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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DA BAHIA

CAMPUS EUNÁPOLIS
COORDENAÇÃO DO CURSO TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE

YAN NATAL MARCELO ROCHA

LEGALIZAÇÃO DO ABORTO: UM DIREITO BÁSICO

Eunápolis - BA
2018
YAN NATAL MARCELO ROCHA

LEGALIZAÇÃO DO ABORTO: UM DIREITO BÁSICO

Artigo de opinião apresentado à


disciplina de língua portuguesa, do Curso
Técnico em Meio Ambiente, do Instituto
Federal de Educação Ciências e
Tecnologia da Bahia, para obtenção de
nota como requisito parcial da segunda
unidade.

Orientadora: Fernanda Patrício Mariano.

Eunápolis - BA
2018
Legalização do aborto: Um direito básico
É longa a lista de situações em que a mulher é julgada por praticar atos
normalmente considerados incivis, entre estes está o ato de abortar.

Para fortalecer um Estado laico e uma democracia íntegra, é necessário


direitos iguais a todos, independente de suas diferenças, e a criminalização do aborto
não contribui para o avanço desses ideais, pois uma sociedade que julga a mulher por
ter ao menos pensado em praticar o aborto, está longe de ser igualitária.
Segundo uma pesquisa realizada em 2016 pelo Anis - Instituto de Bioética e
pela Universidade de Brasília (UnB), 20% das mulheres terão feito ao menos
um aborto de forma ilícita ao final da vida reprodutiva, isto é, uma em cada cinco
mulheres aos 40 anos terá abortado ao menos uma vez. A pesquisa só comprova que
mesmo o aborto sendo considerado ilegal, ele irá acontecer, e por conta da sua
ilegalidade, muitas mulheres acabam indo a óbito por fazer aborto em clínicas sem o
menor preparo para este procedimento.
Atualmente, a lei sobre o aborto no Brasil desqualifica como crime as situações
em que a gestante sofre risco de vida, quando a gravidez é o resultado de um estupro
e quando o feto for anencefálico. Caso o aborto seja feito por outro motivo fora destes
citados, a mulher pode sofrer uma detenção de um a três anos. Nesse contexto, o
projeto de lei 882/2015 que visa legalizar o aborto no Brasil tem algumas
características, dentre estas, o direito de qualquer mulher opcionalmente interromper
sua gravidez até nos primeiros três meses, é relatado também que o aborto seria
realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e durante o procedimento a gestante
teria o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, com médicos, psicólogos e
assistentes sociais, o projeto prevê também que o Ministério de Educação faça nas
escolas debates sobre a prevenção de gravidez indesejada.
A desigualdade social existente no Brasil também está presente nas formas de
realizar o aborto. Percebe-se que, mulheres com maior poder aquisitivo conseguem
bancar os altos preços cobrados pelas clínicas clandestinas, enquanto mulheres
pobres sofrem com métodos caseiros extremamente perigosos ou recorrem às
clínicas com péssimas qualidades, e acabam indo para as filas de hospitais públicos
com hemorragias graves e em alguns casos chegam ao óbito. Segundo o Ministério
da Saúde, o aborto clandestino no Brasil é a quinta causa de morte materna, sendo
que no ano de 2015, 181 mil mulheres foram atendidas pelo SUS por terem problemas
causados pelo aborto clandestino.
Ademais, uma das justificativas de pessoas contrárias a legalização do aborto
é a de que o número de mulheres que fariam este procedimento iria aumentar,
entretanto um estudo feito pela Organização Mundial de Saúde (OMS) revela que nos
países onde o aborto foi legalizado ocorreu uma queda considerável no número de
abortos realizados, por exemplo, temos o nosso vizinho o Uruguai, onde eram
realizados cerca de 33 mil abortos clandestinos por ano e, após a legalização, este
número diminuiu para quase 4 mil, enquanto em países onde o aborto é criminalizado,
o procedimento não para de crescer.
Em suma, a não legalização do aborto é um ataque à democracia, no qual
mulheres sofrem constantemente por conta de uma sociedade machista que lhes
nega o direito básico de escolher. Bem como, a criminalização do aborto não é a
solução para a diminuição da prática, mas sim para o aumento de vítimas da
sociedade. O país não tem que ser a favor do aborto, mas tem que ser a favor da
liberdade das mulheres e saber respeitar suas decisões.