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O artigo abaixo é de autoria do professor Jeff McLaughlin (Ph.D.

, University College of the


Cariboo) e tem como título original “How to Read a Philosophy Paper”. A tradução do
original em inglês foi feita pela professora Dra. Maria Clara Cescato (UFPB). Este artigo é
o primeiro de uma série de três.

1. Como ler um texto de filosofia


Como aluno, talvez novo, de filosofia, o que vai preocupar você de forma mais imediata é
como lidar com os textos sem se ver completamente desencorajado e arrasado. Muitas vezes é
difícil para os que começam a se familiarizar com a filosofia simplesmente compreender alguns
dos artigos que devem ser lidos. As dificuldades que talvez você encontre muitas vezes são
simplesmente devidas a sua pouca familiaridade com os estilos de escrita dos filósofos
acadêmicos. Nesta rápida discussão, vou apresentar algumas sugestões de como trabalhar um
artigo ou capítulo de filosofia. Antes, duas pequenas recomendações. Primeiro: não leia
descansando num sofá ou cama… você provavelmente vai querer cair no sono. Segundo: você
terá de ler cada texto mais de uma vez. Eis aqui algumas dicas de como melhorar sua
compreensão de textos de filosofia.

Compreensão
Em primeiro lugar, dê uma lida rápida no artigo, a fim de obter uma ideia geral do que o autor
está tentando dizer. Preste atenção no título e subtítulos, pois eles muitas vezes informam
sobre a área da investigação. Preste atenção nos parágrafos de abertura, uma vez que os
autores muitas vezes apresentam sumários ou sinopses de seus artigos. Ao compreender em
que direção se encaminha a conclusão, você vai querer anotá-la: ela é justamente aquilo que o
autor está tentando convencer você a aceitar. Sublinhe ou ilumine-a (desde que a cópia
utilizada seja sua e não a da biblioteca). Experimente anotar a conclusão num pedaço de
papel, empregando suas próprias palavras. Agora, retorne ao início do texto e, com a
conclusão em mente, tente perceber como o autor procura encaminhar a argumentação rumo a
ela. Em outras palavras, pense no desafio como algo próximo à releitura de um romance
policial: foi divertido tentar descobrir quem era o assassino, você percebeu pistas aqui e ali e
talvez tenha conseguido dar solução a algumas delas, mas outras escaparam a você. Agora
que sabe quem é o culpado, pode ser divertido examinar como todas as pistas que escaparam
a você se encaixam na trama.

Em cada parágrafo, a primeira e a última sentença muitas vezes podem oferecer a você os
elementos chave envolvidos no processo de pensamento do autor; você pode, por exemplo,
encontrar uma conclusão ou premissa de um argumento ou sub-argumento. Vou explicar
alguns desses termos. Um argumento é constituído por pelo menos uma premissa e pelo
menos uma conclusão. Esse argumento, por sua vez, pode ser empregado para defender uma
outra conclusão. A conclusão é a tese que o autor está tentando convencer você a aceitar. A

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premissa ou as premissas são a razão que ele oferece para tentar levar você a aceitar sua
conclusão. O importante é que o autor de fato oferece ao leitor uma razão para a conclusão,
caso contrário ele estaria apenas expressando uma opinião. Se eu dissesse: “O serviço de
saúde universal é uma boa coisa”, tudo que você poderia fazer seria apenas sorrir ou dizer algo
como: “Isso é ótimo”. O que ofereci a você foi nada mais que uma simples declaração daquilo
em que acredito. Apresentei a você apenas uma declaração sem justificação. Assim, você
pode concordar ou discordar de mim, mas como não forneci nenhuma justificação para minhas
opiniões, você não sabe o que fazer com elas. É preciso que eu apresente uma defesa de
minha posição, para que você possa determinar se aceita racionalmente ou se rejeita minha
posição.

Mesmo que você concorde com minha opinião, você não vai querer se antecipar e concordar
comigo, uma vez que pode ser que você não concorde com meu raciocínio e isso é tão
importante quanto concordar com meu ponto de vista. Eis aqui um exemplo. Eu digo: “Em
minha opinião, a pena de morte é um erro”. Você diz: “Concordo!”. Então eu digo: “Acho que é
um erroporque os que matam alguém deveriam, em vez disso, ser torturados lentamente!”.
Agora, como você não esperou para ouvir minhas razões, você concordou, ou pelo menos deu
a impressão de concordar, com minha convicção bastante repugnante – mas mais
provavelmente você gostaria é de discordar dela. As pessoas podem concordar sobre as
mesmas questões, mas por razões diferentes e algumas dessas razões podem ser boas,
outras más. Um outro exemplo simples: você e eu concordamos em que a soma de 2 + 2 não é
5. Você (com razão) acredita que 2 + 2 não é igual a 5 porque de fato é igual a 4, mas eu
(equivocadamente) acredito que 2 + 2 não é igual a 5 porque é igual a 17. Portanto, você deve
considerar tanto as premissas quanto a conclusão antes de chegar a sua decisão final.

Palavras que indicam as premissas e as conclusões muitas vezes (mas nem sempre) irão
ajudar você a distinguir as diferentes partes dos argumentos, assim como a distinguir os
argumentos dos não-argumentos. Entre as palavras que indicam ou sinalizam que há uma
razão (ou premissa, ou prova, ou justificação etc.) sendo apresentada em apoio a um ponto de
vista (ou conclusão) estão: porque, uma vez que, devido a, segue-se que, etc. Entre os
indicadores da conclusão estão: portanto, dessa forma, assim, consequentemente, etc. Se não
há palavras indicadoras, tente inserir uma palavra indicadora de sua escolha para verificar se
faz sentido. Fazer anotações à margem é útil. Por exemplo, você pode acrescentar uma ou
duas palavras ao lado de cada parágrafo, destacando o conteúdo do parágrafo. Não sublinhe
indiscriminadamente todas as palavras, uma vez que nem tudo que o autor diz é importante
e/ou relevante para a tese principal. Ele pode estar apresentando a você informações fatuais
básicas, comentários introdutórios, digressões pessoais etc. Verifique se ele oferece distinções
entre suas próprias concepções e as de outros autores. Em seguida, tente formular os

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principais argumentos (as premissas e as conclusões) do texto em suas próprias palavras. O
desafio, posteriormente, será verificar se o que você acredita que o autor está defendendo é,
de fato, o que ele está efetivamente defendendo.

Observe o que aconteceu. (1) Você leu rapidamente o artigo, a fim de obter uma ideia geral
de seu assunto. (2) Você formulou a conclusão (ou o que você acredita ser a conclusão) em
suas próprias palavras. (3) Você retornou ao início e releu cuidadosamente o artigo, a fim de
extrair os vários argumentos que o autor levanta ou rejeita em seu texto (lembre-se de que nem
tudo que o autor diz vai ser uma tese por ele defendida; muitas vezes ele estará ao mesmo
tempo argumentando contra outras pessoas, tentando mostrar por que a concepção do
adversário é insatisfatória e, em seguida, por que suas próprias concepções estão corretas).
(4) Você selecionou esses pontos (muitos dos quais você anotou à margem do texto) e os
relacionou num pedaço de papel. (5) Agora você dedica um momento ao exame do caminho
percorrido. Você consegue acompanhar o fluxo do texto? Talvez você possa traçar setas e
diagramas conectando os vários pontos. Você compreende o que o autor disse e por que ele o
disse? Caso não, adivinhe o que você precisa fazer. Sim, você precisa ler o texto novamente e,
se isso não resolver suas dúvidas, faça perguntas bem elaboradas a seu(sua) orientador(a) ou
colegas. Por exemplo, tente formular a pergunta da seguinte forma: “Na página 34, o autor
afirma x, mas não entendo como isso se encaixa na conclusão z. O autor está dizendo que x
leva a y e y leva a z?”. Após compreender o artigo, somente então, você poderá retornar e
avaliá-lo.

Avaliação
Assim, em benefício do argumento, vamos supor que você compreendeu bem o que o autor
está tentando em última análise convencer você a aceitar. Agora a questão é: o autor teve êxito
nessa tarefa? Ninguém está dizendo que você deve aceitar ou rejeitar cada um dos
argumentos apresentados. Alguns argumentos podem ainda se manter, mesmo você tendo
colocado em questão algumas de suas premissas. Talvez você tenha gostado do argumento
em geral, mas tenha encontrado algumas áreas pouco convincentes. Talvez você ache que o
argumento é precário e está seriamente comprometido desde o início. Seja qual for sua
avaliação, você em última análise deverá convencer outras pessoas disso. Para fazer isso,
você precisará saber como escrever um texto de filosofia. No entanto, não vamos nos adiantar
precipitadamente. Eis aqui uma abordagem que você pode utilizar para avaliar a posição do
autor. Em primeiro lugar, você precisará isolar as razões que ele apresenta em defesa de suas
conclusões (isto é, as premissas dos argumentos) assim como precisará avaliar se elas são
racionalmente aceitáveis ou não. Isso significa, entre outras coisas, que você terá de
determinar se a justificativa ou premissa é defendida por meio de um sub-argumento

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dedutivamente coerente ou indutivamente consistente. Por exemplo, a premissa é defendida
com êxito pelo autor em um sub-argumento em alguma outra parte do texto, ou mesmo num
outro artigo, ou por alguma outra pessoa? Trata-se de uma questão de conhecimento geral, ou
ela é sustentada pelo recurso apropriado a uma autoridade?

Se por alguma razão você não sabe se a premissa é aceitável e não tem indicações que
sugiram que ela é inaceitável, então você pode aceitá-la provisoriamente e passar ao exame
dos outros argumentos utilizados pelo autor (essa é a razão por que ouvimos as pessoas dizer:
“somente para argumentar, vamos supor que tal coisa é verdadeira”). No entanto, se não
compreende o argumento, por favor, não empregue a aceitação provisória como uma forma de
justificar sua preguiça. Às vezes a leitura de um texto específico sobre um tema filosófico exige
que você faça um pouco de leitura de base. O autor continuamente se refere ao argumento de
uma outra pessoa – você precisa ler o artigo original? Qual o contexto do artigo? Você precisa
se familiarizar com detalhes das questões a ele vinculadas? Assim como é inapropriado entrar
na conversa de outras pessoas e começar a discutir com elas, é também intelectualmente
inapropriado iniciar uma discussão contra um autor antes de ter todos os dados da questão.
Faça um pouco de pesquisa. A pesquisa não precisa se limitar à tarefa de localizar outros livros
volumosos. Você pode tentar uma enciclopédia filosófica, para uma boa visão geral. Você pode
tentar um dicionário de filosofia, para ajuda com a terminologia. Você pode conversar com
colegas, pode pedir ajuda diretamente a seu(sua) orientador(a) e assim por diante. A pesquisa,
nesse sentido, consiste simplesmente em buscar descobrir o que você precisa saber para
poder tomar decisões bem justificadas quanto ao texto que você está avaliando.

O estágio seguinte de sua avaliação envolve examinar se as premissas são positivamente


relevantes para a(s) conclusão(ões). Para ser “positivamente relevante”, a verdade de uma
premissa deve contribuir para a verdade da conclusão. Por exemplo, a premissa “hoje está um
dia quente e ensolarado” é positivamente relevante para a conclusão “preciso usar bermuda e
camiseta, para evitar me sentir desconfortável hoje”. Enquanto a premissa “todos os corvos são
negros” não é relevante para a mesma conclusão: “preciso usar bermuda e camiseta, para
evitar me sentir desconfortável hoje”. Em outras palavras, as premissas são relevantes quando
apresentam alguma prova em apoio à conclusão. Somente após identificar o argumento e suas
partes e após determinar se as razões apresentadas nas premissas são relevantes para a
conclusão é que você pode avaliar se o autor apresentou provas suficientes ou não para você
racionalmente aceitar a conclusão. Para poder fazer isso, você tem de empregar seu
“pensamento crítico”. Infelizmente, o pensamento crítico não é algo que você pode aprender
apenas lendo a respeito dele, em especial num artigo curto como este aqui. Você não pode
simplesmente ler sobre como desenvolver suas habilidades de pensamento crítico porque,
para poder aprender filosofia, você tem de fazer filosofia.

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(Versão resumida)

2. Como planejar um texto de filosofia

Suas aulas de filosofia mal começaram e seu professor, cujo nome você sequer conhece, já
está falando sobre o primeiro texto que deve ser entregue em semanas, senão meses depois.
Você talvez se veja tentado(a) a esperar até o último minuto para começar de fato a escrever,
mas a essa altura, você terá mais outras cinco tarefas de outros cursos a ser também
entregues. Não é uma atitude sábia, mas é compreensível. Faz parte da natureza humana
evitar fazer coisas de que não gostamos, seja a tarefa do curso, seja ir ao dentista. No entanto,
qual a consequência de se esperar até o último minuto? Você vai perder muito sono, faltar a
algumas aulas matinais, ficar de mau humor, estressado(a), e apresentar um trabalho cheio de
falhas que não representa de modo adequado sua capacidade nem o que você pensa. Ah… e
você provavelmente vai também receber uma nota baixa.

Os guias de escrita se destinam a ajudar você a expressar seus pontos de vista e


argumentos com clareza e com força filosófica. Erros gramaticais e pensamento acrítico aliados
a fracas habilidades de pesquisa e exposição vão interferir em suas tentativas de convencer o
leitor de suas afirmações. Seu leitor quer se esclarecer com seu texto – e não ser confundido;
sobretudo, ele não vai querer ter de lidar com seu texto como uma espécie de quebra-cabeça,
sem clara direção ou objetivo. Os leitores não devem ter de trabalhar pesado para decifrar sua
intenção. Na verdade, você não precisa realmente gastar mais tempo escrevendo seu texto,
você precisa gastar mais tempo planejando-o. Nesta segunda parte de nossa série, você
aprenderá como planejar sistematicamente seu texto de filosofia. Antes de começar, vamos
nos certificar de que estamos falando da mesma coisa. Com muita frequência, um texto de
filosofia é um texto que toma posição, ou um texto argumentativo. Não é um “texto de
pesquisa”. Um texto de pesquisa pura envolve, entre outras coisas, o estabelecimento ou a
descoberta de fatos. Um texto argumentativo é, ao contrário, um texto em que você toma
posição ou explica uma posição ou ponto da vista. Você está tentando convencer seu leitor da
tese que você propõe. Para saber se você tem meios de convencer seu leitor de seus próprios
pontos de vista, seu professor irá verificar se você compreende adequadamente o material e
suas implicações, se você consegue analisar e avaliar criticamente as questões relevantes e
pode defender com plausibilidade sua tese.

Um texto de posicionamento não deve ser considerado como uma oportunidade para
meramente afirmar suas próprias opiniões (opiniões não têm interesse filosófico, uma vez que
são apenas afirmações sem o apoio de justificativas). Embora estejamos comparando esse

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processo com um “texto de pesquisa” padrão, não estamos afirmando que você não deve fazer
nenhuma pesquisa para seu projeto. A pesquisa é um elemento chave para descobrir mais
sobre seu tópico bem como posições e argumentos diferentes que outras pessoas
apresentaram sobre ele. Você precisará fazer pesquisa para poder entender o tópico, assim
como as questões e implicações a ele vinculadas; depois você precisará fazer pesquisa para
descobrir o que outros pensam e depois você precisará fazer pesquisa para justificar sua
própria posição. Fazer tudo isso exige tempo. Algo que irá desesperadamente faltar, se você
adiar o texto até o último minuto.

Se existe um tema no presente texto é enfatizar a necessidade de ter tempo suficiente para
dedicar a seu projeto. Vamos repetir novamente: dê a sua tarefa, a seu tópico e a seu leitor o
tempo que eles merecem. Você precisa de tempo para refletir, realizar a pesquisa, refletir um
pouco mais e colocar suas idéias no papel. Você precisa de tempo para se distanciar dessas
idéias e tempo para retornar a elas. Você precisa de tempo para procurar materiais em
bibliotecas e na internet e para, então, munido com esse material adicional, alterar, reelaborar
e revisar seu trabalho. Você precisará então de mais tempo para executar tarefas mecânicas
como revisão e correção de provas e se assegurar de que tem tinta em sua impressora… E
uma vez que o tempo é importante, passemos aos tópicos principais.

Entenda a natureza da tarefa


Seu tópico pode ser sugerido por seu professor ou você pode receber a incumbência de
escolher um tópico dentro de certos parâmetros. Independentemente de qual abordagem seu
professor adote, você deve entender o tópico e os requisitos da tarefa, pois embora você possa
escrever um texto com competência, ele pode estar completamente fora do tema! Assegure-se
de que entendeu corretamente as instruções. Trata-se de analisar uma determinada obra ou
conceito? O que está sendo pedido é um resumo, sem emitir sua avaliação? A tarefa é
comparar e contrastar as posições de filósofos ou filosofias diferentes? Quantas laudas são
necessárias? Trata-se de um texto curto ou de um mais longo? Seja qual for o tamanho, preste
atenção para permanecer dentro dos limites estabelecidos. Um texto demasiado curto indica
que você não dedicou tempo suficiente para desenvolver e explorar idéias complexas. Um
texto excessivamente longo pode ser repetitivo ou ser demasiado tortuoso e simplesmente não
cumprir o objetivo da tarefa (por exemplo., capacitar o estudante a apresentar o material de
modo conciso).

Se você tiver pouca clareza sobre o tópico escolhido ou se tiver pouca familiaridade com o
contexto em que ele se situa, ou se tiver dúvidas quanto à terminologia filosófica, pesquise num
dicionário de filosofia ou enciclopédia na seção de referências de sua biblioteca. Essa leitura

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também irá ajudar a situar o tópico no contexto mais amplo e pode fornecer informações que
ajudarão na hora de efetivamente iniciar o processo de escrita formal. Não recorra
simplesmente a um dicionário padrão, uma vez que as definições que você obterá estarão
irremediavelmente incorretas ou incompletas. Se o tópico for baseado em materiais de aula,
então releia os artigos à luz das novas informações de que você dispõe. Isto é, procure nos
artigos os elementos vinculados ao tópico que você tem em mãos, pois, agora que você sabe o
que está procurando, compreender o material deve ficar mais fácil. Você pode querer reler a
primeira parte desta série,Como ler um texto de filosofia, para ajudar nesse ponto de seu
preparo. Se tiver que escolher seu próprio tópico, somente o faça após considerar as 4
diretrizes abaixo.
 Escolha algo que seja relevante.
Parece óbvio, mas os estudantes às vezes perdem o rumo com facilidade e terminam por
escolher um tópico que está longe do que o professor espera. Isso talvez se deva a uma falta
de compreensão da natureza da tarefa ou devido à escolha de um tema demasiado genérico
ou vago. É aconselhável pelo menos discutir o tema escolhido com seu(sua) professor(a), para
verificar se você está na pista correta. Ele(a) poderá então fornecer orientação adicional sobre
o que fazer.

 Escolha algo em que você tenha interesse.


Dizem que o tempo voa quando você se está divertindo… Embora alguns tópicos possam
parecer mais fáceis que outros, não deixe suas impressões iniciais ser o fator principal. Se
você não tiver interesse pelo tema, então o processo efetivo de escrita se tornará mais difícil,
uma vez que você não tem muita coisa investida no projeto.

 Escolha um tema que seja “executável”.


Temas como “A filosofia de Aristóteles”, “O que é a Verdade?”, ou “Ciência contra Religião”,
são demasiado amplos. Ao refletir sobre seu tópico, é preferível que “o poço seja pequeno e
profundo, em vez de amplo e raso”. Essa é uma metáfora obscura, mas basicamente significa:
não abocanhe mais do que você pode mastigar. Você não vai querer abordar 50 pontos
diferentes e desarticulados, sem dizer nada de substancial sobre qualquer deles (ou você corre
o risco de escrever um texto longo demais). Ao contrário, você vai querer escolher um tópico
que seja possível abordar e que permita explorar com profundidade uma questão específica.

 Escolha algo sobre o qual você pode encontrar materiais.


Ao encontrar um tema de seu interesse, você precisa verificar que recursos estão disponíveis.
Você poderá se ver em dificuldades com os argumentos e ideias se não encontrar mais de 2 ou
3 textos que apenas mencionam seu tema de passagem.

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Faça observações preliminares sobre o
tema
Uma vez escolhido o tópico com cuidado e tendo alguma compreensão dele, tente colocar no
papel alguns de seus próprios pensamentos. Faça observações que podem servir como áreas
em potencial para talvez ser exploradas mais tarde. O mero fato de ter selecionado um tópico
não significa necessariamente que você tem claro o que você pensa sobre ele e, menos ainda,
o que você quer dizer sobre ele. Tente responder às seguintes perguntas: O que você pensa
com relação ao tópico? O que você pretende dizer? O que incomoda você nesse tópico? O que
você gosta nele? O que você acha interessante ou confuso? Você acha que ele conduz a
determinadas consequências? Você consegue imaginar algum exemplo que põe em destaque
algum dos aspectos discutidos ou que põe em destaque as afirmações apresentadas pelos que
defendem essa posição específica? Agora é hora de deixar fluir os eflúvios criativos. Você
acredita ser favorável a uma posição mais que a outra? Você se inclina para uma direção, mas
não tem absoluta certeza? Apenas coloque seus pensamentos no papel. A essa altura, não
tem de ser uma apresentação formal e de forma alguma esses comentários iniciais têm de ser
bem desenvolvidos ou mesmo coerentes entre si. O desafio é apenas começar. O processo
mecânico de escrita, de pôr a caneta no papel – mesmo que você não tenha certeza do que
pretende dizer – vai ajudar.

Pesquise fontes em potencial


Depois de escolher seu tema e registrar alguns de seus pensamentos sobre ele, você precisa
descobrir o que existe lá fora. Embora você possa achar que a internet é o melhor lugar para
procurar e descobrir que tipos de recursos estão disponíveis, ela não é o melhor lugar para se
começar. Examine primeiro seus próprios materiais de aula. Eles podem conter uma
bibliografia ou uma lista de “leituras recomendadas”. O autor ou editor apresentam uma
introdução ao texto ou a cada capítulo? Nela pode haver referências explícitas a outras obras
ou pelo menos algumas questões propostas para discussão que podem fornecer alguns termos
chave que você poderá usar em sua busca. O livro ou artigo talvez mencionem outras fontes
como periódicos ou outros textos que você pode buscar na biblioteca de sua universidade.
Procure nas notas de rodapé que acompanham os diferentes recursos. Também elas irão
indicar outras fontes. Lembre-se, cada fonte, seja uma enciclopédia, seja um periódico, um
livro, uma antologia, um índice, um glossário de termos ou uma nota de rodapé, tem o potencial
de conduzir a outras fontes.

Curiosamente, esse processo de usar uma referência para conectar a outra é exatamente o
mesmo procedimento que usamos nas hiperconexões na web. Assim, sente-se em meio à

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coleção de sua biblioteca e comece a folhear as várias revistas e textos que encontrar nas
prateleiras. Você terá uma agradável surpresa com o que vai descobrir apenas passando uma
hora procurando. Se não tiver sorte em encontrar algo sobre seu tema, você pode pedir
orientação ao bibliotecário ou seu professor. Talvez seja necessário escolher outro tópico, para
o qual haja disponível material mais abundante. É preciso assinalar que, se você ainda não fez
uma visita oficial a sua biblioteca, é preciso fazer. Descubra onde estão as coisas. Descubra
como procurar os materiais. Descubra onde se encontram as obras de referência, os
periódicos, as máquinas de xérox… Faça perguntas. Peça ajuda. Explore o local, antes de
desperdiçar mais tempo, caso contrário, você vai fazer isso toda vez que tiver de retornar à
biblioteca para pesquisar para um texto. Com relação à internet, é importante ser capaz de
buscar com eficácia e de forma crítica, de modo a poder distinguir entre um site duvidoso e o
que é uma mina de ouro em potencial.

Reúna suas fontes iniciais


Agora é o momento de reunir suas leituras. Você pode descobrir que algumas das fontes não
são adequadas ou exatamente o que você precisa, mas por ora, reúna uma pequena coleção e
comece a examinar sua utilidade. Muitas vezes não vai levar muito para avaliar se um
determinado artigo é relevante ou inútil para o que você quer. Leia o índice por assunto, dê
uma olhada na introdução do autor, examine o índice em busca dos termos chave que são
mencionados com frequência. Utilize esses termos chave para procurar outras fontes. Ao
procurar um livro numa prateleira, dê uma olhada em todos os outros da mesma prateleira. Ao
encontrar um artigo útil num periódico, procure nas edições anteriores e posteriores (talvez
alguém tenha escrito uma crítica ao artigo que você gostou!).

Se houver informação publicitária na sobrecapa do livro, leia. Pois o nome do resenhista na


sobrecapa do livro pode ser o de alguém que você queira investigar. Após percorrer um setor
da biblioteca e encontrar suas fontes em potencial, vá a uma máquina de xérox e faça suas
cópias para uso pessoal (sempre verificando as regras de direitos autorais). Embora você
possa, em princípio, confiar no fato de que os livros ou periódicos da biblioteca são obras de
“qualidade”, uma vez que foram selecionados por alguém para ser incluídos na coleção da
universidade, lembre-se de avaliar criticamente toda e qualquer obra que você está pensando
em utilizar como base para suas próprias posições. Isso é ainda mais necessário se você está
recorrendo à web, onde qualquer pessoa pode publicar online o que quer que seja. Felizmente,
muitos dedicaram seu tempo a montar sites fornecendo listas com vários recursos que você
pode utilizar.

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Entenda e reflita sobre os artigos que
encontrou
Leia os artigos que você selecionou. Você deve compreender o material antes de poder
avaliá-lo. Faça notas em suas cópias (xérox), use um marca-texto ou uma caneta para resumir
idéias ou citações que você deseja utilizar (mas não plagie!). Se não tem segurança sobre
como ler os artigos com eficiência, por garantia, verifique na primeira parte desta série, para
obter ajuda. Dedique tempo para digerir e refletir sobre as informações.

Escreva um esboço
Retorne agora às ideias que você anotou anteriormente. Há algum fio condutor em comum?
Você pode reunir algumas delas de modo a formar uma direção rumo à qual você pode querer
ir? Os artigos que você encontrou oferecem novas idéias e pistas? Eles respondem algumas
questões ou levam a novas perguntas? Como os artigos que você leu estão ajudando? Pense
nesse processo como um trabalho de equipe. Muitos outros percorreram o caminho em que
você está e podem oferecer sugestões sobre em que rua virar e com que tomar cuidado. Tente
elaborar a partir das bases que eles construíram. Agora é o momento de criar um esboço de
seus argumentos ou, no mínimo, um esboço de suas idéias e elaborar um diagrama informal
ligando um ponto a outro e assim por diante.

Fique longe!
Você precisa de algum tempo para ser capaz de bloquear sua mente voltada para a meta e
reexaminar seu texto. Isso porque, quando se escreve por longos períodos de tempo, pode-se
perder a objetividade. Por exemplo, você já leu alguma vez um de seus próprios textos
repetidas vezes e pediu a um amigo para dar uma olhada para encontrar erros de digitação
que você nunca percebeu? Isso acontece porque você se habituou de tal forma ao que você
escreveu e tem tanta intimidade com as ideias que você passa batido por todos os erros. É por
isso também que, quando você lê o texto, ele pode estar claro como dia para você, mas não
fazer nenhum sentido para uma outra pessoa. A razão disso é que você sabe o que quis dizer
e você sabe o que pensa e para onde está indo, mas essas coisas podem não estar
apropriadamente refletidas no que de fato aparece em seu texto. Depois de um tempo
afastado, você deve retornar ao seu texto não como o autor dele, mas como um leitor
desinteressado.

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Retorne e revise furiosamente!
Ao dar um tempo para esvaziar sua cabeça (pelo menos uma boa noite de sono!) você pode
retornar a seu texto com um ponto de vista mais objetivo. Você vai perceber o que pode ter
escapado a você, ou o que precisa ser reescrito, ou suprimido, ou um pouco mais
fundamentado. Muitas vezes a leitura do texto em voz alta para você mesmo ou para um amigo
pode revelar lapsos de lógica, incongruências, digressões e problemas básicos de
apresentação. Aqui vão algumas coisas que você deve verificar:

Você apresenta uma tese clara e informa ao leitor para onde pretende levá-lo? Você leva seu
leitor para onde disse que estava levando e da forma mais eficiente? Você oferece
argumentos? Você apresenta uma defesa persuasiva de sua tese – fornecendo não apenas
suas próprias justificativas, mas também as justificativas de outros? Alguma das afirmações
que você utiliza como justificação também requer, por sua vez, justificação? Você oferece e
considera pontos de vista de outros? O que outros disseram tanto a favor quanto contra os
pontos de vista que você está apresentando? Por que o leitor deve aceitar seus argumentos
em vez de outros que estão disponíveis (e que você pode até mesmo discutir)? Você examina
as consequências deles para sua própria posição? Você pode fornecer argumentos
convincentes colocando em questão outras posições que são incompatíveis com a sua? Você
pode perceber as implicações de sua posição? Você aceita essas implicações? Você percebe
alguma fragilidade em sua teoria? Você reconhece explicitamente alguma crítica em potencial
e tenta se confrontar com ela? Essas críticas são sérias o suficiente para exigir uma revisão
geral de seu argumento ou você pode lidar com essa fragilidade alterando sua posição dentro
de limites razoáveis? Existem pontos que estão ambíguos ou vagos? Há inconsistências? Você
cometeu alguma falácia?

Revise seu texto manualmente antes de


entregar
Finalmente, você está quase no fim. Após revisar o conteúdo de seu texto, faça uma
verificação mecânica. Aplique um corretor ortográfico. Se não o fez ainda, faça uma cópia
impressa de seu texto. Revise manualmente o texto. Muitas vezes, os estudantes apenas
passam o corretor ortográfico, mas ele não detectará erros como distinguir entre “filósofo” e
“filosofo”, do verbo “filosofar”. Ao ler seu texto no papel e não na tela do computador, você vai
poder perceber erros óbvios, saltos na lógica, parágrafos desconexos e transições mal feitas
que você talvez ignore se examinar o texto apenas na tela. Agora repita os dois últimos passos
até que você esteja satisfeito(a) e/ou até que seja hora de entregar seu texto.

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3. Como planejar um texto de filosofia

O processo de escrita de um bom texto pode começar quando você avalia o trabalho de
outros; isto é, você pode aprender a partir de exemplos. Infelizmente, por diversas razões, nem
todos os “clássicos” são bons candidatos a ser seguidos como exemplo. O que se segue são
apenas algumas sugestões sobre como escrever seu próprio texto de filosofia. É claro que as
exigências ou recomendações de seu(sua) professor(a) ou orientador(a) terão preferência com
relação a essas instruções.

Título
Embora seja a primeira coisa a ser vista pelo leitor de seu texto, talvez seja melhor que a
escolha do título seja feita por último. Isso porque um título deve dar uma boa indicação da
natureza do trabalho – e você terá uma ideia melhor disso quando seu texto estiver
terminado. Por que o leitor deve ler seu texto e não o de outra pessoa qualquer? Faça com que
o título seja informativo, sem ser específico demais – é um título, não a declaração prolixa de
uma tese. Sinta-se à vontade para personalizar seu título, mas cuidado com os exageros!
Vamos supor que você está escrevendo um trabalho sobre Epistemologia. Um título possível
seria: “A Verdade”. Problemático? Definitivamente sim. “Verdade” é genérico demais, além de
ser um pouco pretensioso. Que tal “A Teoria da Correspondência da Verdade”? Bem melhor,
mas continua demasiado abrangente e não dá ao leitor uma ideia do objetivo do texto. “A
Teoria da Correspondência da Verdade: uma Defesa” – Esse é ainda melhor, pois dá ao leitor
uma indicação a respeito do assunto que você está abordando e sugere qual será o seu ponto
de vista. É claro que não é muito atraente, mas nós deixamos isso para você decidir.

Introdução
Seus parágrafos introdutórios devem situar o contexto para o restante do texto. Neles você
está inteirando seu leitor a respeito do conteúdo de seu trabalho. Isso dá subsídios para que
ele perceba por que o assunto é importante, a definição do problema e qual será sua tese. Se
tiver espaço, você pode querer fazer um pequeno resumo com os principais pontos a serem
abordados – mas tome cuidado, você não vai querer gastar um terço de um pequeno ensaio
apenas para explicar do que ele vai tratar. Assim como o título, talvez você queira escrever o
primeiro parágrafo por último. Isso porque pode ser que você não esteja totalmente seguro com
respeito ao rumo que o trabalho vai afinal tomar ou quais serão os argumentos que você vai
empregar. Assim, evite tentar forçar seu texto a se adequar aos limites que você estabeleceu
em um mero parágrafo introdutório, trace apenas um plano para começar a escrever e vá direto

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ao texto propriamente dito. É claro que o esboço prévio de um esquema pode ajudar. Uma vez
escrita a primeira versão, você poderá voltar e reelaborar o primeiro parágrafo.

Desenvolvimento
Ao mesmo tempo em que a primeira sentença de cada parágrafo deve conter uma nova ideia
ou a expansão de uma ideia anterior, ela deve fluir naturalmente a partir da última sentença do
parágrafo anterior. Tome cuidado para não pular de um ponto para outro, sem antes avisar o
leitor – senão ele ficará perdido e não saberá para onde você está indo e o que você quer
demonstrar. É claro que há muitas maneiras diferentes de se escrever um ensaio e às vezes é
apenas da questão de saber o que funciona melhor para você, para o assunto e para o que seu
professor deseja. Por exemplo, você pode querer descrever a questão e os pontos de vista a
seu respeito, para depois abordar os possíveis contra-argumentos e suas respostas; ou você
pode querer desenvolver todas essas questões ponto a ponto. Isto é, apresentar um argumento
e uma objeção possível, para depois resolver a crítica e seguir adiante. As sentenças centrais
do parágrafo devem dar detalhes e ampliar a discussão que está sendo desenvolvida,
enquanto a sentença final deve deixar o leitor com uma percepção clara de qual o ponto chave
da questão, ao mesmo tempo em que deve situar o parágrafo seguinte. Além disso, os
parágrafos não devem ser demasiado longos. Como regra geral, os argumentos mais fortes
devem ser reservados para o final de seu trabalho. Comece com os mais fracos ou menos
relevantes e então desenvolva seu argumento. Você não quer terminar seu trabalho num tom
fraco, já que as últimas coisas que você disser serão as primeiras coisas de que o leitor vai se
lembrar logo após a leitura. Não tenha medo de apresentar um ponto aparentemente fraco –
desde que você consiga reconhecer que se trata de uma dificuldade e tenha condições de
responder a ela com êxito.

Conclusão
A conclusão deve reunir todas as partes de seu texto num argumento final. Essa é a última
chance que você terá para cativar o leitor. A conclusão é usada para reafirmar sua tese e os
principais argumentos referentes tanto aos tópicos específicos de seu texto quanto ao assunto
em geral. Ela deve terminar o que você começou de forma a permitir que o leitor siga adiante,
tendo compreendido algo do que você quis comunicar com o texto.

Como citar suas fontes


Notas de rodapé ou notas de fim podem ser usadas para duas finalidades diferentes. Uma
delas é fornecer informações sobre a fonte que você está citando, a outra é utilizar as notas
para os comentários que não se encaixam no corpo do texto, apesar de relevantes e de
merecer alguma atenção. Por exemplo, numa nota de rodapé você pode fornecer na íntegra

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uma passagem da qual você citou uma parte ou então introduzir uma observação geral sobre o
autor ou a fonte utilizada. Muitos professores permitem a inclusão de citações de referência no
corpo do texto. Por exemplo: “Dualistas e mesmo idealistas contestam as teses dos
reducionistas, uma vez que essas duas escolas de pensamento defendem a tese de que ‘a
mente não é uma coisa material’ (Wilson, 63)”. Em minha opinião, no entanto, as citações
incluídas no corpo do texto podem interromper seu fluxo argumentativo. Se estou pensando no
argumento do autor, a inserção de referências pode romper o fluxo visual do argumento e, em
consequência, minha concentração. Além disso, se o autor que você está citando tiver mais de
um artigo publicado no mesmo ano, isso pode ocasionar confusão, a menos que você inclua
parte do título do artigo em sua citação. Isso, em minha opinião, somente afasta ainda mais a
atenção do leitor com relação ao fluxo do texto. Posto isso, em geral procuro utilizar notas de
rodapé para ambos: comentários e referências. Prefiro usar notas de rodapé para tudo – mas
essa é uma mera preferência pessoal. Você deve verificar com seu(sua) orientador(a) qual
formato ele(a) espera em seu trabalho.

Algumas considerações finais


 Os números de referência devem ser fornecidos em ordem sequencial: 1, 2, 3, 4, 5…
 Os números devem ficar “sobrescritos” (números pequenos, posicionados acima da linha
do texto). Todos os programas de edição de texto (Word, etc.) fazem isso, basta digitar o
número pressionando a tecla “Alt Gr” (exemplo¹).
 As citações longas devem ser separadas do corpo do texto, com recuo de parágrafo e em
espaço simples. Aspas são desnecessárias nesse caso e as passagens devem ser
seguidas de um número de citação.
 Se você quiser omitir alguma parte do texto citado por achar irrelevante, use três pontos
entre colchetes […] para indicar que parte do texto foi excluída.
 Se precisar adicionar ou mudar uma palavra para deixar mais claro o sentido da frase ou
enfatizar, use colchetes [ ].
 Lembre-se de que e.g. (uma abreviação do latim exempli gratia) é usada para dar
exemplos (em português, geralmente se usa p. ex.) e que i.e. (uma abreviação do latim id
est) é usada para explicar ou esclarecer o significado de um termo em outras palavras
(em português, geralmente se usa i.é., com o sentido de “isto é”).
 Nunca use “acho” quando você de fato quer dizer “penso” ou “acredito”. O termo “acho”
sugere que você tem apenas uma intuição ou hesita quando pensa sobre o que é a
verdade. Você não conseguirá persuadir ninguém a aceitar suas concepções com base
em algo que você sente. Tente evitar por completo o uso de “acho”, uma vez que o uso
da primeira pessoa num trabalho escrito muitas vezes é redundante. Se você escreve:
“acho que a prática do aborto é errada”, isso não dá ao leitor nenhuma informação além

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da afirmação de que “a prática do aborto é errada”. O leitor já sabe que você acha que a
prática do aborto é errada, porque você é o autor do texto! Não há necessidade alguma
de lembrá-lo desse fato. Além disso, omitir o “acho” valoriza sua afirmação. Você está
tentando persuadir alguém de que o aborto é errado e não apenas de que você
acreditaque é errado. Fazer essa última afirmação deixa seu texto vulnerável à crítica
óbvia de que “o que você escreve pode levar você a acreditar que o aborto é errado, mas
isso certamente não me convence”.
 Assegure-se de que o tamanho de seu trabalho esteja o mais próximo possível do
estabelecido. Parte do exercício está em perceber se você consegue desenvolver seus
argumentos com propriedade dentro dos limites estabelecidos. Se o trabalho ficar muito
pequeno, muito provavelmente o assunto não terá sido abordado de forma apropriada. Se
ficar muito longo, ele não estará tão conciso quanto deveria estar. Esses dois extremos
estão sujeitos a penalidades.
 Use o bom senso quando for imprimir e encadernar seu trabalho. Se ainda não tem
grampeador, compre um amanhã! Não use papéis pautados ou decorados com flores que
você encontrou na gaveta só porque “foram os únicos que sobraram”. Não use tinta de
cores estranhas ou ainda margens ou tipos de fonte impróprios. O fato de não levar a
sério a aparência de seu trabalho indica o quanto você se importa ou não com o que está
fazendo.
(Versão resumida)

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