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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA

DA BAHIA

YAN ROCHA

RESUMO

Eunápolis/BA

2018
YAN ROCHA

RESUMO

Resumo apresentado para a disciplina de


língua portuguesa, com requisitos de nota,
sob orientação da Prof. Fernanda Mariano.

Eunápolis/BA

2018
Na França, no dia 14 de julho de 1789, começava um marco importante para a
história mundial, iniciava a Revolução Francesa, um movimento nacionalista que deu
grande destaque ao povo e causou enorme abalo na política não só europeia como
de todo o planeta. Nesse contexto de mudanças, em que o povo conquista amplo
espaço político é necessário criar suas próprias referências e então surge o
romantismo.
O romantismo tinha como principal objetivo criar uma identidade estética para
o burguês, sendo assim, o romantismo é uma arte da burguesia. Porém, antes de
formar essa identidade era necessário glorificar o indivíduo e todos os seus
sentimentos, deixando de lado o ser racional. Os textos literários também vão trazer
personagens com perfis de heróis, que precisam superar barreiras seja ela de
qualquer natureza para serem considerados exemplares pela sociedade. Em um
mundo capitalista que remunera o trabalho, sacrifício e esforço passam a valer mais
que a nobreza que se recebe de herança.
Graças a toda mudança social, política e econômica que ocorreu durante e
depois das revoluções francesa e industrial, foi possível a publicação dos textos
literários em veículos de grande circulação, como jornais e revistas, o que ocasionou
um aumento expressivo na quantidade de leitores e então pela primeira vez os
escritores românticos, escreviam para sobreviver. Além de promover o grande número
de leitores dos textos românticos, a alta circulação desses textos fez com que
diferentes perfis de leitores até então inalcançáveis em tempos anteriores pudessem
ler os textos, e com a necessidade de conquistar e incentivar a leitura dessas pessoas
foi necessário transformar os textos, não só em momentos de aprendizagem, mas
também, de diversão e entretenimento, não ligando necessariamente aos padrões da
herança literária.
Uma das características do romantismo é a de levar em consideração a
imaginação superior à razão e à beleza, porque segundos os românticos dentro da
imaginação não existem limites. Por esse motivo, o original substituiu a imitação, que
desde a antiguidade guiava o olhar do artista para o mundo, no processo de criação.
Libertos da influência passada, os novos artistas se encontram na própria
individualidade, traduzida pelas emoções que sentem, as referências para a
interpretação da realidade.
Para os românticos a Idade Média foi uma era em que havia uma sociedade
repleta de heróis, sentimentos nobres e harmonioso. Por isso era importante recuperar
o passado histórico, pois significava, reconstruir os passos de um povo e reconhecer
os símbolos de sua identidade, aquilo que o torna único e incomparável. Grandes
romances portugueses e brasileiros seguem essa ideia de nacionalismo, que é uma
das mais importantes características do romantismo.
Outra característica do romantismo é a liberdade formal que os autores tinham,
a escrita literária, com rigorosos esquemas métricos e rimas, foi abandonada, e para
trazer a característica romântica dos textos para a realidade os autores não se
limitavam em usar adjetivos, interrogações, exclamações e reticências.
Nesse período de transformações, Portugal como a maioria dos países do leste
europeu, enfrentava uma crise político-econômica, e sofria com a ameaça de
Napoleão Bonaparte, que exigia que Portugal rompesse com todas as relações
comerciais que tinham com a Inglaterra, a coroa portuguesa acabou não aceitando a
exigência feita pelo imperador Napoleão e o mesmo decretou que sua tropa invadisse
as terras portuguesas, em uma jogada fantástica o atual rei de Portugal D. João VI e
sua corte lançaram-se ao mar em caravelas e fugiram para a colônia do Brasil, então
D. João VI incluiu naquele momento o Brasil no chamado Reino de Portugal, Brasil e
Algarve. É nesse cenário, conturbado por crises políticas e econômicas, que o
romantismo chega a Portugal para estabelecer novos temas e dar voz à sociedade
que, transformada pela revolução liberal, aos poucos vai ser tornando laica.
O romantismo em Portugal é dividido em três gerações, a primeira delas foi
marcada pela conservação de alguns traços clássicos da literatura lusitana, os
principais poetas dessa geração foram Antônio Feliciano de Castilho, Almeida Garrett
e Alexandre Herculano, sendo que o primeiro se voltou mais para o conservadorismo
da literatura clássica, enquanto Garrett e Alexandre Herculano produziram poesias
que focavam principalmente na recuperação do passado histórico português. Portanto
fica claro que a principal característica da primeira geração do romantismo é a
valorização da nação.
Já a segunda geração do romantismo é frisada principalmente por um certo
exagero sentimental, que torna a torna inconfundível. As crises de natureza política
que tanto influenciaram os poetas da primeira geração não se farão presentes nesses
quase trinta anos que a segunda geração se manifestou, o que, de certa forma,
contribui para explicar a forma bem mais pessoal e particularizada que passa a
caracterizar a produção literária. Os autores dessa geração eram inspirados pela
literatura inglesa, eles admiravam grandes poetas como Lord Byron, que valorizavam
os sentimentos arrebatadores e ao mesmo tempo se imaginavam isolados do mundo.
Essa ideia de herói romântico que luta por valores incorruptíveis como a honestidade,
o amor, o direito à liberdade entrará na imaginação de diversos poetas. Um dos
principais poetas dessa geração foi Camilo Castelo Branco, ele detém uma vasta
produção literária, porém foi com as novelas ultrarromânticos que ele atingiu seu ponto
máximo, nessas histórias, o sofrimento amoroso é glorificado, sendo mesmo capaz
de transformar completamente o caráter dos personagens, fazendo com que jovens
amantes sejam envolvidos por uma alma de pureza e abnegação que os santifica.
Outra característica das novelas ultrarromânticas é a função nela desempenhada pela
natureza. Ela será maravilhosa se vista por amantes em momentos de sonhos ou será
soturna, servindo de refúgio final para os desesperados sofredores. Até que na
década de 1860, a literatura lusitana viu surgir uma grande demanda de romances em
que os traços românticos exacerbados da segunda geração do romantismo não mais
predominantes. Esses aspectos são substituídos por personagens construídos mais
atenciosamente, com comportamentos mais bem motivados e com um
aprofundamento psicológico dos personagens. O principal escritor dessa
transformação no romance romântico português é Júlio Dinis.
O tema escolhido por Júlio é a vida doméstica no campo, ambientada nas casas
de pequenos proprietários rurais e lavradores, ou o meio mercantil do Porto. O autor
deixou claro que, além de defender o valor das tradições, privilegia a ideia de mudança
e de progresso, desde que a junção entre tradicional e novo preserve os verdadeiros
valores da sociedade portuguesa. É com obras assim que a geração ultrarromântica
do romantismo português, vai se distanciando e preparando o caminho para a
transformação que chegará com os jovens idealistas da famosa geração de 1870.
Os fatos políticos e as ideias vindas da Europa criam o pano de fundo que
determinará a principal preocupação dos intelectuais brasileiros no início do século
XIX, a formação da nação brasileira e a definição dos símbolos de nossa
nacionalidade. Essa preocupação será debatida durante toda a produção romântica
nacional.
O impacto da transferência da corte para o Brasil foi grande e imediato,
aconteceu grandes mudanças e criações, entre elas a criação da Imprensa Régia,
pela primeira vez o Brasil contava com uma imprensa oficial, o que facilitava a
circulação de jornais e periódicos e representaria um significativo estímulo à produção
literária.
Na primeira metade do século XIX, o Brasil recebeu várias missões
estrangeiras. Eram pessoas que viajavam até aqui e escreviam suas experiências
nessa terra, entre essas missões, dois merecem uma atenção especial: Auguste de
Saint-Hilaire e Carl Friedrich, foram eles que apontaram os índios e a natureza
exuberante como elementos mais representativos da identidade brasileira, símbolos
ideais para a nação. Em seus textos, os integrantes das missões científicas
divulgavam as ideias liberais e nacionalistas que estavam na moda em toda a Europa.
Como esses textos circulavam entre nossos intelectuais, eles foram aos poucos
mostrando como era o Brasil aos próprios brasileiros e ajudando a construir uma
identidade nacional, fortemente influenciada pela ideologia romântica.
De todas as mudanças ocorrentes no Brasil desde a chegada da família real, o
que teve maior impacto cultural é a Proclamação da Independência política brasileira
em 1822. Esse fato ofereceu aos intelectuais brasileiros o pretexto que precisavam
para dar continuidade ao que vinha sendo sugerido pelos participantes das várias
expedições científicas e artísticas estrangeiras. Era necessário criar referências
concretas que consolidassem a ideia de uma nação brasileira, separada de Portugal.
Os símbolos escolhidos para marcar a identidade brasileira foram apontados pelos
estrangeiros que haviam percorrido o país descrevendo os costumes dos povos
nativos, catalogando as espécies da fauna e flora, pintando os quadros de uma
natureza que deslumbraria as capitais europeias.
A primeira geração romântica no Brasil é marcada pela poesia indianista, os
principais autores dessa geração foram Gonçalves Dias e José de Alencar, a intenção
desses poetas era divulgar uma identidade nacional que, além de promover o
sentimento de amor à pátria, também nos libertasse das influências literárias
portuguesas. Os românticos, inspirados pela definição de “bom selvagem” de
Rousseau, projetarão no índio o espírito de homem livre e honesto, que, na Europa
foi associado aos cavaleiros medievais. Trata-se de uma imagem literária totalmente
idealizada, bem diferente da realidade histórica dos índios que aqui viviam. Os versos
indianistas não exploram a liberdade formal característica do romantismo. Eles são
marcados pelo controle de métrica e pela escolha das rimas. Outro recurso bastante
utilizado pelos poetas brasileiros é uma delicada caracterização da natureza brasileira,
espaço no qual se desenvolvem os acontecimentos escritos nos poemas nativistas. O
grande nome da primeira geração do romantismo no Brasil foi Gonçalves Dias, em
sua poesia, ele abordou os grandes temas românticos: natureza, pátria e religião.
A segunda geração brasileira do romantismo é marcada por uma postura de
exagero exacerbado do sentimento que a torna inconfundível. Influenciados por
escritores como Byron e Shelley, os representantes dessa geração liam uma poesia
que exaltava os sentimentos arrebatados ao mesmo tempo que apresentava o poeta
isolado da sociedade. Filhos do século XIX, esses jovens se apresentam mais
interessados para o próprio coração do que para os grandes temas que definiram a
poesia da primeira geração, por esse motivo, incorporam a imagem de um herói
romântico que defende valores como a honestidade, o amor e o direito à liberdade.
Em nome desses valores estão dispostos a sacrificar a própria vida. A idealização
absoluta e o interesse em duas ideias essencialmente românticas, o amor e a morte,
definem o projeto literário da segunda geração. Essa geração de poetas
atormentados, alguns ainda morriam jovens, foi marcada pela ideia exacerbada de um
sentimento pessimista, a solidão, o culto a uma natureza mórbida e soturna e, acima
de tudo, a idealização da mulher virginal e etérea são as formas poéticas encontradas
para traduzir imagens sentimentos arrebatados que vivenciam. A ideia de morrer, para
o ultrarromântico, tem sentido positivo, porque garante o término da agonia que é
viver. É no contexto das desilusões e da maneira pessimista de encarar a própria
existência que a morte surge como solução. Embora a liberdade formal continue
sendo um traço característico da produção poética da segunda geração, os autores
do período fazem uso recorrente de algumas palavras que os auxiliam a construir as
imagens de solidão, saudade, morte e pessimismo.
Em 1840 o Brasil passou a ser governado por D. Pedro II com apenas catorze
anos, muitas revoltas aconteciam no país e acontecia também uma das maiores crises
econômicas. Com a prosperidade da cultura do café, na década de 1850, contexto
econômico brasileiro começou a mudar lentamente, os novos tempos de prosperidade
econômica alegravam a sociedade latifundiária. Entre eles estavam os mais
fervorosos defensores do sistema escravagista. À medida que a polemica em torno
da questão dos escravos crescia, três posições se definiam entre os políticos
brasileiros, os emancipacionistas que defendiam a extinção lenta da escravidão, os
abolicionistas que defendiam a liberdade imediata dos escravos e os escravistas que
defendiam a manutenção do sistema ou o pagamento em forma de indenização aos
proprietários, caso a escravidão fosse abolida. Nesse cenário agitado que surge a
terceira geração do romantismo no Brasil. A poesia, até então expressão subjetiva de
um sentimentalismo exacerbado, torna-se, com Castro Alves e os condoreiros, o
instrumento de uma causa social: a libertação dos escravos. Por esse motivo que a
terceira geração terá o projeto literário de denunciar, por meio da poesia, as injustiças
sociais. A condição de produção dos textos literários se modifica um pouco em relação
a segunda geração, se os ultrarromânticos eram em sua maioria jovens que,
influenciados por escritores estrangeiros, se isolavam da sociedade e procuravam da
vazão à força dos sentimentos, os condoreiros participavam bastante dos debates
sociais, seu interesse pelas questões políticas os leva a escrever uma literatura mais
engajada, mais consciente do contexto brasileiro no momento. Os poetas condoreiros
procuraram atingir um maior número de leitores, para isso vão aos teatros, às sacadas
dos jornais e às praças públicas declamar seus versos. A poesia da terceira geração
tem algumas características marcantes, feita para ser declamada, faz uso de
vocativos e exclamações, a pontuação, aliás, é um dos recursos mais explorados
pelos poetas dessa época, uma vez que procuram dar aos textos um tom
característico da oratória, outra característica desses poemas é a presença
exacerbada de hiperbólicas, que provocam impacto no leitor e despertam emoções
mais fortes.