Você está na página 1de 5

2

2 ESTÁGIO SUPERVISIONADO III E IV NAYLA MIKAELLE PINHEIRO VIANA CASO CLÍNICO: GONARTROSE FORTALEZA 2019

ESTÁGIO SUPERVISIONADO III E IV

NAYLA MIKAELLE PINHEIRO VIANA

CASO CLÍNICO:

GONARTROSE

FORTALEZA

2019

2

INTRODUÇÃO

Gonartrose, mais conhecida como artrose do joelho. Ocasionada pela degeneração da cartilagem articular que reveste esta articulação, caracteriza-se por uma doença crônica, de progressão lenta e na maioria das vezes silenciosa. Pode ser uni, bicompartimental ou tricompartimental, afetando qualquer um dos segmentos, geralmente aquele que suporta maior peso, como o medial, de forma isolada ou simultânea, sem o comprometimento sistêmico de outros órgãos (RAYMUNDO; MONTEIRO, 2014). É a causa mais comum de doenças articulares, tendo grande impacto econômico devido a incapacidade que provoca nos pacientes por ela acometidos, que são em geral, idosos, piorando a sua qualidade de vida. A artrose pode ser classificada em primária e secundária. A primária, de etiologia desconhecida pode atingir uma ou mais articulações, geralmente é bilateral, estudos sugerem que ela resulta de um stress mecânico prolongado e corresponde a 70% dos casos (FARIA, 2013).

Já a secundária se apresenta mais na forma monoarticular e está relacionada a traumas

e outras patologias que agridem a articulação e causam irregularidade nas superfícies articulares. Se ocorre uma deficiência nos mecanismos de proteção aos impactos, ocorre uma lesão na cartilagem, que altera a distribuição das forças, levando a microfraturas, que geram alterações ósseas, então a capacidade de absorção de impactos fica comprometida, ocasionando aumento no stress da cartilagem, dando origem a fissuras e fragmentos da cartilagem, que pioram com a destruição enzimática e a remodelação óssea, que estão em constante processo de degeneração (SOUZA; MEJIA, 2010).

Está relacionada a diversos fatores como idade, sexo, hereditariedade, fatores hormonais, obesidade, hipermotilidade, infecções, alterações ósseas e fatores mecânicos. Predomina no sexo feminino, especialmente após os 45 anos de idade (antes disso é mais comum em homens), o que pode estar relacionado a menopausa, que provoca o desgaste ósseo e em razão das mulheres possuírem uma musculatura menos desenvolvida que os homens, além também do fator anatômico que é diferente entre homens e mulheres, pois estas possuem uma maior largura da bacia, como vantagem obstétrica, então suas diáfises femurais possuem um ângulo em valgo maior, e quanto maior a pélvis, maior esse ângulo, que vai da

bacia até o joelho, e o quadríceps, que se insere ao longo das diáfises femorais e atua sobre a patela, acaba forçando-a lateralmente (RAYMUNDO; MONTEIRO, 2014).

A gonartrose se desenvolve nas áreas de menor contato entre as superfícies articulares,

onde há déficit na nutrição da cartilagem articular. Dessa forma, pessoas que possuem o tipo

2

valgo geralmente são acometidas por artrose femorotibial externa (70% dos casos), já os que possuem o tipo varo, acabam tendo a face femorotibial interna acometida. Mulheres também são mais propensas a desenvolver artrose herdada de suas mães. Indivíduos com excesso de peso podem ocasionar a degradação articular, devido a forte pressão exercida sobre o joelho (SOUZA; MEJIA, 2010). Entre os sintomas mais comuns da gonartrose estão a dor relacionada ao exercício físico, dor ao repouso, dor noturna, esforço físico ao subir e descer escadas ou carregar peso, rigidez 7 após a inatividade, que desaparece com o movimento, sensação de instabilidade ou insegurança, incapacidade e limitação funcional, que se estende também com a dificuldade durante a marcha, especialmente nas fases tardias (PINHEIRO; MARQUES; SERRANO,

2011).

À medida que a articulação se movimenta, a dor incômoda pode diminuir, porém pode voltar e com mais intensidade se o movimento foi prolongado. De forma geral, a dor depende da fase da doença, sendo de intensidade variável, geralmente fraca quando se acorda e aumentando de intensidade com as atividades diárias, o que a caracteriza como dor mecânica que aparece e aumenta com o início do movimento, especialmente se esse for rápido e não controlado, e com a sustentação de peso, vindo a desaparecer com o repouso (ALCALDE; MUNIZ; BALDON, 2009). Na maioria das vezes, no início da doença, a dor ocorre ao movimentar a articulação e alivia com o repouso, já numa fase mais avançada, a dor pode ocorrer mesmo com esforço mínimo ou até mesmo em repouso. A dor relatada na artrose está associada a outras estruturas que constituem a articulação, uma vez que a cartilagem articular não possui sensibilidade a dor por ser desnervada (ALCALDE; MUNIZ; BALDON, 2011). Já os sinais são: atrofia muscular periarticular, crepitações, derrame intra-articular, enrijecimento da articulação, inchaço articular, movimentos restritos e dolorosos, pontos doloridos nas margens da articulação, sensibilidade articular aumentada e a palpação pode ter a consistência dura devido a presença de osteófitos. Os músculos quadríceps e isquiotibiais podem sofrer hipotrofia por desuso, devido ao quadro álgico, que provoca a limitação do movimento e da função (FARIA, 2013).

2

AVALIAÇÃO

Paciente M.F.S.L, 67 anos de idade, casada e aposentada. Paciente relata sentir uma dor no joelho esquerdo há 15 dias, era praticante de caminhada, mas teve que interromper a pratica por conta de edema no joelho. Procurou o serviço médico e foi solicitado raio-x e ultrassonografia, nos exames de imagens foi diagnosticada com gonartrose. Médico solicitou que fizesse uso de gelo por 10 dias e pomada anti-inflamatória (acheflan) e encaminhou para a fisioterapia. No exame físico, não apresentou alteração de sensibilidade, nem alteração na marcha, sente dor na palpação nos músculos tensor da fáscia lata e vasto medial. Na gôniometria de flexão do joelho foi medido 135º no esquerdo e 140º no direito. A perimetria da perna sendo de proximal para distal com distância entre as medições de 10cm, mediu 34-25,5-20 na esquerda e 32-25-20 na direita, apresentando uma diferença de 2cm na medida mais proximal. O teste de cacifo deu positivo e quando solicitado o grau de dor de acordo com a escala de EVA, paciente numerou como 7.

OBJETIVO DE TRATAMENTO

A fisioterapia na gonartrose é fundamental para tentar evitar a degradação progressiva desta articulação e para diminuir a dificuldade na realização das atividades do dia-a-dia que este tipo de artrose origina, afetando a saúde e bem-estar do doente. O tratamento da gonartrose é dirigido à redução da dor e rigidez nas articulações, manutenção e melhora da mobilidade articular e redução da incapacidade física.

CONDUTA FISIOTÊRAPEUTICA

Para tratamento dos sinais inflamatórios do joelho com gonartrose pode ser utilizado o

ultrassom no modo pulsado, liberação miofascial de toda a musculatura da perna,
ultrassom
no
modo
pulsado,
liberação
miofascial
de
toda
a
musculatura
da
perna,

alongamento

de

isquiostibiais

e

a

estimulação

elétrica

nervosa

transcutânia

(TENS).

Posteriormente é trabalhado exercícios para ganho de amplitude movimento, força muscular,

reeducação da marcha caso o paciente esteja com alterações, reprogramação da postura e os

treinos de propriocepção.

2

EVOLUÇÃO

Paciente foi avaliado (20/05) e em seguida foi realizado o primeiro atendimento, onde

foi utilizado primeiramente um ultrassom no modo pulsado de 3MHz com 0,7Hz de

frequência na região medial do joelho, logo após foi feita uma liberação miofascial,

mobilização da patela e realizado músculo energia para flexão de joelho com a paciente em

decúbito ventral, exercícios ativos utilizando minitheraband para realizar adução e abdução e

master cooper para flexão e extensão, treino de propriocepção com disco.

No segundo atendimento (21/05) foi mantido todo o protocolo do primeiro, porém no

final do atendimento paciente relatou está com dor após os exercícios, foi aplicado o TENS no

modo convencional 100Hz de frequência e 80µs de largura de pulso.

REFERÊNCIAS

ALCALDE, G.E.; MUNIZ, T.B.; BALDON, R.M. IMPACTO FISIOTERAPIA AQUÁTICA NA DOR CRÔNICA E APTIDÃO FÍSICA EM IDOSOS COM GONARTROSE: ENSAIO CLÍNICO RANDOMIZADO. Rev Bras Ortop, v. 11, n. 2, p. 17-19, 2011.

FARIA, P.H. Avaliação do nível de atividade física e sua correlação com a dor e com o grau de comprometimento em pacientes com gonartrose. Rev. bras. Fisioter, v. 10, n. 1, p. 75-81,

2013.

PINHEIRO, J.P.; MARQUES, J.P.; SERRANO, S.A. Prescrição de exercício físico e gonartrose. Fisioterapia em Movimento, v.14, n.5, p.105-107, 2009.

RAYMUNDO, S.F.; MONTEIRO, P.V. Comparação de dois tratamentos fisioterapêuticos na redução da dor e aumento da autonomia funcional de idosos com gonartrose. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, v. 17, n. 1, p. 129-140, 2014.

SOUZA, N.B.; MEJIA, D.P.M. Tratamento fisioterapêutico para gonartrose. Arquivos Brasileiros de Ciências da Saúde, v. 35, n. 1, 2010.