumento em óleo de imersão.) R, Outro campo neste caso demonstra um número aumentado de
linfócitos de tamanho médio, cuja maioria contém um grande e proeminente nucléolo único e
quantidades moderadas de citoplasma basófilo, compatível com as células da zona marginal. As células
nucleadas restantes são pequenos e médios linfócitos com citoplasma escasso. (Wright-Giemsa; grande
aumento em óleo de imersão.) S-U, Neoplasia de células B. Linfoma linfoplasmocitoide. Cão.
Mesmo caso em S e T. S, Corte histológico de linfonodo inguinal. A perda da arquitetura normal
do linfonodo está indicada pelas extensas áreas foliculares que apresentam uma aparência uniforme
palidamente corada. Este animal foi clinicamente estagiado como IVa e tinha um curso indolente da
doença com mais de 2 anos de sobrevida, apesar da presença de uma proliferação clonal maligna que
foi verificada por PARR. (H&E, pequeno aumento.) T, Impressão de linfonodo inguinal. Uma
mistura de linfócitos de tamanhos pequeno e médio está presente. No citoplasma, observam-se
frequentemente cristais filamentosos em formato de farpa e agulha,compatível com uma forma atípica
de corpúsculos de Russell. A imunomarcação foi positiva para CD21, CD45RA e CD79a. (Wright-
Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) U, Aspirado de linfonodo pré-escapular. Uma
mistura de linfócitos pequenos e médios está presente, alguns dos quais parecem plasmocitoides. No
citoplasma, observam-se frequentemente inclusões de tamanho variável, grosseiras, em formato de
pequenas pedras, compatível com uma forma atípica de corpúsculos de Russell. O animal foi
clinicamente estagiado como Vb e tinha um curso agressivo da doença, com sobrevida de 49 dias.
Estas células estavam presentes em outros locais, tais como o rim e o reto, sugerindo um linfoma
amplamente disseminado. (Wright; grande aumento em óleo de imersão.)

Um subtipo polimórfico da categoria centroblástica (Fig. 4-9B-D) contém um


número aumentado de imunoblastos que representam mais de 10% e menos de 90%
da população celular. Os imunoblastos são grandes células com abundante citoplasma
basófilo e um núcleo que mede pelo menos três vezes o tamanho de um eritrócito. Há
um único e grande nucléolo localizado centralmente (Fig. 4-9E), e a
imunofenotipagem sustenta a origem a partir de células B (Fig. 4-9F). Callanan et al.
(1996) avaliaram oito casos naturais e experimentais de linfomas associados ao FIV
em gatos, encontrando uma alta prevalência de tipos de células B que, sob a
classificação atualizada de Kiel, se relacionam ao subtipo polimórfico e centroblástico
em cinco dos oito casos.

Um terceiro subtipo da categoria centroblástica é denominado centrocitoide, porque


apresenta células de tamanho intermediário entre os centrócitos, que são pequenos, e
os centroblastos, que são grandes (Fig. 4-9G). Geralmente, o núcleo dessas células de
tamanho médio contém de dois a cinco pequenos nucléolos basófilos, localizados
centralmente. O citoplasma é escasso e moderadamente basófilo. Nesse subtipo, as
células centrocitoides devem exceder 30% da população celular. Um tipo celular de
aparência exclusiva, encontrado em cães e não reconhecido separadamente em casos
de linfoma humano, se assemelha à célula centrocitoide, exceto pelo fato de conter
apenas um único grande nucléolo, em vez de múltiplos nucléolos (Fig. 4-9G-I). Essa
célula é denominada célula macronucleada de tamanho médio (CMM) por Fournel-
Fleury et al. (1997a), que sugeriram que a célula se origine da zona perifolicular
marginal. Com base na baixa atividade mitótica e na baixa expressão de Ki-67
(Fournel-Fleury et al., 1997b), as CMMs foram consideradas como tendo um baixo
grau de malignidade. É possível ainda que, apesar da baixa expressão de Ki-67, a
célula possa ter uma curta extensão de seu ciclo celular quando avaliada com o uso de
regiões de organizadores nucleolares.

O tipo imunoblástico é outro tipo morfológico de neoplasia de célula B de alto grau


que pode ser associado a linfomas difusos ou foliculares de grandes células B em
caninos e felinos (Fig. 4-9J). As categorias morfológicas de tumores centroblásticos e
imunoblásticos são derivadas de células dos centros germinativos dos folículos
linfoides. Essas categorias são frequentemente encontradas, conforme mostrado em
um estudo em cães (Raskin e Fox, 2003), no qual 30 de 62 linfomas com essas
morfologias foram diagnosticados como linfomas difusos de grandes células B (LDGCB),
usando a classificação da OMS. Nesse mesmo estudo, o prognóstico do LDGCB
definido como sobrevida após o diagnóstico diferiu nesse grupo com base no
subestadiamento clínico. Os cães sem sinais da doença (subestágio a) tinham um curso
indolente, com uma média de 314 dias, em comparação com os que apresentavam
sinais da doença (subestágio b), os quais tinham um curso altamente agressivo e
apenas 24 dias de sobrevida mediana.

As células linfoides B neoplásicas que surgem de células precursoras na medula


óssea podem se disseminar rapidamente para os linfonodos e aparecer como um
linfoma linfoblástico quando avaliadas em tecidos sólidos (Fig. 4-9K e L). Casos de
leucemia/linfoma linfoblástico B tinham um curso altamente agressivo, com uma
mediana de 48 dias de sobrevida (Raskin e Fox, 2003).

Um tipo incomum de linfoma considerado originado de células B tímicas da medula


do timo é o linfoma mediastínico de células B. Essas massas são compostas de grandes
células anaplásicas (Fig. 4-9M e N), que apresentam uma aparência histiocítica e alta
atividade mitótica, mas podem ter uma longa sobrevida com quimioterapia.
Um linfoma de células B comum, porém mal reconhecido, origina-se da zona
marginal que circunda o centro germinativo. Esses linfomas de zona marginal estão
entre as formas indolentes de linfoma (Valli et al., 2006), que são mais bem
diagnosticados pela histopatologia (Fig. 4-9O e P). Em um estudo de nove casos nos
quais estavam disponíveis dados de acompanhamento, a sobrevida mediana foi de 9
meses. Os casos mais frequentes envolviam apenas os linfonodos, mas vários casos
envolviam também o baço. Sob o ponto de vista citológico, uma mistura de pequenos
e médios linfócitos é encontrada com uma percentagem aumentada de linfócitos
imaturos de tamanho médio, alguns com um único nucléolo proeminente e outros que
aparecem mais monocitoides (Fig. 4-9Q e R).
Outra neoplasia de células B periféricas de curso indolente é o linfoma
linfoplasmocítico. Sob o ponto de vista citológico, as células são similares àquelas do
linfoma da zona marginal, com uma mistura de pequenos e médios linfócitos que
frequentemente têm uma aparência plasmocitoide. Pilhas semelhantes a agulhas,
espessas lascas de imunoglobulina (Fig. 4-9S e T) ou inclusões citoplasmáticas
arredondadas (Fig. 4-9U) foram reconhecidas em uma pequena percentagem desses
casos de linfomas.

Neoplasias de Células T. A testagem diagnóstica deve confirmar a origem a partir


de células T com uma mínima imunomarcação para o antígeno CD3 (Fig. 4-10A).
Uma coloração citoquímica adicional para uma reação focal de fosfatase ácida pode
ser usada (Fig. 4-10B). Veja o Capítulo 17 para informações mais completas sobre a
metodologia e a aplicação da imunocitoquímica.
Figura 4-10 Neoplasias de células T. A, Linfoma de células T periféricas. Aspirado de
linfonodo (cytospin). Linfoma da zona T, de baixo grau (Kiel). Imunocitoquímica. Cão. Uma
forte reação positiva está indicada pela coloração citoplasmática amarronzada (CD3/DAB; grande
aumento em óleo de imersão). B, Linfoma de células T. Preparação citológica. Citoquímica. Cão.
Uma forte reação positiva está indicada pela coloração avermelhada focal, que está associada às
células T (fosfatase ácida; grande aumento em óleo de imersão). C-F, Linfoma de células T
periféricas. Subtipo de células médias/grandes, pleomórfico e de alto grau (Kiel). Cão. C-E,
Aspirado de linfonodo. C, Linfócitos de tamanho médio predominam, apresentando pleomorfismo
nuclear. Observe o formato irregular do núcleo, apresentando frequentemente múltiplas indentações
ou invaginações em uma das faces. A cromatina é delicadamente granular e os nucléolos são
proeminentes nos grandes linfócitos. O citoplasma é moderadamente abundante e ligeiramente
basófilo. A imunomarcação foi positiva para CD3. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de
imersão.) D, O animal também apresenta nódulos cutâneos, os quais parecem similares sob o ponto de
vista citológico, e à histopatologia esses linfócitos infiltram a epiderme. As células apresentam um
formato semelhante a um espelho de mão, com pseudópodos citoplasmáticos que se estendem em
diferentes direções. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) E, A formação de
urópodos é frequente nesta amostra, com células individuais se estendendo em diferentes direções. Os
urópodos são considerados auxiliares à fixação das células T a outras células e à permissão da
liberação de conteúdos citoplasmáticos. Detalhe: o citoplasma pálido neste caso demonstra a presença
de poucos grânulos delicados. (Romanowsky; grande aumento em óleo de imersão.) Mesmo caso em
F e G. F, Preparação citológica de linfonodo. Note as frequentes margens serrilhadas dos núcleos.
Esta aparência convoluta do núcleo é um aspecto morfológico característico de algumas células T. Os
nucléolos também são proeminentes neste caso. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de
imersão.)Neoplasias de células T. G, Linfoma de células T periféricas. Preparação de linfonodo
porcytospin. Imunocitoquímica. Cão. A molécula CD3, expressa na superfície celular, é demonstrada
com o uso da reação com aminoetilcarbazol. Estas células também expressavam CD45RA, uma
isoforma de CD45 que é encontrada em algumas células B e em linfomas de células T de linfonodos.
(CD3/AEC; grande aumento em óleo de imersão). H-L, Linfoma de células T periféricas. Aspirado
de linfonodo. Cão. Mesmo caso em H e I. Tipo pleomórfico de pequenas células e de baixo grau
(Kiel). H, Uma população relativamente monomórfica de pequenas células com escasso citoplasma
acinzentado. A imunomarcação foi positiva para CD3. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de
imersão.) I, O núcleo é caracterizado por uma superfície lisa em uma face e indentações na face
oposta. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) J, Linfoma de zona T, de baixo grau
(Kiel). As células tumorais são pequenas e monomórficas, com pequenos nucléolos. A superfície
nuclear é de arredondada a irregularmente arredondada sem indentações. A imunomarcação foi
positiva para CD3. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) Mesmo caso em K e L.
Tipo imunoblástico de células T, e de alto grau (Kiel). K, Há várias grandes células presentes,
com um único e grande nucléolo, centralmente localizado. A imunomarcação foi positiva para CD3.
(Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) L, Aumento maior para demonstrar o formato
nuclear irregularmente arredondado e um nucléolo proeminente. O citoplasma é moderadamente
abundante e basófilo. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.)Neoplasias de células T.
M, Linfoma de células T periféricas. Preparação citológica de linfonodo. Imunocitoquímica.
Cão. Uma forte reação positiva para a expressão de CD45RA está indicada pela coloração
citoplasmática amarronzada. Este Shetland Sheepdog de 8 anos de idade foi clinicamente estagiado
como Vb e tinha um curso agressivo da doença, com 56 dias de sobrevida. Houve envolvimento da
doença no baço e na medula óssea, além dos linfonodos. (CD45RA/DAB; grande aumento em óleo de
imersão.) N-Q, Linfoma linfoblástico de células T. Aspirado de linfonodo. Cão. N-P, Tipo
linfoblástico de alto grau (Kiel). N, O número de figuras mitóticas frequentemente excede três por
cinco campos em objetivas de 40× ou 50×. As células apresentam um citoplasma escasso e nucléolos
que são indistintos. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) O, A população celular
predominante é de tamanho médio, com múltiplas convoluções do núcleo. Os nucléolos estão
indistintos. A imunomarcação foi positiva para CD3 e CD8. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo
de imersão.) P, O uso de um procedimento úmido de montagem demonstra facilmente o formato
arredondado ou irregularmente arredondado do núcleo e a presença de múltiplos pequenos nucléolos.
(Novo azul de metileno; grande aumento em óleo de imersão.) Q, Citoquímica. Observe a
proeminente coloração focal de alguns linfócitos, tais como o identificado com uma seta. A maioria
dos outros linfócitos apresenta traços de coloração focal. (Fosfatase ácida; grande aumento em óleo de
imersão.) R, Linfoma linfoblástico de células T. Distensão de sangue periférico. Cão. Este
Buldogue Inglês de 6 meses se apresentou com anemia, trombocitopenia e marcada leucocitose
(298.000/(l), cuja maioria era de células linfoides imaturas com núcleos arredondados irregulares.
Observe os pequenos e proeminentes nucléolos e a delicada cromatina nuclear. Além do sangue,
comprometia medula óssea e vários outros linfonodos periféricos. O estadiamento clínico foi Vb e a
doença era altamente agressiva, com sobrevida de 17 dias após o diagnóstico inicial. (Wright-Giemsa;
grande aumento em óleo de imersão.)
(E, Material do caso, cortesia de Harold Tvedten.)

A raça Boxer se mostrou estatisticamente com uma frequência mais alta de linfomas
de células T do que Rottweilers ou Golden Retrievers (Lurie et al., 2004).
Dentro da categoria de linfoma de células T periféricas, a categoria pleomórfica de
células médias e grandes é uma morfologia comum, e representa quase 40% de todos
os casos de linfomas de células T avaliados em um estudo (Fournel-Fleury et al.,
2002). Doze de 30 casos com linfoma de células T periféricas no estudo referido
anteriormente se apresentaram com hipercalcemia, uma condição paraneoplásica
comum em linfomas de origem em células T. Esse tumor é composto por células de
tamanho médio, grande ou células médias e grandes misturadas que apresentam um
considerável pleomorfismo nuclear (Fig. 4-10C-G). Frequentemente o núcleo é
convexo e liso em uma face, enquanto na face oposta ele é côncavo com muitas
indentações ou invaginações irregulares, e pode ser descrito como cerebriforme. Os
nucléolos são grandes e de formato e número variáveis. O citoplasma é
moderadamente abundante e moderadamente basófilo. Poucos eosinófilos podem
estar presentes nessas lesões em seres humanos. Uma extensão citoplasmática única
ou em formato de espelho de mão, chamada de urópodo, pode ser observada em
linfócitos T (Fig. 4-10D-F). Na classificação da OMS para a espécie humana, a maioria
das formas de linfomas de células T de linfonodos entra na categoria inespecífica de
linfomas de células T periféricas, incluindo aqueles com aparência de pequenas
células e baixo grau e aparência imunoblástica (Fig. 4-10H-L). A imunocitoquímica
para a isoforma CD45RA costuma ser positiva em linfomas de linfonodos (Fig. 4-
10M), enquanto linfomas de células T na pele ou em locais de mucosas geralmente
são negativos.

Outras neoplasias de células T de alto grau encontradas são as do tipo linfoblástico


(Fig. 4-10N-R). Esse tipo foi associado a uma massa mediastínica em 8 de 13 casos
(Ponce et al., 2003) e uma síndrome paraneoplásica de hipercalcemia com 4 de 13
casos (Ponce et al., 2003). Os aspectos morfológicos dos linfoblastos envolvem um
tamanho celular de pequeno a médio, com núcleos medindo 1,5 a 2,5 vezes o
diâmetro de um eritrócito. O núcleo pode ser arredondado ou convoluto, e os
nucléolos são pequenos e pouco distintos, mais bem apreciados com uma montagem a
fresco com o novo azul de metileno (Fig. 4-10P). O citoplasma é frequentemente
escasso. A atividade mitótica é alta (Quadro 4-1). Outra ferramenta diagnóstica é a
coloração citoquímica, que é característica, com uma aparência focal ou puntiforme
com alfanaftilacetato-esterase, alfanaftil-butirato-esterase e fosfatase ácida (Raskin e
Nipper, 1992). O prognóstico para esse tipo morfológico é ruim devido à insuficiência
renal, a qual resulta da hipercalcemia ou da infiltração difusa e expansiva da medula
óssea (Fig. 4-10R).

Os tipos de tumores de células T de baixo grau são mais frequentes do que os tipos
de tumores de células B de baixo grau. Eles incluem a micose fungoide ou linfoma de
pequenas células T cerebriformes (Fig. 3-50C-E),bem como o linfoma de pequenas
células pleomórficas e o linfoma de zona T, usando a classificação de Kiel (Fig. 4-10H-
J). A subsequente imunomarcação de espécimes citológicos pode demonstrar a
reatividade com anticorpos contra CD4 e/ou CD8 (Fournel-Fleury et al., 2002).

Hematopoese extramedular

De modo pouco frequente, evidências de hematopoese extramedular são encontradas


nos linfonodos (Fig. 4-11). Ela é mais provável de ocorrer em animais que tenham
uma severa doença de medula óssea, de modo que a atividade hematopoética em
outros órgãos, tais como baço, pulmão ou linfonodo, não deve ser inesperada.

Figura 4-11 Hematopoese extramedular. Aspirado de linfonodo. Gato. Entre os pequenos e


médios linfócitos estão precursores eritroides intensamente corados e de tamanho variável, alguns dos
quais estão intimamente associados a um macrófago que demonstra eritrofagocitose. A contagem
sanguínea total indicou pancitopenia, com um hematócrito de 20% com ausência de regeneração (i.e.
policromasia) na distensão sanguínea. (Wright; grande aumento em óleo de imersão.).

Artefatos citológicos
Na tentativa de aspirar o linfonodo submandibular, é bastante comum capturar
amostras de tecido de glândula salivar (Fig. 4-12A e B). O linfonodo submandibular é
encontrado diretamente ventral à parte proeminente do arco zigomático, o qual se
encontra atrás e abaixo do olho, a meio caminho entre o olho e a orelha. A glândula
salivar submandibular está localizada na bifurcação da veia jugular externa e é mais
posterior e dorsal ao linfonodo (Fig. 4-12C).

Figura 4-12 A-B, Glândula salivar. Aspirado de tecido. Cão. A, A tentativa de aspiração do
linfonodo submandibular resultou na coleção de agregados epiteliais. (Wright-Giemsa; grande
aumento em óleo de imersão.) B, Célula individual da glândula salivar com abundante citoplasma
basófilo de aspecto espumoso. Núcleos livres ao fundo são facilmente confundidos com pequenos
linfócitos. Observe o fundo granular basófilo, compatível com mucina, e os muitos eritrócitos que
ficam retidos nesta mucina, assemelhando-se a um cordão de células. (Wright-Giemsa; grande
aumento em óleo de imersão.) C, Diagrama representando a localização da glândula salivar
submandibular e do linfonodo submandibular. Cão. O asterisco (*) indica a proeminência óssea do
arco zigomático. O linfonodo submandibular (L) está diretamente ventral ou perpendicular ao arco.
Observe a localização mais posterior e dorsal da glândula salivar mandibular (S) localizada na
bifurcação da veia jugular externa (V).

Baço

Indicações para Biópsia Esplênica


• Uma esplenomegalia pode ser detectada por palpação ou por radiografia e
ultrassonografia.

• Aspectos anormais de imagem sugerem a presença de hiperplasia ou processos


infiltrativos.

• A avaliação da hematopoese pode ser indicada quando uma doença da medula óssea
está presente.

Considerações sobre Biópsias de Aspirado


A aspiração pode ser realizada em casos de trombocitopenia, mas os movimentos
corporais devem ser minimizados, seja por restrição manual ou sedação. A agulha e a
seringa devem ser recobertas com EDTA dissódico a 4% estéril antes da aspiração
para reduzir o potencial de coagulação do espécime. Uma agulha de 1 a 1,5 polegada,
de calibre 21 ou 22, pode ser usada sozinha ou acoplada a uma seringa de 12 ml ou a
uma pistola de aspiração. Em alguns casos, pode ser preferível usar uma agulha
espinal de 2,5 a 3,5 polegadas. O animal é colocado em decúbito lateral direito ou
dorsal, e a área sobre o local é preparada cirurgicamente. O local é cuidadosamente
determinado por palpação ou ultrassonografia.

Ponto-Chave
O método de biópsia sem aspiração é preferido para locais bem vascularizados, tais como o baço, de
modo a reduzir a contaminação com sangue e aumentar a celularidade (LeBlanc et al., 2008).

Histologia e Citologia Normais


O baço é envolvido por uma espessa cápsula conjuntiva, rica em fibras musculares
lisas, que se estende como trabéculas para o interior do órgão. O parênquima
esplênico é dividido em polpa branca e polpa vermelha. A polpa branca consiste em
bainhas linfoides periarteriais de tecido linfoide denso e nódulos linfoides, e a polpa
vermelha consiste em uma trama de tecido reticular contendo eritrócitos, além de
seios venosos revestidos por endotélio (sinusoides esplênicos) e outros vasos
sanguíneos (Fig. 4-13A). A artéria esplênica entra no hilo do baço e se ramifica em
artérias que se tornam as artérias centrais das bainhas linfoides periarteriais. Na
polpa vermelha, esses vasos se ramificam em vasos arteriais terminais que são
envolvidos por camadas concêntricas de macrófagos em meio à trama de tecido
reticular. As bainhas perivasculares de macrófagos, denominadas elipsoides, são
abundantes na zona marginal que circunda as bainhas linfoides periarteriais
adjacentes à polpa vermelha (Fig. 4-13B).

Figura 4-13 Mesmo caso em A e B. Baço normal. Corte histológico. Gato. A, Uma espessa
cápsula conjuntiva, contendo grande quantidade de tecido muscular liso, a qual se estende para dentro
do parênquima do baço como trabécula, envolve o baço. Observe a densa bainha linfoide periarterial
no centro, ao alto do campo. (H&E; pequeno aumento.) B, Um elipsoide, localizado no centro, é um
aglomerado de camadas concêntricas de macrófagos ao redor de um capilar, em meio à trama de
tecido reticular. (H&E; aumento médio.) C, Baço. Bainha pericapilar de macrófagos (elipsoide).
Aspirado de tecido. Cão. Uma coleção de macrófagos é mostrada, misturada a um estroma reticular
que representa um elipsoide. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.)

À citologia, preparações por aspiração contêm grandes quantidades de


contaminação por sangue, conforme evidenciado por muitos eritrócitos intactos e
agregados de plaquetas. As células linfoides presentes são similares àquelas de um
linfonodo normal (Fig. 4-2E). Pequenos linfócitos predominam, com ocasionais
médios e grandes linfócitos presentes. Poucos macrófagos e plasmócitos podem ser
vistos juntamente com raros neutrófilos e mastócitos. Macrófagos podem conter
pequenas quantidades de resíduos azul-esverdeados a granulares escuros, compatíveis
com hemossiderina. Ocasionais grupos de macrófagos podem estar misturados com o
estroma reticular, representando os elipsoides (Fig. 4-13C). Em cães idosos, não é
incomum aspirar placas ou nódulos siderocalcificados, também chamados de nódulos
de Gamna-Gandy, que se encontram ao longo das margens esplênicas em meio à
cápsula fibrosa. Essas massas firmes, às vezes calcificadas, contêm principalmente
uma forma de pigmento sanguíneo, seja como hemossiderina (azul-escuro) ou
hematoidina (amarelo-dourado), que pode ser encontrado no interior dos macrófagos
associados ou no meio extracelular. Elas podem resultar de uma hemorragia prévia,
além de representar uma alteração senil em cães. A coloração com azul da Prússia
ajudará a determinar a presença de hemossiderina, enquanto a hematoidina – que
não possui ferro – será negativa.

Baço Reativo ou Hiperplásico


Anatomicamente, o baço reativo ou hiperplásico pode se apresentar com um aumento
de tamanho nodular ou difuso. Uma hiperplasia linfoide pode resultar da reação
antigênica a agentes infecciosos ou à presença de parasitas no sangue. Pequenos
linfócitos ainda predominam, mas há um aumento na quantidade de médios e grandes
linfócitos. Macrófagos e plasmócitos são comumente observados (Fig. 4-14A).
Frequentes grandes coleções de estroma reticular com números aumentados de
mastócitos podem ser observadas em pequeno aumento (Fig. 4-14B). Uma
hemossiderose pode estar presente com grandes quantidades de grânulos grosseiros e
escuros (Fig. 4-14C). Capilares podem ser mais comumente observados com
elementos endoteliais aumentados no baço (Fig. 4-14D).
Figura 4-14 A, Baço reativo. Aspirado de tecido. Cão. Há um aumento na quantidade de
linfócitos médios. Além disso, vários plasmócitos são observados, juntamente com um macrófago.
(Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) B-D, Baço hiperplásico. Aspirado de tecido.
Cão. B, Este animal estava sendo tratado com quimioterapia para um linfoma. Um agregado muito
grande de estroma reticular é mostrado com aspecto pontilhado devido a um número aumentado de
mastócitos que aparecem como células em tonalidade roxa-escura, dispersas de maneira homogênea.
(Wright-Giemsa; médio aumento.)Mesmo caso em C e D. C, Uma hemossiderose é reconhecida pela
presença de macrófagos carregados com hemossiderina, contendo grandes quantidades de grânulos
grosseiros escuros. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) D, Um capilar revestido
por endotélio é observado como resultado de uma hiperplasia endotelial. (Wright-Giemsa; grande
aumento em óleo de imersão.)E-H, Baço. Nódulo fibro-histiocítico. Cão. Mesmo caso em E-G.
Corte histológico. E, Uma proliferação focal de um tecido conjuntivo eosinofílico é mostrada
localizada entre os múltiplos folículos linfoides basófilos. A arquitetura normal está distorcida por esta
proliferação de células fusiformes. (H&E; pequeno aumento.) F, Há densas bandas divisórias de
células fusiformes alongadas e tecido conjuntivo com células linfoides basófilas espalhadas. (H&E;
aumento médio.) G, Este é um aumento maior das áreas celularizadas basófilas que são compostas
principalmente de numerosos plasmócitos, pequenos linfócitos e alguns macrófagos carregados com
hemossiderina. O fundo é composto de um estroma eosinófilo. (H&E; grande aumento em óleo de
imersão.) H, Impressão de tecido. A amostra é celular, composta em sua maioria de pequenos e
médios linfócitos, com números aumentados de plasmócitos, contra um fundo hemodiluído. Células
mononucleares abauladas espalhadas estão presentes, algumas das quais apresentam bordas
citoplasmáticas pouco distintas que se assemelham às células fusiformes nos cortes histológicos.
(Wright; grande aumento em óleo de imersão.)
Outra doença responsável por uma apresentação nodular e hiperplasia linfoide no
baço canino é o nódulo fibro-histiocítico. Dentro dos firmes nódulos elevados se
encontram proliferações focais de células fusiformes, macrófagos, linfócitos e
plasmócitos (Fig. 4-14E-H). Considera-se que tais lesões representam uma
continuidade entre a hiperplasia nodular linfoide esplênica e neoplasias estromais
esplênicas malignas (Spangler e Kass, 1998).

Esplenite
Além da resposta macrofágica associada à hiperplasia esplênica, células inflamatórias
aumentarão em número com outras causas não infecciosas ou infecciosas de doenças.
Causas não infecciosas, como doença maligna ou reação imunológica, podem
provocar uma infiltração neutrofílica ou eosinofílica (Thorn e Aubert, 1999) (Fig. 4-
15A). O diagnóstico de esplenite deve ser feito cautelosamente, caso uma neutrofilia
ou eosinofilia estejam presentes. Uma inflamação macrofágica ou histiocítica ocorre
frequentemente com a presença de infecções fúngicas sistêmicas, tais como
histoplasmose (Fig. 4-15B-D), ou infecções por protozoários, tais como cytauxzoonose
(Fig. 4-15E) e leishmaniose (Fig. 4-15F). Uma hiperplasia histiocítica de leve a
moderada pode estar associada a uma anemia hemolítica imunomediada e a
trombocitopenia imunomediada, além de outras etiologias para uma anemia
hemolítica (Christopher, 2003).
Figura 4-15 A, Esplenite. Aspirado de tecido. Cão. Neutrófilos, eosinófilos e macrófagos
ativados compõem a severa resposta inflamatória neste animal com uma esplenite necrotizante.
(Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) Mesmo caso em B-D. Esplenite macrofágica.
Histoplasmose. Aspirado de tecido. Cão. B, Um macrófago no alto contém formas leveduriformes,
enquanto uma eritropoese extramedular simultânea está presente. Observe os muitos rubrícitos e
metarrubrícitos, juntamente com eritroblastos policromatófilos. (Wright; grande aumento em óleo de
imersão.) C, A frequente eritrofagocitose sustenta a presença de uma síndrome hemofágica em face da
marcante destruição de eritrócitos. Isso pode ocorrer com uma infecção, como neste caso. O
hematócrito diminuiu para 12,5% durante esse período de infecção. (Wright; grande aumento em
óleo de imersão.) D, Múltiplas formas leveduriformes medindo aproximadamente 3 × 2 μm estão
presentes no interior de um macrófago. (Wright; grande aumento em óleo de imersão.) E,
Cytauxzoonose. Esquizonte maduro. Preparação citológica. Gato. Este esquizonte maduro obtido
da medula óssea envolve um fagócito mononuclear parasitado, similar àqueles encontrados no
revestimento do endotélio de vasos esplênicos. Impressões de tecidos afetados podem revelar
esquizontes que tenham obstruído vasos sanguíneos e representam a fase tecidual da infecção. Ao
longo da borda do esquizonte maduro mostrado estão pequenos merozoítos (seta), com cerca de 1 μm,
que infectarão eritrócitos após a liberação do esquizonte rompido. (Wright-Giemsa; grande aumento
em óleo de imersão.) F, Esplenite macrofágica. Leishmaniose. Impressão de tecido. Cão.
Macrófago com protozoários engolfados, confirmados como Leishmania sp. Observe que o organismo
contém um pequeno núcleo arredondado e um curto cinetoplasto em formato de bastão. Vários
estágios de precursores eritroides sustentam um diagnóstico de hematopoese extramedular. (Wright-
Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.)
(Fotografia cortesia de Cheryl Swenson e Gary Kociba, The Ohio State University; apresentado na sessão de revisão de casos na ASVCP

de 1987.)

Neoplasia Linfoide
A diferenciação entre uma neoplasia primária e uma neoplasia metastática nem
sempre pode ser possível, especialmente se múltiplos órgãos estiverem envolvidos.
Para ajudar a distinguir entre uma hiperplasia e uma neoplasia, uma contagem
celular de blastos acima de 40% costuma ser indicativa de um linfoma esplênico,
conforme demonstrado pelo uso de PARR para verificação (Williams et al., 2006). Um
linfoma aparecerá morfologicamente similar àquele do linfonodo (Fig. 4-16A).
Figura 4-16 A, Linfoma. Aspirado esplênico. Cão. Mesmo caso da Figura 9-26 Uma população
de linfócitos neoplásicos foi aspirada a partir de um baço aumentado de tamanho. O neutrófilo (seta
longa) e o pequeno linfócito (setas curtas) são úteis micrômetros celulares. (Wright; grande aumento
em óleo de imersão.) Mesmo caso em B e C. Linfoma da zona marginal. Aspirado da medula
óssea. Cão. B, Este Pit Bull Terrier de 5 anos de idade se apresentou com uma forma tardia deste
linfoma com disseminação para baço, fígado, linfonodos, sangue e medula óssea. As células linfoides
são de tamanho variável, algumas das quais apresentam aspectos monocitoides. Vários linfócitos de
tamanho médio apresentam uma inclusão azul-acinzentada que parece indentar o núcleo. Este cão foi
clinicamente estagiado como Vb, mas tinha um curso indolente da doença, com 162 dias de sobrevida.
(Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) C, Citoquímica. As inclusões citoplasmáticas
se coram positivamente, indicando a presença de glicogênio, compatível com a deposição de
imunoglobulinas. (PAS; grande aumento em óleo de imersão.) Mesmo caso em D e E. Linfoma da
zona marginal. Impressão esplênica. Cão. D, Uma população mista de pequenos e médios linfócitos
está presente no baço. Mesmo caso que nas Figuras 4-9O-R. (Wright; grande aumento em óleo de
imersão.)E, Muitos dos médios linfócitos apresentam um único e proeminente nucléolo, localizado
centralmente. (Wright; grande aumento em óleo de imersão.) F, Linfoma linfocítico granular.
Aspirado esplênico. Cão. Um pequeno linfócito e um eosinófilo circundado por uma população
monomórfica de linfócitos médios com cromatina condensada e citoplasma claro e moderadamente
abundante. Algumas das células contêm visivelmente vários grânulos delicados azurófilos que estão
mais bem demonstrados pelas células indicadas (setas). O baço foi considerado o primeiro órgão de
envolvimento e marcado com CD3, um marcador de células T. (Wright-Giemsa; grande aumento em
óleo de imersão.) Mesmo caso em G-J. Leucemia linfocítica granular. Distensão sanguínea. Cão.
G, A história envolveu 2 meses de linfocitose persistente de contagens excedendo 20.000/μl. Infecções
por riquétsias foram excluídas por testes de titulação. Observe o típico citoplasma claro e abundante,
com pequenos grânulos avermelhados organizados em uma maneira paranuclear focal. A medula óssea
não estava infiltrada por essa população celular. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de
imersão.) H, O uso desta coloração em base aquosa não demonstrou os grânulos citoplasmáticos. As
colorações Romanowsky em base alcoólica são recomendadas. (Wright em base aquosa; grande
aumento em óleo de imersão.) I-J, Imunocitoquímica. I, Mesmo caso e espécime que em G. Várias
células linfoides se coram positivamente de modo difuso para o antígeno CD8α da superfície celular.
(CD8α/DAB; grande aumento em óleo de imersão.) J, Várias células linfoides se coram positivamente
em uma maneira focal a difusa para a integrina CD11d de leucócitos, também chamada de alfa D.
Essas células positivas advêm da região de polpa vermelha do baço. (CD11d/AEC; grande aumento em
óleo de imersão.)K, Leucemia/linfoma linfocítico crônico de células B. Aspirado de medula
óssea. Cão. Tanto a medula óssea quanto o baço estavam envolvidos neste caso de um cão sem raça
definida de 13 anos de idade com estadiamento clínico Va. As células neoplásicas estavam
uniformemente arredondadas com citoplasma geralmente escasso e um baixo índice mitótico. As
células expressavam CD79a, CD21 e sIg. Essa doença apresentou um curso indolente, com 160 dias de
sobrevida. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) L, Leucemia/linfoma linfocítico
crônico de células B com paraproteinemia.Scande eletroforese sérico. Cão. Mesmo caso que em
K. O scan no densitômetro indica um pico monoclonal na região beta, indicativo de IgA ou IgM. A
imunoeletroforese confirmou a produção de IgA no componente M. Mesmo caso em M-O. Linfoma
difuso de grandes células B, variante atípica. Preparação citológica. Gato. M, Este animal
apresentava células neoplásicas atípicas e pleomórficas no baço, no fígado, na medula óssea e no
líquido abdominal. Estão mostradas várias grandes células medindo aproximadamente 20 a 25 μm de
diâmetro. Os núcleos se encontram altamente lobulados, e as células se assemelham a células
histiocíticas. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) N, Observe a lobulação irregular.
(Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) O, Imunocitoquímica. Muitas das grandes
células neoplásicas e pleomórficas se coram de maneira difusa, indicando a expressão de CD79a, um
marcador para o receptor da superfície celular de células B. (CD79a/AEC; grande aumento em óleo de
imersão.)

O linfoma da zona marginal pode ser reconhecido no baço com o aparecimento de


uma população celular mista que inclui as células com uma aparência monocitoide
(Fig. 4-16B). Em raros casos, inclusões citoplasmáticas arredondadas PAS-positivas
(Fig. 4-16C) podem ser vistas em casos de linfoma da zona marginal, assim como
também em outras formas de linfoma de células B. Mais frequentemente, é
encontrado um aumento ou predominância de médios linfócitos com um único e
grande nucléolo centralmente localizado (Fig. 4-16D e E).

Considera-se que a leucemia linfocítica granular se origina do baço (McDonough e


Moore, 2000; Workman e Vernau, 2003). O paciente frequentemente se apresenta
com uma marcada linfocitose granular na circulação que está presente também no
baço (Fig. 4-16F). Costumeiramente, a medula óssea não está infiltrada pela
população neoplásica (Lau et al., 1999). Os sinais clínicos são variáveis, e a
progressão da doença neoplásica pode ser lenta. Os grânulos podem ser muito
pequenos e difíceis de ver com o uso de colorações Wright em base aquosa (Fig. 4-16G
e H). A imunofenotipagem desses linfócitos granulares neoplásicos usualmente indica
positividade para os antígenos CD3, CD8α e CD11d (Fig. 4-16I e J). Doenças não
neoplásicas podem produzir uma linfocitose granular reativa, a qual deve
primeiramente ser excluída.

Um tipo menos comum de linfoma/leucemia linfocítica crônica de origem de células


B pode ser visto com um curso indolente. As células são uniformes, apresentando-se
pequenas e com citoplasma escasso. Os núcleos são arredondados com cromatina
agregada e moderadamente densa (Fig. 4-16K). Uma gamopatia monoclonal pode
estar associada a essa leucemia em uma pequena percentagem de pacientes (Fig. 4-
16L). Considera-se que essas células CD-5 positivas em seres humanos originam-se de
célulasfoliculares do manto ou de células virgens circulantes (Jaffe et al., 2001).

Uma apresentação incomum de uma neoplasia linfoide esplênica inclui uma


variante anaplásica do linfoma difuso de grandes células B. Essas células são
altamente pleomórficas, com formatos nucleares variáveis que podem ser confundidos
com uma neoplasia histiocítica (Fig. 4-16M e N). A presença da expressão de CD79a
sustenta o diagnóstico da origem em células B (Fig. 4-16O).

Neoplasia não Linfoide


No estudo de Day et al. (1995), um hematoma ocorreu em seis casos e alterações
inespecíficas tais como hematopoese extramedular, congestão e hemossiderose
ocorreram em 16 de 87 biópsias de cães. O hemangiossarcoma foi a neoplasia
esplênica mais comumente diagnosticada (Day et al., 1995), envolvendo 17 de 87
biópsias esplênicas caninas. As células do hemangiossarcoma são similares àquelas em
outros locais. Grandes células espalhadas, de aparência mesenquimal, podem ser
encontradas à análise em pequeno aumento (Fig. 4-17A e B). Hematopoese
extramedular, hemorragia crônica e reatividade linfoide podem acompanhar o tumor.
As células neoplásicas são grandes, com citoplasma abundante, e apresentam bordas
delicadas e pouco distintas e frequentemente múltiplos vacúolos puntiformes (Fig. 4-
17C). O núcleo é arredondado, com cromatina condensada e múltiplos nucléolos
proeminentes.

Figura 4-17 Mesmo caso em A-C. Hemangiossarcoma. Aspirado esplênico. Cão. A, Grandes
células espalhadas, de aparência mesenquimal, podem ser encontradas à análise em pequeno aumento,
tal como a mostrada. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) B, Linfócito médio,
rubrícito e grande célula maligna. Observe o núcleo arredondado com cromatina condensada,
múltiplos e grandes nucléolos e citoplasma vacuolizado com bordas celulares indistintas. Uma
hematopoese extramedular e uma reatividade linfoide são comumente encontradas nesta doença.
(Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) C, Múltiplos vacúolos puntiformes são
comumente encontrados nas células estreladas desta neoplasia. (Wright-Giemsa; grande aumento em
óleo de imersão.) D, Sarcoma mal diferenciado. Aspirado esplênico. Cão. Células de aparência
mesenquimal com bordas celulares delicadas, núcleos arredondados a ovais, cromatina condensada,
anisocariose e nucléolos proeminentes. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.)E-F,
Mastocitoma. Baço. Gato. E, O aumento de tamanho difuso do baço é comumente encontrado nesta
neoplasia. F, Preparação citológica. Uma população monomórfica de mastócitos moderada a
altamente granulados está presente. Observe a célula (seta) demonstrando eritrofagocitose, um
aspecto comum no mastocitoma esplênico. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) G,
Plasmocitoma. Impressão esplênica. Cão. Os plasmócitos compuseram a maioria das células
presentes. Observe o abundante citoplasma eosinofílico típico de uma “célula em chama”. A
eletroforese de proteínas séricas indicou uma gamopatia monoclonal, que a imunoeletroforese
confirmou como uma contagem anormal de IgA. (Romanowsky; grande aumento em óleo de imersão.)
(Material do caso, cortesia de Christine Swardson e Joanne Messick, The Ohio State University;
apresentado na sessão de revisão de casos da ASVCP de 1989.) Mesmo caso de H-I. Sarcoma
histiocítico. Cão. H, Um espécime celular mostra uma população monomórfica de células
individualmente organizadas. As células são arredondadas a ovais, com uma quantidade moderada de
citoplasma basófilo, várias das quais contêm poucos vacúolos puntiformes. (Wright-Giemsa; grande
aumento em óleo de imersão.) I, O aumento maior demonstra uma célula lobulada (à direita) e uma
célula multinucleada (à esquerda). (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) Mesmo
caso de J-L. J-K, Sarcoma histiocítico hemofagocítico. Cão. J, Corte histológico do baço. O baço
foi substituído por uma população neoplásica de células histiocíticas, várias das quais estão mostradas
apresentando eritrofagocitose (setas). Este Rottweiler de 10 anos de idade se apresentou com uma
marcada anemia e trombocitopenia, juntamente com sinais clínicos de letargia e anorexia. (H&E;
grande aumento em óleo de imersão.) (Fotografia cortesia de Tricia Bisby, Purdue University.)K,
Medula óssea. Um aspirado altamente celularizado de medula óssea com grandes células histiocíticas,
algumas das quais apresentam leucocitofagia e eritrofagia (setas). (Wright; grande aumento em óleo
de imersão.) Detalhe: corte mais interno de medula óssea demonstrando a expressão frequente de
CD11d, um marcador de macrófagos esplênicos. (CD11d/DAB; aumento médio.) L, Sarcoma
histiocítico hemofagocítico. Corte histológico de baço. Aspirado de medula óssea.
Imunocitoquímica. Cão. Quase todas as células no baço expressam BLA.36 em sua superfície neste
corte histológico (BLA.36/DAB; aumento médio). Detalhe: três grandes células da medula óssea
expressam intensamente BLA.36 nesta amostra de aspirado (BLA.36/AEC; grande aumento em óleo de
imersão). Mesmo caso em M e N. Carcinoma prostático metastásico. Aspirado esplênico. Cão.
M, Agregado de células epiteliais individualizadas com marcada anisocariose. (Wright-Giemsa; grande
aumento em óleo de imersão.) N, O aumento maior demonstra a natureza secretora das células
tumorais a partir da presença de um abundante citoplasma vacuolizado. Um carcinoma com células de
aparência similar foi encontrado na próstata e considerado a origem da massa esplênica. (Wright-
Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.)
(K, Fotografias cortesia de Tricia Bisby, Purdue University. L, Fotografia do baço, cortesia de Tricia Bisby, Purdue University.)
Outros tumores de aparência mesenquimal no baço canino envolvem
principalmente fibrossarcoma, sarcoma indiferenciado (Fig. 4-17D), leiomiossarcoma,
osteossarcoma, lipossarcoma, mixossarcoma e histiocitoma fibroso maligno (Spangler
et al., 1994; Hendrick et al., 1992).

Em gatos, a causa mais importante de esplenomegalia é o mastocitoma, sendo


responsável por 15% do total de condições patológicas submetidas para diagnóstico
(Spangler e Culbertson, 1992). O aumento difuso de tamanho do baço é detectado à
palpação ou ao exame de imagem diagnóstico (Fig. 4-17E). Frequentemente, uma
população quase pura de mastócitos altamente granulados está presente, vários dos
quais podem apresentar eritrofagocitose (Fig. 4-17F). Outros tumores celulares
separados encontrados no baço incluem a leucemia mieloide, o mieloma ou o
plasmocitoma extramedulares (Fig. 4-17G) e o sarcoma histiocítico (Fig. 4-17H e I). O
envolvimento esplênico do mieloma de plasmócitos com paraproteinemia foi comum
em um estudo de 16 gatos (Patel et al., 2005). O sarcoma histiocítico pode estar
localizado no baço ou disseminado para outros locais (Affolter e Moore, 2002). Esse
tumor se origina de células dendríticas que são CD1+, CD4−, CD11c+, CD11d-,
MHC II+, ICAM-1+ em comparação ao sarcoma histiocítico hemofagocítico, que se
origina de macrófagos e está associado a um rápido declínio da saúde (Moore et al.,
2006). Uma marcada eritrofagocitose por macrófagos CD11d+ usualmente ocorre no
baço e na medula óssea (Fig. 4-17J e K). Estudos sugerem que BLA.36 (Fig. 4-17L)
pode ser um útil marcador imunocitoquímico para células histiocíticas neoplásicas
quando positivas, além da expressão negativa de antígenos de superfície CD3 e
CD79a (publicação pendente, Bisby et al., 2009).

Ocasionalmente, neoplasias malignas epiteliais altamente disseminadas serão


encontradas no baço. Um exemplo de epitélio secretor com aspectos anaplásicos é
mostrado (Fig. 4-17M e N).

Hematopoese Extramedular
A hematopoese extramedular foi a anormalidade citológica mais comum em um
estudo, respondendo por 24% dos pacientes (O’Keefe e Couto, 1987). Embora possam
ser observados precursores derivados de todas as três linhagens celulares, células
eritroides são as mais comuns, com metarrubrícitos, rubrícitos e pró-rubrícitos
presentes (Fig. 4-18A e B). Deve-se ter cuidado, uma vez que precursores eritroides e
precursores linfoides parecem muito similares e ocasionais precursores eritroides de
estágios tardios podem ser encontrados normalmente à citologia esplênica. O achado
de ilhotas eritroides (Fig. 4-18C) com rubrícitos em desenvolvimento em contato com
um macrófago para trocas de ferro é uma forte evidência de eritropoese
extramedular. Megacariócitos maduros são facilmente observados durante a análise
em pequeno aumento devido ao seu grande tamanho. Doenças associadas a uma
hematopoese extramedular incluem anemia hemolítica aguda e crônica, doenças
mieloproliferativas e doenças linfoproliferativas (Fig. 4-18D).

Figura 4-18 Mesmo caso em A-D. Hematopoese extramedular. Aspirado esplênico. Cão. A,
Um megacariócito e numerosos precursores eritroides estão detectados nesta amostra obtida de um
animal que recebeu quimioterapia 2 semanas antes devido a um linfoma. (Wright-Giemsa; grande
aumento em óleo de imersão.) B, O aumento maior demonstra pequenas quantidades de linfócitos
médios, com muitos rubrícitos, além do megacariócito maduro. (Wright-Giemsa; grande aumento em
óleo de imersão.) C, Uma célula-babá (nurse cell) ou um macrófago circundado por vários estágios de
desenvolvimento eritroide podem ser encontrados em áreas de eritropoese aumentada. (Wright-
Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) D, Hematopoese extramedular com hemofagocitose.
Mesmo caso que na Figura 4-15B Uma leve hematopoese com predominância eritroide está ocorrendo
neste caso com uma infecção por Histoplasma sp. A hemofagocitose pode ser uma atividade normal no
baço ou acelerada, como neste caso, em que o hematócrito era de 12,5%. (Wright; grande aumento em
óleo de imersão.)

O mielolipoma, um tumor incomum tanto em cães como em gatos, que ocorre no


fígado ou no baço, tem aparência similar à hematopoese extramedular. A presença de
precursores hematopoéticos com grandes quantidades de vacúolos lipídicos ao fundo é
fortemente sugestiva dessa neoplasia benigna (Fig. 4-19A-C). Ela é frequentemente
encontrada não associada a anormalidades hematológicas. O exame à
ultrassonografia pode demonstrar uma pequena massa hiperecoica focal no baço.

Figura 4-19 Mielolipoma. Aspirado esplênico. Gato. Mesmo caso em A-C. A, O pequeno
aumento demonstra as massivas quantidades de vacúolos claros de tamanho variável, compatíveis com
lipídios. (Wright-Giemsa; pequeno aumento.) B, Precursores eritroides intensamente corados estão
associados ao material lipídico. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) C, Um
megacariócito e coleções de estroma reticular estão presentes no pequeno nódulo separado na cauda
do baço. (Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.)

Artefatos Citológicos
Amostras coletadas com a assistência de ultrassom frequentemente produzem resíduos
de tonalidade magenta ao fundo. Esse material granular representa partículas do gel
do ultrassom (Fig. 4-20) e podem simular tecido necrótico quando misturado com
sangue. Esse material também pode causar lise ou inchaço celular e
consequentemente pode criar preparações inadequadas para exames citológicos. Veja
o Capítulo 1 para mais informações sobre questões de imagem.
Figura 4-20 Gel de ultrassom. Aspirado transabdominal com agulha. Cão. Uma tentativa de
obter uma amostra do baço produziu um artefato citológico. Observe o material granular grosseiro ao
fundo, de tonalidade rosada a magenta. (Wright; grande aumento em óleo de imersão.)
(Material do caso, cortesia de Kurt Henkel et al., Michigan State University; apresentado na sessão de revisão de casos da ASVCP de

1996.)

Deve-se ter cuidado quando uma biópsia por incisão é obtida do baço e são feitas
distensões por impressão. Quando a superfície da cápsula é erroneamente impressa,
em vez de o parênquima sê-lo, camadas uniformes de mesotélio frouxamente aderido
são vistas (Fig. 4-21A e B)

Figura 4-21 Mesotélio. Impressão esplênica. Cão. Mesmo caso em A e B. A, A esplenomegalia


a partir de um hiperesplenismo suspeito necessitou de remoção do baço. A superfície externa foi
inadvertidamente impressa na lâmina. Observe uma grande camada de células entrelaçadas. (Wright
em base aquosa; grande aumento em óleo de imersão.) B, O aumento maior demonstra uma população
uniforme de células aderidas, com abundante citoplasma basófilo. Espaços claros entre as células
representam junções intercelulares. Esta camada benigna de células é típica do revestimento
mesotelial. A cápsula deste baço estava proeminentemente espessada sob os pontos de vista tanto
anatômico como histológico. (Wright em base aquosa; grande aumento em óleo de imersão.)

Timo
Indicações para Biópsia Tímica
• O aumento de tamanho pode ser detectado por radiografia e ultrassonografia,
frequentemente produzindo sinais de dispneia, efusões pleurais e disfagia
(dificuldades de deglutição).

• Aspectos anormais à imagem sugerem a presença de hiperplasia ou processos


infiltrativos.

Histologia e Citologia Normais


Antes da puberdade, o timo apresenta um parênquima proeminente, dividido em
regiões cortical e medular (Fig. 4-22A). O córtex, a região mais externa, é composto
de pequenos linfócitos densamente compactados, sem a presença de nódulos linfoides.
A medula, em posição mais central, é contínua entre os lóbulos adjacentes, os quais
são formados pela extensão de delicados septos conjuntivos provenientes da cápsula
para dentro do parênquima. A medula contém menos linfócitos vesiculares, e
maiores. O timo é sustentado por uma trama reticular de células reticulares epiteliais
que forma manguitos frouxos ao redor de pequenos vasos. Na medula tímica, as
células reticulares epiteliais formam estruturas denominadas corpúsculos de Hassall;
esses enovelados concêntricos de células reticulares achatadas podem se tornar
queratinizados ou calcificados (Fig. 4-22A e B). As células reticulares epiteliais
também dão origem a um sistema de canais na medula que pode se tornar cístico e
revestido por epitélio ciliado. Após a puberdade, o parênquima tímico começa a se
atrofiar, tornando-se substituído por tecido adiposo.
Figura 4-22 A-F, Timo normal. Cão jovem. Mesmo caso de A e B. Corte histológico. A, A
densa área cortical é composta por linfócitos intimamente compactados (à esquerda), enquanto a
medula é mais palidamente corada (à direita). Observe as estruturas intensamente coradas na medula
denominadas corpúsculos de Hassall. (H&E; aumento médio.) B, A medula contém corpúsculos de
Hassall eosinofílicos, que representam agregados concêntricos de células reticulares epiteliais que se
tornam queratinizados ou calcificados. Os linfócitos da medula são maiores, com núcleos vesiculares.
(H&E; grande aumento em óleo de imersão.) C-F, Aspirado de tecido. Mesmo caso em C-D. C,
Muitos pequenos linfócitos intensamente corados formam a população predominante, com poucos
linfócitos médios. Observe as duas grandes células reticulares epiteliais no alto e ao centro do campo.
(Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) D, O aumento maior demonstra as células
reticulares epiteliais, de aspecto estrelado, com núcleos vesiculares. (Wright-Giemsa; grande aumento
em óleo de imersão.)Mesmo caso em E e F. E, O epitélio tímico pode ser encontrado em agregados
circulares, possivelmente representando manguitos perivasculares. (Wright-Giemsa; grande aumento
em óleo de imersão.) F, Aumento maior para demonstrar os pequenos linfócitos e o epitélio tímico.
(Wright-Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.)

Sob o ponto de vista citológico, a população celular do córtex é similar àquela do


linfonodo, com predominância de pequenos linfócitos intensamente corados (Fig. 4-
22C e D). Ocasionais mastócitos estão presentes. Grandes células estreladas com
núcleos vesiculares arredondados que representam o epitélio tímico podem ser
encontradas espalhadas em meio aos linfócitos ou em formações concêntricas
intimamente compactas (Fig. 4-22E e F); esse último arranjo se torna os corpúsculos
de Hassall. Essas densas coleções de células reticulares epiteliais se assemelham a
macrófagos epitelioides, apresentando abundante citoplasma azul-pálido, com
adesões intercelulares.

Neoplasia Primária
As duas diferentes populações celulares, linfócitos e células reticulares epiteliais, se
tornam a origem para os dois tipos de neoplasia que se desenvolvem no timo. A
neoplasia das células linfoides do timo é denominada linfoma tímico, e tem a
aparência de um linfoma de outros órgãos linfoides, como o linfonodo (Figs. 4-8 a 4-
10). O tipo celular mais frequentemente envolvido é o tipo linfoblástico, e esses
tumores foram associados a uma hipercalcemia.
A neoplasia das células reticulares epiteliais tímicas é denominada timoma, e
usualmente assume uma de três maneiras em cães e gatos: timoma epitelial, timoma
linfoepitelial misto ou timoma predominantemente linfocítico. Os números relativos
de células desses três tipos de tumores determinam histologicamente o diagnóstico
específico. No timoma epitelial, o epitélio reticular predomina, com pequenas
quantidades principalmente de pequenos linfócitos remanescentes. As células
reticulares epiteliais aparecem como grandes células mononucleares, pálidas e coesas,
que se assemelham a macrófagos epitelioides. No timoma de células mistas, agregados
de tamanho variável de células reticulares epiteliais neoplásicas aparecem com muitos
pequenos linfócitos e poucos médios ou grandes linfócitos (Figs. 4-23 e 4-24). Um
timoma predominantemente linfocítico contém muitos pequenos linfócitos e apenas
algumas células reticulares epiteliais tímicas espalhadas, com perda da arquitetura
normal (Fig. 4-25A-E). Grandes números de mastócitos bem diferenciados são
comumente encontrados em timomas e podem dar a falsa impressão de um tumor de
mastócitos ou mastócitos metastásicos de um linfonodo. Um material eosinofílico
pode estar associado a células de um timoma (Andreasen et al., 1991), o qual se
assemelha estreitamente ao coloide encontrado em um tumor de tireoide, e pode
representar um dilema diagnóstico. A imunocitoquímica, quando realizada,
frequentemente indica reações de coloração positiva para CD3 e marcadores para
citoqueratinas (Fig. 4-25E).

Figura 4-23 Timoma. Aspirado de tecido. Cão. Mesmo caso de A e B. A, A mistura de


pequenos linfócitos e agregados de epitélio tímico sugere o tipo histológico linfoepitelial. Observe os
mastócitos espalhados por todo o estroma, visto do lado esquerdo como célula escura. (Wright-
Giemsa; grande aumento em óleo de imersão.) B, Este animal se apresentou sem sinais clínicos, exceto
pelas evidências radiográficas de uma massa mediastínica anterior durante a varredura para a cirurgia
eletiva. Observe o pequeno agregado de células reticulares epiteliais que se assemelham a células
fusiformes. Um mastócito bem-diferenciado é mostrado no canto superior, à direita. (Wright-Giemsa;
grande aumento em óleo de imersão.)

Figura 4-24 Timoma maligno. Impressão de tecido. Cão. Mesmo caso de A e C. A, Uma
população mista de pequenos linfócitos e células reticulares epiteliais tímicas está presente, obtida de
uma massa mediastínica cranial de um Pointer Alemão de pelo curto de 9 anos de idade. Observe o
grande aglomerado de células reticulares epiteliais tímicas na parte de baixo do campo. Estas células
expressavam citoqueratinas (não mostrado), sustentando a origem epitelial dessas células. (Wright;
aumento médio.) B, Este é um aumento maior do caso em A. Observe o pleomorfismo e a variabilidade
na relação núcleo-citoplasma. Nucléolos pequenos, porém proeminentes, são vistos. (Wright; grande
aumento em óleo de imersão.) C, Aspectos de malignidade incluem anisocariose, nucléolos
proeminentes e múltiplos, relação núcleo-citoplasma variável e binucleação. A presença de uma
atividade mitótica aumentada e de necrose tecidual indica uma rápida renovação celular e sustenta
uma interpretação de malignidade. (Wright; grande aumento em óleo de imersão.)

Figura 4-25 Timoma, predominantemente linfocítico. Corte histológico. Cão. A, A


arquitetura tímica normal está perdida nesta massa mediastínica obtida de um cão sem raça definida
de 3 anos de idade. Há a ruptura do córtex normal por uma proliferação focal de células rosadas
palidamente coradas imediatamente abaixo da espessa cápsula fibrosa. A maioria da população celular
aparece basofílica e difusa. (H&E; pequeno aumento.) Mesmo caso em B-D. B, Corpúsculo de
Hassall. Este é um aumento maior da densa área basófila e celularizada do caso mostrado em A.
Observe a área rosada circular, chamada de corpúsculo de Hassall, o qual é composto de células
reticulares epiteliais queratinizadas em arranjo concêntrico. (H&E; pequeno aumento.)C, Este é um
aumento maior de B. Pequenos agregados de grandes células palidamente coradas, algumas
aglomeradas ao redor de um vaso sanguíneo, estão presentes em pequenas quantidades, em
comparação com a maioria das células, que são pequenos linfócitos de aparência uniforme. (H&E;
aumento médio.) D, Este é o mesmo aumento de B. Observe a densa área cortical, rica em linfócitos,
adjacente à cápsula (abaixo, à direita). Abaixo do córtex encontra-se a medula, uma região bem
desenvolvida, com linfócitos e células reticulares epiteliais misturadas, que se cora mais palidamente
do que o córtex. Esta imagem complementa a imunomarcação mostrada na Figura 4-25E (H&E;
aumento médio.) E, Imunocitoquímica. Este é o mesmo aumento e a mesma área de D. A população
de linfócitos é de células T, com base na forte expressão de anticorpos no córtex. A grande quantidade
de células reticulares epiteliais tímicas presentes é mais bem apreciada nas áreas mais palidamente
coradas. (CD3/DAB; aumento médio.)

Sob o ponto de vista clínico, a sobrevida aumentada tem sido demonstrada para
cães com mais de 8 anos de idade, cães com o subtipo histológico linfocítico
predominante e cães sem megaesôfago simultâneo (Atwater et al., 1994). Miastenia
grave e aplasia pura de eritrócitos são síndromes paraneoplásicas associadas a um
timoma, além de hipercalcemia. Anticorpos séricos elevados contra o receptor de
acetilcolina foram demonstrados em um cão com megaesôfago (Lainesse et al., 1996).
Devido à íntima associação entre megaesôfago e miastenia grave, recomenda-se que
todos os cães com megaesôfago e timoma sejam testados para miastenia grave (Scott-
Moncrieff et al., 1990). Uma metástase para o pulmão e para o fígado é incomum,
mas foi relatada em três de oito casos malignos em cães em um estudo (Bellah et al.,
1983). Gatos com timoma foram relatados como apresentando lesões cutâneas
esfoliativas (Scott et al., 1995; Day, 1997). Relatos de uma ocorrência incomum de
timomas císticos em gatos demonstraram metástases em vários dos casos (Patnaik et
al., 2003). Um caso recente em um gato estava presente em uma localização ectópica,
e o diagnóstico envolveu histopatologia e imunocitoquímica da massa e citometria de
fluxo da população de linfócitos. Os linfócitos eram duplos positivos para CD4 e CD8,
sustentando o diagnóstico de timoma (Lara-Gracia et al., 2008). Massas de timomas
são frequentemente grandes (Fig. 4-26), mas, devido à sua aparência localizada e
frequentemente encapsulada, a excisão cirúrgica é recomendada. Uma efusão quilosa
também foi associada a um timoma relacionado com a infiltração do tumor nos vasos
linfáticos.
Figura 4-26 Timoma. Espécime anatômico. Cão Pastor-Alemão. Esta grande massa
mediastínica cranial media 12 × 10 × 8 cm. Ela estava parcialmente encapsulada, ligeiramente firme,
e com tonalidade amarronzada, com ocasionais cistos contendo muco.
(Fotografia, cortesia de Lois Roth, Angell Memorial Hospital; apresentado na sessão de revisão de casos da ASVCP de 1997.)

Referências

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Capítulo 5

Trato Respiratório

Mary Jo Burkharde, Laurie M. Millward

A avaliação citológica do trato respiratório, junto a histórico, dados clínicos e


resultados de imagens, fornece informação inestimável de diagnóstico, apresentando
impacto direto sobre o manejo do paciente. Recursos citológicos observados no trato
respiratório após injúria, doença e neoplasia primária ou metastática dependem
amplamente de estrutura normal e função dos elementos celulares. Um exame
minucioso de amostras de alta qualidade é crítico para a obtenção de resultados
citológicos significativos. Este capítulo descreve as técnicas de amostragem e
interpretação citológica das amostras de trato respiratório, incluindo cavidade nasal,
laringe, vias aéreas e parênquima pulmonar.

A cavidade nasal

Anatomia Normal e Recursos Histológicos


Iniciando-se pelas narinas, a cavidade nasal é dividida pelo septo nasal e termina
caudalmente como lâmina etmoidal óssea. A passagem que atravessa os seios ósseos e
cartilaginosos é revestida por uma membrana mucosa. A entrada da cavidade nasal,
ou vestíbulo, engloba as narinas e a parte estreita da cavidade nasal anterior. A parte
posterior, ou cavidade nasal própria, consiste em turbinados extensos, delicados e
revestidos por membrana mucosa. O ducto nasolacrimal abre-se através da parede
lateral ventral do vestíbulo, permitindo que secreções serosas fluam do saco
conjuntival para a cavidade nasal rostral. A comunicação com a cavidade nasal
apresenta vários pares, preenchidos por ar e seios paranasais revestidos por mucosa.

O vestíbulo se apresenta contíguo à pele externa e é revestido por epitélio


escamoso queratinizado nas narinas que apresenta uma breve transição para epitélio
escamoso não queratinizado na frente da cavidade nasal. No cão, este epitélio nasal
não ciliado transicional consiste em células redondas a cuboides em camadas umas
sobre as outras e parece desempenhar um papel sobre xenobióticos inalados e
circulantes, relacionados com seus legados com enzimas mono-oxigenase citocromo
P450. A cavidade nasal própria, o septo nasal e os seios paranasais são revestidos por
epitélio ciliado, pseudoestratificado e colunar. As glândulas tubuloalveolares serosas,
mucosas e mistas estão presentes na cavidade nasal rostral enquanto as glândulas
olfatórias, embora em pequenos números em carnívoros, são encontradas na cavidade
nasal caudal. Tecido linfoide nasal associado (NALT) e folículos linfoides são
encontrados na submucosa da cavidade nasal caudal e são especialmente numerosos
na nasofaringe.

O órgão vomeronasal é simétrico bilateral e localizado na base do septo nasal na


parte rostral da cavidade nasal. O órgão é composto de vários componentes incluindo
epitélio, ductos, glândulas e tecido conjuntivo (Salazar et al., 1996) e, ao menos em
cães, é também rico em tecido de origem neuronal (Dennis et al., 2003). Além dos
corpos celulares neuronais e prolongamentos axonais, o epitélio sensorial também
expressa função neuronal.

Técnicas de Coleta e Preparação de Amostras


Quando histórico e sinais clínicos sugerem uma doença da cavidade nasal, o primeiro
passo para o diagnóstico é a inspeção das cavidades nasais externa e interna, faringe,
palatos duro e mole e cavidade oral, incluindo um exame de gengiva e arcada
dentária superior para fístula oronasal e doença periodontal. Além disso, palpação de
linfonodos regionais aumentados e subsequente aspiração e/ou biópsia podem
fornecer meios valiosos indiretos para alcançar um diagnóstico caso haja uma doença
disseminada ou metastática. A ressonância magnética (RM) e a tomografia
computadorizada (TC) fornecem dados adicionais da extensão da lesão, envolvimento
de vias aéreas e localização tridimensional (p. ex., corpos estranhos). Entretanto, na
maioria dos casos a radiografia continua sendo uma ferramenta confiável para
localizar lesões de massa para amostra diagnóstica (Jones e Ober, 2007; Petite e
Dennis, 2006), embora seja menos sensível para diferenciar rinite inflamatória de
neoplásica (Kuehn, 2006). Uma inspeção visual adequada da cavidade nasal através
de endoscopia e localização das lesões via radiografia ou outra técnica irão permitir
que técnicas apropriadas de coleta sejam empregadas. Porém, deve-se notar que o
acesso por rinoscopia não prediz uniformemente a presença ou ausência de doença
inflamatória, assim, a obtenção de amostra para avaliação microscópica é crítica
(Johnson et al., 2004; Windsor et al., 2004). É preferível um exame através de um
endoscópio flexível, pois aproximadamente de 50% a 80% da cavidade nasal não
pode ser visualizada por endoscópio rígido ou otoscópio (Elie e Sabo, 2006). Se não
houver a disponibilidade de um endoscópio, um otoscópio pode ser utilizado para
exame de cavidade nasal rostral e, com a ajuda de um espelho dentário e uma fonte
de luz, é possível visualizar a porção de nasofaringe. A radiografia e a rinoscopia
devem ser realizadas antes da amostragem, pois uma hemorragia pode confundir a
interpretação radiográfica e dificultar a visualização durante a endoscopia.

Um hemograma completo (HC) e um perfil de coagulação devem ser realizados


antes da amostragem, pois a maioria das técnicas de coleta causa hemorragias devido
à grande quantidade de plexos venosos sob a mucosa nasal. A contenção por
anestésio apropriado serve tanto para a segurança quanto para o sucesso na obtenção
de amostras de tecido. A anestesia geral promove uma contenção apropriada para a
colocação correta de um tubo endotraqueal inflado, vedação da orofaringe com gaze e
inclinar o focinho do paciente para baixo, a fim de proteger contra aspiração durante
a coleta de amostra.

Swabs Nasais
A presença de uma secreção nasal aguda ou crônica indica doença de trato
respiratório superior, mas é inespecífica e pode se apresentar com doenças
inflamatórias, infecciosas ou neoplásicas. A secreção nasal pode ser unilateral ou
bilateral e varia de serosa, supurativa, mucoide a serossanguinolenta dependendo
da(s) causa(s) inicial(is). Swabs nasais superficiais ou profundas são fáceis de serem
obtidos e são relativamente traumáticos, mas também não fornecem muitas
informações, além de identificar inflamação superficial, infecção bacteriana
secundária, hemorragia, necrose e muco, enquanto o processo causador da doença
continuará obscuro. De um modo geral, as técnicas invasivas permitem a coleta de
tecidos profundos da mucosa nasal aumentando o potencial diagnóstico. Por exemplo,
o sucesso na detecção de aspergilose aumenta de 13% a 20% na detecção positiva das
amostras por esfregaço ou swabs cegos para 93% a 100% na detecção positiva das
amostras coletadas por escova de citologia ou biópsia (DeLorenzi et al., 2006a).
Porém, eventualmente, uma técnica simples pode ser recompensadora, como o exame
citológico de um swab nasal para o diagnóstico de infecção por criptococose em gatos.
Portanto, o exame citológico de exsudato nasal deve ser realizado inicialmente em
qualquer doença nasal.
Lavagem Nasal
Os métodos de lavagem nasal têm sido relatados em outros lugares (Smallwood e
Zenoble, 1993). Em geral, técnicas invasivas e agressivas são mais prováveis de
produzir materiais para diagnóstico. Os lavados nasais não traumáticos produzem
materiais para um diagnóstico definitivo em aproximadamente 50% dos casos. Um
cateter de calibre 6 a 10 French ou um cateter urinário de borracha macia e vermelha
é inserido pelas narinas externas para um esguicho de soro fisiológico ou Ringer
lactato estéril e não bacteriostático através da cavidade nasal (Fig. 5-1A). Um lavado
nasal traumático pode ser realizado fazendo-se chanfros ou cortes no tubo ou cateter,
criando uma superfície áspera para facilitar a retirada de tecidos. Como qualquer
instrumento que irá ser inserido pela cavidade nasal, a penetração através da placa
cribiforme em direção à caixa craniana deve ser evitada medindo a distância das
narinas externas até o canto medial do olho e cortando o tubo ou cateter no
comprimento apropriado ou marcando o instrumento com fita.

Figura 5-1 Procedimento de lavagem nasal. A, O mostrado é a colocação de um tubo flexível na


cavidade nasal de um cão anestesiado e uso de soro fisiológico para a irrigação. B, Diagrama de uma
técnica alternativa mostrando a colocação de um tubo flexível retroflexionado abaixo e ao redor do
palato mole com a coleção de fluidos das narinas externas.
(A, Cortesia de Robert King, University of Florida. B, De Meyer DJ: The management of cytologic specimens, Compend Contin Educ Pract

Vet 9:10-16, 1987.).

Pequenas alíquotas (5 a 10 mL) de fluidos são introduzidas na cavidade nasal via


uma seringa de 20 a 35 mL alternando pressão positiva e negativa. Com a entrada do
fluido na cavidade, o tubo ou cateter é movimentado agressivamente para a frente e
para trás contra os turbinados nasais a fim de tentar coletar fragmentos de tecidos
livres para uma gaze mantida abaixo das narinas externas ou ser reaspirado para a
seringa. Um método alternativo lança mão direcionando um cateter de Foley pela
cavidade oral e retroflexionando por meio do palato mole para a nasofaringe,
inflando o balonete e lavando com soro fisiológico para que o fluido passe através da
cavidade nasal e saia pelas narinas externas para a coleta (Fig. 5-1B).
O fluido e matérias particuladas recuperadas devem ser acondicionados em tubo
com anticoagulante EDTA. Se o fluido estiver turvo, um esfregaço direto deve ser
preparado para uma avaliação citológica colocando uma gota do fluido numa lâmina
histológica limpa e colocando-se outra lâmina histológica sobre a primeira. Depois
que o fluido tiver espalhado entre as lâminas, as duas lâminas são puxadas em
sentidos opostos em um padrão horizontal aplicando-se uma leve pressão vertical se
houver presença de pequenos fragmentos de tecido. Se o fluido estiver relativamente
claro, a amostra, utilizando um pequeno volume do sobrenadante, pode ser
concentrada por centrifugação e o esfregaço deve ser preparado com o material
sedimentado, similar à preparação de sedimento urinário. Uma maior concentração
da amostra pode ser adquirida por citocentrifugação, se disponível. Se houver a
recuperação de grandes fragmentos de tecido, a preparação por contato deve ser
realizada para a avaliação citológica. Uma pequena alíquota de fluido pode ser
colocada em um tubo sem qualquer aditivo para cultura e antibiograma, ou o fluido
pode ser aplicado ao meio de cultura.

Punção Aspirativa por Agulha Fina


A punção aspirativa por agulha fina (PAAF) é o mais recompensador quando há
presença de massas. Se a presença de uma massa nasal é visível externamente, pode-
se realizar um aspirado direto. Para amostras de massas dentro da cavidade nasal é
melhor identificá-lo por técnicas de imagens antes da aspiração. Para a PAAF uma
agulha de 1 a 1 ½ polegada de calibre 22 a 23 é acoplada a uma seringa de 3 a 12
mL. Introduz-se a agulha na massa, enquanto uma forte pressão negativa é aplicada e
liberada diversas vezes. A agulha deve ser redirecionada e o procedimento repetido; a
pressão negativa é liberada antes de desacoplar a agulha da massa. Frequentemente,
apenas uma quantidade mínima de material é coletada para dentro da luz da agulha.
O material coletado deve ser expelido sobre lâminas histológicas para preparação e
avaliação citológica.

Imprint e Citologia de Escova


Pinças jacaré de biópsia são utilizadas para a obtenção de biópsia por avulsão para
citologia de impressão e histopatologia, enquanto uma escova endoscópica é usada
para coletar tecido rolando sobre uma lâmina histológica. Ambas as técnicas de
amostragem são guiadas principalmente por endoscopia. A citologia de impressão
também pode ser realizada para obtenção de amostras de núcleo para biópsia usando
uma agulha de biópsia descartável Tru-Cut® (Cardinal Health Allegiance, Deerfield,
IL). Do mesmo modo, a porção de polipropileno do interior de um cateter com a
agulha removida ou um cateter urinário de polipropileno com a ponta cortada num
ângulo de 45 graus também pode ser utilizada para a obtenção de amostras de tecido.
O cateter é empurrado para dentro da massa e é rotacionado enquanto se aplica a
pressão negativa. O tecido pode então, ser rolado sobre uma lâmina de vidro ou
utilizado para realizar imprints de contato para avaliação citológica antes de ser
colocado em formalina tamponada neutra a 10%. A citologia de escova normalmente
não alcança células inflamatórias mais profundas e pode não correlacionar
satisfatoriamente com os resultados histológicos (Michiels et al., 2003). Portanto,
amostras mais profundas e mais invasivas são preferíveis sempre que possível. Em um
estudo com 54 cães com tumores nasais, citologia de escova e imprint corretos
identificaram neoplasias de origem epitelial em 88% a 90% dos casos,
respectivamente (Clercx et al., 1996). Mas, no mesmo estudo, a capacidade de
diagnosticar tumores mesenquimais foi menos significante. O diagnóstico histológico
correlacionou 50% das citologias por imprint e apenas 20% desses por citologia de
escova.

Se os procedimentos citados não forem satisfatórios para o diagnóstico das


amostras ou não puderem ser realizados por causa da natureza da lesão ou pelo
pequeno tamanho do paciente, uma rinotomia exploratória pode ser necessária para
se obter uma biópsia excisional e a partir daí o esfregaço por impressão para citologia
convém ser preparado antes de que o restante do tecido seja preservado para exame
histopatológico.

Citologia Normal e Alterações Citológicas Comuns

Citologia Nasal Normal


Swabs nasais e lavagens em animais saudáveis contêm poucas células, pequena
quantidade de muco e baixo número de uma população mista de bactérias
extracelulares (flora normal) encontradas colonizando a superfície de células
epiteliais. Células epiteliais ciliadas e colunares respiratórias são predominantes na
cavidade nasal posterior, entretanto, um pequeno número de células epiteliais
escamosas originárias da cavidade nasal anterior também pode estar presente.
Células epiteliais respiratórias podem ser observadas sozinhas ou em pequenos
aglomerados, são colunares e contêm um núcleo redondo em localização basal. Os
cílios, se presentes, estão localizados no lado oposto ao núcleo e podem ser vistos
como uma borda em escova eosinofílica (Fig. 5-2A). Enquanto as colunares também
apresentam núcleo em localização basal, as células caliciformes não têm cílios, são
mais arredondadas e contêm uma quantidade moderada de citoplasma com grânulos
de mucina citoplasmática proeminentes, redondas e que são tingidas por cor
arroxeada (Fig. 5-2B). Ocasionalmente, células epiteliais basais podem ser
observadas. Quando presentes, estas células são redondas a cuboides com citoplasma
escasso e profundamente basofílico e núcleo localizado centralmente. Nos espécimes
citológicos o muco aparece como um material extracelular amorfo que, muitas vezes,
englobam as células. O tecido linfoide nasal associado (TLNA) pode ser encontrado na
cavidade nasal tanto do cão quanto do gato e reage da mesma forma dos tecidos
linfoides de outros locais (Fig. 5-3). A cavidade nasal de cães e gatos contém TLNA e
folículos linfoides, particularmente na nasofaringe. Estas ilhotas de linfócitos reagem
de forma semelhante a outros tecidos linfoides organizados como nos linfonodos. O
grau de hemorragia observado é acidental da coleta do material. Eritrócitos com
grumos de plaquetas e leucócitos em número e proporção condizentes com o sangue
(aproximadamente, um leucócito para 500 a 1.000 hemácias) indicam uma
contaminação iatrogênica da amostra ou hemorragia aguda. A cavidade nasal de cães
e gatos abriga um grande número de população mista de bactérias, tanto aeróbicas
quanto anaeróbicas, que é considerada microflora normal incluindo Streptococcus sp.,
Staphylococcus sp., Escherichia coli, Pseudomonas sp., Proteus sp. e Bordetella
bronchiseptica.
Figura 5-2 Epitélio nasal normal. Aspirado de tecido. A, Epitélio colunar ciliado apresentando
núcleo basal e encontrado normalmente no trato respiratório superior. (Wright-Giemsa; Óleo HP.) B,
Células caliciformes contendo grânulos grandes, globulares e de cor magenta misturados com células
epiteliais colunares ciliadas. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)

Figura 5-3 Tecido linfoide nasal associado. Aspirado de tecido. Cão. Este aspirado contém
uma mistura heterogênea de linfócitos pequenos e médios, linfoblastos e um grande número de
plasmócitos indicando uma hiperplasia linfoide reativa leve. (Wright- Giemsa; Óleo HP.)

Contaminação Orofaríngea
A contaminação orofaríngea é frequentemente vista em amostras coletadas pela
técnica de lavagem. A presença de Simonsiella sp. é um cunho de contaminação
orofaríngea. As Simonsiella sp. são bactérias grandes, em forma de bastonete que se
alinham em fileiras após a divisão, resultando em um padrão que se assemelha a
moedas empilhadas (Fig. 5-4A e B). A contaminação orofaríngea também é
caracterizada pela presença de uma população mista de bactérias encontradas
extracelularmente que colonizam a superfície das células epiteliais escamosas
queratinizadas. Se houver inflamação orofaríngea (p. ex., doença periodontal), as
células inflamatórias podem ser associadas à contaminação orofaríngea (Fig. 5-4C).
Figura 5-4 A, Contaminação orofaríngea. LTT. Presença de células epiteliais escamosas
intimamente associadas à bactéria Simonsiella sugerindo contaminação pela microflora normal ou
fístula oronasal. (Wright-Giemsa; Óleo HP.) B, Contaminação orofaríngea. LTT. Célula epitelial
escamosa degenerada com a bactéria Simonsiella aderida e uma corrente de cocos (Wright- Giemsa;
Óleo HP.) C, Inflamação supurada com contaminação orofaríngea. BAL. Neste caso, a fonte de
inflamação pode ser difícil de ser determinada. Há inflamação supurativa óbvia e alguns neutrófilos
aparecem ter fagocitado diversas bactérias em forma de bastão. Entretanto, a presença de células
epiteliais escamosas com bactérias em forma de bastão indica contaminação orofaríngea, que sugere
que a inflamação e a infecção podem estar localizadas na cavidade oral. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)

Hiperplasia/Displasia
Inflamação crônica secundária a diversas etiologias infecciosas ou não infecciosas (p.
ex., trauma, irritação crônica ou neoplasia) é comum na cavidade nasal e pode ter um
efeito profundo na integridade e função das células normais constituintes. Muitos
mecanismos de adaptação são empregados pelas células para sobreviver no meio de
um estímulo inflamatório. O aumento do número de células ou hiperplasia é um dos
mecanismos e normalmente é acompanhado pela displasia (Fig. 5-5A). A displasia é
prontamente identificada histologicamente com a perda da organização da
arquitetura, mas é mais difícil identificar em preparados citológicos, que tipicamente
faltam recursos estruturais. Amostras de uma cavidade nasal inflamada com
hiperplasia e displasia contêm predominantemente grumos e lâminas de células
epiteliais com aumento da proporção do núcleo em relação ao citoplasma, anisocitose
de leve a moderada e aumento da basofilia citoplasmática (Fig. 5-5B). Figuras
mitóticas, mesmo normais na aparência, podem estar aumentadas. Hiperplasia e
displasia são reversíveis, mas podem representar alterações neoplásicas precoces e
pode dificultar a diferenciação citológica de um carcinoma bem diferenciado.

Figura 5-5 A, Glândula mucosa de seio frontal.Imprintde tecido. Cão. Agregados de epitélio
glandular hiperplásico apresentam um citoplasma abundante, de azul-claro a cinza e esponjoso.
(Wright-Giemsa; Óleo HP.) B, Displasia epitelial. Aspirado de tecido. Esse agregado de células
caracteriza-se pelo aumento de basofilia citoplasmática e moderada anisocitose e anisocariose.
(Wright-Giemsa; Óleo HP.)
(A, Cortesia de Rose Raskin, University of Florida.)

Metaplasia
Outra resposta adaptativa para uma irritação/inflamação crônica é a metaplasia. A
metaplasia envolve uma mudança na diferenciação celular que é especialização
normal do tipo celular e se transforma em um que é mais apto para suportar as
agressões ambientais, perdendo sua função. No sistema respiratório, normalmente a
metaplasia caracteriza-se pela transformação das células epiteliais respiratórias
colunares para um fenótipo mais escamoso resultando na perda da habilidade de
produzir e secretar o muco protetor. Citologicamente, a metaplasia escamosa é
detectada pela presença de células epiteliais escamosas como tipo celular primário ou
misturado com a presença de mais células epiteliais respiratórias normais (French,
1987). As células podem estar presentes em camadas ou individualmente, dependendo
do grau de queratinização. Células basilares tendem a permanecer em grumos,
enquanto células escamosas mais queratinizadas normalmente aparecem
individualmente e têm bordas angulares, citoplasma hialinizado abundante e
basofílico e núcleo pequeno e ocasionalmente picnótico ou cariorrético. Com a
hiperplasia, pode ocorrer a transformação neoplásica nas células escamosas.
A melanose nasal tem sido sugerida como uma transformação metaplásica da
mucosa respiratória e tem sido relatada como rara em cães com rinite odontopática
(DeLorenzi et al., 2006b).

Doenças Inflamatórias não Infecciosas

Corpos Estranhos
Corpos estranhos nasais costumam ocorrer em cães e, normalmente, originam-se de
plantas como arestas de plantas, rabo-de-raposa ou galhos. Os corpos estranhos
podem ser inalados diretamente para a cavidade nasal ou podem entrar de forma
traumática (p. ex., projéteis de armas) através das narinas, plano nasal ou via
cavidade oral, penetrando pelo palato. Citologicamente, os espécimes caracterizam-se
por uma reação inflamatória evidente, variando do supurativo ao piogranulomatoso
também com hemorragia significativa e material estranho como substâncias de
plantas ou fibras. É comum uma infecção bacteriana secundária.

Rinite Alérgica
A hipersensibilidade pode ocorrer na cavidade nasal apenas ou concomitante ao
envolvimento de trato aéreo baixo. O infiltrado inflamatório associado a uma rinite
alérgica caracteriza-se normalmente por eosinófilos, com poucos neutrófilos,
mastócitos eventuais e plasmócitos ocasionais (Fig. 5-6). O aumento do número de
células caliciformes e muco abundante podem também ser observados com grande
quantidade de células epiteliais respiratórias hiperplásicas. O diferencial para a
inflamação eosinofílica são as infecções por parasitas ou fungos. Também deve ser
considerado mastocitoma; entretanto, o número de mastócitos frequentemente ajuda
na diferenciação destes dois processos. Os mastócitos costumam abranger apenas uma
pequena parcela do infiltrado inflamatório em rinite alérgica, enquanto mastócitos
tendem a ser células predominantes presentes em mastocitomas.
Figura 5-6 Rinite alérgica. Lavado nasal. Cão. Vários eosinófilos estão envolvidos em muco
basofílico que afeta a qualidade de coloração das células. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)

Rinite Linfoplasmocítica
Até recentemente, apenas casos esporádicos de rinite linfoplasmocítica tinham sido
descritos (Burgener et al., 1987; Tasker et al., 1999b). Essa doença nasal crônica em
cães aparentava ser mais imunomediada do que uma origem alérgica. Entretanto,
estudos mais recentes identificaram que a rinite linfoplasmocítica idiopática é mais
comum do que se suspeitava anteriormente (Windsor et al., 2004) e pode ser
associada, e até contribuir, com doença nasal crônica em cães, e por fim, resultar na
remodelação dos turbinados e até destruição óssea. Apesar da evidência histológica de
doença bilateral na maioria dos cães, uma descarga unilateral tem sido observada em
alguns casos indicando a necessidade de exame de ambas as cavidades nasais, mesmo
em casos em que aparenta ter uma origem localizada. A falha na resposta a
corticoterapia, em relato recente (Windsor et al., 2004) sugere mecanismos que não
são de doença imunomediada, embora uma doença multifatorial, incluindo um
componente imunomediado não possa ser excluída. Outras etiologias propostas
incluem desregulação imunológica, alergias ou desequilíbrio da flora microbiana.
Como a aspergilose também pode induzir uma rinite linfoplasmocítica (Fig. 5-3), há
uma preocupação de que a rinite linfoplasmocítica idiopática possa ocultar uma
aspergilose. Entretanto, análise de perfil de citocinas de biópsias nasais de cães com
essas duas doenças indica que o padrão imunológico é bem diferente. A aspergilose
induz, predominantemente, a resposta de T-helper tipo 1 (Th1) e uma resposta parcial
de Th2 fora detectada em casos de rinite linfoplasmocítica idiopática (Peeters et al.,
2007). Essa resposta do tipo 2 é, em contraste ao perfil de citocina do tipo 1, relatada
em gatos com inflamação crônica da cavidade nasal (Johnson et al., 2005), que sugere
etiologia e patogênese fundamentais diferentes entre essas espécies.
Pólipos Nasais
Os pólipos nasais são ocasionalmente relatados em cães, mas é comum a ocorrência
em gatos e são caracterizados por hiperplasia das membranas mucosas ou
proliferação exuberante de tecido conjuntivo fibroso. Os pólipos são originados da
região nasofaríngea para a trompa de Eustáquio, ouvido médio ou nasofaringe. A
maioria dos gatos afetados é jovem, normalmente com menos de 1 ano de idade
(Moore e Olgilvie, 2001). Especula-se que os pólipos nasais se desenvolvam
secundariamente a uma irritação crônica. Embora relatos esporádicos tenham
sugerido uma etiologia de origem infecciosa, a causa de pólipos nasais continua
obscura na maioria dos casos. Os pólipos inflamatórios apresentam a mesma
hiperplasia de tecido epitelial e/ou conjuntivo, mas também contém um infiltrado
inflamatório proeminente. Os pólipos apresentam-se de forma simplificada como
pequenos, macios, bem circunscritos, massas pedunculadas surgindo da superfície
mucosa da cavidade nasal. Os sinais clínicos são normalmente aparentes quando o
pólipo cresce o suficiente para ocluir a nasofaringe. Citologicamente, linfócitos
maduros e plasmócitos estão também misturados com grande número de células
epiteliais (Fig. 5-7A). Neutrófilos e macrófagos em pequenas quantidades também
podem estar presentes. A metaplasia escamosa e/ou displasia são frequentemente
observadas e quando presentes podem fazer a difícil distinção entre a neoplasia
epitelial.
Figura 5-7 A, Inflamação crônica. Aspirado de tecido. Esta população de células
mononucleadas é composta de linfócitos de tamanho pequeno a médio e plasmócitos bem
diferenciados (Wright-Giemsa; Óleo HP.) B, Rinite crônica. Mucosa nasal. Gato. Corte de tecido
demonstrando epitélio respiratório intacto com infiltração de leve a moderada de células
mononucleadas na lâmina própria. (H&E; IP)
(B, Cortesia de Rose Raskin, University of Florida.)

Sinusite Crônica
Sinais clínicos de espirros ou congestão nasal recorrentes podem estar relacionados
com agentes infecciosos, alergias, corpos estranhos ou neoplasia. A causa pode não
ser esclarecida pela citologia ou histologia em alguns desses casos. Citologicamente, o
epitélio respiratório se apresenta reativo como evidência de hiperplasia, displasia ou
metaplasia. Infiltrados inflamatórios normalmente consistem em mistura de células
mononucleares, incluindo linfócitos de tamanho pequeno a médio, plasmócitos e
macrófagos (Fig. 5-7B).

Causas Infecciosas

Bacteriana
Com exceção da Bordetella bronchiseptica e Pasteurella multocida, que causam rinite
aguda em cães, a rinite bacteriana primária é rara. Entretanto, infecção bacteriana
secundária é comum e pode estar concomitante com neoplasia nasal, infecções virais,
infecções fúngicas, infecções parasitárias, trauma, corpos estranhos, doenças dentais
ou fístula oronasal (Fig. 5-8). Infecção por Mycoplasma sp. e Chlamydia sp. em gatos
pode causar sinais respiratórios de vias superiores de grau leve concomitante com
conjuntivite.

Figura 5-8 Rinite supurativa séptica.Swabnasal. Gato. Três neutrófilos cariolíticos estão
presentes, um deles fagocitando a bactéria Simonsiella sp. Uma infecção bacteriana ativa estava
presente neste animal com espirros crônicos e descarga nasal (Wright-Giemsa; Óleo HP.)
(Cortesia de Rose Raskin, University of Florida.)

A infecção bacteriana primária da cavidade nasal é determinada citologicamente


pelos achados de grande número de bactérias monomórficas acompanhadas por uma
resposta inflamatória supurativa acentuada com numerosas bactérias fagocitadas
(Fig. 5-9A). Pode haver muco em abundância, que pode dificultar a identificação da
bactéria em alguns casos (Fig. 5-9B e C). A cultura de exsudato nasal revela grande
crescimento de um tipo de organismo. Entretanto, a população uniforme de
organismos também pode ser detectada com patógenos secundários ou oportunistas.
Portanto, como a rinite bacteriana é incomum, um empenho maior deve ser tomado
para identificar as causas prováveis. O PCR pode ser útil para detectar alguns
organismos como o Mycoplasma sp. A identificação da bactéria sendo como bacilos ou
cocos podem ajudar a instituir o início de uma terapia antimicrobiana, pois os cocos
são tipicamente gram-positivos e os bacilos são tipicamente Gram-negativos. A
presença de organismos filamentosos formando uma rede de colônias sugere
Actinomyces e Nocardia spp. Independentemente, a cultura e antibiograma são
necessários para a correta identificação do micro-organismo. Além disso, se há
bactérias presentes, seja o patógeno primário ou secundário ou um habitante
assintomático da cavidade nasal, a resistência antimicrobiana deve ser levada em
conta.

Figura 5-9 A, Rinite Bacteriana.Flushnasal. Grande número de neutrófilos degenerados e uma


população monomórfica de bacilos intra e extracelular, condizente com inflamação supurativa séptica.
(Wright-Giemsa; Óleo HP.) B, Inflamação mucopurulenta.Flushnasal. Neutrófilos degenerados e
não degenerados misturados com filamentos de muco e debris nucleares. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)
C, Inflamação mucopurulenta séptica.Flushnasal. Visão aumentada de B revelando a presença de
bacilos curtos a cocos bacterianos que podem dificultar a diferenciação de muco extracelular e debris
celulares. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)
Viral
As infecções virais de vias aéreas superiores normalmente se manifestam com um
processo agudo e transitório, a não ser que se desenvolva uma infecção bacteriana
secundária. Entretanto, se a infecção viral causar um dano nos turbinados e/ou
hiperplasia epitelial e glandular, pode levar a uma rinite crônica. O vírus da
cinomose, adenovírus tipos 1 e 2 e parainfluenza são os agentes etiológicos de rinite
viral canino mais comuns. Raramente as infecções causadas por herpesvírus e
reovírus causam doença. Em gatos, o vírus da rinotraqueíte felina (herpesvírus felino
I) e calicivírus tendem a causar sinais de trato respiratório superior de moderado a
severo, enquanto o reovírus é mais associado a sintomas mais brandos. As rinites
severas e recorrentes são comuns em gatos infectados com o vírus da leucemia felina
(FeLV) e o vírus da imunodeficiência felina (FIV). O diagnóstico de rinite viral é
baseado nos sinais do paciente, histórico (falta de vacinação apropriada, contato com
outros animais), sinais clínicos (secreção nasal mucopurulenta, a presença de úlceras
orais, conjuntivite e febre), exame de fluorescência direta de anticorpos das células
obtidas de esfregaços de conjuntiva, isolamento viral e/ou sorologia. Os achados
citológicos associados à rinite viral são tipicamente não específicos, variando o
número e os tipos de células inflamatórias. Além disso, a citologia de rinite viral é
normalmente confundida pelos efeitos de uma infecção bacteriana secundária. As
inclusões virais são muito raras observadas dentro das células epiteliais.

Fúngica
O diagnóstico de rinite fúngica pode ser complicado, pois mesmo que a infecção
fúngica possa ser a doença primária, organismos fúngicos podem ser encontrados
como secundários ou oportunistas. Além disso, os fungos como o Aspergillus sp. e
Penicillium sp. podem ocasionalmente ser isolados em cultura de cavidade nasal de
cães clinicamente normais. Aspergillus sp. e Penicillium sp. são os agentes fúngicos
mais comuns em rinite micótica em cães, enquanto os Cryptococcus sp. são mais
frequentes em gatos. O comprometimento de vias aéreas superiores foi relatado com
Histoplasma capsulatum e Blastomyces dermatitidis, mas é raro (Tabela 5-1).

Tabela 5-1 Organismos Micóticos e Protozoários Comumente Vistos no Trato Respiratório de Cães e
Gatos
A aspergilose e peniciliose podem ocorrer como infecções respiratórias focais ou
disseminadas em cães e gatos. Ambos os fungos são morfologicamente similares,
sendo necessária cultura para diferenciação. Como esses dois fungos são
contaminantes frequentes do trato respiratório, o diagnóstico deve ser amparado pela
combinação de cultura, citologia ou identificação histológica do organismo e da
presença de reação inflamatória. Cães da raça Pastor-alemão são frequentemente
afetados com aspergilose sistêmica. Enquanto a aspergilose normalmente aparenta
ser uma infecção oportunista, há relatos de casos sem um fator de predisposição
óbvio.

As infecções com Aspergillus sp. podem ser associadas a uma inflamação purulenta,
granulomatosa ou piogranulomatosa. Infecção e inflamação podem estar presentes
apenas na cavidade nasal, no seio frontal ou em ambos os lugares (Johnson et al.,
2006). Citologicamente, as hifas fúngicas são ramificadas, septadas, largura de 5-7
μm, com paredes retas e paralelas e pontas globosas. As hifas podem ser coradas
intensamente basofílicas com uma parede celular fina e clara ou aparecem como
negativo na coloração de imagens sobre um fundo celular (Fig. 5-10). As hifas
possuem difícil identificação quando encontradas em pequeno número ou misturadas
em uma densa rede com muco, células inflamatórias e debris celulares.
Ocasionalmente, esporos fúngicos redondos a ovoides de cor azul-esverdeada podem
ser observados. Ácido periódico de Schiff ou coloração de prata são úteis quando se
suspeita de organismos fúngicos que não são imediatamente identificados na amostra.
Mesmo que as características citológicas possam sugerir uma aspergilose, é necessária
a cultura para o diagnóstico definitivo. Semelhante a rinite bacteriana, a presença de
elementos fúngicos não são regra para descartar causas como a neoplasia e outras
doenças.

Figura 5-10 A, Rinite fúngica. Aspirado de tecido. Emaranhado de hifas fúngicas ramificadas
de coloração intensamente basofílica com septação evidente e extremidades finais globosas. (Wright-
Giemsa; Óleo HP.) B, Rinite fúngica.Flushnasal. Cão. Hifa de Aspergillus fumigatus mostrado com
neutrófilos degenerados cultivados de uma infecção secundária após tratamento para criptococose.
(Wright-Giemsa; Óleo HP.)
(B, Cortesia de Rose Raskin, Purdue University.)

O Cryptococcus sp. é a causa mais comum de doença de trato respiratório superior


em gatos e também é eventualmente relatada em cães. Entretanto, tanto o
Cryptococcus neoformans e Cryptococcus gattii têm sido relatados nas passagens aéreas
de cães e gatos na ausência de infecção local ou sistêmica (Duncan et al., 2005; Malik
et al., 1997), sugerindo que infecções subclínicas ou portadores assintomáticos
precisam ser consideradas quando o organismo é detectado em animais normais. A
rota de infecção suspeita é a inalação. Doenças oculares, cutâneas ou neurológicas
concomitantes têm sido observadas em animais com rinite por Cryptococcus. A
imunidade tem sido especulada a desempenhar um papel no desenvolvimento de
infecções, assim como em disseminação da infecção pelo corpo. Terapias com
corticoides durante a infecção pioram os sintomas assim como o progresso da doença
(Greene, 1998; Medleau e Barsanti, 1990). Entretanto, doenças anteriores, em
particular aquelas imunossupressoras (p. ex., FeLV, FIV), não têm sido provadas a
serem fatores predisponentes para a infecção (Flatland et al., 1996; Medleau e
Barsanti, 1990). Os organismos são prontamente identificados em swabs de exsudatos
nasais ou em imprints/aspirados de massas nasais (Fig. 5-11A e B). O diagnóstico para
a identificação positiva do organismo é através da citologia; entretanto, os testes
sorológicos e a cultura fúngica também podem ser úteis. O novo azul de metileno
(Fig. 5-11C) e o nanquim podem ser úteis para evidenciar a coloração negativa da
cápsula; deve-se tomar cuidado para não confundir os organismos com bolhas de ar e
gotas de gordura. Os Cryptococcus sp. são leveduras de arredondadas a ovais que
variam no diâmetro de 8 a 40 μm (incluindo a cápsula). O organismo tem uma
estrutura interna granular que se cora de eosinofílico a arroxeado e é cercado de uma
cápsula mucoide espessa que não se cora. O material da cápsula pode dar o exemplo
de uma textura mucinosa. Ocasionalmente, podem-se observar brotamentos de base
estreita. Formas não encapsuladas ou ásperas apresentam diâmetro de 4 a 8μm e são
difíceis de distinguir de H. capsulatum. Cultura fúngica e sorologia são úteis nesses
casos. A presença e o tipo de inflamação variam da observação de pouca ou nenhuma
célula no meio de um campo cheio de organismos para uma inflamação
piogranulomatosa. O grau e tipo de inflamação são relacionados às características da
cápsula.

Figura 5-11 Rinite criptococócica. A,Swabnasal. Numerosas formas de levedura com cápsulas
mucoides distintas, não coradas e de espessura variada cercando estruturas internas granulares. A
presença de células inflamatórias é variável. (Wright-Giemsa; Óleo HP.) B,Swabnasal. Brotamento de
base estreita é uma característica do Cryptococcus. (Wright-Giemsa; Óleo HP.) C, Descarga nasal.
Gato. Brotamentos evidentes e estrutura interna juntamente com a cápsula estão em destaque em
colorações hidrossolúveis (Novo azul de metileno, Óleo HP.)
(C, Cortesia de Rose Raskin, University of Florida.)

O Rhinosporidium seeberi ocasionalmente infecta a cavidade nasal de cães causando


pólipos únicos ou múltiplos, onde numerosos esporângios miliares são observados na
superfície. A patogênese da infecção não é conhecida, mas o contato com água e
trama na mucosa nasal são fatores predisponentes. Citologicamente, os preparados
contêm um número variável de esporos corados de magenta que variam em diâmetro
de 5 a 15 μm. Eles apresentam cápsulas levemente refratárias e que contêm
numerosas estruturas (esferas) redondas e eosinofílicas. Em alguns casos, os esporos
coram-se profundamente eosinofílicos, dificultando a visualização de estruturas
internas. Os esporângios são de tamanhos variáveis. Eles inclusive podem ser muito
grandes (variam de 30 a 300 μm) (Fig. 5-12A), estruturas globoides bem definidas que
passam por esporulação para conter numerosos endósporos pequenos e redondos
(Fig. 5-12B e C). Os esporângios não são comumente observados em esfregaços
corados, pois a parede dos esporângios é levemente refratária e não se cora. Os
esporângios podem ser observados em preparações diretas sem corantes (Caniatti et
al., 1998). Os endósporos dentro dos esporângios são marrons quando observados
microscopicamente antes da coloração e apresentam três formas basofílicas diferentes
ou estágios de maturação pela coloração de Romanowsky (Meier et al., 2006). Os
endósporos imaturos apresentam tamanho variando de 2 a 4μm de diâmetro com
citoplasma levemente basofílico e um núcleo rosa-arroxeado englobando 1/3 a 1/2 do
endósporo e uma a duas estruturas redondas menores de cor magenta. Endósporos
intermediários dificilmente são descritos, mas aparentam serem estruturas esféricas,
granulares e basofílicas com tamanho de 5 a 8μm de diâmetro com estrutura interna
globular eosinofílica e um halo claro de tamanho variável. Endósporos maduros
tendem a predominar nas preparações citológicas. Essas estruturas apresentam de 8 a
15 μm de diâmetro, com uma parede celular espessa e hialinizada e um halo pálido
magenta a não corado. As estruturas internas podem ser difíceis de serem visualizadas
em áreas espessas do preparado, mas quando os endósporos se espalham numerosas
pequenas estruturas internas globulares esféricas eosinofílicas são observadas. A
coloração de PAS aumenta as chances de encontrar esporos nas amostras citológicas
ou histológicas (Fig. 5-12D). A rinosporidiose estimula a resposta inflamatória mista
que consiste em neutrófilos, plasmócitos e linfócitos. Macrófagos, mastócitos e
eosinófilos são menos comumente observados. Células inflamatórias que se agrupam
na forma de roseta, particularmente os neutrófilos, ao redor dos esporos têm sido
observadas e isso é considerado um dado importante na busca por esporos durante o
exame citológico sob ótica de pouco aumento (Gori e Scasso, 1994).

Figura 5-12 O mesmo caso A, C e D. A, Esporângios de rinosporídeos. Massa nasal. Cão.


Esporângios maduros grandes com numerosos endósporos expelindo seus conteúdos para a superfície
(ponta de seta). Esporângios menores e de tamanhos variáveis (setas) estão presentes na lâmina
própria. (H&E, IP.) B, Endósporos de rinosporídeos.Flushnasal. Cão. Grande número de
endósporos redondos de coloração eosinofílica de Rhinosporidium seeberi. Os esporângios são
raramente vistos citologicamente. (Wright-Giemsa; Óleo HP.) C, Endósporos de
rinosporídeos.Imprintde tecido. A cápsula delineada de quatro endósporos é visível junto com
epitélio escamoso associado. (Wright-Giemsa; Óleo HP.) D, Endósporos de rinosporídeos. Sete
endósporos corados de magenta são evidenciados
(ácido periódico de Schiff, Óleo HP.) (A, A lâmina de vidro é material de cortesia de John Bentinck-Smith et al., Mississippi State

University; apresentado na seção de relato de caso no ASVCP 1984.)

A esporotricose é raramente identificada em amostras de cavidade nasal em cães


(Cafarchia et al., 2007; Whittermore e Webb, 2007). A escassez de organismos e a
aparência citológica são similares aos relatados para Sporothrix schenckii de outras
amostras caninas. O Sporothrix schenckii tem sido isolado da cavidade nasal de gatos
com esporotricose e são comumente detectados nos que apresentam lesões cutâneas
(Leme et al., 2007).

A micose nasal devido a infecção em gatos por Alternaria sp., um dos fungos
dematiáceos que induz feohifomicose, foi relatado em três gatos do Reino Unido
(McKay et al., 2001; Tennant et al., 2004). Achados citológicos incluem a presença de
inflamação piogranulomatosa, linfócitos e plasmócitos. Os organismos fúngicos são
pouco corados, de oval a redondos, com hifa septada de, aproximadamente, 7 a 14μm
tendo uma área periférica clara e estreita, e com material interno eosinofílico
finamente pontilhado.

Parasitário
Rinite parasitária é incomum em cães e gatos e pode ou não estar associada aos sinais
clínicos (King et al., 1990). A infecção por Eucoleus aerophillus (antes chamado de
Capillaria aerophila) é diagnosticada pelos achados de nematódeos adultos ou de ovos
em secreções nasais. Os ovos são grandes (60 × 35μm), com formato ovoide, com
dois tampões terminais assimétricos. Inflamação mista normalmente contendo
eosinófilos está presente. A cavidade nasal e seios frontais de cães podem ser
habitados por diversas formas do parasita artrópode Linguatula serrata. Como é rara a
observação de ovos em exsudatos nasais, esse parasita é mais facilmente
diagnosticado pela visualização direta através de rinoscopia. O ovo mede 90 × 70μm,
a larva até 500μm e ninfas medem de 4 a 6mm. A infecção por esse parasita
frequentemente elucida sinais leves como espirros e descarga nasal, mas
ocasionalmente pode causar sinais clínicos mais severos. O ácaro Pneumonyssoides
caninum é mais bem diagnosticado por visualização direta por rinoscopia de ácaros
adultos de 1 a 2mm habitando a cavidade nasal e seios paranasais de cães. A infecção
resulta em uma rinite leve e transitória.

Protozoário
A Leishmania sp. pode formar massas na cavidade nasal de cães. Os amastigotas
podem ser identificados nos aspirados ou biópsias de cães com leishmaniose (Llanos-
Cuentas et al., 1999).

Alga
A Prototheca sp. pode produzir uma massa nasal em gatos próximo às narinas por uma
infecção cutânea. Citologicamente, preparações de aspirado ou swab revelam uma
mistura de células inflamatórias, sendo a maioria de neutrófilos degenerados e
macrófagos juntamente com numerosos endósporos esporulados e não esporulados.
Os endósporos se apresentam como esferas de tamanhos variáveis tendo um bordo
fino e claro e um centro granulado e denso (Fig. 3-23A e B).
Neoplasia da Cavidade Nasal e Seios Paranasais
Como a neoplasia de cavidade nasal e seios paranasais são incomuns em cães e gatos,
um diagnóstico de neoplasia de trato respiratório superior normalmente leva a um
prognóstico desfavorável, pois a maioria dos tumores nasais é maligna. O carcinoma
é predominante em cães e gatos. As neoplasias são mais comumente diagnosticadas
em animais mais velhos (o linfoma e o tumor venéreo transmissível são as exceções
mais notáveis). Embora não haja predisposição de sexo em cães, gatos machos são
mais frequentemente afetados do que as fêmeas.

Os tumores podem se originar de qualquer um dos inúmeros tipos de tecidos


encontrados na cavidade nasal e seios paranasais (Tabela 5-2). A identificação do
local de origem pode ser difícil, pois a maioria dos tumores malignos é invasiva,
destrutiva e se insinua para os tecidos ao seu redor, na hora do diagnóstico. A maioria
dos tumores envolve dois terços da cavidade nasal caudal próximo ou adjacente a
placa cribriforme. Menos frequentemente, os tumores podem se localizar nos seios
paranasais. As neoplasias malignas normalmente envolvem os turbinados nasais e
septo, e pode se estender através da maxila para a cavidade oral. Um prolongamento
para a órbita e calota craniana por erosão através das placas cribriformes são menos
frequentes, mas podem ocorrer. Metástase para os linfonodos regionais tendem a
ocorrer no final da doença e é mais frequentemente associada a tumores epiteliais.

Tabela 5-2 Neoplasia da Cavidade Nasal

Tecido de Origem Neoplasia Benigna Neoplasia Maligna

Epitelial Adenoma Adenocarcinoma*


Papiloma Carcinoma de célula escamosa*
Carcinoma transicional
Carcinoma indiferenciado

Mesenquimal Fibroma Fibrossarcoma*


Condroma Condrossarcoma*
Osteoma Osteossarcoma
Leiomioma Leiomiossarcoma
Sarcoma indiferenciado*
Histiocitoma fibroso
Hemangiossarcoma
Lipossarcoma
Melanoma

Células redondas (discreta) Linfoma*


Tumor venéreo transmissível*
Mastocitoma*
Plasmocitoma

* Indica os tipos tumorais mais comuns.

Os diagnósticos citológicos e histopatológicos de neoplasia maligna dependem da


obtenção de amostras de alta qualidade. Deve ser enfatizada a avaliação de amostras
obtidas de tecidos profundos, pois necrose secundária, inflamação e hemorragia são
recursos proeminentes de tumores envolvendo as vias aéreas superiores, que podem
confundir o diagnóstico.

Neoplasia Epitelial
Tumores epiteliais malignos da cavidade nasal ocorrem com mais frequência do que a
sua forma benigna. Os tumores epiteliais mais comuns da cavidade nasal incluem os
adenocarcinomas, carcinomas de células escamosas, carcinoma de transição e
carcinomas anaplásicos ou indiferenciados. Os adenocarcinomas são comuns em cães
e gatos, enquanto os carcinomas de células escamosas (CCE) são mais comuns em
gatos (Carswell e Williams, 2007). Amostras citológicas de carcinomas tendem a ser
moderadamente celulares. As células epiteliais neoplásicas se apresentam em
pequenos agregados a grandes camadas (Fig. 5-13A e B). Os adenocarcinomas podem
ser identificados pela presença de arranjos em forma de anéis ou rosetas acinares que
são melhores visualizados em pequeno aumento (p. ex.,10 ×) (Fig. 5-14). As células
epiteliais malignas são de arredondadas a poligonais e tipicamente mostram vários
critérios de malignidade. Esses critérios incluem macrocitose, anisocitose de moderada
a marcante, anisocariose, um aumento na proporção núcleo-citoplasma e citoplasma
profundamente basofílico que pode conter numerosos discretos vacúolos
citoplasmáticos claros ou um vacúolo grande e claro (forma de anel de sinete)
sugestivos de produto secretório. O critério de malignidade nucleolar deve ser
avaliado pelo número de nucléolos por núcleo e qualquer variação no tamanho e
forma. As células anaplásicas podem se individualizar e se apresentar semelhantes a
células linfoides, mas o grande tamanho da célula e a formação em camadas
intermitente são úteis para distinguir os dois tipos de neoplasia (Fig. 5-15A e B).
Material secretório extracelular como muco pode também ser identificado como
material eosinofílico, amorfo a fibrilar.
Figura 5-13 Carcinoma nasal. A,Flushnasal. Demonstração de camadas aderidas de células
pleomórficas com citoplasma altamente vacuolado. (Wright-Giemsa; Óleo HP.) B, Aspirado nasal.
Gato. Células epiteliais pleomórficas pouco aderidas. Observe a variação no tamanho celular e nuclear.
(Wright-Giemsa; Óleo HP.)

Figura 5-14 Adenocarcinoma.Imprintde tecido. A origem glandular pode ser identificada pela
presença de arranjos acinares. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)
Figura 5-15 Carcinoma nasal anaplásico. O mesmo caso A e B. A,Imprintde massa. Cão.
Muitas células individualizadas com aderência mínima estão presentes neste tumor de cavidade nasal
altamente invasivo dando uma aparência de “célula redonda”. (Wright-Giemsa; Óleo HP.) B, Áreas da
lâmina demonstrando uma aparência de epitélio semelhante a camadas e aderidas. (Wright- Giemsa;
Óleo HP.)
(A e B, Cortesia de Rose Raskin, University of Florida.)

Os CCE são distinguidos pela presença de células com bordos angulares contendo
citoplasma abundante, homogêneo e transparente e núcleo posicionado centralmente.
As células neoplásicas exibem uma grande variação de maturação, variando de células
imaturas, pequenas, cuboides e nucleadas com citoplasma profundamente basofílico a
células mais maduras, identificadas como anucleadas, células totalmente
queratinizadas contendo citoplasma abundante, pálido e basofílico e bordos com
angulação aguda. Pode haver evidências de assincronia no desenvolvimento, como a
identificação de células completamente queratinizadas com retenção de grandes
núcleos (Fig. 5-16A). Observa-se uma anisocariose proeminente e diferentes padrões
de cromatina variando de lisa (imatura) a agregada (madura). Poucas células
escamosas neoplásicas podem também mostrar um clareamento perinuclear (“halo”
perinuclear) ou até mesmo poucos vacúolos perinucleares pequenos, claros e
pontiagudos. Debris queratinosos abundantes representados como material
extracelular amorfo e basofílico são frequentemente dispersos pelas lâminas. Uma
característica comum do CCE é a presença acompanhada de resposta inflamatória
neutrofílica de moderada a intensa.

Figura 5-16 A, Carcinoma de célula escamosa.Flushnasal. Queratinização assincrônica,


pleomorfismo moderado e vacuolação perinuclear são características típicas de carcinoma de células
escamosas. A inflamação supurativa associada é comumente observada neste tipo de tumor. (Wright-
Giemsa; Óleo HP.) Mesmo caso B e C. Carcinoma de transição.Imprintde massa nasal. Cão. B,
Essa aparência é similar ao carcinoma de célula escamosa. Mostra uma célula multinucleada com
inflamação neutrofílica leve. Observe o pleomorfismo de epitélio respiratório transitório ou não
ciliado. (Wright-Giemsa; Óleo HP.) C, Observe o citoplasma moderadamente abundante com
numerosos vacúolos pontilhados. As características de malignidade envolvem anisocariose,
condensação grosseira de cromatina, nucléolos evidentes e variáveis proporções núcleo-citoplasma
(Wright-Giemsa; Óleo HP.)
(B e C, Cortesia de Rose Raskin, Purdue University.)

Com a aparência citológica similar ao CCE há uma neoplasia chamada de carcinoma


transicional. Essa neoplasia surge do epitélio respiratório nasal não ciliado (Carswell e
Williams, 2007). Pode exibir um citoplasma moderadamente abundante com
numerosos vacúolos puntiformes. As características malignas normalmente envolvem
anisocariose, multinucleação, aglutinações grotescas de cromatina, nucléolo
proeminente e proporções variáveis de núcleo-citoplasma (Fig. 5-16B e C).

Uma documentação cuidadosa das características descritas com rico critério de


malignidade é crítica para um diagnóstico de neoplasia em cavidade nasal. Se o
critério de malignidade não for prontamente aparente, os citodiagnosticistas devem
ser cautelosos, pois a diferenciação citológica de um carcinoma bem diferenciado para
uma neoplasia epitelial benigna, hiperplasia epitelial ou metaplasia escamosa pode
ser impossibilitada, particularmente na presença de inflamação.

Carcinoma Neuroendócrino
Carcinomas neuroendócrinos ou carcinoides são pouco descritos em cavidade nasal
em cães (Patnaik et al., 2002; Sako et al., 2005). Histologicamente, suas características
parecem ser similares aos descritos em qualquer outra região do corpo. As
características citológicas não têm sido relatadas.

Neoplasia Mesenquimal
A neoplasia mesenquimal de cavidade nasal é incomum. Entretanto, quando
presentes, os tumores mesenquimais mais comuns são o osteossarcoma, o
fibrossarcoma e o condrossarcoma (Fig. 5-17). Quando presentes, os condrossarcomas
são mais frequentes em cães jovens com possível aumento no risco em raças de
médias a grandes (Lana e Withrow, 2001). As amostras citológicas são tipicamente de
baixa celularidade que consiste em agregados frouxos de células ovais, volumosas ou
fusiformes, individualizadas e ocasionalmente pequenas (Fig. 5-18A e B). Os bordos
citoplasmáticos são tipicamente alterados e as células neoplásicas podem conter de
pouco a moderado número de grânulos citoplasmáticos bem eosinofílicos a
arroxeados. A matriz pode ser observada como um material fibrilar corrente, brilhoso
e eosinofílico, muitas vezes associada a células neoplásicas. Entretanto, esse material
é facilmente confundido com muco e a presença ou ausência de material corrente
eosinofílico em um preparado citológico não deve ser utilizada para diferenciar o tipo
de neoplasia.
Figura 5-17 Sarcoma de seio frontal. Aspirado. Cão. Diversas células pleomórficas
individualizadas de forma oval a fusiformes estão presentes em um fundo de eritrócitos. Diversas
células contêm grânulos azurófilos palidamente polvilhados vistos em algumas neoplasias
mesenquimais. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)

Figura 5-18 Condrossarcoma nasal.Imprintde tecido. Cão. O mesmo caso A–B. A, Histórico
de descarga nasal seroso por 3 meses e ruídos de gorgolejo das narinas. O apresentado são células
pleomórficas individualizadas que mostram uma grande proporção núcleo-citoplasma. Diversas formas
binucleadas são observadas. (Wright-Giemsa; Óleo HP.) B, A matriz é observada como magenta
salpicado, material fibrinoso intimamente associado a agregados de população neoplásica (setas).
(Wright-Giemsa; Óleo HP.)
(A, Cortesia de Rose Raskin, University of Florida.)

O diagnóstico citológico de neoplasia mesenquimal é complicado por diversos


fatores. Muitas vezes, neoplasia mesenquimal é pouco esfoliada levando a uma
amostra contendo apenas poucas células fusiformes pleomórficas para avaliação.
Ainda, uma inflamação significativa pode induzir uma fibroplasia reativa que pode
dificultar a caracterização de um fibrossarcoma. Nesse caso, a avaliação citológica
juntamente com um exame físico e informações de histórico e radiografia aumenta o
índice de suspeita de neoplasia mesenquimal, justificando a biópsia com exame
histopatológico para um diagnóstico definitivo. Além disso, a histopatologia é muitas
vezes necessária para a classificação da neoplasia mesenquimal, pois os tumores
mesenquimais mais comuns frequentemente carecem de características citológicas
definitivas. Outros tipos de tumores mesenquimais que envolvem as vias aéreas
superiores (Tabela 5-2) são incomuns, mas têm características citológicas semelhantes
a sarcomas de tecidos moles em diversos aspectos.

Neoplasia de Células Silenciosas


Os tumores de células silenciosas (células redondas) como o linfoma, plasmocitomas,
mastocitomas e tumor venéreo transmissível podem ocorrer na cavidade nasal. Esses
tumores fornecem preparados altamente celulares compostos de células redondas,
individualizadas, neoplásicas e discretas com bordos citoplasmáticos distintos. A
morfologia se assemelha aos vistos em outros lugares.

O linfoma é o tumor celular mais distinto relatado em cavidades nasais de cães e


gatos. Em gatos, a maioria dos linfomas nasais é de origem de células B, embora
linfomas de células T na cavidade nasal também tenham sido relatados (Day et al.,
2004; Mukaratirwa et al., 2001). O linfoma de cavidade nasal tende a ser
caracterizado por uma população monomórfica de tamanho médio a grande,
linfoblastos imaturos com citoplasma escasso e profundamente basofílico, núcleos
grande e redondo, cromatina finamente granular e nucléolos únicos ou múltiplos (Fig.
5-19). Os carcinomas nasais anaplásicos (Fig. 5-15A) podem se individualizar e se
assemelhar a linfoma, mas a presença de células muito grandes e ocasionalmente
formando uma camada irá auxiliar na realização de um diagnóstico correto. Deve-se
tomar cuidado para diferenciar o linfoma de uma hiperplasia linfoide ou um pólipo
inflamatório (Fig. 5-7A). Na hiperplasia linfoide, uma população heterogênea de
linfócitos e plasmócitos está presente, com a predominância de linfócitos pequenos e
maduros e poucos linfócitos de tamanho intermediário e linfoblastos. Em alguns
casos, o linfoma é caracterizado pela predominância de linfócitos de tamanho
intermediário com aumento na quantidade de citoplasma e nucléolos lisos com
ausência de cromatina. Mais problemáticos são os casos em que a população
neoplásica consiste em linfócitos pequenos e bem diferenciados. Nesses casos
questionáveis, a histopatologia é indispensável para o diagnóstico definitivo de
linfoma.
Figura 5-19 Linfoma nasal.Imprintde massa. Gato. População monomórfica de células grandes e
redondas com citoplasma escasso, núcleos irregularmente redondos e nucléolo único evidente. O
histórico inclui uma congestão nasal de 1 ano de duração. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)
(Cortesia de Rose Raskin, University of Florida.)

O tumor venéreo transmissível canino (TVT) é uma neoplasia contagiosa


envolvendo a genitália externa de ambos os sexos com pouca incidência de metástase.
A propagação para a cavidade nasal é através de uma implantação secundária do
tumor genital primário; entretanto, existem diversos relatos de TVT intranasal
primário (Ginel et al., 1995; Papazoglou et al., 2001; Perez et al., 1994). Os
preparados citológicos revelam um grande número de uma população monomórfica
de células grandes e redondas com citoplasma abundante, de leve a moderadamente
basofílica contendo numerosos e distintos vacúolos. Os núcleos são redondos com
cromatina de grosseira a filamentosa com um a dois nucléolos grandes e
proeminentes. Mitoses são frequentemente observadas (Fig. 5-20).

Figura 5-20 Tumor venéreo transmissível.Imprintde massa nasal. Cão. Altamente celular,
população moderadamente pleomórfica de células discretas com citoplasma pálido abundante,
cromatina filamentosa e nucléolo distinto. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)
Sarcoma Histiocítico
A neoplasia histiocítica canina pode se apresentar em um processo tanto localizado
como disseminado. Os sarcomas histiocíticos localizados tendem a surgir da subcutis,
mas ocasionalmente se originam de outros lugares incluindo a cavidade nasal
(Affolter e Moore, 2002). A morfologia celular nesse relato varia de lugar para lugar,
bem como no interior de diferentes nódulos do mesmo tumor; entretanto, são
similares no fenótipo e na variação daqueles descritos anteriormente.

Neoplasias Diversas
Oncocitoma de cavidade nasal são pouco relatados em cães e gatos (Doughty et al.,
2006) (Seção de oncocitoma laríngeo para discussão das características).

Melanoma intranasal e de seios parece ser incomum, mas tem sido relatado em cães
(Hicks e Fidel, 2006) e gatos (Mukaratirwa et al., 2001).

Laringe

Aspectos Anatômicos e Histológicos


A laringe é uma porção musculocartilaginosa do trato respiratório superior que
engloba as cordas vocais, cartilagem aritenoide e glote. A laringe é composta de
cartilagem elástica revestida com epitélio estratificado com coleções de tecido linfoide
disseminada pela lâmina própria.

Coleta de Amostra
Sibilos respiratórios, dispneia e mudanças ou perda do tom de voz sugerem doença
laríngea. A avaliação citológica da laringe é a mais útil para a caracterização da
presença de massas, processos infiltrativos ou doenças inflamatórias e depende da
obtenção de amostras adequadas e representativas. As massas laríngeas, mesmo
sendo incomuns, podem ser detectadas e estabilizadas pela palpação para a
amostragem. As radiografias podem ser úteis para detectar e localizar as massas, mas
a interpretação pode ser dificultada pela variação entre as raças e sobreposição de
tecidos moles. A avaliação ultrassonográfica permite uma melhor visualização de
massas laríngeas e para guiar uma PAAF. Aspirados guiados por ultrassonografia
através das cartilagens laríngeas ventrais não são associados a complicações
significativas, mesmo em gatos (Rudorf e Brown, 1998).
A laringoscopia permite uma visualização direta e a amostragem de massas
laríngeas, mas requer anestesia. Um spray de lidocaína pode ser necessário para um
exame e amostragem completa devido a laringoespasmo, especialmente em gatos. As
massas observadas durante a laringoscopia podem ser diretamente coletadas por
PAAF ou citologia de escova, ou uso de pinça-jacaré para biópsia, usado para biópsia
por avulsão para imprints citológicos de contato. Amostras intraluminais podem ser
associadas a hemorragia significativa e edema, particularmente em gatos, o que pode
levar a uma obstrução laríngea.

Aspectos Citológicos Normais e Inflamatórios

Normal
As amostras de uma laringe normal são escassamente celulares e são observadas
apenas células epiteliais escamosas dispersas. Aspirados ocasionais ou amostras por
escovação podem apresentar pequenos agregados de linfócitos bem diferenciados
juntamente com células epiteliais.

Inflamação
As causas mais comuns de laringite em cães e gatos são as infecciosas (p. ex.:
traqueobronquite infecciosa, rinotraqueíte) ou resultado de uma irritação local por
inalação, intubação ou tosse crônica. A mucosa laríngea e cordas vocais se
apresentam avermelhadas, espessadas e frequentemente edematosas sem evidências
da presença de massas. Inflamação supurada é comumente presente, embora seja rara
a observação de agentes etiológicos. A hemorragia é identificada pela presença de
macrófagos eritrofagocíticos, enquanto edema é caracterizado pela presença de fundo
fluido basofílico, granular e proteináceo. Na inflamação crônica, normalmente ocorre
fibrose e ossificação, resultando em aspirados celulares esparsos contendo raras
células fusiformes.

Laringite Granulomatosa
A laringite granulomatosa é uma síndrome distinta, mas incomum em cães e gatos,
que pode mimetizar a aparência de neoplasia tanto visualmente quanto
citologicamente (Oakes e McCarthy, 1994; Tasker et al., 1999a). Massas podem ser
grandes e obstruir a luz laríngea. A aparência citológica é similar a outras lesões
granulomatosas e é caracterizada pela presença de um grande número de macrófagos
epitelioides. Os linfócitos também podem estar presentes. Em lesões crônicas, a
fibroplasia é proeminente e aspirados revelam aumento no número de células
fusiformes, arredondadas e moderadamente pleomórficas facilmente confundidas com
neoplasia mesenquimal. Agentes etiológicos não são observados e a causa primária de
laringite granulomatosa é desconhecida.

Hiperplasia Reativa Linfoide


A hiperplasia reativa linfoide pode ocorrer secundária a desordens infecciosas,
inflamatórias ou neoplásicas da laringe. A hiperplasia reativa é diferente de linfoma
pela população heterogênea de linfócitos, progressão ordenada de linfoblastos a
pequenos linfócitos e a presença de plasmócitos e/ou outras células inflamatórias,
como neutrófilos, macrófagos e eosinófilos.

Neoplasia Laríngea
Tumores de laringe são incomuns em pequenos animais; entretanto, tumores
laríngeos primários têm sido identificados tanto em cães quanto em gatos. Esses
tumores crescem dos componentes epiteliais ou musculocartilaginosos da laringe, ou
de nódulos linfoides. O linfoma é o tumor laríngeo mais relatado em gatos, seguido de
carcinoma de células escamosas. Em cães, predominam os carcinomas e CCE.

Linfoma
Linfoma da laringe tem a mesma diversidade na aparência dos linfomas de outros
locais. Tipicamente, é observada uma população uniforme de linfoblastos (Fig. 5-21).
O diagnóstico citológico de linfoma de células intermediárias ou pequenas é difícil
pela aparência uniforme e bem diferenciada dos linfócitos. Nesses casos, é necessária
uma biópsia e exame histopatológico para o diagnóstico.
Figura 5-21 Linfoma. Aspirado de tecido. Grandes linfoblastos com citoplasma escasso e
profundamente basofílico, cromatina delicada e nucléolo evidente. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)

Carcinoma de Célula Escamosa


Como a laringe é revestida por células epiteliais escamosas, é necessária a certeza de
que amostras profundas obtidas por swab, esfregaços ou aspirados superficiais
resultem em uma esfoliação da superfície de revestimento escamoso. Os aspirados de
CCE tendem a apresentar uma celularidade moderada. A morfologia celular
individual varia de células epiteliais escamosas de basal a totalmente queratinizada
(Fig. 5-22A e B). As células basais são imaturas, de cuboides a redondas, células
epiteliais com citoplasma profundamente basofílico, núcleos centrais grandes,
cromatina áspera e nucléolos proeminentes. Células escamosas maduras são grandes
com bordos angulares e contêm citoplasma homogêneo abundante e núcleos
picnóticos ou cariorréticos. A presença isolada de células escamosas na amostra
laríngea não deve ser interpretada como CCE. São necessários estágios múltiplos de
desenvolvimento celular epitelial, pleomorfismo celular e presença de maturação
citoplasmática e nuclear assincrônicas para o diagnóstico citológico de CCE.
Inflamação supurativa é comumente associada a CCE e pode confundir o diagnóstico
como uma inflamação pode induzir uma displasia escamosa.
Figura 5-22 Carcinoma de células escamosas. A, Aspirado de tecido. Epitélio escamoso
pleomórfico em diversos estágios são evidentes associados a inflamação supurativa. (Wright-Giemsa;
× 50.) B, Massa laríngea. Gato. Os sinais clínicos incluíram dispneia de curta duração. Secções de
tecidos demonstraram ilhas de células escamosas neoplásicas que se insinuavam para tecidos mais
profundos. Linfócitos, plasmócitos e neutrófilos também estão presentes indicando uma inflamação
crônica ativa. (H&E, IP.)
(B, Cortesia de Rose Raskin, University of Florida.)

Carcinoma
O carcinoma de laringe é mais prevalente em cães do que em gatos. Aspirados são
moderadamente celulares e contêm aglomerados ou camadas de células epiteliais
aderentes com núcleos redondos e localizados centralmente, cromatina
grosseiramente agregada e citoplasma basofílico. Carcinomas bem diferenciados são
caracterizados por uma população relativamente uniforme de células epiteliais com
anisocitose apenas de leve a moderada e anisocariose e nucléolos únicos ou
indistintos. Carcinomas pouco diferenciados apresentam pleomorfismo de moderado a
abundante entre amontoados de células assim como células do mesmo agregado.
Adenocarcinomas laríngeos são extremamente raros; mas a formação acinar ou
estruturas ductais não são características citológicas de carcinomas laríngeos.

Além dos tumores decorrentes da laringe, carcinomas de tireoide perilaríngeos


(Cap. 16) podem invadir a laringe e deve ser considerado como diferencial.

Oncocitoma Laríngeo
O oncocitoma é um tumor relativamente comum da laringe em pequenos animais,
especialmente em cães jovens. Um oncocitoma laringeal se apresenta tipicamente
como uma massa bem circunscrita se projetando do ventrículo laríngeo. Relatos
antigos de oconcitomas laríngeos em cães (Bright et al., 1994; Pass et al., 1980) foram
revisados posteriormente (Meuten et al., 1985) e parecem ter uma origem muscular.
Os oncocitomas são tumores benignos se originando de oncócitos (células oxifílicas)
que parecem ser de origem neuroendócrina, embora a origem dessas células
permaneça indefinida. Outros acreditam que essas células se originem da
transformação de células epiteliais glandulares ductais ou seromucosas (Doughty et
al., 2006). Citologicamente, o tumor é composto de células epiteliais pleomórficas,
grandes, pouco coradas com citoplasma de abundante e esponjoso a vacuolado. Os
núcleos são grandes, redondos a ovais e localização central com cromatina finamente
agregada e tipicamente contém nucléolo único e indistinto. Anisocitose e anisocariose
são comuns. Muitas vezes, o tumor contém grandes áreas de hemorragia que pode
levar a amostras hemodiluídas com poucas células neoplásicas. Rabdomiomas e
tumores de células granulares também podem ser originados da laringe e podem
necessitar de exames por microscopia eletrônica para diagnóstico definitivo (Tang et
al., 1994). Os oncocitomas possuem números abundantes de mitocôndrias no
citoplasma e evidenciam citoqueratina (Doughty et al., 2006), enquanto tumores de
células granulares se coram positivamente para vimentina, S-100 e NSE (Patnaik,
1993). Veja a Tabela 5-3 para uma lista de características distintas entre os diversos
tipos similares de neoplasias laríngeas.
Tabela 5-3 Características Comparativas de Diagnóstico de Tumores Laríngeos Citologicamente
Similares

Neoplasia Mesenquimal
Tumores originários de componentes musculocartilaginosos são raros, mas incluem o
leiomioma, leiomiossarcoma, fibrossarcoma (Fig. 5-23A e B), condrossarcoma,
osteossarcoma, rabdomiossarcoma e rabdomioma (Figs. 5-24 e 5-25A e B). O
melanoma maligno e tumores de células granulares também podem se originar da
região laríngea em cães. Em geral, esses tumores se assemelham com seus homólogos
originando em locais mais comuns, embora oncocitomas e rabdomiomas possam ser
de difícil diferenciação sem a utilização de diagnósticos adicionais como a microscopia
eletrônica ou coloração imuno-histoquímica para desmina, mioglobina ou actina
(Tabela 5-3). Rabdomiomas laríngeos (Fig. 5-25 A e B) apresentam células roliças e
grandes com citoplasma de abundante granular ou esponjoso a vacuolado. Os núcleos
são grandes, de redondos a ovais e de localização central com cromatina finamente
agregada e tipicamente contém um nucléolo único e indistinto. Anisocitose e
anisocariose são comuns. O tumor frequentemente contém grandes áreas de
hemorragia, que pode levar a amostras hemodiluídas com poucas células neoplásicas.
Rabdomiomas são citologicamente semelhantes aos oncocitomas de outros locais.
Ultraestruturalmente, os oncocitomas e rabdomiomas ou rabdomiossarcomas contêm
numerosas mitocôndrias e podem ser distinguidos pela presença de miofibrilas e
bandas-Z como evidência de origem muscular (Tang et al., 1994). O diagnóstico
definitivo de tumores de origem muscular é realizado com coloração por imuno-
histoquímica para desmina, mioglobina ou actina (Barhart e Lewis, 2000; Meuten et
al., 1985).

Figura 5-23 Fibrossarcoma laríngeo. Mesmo caso A–B. A,Imprintde massa. Gato. Agregados
de células aparentemente mesenquimais em um animal com disfonia com duração de um mês e
dispneia recente (Wright em base aquosa, Óleo HP.) B, Uma matriz intercelular eosinofílica está
associada a células neoplásicas. Os núcleos são de ovais a redondos com cromatina granular e
nucléolos pequenos. Os bordos citoplasmáticos são delgados e indistintos. A imuno-histoquímica foi
negativa para marcadores musculares. (Wright em base aquosa, Óleo HP.)
(A e B, Cortesia de Rose Raskin, University of Florida.)

Figura 5-24 Imprintde massa laríngea. Cão. Células de diferentes tamanhos, cuboides a
poligonais com moderada quantidade de citoplasma amorfo, esponjoso a granular. Oncocitoma e
rabdomioma seriam os diferenciais para esta aparência citológica e testes diagnósticos adicionais são
necessários para diferenciar as duas neoplasias. Microscopia eletrônica e imuno-histoquímica
indicaram que esta massa tem origem muscular (Wright-Giemsa; Óleo HP.)
(A lâmina de vidro é material de cortesia de Shawn P. Clark et al., Purdue University; apresentado na seção de relato de caso no ASVCP

2002.)

Figura 5-25 Rabdomioma laríngeo.Imprintde massa. Cão. Mesmo caso A–B. A, Amostra
altamente celular com população monomórfica de células grandes com aparência epitelioide com
citoplasma abundante eosinofílico. Vacúolos grandes, distintos e claros estão presentes dentro de
diversas células. (Wright em base aquosa, Óleo HP.) B, Os núcleos estão geralmente redondos com
cromatina condensada e nucléolos pequenos, evidentes únicos ou múltiplos. O citoplasma contém
vacúolos grandes que deslocam o núcleo ou grânulos róseos grandes. Os vacúolos se apresentavam
negativos para lipídeos ou glicogênio. As células neoplásicas foram positivas para actina sarcomérica,
confirmando a sua origem muscular. (Wright em base aquosa; Óleo HP.)
(A e B, Cortesia de Rose Raskin, University of Florida.)

Cistos Laríngeos e Mucoceles


Os cistos laríngeos e mucoceles salivares são achados incomuns na laringe. Aspirado
de fluido do cisto é tipicamente de baixa celularidade e varia na aparência de claro a
leitoso. Os mucoceles contêm macrófagos, neutrófilos não degenerados e talvez
células epiteliais salivares vacuoladas. Em um único relato de mucocele laríngeo,
apresentavam estruturas anucleadas basofílicas amorfas, de tamanhos variados e
sugeriam presença de saliva espessada (Wiedmeyer et al., 2003).

Traqueia, brônquios e pulmões

Anatomia e Histologia Normal de Vias Aéreas e Pulmão


Os componentes anatômicos restantes das passagens aéreas incluem a traqueia, os
brônquios, os bronquíolos e os alvéolos. A traqueia se estende da base da laringe para
a Carina e é composta de anéis cartilaginosos incompletos sustentados por tecido
conjuntivo e musculatura lisa revestida por epitélio ciliado e pseudoestratificado. A
transição para o epitélio pseudoestratificado inicia quando a laringe começa a se
mesclar com a traqueia e se estende até os brônquios. Células caliciformes são
normalmente encontradas no epitélio traqueal. Os brônquios são estruturalmente
similares à traqueia, entretanto, os anéis cartilaginosos bronquiais são completos,
diferentes dos com forma de C. Vias aéreas menores ou bronquíolos não têm suporte
cartilaginoso, são compostos por músculo liso e são revestidos por epitélio cúbico
ciliado e não ciliado. Os bronquíolos terminais ramificam-se nos bronquíolos
respiratórios que, posteriormente se dividem em ductos alveolares, sacos alveolares e
alvéolos. Os alvéolos são revestidos por epitélio achatado (pneumócitos tipo I) com
números menores de células de epitélio cuboide (pneumócitos tipo II). Os
pneumócitos tipo I tipicamente cobrem mais de 90% da superfície alveolar. Os
pneumócitos tipo II são responsáveis pela síntese de surfactante pulmonar. Há uma
rede de apoio de tecido conjuntivo subjacente ao epitélio que consiste em fibras
delgadas reticulares, colagenosas e elásticas com eventuais fibroblastos. No
entrelaçamento entre os alvéolos, existe um grande número de capilares. O pulmão
tem uma população residente de macrófagos que existe essencialmente nos alvéolos.
Quando ativados, os macrófagos alveolares crescem e se apresentam altamente
vacuolados e fagocíticos. As vias aéreas contêm focos de tecido linfoide associado aos
brônquios (TLAB) assim como glândulas submucosas cujo produto da secreção varia
de seroso a mucoso, localizadas na submucosa e na lâmina própria. Essas podem ser
amostradas durante a avaliação do trato respiratório, caso o epitélio sobrejacente
esteja danificado.

Técnicas de Coleta
Lavado transtraqueal (LTT) e lavado bronquioalveolar (LBA) são relativamente
procedimentos simples e baratos com grande potencial diagnóstico. As amostras
podem ser utilizadas para exame citológico em doenças de trato respiratório assim
como para cultura e antibiograma. Em animais com doença respiratória, é
importante a obtenção de amostras citológicas de uma maneira que abranja um
grande número de células bem preservadas. As indicações para amostragem das vias
aéreas são por evidências clínicas e/ou radiográficas de doenças respiratórias.
Lavados traqueais são úteis para exame de vias aéreas maiores, enquanto a lavagem
bronquioalveolar foca vias aéreas menores e alvéolos. É importante notar que estudos
demonstram que 68% dos casos apresentam diferentes características citológicas no
fluido do LTT em relação a fluido de LBA, portanto, é essencial que a interpretação
dos resultados seja realizada com base na técnica utilizada (Hawkins et al., 1995).
Essas técnicas permitem identificar processos inflamatórios nos pulmões sem o risco
de uma biópsia pulmonar. Como os riscos são mínimos, o manejo, o transporte e a
preparação das amostras de forma apropriada são essenciais para um diagnóstico
acurado e completo. Há múltiplas técnicas para a coleta de trato traqueobrônquico e
diversas dessas técnicas serão relatadas.

Lavado Transtraqueal
O objetivo de um lavado transtraqueal é a coleta de fluidos e/ou células da traqueia
de maneira estéril. Amostra de vias aéreas pode ser alcançada por penetração direta
através da parede traqueal ou por tubo endotraqueal. A primeira técnica é
normalmente reservada para cães grandes e a segunda realizada em cães pequenos e
gatos.

O aspirado direto do lúmen traqueal pode ser realizado entrando através do


ligamento cricotireoide ou entre os anéis traqueais. O animal deve ser posicionado em
decúbito esternal para ambas as técnicas. A sedação é opcional, dependendo do
comportamento do paciente. Anestesia geral prejudica o reflexo de tosse necessário
para adquirir uma amostra adequada e normalmente não é usada para procedimentos
de LTT. A esterilidade deve ser mantida, logo, a área do ligamento cricotireoide deve
ser tricotomizada e preparada cirurgicamente e luvas estéreis devem ser utilizadas no
procedimento. O ligamento cricotireoide é palpável como um entalhe entre a tireoide
e a cartilagem crioide da laringe. Deve-se injetar lidocaína na pele e no tecido
subcutâneo adjacente a esta área. Um cateter jugular de calibre 16 a 19 é utilizado
para a lavagem dependendo do tamanho do animal. Geralmente, um cateter de
calibre 16 é recomendado para cães pesando mais de 22 quilos; um cateter de calibre
18 ou 19 pode ser utilizado em cães pesando de 1 a 22 quilos e um cateter de calibre
19 é recomendado para cães e gatos pesando menos que 1 quilo. A agulha do cateter
deve ser inserida com bisel para baixo, pela pele onde a lidocaína foi injetada. A
agulha é atravessada pelo ligamento num ângulo descendente para evitar laceração e
diminuir o risco de contaminação orofaríngea. O cateter é passado através da agulha,
aproximadamente na altura da carina (quarto espaço intercostal). Nesse momento, a
agulha é removida, deixando o cateter no local. Aproximadamente 0,1 a 0,2 mL/kg
de soro fisiológico morno, estéril e não bacteriostático deve ser injetado rapidamente
para induzir tosse. A seringa é desconectada e substituída por outra seringa vazia
para aspiração (Fig. 5-26). A aspiração é repetida até que nenhum fluido seja
coletado. O procedimento é repetido então com o soro fisiológico restante.

Figura 5-26 Procedimento de lavagem transtraqueal. Injeção de soro fisiológico seguido da


colocação correta de um cateter através do ligamento cricoide em um cão.
(Cortesia de Robert King, University of Florida.)

Esse método tem a vantagem de que não é necessária uma anestesia geral.
Também, a chance de contaminação orofaríngea é pequena, embora ainda seja
possível que o cateter entre cranialmente e através das dobras vocais da laringe.
Complicações com essa técnica são raras, mas pode incluir enfisema subcutâneo,
laceração traqueal, hemorragia, hemoptise, pneumomediastino e/ou pneumotórax
(Rakich e Latimer, 1989).

Um método alternativo é a realização da LTT por um tubo endotraqueal. É


necessária uma anestesia geral para a colocação do tubo endotraqueal. Deve-se tomar
o cuidado para que a ponta do tubo endotraqueal não seja contaminada na
orofaringe. Depois da intubação, o balonete é inflado e o animal posicionado em
decúbito lateral. Um cateter jugular ou um cateter urinário de polipropileno é
inserido pelo tubo endotraqueal e estendido até a carina. Tubo de borracha vermelha
não deve ser utilizado, pois se colapsam facilmente durante a aspiração de material
viscoso como muco (Smallwood e Zenoble, 1993). Uma vez que o cateter estiver
posicionado, o soro fisiológico é instilado e coletado como descrito antes.

Lavagem Broncoalveolar
A lavagem broncoalveolar é utilizada para amostras de vias aéreas menores e
alvéolos e, portanto, mais eficientes do que a LTT para amostragem de trato
respiratório inferior. Assim como para lavagem traqueal, existem diversas técnicas
para LBA, cada um com vantagens variáveis. As duas técnicas que serão descritas são
a broncoscopia e LBA por tubo endotraqueal.
A broncoscopia é um excelente método para a obtenção de amostras de LBA. São
necessários equipamentos específicos e o animal deve ter o tamanho adequado para
permitir a colocação do broncoscópio além do brônquio primário. O uso de
endoscópios flexíveis que são menores que 5 mm no seu diâmetro externo para
broncoscopia em gatos tem sido relatado como altamente produtivo para amostras de
LBA para diagnóstico com complicações mínimas (Johnson e Drazenovich, 2007). O
animal deve ser mantido sob anestesia geral. Após a colocação do tubo endotraqueal,
o broncoscópio de fibra óptica é passado através do tubo endotraqueal para permitir
a visualização da traqueia e do brônquio primário (Fig. 5-27). Se for radiografado
antes da colocação do broncoscópio, lobos específicos do pulmão podem ser
selecionados de acordo com a localização ou severidade da lesão. Soro fisiológico
morno e estéril é injetado através do canal de biópsia num volume de 5 mL/kg e pode
ser aspirado pela mesma seringa aplicando-se uma sucção delicada (Hawkins e
DeNicola, 1995). O soro fisiológico pode ser injetado em um grande bolus ou em 2 a 3
alíquotas (Rakish e Latimer, 1989). Múltiplos lobos pulmonares devem ser lavados
para aumentar a oportunidade de identificar agentes etiológicos ou células com
características de malignidade. É aconselhável manter o animal sob suplementação de
oxigênio após o procedimento, senão durante, para diminuir os riscos de hipóxia. As
vantagens dessa técnica incluem a capacidade de visualização das vias aéreas, a
escolha do lobo a ser lavado e para biópsia de massas, se observadas (McCauley et al.,
1998).

Figura 5-27 Procedimento de LBA. Colocação de um endoscópio de fibra óptica através do tubo
endotraqueal, seguido de injeção de soro fisiológico.
(Cortesia de Robert King, University of Florida.)
Se um broncoscópio não estiver disponível ou o paciente for muito pequeno para
que a fibra ótica passe pelo tubo endotraqueal ou além dos brônquios primários, uma
LBA deve ser realizada pelo tubo endotraqueal (Hawkins et al., 1994). O
procedimento foi bem descrito em gatos, mas também pode ser realizado em cães.
Novamente, é necessária uma anestesia geral. Após a intubação, o animal é
posicionado em decúbito lateral, com o lado mais afetado para baixo. Após inflar o
balonete do tubo endotraqueal, um adaptador de seringa é acoplado no final do tubo.
Três alíquotas de fluido (soro fisiológico morno e estéril) devem ser utilizadas num
total de 5 mL /kg. A primeira alíquota deve ser injetada rapidamente e seguida da
aplicação de sucção imediata utilizando a mesma seringa até que não seja mais obtido
nenhum fluido. Tal procedimento é repetido para a segunda e terceira alíquotas. A
parte traseira do animal deve estar elevada para que auxilie no retorno do fluido.
A LBA resulta em edema localizado, distensão alveolar, congestão de leve a
moderada e colapso alveolar. A principal complicação da técnica de LBA é uma
hipóxia transitória que é associada à negligência na observação e incapacidade de
ventilação/perfusão (Hawkins et al., 1995). O paciente deve ser suplementado com
oxigênio por 5 a 20 minutos após a LBA e monitorado com um oxímetro de pulso, se
disponível.

A amostra deve ser imediatamente colocada em gelo e citocentrifugada em 30 a 60


minutos da coleta para melhores resultados (Hawkins et al., 1990; Latimer, 1993). É
recomendável dividir as amostras da LBA em duas porções: uma porção para ser
colocada em um tubo com EDTA para preservar a morfologia celular e outra porção
para ser colocada em um recipiente estéril que não contenha anticoagulantes para
uma possível cultura microbiológica. Neutrófilos e macrófagos podem fagocitar
hemácias, bactérias extracelulares e outros debris, caso a amostra não seja preparada
dentro do período recomendado, portanto levando a interpretação errônea da
amostra.

A contagem celular pode ser realizada em um hemaciômetro comum ou em um


contador automático de células. A precisão dessas contagens pode ser questionada
devido à presença de grande quantidade de muco e à falta de padronização das
técnicas, porém a contagem celular é decisiva após a LBA para estabelecer a
adequação da amostra (Hawkins e DeNicola, 1989). Se houver menos de 250 células/
μL, o procedimento deve ser repetido. Estudos recentes têm sugerido que a utilização
de diluição em ureia padroniza os componentes celulares e não celulares da amostra
fluida da LBA para análise mais adequada de contagem de células nucleadas no fluido
que reveste o epitélio (Mills e Litster, 2006). O processo de padronização para
amostragem necessita ser implantado no hospital para certificar a interpretação
acurada de amostras de LBA.
A amostra deve ser examinada visualmente e, se forem observadas grandes placas
de muco, preparações de macerados devem ser realizados quando células e
organismos estiverem incorporados em muco. O componente celular do fluido deve
ser concentrado. A citocentrifugação é a técnica preferencial, se disponível. Como
alternativa, a amostra pode ser centrifugada a 450 g (1.000 RPM) por 10 minutos e o
sobrenadante é removido, reservando 50 a 100 μL para ressuspender o grumo celular.
Um esfregaço direto do concentrado pode ser realizado dessa amostra.

Escovação Bronquial
As escovações bronquiais são obtidas pela utilização de broncoscopia. Achados
citológicos podem ser similares ao encontrados pela LBA, entretanto, em cães com
tosse crônica a escovação bronquial e mais sensível para detectar a presença de
neutrófilos é inflamação supurada (Hawkins et al., 2006). Portanto, a obtenção de
amostras por ambos os métodos tanto de lavagem como de escovação podem ser úteis
em determinados casos.

Punção Aspirativa por Agulha Fina Transtorácica


A PAAF transtorácica é um excelente método de diagnóstico para a obtenção de
material de parênquima pulmonar para avaliação citológica. Essa técnica é mais
indicada quando uma doença parenquimal difusa ou massas discretas ou massas são
identificadas por técnicas de imagem, com lesões discretas produzindo amostras de
maior qualidade do que com envolvimento intersticial difuso. Como um diagnóstico
específico não pode ser estabelecido em todos os casos, a PAAF é útil para classificar
as lesões como inflamatórias ou neoplásicas (Wood et al., 1998).

Como aspirados de parênquima pulmonar não apresentam potencial para


complicações, especialmente em pacientes moribundos ou nos que apresentam
dificuldade respiratória severa, tais complicações são menores do que com
toracotomia ou biópsia transtorácica e são mínimas se a massa estiver adjacente à
parede torácica (Teske et al., 1991). Um coagulograma deve ser realizado antes da
PAAF transtorácica, incluindo contagem de plaquetas, tempo de protrombina (TP) e
tempo de ativação parcial de tromboplastina (TAPT). Pacientes com hemostasia
anormal têm um risco maior de hemorragia severa após a PAAF do pulmão.
O paciente deve ser posicionado em decúbito lateral ou permanecer em pé.
Entretanto, a contenção adequada é fundamental. Se o paciente apresentar angústia
ou lutar, pode ser necessária uma sedação para minimizar os riscos. Pode-se injetar
anestésico local no bordo anterior do espaço intercostal, pois os vasos e nervos
intercostais estão localizados na parte posterior de cada costela. A visualização da
massa ou do local a ser aspirado por ultrassom é o ideal, pois permite a colocação da
agulha diretamente na lesão guiada por imagem, aumentando a probabilidade de que
seja obtida a amostra diagnóstica. A ecoendoscopia é uma técnica útil quando não for
possível utilizar a ultrassonografia tradicional devido à presença de ossos no trajeto
ou quando a área a ser examinada é além da profundidade de penetração normal. O
ecoendoscópio é único e nele há um transdutor ultrassonográfico na ponta de um
endoscópio normal. Amostras de PAAF de massas pulmonares podem ser obtidas
utilizando-se essa técnica (Gaschen et al., 2003). Se o ultrassom não estiver
disponível, uma cuidadosa localização da lesão utilizando pelo menos duas posições
radiográficas é essencial. O lobo pulmonar caudal direito é normalmente afetado por
doença difusa na amostra. O local ideal para a coleta de amostras é do 7° e 9° espaço
intercostal, com um terço da distância da coluna vertebral para a junção
costocondral. O erro mais comum é incidir no tórax muito caudalmente e aspirar o
fígado.

Se a lesão a ser coletada estiver muito próxima à parede corporal, uma agulha de 2
polegadas e de calibre 22 a 25 acoplada a uma seringa de 3mL pode ser utilizada. Se
a lesão estiver mais profunda, uma agulha de punção espinhal de uso humano de
calibre 22 pode ser necessária para alcançar o local. Em ambos os casos, a agulha é
introduzida através da pele e músculos intercostais num ângulo de 90 graus na
cavidade torácica em uma estocada controlada. Uma vez tendo acesso à cavidade
torácica, aplica-se a pressão negativa puxando levemente o êmbolo da seringa. A
ponta da agulha é avançada na profundidade adequada, estimada por exames
radiográficos ou por visualização ultrassonográfica. A agulha deve ser avançada,
recuada levemente e reintroduzida através da lesão, enquanto se mantém a pressão
negativa. Avançar levemente em diferentes ângulos irá aumentar as chances de obter
amostras significativas e diagnósticas. Entretanto, também irá aumentar o potencial
de complicações. Após a amostragem da lesão, a seringa é retirada, liberando a
pressão negativa na seringa pouco antes da agulha sair da cavidade torácica. O
aspirado deve ser realizado de forma rápida, mas de uma forma controlada. Por causa
do aumento dos riscos de complicação pelo tempo que a agulha permanece na
cavidade torácica, normalmente é mais seguro realizar aspirados múltiplos do que
aspirar continuamente por uma única introdução de agulha.

Normalmente, aspira-se apenas uma pequena quantidade de amostra para dentro


da agulha, com pouco ou nenhum material visível na luz da agulha. A seringa é
desacoplada da agulha, preenchida com ar e reacoplada na agulha. O ar é usado para
expelir o material aspirado que está dentro da luz da agulha para as lâminas a fim de
serem preparadas e coradas. Se houve aspirado de fluido, deve ser transferido para
um tubo com anticoagulante EDTA para análise de fluidos, incluindo concentração de
proteínas e contagem celular, assim como avaliação citológica. Se for aspirado sangue
ou fluido hemorrágico, o procedimento deve ser interrompido e tentado em outro
local. Aspirado somente de ar pode ocorrer em casos de doenças de vias aéreas
estreitas. Nesse caso, o aspirado deve ser repetido com cautela, pois há aumento no
risco de pneumotórax.

O paciente deve ser examinado frequentemente nas primeiras horas após o


aspirado para avaliar a função respiratória e cardíaca. Uma radiografia de tórax deve
ser avaliada uma hora após o aspirado, ou em qualquer momento, se o paciente
apresentar piora na respiração, para avaliar a presença de pneumotórax,
particularmente pneumotórax por hipertensão.

Recursos Citológicos Normais

Citologia Normal da Traqueia e Árvore Brônquica


A traqueia e os brônquios são revestidos por células epiteliais pseudoestratificadas e
ciliadas que são normalmente observadas em fluido traqueal, mas não em amostras
bronquioalveolares (Quadro 5-1). Essas células são alongadas a arredondadas, núcleo
proeminente, citoplasma basofílico com cílios na superfície apical (Fig. 5-28). Muitas
vezes, os cílios se destacam dessas células, caso o preparo da amostra seja retardado e
visualizado livre sobre o fundo. Isso é, portanto, importante para não confundir os
cílios com bacilos. (Andreasen, 2003). Os bronquíolos são revestidos de epitélio
cuboide, entretanto, essas células podem ser visualizadas nas amostras tanto de LTT
quanto de LBA. O epitélio bronquiolar aparece individualmente ou em camadas. Essas
células são de arredondadas a cuboides, têm um citoplasma com conteúdo basofílico
moderado e contêm um núcleo central e redondo.

Quadro 5-1 Comparação de Citologia de Vias Aéreas Normais e


Inflamatórias
Citologia de Vias Aéreas Normais

Células epiteliais colunares ciliadas

Células epiteliais cuboides

Macrófagos, normalmente ativados

Muco

Células caliciformes raras

Alterações Comuns da Inflamação

Células epiteliais hiperplásicas profundamente basofílicas,frequentemente em camadas

Hiperplasia de células caliciformes

Células inflamatórias (p. ex., neutrófilos, macrófagos)

Aumento de muco e espirais de Curschmann

Figura 5-28 Epitélio normal. LTT. Diversas células epiteliais colunares alongadas com cílios
eosinofílicos na superfície apical. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)

As amostras de LBA e LTT de gatos e cães normais são de baixa celularidade.


Amostras de LTT tendem a ser hipocelulares quando comparados a amostras de LBA
(Hawkins et al., 1995). Os macrófagos alveolares são os primeiros tipos celulares
observados em amostras de LTT e LBA (Tabela 5-4). Essas células normalmente
aparecem “ativadas” e contêm numerosos vacúolos pequenos e discretos no
citoplasma repleto de debris fagocitados (Fig. 5-29A e B). Outros leucócitos são
observados em menor frequência. Os neutrófilos normalmente representam menos de
5% a 10% da população de células nucleadas (Hawkins e DeNicola, 1990; Rebar et al.,
1980; Vail et al., 1995), embora sejam relatadas populações de neutrófilos acima de
20% (Lecuyer et al., 1995; Padrid et al., 1991). Outros tipos celulares observados em
menor número incluem linfócitos (5% a 14%), eosinófilos em espécies que não os
gatos (< 5%) e mastócitos (< 2%) (Lecuyer et al., 1995; Padrid et al., 1991; Hawkins
e DeNicola, 1990;Rebar et al., 1980; Vail et al., 1995). Raras células caliciformes
podem ser observadas e não são consideradas achados anormais, a não ser que o
número esteja muito aumentado. As células caliciformes são de tamanho de
macrófagos, aproximadamente, mas contêm citoplasma abundante preenchido com
grânulos uniformes, distintos e fortemente basofílico (Fig. 5-30). Estudos
imunofenotípicos de linfócitos caninos encontrados em fluidos de LBA determinaram
que as subpopulações de linfócitos fossem principalmente de células T com grande
proporção de células CD8 comparados com o sangue, resultando em uma razão de
CD4/CD8 próxima a 1:1 (Dirscherl et al., 1995; Vail et al., 1995).

Tabela 5-4 Contagem Celular Total Esperado e Variação Percentual de Tipos Celulares Observados
em Amostras de Lavados Bronquioalveolares de Cães e Gatos Saudáveis*

Figura 5-29 Macrófagos. LTT. A, As células fagocíticas apresentam citoplasma abundante com
numerosos vacúolos pequenos e discretos. As células mononucleares compõem a maioria das células
nos lavados traqueais e bronquiolares. (Wright-Giemsa; Óleo HP.) B, Numerosos macrófagos estão
presentes nesta amostra, incluindo um com material fagocitado condizente com hemossiderina (seta).
Também estão presentes na amostra neutrófilos e eritrócitos. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)
Figura 5-30 Células caliciformes. LBA. Estas células granuladas podem ser observadas
juntamente com células epiteliais respiratórias. Observe os glóbulos intracitoplasmáticos grandes,
roxos e distintos das células caliciformes. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)

Os números de eosinófilos apresentam grande variação entre cão e gato. Menos de


5% nas amostras é normal em cães (Rebar et al., 1980), enquanto uma variação de
5% a 28% de eosinófilos pode ser vista nas amostras de LBA de gatos saudáveis (Dye
et al., Hawkins et al., 1994, Lécuyer et al., 1995; Padrid et al., 1991). As porcentagens
de eosinófilos nas vias aéreas de gatos aparentemente saudáveis são muito variáveis
e, portanto, devem ser interpretadas cuidadosamente e em correlação com sinais
clínicos e outros resultados de diagnóstico. Os eosinófilos são muitas vezes
negligenciados nas amostras, pois eles podem aparecer diferentes dos eosinófilos
normalmente observados no sangue. Não é incomum apresentarem núcleos não
segmentados (Baldwin e Becker, 1993). Frequentemente, os eosinófilos estão
encapsulados em agregados de muco e são incapazes de se nivelarem resultando em
grânulos corados de vermelho-escuro a marrom, em vez de grânulos de rosa-claro a
vermelho, como seria esperado (Rakish e Latimer, 1989) (Fig. 5-31A e B). Nas
amostras que secaram lentamente (normalmente estas são amostras com amontoado
de muco espesso), os grânulos também escurecem.
Figura 5-31 Eosinófilos. LTT. A, Eosinófilos caninos abundantes de lavado traqueal. Observe que
alguns eosinófilos apresentam lobularidade reduzida de núcleo resultando em células com forma de
feijão ou núcleos redondos. (Wright-Giemsa; Óleo HP.) B, Quando os eosinófilos ficam presos em
muco, eles não se coram bem. Observe os grânulos escuros desses eosinófilos caninos comparados com
A. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)

Citologia Normal de Pulmão


Amostras de tecido pulmonar saudável apresentam escassez celular e contêm
principalmente células epiteliais respiratórias. As células epiteliais respiratórias são
levemente basofílicas, células colunares a cuboides contendo núcleos ovais com
cromatina granular situada para o aspecto basilar da célula (Fig. 5-32). Cílios são
comumente observados na superfície apical. As células caliciformes podem conter
grânulos de rosa a roxo. Pode ser visualizado um pequeno número de macrófagos
alveolares, eritrócitos e leucócitos. A presença de muco é comum nas amostras
respiratórias como faixas de material eosinofílico, mas é normalmente escasso em
aspirados de tecido pulmonar normal. A obtenção de amostra que seja
citologicamente “normal” não exclui a possibilidade de doença pulmonar, mas sugere
que a lesão não foi coletada. Deve-se considerar uma reaspiração.

Figura 5-32 Epitélio de vias aéreas superiores. O epitélio colunar ciliado e células caliciformes
mostrados aqui são típicos dos encontrados na traqueia, nos brônquios ou nos bronquíolos largos. O
epitélio torna-se cuboide nos bronquíolos menores. São mostradas duas células secretoras de muco
com citoplasma esponjoso cinza azulado. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)

Contaminação Orofaríngea
A contaminação orofaríngea é uma complicação associada a diversos procedimentos
de amostragem de vias aéreas. Citologicamente, isso é observado com a presença de
células epiteliais escamosas maduras e queratinizadas, muitas vezes cobertas com uma
população bacteriana mista, incluindo a flora normal da cavidade orofaríngea (Fig. 5-
4A e B). Neutrófilos são habitantes normais da cavidade oral, particularmente
associada a doença odontológica. Amostras de vias aéreas com evidências de
contaminação orofaríngea não podem ser interpretadas corretamente, sendo
impossível de determinar a fonte de inflamação. Raramente, uma amostra que parece
apresentar contaminação orofaríngea pode representar um processo biológico real,
como nos casos de aspirado de material faríngeo ou fístula broncoesofágica (Burton et
al., 1992). Para diferenciar esses processos, o procedimento deve ser repetido com
grande esforço para minimizar uma potencial contaminação orofaríngea.

Inflamação do Trato Traqueobrônquico e Pulmões


A inflamação pode ser classificada como inflamação neutrofílica aguda, ativa crônica
(misto), crônico, eosinofílico, hemorrágico ou neoplásico (Hawkins e DeNicola, 1990).
A população de células inflamatórias muda drasticamente dependendo da causa da
inflamação. Os neutrófilos e eosinófilos são observados em processos mais agudos,
enquanto o aumento no número de macrófagos e linfócitos, somados aos neutrófilos
ou eosinófilos, é mais condizente com inflamação crônica. A inflamação de
parênquima pulmonar consiste na predominância de neutrófilos, eosinófilos,
macrófagos alveolares, macrófagos epitelioides ou população celular mista. O tipo de
inflamação pode sugerir um processo específico de doença (p. ex., grande quantidade
de eosinófilos é observada em doenças alérgicas) ou causa (p. ex., inflamação
granulomatosa com infecção fúngica). O aumento de muco é um achado não
específico e pode estar associado a muitos processos patológicos tanto de etiologia
infecciosa quanto não infecciosa.

Inflamação Crônica
Existem múltiplas causas de bronquite crônica em cães e gatos, incluindo anomalias
congênitas na estrutura das vias aéreas, função anormal dos cílios, infestação
parasitária, infecção viral ou bacteriana e inalação de substâncias nocivas como
fumaça (Padrid e Amis, 1992). Na inflamação crônica, os macrófagos se ativam e
podem ser bi ou multinucleados com citoplasma altamente vacuolado. A inflamação é
proporcionada com uma causa básica, entretanto, a inflamação supurativa é o achado
mais comum. Outras mudanças são consistentes com inflamação crônica, como células
epiteliais hiperplásicas, hiperplasia de células caliciformes e aumento de muco.

A hiperplasia epitelial é uma variação não específica associada a inflamação que


resulta em células epiteliais de diferentes tamanhos e profundamente basofílicas. As
células caliciformes também têm sido observadas em doenças inflamatórias do trato
respiratório. O aumento de muco é comum e pode se apresentar citologicamente
como muco espessado em forma de uma mola espiral justa, também conhecida como
espiral de Curschmann, que lembra uma escova de lavar frascos (Fig. 5-33A e B).
Estes são indicativos de doença de vias aéreas estreitas (Quadro 5-1) (Rebar et al.,
1992).

Figura 5-33 Espiral de Curschmann. A, LTT. Vertentes de muco levemente basofílico e células
mononucleadas aparecem no fundo. Muco espesso forma uma aparência filamentosa distinta
lembrando uma escova de lavar mamadeiras. Estes espirais são evidentes em casos de inflamação
crônica como na bronquite crônica. (Wright-Giemsa; Óleo HP.) B, LBA. Ferida profunda. Vertentes de
muco profundamente basofílico em fundo abundante de muco eosinofílico e células. (Wright-Giemsa;
Óleo HP.)

Inflamação Supurativa
Os neutrófilos são as células principais vistas como parte de um processo inflamatório
supurativo. Os neutrófilos são normalmente associados a inflamação tanto aguda
quanto crônica. Quando o neutrófilo é o tipo celular predominante, a amostra deve
ser examinada de forma cautelosa para agentes infecciosos, particularmente se os
neutrófilos estiverem degenerados (Fig. 5-34A e B). Neutrófilos degenerados ou
neutrófilos cariolíticos apresentam um núcleo inchado e pouco corado que perderam a
discreta segmentação de neutrófilos saudáveis. A cariólise é induzida por substâncias
tóxicas ou liberação de enzima interna. Se a amostra não for processada
imediatamente, os neutrófilos começam a se degenerar pela liberação enzimática
causada pela degeneração celular. Esses neutrófilos irão se apresentar cariolíticos
mesmo na ausência de bactérias. Entretanto, é recomendado que seja feita cultura
para qualquer amostra que contenha neutrófilos cariolíticos.
Figura 5-34 Inflamação supurativa. LBA. A, Amostra de um cão com traqueobronquite
infeccioso. Numerosos neutrófilos bem preservados principalmente não degenerados que raramente
contêm cocos intracelulares (seta). Muco eosinofílico abundante no fundo. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)
B, Amostra de um cão com traqueobronquite infecciosa. Amostra com baixa celularidade, entretanto,
neutrófilos degenerados contendo bactéria intracelular. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)

O aumento de neutrófilos pode ser observado com causas não infecciosas. Os


exemplos incluem neoplasia ou pneumonia por corpo estranho, devido à inalação ou
aspiração de substâncias (Fig. 5-35A e B). O aumento no número de neutrófilos está
presente na primeira alíquota de um LBA. Isso é especulado por causa da aderência
relativa das células do revestimento epitelial (Hawkins et al., 1994). Os valores
relativos e absolutos de neutrófilos aumentam com o subsequente procedimento de
LBA ou LTT.
Figura 5-35 Mesmo caso A–B. A, Reação a corpo estranho com inflamação supurativa.
Baciloscopia. Cão. Pneumonia aspirativa ocorrida após estudo com bário de trato digestório.
Numerosas células contendo cristais reflexivos amarelo-esverdeados e material similar encontrado no
fundo, condizentes com o contraste. (Wright-Giemsa; Óleo HP.) B, Aspiração de bário. Cristais
amarelo-esverdeados são vistos dentro de neutrófilos degenerados. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)
(A e B, Cortesia de Rose Raskin, University of Florida.)

Inflamação Macrofágica e Mista


Os macrófagos alveolares são sempre encontrados em formas agudas ou crônicas de
inflamação e podem ser o tipo celular predominante (Fig. 5-36). Essas células são
grandes, têm citoplasma abundante azul-acinzentado e esponjoso e muitas vezes
vacuolado contendo material fagocitado. Um elemento-chave para ajudar na
identificação de macrófagos alveolares é a posição excêntrica do núcleo, que
normalmente é redonda ou oval. Na doença crônica, podem ser observadas formas
binucleadas ou multinucleadas. Uma resposta inflamatória mista composta de
neutrófilos e macrófagos não degenerados é frequentemente vista em doenças
pulmonares não infecciosas como na pneumonia por inalação, torção de lobo
pulmonar ou necrose secundária a lesão neoplásica.

Figura 5-36 Inflamação macrofágica. LBA. Gato. Este procedimento de diagnóstico foi realizado
para descartar uma condição inflamatória ativa nos pulmões. A população celular consiste
principalmente de macrófagos alveolares distinguidos pelos seus núcleos posicionados
excentricamente. O citoplasma é azul-cinzento com grânulos distintos observados em algumas células.
Estes foram depois identificados como positivos para ferro pelo azul da Prússia e consistente com
hemorragia crônica (Fig. 5-50B&C) (Wright-Giemsa; Óleo HP.)
(Cortesia de Rose Raskin, University of Florida.).

A pneumonia lipídica é uma doença rara descrita em cães e gatos. Essa doença é
classificada também como pneumonia lipídica exógena por inalação de gordura ou
óleo, ou pneumonia lipídica endógena que não é associada à inalação de material
externo (Dungworth, 1993; Lopez, 2000). A pneumonia lipídica endógena foi descrita,
embora rara tanto em gatos (Jerram et al., 1998; Jones et al., 2000) quanto em cães
(Raya et al., 2006). Os sinais clínicos de pneumonia lipídica endógena incluem
dispneia, tosse e expectoração de muco, mas os pacientes podem também serem
assintomáticos (Raya et al., 2006). O diagnóstico dessa doença é facilitado pelo exame
radiográfico, exame de expectoração, aspirado pulmonar, tomografia
computadorizada e/ou LBA. A coloração por Sudan IV irá evidenciar de forma intensa
os vacúolos abundantes e ricos em lipídios nos macrófagos. A histologia dos pulmões
revela pneumonia intersticial multifocal, caracterizada por fibrose intersticial,
acúmulo de macrófagos, linfócitos e um menor número de neutrófilos nos espaços
alveolares, presença de células gigantes multinucleadas e proliferação de pneumócitos
tipo II (Raya et al., 2006). A etiologia exata dessa doença é incerta, entretanto,
suspeita-se que esteja relacionada a doenças que estimulam a obstrução de vias
aéreas. Bronquite crônica, carcinoma broncogênico, carcinoma e Dirofilaria immitis
têm sido coexistentes com pneumonia lipídica endógena tanto em cães como em gatos
(Jerram et al., 1998; Jones et al., 2000; Raya et al., 2006).

Inflamação Granulomatosa
A inflamação granulomatosa caracteriza-se citologicamente pela presença de
macrófagos epitelioides e células gigantes multinucleadas. Os macrófagos epitelioides
são de azul-acinzentados a rosa-claro com bordos citoplasmáticos arredondados,
redondos e bem definidos (Fig. 5-37A). As células são comumente vistas em pequenos
agregados e, portanto, denominadas epitelioides. Os neutrófilos também podem estar
presentes (inflamação piogranulomatosa) assim como um menor número de
plasmócitos, linfócitos e eosinófilos. A inflamação granulomatosa ou
piogranulomatosa é vista em infecções fúngicas como na blastomicose (Fig. 5-37B),
coccidioidomicose e aspergiolose. Um corpo estranho ou material como sulfato de
bário presente no parênquima pulmonar pode provocar a mesma reação. O sulfato de
bário pode ser detectado como material fagocitado, refratário e esverdeado no
citoplasma de macrófagos (Nunez-Ochoa et al., 1993).

Figura 5-37 Inflamação granulomatosa. Aspirado pulmonar. Cão. Mesmo caso A–B. A, Uma
célula gigante com vários núcleos individualizados está presente junto com diversos macrófagos
epitelioides que apresentam citoplasma abundante azul-cinzento e um contorno citoplasmático
evidente. (Wright-Giemsa; Óleo HP.) B, Um aspirado de tecido contendo macrófagos epitelioides junto
com leveduras extracelulares condizentes com Blastomyces. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)
(A e B, Cortesia de Rose Raskin, University of Florida.)

Inflamação Eosinofílica
Os sinais clínicos de bronquite alérgica incluem tosse, sensibilidade traqueal
aumentada, e crepitações e sibilos na ausculta pulmonar. Citologicamente, essa
síndrome é caracterizada pelo aumento de muco, espiral de Curschmann e aumento
no número de eosinófilos com números variáveis de macrófagos, neutrófilos e
mastócitos em fluidos de LTT e LBA (Fig. 5-38A). Outras causas de aumento de
eosinófilos em LBA e LTT incluem granulomas eosinofílicos, aspergilose, síndromes
paraneoplásicas e raramente pneumonia bacteriana.
Figura 5-38 A, Inflamação eosinofílica. LBA. Gato. Numerosos eosinófilos contabilizando 95%
da população celular foram encontrados neste animal com tosse crônica com suspeita de piora com
reação de hipersensibilidade. Correntes de eosinófilos amorfos condizentes com muco estão presentes
no fundo. Note a cor laranja a azul-cinzento dos grânulos eosinofílicos resultado de coloração alterada.
(Wright-Giemsa; Óleo HP.) B, Inflamação eosinofílica. Baciloscopia. Cão. Numerosos eosinófilos
estão enredados em muco de um animal com verme do coração que apresentava tosse frequente.
(Wright-Giemsa; Óleo HP.) C, Granulomatose eosinofílica. Esfregaço de exsudato brônquico.
Cão. População de células inflamatórias mistas condizentes com numerosos eosinófilos e pequeno
número de neutrófilos e células mononucleares é visto junto com um fibroblasto (centro superior).
Histopatologia da massa pulmonar confirmou o diagnóstico. (Wright em base aquosa, Óleo HP.)
(A e B, Cortesia de Rose Raskin, University of Florida. C, A lâmina de vidro é material de cortesia de Ruanna Gossett e Jennifer Thomas,

Texas A&M University; apresentado na seção de relato de caso na ASVCP 1992.)

Os eosinófilos costumam ser raros em amostras pulmonares (< 5%). Quando os


eosinófilos representam mais do que 10% das células nucleadas, isso deve ser
considerado processo de hipersensibilidade, parasitário ou infiltrativo (Fig. 5-38B). A
eosinofilia pulmonar pode ser vista com ou sem eosinofilia sanguínea. Outros tipos de
células inflamatórias podem ser vistas, incluindo um pequeno número de mastócitos,
linfócitos e plasmócitos. A eosinofilia de tecido associado a tumor é ocasionalmente
vista em cães e gatos, e a maioria destes relatos está associada a neoplasia maligna.

A granulomatose eosinofílica pulmonar é uma síndrome identificada em cães


caracterizada por infiltrado de parênquima pulmonar por eosinófilos (Calvert et al.,
1988). A causa é desconhecida, mas a granulomatose eosinofílica pulmonar é
incompativelmente associada a infecção por Dirofilaria immitis. Os cães podem
apresentar tanto um infiltrado intersticial difuso, quanto massas discretas. A citologia
é similar em ambos os casos e inclui um grande número de eosinófilos mesclados com
números variáveis de macrófagos, neutrófilos, plasmócitos e basófilos (Fig. 5-38C).
Essa condição pode ser confundida citologicamente com granulomatose linfomatoide,
uma neoplasia de célula T linfoide pulmonar composta de população pleocelular que
é distinguida histologicamente.

Causas Infecciosas de Doenças de Trato Traqueobrônquico e


Pulmões
Os neutrófilos normalmente predominam em diversas infecções fúngicas, bacterianas,
protozoárias e virais. Ainda, podem estar presentes macrófagos, linfócitos e
plasmócitos.

Pneumonia Bacteriana
Os neutrófilos degenerados são os tipos celulares mais comuns observados na
pneumonia bacteriana. O muco e o número de macrófagos normalmente estão
aumentados. A presença de bactéria intracelular, na ausência de contaminação
orofaríngea, é o diagnóstico para pneumonia bacteriana. Bactérias extracelulares
também são observadas na pneumonia, mas podem estar presentes por
contaminação, portanto, a identificação de bactéria intracelular é necessária para
confirmar o diagnóstico. Normalmente, uma população bacteriana uniforme está
presente, entretanto, uma população mista pode ser observada em pneumonia
aspirativa (Rakish e Latimer, 1989). Se a suspeita for de pneumonia micobacteriana,
os macrófagos devem ser examinados cuidadosamente para bactérias finas, coradas
negativamente e filamentosas (Fig. 5-39A).
Figura 5-39 A, Infecção micobacteriana. Bactéria bacilar não corada localizada intra e
extracelularmente condizente com Mycobacterium sp. (Wright-Giemsa; Óleo HP.) B, Infecção por
Bordetella. LBA. Cão. Epitélio colunar com bacilos de coloração escura de Bordetella bronchiseptica
firmemente aderidas aos cílios. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)
(B, Cortesia de Michael Scott, Michigan State University.)

As infecções bacterianas podem ser a principal causa de doença pulmonar, mas


também são frequentemente secundárias a infecções virais, irritação de mucosa e
diminuição na remoção mucociliar (Anderton et al., 2004) como ocorre nas infecções
por Bordetella bronchiseptica (Fig. 5-39B), infecções fúngicas e neoplasia. Cultura
microbiológica e antibiograma são sugeridos caso a bactéria observada a partir de
classificação bacteriana morfológica não seja confiável. A presença de bacilos
filamentosos sugere infecção tanto por Nocardia quanto por Actinomyces spp., ou
raramente por Fusobacterium. Como essas espécies necessitam de técnicas de cultura
especiais, o laboratório deve ser avisado se houver suspeita de um desses organismos.

O Mycoplasma sp. tem sido descrito em lavados transtraqueais em um cão de 4


meses de idade. Estruturas cocoides basofílicas pequenas (0,3 a 0,9 μm de diâmetro)
foram observadas em pequeno a moderado número em neutrófilos e aderidas em
células epiteliais em esfregaço direto usando a coloração de Wright-Giemsa (Williams
et al., 2006). Um relato de infecção por Mycobacterium bovis em cão descreve a
presença de microcalcificação, corpos sólidos delimitados semelhantes a esferas e
debris necróticos caseosos em muco traqueal desse paciente (Bauer et al., 2004). Estes
achados são similares ao que é visto em pacientes humanos com tuberculose e são
descritos como material globular semelhante à gordura e estruturas redondas,
concêntricas, laminadas, cristalinas misturadas com muco proteináceo.

A pneumonia infecciosa é rara em gatos. Os gatos que têm pneumonia infecciosa


podem não mostrar sinais clínicos e essa doença tem sido associada a etiologias
variadas. A infecção bacteriana foi a mais comum com 50%, causas virais foram de
25% e o restante foi por causas fúngicas, protozoárias, parasitárias ou mistas. O
hemograma completo e radiografias torácicas podem se apresentar normais mesmo
que haja uma infecção sistêmica. Devido a isso, os clínicos devem avaliar o trato
respiratório com outras técnicas como a LBA quando a infecção for detectada em
outros órgãos (Mcdonald et al., 2003).
Como a Yersinia pestis é um habitante incomum do trato respiratório, a forma
pneumônica da peste em gatos tem um alto potencial zoonótico, portanto, a
identificação do organismo é crucial. Yersinia pestis é um bacilo Gram- negativo
citologicamente reconhecida como cocobacilo bipolar, presente tanto intra como
extracelular com grande número de neutrófilos degenerados. A peste pneumônica
acomete cerca de 10% dos casos em felinos e podem ser vistas com ou sem a forma
bubônica clássica (Eidson et al., 1991).

Embora a maioria das pneumonias bacterianas esteja associada à inflamação


supurativa, a micobacteriose normalmente está associada à inflamação
granulomatosa ou piogranulomatosa. Além dos neutrófilos, as células gigantes
multinucleadas de Langhan e macrófagos epitelioides grandes com bordos
citoplasmáticos mal definidos são observados junto com um número variável de
macrófagos. A Mycobacteria não se cora com as colorações citológicas de rotina e pode
ser de difícil visualização. Entretanto, um exame cuidadoso das células e material de
fundo revela a presença de bacilos finos corados negativamente distintos presentes
tanto intra quanto extracelularmente (Fig. 5-39A). Os organismos podem ser
confirmados pela coloração de ácido rápido. Os gatos siameses parecem ser mais
suscetíveis a micobacteriose (Jordan et al., 1994).

Pneumonia Viral
As infecções virais são acompanhadas de inflamação neutrofílica. Embora isso ocorra
de forma secundária a uma infecção bacteriana, as infecções virais sozinhas podem
induzir o aumento na contagem absoluta e relativa de neutrófilos. Os gatos com
infecção por FIV têm um aumento na contagem total de células e um maior número
relativo de neutrófilos em fluidos de LBA (Hawkins et al., 1996). A cinomose e o
adenovírus são as causas mais comuns de patógenos virais em cães. Amostras de casos
suspeitos devem ser examinadas cuidadosamente para inclusões virais. Quando
observadas, as inclusões virais são encontradas nas células epiteliais respiratórias
coincidindo com os sinais clínicos. As inclusões de cinomose são eosinofílicas,
variando no tamanho e podem ser intranuclear ou intracitoplasmática (Fig. 5-40). As
inclusões podem ser observadas em diversos tipos celulares, incluindo macrófagos,
linfócitos, hemácias e células epiteliais. Elas podem permanecer em tecido pulmonar
por mais de 6 semanas. As infecções com o adenovírus canino tipo 2 levam à
presença de grandes inclusões amorfofílicas ou basofílicas que são normalmente
observadas em células epiteliais bronquiolares. Inclusões virais intranucleares
acidófilas em tecido pulmonar podem ser vistas durante o período agudo em cães
infectados com o herpesvirus canino, entretanto, esses são mais comumente
apresentados em epitélio nasal respiratório.

Figura 5-40 Inclusões de cinomose.Imprintde pulmão. Cão. Inclusões virais eosinofílicas


compatíveis com cinomose estão presentes nos macrófagos (seta). No fundo há a presença de diversos
taquizoítas de Toxoplasma soltos com forma de lua crescente. (Coloração de Romanowsky; Óleo HP.)
(A lâmina de vidro é material de cortesia de Ron Tyler e Rick Cowell, Oklahoma State University; apresentado na seção de relato de caso

na ASVCP 1982.)

Infecções experimentais e naturais com cepas vírus influenza têm sido relatadas
tanto em cães quanto em gatos (Crawford et al., 2005; Kuiken et al., 2004),
entretanto, as características citológicas não foram descritas ainda.

Pneumonia Protozoária
Toxoplasma gondii é o organismo protozoário que pode causar pneumonia intersticial
em cães e gatos. A avaliação citológica das amostras de LTT ou LBA revela um
aumento no número de neutrófilos não degenerados. Os taquizoítas de Toxoplasma
gondii são corpos em forma de lua crescente de 1 a 4 m com citoplasma levemente
basofílico e núcleo central metacromático (Fig. 5-41A e B;Tabela 5-1). Os organismos
podem ser encontrados intracelularmente (principalmente em macrófagos) e
extracelularmente. Eventualmente, esses organismos podem ser reavidos por
amostras de LBA e raramente por LTT (Bernsteen et al., 1999; Hawkins et al., 1997).
Entretanto, como a toxoplasmose causa pneumonia intersticial e esses procedimentos
focam nas vias aéreas, pode ser difícil a recuperação desses organismos a não ser que
a doença esteja acentuada. A ausência de organismos no paciente suspeito não
descarta a possibilidade de infecção. Um caso de toxoplasmose felina envolvendo
aspirado de pulmão relata o uso de coloração imuno-histoquímica para o diagnóstico
definitivo (Poitout et al., 1998).

Figura 5-41 A, Toxoplasmose. Aspirado de tecido. Inflamação mista associada a infecção por
Toxoplasma gondii. Numerosos organismos são observados nos macrófagos. Os neutrófilos apresentam
sinais mínimos de degeneração. (Wright-Giemsa; Óleo HP.) B, Toxoplasmose. Mesmo caso da Figura
5-40. Organismos com forma de banana com núcleo central metacromático são típicos de taquizoítas
de Toxoplasma gondii. Aparência similar é encontrada com Neospora, que pode ser distinguida pela
imuno-histoquímica. (Coloração de Romanowsky; Óleo HP.) C, Neospora. Compare a morfologia em
forma de banana dos organismos de Neospora com os observados em B de Toxoplasma gondii.
(Wright-Giemsa; Óleo HP.) D, Neospora. O organismo da Neospora no neutrófilo e compare com o
Toxoplasma em B. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)
(C, A lâmina de vidro é material de cortesia de Tara Holmberg et al., University of California, Davis; apresentado na seção de relato de

caso na ASVCP 2004. D, A lâmina de vidro é material de cortesia de Tara Holmberg et al., University of California, Davis; apresentado na
seção de relato de caso na ASVCP 2004.)

As infecções por Neospora caninum em cães são normalmente vistas em animais com
menos de 1 ano de idade e leva a uma paralisia progressiva ascendente e, muitas
vezes, fatal. A doença em cães mais velhos é variada, mas é caracterizada pelo
envolvimento sistêmico, incluindo uma infiltração pulmonar severa com pneumonia
associada (Greig et al., 1995; Ruehlmann et al., 1995). O exame de amostras de
aspirados revela uma resposta inflamatória mista composta de neutrófilos,
macrófagos, linfócitos, plasmócitos e eosinófilos com taquizoítas intra e
extracelulares, indistinguíveis de T. gondii (Fig. 5-41C e D). Os taquizoítas medem de
1 a 5 μm por 5 a 7 μm, estruturas de forma oval a forma de lua crescente com núcleo
central metacromático e citoplasma levemente basofílico (Tabela 5-1).

Pneumonia Fúngica
As micoses sistêmicas alastradas pelos pulmões são mais comumente encontradas em
interstício pulmonar do que nas vias aéreas ou alvéolos. Portanto, como agentes
micóticos, podem ser detectadas por lavagens de vias aéreas (Fig. 5-42A e B)
(Hawkins e DeNicola, 1990), a PAAF de parênquima pulmonar apresenta uma grande
sensibilidade para detectar estes organismos (Tabela 5-1).
Figura 5-42 Mesmo caso A–B. A, Infecção fúngica. LBA. Cão. Há inflamação de células mistas
junto com bacilos misturados com hifas septadas e ramificadas de Fusarium sp. (Coloração de
Romanowsky; Óleo HP.) B, Infecção fúngica e espiral de Curschmann. Filamentos tortuosos de
muco espesso visto nessa infecção fúngica crônica. As setas evidenciam as estruturas curtas de hifas.
(Coloração de Romanowsky; Óleo HP.)
(A lâmina de vidro é material de cortesia de Janice Andrew et al., Ohio State University; apresentado na seção de relato de caso na

ASVCP 1991.)

O Blasotomyces dermatiditis é um fungo dimórfico que pode infectar diversos tecidos,


mas o pulmão é o órgão de escolha mais comumente envolvido. As lesões pulmonares
consistem em nódulos múltiplos de tamanhos variáveis espalhados por todo o campo
pulmonar. A infecção normalmente ocorre em cães jovens de raças grandes. A
prevalência é menor em gatos comparados a cães, entretanto, os siameses parecem
ser mais suscetíveis. Os organismos podem ser recuperados prontamente por LTT/LBA
em animais com evidências radiográficas da doença (Tabela 5-1). Normalmente, a
forma de levedura do organismo é observada, entretanto, raros estágios de hifas
podem ser vistos. As formas de leveduras extracelulares são azuis-escuras, redondas,
com diâmetro de 5 a 20 μm, com parede bicôncava contendo uma estrutura interna
granular (Fig. 5-43; Fig. 5-37B). Uma ampla base de brotamento pode ser observada.
Os organismos são comumente achados em agregados de muco e debris necróticos,
então preparados de lavagem são vitais para a identificação dos organismos. A
inflamação piogranulomatosa ou granulomatosa é a regra.

Figura 5-43 Blastomicose. Aspirado de tecido. Inúmeras leveduras grandes, com paredes
espessas, profundamente basofílicas de Blastomyces dermatitidis estão presentes contra um fundo
celular necrótico. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)

O Histoplasma capsulatum também é um fungo dimórfico que infecta tanto cães


quanto gatos. A doença pulmonar é comum em gatos afetados. Além de a
histoplasmose ser vista em ambas as espécies, uma síndrome autolimitante da
histoplasmose pulmonar é também vista em cães. Os organismos leveduriformes
pequenos são de redondos a ovais, com diâmetro de 1 a 4 μm, com núcleo roxo e
protoplasma levemente basofílico cercado por um halo fino e claro (Fig. 5-44). Os
organismos são vistos dentro de macrófagos e neutrófilos e também
extracelularmente. Os macrófagos podem estar embalados com organismos. A
infecção por Histoplasma induz uma reação piogranulomatosa.

Figura 5-44 Histoplasmose. Aspirado de tecido. Um macrófago é preenchido com inúmeros


organismos de Histoplasma capsulatum, assim com diversos são encontrados livres no fundo. Observe
o pequeno tamanho e a fina cápsula dessas leveduras. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)
O Coccidioides immitis é um patógeno respiratório encontrado principalmente em
regiões áridas. Os animais de áreas endêmicas são frequentemente infectados, mas o
desenvolvimento de sinais clínicos é incomum. A doença disseminada ocorre após a
infecção pulmonar primária, especialmente em cães. Boxers e Doberman pinchers
podem ser predispostos a doença disseminada. Até recentemente, acreditava-se que os
gatos fossem resistentes à infecção por cocciodioides, mas casos recentes indicam a
suscetibilidade a infecção e desenvolvimento dos sinais clínicos em áreas endêmicas,
com comprometimento pulmonar observado em 25% dos gatos infectados (Greene e
Troy, 1995). A coccidiomicose é associada a inflamação piogranulomatosa ou
granulomatosa. As esférulas de Coccidioides immitis (esporângios) são organismos
grandes vistos extracelularmente (Fig. 5-45). As esférulas variam no tamanho de 10 a
100 μm, em preparados corados por Romanowsky, e apresenta uma parede espessa
com dupla camada, com um protoplasma levemente granular azul-esverdeado.
Ocasionalmente, são observados endósporos internos de 2 a 5 μm. A estrutura interna
e o tamanho dos organismos são melhor avaliadas em preparações de montagem
úmida, pois o processo de fixação e coloração causa um encolhimento e distorção do
organismo. Os organismos são escassos em preparados citológicos e várias lâminas
devem ser examinadas para encontrar o organismo. Os LTT ou LBA raramente
revelam estes organismos. Devido ao seu grande tamanho, o exame com aumento de
exploração (p. ex., 10 ×) é a melhor opção. O micélio é raramente observado nos
tecidos.

Figura 5-45 Coccidioidomicose. Aspirado de tecido. Esfera de Coccidioides immitis com parede
espessa e de dupla camada. (Wright- Giemsa; Óleo HP.)

A criptococose é frequentemente associada à cavidade nasal, entretanto,


aproximadamente 30% dos gatos acometidos também apresentam lesões pulmonares.
O material capsular do Cryptococcus neoformans pode dar a amostra de textura
mucinosa. A presença de uma resposta inflamatória aparentemente varia relacionada
à espessura da cápsula. Veja a Figura 5-10 e a seção de criptococose nasal para
maiores informações.
O Pneumocystis carinii é comumente relatado em cães jovens, principalmente em
Dachsund miniatura (Lobetti, 2001), mas também foi relatado em spaniel Cavalier
King Charles (Watson et al., 2006; Sukura et al., 1996) e em Yorkshire terrier
(Cabanes et al., 2000). Tem sido identificados diversos defeitos imunológicos que
podem predispor alguns cães ao Pneumocystis carinii incluindo hipogamaglobulinemia,
diminuição na proliferação de linfócitos e diminuição nos números de linfócitos B
(Lobetti, 2000; Watson et al., 2006). A infecção causa uma pneumonia intersticial
difusa. O fluido espumoso abundante presente nos alvéolos normalmente contém as
formas císticas e trofozoítas. Os cistos são extracelulares com diâmetro de 5 a 10 μm e
contêm de 4 a 8 corpos redondos basofílicos de 1 a 2 μm (Fig. 5-46A e B). Os
trofozoítos são pleomórficos, variando de 2 a 7 μm em comprimento (Fig. 5-46B e C).
O diagnóstico pode ser confirmado pela morfologia do organismo, coloração (prata
metenamina de Grocott) e por ensaio reativo de cadeia polimerase (Hagiwara et al.,
2001).
Figura 5-46 Pneumocystis. A,Imprintde pulmão. Cão. Aglomerados de células epiteliais
fortemente basofílicas são vistas misturadas com debris de tecido necrótico e trofozoítas pequenos (1 a
2 μm). Adjacentes aos aglomerados celulares existem inúmeros cistos extracelulares de Pneumocystis
carinii. Os cistos medem de 5 a 10 μm de diâmetro e contêm de 4 a 8 corpos basofílicos arranjados em
círculo. (Wright-Giemsa; Óleo HP.) Mesmo caso B–C. LBA. Cavalo. B, Inúmeros trofozoítas de
Pneumocystis carinii e uma forma cística podem ser vistos extracelularmente (Wright-Giemsa; Óleo
HP.) C, Um único trofozoíta claramente definido está presente no macrófago. O citoplasma esponjoso
provavelmente contém diversos organismos menos visíveis. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)
(A, A lâmina de vidro é material de cortesia de Tara Holmberg et al., University of California, Davis & IDEXX Laboratories; apresentado

na seção de relato de caso na ASVCP 2005. B e C, A lâmina de vidro é material de cortesia de Amy MacNeill et al., University of Florida;

apresentado na seção de relato de caso na ASVCP 2001.)

O Sporothrix schenckii é dificilmente identificado em parênquima pulmonar de cães e


gatos. Quando presente, organismos em grande número são observados em gatos
infectados, ao passo que em outras espécies a presença destes organismos seja rara.
Organismos de redondos a ovais com forma cilíndrica, medindo 2 × 7 μm com um
halo fino e claro, núcleo roxo levemente excêntrico e um citoplasma levemente
basofílico são observados tanto em macrófagos quanto extracelularmente. A presença
de organismos cilíndricos diferencia a esporotricose da histoplasmose.

Infestações Parasitárias
Existem diversos parasitas capazes de infectar o trato respiratório de cães e gatos. As
LTT e LBA podem ser úteis na identificação de larvas ou ovos. Entretanto, o agente
etiológico nem sempre está presente na amostra. Um aumento de eosinófilos nas vias
aéreas deve ser acompanhado por meio de exame para o verme do coração e de fezes.

O Aleurostrongylus abstrusus é um verme pulmonar metastrongilídeo felino que,


geralmente, é considerado assintomático, mas pode causar tosse. Os adultos vivem
nos bronquíolos respiratórios e nos alvéolos, e liberam ovos nos espaços alveolares,
que ficam encubados até eclodirem as larvas. Os ovos (Fig. 5-47A) e as larvas
induzem a reação inflamatória e não os adultos (Rakish e Latimer, 1989).
Similarmente às condições encontradas em infecções por Filaroides sp., nódulos
parasitários são comumente vistos nos campos periféricos pulmonares. Eosinófilos e
neutrófilos encontrados em amostras de LTT ou LBA caracterizam uma infecção
precoce, associada aos nódulos (Fig. 5-47B). Com o tempo, entretanto, ocorre uma
hiperplasia fibromuscular e a reação aparece mais fibroblástica. Muitas vezes, a
forma larval é observada, mas ocasionalmente os ovos também podem ser
identificados (Tabela 5-5). A larva pálida ou não corada é normalmente enrolada em
si e a cauda apresenta uma dobra dupla e espinha dorsal.

Figura 5-47 A,Aleurostrongylus. Gato. Um único ovo de Aleurostrongylus está presente no centro
da imagem. Numerosos eritrócitos, leucócitos e debris necróticos estão presentes no fundo. (Wright-
Giemsa; Óleo HP.) B, Eosinofilia induzida porAleurostrongylus. Gato. Resposta inflamatória mista
contendo neutrófilos, eosinófilos e macrófagos. A resposta inflamatória é direcionada contra os ovos e
larvas, não os adultos. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)
Tabela 5-5 Parasitos Encontrados em Amostras de Vias Aéreas de Cães e Gatos

O Paragonimus kellicotti é um trematódeo encontrado principalmente em gatos


norte-americanos, enquanto o Paragonimus westermanii é comum no oriente (Tabela 5-
5). Os lobos pulmonares caudais, particularmente do lado direito, são frequentemente
afetados por esse verme pulmonar. Essa localização focal no lobo pulmonar caudal
faz a visualização citológica de ovos por LTT ou LBA difícil (Fig. 5-48); entretanto, os
ovos são facilmente identificados por exame fecal, utilizando tanto o aparato de
Baermann ou a técnica de flutuação. O exame citológico dos cistos inflamatórios
demonstra numerosos eosinófilos com inflamação granulomatosa concomitante.

Figura 5-48 Paragonimus. Gato. Dois ovos de Paragonimus podem ser vistos no fundo com
grande celularidade contendo leucócitos, eritrócitos e debris necróticos. Este organismo induz de
forma típica uma inflamação forte eosinofílica e granulomatosa. (Wright- Giemsa; IP.)
(A lâmina de vidro é material de cortesia de Linda Berent et al., University of Illinois; apresentado na seção de relato de caso na ASVCP
2001.)

O Eucoleus (antes designado Capillaria) aerophila é um parasita de cães e gatos que


se hospeda na traqueia e nos brônquios, mas também pode ser encontrado nas
passagens nasais. Os ovos dos parasitas podem ser observados em lavagens
brônquicas (Tabela 5-5).

O verme pulmonar canino Filaroides hirthi se hospedam nos alvéolos e bronquíolos


(Rebar et al., 1992). Tanto a larva embrionada quanto os ovos (Fig. 5-49) podem ser
reavidos por LTT/LBA (Tabela 5-5) (Rakish e Latimer, 1989). O Filaroides hirthi e
milksi podem ser encontrados em nódulos subpleurais no parênquima pulmonar de
cães (ao contrário do Oslerus [Filaroides] osleri, em nódulos traqueais). Enquanto os
vermes vivos tendem a não causar uma resposta imune significativa, vermes mortos
ou moribundos estão associados a uma reação granulomatosa eosinofílica
caracterizada por um número variável de eosinófilos, macrófagos e fibroblastos. As
larvas de Filaroides são mais capazes de causar uma reação supurativa do que uma
reação eosinofílica. A identificação citológica de adultos ou de larvas é rara em
amostras obtidas por PAAF (Andreasen e Carmichael, 1992). Ovos embrionados e
larvas são mais facilmente detectados por amostras de vias aéreas (Tabela 5-5). Os
ovos de O. osleri são idênticos aos do F. hirthi. O primeiro parasita é raro e causa a
formação de nódulos firmes na bifurcação traqueal (Tabela 5-5).

Figura 5-49 Verme pulmonar. LBA. Cão. Larva de Filaroides hirthi presente em um animal com
pneumonia verminótica. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)

Infecções por Crenosoma vulpis podem ser identificadas utilizando a LBA (Unterer et
al., 2002). Uma inflamação com a predominância de eosinófilos é comumente
encontrada, entretanto, eosinófilos com neutrófilos assim como inflamações
neutrofílicas predominantes são raros. O estágio larvar do C. vulpis pode ser
identificado em fluidos de LBA. O exame fecal utilizando a técnica de Baermann é o
método de diagnóstico mais sensível (Unterer et al., 2002).

Dano Tecidual

Hemorragia
A hemorragia é caracterizada citologicamente por um ou mais critérios severos,
incluindo eritofagocitose, macrófagos repletos de hemossiderina e cristais de
hematoidina (Fig. 5-50A–C). A hemorragia é uma complicação de diversos métodos
utilizados para coletar amostras da árvore respiratória, logo, a presença de
eritrofagia, preferencialmente com hemossiderina é importante para distinguir
hemorragia patológica da iatrogênica ou contaminação por sangue. A hemorragia é
uma sequela comum ao PAAF de parênquima pulmonar. O aumento de hemácias em
LTT/LBA é observado em casos de insuficiência cardíaca congestiva, neoplasia,
êmbolo de verme do coração e coagulopatias. Um alto percentual de gatos com
doença inflamatória respiratória como a rinite e a asma apresenta um número de
leve a moderado de hemossiderófagos em fluido de LTT (DeHeer e McManus, 2005). A
coloração de azul prússia pode ser utilizada para distinguir os hemossideófagos.
Figura 5-50 A, Hemorragia. Observe o macrófago que apresenta hemácias e hemossiderina no
seu citoplasma. A observação de eritrofagia e macrófagos cheios de hemossiderina são indicativos de
hemorragia aguda e crônica, respectivamente. (Wright-Giemsa; Óleo HP.) Mesmo caso B e C.
Hemorragia crônica. LBA. B, O mesmo caso da Figura 5-36. Macrófagos alveolares corados de azul-
acinzentados e levemente granulares devido à presença de hemossiderina, verificado em C. (Wright-
Giemsa; Óleo HP.) C, Acúmulos densos de azul-escuro de ferro no citoplasma de macrófagos
alveolares. O contracorante nuclear é vermelho. (Azul da Prússia; Óleo HP)
(B e C, Cortesia de Rose Raskin, University of Florida.)

Proteinose Alveolar Pulmonar


Essa é uma condição incomum com achados citológicos evidentes encontrados em
aspirados pulmonares ou em lavagem bronquioalveolar (Silverstein et al., 2000). Os
cães apresentados com histórico de intolerância crônica a exercícios e tosse,
evidenciam na citologia uma quantidade abundante de estruturas homogêneas
basofílicas ou glóbulos sugestivos de muco espesso ou células degeneradas. Isso pode
ser acompanhado de células epiteliais brônquicas, depósitos de colesterol e baixo
número de células inflamatórias. Uma lavagem pulmonar pode ser terapêutica para
reduzir este acúmulo excessivo de proteínas surfactantes.

Atelectasia ou Colapso Pulmonar


O achado de um grande número de células epiteliais respiratórias é atípico e sugere
atelectasia, colapso ou hiperplasia pulmonar. As células epiteliais respiratórias podem
sofrer mudanças displásicas (veja hiperplasia/displasia a seguir), mas principalmente
pela falta de critérios suficientes de malignidade para confirmar um diagnóstico de
neoplasia. Numerosos macrófagos também podem estar presentes.

Necrose
Material necrótico é frequentemente aspirado de pulmões afetados por mudanças
tanto inflamatórias como neoplásicas. A necrose é caracterizada citologicamente pela
presença abundante de material em segundo plano, basofílico granular a amorfo.
Normalmente, células inflamatórias ou necróticas estão misturadas com debris
necróticos, entretanto, aspirados acelulares ou apenas membranas remanescentes de
células, ou “células fantasmas” podem ser ocasionalmente obtidas. Nestes casos, um
reaspirado é indicado e um cuidado maior deve ser tomado para obter amostras
periféricas da lesão, evitando o centro necrótico.

Hiperplasia e Displasia do Pulmão


As células epiteliais respiratórias podem sofrer mudanças hiperplásicas ou displásicas
em doenças pulmonares não neoplásicas. A hiperplasia de pneumócitos bronquiolares
e alveolares tipo II é frequentemente associada a inflamação crônica. As células
epiteliais aparecem atípicas e compartilham algumas características de células
malignas, mas sem critérios suficientes de malignidade para o diagnóstico de
neoplasia. O epitélio colunar normal se torna cuboide e quando visto
individualmente, parece redondo. Os núcleos assumem uma forma central em vez de
basilar; são grandes e contêm cromatina nuclear amontoada e nucléolos evidentes. O
citoplasma se cora com uma intensa basofilia e pode conter vacúolos pontilhados.

O aumento na proliferação celular (hiperplasia) ou maturação assíncrona


citoplasmática e nuclear (displasia) pode ocorrer secundário a inflamação crônica ou
necrose tecidual. Estas condições podem ser difíceis de diferenciar de uma neoplasia.
Como complicação, estas alterações citológicas podem também ser vistas em
alterações preneoplásicas que podem progredir para uma neoplasia evidente. Um
novo aspirado local mais ou menos afetado pode ser garantido para ajudar a
caracterizar o grau de envolvimento ou identificar a causa primária. Se o critério de
malignidade for insuficiente citologicamente, é indicada uma biópsia pulmonar.

Metaplasia do Pulmão
A metaplasia é a substituição de células normais com uma população secundária, mas
não neoplásica. A metaplasia pode ocorrer em resposta a alterações hormonais ou
fatores de crescimento ou como parte de uma resposta adaptativa para proteção
contra irritação crônica. Aspirados de áreas de metaplasia escamosa são
moderadamente celulares, produzindo células epiteliais escamosas grandes, de
redondas a poligonais que podem ser observadas em camadas ou individualmente
(Fig. 5-51). Os núcleos são relativamente menores em comparação ao tamanho
celular (proporção núcleo-citoplasma diminuída). Células ocasionais podem conter
núcleo picnótico como parte do processo de queratinização. O citoplasma levemente
basofílico é abundante e pode se apresentar dobrado ou angulado quando as células
se tornam queratinizadas. Células superficiais anucleadas e camadas de queratina
podem ser vistas dependendo do grau de queratinização. A metaplasia escamosa pode
ser difícil de ser diferenciada da neoplasia escamosa. Além disso, o carcinoma de
células escamosas origina-se principalmente de áreas de metaplasia escamosa.

Figura 5-51 Metaplasia escamosa. Citoplasma altamente hialinizado associado a metaplasia


escamosa secundária a inflamação crônica. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)
Neoplasia
As neoplasias primárias de pulmão e de árvore respiratória, assim como a neoplasia
metastática, podem ser diagnosticadas através de lavados brônquicos e aspirados
pulmonares. Em cães e gatos, especialmente em animais jovens, o pulmão é mais
afetado por neoplasia metastática do que por tumores pulmonares primários. Tanto
carcinomas quanto sarcomas podem propagar para o pulmão pela via sanguínea ou
linfática. Os tumores metastáticos são normalmente presentes como nódulos múltiplos
disseminados por todos os lobos pulmonares, particularmente os periféricos, enquanto
uma lesão solitária é mais comum em neoplasias pulmonares primárias. Em um
estudo de gatos com tumores pulmonares primários, 38 de 45 foram identificados de
amostras citológicas (Hahn e McEntee, 1997). Similarmente, exames citológicos de
punção aspirativa por agulha fina foram úteis no diagnóstico de tumores pulmonares
primários em cães (Ogilvie et al., 1989). A neoplasia mais comum diagnosticada por
LBA ou LTT é o carcinoma, mesmo primário ou metastático (Rebar et al., 1992). As
células epiteliais se esfoliam facilmente e podem ser identificadas nestas amostras. É
importante examinar as células quanto aos critérios de malignidade, especificamente
na variação no tamanho celular e nuclear, nucléolos evidentes, núcleos e/ou
nucléolos múltiplos e moldura nuclear (Fig. 5-52A a D). Mudanças displásicas ou
metaplásicas em células epiteliais secundárias a inflamação podem complicar o
diagnóstico, logo a amostra deve ser investigada para evidência de inflamação.
Figura 5-52 A, Carcinoma pulmonar. LBA. Cão. Grandes aglomerados de epitélio pleomórfico
estão presentes junto com inflamação supurada asséptica. Formas multinucleadas são notadas.
(Coloração de Romanowsky; IP.) B, Carcinoma. LTT. Cão. Aglomerados de células epiteliais com
citoplasma pálido e abundante sugerem uma função secretória. (Wright-Giemsa; Óleo HP.) C,
Carcinoma. LTT. Cão. Aglomerados de células epiteliais muito grandes, levemente basofílicos com
cromatina delicadamente pontilhada e nucléolo indistinto. Compare o tamanho das células com o
macrófago no canto inferior esquerdo. (Wright-Giemsa; Óleo HP.) D, Carcinoma. LTT. Cão. Em
contraste com as células de carcinoma de B e C, essas células têm um citoplasma mais fortemente
basofílico e pleomorfismo evidente. Observe a vacuolização pontilhada no centro das células. Um
neutrófilo e um macrófago estão presentes no lado direito inferior para comparação de tamanho.
(Wright-Giemsa; Óleo HP.)
(A, Cortesia de Robert King, University of Florida.)

Carcinoma
Os múltiplos tipos de carcinomas pulmonares têm sido identificados em cães e gatos.
Adenocarcinomas de origem broncogênicas ou bronquiolar/alveolar são os mais
prevalentes, entretanto, os carcinomas podem surgir de qualquer nível de epitélio
respiratório (Fig. 5-53 A–C). A diferenciação citológica não é possível. Os carcinomas
pulmonares normalmente apresentam nódulos multifocais vistos na periferia dos
lobos pulmonares, entretanto, eles podem envolver todo o lobo pulmonar ou se
apresentar apenas na região hilar. Os infiltrados eosinofílicos podem ocorrer
associados a carcinoma bronquioalveolar em cães (Fig. 5-53 D).
Figura 5-53 A, Carcinoma bronquiogênico. Observe o arranjo fortemente aderido de células
epiteliais pleomórficos com proporção núcleo-citoplasma aumentada. (Wright-Giemsa; IP.) B,
Carcinoma bronquiogênico. Cão. Células de carcinomas bronquiogênicos que se soltam para o
fluido da cavidade torácica podem apresentar um vacuolização devido ao fluido ambiente. (Wright-
Giemsa; Óleo HP.) C, Adenocarcinoma. Pulmão. Cão. Formação acinar sugerindo origem glandular.
(Wright-Giemsa; Óleo HP.) D, Carcinoma bronquioalveolar com infiltrado eosinofílico. Imprint
de massa pulmonar. Cão. Características malignas presentes em aglomerado de células epiteliais
juntamente com numerosos eosinófilos que infiltram na neoplasia. Eosinofilia periférica não foi notada
neste caso. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)
(C, Cortesia de Rose Raskin, University of Florida. D, A lâmina de vidro é material de cortesia de Karen Young e Richard Meadows,

University of Wisconin; apresentado na seção de relato de caso na ASVCP 1992.)

Numerosos carcinomas metastatizam para o parênquima pulmonar, como os


carcinomas mamários e carcinomas de bexiga, próstata e glândulas endócrinas.
Preparados citológicos de carcinomas primários e metastáticos são similares e os dois
não podem ser diferenciados definitivamente por uma avaliação citológica sozinha
(Figs. 5-54, 5-55 A e B).
Figura 5-54 Metástase. Pulmão. Cão. Lesão metastática suspeito de ter origem em um carcinoma
afetando a uretra. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)
(Cortesia de Rose Raskin, University of Florida.)

Figura 5-55 Carcinoma anaplásico. Cão. Mesmo caso A-B. A, Aglomerados densos de células
epiteliais com pleomorfismo de moderado a intenso. Algumas células aparecem aderidas, enquanto
outras apresentam com bordos delgados e fusiformes e outros aparecem com forma arredondada. A
origem dessa neoplasia não foi determinada. Um vacúolo secretório grande é visualizado no
aglomerado de células acima. Observe a abundante vacuolização perinuclear pontilhado em inúmeras
células. A identificação das células individualizadas como células neoplásicas ou macrófagos pode ser
difícil, particularmente neste caso devido ao grande número de neutrófilos que parece estar
aumentado sugerindo uma resposta inflamatória. Eritrofagia é observada (seta). (Wright-Giemsa; Óleo
HP.) B, Observe a aparência fusiforme de inúmeras células. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)

Os aspirados contêm um número moderado de células epiteliais em camadas,


agregadas e aglomerados com um menor número de células individualizadas. As
células individualizadas podem aparecer redondas e podem ser confundidas com
neoplasia de células distintas, mas são normalmente maiores do que o tumor celular
distinto e podem ser distinguidas pelo achado de associação célula com célula.
Formações acinares indicam origem glandular sugerindo um adenocarcinoma.
Pleomorfismo de moderado a severo entre os agregados celulares, assim como dentro
das células de um mesmo grupo é comum em carcinomas pulmonares. Os núcleos são
redondos e, muitas vezes, posicionados excentricamente e contêm cromatina
grosseiramente agregada e nucléolo evidente, único ou múltiplo. A anisocariose é
comum. O citoplasma é profundamente basofílico e vacúolos pontilhados,
principalmente na região perinuclear, e frequentemente proeminentes. Outros
critérios de malignidade podem ser vistos incluindo moldura nuclear, células em
forma de anel de sinete, gigantismo celular ou nuclear e presença de células
binucleadas e multinucleadas.

Apenas os carcinomas de células escamosas apresentam características distintas que


permitem a identificação por avaliação citológica (Fig. 5-56A e B). Aspirados de
carcinoma de células escamosas tendem a produzir amostras celulares moderadas
para avaliação citológica. As células podem se apresentar individuais, em camadas e
em agregados com variação moderada no tamanho celular, tamanho nuclear,
proporção núcleo-citoplasma, quantidade de citoplasma e grau de queratinização. A
morfologia das células individuais varia de células escamosas basais com pouca ou
nenhuma queratinização a células escamosas totalmente queratinizadas. As células
basais são cuboides a arredondadas com citoplasma profundamente basofílica,
núcleos centrais grandes, cromatina grosseira e nucléolo evidente. As células
escamosas maduras são grandes com citoplasma abundante e homogêneo e núcleo
picnótico ou cariorrétioco. A assincronia da maturação citoplasmática e nuclear é
comum no carcinoma de célula escamosa.

Figura 5-56 Carcinoma de célula escamosa. Gato. A, Múltiplas células escamosas em diversos
estágios de queratinização, incluindo fragmentos anucleadas de queratina. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)
B, Células epiteliais escamosas muito grandes. A célula da direta tem nucléolos múltiplos e neutrófilos
exibindo emperiopolese. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)

A metaplasia escamosa pode ocorrer com inflamação crônica e deve-se tomar


cuidado quando for diferenciar uma metaplasia escamosa de neoplasia (Fig. 5-51).
Entretanto, o CCE de pulmões normalmente se origina de áreas de epitélio brônquico,
sugerindo que a metaplasia pode rapidamente evoluir para neoplasia em trato
respiratório baixo. Os tumores broncogênicos normalmente contêm componentes
tanto glandulares quanto aglandulares.

Neoplasia Hemolinfática
As neoplasias hemolinfáticas podem se disseminar pelo parênquima, resultando em
uma doença infiltrativa difusa ou como nódulos discretos. Diversas apresentações têm
sido identificadas, incluindo linfoma, histiocitose maligna e granulomatose
linfomatoide. Estes são os mais relatados em cães e gatos.

Amostras de LBA têm mostrado ser mais sensíveis do que radiografias no


diagnóstico de linfoma multicêntrico maligno (Fig. 5-57A e B) (Hawkins et al., 1995;
Hawkins et al., 1993; Yohn et al., 1994). Entretanto, a LBA é apenas uma forma
importante de definir o estágio desta neoplasia, pois a ocorrência de linfomas
primários pulmonares não foi descrita em animais como tem sido descrita em
humanos. O grau de envolvimento de uma população monomórfica de células
linfoides é útil na distinção de uma população de linfócitos reativos, especialmente
quando características malignas são mínimas (Fig. 5-58A e B). A histopatologia com
imunofenotipagem pode ser útil para estabelecer a natureza maligna da população
linfoide (Fig. 5-58C–E).

Figura 5-57 Linfoma, LBA. Cão. Mesmo caso A-B. A, Aumento no número de linfócitos de
médios a grandes. Os núcleos são, muitas vezes, clivados ou em forma de folha de trevo e contêm
nucléolos evidentes. Uma área de clareira perinuclear está aparente em muitas células que contêm
grânulos azurófilos pálidos. (Wright-Giemsa; Óleo HP.) B, Uma figura mitótica está presente no
campo (seta). (Wright-Giemsa; Óleo HP.)
(A e B, A lâmina citológica é material de cortesia de Michel Desnoyers et al., University of Montreal; apresentado na seção de relato de

caso na ASVCP 2001.).


Figura 5-58 Mesmo caso A-E. Linfoma pulmonar. Cão. A, LBA. Contagem celular aumentada
(945 células/μL) com 79% de linfócitos de tamanho médio com aparência uniforme. Observe a figura
mitótica atípica na parte superior central. (Wright-Giemsa; Óleo HP.) B,Imprintde pulmão. População
celular mista consistida de macrófagos ativados e numerosos linfócitos de aparência uniforme, de
tamanho médio com nucléolos indistintos. A morfologia é compatível com subtipo linfoblástico de
linfoma. (Wright-Giemsa; Óleo HP.) C, Secção pulmonar. Linfócitos neoplásicos estão presentes como
um balonete, principalmente ao redor de vasos sanguíneos e bronquíolos. Não havia evidências de
invasão e destruição vascular, descartando uma granulomatose linfomatoide. Inicialmente, o cão
apresentava apenas sinais respiratórios, sugerindo um possível linfoma pulmonar primário (H&E, LP).
Mesmo caso D-E, D Secção pulmonar. Coloração imuno-histoquímica positiva para linfócitos T
presentes ao redor de um vaso sanguíneo e ocasionalmente no septo alveolar. (Anticorpo CD3; Óleo
HP.) E, Linfoma pulmonar. Secção pulmonar. Coloração densa com marcadores de células T
cercados por células linfoides. Observe a célula gigante não corada com linfócitos corados englobados
no centro, à esquerda. (Anticorpo CD3, Óleo HP.)
(A-E, Cortesia de Rose Raskin, University of Florida.)
O pulmão é um dos locais principais de infiltrados de histiocitose maligna tanto em
cães quanto em gatos. Em cães, a histiocitose maligna e o histiocitoma fibroso
maligno têm sido sugeridos como sendo tumores relacionados pela diferenciação
alternativa da mesma célula precursora ou pela diferenciação de precursores
diferentes para um fenótipo similar (Kerlin e Hendrick, 1996). Relatos antigos
sugerem a predisposição em cães da montanha bernesa, rottweilers, golden retrievers
e retrievers de pelo curto para ambos os tipos tumorais, entretanto, a doença tem sido
descrita em diversas raças e aparentemente qualquer raça pode ser acometida.
Recentemente, a neoplasia histiocítica em cães tem sido definida como um espectro de
doenças caracterizadas pela proliferação de células dendríticas de Langerhans, células
dendríticas intersticiais ou macrófagos (Affolter e Moore, 2000; Affolter e Moore,
2002; Moore et al, 2006). A histiocitose maligna também foi identificada em gatos,
afetando principalmente o fígado, baço e medula óssea, mais do que o pulmão (Kraje
et al., 2001; Walton et al., 1997). A célula de origem no gato é desconhecida,
entretanto, relatos recentes sugerem que, pelo menos em alguns casos, a neoplasia
histiocítica maligna no gato pode ter origem na pele (Affolter e Moore, 2006). Os
histiócitos malignos são células grandes, muitas vezes caracterizadas por um discreto
pleomorfismo que contém um citoplasma abundante, frequentemente vacuolado e
profundamente basofílico. Os núcleos são ovais a reniformes e contêm cromatina
rendada e nucléolos evidentes (Fig. 5-59A–C). Uma transição gradual entre células
histiocíticas discretas e células mesenquimais cilíndricas pode ser observada; a
aparência muitas vezes varia nas massas do mesmo animal, podendo variar até de
diferentes pontos da mesma massa. Células multinucleadas são frequentes, mas o
número observado é variável. As células podem também exibir eritrócitos e leucócitos
fagocitados, o que ajuda a sugerir uma origem histiocítica, entretanto, a fagocitose
não é uma característica consistente. A histiocitose maligna pode ser citologicamente
difícil para diferenciar de uma inflamação granulomatosa, carcinoma de células
grandes anaplásicas, linfoma de células grandes de células T, granulomatose
linfomatoide pulmonar e plasmocitoma ou mieloma extramedular. Imunorreatividade
positiva para a lisozima pode ajudar nesta diferenciação (Brown et al., 1994).
Figura 5-59 Histiocitose maligna. Mesmo caso A-B,imprintpulmonar. Cão. Coleção altamente
celular de células atípicas redondas, com numerosos vacúolos pontilhados. Observe a figura mitótica
no centro. (Wright modificado; Óleo HP.) B, Formas binucleadas e multinucleadas são frequentes. Os
bordos citoplasmáticos variam de distintos a indistintos. A coloração imunológica (não mostrada) para
marcador histiocítico (CD 18) foi positiva. (Wright modificado; Óleo HP.) C, Imprint de tecido.
Numerosos histiócitos vacuolados e pleomórficos, incluindo células bi, tri e multinucleados
consistentes com histiocitose maligna. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)
(A lâmina de vidro é material de cortesia de Elizabeth Besteman et al., VA-MD Regional CVM; apresentado na seção de relato de caso na

ASVCP 1999.)

A granulomatose linfomatoide pulmonar é uma neoplasia linfoide pleocelular


incomum de células T que tem sido observada principalmente em cães jovens a meia-
idade (Postorino et al., 1989; Bain et al., 1997; Fitzgerald et al., 1991).
Frequentemente, a infiltração extensa de um ou mais lobos pulmonares são
observadas. A granulomatose linfomatoide pulmonar é caracterizada pelo número
variável de células mononucleares, pleomórficas, grandes que variam na aparência de
linfoide a plasmocitoide a histiocítico; células binucleadas e mitoses são comuns (Fig.
5-60A–D). Células neoplásicas podem realmente compor a minoria da população
celular presente e se misturam com numerosos pequenos linfócitos, eosinófilos e
plasmócitos. Basofilia periférica e dirofilariose canina têm sido associadas de forma
inconsistente com a granulomatose linfomatoide. Visualmente e citologicamente,
essas condições podem ser confundidas com granulomatose eosinofílica, que consiste
em uma população pleocelular de células epitelioides, macrófagos, eosinófilos e
linfócitos. O que os distingue é a presença histológica de invasão vascular e de vias
aéreas e destruição granulomatosa linfomatoide, uma característica que é ausente na
granulomatose eosinofílica.

Figura 5-60 Granulomatose linfomatoide. Cão. Mesmo caso A-C. A,Imprintpulmonar.


Amostra altamente celular com muitas células mononucleares grandes e pouco diferenciadas. (Wright-
Giemsa; Óleo HP.) B, Eosinófilos, neutrófilos e pequenos linfócitos entremeados em células
mononucleadas grandes. (Wright-Giemsa; Óleo HP.) C, Em algumas áreas, os eosinófilos são o tipo
celular predominante e histiócitos normais podem ser encontrados. Uma população de células T
linfoide maligna é considerada responsável por esta neoplasia, amparada por marcadores de
anticorpos. (Wright-Giemsa; Óleo HP.) D,Imprintde tecido. A granulomatose linfomatoide pulmonar
caracteriza-se pela presença de células grandes, discretas e polimórficas como a que é observada
misturada com linfócitos e eosinófilos. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)
(A-C, Cortesia de Rose Raskin, University of Florida.)

Neoplasia Mesenquimal
Os tumores originários de tecido conjuntivo pulmonar são relativamente raros em
cães e gatos. Estes incluem o osteossarcoma, condrossarcoma, hemangiossarcoma,
fibrossarcoma, rabdomioma, rabdomiossarcoma e shwannoma. Quando relatados, a
população de células neoplásicas se assemelha aos observados em locais comuns (Fig.
5-61).
Figura 5-61 Sarcoma de célula gigante. Massa pulmonar. Cão. Células gigantes
multinucleadas e células mesenquimais pleomórficas de um possível sarcoma metastático. (Wright-
Giemsa; Óleo HP.)
(Cortesia de Rick Alleman, University of Florida.)

Aspirados não Respiratórios


Ocasionalmente, as amostras obtidas não são consistentes com o parênquima
pulmonar. As duas células não respiratórias mais comuns vistas em aspirados
pulmonares são as células mesoteliais e os hepatócitos. É importante reconhecer essas
células para que não sejam confundidas com populações neoplásicas. Camadas de
células mesoteliais são observadas caso a superfície pulmonar seja raspada durante o
processo de aspiração. As camadas são compostas de células delicadas e
monomórficas com bordos angulares e aderidas semelhantes à balança de peixe,
citoplasma pálido e núcleos pequenos, redondos e centrais (Fig. 5-62). Quando as
células começam a se soltar das camadas, eles ficam arredondados, se tornam mais
basofílicos e começam a apresentar um halo de glicocálice (franja eosinofílica)
semelhantes às células mesoteliais mais clássicas vistas normalmente em fluidos
torácicos e abdominais. O aspirado do fígado ocorre quando o tórax é puncionado
muito caudalmente (Fig. 5-63).
Figura 5-62 Células mesoteliais. Aspirado pulmonar. Uma camada de células mesoteliais
levemente pleomórficas. A presença de células mesoteliais de uma biópsia pulmonar indica a
amostragem apenas do revestimento da superfície. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)

Figura 5-63 Aspirado acidental de fígado. Presença de hepatócitos com canalículos evidentes
contendo bile, condizente com colestase. O fígado pode ser aspirado caso a agulha seja introduzida
muito caudalmente na tentativa de coletar amostra de pulmão. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)

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Capítulo 6

Fluidos de Cavidade Corporal

Alan H. Rebar, Craig A. Thompson

Normalmente, há uma quantidade pequena de fluido nas cavidades peritoneal,


pleural e pericárdica, e essas são consideradas espaços virtuais. Descrições fisiológicas
detalhadas da homeostase da cavidade corporal serosa estão disponíveis (Bouvy et al.,
1991; Forrester, 1988;Kirby, 2003). Essas cavidades corporais serosas são formadas
por células especializadas, chamadas de células mesoteliais. Os sinais clínicos da
presença de uma maior quantidade de fluido são aumento abdominal, dor abdominal,
dispneia, sons cardíacos abafados e arritmia cardíaca. A coleta e a avaliação dos
fluidos desses locais podem ser terapêuticas, bem como diagnósticas, para a presença
de condições inflamatórias, hemorrágicas, neoplásicas, linfáticas ou biliares. Além
disso, outros testes diagnósticos podem ser indicados pelas características citológicas.
A retirada e a avaliação do fluido são altamente recomendadas, a menos que o risco
anestesiológico e de sangramento esteja presente ou o agravamento seja provável.

Técnicas de coleta

Fluido Abdominal
Coloque o paciente em decúbito lateral esquerdo e o contenha. Tricotomize e prepare
cirurgicamente uma área (p. ex., 10 a 15 cm2) com a cicatriz umbilical no centro. A
bexiga deve ser esvaziada antes de iniciar a paracentese. Infiltre uma pequena área
com anestésico local, se desejado. Utilize uma agulha de calibre 20 a 22 ou acima,
para puncionar o abdome. Atente para a obtenção de fluido nos quatro quadrantes,
permitindo que o fluido flua livremente pela ação da gravidade e da capilaridade. Se
necessário, realize uma aspiração delicada utilizando uma seringa de 3 ou 6 mL. Para
uma completa descrição da técnica, devem-se consultar outras literaturas (Ford e
Mazzaferro, 2006). Certifique-se de que o animal permaneça parado enquanto o
líquido está sendo retirado. Movimentar o paciente, ou permitir que ele se movimente
enquanto a agulha está no abdome pode resultar em lacerações de órgãos. Alguns
pesquisadores preferem manter o paciente em pé durante a retirada de fluido,
entretanto, dessa forma é mais provável que o epiplon cause obstrução da agulha,
com o paciente mantido em pé.

Fluido Pleural
Para retirada de fluido no tórax, o paciente deve estar em pé ou em decúbito
ventral/esternal. Tricotomize os pelos e prepare cirurgicamente a parede torácica do
5°– ao 11°– espaços intercostais. Infiltre uma pequena quantidade de anestésico local
do 7°– ao 8°– espaços intercostais na altura da junção costocondral. É preferível
acoplar um tubo extensor no conector da agulha ou do cateter, com um sistema de
três vias para a retirada do fluido pleural. Insira a agulha ou cateter na parede
torácica preparada cirurgicamente, tomando cuidado com os vasos intercostais
localizados na região caudal de cada costela. Para uma completa descrição desta
técnica, deve-se consultar outras literaturas (Ford e Mazzaferro, 2006).

Fluido Pericárdico
Para a remoção de líquido do saco pericárdico, realize a sedação do paciente, se
necessário. Prepare cirurgicamente uma área entre o 5°– e o 7°– espaços intercostais
bilateralmente. Posicione o paciente em decúbito lateral ou esternal. Mantenha o
paciente com monitoração de ECG, para avaliação de arritmias durante o
procedimento. Infiltre uma pequena quantidade de anestésico local do 7°– ao 8°–
espaços intercostais na altura da junção costocondral, ou aproximadamente na região
de intersecção de tórax médio e inferior. Utilize um cateter ou sistema Intrafusor®
com uma válvula de três vias acoplada em uma seringa de 30 mL. Mantenha sempre
uma pressão negativa na seringa enquanto a parede torácica estiver sendo
puncionada. Cuidadosamente avance a agulha para o 4°– espaço intercostal por meio
de uma pequena incisão em direção ao coração. Avance a agulha até encontrar
resistência (vinda do pericárdio). A resistência será rompida no momento em que
entrar no saco pericárdico e um pequeno jato de sangue for normalmente observado.
Fixe o tubo ou cateter para que esteja de forma segura dentro do saco pericárdico.
Para uma completa descrição dessa técnica, devem-se consultar outras literaturas
(Ford e Mazzaferro, 2006).

Manipulação da amostra
Observe a cor e a característica do fluido no início da retirada (Fig. 6-1). Se o fluido
for inicialmente claro e se tornar vermelho, é provável que haja contaminação
sanguínea iatrogênica. O fluido deverá ser coletado em um frasco de tampa lilás (com
anticoagulante EDTA) para citologia e em tubo de tampa vermelha (ou outro tubo
estéril sem aditivos), para uma possível cultura bacteriana. Também no momento da
coleta, faça esfregaços diretos de amostras não centrifugadas por deslizamento ou por
técnica de esfregaço sanguíneo e esfregaços de amostras centrifugadas. As colorações
do tipo Romanowsky como a coloração de Wright ou Wright em base aquosa (rápida)
podem ser aplicadas em poucas amostras para uma avaliação imediata. Os esfregaços
restantes não corados, assim como as em EDTA e os fluidos em tubos de sorologia,
devem ser encaminhados para o laboratório. Isso irá permitir ao patologista clínico
avaliar a amostra para comparar a celularidade da amostra e a aparência das células
no momento da coleta, com o que está sendo submetido no tubo.

Figura 6-1 Cores e características de efusão. Aparência visual de diversas efusões. Da esquerda
para a direita são: (a) claro e incolor – transudato; (b) amarela e levemente turva – transudato
modificado; (c) vermelha e levemente turva (provável hemolisado de hemácias) – hemorragia; (d)
laranja e turva – provável fluido inflamatório com sangue; (e) fluido sedimentado – observe uma
espessa massa de células no fundo do tubo; (f) vermelho e turvo-sanguinolento resultado de
hemorragia ou contaminação iatrogênica; (g) marrom e levemente turvo – possível bile ou ruptura de
hemácias.

Avaliação laboratorial

Quantificação de Proteína
A quantificação de proteína é normalmente realizada por refratometria, entretanto,
algumas instituições determinam proteína pelo espectrofotômetro ou pela análise
automatizada. Ambos os métodos oferecem uma leitura acurada em uma vasta gama
de concentração de proteínas (George, 2001; George e O’Neill, 2001). Foi observado
que em efusões caninas que a refratometria subestima o conteúdo proteico quando for
< que 2,0 g/dL e que o método de espectofotometria é mais acurado quando
apresenta um conteúdo proteico maior (Braun et al., 2001). Outros descreveram que
refractometria pode ser utilizada com mais acuidade quando está abaixo de 1,0 g/dL
(George e O’Neill, 2001). Pode ocorrer um achado similar subestimando o conteúdo
proteico em efusões felinas com refratometria (Papasouliotis et al., 2002). Neste
mesmo estudo, um analisador químico seco produziu um aumento na concentração de
globulina e, portanto, uma menor relação albumina/globulina (A: G), quando
comparado com um analisador úmido usando metodologias semelhantes de biuretos e
bromocresol verde (Papasouliotis et al., 2002). Este achado é particularmente
importante quando a relação A:G diminuída auxilia um diagnóstico de peritonite
infecciosa felina (Hartmann et al., 2003).

Para amostras túrbidas ou turvas e amostras de sangue, o fluido deve ser


centrifugado e a proteína mensurada do sobrenadante. A turbidez pode interferir com
a avaliação da proteína tanto por refratometria quanto por espectofotometria. O
conteúdo proteico é utilizado com a contagem de células nucleadas para a
classificação da efusão e auxilia na formulação de uma lista das causas possíveis.

Hematimetria e Contagem de Células Nucleadas Totais


Embora uma impressão inicial de celularidade e quantidade de sangue possa
normalmente ser realizada através de uma inspeção visual da amostra (Fig. 6-1), o
conhecimento real da contagem de células para eritrócitos e para células nucleadas
será importante para classificar o tipo de fluido. Com essa informação, podemos
começar a estreitar a lista de possíveis causas do acúmulo de fluido de forma
anômala. Para amostras submetidas para um laboratório de referência, a colocação
da amostra em um tubo com tampa lilás (EDTA) e também em tubo com tampa de cor
vermelha é recomendada. O tubo com tampa lilás contém anticoagulante, que evita a
coagulação da amostra, se houver conteúdo altamente proteico. O EDTA é
bactericida, logo, é contraindicado se a amostra for cultivada (Songer e Post, 2005).
Assim, parte do fluido deve ser também colocado em um tubo de tampa vermelha ou
em um tubo estéril sem aditivos. A contagem de células será realizada com um
hemocitômetro ou com um equipamento automático de contagem celular. Se a
quantidade de fibrinogênio da amostra for alta, então a amostra do tubo de tampa
vermelha deverá coagular, produzindo resultados errôneos.

Nota: Não use tubos sorológicos separadores (TSS) com gel para o envio de
fluidos para o laboratório de referência. As células podem se ligar ao gel desses
tubos e levar a um resultado com uma contagem baixa de células
artificialmente.

Diferencial de Células Nucleadas


Os procedimentos básicos para realizar uma diferenciação de células nucleadas
variam entre os laboratórios. Alguns laboratórios não diferenciam, outros diferenciam
em três partes de 100 células (células mononucleadas grandes, células mononucleadas
pequenas e neutrófilos), enquanto outros irão fornecer uma diferenciação de 100
células de todos os tipos observados. A diferenciação promove uma imagem dos tipos
e números celulares e ajuda na instituição de uma lista de causas potenciais de
acúmulo de fluidos. Uma diferenciação não é um substituto para uma avaliação
citológica. A avaliação citológica é realizada no intuito de determinar um diagnóstico
específico.

Citologia normal e hiperplasia

Normalmente, apenas uma pequena quantidade de fluido é encontrada nos espaços


peritoneal, pleural e pericárdico, logo, a avaliação citológica não é realizada, a não
ser que haja aumento na quantidade de fluido acumulado. O fluido normal é claro e
incolor (Fig. 6-1). Diversos tipos de células podem ser encontrados em efusões de
cavidade corporal e suas proporções relativas variam dependendo da causa do
acúmulo de fluido. É esperada a presença de células em um fluido normal incluindo
fagócitos mesoteliais mononucleares, linfócitos e raros neutrófilos. O mesotélio irá
rapidamente se tornar hiperplásico ou reativo quando houver um aumento no fluido
da cavidade corporal ou se uma inflamação estiver presente.

Células Mesoteliais
Na maioria dos casos, o citologista irá encontrar células mesoteliais reativas em
fluidos de cavidade corporal. Estas são consideradas células mononucleares grandes
em um diferencial celular de três partes. As células mesoteliais podem ser vistas como
células individualizadas ou em aglomerados de tamanhos variados. Eles contêm uma
quantidade moderada de citoplasma azulado (Fig. 6-2). As células mesoteliais
hiperplásicas são grandes (12 a 30 μm) com citoplasma azul-escuro e podem mostrar
um bordo citoplasmático de rosa a vermelho “franjado” (Fig. 6-3A e B). Esta
característica ajuda a identificar estas células como células mesoteliais. Estas células
podem conter um ou mais núcleos de tamanho igual (Fig. 6-3B). Os nucléolos podem
ser visíveis e ocasionalmente figuras mitóticas podem ser evidenciadas.

Figura 6-2 Célula mesotelial normal. Célula esfoliada em uma efusão com sua franja rosa
característica junto do bordo citoplasmático. (Wright-Giemsa, Óleo HP.)
(De Meyer DJ, Franks PT: Classification and cytologic examination, Compend Contin Educ Pract Vet 9:123-29, 1987.)

Figura 6-3 Célula mesotelial reativa. A, Célula mesotelial binucleada esfoliada (direita superior)
e macrófago levemente vacuolado e basofílico em uma efusão. A célula mesotelial tem uma franja rosa
característica junto do bordo citoplasmático. (Wright modificado, Óleo HP.) B, Um grupo frouxo de
células mesoteliais reativas variáveis na franja do esfregaço, feito com uma efusão. Essas células
podem conter um ou mais núcleos. Observe a presença de “franja” (glicocálice) nas células mesoteliais.
Diversas células contêm grânulos escuros paranucleares, o significado disso é desconhecido. (Wright
modificado; Óleo HP.)

Macrófagos
Os macrófagos são células mononucleares com citoplasma de cinza-claro a azul-claro
abundante e um núcleo redondo a reniforme (Figs. 6-3A e 6-4). A cromatina pode ser
fina e os nucléolos podem ser visíveis. Os macrófagos normalmente contêm vacúolos
ou células previamente fagocitadas e/ou debris, se houver inflamação ou se o fluido
estiver exposto há muito tempo (Fig. 6-5). Os macrófagos são considerados células
mononucleares grandes em um diferencial de três partes.

Figura 6-4 Macrófagos. Estão presentes três macrófagos de indistinguíveis a levemente


basofílicos e vacuolados de uma efusão. (Wright modificado; Óleo HP.)

Figura 6-5 Macrófago. Neutrófilos. Evidenciados um macrófago moderadamente vacuolado e


basofílico e dois neutrófilos não degenerados. (Wright modificado; Óleo HP.)

Células Linfoides
Os linfócitos pequenos e médios encontrados em efusões aparecem similares aos
encontrados em sangue periféricos. Estas células nucleadas normalmente apresentam
um anel fino de citoplasma levemente basofílico e um núcleo redondo. Os linfócitos
são considerados células mononucleares pequenas em um diferencial de três partes.
Em fluidos normais eles se apresentam em maiores proporções em gatos e bovinos do
que em cães e cavalos. O núcleo praticamente ocupa toda a célula, produzindo uma
proporção núcleo-citoplasma (N:C) uniformemente alta. A cromatina é de finamente
pontilhada a uniformemente aglomerada e os nucléolos não são visíveis (Fig. 6-6A e
B).

Figura 6-6 A, Fluido normal/transudato. Observe o macrófago e um linfócito pequeno com


diversos eritrócitos. O fluido normal e transudatos contêm uma contagem muito baixa de células
nucleadas (< 1.000/μL) e conteúdo de baixa proteína (< 2,5 g/dL). (Romanowsky; Óleo HP.) B,
Transudato modificado. Pleural. Gato. As células de efusão estão concentradas nesse animal com
miocardiopatia. Observe um grande macrófago, muitos linfócitos pequenos e neutrófilos não
degenerados. Esse fluido apresentava 2,5 g/dL de proteínas e um aumento da contagem de células
nucleadas de 4.000 células/μL. O macrófago fagocitou uma hemácia. (Romanowsky; Óleo HP.)

Neutrófilos
Os neutrófilos aparecem similares aos encontrados em sangue periférico. Eles são
células de tamanho mediano com citoplasma pálido a claro e um núcleo segmentado.
Os neutrófilos devem ser ausentes ou presentes em números muito baixos em um
fluido normal, mas eles são encontrados em grande número com acúmulo crônico de
fluido ou com inflamação (Figs. 6-5 e 6-6B).

Classificação geral de efusões

As efusões são normalmente classificadas como transudatos, transudatos modificados


e exsudatos, relacionadas com a concentração proteica, contagem de células
nucleadas e tipos de células presentes (Tabela 6-1).

Tabela 6-1 Classificação de Efusões Cavitárias Corporais Baseada nas Características Fluidas

Transudato
Os fluidos são classificados como transudatos quando apresentam um conteúdo
proteico pequeno e uma contagem celular baixa (proteína < 2,5 g/dL e células <
1.000/μL). Estes fluidos aumentam no volume em resposta a mecanismos fisiológicos,
como o aumento na pressão hidrostática vascular ou na diminuição da pressão
osmótica coloidal, causados pelo mecanismo homeostático normal de produção de
fluidos e o bloqueio da reabsorção. Algumas causas de acúmulo de transudato incluem
hipoalbuminemia severa, hipertensão portal, insuficiência hepática, shunt
portossistêmico e insuficiência miocárdica precoce. As células comumente encontradas
no transudato são similares aos encontrados no fluido normal, que são na sua maioria
de células mononucleares consistindo em macrófagos, linfócitos pequenos e células
mesoteliais (Fig. 6-6A). Os neutrófilos compõem uma pequena proporção da
população.

Transudato Modificado
Um fluido é classificado como um transudato modificado quando o transudato
modifica suas características físicas. O acúmulo de fluido transudativo em uma
cavidade corporal causa aumento na pressão, que é irritante para as células
mesoteliais que revestem o espaço. Eles respondem pela proliferação e descamação do
tecido para a efusão. Com o tempo, as células mesoteliais descamadas morrem e com
isso liberam quimiotáticos que atraem um pequeno número de fagócitos para a efusão
para remover os debris celulares. O resultado é um aumento leve tanto na proteína
total (≥ 2,5 g/dL) quanto na contagem de células nucleadas (menos que 5.000/μL).
Logo, os transudatos modificados são geralmente transudatos que estiveram presentes
por tempo suficiente para promover uma reação inflamatória leve (Fig. 6-6B). É
muitas vezes associada a doença cardiovascular ou a condições neoplásicas.

Em casos em que têm uma duração prolongada, os transudatos modificados podem


apresentar uma aparência visual turva à quase leitosa. Esses fluidos se assemelham
fortemente ao quilo e, de fato, no passado eram denominados “efusões
pseudoquilosas” (um termo não mais utilizado). A aparência visual destes fluidos é o
resultado de um conteúdo altamente lipídico (devido ao conteúdo maior de colesterol
do que de soro), mas não há relação com uma efusão quilosa verdadeira, pois não há
presença de triglicerídeos ou quilomícrons (Hillerdal, 1997; Tyler e Cowell, 1989). Os
fagócitos atraídos para removerem os debris celulares dos transudatos são ricos em
enzimas que digerem a proteína, mas são virtualmente desprovidos de enzimas que
quebram complexos lipídicos. Consequentemente, enquanto a maioria dos
constituintes das células mortas é removida pelos fagócitos, o conteúdo lipídico das
células simplesmente acumula na efusão. As efusões formadas dessa maneira são
facilmente distinguidas citologicamente das efusões quilosas verdadeiras.

O principal constituinte celular do transudato modificado é a célula mesotelial


reativa (Fig. 6-3A). Por causa da habilidade da célula mesotelial em responder a uma
irritação pela proliferação, a presença de número aumentado de aglomerados e
placas de células mesoteliais é um achado comum na reação (Fig. 6-3B). As mitoses
são aumentadas e ocasionalmente células mesoteliais reativas multinucleadas são
observadas. As células mesoteliais reativas em aglomerados são capazes de absorver
lipídeos do fluido da efusão e quando eles o fazem, eles carregam as características de
células secretórias. Com esta forma, eles devem ser diferenciados de adenocarcinoma
metastático ou mesotelioma. Isso deve ser realizado por uma avaliação cuidadosa da
população celular pelo critério de malignidade.

Com o amadurecimento do transudato modificado, a proporção de células


inflamatórias irá aumentar. Na maioria dos casos, a principal célula inflamatória é o
neutrófilo não degenerado, mas os neutrófilos raramente contam em mais de 30% do
total da população de células. Ao longo do tempo, o transudato modificado torna-se
gradualmente indistinguível citologicamente de um exsudato não específico. Um
método utilizado para distinguir transudatos modificados de exsudatos ou transudatos
de exsudatos é mensurar as concentrações de proteína C reativa em efusões caninas
(Parra et al., 2006).

Exsudato
Os exsudatos são o resultado do aumento da permeabilidade vascular secundária a
uma inflamação ou dano/vazamento vascular (efusão hemorrágica, efusão quilosa).
Um fluido exsudativo normalmente apresenta um aumento proteico e um aumento na
contagem de células nucleadas. A concentração de proteína total é normalmente
maior do que 3,0 g/dL junto com contagem de células maior do que 5.000/μL. As
causas infecciosas de exsudato incluem bactérias (Fig. 6-7A e B), fungos, vírus,
protozoários como o Toxoplasma (Toomey et al., 1995) ou helmintos como o
Mesocestoides sp. (Caruso et al., 2003). As causas não infecciosas envolvem
inflamações orgânicas, como pancreatite, esteatite e neoplasias inflamatórias e
irritantes como bile ou urina. A avaliação citológica é útil para determinar as causas
primárias nos casos de efusões exsudativas.
Figura 6-7 A, Peritonite séptica. Cão. Numerosos neutrófilos degenerados são notados com um
grande número de bactérias pleomórficas, ambos no fundo e nos neutrófilos. Esse esfregaço
concentrado era de um cão com abscesso pancreático rompido. (Wright modificado; Óleo HP.) B,
Exsudato séptico. Pleural. Gato. Os neutrófilos degenerados estão intumescidos, com citoplasma
esponjoso ou vacuolado e também com núcleos líticos inchados. Observe a presença de bacilos
pequenos, Gram-positivos e pleomórficos. Culturas aeróbicas e anaeróbicas são recomendadas em
casos de piotórax. Esta amostra contém muitas células nucleadas (> 100.000 células/μL) e proteína
> 3,0 g/dL. (Gram; Óleo HP.)

As efusões inflamatórias são classificadas de acordo com as regras básicas de


inflamação como neutrofílicas, mistas ou macrofágicas. Em reações neutrofílicas, os
neutrófilos (tanto os não degenerados quanto os degenerados) compreendem > 70%
das células inflamatórias observadas. As reações mistas são caracterizadas pela
mistura de neutrófilos e macrófagos. Na inflamação histiocítica, os macrófagos são as
células prevalentes observadas.

A maioria das efusões inflamatórias são citologicamente inespecíficas em termos de


diagnóstico etiológico. Entretanto, como em qualquer resposta inflamatória, a
citomorfologia fornece pistas significativas para a causa primária. As efusões
inflamatórias neutrofílicas indicam uma irritação severa (Fig. 6-8). Se os neutrófilos
estão degenerados, um esforço deve ser realizado para identificar o organismo
bacteriano nos fagócitos (anteriormente neutrófilos). Isso é mais fácil na extremidade
da franja do esfregaço. Se os organismos não forem vistos, o fluido deve ser cultivado.
As efusões inflamatórias mistas e macrofágicas mostram uma irritação menos severa e
são encontradas em efusões agudas em resolução ou em associação a agentes
etiológicos menos irritantes do que as bactérias (p. ex., organismos fúngicos ou corpos
estranhos). A avaliação química de fluidos de efusão é útil para identificar sepse.

Figura 6-8 Exsudato não séptico. Peritoneal. Cão. Fluido concentrado de um animal com
pancreatite mostrando um aglomerado de células mesoteliais reativas e neutrófilos. A proteína contida
nesta amostra era de 3,0 g/dL com contagem celular de 8.000 células/μL. A maioria das células é de
neutrófilos, sugerindo uma condição inflamatória inicial. Testes futuros (p. ex., lipase sérica e do
fluido ou ultrassonografia) devem ser realizados para determinar a causa específica do acúmulo de
fluido. (Romanowsky, Óleo HP.)

As efusões sépticas podem ser diagnosticadas pelo uso de parâmetros bioquímicos


em cães e gatos. Foi demonstrado que os fluidos de efusão em cães e gatos com um pH
< 7,2, pCO2 > 55 mmHg, concentração de glicose < 50 mg/dL e concentração de
lactato > 5,5 mmol/L são altamente sugestivos de infecção bacteriana (Swann et al.,
1996). Um estudo envolvendo fluido peritoneal em cães e gatos avaliou as
concentrações de glicose sanguínea e de fluido de efusão. Este estudo constatou que a
diferença de glicose sanguínea e da efusão > 20 mg/dL fornece um meio rápido e
confiável para diferenciar fluidos de efusão séptico e asséptico (Bonczynski et al.,
2003). Nesse estudo, uma diferença na concentração de lactato sanguíneo e de efusão
em cães < – 2,0 mmol/L foi 100% sensível e 100% específico para o diagnóstico de
peritonite séptica.
Tipos específicos de efusões

Enquanto a maioria das efusões inflamatórias são citologicamente inespecíficas,


algumas etiologias causam reações com aspectos diagnósticos característicos. Estas
efusões são discutidas a seguir.

Peritonite Infecciosa Felina


A peritonite infecciosa felina (PIF) é a única entre as causas de efusão inflamatória
em que o fluido que se acumula é normalmente alto em proteína, mas apresenta
baixa celularidade (McReynolds et al., 1997). A classificação como efusão inflamatória
é baseada principalmente na presença de proteína total elevada (normalmente > 4,5
g/dL), que é um reflexo de um aumento semelhante de proteína sérica. A eletroforese
tanto do fluido de efusão quanto do soro revela uma gamopatia policlonal. Uma
relação albumina-globulina abaixo de 0,8 no fluido é bem sugestiva de PIF. Tem sido
relatado que caso a gamaglobulina seja maior do que 32% da proteína no fluido da
efusão, isso é sugestiva de PIF (Shelly et al., 1988). Outro teste que pode ajudar a
confirmar ou descartar a PIF é o teste de Rivalta. Para a realização desse teste
relativamente simples, coloque uma gota de ácido acético a 98% em 5 mL de água
destilada e misture bem em um tubo de ensaio. Então, adicione lentamente uma gota
do fluido da efusão na superfície da solução de ácido acético. Um resultado positivo
requer que a gota de efusão mantenha sua forma na superfície ou precipite
lentamente para o fundo com a forma de uma gota ou de uma água-viva (Fig. 6-9A).
Esse teste indica um alto conteúdo proteico assim como fibrina e mediadores
inflamatórios. Esse teste apresenta um valor preditivo positivo de 86% e um valor
preditivo negativo de 97% (Hartmann et al., 2003). Um teste citológico mais
específico para PIF envolve a imunofluorescência de coronavírus intracelular felino
(V CoF) em macrófagos da efusão. Quando positivo (Fig. 6-9B), esse teste é o
diagnóstico para PIF, entretanto, um valor preditivo negativo é de 57%, logo, um
resultado negativo pode falhar em casos de PIF (Hartmann et al., 2003).
Figura 6-9 A-C, Efusão abdominal, gato. A, Teste de Rivalta. Resultados positivos do teste são
indicados pela camada de gel no topo da solução de ácido acético. O fluido é de um gato com PIF
confirmado por PCR. O gato estava moderadamente ictérico. Observe as estrias amarelas de gel no
meio do tubo do material parcialmente flutuante. B, Teste de imunofluorescência V CoF. Um teste
citológico específico para PIF envolve a imunofluorescência de coronavírus felino intracelular (V CoF).
Evidenciados três macrófagos infectados e intactos (verde) presentes em fluido abdominal de um gato
com PIF. (V CoF; Óleo HP.) C, Este esfregaço concentrado é de um gato diagnosticado com PIF.
Observe os macrófagos moderadamente basofílicos e neutrófilos não degenerados. O fundo contém
proteína basofílica grosseiramente granular assim como proteína basofílica em forma de lua crescente
e fibrina em corda. (Wright modificado; Óleo HP.) D, Exsudato asséptico. Peritoneal. Gato. Este
animal foi diagnosticado com PIF. O fluido contém macrófagos esponjosos e vacuolados, neutrófilos
levemente degenerados e células linfoides de intermediárias a grandes. Os linfócitos podem ser de
tamanho intermediário e aparecerem reativos em alguns casos de PIF. Observe também o precipitado
granular proteico por toda a parte. (Romanowsky, Óleo HP.)
(A, foto por Sam Royer, Purdue University. B, Cortesia de Jacqueline Norris, University of Sydney, Austrália.)

Citologicamente, esses fluidos normalmente apresentam um número de células


relativamente baixas (1.000 a 30.000/μL) e são inconsistentes no que diz respeito aos
tipos celulares presentes. Na maioria dos casos a célula predominante é o neutrófilo
não degenerado (Fig. 6-9 C). Entretanto, podem ser vistas reações mistas a
macrofágicas (Fig. 6-9D). Em casos raros, há uma predominância de linfócitos.
Independentemente do tipo celular predominante, as lâminas apresentam um fundo
granular roxo em todos os casos, que é o resultado de um conteúdo altamente
proteico (Fig. 6-9 C).

Efusões Nocárdicas/Actinomicóticas
As bactérias complexas como a Nocardia asteroides e Actinomyces sp. são causas
importantes de efusões tanto peritoneais quanto pleurais em cães e gatos.
Visualmente, essas efusões são de turvas e amarelas a tingidas de sangue dando um
aspecto de “sopa de tomate”. Mesmo quando coletadas em EDTA, normalmente
contêm partículas ou grânulos (os chamados “grânulos de enxofre”) (Songer e Post,
2005).

Com base nos parâmetros físicos, essas efusões são tipicamente exsudatos, com
proteína total alta e celularidade muito alta. Devido a sua alta celularidade, os
esfregaços diretos são geralmente adequados para o exame citológico. Se forem
observadas partículas no fluido, é importante realizar preparados de macerado dessas
partículas, além dos esfregaços apenas do fluido.

Microscopicamente, as infecções nocárdicas e actinomicóticas são caracterizadas


por uma inflamação de neutrofílica a mista, provavelmente dependendo da duração
da doença. Em reações mais crônicas, há normalmente um componente celular
mesotelial significativo para a resposta. Uma característica marcante da resposta
inflamatória é a morfologia dos neutrófilos. Enquanto a maioria dos casos de pleurite
e peritonite sépticas é manifestada pela presença predominante de neutrófilos
degenerados, nas efusões nocárdicas e actinomicóticas a maioria dos neutrófilos
distantes dos organismos são não degenerados. Os neutrófilos degenerados são vistos
apenas quando estão bem próximos aos organismos, pois esses agentes, em contraste
com a maioria das outras bactérias, produzem apenas toxinas locais fracas. O efeito
em rede desse fenômeno é que os esfregaços nesses casos são facilmente interpretados
erroneamente como não infeccioso, principalmente se não houver presença
generalizada desses organismos. Como as partículas que são visíveis a olho nu
normalmente são compostas de colônias de bactérias, é extremamente importante que
preparações de macerados dessas partículas sejam examinadas para assegurar que o
diagnóstico não seja prejudicado (Fig. 6-10A e B).

Figura 6-10 Exsudato séptico, actinomicose. Pleural. Cão. Mesmo caso A-C. A, O esfregaço
direto de uma efusão pleural demonstra uma colônia densa (i.e., grânulos de enxofre) junto com
muitas células lisadas e estrias nucleares. Esses grânulos normalmente são arrastados para a franja do
esfregaço, que foi o caso desse esfregaço. (Wright modificado; IP.) B, Maior aumento da colônia em A.
(Wright modificado; IP.) C, O fluido apresentava uma inflamação supurativa severa com muitos
neutrófilos degenerados e macrófagos esponjosos. Organismos filamentosos curtos e longos e células
lisadas são visualizados por todo o fundo. Nas áreas de esfregaço sem bactérias (não mostrada), os
neutrófilos eram apenas levemente degenerados. (Wright modificado; IP.)

A morfologia desses organismos microscopicamente são muito características. As


colônias são compostas de organismos delicados filamentosos, muitas vezes frisados e
normalmente são encontrados na região de franja do esfregaço (Fig. 6-10 C). A
característica de diagnóstico mais marcante desses organismos é que os filamentos são
ramificados. Utilizando colorações hematológicas de rotina, a Nocardia não pode ser
diferenciada do Actinomyces. Entretanto, a Nocardia sp. é Gram-positiva e é ácido-
rápido positivo variável, enquanto o Actinomyces sp é Gram-positivo e ácido-rápido
negativo (Songer e Post, 2005).
O diagnóstico citológico deve ser confirmado pela cultura bacteriana da efusão
e/ou dos grânulos de enxofre. Como essas espécies têm uma necessidade especial de
cultura, é importante que o laboratório de bacteriologia esteja ciente do diagnóstico
provisório no envio da amostra.

Histoplasmose Sistêmica
A histoplasmose sistêmica causada pelo Histoplasma capsulatum é causa relativamente
frequente de efusão em cães que moram em Ohio River Valley (Estados Unidos).
Como o fungo é endêmico na área, a sorologia pode não ser um método de
diagnóstico confiável. Em muitos casos, é fundamental a identificação citológica do
organismo.

O fluido de efusão da histoplasmose é relativamente ímpar. É normalmente claro e


incolor. Com base nas características físicas, o fluido é um transudato modificado,
entretanto, citologicamente é claramente inflamatório com mais neutrófilos do que
observados em um transudato modificado típico em cães. Sempre que transudatos
modificados inflamatórios são vistos em cães, deve-se considerar a possibilidade de
histoplasmose no diagnóstico diferencial. Se observados em uma efusão, a doença é
considerada disseminada e pode ser encontrada em qualquer local, como no fígado,
no baço, na medula óssea, na parede retal e no sangue periférico.

A manifestação do organismo é realizada melhor em macrófagos (Fig. 6-11) na


região de franja do esfregaço. Os organismos de histoplasma medem,
aproximadamente, de 2 a 3 μm de diâmetro, são de redondos a ovoides no formato e
apresentam núcleo basofílico único cercado de uma parede celular espessa e incolor.
Nos fluidos, é comum encontrar organismos individuais livres no fundo. O único outro
organismo semelhante citologicamente e morfologicamente são as Leishmanias.
Entretanto, os protozoários de Leishmania são distinguidos pela presença de um
cinetoplasto, que dá a aparência de ter dois núcleos.
Figura 6-11 Histoplasmose. Cão. Um macrófago contendo numerosos organismos
leveduriformes ovais de 2 a 3 μm de Histoplasma capsulatum é visto no centro à esquerda. Há
numerosas hemácias no fundo do esfregaço. (Wright modificado; IP.)

Efusão Biliar
A ruptura da vesícula biliar ou do ducto biliar comum pode ocorrer em qualquer
espécie secundária a um trauma direto ou doença da árvore biliar. Além disso, é um
acompanhado incomum de hérnia diafragmática por qualquer motivo no cão e no
gato. Quando um trauma direto ocorre principalmente no sistema biliar, o vazamento
de bile é praticamente sempre restrito à cavidade peritoneal, causando uma
peritonite. Quando associado à hérnia diafragmática, o vazamento ocorre quando o
fígado está preso à fenda diafragmática e há necrose da vesícula biliar ou do ducto
biliar comum. Desse modo, ocorre tanto uma peritonite quanto uma pleurite. A bile é
uma substância muito irritante e sua presença promove uma resposta inflamatória
rapidamente. Visualmente, o fluido aparenta ser inicialmente de cor marrom (Fig. 6-
1G) a amarelado a esverdeado, entretanto, com o avançar da resposta, torna-se mais
e mais celular, e essa descoloração pode ficar mascarada. Normalmente, é possível
obter grande quantidade de fluidos.

Citologicamente, a característica marcante da efusão biliar é a presença de bile na


lâmina. Frequentemente, a bile é vista como um material granular variando de cor
amarela a verde a azul-escuro disperso no fundo da lâmina (Fig. 6-12A-C) e no
citoplasma dos neutrófilos, células mesoteliais reativas e macrófagos. Em reações de
duração mais longa, os grânulos biliares podem se transformar em cristais dourados,
romboides a amorfos, de pigmento biliar. Quando esses cristais são encontrados no
citoplasma de fagócitos de efusão, na ausência de uma hemorragia prévia (p. ex.,
eritrofagocitose), a possibilidade de uma efusão biliar deve ser fortemente
considerada. Além da aparência típica de efusões biliares, um material mucinoso
acelular, amorfo e fibrilar azul-acinzentado (Fig. 6-13A), tem sido associado à ruptura
da árvore biliar, particularmente do ducto biliar comum em cães (Owens et al., 2003).
Em vez da presença de grânulos biliares verdes ou amarelos, poças de material
extracelular são os achados citológicos predominantes. Suspeita-se que esse material
sem bile é produzido pelo epitélio biliar e de vesícula biliar como consequência de
uma obstrução biliar extra-hepática com a regurgitação de bile normal em linfonodos
e sangue venoso.

Figura 6-12 Efusão biliar. Peritoneal. Cão. Mesmo caso A-B. A, Neutrófilos degenerados são
cercados por um material biliar amorfo amarelo-escuro a preto que está livre no fundo. (Wright
modificado; Óleo HP.) B, Grande número de neutrófilos na sua maioria não degenerados
acompanhados da presença de material amorfo. O material biliar basofílico é coberto com um
precipitado do corante produzindo uma aparência granular rósea. Este fluido flocoso esverdeado
apresenta um nível de proteína de 3,0 g/dL e uma contagem estimada de células nucleadas acima de
60.000/μL. (Wright-Giemsa; Óleo HP.) C, Observe um material cristalino marrom-dourado,
neutrófilos vacuolados e macrófagos. Alguns dos neutrófilos contêm núcleo picnótico e outros contêm
núcleos cariolíticos. (Romanowsky; Óleo HP.)
(A e B, Cortesia de Rose Raskin, University of Florida.)
Figura 6-13 Peritonite biliar. Cão. Mesmo caso A-C. A, Este é um esfregaço concentrado de
fluido de um cão com uma ruptura de vesícula biliar. Observe os numerosos neutrófilos e lagos de
material mucinoso amorfo azul-acinzentado que está presente em todo o fundo (Wright modificado;
IP.) B, Observe a inflamação supurativa com neutrófilos com degeneração variável assim como
macrófagos basofílicos e esponjosos. Um material amorfo azul acinzentado, provavelmente mucina, é
visto no fundo. (Wright modificado; IP.) C, Observe a inflamação supurativa e macrófagos esponjosos
que contêm proteína mucinosa e levemente granular. (Wright modificado; IP.)

Normalmente, a resposta celular à bile é mista com grande número de neutrófilos


quase sempre presentes (Fig. 6-13B e C). O grau de degeneração dos neutrófilos é
variável. Além disso, a bile causa irritação severa das células mesoteliais que revestem
as cavidades corporais, causando uma hiperplasia acentuada de células mesoteliais
reativas.

Os níveis de bilirrubina de fluido estão nitidamente aumentados e muito acima dos


níveis sorológicos, podendo levar ao diagnóstico de efusão biliar (Owens et al., 2003).

Efusão Eosinofílica
As efusões com mais de 10% de eosinófilos são denominadas efusões eosinofílicas
independente do conteúdo proteico ou da contagem de células. Essa condição é
raramente vista na medicina veterinária. Com um grande número de eosinófilos,
visualmente o fluido parece ter uma cor verde. A presença de eosinófilos não fornece
um diagnóstico específico e a causa é desconhecida na maioria desses casos. As
neoplasias como o linfoma ou mastocitose envolve metade dos casos em um estudo
(Fossum et al., 1993). O verme do coração, mastocitose sistêmica, pneumonia
intersticial, granulomatose eosinofílica disseminada e granulomatose linfomatoide são
as outras possibilidades em cães (Mertens et al., 2005; Bounous et al., 2000).

Uroperitôneo
Urina em espaço peritoneal causa uma irritação química. O conteúdo proteico pode
ser muito baixo pela diluição da urina, mas a contagem de células e o tipo celular
predominante são normalmente indicativos de inflamação ou de um exsudato (Tabela
6-1). No início da doença, uma população celular mononucleada pode ser
predominante, sugestiva de transudato modificado. Bactérias podem ou não estar
presentes. Os neutrófilos expostos ao material irritante podem evidenciar cariólise
com bordos nucleares ásperos (Fig. 6-14). Em alguns casos, cristais urinários são
encontrados no exame citológico, o que leva ao diagnóstico de uroperitôneo. Em um
estudo em gatos, a creatinina ou potássio estava aumentado no fluido e serviu como
um previsor útil para uroperitôneo, geralmente com uma relação de 2:1, comparada
com ao que é encontrado no soro (Aumann et al., 1998). Uma avaliação simultânea
de creatinina sérica e do fluido deve mostrar uma creatinina mais alta no fluido, que
se equipara mais lentamente do que a ureia sanguínea. Além disso, a relação Na:K
sérico também tende a diminuir em casos de uroabdome (Aumann et al., 1998;
Burrows e Bovee, 1974).

Figura 6-14 Uroperitôneo. Cão. O fluido contendo um grande número de neutrófilos, muitos dos
quais aparecem similares com esta célula “áspera”. A urina age como um irritante químico causando
alterações cariolíticas nas células. (Wright-Giemsa; Óleo HP.)
(Cortesia de Rose Raskin, University of Florida.)

Ascite Parasitária (Cestodíase Abdominal)


Em um pequeno número de cães com ascite, normalmente do oeste norte-americano,
a etiologia é uma cestodíase aberrante de infecção por Mesocestoides (Stern et al.,
1987; Crosbie et al., 1998; Caruso et al., 2003). Raros relatos envolvem a infecção em
gatos. Aspirados peritoneais de cães anoréxicos e ascíticos são macrofágicos com
aparência de pudim de tapioca ou creme de farinha (Fig. 6-15). Cestoides móveis
podem ser vistos no fluido a olho nu. Os exames microscópicos devem evidenciar
metacestoides acéfalos ou tecidos acelômicos com corpúsculos calcáreos (Fig. 6-16),
que podem ser visualizados em infecções inespecíficas por cestódeos. Menos
frequentemente vistos são os metacestódeos com tetratirídeos visíveis, uma forma
larvar única com quatro sugadores que representa a forma de reprodução assexuada
em infecção por Mesocestoides spp. (Fig. 6-17). Os ovos do cestódeo, na maioria das
vezes, não são encontrados nas fezes (Crosbie et al., 1998).

Figura 6-15 Cestodíase. Peritoneal. Cão. O fluido ascítico apresentava uma aparência visual de
pudim de tapioca. A mobilidade desses grânulos pode ser observada a olho nu.
(Cortesia de Jocelyn Johnsrude, IDEXX, West Sacramento, CA.)
Figura 6-16 Cestodíase. Tecido de metacestoide acelômico com debris degenerados amorfos e
corpúsculos calcáreos. Células inflamatórias também estão presentes ao redor da estrutura.
(Romanowsky, LP.)

Figura 6-17 Cestodíase. Estágio larvar tetratirídeo. O mesmo caso da Figura 6-15 Observe as
estruturas ovais em uma extremidade que representa os sugadores e identifica o parasita como sendo
Mesocetoides spp. (Romanowsky, LP.)

Efusões Quilosas
As efusões quilosas contêm quilo, que é a mistura de linfa e quilomícrons. Os
quilomícrons são derivados de lipídios da dieta processados no intestino e
transportados pelas vias linfáticas e são compostos principalmente de triglicerídeos.
Historicamente, as efusões quilosas eram atribuídas ao resultado de uma ruptura do
ducto torácico. É sabido agora que existe uma variedade de causas para efusões
quilosas e que a ruptura do ducto torácico é incomum. As causas de efusão quilosa em
cavidade torácica incluem doença cardiovascular, neoplasia (p. ex., linfoma, timoma
e linfangiossarcoma), verme do coração, hérnia diafragmática, torção pulmonar,
granulomas fúngicos mediastinais, tosse crônica, vômitos ou idiopática (Fossum,
1993; Fossum et al., 1986a; Forrester et al., 1991; Waddle e Giger, 1990). Em um
estudo (Fossum et al., 1986a), cães da raça Afghan hound aparentavam ter uma alta
incidência de quilotórax comparados a outras raças de cães. Aparentemente, efusões
pleurais quilosas são mais comuns em gatos do que em cães, presumivelmente pelas
vias linfáticas serem mais facilmente lesadas por trauma ou obstrução.
A ascite quilosa é menos comum. As causas para quiloperitôneo incluem neoplasia
intra-abdominal, esteatite, cirrose biliar, ruptura ou vazamento linfático, acúmulo
pós-operatório após ligamento de ducto torácico, anomalias linfáticas congênitas e
outras causas (Fossum et al., 1992; Gores et al., 1994).

Visualmente, efusões quilosas são descritas como fluidos “leitosos” de brancos a rosa
esbranquiçados, dependendo do conteúdo gorduroso da dieta e a presença ou
ausência de hemorragia (Fig. 6-18A e B). Alguns casos de efusão quilosa apresentam
um fluido claro a serossanguinolento. As efusões quilosas contêm uma concentração
mais alta de triglicerídeos do que encontrado no soro, numa relação normalmente
acima de 3:1 (Meadows e MacWilliams, 1994). Uma relação colesterol-triglicerídeo
(C/T) menor que 1 costuma ser considerada característica de efusão quilosa (Fossum
et al., 1986b). Baseada em estudos eletroforéticos de lipoproteína, a efusão pleural
quilosa pode ser identificada melhor pela concentração de triglicerídeo fluida maior
do que 100 mg/dL e efusões não quilosas pela concentração menor que 100 mg/dL
(Waddle e Giger, 1990). Nesses estudos a relação C/T foi menos confiável.

Figura 6-18 Efusão quilosa. Pleural. Gato. A, A cor rósea é encontrada nessa efusão quilosa,
indicando a presença de algum grau de hemorragia. O fluido apresentava uma contagem de células
nucleadas de 13.000/μL, 267 mg/dL de triglicerídeos e 169 mg/dL de colesterol. B, O fluido turvo
“leitoso” na maioria dos casos ocorre devido à presença de quilo. Mensuração de níveis altos de
triglicerídeos no fluido confirma o diagnóstico. A contagem de células desta amostra é <
10.000 células/μL e a proteína é de 4,0 g/dL.
(A, Cortesia de Rose Raskin, University of Florida.)
A contagem celular e a concentração proteica estão aumentadas comparadas com
os níveis de transudato puro, e assim as efusões quilosas geralmente se enquadram na
categoria de transudato modificado ou exsudato (mais comum), dependendo do grau
de cronicidade. A avaliação da proteína total pela refratometria pode ser falsa,
devido a interferência do teor de lipídio que contém a solução (George, 2001).

Citologicamente, eles são caracterizados pela presença de um grande número de


linfócitos pequenos morfologicamente normais (Figs. 6-19 e 6-20A). Um menor
número de linfócitos reativos também está frequentemente presente. Como esses
fluidos são levemente irritantes, efusões quilosas de longo tempo também podem
conter um número moderado de células mesoteliais reativas e outras células
inflamatórias que podem conter lipídio fagocitado. Este lipídio geralmente aparece
como vacúolos múltiplos, discretos e incolores no citoplasma (Fig. 6-20B). Em alguns
casos de efusão quilosa crônica apresentam um número significativo de eosinófilos. A
presença de lipídio no fundo da lâmina, visualizada como gotículas pequenas e não
coradas na periferia de células nucleadas é variável.

Figura 6-19 Efusão quilosa. Peritôneo. Cão. Este esfregaço direto é característico do esfregaço
inteiro. É composto basicamente de linfócitos pequenos. Como o lipídio na solução age como um
detergente, numerosas células lisadas estão presentes, pois as deixam particularmente frágeis. (Wright
modificado; Óleo HP.)
Figura 6-20 Efusão quilosa. Pleural. Gato. A-B mesmo caso da Figura 6-18 B. A, Observe os
linfócitos pequenos, neutrófilos, um eosinófilo (seta) e um grande macrófago. Efusões quilosas iniciais
contêm predominância de linfócitos pequenos e macrófagos. Com o aumento da duração da presença
do fluido, haverá um aumento no número de neutrófilos e eosinófilos. (Romanowsky, Óleo HP.) B,
Preparado concentrado. Observe os vacúolos lipídicos pontilhados nos macrófagos junto com
linfócitos pequenos, neutrófilos e um pequeno número de hemácias. (Romanowsky; Óleo HP.)

Efusões Hemorrágicas
As efusões hemorrágicas verdadeiras podem ocorrer em qualquer das principais
cavidades corporais. Visualmente, essas efusões são vermelhas a serossanguinolentas,
dependendo da idade do exsudato e da extensão da hemorragia. As avaliações físicas
revelam um reflexo dos níveis proteicos, mas um pouco menor do que encontrado no
sangue periférico. A contagem tanto de células nucleadas quanto de hemácias está
normalmente elevada.

A citologia é necessária para diferenciar efusões hemorrágicas verdadeiras de


amostras contaminadas no momento da coleta. As efusões hemorrágicas contêm
hemácias predominantemente com número menor de células nucleadas. O indicador
mais significativo de hemorragia verdadeira é a presença de macrófagos contendo
hemácias fagocitadas (eritrofagocitose) e/ou hemossiderina (Figs. 6-21 e 6-22 A). A
hemossiderina em macrófagos indica que a hemorragia ocorreu há mais de dois dias
antes da coleta. Essas células são observadas de modo melhor na região de franja do
esfregaço do sedimento. A eritrofagocitose não é observada se a hemorragia for
estritamente um artefato de coleta. Uma segunda observação é quando as plaquetas
são visualizadas. Os exsudatos hemorrágicos verdadeiros são desprovidos de
plaquetas, mas são comumente observados em amostras contaminadas. Se houver
incerteza onde o pigmento é a hemossiderina, em contraste com bile, melanina ou
carbono, a coloração de azul da Prússia pode indicar a presença de ferro na
hemossiderina (Fig. 6-22B).

Figura 6-21 Efusão hemorrágica. Pleura. Cão. Este esfregaço direto mostra numerosos
macrófagos aumentados e vacuolados, poucos neutrófilos não degenerados e duas células mesoteliais
reativas fortemente basofílicas (esquerda). Muitos macrófagos contendo uma quantidade variável de
hemossiderina e eritrofagia ocorrendo em diversas células. (Wright modificado; Óleo HP.)
Figura 6-22 Efusão hemorrágica. Gato. Mesmo caso A-B. A, Diversos macrófagos
moderadamente esponjosos contendo quantidades variáveis de pigmento levemente granular azul-
acinzentados, presumindo ser hemossiderina. Também são notadas duas células mesoteliais levemente
basofílicas e granulares, provavelmente reativas. (Wright modificado; Óleo HP.) B, Dois
hemossiderófagos são notados preenchidos com material positivo para azul da Prússia, confirmando
como sendo hemossiderina. (Azul da Prússia; Óleo HP.)

Efusões Neoplásicas
Os processos neoplásicos, tanto primários quanto metastáticos, são relativamente
causas comuns de efusões torácicas e abdominais em cães e gatos. As efusões
neoplásicas podem estar acompanhadas de uma hemorragia significativa e/ou
inflamação, mas geralmente não são inflamatórias. Visualmente, o fluido pode ser de
claro a turvo e hemorrágico. Os níveis de proteína total estão frequentemente
elevados, mas a contagem de células nucleadas é altamente variável.

Em cães e gatos, as causas comuns de efusão neoplásica são o linfoma (pleural) e


adenocarcinoma ou carcinoma (tanto pleural quanto peritoneal). Os sarcomas podem
causar efusões, mas células neoplásicas de origem mesenquimal raramente liberam
células no fluido de efusão. O mesotelioma pode ser uma causa rara de efusão em
qualquer espécie.
Independentemente do tipo de neoplasia presente, as células diagnósticas podem
ou não estar evidentes em uma efusão. Se há uma massa sabidamente presente, a
análise de fluido, assim como uma punção aspirativa por agulha fina da massa pode
ser necessária para um diagnóstico definitivo. Em um estudo de detecção de tumores
malignos em fluidos abdominais e torácicos, a sensibilidade foi baixa, 64% em cães e
61% em gatos, entretanto, a especificidade foi alta, 99% em cães e 100% em gatos
(Hirschberger et al., 1999). Nos parágrafos seguintes, as características citológicas das
principais efusões neoplásicas estão resumidas e ilustradas.

Linfoma
Em geral, as efusões linfomatosas são altamente celulares e contêm uma população
pleomórfica de células redondas distintas que são morfologicamente consistentes com
linfócitos. As células neoplásicas apresentam uma relação alta de núcleo-citoplasma,
uma quantidade de escassa a moderada de citoplasma e pequenos vacúolos
citoplasmáticos, normalmente dispersos. Ocasionalmente, os linfócitos granulares são
as células neoplásicas predominantes (Fig. 6-23). Observa-se um número moderado de
mitoses. As hemácias, células mesoteliais reativas e células inflamatórias estão
dispersas entre as células neoplásicas.

Figura 6-23 Efusão neoplásica. Linfoma granular. Pleural. Gato. Esse fluido era amarelo e
turvo com 4,2 g/dL de proteína e leucometria de 5.600/μL; 63% das células nucleadas eram
granuladas, sendo dois evidenciados. Os grânulos variam de finos a grosseiros (como evidenciado) e
eram frequentemente localizados de forma excêntrica em um dos lados da célula. Estavam presentes
neutrófilos não degenerados (um evidenciado), linfócitos pequenos e fagócitos eventuais. (Wright-
Giemsa; Óleo HP.)
(Cortesia de Rose Raskin, University of Florida.)

O diagnóstico diferencial primário para a efusão linfomatosa é a efusão quilosa. Na


verdade, a invasão linfomatosa normalmente causa uma efusão quilosa concomitante.
Entretanto, reconhecer a presença de linfoma consiste em células malignas que são
muito maiores e mais pleomórficas do que os linfócitos normais com núcleos
contendo, muitas vezes, nucléolos bizarros e angulares (Fig. 6-24A e B). Apenas raros
casos de linfoma apresentam células que são morfologicamente iguais aos linfócitos
pequenos normais. Nesses casos, a principal característica diferenciadora da doença
neoplásica é a maior celularidade do que é geralmente visto com a efusão quilosa
isolada.

Figura 6-24 Efusão neoplásica. Linfoma. Pleural. A, Cão. Observe as células redondas grandes,
individuais, com alta proporção núcleo-citoplasma e citoplasma levemente vacuolado. Também estão
evidentes dois linfócitos pequenos e um neutrófilo. As estruturas redondas e lilás são núcleos livres de
células lisadas. Essas células não podem ser avaliadas. A celularidade desta amostra é de
15.000 células/μL com proteína de 3,4 g/dL. (Romanowsky.) B, Cão. Observe linfoblastos individuais,
uma figura mitótica, dois linfócitos de tamanho intermediário e um linfócito pequeno. Poucas células
lisadas e hemácias estão presentes. (Romanowsky.) C, Gato. Observe a população monomórfica de
linfoblastos grandes, poucos neutrófilos e poucas células lisadas. Os linfoblastos são maiores do que
neutrófilos e contêm um pequeno anel de citoplasma com um núcleo redondo e grande. A cromatina
nuclear é fina e os nucléolos são visíveis em diversas células. A contagem de células nucleadas neste
fluido é de 14.000 células/μL com proteína aumentada (4,0 g/dL). (Romanowsky; × 200.)

A avaliação dos tipos de células linfoides encontradas no fluido por imuno-


histoquímica ou por citometria de fluxo pode fornecer informações significativas
relacionadas à origem dessas células linfoides. Uma população monotípica de
linfócitos médios e/ou grandes é mais provável que esteja associada a uma neoplasia
(Figs. 6-24 C, 6-25 e 6-26) do que com um processo reativo. A imuno-histoquímica
com anticorpos contra moléculas CD3 (células T) e CD79a (células B) é útil nestes
casos.

Figura 6-25 Efusão neoplásica. Pleural. Linfoma de células T. Cão. Mesmo caso A-B. A,
Amostra citocentrifugada evidenciando uma população de células redondas de tamanhos variáveis
apresentando uma quantidade de escassa a moderada de citoplasma basofílico, cromatina fina a
moderadamente grosseira com nucléolos proeminentes ocasionais e proporção N:C variável (Wright
modificado; Óleo HP.) B, Esfregaço de sedimento mostrando superfície corada positivamente em todas
as células linfoides para antígeno CD3, o que sustenta uma população clonal de linfócitos T. Observe o
linfócito pequeno, provavelmente normal, no centro inferior. As hemácias são pouco visíveis abaixo da
barra de medida. Raros linfócitos normais pequenos reagiram com anticorpo CD79a (não mostrado).
(Anticorpo CD3; Óleo HP)
(A e B, Cortesia de Rose Raskin, Purdue University.)
Figura 6-26 Efusão neoplásica. Pleural. Linfoma de células B. Gato. Mesmo caso A-B. A,
Amostra citocentrifugada evidenciando pleomorfismo evidente de células redondas. Algumas células
apresentam núcleos múltiplos e núcleos com forma irregular. Os nucléolos são normalmente grandes e
múltiplos. Há uma superfície bolhosa em diversas células, que pode ter origem mesotelial. (Wright
modificado; Óleo HP.) B, Todas as células redondas grandes se coraram positivamente para antígeno
CD79a neste esfregaço de sedimento de fluido pleural, confirmando uma neoplasia de células B. O
antígeno CD3 estava ausente em todas as células (não mostrado). (Anticorpo CD79a; Óleo HP.)
(A e B, Cortesia de Rose Raskin, Purdue University.)

Carcinoma e Adenocarcinoma
As efusões carcinomatosas em cães e gatos podem ser o resultado de qualquer
processo neoplásico primário ou secundário. No tórax, o principal tumor primário é
adenocarcinoma pulmonar. Para que as células neoplásicas deste tumor possam estar
presentes nas efusões pleurais a neoplasia deve invadir os vasos pulmonares e
linfáticos ou estar diretamente na superfície pleural do pulmão e na cavidade pleural.
O adenocarcinoma pulmonar é um tumor relativamente incomum, que raramente
se estende para a cavidade pleural. Como consequência, a maioria das efusões
pleurais carcinomatosas é resultado de doença metastática. Em fêmeas, é de longe a
causa mais comum de tais efusões é o carcinoma mamário metastático; em machos, os
dois carcinomas metastáticos mais comuns são o carcinoma prostático e o carcinoma
de célula transicional.

Na cavidade peritoneal, as principais causas de efusões carcinomatosas são as


neoplasias que se espalham pela implantação na superfície peritoneal. Entre esses, os
mais significativos são o colangiocarcinoma, o adenocarcinoma pancreático, o
adenocarcinoma ovariano, em fêmeas, e o carcinoma prostático, em machos. O
carcinoma mamário metastático é também causa comum de carcinomatose peritoneal.
Citologicamente, todos esses tumores são morfologicamente similares e não podem
ser prontamente diferenciados (Clinkenbeard, 1992). As efusões carcinomatosas são
caracterizadas pela presença de estruturas achatadas e matrizes acinares
(adenocarcinoma) de células redondas a poligonais com quantidades variáveis de
citoplasma, muitas vezes, extremamente basofílico. A basofilia citoplasmática pode
ser tão intensa que obscurece detalhes nucleares. Pode ou não haver inflamação, mas
a hiperplasia de células mesoteliais reativas é um aspecto constante (Figs. 6-27A e B e
6-28A e B).

Figura 6-27 Efusão neoplásica. Adenocarcinoma. Pleural. Cão. Mesmo caso A-B. A, Observe
o aglomerado coeso de células epiteliais neoplásicas. Os vacúolos grandes e deformados sugerem uma
natureza secretória do tecido de origem. A moldura nuclear evidente é vista na parte esquerda
superior da imagem. O fundo contém uma mistura de células inflamatórias. (Wright modificado; Óleo
HP.) B, Observe as duas células neoplásicas que exibem pleomorfismo evidente nos nucléolos.
Compare as células neoplásicas com os macrófagos ao redor. (Wright modificado; Óleo HP.)

Figura 6-28 Efusão neoplásica. Adenocarcinoma. Pleural. Gato. Mesmo caso A-B. A, Observe
a presença de aglomerados e lâminas de células grandes. O fluido é altamente celular (23.000 células/
μL) e tem um conteúdo proteico elevado (3,6 g/dL). As células inflamatórias são frequentemente
encontradas em efusões associadas a neoplasia. (Romanowsky; IP.) B, Observe que as células são
grandes com citoplasma abundante basofílico e levemente vacuolado. Os núcleos são redondos com
cromatina grosseira granular e um nucléolo grande e evidente. Os neutrófilos podem ser vistos no
citoplasma de algumas células neoplásicas. (Romanowsky; Óleo HP.)

Estabelecer um diagnóstico de carcinomatose pleural ou peritoneal é


provavelmente o desafio mais difícil na citologia diagnóstica do fluido. As células de
carcinoma assemelham-se fortemente às células mesoteliais reativas e a basofilia
citoplasmática em ambas as populações tornam a avaliação de critério nuclear de
malignidade particularmente difícil. Os problemas tornam-se ainda piores quando
uma inflamação significativa estiver presente, pois as células mesoteliais reativas
podem se tornar displásicas. Por essas razões, é muito importante a procura diligente
pelos critérios nucleares de malignidade em populações de células suspeitas. As áreas
em que os detalhes nucleares podem ser observadas devem ser procuradas (Figs. 6-
27B e 6-28B). Considerando-se que, na maioria das circunstâncias, quatro critérios
nucleares são suficientes para permitir um diagnóstico de malignidade, em casos de
carcinomatoses pleurais ou peritoneais, pelo menos cinco critérios nucleares devem
ser demonstrados.

Uma vez estabelecido o diagnóstico de malignidade, a diferenciação de carcinoma e


adenocarcinoma é muito mais fácil. Os adenocarcinomas são tumores secretórios;
como tais, na maioria dos casos, os vacúolos não são corados. Em algumas células a
quantidade de produto secretado é o suficiente para deslocar o núcleo
perifericamente. Os carcinomas simples são desprovidos de vacúolos secretores.

Mesotelioma
O mesotelioma é um tumor raro que pode ocorrer em qualquer espécie. O tumor surge
do revestimento mesotelial, das cavidades serosas do corpo. Citologicamente, o tumor
é muito difícil de diferenciação de carcinoma de hiperplasia mesotelial reativa. As
células tumorais são de redondas a poligonais e são organizadas principalmente em
aglomerados. Os núcleos são hipercrômicos e são localizados centralmente. Muitas
vezes, os núcleos de células adjacentes em um cluster parecem pressionar um contra o
outro resultando em uma triangulação do núcleo (moldagem nuclear). Devido à
dificuldade na diferenciação de mesotelioma de uma hiperplasia mesotelial reativa,
um cuidado deve ser tomado quando se avaliar uma população suspeita para o
critério de malignidade. Como nas efusões carcinomatosas, pelo menos cinco critérios
nucleares de malignidade definitivos devem ser observados antes que um diagnóstico
presumível seja realizado (Fig. 6-29A–C).
Figura 6-29 Efusão neoplásica. Mesotelioma. Mesmo caso. A-C. A, Pleural. Cão. As células
neoplásicas estão presentes com células individuais e pequenos aglomerados. Os nucléolos apresentam
formas variadas e muito evidentes. (Romanowsky; Óleo HP.) B, Estas células contêm uma quantidade
variável de citoplasma com um ou mais núcleos. Os núcleos podem ser inúmeros e de tamanho
variável. (Romanowsky; Óleo HP.) C, A granulação da cromatina nuclear é coesa, grosseira e de
distribuição irregular, com nucléolos grandes e proeminentes. Muitas células retêm o bordo de
glicocálice franjado. Também estão presentes um baixo número de linfócitos pequenos, neutrófilos e
hemácias. (Romanowsky; Óleo HP.)

Uma vez estabelecido o diagnóstico de malignidade, deve ser realizada uma


tentativa para diferenciar o mesotelioma de um carcinoma. Não existe um critério
morfológico bem definido para diferenciar esses tumores, consequentemente, essas
tentativas são preocupações fúteis, na maioria das vezes. Baseando-se na relativa
frequência de ocorrência, a maioria dessas efusões é simplesmente considerada
carcinomatosa até que se prove o contrário. Um caso de mesotelioma foi reconhecido
pelo uso de marcador imuno-histoquímico calretinina em um cavalo (Stoica et al.,
2004); é possível que esse marcador possa ser usado para diferenciar mesotelioma e
carcinoma em outras espécies.

Efusão pericárdica

As efusões pericárdicas podem ser classificadas como transudatos, transudatos


modificados ou exsudatos. Como elas são, de certa forma, incomparáveis, serão
classificadas separadamente.
Em muitos casos, os fluidos de efusão pericárdica são hemorrágicos (Figs. 6-30 e 6-
31). As causas de efusão pericárdica incluem neoplasias, que envolvem 41%
(Kerstetter et al., 1997) a 58% (Dunning, 2001) dos casos em cães examinados. As
hemorragias pericárdicas benignas idiopáticas ocorreram em até 45% dos casos em
cães em um estudo (Kerstetter et al., 1997). Existem outras variedades incomuns de
causas, incluindo infecções, insuficiência cardíaca, uremia, trauma, corpo estranho,
coagulopatias, pericardite, hérnia ou ruptura do átrio esquerdo, que foram relatadas
(Bouvy e Bjorling, 1991; Petrus e Henik, 1999; Shubitz et al., 2001; Peterson et al.,
2003). As efusões pericárdicas em gatos são mais relacionadas à falência congestiva
cardíaca (28%). A PIF, que ocorreu em 17%, é a segunda doença mais frequente
causando efusão pericárdica em gatos (Bouvy e Bjorling, 1991).

Figura 6-30 Efusão hemorrágica. Pericárdico. Cão. Preparação de botão leucocitário.


Observe a variedade de células, incluindo neutrófilos, linfócitos, eritrófagos e células mesoteliais
reativas. O fluido era vermelho e turvo com 5.000.000 hemácias/μL, 7.000 células nucleadas/μL e
proteína de 4,0 g/dL. (Romanowsky; Óleo HP.)

Figura 6-31 Efusão hemorrágica. Pericárdico. Cão. Observe eritrofagia, células mesoteliais
reativas, macrófagos e linfócitos pequenos contendo pigmento de hemossiderina marrom. Uma célula
mesotelial contendo dois núcleos. A avaliação citológica do fluido pericárdico é importante para
descartar uma infecção e alguns tipos de neoplasia. Frequentemente, são necessários testes adicionais
para determinar a causa da efusão pericárdica hemorrágica. (Romanowsky; Óleo HP.)

A avaliação citológica de efusão pericárdica é desafiadora, mas é o mais valioso


para descartar uma infecção ou uma inflamação. O pericárdio é notório para
desenvolver uma hiperplasia mesotelial. Essas células mesoteliais se tornam muito
grandes e basofílicas, muitas vezes, binucleada com núcleo evidente (Fig. 6-3 B) e
figuras mitóticas.

Muitas vezes, não é possível distinguir estas células mesoteliais reativas de possíveis
células neoplásicas. Além disso, o hemangiossarcoma pode causar hemorragia
pericárdica, mas uma neoplasia de origem principalmente mesenquimal não libera
células neoplásicas nas efusões. Em um estudo (Sisson et al., 1984), 74% de 19 efusões
neoplásicas não foram detectadas com base nos achados citológicos e 13% das 31
efusões não neoplásicas foram falsamente relatadas como positivas, levando os
autores a concluírem que as análises de fluido pericárdico não foram confiáveis para
distinguir desordens neoplásicas das não neoplásicas. Recentemente, troponinas
cardíacas I (TncI) e T (TncT) foram avaliadas em fluidos pericárdicos. Os resultados
desse estudo envolvendo 37 cães sugeriram que a TncI pode ser útil para diferenciar
uma efusão pericárdica idiopática daquela causada pelo hemangiossarcoma (Shaw et
al., 2004).

Testes adicionais são necessários (p. ex., ultrassonografia, coagulograma,


pericardectomia, procura de mais evidências de trauma) para determinar a causa
primária da efusão. Em um estudo com 51 cães com efusão pericárdica, o pH do fluido
era examinado e comparado a um diagnóstico final (Edwards, 1996). Quando
mensurado por um equipamento preciso, o pH indicou que uma leitura acima de 7,3
era por condições não inflamatórias, normalmente neoplásicas. Usando testes menos
acurados de fitas urinárias, o fluido pericárdico com pH = 7,0 foi associado a uma
neoplasia em 93% dos casos, enquanto quando era < 7,0 sugeriam condições
benignas ou não neoplásicas. O pH desses fluidos precisa ser mensurado
imediatamente após a obtenção da amostra. Um estudo recente encontrou resultados
similares, entretanto, uma sobreposição considerável foi detectada, assim, limitando a
utilidade do pH para diferenciação da etiologia de efusões pericárdicas (Fine et al.,
2003).

Testes complementares
Em algumas instâncias, outros testes laboratoriais em uma efusão podem ser
indicados para ajudar a determinar uma causa específica para o acúmulo de fluidos.
Um resumo dos testes previamente descritos é mostrado na Tabela 6-2.

Tabela 6-2 Testes Bioquímicos e Eletroforéticos Usados para Avaliar Efusões

Teste Uso/Resultado Esperado Efusão

Creatinina/Potássio Os valores no fluido são mais altos do que a creatinina/potássio sérico Uroperitôneo

Triglicerídeos Os fluidos normalmente contêm triglicerídeos que excedem 100 mg/dL Quilosa

Colesterol O nível no fluido é maior do que o colesterol sérico Não quilosa

Bilirrubina O nível no fluido é maior do que a bilirrubina sérica Peritonite


biliar/pleurite

Lipase/amilase Os valores no fluido são mais altos do que lipase e/ou amilase sérica Pancreatite

Eletroforese Relação A:G < 0,8 no fluido é muito sugestiva de PIF PIF
proteica

Eletroforese Presença de quilomícrons no fluido quando os níveis de triglicerídeos são Quilosa


lipoproteica equivocados

pH pH < 7,0 pode sugerir condições benignas ou não neoplásicas Pericárdica

pH, pCO2, glicose, Os fluidos com pH < 7,2, pCO2 > 55 mm Hg, glicose < 50 mg/dL ou Séptica
lactato lactato > 5,5 mmol/L, a tendência é que seja infecção e de provável
etiologia bacteriana

Glicose sérica- Uma diferença de glicose sérica-efusiva > 20 mg/dL indica uma infecção Peritonite
efusiva bacteriana séptica

Lactato sérico- Uma diferença de lactato sérico-efusivo < – 2,0 mmol/L (em cães) indica Peritonite
efusivo uma infecção bacteriana séptica

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Capítulo 7

Cavidade Oral, Trato Gastrointestinal e Estruturas Associadas

Claire B. Andreasen, Albert E. Jergens, Denny J. Meyer

O emprego da endoscopia facilitou o acesso às superfícies mucosas, ampliando a


aplicação do diagnóstico citológico na avaliação do trato gastrointestinal. Este
procedimento auxiliar é especialmente útil quando combinado com a avaliação
histológica do tecido para uma avaliação completa do trato gastrointestinal. Os
achados citológicos e histológicos tendem a ser díspares quando: (1) as amostras são
obtidas de locais diferentes; (2) a lesão encontra-se localizada profundamente na
lâmina própria ou submucosa, causando esfoliação; (3) achados associados à
superfície são perdidos durante o processamento da amostra histológica; e (4) quando
alterações celulares decorrentes de artefatos de técnica ocorrem tanto no material
citológico quanto no histológico.

Em nossa experiência, tanto os imprints, quanto a citologia esfoliativa por escova


são capazes de fornecer informações úteis quando associadas à histologia (Jergens et
al., 1998). A esfoliação por escova proporciona a obtenção de mais células, mas
também tem o potencial de induzir hemorragias e introduzir leucócitos que podem ser
falsamente considerados como parte de processo inflamatório. A citologia de escova
frequentemente representa a patologia da lâmina própria mais profunda, quando
comparada aos imprints, que, por sua vez, refletem alterações de superfície e mucosas.
Os critérios que diferenciam benignidade e malignidade devem ser cuidadosamente
avaliados ao se examinar amostras de citologia esofágica e gastrointestinal, uma vez
que a atipia celular, associada à hiperplasia epitelial e à regeneração decorrentes de
inflamação, podem assemelhar-se a neoplasias epiteliais.

Cavidade oral

A razão mais comum para a realização da análise citológica da cavidade oral é a


avaliação de uma massa ou lesão ulcerativa. Achados radiográficos irão indicar se há
envolvimento ósseo.
Citologia Normal
Células epiteliais escamosas superficiais e intermediárias constituem o tipo celular
comumente esfoliado na cavidade bucal e na superfície da língua (Fig. 7-1A). Uma
variedade de bactérias da orofaringe pode ser vista em amostras da cavidade oral.
Um exemplo relevante é a Simonsiella sp. (Fig. 7-1B e C). Neutrófilos costumam ser
perdidos pela transmigração através das membranas submucosas para dentro da
cavidade oral e podem ser observados em pequeno número.

Figura 7-1 A, Cavidade oral. Citologia de epitélio gengival. Cão. O epitélio estratificado
escamoso queratinizado forma projeções papilares a partir da lâmina própria (tecido conjuntivo). (H e
E; LP). B, Cavidade oral. Achados citológicos normais. Células epiteliais escamosas angulares
cobertas por Simonsiella sp. (seta longa); uma célula epitelial escamosa está localizada no centro e o
fundo encontra-se composto por numerosas bactérias de tamanhos e formas variadas sobre um fundo
proteináceo levemente basofílico. Um filamento de proteína nuclear livre oriunda de uma célula
rompida também está presente (seta curta). (Wright; HP em imersão). C, Cavidade oral. Epitélio
normal com flora. Cão. Uma célula epitelial escamosa intermediária coberta por Simonsiella sp.
(estruturas retangulares arredondadas com estriações transversais). Um eritrócito isolado está
presente no canto inferior direito para comparação de tamanho. (Wright; HP em imersão).
(A e C, cortesia de Rose Raskin, Purdue University.)

Inflamação
Inflamações que afetam a cavidade oral envolvem doenças imunomediadas, como o
penfigoide bolhoso, corpos estranhos, patologias odontológicas, manifestações
sistêmicas de uremia e infecções bacterianas, virais ou fúngicas (Guilford, 1996a). O
exudato inflamatório pode ser composto por leucócitos, debris necróticos e flora
bacteriana. Algumas lesões orais elevadas, semelhantes a placas com a superfície
ulcerada, serão compostas por uma população exclusiva de eosinófilos ou mista de
eosinófilos e neutrófilos. Relatos de estomatite eosinofílica ulcerativa em Cavalier
King Charles spaniels (Fig. 7-2A e B) sugerem que esta resposta inflamatória
eosinofílica possa ocorrer concomitantemente a outras alterações sistêmicas e
represente uma resposta de hipersensibilidade nesta raça (Joffe e Allen, 1995;
German et al., 2002). Em outras condições, a superfície inferior da língua pode,
ocasionalmente, apresentar uma massa elevada e esbranquiçada que, além de epitélio
citologicamente normal, apresenta quantidades variáveis de cristais de aparência fina
ou grosseira. Geralmente, esse material é extracelular, mas muitos cristais encontram-
se no interior de macrófagos (Fig. 7-3A e B). Esta inflamação macrofágica ou
granulomatosa (se células gigantes são observadas) é típica de calcinose lingual
circunscrita. Cristais de uratos podem também ser considerados. O cálcio pode ser
confirmado por meio da coloração de Von Kossa (Fig. 7-3C) ou vermelho Alizarina S
(Marcos et al., 2006).

Figura 7-2 O mesmo caso A-B. A, Estomatite eosinofílica e neutrofílica.Imprint. Cão. Esta
lesão indolor, de 2 × 2 cm, elevada e lembrando uma placa, com superfície ulcerada foi identificada
no palato mole de um Cavalier King Charles spaniel. Evidencia-se uma população mista, na maioria
constituída de neutrófilos degenerados e eosinófilos, sobre um fundo hemodiluído. Ambos os tipos
celulares encontravam-se dentro dos valores de referência no sangue periférico. (Wright; HP em
imersão). B, Estomatite eosinofílica ulcerativa. Histologia. A superfície ulcerada encontra-se
densamente infiltrada com um misto de neutrófilos e eosinófilos. Em uma área adjacente (não
representada), encontrava-se tecido de granulação. Apesar disso, a formação de granuloma não foi
observada. (H e E; IP)
(A e B, cortesia de Rose Raskin, Purdue University.)

Figura 7-3 Língua. Calcinose circunscripta.Imprint. Cão. Mesmo caso A-C. A, Um calo
esbranquiçado sobre a região média da língua estava presente há seis meses. Quatro macrófagos
esponjosos e altamente vacuolizados aparecem contra um fundo refrátil e granular juntamente com
eritrócitos, produzindo inflamação granulomatosa. (Wright; HP em imersão). B, Grânulos grosseiros,
e claramente refráteis estão presentes no fundo. (Wright; IP.) C, Mesmo aumento que em B. Grânulos
amarronzados confirmam a mineralização por cálcio. (Von Kossa; IP)
(A-C, Cortesia de Rose Raskin, Purdue University.)

Neoplasias
Neoplasias epiteliais, mesenquimais e neoplasias de células redondas podem envolver
a cavidade oral. Assim como em outros sistemas orgânicos, a sensibilidade do
diagnóstico citológico é mais alta para as neoplasias de células redondas e menor
para os tumores mesenquimais. Isto ocorre devido à reduzida esfoliação e à
dificuldade de diferenciar células mesenquimais neoplásicas de fibrócitos/fibroblastos
reativos que compõem os processos reparativos/inflamatórios. Neoplasias de células
redondas incluem linfomas, mastocitomas, plasmocitomas, tumores venéreos
transmissíveis e histiocitoma. O plasmocitoma pode envolver a mucosa oral, língua
ou a mucosa do trato digestivo e ser de difícil diagnóstico definitivo quando a
caracterização imunocitoquímica ou imuno-histoquímica não for realizada (Rakich et
al., 1989). A neoplasia epitelial mais comum é o carcinoma de células escamosas (Fig.
7-4A e B). De ocorrência menos comum é a neoplasia epitelial odontogênica (Poulet
et al., 1992) (Fig. 7-5A-C). O carcinoma de células escamosas pode ocorrer em
qualquer localização na cavidade oral, mas em gatos ocorre frequentemente no
frênulo da língua com metástases iniciais nos linfonodos regionais. A epúlide é uma
massa gengival comum em cães ou gatos e pode ocorrer devido a uma alteração de
desenvolvimento, hiperplasia, inflamação (Fig. 7-6A e B) ou uma lesão neoplásica.
Um estudo envolvendo epúlides em felinos (de Bruijn et al., 2007) definiu que as
células multinucleadas presentes nas epúlides de células gigantes provavelmente
refletiam uma resposta inflamatória através da formação de osteoclastos a partir de
macrófagos mononucleares. Estas lesões confundem a avaliação citológica, pois
podem ser compostas de ninhos epiteliais dentários envolvidos em tecido estromal
fibroso. Quando há dúvida no estabelecimento do diagnóstico citológico, recomenda-
se a realização de biópsia excisional. Melanomas orais são frequentemente malignos e
infiltrativos, podendo conter pigmentos abundantes ou apenas uma quantidade
mínima dos mesmos (melanomas amelanóticos) e que rapidamente metastizam para
os linfonodos regionais (Head et al., 2002) (Fig. 7-7A-C). Os fibrossarcomas,
condrossarcomas e osteossarcomas (Fig. 7-8) são os tumores mesenquimais que mais
comumente envolvem a cavidade oral. Menos frequentes, todavia, são fibromas,
hemangiossarcomas e lipossarcomas (Bernreuter, 2008). Os fibrossarcomas de
mandíbula e maxila podem, ocasionalmente, apresentar padrões morfológicos
benignos no exame citológico ou histológico e, entretanto, demonstrar um
comportamento biológico agressivo (Ciekot et al., 1994). Neoplasias detectadas no
palato mole ou duro podem ser extensões da cavidade oriundas da cavidade nasal.
Em um estudo de lesões na língua (Denis et al., 2006), aproximadamente 4% dos
casos em cães envolviam tumores de células granulares, tumores de histogênese
variada (Head et al., 2002). Os tumores de células granulares (Fig. 7-9A-C) são
preferencialmente associados à língua, em comparação a qualquer outro local na
cavidade oral de cães idosos e podem ocorrer também em gatos. Acredita-se que a
maioria dos tumores de células granulares se origine do neuroectoderma e que estes
sejam compostos de fibras de reticulina. Estes tumores têm a aparência de uma massa
branca, aderida e firme e possuem comportamento benigno. Citologicamente, as
células encontram-se individualizadas, apresentando núcleo excêntrico, abundante
citoplasma eosinofílico ou com grânulos citoplasmáticos fagolisossomais fortemente
positivos para o ácido periódico de Schiff.

Figura 7-4 Carcinoma oral de células escamosas. A,Imprint. Esse material é de uma massa que
se estendia do frênulo da língua até a mandíbula de um gato. Há várias células epiteliais escamosas de
maturidade e formas diversas, variando de oval a angular. Algumas dessas células apresentam
disqueratose (bem à esquerda). Outras características morfológicas incluem proporção núcleo-
citoplasma (N:C) e coloração variáveis. Vários neutrófilos estão distribuídos entre as células
neoplásicas. Vários apresentam degeneração nuclear ou estão rompidos, resultando em filamentos de
proteína nuclear livre. Células escamosas e queratina frequentemente induzem inflamação neutrofílica.
(Wright; HP em imersão). B, Histologia. Cordões de células escamosas pleomórficas estão separados
por um estroma fibroso fino. Núcleos centrais de queratinócitos (setas) demonstram a disqueratose
(queratinização prematura ou anormal das células epiteliais antes de atingirem a superfície) e
coloração mais intensamente eosinofílica (H e E; IP).
Figura 7-5 A, Tumor epitelial oral odontogênico.Imprint. A impressão citológica de uma
neoplasia epitelial pode ser realizada com base na morfologia geral dos agrupamentos com
interdigitações envolvendo as células epiteliais neoplásicas. Elas apresentam anisocitose de leve a
moderada e anisocariose, com variação nuclear de leve a moderada. O grupo inferior parece estar
formando uma estrutura acinar organizada com um lúmen central (seta). As características
morfológicas são sugestivas de malignidade de células epiteliais. O citoplasma contém finos grânulos
eosinofílicos. Vários eritrócitos circundam o agrupamento de células neoplásicas. (Wright; H e P em
imersão). B, Malignidade epitelial oral odontogênica. Histologia. A população densa de células
epiteliais neoplásicas apresenta forma de um redemoinho discreto no centro, cercado por células
epiteliais de cuboidais a cilíndricas localizadas na periferia. Figuras mitóticas estão presentes (setas).
As células neoplásicas encontram-se circundadas por um estroma fibrovascular menos denso (rosa
pálido). (H e E; IP) C, Gengiva. Ameloblastoma acantomatoso. Histologia. Cão. Uma camada de
epitélio queratinizado (fina borda externa, próximo à escala) cobre o espesso epitélio acantomatoso
característico dessa neoplasia maligna. Esse é um tumor infiltrativo que forma cordões de epitélio
dentro da submucosa. (H e E; LP.)
(C, cortesia de Rose Raskin, Purdue University.)

Figura 7-6 Gengiva. Epúlide de células gigantes. Cão. Mesmo caso A-B. A, Aspirado.
Agregados de células inflamatórias compostos por histiócitos multinucleados e macrófagos isolados
são proeminentes. O estroma fibrovascular cria uma forma linear (metade superior) (Wright-Giemsa;
IP.) B, Histologia. Características anaplásicas nucleares estão presentes nessa massa sólida de células
multinucleadas com mínimo estroma. (H e E; LP.)
(A e B, cortesia de Rose Raskin, Purdue University.)

Figura 7-7 A, Melanoma oral maligno.Imprint. Células poliédricas pleomórficas com proporção
N:C variável, anisocitose e intensidade variável de coloração são indicativos de neoplasia. Em uma
célula (seta), é possível notar a presença abundante de pigmento escuro intracitoplasmático
(melanina). A maioria das outras células não contém pigmento evidente (amelanóticas) e podem ser
facilmente confundidas com células epiteliais neoplásicas ou células mesenquimais tumorais. (Wright;
HP em imersão) B, Parede bucal. Melanoma amelanótico.Imprint. Cão. Novamente, o fundo de
eritrócitos e bactérias forma uma camada de epitélio anaplásico apresentando uma N:C alta e variável,
cromatina grosseira, nucéolos múltiplos e proeminentes, anisocariose e uma figura mitótica (abaixo, à
direita). Há presença de raros grânulos finos no citoplasma, mas essa granulação não é significativa.
(Wright; HP em imersão). C, Parede bucal, Melanoma amelanótico. Histologia. Cão. O mesmo
caso representado em B. Células pobremente granulares, isoladas com núcleos pálidos e abertos
infiltrando a submucosa com alguma atividade juncional, pela sua presença dentro da membrana basal
do epitélio (setas), suportando o diagnóstico de melanoma. As células hipercromáticas visualizadas
são neutrófilos. (H e E; IP.)
(B e C, cortesia de Rose Raskin, Purdue University.)

Figura 7-8 Osteossarcoma oral.Imprint. Células mesenquimais pleomórficas apresentando


anisocitose e anisocariose intensas. Os núcleos possuem cromatina pontilhada e vários nucléolos de
tamanhos variados e coloração pálida e estão cercados de um citoplasma abundante e basofílico com
bordas indefinidas. Os redemoinhos da matriz basofílica intercelular produzidos pelas células
neoplásica favorecem diagnóstico de tumor ósseo maligno. (Wright; HP em imersão.)
Figura 7-9 Língua. Tumor de células granulares. Histologia. Gato. Mesmo caso A-C. A,
Visualização em menor aumento de uma pequena massa elevada. (H e E; LP.) B, Redes densas de fibras
estromais separam as células em pequenos agregados. (Reticulina; LP.) C, Fibras estromais formam
cordões de células individualizadas, contendo citoplasma granular eosinofílico abundante e núcleos
hipercromáticos excêntricos. (H e E; HP).
(A-C cortesia de Rose Raskin, Purdue University.)

Glândulas salivares

Citologia Normal
A análise citológica das doenças da glândula salivar é diagnosticamente
recompensadora. A glândula salivar pode ser puncionada incidentalmente na
tentativa de aspirar o linfonodo submandibular. Citologicamente, a glândula salivar
contém uma população uniforme de células epiteliais secretórias que se encontram
agrupadas ou isoladas, possuindo núcleo excêntrico intensamente basofílico e
citoplasma claro, vacuolizado ou espumoso (Fig. 7-10). A coloração do citoplasma das
células difere entre as serosas (distinguível) das mucosas (pode estar bem claro).
Células epiteliais isoladas podem ser difíceis de diferenciar de macrófagos. Estas
células, entretanto, possuem um citoplasma claro a finamente vacuolizado e não
contêm material fagocitado. Observa-se comumente a presença de muco de coloração
eosinofílica que, estando presente, pode fazer com que os eritrócitos distribuam-se em
linhas ou colunas paralelas na lâmina (Fig. 7-11).

Figura 7-10 Células epiteliais das glândulas salivares.Imprint. As células epiteliais que
compõem este pequeno agregado possuem citoplasma abundante e granular, cercando núcleos
pequenos e, frequentemente, excêntricos. As características morfológicas são consistentes com epitélio
secretório normal, como o da glândula salivar. Um linfócito grande com uma borda pequena de
citoplasma basofílico (seta) e um núcleo redondo e livre estão localizados no centro à esquerda. Os
eritrócitos à volta podem ser utilizados como escala de tamanho. (Wright; HP em imersão.)

Figura 7-11 Sialocele (mucocele salivar). Aspirado. Esta amostra é um aspirado de um


aumento de volume submandibular de consistência flutuante. O muco rosa-azulado e os macrófagos
espumosos ocasionais, juntamente com um pequeno número de neutrófilos e eritrócitos são indicativos
de sialocele. O alinhamento dos eritrócitos (disposição em linhas) sugere a presença de muco.
(Wright; HP em imersão.)

Hiperplasia
Suspeita-se de hiperplasia quando há aumento glandular e as células epiteliais
possuem aparência citológica relativamente normal. As células podem estar cercadas
de muco abundante. Deve-se considerar a sialocele no diagnóstico diferencial.

Inflamação
A lesão inflamatória mais comum é causada pela mucocele salivar (sialocele) ou
rânula. A rânula é uma distensão cística de um ducto revestido por epitélio no
assoalho da boca. Sialocele é o acúmulo de secreções salivares em cavidades não
revestidas por epitélio adjacentes ao ducto. Uma vez desconhecida a causa, acredita-
se que o trauma associado à predisposição anatômica seja determinante para o
aparecimento dessa lesão. A saliva acumulada estimula uma reação inflamatória que
evolui ao longo do tempo. O influxo inflamatório inicial é composto de neutrófilos e
macrófagos juntamente com células epiteliais secretórias envoltas em um fundo de
muco eosinofílico ou basofílico (Fig. 7-11). Linfócitos substituem o componente
neutrofílico e podem tornar-se um componente celular importante. Embora os
macrófagos espumosos assemelhem-se morfologicamente às células epiteliais acinares,
a diferenciação não é necessária na avaliação citológica.

Neoplasia
O adenocarcinoma salivar é incomum e apresenta as características gerais de
malignidade epitelial apresentando pleomorfismo que varia de relativamente bem
diferenciado a acentuado (Fig. 7-12A e B) (Spangler e Cullbertson, 1991). As células
epiteliais neoplásicas podem formar estruturas acinares e algumas das células podem
apresentar secreções abundantes retidas no citoplasma que deslocam o núcleo para a
periferia, formando uma célula que lembra um anel de sinete. Neoplasias salivares
mistas são raras e contêm elementos celulares neoplásicos epiteliais e mesenquimais
que podem abranger osso e cartilagem.
Figura 7-12 A, Glândula parótida. Adenocarcinoma. Aspirado. Gato. Um grupamento de
células imaturas apresentando anisocitose moderada, cromatina grosseira, nucléolos evidentes e alta
proporção N:C. A histopatologia confirmou a malignidade. (Wright; HP em imersão). B, Glândula
salivar. Adenocarcinoma. Histologia. O tecido da glândula salivar da região das tonsilas demonstra
intensa distorção de arquitetura (acima, a linha rósea de tecido conjuntivo) comparada com a
estrutura glandular normal (embaixo, à direita) (H e E; IP.)
(A, Cortesia de Rick Alleman, University of Florida. B, Cortesia de Rose Raskin, Purdue University.)

Pâncreas

Citologia Normal e da Hiperplasia


Amostras de pâncreas não são colhidas rotineiramente, a menos que uma massa seja
detectada. As características celulares podem deteriorar rapidamente devido à
atividade extracelular de enzimas pancreáticas associadas à pancreatite. Nódulos
hiperplásicos (Fig. 2-4) podem ter a aparência de epitélio normal. Nesses casos, a
proporção núcleo-citoplasma é mais elevada e nucléolos podem estar evidentes.
Inflamação
A pancreatite pode causar acúmulos focais de líquido abdominal ou efusões com as
características de transudato modificado ou exsudato purulento estéril (Fig. 7-13). Se
um fundo proteináceo está presente na lâmina, este pode ter uma aparência “suja”,
moderadamente basofílica que corresponde à gordura saponificada observada
histologicamente. Ocasionalmente, observa-se uma efusão hemorrágica. Cistos
pancreáticos ou abscessos podem ser detectados como massas intra-abdominais e
aspirados com o auxílio de ultrassom. As amostras são frequentemente estéreis e
compostas por neutrófilos envoltos em um fundo proteináceo (Salisbury et al., 1998).

Figura 7-13 Pâncreas. Inflamação neutrofílica. Aspirado. Cão. Há pequenos agrupamentos de


pequenas células epiteliais redondas apresentando citoplasma pálido e espumoso e pequenos vacúolos
pontilhados. Moderada quantidade de neutrófilos não degenerados e picnóticos circundam o epitélio
pancreático. Não há evidência de sepse. (Wright-Giemsa; IP.)
(Cortesia de Rose Raskin, Purdue University.)

Neoplasias-Pâncreas Exócrino
O adenocarcinoma pancreático pode ser diagnosticado diretamente por meio de
citologia/biópsia guiada por ultrassom. É uma consideração diagnóstica quando
células carcinomatosas são observadas em uma efusão abdominal ou torácica
secundária a metástases através dos vasos linfáticos diafragmáticos. O
adenocarcinoma pancreático possui características similares àquelas de outros
adenocarcinomas, incluindo uma proporção núcleo-citoplasma alta, nucléolo
evidente, vacuolização citoplasmática fina, basofilia hipercromática citoplasmática e
tendência a formar estruturas acinares (Fig. 7-14A-C).
Figura 7-14 Adenocarcinoma pancreático (exócrino). A,Imprint. Esta amostra foi obtida de
uma massa pancreática. Existe um agrupamento denso e levemente alongado de células epiteliais
basofílicas que apresenta intensa anisocariose e anisocitose. O citoplasma não pode ser facilmente
visualizado, mas a proporção N:C encontra-se marcadamente elevada. Nucléolos gigantes são
observados em algumas células (setas curtas). As células na região superior do agrupamento
aparentam estar formando uma estrutura acinar desorganizada. O tamanho inapropriadamente grande
das células neoplásicas pode ser visto em comparação com um neutrófilo (seta longa) (Wright; HP em
imersão) B, Histologia. Papilar (conjunto alongado) e formação de agrupamento de células epiteliais
pancreáticas exócrinas, formando estruturas glandulares e ductais desorganizadas (H e E; IP.)
C,Imprint. Cão. Agrupamento de células de epitélio secretório pancreático em conjunto com células
isoladas apresentando nucléolos evidentes e um padrão de cromatina aberta. (Wright-Giemsa; HP em
imersão)
(C, Cortesia de Rose Raskin, Purdue University.)
Esôfago

Citologia Normal
A membrana mucosa do esôfago é composta por um epitélio escamoso estratificado
que contém aberturas para os ductos das glândulas mucosas esofágicas. Células
epiteliais estratificadas escamosas esfoliadas podem ter a aparência angular ou
arredondada das células epiteliais intermediárias ou basais com núcleo excêntrico. A
presença de grande quantidade de células do epitélio basal pode indicar trauma,
inflamação ou erosão (Green, 1992). As células glandulares e do estroma usualmente
não esfoliam. Amostras da região gastroesofágica podem ser compostas por epitélio
escamoso e epitélio cilíndrico gástrico. Em amostras esofágicas pode-se observar a
presença de ingesta contendo flora da orofaringe, consistindo em populações
bacterianas mistas de bastões, cocos e Simonsiella sp. (Fig. 7-1).

Inflamação
Na esofagite de refluxo, a região mais comumente envolvida é o esôfago distal. A
esofagite de refluxo é causada pela ação de conteúdo gástrico (ácidos e pepsina) e
possivelmente duodenal (ácidos biliares e enzimas pancreáticas). Tais secreções
apresentam um efeito corrosivo sobre o epitélio escamoso estratificado. A esofagite
tem um componente neutrofílico proeminente (Fig. 7-15) e as células epiteliais
apresentam hipercromasia reativa ou alterações degenerativas nucleares e
citoplasmáticas. Pode-se suspeitar de esofagite quando o local examinado apresentar-
se inflamado na ausência de contaminação da orofaringe.

Figura 7-15 Esofagite. Escova. Esta amostra foi obtida endoscopicamente de um local inflamado
no esôfago. A esofagite é indicada pela presença de neutrófilos (seta longa). Outros achados incluem
células epiteliais escamosas angulares, depósitos de queratina (seta curta) e bactérias numerosas (flora
oral). (Wright; HP em imersão.)

Neoplasia
As alterações a serem consideradas na presença de massas esofágicas incluem
neoplasias e o granuloma parasitário. O carcinoma de células escamosas possui
características neoplásicas que variam de relativamente bem diferenciado a
anaplásico. Pode ser difícil distinguir os carcinomas de células escamosas
diferenciadas das hiperplasias, mas a presença de formas celulares bizarras,
juntamente com proporções núcleo-citoplasma e basofilia citoplasmática variáveis,
além de vacuolização citoplasmática fina, caracterizam uma população neoplásica. O
adenocarcinoma de glândulas esofágicas é a neoplasia epitelial menos comum. Sua
localização e características citológicas podem ser semelhantes às do carcinoma de
tireoide. O Spirocerca lupi é um nematódeo espirulídeo que parasita a parede do
esôfago de cães em regiões de clima quente onde o escaravelho serve como o
hospedeiro intermediário. Endoscopicamente, a massa tem a aparência de um tumor
aderido, de consistência mole e não ulcerado. Ele pode ser diagnosticado pela
identificação dos ovos embrionados no exame parasitológico de fezes. Células
fusiformes pleomórficas esfoliadas do granuloma podem ser facilmente confundidas
com sarcoma. De fato, sarcomas esofágicos costumam estar associados à presença do
parasita (Fox et al., 1988). Outro sarcoma com células fusiformes é o leiomiossarcoma
esofágico. Nesse tumor, as células podem conter grânulos citoplasmáticos eosinofílicos
assim como vacúolos nucleares de glicogênio e apresentar pleomorfismo (Fig. 7-16A e
B).
Figura 7-16 Esôfago. Leiomiossarcoma. Cão. O mesmo caso A-B. A,Imprint. Várias células
fusiformes com bordas indefinidas de tamanho e proporção N:C variáveis e anisocariose encontram-se
presentes juntamente com hemodiluição. Proeminente granulação eosinofílica, indo de fina a
grosseira, é vista no citoplasma de algumas células mesenquimais e no segundo plano. O glicogênio
intracelular é visto através de vacúolos únicos ou múltiplos, um achado usualmente associado aos
hepatócitos, mas que pode ser encontrado em células neoplásicas com atividade de glicogênio
sintetase. (Wright; IP.) B, Histologia. Essa massa esofágica é composta de células fusiformes
distribuídas de forma desorganizada com agregados linfocíticos e plasmocitários perivasculares
multifocais (seta longa). Células neoplásicas possuem intensa variação na forma e tamanho nucleares,
com núcleos ovais, fusiformes ou bizarros e cromatina condensada, inclusões vacuolares (seta curta) e
figuras mitóticas frequentes. As margens celulares não são distintas e o citoplasma e/ou a matriz
intercelular é esparso ou abundante, eosinofílica e discretamente fibrilar. Actina, proveniente da
musculatura lisa estava presente, corroborando o diagnóstico. (H e E; HP em imersão)
(A e B, Cortesia de Rose Raskin, Purdue University.)

Critérios para citologia gastrointestinal

A utilização de critérios para graduar as alterações citológicas serve para guiar uma
avaliação uniforme das amostras do sistema gastrointestinal. A presença de bactérias
da flora e debris celulares frequentemente dificulta a interpretação citológica. Os
critérios estabelecidos garantem que as amostras sejam avaliadas de forma
consistente e quantificável. Fibrose e lesões profundas na lâmina própria geralmente
não podem ser detectadas através da citologia endoscópica.
O Quadro 7-1 lista as categorias elaboradas por Jergens et al. (1998) que compõem
o sistema de graduação. Uma escala de 0 a 7 foi aplicada a todas as categorias. O
sistema utilizado para classificar agrupamentos de células epiteliais difere dos outros.
Os Quadro 7-2 e 7-3 listam as definições do sistema de graduação para as
características microscópicas (Jergens et al., 1998). Dependendo da localização,
algumas categorias poderiam estar presentes normalmente, tais como cocos e bastões
em scrapings de cólon e reto, onde a ausência de bactérias indicaria uma alteração por
antibioticoterapia prolongada ou falha na técnica. Embora a presença da flora
bacteriana seja considerada, a proliferação excessiva não pode ser diagnosticada
citologicamente.

Quadro 7-1 Achados Citológicos que Definem o Sistema de Graduação de


Amostras Citológicas do Trato Gastrointestinal
Células inflamatórias: neutrófilos, linfócitos, plasmócitos, eosinófilos, macrófagos

Células atípicas

Agrupamentos de células epiteliais

Bactérias espiraladas, lembrando micro-organismos espiralados gástricos

Flora bacteriana consistindo em bastões e cocos

Hemorragia (recente)

Debris ou ingesta, consistindo em fibras vegetais e alimentares e material escuro particulado

Muco, consistindo em produtos secretórios difusamente corados e grânulos de mucina (glóbulos)

Quadro 7-2 Definição da Graduação Utilizada para os Achados


Microscópicos Listados no Quadro 7-1

Células Inflamatórias

Graus 0-7 referem-se ao número total de células inflamatórias por campo de imersão em objetiva 50
× (i.e. encontrando-se 3 células inflamatórias por campo de imersão em objetiva 50 ×, define o
Grau 3; 7 ou mais células inflamatórias por campo de imersão em objetiva 50 X define o grau 7)
Os Graus 0 a 7 correspondem ao número total de células atípicas por campo de imersão em
objetiva 50 ×

Células Atípicas

Bactérias espiraladas, lembrando micro-organismos espiralados gástricos, flora bacteriana,


hemorragia, debris ou ingesta e muco ou grânulos de mucina foram graduados como segue:

Grau 0 = ausentes

Graus 1 a 2 = leve

Graus 3 a 4 = moderado

Graus 5 a 6 = marcado
Deve-se examinar, no mínimo, 10 campos, uma vez que frequentemente há variabilidade na
esfoliação entre as áreas teciduais amostradas. Devido à amostragem e à exposição ao conteúdo
digestivo, os neutrófilos podem estar levemente degenerados e os linfócitos podem exibir
ingurgitamento celular. Tais alterações morfológicas resultam em redução na condensação da
cromatina e na intensidade de coloração. Para as categorias de células inflamatórias e atípicas, os
graus 2 ou inferior são de importância diagnóstica questionável (i.e., considerados dentro da
variação normal).

Quadro 7-3 Definição da Graduação Utilizada para Agrupamentos de


Células Epiteliais em Objetiva 10X*
Grau 0 = 0 agrupamento celular

Grau 1 = 1 a 2 agrupamentos celulares

Grau 2 = 3 a 4 agrupamentos celulares

Grau 3 = 4 a 5 agrupamentos celulares

Grau 4 = 6 a 7 agrupamentos celulares

Grau 5 = 7 a 8 agrupamentos celulares

Grau 6 = 9 a 10 agrupamentos celulares

Grau 7 = mais que 10 agrupamentos celulares

* É necessária uma quantidade adequada de agrupamentos celulares para que uma amostra seja representativa.
Amostras com agrupamentos epiteliais de Grau 2 provavelmente não fornecem informação diagnóstica.
Informações sobre o histórico do paciente, aspecto endoscópico da lesão e local de
colheita são de vital importância na elaboração de uma interpretação precisa de
amostras citológicas gastrointestinais. A avaliação adequada dessas amostras é um
processo que pode demandar tempo, além de ser laborioso. A citologia e a histologia
são processos complementares na avaliação da doença gastrointestinal, entretanto, a
não detecção de patologias não deve desencorajar na busca de um diagnóstico. Em
um estudo, a maioria das amostras gástricas, 25% das amostras intestinais e 33% das
amostras de cólon foram classificadas como normais, mesmo quando se suspeitava de
alterações gastrointestinais (Jergens et al., 1998).

Estômago

Citologia Normal
Células epiteliais da mucosa gástrica são cilíndricas e aparecem em agrupamentos
uniformes de células de núcleos redondos a ovalados e quantidades moderadas de
citoplasma levemente basofílico ou eosinofílico (Fig. 7-17A e B). Vacúolos contendo
mucina podem estar presentes na superfície luminal das células cilíndricas. A
morfologia cilíndrica é mais óbvia em grandes agrupamentos celulares. A quantidade
variável de muco nas amostras citológicas apresenta características de variáveis de
coloração. O epitélio glandular do fundo é constituído de células parietais
arredondadas (citoplasma levemente eosinofílico) e células zimogênicas (citoplasma
granular levemente basofílico) e podem ser vistas em agrupamentos ovais a elípticos
(Fig. 7-18A e B). Células mucosas também podem ser vistas em associação a células
parietais (Fig. 7-19). A característica tintorial da célula parece ser afetada pela
quantidade de muco presente. Glândulas do cárdia e do piloro também secretam
muco, mas não contém células parietais ou zimogênicas.

Figura 7-17 Células epiteliais da mucosa gástrica. A, Normal.Imprint. As células epiteliais


deste imprint são relativamente uniformes com núcleos de arredondados a ovais, contendo cromatina
dispersa e moderadas quantidades de citoplasma basofílico. As características podem ser observadas
na periferia do agrupamento celular onde as células formam uma monocamada, enfatizando a
importância do processamento adequado da amostra. (Wright; HP em imersão). B, Histologia.
Observe as características morfológicas relativamente uniformes e a ausência de leucócitos e bactérias.
A borda denteada do tecido é um artefato. (H e E; HP em imersão.)

Figura 7-18 A, Células epiteliais glandulares fúngicas.Imprint. Há presença de duas


populações de células epiteliais. As células epiteliais maiores (seta) apresentando citoplasma
abundante, homogêneo e levemente eosinofílico são consistentes com células parietais. As células
epiteliais menores, com citoplasma basofílico granular ou microvesicular são consistentes de células
zimogênicas. Ambos os tipos celulares compõem as glândulas fúndicas do estômago. (Wright; HP em
imersão). B, Glândulas fúndicas gástricas. Histologia. As glândulas fúndicas são ovaladas e
compostas por dois tipos de células epiteliais. As células parietais adquirem coloração eosinofílica
intensa e as células zimogênicas coram-se fracamente e possuem citoplasma microvesicular. (H e E; HP
em imersão.)

Figura 7-19 Biópsia gástrica contendo grânulos de mucina.Imprint. Presença de um denso


agregado de células epiteliais produtoras de mucina que são identificadas pela presença de numerosos
grânulos púrpura de mucina (glóbulos), localizados no citoplasma. Vários grânulos extracelulares de
mucina oriundos de células rompidas podem ser observados. O tamanho e a morfologia desses
grânulos assemelham-se a cocos bacterianos. Essas células não devem ser confundidas com mastócitos
que possuem grânulos citoplasmáticos metacromáticos menores. Compare com a Figura 9-30A
(Wright; HP em imersão.)
A presença da flora normal da orofaringe como Simonsiella sp., em presença de
muco, neutrófilos picnóticos, flora bacteriana mista e debris alimentares é um achado
comum em amostras de estômago sadio. Estes neutrófilos provavelmente representam
as células sanguíneas continuamente perdidas através das membranas mucosas do
trato gastrointestinal. Os neutrófilos não são associados à digesta da orofaringe ou
esôfago e podem representar uma gastrite verdadeira (Fig. 7-20). Novamente, a
visualização endoscópica de área inflamada corrobora a impressão citológica de
gastrite.

Figura 7-20 Gastrite neutrofílica. Escova. Observa-se grande número de neutrófilos. Lesões
ulcerativas e erosivas foram observadas endoscopicamente. (Wright; HP em imersão.)

Bactérias gástricas espiraladas encontram-se frequentemente associadas ao muco


(Fig. 7-21A e B) e são mais consistentemente observadas em preparados de citologia
de escova. Os organismos podem não ser observados histologicamente devido à perda
da biomembrana mucosa (Happonen et al., 1996). Bactérias semelhantes ao
Helicobacter felis e ao Gastropirillum não podem ser diferenciadas na microscopia
óptica (Fig. 7-21C). O citopatologista experiente poderá diferenciar essas bactérias de
micro-organismos semelhantes ao Helicobater pylori por causa de seu menor tamanho.
Em 96 amostras gástricas, 48% continham micro-organismos espiralados (Jergens et
al., 1998). A coloração de Warthin-Starry acentua a presença desses organismos. É
necessária a realização de cultura para identificar o tipo de bactéria espiralada. A
importância dessas bactérias como causadoras de patologias gástricas em cães e gatos
faz com que uma distinção adicional seja necessária, uma vez que esses organismos
são comuns em animais que não apresentam doença clínica ou anormalidades
histológicas, além de, experimentalmente, não alterarem a função gástrica (Eaton,
1999; Jenkins e Bassett, 1997; Simpson et al., 1999a, 1999b).
Figura 7-21 A-B, Bactérias espiraladas.Imprint. A, Grande quantidade de bactérias espiraladas
semelhantes a Helicobacter ou Gastropilillium, embebidas em muco (asterisco). Micro-organismos
espiralados são comumente observados em preparados citológicos do estômago de cães e gatos sadios
e enfermos. Uma célula epitelial escamosa angular é representada (seta). (Wright; HP em imersão) B,
Cão.Close up de organismos espiralados de outro caso. (Wright; HP em imersão) C, Gastrite
linfocítica. Histologia. Embora células inflamatórias não sejam observadas nessa amostra, pode-se
notar um aumento discreto na quantidade de linfócitos, fibrose estromal e edema ao redor das
glândulas gástricas (asterisco). Em geral, o exame microscópio de material de biópsia é necessário
para determinar a presença ou ausência de inflamação. Apenas um raro micro-organismo espiralado foi
observado (não representado) sobre a superfície mucosa, provavelmente devido à ausência da camada
mucosa. Pode-se utilizar a coloração de Warthin-Starry para a identificação do organismo no tecido.
(Wright; HP em imersão)
(B, Cortesia de Rose Raskin, Purdue University.)
Hiperplasia
A observação citológica de hiperplasia da mucosa e do epitélio secretório é subjetiva.
Números elevados de células secretórias da mucosa ou células caliciformes com
presença de grânulos difusos de mucina (glóbulos) podem ser indicativos de
hiperplasia da mucosa secretória. Para o diagnóstico definitivo é necessário que se
faça a análise histológica.

Inflamação
A presença de neutrófilos, juntamente com outras células inflamatórias, está
associada às úlceras gástricas (Fig. 7-20). Como indicado acima, a presença da flora
bacteriana da orofaringe ou de digesta e neutrófilos aumenta a impressão de
inflamação verdadeira. A inflamação da mucosa, por si só, não apresenta uma
população mista de bactérias da flora nem de digesta. A presença de linfócitos, com
ou sem plasmócitos e macrófagos, define inflamação crônica. A inflamação linfocítica
ou linfoplasmocítica é associada às gastrites crônicas (Fig. 7-22A e B). Uma das causas
específicas para a inflamação crônica detectada por endoscopia é a presença de
Physaloptera sp. (Fig. 7-23). Outros parasitas causadores de gastrite, especialmente em
gatos são o Ollulanus e o Gnathostoma (Brown et al., 2007; Guilford e Strombeck,
1996b). Parasitas ou fragmentos de parasitas são raramente visualizados na citologia
(Jergens et al., 1998). Inflamações nodulares linfocíticas podem ser associadas ao
Helicobacter sp.
Figura 7-22 Gastrite linfocítica. A,Imprint. Uma característica evidente é a presença de densa
população de linfócitos. O tipo celular predominante é um linfócito de tamanho médio a grande com
núcleo composto por cromatina homogênea cercada por pouco citoplasma (setas curtas).
Frequentemente ocorrem formações irregulares de material proteico nuclear livre, provenientes de
células rompidas (seta longa), e numerosos grânulos que representam grânulos de mucina. Deve-se
considerar gastrite linfocítica ou linfoma gástrico no diagnóstico diferencial. (Wright; HP em imersão)
B, Histologia. Uma população heterogênea de linfócitos (seta) circunda as glândulas gástricas
(asterisco). Um pequeno número de plasmócitos foi observado (não mostrado) resultando em
diagnóstico morfológico de gastrite linfoplasmocitária. (H e E; HP em imersão.)

Figura 7-23 Physaloptera. Visualização na endoscopia gástrica. Um nematoide branco, de


aproximadamente 2 cm de comprimento, compatível com Physaloptera foi observado na endoscopia do
fundo de um cão com vômito recorrente. Esta é uma causa (incomum) de gastrite crônica.
(Cortesia de Colin Burrows e Denny Meyer, University of Florida.)

Ficomicoses ou zigomicoses gástricas podem ser associadas à inflamação gástrica


severa (Miller, 1985). O tratamento prolongado com antibióticos ou a
imunossupressão podem levar à candidíase gástrica (Fig. 7-24A). As membranas
mucosas orais ou esofágicas são locais adicionais para a ocorrência da candidíase.
Colorações de Ácido Periódico de Shiff, prata-metenamina de Gomori podem ser
utilizadas para evidenciar leveduras, fungos verdadeiros e oomicetos (Pythium) (Fig.
7-24B e C). Uma discussão a respeito de micro- organismos adicionais que podem ser
encontrados ao longo do trato gastrointestinal, incluindo o estômago, está presente
na seção sobre inflamação do cólon.
Figura 7-24 A, Candidíase gástrica. Escova. Numerosas pseufo-hifas e blastóforos basofílicos de
Candida sp. Uma coloração de prata (prata-metenamina de Gomori) pode ser utilizada para destacar o
organismo no tecido. (Wright; HP em imersão) B-C, Pitiose gástrica.Imprint. Cão. B, Agregados de
células inflamatórias ao redor de uma estrutura somente visível devido ao fundo proteináceo. (Wright;
HP em imersão.) C, O mesmo caso representado em B. A utilização de coloração de prata demonstra a
presença desse fungo aquático. (GMS; HP em imersão.)
(B e C, Cortesia de Rose Raskin, Purdue University.)

Neoplasia
Neoplasias gástricas são incomuns e, em sua maioria, malignas. Carcinomas e
adenocarcinomas são relativamente mais comuns e citologicamente difíceis de
diagnosticar quando localizados nas camadas submucosa ou muscular. Além disso, o
desenvolvimento ocasional de fibrose reativa acrescenta uma barreira adicional, pois
evita a esfoliação das células neoplásicas. Normalmente, as células malignas são
prontamente esfoliadas na presença de ulceração gástrica.

Os linfomas infiltrativos podem ser mais comumente diagnosticados na citologia


gástrica (para exemplos, consulte as Figs. 7-35 e 7-43). A diferenciação entre linfoma
e inflamação linfocítica severa pode ser difícil, a menos que haja grandes números de
linfócitos predominantemente imaturos presentes na citologia. Os linfomas de células
pequenas (linfomas de células maduras) não costumam ser confirmados pela
citologia, requerendo à histologia.

Intestino

Citologia Normal
O epitélio da mucosa intestinal é glandular cilíndrico. O duodeno é a região mais
comumente analisada endoscopicamente. Os tipos celulares da mucosa que podem ser
visualizados em preparados citológicos incluem células do epitélio cilíndrico, células
acinares produtoras de muco e leucócitos globulares (Figs. 7-25 a 7-27). Embora haja
controvérsia, devido às suas características citoquímicas e estruturais, estas células são
provavelmente derivadas de mastócitos, podendo estar associadas a reações de
hipersensibilidade do tipo I, também sendo observadas no trato respiratório (Murray
et al., 1968; Huntley, 1992; Narama et al., 1999); Breeze e Wheeldon, 1977; Baldwin e
Becker, 1993). Há relatos de tumores de leucócitos globulares intestinais (Honor et al.,
1986). As células epiteliais da mucosa apresentam um núcleo basofílico de forma
redonda a ovalada, cromatina de frouxa a levemente pontilhada (menos agregada
que a observada em linfócitos), nucléolos não evidentes e citoplasma levemente
basofílico. O muco pode ser difuso ou visto na forma de grânulos distintos de
coloração basofílica a púrpura (Fig. 7-28). Essas estruturas não devem ser confundidas
com produtos utilizados para lubrificação, que aparecem como formas granulares
irregulares, com cor magenta e que são contaminantes comuns (Fig. 7-29). As células
de Paneth contêm citoplasma eosinofílico granular grosseiro e podem ser difíceis de
distinguir de células produtoras de muco.
Figura 7-25 Células epiteliais intestinais, normal.Imprint. Agrupamento de células epiteliais
uniformes com núcleos ovais a arredondados e citoplasma confluente basofílico. Cordões de proteína
livre são observados à esquerda (seta). (Wright; HP em imersão.)

Figura 7-26 Células epiteliais intestinais da mucosa, normal. A,Imprint. As células epiteliais
cilíndricas possuem claros e grandes vacúolos citoplasmáticos (setas), representando os vacúolos
mucosos apicais. As células possuem bordas não distinguíveis e poucos grânulos de mucina
encontram-se distribuídos à sua volta. (Wright; HP em imersão.) B, Histologia. As células epiteliais
cilíndricas contêm núcleo basilar e apresentam rarefação citoplasmática (transparência aumentada) na
extremidade apical (setas), devido ao seu conteúdo mucoso. (H e E; HP em imersão.)
Figura 7-27 Leucócito globular, colite eosinofílica. Esfregaço fecal. A célula mononuclear
localizada no centro à esquerda (seta longa) possui um núcleo oval e excêntrico composto de
cromatina homogênea e citoplasma claro e cinza-azulado e contém grânulos citoplasmáticos grandes,
distintos e metacromáticos. O leucócito globular está localizado no epitélio intestinal da cripta e vilo
inferior e na lâmina própria. Três eosinófilos também estão presentes (três setas curtas), apresentando
grânulos amarronzados e fracamente corados, um plasmócito com seu citoplasma intensamente
basofílico (acima) e outro leucócito globular com núcleo oval e excêntrico cercado por citoplasma
cinza-azulado abundante que engloba as linhas externas (não coradas) dos glóbulos (asterisco). Uma
bactéria grande em forma de bastão encontra-se localizada no centro à direita (seta dupla). Os
grânulos dos eosinófilos frequentemente não se coram intensamente em amostras de fezes. A presença
abundante de eosinófilos é sugestiva de colite eosinofílica. O diagnóstico morfológico da biópsia de
cólon foi colite eosinofílica. (Wright; HP em imersão.)

Figura 7-28 Células epiteliais intestinais, normal.Imprint. Numerosos grânulos secretórios de


mucina encobrem um denso agrupamento uniforme de células epiteliais intestinais (setas). A distorção
celular é um artefato de técnica. Filamentos de proteína nuclear livre estão presentes (ao alto).
(Wright; HP em imersão.)
Figura 7-29 Células epiteliais intestinais, normal, lubrificante gel.Imprint. No centro desses
densos agrupamentos de células epiteliais intestinais, encontram-se ilhas homogêneas e de forma
irregular de um material de coloração magenta, utilizado para a lubrificação do endoscópio (setas).
(Wright; HP em imersão.)

Folículos linfoides agregados (Placas de Peyer) encontram-se distribuídos na


mucosa da parede antimesentérica do intestino delgado. Endoscopicamente, eles
aparecem como intumescências ovais ou alongadas de poucos milímetros a vários
centímetros de diâmetro. Eles podem se projetar levemente para cima da superfície
da mucosa ou formar leves depressões e serem confundidos com lesões ulcerosas. Os
agregados foliculares de linfócitos B são cobertos por uma população mista de
linfócitos T e B se estendendo para dentro da lâmina própria e projeções
arredondadas mucosas. Quando um folículo for retirado e não houver comunicação
entre o citopatologista e o endoscopista, pode ocorrer a interpretação errônea da
citologia e o material ser interpretado como inflamação linfoide ou mesmo linfoma
(Fig. 7-30). Uma população linfocítica heterogênea geralmente representa um folículo
linfoide ou reação inflamatória sendo que tal variabilidade citológica auxilia na
identificação do linfoma, caracterizado por uma população homogênea de linfócitos.
A visualização de pequeno número de linfócitos e plasmócitos pode ocorrer nos graus
0-1, mas este achado é menos frequente e difícil de ser diferenciado do tecido sadio.
Linfócitos granulares (grandes granulares) podem ser normalmente observados em
pequenos números, especialmente em gatos (Fig. 7-31). Bactérias não costumam ser
observadas, estando presentes apenas em pequena quantidade (Baker e Lumsden,
2000).
Figura 7-30 Folículo linfoide intestinal agregado (placas de Peyer). Escova. Este denso
agregado de linfócitos é composto por linfócitos pequenos (de coloração mais escura), médios e
grandes (os mais claros com borda de citoplasma levemente basofílico). Quatro núcleos livres estão
localizados mais à direita. (Wright; HP em imersão.)

Figura 7-31 Enterite linfocítica. Graus 6/7, linfócito granular.Imprint. Linfócitos médios e
grandes são proeminentes com alguns linfócitos pequenos entremeados. Um linfócito pequeno está
localizado um pouco abaixo à esquerda no centro. Em outras áreas, alguns neutrófilos e macrófagos
contribuem para o quadro inflamatório. (Wright; HP em imersão.)

Hiperplasia
A impressão citológica característica de hiperplasia é baseada na grande quantidade
de células epiteliais secretoras de muco e/ou números elevados de células acinares. É
importante que se faça a diferenciação entre hiperplasia epitelial ou metaplasia
devido a processos reparativos de neoplasias com células relativamente bem
diferenciadas. Os critérios para hiperplasia incluem a preservação da polaridade, a
uniformidade do tamanho celular com anisocitose mínima e a coesividade das células.
A correlação com os achados histológicos é recomendada quando os achados
citológicos são inconclusivos.
Inflamação
As células inflamatórias são categorizadas de acordo com o sistema de graduação, no
qual o grau 2 ou maior indicam a escala correspondente à intensidade da inflamação
(Quadro 7-2). O sistema de graduação é utilizado para expressar a presença e a
magnitude dos componentes neutrofílicos (Fig. 7-32) ou linfocítico-plasmocitários
(Fig. 7-31). Enterites linfocíticas severas podem ser difíceis de diferenciar de linfomas
malignos quando há grande quantidade de linfócitos médios e grandes (ver
Neoplasias, a seguir). A correlação comparativa com os achados histológicos é
imperativa. Um aumento no número de linfócitos granulados parece ser um
componente não específico das enterites, especialmente no gato. Eosinófilos,
mastócitos, células de Paneth e células secretoras de muco podem ser difíceis de
diferenciar citologicamente devido a alterações na coloração (Figs. 7-27 e 7-33),
distorção celular moderada ou intensa, ruptura e lise que acompanham a resposta
inflamatória geral. Quando há inflamação, podem-se utilizar as colorações de ácido
periódico de Schiff ou prata-metenamina de Gomori para evidenciar agentes fúngicos
e protozoários. A giardíase pode ser diagnosticada pela identificação de trofozoítos
em amostras de duodeno. Eles aparecem como organismos piriformes e binucleados
com quatro pares de flagelos (Fig. 7-34). Uma variedade de agentes infecciosos pode
ser encontrada no intestino, assim como no cólon, sendo que essas doenças serão
discutidas na seção de inflamação do cólon.

Figura 7-32 Enterite purulenta. Graus 5/6.Imprint. Vários neutrófilos (setas) encontram-se
misturados com células epiteliais intestinais de coloração levemente basofílica. Foi observado um
único eosinófilo (não visível), o que é um achado comum sem relevância diagnóstica. Abaixo, à direita,
observam-se debris e cariorrexia. (Wright; HP em imersão.)
Figura 7-33 Células epiteliais intestinais, normal, mastócito.Imprint. No centro, pode-se
observar um mastócito, apresentando o núcleo oval com cromatina em cordão, circundado por
citoplasma moderadamente abundante e grânulos metacromáticos levemente corados (seta longa). A
presença ocasional de mastócitos é normal em amostras citológicas de intestino. Células epiteliais
basofílicas (seta curta) e linfócitos de tamanho intermediário, levemente corados, apresentando núcleo
arredondado e composto por cromatina difusa cercada por uma borda citoplasmática leve ou
moderadamente basofílica estão presentes (asterisco). Núcleos livres que conservam moderada
agregação da cromatina estão distribuídos pela amostra. (Wright; HP em imersão.)

Figura 7-34 Giardíase. A, Aspirado duodenal. A Giardia intestinales (lamblia ou duodenalis) é


identificada através de seus núcleos metacromáticos pareados e seus oito flagelos (dois, localizados à
esquerda). Um bastonete encontra-se sobre a sua superfície inferior direita. O diagnóstico também
pode ser realizado por flotação de fezes com sulfato de zinco, ELISA ou testes de imunofluorescência
das fezes. (Wright; X 250.) B,Imprintduodenal. Cão. A mucosa duodenal aparentava normalidade na
endoscopia nesse cão apresentando hipoproteinemia. Observou-se a presença de vários trofozoítos
associados ao epitélio (não representado). Compare o tamanho dos trofozoítos com dois linfócitos
pequenos (setas). (Wright; HP em imersão.)
(A, Cortesia de Denny Meyer. B, cortesia de Rose Raskin, Purdue University.)

Neoplasia
A capacidade de detectar neoplasias intestinais citologicamente depende da extensão
da infiltração e da presença de ulcerações. A característica esfoliativa do linfoma
facilita seu diagnóstico citológico (Fig. 7-35A e B). Frank et al. (1986) publicaram os
achados clínicos, histológicos e ultraestruturais do caso representado na Figura 7-35B.
Neoplasias frequentemente envolvem o trato gastrointestinal e os linfonodos jejunais
(Darbes et al., 1998). Um relato sugere que esses “tumores de células redondas”
possuem uma origem celular comum que pode envolver células em transição entre
mastócitos da mucosa e leucócitos (Fig. 7-27) (McEntee et al., 1993). Entretanto, isto
pode não ser detectado citologicamente, uma vez que os linfócitos, frequentemente,
coram-se mais fracamente e podem romper-se com mais facilidade. Ocasionalmente, a
diferenciação entre a enterite linfocítica severa e linfoma é difícil. O leitor deve
consultar a discussão sobre Citologia Normal, já descrita, referente ao potencial de
falsas interpretações que possam acontecer, caso um folículo linfoide agregado seja
coletado. A correlação com os achados histológicos é imperativa quando ocorrerem
resultados citológicos conflitantes.
Figura 7-35 Linfoma intestinal.Imprint. Vários linfoblastos embebidos em muco de coloração
basofílica. Os linfócitos grandes e imaturos possuem núcleos de forma oval a irregular, compostos de
cromatina homogênea, de coloração pálida e circundados por citoplasma de escasso a abundante e
levemente basofílico. Seu tamanho grande pode ser apreciado em comparação com o neutrófilo (seta
longa). Debris cariorréxicos encontram-se localizados acima do neutrófilo. (Wright, HP em imersão.)
B, Linfoma de células grandes granulares. Citologia aspirativa de agulha fina de massa
abdominal. Gato. Esta população monomórfica de células possuindo núcleos redondos a ovais com
cromatina em cordão circundada por uma quantidade de mínima a moderada de citoplasma levemente
basofílico, contendo grânulos metacromáticos de tamanhos variáveis. Algumas das células possuíam
grânulos menores que formavam um depósito em uma região do citoplasma (não representado).
Linfócitos normais corados mais intensamente estão espremidos entre as células neoplásicas e um
eosinófilo segmentado de grânulos fracamente corados pode ser visto no centro. Na cirurgia a massa
confluente envolvia os linfonodos e o intestino delgado. (Wright; HP em imersão.)
(A, Cortesia de Denny Meyer.)

O adenocarcinoma intestinal possui as características gerais das células epiteliais


neoplásicas (Fig. 7-36A e B). Em nossa experiência, outras neoplasias intestinais (i.e.,
leiomiossarcomas, leiomiomas e fibrossarcomas) são de difícil diagnóstico citológico,
devido à sua localização mais profunda e menor tendência esfoliativa.
Figura 7-36 Adenocarcinoma intestinal. A,Imprint. As células epiteliais neste denso agregado
demonstram basofilia aumentada, intensas anisocitose e anisocariose, proporção N:C variável e
crescimento aumentado das células vizinhas. A anormalidade de tamanho destas células é vista por
comparação com os neutrófilos. (Wright; HP em imersão.) B, Histologia. Células apresentando de
moderada a intensa anisocitose e anisocariose, padrões de cromatina variáveis, nucléolos evidentes e
proporção N:C variável formam túbulos epiteliais desorganizados. (H e E; HP em imersão.)

Cólon/reto/fezes

Citologia Normal
As amostras citológicas do cólon consistem em grupos ou camadas de células
uniformes epiteliais cilíndricas com células caliciformes que contêm mucina e núcleo
basilar (Fig. 7-37). A característica comum é de uma flora bacteriana mista e
proeminente. Raspados de reto contêm agrupamentos de células epiteliais e material
fecal. Na citologia do cólon, observam-se no cólon folículos linfoides agregados, além
de um misto de linfócitos pequenos, médios e grandes. Novamente, sugere-se que o
leitor consulte a discussão anterior, a respeito da Citologia Normal, na qual se discute
a possibilidade de interpretações errôneas que podem ocorrer quando um folículo
linfoide é puncionado. A citologia fecal é abordada mais detalhadamente no Capítulo
8.
Figura 7-37 Células epiteliais de cólon normais.Imprint. A camada de células epiteliais
demonstra padrões normais de morfologia e coloração. Inúmeras bactérias de tamanhos e formas
variáveis são um achado normal. (Wright; HP em imersão.)

Hiperplasia
A observação endoscópica de uma mucosa aparentemente normal, em conjunto com
achados citológicos de uma população uniforme de células epiteliais, é condizente
com o diagnóstico de hiperplasia da mucosa. Células epiteliais hiperplásicas podem
apresentar atipia celular leve e nucléolos distintos, especialmente associados à
hiperplasia da mucosa do reto (Fig. 7-38A e B).

Figura 7-38 Hiperplasia de células epiteliais do cólon. A,Imprint. Essa camada de células
epiteliais fracamente coradas que apresentam núcleos compostos de cromatina pontilhada, contendo
um ou mais nucléolos evidentes demonstram variação mínima no tamanho e na forma. Considerações
para o diagnóstico diferencial dessa massa incluem pólipos, adenoma ou carcinomas bem
diferenciados. Várias bactérias no fundo compõem a flora normal do cólon. (Wright; HP em imersão.)
B, Histologia. Projeções papilares (asteriscos) encontram-se cobertas por células epiteliais cilíndricas
mucosas hiperplásicas, que possuem núcleos basilares, cromatina grosseira e nucléolos evidentes. A
arquitetura do tecido é compatível com uma lesão benigna. (H e E; HP em imersão.)

Inflamação
A visualização de neutrófilos indica inflamação ativa envolvendo o cólon e/ou o reto,
uma vez que neutrófilos que adentrem o lume mais proximal do intestino serão
rapidamente destruídos (Fig. 7-39). Possíveis causas infecciosas para a colite
neutrofílica incluem bactérias Clostridium perfringens (Fig. 7-39B), Campylobacter
jejuni, Salmonella sp., uma cepa enterotóxica de Escherichia coli) e parasitas (Trichuris
vulpis) (Fig. 7-39C). A presença de linfócitos de pequenos a médios acompanhados, ou
não, de plasmócitos é morfologicamente consistente com colite crônica (Fig. 7-40A e
B). A ocorrência de hemorragias induzidas por punções no cólon e reto é comum.
Leucócitos provenientes do sangue podem confundir a interpretação citológica,
especialmente se houver leucocitose concomitante.

Figura 7-39 Colite purulenta (neutrofílica). Raspado. Os neutrófilos compõem a característica


microscópica anormal. Bactérias do cólon estão presentes. Considerações para o diagnóstico
diferencial incluem infecções por Campylobacter, Salmonella, Clostridium e Trichuris. Nesse caso, não
foi determinada a causa. (Wright; HP em imersão). B, Colite porClostridium. Esfregaço retal.
Presença de vários neutrófilos observados na visualização da lâmina. Um elevado número de
endosporos bacterianos em forma de bastão apresentando região central clara e densidade aumentada
em uma das extremidades (forma de joaninha) é a característica marcante (setas curtas). A morfologia
bacteriana é compatível com Clostridium perfringens. A presença ocasional destes micro-organismos
pode ser normalmente visualizada, mas números superiores a 5 por campo de imersão × 1000
constituem um achado anormal. (Wright; HP em imersão.) C, Colite causada porTrichuris vulpis.
Endoscopia. Observa-se a adesão de Trichuris vulpis a locais hemorrágicos da mucosa do cólon (seta
longa). Várias outras áreas de inflamação/hemorragia da mucosa estão evidenciadas (setas curtas). Um
número moderado de neutrófilos foi observado no esfregaço das fezes.
(B, cortesia de Rose Raskin, Purdue University. C, cortesia de Colin Burrows e Denny Meyer.)

Figura 7-40 Colite linfocítica. A,Imprint. Um elevado número de linfócitos de pequenos a


médios compostos por núcleos redondos a ovais, possuindo cromatina homogênea e uma pequena
borda de citoplasma levemente basofílico estão presentes (setas). Agrupamentos densos de células
epiteliais basofílicas (bem à direita) e grânulos abundantes de mucina sugestivos de hiperplasia da
mucosa estão sobre um fundo basofílico de muco. (Wright; HP em imersão.) B, Histologia. Aumento
de moderado a intenso de linfócitos de pequenos a médios, invadindo a região mais profunda da
mucosa (asterisco). As glândulas hipertróficas da mucosa estão delimitadas por células caliciformes
proeminentes apresentando vacúolos preenchidos por muco claro (setas). (H e E; HP em imersão.)

Amostras de cólon podem ser utilizadas para detectar a Prototheca sp. (reto),
Histoplasma capsulatum (intestino e reto), Balantidium coli (reto) e Cryptococcus
neoformans (intestino) (Rakich e Latimer, 1999). A Prototheca sp. É uma alga incolor
(diâmetro: 1,3-13,4 μm, comprimento: 1,3-16 μm), de citoplasma granular basofílico,
parede celular clara e núcleo pequeno (Rakich e Latimer, 1999) (Fig. 7-41). Pode-se
observar a endoesporulação. As infecções fúngicas sistêmicas podem ser detectadas
precocemente por um raspado retal. Estas incluem H. capsulatum (2-4 μm), localizado
frequentemente no interior de macrófagos (Fig. 7-42A) e C. neoformans (levedura,
3,5-7 μm), cujo sinal microscópio característico é uma cápsula proeminente, clara e
não corada. O B. coli (40-80μm × 25-45 μm a 30-300 μm × 30-100 μm) é um
protozoário ciliado o qual infecta cães que ingerem fezes de suínos. Acredita-se que as
lesões de mucosa causadas por tricuríase possam predispor à infecção por B. Coli. De
maneira menos comum, a dermatite por Blastomyces (levedura, 7-15 μm) pode ser
encontrada no estômago, intestino e/ou cólon, na forma de uma levedura refrátil,
intensamente basofílica, e de parede celular espessa (Fig. 7-42B).
Figura 7-41 Protothecasp. Imprintde cólon. Essa alga aparece na forma de estruturas claras,
ovais, de tamanhos variados apresentando pontilhados eosinofílicos a basofílicos (setas). Esses
organismos estão envoltos por uma camada densa de células epiteliais. (Wright; HP em imersão.)

Figura 7-42 Histoplasma capsulatum. Raspado retal. Esse macrófago (seta) está distendido por
estruturas ovais fracamente coradas (H. capsulatum) conferindo a ele uma aparência espumosa a
vacuolizada. Os organismos cobrem quase que completamente o núcleo localizado na parte superior da
célula. Um neutrófilo e um linfócito distendido estão localizados logo abaixo e à direita,
respectivamente, do macrófago. Pode-se visualizar também a flora do cólon sobre o muco, de
aparência difusa e coloração levemente basofílica. (Wright; HP em imersão.)
B,Blastomycesdermatidis. Citologia por endoscopia duodenal. Blastomicose leveduriforme de 7-15
μm de diâmetro possuindo uma parede espessa, refrátil e intensamente basofílica. (Wright; HP em
imersão.) C, Cyniclomyces guttulatus (Saccharomycopsis guttulata).Citologia por endoscopia
gástrica. Ramificações de ovais a circulares e correntes curtas de leveduras de 5-7 μm × 20 μm,
circundadas por uma parede celular clara. (Wright; HP em imersão.)
(B, cortesia de Heather Flaherty.)

Há relatos recentes da ocorrência de uma levedura, Cnydomyces guttulatus


(Scacharomycopsis guttulata) como organismo não patogênico em amostras gástricas,
intestinais e de cólon de cães, o que nós também observamos (Fig. 7-42C). Este é um
organismo que ocorre em grande quantidade nas fezes de coelhos (Neel et al., 2006;
Zierdt et al., 1998), podendo ser visualizado em cães que eventualmente ingerirem
essas fezes.

Neoplasia
Os carcinomas/adenocarcinomas e os linfomas (Fig. 7-43) são mais comumente
diagnosticados, aparecendo citologicamente similares àqueles descritos em outras
regiões do trato gastrointestinal. Plasmocitomas podem ocorrer no cólon, assim como
em outras áreas do trato digestório, incluindo a cavidade oral (Fig. 7-44).

Figura 7-43 Linfoma de cólon.Imprint. Linfoblastos pleomórficos compostos por núcleos de


irregulares a reniformes ou em forma de redemoinho, circundados por citoplasma moderadamente
abundante e de basofilia intensa representam os achados microscópicos anormais. Sua morfologia
anaplásica torna difícil reconhecer essas células como linfócitos. Alguns pequenos linfócitos com
núcleos densos e pouco citoplasma encontram-se entre essas células (seta). Duas pequenas ilhas de
eritrócitos de coloração amarelo-esverdeada também podem ser vistas (asteriscos). (Wright; HP em
imersão).
Figura 7-44 Plasmocitoma de cólon.Imprint. Essas células demonstram características de
malignidade que incluem intensas anisocitose e anisocariose e variação na proporção N:C. Ao mesmo
tempo que possuem características morfológicas compatíveis com um carcinoma anaplásico, os
núcleos excêntricos e a basofilia citoplasmática são também sugestivos de origem plasmocitária. A
Histologia, juntamente com imuno-histoquímica da biópsia confirmaram o plasmocitoma. (Wright; HP
em imersão.)

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Capítulo 8

Citologia Fecal de Montagem a Seco

Heather L. Wamsley

Existem diversos testes de diagnóstico de fezes que podem ser necessários durante a
avaliação completa dos pacientes com sinais clínicos referentes ao trato
gastrointestinal. Uma avaliação fecal ideal, como os testes possíveis (p. ex., citologia
fecal de montagem úmida, citologia fecal de montagem a seco, cultura bacteriana,
métodos de detecção de antígeno fecal, flutuação fecal, sedimentação fecal, técnica de
Baermann) e as formas de manipulação da amostra, indicações de diagnóstico e
interpretações, foram compiladas em outros lugares (Broussard, 2003). A citologia
fecal de montagem a seco (esfregaço seco ao ar) é um componente de uma avaliação
diagnóstica minuciosa de pacientes com sinais gastrointestinais. Como alguns
patógenos fecais podem ser morfologicamente indistinguíveis dos não patógenos
acidentais, os resultados da citologia fecal de montagem a seco devem ser
interpretados no contexto da apresentação clínica do paciente e resultados de outros
testes de diagnóstico, como citologia fecal de montagem úmida, cultura bacteriana e
métodos de detecção de antígenos fecais.

Quando avaliamos uma citologia fecal de montagem a seco, pode ser útil aplicar
uma abordagem sistemática visando à avaliação das células de fundo concomitantes e
à detecção de células eucariotas anormais e micro-organismos patogênicos (Quadro 8-
1).

Quadro 8-1 Orientações para o Método Sistemático para Avaliação de


Citologia Fecal de Montagem a Seco

Pontos-chave para Estimar Durante a Avaliação da Citologia Fecal de


Montagem a Seco

1. Avalie o fundo bacteriano e a flora de leveduras usando a objetiva de 100 ×

2. Determine o número de bactérias formadoras de esporos por objetiva de 100 ×


3. Examine o esfregaço para outros patógenos potenciais usando objetivas de 50 × ou 100 ×
a. Algas (p. ex., Prototheca)
b. Bacterianos (p. ex., bactérias em formas de asa de gaivota e espirais)
c. Fúngicos (p. ex., Histoplasma, Aspergillus, Blastomyces, Candida, Cryptococcus)
d. Oomicéticos (p. ex., Pythium)
e. Protozoários (p. ex., Cryptosporidium, Giardia, Entamoeba, Trichomonas, Ballintidium)
f. Achados raros (p. ex., ovos e larvas de nematódeos e trematódeos são raramente
diagnosticados por este método)

4. Explore o esfregaço para a presença de células hospedeiras


a. Células inflamatórias – observem os tipos e quantidades relativas
b. Células epiteliais – avalie o número e a morfologia (i.e., normal, hiperplásica ou neoplásica)
c. Outras células hospedeiras atípicas ou neoplásicas

Coleção e processamento de amostra

O método de coleta de amostra fecal pode indicar qual porção do reto está sendo
representada (luminar ou mucosa) e o conteúdo celular da amostra. O método de
amostragem ideal, a quantidade desejada de coleta e a subsequente manipulação
dependem do teste fecal destinado (Broussard, 2003). Os objetivos ideais de
amostragem para citologia fecal são o exame de fezes frescas (menos de 5 minutos
após a eliminação), que é representativo da superfície mucosa e a preparação de um
preparado de película fecal fina que não seja excessivamente densa. As áreas
excessivamente densas de um preparado de película fecal fina tendem a se separar
durante a coloração ou se não caírem durante coloração, irão obscurecer os detalhes
citológicos. Como o conteúdo celular da matéria fecal é dinâmico e irá continuar a
mudar após a coleta da amostra, recomenda-se o exame imediato logo após a coleta.

Ponto-Chave

A preparação de uma película fecal fina de material fresco é preferível a um esfregaço de amontoado
denso. Os resultados da citologia fecal de montagem a seco devem ser interpretados com visão na
apresentação clínica do paciente e dos resultados de outros testes de diagnósticos.

Ponto-Chave

Como o material fecal desprende facilmente durante a técnica de coloração, é importante corar as
lâminas de material fecal no final do lote e mudar a solução de coloração se estiver sendo utilizada
uma técnica de mergulho. Estas precauções irão ajudar a evitar contaminação bacteriana nas
amostras subsequentes a serem coradas.

Para a citologia fecal, existem poucos métodos de amostragem, incluindo a coleta


de material fecal inalterada, lavagem retal com solução fisiológica e raspagem retal.
Uma pequena quantidade de material fecal fresco deve ser obtida durante o exame
retal digital ou por meio de um aplicador com ponta de algodão umedecida, ou um
punhado fecal, caso não seja possível um exame retal digital. As amostras coletadas
imediatamente ou fezes eliminadas também podem ser utilizadas, entretanto, as
amostras eliminadas podem ser mais representativas da porção luminal do reto, as
quais não são ideais para a citologia fecal. As fezes eliminadas são as amostras
preferenciais para outros testes de diagnóstico como a flutuação fecal, a sedimentação
fecal ou a técnica de Baermann, pois são mais abundantes e podem ser ricas em ovos
de parasitas e cistos (Broussard, 2003). Normalmente, se uma pequena amostra de
material fecal for obtida utilizando um aplicador com ponta de algodão umedecida, a
ponta de algodão do aplicador deve deslizar suavemente sobre a lâmina para
preparação de uma película fina direta. Caso contrário, é possível uma discreta
diluição das fezes por meio de uma gota de solução fisiológica estéril de forma a obter
uma pe