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FACULDADE CIENCIAS DA VIDA – FCV

CURSO DE BACHARELADO EM NUTRIÇÃO

MARCELLA LUIZA COELHO DE CASTRO


MARCELLE DE AVILA CARVALHO

TRABALHO DE MICROBIOLOGIA
MICOSES SUPERFICIAIS E SISTÊMICAS

SETE LAGOAS
2019
MARCELLA LUIZA COELHO DE CASTRO
MARCELLE DE AVILA CARVALHO

TRABALHO DE MICROBIOLOGIA
MICOSES SUPERFICIAIS E SISTÊMICAS

Trabalho apresentado a disciplina de


Microbiologia do curso de bacharelado em
Nutrição, da Faculdade Ciências da Vida, sob
orientação da professora Simony Pimenta.

SETE LAGOAS
2019
Micoses Superficiais
As micoses superficiais compreendem as infecções fúngicas que atingem
pele, pêlos, unhas e mucosas.
As micoses superficiais estritas caracterizam-se por lesões nodulares nos
pêlos (piedras) ou manchas na pele (pitiríase versicolor, tinha negra), produzindo
alteração mais superficiais do estrato córneo e, na maioria das vezes, não induzem
resposta inflamatória do hospedeiro. Essas infecções são consideradas mais pelo
aspecto antiestético da lesão.

Ptiríase Versicolor (Malassezia furfur)


Os fungos causadores são leveduras lipofílicas, que se alimentam do sebo
presente na pele. As células leveduriformes podem ser misturadas com hifas curtas e
ocasionalmente ramificadas. Acontece principalmente em regiões tropicais e
subtropicais. Acomete principalmente adultos jovens. É transmitida através de
transferência direta ou indireta do material queratínico infectado de uma pessoa para
outra. As lesões são pequenas máculas hipo ou hiperpigmentadas, assintomáticas,
localizadas principalmente na parte superior do tronco, braços, tórax, ombros, face e
pescoço. As lesões são irregulares, com manchas bem demarcadas de descoloração,
as quais podem surgir e ser cobertas por uma escama fina. Em pessoas de pele negra,
as lesão têm aspecto mais branco, enquanto que em pessoas de pele mais claro o
aspecto das lesões é castanho-claro ou rosado. As lesões fluorescem com uma cor
amarelada quando expostas à “lâmpada de Wood”, o que é uma forma de diagnóstico
laboratorial. No entanto, isso pode não acontecer se o tratamento já se houver
iniciado. Normalmente é uma doença crônica e persistente. Tratamento: azóis tópicos
ou shampoo com sulfeto de selênio. Para infecção mais disseminada, usa-se
cetoconazol ou fluconazol por via oral.

Tinea Nigra (Hortaea wernickii)


Feoifomicose superficial causada por fungo negro. Composto por hifa
demaciácea muitas vezes ramificada. Artroconídios e células alongadas com
brotamento também podem estar presentes. Acontece em região tropical ou
subtropical, sendo mais prevalente na Ásia, África e América do Sul. É contraída por
inoculação traumática do fungo nas camadas superficiais da epiderme. As crianças e
os adultos jovens são os mais afetados, principalmente os do sexo feminino.
Caracteriza-se por mácula solitária, irregular, pigmentada (de cor castanha a negra),
geralmente na palma das mãos ou sola do s pés. Não escamação ou invasão dos
folículos pilosos e a doença não é contagiosa. É importante fazer o diagnóstico
diferencial dessa micose, pois pode parecer grosseiramente com um melanoma
maligno. O tratamento é tópico (pomada de Whtfield, cremes azóis e terbinafina).

Piedra Branca (gênero Trichosporon – T. inkin, T. asahii, T. beigelli, T.


mucoides)
São fungos leveduriformes que causam infecção superficial do pêlo.
Apresenta, hifas, artroconídios e blastoconídios. Acontece principalmente em regiões
tropicais e subtropicais, estando relacionada a condições de falta de higiene. Acomete
os pêlos das regiões axilares e da virilha. O fungo cresce em torno da haste do pêlo e
forma um nódulo branco a castanho ao longo dos fios de cabelo. Os nódulos são
macios e pastosos, podendo ser facilmente removidos quando puxados em direção à
ponta do fio pelo polegar e dedo indicador. Não danifica a haste do pêlo. Tratamento:
higiene e depilação dos pêlos afetados; azóis tópicos.

Piedra Negra (Piedraia hortae)


Causada por um bolor pigmentado (castanho a negro avermelhado). Afeta os
pêlos principalmente do couro cabeludo e é assintomática. Não é uma micose muito
comum e relaciona-se à falta de higiene, acontecendo principalmente na América
Latina e África Central. É caracterizada pela presença de pequenos nódulos negros
que ficam em torno da haste do pêlo. Tratamento: corte de cabelo e lavagens
regulares apropriadas.

Micoses Sistêmicas
As micoses sistêmicas apresentam uma série de características comuns. Têm
distribuição geográfica limitada e ocorrem, principalmente, nas Américas, com
exceção da criptococose, que é cosmopolita. Os agentes etiológicos são encontrados
no solo e em dejetos de animais, e as vias aéreas superiores são a sua principal porta
de entrada.
As micoses sistêmicas são mais frequentes em indivíduos do sexo masculino,
em proporções que variam até 30 homens para uma mulher. Essas micoses não são
transmissíveis de homem para homem, nem de animal ao homem.
A patogenicidade dos fungos não é essencial para a sua sobrevivência ou
disseminação. Geralmente, mais de 90% das infecções ou são assintomáticas, ou de
muito rápida evolução. Nos poucos indivíduos que apresentam infecção crônica ou
residual, a resposta celular é um processo granulomatoso semelhante àquele da
tuberculose.
As micoses sistêmicas endêmicas no Brasil são: Paracoccidioidomicose,
Histoplasmose, Coccidioidomicose e Criptococose.

Paracoccidioidomicose
É causada pelo Paracoccidioides brasiliensis. Este fungo é dimórfico, isto é,
apresenta-se leveduriforme a 37°C ou nos tecidos do hospedeiro humano, e
filamentoso a 25°C ou no meio ambiente, o qual já foi isolado do solo onde se acredita
que viva saprofiticamente, ocorrendo a infecção humana pela inalação de conídios do
fungo. Possuem hifas hialinas septadas, com clamidoconídios intercalares ou
terminais. Atinge frequentemente trabalhadores rurais, agricultores e operários da
construção civil.
Na maioria das vezes, a infecção pelo P. brasiliensis não acarreta lesões
perceptíveis, sendo assintomática. Já na doença, as manifestações estão associadas
a um ou mais órgãos, dependentes das lesões fúngicas em atividade ou de suas
sequelas. As formas clínicas mais importantes são a forma regressiva que se
caracteriza por doença benigna com manifestações clínicas discretas, em geral
pulmonares, com quadro de regressão espontânea, independente de tratamento; e a
forma progressiva crônica, no qual ocorre comprometimento de um ou mais órgãos,
podendo evoluir para óbito, caso não seja instituído tratamento.
Caracteriza-se por apresentar comprometimento pulmonar, lesões ulceradas
de pele, mucosas (oral, nasal, gastrointestinal), linfoadenopatia, e disseminações para
qualquer órgão visceral. A forma aguda ou subaguda (juvenil) atinge pessoas com
menos de 30 anos de idade e apresenta-se com adenomegalia de linfonodos
superficiais, comprometimento abdominal ou do aparelho digestivo e
comprometimento ósseo.
Na cavidade oral, local frequentemente acometido, é observada com
frequência uma estomatite. Trata-se de estomatite de evolução crônica, ulcerada, cujo
fundo tem aspecto de finas granulações vermelhas (pontilhado hemorrágico) fino.
Também são observados granulomas hipertróficos dos lábios, conhecido como
macroqueilite no qual os lábios mostram-se intumescidos, e que pode perdurar
mesmo após o tratamento. As gengivas e tecidos periodontais podem ser afetados,
com dores, ulcerações e hemorragias, assim como formação de granulomas
blastomicóticos na língua (tonsilites).

Epidemiologia
É uma micose sistêmica da América Latina, com maior ocorrência na
Argentina, Colômbia, Venezuela e no Brasil, o qual contribui com cerca de 80% dos
casos. A maioria dos casos tem sido reportada nas regiões Sul, Sudeste e Centro-
oeste. Esta micose apresenta caráter endêmico entre as populações de zona rural.
Tem sido relatada a ocorrência de casos em áreas de colonização mais recente,
submetidas a desmatamento, como em partes da Amazônia, atingindo áreas dos
estados do Maranhão, Tocantins, Pará, Mato Grosso, Rondônia, Acre e Amazonas,
onde a paracoccidioidomicose pode ser considerada uma micose sistêmica
emergente. Esta micose representa um importante problema de saúde pública pelo
seu alto potencial incapacitante e pela quantidade de mortes prematuras que provoca,
quando não diagnosticada e tratada oportunamente.

Virulência
- gp 43: inibe MHC-II e função macrofágica, também diminui evolução clinica
favoravel.
- gp 70: inibe fagocitose e diminui óxido nítrico e H2O2.
- Dimorfismo: relação entre morfologia e virulência não conhecida.

Aspectos Imunológicos
A imunidade celular é mais significativa do que a humoral. Embora anticorpos
circulantes possam ser detectados no curso da doença, anticorpos protetores e não
protetores estão presentes. A pesquisa da hipersensibilidade tardia, com
paracoccidioidina intradérmica, é útil para detectar áreas endêmicas. Pode também
ser utilizada para avaliar a imunidade celular nos pacientes com
paracoccidioidomicose. Nos casos graves, quando negativa, sugere prognóstico
desfavorável.
Tratamento
De acordo com a forma clínica e o estado imunológico do paciente, são
adotados diferentes esquemas terapêuticos. Utilizam-se sulfamidas, isoladas ou
associadas à trimetoprim, anfotericina B, miconazol, itraconazol. A avaliação clínica
micológica e sorológica dos pacientes deve ser feita, periodicamente, por longo prazo,
mesmo após o término do tratamento, que deve ser bastante extenso. Dose de
manutenção, por um período aproximado de dois anos, após cura clínica, micológica
e sorológica, tem sido preconizada.

Coccidioidomicose
É uma infecção endêmica de natureza fúngica, principalmente em certas
zonas do Estados Unidos, determinada pelo Coccidioides immitis. Após a infecção,
60% dos indivíduos apresentam infecção primária inaparente.
Esse fungo é encontrado no solo árido, sob a forma de hifas e artroconídios.
Quando inalado, acomete o homem e outros animais. Afeta qualquer idade, raça ou
gênero (ocorrendo mais em homens) e têm maior incidência no verão.
Na coccidioidomicose, os pulmões são atingidos em grande porcentagem de
casos. Se os fungos penetram pelo trato respiratório, os sinais e sintomas que
costumam aparecer são os de infecção aguda, ao passo que, na forma crônica de
evolução lenta, os parasitas geralmente atingem e lesam o parênquima pulmonar, por
via hematogênica. Na forma aguda da infecção pulmonar, os primeiros sinais podem
simular gripe (com tosse, expectoração, febre, dores torácicas, etc). Posteriormente,
outros sintomas se manifestam e o exame radiológico revela quadro idêntico ao da
tuberculose. De acordo com a resistência individual, a infecção pulmonar pode se
disseminar por via linfática ou hematogênica, determinando lesões múltiplas e sérias
em baço, fígado, ossos/articulações, pele, encéfalo e meninges. A infecção
coccidioídica, conforme a resposta imunobiológica do paciente, apresenta-se sob as
formas aguda, subaguda ou crônica. Manifestam-se em pontos diferentes do
organismo, sob a forma de nódulos de tamanhos diversos, que geralmente fluidificam,
ulcerando-se. Em outros casos, as lesões são mais profundas, atingindo o tecido
subcutâneo e manifestam-se sob a forma de abscessos, gomas ou tumores.

Epidemiologia
É mais frequente no sexo masculino, entre 20 e 50 anos. A coccidioidomicose
ocorre em áreas restritas do continente americano, entre o norte da Califórnia (EUA)
até o sul da Argentina.
Nessas regiões, as chuvas distribuem-se por curto período de tempo e a
estação seca é prolongada. Nos meses mais quentes do ano, a temperatura do solo
superficial pode ultrapassar 60ºC, o que é letal para C. immitis. O fungo sobrevive em
camadas mais profundas e com a estação chuvosa, germina e repovoa as camadas
mais superficiais do solo. Após o período de chuvas, quando o solo se torna seco, os
artroconídios são dispersos no ar pelo vento ou por atividade antrópica. A exposição
à poeira e sítios contaminados é fator determinante no risco de infecção.
A população mais afetada é a de lavradores, militares, trabalhadores de
construção de estradas, trabalhadores rurais e vaqueiros.

Aspectos Imunológicos
A coccidioidina, filtrado bruto de cultivos de Coccidioides immitis/C. posadasii,
é utilizada em reações intradérmicas, em reações de fixação do complemento e de
precipitação. Nas primeiras semanas da doença, a maioria dos pacientes tem reação
intradérmica positiva. Os anticorpos precipitantes são verificados posteriormente e os
anticorpos fixadores de complemento são os últimos a aparecerem, permanecendo
por mais tempo.

Tratamento
Na maioria dos pacientes, a infecção primária pulmonar resolve
espontaneamente sem a necessidade de tratamento com antifúngicos. Em pacientes
com fatores de risco como AIDS, transplantados ou submetidos a terapias com
corticosteroides, a utilização de antifúngicos é necessária. A droga de escolha no
tratamento da coccidioidomicose é a anfotericina B administrada como monoterapia
ou associada com itraconazol. Miconazol, cetoconazol, fluconazol e outros derivados
imidazólicos apresentam resultados limitados.

Histoplasma
Conhecida também como doença de Darling, é uma infecção fúngica
sistêmica que pode apresentar desde um quadro assintomático até a forma de doença
disseminada com êxito letal. Constitui-se na mais comum infecção respiratória
causada pelo fungo Histoplasma capsulatum. É adquirida por inalação de esporos
dispersos no ambiente rico em fezes de morcegos e aves.
O fungo é encontrado no solo ácido e rico em nitrogênio. As condições que
favorecem seu crescimento são a umidade relativa entre 60 e 87% e a temperatura
média de 27ºC.
A infecção humana se dá por via respiratória. Os elementos infectantes
(microconídios) penetram pelas vias aéreas e chegam aos alvéolos, sendo
fagocitados e se multiplicando na forma parasitária dentro dos macrófagos alveolares,
o que origina pneumonite focal ou de inoculação. Pelos linfonodos, os fungos ganham
o gânglio regional satélite, formando o complexo pulmonar bipolar, semelhante ao
complexo de Gohn, da tuberculose. A partir daí, o fungo pode se disseminar por via
hematogênica para qualquer órgão.
Esse tipo de infecção primária, regressiva espontaneamente, ocorre
usualmente em indivíduos imunocompetentes. Entretanto, nos hospedeiros com
deficiência imunológica, a infecção primária e as reinfecções podem assumir um
caráter progressivo de gravidade variável.
A gravidade da doença depende da intensidade da exposição, da quantidade
de esporos inalados e da imunidade do hospedeiro.
Em indivíduos saudáveis, uma baixa intensidade de exposição
frequentemente causa infecção assintomática ou pouco sintomática. Destaca-se que
a histoplasmose aguda é uma doença de regressão espontânea, sendo a forma
assintomática ou pouco sintomática, a mais frequente da doença (muitas vezes passa
despercebida por ser confundida com a gripe). Sintomas como febre, tosse pouco
produtiva persistente, cefaleia, astenia, dor retroesternal e prostração intensa são
frequentes. A palidez cutânea é um sinal marcante. O aumento dos linfonodos
superficiais e a hepatoesplenomegalia são achados característicos da forma pulmonar
difusa aguda (o período de incubação é de 8 à 17 dias).
A forma pulmonar crônica, também chamada de oportunista, compromete os
indivíduos portadores de espaços aéreos anormais, notadamente os portadores de
enfisema pulmonar centrolobular e enfisema bolhoso, favorecendo a colonização do
fungo nessas lesões.
Do ponto de vista clínico, a histoplasmose pode ser assim considerada:
1. Histoplasmose cutânea - lesões ulcerosas e granulomatosas; lesões
papulosas; lesões purpúricas; abscessos; dermatite localizada e generalizada;
2. Histoplasmose cutâneo-mucosa;
3. Otite histoplasmótica (primária ou secundária);
4. Histoplasmose naso-oral - pode apresentar lesões nodulares, nódulo-
ulceradas, ulceradas e vegetantes;
5. Histoplasmose sistêmica;
6. Histoplasmose pulmonar;
7. Histoplasmose gastrointestinal;
8. Histoplasmose geniturinária (lesões do pênis e outras localizações);
9. Histoplasmose dos ossos e das articulações.
A histoplasmose disseminada ocorre geralmente em pacientes
imunodeprimidos, muitas vezes associada à tuberculose.
O solo é seu habitat natural, principalmente aqueles ricos em dejetos de
pássaros e morcegos. O fungo pode ser encontrado em locais como cavernas, árvores
de pernoite, ocos de árvores, galinheiros, minas, caixas d'água, construções velhas
abandonadas, porões e forros de casas.

Epidemiologia
Histoplasma capsulatum é de distribuição cosmopolita, e ocorre em solos com
vegetais em decomposição e principalmente em solos ricos em dejetos de aves e
morcegos. São frequentes relatos de microepidemias em grupos de indivíduos que
visitam grutas habitadas por morcegos ou em contato com galinheiros, pombais e
casas desabitadas. Através de inquéritos epidemiológicos com histoplasmina, verifica-
se que as regiões de maior endemicidade se encontram nos Estados Unidos e em
alguns países da América do Sul. No Brasil, os inquéritos mostram resultados
variáveis, com valores médios em torno de 20% de positividade ao teste intradérmico
com histoplasmina. Embora a histoplasmose tenha sido considerada rara no Brasil,
atualmente tem aumentado o número de casos principalmente associados a pacientes
com síndrome de imunodeficiência adquirida (AIDS).

Aspectos imunológicos
A intradermorreação com histoplasmina tem pouco valor diagnóstico e é
utilizada apenas em inquéritos epidemiológicos. Quando positiva, apesar de
ocorrerem reações cruzadas com outros fungos como Blastomyces dermatitidis e
Paracoccidioides brasiliensis, sugere infecção pregressa ou presente. Os anticorpos
podem ser detectados por testes imunológicos de fixação do complemento,
imunodifusão em gel e contraimunoeletroforese.

Tratamento
A histoplasmose disseminada é tratada com anfotericina B. Como drogas
alternativas, cetoconazol e itraconazol podem também ser empregados.

Criptococose
Cryptoccocus é um gênero polifilético que inclui mais de 50 espécies.
Cryptococcus neoformas e Cryptococcus gattii são consideradas as únicas espécies
patogênicas para humanos, dentro deste gênero, pela capacidade de crescer a 37o
C. Outras espécies como C. albidus, C. laurentii e C. curvatus podem ocasionalmente
causar a infecções em humanos. Cryptococcus neoformans tem duas variedades, var.
grubii e var. neoformans e, dois sorotipos, que são capazes de recombinar e forma
um híbrido: C. neformans var grubii (sorotipo A) e C. neoformans var neoformans
(sorotipos D e A/D). A espécie C. gattii apresenta dois sorotipos, B e C. A fase sexual
ou teleomórfica de C. neoformans é Filobasidiella neoformans e a forma teleomórfica
de C. gattii é Filobasidiella bacillispora, considerados basidiomicetos. A doença
causada por estes fungos, a criptococose é uma infecção subaguda ou crônica, em
vida parasitária, isto é, nos tecidos, o micro-organismo aparece como célula
leveduriforme, capsulada e, algumas vezes, com brotamento. O fungo é inalado
atingindo como primeiro órgão os pulmões, com tropismo para o SNC, ocasionando
meningite criptocócica. A criptococose, como a candidíase, é uma das principais
infecções em pacientes com AIDS, apresentando alta morbidade e mortalidade.

Epidemiologia
A criptococose é de distribuição universal. Leveduras de C. neoformans tem
sido associadas a solo contendo fezes de pombos e de outras aves enquanto C. gattii
é encontrado principalmente associada a frutos, casco e folhas de eucalipto (E.
tereticornis e E. camaldulensis). C. gattii tem maior prevalência em áreas tropicais e
subtropicais da Austrália, África, Ásia, Califórnia (EUA) e América do Sul, mas, pode
ocorrer em zonas de clima temperadas. No México, Nova Guiné, Vancouver (Canadá)
esta variedade tem sido isolada ao carvalho. C. neoformans é de distribuição
universal. O isolamento do fungo no leite e de sucos de várias frutas já foi relatado. A
forma encontrada no meio ambiente é a capsulada, com diâmetro muito pequeno (<
1 µm), fato que favorece a sua penetração nos alvéolos pulmonares. O fungo pode
sobreviver em material dessecado por vários meses e até anos, de modo que diversos
substratos contaminados podem agir como fontes de infecção durante tempo
prolongado.

Aspectos imunológicos
O sorodiagnóstico da infecção por Cryptococcus neoformans tem recebido
muita atenção por parte dos pesquisadores. Por causa da natureza imunologicamente
inerte do polissacarídeo capsular, há pouca resposta humoral ou alérgica. A presença
do antígeno pode ser determinada pelo teste de aglutinação de partículas de látex,
sensibilizadas com anticorpos antiCryptococcus. A prova é específica, quando usada
com controles apropriados. Os testes de imunofluorescência indireta e de fixação do
complemento são empregados para verificar a presença de anticorpos. No entanto,
podem ocorrer falso-positivos ou falso-negativos.

Tratamento
As criptococoses do sistema nervoso central ou visceral são as formas mais
graves da micose. O êxito do tratamento está na dependência do diagnóstico precoce
e do estado geral do indivíduo. Anfotericina B tem sido empregada isoladamente ou
associada a 5-fluorcitosina. O fluconazol tem sido atualmente, empregado.
REFERÊNCIAS:

JAWETZ, E. et al. Microbiologia Médica, 21a ed., ed. Guanabara - Koogan,


2000.
LACAZ, Carlos da Silva, et al. Tratado de micologia médica Lacaz. 9. ed.
São Paulo, SP: Sarvier, 2009.
MORETTI, M. L. et al. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina
Tropical. Junho/2006
PEREIRA, A. G. T. Anotação da aula da Disciplina de Microbiologia e
Parasitologia. UNIVILLE. 14/11/2013
ALTHERTUM, Flávio, Microbiologia, 6ª ed. Atheneu – 2015.

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