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BREVE EXPOSIÇÃO EM PROVÉRBIOS 31.

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Encerramos a introdução de Pv 31:10-31, que vai dos vv. 10-12. No v. 10, observamos a excelência da esposa,
que é virtuosa, ela é como um exército, raçuda ao lutar pelo estabelecimento da Lei de Deus em seu lar. No v. 11,
contemplamos o efeito dela no marido: ele confia nela, pois tem a certeza que ela é sua riqueza. E, por fim, no v.
12, constatamos o porquê ela é valiosa: ela dá somente o bem ao marido; e, não o mal, todos os dias de sua vida.

Portanto, o que vimos até agora, será ampliado a partir do v. 13:

“Busca lã e linho, e trabalha de boa vontade com suas mãos”.

A lã é derivada do pelo de ovelha, depois que ela é tosqueada. O tecido serve como isolante térmico, não
esquenta tanto sob o sol e protege do frio.

Já o linho é considerado um dos tecidos mais nobres da história e é usado no verão por seu frescor e leveza.

A esposa descrita por Salomão busca lã e linho. A palavra buscar (darash) se traduz por “procurar com
cuidado”, “ir atrás de”, “recorrer”, “investigar”, “considerar”. No hebraico, a expressão objetiva ressaltar não o
trabalho externo ou a fabricação de uma coisa, mas a intenção da mente propositalmente dirigida a um ato. Ou
seja, mais do que a ação, ao usar esse verbo Salomão queria realçar a intenção da mente dessa mulher.

Logo, a lã e o linho são vistos por ela como algo que servirá à obtenção de resultados. Primeiro ela idealiza, e,
assim, antecipadamente, sabendo que tem verão e inverno, vai atrás e recorre a lã ou ao linho, com um objetivo já
em mente, que é a proteção contra o frio e o conforto nos dias quentes.

A palavra buscar, no hebraico, também significava “fazer por completo”, “ir até o fim”, demonstrando que a
ação alcançou seu resultado, o que nos faz recordar que no v. 10 diz que essa mulher é como um exército valente,
que alcança a vitória na guerra.

A esposa descrita por Salomão, pelo que se percebe do contexto, tinha serventes (v. 15), então estava situada
entre a classe rica. Os ricos possuíam diversos tipos de roupa: para o inverno ou para o verão, para o trabalho ou
para o lazer, para sair ou ficar em casa; e, consideravam os diferentes tipos de material: linho, lã ou seda. Ainda,
historicamente, no que se referia à moda, a Palestina era influenciada por Atenas e intercambiava estilo com Egito
e Assíria (http://www.womeninthebible.net/bible-archaeology/clothes_rich_poor).

Dessa forma, ao considerar os tecidos e criar a roupa para sua família, além de buscar o tecido mais apropriado
de acordo com as estações, a esposa virtuosa procurava o melhor estilo, o que implica que ela desenvolvia também
senso estético. Isto é, a esposa virtuosa agia tanto pelo senso de necessidade e adequação, quanto de beleza.
Aprendemos, então, que a esposa que é virtuosa é previsora
e diligente no aspecto físico da sua família.

Após muitas brigas entre um casal de crentes, o marido decidiu se divorciar. Segundo ele, a esposa era
desordenada em casa, fazendo com que ele não sentisse prazer em estar no lar; afora isso, o descuidava no aspecto
pessoal, a ponto de, apesar de trabalhar em um escritório, suas roupas sempre estavam amassadas. Certa vez, ele
pediu que a mulher costurasse um buraco de uma de suas meias, mas ela argumentou “tantas meias ele possui, pra
quê se importar com uma única meia furada?”. A mulher, apelando ao lado prático, dizia “ele pode cuidar de si
mesmo”. Mas, diante do pedido de divórcio, finalmente decidiu costurar a meia e a entregou ao marido, que a
recusou, “era tarde demais”. Essa esposa, mesmo diante do iminente fim do relacionamento, não percebeu que
não era a meia em si o problema, mas a importância dela para o esposo.

Poderíamos, à primeira vista, pensar que esse marido não está lutando pelo lar, que ele está exagerando. Mas,
a meia furada e as roupas amassadas revelam a importância que essa esposa não lhe dava. Ela não considerou o
porquê ele queria que aquela meia fosse costurada, embora possuísse outras. E, ao descuidá-lo, ela lhe passou
uma enfática mensagem: “não me importo com você”.

Essa é a conclusão de Kevin A Thompson, pastor da Community Bible Church, uma igreja multi-site na região
de Greater Fort Smith, EUA. Dedicado a escrever sobre casamento, ele relata estar “convencido de que a principal
causa de divórcio não é o adultério, problemas financeiros, ou diferenças irreconciliáveis. Esses são, na maioria das
vezes, os sintomas de um problema mais profundo. Enquanto esses problemas podem ser reais, eu acredito que há
um problema maior. O problema mais comum que eu vejo com os casais que estão lutando no casamento é a falta de
investimento intencional em seu casamento” (http://www.kevinathompson.com/number-one-cause-divorce/).

Noutras palavras, os demais sintomas se originam num problema principal: o fato de que um dos cônjuges ou
ambos não investem propositalmente no casamento. E, por investimento, entenda-se dar importância ao outro,
cultivando a relação!

Além disso, não podemos esquecer que, quando a mulher cuida da aparência do homem, ela está cuidando
também de sua auto-estima. E, a auto-estima está ligada à segurança, não era à toa que o marido da esposa virtuosa
nela confiava despreocupadamente.

Em outro artigo, publicado no “Huffingtonpost”, terapeutas do casamento compartilharam as razões mais


comuns pelas quais os homens pedem o divórcio. Entre as sete principais causas, listaram a situação de quando o
marido não sente que suas necessidades estão sendo reconhecidas e atendidas. Segundo eles, quando um marido
suspeita que sua esposa se preocupa muito pouco com seu bem-estar e em como ele é afetado por isso, ele
provavelmente ficará desiludido e, a não ser que essa conexão se restabeleça, esse relacionamento chegará ao fim.

A esposa que é virtuosa se preocupa com o bem-estar físico de sua família, ela investe em seu lar. Essa mulher,
por exemplo, jamais deixaria que sua família não tivesse roupas a vestir, porque estão sujas; que os filhos saíssem
sem agasalho, num dia de frio ou, saíssem com roupas muito quentes, num dia de extremo calor; que o marido
não tivesse o que vestir no culto de domingo à noite ou comparecesse todo amassado ou com uma meia furada;
que o uniforme com o qual ele iria trabalhar estivesse sujo ou a farda das crianças ficasse cheia de buracos, etc.
Prosseguindo, também aprendemos com o escritor bíblico que
a aparência do marido e dos filhos revelam quem é a esposa.

Como vimos, essa mulher considerava o que era apropriado para suprir a necessidade, sem descuidar da
beleza do que vestia seu marido e seus filhos. A provisão e beleza andavam juntas.

Com quanto zelo, então, não deve a esposa entender do que esteticamente combina com sua família? E, igual
zelo não deve ter com as roupas dos seus familiares, possuindo cuidado ao lavá-las, passa-las etc.

Conheci uma mãe cujas roupas dela, do marido e dos filhos sempre estavam manchadas, porque ela colocava
todas as roupas de uma única vez na máquina. Quando eles precisavam de roupas para um evento importante,
geralmente pediam emprestadas ou tinham que comprar.
Lembremos que o apóstolo Paulo disse a Tito que ensinasse as mulheres idosas da igreja para que elas
ensinassem as mais novas “a serem prudentes, a amarem seus maridos, a amarem seus filhos, a serem
moderadas, puras, boas donas de casa, sujeitas a seus maridos, a fim de que a palavra de Deus não seja blasfemada”_
(Tt 2:4-5).

Ao falar boas donas de casa, o termo usado por Paulo é igual ao que hoje conhecemos por perito, significando
que essa esposa deve aprender que o trabalho no lar deve ser feito com habilidade, que ela dever ser uma
especialista no cuidado corporal e na aparência física de sua família. Quando ela faz isso, conforme diz o v. 12, ela
cumpre seu ministério ao Senhor.

Entretanto, há maridos que desprezam o cuidado da esposa. Seu descuido é tão grande que se ressentem
quando a mulher tenta lhes dar uma roupa adequada, bem passada e bonita. Não percebem que estão
envergonhando a esposa publicamente. Quando vemos um marido ou uma criança descuidados, o que nos vêm à
mente? “Esse homem não tem mulher? Essa criança não tem mãe?”. É assim que pensamos!

Quão orgulhosos e insensíveis são os homens que não aceitam o cuidado de suas esposas! Eles a ofendem
continuamente e não se importam de expô-la publicamente. Deveriam se arrepender diante de Deus; e, ainda
mais, seguir o padrão bíblico: louvá-las, em profunda gratidão, como diz Pv 31:28, “ele a louva”.

Vimos como era a ação da esposa virtuosa, agora nos cabe perguntar o que a impulsionava, o porquê ela agia
assim. O que movia seus atos?

Como diz o texto hebraico, ela trabalha “alegremente” (chephets) com suas mãos. A versão siríaca do Antigo
Testamento traduz essa frase: “e suas mãos estão ativas seguindo o prazer de seu coração”.
Portanto, o que move a mulher virtuosa não é a obrigação,
mas ela é impulsionada pelo prazer.

Por isso, essa mulher não delega essa função, mesmo considerando que ela tinha serventes (v. 15). Ela não
abre mão do deleite de cuidar do bem-estar físico da sua família. O texto enfatiza que ela ”trabalha com suas mãos”.

A cultura contemporânea tem tirado isto das mulheres e começa em casa, quando a mãe diz “a universidade é
teu primeiro marido, o trabalho é teu segundo marido”. Vemos, com isso, uma geração de mulheres que não deseja
cuidar das minúcias da necessidade de seu marido, tampouco dos filhos.

Lamentavelmente, a cultura introjetou na mulher cristã uma mórbida e profunda preguiça para com o dever
de cuidar do marido e dos filhos no aspecto físico. Todo esse sentimento contribui com o complô satânico de
destruir a família.

Em decorrência, algumas mulheres, mesmo podendo fazer, repassam suas funções a uma empregada
doméstica, a sogra ou a suas mães. Elas preferem cuidar dos assuntos do trabalho do que das necessidades
corporais do marido ou dos filhos. Trabalhar fora de casa é o que lhes preenche. Esse é seu verdadeiro prazer.
Elas têm absoluta aversão ao serviço doméstico, detestam ter que trocar a fralda do filho ou ter que se levantar à
noite para abriga-lo do frio, odeiam passar a roupa do esposo.

Há mulheres que moram com as sogras, que, mesmo após anos de casadas, nunca lavaram uma camisa do
marido, a incumbência fica com a sogra. Chega ao absurdo de sequer saberem o que o esposo gosta. Depois se
perguntam o porquê esse homem não se esforça para sair da casa da mãe.

Por outro lado, se você mora com sua nora, deixe-a ser esposa do seu filho. Não interfira nas tarefas dela, para
preencher o desejo egoísta de que seu filho continue a depender de você. Não destrua o lar do seu filho, para mais
tarde não chorar arrependida, ao vê-lo divorciado.
Homens, deem condições para que suas esposas cumpram com seu ministério, “deixará o homem o seu pai e a
sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne” (Gn 2:24).

Dessa forma, aprendamos com o sábio Salomão, pois, inspirado por Deus, nos mostra tanto o que a esposa
virtuosa faz, quanto o porquê ela faz.

E, essa mesma ideia é constatada no Salmo 78:72, ”Assim os apascentou, segundo a completude do seu coração,
e os guiou pela perícia de suas mãos”.

“Assim” é explicada a seguir: “segundo a completude do seu coração”. Está se referindo ao amor completo,
irrestrito de Deus. Quando Deus apascentou seu povo no deserto durante 40 (quarenta) anos, Ele fez não com
mesquinhez ou com meio amor. Deus amou completamente seu povo.

E, “pela perícia de suas mãos”, os guiou num caminho inóspito e perigoso. Imaginem um acampamento no
deserto! Haviam animais selvagens, escorpiões, serpentes... Porém, o Senhor os guardou dos mais mínimos
perigos. Certamente, os guiou com perícia!

Vemos aqui duas características em Deus: amor e perícia.

Ao dizer que a mulher providencia habilmente o bem-estar corporal da família e o faz com amor, vemos nela
as mesmas características que há em Deus. Noutras palavras, Deus deseja que a mulher virtuosa reflita Sua
própria imagem dentro do lar.

Continuamos na próxima semana...

Por Ilanna Praseres

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