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PATRIMÔNIO

CONCEITOS

[...] da palavra pater, que significa pai ou paterno. O patrimônio, representava,


como ainda representa, os bens de herança que são transmitidos aos filhos. Ao
longo dos tempos o significado do termo patrimônio estendeu-se aos bens de
determinados grupos sociais, que eram passados para as gerações futuras
como forma de transmitir seus conhecimentos e seu poder de dominação [...]
(MURGUIA; YASSUDA, 2007, p.3).

Elemento que define o conceito de patrimônio: sua capacidade de representar


simbolicamente uma identidade.

Segundo Ballard (1997), patrimônio é o legado que, através de uma seleção


consciente, um grupo significativo de pessoas deseja legar às gerações
futuras.

Então, toda riqueza construída e vivenciada por uma ou várias sociedades


constitui-se patrimônio cultural.

PATRIMÔNIO CULTURAL

A denominação de patrimônio cultural tem origem na Revolução Francesa, pois


para assegurar no país a “herança” do povo francês, que poderia ser
extraviada pelos emigrados e fugitivos da revolução e deter o “vandalismo” às
obras e monumentos, foi criada a ideia de patrimônio nacional, na qual os
monumentos seriam a identidade nacional, a unificação da nação, e através
deles a sociedade se reconheceria, ressaltando a importância política dessa
concepção. Desde então, outros países passaram a copiar o termo
(CAMARGO, 2002).

Até a primeira metade do século XX, patrimônio cultural era julgado a obras
arquitetônicas grandiosas, obras de arte eruditas, propriedades de luxo ou
pertencente à classe dominante (palácios, mansões ou locais onde
aconteceram fatos relevantes para a história política local). Nada se discorria
sobre as manifestações como a dança, a literatura, a música, ao folclore. A
mudança nesta concepção acontece, principalmente, após a Segunda Guerra
Mundial, e o patrimônio passa a ser observado em outras dimensões, além da
política, como a econômica, social e cultural. Portanto, deixou de ser apenas
definido por casarões e palácios da classe dominante, a todos os instrumentos,
tradições, hábitos, usos e costumes, crenças e formas de vida de todos os
segmentos que formaram a sociedade (BARRETO, 2000).

A criação do termo patrimônio cultural vinculado a ideia de pertença, ressaltou


a importância de elementos que demonstrem a uma sociedade a ideia de
nação, elementos que unifiquem as diversas comunidades, distinguindo-as das
outras.

Dias (2006, p.68) define que o conceito de patrimônio cultural não fica restrito
apenas aos bens materiais, mas também, aos bens imateriais:

“o patrimônio cultural é considerado, atualmente, um conjunto de


bens materiais e não materiais, que foram legados pelos nossos
antepassados e que, em uma perspectiva de sustentabilidade,
deverão ser transmitidos aos nossos descendentes, acrescidos
de novos conteúdos e de novos significados, os quais,
provavelmente, deverão sofrer novas interpretações de acordo
com novas realidades socioculturais. O patrimônio cultural é
composto por elementos tangíveis e intangíveis – tradições,
literaturas, língua, artesanato, dança, gastronomia,
manifestações religiosas, objetos e materiais históricos,
arquitetura, etc. – tanto do passado quanto do presente, os
quais, no seu conjunto, caracterizam um agrupamento social, um
povo, uma cultura.”

O patrimônio cultural poderá ser definido, também, como bem tangível ou


intangível, que desperta o sentido de valorização e que expressa as diversas
culturas (REIS, F., 2002).

Segundo a UNESCO (1982 apud DIAS, 2006, p.73), o patrimônio cultural foi
definido como “as obras de seus artistas, arquitetos, músicos, escritores e
sábios, assim como as criações anônimas, surgidas da alma popular, e o
conjunto de valores que dão sentido à vida”.

Dias (2006) ainda afirma que no conceito mais amplo de patrimônio está
inserido o meio ambiente natural que o indivíduo habita e modifica para
sobreviver e realizar suas necessidades materiais e simbólicas, a ciência e o
conhecimento, as habilidades.

De acordo com a Constituição Federal, o patrimônio cultural brasileiro deve ser


entendido como:

“Os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente


ou em conjunto, portadores de referência e identidade, a ação, a
memória dos diferentes grupos formados da sociedade brasileira
nos quais se incluem:

 as formas de expressão;
 os modos de criar, fazer e viver;

 as criações científicas, artísticas e tecnológicas;

 as obras, objetos, documentos, edificações e demais


espaços destinados às manifestações artístico-culturais;

 os conjuntos urbanos e sítios de valor históricos,


paisagísticos, artísticos, arqueológico, paleológico, ecológico
e científico.”

Esse patrimônio proporciona aos moradores da localidade a afirmação de sua


origem, consequentemente, sua identidade, servindo como referências
históricas desta comunidade. Através do patrimônio são mantidos tradições e
costumes que servem de alicerce e orientação para a organização da
sociedade.

PATRIMÔNIO MUNDIAL

Patrimônio Mundial é um local, como por exemplo florestas, cordilheiras,


lagos, desertos, edifícios, complexos ou cidades, especificamente classificado
pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Cultura, Ciência e
Educação).

Um local denominado patrimônio mundial é reconhecido pela UNESCO como


de mundial importância para a preservação dos patrimônios históricos e
naturais de diversos países.

São 18 os sítios ou conjuntos de sítios considerados Patrimônio Mundial no


Brasil:

 Cidade Histórica de Ouro Preto (1980)

 Centro Histórico de Olinda (1982)

 Missões Jesuíticas Guarani, em São Miguel das Missões (1983) (sítio


transfonteiriço com a Argentina)

 Centro Histórico de Salvador (1985)

 Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo


(1985)

 Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu (1986)

 Plano Piloto de Brasília (1987)

 Parque Nacional Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato (1991)


 Centro Histórico de São Luís do Maranhão (1997)

 Centro Histórico de Diamantina (1999)

 Reservas de Mata Atlântica do Sudeste (1999)

 Reservas de Mata Atlântica da Costa do Descobrimento (1999)

 Parque Nacional do Jaú (2000)

 Complexo de Áreas Protegidas do Pantanal: Parque Nacional do


Pantanal Mato-Grossense e RPPNs próximas (2000)

 Centro Histórico de Goiás (2001)

 Áreas protegidas do Cerrado: Chapada dos Veadeiros e Parque


Nacional das Emas (2001)

 Ilhas Atlânticas Brasileiras: Reservas de Fernando de Noronha e Atol


das Rocas (2001)

 Praça de São Francisco em São Cristóvão (2010)

PATRIMÔNIO CULTURAL E PATRIMÔNIO NATURAL

São considerados “Patrimônio Cultural”:

 Os monumentos: obras arquitetônicas, esculturas ou pinturas


monumentais, objetos ou estruturas arqueológicas, inscrições, grutas e
conjuntos de valor universal excepcional do ponto de vista da história, da
arte ou da ciência.

 Os conjuntos: grupos de construções isoladas ou reunidas, que, por


sua arquitetura, unidade ou integração à paisagem, têm um valor
universal excepcional do ponto de vista da história, da arte ou da
ciência.

 Os sítios: obras do homem ou obras conjugadas do homem e da


natureza, assim como áreas, incluindo os sítios arqueológicos, de valor
universal excepcional do ponto de vista histórico, estético, etnológico ou
antropológico.

São considerados “Patrimônio Natural”:

 Os monumentos naturais constituídos por formações físicas e biológicas


ou por conjuntos de formações de valor universal excepcional do ponto
de vista estético ou científico.
 As formações geológicas e fisiográficas e as zonas estritamente
delimitadas que constituam habitat de espécies animais e vegetais
ameaçadas de valor universal excepcional do ponto de vista estético ou
científico.

 Os sítios naturais ou as áreas naturais estritamente delimitadas


detentoras de valor universal excepcional do ponto de vista da ciência,
da conservação ou da beleza natural.

PATRIMÔNIO ORAL E IMATERIAL DA HUMANIDADE

Obras-primas do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade é uma lista de


patrimônio cultural imaterial mantida pela UNESCO, considerada relevante por
essa organização. Foi iniciada em 2001 com 19 itens, e mais 28 foram
acrescentados em 2003. Em 25 de novembro de 2005 foi publicada nova lista.

Este programa foi estabelecido para:

 Levar o público a reconhecer, salvaguardar e revitalizar o patrimônio


imaterial.

 Avaliar e inventariar a herança cultural intangível em todo o mundo.

 Incentivar os Estados a estabelecer inventários nacionais e tomarem


medidas legais e administrativas relevantes.

 Encorajar os portadores do conhecimento a identificar, revitalizar e


salvaguardar a sua herança.

Categorias:

Cada obra está classificada em pelo menos umas das seguintes categorias:

 Espaços culturais

 Saber tradicional

 Tradição oral

 Artes performativas

 Rituais e festas

Obras primas no Brasil:

 Expressões Orais e Gráficas dos índios Wajãpi • Brasil (Amapá) • 2003

 Samba de Roda do Recôncavo Baiano • Brasil • 2005


PATRIMÔNIO BRASILEIRO

PATRIMÔNIO MATERIAL

O patrimônio material protegido pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e


Artístico Nacional), com base em legislações específicas é composto por um
conjunto de bens culturais classificados segundo sua natureza nos quatro
Livros do Tombo:

 arqueológico, paisagístico e etnográfico;

 histórico;

 belas artes;

 das artes aplicadas.

Eles estão divididos em bens imóveis como os núcleos urbanos,sítios


arqueológicos e paisagísticos e bens individuais; e móveis como coleções
arqueológicas, acervos museológicos, documentais, bibliográficos,
arquivísticos, videográficos, fotográficos e cinematográficos.

PATRIMÔNIO IMATERIAL

A Unesco define como Patrimônio Cultural Imaterial "as práticas,


representações, expressões, conhecimentos e técnicas - junto com os
instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados -
que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem
como parte integrante de seu patrimônio cultural."

O Patrimônio Imaterial é transmitido de geração em geração e constantemente


recriado pelas comunidades e grupos em função de seu ambiente, de sua
interação com a natureza e de sua história, gerando um sentimento de
identidade e continuidade, contribuindo assim para promover o respeito à
diversidade cultural e à criatividade humana.

Bens Registrados:

Os bens são agrupados por categoria e registrados em livros, classificados em:

 Livro de Registro dos Saberes, para os conhecimentos e modos de


fazer enraizados no cotidiano das comunidades;

 Livro de Registro de Celebrações, para os rituais e festas que marcam


vivência coletiva, religiosidade, entretenimento e outras práticas da vida
social;
 Livro de Registros das Formas de Expressão, para as manifestações
artísticas em geral;

 e Livro de Registro dos Lugares, para mercados, feiras, santuários,


praças onde são concentradas ou reproduzidas práticas culturais
coletivas.

Lista dos bens registrados:

1. Ofício das Paneleiras de Goiabeira


2. Arte Kusiwa – Pintura corporal e Arte Gráfica Wajãpi
3. Círio de Nossa Senhora de Nazaré
4. Samba de Roda do Recôncavo Baiano
5. Modo de fazer Viola-de-Cocho
6. Ofício das Baianas de Acarajé
7. Jongo do Sudeste
8. Cachoeira de Iauaretê – lugar sagrado dos povos indígenas dos Rios
Uauepês e Papuri
9. Feira de Caruaru
10. Frevo
11. Tambor de Crioula do Maranhão
12. Matrizes do Samba no Rio de Janeiro: Partido Alto, Samba de Terreiro e
Samba-Enredo
13. Modo artesanal de fazer Queijo de Minas, nas regiões do Serro e das
serras da Canastra e do Salitre
14. Roda de Capoeira
15. Ofício dos Mestres de Capoeira
16. Modo de fazer Renda Irlandesa (Sergipe)
17. O toque dos sinos em Minas Gerais
18. Ofício de Sineiro
19. Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis (Goiás)
20. Ritual Yaokwa do Povo Indígena Enawene Nawe
21. Sistema Agrícola tradicional do Rio Negro
22. Festa de Sant’Ana de Caicó
23. Complexo cultural do Bumba-meu-boi do Maranhão
24. Saberes e práticas associados aos modos de fazer Bonecas Karajá
25. Rtixòkò: expressão artística e cosmológica do Povo Karajá

Processos de Registro em Andamento

 Teatro de Bonecos Popular do Nordeste

 Festa do Divino Espírito Santo da Cidade de Paraty – RJ

 Ofício de Raizeiras e Raizeiros no Cerrado


 Sítio de São Miguel Arcanjo – Tava Miri dos povos indígenas Mbyá-
Guarani

 Bico e Renda Singeleza – AL

 Caboclinho, Cavalo-Marinho, Maracatu Nação, Maracatu Rural – PE

 Fandango Caiçara – PR e SP

 Modo de Fazer Tradicional da Cajuína do PI

 Carimbó – PA

 Modo de Fazer Arte Santeira do Piauí

 Congadas de Minas Gerais

 Festa de São Sebastião de Cachoeira do Arari, na Ilha de Marajó – PA

 Festa de Nosso Senhor do Bonfim - Salvador - BA

 Festa de São Benedito de Aparecida - SP

 Procissão do Senhor Jesus dos Passos em Florianópolis - SC

 Ofício de Tacacazeira na Região Norte

 Região doceira de Pelotas - RS

 Literatura de Cordel.

 Festa do Divino Espírito Santo da Cidade de Paraty/RJ

 Modos de Fazer Cuias do Baixo Amazonas Cocos do Nordeste


REFERÊNCIAS

ALMEIDA. Maíne. Boemia X patrimônio arquitetônico: a influência da


boemia no bairro do Rio Vermelho. Monografia (Graduação em Turismo e
Hotelaria)–Universidade do Estado da Bahia, Departamento de Ciências
Humanas, Salvador, 2012.

BARRETO, Margarita. Turismo e legado cultural: as possibilidades do


planejamento. 3. ed. Campinas: Papirus, 2000. (Coleção Turismo).

BRASIL. Constituição da República Federativa dos Brasil de 1988.

CAMARGO, Haroldo Leitão. Patrimônio Histórico e Cultural. São Paulo:


Aleph, 2002. (Coleção abc do turismo).

DIAS, Reinaldo. Turismo e patrimônio cultural: recursos que


acompanham o crescimento das cidades. São Paulo: Saraiva, 2006.

FUNARI, Pedro Paulo Abreu; PINSK, Jaime. Introdução. In: FUNARI, Pedro
Paulo Abreu; PINSK, Jaime (org). Turismo e Patrimônio Cultural. São
Paulo: Contexto, 2001. p. 7-11. (Coleção turismo contexto).

GUIMARÃES, Gisele. Muito mais além do Carmo. Monografia (Graduação


em Turismo e Hotelaria)–Universidade do Estado da Bahia, Departamento
de Ciências Humanas, Salvador, 2010.

ICOMOS Brasil. Noção de patrimônio. Disponível em: <


http://www.icomos.org.br/001_001.html> Acesso em 09 set. 2012.

IPHAN. Patrimônio Cultural. Disponível em:


<http://portal.iphan.gov.br/portal/montarPaginaSecao.do?id=20&sigla=Patri
monioCultural&retorno=paginaIphan> . Acesso em 10 set.2012.

MURGUIA, Eduardo I. ; YASSUDA, Silvia N. Patrimônio histórico-


cultural: critérios para tombamento de bibliotecas pelo IPHAN. v.12, n.3,
2007. Disponível em: <portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/
view/148/15>. Acesso em 07 mai. 2010.

REIS, Fábio José Garcia dos. Patrimônio cultural: revitalização e


utilização, 2002. Disponível em:
<http://www.valedoparaiba.com/terragente/comunicacao/revitalizacao.doc.>
Acesso em 15 jun. 2009.