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Anacronismo

HISTÓRIA

O anacronismo consiste em utilizar os conceitos e ideias de uma época para analisar os fatos
de outro tempo. Ele deve ser evitado em qualquer pesquisa.

Anacronismo, um erro inevitável?

Anacronismo, um erro inevitável?

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O anacronismo ou anticronismo consiste basicamente em utilizar os conceitos e idéias de uma


época para analisar os fatos de outro tempo. Em outras palavras, o anacronismo é uma forma
equivocada onde tentamos avaliar um determinado tempo histórico à luz de valores que não
pertencem a esse mesmo tempo histórico. Por mais que isso pareça um erro banal ou
facilmente perceptível, devemos estar atentos sobre como o anacronismo interfere no nosso
estudo da História.

Por um lado, os historiadores, no desafio diário de suas pesquisas, tentam sempre escapar do
problema do anacronismo. Esse seria um “erro mortal” a ser evitado em toda e qualquer
pesquisa séria e bem executada. Ao contrário do que possa parecer, esse problema não só
atinge os profissionais da História, mas também é encontrado no dia a dia das salas de aula. De
forma geral, muitos alunos costumam tecer comentários sobre o passado com base nos seus
próprios valores.

É comum vermos os alunos reclamarem sobre como os portugueses conseguiam, mesmo


sendo minoria, dominarem a imensa população de escravos do Brasil. Outros se questionam
sobre como a Igreja tinha tanto poder durante a Idade Média. Ao estudarem a democracia em
Atenas, não acreditam como os atenienses reconheciam como democrático um regime que
excluía as mulheres e estrangeiros das questões políticas.

Ao fazerem esse tipo de crítica não percebem que os conceitos de igualdade, razão e
democracia por eles utilizados foram concebidos tempos depois das experiências aqui
exemplificadas. Desse modo, desconsideram as idéias e conceitos que deveras poderiam
justificar os hábitos no Brasil Colônia, na Idade Média ou na Antiguidade Clássica. Ao mesmo
tempo, não levam em conta que o homem interpreta o passado e dessa maneira acaba
criando uma nova compreensão do mesmo.

Um dos mais amplos exemplos desse tipo de prática é percebido no século XVIII, no auge do
pensamento iluminista. Elegendo a razão como a melhor das ferramentas do intelecto
humano, os iluministas consideravam a religiosidade como um grande entrave ao
conhecimento e o saber. Dessa maneira, interpretava-se a Idade Média como a “idade das
trevas”, onde a crença e a religiosidade obscureciam a visão do homem.

No entanto, ao desmerecerem o passado medieval, os iluministas ignoravam toda a


contribuição dos filósofos medievais e o fato de que as primeiras universidades da Europa
surgem nessa mesma ”idade das trevas”. Nessa perspectiva, podemos considerar também que
o iluminismo, na ânsia de seu racionalismo, deixava de olhar de forma mais compreensiva para
as características próprias da Idade Medieval.

Detectando essa falha interpretativa poderíamos concluir que o anacronismo deve ser
complemente banido da História. No entanto, seria impossível então olhar o passado com os
valores do nosso presente? Provavelmente não. Se por um lado não podemos cometer o erro
do anacronismo, também nunca conseguiríamos saber literalmente como pensavam os
indivíduos de uma determinada época. Dessa forma, como evitar o anacronismo?

O anacronismo não pode ser considerado um “fantasma” que persegue estudantes e


historiadores. Antes disso, devemos colocar os valores do nosso tempo como um ponto de
referência pelo qual poderíamos entender melhor o passado. Comparando as diferenças entre
os conceitos de dois tempos históricos diferentes, podemos estabelecer o diálogo das nossas
expectativas para com o passado sem desconsiderar os valores do mesmo. Assim, o
anacronismo deixa de ser uma armadilha e transforma-se em uma importante ferramenta
para a compreensão histórica.

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Por Rainer Sousa

Graduado em História

Equipe Brasil Escola