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Cuidado – Sua Alma pode estar em Perigo - Apresentação

Os iníquos fazem um cerco aos íntegros

A rota de desagregação que separa o homem de D-us e assim estabelece a pior


espécie de caos — o caos ético-moral — pode iniciar-se logo no início dos anos
formativos do homem, que através da sua educação malformada, deixa por escapar
a fundamental necessidade de firmar sua crença sólida e inabalável em D-us tão
logo quanto possível em sua juventude.
A mente integrada é a mente focada, e o 'ponto central' do foco precisa ser D-us,
pois ao contrário, "o indivíduo nunca poderá chegar à verdade Divina”.
Deste modo, a pessoa pode facilmente postular noções ultrajantes que são
contrárias ao senso comum e às conclusões do pensar franco e honesto.
Mas, uma vez que nada restringe ou constrita o indivíduo, quem pode
possivelmente contradizê-lo?
Mais ainda, em sendo que nada o compele a fazer isso [ou seja, no cuidadoso
'cercar', por assim dizer, do seu pensamento] ele não investigará muito
profundamente nos seus pensamentos; ele ficará satisfeito com as conclusões
arbitrárias baseadas em suas primeiras reflexões superficiais.
Isso significa que o caos descrito é na verdade a permissão incontestável do
apóstata em afirmar qualquer tipo de convicção, mesmo que contraditória às suas
convicções anteriores, e assim facilitando sua oposição à qualquer formulação
verdadeira e que se fundamenta na Torá.
Com isso, e através de sua investigação experimentalista, tudo para si torna-se
somente algo que depende de sua vontade e orgulho no instante em que ela se
apresenta; fazendo com que sua realidade assuma um caráter lúdico e pragmático
de algo como um 'absolutismo subjetivista', onde nada exista em qualquer rigor
que não possa, em certo momento ou estado afetivo, ser sumariamente
desenraizado violentamente, para que em seu lugar possa se plantar assim um
'novo conhecimento', percepção, ou desejo individual, dito agora, certamente
"superior".
O caos, portanto, é este poder sem raiz e sem reconhecimento da origem Divina de
tudo, que aflige o mundo com tanta voracidade e expressão.
E um dos maiores exemplos deste caos é o "Espiritualismo Secular" e suas várias
representações, o qual professa que todo e qualquer caminho levam à união
espiritual do homem e D-us.
Isso significa que para estes ignorantes e tolos, qualquer coisa (objetos, textos,
rituais de várias religiões, etc.) pode e deve ser 'misturado', criando assim uma
"estrutura religiosa autônoma"; permitindo a estas pessoas "sentir" que assim se
aproximam do Divino (pois de acordo com estes cultos, seitas, etc., "sentir-se
espiritual" é suficiente e equivale ao avodát Hashém sagrado — o serviço de
devoção a D-us de maneira santificada.
Estas misturas que se formam e variam com a própria imaginação e desejo da
pessoa (ou de quem ela segue), embaralham aspectos físicos e espirituais
'absolutamente incongruentes', trazendo resultados no mundo físico e nos
espirituais nada menos do que devastadores, incorrendo assim nos difíceis decretos
divinos que recaem sobre este mundo.
Hoje em dia, uma das maiores representações dessas misturas altamente
perniciosas se dá através de absolutamente tudo que recebe o rótulo de "New Age"
— um nome 'codificado' da sítra áchra que, como uma máscara, oculta todo o mal
destas misturas que está por de trás e que é chamado de "todas as mesas estão
imundas, manchadas por vômito, e não há um lugar que esteja limpo".
Também é preciso notar outras representações deste mal através de pessoas e
supostos "centros espirituais" que apesar de conhecerem "algo" do caminho da
verdade, por razões de autobenefício e autoglorificação, 'esculpem' da verdade da
Tora uma outra — 'falsa e inferior'.
Estes líderes hereges (reformistas e conservadores, etc.) fazem isso para atingir
ganhos materiais em troca de oferecer aos incautos desesperados um caminho
"mais fácil", de atalhos infantis para o seu "crescimento" espiritual.
Eles agradam seu rebanho com suas palavras falsas.
Estes são chamados de 'falsos profetas', e sobre estes a Torá afirma: "Se um
profeta se levantar no meio de ti, ou sonhador, e te der um sinal do céu ou um
milagre da terra, e realizar-se o sinal ou o milagre de que te falou, e te disser:
'Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los!' — não obedecerás
às palavras daquele profeta ou daquele sonhador; porque o Eterno, vosso D-us, vos
está testando para saber se amais o Eterno, vosso D-us, com todo vosso coração e
com toda a vossa alma'''.
Gravíssimo também é quando a própria intimidade do pensamento de D-us, a
nossa santa Cabalá, é disseminada por óbvios hereges arrogantes.
Estes propõem uma suposta "autoajuda", mas que é completamente distante dos
caminhos e verdades de D-us.
Em suas misturas profanas, eles deformam e zombam da vida santificada que
demanda a Cabalá.
Repletos de erros na formulação de seus de conceitos "sábios" (pois 'nada' de fato
conhecem de Cabala), estes mestres hipócritas vivem vidas que contrariam
absolutamente a todos os princípios virtuosos da Torá e da Cabalá.
Estes chamados "especialistas" da sitra áchra (o lado do mal) propõem a `Cabalá
sem Cabalát Tora" (ou seja, a parte mística da Tora sem o 'recebimento' dela toda,
a saber, sem os mandamentos de D-us e o comprometimento com uma vida
virtuosa, recatada, e reta de acordo com as leis de D-us) — algo certamente vil,
indigno, e completamente desprovido de santidade.
Realmente um grande rebaixamento da santidade da Torá, sendo por estes ímpios
tratada como mero entretenimento e negócio popular lucrativo.
De fato, estes locais abundam hoje em dia, obtendo grande sucesso através da
complacência, preguiça, arrogância, e ignorância dos seus inúmeros adeptos
famosos e dos não tão famosos.
E aquele que é ligado às estas ideias corruptas é um que se 'curvará a outro deus'
o qual é vivificado pelas mentes e corações manchados de todos "que deixam a
Tora e louvam os ímpios''
E em resposta a estes ímpios, é vital declarar guerra e assim resgatar a "Princesa
Celestial", a Shechiná, que é mantida refém e é abusada nas mãos destes
impiedosos.
Se eles querem maltratar o que é santo, é preciso não se render a isso, como
muitos de nossos irmãos têm feito, a saber, cortando fora este braço da Tora.
Que D-us não permita isso nunca.
Pelo contrário, é tempo de pidión shivúyim ("resgate dos prisioneiros").
Assim, é preciso lutar contra estes malfeitores espirituais, e devolver o que é nosso
ao seu lugar santo.
A Cabalá não pode de forma alguma ser mantida nas mãos dos impuros cultistas e
hereges.
O lugar da Cabalá é e sempre foi no bojo do Judaísmo — aonde existir temor a
D-us.
E ao propósito de santificar o Nome de D-us no mundo restaurando a Cabala
verdadeira, legitimamente Judaica e absolutamente kashér, enquanto me for
possível e permitido pelos Céus, eu para isso continuarei a dedicar a minha vida e
obra.

Por: Rabino Avraham Chachamovits


Cuidado – Sua Alma pode estar em Perigo - Introdução

Aonde o conhecimento de D-us e Sua Torá pode ser adquirido sem preço ou taxa, o
fazer das ações corretas pela causa do Céu requer sim sacrifício e precisa ser pago
com o preço total. Caso contrário o que faz estes atos não é merecedor de trazer
para ele um espírito de santidade de cima [que expande sua consciência e o faz se
iluminar sobre o Divino]...
Aquele que deseja se remover do espírito da impureza [a iêtser hara] e subjugar
este espírito precisa estar preparado para pagar em retorno pelo realizar de seus
desejos seja o que for demandado.
Pois a iêtser hara tenta o coração com muitas coisas enganosas, para que assim
possa tomar residência nele.
Mas o espírito da santidade [que a pessoa precisa trabalhar para receber] não é
assim: ele demanda preço total e esforço verdadeiro: a purificação da pessoa e de
sua residência, a devoção do coração e alma, e mesmo assim a pessoa terá sorte
de ganhar e ter este espírito [que tanto o ajuda] e que nela tome residência.
Portanto, o indivíduo precisa ser cauteloso e andar reto de acordo com os caminhos
e veredas da retidão, tornando nem para a direita e nem para esquerda, pois se
não, mesmo que a pessoa tenha recebido este espírito, ele a deixará [e ela perderá
seu ganho de consciência], e aí será muito difícil de chamá-lo novamente.

- [Zohar 128a, Terumah]

Vivemos um momento espiritualmente dramático.


Por um lado, nunca tantos buscaram espiritualidade em todas as suas formas.
Por outro, o nível espiritual de nossa geração é muito baixo, devido aos efeitos
catastróficos da assimilação de nossos irmãos, do materialismo e imediatismo
gritantes, e do cavalgar do secularismo fundamentalista.
De fato e a fim de aplacarmos a praga da assimilação, infinitas maneiras e níveis
diferentes de ensinar a nossa Torá hoje são disponíveis a todo e qualquer judeu
que busca uma religação e elevação espiritual de acordo com a Sabedoria Divina.
A variedade de caminhos mostra também os inúmeros níveis de almas judias, ora
se satisfazendo com os assuntos mais literais da Torá, ora necessitando de histórias
de nossos justos, e assim por diante, cada um em um nível e grau particular.
Entretanto, muitos de nossos maiores sábios, e em particular o Ari"zal, o mestre
maior da Cabalá, afirmaram a necessidade vital e de fato, a 'obrigação' espiritual
para que os judeus estudem 'todos' os quatro níveis interpretativos da Torá.
Isto inclui a sua parte mais profunda, a mística judaica, conhecida como a Cabalá e
a Chassidut.
O nível profundo dos segredos da Torá, ou Sód, facilita e permite a união
verdadeira e íntima entre o judeu e D-us, e é a chave essencial para o advento do
Mashiach.
No entanto, e assim como previsto pelos sábios, com a difusão da mística judaica e
o conhecimento público destes assuntos, houve também desvios de nossa herança
judaica esplendorosa, seja por uma razão ou outra, mas igualmente capazes de
confundir o judeu e o não-judeu que segue o caminho dos Bnei Nôach, em seu
desejo de compreender as realidades espirituais da obra do Criador.
Portanto, se tornou um imperativo espiritual o resgatar apurado e confiável destes
assuntos unicamente judaicos.
Este resgate busca tanto a correção e limpeza das inúmeras ideias distorcidas e tão
imaturas sobre o misticismo judaico, assim como estende este mesmo braço
iluminado da Torá para todo aquele que busca crescimento espiritual honesto, com
compromisso e seriedade.
Hoje, mais do que nunca é absolutamente crucial revelar estes segredos, e de fato
"Nesta geração, nas tribulações da vinda do Mashiach, o Ari'’zal [e outros] diz que é
uma mitsvá, um mandamento sagrado, revelar a Torá oculta e os segredos
supernais; somente deste modo podemos remover os espinhos do jardim".
E como é sabido, o estudo da Cabalá pode verdadeiramente ajudar os corações
perdidos que encontrem afinal os seus caminhos de retorno a D-us, pois a
verdadeira origem e função da Cabalá é de inspirar a pessoa a mudar seus
caminhos e atitudes, e assim, colocá-la em contato direto com D-us, fomentando a
experiência do 'espanto e deslumbramento' das verdadeiras profundezas espirituais
da Torá.
Se a pessoa não altera o seu caminho em direção ao 'aumento de sua ligação com
D-us e no cumpri-mento de Suas Leis', então nada ela de fato 'recebeu' de seu
suposto aprendizado destes assuntos tão santos e que revelam a intimidade do
pensamento de D-us.
Pelo contrário, todo estudo destes assuntos sem comprometimento de uma vida
santificada de acordo, é falso e trata apenas de vaidade e arrogância, o que
contraria intrinsecamente toda a santa Torá.
Portanto, é fundamental entender que Cabalá significa "receber".
Assim, é importante receber na acepção mais íntima da palavra, significando
'transformar', e deste modo, evoluir.
Não existe evolução espiritual alguma sem verdadeiros esforços de submissão a
D-us e às Suas leis.
E ainda que o cumprimento destas leis judaicas seja assunto exclusivo dos judeus,
o caminho para crescimento espiritual não é exclusivamente para os judeus, pois
como está escrito: "Seja homem ou mulher, Judeu ou Gentio... todos podem
receber ruach hakódesh ['inspiração divina’], tudo de acordo com as ações do
indivíduo.
Assim, mesmo os gentios têm a 'obrigação', como uma das Shéva Mitsvót Shel Bnei
Nôach ("7 Leis de Noé”), de conhecer Hashém e de servi-Lo.
E é com a intenção de expandir a consciência sobre a realidade maior de Hashem,
reforçando os valores da Torá e das mitsvót, e da importância de se viver uma vida
de acordo com a Halachá ("Lei"), que um ciclo de 6 palestras com temas vitais para
os Judeus e com grande pertinência aos Bnei Nôach é aqui publicado.
Transcritas por minha esposa — que revisou toda a obra — de gravações feitas ao
vivo nos meses de Adar I & II 5768, além da parashá Tazria-Metsora 5769, no
único Centro de Mística Judaica kashér do Brasil, o Beit Ari”zal
Inclui-se aqui pela primeira vez o livreto de Cabalá Ma'asít, Hashém Mach'sí, e a
transcrição de um shiur ("aula") realizado em Hoshaná Rabá 5770 que eu chamei
de "Flutuando".
Esta obra é fundamentada estritamente nos princípios da Cabalá e Chassidut, e
com grande ênfase na escola do meu mestre em espírito, o Ari”zal.
Esta obra é o meu apelo à consciência de meus irmãos do Bnei Israel: que
despertem do seu sono pesado, para garantirem que o seu ressuscitar futuro seja
abençoado, amém.
Por fim, acima de tudo agradeço a HaKadósh Baruch Hu por me permitir chegar até
aqui em todos os sentidos, pois Sua infinita misericórdia se faz muito revelada em
minha vida.
Também sou eternamente grato aos meus amados pais, a minha esposa, quem
sugeriu o conceito original e brilhante de difundir este ciclo especial de palestras
transcritas de forma pública.
Sou grato a ela por toda sua constante dedicação, apoio e paciência.
Sou grato também ao Rabino Shie Pasternak, quem sempre me apóia no meu
trabalho para a difusão da Tora no Brasil, bem como aos ilustres benfeitores,
verdadeiras "pernas da Torá' , os Srs. "R", Roberto L. Guttmann, Sergio Niski,
Ezequiel Glin, e 'A".
E eu sou muito grato ao amor de meus filhos.
Seja o Desejo Divino que, assim como tive o mérito de cumprir a mitsvá de Limúd
Torá que resultou nesta obra, feita com o desejo mais puro e sincero de difundir as
Suas palavras santas, possamos continuar e propiciar à nossa Comunidade Judaica
mais obras que ajudem os nossos queridos irmãos e irmãs a se aproximarem da
Torá e servirem a Hashém com alegria, apressando a vinda do Mashiach Tsidkênu,
amém.
Hosh Chodesh Iyar, 5768 (Yárzheit do Rabi Cheyzai Vital zt"i)

Por: Rabino Avraham Chachamovits


Cuidado – Sua alma pode estar em Perigo – Parte 1

Primeira Palestra - 6 de Adar I, 5768 (11 de Fevereiro, 2008)

Recentemente falávamos muito sobre influências angelicais e as coisas negativas


que estas podem causar nas pessoas, tudo de acordo com os seus
comportamentos.
Falamos sobre o caos psicológico do mundo e sua relação com o espiritual, etc.
De fato, tenho trazido estes vários assuntos complexos como uma continuação das
diversas abordagens do assunto central — tão longo e profundo — que trata dos
anjos e sua participação ativa no mundo.
Eu gostaria de elucidar melhor este assunto sobre o efeito negativo causado pelo
possível controle destas forças espirituais na vida das pessoas.
Até porque é importante poder sempre ganhar maior lucidez para identificar as
coisas, muitas vezes inexplicáveis, que podem estar ocorrendo na vida da pessoa,
mas que ela, possivelmente, não consegue entender seu significado ou como lidar
com suas percepções.
Daí a importância muito grande de nós penetrarmos um pouco nesse "véu" da
realidade, em geral desconhecido pela grande maioria.
E este 'desconhecimento' faz com que a pessoa se torne, vamos dizer assim, uma
vítima potencial maior destas influências não positivas.
Se você vai a um local desconhecido, por instinto, você e as pessoas em geral se
tornam cuidadosas com quem elas vão falar neste local, o que elas vão dizer etc.,
porque afinal das contas, elas não sabem onde estão se envolvendo.
Vemos isso até em coisas muito mundanas:
você começa seu trabalho novo em uma empresa, então você não vai sair
"esbanjando" personalidade; falando para todo mundo o que você pensa.
Não.
Você vai tomar certos cuidados para ser, digamos, modesto na sua expressão —
para evitar atrair atenção de coisas que você não gostaria de atrair a atenção,
certo?
No grau espiritual é 'exatamente' a mesma coisa, como em um reflexo preciso
destes assuntos que ocorrem no grau físico da realidade.
De fato, a pessoa precisa prestar muita atenção no efeito/impacto de suas ações
etc., podendo e devendo aprender como se cuidar para não se tornar um 'alvo
espiritual'.
Veja que existe uma série de comportamentos que a pessoa pode estar fazendo ou
deixando de fazer e que realmente podem favorecer ela de se tornar um alvo, por
assim dizer.
Quando estamos em uma multidão de pessoas, nós não queremos necessariamente
nos „destacar'; até porque não queremos chamar a atenção de um "bandido", não é
verdade?
A mesma coisa ocorre espiritualmente, dentro da nossa existência física.
Como existe este "elemento espiritual", ou seja, um domínio que constantemente e
dinamicamente "interage" com a nossa realidade, então não é bom chamarmos
muito a atenção (em geral), porque não sabemos a atenção do quê exatamente
nós estaremos chamando.
Daí o cuidado extremo que a pessoa precisa ter em viver a sua vida.
A maioria das pessoas não tem este cuidado no que tange o espiritual, e acabam
sendo de fato vitimadas por "coisas", questões espirituais, etc. que nós vamos falar
um pouquinho agora.
Em geral quando o problema já está instalado, elas tentam buscar "respostas"
frequentemente em lugares errados para identificação da problemática que estão
vivenciando.
Então você tem um problema porque você lida com um assunto que você não
conhece, não tem a consciência sobre a questão e acaba entregando o poder da
resposta (supostamente que viria da cura desse assunto) para alguém que conhece
menos ainda do que se está tratando naquele instante.
Isso é chamado o princípio do "cego guiando o cego".
Assim é o nosso mundo, o mundo aí fora repleto de dúvidas.
As pessoas que não são ligadas ao Caminho da Verdade, com a Torá de D-us,
vivem suas vidas exatamente dessa maneira: fazem vôos às cegas de sua vida
física e espiritual.
Pode até ser que em algum aspecto, por vezes, algo temporariamente dá
certo, mas muitas vezes não dá certo.
Quando dá certo é por que eles encontram uma série de explicações curiosas,
quando não dá certo, as explicações também são curiosas.
Não existem Verdades para as pessoas afastadas da Sabedoria Divina, apenas
existem opiniões.
Eu tinha citado recentemente em uma aula o livro de Daniel, uma das Escrituras do
Tanach, e que é muito interessante, pois aborda muitos destes assuntos esotéricos
sobre os Írim (“Anjos Guardiões").
Quando lemos em Daniel sobre a interação angelical destes Ìrim [Daniel 4:14. 12
Ibid., final] com o rei Babilônico Nebuchanetser (que é traduzido como
Nabucodonosor), quem destruiu o Templo Sagrado, etc., aprendemos que a
interação angelical o deixou muito afetado, verdadeiramente em um estado de
psicose.
Apesar de você poder falar: "Bom, mas isso é 'um' caso e não algo geral".
Sim é verdade, mas é um caso trazido nas Escrituras Sagradas.
Ou seja, assumimos isso como um caso que é um 'protótipo' daquilo que ocorre em
geral.
E de fato, este rei Babilônico era um homem de poder, um homem que foi o
instrumento inclusive da destruição do Templo Sagrado em Jerusalém.
E ele precisou lidar com estes difíceis assuntos espirituais — da interação com anjos
que "bombardearam" ele de tal maneira que ele eventualmente enlouqueceu.
Na verdade foi uma espécie de punição pelos seus comportamentos não retificados.
É verdade que tudo que estou falando demanda muita fé, por que afinal das contas,
o ser humano não enxerga nada disso com os "olhos da carne".
Mas ele pode sim crer através da nossa herança de conhecimento recebida desde o
Sinai, ou até antes mesmo, pois os assuntos sobre a Criação e os domínios
espirituais e toda sua interação eram conhecidos muito antes da outorga da Torá há
mais de 3.300 anos.
O patriarca Abraão deixou isto claro no seu Séfer Yetsirah ("Livro da Formação").
Enfim, até antes disso alguns poucos conheciam as verdades espirituais.
De fato, sabemos que Adam HaRishon, o primeiro homem, também detinha estes
conhecimentos que foram passados a ele pelos anjos
Em cada geração, estes segredos da Criação sempre existiram através daqueles
que os transmitiram.
O homem na sua tolice e baixeza muitas vezes, e hoje principalmente, ignora tudo
isso.
Acha que é "história para dormir".
Tudo bem.
Aí as coisas acontecem na vida da pessoa e ela não consegue entender os porquês,
e talvez pare até de perguntá-los, o que, aliás, faz parte da síndrome.
A pessoa se torna tão indiferente que ela se torna verdadeiramente apática a ela
mesma.
Ela nega a sua própria existência.
Isto corre não em um ato de bitul, de „auto anulação espiritual', mas sim por um
'profundo bloqueio espiritual', por uma klipah ("casca") muito pesada.
Esta klipah é uma força espiritual.
Ela afeta todo o mundo físico, absolutamente tudo.
Portanto, a pessoa precisa tomar muito cuidado como ela está lidando com essas
forças espirituais, com esta klipah.
Em geral, ela é chamada klipah nogah — uma "força espiritual" que oculta a luz de
D-us no mundo, mas que agora nós não vamos estudá-la.
Em outra aula explicarei seu funcionamento exato.
Mas o ponto é que, as forças negativas têm como objetivo derrubar o homem
através daquilo que, em termos contemporâneos, afirmar-se-ia como causando a
pessoa de ficar adoentada, depressiva, com dificuldades financeiras, etc.
Os sintomas são inúmeros, mas o cerne disso é que, o objetivo das forças
negativas é 'sugar a vitalidade espiritual da pessoa'.
Obviamente, para que estas forças possam fazer isso elas precisam que a pessoa
realize atos que sejam propícios a que a pessoa se torne, agora sim, uma "vítima
espiritual".
Ou seja, que ela possa, literalmente, nutrir verdadeiramente estes elementos
negativos, porque eles não conseguem necessariamente se nutrir simplesmente por
existir — eles precisam de "ajuda", por assim dizer.
Veja bem, esta vitalidade que estas forças negativas tanto buscam depende
'intrinsecamente dos atos do homem', porque o poder (ou força-vital) para cada ato
do homem — ou mulher, não importa, homem é no sentido genérico — que a
pessoa se utiliza para os seus atos, suas decisões, suas emoções e pensamentos,
seus comportamentos no mundo, este poder é uma força física e espiritual.
Não é um "poder abstrato".
É sim uma verdadeira força.
Se eu levantar um objeto, eu estou exercendo um poder, eu estou usando de uma
vitalidade do meu corpo e vontade.
Este meu corpo tem pele, tem tendões, tem músculos, mas ele tem sangue.
É através do sangue que é vitalizado o ser humano, certo?
O sangue percorre todo o espaço físico englobado pela pele, que é nosso maior
órgão.
Todo este sangue, portanto é o "agente" fundamental para nós conseguirmos
exercer qualquer espécie de função vital com o corpo.
Até aí acho que não há discussões.
Entretanto, assim como já explicado, a lei espiritual da Torá nos ensina que, "a
néfesh está no sangue'''.
Ou seja, a alma vitalizadora do nosso corpo, que é de fato o "aspecto espiritual"
mais baixo do homem está 'no sangue'.
Portanto, segue a lógica que, toda a vitalidade que eu aplicar, que eu utilizar,
provém e se relaciona com este espírito — o grau mais baixo da alma, que é
chamada de néfesh.
Só que a origem espiritual da néfesh não é na santidade.
Ela tem sua origem espiritual na klipah nogah.
Isto quer dizer que, devido a sua origem espiritual, esta é uma força (espiritual)
que dependendo de como você se comporta, na maneira que esta força vital que
está no sangue for usada, ela poderá 'ascender para a santidade' (e assim
espiritualmente elevar o homem através disso), ou descender para os níveis das
klipót, os níveis mais baixos espirituais, os níveis que são verdadeiramente
inferiores e negativos, ligando o homem a isso.
Tudo depende de seus atos, falas, e pensamentos.
Entenda isso bem.
Assim, no momento que você usa sua 'vitalidade', o seu sangue/néfesh, que tem a
capacidade intrínseca da vitalidade para permitir o corpo de exercer coisas que
podem transgredir a lei espiritual que se aplica a você (pois existem diferenças da
aplicação da lei da Torá para judeus e não judeus), naquele instante é como se
acendesse um "neon espiritual" na pessoa — e ela se torna agora um 'alvo
reluzente das forças negativas' que afinal buscam sugar a vitalidade, esta néfesh, a
qual se torna disponível para elas 'somente' quando a pessoa corrompe aspectos da
sua alma através do mau uso desta sua vitalidade — através dos seus
pensamentos, falas, e ações inapropriadas.
Então vou usar o exemplo que sempre uso porque é muito forte: um judeu tem a
obrigação de comer comida kashér, porque kashér significa que é uma comida
(espiritualmente) "solta" — ela é permitida para o judeu, para 'alma judia'.
Estou dizendo que espiritualmente, o tipo de alimento e a maneira como este foi
preparado etc. tem uma capacidade e função físico-espiritual particulares no grupo
de almas chamado Bnei Israel ("Filhos de Israel').
A alma judia precisa e assimila este alimento de uma maneira apropriada, positiva.
Muito bem.
Aí vem um judeu e come uma comida que não é permitida para ele, uma comida
assúr, ela é "presa".
Por que ela é presa?
Pois para uma alma judia, este alimento não tem como ser 'elevado para a
santidade'.
O quê quer dizer não ter como ser elevado para santidade?
A força vital dessa comida não ascende espiritualmente.
E o que quer dizer a força vital dessa comida?
Bem, a comida não vira sangue?
Então, o sangue não vai sustentar todos os movimentos do seu corpo?
Em algum momento você não vai fazer coisas da vida?
Talvez você até faça boas ações etc., só que neste caso você foi alimentado com
um "combustível" espiritualmente incompatível com sua alma.
Ou seja, mesmo que você faça ações corretas e dignas, como o alimento é
incorreto, a força vital que atua no seu corpo e que foi utilizada para o ato correto
(e até mesmo no estudo de Tora), esta força vital 'não' é elevada espiritualmente
— ela fica assár.
Assár quer dizer presa.
Não tem como fazer uma elevação por que a força espiritual que sustenta estes
'alimentos impuros' (não kashér) para um judeu, a sua raiz espiritual está nas "3
klipót totalmente impuras que não podem ser elevadas", a saber, "cascas
espirituais" que não conseguem, não podem, não tem como serem elevadas para a
santidade, e, portanto a força espiritual destes alimentos não kashér fica 'presa'
neste domínio negativo das klipót, o domínio também chamado de sitra áchra
(significando, o "outro lado" que não o da santidade, ou seja, o lado da profanação,
literalmente, do mal).
Isso somente mudará na vinda de Mashiach, assim como anuncia o navi
("profeta"): "quando todo o espírito de impureza será expurgado do mundo”.
Este é o tempo por vir quando a força espiritual destes alimentos impuros (agora
vou usar outro termo místico), quando as "Fagulhas Divinas" presas na comida
tarêf ou trêif ("não kasher”) e, portanto intrinsecamente ligadas a estas "cascas
espirituais", serão liberadas, redimidas.
Mas por hora, 'todo' o alimento não kashér que um judeu come acaba somente
dando poder para a sitra áchra, o lado negativo, que D-us não permita.
Um homem comum, um judeu, não tem força espiritual para remover e liberar as
fagulhas Divinas presas nas 3 klipót totalmente impuras (a origem espiritual da
comida não apropriada para um judeu) — um grau espiritual muito rebaixado.
Mesmo um tsadic ("justo e santo") não tem força para isso.
Aí você fala: "E daí?
E daí?
Está muito bom, então eu não vou elevar a comida alguma.
Qual o grande problema?
Que me importa tudo isso?".
Temos mais alguns problemas: o primeiro deles é que para um membro do Bnei
Israel, comer trêif é uma transgressão (leia, desalinhamento) da sua origem
espiritual judaica.
Eu poderia dar outros exemplos destes "desalinhamentos espirituais"
Eu estou dando este exemplo do kashér por que todo mundo precisa comer todos
os dias, então é um exemplo bom de usar por que ele é muito real, este é muito
forte e constante.
O segundo problema é que, quando o judeu come trêif, ele não está cumprindo o
seu papel espiritual que é o da elevação justamente desta sua vitalidade (néfesh)
para a santidade.
Entenda isso bem: 'elevação espiritual' é o papel espiritual judaico, de sua
verdadeira herança e função no mundo.
Terceiro: assim como está escrito na Torá, estes alimentos não kashér são
proibidos para você', pois fazem mal a sua alma.
Além disso, como a néfesh está no sangue' e o sangue é que permite todas as suas
ações físicas etc., mesmo que você cumpra as mitsvát ("mandamentos") da Torá e
ainda faça atos meritórios e virtuosos (em seguida com o poder físico-espiritual que
você obteve pelo consumo destas comidas proibidas), a sua força-vital/néfesh bem
como as fagulhas divinas presas neste tipo de alimento 'não' serão elevadas, como
já explicado.
[Existe uma exceção: a mitsvá de picúach néfesh, o caso de uma pessoa precisar
salvar uma vida. Isso é uma exceção haláchica, ou seja, pela lei Judaica, mas que
não será tratada aqui neste texto.]
Enfim, além de você não conseguir realizar estas elevações espirituais, uma 'função
do propósito espiritual da vida Judaica', além de você estar em transgressão de
acordo com a sua origem espiritual — assim você nasceu, D-us quis que você
nascesse neste grupo — tem ainda mais outra coisa muito importante que agora
juntarei com o que eu iniciei falando em nossa aula.
Esta comida/alimento impurifica, mancha e obstaculariza a luz Divina na sua alma.
De modo simplificado, este alimento "atrapalha", por assim dizer, o fluxo Divino de
bênçãos na sua vida, deixando você mais "escuro" espiritualmente falando.
Ele faz uma "marca" em você.
Idealmente, metaforicamente, a pessoa deveria ter uma "alma branca", vamos usar
uma metáfora: limpa, limpa de pecados, é uma linguagem conhecida.
Quando a pessoa transgride dessa maneira esta ou outra lei (eu poderia fazer esse
mesmo discurso sobre vários outros casos, apenas escolhi este da transgressão
com alimentos proibidos), o que verdadeiramente acontece?
Ela mancha a alma de tal maneira que, voltando para o assunto original, para estas
entidades negativas a mancha se torna o quê?
Um 'sinal'.
"Ah! Lá está minha fonte de alimento".
A pessoa acabou de se abrir para toda a sorte de influências negativas.
Que dirá que fosse só essa transgressão que a pessoa cometesse.
O problema é que em geral quem faz uma transgressão normalmente vai fazer
possivelmente outras também, que D-us não permita.
Então você tem um efeito cumulativo de, vamos dizer assim, bloqueio da luz de
D-us na sua alma.
Portanto, você acaba fortificando o lado negativo "sem querer".
Claro, não é?
Por que se você está transgredindo leis que deixariam você mais próximo da sua
"função espiritual", e ao contrário, você está se tornando "comida espiritual" para
forças negativas, então você está servindo um propósito contrário daquilo que você
foi criado.
Você está se tornando alimento da força negativa.
O que quer dizer alimento das forças negativas?
Você está essencialmente 'nutrindo as forças negativas'.
Quer saber a verdade?
De acordo com a Cabalá, de acordo com nossos mestres, você agora é um agente
do mal, mesmo que sem saber.
É claro que seu amor próprio, sua iêtser hara encobre a transgressão.
Precisaria estudar o Iguéret HaTeshuvá, o terceiro livro do Tánya entre outros
tantos outros, para explicar um pouquinho como isso funciona, e que toda essa
"anestesia espiritual" que ocorre no coração da pessoa através da iêtser hara, da
má inclinação, faz com que ela fale: “Ah, está bom! Tudo bem vamos sair daqui
depois eu vejo o que eu vou fazer com esse assunto. É, não dou muita
importância".
E como é sabido, os nossos mestres trazem, se a pessoa visse, se ela pudesse não
ser tão tola e ver o resultado espiritual dessas ações, dessas transgressões, ou
seja, literalmente o "corte" que ocorre na sua conexão com D-us, ela jamais faria
isso.
Ela não teria coragem ou desejo para fazer isso.
Por isso que aprendemos que a função mais importante da iêtser hara, da
inclinação negativa, é a "anestesia espiritual"; para que você não se incomode com
seus atos de transgressão e se torne autocomplacente, se perdoando com
facilidade, se dê tapinhas nas costas: "É, eu não faço assim, mas eu faço outras
coisas boas" e assim por diante.
Tudo bem, só que na aula de hoje a ideia é entrar no assunto de como você se
torna um prato, uma "refeição" muito apropriada para as forças negativas que
buscam exatamente isso — por que elas precisam se nutrir.
Tudo isso se torna claro principalmente quando você conhece um pouco mais como
funciona esta hierarquia espiritual.
Veja bem, existem uma série de elementos negativos, como eu já andei explicando
durante muito tempo, ruchót, bnei elokim, toda classe de malachim ("anjos")
diferentes inclusive malachim de Asiyah, os quais vivem no 'nosso nível' e estão
muito próximos de nós.
Eles não nos vêem, em geral sob o ponto de vista físico, e vice-versa por que nós
temos "frequências" diferentes, um problema de "espectro de luz (espiritual)",
poderíamos dizer metaforicamente.
Mas o fato é que certas ações nossas, como eu tentei explicar, 'atraem' elementos
espirituais como se colocassem uma marca, um farol, um néon na pessoa, e que é
"espiritualmente visível".
A pessoa se torna aberta e assim sujeita a estes tipos de forças estranhas.
Claro que alguém poderia falar: "Está bom, e o que pode realmente acontecer?".
Aí, temos um assunto de uma vida inteira.
Obviamente pode acontecer desde o extremo de alguma coisa a outra, significando
que uma pessoa pode chegar a desenraizar a sua alma, chaz ve'shalom, e se tornar
um "vazio espiritual" — um corpo sem alma, e nesse "espaço", D-us sabe lá o que
pode se instalar.
Este é um assunto que tem a ver com a parashá Tetsave.
O tema da raiva é um bom exemplo.
Nós falamos de comida kashér para os judeus.
Vamos usar agora o exemplo da raiva.
Este sentimento, os sábios avisam, é equiparado à idolatria.
Por quê?
Pois quando uma pessoa sente raiva, em um nível mais simples, o que ela está
dizendo?
"Eu não aceito a situação da maneira que ela está se mostrando para mim". Uma
pessoa que não aceita nada que ela não controle, não aceita os desígnios de D-us.
"Eu não aceito essa realidade, eu não aceito essa situação!".
Então naquele momento ela está se comportando de fato como um idólatra.
Uma pessoa que teme a D-us, que ama a D-us sabe que Gam zu le'tová, que tudo
que vem, vem para o bem.
Nós podemos até não entender os desígnios de D-us, mas tudo vai vir para o bem,
e no fim vai ficar tudo claro e tudo bem se D-us quiser.
Mas misticamente, uma pessoa que tem raiva, fúria, e suas variações, ela
desenraiza — uma coisa pesadíssima — ela remove de si a sua alma.
E ao remover de si ela se torna desalmada na sua fúria, e esse "buraco espiritual",
por assim dizer, implica num kli, em um 'recipiente' propício para a "invasão" de
forças negativas.
A pessoa se torna agora como algo vazio e físico, podendo receber espiritualmente
alguma "coisa".
Isto remete à imagem de um altar.
Assim, através da sua raiva ela se torna como um altar para a avodah zarah
("idolatria"), chaz ve'shalom ("D-us não permita").
Por isso nossos sábios trazem na santa Cabala que é "proibido olhar para uma
pessoa que está em fúria”, que está com raiva.
Para que seus olhos, que são afinal das contas um contato tão íntimo com a
realidade e que trazem informação para sua alma, não tenham que ver um
desalmado — algo que nada mais é do que um recipiente para as forças negativas.
Saibam vocês que de acordo com o santo Zohar, mesmo depois da raiva a alma
não necessariamente volta.
Os sábios falam mais: o conhecimento de Torá que a pessoa tem é perdido através
da raiva, principalmente para quem é estudioso de Torá, tendo portanto que tomar
muito cuidado com a raiva e suas manifestações.
Eu nem comecei a comentar que tipo de "sintomas", se é que podemos usar essa
palavra, que toda esta infiltração negativa pode acarretar na vida de uma pessoa.
Mas eu comentei um que é o mais geral e importante de todos: a `insensibilização
espiritual'.
O fato de que a pessoa age como um tolo e se acha sábio.
Querem coisa mais forte do que essa?
A pessoa se torna como o cachorro (que é uma klipah), e como diz o Rei Salomão,
que "vomita e torna ao seu vômito".
Isso é o tolo.
O tolo faz errado, debocha e faz mais erros, etc. e vão incorrendo nessas várias
iterações, estas contínuas repetições de seus erros, da sua ignorância.
Aí é claro que depende com quem você está lidando.
Se você tem várias pessoas na sua vida que trabalham nesta mesma "frequência",
ninguém vai apontar o dedo para o outro e dizer: "Você é que é um tolo!".
Este assunto é muito extenso, e tem mais coisas para serem faladas, mas vou
deixar para nosso próximo encontro.
Importante é buscar sensibilizar vocês sobre a influência do domínio espiritual em
nossas vidas como não sendo algo abstrato, mas sim, de algo de grande e grave
proximidade.
E se D-us quiser nos nossos próximos encontros nós vamos continuar explicando
um pouquinho mais e ajudar vocês a lidar com essas coisas tão especiais.

Continua
Cuidado – Sua alma pode estar em Perigo – Parte 2

Segunda Palestra - 20 de Adar I, 5768 (25 de Fevereiro, 2008)

Nós falávamos recentemente sobre a problemática de se abrir espiritualmente para


as forças negativas.
Eu trouxe um exemplo forte, apesar de não ser o único exemplo aplicável, sobre a
questão da comida que a pessoa ingere, o poder vital que é derivado desses
nutrientes e que levam a pessoa a usar esse poder (isso se a comida for kasher)
para cumprir o desejo de D-us ou para transgredi-lo.
[O exemplo aqui traz o assunto da palestra sob a perspectiva da transgressão de
ingerir alimentos não kashér, algo aplicável somente aos Judeus.
No entanto, toda e qualquer' transgressão das leis da Torá tem o mesmo resultado!
Isso vale também para os Bnei Nôach, que têm as 7 Leis de Nôach e suas
ramificações.]
Expliquei como as forças negativas, o lado negativo chamado Sitra Áchra,
literalmente os elementos espirituais que são conectados com esse lado negativo
ficam "caçando" de uma maneira oportunista, por assim dizer (ou apenas tem sua
atenção chamada por) pessoas que se abrem através das suas transgressões- das
leis de D-us.
Veja bem, a "leitura" feita (dos vários aspectos da alma) por certas entidades
espirituais — quando uma pessoa transgride aqui as leis espirituais da Torá —
revela algo como uma transformação, verdadeiramente, uma mudança de
"frequência na alma" que faz com que esta pessoa se torne então um "alvo
espiritual" para estas forças negativas.
Elas tem vários nomes, e eu vou introduzir mais um; talvez eu não tenha falado
anteriormente, mas elas são conhecidas também como Mazikim — forças que
servem somente para atrapalhar as 'suas' vidas.
É complicado.
O fato é que "não há sobre a terra alguém tão correto que só faça o bem e não
peque jamais" [Eclesiastes 7:20. 23.].
Por mais elevada que a pessoa seja, ela vive dentro de um corpo, e qualquer coisa
errada pode ser sim considerada uma transgressão da lei (que precisa ser estudada
para ser cumprida), o suficiente não só para que haja algum tipo de alteração
dessa "frequência espiritual" — o que basta para chamar a atenção destas
entidades, haja visto que do ponto de vista delas, nós somos como "gado", por
assim dizer.
Note que um elemento desse "gado", ou seja, nós mesmos, inclusive pode chamar
mais a atenção do que outro etc.
Afinal, metaforicamente temos uma vaquinha maior, uma menor, um faz uma
transgressão muito ínfima e não vai chamar tanta atenção, já outro faz uma coisa
de uma maneira voluntariosa, intencional, e assim, vai chamar muita atenção, pois
o valor espiritual das ações neste mundo é conectado também com a kavaná
("intenção") da pessoa.
Por isso que os pecados mais graves, as transgressões da Torá mais graves são
aquelas deliberadas — aquelas que a pessoa fala: "Eu vou fazer, sabe por quê? Por
que eu quero!".
Esta "postura" arrogante aumenta muito a gravidade da transgressão.
Existem vários graus, como em tudo que temos estudado.
Tudo é hierárquico, tanto no domínio físico como no espiritual, pois um espelha o
outro.
Existem graus e níveis para absolutamente tudo.
Assim como nos acertos: a pessoa vai e faz uma mitsvá, seja ela qual for.
Tudo bem, a pessoa está cumprindo uma mitsvá, mas ela pode cumprir esta mitsvá
com mais kavaná, com mais intenção de servir a D-us.
Saiba que o universo é movido por intenções.
Lembre-se que a Criação veio através do 'Desejo Divino'.
Ele quis.
Não precisou mais do que isso.
A diferença, como está escrito, é que "Os Meus pensamentos não são os seus
pensamentos” [Isaías 55:8].
Ou seja, Hashém deseja algo, a coisa já é realidade.
E nós não possuímos este poder.
Voltando, o fato é que estas "aberturas espirituais" não só ocorrem, como ocorrem
com frequência para qualquer um que se rebaixa espiritualmente.
Elas tem história por trás, como será explicado adiante se D-us quiser.
Eu queria falar um pouco sobre a maneira que estas aberturas facilitam as forças
negativas de agirem sobre a pessoa.
Quando alguém comete uma transgressão de uma lei espiritual, o que a expõe
espiritualmente de uma maneira negativa — e por hora, omito os detalhes, pois
quero trabalhar mais nos conceitos — ela se torna um 'alvo' destas influências
ruins, que D-us não permita.
E certamente, deve existir um modo que isso se manifesta na vida da pessoa.
Vocês precisam entender que antes de qualquer coisa, no domínio espiritual tudo
ocorre à parte, no sentido de não precisar de uma manifestação física, enquanto ao
mesmo tempo, espelhando o físico como já mencionei.
O que quer dizer isso?
As forças espirituais operam na mesma frequência que a nossa mente.
A mente, que é um aspecto (ou "vestimenta") da alma, é aquele aspecto etéreo,
espiritual que convive, que existe em fusão com o corpo no sentido mais abstrato e
elevado.
A sua mente está no mesmo "canal espiritual" que todo o domínio espiritual, por
assim dizer.
Imagine que você é uma espécie de hacker espiritual.
Então você abriu a sua antena e tem outro (hacker) que está mexendo em um
equipamento e consegue perceber a imagem que está chegando à sua casa, a
saber, no seu corpo.
O que ele faz agora?
Ele "sintoniza" nessa imagem para que ele possa controlá-la.
Veja bem, tudo que existe precisa de vitalidade, precisa viver.
O lado negativo — não quero entrar muito nesses detalhes — também é vitalizado
por D-us.
Por que se não fosse assim, não existiria o Mal, que afinal é uma criação d'Ele.
E se o Mal não existisse, não existiria o livre-arbítrio, etc.
Tudo bem, mas o fato é que, "os perversos estão sempre ao redor dos justos"
[Salmo 37:32].
Isso é uma metáfora dos Salmos para explicar que o lado negativo está sempre
tentando sugar da santidade, daquilo que "sobrar", dos restos santos, do que for.
E de fato, quanto mais, melhor.
Então qual é o aspecto que existe dentro de você que é, vamos dizer assim, um
elemento que poderia servir de "alimento espiritual" para essas entidades
negativas?
A resposta é a sua néfesh, ou seja, a sua alma vital — aquela que é investida no
sangue; aquela que anima seu corpo; aquela que vitaliza você da maneira que você
é.
A alma ou neshama (um outro aspecto da alma que eu estou me referindo quando
eu falo do poder mental) é um outro nível espiritual mais elevado.
Estou falando que existe uma alma, uma néfesh que é também um aspecto
espiritual da alma (como um todo).
Enfim, a alma tem diferentes categorias, etc., mas hoje não é o dia para explicar a
hierarquia espiritual das almas.
Continuando, a alma que está investida no seu corpo, aquela que eu expliquei que
é um poder Divino também, é a néfesh — um poder espiritual mais baixo que está
no seu sangue, e que tem a ver com o assunto que aquilo que você come se torna
em sangue, e depois como você usa os membros do seu corpo, os órgãos do seu
corpo, toda essa força espiritual que você faz ou vai para o lado da santidade ou vai
para o "outro lado" (sitra áchra).
Esta vitalidade vai ter que ser "resolvida" espiritualmente (ou ascende ou
descende).
Mas o fato é que o homem, o ser vivo, tem um elemento que é uma força vital, um
poder espiritual chamado de néfesh ou "alma animal", néfesh habahamit.
E estas forças negativas vêem nessa néfesh nada diferente do que talvez vocês
vejam num pedaço de carne, no sentido que é alimento puro — é o "alimento
espiritual" delas.
Entretanto, existe um problema: este alimento para o lado negativo só pode ser
oferecido quando existe "abertura espiritual".
E como é que acontece de existir uma abertura espiritual que favorece o lado
negativo?
Quando a pessoa transgride uma lei espiritual.
Esta é a dinâmica do universo a respeito deste assunto.
O quê acontece quando uma pessoa, usando uma linguagem bíblica, se profana, se
impurifica, se perde e cai espiritualmente?
Ela literalmente se abre, e muda seu "sinal" — a sua recepção e transmissão
espiritual — e dá um beep (eu estou trazendo uma linguagem bem simples para
vocês entenderem), 'atraindo a atenção' destas entidades que buscam a
sobrevivência não diferente de vocês, de nós, de todos.
E o quê acontece?
No momento em que a pessoa se abre para isso ela se torna possivelmente
"alimento espiritual" (ou seja, através desta néfesh, desta vitalidade) para essas
forças negativas.
Isso implica exatamente em quê?
Nos estudos mais profundos da Torá, a primeira coisa que aprendemos sobre essa
influência das forças negativas — trazendo na linguagem da Cabalá — das klipót, as
"cascas" que literalmente ocultam a força Divina no mundo, é que o ponto que elas
mais buscam dessa vitalidade já explicada (e lembre-se que a alma é a consciência
— em vez de falar alma eu poderia falar consciência, ou seja, o lado mais abstrato
do homem), enfim, o ponto mais particular, o "filé inignon" espiritual, por assim
dizer para essas forças negativas, é o ponto chamado da'at.
Da'at, que quer dizer entendimento (ou conhecimento), diferente de compreensão,
diferente de sabedoria, é um "ponto" muito suculento dessa energia vital desejada.
Porque entendimento significa um momento em que (a partir daí) a pessoa entende
algo intelectualmente e emocionalmente.
Da’at significa a união entre intelecto e emoção.
Talvez no popular, de uma maneira bem simples, é o que as pessoas costumam
dizer: "caiu uma ficha".
Isso é da'at.
É o momento em que existe um alinhamento entre intelecto e emoção; por que só
o intelecto sozinho é "frio" e as pessoas podem ter uma compreensão intelectual,
mas não estão sentindo nada ainda.
Agora, só o emocional, que é "quente", é muito subjetivo.
As emoções não têm uma capacidade objetiva de estabelecer e de compreender
realidades, elas são subjetivas.
Agora da'at é aquele momento, aquela capacidade, aquele poder da alma que nós
temos de alinhar, de permitir o alinhamento entre o seu aspecto emocional e seu
aspecto intelectual.
Um alinhamento que é muito poderoso.
Por que é poderoso?
Por que quando a pessoa alinha o emocional com o intelectual geralmente isso
implica em uma ação, e nós vivemos no mundo da ação.
Então no momento em que, por exemplo, a pessoa compreende e sente algo que
ela precisa fazer por que assim é o desejo de D-us, naquele momento ela é
motivada.
E o próximo efeito deste 'caminho de revelação' das emoções são as ações.
Primeiro ela teve o aspecto intelectual "preenchido", depois isso dá origem às
emoções que fazem com que ela prossiga para o nível de ações.
Naquele momento ela está impressionando no universo a influência espiritual dela:
"Estou fazendo uma ação positiva por que D-us mandou. Estudei Torá, e isto agora
está despertando emoções básicas e profundas de amor e temor a D-us, agora eu
preciso sair fazendo, a saber, cumprir as leis de D-us".
Mas o lado negativo não quer isso de forma alguma.
Qual é a função do lado negativo?
Sua função é a de que você não faça nada disso, que você resista, que você tenha
todas as razões do universo para garantir que você não faça isso.
É a conhecida parábola" sobre um rei que queria moralmente testar o caráter de
seu filho, e saber se ele estava pronto para saltos maiores, etc., e as variações do
tema.
Ele contrata uma prostituta para testá-lo.
Obviamente o rei quer que o filho tenha sucesso e resista à tentação.
A prostituta quer fazer a vontade do rei.
A bem da verdade, ela também deseja que o filho do rei tenha sucesso, mas ela é
chamada pelo rei.
Mas este é o Rei dos reis, e com Ele não se pode brincar!
Ela tenta aliciar o filho do rei para ver se ele vai resistir, para ver se ele vai ter
força espiritual.
No final ele tem, graças a D-us e existe uma felicidade em torno disso.
Eu estou simplificando, mas o ponto é que o lado negativo quer que você dê todos
os motivos e nomes do planeta, como por exemplo: conveniência, circunstâncias,
interesses, desejos, questões culturais, antropológicas, a "chuva ácida",
antropomórficas, literalmente 'qualquer' coisa (leia, "desculpas") para justificar que
de fato você, ou não deve, ou não quer, ou pior: não precisa cumprir o desejo de
D-us.
Que assim você afirme: isto não é necessário, está tudo bom como está, está tudo
bem não precisa fazer nada.
Então o quê acontece?
Voltando àquela questão de "alimentação", que é muito importante e pesada, no
momento em que a pessoa começa a se abrir, começa a transgredir essas leis e
'muda o sinal' — a frequência que está chegando, a "banda larga" dela espiritual
começa a sofrer algumas alterações; tem um hacker invadindo a banda e colocando
algumas informações que o seu firevall não conseguiu pegar.
Sua proteção no "computador" (ou seja, sua mente) não conseguiu segurar — você
está se tornando agora alimento para isso, alimento espiritual.
E como eu estava explicando o ponto primário, mais delicioso, mais querido pelo
lado negativo é esse ponto do séchel, que quer dizer intelecto, os poderes
intelectuais, esse ponto particular tão precioso chamado da'at.
É tão precioso que o Talmud fala que só existe uma única pobreza no mundo:
pobreza de da’at.
Traduzindo: a 'falta de entendimento'.
E o quê quer dizer isso?
O quê quer dizer não ter entendimento?
'Ah, eu não entendo como programar meu DVD", não, não é isso.
Aqui nós não estamos falando de coisas mundanas.
Aqui o entendimento tem a ver, sendo mais específico na linguagem da Torá, com
da'at elión, ou seja, o entendimento superior.
O quê é isso?
É o grau mental relativo às 'verdades espirituais' — as verdades da Torá que
sublinham a ilusão de toda a realidade.
E isto vem através do desenvolvimento das percepções da pessoa para as coisas
que transcendem o material, o óbvio, aquilo que é superficial.
Aqui nós estamos falando das coisas que não são normalmente reveladas, mas que
passam a ser mais na maneira e medida que a pessoa cresce na sua fé em D-us.
E é por isso que as klipót querem atacar este ponto; por isso o lado negativo busca
tanto o foco no nível de da'at.
Por que no minuto que este ponto se corromper, que a sua capacidade de
entendimento for adulterada, você vai continuar (e é tudo muito sutil) usando 'toda
a espécie de atributo intelectual e emocional' que você tem e usa para buscar
entender as coisas.
Mas agora sua mente estará ligada a um outro grau de consciência, um nível
bloqueado, desconectado do espiritual, e que te faz afirmar: "Hoje eu não estou a
fim de fazer isso que D-us quer de mim".
Você vai "seguir" sua própria mente, a qual você não percebe como estando
corrompida devido a essa força espiritual negativa.
A corrupção aqui não deixa impressões emocionais ou físicas, pois a anestesia
desta forças, como um inseto sugador de sangue que não deixa você perceber sua
atividade vampiresca, faz você não sentir e se importar de romper sua ligação com
D-us.
E como está escrito: "Foram vossas iniquidades que vos separaram de vosso D-us,
e vossas transgressões O fizeram ocultar de vós Sua face para que não Vos possa
ouvir'' [Isaías 59:2.].
Pelo contrário, assim como trazem os nossos sábios [Pirkêi Avót 4:2], a
recompensa de uma mitsvá é outra mitsvá, mas a "recompensa" de uma “averá”
(uma 'transgressão) é outra averá.
Ou seja, a pessoa transgride e fica mais fácil ela transgredir uma outra vez, e
depois de algum tempo ela nem vai mais achar que esteja transgredindo, como eu
já falei várias vezes aqui também.
É um processo muito lento, muito discreto, muito sutil, pois afinal, "na porta jaz o
pecado” [Gênesis 4:7] — querendo dizer, sempre à espreita de uma oportunidade
para "entrar".
Enfim, o relatado até aqui é uma das manifestações fundamentais da abertura da
pessoa para essas forças negativas e que ocorre através das transgressões das leis
da Torá, das leis espirituais do universo que Ele criou.
Só que não é a única.
O problema é que o entendimento não é algo, vamos dizer assim, estanque.
"Ah, está bom, eu não consigo acreditar, eu não consigo entender que existem
coisas acima do material. Eu não consigo ter fé, eu não consigo cumprir as coisas
que me pedem, que D-us está me pedindo na Tora”.
O problema é que além dessa dificuldade que gera mais dificuldade, quer dizer,
você facilmente entra em um ciclo vicioso, em um ciclo negativo aonde uma coisa
não positiva leva a outra não positiva, e depois para sair desse "buraco" espiritual é
difícil.
Além disso, existem outros efeitos colaterais conhecidos.
A falta de entendimento, agora eu vou usar uma outra nomenclatura, a falta de
iluminação, de luz Divina, tem implicações inclusive mundanas.
A pessoa pode mostrar a sua iluminação, e deve, através de sua sabedoria da Torá,
mas nas aplicações do dia-a-dia também você consegue perceber quem é mais
iluminado e quem é menos iluminado.
Isso inclusive se mostra nos erros grosseiros que podem acontecer em várias
facetas da vida.
As pessoas não têm percepção, e elas pecam por não perceber alguma coisa.
Existe uma ausência de capacidades ainda não desenvolvidas, e que na verdade
estão corrompidas.
Não é que elas somente deixarem de serem desenvolvidas, mas existe um
elemento de 'corrupção' dentro da sua consciência.
A pessoa fica com dificuldade de perceber as coisas — "passa batido", como
falamos comumente em uma linguagem mais simples.
E este é outro efeito colateral, pois a pessoa toma decisões erradas porque o
problema do da'at é que ele também é o cerne do processo decisório, do 'livre
arbítrio".
Então veja como a coisa é estratificada.
Não só você deixa de tomar a decisão certa que é se ligar a D-us da maneira que
Ele estabeleceu na Torá, mas você também acaba tomando decisões erradas até
naquilo que você achou que era importante e que, portanto é o foco da sua
atenção.
Por que mal você percebe que sua atenção está danificada, corrompida.
É por isso que até mesmo pessoas de "cabelos brancos" cometem tantos erros e
falam toda espécie de tolices — o seu da’at está comprometido, pois falta luz
espiritual.
Podemos ir mais adiante.
Existem outros efeitos colaterais.
Falamos da pessoa estar corrompendo a sua vida espiritual no olam hazé ("mundo
do aqui e agora"), e comprometendo o seu olam habá ("mundo vindouro").
Falei inclusive que a pessoa pode estar afetando várias de suas decisões do
dia-a-dia, até por que ela está com a sua percepção muito "nublada".
E se aumentar?
E se a coisa for ainda pior?
E se sua corrupção de consciência for ainda mais arraigada?
Onde vai parar isso?
Eu vou falar para vocês aonde vai parar.
Vai parar na maior crise espiritual que existe no mundo.
Qual é essa crise?
É a crise mais difícil de vocês acreditarem: a da proliferação das 'Doenças Mentais'.
Aqui a ideia não é 'se' qualquer um é desequilibrado, falando de uma maneira
simples, mas sim, qual é o 'grau'.
Por que qualquer coisa que não seja absolutamente prístina e imaculada, o que
verdadeiramente não existe no nosso mundo físico, já implica em alguma espécie e
grau de impureza.
Afinal, esta impureza pode ser justamente o diferencial entre um acerto e um erro.
Por exemplo, vemos o resultado de um grau de impureza mesmo em se tratando
de um verdadeiro gigante espiritual como Moshe Rabêinu, de abençoada memória.
A Torá relata que Hashém falou para Moshe, "Não aceitar o Érev Rav" [Zohar 191a,
Ki Tissá] quando o Povo de Israel e eles saíram do Egito — este foi o grupo (de
idólatras de vários povos) que acompanharam o momento extraordinário do êxodo
do cativeiro, mas que de fato, não estavam querendo saber de Mashiach (Moshe) e
D-us.
Veja bem, Moshe era para ser o Mashiach, o Redentor.
Ele foi sim o Mashiach daquela geração.
Toda a realidade do mundo deveria e poderia sim voltar ao nível do Gán Éden
("Jardim do Éden") e mais, por toda eternidade.
Literalmente, com o recebimento da Torá, a outorga do Ordenamento Divino
encerrar-se-ia todo o processo que se iniciou desde a queda espiritual de Adam.
E seria tudo resolvido e entrar-se-ia na era Messiânica — os Iemót HaMashiach
("Dias de Mashiach").
O quê os sábios explicam que Moshe falou?
Rashi, o comentarista da Torá, explica que Moshe alegou que, "Certamente essas
pessoas vão ver as Suas obras tão grandiosas no dia-a-dia, e vão querer sim se
converter da maneira correta etc.".
A experiência mostrou, haja visto a parashá Ki Tissá, que não foi nada disso que
aconteceu.
Foi um erro [Zohar 28b, Bereshit].
Hashem falou: 'Não é para pegar esta gente', mas Moshe falou que ia dar certo.
Aqui estamos falando de Moshe Rabêinu.
E como está escrito na última parashá da Torá, "nunca existiu nem Quiça existirá
um profeta do nível de Moshe” .
No entanto, houve aí um problema sério.
Tem a questão também de bater na pedra, mas isso é outro assunto.
Meu ponto é que este foi Moshe Rabêinu, quem falava 'diretamente' com D-us.
Mesmo Adam HaRishon, que tinha as 600.000 "almas-troncos", e que por um certo
tempo existiu em um grau espiritual tão alto que nem humano ele era, alguma
coisa aconteceu que ele deslizou, caiu e naquele momento se iniciou uma fase da
realidade que até hoje nós estamos vivenciando e tentando retificar.
Era para tudo ter terminado bem no Sinai, na Era Messiânica, mas não terminou
assim
Por quê?
Por que houve uma "repetição" do pecado de Adam paralelo à situação do mundo
no Gán Éden, a saber, o pecado do éguel házahav ("bezerro de ouro").
É a mesma coisa, essencialmente.
Mas como é a mesma coisa?
Como comer a "maçã" da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal é a mesma
coisa que fazer um deus na forma do bezerro de ouro?
Veja bem.
Os dois erros representam o pecado básico de avodah zarah ("idolatria").
O que é idolatria?
É não fazer o desejo de D-us, mas sim fazer o 'seu' desejo (se este contraria o
d'Ele).
Isto é idolatria na essência.
Hashém falou: "Não comerás o fruto da Árvore Proibida do Conhecimento do Bem e
do Mal por que no dia que comeres dela 'certamente morrerás".
Mas Adam se fixou no quê?
No 'conhecimento' e não no 'morrerás'.
Lamentavelmente, ele 'trocou conhecimento por vida'.
E a partir daí se deu início o assunto da morte no mundo, pois o espírito da morte
começou a agir aqui.
O anjo da morte, como é chamado, veio ao mundo, teve permissão de atuar desde
este exato momento.
Sim. Adam trocou as coisas.
Ele 'desejou' saber, e desejou também para isso, ignorar a instrução Divina.
Ele preferiu o 'conhecimento à vida'.
A mesma coisa aconteceu no chét, no pecado do bezerro de ouro.
Moshe "atrasou" um pouco no descer da montanha e alguns membros do povo
resolveram: "precisamos ter um deus mais simples, mais próximo de nós. Vamos
parar com esse assunto de Hashém [implicando no Nome Divino transcendental, no
D-us onipresente, onipotente, onisciente, invisível]".
Eles disseram: "Queremos um deus concreto".
Ou seja, ao invés deles se elevarem para merecerem um grau mais alto espiritual,
eles estavam dispostos e de fato aceitaram um nível inferior da manifestação
Divina, pois não precisariam fazer o esforço para se elevar.
Note que hoje também é assim para muitos.
Mas voltando, até então nesta fase do mundo, D-us era referido pelo seu Nome
Divino Elokim — um grau da manifestação Divina distinto do nível de Hashém.
Elokim é D-us "oculto" na natureza, lembrando que a guemátria ("valor numérico")
de Elokim é a mesma de HaTêva, que significa “A Natureza".
No início do relato Bíblico do êxodo do Egito, até mesmo o Faraó reconhece (ao
negar) esta maneira de se referir a D-us.
Ele diz: "Eu não conheço esse Elokim".
Mas se ligar a Hashém, o nível transcendental, infinito, absoluto de D-us, o nível do
Shemá Israel, aí alguns poucos dos nossos, influenciados pelos "estranhos" que se
juntaram ao Povo de Israel (o érev rav), já não tinham tanta certeza de crer
naquele momento.
Lembre-se que era um povo que apesar de ter visto todos os milagres do Egito ao
Sinai, viveram muito tempo em um mundo onde reinava a idolatria, onde sobre
cada aspecto da vida, criava-se um vil "deus inferior".
Vocês estão vendo que a doença mental, como eu estava dizendo, representa então
um estágio posterior, talvez simultâneo de tudo isso, das impurezas contraídas, da
corrupção do da’at.
Não quero ser acadêmico a respeito disso.
Estou apenas tentando trazer para vocês as diferentes dimensões desse assunto.
Então você tem a problemática de doença mental, e considerando a proliferação
extraordinária de doença mental de todas as espécies em quase todo mundo, eu
diria que o lado negativo está fazendo uma força muito grande.
Este hacketismo que "eles" estão fazendo na "banda larga", esta intromissão que
está ocorrendo para conseguir mais e mais vitalidade, está realmente muito forte.
A klipah do mundo só faz aumentar.
Nós vivemos em um mundo onde grande parte dele, como vocês sabem, não tem
nada a ver com D-us.
É um mundo 'secular', um mundo laico que quer saber só de cada um fazer o que
bem quer com 'total desrespeito e ignorância das leis espirituais’.
No nosso próximo encontro, se D-us quiser, nós vamos continuar neste tópico
difícil, falando um pouco mais como podem se manifestar estas doenças mentais e
vamos entrar também em outras considerações, se D-us quiser.

Continua
Cuidado – Sua alma pode estar em Perigo – Parte 3

Terceira Palestra - 27 de Adarl, 5768 (3 de Março, 2008)

Vamos continuar agora com o que temos falado sobre a "abertura espiritual" que
uma pessoa pode sofrer devido aos seus comportamentos inadequados.

Hoje eu quero ir além do que já falamos sobre estes assuntos.


Eu gostaria de explicar como realmente funciona este "mecanismo" de abertura
espiritual.
Apesar de que nas aulas anteriores relacionadas a este assunto nós já tratamos de
coisas muito intensas e profundas, é preciso ainda trazer alguns aspectos que não
foram revelados e que são realmente fundamentais para a pessoa crescer em sua
compreensão sobre o que resulta dos seus comportamentos, intenções e
pensamentos.
Eu começo fazendo a seguinte reflexão e pergunta: considerando como nós falamos
sobre a alma da pessoa, o aspecto espiritual (que não é físico obviamente) não
desaparece com a remoção do corpo, ou seja, a pessoa morre, mas sua alma
continua, ela perdura e ascende para outros níveis.
Muito bem, então com a partida do corpo, que significa a remoção do aspecto
espiritual (a alma) do físico, com o rompimento desta 'fusão' que existe (entre
corpo e alma) — e considerando que a alma pode ser chamada de nossa
'consciência', e é uma maneira correta que nos referimos à alma, a saber, a nossa
capacidade de ter consciência, e os diferentes graus serão tratados da maneira
específica quando chegar o momento certo — então, quando o corpo morre e agora
a alma não está mais investida no corpo, e esta consciência não mais reside em um
corpo físico, que forma essa consciência assume?
Sim, por que ela não deixa de existir.
Ela pode deixar de existir em um plano material, mas ela continua existindo - ela é
a alma da pessoa.
Então o que acontece?
Como nós explicamos isso?

Na verdade eu não preciso trazer o assunto do término do corpo, da vida deste


corpo na terra para explicar isto.
É apenas que eu estou usando de uma maneira mais forte para chamar a atenção a
este assunto que revela a união entre o espírito e a matéria.
Não precisamos ir tão longe, até por que a remoção da alma do seu contato com o
corpo através da morte é algo definitivo, até pelo menos o Techiat HaMetim, que é
a 'Ressurreição dos Mortos'.
Mas este já é um outro assunto que eu não abordarei hoje.

Vamos examinar estes assuntos à luz do conhecimento místico da Torá, a Cabala.

Muito bem, que "forma" teria a consciência se ela não tivesse um corpo?
E será que existe esta consciência em uma outra "espécie" de corpo, ou seja, no
domínio espiritual?
Esse é o tipo de coisas que nós precisamos entender para continuar nossa
caminhada nesses assuntos tão sublimes.
Na verdade, eu já mencionei isso anteriormente.
A nossa consciência existe sim em um outro âmbito — o "âmbito espiritual"
chamado de Haluká d'Rabanan ("Manto Rabínico").
Este é um termo em Aramaico de Cabalá para descrever algo que intuitivamente
vocês conheçam pelo termo "corpo astral".
Nós estamos começando a tratar de um assunto, sutil por que estamos falando de
uma "fisiologia" e uma "anatomia" que transcende aquilo que nós compreendemos
como sendo fisiologia e anatomia material, física.
No momento que eu falo que existe um "corpo astral" onde nossa consciência
habita, o "domínio da nossa consciência" de uma maneira que teríamos dificuldade
de estabelecer porque a coisa não é física, uma vez que não existem dimensões
físicas no domínio espiritual — então ao falecer, esta consciência, que é afinal um
'grau da alma', continua a perdurar neste domínio (mas não vamos entrar neste
nível agora).
O fato é que, nós estamos tratando de uma anatomia que transcende o
aspecto físico, e para que eu possa continuar explicando aquilo que eu já falei sobre
a pessoa se abrir espiritualmente para coisas não positivas, temos que entender um
pouco mais desta anatomia, desta fisiologia e como ela opera.
Quem sabe isso convence vocês de uma vez por todas a seguirem o caminho reto
da Tora.
Esta "anatomia espiritual" (parece uma contradição em termos, anatomia é algo
ligado ao corpo, mas é uma maneira de se expressar) estabelece que, durante
algum tempo a nossa alma, chamada de neshama, vai "ocupar" o corpo.
Enquanto a alma ocupa o corpo, faz parte da função dessa união entre a alma e o
corpo que a pessoa vai ter uma consciência — ela vai poder entender as coisas,
aprender, etc.
Na verdade a neshama representa uma consciência transcendental, o que eu quero
dizer com isso é que não necessariamente tudo dessa consciência nós temos
capacidade de alcançar.
Todos nós sabemos disso.
A pessoa vai, por exemplo, amadurecendo desde seu estado infantil e ela vai
expandido o acesso à sua consciência.
Uma criança de 7 anos apesar de ser a mesma alma que terá essa pessoa quando
tiver 70, ela obviamente tem um acesso de consciência, assim é esperado, superior
aos 70 do que aos 7.
A alma é a mesma.
O que mudou foi o corpo e o acesso que a pessoa teve a um estágio particular de
consciência.
Por isso é razoável dizer que essa consciência não é completamente "alcançada".
Ela tem estágios particulares que dependem de uma série de coisas que um pouco
disso nós vamos falar.
Muito bem.
No entanto é curioso por que o material do corpo é constituído, como é sabido, por
elementos que existem no universo como nós conhecemos.
O corpo não é feito de materiais "estranhos" ao universo.
A composição física do nosso corpo é baseada essencialmente no elemento
Carbono, assim como até onde se sabe, é também toda a matéria do universo
observável, revelado.
Mesmo que existam outras bases do que o Carbono, os elementos e a matéria por
eles constituída precisam obedecer às leis naturais do universo físico.
E mesmo no nível subatômico da matéria, as partículas são as mesmas em todo o
universo físico, ainda que os comportamentos destes elementos que "habitam" os
graus mais interiores da matéria não sejam totalmente conhecidos.
Até aí tudo bem, pois isto pode ser compreendido racionalmente.
Já a alma, além de transcender o "racional", não possui essas mesmas
característios do corpo, da matéria.
As qualidades da alma sob o ponto de vista de sua "constituição" pertencem a um
domínio que não tem nada a ver com o físico.
Estas qualidades não são originárias no nosso universo, da maneira como podemos
hoje entender.
Nós também já falamos disso no passado quando eu expliquei algo do assunto dos
Olamót ("mundos espirituais") — domínios ou planos dimensionais distintos, e seus
inúmeros sub níveis relativos chamados de "palácios".
Estes domínios se encontram em estágios gradualmente mais elevados de
existência, a saber, mais refinados e com as suas próprias leis naturais lá vigentes,
assim como as nossas leis naturais governam o universo físico, em que vivemos.
Enfim, a alma e todos os seus aspectos não pertencem ao domínio físico, e sua
energia não é identificável, ainda que seja sim de um 'tipo de energia'.
Isso é importante entender.

Agora, temos um problema existencial que é resolvido por D-us, mas que apenas
pode ser entendido por nós através das explicações da Cabala.
Veja bem.
Para que a neshama possa interagir com o corpo (e que afinal são de domínios
completamente diferentes) é necessário existir um 'meio', um 'intermediário' que
‘permita' esta conexão.
Isso é assim, pois a distinção destes domínios é tão extraordinária, tão além da
capacidade da maioria das pessoas de entenderem, que eu estou revelando para
vocês que de fato é necessário existir 'algo intermediário' que possa sim permitir de
alguma maneira que a neshama, esta "entidade espiritual", venha a se conectar ao
corpo.
Somente assim suas "funções" podem ser executadas, a saber, manifestar a
consciência no homem etc.
Esse 'algo intermediário' precisa garantir duas coisas: primeiro, que a neshama, a
alma, possa funcionar, possa se ligar a ponto de que ela vai poder fazer aquilo que
é sua missão que D-us ordenou.
Mais do que isso, de alguma maneira além dela "funcionar", eu estou usando uma
expressão mundana por que não temos outra maneira de explicar isso, esta
neshama precisa poder 'influenciar o corpo' e a alma animal também.
Esse é todo um outro assunto de como opera a batalha entre a iêtser hara e a
alma, etc., e toda uma questão da influência de qual delas vai "ganhar" — que atos
você vai acabar por decidir a fazer, "não positivos" ou alinhados de acordo com as
leis da Tora.
Mas o ponto é que existe a necessidade de influência da alma sobre o corpo e alma
animal; isso é um ordenamento Divino.
A alma precisa poder influenciar o corpo.
Isso faz parte da "arquitetura espiritual", por assim dizer, que D-us desenhou para
o mundo, para os homens.
Então o que faz a neshama?
Ela "habita" este Haluká d'Rabanan.
Na verdade o haluká, que é esse estágio espiritual da alma chamado de "corpo
astral", é um intermediário entre a alma propriamente dita (que é nossa
consciência mais elevada) e o corpo, a parte física do homem.
Existe a ideia desse corpo astral — apesar de ser chamado de um corpo, não é
corpo físico, é algo que de acordo com o aspecto místico da Tora faz lembrar, por
semelhança, um tipo de energia eletromagnética — ser um corpo que tem uma
"forma" particular.
No entanto, obviamente não é físico e também não está no nível da neshama; é
algo intermediário, servindo como mediador entre esse grau espiritual tão elevado
e o nosso corpo que é tão grosseiro, material.
Esta energia eletromagnética que estou me referindo, ou algo semelhante a isso
em descrição, nem é aquilo que chamado de 'energia vital' (néfesh) e que existe
em todo universo.
Isso que eu quero tentar sensibilizar vocês.
Por falta de palavras adequadas nós temos que estabelecer uma hierarquia de
energias para poder explicar a atuação da alma no corpo.
A energia vital (néfesh) é sim responsável pela animação do corpo permitindo que
ele literalmente se movimente e faça as coisas que precisa fazer naturalmente.
Mas se trata de um estágio ainda mais inferior do que esta energia
espiritual/eletromagnética que é o Haluká d'Rabanan, e que a Torá chama de
néfesh habahamit, ou néfesh.
A néfesh é isso.
É o espírito, o nível mais baixo da alma.
Acima desse nível existe o Haluká d'Rabanan, e um outro nome para ele é ruach —
um 'sopro divino', como aquele espírito que entrou nas narinas de Adam.
É um nível mais elevado energeticamente falando, e acima disso temos a neshama
que é a consciência transcendental propriamente dita, só para vocês entenderem
um pouco dessa hierarquia.
O ruach, portanto é o elemento que 'abriga' a consciência, e essa consciência tem
como função influenciar o corpo, e esse corpo tem uma força vital chamada néfesh.
Em chinês é Tchi, a conhecida 'força vital'.
Tudo que existe tem uma força vital, ela existe em tudo no universo.
Certamente nós percebemos isso em todas as criaturas.
Quando uma criatura expira significa que não existe mais a néfesh, esta alma
animal nessa criatura seja um inseto ou um homem.
Todos têm a néfesh, a 'fagulha divina', esse aspecto inferior da alma
energeticamente falando, chamado de néfesh ou néfesh habahamit porque significa
a 'alma animal'.
E de fato é aquela alma que vibra, por assim dizer, e faz o aspecto animal ter vida
e ser vitalizado continuamente pela benevolência Divina que a sustenta.
É difícil usar palavras que não sejam desta ordem.
Então o ruach, ou seja, o Haluká d'Rabanan é o meio que permite a conexão entre
a consciência (o aspecto mais elevado da alma) e a néfesh (o aspecto que vitaliza o
corpo).
Nós sabemos que, de fato, todo o universo, tudo que existe é mantido íntegro por
essa néfesh, por essa 'fagulha', por esse aspecto espiritual vital, essa força vital
extraordinária.
Existem forças naturais que também são aplicadas em tudo que existe.
Os corpos são sujeitos a variedades de forças eletromagnéticas, etc., mas existe
uma força vital que sustenta as criaturas e tudo que existe.
Na verdade, esta néfesh é uma força vital extremamente preciosa, claro é 'sua'
vida, literalmente a vida animal. Nós a protegemos muito, e evitamos fazer certas
coisas para que a sua função no corpo não "expire".
Nós precisamos dessa força.
Todos os animais têm um instinto de se proteger para poder viver, pois precisam
dessa néfesh, desta alma animal para que possam continuar vivendo.
Ela é sua força energética mais básica.
Esta néfesh é um bem de consumo — um "combustível espiritual", como
poderíamos dizer.
Não é nem pessoal e nem é consciente.
Ela não representa algo que nós temos consciência.
A força que faz com que seu coração bata, seu pulmão funcione e suas células se
reproduzam, esta força vital que faz tudo ocorrer e acontecer, não é algo que nós
temos consciência, pelo contrário, nós não temos e os animais menos ainda nesse
nível.
No entanto, absolutamente tudo que existe precisa deste alimento, deste
combustível, desta preciosa força vital.
Eu diria que a néfesh é como uma moeda universal — preciosa e "aceita" por todo
ser existente, pois afinal se trata exatamente da sua força vital, de sua
sobrevivência.
Portanto, poder-se-ia pensar que seria muito interessante alguém conseguir
adquirir mais dessa moeda (nós vamos chegar lá e falar sobre isso), não seria?
Por que se é a força vital que faz com que o senhor e a senhora estejam vivos, já
pensou adquirir mais desse produto, desta moeda tão valiosa?
Por isso aprendemos que aquele que tem muito desta força vital, desta néfesh, é
alguém ou algo que é muito forte e muito rico.
Isso é aludido diversas vezes na Torá em diferentes níveis.
A pessoa que é muito forte, que é muito rica nesse nível espiritual é alguém que
tem uma grande néfesh, tem uma grande força vital.
É comum falarmos sobre alguém que tenha muita força para fazer as coisas, que
ele tenha de fato 'muita vitalidade'.
É algo precioso.
É tudo aquilo que faz com que você consiga fazer os seus movimentos, aquilo que
você precisa para viver fisicamente.
E sobre aquele que é carente dessa força vital, diríamos que este indivíduo é pobre
— é pobre de alguma maneira, é pobre de força vital, ele é pobre no nível da sua
néfesh.
Interessante que a Torá explica claramente onde é o local que essa energia vital, a
néfesh habahamit "reside".
Está escrito no nível pshat, no nível literal da Torá.
Você abre o Chumash e pode encontrar facilmente onde fica essa energia vital de
toda e qualquer coisa do universo, mas em particular traz a Torá, onde esta energia
é encontrada nas criaturas existentes.
Está escrito na Tora o seguinte: "A vida da carne está no sangue" [Gênesis 9:4;
Levítico 17:11 e 14.].
Quer dizer, a néfesh existe no sangue.
É fácil entender.
Afinal, todas as criaturas do mundo físico têm algo, podemos até não chamar de
sangue, mas tem algum tipo de líquido que permeia toda a extensão do seu corpo,
portanto vitalizando toda sua carne.
Assim, a carne é vitalizada pelo sangue e a néfesh, que é a fagulha Divina
vivificadora, essa 'alma animal' existe no sangue; para vocês entenderem também
por que falamos de uma 'hierarquia espiritual' etc.
Veja bem.
Para um elemento espiritual conseguir "conviver" completamente em fusão com
algo material (o sangue é afinal, um elemento material), é porque este "elemento"
deve obviamente ser um aspecto muito baixo, energeticamente falando.
Eis aqui então a referência à infinita hierarquia espiritual.
O assunto está sendo tratado hierarquicamente: primeiro você tem a neshama, o
nível de consciência transcendental; você tem um Haluká d'Rabanan, o ruach que é
um nível intermediário, para aí somente chegar à néfesh, que é tão "grosseira"
comparada com os outros elementos espirituais que ela consegue, pois assim D-us
desenhou o universo, essa néfesh pode conviver intimamente, intrinsecamente,
inexoravelmente com o sangue.
Espetacular, não é?
E é por isso que na época do Beit Hamicdash, do Templo Sagrado, realizavam-se
corbanót, as oferendas com animais.
Daí que vem a explicação disso que estamos falando também.
Por quê?
Não vou entrar em todos os detalhes, mas quaisquer transgressões das leis
espirituais da Tora implicam diretamente em um roubo de energia vital/néfesh.
Por esta razão, a pessoa que transgredia precisava fazer um tikun ("retificação") —
tudo de acordo com a lei espiritual de midá kenégued midá ("medida por medida").
Assim como ela 'roubou a energia vital do universo' através do romper com um dos
ordenamentos Divinos, ela então tinha que se redimir e se retificar trazendo um
corbán para cada espécie de transgressão.
É por isso que existia a dinâmica das oferendas: para garantir a 'redenção da
energia vital' que foi roubada através de uma transgressão.
Isso pode ser falado de outras maneiras.
De fato, o Arl"zal explica que esta néfesh existe em absolutamente tudo que é
material.
Desde uma pedra, a terra, água, tudo que existe tem uma fagulha Divina.
Pode ser que na nossa capacidade de compreender estes assuntos, de fato, a
energia vital de uma pedra não possa ser comparada à de um ser humano: a
energia é menor.
Aliás, este assunto da energia ser menor, se é que podemos atribuir valores
quantitativos a uma hierarquia espiritual, explica também porque, por exemplo,
para os judeus um peixe kashér não precisa de shechitá, o abate ritual.
Um detalhe que não vou entrar agora, mas esta é a explicação de porque não
precisa ter a shechitá, ao contrário da carne.
Por que a sua quantidade energética é muito baixa.
Então não há necessidade de uma retificação do peixe para que possa ser
"assimilado" espiritualmente por um judeu.
Isso é assim, pois quanto maior a energia maior seu desdobramento nos níveis e
domínios espirituais e a necessidade desta energia ser retificada.
Isso é só um rodapé.
Continuando, o Haluká d’Rabanan, o nível de ruach, o nível intermediário é capaz
de manipular a néfesh.
Esta frase por si só é extraordinária.
Por que o Haluká d'Rabanan, como eu expliquei, é aquele nível intermediário entre
a consciência transcendental e o corpo.
Mas também é um grau de consciência mais elevado.
A néfesh, a alma vital ou alma animal do homem não chega a ser propriamente dita
uma 'consciência' — ela existe só como uma energia de vitalização no corpo.
Já o ruach é um grau de consciência dito como 'consciência emocional.
Esse aspecto da alma já estabelece um grau de consciência na pessoa.
Olha que interessante: quando eu falo que o ruach pode exercer influência na
néfesh, que o Haluká d’Rabanan pode atuar, eu estou dizendo, por exemplo, que
através de um certo grau da minha consciência eu posso atuar na minha energia
vital.
Nós sabemos disso, principalmente na medicina oriental existe muito dessa
'consciência de atuação, de controle da força vital através de algum poder da
mente'.
É isso que essa frase está dizendo: o Haluká d’Rabanan, o grau chamado ruach,
consegue também já manipular, ele tem força de manipular essa alma vital.
Pessoas desenvolvem inclusive facilidades físicas através desse controle maior da
alma vital.
A pessoa sabe convergir à energia vital dela de uma maneira que alguém que não
sabe disso jamais saberia fazer essa convergência.
Tem mais, por exemplo, nós sabemos que existe uma tradição judaica das kameiót,
que são amuletos kashér, uma tradição sefaradita que praticamente ninguém sabe
mais como fazer isso corretamente, mas já se soube como fazer.
E como esses amuletos, esses remédios eram feitos?
É sabido que o Báal Shêm Tóv fazia isso.
Ele usava seu próprio nome nos amuletos.
Muitas pessoas sabem que o grande cabalista, o Rabino Yikchak Kadúri d' h, que
faleceu há pouco tempo, sabia desses segredos também.
Mas essencialmente o que acontece com esses amuletos?
Eles são uma maneira de, através desses grandes cabalistas, destes mestres,
tsadikim ("justos") puros, extraordinários, de eles atuarem energeticamente no seu
grau do ruach.
E como o ruach afeta a néfesh, temos então aqui uma maneira de obter cura
através de trabalhar não no nível da néfesh (e, portanto, no nível mais físico), mas
no nível do ruach.
A medicina ocidental trabalha no nível da néfesh.
Ela vê o corpo como está: "Ah! Você está com uma ferida aqui, vamos cuidar disso"
e promove a circulação e a cicatrização, etc.
É uma ciência absolutamente superficial e física, poderíamos dizer.
Mas existe na tradição judaica uma maneira de atuar na doença, não diretamente
no corpo, no sentido físico da coisa, mas sim no sentido do ruach, do Haluká
d’Rabanan.
Por quê?
Pelo que eu acabei de falar: afinal sabemos que como a origem de algumas
doenças é de fato espiritual e não física, então a pessoa consegue ser curada
através de um trabalho no grau de ruach.
E uma vez que a hierarquia espiritual da alma é toda interconectada, você pode
trabalhar em diferentes níveis que afetam outros etc.
Isto é só para vocês terem uma pequena ideia sobre tudo isso.
Portanto, nós também tiramos a conclusão de que existem maneiras de cultivarmos
esta força vital que nós temos.
A Tora traz essas maneiras.
Eu diria que quanto mais for cultivada a sua alma animal, a sua força interior, a sua
alma vital, mais forte a pessoa vai ser, mais poderosa, no sentido positivo, mais
vital.
É comum falar que essa é uma pessoa vitalizada, forte.
Por quê?
Por que ela tem uma néfesh muito forte, graças a D-us, e isso deve e pode ser
cultivado.
Isso ocorre através de comportamentos pré-estabelecidos pela Torá.
A Tora é afinal das contas, o manual de Hashém para cultivar exatamente isso.
Veja bem: a energia propriamente dita, a néfesh é neutra.
Tecnicamente, ela não é neutra.
Ela é o que chamamos de klipah nogah, mas não desejo entrar no valor (técnico)
disso agora.
Eu quero dizer que a energia é neutra, querendo dizer, ela pode ser cultivada tanto
pelo lado positivo quanto pelo lado negativo.
É conhecimento comum que infelizmente, o mundo está repleto de gente maldosa,
forte, "poderosa", com influência do mal, D-us nos livre.
Então a energia é um bem de consumo.
Tudo depende de como vai ser usada.
Leia: como ela vai ser cultivada.
Essa é a diferença de como e quem vai absorver, vai aumentar esta força para ela.
Muito bem, como a pessoa cultiva para o bem?
Como a néfesh, que veio também a mando de D-us, é cultivada para o bem?
Ela é cultivada para o bem 'exclusivamente e unicamente' através dos mecanismos
espirituais que foram ordenados por D-us.
Eu gosto de dizer que quando a pessoa está ligada em "fisicultura" ela tem que
atender ao personal trainner para uma série de coisas que ela tem que fazer para
ganhar massa muscular, força e conseguir modelar o seu corpo, melhorar a
alimentação, etc., tudo no nível físico.
Aqui nós estamos falando em "néfesh-cultura" e quem conhece néfesh-cultura é
Hashém.
D-us conhece o que é o correto para a pessoa cultivar a sua néfesh, para fortificar
sua vida, fortificar sua vitalidade.
Isso ocorre 'exclusivamente e unicamente através das mitsvot.
As mitsvot são a "tecnologia espiritual", o mecanismo espiritual através do qual a
pessoa deve vir a fortificar a sua néfesh, entre várias outras coisas.
Mas este é certamente um dos assuntos relacionados ao cumprimento das mitsvot.
Então esta fortificação ocorre desta maneira explicada, e por isso é que existem
tantas proibições na Torá de comer sangue — na parashá Tazria, e também na
parashá Reê no livro de Deuteronômio.
Por quê?
Porque a néfesh está no sangue.
Então comer sangue é uma maneira 'não' apropriada, leia, que D-us 'não' permite
que você ganhe mais força vital.
Entenderam agora?
É por isso que é proibido.
Esta é uma maneira impura de acessar esta moeda valiosa, portanto
absolutamente contrária ao desejo Divino e que carrega a punição de carêt (o 'corte
do Povo' pelas mãos dos Céus, implicando também no corte da consciência da alma
presente no corpo de sua origem conectada com D-us).
Por isso que várias vezes na Torá são mencionadas a proibição de comer sangue.
O Rambam diz que esta proibição aparece na Torá nada menos do que 7 vezes.
O uso 'permitido' do sangue, através dos corbanót, é uma maneira da pessoa
conseguir expiar suas transgressões, "pois é o sangue que faz uma expiação para a
alma".
Este assunto já foi tratado desta maneira mesmo antes do recebimento da Torá no
Sinai, quando as 7 mitsvót dos filhos de Noé foram recebidas — uma delas sendo a
proibição de arrancar um membro de um animal vivo e comê-lo, etc.
Um dos motivos é devido ao sofrimento do animal propriamente dito, enquanto o
outro (mesmo mais tarde, no período do recebimento da Tora), é devido ao fato de
que incrivelmente, existiam pessoas que desejavam comer sangue, e assim
comiam um (membro do) animal ainda vivo para assim ganhar mais força vital —
para fortificar a sua néfesh.
Agora podemos entender também por que para aqueles ligados ao lado negativo
através de rituais satânicos, D-us nos livre, existe tanto uso de sangue e outros
fluidos humanos (contrário ao sistema sancionado por D-us e dos sacrifícios quando
no Templo Sagrado).
Pois a néfesh, a alma vital (leia, força espiritual), está no sangue.
Por isso que se usa o sangue nestes rituais perversos, pois a intenção é de
apropriação 'indébita' de energia vital e contato com as entidades demoníacas do
Olam HaAsiyah (deste mundo aqui, mas em outros níveis da realidade) a fim de
oferecer este alimento espiritual valioso a estas entidades negativas em troca de
"favores" egoístas.
Entretanto, é exatamente esta nocividade que Hashém proibiu no mundo e que
acaba no fim também clamando como vítima aqueles que em sua afronta ao
Shamáyim ("Céus"), a liberam por estes mecanismos nefastos, a saber, estes
rituais.
Isto é assim devido ao principio espiritual de que "o feitiço se torna contra o
feiticeiro'.
É preciso saber que existe sim, lamentavelmente, toda uma ativa e real "tecnologia
espiritual" para a destruição das mentes e almas das pessoas, com o propósito de
domínio psíquico e apropriação indébita da força vital humana — trata-se da antiga
tecnologia do Oculto, e que hoje vive o seu climax no mundo.
Como ensinou o Rei Salomão,"Hashém criou uma coisa oposta à outra'''.
Existe o lado da santidade, e existe o lado da profanação.
Então assim como havia uma maneira, na época que existia o Templo Sagrado, de
trazer uma oferenda sancionada por D-us a fim de a pessoa fazer um tikun, uma
retificação por alguma transgressão sua, existe também outros tipos de pessoas,
que abrigam um espírito mau e que vão justamente usar a proibição de comer
sangue (entre outras coisas) para fazer disso tudo uma "arte" do mal, D-us nos
livre.
Ou seja, uma arte de se 'apropriar' desse poder universal de modo ilícito, uma vez
que no final se trata de um 'poder espiritual' e que traz mais força para pessoa, ou
alguma espécie de poder que ela deseja cultivar etc.
É muito importante conhecer este assunto para que seja possível se proteger
destes ataques psíquicos e se distanciar de seus danos possíveis, que D-us não
permita.
Mas exatamente de acordo com a lei espiritual que citei do Kohélet ("Eclesiastes"),
entendemos também que, o conhecimento verdadeiro e profundo de um lado
(da kedusha, a santidade) implica necessariamente no conhecimento do outro
(da sitra áchra, o lado da profanação).
Certamente, só este assunto daria para muitas outras aulas, mas eu só queria
trazer um gosto sobre isso tudo, para que vocês entendam um pouco mais sobre
como a realidade é muito maior do que vocês pensam.
Continuando, a abundância da energia vital/ néfesh — se a pessoa a cultivar —
poderá vir (e eu vou usar uma expressão física que ilustra bem o meu ponto) até a
"transbordar".
Como querendo dizer, a néfesh de uma pessoa pode crescer tanto que esta energia
acaba como que transbordando para outros níveis da sua alma, o que implica em
uma 'iluminação da pessoa com este excedente energético espiritual.
A energia vital se torna, portanto, um caminho para o ganho de consciência.,
Quando dizemos que uma pessoa é iluminada, ou está se iluminando, isto significa
que ela possui um alto grau de vitalidade/néfesh; ela tem então uma grande força.
Uma pessoa iluminada, como é sabido, é forte.
Os tsadikim sempre foram e continuam a ser muito fortes, não somente
fisicamente, mas emocionalmente, intelectualmente, e psiquicamente também, pois
em todas as áreas da vida de uma pessoa iluminada ela é 'forte'.
Ela tem uma grande néfesh, e essa explosão de energia leva a este 'transbordar' —
uma metáfo-ra para a ideia de ela estar com tanta energia que ela acaba por
'expandir a sua consciência'.
Ela consegue inclusive aumentar a sua consciência ao ponto de que esta se una
com o grau do ruach, o nível da alma espiritualmente acima da néfesh.
Mas veja bem: este é o segundo grau da alma.
A pessoa que alcança o grau de consciência chamado ruach já consegue ter um
nível de percepção espiritual mais avançado.
Note que a maioria das pessoas somente tem o nível néfesh de consciência.
E saibam vocês que dá para ir mais longe.
Existem pessoas ainda mais elevadas que conseguem, se tiverem grande mérito
espiritual, atingir o grau de neshama — a sua consciência transcendental e além.
Portanto, quando a pessoa está de fato 'trabalhando para cultivar' a sua néfesh e
para poder ter este excedente de energia vital através das mitsvót— a "tecnologia
espiritual" correta para o aumentar do alcance às outras partes da alma que
constituem todo o ser que é a pessoa — ela pode merecer "receber" e assim ter
acesso (a algum grau) do ruach.
Aí quem sabe um dia, talvez em outra vida, este recebimento e alcance de sua
consciência chegue até o grau da sua neshama, isso se ela realmente tiver z'chút
("mérito") pelo seu constante avodát Hashém ("trabalho espiritual").
Existem aqueles que nascem com um nível espiritual mais elevado, com uma
capacidade de entender as verdades espirituais mais desenvolvidas.
Isto em geral significa que estes vieram ao mundo com a necessidade de retificar
somente os graus superiores de suas almas.
Enfim, podemos afirmar sobre todo este processo de ascensão contínua de acordo
com a Torá que, ele implica também no que chamamos de Meditação: a verdadeira
busca da elevação espiritual e união sincera com D-us.
Isto é meditar.
É conseguir fazer com que haja um 'alcance', um acesso aos domínios espirituais
mais elevados da alma.
Porque quanto mais elevado o domínio espiritual maior a consciência sobre as
verdades divinas que a tudo sublinham.
E isto implica no distanciar das ligações ilusórias, das distrações deste mundo que
tanto mascaram a realidade e escravizam a mente de quase todos.
Veja bem: o que distingue uma pessoa da outra, além do grau da raiz de sua alma
etc., é também o grau de acesso às suas diferentes "partes" espirituais — tudo de
acordo com o seu árduo e legítimo esforço em vida para um crescimento espiritual
realmente alinhado às leis de D-us.
Então a pessoa mais iluminada, uma pessoa com uma clareza maior sobre o que é
verdadeiro e o que é falso, com uma lucidez maior, com uma força emocional maior
é uma pessoa que tem um 'alcance maior na hierarquia espiritual da alma.
E no fim, tudo acaba se expressando no nível da consciência, assim como na força
física, da vitalidade, mas da consciência principalmente que é o aspecto abstrato —
a "frequência" daquilo que nós temos e que é chamada da mente/neshama.
A nossa mente é abstrata, é energia pura, não é física, ou seja, ela está na mesma
frequência que a alma.
Ela é a alma propriamente dita.
Muito bem, continuando.
Tudo isso que eu falei na verdade é para enfatizar aquilo que eu já havia trazido
nas outras aulas de que, o nosso comportamento, aquilo que nós fazemos nesse
mundo, tem um 'grande' impacto sobre a nossa néfesh.
Isso é obvio no nível literal.
Se eu bater a mão na mesa vai doer, quer dizer, o meu comportamento tem um
efeito imediato.
Mas a coisa é mais profunda.
Aqui nós estamos falando em um grau mais íntimo: que o seu comportamento, se
ele é alinhado ou não com as leis de D-us, tem efeitos diretos na sua vitalidade/
néfesh e na maneira que a sua "assinatura energética" será percebida nos domínios
espirituais.
Ou você vai cultivá-la da maneira certa ou você não vai cultivá-la.
E isso é um assunto que todas as forças espirituais estão sujeitas — sejam elas da
sitra áchra, as forças da impureza, ou a força da santidade, elas trabalham e
operam sob esta mesma ideia, com estes mesmos princípios.
Ou a pessoa se fortifica espiritualmente, cresce, se eleva, rebaixa o seu ego e
subjuga a sítra áchra (o "lado negativo"), e deste modo aumenta em santidade
(que é a polaridade moral/espiritual alinhada com o Divino), ou ela fortalece o lado
negativo, chaz ve' shalom.
Não existem outras opções, somente estas duas.
E a despeito do amor-próprio das pessoas, produto da iêtser hara, o ego da pessoa,
e que faz a pessoa se achar muito boa, muito correta, etc., a coisa não é subjetiva.
A ascensão espiritual é ou não é absoluta.
É algo determinado por 'leis espirituais', pelo que é natural de fato, e não por
"achismos".
Ou você está cultivando a sua nélesh ou você não está, e assim por diante nos seus
vários desdobramentos.
Então, por exemplo, certos comportamentos nutrem a nossa néfesh, como é
estabelecido pela Torá de forma clara e absoluta.
Outros (comportamentos) acabam retirando esta energia vital.
Por exemplo: comportamentos que são contrários à lei de D-us, como no caso da
pessoa que é viciada em alguma coisa, ou nos comportamentos compulsivos com
coisas negativas e perigosas como as drogas, bebidas alcoólicas, entre outros.
De fato, todo comportamento de 'fixação' e, portanto de ligação com algo inferior é
a maneira mais eficaz de enfraquecer a néfesh.
E no limite, isso implica no adoecimento da pessoa e até a morte, chaz ve' shalom.
É por isso que infelizmente as pessoas acabam tendo muitas vezes um fim trágico
quando têm comportamentos tão nocivos — toda degeneração moral cobra seu
preço.
Ou se não chegam a este ponto, elas ainda sim se abrem para poderes negativos,
entidades que as prejudicam de diversas maneiras: nos seus
relacionamentos/casamentos, nas doenças, e gerando inclusive conhecidos
sintomas negativos psicológicos (como por exemplo, os da esquizofrenia) devido à
fragmentação mental resultante destas influências nefastas.
Mas a coisa não pára aí.
Existem atividades descritas na Torá como 'proibitivas para os judeus', como eu já
falei aqui.
Uma delas sendo os alimentos ingeridos: ou são alimentos permitidos para um
judeu, pois são bons para o cultivo da sua néfesh, ou são 'venenos' para ela.
Agora, para ambos judeus e não-judeus existe uma outra atividade, um campo
muito sensível onde isso que estou tratando é extraordinariamente aplicável: nas
'relações sexuais'.
Este é um assunto que se D-us quiser nós vamos tratar em outra oportunidade.
Mas existem algumas atividades sexuais que são conhecidas por acabar totalmente
com a energia vital da pessoa, essencialmente destruindo e levando-a para seu fim,
chaz ve'shalom.
Isto é assim, pois a 'energia sexual' (a forma física da energia espiritual, a saber, o
sêmen) é uma energia extremamente pura e deve ser muito cuidada para não ser
'desperdiçada' (ou seja, usada fora do propósito e modo corretos) devido ao seu
papel espiritual fundamental.
Ela possibilita, de acordo com o grau de pureza com que ela é usada, grandes
ascensões ou grandes quedas espirituais.
Assim vemos que estas proibições comportamentais da Torá têm uma função muito
importante e evidente: proteger a néfesh da pessoa.
Hashém quer proteger as pessoas.
Se você se comportar de acordo com as leis da Torá, a sua néfesh vai estar não só
protegida destes "escoamentos" de energia que podem levar você a toda espécie
de problemas, como você vai também poder fortifica-la.
Melhor do que só deixar de escoar, é fortificar a sua néfesh e trazer mais vitalidade
para sua vida, ter literalmente mais vida.
Então o que acontece com as violações?
Todas transgressões da lei de D-us criam "aberturas" no nível do ruach no Haluká
d'Rabanan, permitindo desta maneira que esta energia vital/néfesh — e eu estou
usando uma alegoria para explicar isso — como que deixa de "estar contida" e
acaba escoando para "fora".
Obviamente não tem fora, não tem dentro, mas é só para ilustrar melhor e facilitar
o entendimento.
Ou seja, existe um problema aonde há um rompimento, por assim dizer, na
integridade deste nível espiritual chamado ruach, e esta energia vital/néfesb acaba
transbordando (negativamente), assim, "saindo do controle".
Talvez pudéssemos falar do seguinte modo: a néfesh é removida, desperdiçada (no
sentido de uso impróprio), o que é algo muito ruim, pois menos néfesh é igual a
menos vida.
Mas não para aí o problema.
Porque quando você se enfraquece espiritualmente você literalmente, você está
manchando a sua alma como um todo, agora falando da "hierarquia espiritual" da
alma.
A alma quando vem para o mundo é prístina, perfeita, branca, podemos dizer.
No momento que a pessoa transgride as leis de D-us isso começa a gerar
"estragos", manchas na alma, por assim dizer.
Aliás, vemos que essas manchas são proibitivas também no nível pshat ("literal")
de compreensão da Torá.
Na parashá Emór, a Torá fala dos sacrifícios no Templo que 'não' eram permitidos
se houvessem manchas de qualquer espécie ou defeitos nos animais a serem
trazidos para o sacrifício.
É um problema ter manchas na sua alma, e isso ocorre devido às transgressões da
lei espiritual, do que é realmente 'natural' no sentido mais essencial da palavra.

Continuando, se não bastasse isso, essas manchas se tornam indicadores,


verdadeiras marcas que "anunciam" para o domínio espiritual que você é uma
pessoa que transgrediu a lei (o que implica na direta diminuição da sua proteção
espiritual).
Enfim, você está manchado, tamêi ("impuro").
Você fala: "Bom e daí que estou manchado? Como isso afeta a minha vida no aqui
e agora?".
O problema é que como eu havia aludido anteriormente, estas manchas espirituais
(leia, estas "alterações de frequência energética na alma") são verdadeiramente
registradas no Haluká d’Rabanan (também chamado de ruach) — ruach também
quer dizer alma ou espírito.
E na dimensão espiritual do nosso mundo físico, aonde várias espécies de entidades
'predadoras' habitam, a saber, ruchót/espíritos, shêdim/demônios, entre outras,
mas que as pessoas desconhecem, elas notam estes "registros" do ser humano.
Veja bem.
A pessoa vai se profanando, ficando cada vez menos pura, mais danificada, mais
manchada e 'ela se torna um alvo' muito distinto cada vez mais para estas
"criaturas" (devido à lei de 'atração magnética') — para estas entidades espirituais
que são atraídas a esta frequência energética (agora) semelhante às suas
necessidades de vitalidade.
E de modo oportunista, em algum momento, alguma destas entidades pode
facilmente se ligar à pessoa para assim poder se alimentar.
Se alimentar do quê você pergunta?
Daquele 'bem de consumo' que eu falei para vocês — da tão preciosa néfesh.
Por quê?
Por que eles vêem isso não só como comida, mas como algo que pode acrescentar
à sua própria existência espiritual, por assim dizer.
É uma força, "uma moeda do universo", e afinal das contas, todo mundo quer ficar
mais rico, com mais força vital.
Estas entidades espirituais "enxergam espiritualmente" a força vital da pessoa,
podendo então nas condições apropriadas, consumi-la como um "alimento" deste
nível energético.
E como isso acontece no nível de manifestação?
Nós já falamos um pouco e vamos falar um pouco mais.
Doenças como a fadiga crônica ou em partes do corpo, confusão e problemas de
entendimento racional corno eu falei na última aula, etc.
De onde você acha que vêm estas coisas?
Por que você acha que não consegue entender tão bem as coisas?
Por que existem verdadeiras deficiências energéticas da sua alma.
Isso não quer dizer que você deixa de "funcionar", mas até quando?
Durante um tempo, sim, mas o escoamento somente dificulta a sua vida.
Enfim, e você afinal acha que tudo isso não faz diferença para você?
Entenda uma coisa muito bem: o fato de você achar que tudo isso não faz diferença
para você, que você não precisa acreditar em nada disso, é 'singularmente' a
função mais apurada da iêtser hara.
Pois como um inseto que injeta um anestésico na circulação da pessoa antes de
sugar seu sangue, a iétser hara anestesia o seu coração para os assuntos Divinos
verdadeiros.
Esta é a arma da iétser hara que faz você achar que, "tudo bem, eu estou muito
bem, não preciso fazer isso ou aquilo que o rabino está me dizendo. Não preciso
cumprir as leis de D-us".
Além disso, temos mais um problema: além destas entidades espirituais agirem de
modo oportunístico para cometer o que é chamado na linguagem da Cabala de um
"ataque psíquico" — algo que falaremos mais com vocês em outra oportunidade se
D-us quiser, sobre o que é um dibuk ("posse por mau espírito", algo que já aludi
aqui), assuntos pouco entendidos por todos — mas de fato, estes ataques provém
daqui mesmo, do grau físico, a saber, através de alguém que está "jorrando"
energia vital conseguida de maneira ilícita devido ao seu 'contato' com estas
entidades maléficas, e formando assim uma espécie de parceria nefasta.
Como eu já expliquei antes para vocês, existem pessoas muito malévolas nesse
mundo que andam na terra, mas não têm alma humana.
Sem grau algum de temor a D-us e consciência espiritual, eles somente desejam
controlar e manipular pessoas (entre outras coisas, como cada vez mais se
aparentar fisicamente aos humanos.
De fato, vivemos uma grande epidemia espiritual, inclusive afetando os Bnei Torá,
preste atenção e você me entenderá.
Mas eu repito: estes seres demoníacos, que a despeito da aparência, 'não são
humanos', fazem qualquer coisa para obter mais poder sobre as pessoas.
Eles são aliados das entidades espirituais negativas (mas de modo temporário, pois
em tempo eles sempre se perdem no íntimo contato com o mal), buscando 'em
qualquer um e em todos os lugares' (no trabalho, por exemplo) pessoas suscetíveis
a estes ataques psíquicos que sugam a energia vital destas vítimas através da
influência que a entidade exerce, a saber, dirigindo-as mentalmente.
Este "vampirismo psíquico" ocorre seja através da sua própria presença física, no
uso da manipulação verbal ou toque físico, etc. ou até de práticas profanas do
oculto usadas justamente para obter mais desta força vital.
Estas pessoas do mal só buscam controle e destruição de outros, enfraquecendo e
deixando-os mais suscetíveis aos ataques psíquicos e suas consequências
desastrosas para suas vidas e dos seus, que D-us não permita.
Portanto, é absolutamente vital entender estas coisas que estou explicando para
assim se proteger melhor espiritualmente.
Como está escrito, Sur MeRá ("Se afaste do mal"), como? continua o Salmo,
Assê Tóv ("Faça o bem"), a saber, pratique o que a Torá ensina.
Em resumo: a Torá, as mitsvót, e os atos de bondade "blindam" a pessoa.
Vocês entendem a expressão blindam?
Fortificam a néfesh e blindam a pessoa contra estas "suscetibilidades espirituais" às
forças negativas que preenchem o nosso mundo.
Temos muito disso no universo — um universo de klipót, "cascas espirituais" que
ocultam a luz de D-us no mundo, como uma casca oculta o fruto.
Então a pessoa que cumpre Torá e mitsvót é blindada destas influências, ela é
protegida das klipót.
Isto é igual também para as obrigações que precisam ser cumpridas pelos não
judeus, as 7 mitsvót dos filhos de Noé e suas inúmeras ramificações, como o
manter de uma vida digna e reta de acordo com as leis espirituais da Tora.
Então todo ser humano, cada um em seu grupo, e em cada oportunidade da vida,
tem sim como se fortificar, crescer e se proteger espiritualmente.
Você acaba aprendendo uma lição muito importante da pessoa que tem a
humildade de receber o jugo Divino da Torá: a melhor proteção espiritual que a
pessoa tem é a autodefesa, literalmente.
É o fato de ela estar cumprindo o desejo de D-us que a favorece com toda a
proteção que ela precisa.
Realmente, que uma aula como esta ajude as pessoas a cumprirem Tora e mitsvót
para que, ao contrário de caírem, ao contrário de terem tantas dificuldades
materiais e espirituais, e tendo tantas batalhas complexas e amarguras, que as
pessoas encontrem cada vez mais paz e coisas boas e doces, sempre positivas e
grandes felicidades, e que se fortifiquem cada vez mais com a palavra de D-us
amém ve'amém.

Continua
Cuidado – Sua alma pode estar em Perigo – Parte 4

Quarta Palestra - 4 de Adar II, 5768 (10 de Marco, 2008)

Eu gostaria de continuar hoje com a ideia que nós já abordamos sobre a "exposição
espiritual" das pessoas de acordo com as suas ações etc., e o assunto de doença
em geral e em particular de doenças mentais.

É um assunto muito sutil, cheio de caminhos diferentes, mas que eu quero trazer
hoje — a um nível um pouco mais técnico e profundo — algumas ideias que possam
explicar a origem espiritual responsável pelas conhecidas manifestações dessas
doenças.
Eu gostaria de definir o que é uma doença de acordo com o nível místico da Tora, a
Cabala: a doença é um desequilíbrio do lado esquerdo da Etz Chayim, a 'Árvore da
Vida'.
Como já aprendemos, o lado esquerdo da Etz Chayirn é representado pelas sefirót
de bina, guevurá, e hód.
Estes são os atributos ou canais espirituais de energia e influência Divina sobre a
Criação que representam o lado esquerdo da Árvore da Vida — o conceito
fundamental da Cabala que explica que, no processo da Criação, um estágio
intermediário foi emanado da Luz infinita de D-us possibilitando a experiência da
realidade finita, e assim, todo o seu desenrolar nos domínios físico e espiritual.

O lado direito da Etz Chayim é representado pelas sefirót de chochmá, chésed, e


nêtsach.
Temos também a coluna do meio onde existe um equilíbrio das forças sefiróticas, e
é representado pelas sefirót de kéter (ou da’at), tiferet, yesod, e finalmente a
última que é malchut.
Agora, sobre este desequilíbrio do lado esquerdo, é muito importante conhecê-lo,
por que através deste conhecimento nós podemos entender um pouco mais como
as doenças funcionam.
O desequilíbrio do lado esquerdo sefirótico também é ligado aos desequilíbrios de
características particulares da alma de cada um.
Então você tem poderes da alma ligados às características particulares da pessoa.
Mas em geral o desequilíbrio implica em alguma coisa não balanceada deste lado
esquerdo — dos poderes espirituais na alma do lado esquerdo da Etz Chayim, como
eu vou explicar.
Mais ainda, e de uma maneira geral, toda espécie de doença que a pessoa possa vir
a ter e que tenha 'origem espiritual' (uma vez que nem todas as doenças têm
origem espiritual), é ligado em particular à dinâmica de equilíbrio ou não da sefirá
de da'at.
Da'at é um ponto ou grau na alma muito fundamental na nossa "anatomia
espiritual", pois da'at representa (em um nível) o canal espiritual e poder na alma
que une e alinha os atributos intelectuais com os atributos emocionais; e é também
a própria base/origem das emoções.
Quando a pessoa tem alcance de perceber alguma coisa intelectualmente e
emocionalmente ao mesmo tempo, existe um grau de entendimento e de
sentimento que se apresenta então de maneira uníssona.
E isto é o que literalmente move o ser humano nos caminhos de sua vida, através
de suas ações no mundo.
Todos os comportamentos humanos são impelidos através deste poder de da'at—
da espécie de entendimento sobre algo, a saber, seja este um entendimento lúcido
e, portanto retificado, ou distorcido e assim, não retificado.
De fato, sabemos intuitivamente que no modo que você entende as coisas, certo ou
errado, assim você prossegue em sua vida, pois em um nível (inferior de
entendimento), chamado em Cabalá de da'at tachtón, da'at serve para conectar o
intelecto como um todo com o domínio das emoções, e através disso, aumentar a
determinação e resolução da pessoa para agir de acordo com as verdades essências
que ela integrou em sua consciência.
Mais ainda — eu vou trazer só algumas ideias e depois nós vamos juntar elas,
afinal, trata-se de um assunto muito difícil — é interessante notarmos que existe
uma correlação entre os poderes da alma e a fisiologia humana.
Isto quer dizer que, a regência dos vários sistemas fisiológicos provém de
diferentes poderes espirituais na alma.
Então por exemplo, da'at que é justamente o nível mental de entendimento e união
com as emoções, e que significa também o conhecimento adquirido, representa —
como podemos perceber instintivamente — o 'sistema nervoso' humano.
Ou seja, todas as sensibilidades físicas, emocionais, intelectuais e espirituais de
uma pessoa são intimamente interconectadas no seu da'at, pois o 'reconhecimento
do que se sente', em todos estes níveis, depende dos diferentes graus de
entendimento.
No nível físico, a capacidade de percepção sensorial depende de toda a rede de
nervos espalhados no corpo humano e responsáveis pelo sentir/perceber as
"coisas" do mundo.
Eu posso ser sensível à textura de alguma coisa física, ou a uma declaração de
amor de um filho, ou ao sabor de uma fruta, ou à santidade de um conceito da
Torá.
Todas estas possibilidades e níveis indicam o enorme espectro de sensibilidades
que possuímos.
Mas é preciso compreender que o mesmo ocorre, como um reflexo do grau físico,
na "percepção espiritual".
Isto é assim, pois as nossas sensibilidades intrínsecas sobre o domínio espiritual
dependem também do desenvolvimento de sensores — dos "sensores para as
verdades Divinas", ou seja, da elevação do nosso entendimento, significando a
verdadeira retificação do da'at, na linguagem da Cabalá, do da'at elión
("conhecimento superior").

Em resumo, da'at é (também) o grau da alma que rege o sistema nervoso do


corpo, e desta maneira, todas as nossas sensibilidades sobre os vários aspectos da
vida, sejam estas espirituais, psicológicas, ou físicas.
Isto é assim, pois as próprias sensibilidades elas mesmas derivam da conexão de
da'at com o nível transcendental da origem da alma.
Além disso, vemos aparecer pela primeira vez a palavra da'at na Torá, quando o
texto fala da Etz Da'at, a "Árvore do Conhecimento do Bem e do Mar".
Quando nos focamos na Et Da'at como uma importante metáfora que revela
aspectos distintos do significado do que é a essência do conhecimento, podemos
então entender instintivamente que existem verdadeiramente 'duas' dimensões ou
direções para o 'Conhecimento' como um todo: o conhecimento do Bem, e o
conhecimento do Mal.
Por isso a árvore no Éden era chamada da 'Árvore do Conhecimento do Bem e do
Mal'.
Sob o ponto de vista do da'at, isso significa que a capacidade de percepção dos
assuntos do Bem, portanto a sua própria ligação com o Bem, tem a ver, na
linguagem cabalística, com você estar lidando com o que é chamado de o 'lado
direito' de da'at (uma expressão do jargão místico da Torá.
(Afinal, precisamos ser um pouco técnicos a fim de melhor entender as diferentes
dimensões e nuances destes assuntos extremamente sublimes).
Então, o 'lado direito', a dimensão, a "face" de da'at que é conectada com o desejo
honesto da pessoa de se 'ligar ao Bem' é chamada de o lado direito de da'at.
Já o poder da alma de 'repelir o Mal' é ligado ao que é chamado 'lado esquerdo' de
da'at.
Então da'at na verdade é um assunto complexo, pois este poder estabelece um
"senso espiritual", uma polaridade moral: ou estou por um lado me ligando ao
Bem, ou também posso estar me desligando, me removendo do Mal.
Isso é muito importante conhecer.
Até por que, o processo de retificação de uma pessoa em sua vida — uma de suas
maiores e mais árduas tarefas espirituais chamada na Torá de tikún hamidót, a
retificação das 'características da personalidade' — significa o desenvolvimento da
autoconsciência sobre a imperativa necessidade da ligação com o Bem.
E esta consciência deve se desenvolver também para que ela abranja ao mesmo
tempo o grau que faz com que a pessoa cresça na condição necessária para atingir
este Bem que é o repúdio ao Mal — ao ponto mesmo em que este não precise ser
mais um processo intelecto-emocional consciente, mas idealmente, se torne sim
um movimento involuntário.
Ou seja, a pessoa repudia o negativo "automaticamente", se ligando assim também
ao Bem verdadeiro, ambos vastamente explicados na Sabedoria Divina da Torá.
O indivíduo que busca este entendimento superior ganha em 'consciência constante
sobre Hashém', e perde a necessidade de se manter consciente sobre as
polaridades espirituais de modo que ele precise parar para afirmar:
"Ah! Isso não é positivo para mim; isso é negativo para mim".
Pouco a pouco ele faz o Sur MeRá ("se distancie do mal"), já muitas vezes de modo
automático, natural.

Veja, a pessoa 'sempre' precisa estar estudando as leis da Torá etc. para conhecer
o que é permitido o que não é, o que é puro e o que não é, etc., mas na sua
transformação interior, que 'somente' ocorre se ela seguir o caminho da retidão, ela
desenvolve também a intuição retificada sobre as polaridades do conhecimento
espiritual.
A bem da verdade, este é um termômetro do crescimento espiritual da pessoa.
Vemos isso nas histórias dos tsadikim ("justos") quando eles, ao vivenciarem
diversos eventos, mostram através da sua sabedoria e de seus comportamentos
retificados como eles repudiam qualquer aspecto do mal (sempre de uma maneira
natural), e somente revelam o bem, a luz de D-us.
Até por que um tsadik verdadeiro já não tem mais vestígios do mal em seu coração
— o "assento" da iêtser hara — tendo se libertado de todos os desejos rebaixados e
a maioria das identificações com o mundano.
Aqui temos um grande ideal para nos inspirar: um tsadik completo não tem
naturalmente qualquer afinidade com qualquer coisa que contrarie a Torá.
Por isso é bom se ligar a um tsadik, e ao menos ler também as histórias dos
tsadikim, pois elas ajudam a purificar/retificar o da'at da pessoa.

Continuando, este importante sentimento de se distanciar do mal também é ligado


ao próprio assunto da luta contra tudo aquilo que é negativo em nós mesmos.
Todos nós sabemos como esta luta é constante, mas ela acaba ocorrendo na
verdade de uma maneira instintiva, apesar de precisarmos constantemente refletir
com profundidade para não sermos enganados pela tão esperta iêtser hara.
Por exemplo: quando estudamos os assuntos místicos da Torá aprendemos
diferentes maneiras de lidar com 'pensamentos estranhos', negativos e confusos
que assolam a pessoa.
É certamente uma luta constante, e como é vital que a pessoa realmente trabalhe
para conseguir viver bem com esta realidade.
Nossos mestres da Torá ensinam diferentes maneiras para lidarmos com estas
"estranhezas", mas eu não quero entrar nisso agora.
Meu ponto é que, existe uma 'verdadeira luta espiritual' (interior e exterior) e em
algum momento da vida da pessoa, se de fato ela estiver crescendo espiritualmente
(algo que pode e deve ser aferido), a pessoa até se acostuma a lutar com o mal,
mesmo sendo isso jamais algo fácil ou confortável.

Entretanto, este processo intuitivo ocorre somente e exclusivamente quando ela vai
adquirindo graus crescentes de humildade.
Como trazem os nossos Sábios, ela precisa entender (da'at) que ela vive
'justamente' para realizar este "trabalho espiritual" da luta pelo rebaixamento das
coisas negativas interiores.
E por isso que demanda humildade?
Por que uma pessoa que é humilde compreende que no "estado espiritual" que ela
se encontra, o seu verdadeiro nível.
E o que é esperado dela é que ela seja um "soldado de Hashém", e assim cumpra
com alegria o seu papel nesta luta espiritual.
É para isso que ela foi criada: para constantemente batalhar contra a sitra áchra, o
lado negativo, e desta maneira subjugá-lo, o que traz "alegrias" para D-us,
metaforicamente falando.
Igualmente, ela deve fazer também as coisas positivas conforme a Torá, e assim se
ligar ao lado da kedusha, o lado positivo.
Vemos que existe uma dualidade de expressão aqui.
Justamente por da'at ter esta dualidade de ligação com o bem e com a repulsa ao
mal, e da'at ser este canal espiritual, este poder da alma que coordena a unificação
dos elementos fundamentais da vivência consciente de um ser humano — que é o
seu intelecto e suas emoções — podemos entender a necessidade de ganhar real
equilíbrio no seu da'at, ou seja, do árduo trabalho para retificá-lo.
Isto é fundamental para que você possa literalmente agir da maneira mais
'coerente' possível na sua vida.
Por isso que falamos que de fato da'at é o assento do livre arbítrio, de todo o
processo mental decisório.
Exatamente esta capacidade que você tem de decidir uma coisa, que "sim ou que
não" (que representam as forças espirituais de aproximação ou repulsão), depende
estritamente do seu da'at.
Quanto mais o seu da'at for equilibrado, mais retificada será a sua capacidade de
entendimento e assim, da tomada de decisão que mais se aproximará das verdades
espirituais, permitindo assim que você se alinhe com elas, o que significa o
cumprimento do maior objetivo espiritual do homem.
Interessante, por que isso traz uma outra consideração ligada a este assunto.

Como eu havia explicado, da'at é conectado na fisiologia humana com o sistema


nervoso.
Segue a lógica que, ao fortificar o sistema nervoso conseguimos um maior
equilíbrio mental.
Tudo é interligado.
Sabemos que quando a pessoa fala que está com os "nervos abalados", ela
geralmente não consegue pensar com clareza.
Vejam que mesmo na "linguagem popular", existe um sentimento instintivo sobre
estes assuntos.
Aqui eu estou trazendo o que está por de "trás da cortina", por assim dizer, o lado
espiritual disso tudo.
Portanto, a fortificação do da'at/sistema nervoso implica em uma fortificação do
poder de livre arbítrio.
Isso é muito importante e fundamental, pois afinal qual o objetivo desta
fortificação?
A resposta é: que o seu poder de livre arbítrio se torne `claro e inequívoco'.
Por isto a Torá traz o seguinte pasúk ("verso"): "Veja, Eu pus diante de ti a vida e a
morte, a benção e a maldição. Escolhe a vida para que vivas".
Ou seja, a ideia de `escolher a vida' é a Torá te dizendo: tenha força para optar em
sua vida com 'firmeza e clareza', usando o que Hashém te oferece 'diariamente' —
a tua alma atuante no teu corpo — para que você use sim o poder de livre arbítrio
de uma maneira 'lúcida e inequívoca'.
Assim, a pessoa deveria afirmar (como uma prece): "Eu opto pela minha ligação
com o bem por que eu amo o bem. Eu quero o bem. Não o bem subjetivo, relativo,
o bem que eu descobri hoje pela manhã, ou de fontes não seguras que trazem
somente as misturas estranhas e arrogantes dos pensamentos dos homens. Mas
sim, o Bem maior — o Bem absoluto das palavras Divinas da Torá. E também ao
mesmo tempo eu quero ter sempre clareza, firmeza e força de agir e falar: eu
repudio o Mal".
De novo, não o mal do ponto de vista de sua "toxicidade relativa", a saber, a ideia
de que se algo faz mal para mim então isto é o anal; ou se faz bem para mim,
então é o bem.
Não podemos cair neste gravíssimo engodo chamado de a "teoria da toxicidade
moral".
Isto não funciona e não auxilia nunca a pessoa a crescer espiritualmente.
E graças a D-us nós temos sim um padrão 'absoluto' do Bem e do Mal.
E este padrão, o verdadeiro manual vivo multidimensional (pois nos conecta aos
olamót, os mundos espirituais) onde tudo isso é explicado se chama a Torá de
Hashém.

Isso não quer dizer que o homem não tenha também o direito do livre arbítrio para
o bem e mal relativos.
Ele faz isso toda hora, todos os momentos de sua vida.
"Eu acho que sim, eu acho que não".
Existe o achar.
O "achar" é a relativização e, portanto a degeneração do conhecimento do Bem e
Mal absolutos — desta dimensão moral tão importante.
Saibam vocês que esta dimensão do bem e do mal é literalmente a quinta
dimensão.
Como querendo dizer, existem três dimensões físicas ligadas à dimensão do tempo,
e que na verdade formam um conjunto integrado de quatro dimensões chamado de
espaço-tempo, todas atuantes no nosso universo observável.
Mas existe uma 'quinta' dimensão chamada de a 'dimensão moral'.
Uma pessoa moral é aquela alinhada com as leis espirituais regentes na criação
toda, nos mundos espirituais.
Este alinhamento implica que, 'moral é o mesmo que natural', pois está de acordo
com os princípios divinos para a própria difusão da luz beneficente de D-us, o
Shéfa, na linguagem da Cabalá — que a tudo, sem exceção, sustenta.
Portanto, ou você está se aproximando mais do Bem absoluto (o estado natural,
retificado das coisas) ou você está se esta distanciando, D-us nos livre, deste Bem
absoluto (o estado imaturo, não retificado das coisas).
Este é o único "percurso" possível nesta dimensão.
E a maneira que estou trazendo para vocês é uma outra forma de dizer que a
polaridade moral é a própria dimensão espiritual.
Sim, exatamente.
Moral é igual a espiritual (seja no lado imoral, o domínio impuro da sítra áchra, ou
no lado da kedusha, da santidade).
Isso 'é' o espiritual.
É justamente a capacidade de ligação ou desligamento — dependendo do estagio
espiritual da pessoa — com o Bem e o Mal absolutos através do da'at elión
("conhecimento superior"), o qual afirma inquestionavelmente o nível espiritual da
pessoa.
Isso é a 'dimensão espiritual' explicada em um nível muito sutil e sucinto.
Eu não estou falando aqui, como já tenho falado, das varias 'entidades espirituais'
que habitam os diferentes olamót ("mundos espirituais").
Não, eu estou definindo de uma maneira muito simples e sintética o que é o
'domínio espiritual' como um todo.
Ele é o domínio da polaridade moral.
É isso.
E da'at é o sistema regulador mental/espiritual no homem para caminhar nesse
"eixo moral".
Por isso é tão importante se iluminar.
E a iluminação é manifestada através, principalmente, deste canal espiritual
chamado de da’at, do grau de entendimento da pessoa sobre as verdades Divinas
da Torá.
Até por que da’at também significa conhecimento (e comunicação), o que nos dá
uma "dica" de que aquilo que você "ingerir" como conhecimento faz uma enorme
diferença no grau do seu da’at.
Eu estou aludindo aqui à ideia de uma "dieta espiritual".
Ou seja, aquilo que você consome intelectualmente implica 'diretamente' na
maneira que este canal espiritual é afetado e por sua vez, como você é influenciado
por ele, a saber, como o fluxo mental unido com as emoções movem você,
significando o nível de retificação do seu processo decisório por inteiro e mais, a
própria essência e poder do seu exercício de livre arbítrio, e assim os seus
comportamentos.
Alias, é isso que eu busco mostrar cada vez mais para vocês: a beleza insofismável
e profundidade infinita da Torá que nos ensina que, toda a realidade é
absolutamente sublinhada pela dimensão espiritual.
E como traz o Rambam, "Só existe um único Ser no universo, que é D-us".
Todas as particularizações do físico, as divisões entre as coisas do nosso universo,
tudo aquilo que nós percebemos no mundo são na verdade sublinhadas por D-us e
sujeitas à Sua providência.
O objetivo do estudioso e cumpridor da Torá e das mitsvót é revelar cada vez mais
e de uma maneira particular como este sublinhar se manifesta perante a sua
capacidade de entender a realidade.
Por que eu até posso contar uma história sobre a Providência Divina, mas a não ser
que a pessoa vivencie esta providência de fato na sua vida, é difícil eu
simplesmente convencê-la disso.
É por isso que lemos, por exemplo, as histórias dos tsadikim — para purificar a
nossa mente com histórias retificadas que nos ensinam sobre este sublinhar Divino
em toda a realidade física, neste mundo e nos outros mundos espirituais também.
Através dessas histórias extraordinárias recebemos uma verdadeira força espiritual
para crescermos em nossa fé.
Mas o fato é que a revelação da Providência Divina trata de todo um processo
interconectado e sublime que você mesmo precisa vivenciá-lo.
Não adianta eu falar para você: "Olha, o Shabat é maravilhoso" se você nunca
participou de um Shabat na sua vida, você então nunca teve uma experiência
completa como ‘esta, entre outras tantas.
De fato, pareceria algo teórico e abstrato para você.
Talvez você até tenha uma sensibilidade natural de dizer: "poxa que conceito lindo,
realmente para aquele que observa a Torá deve ser uma coisa maravilhosa".
Mas a não ser que a pessoa participe e vivencie desta espiritualidade com
entusiasmo legítimo em seu coração, ela mantém sim uma distância.
Por quê?
Porque o da’at precisa estar envolvido na experiência espiritual, ou seja, toda a
alma, emoção, e corpo.
Assim é o ser humano.
Ele quer tudo, precisa de tudo para tomar suas decisões, senão ele não consegue,
pois tem dificuldades.
Disso nós aprendemos algo muito importante: quando a pessoa escolhe o bem
como definido pela Torá, que é a palavra de D-us, a pessoa 'se une ao Bem'.

Lembrem-se que eu expliquei: o lado direito de da'at é a ideia da pessoa se ligar ao


Bem.
Então quando ela usa o seu poder de livre arbítrio para assim escolher o Bem
maior, para se ligar com a palavra de D-us, e não somente o "bem menor" por
assim dizer, ela está se 'unindo com aquilo que é absoluto e final sob o ponto de
vista do Bem'.
Ela se une literalmente com D-us, pois Ele 'é' o Bem absoluto, infinito, e eterno
Quando a pessoa opta por se ligar ao bem da Torá que é afinal o manual divino do
Bem absoluto, ela está se conectando a uma fonte 'totalmente retificada' — de fato,
a fonte das fontes, a própria origem Divina da retificação, absolutamente
esplendorosa, absolutamente positiva.
Apesar da pessoa talvez ter dificuldades no seu estágio espiritual ainda mais baixo
de "concordar" com estes assuntos (como se algo fora dela dependesse dela
concordar ou não), mas no nível do seu poder de livre arbítrio, elo precisa sim
concordar.
Mesmo que ela pense: "Eu não consigo, ainda não cheguei nesse nível de
percepção, não consigo compreender isso e aquilo etc.", de qualquer maneira, a
afirmação sobre o Bem absoluto aqui é categórica: a verdade é que a pessoa que
usa seu poder de livre arbítrio e decide por se ligar à Torá, com a palavra do D-us
vivo, ela está se unindo com o Bem absoluto e final.
E a capacidade de se unir é a dimensão interior de da'at.
Eu falei sobre da'at, do lado direito e do lado esquerdo, mas na essência da'at
significa conhecer no sentido de se unir.
E por isso é o próprio verbo utilizado quando a Torá fala sobre o "conhecimento
bíblico", a união íntima que Adam teve com Cháva.
Esta é a ideia de que há de fato um 'conhecimento' e não algo superficial.
Houve uma união entre os dois, e eles se tornaram uma só carne.
O verbo usado na Torá implica em entendimento, união, conexão, enfim, tudo que
é ligado a da'at, ao conhecimento.

Então vocês entendem agora que a dimensão interna de da'at, o seu objetivo mais
profundo é buscar união, e a maior e mais intensa e eterna união é com D-us,
através da Sua Torá.
Afinal como eu expliquei, da'at une tanto os aspectos mais elevados do cérebro, do
séchel da pessoa com as suas midót, com a sua parte emocional.
Ele é como uma "válvula" que conecta estes universos tão distintos do intelecto e
das emoções.
Então na própria configuração humana já existe esta capacidade de ligação, vamos
dizer assim, de se unir e conectar.
Realmente, você só consegue entender alguma coisa de fato quando você se uniu a
ela.
Isto é fundamental.
Por que uma pessoa então não faz alguma coisa como deveria fazer, se ela afirma
ter entendido o assunto?
Mesmo em um exemplo genérico, não quero entrar nos detalhes aqui, o fato é que
se ela não mudou seu comportamento, ela então 'não conseguiu união' com a
verdade sobre este algo que ela deveria fazer.
Por que se ela tivesse união verdadeira, se ela optou e quer se ligar a um bem
maior, como conseguiria não dar então sequência no cumprimento, vamos dizer, de
uma mitsvá, etc.?
Por exemplo, se a mulher judia de fato acredita que ela precisa acender as velas de
Shabat na casa dela, se ela acredita sinceramente, se ela se uniu intelecto-
emocionalmente, espiritualmente com o desejo Divino que é a mitsvá, como é que
ela pode não cumprir esta mitsva?
Se isso ocorre, então é por que ela não se uniu de fato com este preceito; não ficou
exatamente claro, ela não conseguiu esta união vital com D-us.
Por quê?
Bom, o porquê é um outro assunto e como curar isso também é um outro assunto.
Eu estou apenas tratando um pouco de explicar o da'at que é algo tão importante,
e principalmente agora quando adentramos no nível elevado do da'at elión — o
entendimento superior — que permite a pessoa de começar a entender um pouco
das realidades espirituais, daquilo que a Torá está nos trazendo não somente na
sua dimensão literal, revelada, mas também aquilo que é explicado como a origem
das coisas e a natureza espiritual de todo este mundo, toda esta grandiosa criação
de D-us, o Sód, que é a alma da Torá.

Muito bem, continuando.


Eu vou mudar um pouco o foco, mas ainda dentro do espírito desta aula.
A Torá explica que "não existe mal além da doença".
A ideia aqui é que o mal e a doença são a mesma coisa.
Doença é o mal.
No "popular" se afirma que existem doenças que têm o "nome de mal" como, o
"Mal de Chagas", por exemplo.
É curioso por que o lado esquerdo de da'at percebe o mal, seja por que você não
está se sentindo bem, se está doente, D-us nos livre, ou um mal externo a você,
por que de fato a origem do mal, sem entrarmos em detalhes agora, provém do
lado esquerdo da Et Chayim (relativo à sefirá de guevurá, representando a
Severidade Divina).
E da'at é sensível (ou deveria ser) a isso.
Agora, o mal e, portanto a doença é a manifestação da degeneração do lado
esquerdo sefirótico correspondente ao poder de guevurá na alma do indivíduo.
Isto significa que o lado esquerdo, ao se "degenerar" devido aos comportamentos
desalinhados dos homens com as leis espirituais — e quando esta degeneração se
manifesta no nível físico — pode se tornar uma doença.
A doença é na verdade, não o estágio inicial, mas 'o estágio final da manifestação
do mal', quando a doença tem a origem espiritual.
Não necessariamente todas as doenças têm esta origem.
Mas olha que interessante, a doença é o mal já manifesto.
Veja bem o que está sendo dito aqui.
Por que é assim?
Por que temos que lembrar que o lado esquerdo é a essência do poder de
tsimtsum, que é a força Divina de restrição e ocultação da própria Luz Divina.
Na medida em que esta Luz se contrair mais e mais, implicando assim em uma
"degeneração" (sob o ponto de vista humano), e esta se tornar então mais severa,
se intensificará cada vez mais a 'ausência de Luz espiritual para a pessoa', a saber,
de vida em sua integridade completa, saudável.
Afinal, todos os males e doenças derivam de um estado espiritual de ausência,
falta, ou vazio.
Em Cabalá, a palavra choleh ("doente") tem guemátria ("valor numérico") de 49, e
indica que à pessoa falta o 50° portal da compreensão (Bina) — o estágio completo
do saber.
[Nossos Sábios da Torá afirmaram que "A guemátria de Mahalah ['doença'] é igual
a 83... existem 83 tipos de doenças que afligem a humanidade" (Talmud, Báva
Káma 92b). O grande codificador das leis da Torá, o Rambam ("Maimônides"), foi
também um dos maiores médicos da sua época. Ele organizou todas as leis da Tora
em 83 seções, implicando assim que a Torá, provê a cura para todas as doenças
físicas bem como as espirituais.]
[Como ensinado na Cabalá, existem Chamishim Sha'arei Bina, "50 Portais
Compreensão". Portanto, curar significa "preencher" ou "completar" a consciência
do indivíduo com o 50° portal de compreensão.]

Idealmente todos os nossos atributos espirituais, e, portanto os seus reflexos na


fisiologia humana, deveriam estar em ordem, equilibrados, em perfeitas condições.
Deveria ser assim, mas o que ocorre é que existe uma ocultação da luz Divina no
degenerar destes atributos correspondentes na alma da pessoa.
E em sendo esta luz Divina vitalizante 'ocultada e contraída', isto vem a implicar na
diminuição da própria força vital da pessoa.
Assim, considerando a conexão de um certo atributo espiritual, um dos poderes da
sua alma, com um dos sistemas fisiológicos humanos, e se nesta conexão surge
uma deficiência (ausência/vazio) deste atributo espiritual específico no seu reflexo
fisiológico —por alguma razão que hoje nós não vamos entrar nestes detalhes —
então isto pode implicar em uma diminuição da força vital que sustenta este
sistema (ou seja, a sua imunologia).
E a doença vem a ser a 'decorrência da diminuição de força vital de acordo com
características de cada um no sistema específico ligado ao atributo espiritual que se
degenerou'.
É importante entender melhor a natureza espiritual das doenças, pois é possível
tratá-las através de retificações espirituais da pessoa, se D-us quiser.
A propósito, sobre isso é sabido que os tsadikim, indivíduos extraordinários em sua
fé e santidade, sempre ajudaram muito o nosso povo através de curas espirituais
(tendo eles conhecimento "técnico" disso ou não).
O fato é que existe a possibilidade da cura espiritual por um sábio que se dedica a
este conhecimento santo da Torá ou por um tsadik, que afinal vive em um nível
muito alto de kedusha e assim "recebe" a cura através de Ruach HaKódesh
("Inspiração Divina") — um método infalível.
Entretanto, um sábio da Torá compreende estes assuntos na sua essência,
instintivamente.
Ele poderá vir a conhecer até de modo específico o efeito no corpo do
"desalinhamento espiritual" (leia, das transgressões da Tora) e a sua relação com a
doença específica, e por fim, como curá-la.
Este conhecimento vem através e tão somente do estudo sério com profundidade e
das meditações da Torá, além de uma vida santificada em estrito acordo com as
mitsvót (que alteram a consciência da pessoa, elevando-a).
O ponto é que existe sim a cura espiritual, venha ela através de um tsadik, um
sábio, um médico, ou principalmente através da teshuvá — do arrependimento e
retorno a uma vida de Torá.
Claro que existe.
E assim como está escrito: "Apieda-Te de mim, ó Eterno, porque falece minha
força; cura-me etc." e "Na enfermidade o Eterno lhe dará amparo; seu leito
guardará quando uma doença o acometer. Eu pedi: ‘Concede-me Tua graça, ó
Eterno, e cura minha alma, mesmo tendo eu pecado contra Ti"' — mesmo quando a
pessoa se desalinhou e sua alma e corpo adoeceram, ela deve fazer teshuvá, e se
D-us quiser receberá uma cura.
Continuando, vamos falar mais sobre o conceito de "diminuição da Luz Divina" na
pessoa.
Será que existe algum "sintoma" desta diminuição que se manifesta em um grau da
consciência?
Sim, existe.
E de fato, se trata de uma experiência muito difícil para as pessoas, pois a
"ausência" de luz espiritual — ainda que não seja percebida conscientemente, de
modo revelado — causa uma séria manifestação no nível do subconsciente.
Quanto menos luz espiritual, por assim dizer, mais frequente será a vivência da
pessoa em um estado ou experiência existencial que poderíamos chamar de
"escuridão da noite".
Uma pessoa que vive sem D-us e que não O conhece e nem busca isso de modo
consistente, pois não acredita n'Ele e assim nega a Sua Providência, estará, no
tempo todo que for cabível a ela, vivenciando uma realidade muito dura.
Existe um dito dos sábios que diz: "Os perversos são cheios de remorsos".
Eles fazem as suas coisas erradas achando que são boas para eles, mas no fundo
eles se sentem mal. 'Este conceito da Torá certamente se aplica em algum grau a
toda pessoa que vive sem conhecer a D-us, ainda que ela não seja um perverso
revelado'.

O mal aqui é a dureza de sua vida, e o remorso, a sua "escuridão da noite".


Veja bem, na medida em que a pessoa vive distante do Bem absoluto da Torát Há
Emet ("A Torá da Verdade"), ela então está de fato mais próxima de algo —
podendo ser qualquer "outra coisa", mas que não é o Bem absoluto.
E a manifestação do "estado espiritual" distante deste Bem é sempre uma
"sensação" de escuridão crônica, a saber, do caos e vazio que a tudo sublinha na
sua vida.
E o que é exatamente esta escuridão?
Ela pode vir a ser qualquer coisa.
A pessoa pode sofrer de atsvut ("depressão"), ou atsabim ("ansiedade", em
diferentes partes do torso e graus de intensidade), ou ter medo constante da
pobreza (algo que é muito comum, mesmo em quem é materialmente rico), ou
ainda ela pode sofrer de baixa autoestima.
Enfim, existe uma grande variedade de manifestações desta escuridão no
subconsciente, ocorrendo sempre de acordo com características particulares de
cada um.
Agora, uma pessoa com fé e confiança em D-us tem a sua força vital aumentada,
pois ela se torna mais espiritualmente iluminada/elevada, de acordo com o princípio
que afirma: Vehe'emin b'Hashém vayachsheveha lô tsedaca, "E Abrão acreditou no
Eterno, e [D-us] lhe considerou isso como um mérito [ou retidão]".
Mas, além disso, ela ao mesmo tempo se distancia do caos e vazio — deste estado
nocivo de "escuridão da noite" que poderia de outra maneira afligi-la.
Mas por que exatamente estes pensamentos tão "escuros" ocorrem?
Porque como já explicado, quando o lado esquerdo (que é o lado da Severidade, ou
Guevurá) da Etz Chayim — a árvore simbólica dos 10 atributos Divinos e que tem
correspondência nos atributos da alma — se degenera, ou seja, se desequilibra (e
assim, a alma também) devido aos comportamentos errados que contrariam as leis
espirituais da Torá, as guevurót ("forças de Severidades") são "despertadas".
Assim é a Justiça Divina.
Mais ainda, misticamente, as klipót, que são os poderes malévolos do universo,
podem então ganhar acesso e se apossar dessas guevurót, transformando-as em
juízos ainda mais severos e que se manifestam nas várias amarguras e sofrimentos
da pessoa, que D-us não permita.
E uma (apenas) das possíveis manifestações destas severidades ocorre na mente
humana.
Sem Torá, a mente tende a se preencher com pensamentos negativos, que surgem
afinal do subconsciente não retificado e que é constantemente "bombardeado"
pelas forças negativas.
Deste modo, as klipót "aprisionam" este grau oculto da mente, fazendo lá o seu
domínio.
Quando nas Escrituras é descrito o local que ficou sendo mais tarde associado ao
Guehinom ("Inferno") espiritual, lemos que: "Eis que trarei um mal tão intenso [a
saber, as amarguras das klipót] sobre este lugar [ou seja, a mente], que tremerão
[em ansiedade crônica] os ouvidos que escutarem [como o corpo que "escuta" a
mente] sua descrição [causando assim os vários males]"".
Vemos aqui uma metáfora para o estado de escuridão intelecto-espiritual que pode
afligir a pessoa em sua mente, e que ao se revelar em níveis cada vez mais
conscientes, pode vir a gerar doenças emocionais e fisiológicas.
E isto é literalmente infernal.
E é por esta razão que a Cabalá ensina que é sempre melhor buscar retificar e
assim "adoçar" estas severidades (para que se tornem chassadím, "benevolências")
na sua 'origem', ou seja, na mente.
Pois, antes que os pensamentos se degenerem ainda mais e possam se manifestar
em doenças é importante retificá-los.
E isto é possível somente através da ligação com algo completamente retificado: a
Sabedoria Divina da Torá, que é o pensamento de D-us.
E a Torá ensina que é também importante meditar para realizar retificações na
mente, para se livrar desta escuridão.
Isto deve ser feito através de um processo espiritual que afinal, contrarie a
degeneração descrita aqui, ou seja, através da ascensão mental.
O grande mestre Chassídico, o Ba'al Shêm Tóv, ensinou que a pessoa deve meditar
visualizando a si mesma subindo os mundos espirituais.
Mas qual o significado disso?
A ideia aqui é o compreender e entender verdadeiro dos níveis cada vez maiores de
bitúl — a 'auto anulação do Ego'.
[A Cabalá ensina que existem Arba'ah Olamót ("Quatro Mundos"): Atsilut, Beriyah,
Yetsirah, e Asiyah. Mundo é um termo que denota tanto os estágios do processo da
criação, como os níveis de consciência e fases espirituais. O mundo mais
espiritualmente elevado é Atsilut, e é considerado único em sua consciência
exclusiva do Divino. Sendo assim, os três "mundos inferiores" possuem graus
variáveis de autoconsciência independente. A autoconsciência em cada mundo é a
expressão do seu bitúl, pois quanto mais elevado o mundo, menor é a
autoconsciência independente de D-us. No mundo mais inferior, o universo físico e
finito (Asiyah), a autoconsciência independente de D-us é total.]

O esvaziamento do Ego permite a pessoa de se preencher com a Luz de D-us.


E este processo retificador implica em uma prática muito positiva e ainda mais
geral: a da pessoa estar sempre e continuamente pensando em D-us.
Isto inclui falar com D-us em sua mente para que Ele e somente Ele a preencha.
E é preciso falar também sobre D-us com a sua boca, para que os seus ouvidos
escutem sempre as palavras retificadas que adoçam as pragas dos pensamentos
negativos e sentimentos amargos que buscam se alojar no seu coração.
Enfim, todas estas práticas entre outras, ajudam a pessoa a se acostumar com a
Presença de D-us, portanto, tornando-a consciente de uma realidade mais elevada
e fomentando o seu desejo para que ela viva a sua vida de acordo com esta
consciência, amém.

Quero explicar algo mais sobre o atributo da Severidade (Guevurá).


O assunto central de guevurá é o temor.
Como é trazido nos livros profundos da Torá, Avraham Avinu ("Abraão nosso pai")
foi o "canal espiritual" que representava Chésed no mundo, da Bondade Divina.
Yikchak Avínu foi o canal de Guevurá no mundo, da Justiça (e Severidade) Divina.
Em outro nível, os patriarcas representam também o tipo de serviço espiritual a
D-us: um, o serviço de chésed ou amor a D-us, e o outro de guevurá, ou temor a
D-us.
Como dito, o patriarca Yitvhak foi o canal do atributo de guevurá no mundo,
entretanto esta ligação existiu somente no nível santo do atributo da Justiça Divina,
e assim, sem qualquer degeneração.
Em Cabalá, a degeneração de um atributo santo, como Guevurá, implica que este
se torne mais "amargo", ou seja, severo.
Por exemplo, quando a justiça se degenera ela pode se tornar tirânica.
É interessante notar que Yikchak e Esáv tinham uma ligação verdadeira, pois como
é sabido, "Yikchak amava Esáv".
E por que isso foi assim se eles tinham níveis espirituais de "lados" diferentes, um
santo e ou outro não?
A razão é devido à semelhança de 'origem espiritual' de ambos em Guevurá.
Entretanto, Esáv, o filho perverso de Yikchak, representou o canal ou na linguagem
da Cabalá, a midá ("atributo espiritual") de guevurá degenerada (e que é também a
origem do mal no mundo); enquanto o seu pai, um tsadik completo, representou
esta mesma midá mas no seu nível retificado, santo.
Agora é possível entender por que na medida do afastamento (leia, degeneração)
da pessoa de D-us, ou seja, de uma vida sem Tora, tantas das manifestações
espirituais, intelectuais, emocionais e até físicas na sua vida sejam uma expressão
da midá de guevurá degenerada.
Ou seja, estamos tratando aqui do tão comum 'temor' das coisas que as pessoas
sentem, mas não do temor a D-us que representa a midá de guevurá em seu
estado retificado.
Assim, a pessoa que vive sua vida sem Torá manifesta excessivos temores,
tensões, e ansiedades com esta mesma vida.
Claro, pois é exatamente assim que vemos a relação da pessoa com D-us, a saber,
nos seus vários temores.
Temor de viver, temor de morrer, temor de crescer, temor de largar, temor de não
largar, entre tantos outros.
Cada pessoa sabe onde é mais incômodo para si.
E este incômodo é o reflexo no grau físico da sua falta de fé e confiança em D-us,
do distanciamento e assim, da degeneração de sua relação com Ele.
Uma pessoa que tem temor e espanto diante de D-us, que teme transgredir as
Suas leis, esta pessoa não teme mais nada.
Agora é possível concluir este longo pensamento que foi aqui desenvolvido, através
de uma ideia muito forte.
Essencialmente, 'todo temor que não seja temor a D-us se expressa de modo
degenerado.
Ou seja, todas as suas fobias, temores, inseguranças, medo disso, daquilo, dele,
dela, daquela situação, tudo isso pode se tornar na verdade a origem potencial de
alguma doença, que é afinal o próprio mal manifesto, a degeneração no grau físico.
É preciso ficar atento a estas coisas e buscar crescer em fé e confiança em D-us.
Continuando, toda fraqueza de qualquer um dos atributos espirituais que a pessoa
tem (e a sua correlação na fisiologia do homem) — são 10 poderes da alma
correspondentes às 10 sefirót — representa uma contração, um tsimtsum daquele
atributo espiritual particular.
Quando um atributo espiritual é "forte", por assim dizer, ele é completo.
Por exemplo, a pessoa tem um nêtsach forte.
Então este atributo nela tem ‘shleimút’ — ele é completo.
Note que nêtsach é uma das sefirót e corresponde à característica espiritual que dá
força à pessoa para 'sobrepujar os obstáculos', ter empenho e "vitória" como é
traduzido muitas vezes.
Afinal, é necessário ter muita força para lutar contra a iêtser hará.
É algo muito difícil, e a pessoa precisa ter um nêtsach muito forte, uma capacidade
de sobrepujar os obstáculos.
A iêtser hara é nada mais do que o maior obstáculo espiritual do judeu.
Para quê sobrepujá-la?
Para que o judeu possa ter a sua retificação e ascensão espiritual devida.
Ele precisa aprender a lutar com a sua iêtser hara.
Enfim, a pessoa que nasce com "muito" deste poder espiritual na sua alma, com
muito nêtsach, baruch Hashém, talvez para ela seja sim mais "fácil", em algum
grau e nível, lutar contra o mal.
Ela tem isso, ou se não tem, aprendeu a desenvolver.
Todos nós temos os mesmos poderes da alma.
Acontece que qualquer fraqueza neles está representando que eles não estão
"completos", portanto eles estão "atrofiados", metaforicamente.
Esta é a ideia de tsimtsum aplicada aos poderes espirituais da alma, implicando que
deste modo, há uma 'deflação deste atributo' particular, por assim dizer.
Agora quando o atributo é incompleto (ou fraco) ele é dito como sendo "inclinado"
para o "lado esquerdo" da Etz Chayim, ou seja, relativo ao aspecto de
severidade/contração da árvore sefirótica.
E o resultado da fraqueza de um atributo espiritual será sempre o medo — o temor
naquele grau da alma.
Isto é claro.
Por exemplo, se um dos meus atributos da alma, como o meu nêtsach, é fraco,
então eu vou ter de um modo geral, 'medo de sobrepujar obstáculos'.
Então a minha fraqueza vai essencialmente "gerar" mais fraqueza.
A fraqueza que eu tenho, se eu não aprender a 'retificar' este aspecto do meu ser e
vida, vai acabar fazendo com que eu me mantenha afastado de todas as
experiências que poderiam ser usadas justamente para eu aprender a desenvolver
o meu nêtsach e assim lidar com os aspectos negativos das coisas e sobrepujar os
vários testes da minha vida.
O que acaba acontecendo muitas vezes com as pessoas é que elas tem medo, que
tem a ver com a fraqueza espiritual em um certo atributo, e ao invés delas
conseguirem usar esse medo como uma 'força de retificação', de crescimento etc.,
elas acabam literalmente se afastando do teste e perdendo assim a valiosa
oportunidade de crescimento e iluminação.
E isso também explica por que tantos testes se repetem na vida da pessoa.
É Shamáyim ("Céus") te enviando mais outra chance maravilhosa para ver se quem
sabe, dessa vez ao menos, você passa no teste.
Preste atenção, pois está acontecendo de novo.
Seja dinheiro, casamento, relacionamentos, filhos, saúde, o que for, não importa.
Também é possível que os testes venham de modo ainda mais sutis, ou complexos
ao extremo, não importa.
O fato é que a pessoa vai tendo chances oferecidas pela Providência Divina de
retificar a sua fraqueza particular, por que todos nós viemos a este mundo para
efetivar tikuním ("retificações"), e por isso o nosso mundo é chamado de Olam
HaTikun ("O Mundo da Retificação").

Para isso serve você estar aqui, pois afinal, você não veio perfeito, mas sim, para
se aperfeiçoar, se D-us quiser.
Precisamos então dos inúmeros testes para nos transformar.
Mas as pessoas que enxergam as coisas de uma maneira muito superficial e não
estão ligadas a este Bem maior, a Tora de Hashém, que é de onde é ensinado como
se aperfeiçoar e passar os testes, o que elas fazem diante destes mesmos testes?
Elas voltam para trás, elas tem medo.
Elas acabam incorrendo em padrões conhecidos, repetidos — a pessoa acaba por
(re)agir sempre da mesma maneira.
Ela sempre perde da mesma maneira, ou deixa de realizar o objetivo do teste da
mesma maneira etc.
Por quê?
Porque ela não está "alimentando" corretamente o seu da'at; ela não está
recebendo luz espiritual, e, por conseguinte, não está influenciando as suas
atitudes com uma fonte fidedigna e retificada que a ajude a ganhar em
autoconsciência e dizer: "Espere aí, a minha programação mental está errada. Eu
preciso dar um jeito de melhorar. Sou viciado em mim mesmo, nas minhas
obsoletas respostas a tudo que me desafia".
Mas como ela pode aprender e melhorar se, primeiro, não nasceu sabendo e por si
só não tem como desenvolver isso, e em segundo lugar, não estuda Torá e cumpre
mitsvót?
De fato, é muito difícil, pois ela não está verdadeiramente 'conectada' com o Bem
maior que promete e ensina justamente como realizar todo este processo de
retificação.
Eu vou trazer mais dois exemplos.

A pessoa tem uma fraqueza na sua alma, no atributo espiritual da


compaixão/misericórdia.
De fato, existem pessoas que têm o "coração frio".
Aliás, coração é a ideia aqui, por que o atributo da compaixão é tiféret.
Então a pessoa tem o seu tiféret enfraquecido, por assim dizer.
Só que tiféret é correlacionado fisiologicamente com todo 'sistema muscular', o qual
o coração faz parte.
O coração é um músculo também, sob o ponto de vista fisiológico, certo?
Então este atributo espiritual é fraco e a pessoa tem 'medo de expressar
compaixão', consciente ou subconsciente, não importa.
Ela tem medo de expressar por que ela acha que isso pode demonstrar uma
fraqueza, e alguém pode fazer mal para ela, chaz ve'shalom.
Não é incomum esse tipo de coisa.
Então o medo que ela tem pode gerar uma doença no coração dela ou em um outro
aspecto do sistema muscular, justamente por que ela 'privilegiou este medo'
inferior.
Agora, este medo origina 'comportamentos fracos' que ao invés de se retificarem se
tornam a origem espiritual de um problema fisiológico.
Veja bem, a pessoa tem dificuldade com compaixão, e compaixão é ligada à sefirá
de tiféret, e tiféret "regula" o sistema muscular, o coração (ou outro músculo
qualquer) que é o "centro da compaixão", o qual acaba sendo danificado por este
medo, por que eu expliquei que todo temor que não seja ligado com temor a D-us é
uma origem potencial de alguma doença.
Daí a importância fundamental de ter amor e temor a D-us.
Nós estamos falando aqui no aspecto de temor, por que esse temor é garantido de
trazer só benefícios, enquanto que o outro temor é garantido de trazer malefícios,
D-us nos livre.
Esta é a ideia trazida aqui.

Eu queria trazer um último exemplo que eu acredito que incorpora tudo que eu falei
até agora sobre este assunto.
A pessoa tem medo de algo, portanto nela se manifesta a força do tsimtsum (que é
uma atrofia ou contração de um atributo espiritual em sua alma).
E este 'algo' é o aceitar do cabalát ól, o 'jugo Divino', ou seja, o aceitar viver uma
vida de Torá e mitsvót.
Ela tem medo, pois isso a desafia e aos seus costumes.
E ela de fato afirma: "Eu não quero mudar a minha vida. Não sei, eu não gosto,
não concordo com estas coisas, eu não cresci assim. Estou velho demais, ou estou
moço demais, sou bonito demais, sou feio demais etc.".
Tudo pode ser usado como uma desculpa.
Verdadeiramente, não faltam desculpas para a pessoa justificar seus
comportamentos rebeldes e insensatos.
Muito bem, então o que acontece?
A pessoa não só tem medo de receber o cabalát ól, causado por um tsimtsum de
algum poder de sua alma, mas precisamos aferir também qual é o órgão em sua
fisiologia que corresponde a este poder de sua alma que está contraído, e que está
impedindo o fluxo deste recebimento vital.
A resposta está na "dieta informacional" da pessoa, e isso quer dizer que o atributo
espiritual afetado e que a inibe de se ligar a D-us é o seu da’at.
Ter medo de receber o jugo Divino significa que literalmente, 'o entendimento da
pessoa está atrofiado'.
Isso é claro, pois ela não está conseguindo entender as verdades espirituais que
afinal, transcendem os limites do intelecto racional.
Ela se encontra aprisionada em sua mentalidade obsoleta e restritiva e na sua
super identificação com a realidade material, observável, determinística, e que é
desprovida do contato com o espiritual, da Providência de D-us.
Assim, ela não consegue 'receber' a sabedoria Divina.
Ela está atrofiada no seu entendimento, ela não entende, ela se confunde, falta
iluminação, entendimento superior.
Ela diz: "Sei lá, não sei do que você esta falando, da'at, tiféret, não sei, não
entendo nada, eu tenho que voltar para o meu trabalho etc., tenho outras
preocupações, não estou ligado nisso".
Eu sei como é.
Mas o fato é que eu estou explicando para vocês que estas expressões provêm
estritamente de uma mente que está sofrendo de grande tsimtsum no seu da'at,
significando uma verdadeira restrição no seu entendimento.
Aliás, isso já vem desde o Gán Éden, quando aprendemos que Adam, através do
seu pecar, causou uma grande diminuição do seu grau de santidade e percepção —
ele sofreu (e nós, seus descendentes sofremos todos até hoje) o que é chamado
mochin d'katnút, a "consciência restrita", pois o canal espiritual central que foi
afetado em sua consciência foi o da'at.
Portanto, podemos entender que, uma pessoa sofrendo de um
tsimtsum/restrição/constrição progressiva no seu da'at (devido ao seu estilo de
vida) não vai querer aceitar o cabalát ól, o que inibirá o seu crescimento — o da'at
elión que é o entendimento das realidades superiores da Torá.

Então como fica?


Se quando eu expliquei sobre coração que é ligado espiritualmente à tiféret, e a
pessoa não consegue ter compaixão, ela se segura, ela se contrai e não consegue
revelar a sua compaixão, e no final acaba desenvolvendo uma doença justamente
no órgão central deste sistema muscular que é regido espiritualmente por esta
sefirá de tiféret, então, o que acontece quando a pessoa, em seu nível de da’at,
cede a esta restrição, a este tsimtsum natural para ela, a esta força de contração
mental que já existia e agora existe 'cada vez mais' e que faz com ela não consiga
entender e aceitar o cabalát ól?
O que acontece por ela não aceitar e receber o conhecimento retificado da Torá
sobre toda a Criação?
Qual é o órgão que se debilita e que pode adoecer com a corrupção do da'at?
Pense enquanto pode.
O ponto afetado fica no seu entendimento, ou seja, na sua 'mente'.
Sim, afinal tratamos aqui do sistema chamado 'sistema do entendimento'.
E doença no entendimento tem um outro nome mais comum: ela é chamada de
'doença mental'.
A pessoa que não consegue receber o cabalát ól, portanto, não consegue
desenvolver seu da'at elión, implicando na sua confusão e ansiedade sobre as
verdades Divinas que a tudo sublinham, e que perde a oportunidade de assim se
retificar e crescer espiritualmente, ela acaba desenvolvendo um desequilíbrio no
seu entendimento — ela desenvolve sim uma doença mental, em algum grau e
nível.
E se D-us quiser, em algum momento nós vamos falar mais sobre estes assuntos.
Mas ao menos agora temos alguma ideia sobre a importância de conhecermos algo
sobre a raiz espiritual das doenças.
Realmente é algo extraordinário.
Cada sistema fisiológico manifesta a doença relacionada ao tipo de medo que é
cabível ao sistema.
Então tiféret/coração, da'at/doença mental (porque o entendimento fica
comprometido de alguma maneira), e assim por diante para cada um dos atributos
Divinos da maneira como estes são refletidos nos poderes da ahna, bem como a
regência destes atributos sobre o nosso corpo físico e seus vários sistemas.
Enfim, a cura aqui prescrita para as várias patologias mentais é muito simples:
Torá e as mitsvót, uma vida digna e reta, e que seja assim se D-us quiser para
todos vocês amém.

Continua
Cuidado – Sua alma pode estar em Perigo – Parte 5

Quinta Palestra - 17 de Adar II, 5768 (24 de Março, 2008)

Esta é nossa quinta aula dessa série tão especial que tem abordado coisas muito
sérias e intensas.
Temos falado sobre o assunto sensível que, através dos 'atos da pessoa', ela pode
se tornar mais ou menos aberta às influências angelicais, de entidades espirituais
variadas.
Falamos bastante disso em um bom grau de detalhamento.
Eu também abordei na última aula em particular o assunto do da'at, o
entendimento da pessoa, e como é vital que ele seja retificado, o que é certamente
um gancho para a aula de hoje.
Vamos continuar falando agora do tema que trata da origem espiritual das doenças
mentais — um problema muito sério que tantos aflige no mundo todo.
Mais ainda, eu ainda pretendo conseguir, se D-us quiser, uma convergência dos
vários assuntos tão vitais desta série de palestras, para assim e verdadeiramente
resumir todo esta obra.
Eu queria trazer um Midrash extremamente apropriado aos assuntos que temos
tratado até então.
Realmente, um santo relato "diferente", e que lida bem e diretamente com muitos
de nossos temas.
Ele diz o seguinte: "Não existe lugar algum no universo todo que não sejam
encontrados milhares de shédim ['demônios’], cada um deles com uma máscara
sobre a sua face para prevenir que olhem para o homem e o façam mal.
Mas quando o homem peca e é assim determinado em Cima, estes shêdim
removem as suas máscaras e tornam os seu fitares nele, e assim o prejudicam"".
Este Midrash resume muito do que já foi falado até agora.
Apesar da origem midráshica, parece que estamos lendo algo de um livro de Cabalá
Ma'asit ("Prática"), que fala destes assuntos.
Mas assim é o Midrash muitas vezes.
Enfim, o que quer dizer este Midrash então?
Eu quero entrar um pouco mais naquela ideia de que a pessoa, sem saber, um
incauto, acaba se tornando um 'alvo espiritual'.
Esta é a ideia aqui.
Eu acredito que a metáfora sendo usada neste Midrash é extremamente intensa e
pertinente, e é correto pensar que estas forças espirituais — as quais nós não
temos acesso normalmente — existem 'simultaneamente' à nossa existência física,
em nossa dimensão, e que com a ajuda de D-us nós jamais atrairíamos a atenção
delas.
Veja bem.
É como se nós humanos e eles existissem em frequências diferentes, aonde apesar
de existir uma coexistência em um nível, em geral, nós não chamamos a atenção
destas forças.
Baruch Hashém que é assim.
No entanto o Midrash está nos dizendo que estes elementos negativos, os quais
têm sua vida própria (descrita nos livros profundos dos santos rabinos), nos
"enxergam", por assim dizer.
O fato é que "algo" das nossas ações pode fazer eles 'removerem essa máscara',
como é dito nessa metáfora do Midrash.
Ou seja, o remover do véu que faz com que eles passem a nos enxergar, de
alguma maneira.
Nós não sabemos exatamente como esta "visão" ocorre, pois isso é algo que
descreve assuntos espirituais muito sublimes, e é indevido trazermos isso para o
nível material de compreensão.
Mas existe aqui algo que explica sim esta "visão espiritual", a saber, relativo a uma
'afinidade'.
Esta é a ideia principal.
Antes de prosseguir, eu alerto que quando tratamos de assuntos espirituais, temos
que nos distanciar o máximo possível do uso da terminologia mundana e material.
É preciso evitar falar em termos das medidas, quantidades, dimensões, distâncias,
etc.
O ideal, quando tratamos de assuntos espirituais, é sempre buscar falar de
qualidades e afinidades — algo estando mais próximo ou distante em termos da
sua "qualidade espiritual" de outro algo, ou tendo maior ou menor afinidade.
Continuando, vemos que este Midrash é muito sério.
Enfim, o que acaba acontecendo é que através das transgressões das leis
espirituais da Torá, o "reflexo espiritual", também chamado de Tsélem — a imagem
espiritual do homem nos domínios superiores — se "sintoniza" na frequência e
capacidade de percepção destas forças ao ponto de que elas identificam esta
pessoa de alguma maneira.
E como está escrito: "Estes elementos espirituais podem ver, mas são eles mesmos
invisíveis".
Os detalhes disso não importam agora.
Entretanto, é importante lembrar que na hierarquia espiritual do universo, o ser
humano não é visto como o elemento mais "elevado".
Pelo contrário, ele é tratado como um elemento inferior aos anjos etc.
É verdade, a alma é santa (e a pessoa pode subir de nível espiritual), e isso por si
só é muito, muito especial.
Mesmo assim, homens não são anjos.
E de um modo geral, como explicamos sobre a força vital do homem — aquela
"moeda de troca", o bem de consumo espiritual chamado de néfesh .— as
entidades espirituais nos outros domínios vêem esta néfesh, portanto toda a
espécie humana como alimento em potencial.
E quando eles se "ligam" a nós para se nutrir da néfesh — algo mais frequente do
que se imagina — isso ocorre primeiro através de um "despertar", atraindo a
atenção deles para nós, que D-us não permita.
E este é o "remover da máscara".
Portanto é vital entendermos: o que realmente atrai esta atenção negativa?
A resposta é simples: certos comportamentos nossos despertam esta atenção.
Estes comportamentos ressoam nos domínios espirituais mais elevados, onde o
homem existe não como um corpo físico, mas através do Haluká d'Rabanan e além
— nos graus espirituais que permitem a sua existência nas outras dimensões.
Apesar de o corpo humano existir somente na realidade física, e como o homem é
imbuído do elemento espiritual que é a alma, e ela alcança vários níveis
transcendentais de realidades muito mais refinadas, os seus comportamentos aqui
em baixo implicam em uma verdadeira "reverberação espiritual" em cima, nestes
Olamót.
Esta reverberação faz parte e de fato define a própria essência universal do
homem.
E quando os comportamentos do homem atraem a atenção destes elementos
espirituais negativos, eles buscam então ganhar domínio sobre o homem, a fim de
conseguirem seu precioso alimento que é a néfesh.
Saiba que eles farão todo o possível para conseguir sorver o máximo possível desta
energia vital.
E para isso eles precisam usar a única arma que têm para o estabelecimento do seu
novo "território": o acesso à mente humana, vis-à-vis, ao da'at da pessoa, assim
como explicarei mais adiante.
Afinal, eles não existem propriamente ditos na nossa dimensão física, e sua
conexão com os humanos se dá no grau imaterial da mente.
Em geral, e graças à misericórdia de D-us, nós não temos autorização para
enxergar o domínio espiritual.
E como é explicado pelo sábio da Torá, Ába Biniyamín: "Se o homem visse os
inúmeros elementos espirituais que o rodeiam ele ficaria louco".
Portanto, Hashém não permite que os seres humanos lidem diretamente com estes
elementos de outras frequências. Baruch Hashém que isso não é permitido, por que
não seria nada fácil. E aqueles que têm esta capacidade/autorização de fato, ou são
de um nível de kedusha ("santidade") altíssimo, como por exemplo, o mestre maior
da Cabalá, o Ari'zal, ou são pessoas com um excedente grau de tumah
("impureza").
Enfim, existe muita coisa escrita sobre isso também.
Como mencionado, sob o ponto de vista da "interferência" ativa destes elementos
espirituais em nossas vidas, sejam eles positivos ou não, que D-us não permita,
isto é algo que quando ocorre, somente assim o faz através da única intersecção
possível entre o nosso corpo/domínio físico e eles: o domínio psíquico-intelectual
(espiritual) da mente.
Veja bem, a mente/consciência também é espiritual, não sendo constituída por
nada que pertença a este domínio físico.
A Cabalá explica que, o Haluká d'Rabanan veste a nossa alma (néfesh) e existe
dentro e circunvolvente ao nosso corpo físico.
Este Haluká/ruach é nutrido pelos efeitos energéticos das ações da pessoa dentro
do domínio da matéria de modo que tudo o que ela pensa, sente, e faz gera um
resultado que afeta o ruach.
Em outras palavras, o Haluká é nutrido pela néfesh, pois tudo este grau da alma
permeia no corpo.
O Haluká/ruach é sim constituído de algo material, mas não como nós entendemos
a matéria.
A sua constituição é de um tipo de energia eletromagnética, a mesma do próprio
plano espiritual de ‘Yetsirah de Asiyah'.
O nosso corpo físico e toda a matéria do universo observável existem no plano de
`Asiyah de Asiyah' — abaixo, ou seja, menos espiritualmente refinado do que o
plano do ruach / Yetsirah de Asiyah.
É precisamente no grau do ruach/energia eletromagnética que a mente/consciência
"reside", por assim dizer.
Existe ainda outro aspecto importante sobre esta conexão fisico-espiritual.
O ruach atua também como um "mediador" entre a neshama e o corpo físico.
A neshama é um nível ainda mais elevado da alma e que "influencia" a pessoa (na
sua néfesh e guf, 'corpo’), mas somente ‘através' do ruach.
Sobre isso é importante entender que, quanto mais elevado o nível de influência da
neshama (ou seja, quanto mais 'integrada' a neshama estiver no ruach), maior
também será o acesso ao nível de consciência (retificada) que tem entendimento
sobre a unicidade absoluta do Um D-us. [Segue que toda e qualquer expressão de
idolatria representa um estado não retificado, e assim, imaturo de compreensão
sobre o Divino. Isto ocorre devido à baixeza da raiz, grau, e das características da
alma do indivíduo. A alma judia é provida intrinsecamente com a característica de
fé absoluta na unicidade essencial de D-us. Ao se ligar com a Torá, que conecta a
mente do homem a D-us, o judeu se torna completamente consciente do Um
absoluto. Agora, para o não-judeu, a sua retificação espiritual envolve o refinar dos
7 poderes inatos emocionais, através do seu comprometimento com as 7 Leis de
Noé. Isto e somente isso pode transformar a sua primeira natureza em uma
segunda, agora retificada.Caso contrário, se o não-judeu negligencia a obrigação
Noética, sua consciência pode cair em idolatria. As manifestações destes estados
caídos são as ligações com as ideias como: a "trindade", os astros, a natureza, os
"deuses" inferiores, o dinheiro, as filosofias estranhas, etc. Isto tudo é idolatria,
pois implica que a pessoa é ligada e adora qualquer coisa que não o Um D-us
Verdadeiro.]
De fato, incontáveis são os graus cada vez mais elevados de acessos da consciência
se a pessoa tiver o mérito de receber estes outros graus de sua alma/neshama.
O acesso da consciência no nível da neshama é o acesso à própria e verdadeira
identidade especial e única da pessoa, mas que permanece em geral desconhecida
dela até que ela cresça espiritualmente, se erguendo do materialismo, e desta
maneira, revelando aspectos desta sua neshama/identidade.
Entretanto, isto tudo demanda esforço árduo, pois os desejos naturais rebaixados
do homem e uma vida de identificação com o grau material, contrariam a
necessidade vital de alinhamento espiritual às leis de D-us.
Este alinhamento é o que permite o possível recebimento de aspectos mais
elevados da alma.
E isso é algo que somente e exclusivamente ocorre através do cumprimento das
mitsvót, a tecnologia de avanço espiritual apropriado.
Também é preciso se aprofundar através da meditação e assim penetrar a mente
no seu grau subconsciente.
É através da meditação que se torna possível acessar outros níveis de percepção
muito além do corpo físico e suas realidades dimensionalmente constritivas.
Em resumo, isto quer dizer que a retificação espiritual da pessoa implica no
alcançar de um grau de consciência mais "amplo" do que o físico, levando ela até
mesmo à transcendência de aspectos do espaço-tempo.
A exemplo disso temos as percepções psíquicas e a profecia.
Entretanto, ainda que a neshama seja a identidade verdadeira da pessoa, e que é
ligada ao corpo através do ruach, devido a sua origem tão elevada e
incompreensivelmente "distante" do nosso plano físico / néfesh e até mesmo do
plano do ruach, o acesso a ela, e, por conseguinte, à verdadeira identidade/níveis
de consciência totais da pessoa são muito restritos.
Isto é assim mesmo para os poucos que alcançam níveis mais elevados da
neshama.
Enfim, o ruach / Haluká d’Rabanan é o nível espiritual e frequência, por assim dizer,
que inúmeras classes de entidades espirituais existem e operam também.
É aqui neste nível da consciência/eletromagnético que ocorre a "interferência" real
entre nós e estes seres (que buscam a energia da néfesh).
Este nível é o único modo de interação entre nossas espécies.
Existem outras considerações importantes, mas não são cabíveis aqui.
Por hora e didaticamente o que importa é a ideia de que, estes seres podem sim ter
grande influência nas pessoas se forem atraídos através do poder intelectual da
mente (e assim, da energia que resulta das ações, emoções, e pensamentos
humanos).
Portanto, o "trunfo" destas forças negativas que buscam perturbar o homem que se
abriu a elas de alguma maneira é o ataque ao seu da'at — à essência do seu poder
de entendimento.
Isso é um assunto muito sério, eu já falei bastante sobre isso.
Porque afinal um rompimento com o entendimento — o desequilibrio que ocorre na
pessoa literalmente — tem repercussões extraordinárias na vida dela.
Tudo procede da mente.
Tudo procede do nosso entendimento/consciência.
Tudo.
Se a pessoa entende alguma coisa errada ela vai tomar uma série de decisões
possivelmente erradas na sua vida.
Então o da'at é a origem do nosso poder de decisão.
Isto é muito sério, pois se existe uma corrupção neste grau de decisão a pessoa
pode estar trilhando um caminho não positivo na sua vida.
Seja nas suas decisões fa-miliares, emocionais, relacionais, profissionais, nas
verdades que ela acredita, em tudo.
Assim, este da'at, este aspecto do séchel ("intelecto") da pessoa, estando ele
comprometido, e lembrando que ele é um aspecto abstrato, apenas uma função
intelectual que permite a união entre intelecto e emoções, se esta "válvula" tão
importante e que junta todos estes elementos abstratos (intelecto e emoção), se
isso é comprometido ou sofre alguma espécie de corrupção, também serão as sua
decisões, é simples ver isso.
Por isso que as forças negativas "miram" o ataque no da'at.
Por quê?
Como trazem os sábios, "A recompensa por uma mitsvá é uma outra mitsvá [todo
mundo já escutou isso], e uma averá [‘transgressão'] leva à outra".
E é exatamente isso que estas forças negativas desejam: que você caia
espiritualmente, erre na suas decisões, e assim se distancie de D-us e de Suas leis
espirituais que regem toda a Criação.
Por quê?
Para que você possa cair mais um pouco, e quem sabe mais um pouco ainda etc.
Assim vai ficando cada vez mais fácil transgredir — a pessoa fica corrompida,
portanto a sua degradação e "abertura espiritual" se alastram, por assim dizer.
Então o objetivo destas entidades — de roubar a sua néfesh, sua preciosa força
vital — se realiza.
Que D-us não permita.
Mudando um pouco o foco, de acordo com a Torá, quando estudamos a degradação
espiritual e a sua manifestação como doença mental, percebemos dois grandes
pólos de doença mental no ser humano.
Primeiro, existem as pessoas que o tipo de corrupção no da'at leva à
negação/distorção parcial ou total de tudo que é abstrato, a saber, dos assuntos
espirituais em geral, mas não exclusivos.
Eu diria que este é o tipo mais comum de problema no da'at, ou traduzido em uma
linguagem contemporânea, de doença/distúrbio mental, se esta for causada por
influências espirituais negativas que possam estar operando.
Digo isto condicionalmente, pois deficiências fisiológicas no cérebro podem ser
responsáveis por um quadro assim de modo independente da possível origem
espiritual de algum problema mental.
Mas no caso de uma síndrome de ordem espiritual, isto é assim certamente, pois a
pessoa se tornou um recipiente propício a este tipo de influência negativa.
Então neste primeiro tipo de problema mais comum, a pessoa nega o espiritual,
pois ela tem dificuldade em crer no que não é concreto e observável em maior ou
menor grau.
A sua identificação com a realidade física se torna, portanto arraigada demais, e
assim a sua mente simplesmente não consegue aceitar o abstrato/imaterial e o
psíquico/intuitivo.
E para o "benefício" das forças negativas, a descrença da pessoa não atinge
somente a sua capacidade de crer na polaridade espiritual da kedusha
("santidade") à tumah ("impureza/profanação"), e nos assuntos que tratam da
benevolência/julgamento de D-us e as Suas bênçãos etc.
Não.
Para as forças negativas, a vantagem maior, por assim dizer, desta degeneração do
da'at e assim, da descrença espiritual é que, para elas, interessa muito que a
pessoa também 'não acredite nelas.
Claro, por que se você se tornar um hospedeiro deste tipo de influência e jamais
aceitar que algo assim tão aterrorizante possa estar ‘realmente' acontecendo, você
então se torna um recipiente ideal para o sustento espiritual destas entidades, por
que você jamais vai aferir o seu problema colocando em risco a exposição destes
controles silenciosos.
A pessoa então tem uma doença mental de origem espiritual, mas ninguém
consegue convencê-la que ela tem um "problema".
Ela é indiferente a isso, e assim, esta doença segue o seu rumo.
'É ideal para a influência negativa que você a negue completamente'.
Deste modo, você não somente vem a negar o lado da kedusha, e assim negando a
D-us, a Torá e as mitsvót.
Você vem a negar tudo.
Isto nós sabemos que é fácil, pois afinal, a própria iêtser hara (a "má inclinação")
foi "desenhada" para a desensibilização espiritual da pessoa.
Mas a esperteza máxima da iêtser hara é fazer com que 'você' negue que existe a
iêtser hara, que é afinal um elemento espiritual que provém do mesmo domínio que
todas as influências negativas do universo.
E o grupo de elementos espirituais negativos é chamado de sitra áchra (o "outro
lado") oposto à kedusha.
Então este é o conhecido trunfo (ilusório) do Mal: a iêtser hara, e estas influências
estranhas que buscam assolar a pessoa, atuam em convencer a pessoa de que
nada disso está acontecendo de fato.
Este é o primeiro pólo destes distúrbios mentais que podem afligir a qualquer um.
O outro lado disso, o segundo pólo, é menos comum, mas existe em graus
variados, afligindo muitas pessoas também.
Trata-se de quando a pessoa acredita intensamente nestes elementos espirituais
não positivos ao ponto de vivenciar estas influências no seu dia-a-dia como
contatos de uma maneira 'evidente e revelada' na sua vida.
A pessoa pode ver coisas, ouvir coisas, desenvolver uma série de comportamentos
estranhos e peculiares.
Mal ela sabe que a origem deste estágio de sua doença mental não é física
somente, mas existe sim um elemento espiritual envolvido.
A ciência nunca descobriu as causas exatas das doenças mentais graves (como as
que trazem este tipo de vivência arrepiadora com estes contatos); particularmente
das que apresentam oscilações positivas e negativas dentro de um quadro que
exibe um grupo de sintomas que avultam alterações do pensamento, alucinações
(sobretudo auditivas), delírios e embotamento emocional com perda de contato
com a realidade, podendo causar um disfuncionamento social crônico.
Nos sintomas positivos deste tipo de doença mental, a pessoa revela sinais e
experiências comportamentais 'adicionais'.
Ela vem a desenvolver 'novos' comportamentos estranhos.
E por isso é chamado positivo — no sentido de estar adicionando alguma coisa à
base comportamental anterior.
Agora, em geral, quando a pessoa tem um distúrbio mental desta natureza, mas
sofre uma 'diminuição' das experiências ou comportamentos de sua base
comportamental, implicando em anti comportamentos, ou seja, na perda ou
diminuição das capacidades mentais, então estes são chamados de sintomas
negativos.
Mais ainda, os excedentes/picos de qualquer um destes extremos comportamentais
são chamados na linguagem médica de surtos psicóticos — seja pelo excesso, pela
adição de comportamentos que podem ocorrer na pessoa de súbito e em diferentes
estágios da sua vida, ou pela diminuição exagerada também.
Os dois extremos podem implicar em surto psicótico.
A bem da verdade, este é o tipo de doença que é raro o indivíduo ter consciência de
que está realmente doente.
Em parêntesis, devemos entender que as entidades espirituais negativas buscam
usar a pessoa até o seu fim.
Por que se elas enxergam apenas a oportunidade de explorar a néfesh, a vida da
pessoa, então não existe, não tem importância alguma.
O mal quer encerrar, exterminar literalmente a vida da pessoa aqui e no mundo
vindouro.
E assim como está escrito: "Quando um homem parte deste mundo, se ele é
virtuoso a sua alma ascende e é coroada, e se não, inúmeros shêdim estão
disponíveis para arrastá-lo para o Guehinom [`Inferno'] e entregá-lo nas mãos de
D-mah, o chefe dos shêdim, quem tem doze mil miríades de atendentes todos
incumbidos de punir as almas dos pecadores''.
E certos comportamentos causam aberturas extraordinárias para estas influências
negativas espirituais.
O exemplo clássico disso, e que em outra oportunidade falaremos mais se D-us
quiser, é o uso das drogas que alteram a mente.
Elas permitem um acesso verdadeiro e direto destas forças negativas ao usuário de
drogas, em sua psique/alma.
E é por isso que é tão comum e conhecido na sociedade moderna que usuários de
drogas têm muitas vezes um fim infeliz.
Este é um exemplo de um comportamento que abre a pessoa para influências
espirituais nefárias.
Mas certamente não é o único.
Além das transgressões das leis espirituais, às vezes, um estresse muito violento,
conflitos que geram raiva, etc., são tudo que é necessário.
Mas acima de tudo, os comportamentos errados perante a Lei espiritual da Torá, as
transgressões deliberadas e em grau menor, as inadvertidas, criam uma abertura
espiritual para estes contatos tão perigosos e nocivos, que D-us não permita.

Voltando, sobre alguns destes sintomas positivos e negativos, por exemplo, os


positivos, aqueles que existem como adições comportamentais, vemos que a
pessoa delira e acredita em ideias que são falsas — o mundo está repleto disso.
Claro que possivelmente não apontaríamos o dedo facilmente para dizer que "o
fulano está falando coisas totalmente absurdas etc.".
Em geral, a norma social é de complacência com as "esquisitices ideológicas" das
pessoas.
No entanto, talvez, sob a mira de uma pessoa mais sensível a estes assuntos sutis
não se chegaria à conclusão de que se trata de mera esquisitice, mas sim de uma
degeneração mental de alguma espécie — inclusive da possível origem espiritual
desta (algo somente perceptível para pessoas muito espiritualmente elevadas e
"treinadas").
E como já foi explicado, os sintomas apresentados nestes quadros são as
alucinações auditivas, agitação, nervosismo, paranóia, desconfiança, temores
irreais, etc.
Anteriormente, se falou muito sobre a questão de temores, quando foi explicado
que todo temor que não é temor a D-us representa uma origem potencial de uma
doença.
Veja o perigo aqui.
É preciso sim ter temor a D-us, e deste modo saber que existe "Um olho que tudo
vê, um ouvido que tudo escuta e um livro em que tudo é anotado".
Mas o restante dos temores podem se tornar a origem espiritual de alguma
disfunção na mente/corpo.
Enfim, existem ainda outros comportamentos adicionais a este quadro:
pensamentos desorganizados, fragmentados, enganos temporais, etc.
Realmente não é preciso ser um cabalista para entender que uma pessoa que
apresenta algo desta sintomatologia é alguém que, possivelmente, está sob alguma
influência negativa transcendente do domínio material.
Verdadeiramente, até o avanço das ciências da mente, e assim, da criação nos
últimos 100 anos de termos médicos específicos, poderia se dizer que a pessoa que
manifestasse um ou mais destes sintomas estaria vivenciando algum problema
psíquico/espiritual.
O fato é que, a ciência buscou na psiquiatria (em particular) e mais recentemente,
nas neurociências, uma relação estritamente biológico-fisiológica com estes
assuntos.
Mas isso não é tão simples assim, pois as conclusões científicas são muitas vezes
difusas, uma vez que várias das doenças mentais são caracterizadas por sintomas
comuns, problematizando o diagnóstico.
Entretanto, a Torá, já há muito tempo identificou estes males e a sua origem
espiritual específica.
Esta é realmente uma grande diferença.
Agora, se a pessoa deseja chamar estes problemas por outro nome, pois muito
bem; mas é possível que ela continue a ter dificuldades de lidar com tudo isso.
Os sintomas negativos também têm as suas mostras distintas: a falta de
motivação, iniciativa, melancolia, a moleza física, etc.
É interessante, pois o próprio Talmud traz que, "A presença destes elementos
negativos [shédim] implica muitas vezes em cansaço nos joelhos"; na falta de força
para fazer as coisas.
Também é comum a retração social.
A pessoa se isola, se torna apática pois lhe faltam as emoções.
Enfim, todos estes tsimtsumim, as restrições e contrações emocionais/mentais em
excesso caracterizam certamente estágios de doenças mentais.
Talvez em algum momento, mesmo para quem nunca sofreu destes sintomas,
estes se manifestem — podendo até ser um problema espiritual a ser investigado.
Afinal, um ou mais comportamentos desalinhados com as leis espirituais podem
facilmente causar uma abertura espiritual.
E como resolver tudo isso?

O Ari"zal afirma de uma maneira categórica: "Cada uma e toda fagulha de cada
alma judia, de todas as almas são obrigadas a observar e cumprir os 613
mandamentos. Nenhuma alma será considerada completa até que ela tenha se
reencarnado para cumprir todas as 613 mitsvót".
Então vemos que Hashém nos deu uma "tecnologia espiritual" precisa para nos
'blindar' destas influências negativas.
De fato, não só para evitar o negativo, mas também para uma verdadeira conexão
com Ele, e desta forma, promover a ascensão espiritual do homem para ele se
tornar um Adam, ("homem") Adameh l'Elión ("comparado com o Altíssimo").
E é somente esta conexão com D-us, através da Torá e das mitsvót, que traz as
alegrias verdadeiras e duradouras para a vida da pessoa.
A Torá e as mitsvót propiciam felicidade e equilíbrio plenos — tudo o que é
obviamente contrário a estas forças nocivas que nos querem desequilibrar e
destruir, haja vista a proliferação das doenças mentais no mundo.
Claro que está aumentando, e por quê?
Porque existe todo um esforço negativo para a corrupção do 'entendimento
superior' pelas próprias pessoas e as tendências de um mundo sem D-us, para que
elas tomem, literalmente, as decisões erradas.
Certamente favorecendo alguns, estas forças que estimulam o erro favorecem a
todo o domínio do mal.
As massas acéfalas não acreditam nis-so, mas de fato, o secularismo, a anomalia
ideológica que mascara a sítra áchra levantando a bandeira anti espiritual no
mundo gera sim estes efeitos contrários a uma vida natural.
Sim, pois quando a pessoa se volta ao natural, ao moral, ao reto, às leis regentes
do universo que o Criador estabeleceu, ela se volta a D-us.
Natural é espiritual.
Mais ainda, os valores baixos da sociedade sem D-us impelem as pessoas que não
enxerguem absolutamente nada com os "olhos da mente" sobre o espiritual, e que
somente desdenhem o psíquico e intuitivo.
Pelo contrário, o foco é exclusivamente materialista e racional.
Desta maneira, a Lei de D-us, que são os comportamentos morais, é desprezada.
Cegas, as hordas ignoram tudo aquilo que é bom de verdade para a alma delas.
Afinal, este é o objetivo singular da iêtser hara.
E a pessoa veio à vida com este elemento espiritual que busca cumprir muito bem
a sua tarefa divinamente ordenada.
E na medida em que a pessoa não fortifica o seu da'at, o que ocorre
'exclusivamente através do estudo da Torá e do cumprimento das mitsvót', ela se
torna enfraquecida na sua capacidade de entendimento, e assim, é mais facilmente
vitimada pela sua própria corrupção de entendimento.
Daí segue tudo que eu tenho explicado sobre estas influências deletérias.
É bem sabido que lutar contra estas tendências e poderes interiores e as influências
externas não é algo fácil.
Mas também é vital ganhar esta guerra espiritual.
A iêtser hara é uma antiga e conhecida força espiritual que ilude as pessoas,
fazendo-as acreditarem no que a Tora chama de "as doces mentiras''.
Ou seja, em tudo aquilo que "parece" ser o certo, e que por fim vem se tornar o
certo para o incauto.
Mas o fato é que sem Torá, a pessoa não sabe "muito bem" se algo é o certo
mesmo ou não.
E ela segue regulando o caminho de sua vida através do seu próprio parâmetro
pessoal e subjetivo.
A iêtser hara é muito boa de fazer isso, e sua operação é há muito tempo
conhecida pela Torá.

Eu queria trazer um exemplo para vocês de como esta operação da iêtser hara é
conhecida.
Aprendemos na Tora que Hashém disse a Moshe: "Estende a tua mão ao Shamáyim
['Céus], e que haja escuridão sobre a terra do Mitsráyim [‘Egito’]”.
Os sábios comentam que nada poderia nos fazer compreender de fato o que foi
esta praga de escuridão.
Ela foi fisicamente perceptível —uma escuridão "dobrada e redobrada", algo
extraordinário.
Interessante é que a Torá traz que Moshe deveria 'estender a sua mão', de alguma
maneira, 'acima' dos céus.
Não um apontar.
Não foi tampouco um gesto ritual.
Não, foi algo diferente.
O texto do Êxodo diz claramente que Moshe tinha que, por 'cima dos céus',
literalmente 'trazer esta escuridão' para baixo, e que por fim ela assolaria o Egito
em uma das 10 pragas terríveis.
Em um nível mais profundo vemos que de alguma maneira, Moshe despertou algo;
uma luz espiritual, de um grau muito elevado, acima do Shamáyim, para que esta
luz se manifestasse no mundo como uma iluminação excedente.
Sim, estamos tratando de uma grande iluminação.
No entanto, paradoxalmente, esta luz espiritual tão elevada foi despertada,
enquanto no mesmo verso da Torá declara-se que o 'resultado' desta iluminação foi
a `escuridão espessa' para os egípcios.
De fato, existe um importante aprendizado aqui: Moshe trouxe uma luz
extraordinária para o Mitsrayim, mas para aqueles ímpios, os perversos egípcios,
adoradores de ídolos e completamente distantes das leis espirituais de D-us, esta
luz espiritual tão elevada veio sim como uma terrível escuridão redobrada.
Isto foi assim, pois alguém que vive uma vida espiritualmente vazia e escura, de
caminhos tortuosos e rebaixados, tem grande dificuldade em receber e integrar
subitamente algo tão iluminado e puro.
Para os egípcios, esta foi uma praga terrível, por que realmente esta luz veio para
eles como uma intensa escuridão.
E a Torá continua explicando que, como veremos, esta dinâmica espiritual funciona
sempre desta mesma maneira.
Existe uma outra consideração adjunta ao que eu acabei de falar sobre Moshe
trazer esta iluminação para o mundo, no entanto ela ser percebida como uma
escuridão aqui embaixo.
Depois que os judeus cruzaram o mar, eles andaram por 3 dias e "eles não
conseguiam encontrar água".
E sobre isso, traz o Talmud: "O que os judeus não estavam realmente encontrando
eram as 'águas doces' da Tora''.
A ideia deles não encontrarem água tem uma dimensão ainda mais profunda: o
significado dos judeus não encontrarem as águas doces da Torá, e depois, quando
eles viajaram um pouco mais, apesar de encontrarem água, eles não conseguirem
tomar esta água é que, para eles, traz a parashá Beshalach, esta "água era
amarga".
Então o que significa isso?
Incrivelmente, se trata da mesma ideia sobre Moshe estender a mão e trazer uma
iluminação para o nosso mundo, mas que para os perversos foi uma intensa
escuridão.
São conceitos paralelos que serão agora esclarecidos, com a ajuda de D-us.

O que aconteceu foi o seguinte: tendo passado muito tempo distante e sem estudar
a Torá, quando o Povo de Israel recebeu a Torá finalmente, e assim, quando
chegaram perto desta 'água doce', ela tinha então um gosto estranho para eles.
Isto é exatamente o que ocorreu.
Ao invés da Torá ser uma fonte sagrada de prazer espiritual e de alegrias, a
verdade é que as pessoas se sentiram incomodadas, assim como ‘vocês' mesmos
se sentem muitas vezes, diante do estudo da Torá e das mitsvót.
Pois estas palavras de D-us, para pessoas que estão distantes delas uma vida
inteira, podem soar às vezes 'sem significado', querendo dizer, com um gosto
'amargo'.
Mas isso vem do fato de eles/ vocês terem ficado uma vida inteira distante destas
'águas doces', e quando finalmente vocês se defrontam com estas fontes tão
elevadas de "água"/espiritualidade, pelo menos 'no inicio', a reação é de estranheza
e até de desconforto.
É razoável.
A própria Torá traz isto de uma maneira tão forte, pois assim como foi esta
escuridão que Moshe trouxe de cima, e que na verdade foi uma luz do Alto que se
manifestou aqui como uma escuridão no Egito, querendo dizer, era uma luz
extraordinária, mas para aqueles que não tem nada a ver com Hashém, nada a ver
com a luz espiritual, nada a ver com os desígnios Divinos, nada a ver com um
mundo de retificação, então para eles, esta luz veio como uma escuridão horrível.
A falta de costume e intimidade com as palavras de D-us, com a Sua Torá, é o
assunto central aqui.
O Rambam comenta que, "Quando as pessoas estão doentes, os seus sentidos
ficam confusos e elas provam o doce como amargo, e o amargo como doce" — e da
mesma maneira procede espiritualmente.
A pessoa acaba na verdade querendo se deleitar em tudo que é proibido, em tudo
que é contrário à lei espiritual da Torá, pois ela acha que isso sim é doce — que isto
é bom.
E naquilo que de fato é bom e correto para ela, ela tem esta sensação de ser algo
estranho, algo que não faz parte e que é amargo para ela, chaz ve' shalom.
E este é o caminho da pessoa que começa a se ligar e escutar de fato estas
palavras santas da Torá.
No inicio as águas são amargas para ela.
Afinal, ela ficou muito tempo longe e não está percebendo esta luz tão elevada.
Ela não estava preocupada com os 'abis-mos espirituais' que se abriram diante
dela, e que ela pudesse estar lá se dirigindo devido aos comportamentos
inapropriados da sua vida, D-us nos livre.
Não.
Ela estava lá na sua "vidinha normal", vivendo com costumes estranhos à sua raiz
espiritual judaica, quando de repente, pela Providência Divina, ela se defronta com
estas águas "diferentes" — com esta luz que veio de cima, lá do Shamáyim.
Só que para ela, tudo isto é uma coisa difícil dela conseguir realmente entender e
se acostumar.
E é por isso que também é dito na Torá que, os judeus que estavam realmente
ligados com Moshe Rabêinu, e que estavam ligados sinceramente com Hashém, ao
contrário dos egípcios e do érev rav que lá se encontravam, 'somente' para estes
que desejaram a luz de D-us, eles se 'banharam nessa luz espiritual'.
E é por isso que está escrito (no pasúk seguinte) que, "Para todo Bnei Israel existia
'luz' nas suas moradias".
Querendo dizer, a praga da escuridão afligia todos aqueles distantes de D-us, mas
para aqueles que estavam próximos de D-us, para o Bnei Israel que agora se
formava e estava prestes a sair do seu cativeiro no Egito, para estes houve sim
toda uma grande e extraordinária iluminação — a beleza e o esplendor da novidade
da luz que Moshe estava trazendo para o seu povo.
E esta é a maneira que precisamos viver nossa vida também, porque assim como
estes judeus que tinham espiritualmente caído vários níveis (os sábios da Torá
ensinaram que foram 49 níveis de impureza), e viviam dentro de uma sociedade
tão negativa e idólatra — nada diferente da sociedade que nós vivemos hoje,
apenas que atualmente temos "outros ídolos"; talvez não sejam ídolos de pedra,
mas são ídolos de outra espécie, e todas estas luzes espirituais `falsas' confundem
as pessoas — então a pessoa precisa rezar e pedir para que uma 'luz de redenção'
seja trazida para ela também.

Preste atenção, pois isto quer dizer que a pessoa precisa muito 'clamar a D-us' para
que Ele ilumine a vida dela.
É o mínimo que um judeu ou um ben/bat Nôach precisa pedir.
"Que Hashém me ilumine e que eu possa enxergar o caminho certo, para sair da
minha escuridão, do meu orgulho e arrogância".
E como disse o profeta: "Cura-me ó S-nhor e serei curado, salva-me e serei salvo,
pois Tu és o meu louvor”.

Eu queria terminar com um ponto baseado no vários assuntos que falamos aqui.
A exposição tratou de conceitos como o da pessoa se "abrir" espiritualmente às
forças estranhas do nosso universo devido as suas ações, intenções, e
pensamentos desalinhados com as leis espirituais de D-us.
E por outro lado, dela se "blindar" espiritualmente e viver uma vida elevada de
acordo com a Torá.
Assim, se buscou aqui revelar o "continuum moral" que estabelece as polaridades
espirituais da kedusha e da tumah.
Outros assuntos pertinentes a isso foram introduzidos, tal como da pessoa buscar
se iluminar, desenvolver, e desta forma proteger e crescer o seu da’at (elión) —
graças a uma "dieta espiritual" que não a permita corromper o seu entendimento, e
pelo contrário, busque sua cura.
Enfim, sobre todos estes assuntos, eu gostaria de terminar dizendo simplesmente
que é vital meditar então sobre o que D-us deseja de nós exatamente.
Segue agora uma meditação final sobre tudo isso.

Eu acredito sinceramente que D-us deseja que nós sejamos o melhor que nós
podemos ser, portanto, que tenhamos uma ascensão espiritual constante — uma
conexão íntima com Ele.
E que de fato todos entendam que as mitsvót, os rituais da Torá, as halachót
("leis"), e também os minhaguim ("costumes"), estabelecem na verdade e através
do seu cumprimento, um meio para um fim.
Isso é muito importante entender.
Certamente, os nossos sábios, de abençoada memória, explicaram nos últimos
milhares de anos e em níveis diferentes, as razões da pessoa estudar Torá e
cumprir as mitsvót.
Mas é certo também que, a Torá, com todas as Suas leis e obrigações particulares
para o nosso grupo judaico e aquelas específicas ao grupo tão corajoso dos Bnei
Nôach, nos ensina algo essencial sobre nós mesmos e a nossa capacidade de
sobrepujarmos os testes que nos confrontam, se a pessoa se mantiver consciente
de Hashém constantemente, com a Torá e as mitsvót.
Os testes em geral e que incluem os esforços necessários para crescermos na Torá,
ambos o próprio D-us, servem para refinar o nosso corpo e néfesh habahamit
("alma animal").
Este refinar implica em uma ligação maior com D-us.
Além disso, através deste nosso constante avodát Hashém ("trabalho espiritual")
durante toda a vida, nós redimimos a nossa consciência, significando a sua
expansão.
A ligação com D-us de acordo com a Torá nos protege de quaisquer influências
negativas, permitindo que possamos viver vidas produtivas, como homens dignos e
retos devem viver.
Ou seja, uma 'vida judaica plena e maravilhosa', revelando assim o judeu que
existe dentro de cada um.
E como nada acontece por acaso, pois "o acaso" é apenas D-us agindo no
anonimato, novamente trazemos o profeta Jeremias, quem foi lido nesse último
Shabat, na haftará da parashá Tsav.
E isso deve concluir bem tudo o que foi falado nestas palestras de ahavát Israel,
aonde eu tive a intenção de trazer para vocês um pouco de Torá, principalmente
nos gloriosos níveis profundos d'Ela.
O profeta Jeremias afirmou: "Assim diz o S-nhor dos Exércitos, ó D-us de Israel,
ajuntai os vossos holocaustos aos vossos sacrifícios e comei a carne. Pois não falei
a vossos pais no dia em que os tirei da terra do Egito, nem lhes ordenei coisa
alguma acerca de holocaustos e sacrifícios, mas isso lhes ordenei: dai ouvidos à
Minha voz e Eu serei o vosso D-us e vós sereis o Meu povo. Andai em todo caminho
que Eu vos mandar para que vos vá bem".
Ou seja, resumindo de uma maneira forte e convergente o que tratamos aqui: para
a pessoa que anda nos caminhos de D-us, tudo irá bem para ela.
Literalmente, as coisas melhorarão e aquilo que faltar para sua melhoria é o que
nós esperamos ainda na vinda do único Mashiach, que certamente será aquele que
curará todo o restante das nossas dores com a Redenção Final e verdadeira,
trazendo o mundo a um nível de paz e harmonia, de entendimento espiritual como
nunca antes houve, pois este será o tempo quando "A glória do S-nhor se revelará,
e toda a carne [ou seja, através dos nossos sentidos físicos] juntamente a verá".
E que isso seja assim muito em breve em nossos dias amém ve' amém, sélah.

Continua
Cuidado – Sua alma pode estar em Perigo – Parte 6

Sexta Palestra - 26 de Nissân, 5769 (20 de Abril, 2009)

Segue agora um trecho do santo Zohar sobre a parashá Tazria:


"A Torá proclama, 'Guarda a tua língua do mal’ etc., porque se os lábios e língua de
um homem falam palavras de iniquidade, essas palavras se amontanham até
grandes alturas e todos proclamam 'afastem-se das palavras iníquas de tal pessoa,
deixe o caminho livre para a serpente poderosa'... E assim como o homem é punido
por falar palavras de iniquidade, assim também ele é punido por não falar palavras
[de santidade] quando ele tem a oportunidade, pois ele fere o 'espírito da fala' o
qual estava preparado para falar tanto em cima como em baixo de maneira
santificada. Isso é ainda mais verdadeiro quando as pessoas andam tortuosamente
e ele, que é capaz de falar e admoestá-las, não o faz. Assim como disse David
haMelech [o Rei David], 'Com o silêncio fiquei mudo; calava-me mesmo acerca do
bem, e a minha dor se agravou', aludindo a sua lepra''.

Os nossos sábios, de abençoada memória, ensinaram que, "uma pessoa nunca


deveria emitir uma expressão grosseira de sua boca".
De fato, esta exortação dos sábios é fundamentada no nível místico da Torá.
É muito importante a pessoa evitar falar palavras grosseiras, palavrões e outras
coisas dessa espécie.
Ao contrário, devemos sempre nos expressar de modo refinado.
Verdadeiramente, a Tora — mesmo se referindo a algo não puro — evita
nomenclaturas negativas, como por exemplo, chamando algo de tamêi ("impuro").
Ou seja, a Tora faz assim para nos ensinar a importância de sempre nos referirmos
a algo da melhor e mais positiva maneira possível.
É bom sempre tentar colocar as coisas em uma luz positiva.
Então nós devemos evitar falar que algo é "negativo", sendo melhor falar que este
algo "não é positivo".
Evitamos sempre o falar das palavras ruins.
Um outro exemplo comum nas Nações, mas que os Judeus e Bnei Nôach deveriam
ter cuidado e evitar é falar palavras como 'azar' (eu falo 'aqui apenas a título de
ensinar vocês, eu mesmo não uso essa palavra).
É uma palavra extremamente negativa.
Deve-se evitar palavras como esta entre muitas outras conhecidas. [Misticamente,
existem grande juízos na boca, pois os pensamentos somente são articulados
através de enormes forças espirituais e físicas que formam cada som na boca.
Assim, sendo um local de tsimtsum ("contração"), a boca não deve pronunciar
palavras que fazem estes julgamentos se tornarem severos, devido às klipót se
ligarem a eles. Este é o caso de todas as palavras que "bloqueiam" a revelação da
luz de D-us no mundo, um ato de profanação. Estas palavras negativas incluem
'todos' os nomes de quaisquer entidades negativas, os chamados "deuses
inferiores" que abundam nas religiões do mundo, bem como as palavras que
implicam na ausência da Providência Divina no mundo, tais como: "azar/sorte",
"astrologia", "magia/mágica", "diabo" e etc., os palavrões, e as blasfêmias.]

Da mesma maneira que já foi ensinado, a pessoa deveria tomar muito cuidado e
evitar falar nomes negativos, nomes de entidades profanas, enfim, nome do
Sámech-Mém, que é a 'única maneira correta' de se referir ao anjo do mal/morte
("diabo"), etc.
Devemos evitar falar sobre coisas negativas também em geral, assim como falar
sobre a morte.
Veja que até mesmo as leis judaicas sobre o luto em geral não são estudadas por
ninguém até que haja "necessidade", ou seja, um falecimento, que D-us não
permita.
Não se estuda estas leis sem razão. pois a morte é um assunto negativo.
Portanto e em geral, devemos sempre evitar nos pronunciarmos de maneiras
negativas sobre 'qualquer' coisa.
E como mais um exemplo, quando se referindo a uma pessoa `não' tahór ("pura"),
a Torá chega a acrescentar letras em um pasúk ("verso") para ensinar esta
importante lição.
E assim como está escrito, "Se um homem 'quem não estará puro' [Ashér ló ihiê
tahór] porque teve uma emissão noturna etc.''
Aqui, a Torá faz uso de uma expressão de 12 letras a fim de não usar uma
expressão mais contundente para expressar algo impuro.
Ao invés de falar que a pessoa fica impura pela lei da Tora, aqui se usa uma
expressão abrandada: "quem não estará puro".
Poderia ter sido mais eficiente falar impuro, mas a Torá não faz isso.
Ao invés de trazer uma expressão com apenas 3 letras (tet mem alef que é tamêi)
o que ocorre é que este conjunto de 10 letras adicionais se completa graças à
inclusão da letra Vav na palavra tahór neste pasúk.
Traz Rashi, o comentarista da Torá, "O Vav [do tahór] aqui é um acréscimo às 9
letras [que já expressariam a forma mais cuidadosa de se referir ao aspecto
impuro]". [Em resumo: ao invés de usar tamêi (3 letras), a Torá usa uma
expressão de 12 letras — um acréscimo de 9 letras. Mas como tahór é ainda escrito
de modo a incluir um Vav extra, o acréscimo final é de fato de 10 letras!]

Então, quando lemos a expressão "Ashér lo ihiê tahór" (na verdade compreendendo
9 letras) a Torá ainda adiciona um Vav à palavra tahór, para dar 10, que é sempre
um número perfeito, completo.
Entretanto, isto nem seria necessário, pois já existam 9 letras a mais.
Veja bem o cuidado extremo para não se usar uma expressão negativa, o que
ocorreria através do uso da palavra 'impuro' — que o indivíduo é impuro.
É certamente um refinamento muito alto.

No entanto, Hashém assim desejou que na Torá a palavra tahór fosse escrita, nesse
caso, de forma a incorporar a letra Vav.
E como relatam os textos profundos "Não existe uma única [letra e] palavra na
Torá que não tenha sido emitida pela boca do Sagrado, abençoado seja Ele".
Ou seja, a "gráfica" da Tora é perfeita.
Assim como está é como deveria estar.
Vamos elaborar um pouco sobre a letra Vav.

Em Hebraico, a letra Vav conecta uma palavra ou expressão a outra.


Sua forma geométrica, uma linha/pilar vertical, conecta dois pontos.
Misticamente, o Vav é um "altar dourado" — uma metáfora para o grau espiritual
onde as luzes sefiróticas de chochmá ("sabedoria") e biná ("compreensão") se
conectam e inter-relacionam com esplendor. [Em geral, o altar (de ouro no Templo)
é aonde uma oferenda era trazida para a conexão com D-us — um local de fé.]
Em sua correspondência na alma, vis-à-vis, no séchel ("mente/intelecto"), a
conexão destes poderes intelectuais distintos (chochmá/lado direito do cérebro,
biná/lado esquerdo) precisa ocorrer continuamente, ainda que suas qualidades
sejam diferentes.
Está na natureza da 'compreensão' ver as coisas sob o aspecto essencial da divisão
e da diferenciação, enquanto que a 'sabedoria' provê compreensão da união 'não
diferenciada'.
Mas na mente, estas luzes se conectam, sendo elas também a origem das midót
("emoções").
Agora, é preciso entender melhor o significado de tudo isso.
Primeiro, afirmei que o Vav conecta dois aspectos distintos da mente: um chamado
de chochmá e outro de biná, e que está na ‘natureza' da compreensão (bina) ver as
coisas sob o aspecto essencial da divisão e da diferenciação.
De fato, a própria raiz em Hebraico da palavra biná é a palavra ben ("entre").
Ou seja, "uma coisa ben a outra" significa uma coisa 'entre' a outra.
Compreender alguma coisa é entender a diferença de uma coisa para com outra.
Esta é uma função do aspecto racional de nosso intelecto, implicando no constante
exercício mental ne-cessário para buscar compreender alguma coisa.
Essencialmente, este processo intelectual é compreendido por uma série de
'julgamentos' do tipo "é isso, mas não é aquilo" etc.
A bem da verdade, isto ocorre em nossa mente de um modo muito rápido e que em
geral é referido apenas como o "compreender".
Entretanto, compreender significa o entender da divisão de uma coisa para outra,
ou mesmo, entender a diferença do que distingue uma coisa de outra.
A pessoa somente compreende que certo objeto não é outro se quando ela o
compara com seu conhecimento, ela percebe que as características físicas deste
objeto são diferentes do que do outro objeto em questão.
Portanto, o ser humano está sempre fazendo comparações, a saber, julgamentos.
'A ideia de compreensão é intimamente conectada com a ideia de julgar' — é isso
mas não é aquilo, é aquilo mas não é aquilo outro, e assim por diante.
Agora, obviamente, devido à excelente capacidade de processamento intelectual
humana, não é preciso parar para pensar em uma "granulação" tão pequena de
avaliação sobre o funcionamento da mente.
Simplesmente olhamos uma coisa e através das outras faculdades mentais que nós
temos, fazemos uma avaliação final sobre ela.
Também não percebemos que usamos diferentes aspectos da nossa mente para
chegar às conclusões que chegamos quando diante de alguma situação, objeto ou
evento que está sendo avaliado.
Estamos aqui "dissecando" estes aspectos mentais para melhor explicar como
funciona este processo tão sutil.
Enfim, está na natureza da compreensão perceber as coisas sob um ponto de vista
da diferenciação.
Entretanto, a sabedoria provê a compreensão da união 'não diferenciada' das
coisas.
Por isso é trazido nos livros profundos que chochmá, é na verdade um flash inicial
— como um insight sobre alguma coisa antes que a ideia sobre esta coisa seja
realmente desenvolvida, e assim, diferenciada e dividida.
Pela Tora, a sabedoria é a primeira inspiração sobre alguma coisa, onde todo o
potencial de seu desenvolvimento existe ainda apenas de modo latente, ainda não
revelado.
Mas existe sim esta "inspiração" ou primeiro insight em um instante que seja — um
flash extraordinário.
Em seguida, e se for o caso, os outros aspectos da sua mente entram em processo
natural para assim desenvolver a ideia.
E no fim, a compreensão sobre o que foi avaliado é revelado à sua consciência.
Mas quando a pessoa primeiro se defronta com alguma coisa, a sua primeira
percepção se chama chochmá, ou seja, a ideia da 'rápida percepção sem
diferenciação', somente existindo potenciais de tudo que poderá ser desenvolvido
em tempo.
Portanto, agora será possível entender o Vav em termos de sua aplicação na
conexão destes dois elementos mentais: a sabedoria e a compreensão.

De fato, nesta conexão, a mente se liga com o que chamamos de o "caminho do


meio", ou seja, o da verdade de cada aspecto da realidade que só pode ser
apreendida, conhecida, em um constante fluxo dinâmico de compreensão com
sabedoria e na sabedoria em compreender.
Então como é que conseguimos perceber alguma coisa de fato?
Afinal, não é possível vivermos em um estado exclusivo de insight e de potencial.
A vida aqui na dimensão física não permite isso.
Por outro lado, quando mentalmente dividimos e assim, diferenciamos entre as
coisas, podemos possivelmente perder muitas das nuances que permanecem em
potencial no flash original da ideia — no primeiro contato com alguma coisa.
Então qual é o modo real de se aprender sobre as coisas?
Agora será possível entender porque o Vav, este conector entre as coisas, é
chamado de um "altar dourado".
A ideia aqui, como é trazida na Cabala, é que a pessoa precisa ter 'compreensão
com sabedoria' — ela precisa saber aplicar o seu poder de discernimento sobre as
coisas, mas sem se desligar da sabedoria que a permite se 'distanciar' destes
detalhes e divisões, e assim, se ligando ao todo.
Paradoxalmente, ao mesmo tempo ela precisa ter 'sabedoria em compreender' —
ela precisa sim atuar com discernimento, com julgamento nas coisas que ela está
se defrontando/analisando, mas sempre aplicando uma medida de sabedoria que
permite perceber a essência das coisas.
Querendo dizer, é vital 'compreender com sabedoria e ter sabedoria na nossa
compreensão', estabelecendo assim um fluxo ‘intuitivo-racional'.
Este fluxo é idealmente aplicável/vivenciado nas nossas percepções quando
conseguimos andar no "caminho do meio" deste próprio fluxo.
Ou seja, não apenas olhando as coisas no aspecto da sabedoria/espírito/céu/lado
direito e também não somente no aspecto da compreensão/matéria/terra/lado
esquerdo.
Mas sim, no vivenciar das percepções de maneira dinâmica.
E é exatamente esta conexão possível e tão necessária entre estes dois
elementos/luzes antagônicos que é misticamente chamada e representada pela
letra Vav.
A letra Vav, assim como todas as 22 letras do alfabeto Hebraico, representa um
canal de difusão da luz Divina com características únicas. [Como é trazido no Sêfer
Yetsirah, as 22 letras do Alfabeto Hebraico (Alef-Bet) são 22 canais da consciência
criativa Divina, divididos em 3 categorias: 3 "Mães" ou letras primárias, 7 letras
"Duplas", 12 letras "Elementares". Cada uma destas 3 categorias se relaciona, em
uma correspondência única e direta, a um elemento de cada uma das 3 dimensões
gerais da realidade criada, a saber, "espaço", "tempo", e a "alma viva".]

O Vav é o canal espiritual que permite a difusão da luz interior e abstrata do poder
da alma chamado de séchel, de modo a integrar (o fluxo dinâmico entre) as luzes
de chochmá e biná.
A integração é necessária, pois estas luzes espirituais são antagônicas — uma é
somente o flash de insight e potencial a ser desenvolvido, enquanto a outra busca
exclusivamente o desenvolvimento detalhado dos potenciais.
Portanto, ao vivenciarmos forças antagônicas, se torna vital buscar um caminho do
meio, onde estas forças se equilibrem, implicando assim no equilíbrio mental/
emocional do indivíduo.
E é graças à bênção de D-us, que todo este processo de integração mental é
equilibrado por desígnio.
E como está escrito: "Quando o [flash do] pensamento ilumina, apesar de que sua
origem não ser conhecida, ele é vestido e envolvido em biná. Depois, outras luzes
aparecem e uma é abraçada na outra até que elas todas sejam [completamente]
interligadas”.
Deste modo, uma mente lúcida é aquela que se mantém em equilíbrio diante das
forças mentais antagônicas operantes e em cada instante de consciência.

Continuando, quando este fluxo mental (de chochmá e bina) é prejudicado ou


interrompido, a parte menos elevada das duas luzes, que é a compreensão racional
(bina) junto com o conhecimento acumulado (da'at), assume "sozinha", vindo
assim a dominar a consciência.
Isto ocorre, pois a parte superior (chochmá) tem seu acesso "bloqueado", por
assim dizer.
Isto resulta no impedimento das apreensões superiores/intuições — das verdades
da Torá, portanto de toda a essência da Criação.
O que significa isso de uma maneira mais simples?

Nós já aprendemos as características diferenciadas do séchel, mas existe outra


importante.
O terceiro aspecto fundamental da mente é o da'at.
Da'at é o entendimento. [O termo da'at é tanto 'o conhecimento' (que já existe
acumulado na mente), como o entendimento. Da'at deriva de yadá ("conheceu"),
como no pasúk, Ve-há Adam yadá et Cháva ishtó, "E Adam 'conheceu' Cháva, sua
mulher" (Gênesis 4:1).]
Assim, a pessoa tem sabedoria, compreensão e tem um terceiro "estágio"
mental/emocional chamado de 'entendimento'.
A palavra entendimento representa a ideia de união entre a compreensão racional e
as midót.
A ideia aqui é o dito popular conhecido que, quando uma pessoa tem da'at, pois
conseguiu verdadeiramente 'ativar' este aspecto da sua mente/emoções de modo
coerente, ela então vivenciou a experiência emocional descrita como "a ficha caiu".
Porque quando as coisas existem somente no âmbito mental/frio e não atingiram
ainda o aspecto emocional/quente, o indivíduo não recebeu por completo a verdade
sobre esta coisa — ele apenas vivencia o aspecto abstrato do assunto, faltando
ainda a experiência do domínio emocional.
A metáfora do "cair da ficha" então representa que houve efetivamente uma
integração/alinhamento entre o séchel (chochmá, biná, e da'at) e as midót,
implicando assim em um verdadeiro 'entendimento', na acepção mais completa da
palavra.
Voltando, quando este fluxo de luz intelectual é interrompido por algum motivo,
como explicado, o aspecto mental menos elevado passa a predominar.
Como vimos, chochmá é o primeiro estágio da mente.
É aquela ideia rápida, como um flash de inspiração e um insight, verdadeiramente o
potencial da ideia.
O segundo grau é um pouco menos elevado, e trata-se de biná — a compreensão.
Após isso, por assim dizer, se inicia o processo final da análise, o terceiro estágio —
da conexão mental com o emocional.
Este é um grau mais inferior da luz espiritual da alma que se veste na mente, pois
a sua "descida" implica em uma maior proximidade do grau físico, uma vez que as
emoções são sentidas no próprio corpo.
E deste modo, a partir de da'at, desta união entre intelecto e emoções, deveria
seguir a tomada de ações/comportamentos, que é o aspecto físico e final de toda
esta descida espiritual da luz do séchel.
Esta se inicia em um potencial etéreo, chegando ao final de sua descida e fluxo na
ação aqui no mundo físico, assim permitindo ao homem de agir.
Agora, desde a queda espiritual de Adam, a humanidade vive um estado de
restrição de consciência chamado de mochila d' ka-tnút ("a mente
pequena/consciência constrita"), que caracteriza a dificuldade tão arraigada do
homem em crer no domínio espiritual como um espelho da realidade física.
Entretanto, se ao invés de buscar retificar este estado caído de consciência através
da Torá e das mitsvót, houver ainda uma desconexão com a chochmá/intuição
devido aos comportamentos errados, as transgressões da lei de D-us, então o
resultado será um verdadeiro e direto bloqueio ao acesso dos níveis mais elevados
da mente, e assim, do domínio psíquico/espiritual.
Desta maneira, a consciência passa a se identificar e apreciar cada vez mais a
realidade através da predominância da compreensão racional [Normalmente, a
mente sempre faz uso também do da'at/conhecimento pré-existente, e das
emoções que são causadas pelos pensamentos.] — um aspecto mais baixo do
séchel do que a intuição/fé.
E a mente então "compensa" o fluxo deficiente: ela nega e ignora os aspectos mais
elevados da realidade física, o domínio espiritual.
Mais ainda, a pessoa perde cada vez mais o acesso ao seu lado intuitivo/ psíquico,
pois os comportamentos desalinhados com as leis espirituais são reforçados por
eles mesmos, no espírito do que os mestres ensinaram: "Uma transgressão atrai
outra".
E é por esta razão que existe também uma relação intrínseca entre o modo de
expressar verbalmente o conteúdo mental da pessoa, e o seu nível espiritual.

Veja bem, a grande maioria das pessoas no mundo fala de modo excessivamente
mundano e baixo devido a sua desconexão com o domínio espiritual.
E a fala, por ser a vestimenta da alma que revela a mente e os pensamentos, traz
então à realidade o verdadeiro grau espiritual em que as pessoas se encontram:
"Pesadas, yimale fihu chatsáts, 'sua boca se encherá de cascalho’. As suas bocas
estão repletas de guemírót ['severidades], devido à pobreza de entendimento”.
[Falar é um poder da alma, portanto, sua essência é a fala sobre D-us e o clamar
por Seu Nome. Isto é falar. A maneira caída e incompleta que a maioria no mundo
se expressa será aperfeiçoada na era Messiânica. A Tora afirma sobre as Nações
dos povos não judeus que mesmo eles usarão o seu poder de fala para clamar a
D-us nesta nova era, assim como está escrito: "Farei então com que os povos
voltem a conhecer uma língua pura, com a qual todos possam invocar o Nome do
Eterno" (Tsefaniá 3:9). Assim, a fala será retificada, e que isso seja em breve,
amém.]

Mais ainda, devido ao fluxo deficiente no séchel, a pessoa perde qualquer resquício,
ainda que remoto, das percepções sobre as verdades de D-us que sublinham toda a
realidade.
Ela sofre uma grande 'queda de consciência', que já é afinal restrita desde a
transgressão de Adam; e Cháva.
E ao contrário, ela se identifica e crê cada vez mais no grau físico da realidade e
suas inúmeras ilusões efêmeras.
Ou, 'se' porventura ela tem um desejo pelo Divino, um "flerte", então em sua falta
de discernimento espiritual ela acaba se ligando aos tão comuns engodos das falsas
religiões e cultos, dos falsos profetas — produtos sempre do ego e vaidade
humana.
E em geral, devido ao seu entorno secular tão ignorante e antagonístico a D-us, ela
afirma com "autoridade", porém sempre com auto complacência, a "sua" visão
sobre D-us e estes "assuntos" sublimes: "Ah, eu não sei se concordo com esta coisa
de fé, estas coisas espirituais, as leis de D-us etc. Tudo isto é muito confuso para
mim. Só sei que vivo no século 21, eu não 'acho' que tem lugar para isso, para este
radicalismo. Eu não acredito muito nestas regras de D-us. O importante mesmo é
'ter D-us no coração' ["Mas será que uma pessoa se afogando se consolaria
somente com o desejo de ter sua vida resgatada e com o pranto do seu coração ao
se defrontar com a morte iminente? Que valia existe se ela não 'age' para se salvar
e tentar sair da água?"], e mais nada".
De fato, esta queda de consciência (mochin d' katnút) causada pelo "desengajar"
dos atributos superiores e inferiores do séchel contraria a intenção Divina para a
Criação, a saber, que o homem volte a ter uma consciência expandida (mochin
d’gadlút) como antes da transgressão do Gán Éden — e a humanidade se ligue a
D-us com plenitude.
Este desconectar/desalinhar com o Divino é extremamente maléfico para a pessoa,
pois todas as vestimentas da sua alma — o pensamento, a fala, e as ações — são
manchadas pelos seus erros e transgressões da lei Divina, que é somente
respeitada através do estrito alinhamento entre o céu/espiritual e a terra/físico.
O desconectar implica também em uma bloqueio/contração (tsimtsum) maior da
luz vivificadora da alma e corpo.
E contração significa diminuição.
Na medida em que esta luz Divina sofre maior contração e ainda sim se difunde em
cada grau da alma, pois afinal segue eternamente a regra espiritual que ‘Mêlo kól
ha'áretz kevodô, "[Toda a] Sua glória envolve o mundo inteiro"— e 'mundo' é
também o corpo e alma da pessoa, a criatura continua igualmente a precisar se
unir/ligar com o Criador, pois esta é a natureza da alma humana.

Entretanto, qualquer bloqueio da luz vitalizante significa uma "escuridão na alma",


a saber, no grau espiritual afetado, relativo ao tipo e gravidade da transgressão.
[Cada uma das mitsvót corresponde a uma parte particular do corpo. Cada vez que
a pessoa comete uma transgressão, a parte correspondente do cor po é afetada. E
o retificar do dano causado para todas as várias partes do corpo pode ser um
processo muito demorado e complexo.]
E estas "manchas espirituais" na alma, e assim, a maior ligação da pessoa com a
tumah ("impureza"), dificultam a sua ligação com D-us, pois ‘Ki im avonoteichem
haiyu mavdilim beinchem lebein Elokechem’, "Foram vossas iniquidades que vos
separaram de vosso D-us".
Agora, esta situação espiritual se torna ainda mais difícil, pois as transgressões que
sustentam as forças impuras — desalinhando o homem com o domínio espiritual (e
em particular, adulterando a luz no séchel, como já explicado) — provocam a
ativação dos julgamentos Divinos, que é o "remédio" para curar os pontos de
escuridão que bloqueiam a luz Divina que emana do Rei do Mundo.
Sem a cura, a alma se conecta e passa a ser alimentada por (e a alimentar) um "rei
inferior", chamado de "o velho e tolo rei". ["Quando Hashém criou o homem, ele o
outorgou com inúmeras forças e mundos, entregando-os a ele para que os dirigisse
de acordo com as suas ações, palavras, ou pensamentos para o bem ou D-us nos
livre, para o oposto. Com as suas boas ações, palavras e pensamentos, o homem
sustenta e dá energia às inúmeras forças e mundos santos celestiais, aumentando
suas luzes e santidade", ou aumentando a força dos mundos inferiores e repletos
de impureza. Para manter o equilíbrio do mundo, as 'forças de julgamento' atuam,
corrigindo os danos celestiais causados. As klipót podem se apropriar destes
julgamentos deixando-os mais severos, e assim, trazendo grandes dificuldades
para o homem.]
Aliás, é este rei quem ordena a tolice do homem, fazendo com que ele não saiba
receber admoestações e o afastando de D-us.
E como é dito o "tolo anda em escuridão", e ele se une com a escuridão e a luz é
sempre estranha a ele.
E de uma maneira simples vemos que, o fluxo de luz da sua alma — nas suas
várias expressões/vestimentas — é bloqueado cada vez que uma pessoa transgride
as leis espirituais.
Isto é assim, pois as transgressões mancham a alma.
Manchar aqui significa "escurecer" algum aspecto da alma.
A iluminação da alma de quem segue colocando obstáculos para esta luz pode ser
explicada no seguinte exemplo: a luz que entra através de uma janela em uma
sala, buscando se difundir infinitamente por toda a casa.
Mas na medida em que várias paredes obstruem esta luz, ela é impedida de se
difundir.
Assim faz a pessoa que transgride as leis da Torá: ela bloqueia o fluxo vital de sua
luz espiritual.
E o manchar da sua alma a distancia de D-us — tanto ela não crê, tanto duvida,
tanto é arrogante e orgulhosa, tanto ela é distante das verdades espirituais, que
enfim ela contrai e diminui cada vez mais a sua própria luz.
Ela ergue "paredes de consciência".
E o tolo anda na escuridão desta sua consciência emparedada, a saber, a luz
espiritual do seu séchel não se difunde.
Ela pouco enxerga com o desfalecimento dos 'olhos de sua mente', e seu caminho
são trevas.
Mas afinal, a sabedoria é chochmá, e para ter esta luz a pessoa precisa estar
verdadeiramente conectada à essência das coisas e não somente aos assuntos
baixos da realidade material.
Ela precisa de Torá em sua vida.
Mas é claro que ela é uma tola, pois é uma pessoa que anda a esmo em sua vida
vazia, onde o único som que ela dá atenção é o som do seu ego, como uma única
moeda dentro de uma lata vazia.
Novamente vemos o aspecto tão profundo que o Rei Salomão trouxe neste pequeno
dito: "o tolo anda em escuridão".
Claro, porque o tolo só faz tolices e "ri-se do brandir da lança".
Ele é amigo do grande tolo — da iêtser hara, que é a má inclinação.
Deste modo, é amigo também do Saméch-Mém, e assim, do lado negativo, que é 'o
velho e tolo rei'.
Velho, porque "ele" é muito antigo na humanidade.
E tolo, porque ele apenas deseja escurecer todo o caminho da pessoa para que ela
se perca e "siga em passos acelerados para o abismo" espiritual sem fundo, que ,
D-us tenha misericórdia.
Então o tolo anda na escuridão.
Não cumpre Torá e mitsvót, não quer saber "destas coisas" — ele não acredita, não
quer mudar a sua vida, não tem fé, não consegue, pois não deseja de fato, não
confia no que a Torá ensina sobre D-us.
Então ele vai perdendo cada vez mais este fluxo ativo e extraordinário da sua alma,
que de outra maneira poderia preenchê-lo com muito mais vitalidade, fé, e as
bênçãos de D-us.
E é por isso que sobre estes que rejeitam a D-us é dito, "em sua vidas eles são
chamados de mortos.

E para aquele que deseja melhorar sua iluminação e ter também uma porção de
vida no mundo vindouro, ele deve guardar sua boca e língua.
Ele deve preservar sua boca das comidas que profanam a alma, comida não kashér,
e deve manter sua língua longe das palavras maldosas, a lashon hará.
De fato, é preciso se lembrar do assunto da doença espiritual que ocorreu com
Miriam, a irmã de Moshe.
Ela fez um comentário ínfimo sobre seu irmão santo.
No entanto, no seu nível tão elevado, foi como se alguém vestido de branco tivesse
uma única e pequena gota de uma substancia escura caído e manchado a sua
veste.
Mesmo alguém em um nível espiritual tão excedente, por ter falado algo "indevido",
então Hashém desejou fazer um exemplo desta situação.
E Miriam contraiu a doença espiritual de tsa'ará, e precisou sair do acampamento,
ficando de quarentena como consta na Torá.
Esta é a conexão principal entre lashon hará, a maledicência e a parashá Tazria.
A luz da alma é muito obstruída pelo falar mal de alguém, citar nomes quando
contando um caso, espalhando boatos, etc. conforme aprendemos com as leis da
Torá sobre este assunto tão relevante.
A pessoa que evita a lashon hará traz grandes benefícios para a sua alma.
Além disso, a fim de preservar este fluxo no séchel e não manchar a alma, explica
o Zoharl, que a pessoa que busca o da'at elión, precisa 'também' preservar a sua
boca das comidas que profanam sua alma, assim como dito que ela deve manter a
sua língua longe das palavras maldosas.
A ideia central é que a boca afeta o séchel.
A comida não kashér bloqueia o coração, tornando-o insensível à espiritualidade.
Esta comida não permitida para um judeu, causa um bloqueio da sua força vital.
Para uma alma judia, é muito grave comer qualquer coisa que não seja kashér.
Este bloqueio no seu coração cria um véu que encobre a sua percepção sobre as
verdades da Torá.
Seu entendimento sobre D-us se torna corrompido, imaturo, e frio.
Verdadeiramente, a pessoa que consome alimentos trêif ("não kashér”) não
consegue de forma alguma se tornar sensível aos assuntos Divinos.
E isto resulta em um ciclo espiritual negativo: ela não consegue se tornar sensível
aos assuntos de Torá, e assim, ela consome cada vez mais o que é proibido, o que
faz com que ela fique mais distante ainda da Torá que é sua fonte de vida.
Enfim, ela duvida de tudo que é espiritual e se desliga de D-us.
No entanto, em sua consciência repleta de "paredes", ela acredita sim que estes
assuntos espirituais não tem o menor sentido.
Portanto, é vital romper com este ciclo negativo através da teshuvá — o retorno ao
estado de alinhamento com as. verdades espirituais.
Mais ainda, as palavras maldosas, a lashon hará, inibem a conexão do 'altar
dourado' como explicado anteriormente.
E porque trazer o assunto da comida não kashér e da lashon hará ao mesmo
tempo?
A resposta é simples: porque os dois assuntos ocorrem na boca.
Ou você está comendo ou você está falando com ela.
O órgão da transgressão é o mesmo — é a boca, os lábios, e os dentes, seja para
falar ou para comer.
Em resumo: a conexão destas duas transgressões é que, assim como todas elas
sem exceções alguma, ambas causam bloqueios/manchas na alma.
No entanto, estas duas em particular corrompem o da'at.

A primeira espiritualmente desensibiliza a pessoa no seu coração.


O judeu que não come kashér afeta negativamente a sua neshama, se afastando
da Torá, chaz ve'shalom, pois se torna espiritualmente "sedado".
Agora, a lashon hará, a maledicência e os boatos inibem a conexão do 'altar
dourado', bloqueando as faculdades intelectuais da pessoa diretamente, rompendo
então o fluxo vital que emana da Sabedoria Superior, distanciando o homem do
Criador nas suas percepções distorcidas, bem como afetando negativamente as
relações entre as pessoas elas mesmas.
Quando alguém fala mal de outrem, isto já implica em um distanciar daquela
pessoa, como um ódio gratuito.
Afinal, o bem e assim, "falar bem" significa que alguém deseja a união com a outra
pessoa, e se ao contrário, se "fala mal", é porque se deseja um distanciamento
deste outro indivíduo.
E verdadeiramente, tudo ocorre midá kenégued midá ("medida por medida"), pois
se a pessoa deseja se distanciar de alguém através da lashon hará, então ela vem
a se distanciar de D-us.
Como?
Através do danificar do seu 'altar dourado' — o elemento místico que permite o
fluxo luz Divina de iluminar a consciência, ou seja, a difusão desta luz do séchel em
chochmá, bina, e no próprio da'at, dando origem às midót apropriadas e os
comportamentos retificados.
A lashon hará desequilibra o séchel/lucidez, portanto favorecendo o caos neste
mundo, pois o que maldiz exila a Presença Divina.
E isso tem outras implicações sérias também.
Enfim, devido às estas infinitas cadeias de 'causa e efeito', a pessoa precisa se
desenvolver muito em sua 'responsabilidade espiritual'.
O fato dela não conhecer como funciona a interação dos domínios físico e espiritual
não implica em absoluto na inexistência desta interação.
O espiritual é um espelho do físico, e a interação é total.
Afinal, o indivíduo também não conhece como funciona vários dos aspectos de sua
própria fisiologia, como a multiplicação celular do seu corpo etc., mas acredita que
elas existam, Baruch Hashém ("graças a D-us").
Além da ciência atestar, a sua dependência destas e tantas outras miríades de
processos naturais do corpo para o seu funcionamento normal são evidentes.
Mais ainda, ela afirma a importância de que não existam corrupções destes
processos.
Por exemplo, se houverem erros nestas multiplicações celulares, chaz ve'shalom, é
conhecido o perigo que isso pode causar ao corpo.
O mesmo ocorre no nível espiritual.
A explicação em detalhes aqui trazida retrata a profundidade "microscópica" e além
do conhecimento infinito da Torá, explicando então como não comer kashér e fazer
lashon hará são devastadores para a pessoa, assim como um "câncer espiritual".
Certamente, uma doença na alma tem implicações perigosas na vida física
também.
Porque, obviamente, uma pessoa que compromete o fluxo vital de sua alma não
compromete somente as suas percepções sobre a Providencia Divina que atua
constantemente em sua vida e de fato, com grande misericórdia.
Sim, isto é de fato comprometido.
Entretanto, é preciso entender que suas decisões de vida, os seus caminhos aqui
mesmo na sua vida mundana através de suas decisões nos negócios, ou nos seus
relacionamentos etc., tudo isso também é comprometido.
Afinal, é impossível comprometer uma "parte" sem que haja um comprometimento
do "todo".
Alma e corpo existem em comunhão total.
Porque ou o "todo" está retificado ou ele não está retificado.
A vida tem como objetivo principal os tikunim ("retificações") da pessoa.
Ela precisa retificar o todo que for necessário de sua vida.
E isso ocorre somente e unicamente através do comprometimento verdadeiro e
honesto com a Sabedoria de D-us que é a Sua Torá.
Este aprendizado permite o alinhar do indivíduo, corpo e alma, às leis espirituais
que vigoram no universo e que somente trazem o bem real para ele e o mundo.
Este alinhamento com D-us implica na verdadeira limpeza do canal de recebimento
para as Suas bênçãos, e na sua retificação pessoal.
Com isso, existe a real possibilidade da pessoa melhorar como ser humano, graças
a uma verdadeira transformação interior de sua vida causada pela teshuvá — pela
sua ligação humilde e sincera com D-us e a Sua Torá.
Acima de tudo, uma pessoa que busca a retificação sincera na Torá se torna sócia
de D-us no realizar do Desejo Primordial da Criação, a saber, na revelação de toda
a glória de D-us, ou seja, na santificação deste mundo inferior e grosseiro, onde a
criatura nega o Criador.
E deste modo, ela vem a ajudar na própria retificação do mundo, implicando assim
no apressar da vinda e revelação do único e verdadeiro Mashiach, e que isso seja
muito em breve em nosso dias, amém selah.

Continua
Cuidado – Sua alma pode estar em Perigo – Parte 7

Adendo I - Hashém Mach'sí - "D-us é meu refúgio"

Uma homenagem ao grande mestre Cabalista

R' Y. Fatia nasceu em Bagdá no ano de 1859.


Ele se tornou o principal aluno do grande mestre, o Ben Ish Chai zt"l.
Ele afirmava ser uma reencarnação do R' Yehuda Landau, um grande halachísta
("árbitro da lei") judaico.
Ele escreveu comentários no santo Zohar e no Etz Chayim do Ari"al, além de ter
escrito o Minchát Yehuda, entre outros livros.
Ele foi um cabalista superior, com grande experiência pessoal com as neshamót
artiláin e shêdim, e deste modo, fez muitos exorcismos.
O conhecido cabalista, o rabino Yitrchak Kaduri falecido há poucos anos, quando na
Yeshivá para cabalistas, Shoshanim LeDavid (nos final dos anos 20), estudou com o
R' Fatia.
O R' Fatia foi também um expert dos tikunim para a alma e dos kameiót.
Este mestre excepcional da Cabalá devolveu a sua alma ao Criador em 27 de
Menáchem Av 5702 (1942).

Parte I

O universo em todas as suas dimensões — dos infinitos graus espirituais ao grau


físico — é habitado por miríades de seres de diversas classes, todos sujeitos às leis
naturais do seu domínio e plano particular.
A lei fundamental de atração e ressonância magnética rege tanto as interações
entre os habitantes nas dimensões superiores (Olam HaAtsilut, Olam HaBeriah, e
Olam HaYetsirah) bem como a conexão destas dimensões e seus habitantes com a
nossa dimensão física (Olam HaAsiyah) e seus habitantes, os seres humanos.
E, de acordo com esta lei multi-universal, é preciso entender que nestes domínios
superiores, a proximidade entre seus habitantes de energia espiritual é definida
exclusivamente pela semelhança entre eles — o que é semelhante atrai.
Ainda que uma representação simplificada, vemos a aplicação desta lei no espectro
de luz contínuo, que afinal, exibe sempre em seu gradiente os comprimentos das
ondas (ou frequências, literalmente das cores) as quais se encontram próximas
umas das outras.
Agora, a nossa dimensão física tem uma estrutura da realidade totalmente distinta
das dimensões superiores e suas leis naturais vigentes.
Nos planos superiores, energias opostas não se atraem.
Isto implica na impossibilidade de se efetivar mudanças nos habitantes espirituais
destas dimensões, uma vez que para existir mudança é necessário que haja
proximidade de algo agindo em outro algo distinto.
Mas como não existe interação entre energias espirituais opostas, segue que não
existe mudança possível.
É por esta razão que uma entidade angelical é chamada de “omêd”, aquele que
permanece fixo. [O homem — ao contrário e de maneira superior a todas as outras
entidades não físicas em todos os mundos — é um mehaleich, um ser que se
"move" espiritualmente. Este movimento é realizado através do seu ameilut
baTorá, o seu intenso estudo e trabalho na Tora.]

Entretanto, na nossa realidade conhecida, devido à estrutura material do nosso


universo, forças absolutamente opostas podem sim se aproximar e assim
influenciar umas às outras ao ponto de efetivar mudanças — tudo isso graças à
fisicalidade deste domínio, aos corpos.
Mais ainda, a lei da atração e ressonância magnética opera aqui neste domínio
também, pois os corpos físicos têm almas que os animam e influenciam.
Se o ser humano é atraído pelas constantes distrações características do grau físico
da realidade, ele é então magneticamente atraído para este mesmo nível.
Isto tem sérias implicações, incluindo o assunto de guilgulim haneshamót
("reencarnação"). [Um assunto que foge do escopo deste texto, mas na essência
significa que, na medida em que existe uma identificação excedente com este nível
físico, a alma após a morte, ao invés de ascender aos níveis superiores acaba por
voltar para cá a fim de aprender novas lições. Se este processo se repete
"circularmente", temos então a ideia de guilgulim, que significa em Hebraico,
círculos (das almas).]

Se, pelo outro lado, o indivíduo quer se ligar aos níveis superiores da realidade, nos
outros planos dimensionais, ele então é atraído sim para estes níveis.
Este é o Sód (o "sentido místico") do dito Talmúdico, “Hába Litahêr mesáyin oto”,
"Aquele que quer se purificar é ajudado pelo Alto", a saber, ele é de fato
magneticamente atraído para os Céus, ou seja, elevado em seu espírito.
E por esta mesma razão também é dito: “Éretz Nitenah b'Yad Rasha”, "A terra é
entregue às mãos dos ímpios'', pois estes buscam somente a baixeza do mundano,
e aqui ficam presos espiritualmente.
Mas, ainda que a alma deseje voltar à sua origem espiritual nas dimensões
superiores com suas leis operantes, ela pode ser "enganada" pela atração às
ilusões materiais e prazeres do corpo que aqui tanto a confundem.
Isto é como uma bússola que naturalmente aponta sempre para o norte na terra,
mas devido a outros campos magnéticos, a bússola sofre interferência causando-
lhe uma mudança em sua orientação natural.

Em outro nível, a orientação moral da pessoa, seu alinhamento com as leis


espirituais da Tora, é o fator mais determinante para o seu crescimento, ou para a
sua queda espiritual se houver interferência na sua orientação natural.
Outro exemplo que pode ajudar a explicar isso é o “rêmez” ("dica") sobre o assunto
de orientação espiritual que pode ser inferido através da palavra KaShéR, que em
Hebraico significa "apropriado" e, portanto bom.
Note que também KéSheR, de mesma raiz e escrito com as mesmas letras, significa
"conectado", no sentido de conexão com Hashém.
A permutação (que é afinal uma mudança de orientação) dessas letras em Hebraico
causa a palavra ShéKer, que significa mentira ou falsidade.
Portanto, ainda que as letras sejam as mesmas, a re-orientação delas causa uma
mudança completa no sentido implícito de sua polaridade espiritual.

De mesmo modo, uma força magnética (uma metáfora para as ilusões do nosso
mundo) pode fortemente alterar o direcionamento de uma bússola (uma metáfora
para a alma) calibrada (que naturalmente é alinhada com as leis da Tora) para
apontar para o norte magnético, querendo dizer metaforicamente, para os Céus, o
nível espiritual.
E deste mesmo modo, a alma, em sua comunhão com o corpo pode facilmente se
desviar do seu caminho de retificação através das mentiras do mundo, que D-us
não permita.

Agora, mesmo no grau físico da realidade existem inúmeros habitantes não


corpóreos que ao invés de serem constituídos pelos quatro elementos (e, portanto,
estados) fundamentais da matéria, a saber, terra, água, ar, e fogo, são constituídos
somente por dois destes elementos: o ar e o fogo.
Mesmo assim, estas criaturas de D-us são nativas de nosso mundo.
De fato, elas são ainda mais numerosas do que os seres humanos, e é graças à
misericórdia Divina que nós não as vemos "uma vez que o homem possui
inteligência, e ele ficaria insano se visse os shêdim [„demônios‟] e como estes seres
prevalecem em quase todos os lugares do mundo e nos cercam por todos os lados.
Afinal, como está escrito sobre estas criaturas espirituais: Ypól mitsidechá élef
urvavá miminêcha, elêcha lo yigásh, "Ainda que tombem mil ao teu lado esquerdo
[ou seja, na tua mão esquerda] e dez mil à tua mão direita, não serás atingido”.
Enquanto as criaturas angelicais superiores das dimensões de Atsilut, Beriyah,
Yetsirah são (felizmente) de difícil comunhão com o homem, as indígenas de nossa
dimensão Asiyática são "disponíveis", por assim dizer.
Mais ainda, elas verdadeiramente têm uma "agenda", podendo muito afetar a vida
física e espiritual do homem para o bem ou para o mal.

Em geral, existem três grandes categorias de seres espirituais que habitam o nosso
universo físico: maguidím [Também chamados de Írim ("anjos guardiões", Daniel
4:14), Mazal, o 'Eu' superior, ou espíritos da terra. De qualquer maneira, são
formas de vida superiores aos humanos (e não necessariamente puras por
completo), colocadas aqui por D-us para realizar as tarefas de guardar e prover
sustento para tudo que existe no mundo. A discussão destes seres (e incontáveis
outros) foge ao escopo deste texto.], shêdim, e neshamót artiláin — as almas nuas,
sem corpos, de pessoas falecidas, más e sem virtudes (ou por outras razões muito
particulares) e que são chamadas também de ruchót ("espíritos").
Estes existem em número muito menor do que os shêdim.
Ambas estas categorias [Existe uma "quarta" categoria, a saber, aquelas entidades
que ganham vida e são de fato formadas pela própria projeção da mente. Isto é
assim, pois no domínio espiritual, os pensamentos ganham forma e vida!] têm
inúmeros representantes, com características distintas.

Os shêdim têm necessidade de sobrevivência igual aos seres humanos, de modo


que eles "comem e bebem, procriam e se multiplicam e por fim morrem como os
seres humanos".
Eles buscam se alimentar "ordenhando" repetidamente seres humanos de sua
energia vital, quando estes se abrem a estas atividades malévolas através de
comportamentos corruptos e malvados. [A saber, todos os comportamentos que
contrariam as leis da Torá, pois "O Sagrado, abençoado seja Ele e a Torá são Um"
(Zohar 60a, Beshalach).]

As neshamót artiláin são almas em condições anormais de sua progressão natural.


Elas temem e de fato se recusam a progredir espiritualmente, literalmente fugindo
dos seus perseguidores angelicais e assim, de sua passagem para os níveis
espirituais necessários à sua retificação.
Deste modo, elas desejam "sobreviver" no exato nível espiritual em que elas se
encontram através de sua fixação no grau material da realidade — nos prazeres e
sensações físicas dos hospedeiros humanos que elas buscam fortemente
“medabêk” ("se ligar") e que podem acabar por "ocupá-los" de acordo com a lei de
atração magnética.
Quando isso ocorre, temos um dibúk me'ruach rah ("a ligação de um espírito
ruim"), ou simplesmente dibúk.
Ao contrário dos shêdim, estas almas não morrem propriamente ditas.

A busca dos ruchót por hospedeiros apropriados às suas necessidades (de


preferência humanos) segue a lei natural de atração magnética de modo que, o tipo
de comportamento indevido determina o tipo e força do ruach que poderá ser
atraído ao alvo espiritual que esta pessoa se torna.
A atração é sempre instantânea, pois como explicado sobre a lei da atração,
proximidade é função de semelhança.
Uma vez "instalado" no hospedeiro, a força do ruach pode ser extraordinária, ainda
que sua manifestação possa ser sutil por tempo indeterminado — até que fatores
psicológicos de ordem moral forcem a sua expressão.
Assim como os shêdim, os ruchót se "alimentam" dos fluidos que exibem a própria
força vital da pessoa, tal como o sêmen e o sangue.
O beneficio para um ruach é diferente, pois dependendo de sua origem espiritual,
se de raiz mais baixa, sem "asas", ele de fato não come nada físico ou espiritual.
Saiba que estas almas voam de pé, assim como elas andaram neste mundo.
Enfim, algum benefício os ruchót derivam destes fluidos humanos repletos de
energia vital, mesmo que talvez somente o resultado físico-emocional causado pela
revelação destes fluidos, a saber, as sensações.

Veja bem, um ruach tem grande e urgente necessi-dade de "sentir" do seu


hospedeiro humano aquilo que caracterizou a sua adição em vida — estímulos e
sensações físicas dos prazeres (e dores) particulares.
E mesmo que por vezes se confundindo com problemas psicológicos, a força do
ruach está no conseguir do seu hospedeiro a repetição de suas perversões, sejam
elas de qualquer espécie.
Portanto, no caso do uso de drogas ou bebidas alcoólicas, o ruach "fala" ao
hospedeiro pensamentos heréticos, e que este deve sim aumentar seu prazer cada
vez mais, buscando novas maneiras de ganhar estados alterados de sua
consciência.
No caso de promiscuidade sexual, uma nova "possibilidade" sexual que aumente
ainda mais o prazer, por mais bizarra que seja, é sempre algo convidativo e que o
ruach busca convencer o hospedeiro através de uma "voz" interior.
A degeneração mental e física da pessoa (por exemplo, com pontadas no coração,
dores de cabeça sem cura ou nos olhos, impaciência, prolixidade, etc.) causada por
este tipo de presença malévola pode levá-la também às doenças psiquiátricas
(entre outras tantas) [Note que certos problemas orgânicos na química do cérebro
podem ter manifestações muito semelhantes aos problemas psíquicos aqui
apresentados.], onde, por exemplo, esta voz interior se torna exterior, assim como
no caso de muitos esquizofrênicos.
A voz interior que tanto impele os comportamentos destrutivos do hospedeiro
humano pode ser percebida quando a pessoa sofre uma "bifurcação de
personalidade" que se manifesta, ou até mesmo em personalidades múltiplas.
Em geral, diante das fases de atividade menos críticas, a pessoa vivencia a sua
personalidade original de modo que a infecção espiritual que a invadiu passe
(quase) despercebida.
Como exemplo disso, um ruach que se alimenta de fortes emoções sexuais pode
"resmungar" na consciência da pessoa, por assim dizer, buscando influenciá-la para
que mesmo nas oportunidades diárias mais "singelas", ela preencha a sua mente
com pensamentos eróticos, que podem, em última instância, levá-la ao desperdiço
de sua energia sexual — através do expelir do sêmen em vão.
De outro modo, ela poderá, ao se unir com a sua esposa e quando na hora da
concepção, ter um desvio de sua mente para outra mulher, que D-us não permita.
Este é o Sód da exortação dos Sábios da Torá quando afirmam: "Um homem não
deve fitar uma linda mulher mesmo se ela for solteira, e nem uma mulher casada,
mesmo que ela seja feia", pois o ruach poderá incitá-lo a contemplar os "detalhes"
da relação íntima desta mulher com seu marido.
E como está escrito também: "Os pensamentos por de trás do pecado são piores do
que o próprio pecado'', e se deles ainda decorrer uma transgressão, que D-us não
permita, a mancha na alma é maior, o que somente enfraquece a pessoa
espiritualmente deixando-a ainda mais suscetível à atração magnética com o ruach.
Os ruchót não desejam ser incomodados, e seu ataque e portanto a sua expressão
mais feroz, por assim dizer, ocorre quando a vítima busca forças interiores
espirituais para se fortificar nos comportamentos retificados — a única arma
interior para deslocar estas entidades que absolutamente não suportam a retidão.
A possível remoção de uma entidade desta natureza pode vir a ocorrer também
com ajuda externa, culminando por vezes até mesmo na necessidade de
exorcismo.
Por exemplo, através da Providência Divina, uma pessoa que deseja sinceramente
se livrar destes controles nefastos de um ruach em sua vida pode atrair para si um
mestre legítimo para ajudá-la, de acordo com o dito da Torá que, "quando o aluno
está pronto, o mestre aparece".
Muitas vezes, o mestre exerce sim a sua influência benéfica e retificadora, o que
vem a pressionar positivamente o aluno para que ele abandone os seus
comportamentos inapropriados que o levaram a esta situação em primeiro lugar.
Ainda que os esforços sinceros e sábios do mestre tenham valor real na vida física e
espiritual do aluno, alguns mais fracos ou que ainda não fecharam totalmente as
portas para os seus comportamentos, sentimentos, e pensamentos errados,
subitamente mudam decomportamento — a bifurcação de personalidade se
manifesta.
Este tipo de surto, que em geral faz a pessoa desaparecer da vida e contato com
seu mestre sem quaisquer explicações, ou em alguns casos, de confrontá-lo até
mesmo com agressividade, é típico de um ruach acuado.
Ele foi temporariamente subjugado, mas devido a sua força e essência malévola, ao
reforço dos comportamentos do indivíduo que ainda não foram retificados, ou pela
real possibilidade que ele possa estar ascendendo em sua retificação, o ruach se
manifesta fortemente na personalidade paralela.
Afinal, comportamentos retificados significam o fim (potencial) das experiências
sensoriais que estas almas sem corpos buscam.
Em um outro exemplo, se uma pessoa infectada com um ruach resolve em seu
coração (agora contrito) se arrepender de sua vida de idolatria e assim reconhecer
que existe somente um único D-us no universo, e iniciar uma verdadeira teshuvá,
ela estará na prática "incomodando" o ruach o qual se beneficiava até então da
vivência e sensações que esta pessoa tinha em sua devoção idólatra aos elokim
achareim ("deuses estranhos"), as entidades demoníacas propriamente ditas.
Quando esta teshuvá se inicia, o ruach impele a pessoa com pensamentos
recorrentes e contrários à sua teshuvá para que ela retorne às suas práticas
indevidas (o que precisa ser evitado a todo custo), pois as entidades malévolas não
desistem com facilidade da sua fonte de alimento.

É importante entender que nem todas estas almas nuas são essencialmente
malévolas, mas que todas buscam sim refúgio dos anjos que as caçam para que
elas sigam o seu caminho natural de retificação — para que sejam trazidas para a
luz.
Isto tem implicações muito importantes em uma sociedade tão permissiva como a
que vivemos hoje em dia.
Salvo os comportamentos mais destrutivos causados por ruchót (ou os shêdim)
extremamente malévolos (e que afinal despertam sim suspeitas sobre a pessoa),
outros comportamentos, ainda que perversos de acordo com as leis espirituais de
D-us (e que por isso atraem estas almas nuas e os shêdim) são cada vez mais
tolerados, se não, completamente ignorados por leigos, pelos profissionais das
áreas psicológica e psiquiátrica, e até mesmo nas áreas jurídica e religiosa. [Hoje
em dia, existem vários e conhecidos movimentos sórdidos de pessoas com
comportamentos morais/sexuais abomináveis que buscam cada vez mais ganhar
"proteção" contra a discriminação dos que percebem sim a raiz do mal que os
sustentam. Isto está ocorrendo através das mudanças nas leis do país. Mas, uma
vez que a sociedade secular é ignorante e apática a estes comportamentos que
atuam como instrumentos demoníacos para fortalecer a força maligna em nosso
mundo e a destruição da humanidade, a oposição (em vários países) a estas
mudanças na lei têm sido, na melhor das hipóteses, fraca. Isto é muito grave!]
Assim, vivemos um momento de alta periculosidade espiritual, favorecendo muito
estas invasões espirituais que afligem a grande maioria das pessoas que não vivem
vidas retas e dignas de acordo com as leis morais de D-us, que de outra forma as
protegeriam.
Estas leis foram justamente oferecidas por D-us para proteger o homem destes
perigosos contatos com as espécies indígenas de nosso universo — muito mais
densamente populoso do que se imagina.
E são exatamente estas leis da Torá que o fervor quase religioso do secularismo —
a "religião" do ateu e cético — busca negar e em última instância, obliterar.
Isto somente faz dos indivíduos que aprovam esta ideologia anti espiritual os alvos
principais das atividades demoníacas e das neshamót artiláin.

Diferente dos ruchót, os shêdim se alimentam diretamente da força vital (néfesh)


da pessoa.
Também as características das atividades de um shed na vida da pessoa são muito
distintas das atividades dos ruchót.
Assim como está escrito, “Tsofeh rasha la'tsadik u'mevakésh l‟hamitô”, "O perverso
espreita o justo e almeja matá-lo", querendo dizer, um ruach não se importa com
seu hospedeiro, e o impele (enquanto remove a sua força vital) até o seu fim, se
isso for necessário para realizar o seu ardente desejo por intensas sensações
físicas.
Mas sobre um shed pode ser dito: “Ki rasha machtir et ha-tsadik al ken yetsê
mishpát meukál”, "O perverso cerca o íntegro, e assim emerge distorcida a justiça",
querendo dizer, o shed "suga" a néfesh mas não deseja quebrar seu vínculo de
sustento que o alimenta, deixando a sua vítima sempre se recuperar.
Pelo contrário, assim ele pode voltar e "sifonar" mais e mais, causando fadiga
crônica na pessoa, desânimo (o que a enfraquece em suas resoluções morais e
desejo por teshuvá), e principalmente fomentando o que há de mais grave: a
atsvút ("depressão"), que D-us não permita.
De qualquer maneira, a pessoa perde sim a sua força vital, que se torna então
(metaforicamente) "distorcida", bem como a sua psique, portanto a sua "justiça"
(ou seja, as suas decisões).
A influência do shed na pessoa tende a ser "sutil", mas sempre direcionando a
pessoa a manter seus comportamentos habituais ou novos desde que venham a
prover para o shed um canal de sustento garantido.
E os shêdim guardam fortemente o seu "território", assim como um animal guarda
a sua caça.
Sobre a alimentação dos shêdim (e ruchót), é sabido que uma das maiores fontes
de alimentação é o expelir do sêmen em vão.
O sêmen é tanto a energia criativa mais nua e pura que existe no mundo — a
própria corporificação de um aspecto da Luz de D-us através da qual até as almas
dos tsadikim perfeitos são trazidas para este mundo — como a fonte potencial da
maior degeneração espiritual e assim, da direta fortificação da sitra áchra, que D-us
não permita.
Portanto, uma energia tão preciosa precisa ser "transportada" e usada com o
máximo de cuidado e discrição, para não permitir “Eles de profanarem meu local
sagrado, pois estes bandidos lá entram e profanam”.
E a maneira de manter oculta esta energia criativa para protegê-la é através do seu
uso exclusivo no gerar da vida, quando o amor do homem e sua esposa atuam
como uma barreira espiritual contra os chitsonim — os bandidos insaciáveis do lado
da profanação, a saber, os inúmeros tipos de shêdim e ruchót.

Uma outra fonte de alimento para os shêdim é o sangue (onde a néfesh se


encontra), além dos incensos e alimentos físicos oferecidos para eles, pois eles
absorvem a energia espiritual imbuída em suas fragrâncias.
Os shêdim buscam também influenciar as suas vítimas para que experimentem
drogas de todos os tipos, uma vez que o efeito delas é a diminuição da barreira
entre o consciente e o subconsciente humano criando assim uma "abertura" que
favorece a maior penetração do shed na mente da pessoa.
Portanto, e como exemplo, locais onde atividades sexuais são livres, drogas e
bebidas alcoólicas são usadas, e estímulos sensoriais exacerbados prevalecem —
como em alguns shows de música profana, bares, boates, festas, etc. — muito
favorecem uma forte atração magnética e subsequente infecção destes malévolos
sugadores de energia vital.
É importante evitar estes lugares mesmo se a pessoa não participa ativamente do
que se passa lá.
Uma pessoa minimamente sensível percebe rapidamente a força oculta que
predomina nestes locais, causando certamente algum grau de tensão e medo.
De fato, nossos Sábios comentam sobre o verso "Eu, Daniel, sozinho vi a visão,
mas aqueles que estavam comigo não viram; mesmo assim, um grande temor caiu
sobre eles e eles fugiram para se esconder” que, estes homens especiais que
estavam com Daniel eram os profetas Hagai, Zacarias, e Malaquias: "Eles eram
superiores a Daniel; e ele era superior a eles de outra maneira. Eles eram
superiores a ele, pois eles eram profetas e ele não era um profeta. Ele era superior
a eles, pois ele tinha visões e nesta ocasião viu e eles não viram. Mas se eles não
viram, por que eles tanto se assustaram? Apesar de que eles mesmos não viram
nada, as suas mazalót viram.
O sábio Ravina comentou: “aprenda disso que se a pessoa se amedrontou sem
causa aparente e apesar de que nada ela viu que fosse a causa de seu medo, o seu
mazal de fato viu".
No entanto, a presença nestes locais e o medo gerado são suficientes para atrair
um shed, pois o próprio medo — que é também uma expressão da alteração de
consciência do indivíduo em termos de sua vulnerabilidade e enfraquecimento —
facilita a invasão destes seres do mal.
Daí vemos como certos comportamentos aparentemente inócuos em nossa
sociedade tão moralmente desvirtuada se tornam verdadeiros instrumentos da
difusão do mal.
Exemplo disso é o conhecido hábito social de "sair para tomar um drink", quando a
intenção da pessoa para esta atividade é exatamente o "relaxar" das cercas morais
que de outra maneira a impediriam de cometer certas liberdades de expressão,
incluindo, e principalmente, as de ordem sexual.
Aí, no costumeiro sexo casual que resulta destas interações tão aplaudidas pela
sociedade secular — e onde a emissão do sêmen em vão prevalece em abundância
— se cria uma fortíssima abertura e atração magnética para a conexão com estes
elementos espirituais que precisam destes alimentos e os desejam em abundância
— o que ocorre sempre, 'sem exceções', com o sêmen expelido em vão.

Mais ainda, através de sua influência, os shêdim (e ruchót) farão o que for preciso
para "convencer" as pessoas envolvidas em uma situação negativa assim descrita,
a manter estes tipos de relacionamentos (nem que o sexo seja a razão principal ou
única), argumentando e fazendo muitas vezes o que for necessário para continuar a
vivenciar esta relação espiritualmente desalinhada com as leis de D-us.
Em alguns casos, a perpetuação dos comportamentos moralmente nocivos se dá de
modo 'compulsivo' (algo que sempre indica ligação da pessoa às klipót) devido aos
estados mentais e respostas fisiológicas geradas cronicamente levarem à formação
de adições (de vários tipos além das) sexuais, garantindo assim a alimentação
recorrente dos shêdim.
Enfim, todo e qualquer comportamento adicto é sempre um poderoso ímã que atrai
a atenção dos shêdim e ruchót.
Isto é verdade para a pornografia, gula, bebida, tabaco, inveja, raiva, egoísmo,
entre tantos outros vícios e perversões comumente aceitas em nossa sociedade tão
perdida.

Voltando ao assunto do medo, é muito importante que se a pessoa sentir uma


presença negativa se "aproximar" — a maneira destes seres malévolos buscarem
lentamente minar as barreiras psíquicas da pessoa que os atraiu — aprender a
controlar a sua resposta natural a este possível ataque: o medo proveniente do seu
instinto de preservação. [O que não ocorre com os indivíduos de sensibilidade
espiritual tão grosseira que nada eles percebem, salvo talvez algum desconforto
físico.]
Pois como explicado, o medo atrai magneticamente e abre as portas psíquicas para
as entidades espirituais do mal [É por isso, que no caso dos ruchót, entidades que
buscam sensações físicas crescentes, a pessoa pode vir a exibir muitas vezes
comportamentos inconsequentes e perigosos, beirando o desejo secreto de morrer,
que D-us não permita. Afinal, todos estes comportamentos negativos eliciam
respos-as naturais de medo, o que só fortifica a ligação magnética do ruach com a
pessoa.], que D-us não permita.
O único medo retificado é o temor a D-us que abençoa a pessoa, assim como está
escrito: “Hine êin Hashém el iereáv l‟meiachalim l‟chasdo”, "O olho de D-us fita os
que O temem, e Ele dá atenção aos que esperam por Sua benevolência".
Veja bem, a atração magnética ocorre em um instante, mas existe ainda uma fase
de aproximação da entidade que busca o objetivo final de penetrar nas defesas
naturais da alma e mente.
Esta fase precisa ser mais bem compreendida para ajudar a pessoa a se proteger
de um ataque espiritual.

O mestre Chassídico maior, o Ba'al Shêm Tóv, dizia: “Trácht Gut v‟zêín gut”, "Pense
o bem e será bom".
Esta "simples" frase revela na verdade um profundo segredo místico.
Quando por exemplo, pensamos em alguma pessoa com força e clareza, fazemos
um contato instantâneo com ela em algum nível espiritual, ainda que não
consciente.
De acordo com a intensidade da visualização, pensamentos, e kavanót
("intenções"), é possível que o contato fique mais "próximo", implicando no
aumento de sua definição e influência na consciência — o que eu chamo de
"entrada".
Mais ainda, quando alguém promove uma cercania mental à outra pessoa, se torna
possível criar para ela um "ambiente psíquico".
Se por exemplo este ambiente se formar pelas boas intenções de saúde e alegria
etc. com a pessoa mentalizada, o contato poderá então, e no espírito do conselho
do Ba'al Shêm Tóv, vir a beneficiá-la, se D-us quiser.
Assim, o ambiente psíquico é a aproximação propriamente dita, enquanto o
beneficiar é a entrada, aqui positiva, mas podendo ser maligna também em outros
casos.
Em geral, para que haja uma entrada é preciso primeiro que o ambiente psíquico
seja adequado, o que depende tanto da capacidade espiritual do transmissor na
tentativa do contato, como da afinidade do receptor ao transmissor (o que o atrai
magneticamente) e da sua suscetibilidade [A "afinidade espiritual" é um assunto
delicado, pois não se trata de algo necessariamente positivo. No caso da afinidade
ser com uma entidade não corpórea, existem casos de contato com algum shed que
se tornaram recorrentes em famílias — afligindo a sua descendência pela mesma e
antiga "afinidade" com o shed. Também é possível que a afinidade implique em
contatos que perduram mesmo através das reencarnações de uma pessoa ou
família.] para se proteger (ou não) de uma entrada. [A regra da suscetibilidade é
simples: quanto maior o alinhamento verdadeiro com as leis da Torá, menor a
suscetibilidade aos ataques espirituais.]
Um contato desta natureza também pode vir a acontecer "acidentalmente" —
quando uma pessoa pensa na outra com suficiente força e clareza, mas sem
intenção particular alguma, salvo um simples desejo de se comunicar ou
lembrança; enquanto o receptor pensa ao mesmo tempo nesta pessoa que originou
o sinal.
Se houver ressonância do pensamento entre as partes suficiente para o "alertar da
consciência", um contato psíquico ocorre.
E por exemplo, o telefone toca e quando a pessoa atende e reconhece quem lhe
chamou, ela diz: "Eu estava justamente pensando em você!".
Mas o contato pode ser impedido se ao pensar em alguém (que de fato está
pensando em você em primeiro lugar), você desistir de se focar nesta pessoa que
agora ocupa a sua consciência, ignorando assim o contato, seja ele proposital (e
mesmo com boas intenções) ou acidental.
Um caso de contato com boas intenções descrito na Torá ocorre com no relato de
Jó.
Ele tinha três grandes amigos que queriam muito consolá-lo pelo seu terrível
sofrimento.
Os Sábios da Torá ensinam que eles sentiram a aflição de Jó de uma distância de
300 parsaót (aproximadamente 1.200 km)!
A forte conexão entre os bons amigos permitiu que um contato telepático ocorresse
entre eles, a despeito da grande distância que os separava.
Em um outro nível de contato, vemos este mesmo princípio na maneira em que
Hashém pode decidir enviar Seus malachim para ajudar alguém doente, por
exemplo, através dos pedidos nas orações de um ente querido.
O amigo faz "contato" com Hashém através da oração, da força de suas intenções
positivas e mentalizações sobre o doente, e acima de tudo, no seu pedido
verdadeiro pela cura de outra pessoa: “Kel nah refah nah lah”, clamou Moshe por
sua irmã Miriam, "D-us, rogo-Te, cure-a!".
E como, “Ma rav tuvechá asher tsafánta lireêcha”, "Imensa é Tua bondade que
destinas àqueles que Te temem'', Hashém a curou.
E sobre este pasúk traz a Cabalá que, "O malach Rafael tem remédios em sua mão
e ele sai para o mundo para atuar como é estabelecido... Quando D-us ordena uma
cura para alguém, o malach sai com o remédio e todos os acusadores celestiais que
trazem a doença o temem... e assim vem a cura, apesar de que tudo está nas
mãos de Hashém".

O poder mental é algo extraordinário, e a Cabalá ensina que o fenômeno interior de


se comunicar e influenciar outra pessoa através do pensamento é chamado de
chashmál [Esta palavra aparece uma única vez em todo o Tanach: na descrição do
profeta Ezequiel sobre a Mercava ("Carruagem Divina"). Em Hebraico, machshava
moélet ("um pensamento que causa um efeito") é o termo para telepatia.] ("a fala
silenciosa"), de guemátria 378.
E como está escrito, “Hu tsivá v'nivráu”, "Ele ordenou e eles foram criados"'
(também de guemátria 378), indicando o poder de chashóv ("pensar") e atuar na
realidade de modo natural, sem interferências da fala ou ação.
Nestes exemplos de entrada psíquica, temos o caso do malach quem traz o remédio
para o doente, e a cura aqui implica em um contato angelical transformador.
Como Hashém tudo pode, se Ele decidir que a pessoa deve se curar, mesmo no
caso absurdo que ela tentasse bloquear este contato angelical de cura, ela não teria
qualquer capacidade para isso.
No caso dos amigos que se contatam (e o telefone toca), ainda que isso ocorra vez
por outra, de um modo geral se trata de um evento aleatório devido ao baixo nível
espiritual e conhecimento destes assuntos pela grande maioria das pessoas, além
do fluxo excessivo de machshavót arót ("pensamentos estranhos") que dominam
suas consciências não retificadas — o que afinal não ocorreu no caso dos amigos de
Jó: Até aqui se tratou somente de casos e condições positivas.
É preciso examinar ainda mais os ataques psíquicos e suas reações no indivíduo.

Veja bem, talvez alguém pensasse que assim como um contato "acidental" entre
amigos pudesse ser desprezado, uma invasão psíquica pudesse ser evitada
bastando ignorá-la.
No entanto, devido à lei espiritual de “Zeh l'umat eh asah Elokim”, "O Todo
Poderoso criou uma coisa oposta a outra", a saber, tudo que é criado no domínio da
kedusha ("santidade") tem um reflexo escuro no domínio das klipót ("forças do
mal”), segue que esta dinâmica de contato espiritual pode ser usada também pelo
mal, que D-us não permita.
Mais ainda, o desejo de penetração do mal, em particular dos shêdim e dos ruchót,
é muito mais focado e apurado dos que a força mental de seres humanos.
É importante lembrar que estas entidades são magneticamente atraídas e buscam
entrar pela própria sinalização da alma — o efeito espiritual do desalinhamento da
pessoa com as leis da Torá.
Quanto maior o grau de desalinhamento (leia, de transgressões), maior a
"abertura" psíquica e capacidade de atração magnética destas entidades do mal,
que afinal desejam entrar para se alimentar da néfesh.
É tudo uma questão de sobrevivência.
Isto é assim, pois quanto mais "manchada" é a alma, mais ela terá ressonância
com alguma entidade malévola, uma vez que os shêdim abominam somente uma
única coisa: a kedusha [O Ari"zal disse: "A Presença Divina interior em nosso
mundo é a 'espada flamejante' [Gênesis 3:24] para os perversos [como os
shêdim]"] (e por isso buscam enfraquecer espiritualmente a pessoa, diminuindo
assim a sua kedusha).
Uma vez em contato com um shed ou ruach, que D-us não permita, a pessoa
poderá vir a sentir algo estranho, em geral o medo, como já explicado.
Como isso ocorre exatamente?
Devido à complexa natureza humana que busca sempre a interpretação dos sinais
do seu meio, uma natureza que inclui afinal um elemento espiritual (a alma) e suas
"vestimentas" (ou poderes de expressão) do pensamento, da fala, e da ação, além
das emoções e o próprio corpo físico, todo acesso de uma força espiritual exterior
sofrerá "tradução" do lado direito do cérebro (psíquico-intuitivo, sub-consciente)
para o lado esquerdo (racional-analítico, consciente); e continuará a "descer" na
hierarquia humana, possivelmente até gerar alguma manifestação no grau mais
baixo que é o físico.
A essência [Como elaborado pelo Ramchal, Dérech Hashém 3:1:6, possivelmente
baseando-se no Ari"zal, que afirma: "Um sonho não provém da néfesh, a força
vital, mas sim da neshama, o alento da vida, que dá vida ao corpo"] desta descida
espiritual está no fato de que, quando os níveis mais elevados da alma percebem
algo, é possível que por vezes este algo seja então transmitido gradualmente até
que alcance o nível espiritual inferior da néfesh habahamit ("alma animal") que é
vestida no sangue.
Em um primeiro momento, a reação se mantém no nível mental, normalmente no
próprio pensar aparentemente espontâneo da pessoa sobre aquele que a desejou
contatar.
Isso no caso como dos amigos.
Mas, se o contato for com uma entidade malévola, é comum surgirem pensamentos
bizarros e muito negativos, os quais a pessoa jamais teria, assim como se eles
tivessem sido "implantados" na mente.
O ambiente psíquico ou fase de aproximação ocorre então antes da entrada ser
"finalizada", e a pessoa começar a trazer para sua consciência estes pensamentos
que buscam induzir a pessoa a degenerar os seus comportamentos, principalmente
na área moral.
De modo ainda mais específico, a entrada psíquica significa um sugestionamento
mental, quase hipnótico.
Este é sempre realizado através da linguagem simbólica do subconsciente, uma vez
que este grau da mente é mais primitivo do que o consciente.
Mesmo no caso mencionado das boas intenções entre amigos, a entrada é sempre
simbólica, pois o subconsciente é verdadeiramente a porta para o domínio
espiritual.
Note que é justamente devido a uma tradução indefinida na interpretação deste
sugestionar do subconsciente, que algum grau de confusão mental é gerado.
E estados mentais confusos acabam se manifestando nas emoções e sensações
físicas instintivas, tal como o medo.
O ambiente e entrada psíquicos criados pelos shêdim ou ruchót atraídos são muito
mais poderosos do que os humanos [Salvo os tsadikim que têm um talento forte e
natural para a telepatia, e que eles, em seu caminho de santidade, vem a
desenvolver ainda mais. Isto ocorre da maneira ideal: através da retificação de
seus pensamentos. Neste nível tão singular, eles controlam a sua capacidade de
transcender os limites do espaço-tempo para se comunicar com alguém, e são
capazes de até de sublimar os pensamentos estranhos que afligem outra pessoa.],
pois em não sendo criaturas físicas, eles têm a habilidade natural de manipular a
mente humana.
Isto ocorre na maneira em que eles se "disfarçam" nas ideias e visões que eles bem
desejarem na mente imprimir.
Veja bem, a mente humana, que opera afinal em um grau não físico, é totalmente
aberta aos domínios e habitantes espirituais.
Assim, os shêdim, por exemplo, aprendem as coisas que os homens desejam em
seus corações e usam estas preciosas informações para enganar e confundi-los.
Por isso Hashem nos avisa a evitá-los, assim como está escrito: “Alai kol
mach'shevotam lará”, "Somente o mal planejam contra mim” e também: “Hen
yadáti machshevotêichem umezimót alái tachmosú”,"Já conheço vossos
pensamentos e percebo as artimanhas que vós, maliciosamente, planejam contra
mim''.
Ainda que tudo isso ocorra instantaneamente, a pessoa "contatada" poderá
possivelmente lutar neste estágio para ignorar o "sinal", e deste modo se proteger
do ataque psíquico.
Como já afirmei, na fase de aproximação ela poderá vir a sentir muitos medos sem
causa aparente quando entra em algum lugar ou após um evento negativo com um
pecado cometido no local por ela mesma [Traz o Midrash que, "Antes de pecar o
homem inspira temor e medo, e as criaturas se amedrontam dele. Uma vez que ele
peca, ele é preenchido de temor e medo, e se amedronta dos 'outros" (Cântico dos
Cânticos Rabá III:18).] ou outro, e até pensar coisas muito estranhas.
Neste momento e ambiente psíquico, é vital que a pessoa perceptiva use todas as
armas necessárias para banir este mal que a assola.
Entretanto e como já aludido, se a falta de alinhamento com as leis de D-us for
grande, implicando em um baixo nível espiritual, a pessoa não perceberá o
ambiente psíquico que a está cercando e nem a entrada malévola.
A razão disso é que os shêdim e ruchót falam somente para o coração, um órgão
que muito "aconselha" o homem, assim como está escrito: “Rabot machshavót
b‟lêv ish”, "Há muitos pensamentos no coração do homem", mas eles não falam
(literalmente) para a boca, ou seja, eles não querem ser reconhecidos.
Assim, eles podem incutir as suas sutis diretrizes mentais e afetar a pessoa de
maneira maligna e sempre com escárnio [Por exemplo, explica o R' Yehuda Fatia
zt"l que quando uma pessoa tem um sonho demoníaco, "Os demônios que causam
isso ficam lá de pé ao lado da pessoa e muito se alegram e riem dela, pois puderam
aterrorizá-la. Quando a pessoa volta a adormecer, eles retornam e repetem o
incômodo"].
Deste modo, as suas presenças são ignoradas, salvo pelos mais sensíveis e pelos
mestres treinados para observar as suas influências em outros.
E se diante de fortes pensamentos estranhos, ela deve então dizer com intenção:
“Rachash libí davár tóv”, "O meu coração transborda de boas palavras”, ordenando
o seu coração, através do poder da fala, a aconselhá-la somente com bons
pensamentos. [O R' Yehuda Fatia zt"l ensina que, "A pessoa não deve se preocupar
com estes pensamentos malignos. Ela precisa fazer o que precisa ser feito, assim
como explicado e também deve meditar no Nome Divino Reish Chet Shin e no
Nome Divino Kr"a St"n (Kibêl Rinát Amêicha S'M) do Aná B'Kôach, e deste modo os
pensamentos ruins serão anulados", se D-us quiser. Este procedimento avançado é
dirigido somente aos judeus observantes da Torá e mitsvót.]
Saiba que os shêdim se afastam quando a pessoa fala com firmeza: “Tamêi, tamêi
bará lechá mekón”, "Impuro, impuro seja banido daqui", quando ela recita com
kavaná (e inúmeras vezes se preciso) o Shir shel pega'im, "Canção contra os maus
espíritos" — o anti-demoníaco Salmo 91.
E a tão necessária misericórdia de D-us vem para aquele de coração aquebrantado
e contrito, que reconhece a repugnância e baixeza do seu ser, assim como traz o
Salmo 51.
Enfim, tudo segue de acordo com a raiz da alma e nível espiritual de cada um
envolvido.

É preciso enfatizar a importância do instinto de preservação e sua resposta


emocional, bem como o instinto sexual e a sua resposta de desejo por união, como
as entradas psíquicas básicas dos elementos negativos.
Através destas aberturas psíquicas que estas entidades atacam os alvos então
expostos dos seres humanos ignorantes destas leis naturais.
Estes dois instintos e suas respectivas respostas enfraquecem a psique da pessoa,
uma vez que estas funcionam de modo extremamente convergente, a saber, seja
no medo ou no desejo sexual, ambas a respostas dominam inteiramente a dinâmica
do consciente e subconsciente da pessoa.

Recitar e meditar no Salmo 23 é fundamental para o aplacar do desejo sexual


indevido e do medo.
Veja como, por exemplo, que a expressão logo no primeiro pasúk ("verso") “ló
echsár” ("nada me faltará"), por si só já nos ensina muito: que a pessoa,
verdadeiramente não precisa de nada; nem mesmo da ilusão de que ela somente
se elocupletará através de dar vazão à força do seu intenso desejo sexual e
perversão através de uma relação não sancionada pela Torá.
De fato, tão poderoso é este assunto do "nada me faltará", que vemos na própria
(e difícil) restrição do desejo sexual implícito neste verso do Salmo — o que de
outro modo implicaria somente na transgressão de várias leis espirituais e possível
atração destas forças negativas em sua vida — um grande tikun ("retificação
espiritual") para a pessoa.
Isto é assim, pois a guemátria desta expressão é 300, o mesmo valor da palavra
“tapir” ("expiação").
Este valor numérico também é o mesmo da letra Shin do alfabeto Hebraico.
Uma das interpretações místicas desta letra se encontra na expressão “ló shiniti”
("sem mudança"), ou seja, ainda que a pessoa se encontre em situações adversas,
ou que surjam novos desejos estranhos, ou seus caminhos a levem para longe, ela
permanece constante em sua fé em Hashém que não se modifica.

No segundo pasúk este Salmo afirma: “Bin'ót déshe iarbitsêni, al mei menuchót
ienahalêni”, "Ele me faz repousar em campos verdejantes, conduz-me a águas
tranquilas".
A expressão “mei menuchót” tem guemátria 554, a mesma de “mitsvotái”
("mandamentos").
Assim como na agitação e excitação a pessoa se confunde e acaba se perdendo,
com histavút ("equanimidade") — a serenidade das 'águas tranquilas' — a pessoa
cumpre a mitsvá de Devekút, que é a "consciência constante da Presença de
D-us", a base de todas as mitsvót.
O devekút da pessoa age como um poderoso remédio para a limitação emocional
de todos os seus medos.

Sobre o quarto verso do Salmo 23, o grande mestre Chassídico, o Álter Rebe,
interpretou “Gam ki elech b‟guêi tsalmávet ló irah rah ki atah imadí”, "Ainda que eu
siga pelo vale das sombras da morte, eu não temo o mal, pois Tu estarás comigo"
de um modo original, ao mover a vírgula e assim o traduzir: "Ainda que eu siga
pelo vale das sombras da morte eu não temo, o mal real é que, eu Te trago aqui
comigo".
O significado disso é que a má inclinação do homem faz com que ele não se
preocupe com seu próprio estado espiritual.
Ele tudo racionaliza e desdenha a Sabedoria Divina.
Talvez ele até venha a afirmar que está "apenas" se prejudicando e não a outros,
portanto os seus comportamentos inapropriados, e que resultam também na
atração das forças negativas, podem seguir em frente, que D-us não permita.
O Álter Rébe nos ensina aqui que de fato, nós não estamos sozinhos em nossas
ações — Hashém está conosco.
Assim, devemos meditar quão terrível é para nós, quando agimos contrariamente
às leis de D-us, forçá-Lo então a participar destes atos.
Ainda no quarto verso deste mesmo Salmo temos “Ló irah rah”, "Eu não temo o
mal", de guemátria 513.
Esta forte afirmação é a base da rejeição a todas as forças negativas.
E este pasúk ensina ainda duas maneiras profundas para sustentar esta afirmação:
primeiro, a expressão “be-ashrei”, "com felicidade", também tem guemátria 513.
A felicidade é uma condição para a teshuvá ("retorno a D-us"), pois como está
escrito “Ivdú et Hashém be-simcha”, "Sirvam a D-us com alegria”.
Assim, a alegria na Torá é a força verdadeira que rompe os limites e barreiras que
escravizam o homem às ilusões deste mundo.
Saiba que é bom também cantar “nigunim” [Melodias Chassídicas tradicionalmente
compostas por lideres espirituais Judeus (i.e., pelos Rebes), para o Shabat e Yom
Tóv.] que fortificam a fé e a confiança em D-us, trazendo assim alegria — e os
shêdim muito odeiam isso.
E é por isso que David HaMélech sempre entoava as suas louvações para Hashém,
cantando para espantar os males, literalmente.
A segunda expressão, de mesma guemátria 513 é “be-emunatechá”, "Na Tua
fidelidade [ou fé]".
O significado disso é que Hashém tem fé em nós.
Isto quer dizer que Ele sabe que o homem tem o poder de decidir pelo que é certo
para se ligar ao que é santo e assim se distanciar do mal.
É para isso que a Torá existe: para guiar o homem na revelação da sua alma que
arde somente pelo divino, e através deste processo, elevar espiritualmente o
mundo físico.
Para isso, basta ele acessar este seu poder interior que por desígnio Divino ele
possui de fato.
Além disso, uma pessoa que verdadeiramente entende que D-us confia nela, cresce
em sua autoestima, impelindo-a para tomar decisões retas e com confiança na
Providência Divina, tal como o fato de que ela 'nada ela deve temer', de modo
algum, salvo a D-us Ele mesmo.

Por fim, no quinto pasúk do Salmo 23 é dito: “Ta'aróch lefanái shulchan négued
tsorerái”, "Tu me preparas uma mesa contra meus inimigos".
Aqui temos uma meditação mística.
A 'mesa posta' representa Malchut, o nível da realidade que nós percebemos
conscientemente.
Ela é "posta", pois o ser humano recebe "pronto" de Hashém, nos vários estágios
de sua evolução mental, as luzes espirituais dos Mochin ("Cérebros") [Em Cabala,
Chochmá ("Sabedoria"), Biná ("Compreensão"), e Da'at (“Entendimento").] que
infundem e ativam o seu intelecto, permitindo ao indivíduo ter uma consciência.
E na medida em que ele se desenvolve espiritualmente, ele recebe um fluxo maior
destes mochin podendo então se alinhar apropriadamente com as leis espirituais.
Um desalinhamento com estas leis ocorre através das transgressões da Torá, o que
resulta na queda de sua consciência, implicando na maior restrição de sua
compreensão sobre as verdades espirituais.
Se isto ocorre, o resultado é sua ligação maior com as klipót através da baixeza de
seus desejos negativos e traços deploráveis de caráter que a sua falta de
iluminação não os permite retificar.
A pessoa se torna "escurecida", vindo assim a se juntar às 'sombras da morte', pois
está na natureza do mal receber o máximo possível para si mesmo de tudo que
puder adquirir — o processo espiritual contrário à iluminação.
A guemátria de “négued tsorerái” é 557, a mesma de “rishón” ("primeiro").
O Talmud ensina que Esáv, o ministro do mal, é chamado de “rishón”.
Ele simboliza o primeiro e maior inimigo daquele para quem Hashém "prepara a
mesa" — a iêtser hara do homem.
Portanto, através da substituição dos conceitos elucidados no pasúk original temos:
"Tu me dá consciência para ir contra a minha iêtser hará”, e poder assim corrigir os
meus comportamentos inapropriados, literalmente associados a Esáv.
E se a pessoa se liga a D-us com o coração humilde, então esta mesa se torna uma
'mesa de maravilhas', pois a expressão “ma-pelót” ("com maravilhas") também tem
guemátria 557.
E agora o pasúk se revela: "Tu me preparas uma mesa com maravilhas".
Ou seja, se usada com sabedoria, a luz que Hashém me oferece para que eu tenha
uma consciência “Gal enái veabíta niflaót mitoratécha”, "Desvenda os meus olhos
para que eu possa perceber as maravilhas da Torá'', e assim crescer e cumprir o
meu propósito espiritual, amém.

Continua
Cuidado – Sua alma pode estar em Perigo – Parte 8

Adendo I - Hashém Mach'sí - "D-us é meu refúgio"

Parte II

Lei: absolutamente toda e qualquer vez que um judeu (ou um membro dos Bnei
Nôach) viola as mitsvót de seu grupo, ele se abre para um ataque psíquico-
espiritual.
Todo o restante da humanidade [Baseado no Talmud (Menachót 110a) vemos que,
mesmo entre os Gentios que se enganam intelectualmente com suas crenças
idólatras que os obrigam a adorar formas para o Divino (o que tanto limita o seu
crescimento espiritual), existem pessoas de grandiosa retidão que "chamam Ele, o
D-us dos deuses. E mesmo um que tem um ídolo sabe que Ele é o D-us que está
sobre todos os outros" (Malaquias 1:11). Na era Messiânica, estes que buscaram a
verdade em seus 'corações', clamando Seu Nome, mas que se perderam
intelectualmente, perceberão a revelação de D-us e abandonarão todas as formas
imaturas de espiritualidade, amém.] que não vive uma vida reta e digna está
sempre aberta a estes mesmos ataques, que D-us não permita.
E como explica o Rambarn: "Aquele que conscientemente transgride uma das
mitsvót relatadas na Torá, sem ser forçado, mas sim no espírito de derrisão
[escárnio] para despertar a ira Divina, profana o Nome de D-us. Portanto, a Torá
afirma sobre o prestar de um falso juramento: 'Pois você está profanando o Nome
do Seu S-nhor; Eu sou D-us'”.
Mas os Sábios da Mishnah ensinaram: "Os animais selvagens vêm ao mundo pela
prestação de falso juramento e pela profanação do Nome Divino", e o Sód deste
dito, com a ajuda do Céu, é que os animais selvagens são os próprios shédim e
ruchót que provocados pelos comportamentos ímpios e mundanos dos homens,
vêm ao mundo exatamente através desses mesmos homens que afinal
representam o mundo, pois como está escrito: "O mundo todo foi criado somente
pela causa do homem".

Veja bem, "D-us fez o homem reto, mas os homens buscaram muitos artifícios".
E sobre isso, comenta a Cabalá: "Ele o fez reto, mas ele se entregou à corrupção e
por isso foi banido do Gán Éden”, significando que o homem perdeu a sua ligação
direta com o domínio espiritual, e em tempo, passou até a descrer completamente
neste grau da realidade.
Entretanto, "Imensa é a bondade que destinas àqueles que Te temem e que
dispensas aos que em Ti buscam refúgio".
E sobre isso traz a Cabalá que, "D-us criou o homem com as faculdades necessárias
para crescer e se aperfeiçoar no seu avodát Hashém ['serviço Divino'] e assim
dirigir os seus caminhos para o aproveitar da luz celestial que D-us ocultou para os
justos no olam rabá ['mundo vindouro']... É através da Torá que o homem pode
ganhar mérito espiritual para esta luz".
E para estes que buscam mérito para uma porção no mundo vindouro e que assim
clamam: Horêni Hashém darkêcha ahalech ba'amitêcha iached levavi leyir'á
shemêcha, "Ensina-me Teu caminho, ó Eterno, para que eu possa andar sob Tua
verdade e dedicar meu coração a temer somente Teu Nome'', é preciso conhecer as
"armadilhas" deste mundo.
Pois assim como conhecimento do lado da kedusha implica em conhecimento sobre
o lado da profanação, a ignorância de um lado implica também na ignorância sobre
o outro.
Saiba então que a maneira de se conectar com a sítra áchra, o lado da profanação,
é através das transgressões das leis de D-us.
E por isso é bom alertar: grande é o perigo na tola crença que o homem passa
incólume diante de seus pecados.
Assim como ensinou o Ari"zal, "O pecado mancha, tinge e corrompe a alma. Isto
então é a doença da alma pura".
É preciso entender bem o sentido destas palavras do mestre.
As transgressões causam um defeito na alma, como uma marca.
Cada marca por sua vez "bloqueia" o fluxo de força Divina que desce para a alma e
que é por sua vez enraizada nos níveis mais sublimes da Santidade. A degeneração
da alma inibe este fluxo santo para ela mesma, mas o fluxo ainda sim continua a
descer. No entanto, ele agora é "capturado" pela sítra áchra que literalmente se
nutre desta força vital santa graças a sua "sociedade" com a pessoa.
A degradação da alma significa também que a própria vitalidade espiritual daquele
indivíduo que transgrediu as leis de D-us será agora provida diretamente pela sítra
áchra, a qual ele mesmo se ligou.
É preciso entender o significado profundo disso.

Para uma pessoa que transgride a Torá, a sua vida perdura através de sua ligação
com o grau impuro da sítra áchra, chamado o domínio da morte.
É por esta razão exata que os nossos Sábios afirmaram: "O perverso enquanto vivo
é chamado de morto'', pois sua ligação é com este nível tão baixo, e ele é,
portanto, espiritualmente morto enquanto vivo aqui neste grau da realidade física.
Agora, como cada marca na alma afeta a sua cor branca celestial tão pura, em
tempo, ela assume outras colorações como o escarlate e o carmesim, assim como
está escrito: "Tiraste tuas vestimentas [da alma] e fizeste para ti altares pagãos
ornamentados de diversas cores, onde praticavas tua lascívia, fazendo o que não
devias fazer etc.".
Enquanto a alma é resplandecente e pura, os animais selvagens a temem e se
afastam dela, mas ao perder sua alvidez, no escurecer da alma, estes shêdim e
ruchát se atraem a ela e a desejam com ousadia devorar, pois está escrito,
"Estendes o manto da escuridão e faz-se a noite, quando despertam e vagueiam as
feras da floresta. Os filhotes do leão rugem por sua presa etc.".
E ao se abrir às feras, como explicado, então estas tão malignas "Corujas e
pelicanos a possuirão e corvos e ouriços ali passarão a viver [ou seja, em seu
corpo, como se sua propriedade]. E o Eterno estenderá sobre ela [que foi possuída
por um grande juízo:] uma medida de confusão [tóhu] e pesos de esvaziamento
[bôhu]".
E o Tôhu Va'Bôhu era o triste estado do mundo antes das bênçãos de D-us.
E sobre o mundo de uma pessoa que se ligou ao mal e aos seus representantes
acolheu, está escrito: "O Eterno enviará sobre ti a maldição, a perturbação e a
repreensão em tudo o que estenderes a tua mão e fizeres, até que sejas destruído
e até que pereças rapidamente por causa da maldade de tuas obras com que Me
deixaste", que D-us tenha misericórdia.
Aprenda tudo isso muito bem.

Continua
Cuidado – Sua alma pode estar em Perigo – Parte 9

Adendo I - Hashém Mach'sí - "D-us é meu refúgio"

Parte III

Como é exaltado o nível da Teshuvá!


E sobre isso explica o Rambam que, "Anteriormente, ele [o transgressor] se
separou de D-us, o S-nhor de Israel, assim como está escrito: 'Foram vossas
iniquidades que vos separaram de vosso D-us'. E ele chamava a D-us sem ser
respondido, como o profeta diz: 'Quando Me forem dirigidas vossas muitas preces,
não as escutarei”.
Mas se a pessoa faz tesbuvá, se arrependendo de seus atos e estilo de vida
contrários à lei de D-us, então, continua o Rambam: "Agora, ele se liga à Shechin4
[a 'Presença Divina'] assim como está escrito: 'E vós, que vos ligastes ao Eterno,
vosso D-us'. Ele chama a D-us e é respondido imediatamente como traz o profeta:
'E há de suceder que; ainda antes que Me chamem, Eu os atenderei"'. mas, mesmo
diante desta enorme recompensa de viver uma vida ligada a D-us, existe sempre
aquele teimoso de coração e resistente, que ainda que tenha em sua mente
pensamentos de arrependimento sinceros, assim que eles surgem ele os afasta com
grande força, fazendo tal "Como um cachorro que retorna a seu vômito, pois este é
o tolo que repete as suas tolices”.
E imediatamente quando isso ocorre, uma chamada celestial desperta as forças
severas do lado de Guevurá, de onde os julgamentos emergem, e o decreto é
pronunciado: "Eis que porei sobre ele um espírito que o fará ouvir um rumor que o
fará voltar à sua própria terra [a saber, ao pó de onde ele veio]. E farei com que lá,
em sua própria terra, ele tombe pela espada''.
Assim, os encarregados destes juízos severos, seres que ressoam com o tom desta
chamada devido as suas naturezas negativas — tal como as hordas de mashchitim
["anjos destruidores"] e shêdim — buscam então se ligar a este que recusa a
Shechiná, trazendo-o para o caminho do mal.
E se não através destas criaturas nefastas, ainda é possível que devido ao
ordenamento celestial, um aspecto da alma de uma pessoa que precisa ser
retificado reencarna em outra enquanto ela é viva b‟sód ibúr ("pelo segredo da
impregnação").
Mas, como explica o Ari"zal, "quando esta pessoa peca, a néfesh que a ela se
juntou agora tem força de sobrepujá-la, levando-a então a transgredir ainda mais e
se ligar à sítra áchra. Da mesma maneira que a alma de um justo pode entrar em
uma pessoa para ajudá-la a fazer o bem, a alma de um perverso entra na pessoa
causando com que ela cometa mais transgressões”.
Enfim, este é o caminho frequentado somente pelos perversos e rebeldes, e as
hordas destas bestas celestiais querem que ele se rebaixe ainda mais, pois assim
como é dito: "Uma transgressão atrai outra... a recompensa por uma transgressão
é outra transgressão".
E deste modo, ele se perde e se torna cruel, desdenhando a Sabedoria de D-us e
aos sábios da Torá.
Sempre com raiva, ele tem despeito por todos.
Em tempo, os encarregados celestiais ganham domínio sobre este indivíduo, pois
"Em troca de não teres servido ao Eterno, teu D-us... servirás ao teu inimigo que o
Eterno enviará contra ti... e ele colocará jugo de ferro sobre o teu pescoço até
destruir-te".
De fato, ele então é levado à sua própria destruição e remoção do mundo,
geralmente de modo inesperado com alguma calamidade que recai sobre ele.
E sobre isso está escrito: "Os tolos cruzam as mãos em indolência e devoram sua
própria carne".
Este é um que atraiu sua sorte pelos seus pensamentos.
Agora, está escrito: "Tu, que te despedaças na tua ira".
Sobre isso é dito que, "O indivíduo arranca e desenraiza a sua alma em sua ira
descuidada e permite assim que um 'deus estranho' usurpe o seu lugar dentro dele
e tome posse dele em seu lugar... E ele desenraizou a santidade de sua alma do
seu lugar apropriado e ergueu ao invés um altar para um 'deus estranho‟", e agora
é considerado um idólatra.
De fato, Mashchit ("destruidor"), Af ("ira"), e Hêmah ("fúria") são nomes de chefes
demoníacos, todos sedentos de serem adorados.
No entanto, para aquele que é zeloso e busca preservar sua alma, nenhum pecado
demanda maior cuidado do que este, que afinal 'troca' a alma da pessoa por um
espírito da sítra áchra.
Sobre isso, ensina o Ari"zal: "Mesmo quando a pessoa faz retificações para a sua
alma e realiza muitas mitsvót, tudo é completamente perdido devido a sua raiva...
Ela precisa iniciar novamente todo o seu processo de retificação. Isto ocorre toda
vez que a pessoa fica raivosa... Se a pessoa tem um anjo guardião, este também é
removido pela raiva... Um que tem raiva não é capaz de ter verdadeiros insights
sobre as coisas. Ele destrói tudo o que faz. Outros pecados não causam tanto dano
à alma. Eles mancham sim a alma, mas podem ser retificados através de
meditações específicas correspondentes a estes pecados. Mas com a raiva é muito
mais difícil, necessitando grandes retificações para restaurar a alma depois que ela
foi devastada”.
Até os mais retos e santos precisam tomar grande cuidado como a raiva.
Mesmo algum grau de raiva pode remover deles um ibúr neshama de um tsadik
que veio para ajudá-los a compreender algo a mais da Torá.
Por exemplo:
"Certa vez antes do Shabat, o Ari‟zal leu na testa do [seu discípulo maior, o] Rabi
Chayim Vitál o seguinte trecho do Talmud: „Eles prepararam um trono para
Chekiyáhu, o rei de Yudah'. Isto revelou que a sua néfesh estava dentro de mim,
b'sód Toséfit Shabat [pela adição espiritual especial do Shabat]. Mais tarde no dia,
eu fiquei bravo em casa e esta néfesh me deixou".
Ainda mais intenso é o seguinte relato do Rabi Chayim Vitál:
"No ano 5332 [ou seja, 1572] eu e meu mestre [o Ari‟zal fomos a um campo, e
quando passávamos pela cova de um gentio de mais de 1.000 anos atrás, ele [ou
seja, o aspecto residual da néfesh deste gentio] 'viu' a minha néfesh perto de sua
cova, e ele então desejou me matar. Entretanto, lá estavam muitos malachim
[„anjos'] e almas dos tsadikim ['justos] ao meu lado direito e esquerdo, e ele não
foi capaz de me sobrepujar... De qualquer forma, quando mais tarde eu fiquei
bravo com o R' Yehudah Mishan, a nefesh daquele gentio começou a se juntar a
mim e eu pequei mais. Eu não desejei mais ouvir os ensinamentos do meu mestre
[nota: eu tratei anteriormente deste assunto, sobre os alunos que vão embora sem
explicações]. E o Ari‟zal começou a chorar e disse: `Todas almas dos justos e anjos
partiram devido a sua raiva, portanto esta alma 'estranha' [do gentio] obteve
sucesso'''.
O Ari‟zal ficou muito receoso que esta néfesh iria mais longe ainda, matando seu
aluno querido.
Este é o poder da raiva.
E é por isso que, com a ajuda dos Céus, eu entendo a razão dos Sábios ensinarem:
"Não seja provocado à ira facilmente” e imediatamente em seguida afirmarem
também: "Arrependa-te um dia antes de tua morte".
Pois aquele que desenraiza sua alma com a raiva poderá em breve entrar pelo
portal da morte, a caminho do domínio das klpót.
Este é um que atraiu sua sorte pelas suas emoções.

Um outro assunto' importante é que, cada vez que mulheres saem às ruas em
roupas sem qualquer modéstia, mostrando seu corpo e carregadas de maquilagem
mas ignorantes e desinteressadas das leis espirituais, elas transgridem mais de dez
mitsvót.
Isto é gravíssimo, uma vez que através dos homens que fitam estas mulheres com
um fitar imoral, elas transgridem a proibição severa de "Não porás obstáculo diante
do cego”.
Mais ainda, uma mulher que assim se comporta traz para si a mesma punição que
ele que a fitou terá que enfrentar no futuro, assim como o santo Ráshi explica
sobre o verso, "Ele levará o pecado dela", que "aquele que causa seu companheiro
de pecar, é punido em seu lugar".
No Iguéret HaTeshuvá ("Carta de Teshuva'') do Rabêinu Yonah é dito que, "um
homem quem fita uma mulher de maneira imoral, seja em sua face ou suas mãos,
traz punição do Guehinom sobre si mesmo".
E ela recebe a punição que ela causou para cada e todo homem que a fitou, pois
ela causou com eles tropeçassem por não ter se comportado de uma maneira
modesta, com recato.
Uma mulher que anda desta maneira imprópria atrai e é verdadeiramente
acompanhada por dezenas de milhares de chitsonim ("forças do mal"), a saber,
shêdim e ruchót que nela buscam se acomodar uma vez que "Por tendas pôs trevas
ao redor de si”, que o Todo Poderoso nos salve. Além disso, estas forças impuras
entram nos corações dos homens nas ruas, e os tentam e deixam perplexos para
que a fitem e sucumbam aos seus pensamentos de luxúria. Então, e com o uso de
suas imaginações não retificadas, estes homens muitas vezes são levados ao
expelir do sêmen em vão, dando vida às criaturas demoníacas chamada de "pragas
do homem".
Saiba que os seres humanos são proibidos pela lei espiritual de dar vida aos seres
malignos.
É vital para uma mulher perceber que quando ela sai com roupas sem modéstia,
ela peca e traz multidões a pecar.
Adicionalmente, ela também causa outras mulheres e jovens garotas de
aprenderem de seu exemplo de pecar, na maneira que elas são influenciadas a se
vestirem no mesmo modo.
A sua falta de modéstia causa outros de tratarem o mandamento de modéstia com
frivolidade, e os trazem assim a infringir as leis de D-us.
Isto é especialmente verdade se ela é uma mulher conhecida ou influente, ou uma
mãe, ou avó, pois ela dá um exemplo para suas filhas e netas — que
responsabilidade então ainda maior.
Sobre isso, nossos Sábios têm dito, "Yeravám pecou e causou o público de pecar.
Então o pecado das multidões é atribuído a ele”.
Mais ainda, eles ensinaram, "Todo aquele que causa a multidão de pecar, a ela não
é dado a chance de se arrepender".
Portanto, uma mulher sem modéstia é uma verdadeira força do declínio espiritual
de cada mulher que ela influencia, não somente em relação à mulher que aprendeu
dela, mas também da mulher que aprendeu da segunda mulher, e assim por diante
em uma cadeia.
Enquanto este assunto não é corrigido, e a praga da falta modéstia impedida, a
mulher quem influencia outras tem responsabilidade no todo.
Ela também causa o padrão de modéstia de se desintegrar, levando ao
enfraquecimento moral do mundo, pois ela adiciona à difusão desta moda errante.
Quando um mandamento é tratado com leveza, toda a Torá é enfraquecida, não
somente aos olhos dela, mas aos olhos de toda a sua geração e das gerações que
seguem.
Esta é uma que atraiu sua sorte pelo seu corpo todo.

E sobre os Bnei Elokím ("anjos caídos") traz a Cabalá que, "Estes gigantes eram
chamados por três nomes: Nefilím, Anakím,Refatím.
O nome original deles era Nefilím, e quando eles se fornicavam com as filhas dos
homens, eles eram chamados de Anakím.
Estes seres impuros e amaldiçoados tinham um comportamento de grande desdém
arrogante com tudo, além de sempre estarem fitando o pecado, a saber, as filhas
dos homens — cravando a vista em todo corpo feminino que cruzava o seu campo
visual, tal como um "jumento montes".
Verdadeiramente, deste mal, muitos homens sofrem.
Agindo como animais e sem saber, se impurificam muito quando sonham com estas
mulheres e trazem sobre si a poluição do sêmen emitido em vão, como já
explicado.
De fato, existe um shed, o qual o nome eu não devo revelar, mas que mefateh
("seduz") os homens a fitar e examinar tudo o que não deveriam, pois quando
fazem isto, seus corações se enchem dos desejos de adultério e da ampla luxúria
imaginada com todas as mulheres que seus olhares se fixam.
Mas, "Depois que este homem morre e é enterrado na sua cova, este anjo sedutor
lá se encontra, e tem permissão celestial para restaurar esta alma ao seu corpo.
Após isso, ele o pega cruelmente e quebra os coquetes dos seus olhos e puxa para
fora os olhos. Mais tarde, este homem é sentenciado às aflições terríveis sendo ele
baixado em um buraco cheio de cobras e escorpiões que o atacam e executam
sobre ele julgamentos severos. Que os Céus nos poupem".
E revelo a vocês ainda outra coisa: é sabido pelos estudiosos que, "o Ari'zal discute
sobre um certo pássaro pequeno mencionado na Tora chamado de re'eh
[literalmente, „ele viu'], capaz de enxergar grandes distâncias. Os Sábios dizem que
este pássaro recebeu este nome, pois ele vê de longe as coisas e usa esta visão
para se engajar em comportamentos sexuais indecentes. O Ari'zal explica que a
punição de um homem que fita uma mulher [não permitida a ele, a saber, somente
sua esposa] é que sua alma é reencarnada na forma deste pássaro, medida por
medida, causando a alma grande sofrimento".
Este é um que atraiu sua sorte pelos seus olhos.

Agora, existe uma história do grande mestre, o Ari"zal que relata uma conversa
entre uma mulher e o mestre.
Esta mulher afirmou para ele que sempre esteve com boa saúde e se sentia forte
em todos os aspectos.
De modo inesperado, ela ficou com uma aparência de alguém acometida por uma
doença terrível.
O Ari"zal examinou o seu pulso e disse que ela estava possuída por um ruach, que
D-us nos salve, e aí a enviou para casa.
Naquela noite ele instruiu nosso mestre e seu aluno mais prodigioso, o Rabi Chayim
Vitál zt"l de ir até a mulher para exorcizá-la deste ruach.
O Ari"zal avisou, "Você precisará ser mais esperto do que ele, pois é um espírito
mentiroso e um grande enganador: Quando você chamar seu nome ele mentirá por
três vezes".
O Ari"zal também revelou ao Rabi Chayim as kavanót corretas que ele precisaria
manter em mente enquanto usando os Nomes Divinos para banir o espírito.
Então o Rabi Chayim foi ao crepúsculo para a casa onde o ruach se encontrava.
Mas antes mesmo do Rabi Chayim entrar na casa, o ruach disse as pessoas ao
redor dele: "Veja aqui, o Rabi Chayim Vital está vindo para me espantar para fora
desta mulher, mas eu não o temo".
Ele falou estas palavras em tom alto e com ousadia, tal como é a maneira dos
ruchót.
Tudo isso ocorreu antes que o Rabi Chayim chegasse.
Mas no momento que o rabino de fato entrou no quarto o espírito começou a
tremer.
O ruach como que se ergueu diante do rabino e depois caiu com sua face no chão
aterrorizado.
"Rabi, eu não sou merecedor de ver sua santa face", ele exclamou.
"Quem é você?", inquiriu o rabino.
"Eu sou 'fulano' filho de „ciclano"', mentiu o espírito.
O rabino perguntou uma segunda e terceira vezes e ele continuou a mentir.
Mas nas quarta vez que o Rabi Chayim perguntou ao menos ele revelou sua
identidade verdadeira.
Então nosso mestre, o Rabi Chayim, começou a pronunciar certos nomes santos e o
espírito passou a falar com grosseria e enorme audácia: "Eu partirei
imediatamente!" ele disse, tendo a intenção de sair pela garganta da mulher,
perfurando-a no caminho.
Ele também teve a intenção de extinguir as luzes no quarto para prejudicar alguns
dos que lá estavam observando.
Mas o Rabi Chayim sabia de suas intenções perversas e o ordenou: "E quero que
você saia através do dedinho do pé esquerdo desta mulher".
O ruach disse que iria fazer o ordenado, mas o Rabi Chayim percebeu que ele
estava mentindo e que ele desejava matar a mulher.
Deste modo, o santo rabino ordenou ele a não sair de forma alguma, ameaçando-o
com a excomungação.
Ele sabia que se o espírito saísse agora, como resultado dos juramentos e
maldições, ele certamente mataria a mulher.
Por hora, ele deixou tudo como estava e foi rezar a oração da noite na casa do
Ari"zal.
Depois do serviço, Rabi Chayim relatou ao Ari"zal tudo que havia acontecido.
O Ari"za/ respondeu, "Isto ocorreu, pois você foi ao espírito durante a noite ao
invés de ir enquanto ainda era dia como eu te instrui. A noite os espíritos malignos
e as forças do julgamento têm domínio".
Depois ele disse para ele: "Vá em paz", e andou com ele parte do caminho até a
porta, algo que o Ari"zal nunca fez com qualquer outro de seus discípulos.
No dia seguinte, depois da oração da manhã, o Rabi Chayim foi até a casa da
mulher para "prender" o ruach com um juramento, obrigando-o a sair da mulher
pelo seu dedinho do pé esquerdo.
Todos os homens e mulheres que estavam presentes nesta cena viram o espírito
sair.
Ele apareceu para eles como um "fio de fogo", queimando, gritando e chorando por
seus atos.
Quando o espírito saiu da mulher, o Rabi Chayim perguntou a ele por que ele tinha
sido permitido de entrar e se acomodar nesta mulher.
Ele respondeu que o seu supervisor celestial havia dado a permissão.
Ele explicou que anteriormente, ele residia na poeira do fogão da mulher e não
tinha recebido permissão de entrar em qualquer pessoa.
Mas um dia esta mulher veio arrumar a lenha e fogo para preparar comida das
refeições do Shabat, e enquanto ela trabalhava, cantava canções populares
vulgares e sem cercas morais.
Foi então que as forças encarregadas me deram permissão de entrar nela.
Eu tenho assim estado já por três anos.
Deste modo termina esta história.
E se por esta razão a mulher recebeu um ruach, imagine o que aguarda um que se
mantém teimoso em suas transgressões ainda mais tangíveis.
Esta é uma que atraiu sua sorte pela sua voz e boca.

A Cabalá revela que, "Aquele que espalha falsos relatos, todos os seus membros do
corpo se tornam impuros [com a tsa'ará, a „lepra espiritual'] e ele está de fato
pronto a ser calado, pois sua fala malévola sobe para o alto e chama para baixo um
espírito impuro que repousa nele mesmo".
E os mekatrêguim ("acusadores celestiais malignos") então gritam para esta pessoa
e seu espírito: Tamêi!, Tamêi! ("Impuro"), para que todos se mantenham distantes
dele, a saber, daquele que será abatido.
Veja bem: se a pessoa revela falsos relatos ou descobrimentos da Torá, mas sem
base e conhecimentos verdadeiros, tal como um que ousa arrogantemente
"ensinar" a luz mais santa da Torá, a Cabalá, e nem mesmo é do Povo de Israel (ou
é, mas também nada conhece de fato), e nem vive uma vida reta e santificada de
acordo com a própria lei da Torá, e assim vem apenas a "reformar" as palavras
santas de D-us, então ela atrai para si um fortíssimo espírito impuro e danoso
chamado de o „shed da falsa língua‟, o qual emerge destas mentiras e que causa a
morte no mundo, que D-us nos salve.
E sobre este arrogante é dito: "Levareis as vossas iniquidades 40 anos e
conhecereis a consequência de vosso afastamento de Mim", pois afinal ele afirma
com orgulho: "Eis que, agora, abri minha boca; minha língua falou 'na minha
boca‟”, e "na minha boca" (b'chiki) tem guemátria 40.
Mais ainda, sobre o pasúk, "E o Eterno falou a Moshe, dizendo: Esta será a lei do
leproso'', traz a Cabalá um outro verso, 'Vós receais a espada, pois através dela
vemos castigos provocados pela ira, para que saibais que existe um julgamento
verdadeiro'.
Através da lashon hará ['maledicência‟] do Náchash ['Serpente‟] no Gán Éden, veio
o espírito da morte para o mundo.
E esta língua má é chamada de 'espada afiada', e portanto é dito: 'Vós receais a
espada', a saber, a maledicência.
E por que isso?
Pois 'castigos provocados pela ira' são as punições da espada, a saber, a espada do
S-nhor, 'para que saibais que existe um julgamento verdadeiro'.
Isto significa em termos simples que, aquele que tem uma espada afiada em sua
língua será punido com a espada.
Esta é a lei do leproso.
Ainda mais profundo, o santo Zohar revela na seção sobre as Heichalót ("câmaras
supernais") que existe um shed, um grande demônio designado somente para a
lashon hará.
Seu nome aqui eu não revelo, mas de fato é dito que, "Quando o homem começa a
falar mal de alguém, este espírito maligno é agitado e neste fluxo espiritual ligado a
este homem, ele toma residência causando a sua profanação e a morte no mundo,
que D-us não permita. Ai daquele que desperta o lado do mal e não guarda a sua
boca e língua, e nem se importa sobre isso”.
E por esta razão que é avisado: Netsor leshonechá mera usfatêcha midaber mirma,
"Guarda a tua língua do mal, e os teus lábios de pronunciam falsidades", pois esta
é a origem das doenças no mundo.
Por fim, "Assim como um homem é punido por fazer lashon hará, ele também é
punido por não fazer lashon tóv ['falar bem'] quando ele tem oportunidade para
isso, pois ele prejudica o espírito positivo que foi preparado para falar em
santidade, tanto em cima como em baixo. Isto ainda é mais grave se quando diante
de pessoas que agem de modo tortuoso ele é capaz de admoestá-las, mas não o
faz. E é por isso que o rei David disse: “Neelámti dumiiá hecheshêti mitov ucheevi
necar”, 'Emudeci, silenciei de falar o bem, e minha dor cresceu', aludindo a sua
lepra".
Este é um que atraiu sua sorte pela sua língua.

Para uma alma judia exclusivamente, existe uma halachá ("lei") que ela deve lavar
as mãos ritualmente de manhã após ter dormindo, pois um ruach rah ("mau
espírito") repousa ainda sobre as suas mãos devido à impureza do dormir, que é
um aspecto da morte.
Este resquício impuro precisa ser lavado de modo prescrito pelos Sábios, pois
somente assim este ruach deixa a pessoa.
Isto significa que, “a pessoa está sempre correndo perigo do ruach rah até que este
seja removido pela lavagem ritual. É importante removê-lo antes de tocar o seu brit
['órgão procriador'] no banheiro ao se aliviar, pois se não ele se ligará ao brit, que
D-us não permita. E como está escrito, Shomêr mitsvá ló yeda dabar rah, 'Quem
guarda uma mitsvá [tal como o brit] não ocorrerá o mal' [A palavra Shomêr, ou na
inflexão LiShmór (lamed-shin-mem-rêish) significando guardar/cumprir as mitsvot,
já é uma dica da proteção que isto traz. Como explica o Ba'al HaTurim (no Gênesis
3:24) estas 4 letras formam o acróstico das palavras Lílim, Shêdim, Mazikim,
Ruchót — demônios femininos, demônios, anjos destruidores, e maus espíritos.]
pensamento, e nem se engajará em palavras e ações proibidas [Querendo dizer, se
este ruach se liga ao órgão procriador, ele ativará pensamentos estranhos e
eróticos etc., podendo causar o homem de se profanar, a saber, no expelir do
sêmen em vão.]. Isto é claro ao iniciado".
A pessoa que é leniente com este assunto pode se ligar às klipót com facilidade.
Mesmo quando se entra em lugares impuros, como em um banheiro etc., existe um
certo espírito que se liga às mãos.
Existem outras circunstâncias em que a pessoa precisa lavar a mão ritualmente a
fim de distanciar as klipót dela.
Mas por que existe tanta atividade espiritual nas mãos?
Veja bem, como está escrito: "Você deve saber que um aperto de mão também é
como um juramento. [Explica o Kav Yashár neste mesmo capítulo que, "Quando a
pessoa afirma um contrato através de colocar sua palma com a de outra pessoa,
ela está simbolicamente entregando a sua alma a esta pessoa como um colate ral
para garantia. Mas saiba que esta forma de juramento é ainda mais severa do que
se a pessoa tivesse jurado por sua própria alma, pois se ela viola este juramento
ela mancha o aspecto da alma chamado de néfesh supernal correspondente ao
Nome Divino [YKVK, lido no sentido de] Adnut", entre outras manchas. O assunto
se estende, mas é importante evitar fazer promessas, juramentos, e apertos de
mão em vão, algo tão extraordinariamente comum em nossa cultura.] Pois a alma
depende das palmas das mãos para seu benefício assim como seu detrimento. Ela é
dependente dela para seu benefício quando a pessoa ergue as mãos aos Céus para
invocar misericórdia. Mais ainda, a maioria das mitsvót são realizadas pela mão,
incluindo: o realizar do brit milah ['circuncisão‟], oferecendo os sacrifícios [na época
do Templo Sagrado], separando as porções do Kohanim e Leviím, construindo a
Sucah e pegando as quatro espécies, dando tsedaca, colocando tefilin [„filactérios]
e muitas outras. Estas são apenas algumas das maneiras que a alma é dependente
da mão. E isto é o que o rei David quis dizer quando disse: Nafshi vechapi tamid
vetoratechá ló shacháchti, 'Minha alma está em minha palma continuamente, mas
jamais esqueço Tua Torá'. Ou seja, eu escolhi usar as minhas mãos para bons
propósitos e não o oposto, que D-us não permita".
Mas também está escrito, "São iníquas suas obras, e violência transborda de suas
mãos"; e nossos Sábios explicam que a palavra em Hebraico hamás ("violência")
[Esta palavra é um cognato de hêmah ("fúria").], também significa idolatria — o
próprio ato de se ligar a sitra áchra e de modo mais específico, a um shed.
Assim, a pessoa que não se importa com as suas obras iníquas, a saber, as suas
transgressões das leis de D-us, está na verdade se voltando à idolatria, que é a
força negativa que busca negar a Unicidade de D-us e bloquear a Sua luz de
abençoar os mundos.
E é por isso nas mãos deste iníquo, verdadeiramente milhares de shêdim se
conectam em cada espaço de sua mão e dedos, tal como um enxame de abelhas
selvagens, assim como "Quando o revesti com nuvens e o envolvi com densas
trevas".
E agora e literalmente, "Suas mãos se agarram no mal".
Esta é uma que atraiu sua sorte pelas suas mãos.

Como traz a Cabalá, "Por todos aqueles cento e trinta anos quando Adam não se
aproximou de sua esposa [Cháva, para 'conhece-lá], 'espíritos de profanação'
vinham, concebiam dele, e davam à luz as proles chamadas de 'as pragas dos filhos
do homem"'.
Os 'espíritos de profanação', conhecidos como a classe de shêdim sexuais, são
chamados de Lilim [que seus nomes sejam apagados, ou yemách shemó,
abreviação y"s].
Eles têm origem no shed feminino Lllit y"s.
E como os seres demoníacos precisam se alimentar, estes o fazem ao se
impregnarem da energia espiritual do sêmen expelido em vão e que, portanto não
foi usado em kedusha; resultando também na grave impurificação do homem
envolvido neste ato de nutrição da sítra áchra.
Esta energia, que por desígnio é criativa, deve somente ser usada para dar a vida a
um ser humano, permitindo que uma alma seja encarnada no novo corpo.
Mas, quando esta força criativa não é usada para cumprir a mitsvá de procriação,
ainda sim ela dá a vida.
Entretanto, a vida aqui em questão que se inicia é de algo muito estranho, do lado
da sítra áchra — as 'pragas dos filhos do homem', uma classe de shêdim malignos
que esvoaçam para cá e para lá no mundo, preenchendo a atmosfera junto com
outras hordas de feras celestiais, como os mekatréguim.
Mais ainda, esta prole de shêdim é muito "especial", pois são na verdade criaturas
híbridas de almas-demoníacas — almas humanas que não têm corpo para se
ligarem e os Lllim y"s.
Estes híbridos prisioneiros são primeiro torturados pelos seus shêdim progenitores
(os Lílim y"s), que roubam e assim os esfomeiam de sua grande energia vital, uma
vez que toda alma que é trazida de sua fonte em cima recebe nutrição espiritual.
Agora, pela lei Divina estas pragas são tanto consideradas filhos da pessoa
responsável por sua geração como são os seus próprios filhos de carne e sangue no
mundo.
Estas almas-demoníacas caçam os seus 'causadores de sofrimento' (não os Lllim
y"s, mas seus pais humanos que iniciaram todo este sofrimento intenso para eles),
se mantendo perto deles e buscando sugar sua energia espiritual.
E como está escrito, "Quando o homem vai para o lado esquerdo e anda na
impureza, ele traz para ele mesmo todo tipo de espírito impuro, e um espírito sujo
que se liga a ele e se recusa a deixá-lo, uma vez que estes espíritos somente se
ligam aos que se ligaram a eles primeiro”.
Esta ligação tão impura causa ao homem grande confusão mental e os machshavót
zarót ("pensamentos estranhos") em vida, e vingança após ela também.
Que D-us tenha misericórdia de nós.
Este é um que atraiu sua sorte pelo seu membro procriador.

A santidade da Torá é muito difundida pelos seus estudiosos que se dedicam


integralmente à esta atividade de modo reto e digno.
Estes sábios rabinos fazem como os antigos profetas, ensinando os que desejam
aprender e admoestando os que recusam as leis espirituais da Torá que regem
todos os mundos, espirituais e físico.
Mas, pela insensibilidade de tantos sem fé, muitas vezes, estes homens zelosos
ficam sem sustento material para sobreviver.
Suas vidas ficam mais difíceis, e eles precisam sustentar suas famílias de outra
maneira.
Eles cansam e vêm a falhar em sua fiel dedicação no ensinar das palavras santas, e
assim a força da Torá é diminuída, que D-us não permita.
Em tempo, muitos que dependiam destes mestres generosos para estudar Torá, até
a esquecem.
Entretanto, quando isso ocorre, além do enfraquecimento destes canais que
somente se dedicam a revelar a luz de D-us no mundo, a sítra áchra, que é "o
domínio do pecado, então cresce em poder a cada dia. Disso resultam grandes
males em todo o mundo, pois os sustentadores da Torá se enfraqueceram. Isto
significa que agora, força é ganha por aqueles perversos que de fato não têm
pernas para se erguer. Como é sabido, quando D-us disse ao Serpente [que é o
próprio Sámech-Mém, o anjo maior do mal], 'Sobre o teu ventre andarás', ele teve
seu suporte e pernas cortadas para que não sobrasse nada onde ele pudesse se
erguer. Mas, quando as pessoas negligenciam o sustento destes rabinos e,
consequentemente, deixam de ser as "pernas" que sustentam a Torá, eles então
provêm o Serpente novamente com pernas para se erguer firmemente, que D-us
não permita".
E por isso então que é dito: "Seus pés correm em direção ao mal... Seus
pensamentos são malévolos. Desolação e destruição marcam suas trilhas”.
Querendo dizer, agora, somente as pernas dos ímpios se sustentam e podem se
mover livremente para transgredir as leis Divinas, profanando o mundo cada vez
mais.
E estes que não se agarraram à grande oportunidade de ajudar os mestres da Torá
com sustento são os que perderam as forças nas pernas "para correrem e
realizarem uma mitsvá".
Isto é devido a estas pernas e pés terem se corrompido como "as pernas do coxo
que pendem frouxas".
E por isso, um indivíduo assim não teve força para subjugar sua iêtser hara,
fugindo do mal para fazer o bem.
E com esta fraqueza das pernas, o mal que está sempre à espreita então sobe por
seus calcanhares, picando-os e contaminando-os com o "veneno dos horríveis seres
que se arrastam" na terra pela sua repugnância e inferioridade espiritual.
E no torpor deste veneno que tanto preenche e esquenta, as transgressões da
pessoa só aumentam, conectando-a ao lado do mal e às criaturas que lá habitam,
pois como está escrito: "Estás repleto de [veneno da] vergonha e não de glória!”.
Este é um que atraiu sua sorte pelas suas pernas e pés.

A Cabalá ensina que no início, quando Adam foi criado, ele vivia no Gán Éden
protegido das chitsonim por suas levushêi tufrah ("vestimentas de unhas")
translúcidas.
Estas vestimentas santas eram formadas por hordas angelicais que o protegiam,
circunvolvendo-o.
Entretanto, quando Adam pecou, estas vestimentas o deixaram e ele se
amedrontou muito das coisas más e dos maus espíritos.
O que restou das hordas santas que o protegiam foram somente as unhas dos
dedos das mãos e pés, mas que agora elas mesmas são circunvolvidas pelo lixo
espiritual das klipót.
Isto tem implicações muito importantes, pois o circunvolver das unhas pelas klipót
as une fortemente com este lado da profanação.
E esta união existe de modo que, se por um lado (até o limite dos dedos) elas são o
que restaram de algo tão santo, pelo outro (após ultrapassarem o limite), elas
nutrem excessivamente as klipót.
E por esta razão, a pessoa deve cortar as unhas, não permitindo que ultrapassem a
carne, e se dispor delas de preferência queimando-as.
Na medida em que a pessoa deixá-las transpor os limites permitidos também
excedem os julgamentos sobre ela, uma fonte de ansiedade certamente.
E miríades de mundos impuros e de seres abomináveis se ligam às unhas, e "Se a
pessoa não as queima, esta união com a sítra áchra sustenta 600.000 mil miríades
de shêdim que se ligam a elas, causando morte e pobreza em nosso mundo, e
aumentam as forças do mal e de seus agentes do poder oculto".
Que Hashém nos salve.
Esta é uma que atraiu sua sorte pelas suas unhas.
Como é exaltado o nível da Teshuvá!

Continua
Cuidado – Sua alma pode estar em Perigo – Parte 10

Adendo I - Hashém Mach'sí - "D-us é meu refúgio"

Parte IV

Um relato de exorcismo feito pelo Rabino Yehuda Fatia zt”l


Do ruach rah do falso Mashiach, Shabatái Tsvi y”s
Sêfer Minhát Yehudá, HaRuchát Mesaperót

Na segunda-feira, 22 de Kislev 5663 (1903), um homem chamado Reuven ben


Moshe Mani ben Rachama veio até mim (Rabino Fatia).
Ele estava possuído por um ruach chamado David Yohanan.
Enquanto eu "trabalhava" com ele, um outro homem, Yecheskiel Eira ben Israel
veio a mim.
Seu sobrenome é Bachúr.
Ele me disse que por um número de anos, maus pensamentos surgiam em sua
mente como que "do nada".
Durante a oração silenciosa da Amidah, ou durante o Kadish ou Kedusha, ele
escutava uma voz dizendo para ele, "Abandone a sua religião, se converta e torne
um Cristão" (Que D-us não permita, pois é proibido para um judeu).
Estes pensamentos eram tão poderosos que eles perturbavam a sua concentração,
prevenindo ele de responder o Kadish ou Kedusha.
Não fazia ainda 20 anos que ele tinha ido ver o Rabino Yosef Chayim (o grande Ben
Ish Chai) quem enviou uma carta para o Rabino Elyáhu Mani em Hevron.
A resposta recebida foi que ele (Bachúr) tinha uma grande klipah dentro do seu
coração, e que o R' Mani não poderia ajudá-lo.
O Ben Ish Chai me consultou naquele tempo e me disse para escrever uma
mezuzah, e prescreveu que Bachúr deveria usá-la sobre o seu coração.
Entretanto, isto não teve efeito algum.
Bachúr então voltou e me inquiriu se ele tinha um ruach dentro dele (e se este
poderia ser expurgado).
Sendo que ele era um homem honesto e temente a D-us, eu concedi ao seu
pedido.
Eu iniciei o realizar de Yichudim em seu ouvido, os Yichudim contra espíritos.
Assim, a respiração do Yichud entra em seu ouvido, e então em seus órgãos, pois a
respiração do Yichud perturba a respiração do ruach.
Enquanto eu recitava os Yichudim em seu ouvido, Bachúr começou a gargalhar.
Eu perguntei sobre o que ele ria; ele respondeu e disse que ele podia quase que
ouvir uma outra pessoa dentro dele, e que estava malvadamente praguejando
contra mim (R' Fatia), dizendo que o seu Rabino, Yosef Chayim (o Ben Ish Chai)
tinha te aconselhado de vestir a mezuzah sobre o coração etc., mas que você
(o R' Fatia) deveria pegar esta mezuzah e enfiá-la em seu Beit HaBoshet (um local
embaraçoso) (Que D-us não permita).
E que este aluninho do Ben Ish Chai, o R' Fatia, não é mais do que a metade do
homem que ele é!
E foi desta maneira que o ruach zombou de mim, Yehuda Fatia, e praguejou contra
mim.
Ao escutar tudo isso, eu tornei a recitar os Yichudim em seu ouvido inúmeras
vezes, sem interrupção, até quando este ruach começou fortemente a me
amaldiçoar e praguejar, e a se retorcer e virar dentro do coração de Bachúr.
Mas eu não dei atenção ao ruach.
Depois, o próprio ruach inquiriu Bachúr e disse: "pergunte ao Yehuda o que ele
quer de mim?".
E então, após escutar Bachúr, eu (R' Fatia) disse a ele: "Eu quero saber de que
cidade você veio e qual é seu verdadeiro nome. Eu quero que você me conte a
verdade absoluta. Se você mentir para mim, eu vou te mostrar o que eu posso
fazer colocando punições severas e sofrimentos sobre você".
O ruach respondeu a Bachúr dizendo que já houveram inúmeras pessoas como
Yehuda que tentaram fazer como que eu revelasse meu nome, mas eles não foram
capazes de conseguir coisa alguma de mim.
Eu sou mais forte do que pedra.
Eu não me abro para qualquer um.
Eu disse para o ruach: "Se é assim, eu vou continuar e tentar, e nós veremos quem
obterá sucesso no fim. Se você é realmente um espírito forte e está acostumado
aos sofrimentos, então se prepare para sofrer as tribulações dos Yichudim, pois eles
são como uma chama insaciável, e eles são mais dolorosos do que o próprio
Guehinom [`Inferno']. Pois eu não vou te deixar em paz até que você
verdadeiramente me conte seu nome e de onde você veio. Você sofrerá toda esta
dor por nada, só por você não se submeter a mim. Você, e não eu, é que está
causando todo este sofrimento de recair sobre você mesmo".
Eu reiniciei novamente os Yichudim nos ouvidos de Bachúr, assim co-mo tinha feito
anteriormente.
Eu também toquei o Shofar perto do seu ouvido com as meditações que são
apropriadas para isso.
Aí então Bachúr começou a gritar forte: "Basta, basta! Eu me entrego".
Agora, o espírito queria me dizer seu nome e local de origem.
Mas eu não estava ainda pronto para escutá-lo.
Pois eu conheço que é o caminho dos ruchót de se comportarem assim como o
Faraó - eles somente se entregam por um momento e depois eles tornam a serem
de nucas duras, teimosos.
Portanto, eu decidi mostrar a este ruach o poder dos Nomes Divinos.
Somente quando eu terminei com os Yichudim foi que este ruach estava cansado e
desgastado, e aí eu perguntei o seu nome, para que ele relaxasse de suas
tribulações.
Depois o espírito me perguntou: "Por que você busca conhecer meu nome e o local
de minha origem? Por que você precisa saber disso?".
Eu disse a ele: "Para que eu possa retificar a tua alma e permitir que você ascenda
ao Gán Éden, para que você não sofra mais por estar ligado ao plano terreno".
O ruach disse: "Isto não é possível, nem para você ou suas retificações. Eu não
desejo ir para o Jardim do Éden".
Eu disse ao espírito: "Novamente você me desafia?".
Eu então trouxe a minha boca novamente próxima ao ouvido de Bachúr para recitar
os Yichudim.
O ruach gritou dentro da mente de Bachúr e disse que revelaria o seu nome.

Ele disse que seu nome era David ben Savti ben Rivka da cidade de Izmir
(Turquia).
Ele disse que foi um apóstata que se deitou com mulheres gentias, e que ele não
deixou filhos.
Ele possuiu Bachúr há cerca de 17 anos atrás.
O espírito então perguntou por que eu tinha virado seu mundo de cabeça para
baixo.
Ele disse: "Eu nunca machuquei [Bachúr] ou causei a ele qualquer mal, e se você
está tão preocupado com estes pensamentos insignificantes [que ele reclamou],
então de agora em diante eu serei mais cuidadoso para não causar Bachúr estes
maus pensamentos. Apenas me deixe aqui em meu lugar, pois se eu saísse aonde
eu iria? Aonde eu encontraria repouso?".
Bachúr então falou para o espírito: "Vá para o Guehinom".
O ruach respondeu: "Eu ainda não tenho mérito de entrar no Guehinom, pois eu
sou culpado de ter dormido com mulheres durante o seu período menstrual, uma
mulher gentia, e uma prostituta. Por favor, não vá novamente ao Yehuda, pois eu
não posso aguentar isso. Deixe-me ficar aqui em meu local, e eu não vou mais
incomodar".
Todas estas coisas o ruach falou dentro da mente de Bachúr, e ele (Bachúr) então
falava para mim.
Sendo que eu não queria lidar com espíritos, eu impus uma condição com este
ruach: se ele colocar novamente pensamentos ruins na mente de Bachúr, eu porei
a minha mão contra ele!
Apenas alguns poucos dias tinham se passado, quando o espírito voltou aos seus
caminhos perversos, e trouxe pensamentos ruins de volta à mente de Bachúr.
E ele (Bachúr) voltou e me relatou o que estava acontecendo.
Eu comecei então a recitar Yichudim em seu ouvido.
Eu ordenei o espírito que desta vez, com verdade, ele deveria me revelar o seu
nome, pois o anjo que supervisiona os Yichudim já havia me revelado o seu nome e
local de origem.
Isto muito assustou o ruach.
Eu disse para o ruach que eu continuaria a recitar os Yichudim no ouvido do Bachúr
até que ele me revelasse seu nome, assim como o anjo havia me informado.
O ruach ficou muito perturbado por isso, e ele disse que seu nome era Tsvi, que o
nome de sua mãe era Rivka, e que ele era de Izmir.
Eu o ordenei a me contar a verdade, uma vez que inicialmente ele havia dito que
seu nome era David ben Savti e agora ele dizia que seu nome era Tsvi.
Eu então o questionei de maneira direta e sem rodeios: "Não é você o notório
Shabatái Tsvi de Izmir, quem no passado se fez passar pelo Messias?".
O espírito respondeu que isso era verdade.
Eu o perguntei: "Se sim, você então morreu no ano de 1666 e ainda não fazem 237
anos de sua morte. Diga-me, aonde você se re-encarnou até agora? Como foi você
julgado?"
O ruach respondeu com escárnio: "Mesmo se você pegasse suficiente papel para
escrever um livro e suficientes canetas, eu não te diria, pois estas coisas não são
para você saber. Agora, você está atrasado para sua aula na Yeshiva. Seus alunos
estão te esperando, eles estão te procurando. Quanto tempo você vai gastar à toa,
se atrasando comigo?".
Eu vi que o que o espírito tinha me relatado era verdadeiro.
Eu me levantei e sai para a Yeshiva.
Eu terminaria o trabalho amanhã.

Enquanto na Yeshiva eu me encontrei com o Rabino Shimon Abaron Agasi.


Eu relatei a ele este assunto do (ruach) de Shabatái Tsvi, e como ele tinha possuído
a alma de Bachúr.
R' Shimon foi e por sua vez relatou estas coisas ao R' Yosef Chayim (o Ben Ish
Chai).
Juntos, eles me avisaram para não prosseguir com (este ruach do) Shabatái Tsvi,
temendo que ele me machucasse, que D-us não permita.
No próximo dia, Bachúr veio até mim, e eu comecei os Yichudim para Shabatái
Tsvi.
Por dentro de Bachúr, Shabatái Tsvi começou novamente me amaldiçoar com
praguejamentos horríveis.
Bachúr tudo me dizia.
Eu parei com os Yichudim, e comecei a falar gentilmente com o ruach — palavras
que tocariam o seu coração.
Eu falei com ele dizendo, "Deixe-me perguntar uma coisa: pense bem, qual é a
minha briga com você? Será que você acha que eu quero me vingar de você pelo
que você fez enquanto vivo?".
O espírito respondeu que ele não achava isso.
Eu o perguntei: "Você realmente acredita que a minha intenção com estes Yichudim
é te causar dano para que eu venha a receber uma recompensa Celestial pelo meu
trabalho com Bachúr?"
O ruach disse: "Não é isso".
Eu disse: "Saiba que Bachúr é um homem pobre, ele não pode pagar pelos meus
serviços. Por que então você pensa que eu estou me incomodando e tomando meu
tempo de meus estudos, se não pela causa da sua própria alma? Pois não é ela
ainda uma fagulha de D-us em cima? Não pode ela brilhar como as mais brilhantes
das pérolas? É somente devido ao pecado que você caiu. O Sagrado, abençoado
seja Ele, está acima de tudo, e é a Origem de tudo. É pelo desígnio d'Ele que você
entrou no corpo de Bachúr, para que por isso a sua alma tivesse um limite e fim
para seus sofrimentos, através do trabalho que eu estou fazendo com você. Eu
estou fazendo esta obra para te retificar. Qual então é o meu pecado, a minha
mancha que você devesse me amaldiçoar com estes praguejamentos horríveis?".
O espírito disse para mim: "Eu não aguento o sofrimento destes Yichudim".
E eu disse a ele: "É o jeito do mundo que, se uma pessoa está doente com uma
doença profunda dentro do corpo, o médico precisa abrir o corpo para remover a
causa da doença. Mesmo se isso causar muita dor, a pessoa sofre, mas para que
ela fique bem. Ele não amaldiçoa seu médico! Veja bem, não é meu método discutir
coisas assim tão profundas com ruchót, pois a grande maioria deles são muito
ignorantes. Eles não conseguem saber a diferença entre o que é bom para eles e o
que não é. Entretanto, eu sei o que eu sei. Eu sei que você é um indivíduo muito
erudito. Você sabe como julgar para si mesmo o que é bom para você e o que é
ruim. Portanto, eu estou certo no que eu estou fazendo com você, e as suas
maldições não têm efeito algum em mim, pois eu sei que a sua alma não deseja de
fato me amaldiçoar. É apenas a klipah que te circunvolve que está forçando você de
agir assim. Portanto, eu perdôo a sua alma".
Estas foram as palavras com Shabatái Tsvi que eu falei gentilmente e com respeito
para com ele.
O Rabino Yosef Chayim e o Rabino Shimon Agasi ambos me disseram para ser
agressivo com ele.
Entretanto, quando eu terminei as minhas palavras, o espírito me respondeu nas
palavras de um homem sábio: "Eu não vou ocultar de você qualquer coisa. Pois
apesar de eu sofrer com os Yichudim, assim como um homem que tem ferimentos
em sua carne e aí vem o médico que cobre as feridas com vinagre e sal, até que
não doa mais, deste mesmo modo, quando o Yichud termina, eu sinto que a minha
carne ficou mais mole, e os ferimentos estão cicatrizando. Eu me sinto bem. E
agora, eu concordo com o seu caminho. Não preste atenção à minha dor, pois eu
grito devido a uma dor tremenda".
Eu disse a ele que ainda não era o suficiente.
Quando uma pessoa fica bêbada, e tropeça por todos os cantos, caindo em um
buraco de lama, ele chora para aqueles que passam por lá para que o ajudem.
Não é preciso nem dizer que, aquele que se encontra na lama ajuda os que querem
lhe ajudar a sair da lama.
Ele não depende deles para fazerem todo o trabalho.
Em relação a isso, eu te peço que coloque todo o seu fardo sobre mim.
Eu trabalharei para remover a klipah que te circunvolve por fora, mas você precisa
fazer esforço de remover a klipah por de dentro de você.
Hashém ajudará a ambos.
O espírito respondeu: "Sim. Sim, vamos assim fazer e prosperar".
Eu comecei a fazer um número de Yichudim, e o ruach gritava gritos horrorosos.
Ainda sim, eu não prestava atenção aos seus gritos até que fiquei exausto de
realizar os Yichudim.
O ruach também estava cansado e exausto de todas as suas tribulações.
Eu não fui capaz de falar mais nada por um bom tempo.
Depois disso, eu perguntei ao ruach se os Yichudim tinham ajudado a retificá-lo.
Ele disse: "Sim, sim, meu senhor. Eu sinto que o peso da klipah está mais leve
sobre mim".
Eu então perguntei a ele: "Quão espessa é a klipah que sobrou em você?".
O espírito respondeu: "Sem exageros, ela é pelo menos de 1 metro".
Eu perguntei: "Eu tenho uma pergunta para você: diga-me, o globo do sol gira em
torno da terra, ou é ela estacionária nos céus, ou é ela suspensa no ar deste
mundo?".
O ruach então respondeu: "Você quer que eu coloque a minha cabeça entre as
grandes montanhas [ou seja, os sábios da Tora que residem acima, no domínio
espiritual] para que eles a esmaguem? O que você encontra escrito nos livros,
aprenda. Eu não tenho nada a ver com estes assuntos".
Aí eu, R' Fatia, perguntei inúmeras outras perguntas, entretanto aqui eu [escreve o
santo rabino] vou somente relatar as respostas que me foram dadas, e através
destas respostas, tenho certeza que todos entenderão as perguntas..
Eu sou ele, Shabatái Tsvi.
Minha morte foi através de enforcamento.
Eu não me arrependi dos meus pecados, não fiz teshuvá.
Eu fui enterrado em um cemitério gentio.
Enquanto eu vivia, a klipah se materializava diante dos meus olhos.
Elas (as klipót) são o que causaram de eu me tornar malvado.
Eu não me mantive em kedusha.
O espírito me disse que ele tinha se reencarnado inúmeras vezes, tanto que elas
nem podem ser contadas.
Ele teve o mérito de alcançar os níveis da néfesh e ruach.
Quando a neshama começou a se manifestar dentro dele é quando ocorreu o que
ocorreu.
Agora ele reconhece que Moshé ("Moisés") nosso mestre, que a paz esteja com ele,
é verdadeiro, e que a sua profecia é verdadeira, e a sua Torá é verdadeira.
Entretanto, tudo isso não dará frutos a ele (ao espírito), pois sendo que ele está
morto, ele não é obrigado a cumprir as mitsva.
Os méritos que ele já recebeu de quaisquer mitsvót realizadas, se foram.
Neste momento, o Rabino Yehuda Fatia incluiu uma nota:
"Os ruchót perversos somente podem falar no coração, mas não pela boca. Eu dou
testemunho a isso. Em 1914 uma mulher virgem veio até mim quando ela tinha 35
anos. Ela era cega de ambos os olhos. Ela tinha reencarnado dentro dela a alma de
um Rabino que foi de minha geração, e quem eu conhecia muito bem. Com tudo
isso, ele somente falou dentro do coração dela e não através de sua boca, mesmo
ela sendo cega. Ela não estudava Torá, e este Rabino foi atraído a ela enquanto ele
era vivo. Mesmo agora ele está tentando fazer com que ela cometa um pecado
sexual com outro Rabino, dizendo que de sua união nascerá o Mashiach! No
entanto, ela não deu ouvidos de forma alguma a esta voz interior. Depois de
realizar Yichudim e fazendo esforços, a identidade deste Rabino foi revelada para
mim, assim como o fato de que ele a desejava. Esta então é a razão que os
espíritos falam somente no coração, e não na boca. Eles não querem ser
reconhecidos. Deste modo eles podem zombar e perverter a pessoa, [causando
problemas para ela e todos a seu redor]. No Sha'ar HaGuilgulim (22-22a) está
escrito quando um reencarna na pessoa, é feito de duas maneiras. A primeira lida
com as almas dos perversos, quem depois de suas mortes não têm nem o mérito
de entrar no Guehinom — eles entram nos corpos de pessoas vivas aqui neste
mundo. A segunda maneira é quando a alma impregna a pessoa através do que é
chamado de ibúr. Esta alma se liga com a pessoa viva em grande segredo. Assim,
se aquela pessoa comete um pecado, a alma encarnada dentro dela pode
sobrepujar a alma da pessoa em quem ela reside, causando esta pessoa de pecar
ainda mais e assim enganando ela de se dirigir a um caminho errado, do mau. Até
aqui as palavras do Sha'ar HaGuilgulim. Agora, sobre o Bachúr, ele foi de fato a
reencarnação de um ruach (não um espírito como temos falado, mas o aspecto da
alma chamado também de ruach) do Shabatái Tsvi! O aspecto da néfesh dele ainda
vivia em um animal na floresta. Ela não desejou estar neste lugar (no Bachúr), mas
sim na floresta. E sobre o Shabatái Tsvi, ele tinha 35 anos quando morreu. Eu
perguntei a ele um número de outras questões que ele não quis me responder, pois
ele ainda estava coberto pela klipah de 1 metro de espessura. Depois de 5 dias, eu
novamente falei com o espírito em um tom mais gentil, e eu vi que ele tinha
abrandado tremendamente. Ele estava de fato com remorsos sobre os pecados que
ele cometeu. Ele estava muito ansioso para que eu tentasse completar a sua
retificação. Mais ainda, agora ele me abençoava abundantemente, assim como aos
membros de minha família. Ele disse que não estava dizendo tudo isso (parte desta
grande teshuva) só para me agradar, mas sim, que era tudo verdadeiro. Ele me
disse que o seu primeiro pecado foi que ele tinha caído vítima de cometer adultério.
E que é verdade o que era dito sobre ele ter tido um encontro homossexual
enquanto estava envolvido em talit e tefin! Outra vez, ele até enviou um jovem
rapaz para ter uma relação ilícita de adultério com a sua própria esposa Sarah,
dizendo ao menino que estava escrito na Torá, "Tudo o que te disser Sarah, escuta
em sua voz”. Depois de sua morte, ele foi punido com batimentos demoníacos por
12 anos. Até hoje, ele tinha sempre se reencarnado em animais selvagens. Sua
entrada em Bachúr foi a primeira vez que ele possuiu um ser humano. Ele então
explicou para mim como ele foi capaz de entrar em Bachúr para possuí-lo. A razão
sendo que certa vez, Bachúr, quando um jovem rapaz, deu a uma jovem menina,
um beijo proibido. Agora, Bachúr fez isso há 30 anos. Antes disso, disse o ruach,
ele somente pairava na proximidade de Bachúr, pois ele é da mesma origem
espiritual que o ruach. [Em nossa sociedade tão avessa aos comportamentos retos
e dignos, e assim, aos ensinamentos das leis da Torá, estas "aberturas" (psíquico-
espirituais) são essencialmente parte (infelizmente) "normal" de todos em nossa
geração, salvo os que realmente se distanciam das infantilidades e apetites baixos
do corpo e erros da mente, buscando assim o caminho de ascensão e não da
"opinião". Este caminho é a Torá, e a dificuldade das pessoas assumirem isso
provém da klipah que as cercam e ao mundo, criando as ilusões e distrações tão
bem conhecidas. Portanto, ao fazer teshuvá e buscar com humildade o que é
apropriado de fato, a pessoa começa a rebaixar a sua klipah e a do mundo, e revela
assim a luz de D-us aqui neste nível tão grosseiro e de pecados. E isto cumpre o
desejo Divino para que a Criação seja santificada, pois Hashém desejou ter uma
moradia santa aqui mesmo nos níveis mais inferiores da realidade, como é sabido
aos iniciados.] E pela causa de um único beijo proibido, foi uma "abertura" criada
para o espírito vir e possuir Bachúr. Ainda sim, o ruach tem sido julgado e punido
toda sexta-feira, da segunda hora do dia até a quarta hora e meia. O ruach me
disse que ele é punido ao lado do espírito de Yeshu HaNotzri, em fezes
borbulhantes. Agora, sobre eu mesmo, Yehuda Fatia, o espírito me disse que eu
estou aqui reencarnado pela segunda vez, e que 15 anos atrás eu tive o mérito de
receber o nível de ruach da alma. O espírito me disse que foi Hashém que trouxe o
Rabino até ele, para que o curasse. Sobre Bachúr, o ruach disse que ele precisa
estudar o Zohar todos os dias, nas horas anteriores ao amanhecer, e também após
a sua refeição, e deve assim fazê-lo pelo mérito da elevação da alma de Shabatái
Tsvi ben Rivka. Ele precisa ir à mikvê todos os dias. Ele não deve se preocupar com
os pensamentos negativos que surgem em sua mente. E quando eles assim
surgirem, ele deve recitar o versos do Tehilim e meditar nos Nomes Divinos
apropriados, e estes pensamentos serão anulados. Daquele dia em diante, o
espírito de Shabatái Tsvi pedia a Bachúr que ele estudasse mais e mais Zohar,
todos os dias, cada dia mais do que o anterior, mesmo que isto significasse que ele
tomasse tempo do seu trabalho. Quando era o tempo de ir à mikvê, o espírito
causava Bachúr de se apressar tanto que ele quase caia da escada na água.
O ruach também o acordava todos os dias bem cedo para ir para a reza matinal.
O ruach me pediu que eu devesse recitar Yichudim para ele todos os dias, no
ouvido de Bachúr, incluindo o tocar do Shofar. O ruach pensou que através disso
tudo, talvez ele merecesse entrar (finalmente) no Guehinom. Eu perguntei ao
espírito quando ele deixaria Bachúr. Ele me disse que eu não deveria perguntar
isso. Quando estivesse pronto para entrar no Guehinom ele sairia de Bachúr, sem
precisar de um pedido para isso. E de fato, assim foi. Pois alguns dias mais tarde,
Bachúr não estava mais sendo perturbado em seu sono, e eu o examinei e não
encontrei traço algum do ruach do Shabatái Tsvi.
Desta história dramática sobre possessão demoníaca, podemos entender o Sód do
pasúk, "Na porta jaz o pecado [ou seja, o mal]".
O mal, em todas as suas formas (incluindo os shêdim e ruchót, etc.) está sempre e
constantemente à espreita.
Portanto, a pessoa precisa aprender a se proteger.
O cumprir das mitsvót ou o realizar das averót expandem ou contraem nossa
habilidade de "movimento espiritual" — o livre arbítrio.
Somente a Torá e as mitsvót "blindam" a pessoa e as alforriam do controle da
mente que estes mensageiros de Hashém exercem sempre.

Continua
Cuidado – Sua alma pode estar em Perigo – Parte 11

Adendo I - Hashém Mach'sí - "D-us é meu refúgio"

Epílogo

Idolatria é a perversão da consciência sobre D-us.


Toda e qualquer imagem ou ídolo adorado, em qualquer parte do mundo e em
todos os tempos, significa devoção a um shed.
E sobre isso explica o Rambam que existe uma grande proibição da lei da Torá para
os Judeus (e Bnei Noach) de pensarem ou se preocuparem com qualquer aspecto
de avodah zarah ("idolatria").
As pessoas retas ligadas à Torá são proibidas de seguir qualquer procedimento,
sem exceção, em que um ídolo foi adorado em algum tempo passado.
É proibido imitar qualquer forma de adoração (mesmo que periférica), ou
pertencer, ou participar mesmo que parcialmente dos antigos rituais e cerimônias a
qualquer entidade.
Além disso, também é proibido adquirir quaisquer maneirismos idólatras (sejam em
pensamentos, falas, ou ações), mesmo que hoje em dia estes sejam considerados
por "qualquer um" apenas como expressões culturais "inofensivas" e "modernas",
mas que, no entanto, tenham na verdade sua origem nas adorações a um ídolo de
um "deus inferior", ou seja, um shed.
Esta lei é assim mesmo que este ídolo, que é afinal a porta de entrada física de um
shed no mundo, já tenha sido completamente esquecido por todos e não exista
hoje em dia qualquer vestígio restante de suas práticas, adeptos, ou mesmo que o
nome deste shed tenha sido também esquecido pela humanidade, e não se
encontrem mais registros históricos dele.
Além disso, esta lei se aplica até mesmo a uma pessoa que pratique
acidentalmente a adoração, e deste modo, não tenha sinceramente qualquer
memória ou conhecimento de que estas formas de expressão possam em algum
grau estabelecer uma ligação em qualquer nível à idolatria de uma entidade
demoníaca.
Qualquer um que transgride estas leis será responsabilizado na maneira e tempo
que D-us decidir.
Mas é preciso perguntar o porquê de tanto cuidado com estas idolatrias (que já se
foram), e inclusive nas acidentais?
A resposta é que todos os atos de avodah zarah vivificam a sítra áchra, que D-us
não permita.
Se a pessoa comete um destes atos, em algum grau espiritual ela realiza um chibúr
("associação") com o demônio adorado.
E a despeito de seu nome ter sido esquecido (o que sim bloqueia a sua penetração
em nosso mundo), e a sua entrada visível no mundo físico ter desaparecido, este
shed ainda existe no domínio espiritual.
No instante 'exato' que o ato repete algum procedimento de adoração a um destes
deuses estranhos, a pessoa, através da sua própria força vital que executou tais
ações, falas, ou até em pensamento sobre a entidade maléfica, se torna agora um
canal psíquico-espiritual deste shed no mundo físico.
Ela literalmente se imbui dele e o revive e ativa.
Assim, a entidade se beneficia desta nova força e reabertura no grau físico, e a
pessoa, enquanto servindo a interesses nefastos ainda que inadvertidamente, vem
a receber força espiritual das câmeras da sítra áchra.
Mas se todo o cuidado é necessário para evitar se conectar com o lado do mal até
mesmo nos atos específicos de idolatria que possam ser realizados acidentalmente
— ainda que esta idolatria já tenha perdido sua representação física no mundo — o
que então dizer dos comportamentos propositais e tão comuns dos homens que ao
contrariarem o desejo de D-us, atraem os juízos severos e as hordas do mal em
suas vidas?
Sim, pois é através dos atos rebeldes dos homens que as forças negativas
encontram as suas aberturas.
Afinal, como esta obra buscou demonstrar, tudo que a pessoa faz em vida
determina como ela é "percebida" no domínio espiritual e o que ela então atrai para
si.
A lei espiritual é clara: se ela busca se santificar, ela atrai um espírito de kedusha
que a ajuda ascender e se ligar mais a D-us.
Se ela busca se profanar, ela então chama atenção e atrai forças estranhas com
agendas nefastas, que se aproveitam da abertura psíquico-espiritual que a pessoa
cria em sua alma no seu desalinhamento espiritual com D-us.
Portanto, é evidente que somente existem dois caminhos a seguir: o caminho das
opiniões e desejos não retificados, da arrogância, do orgulho, e das misturas
indevidas de conhecimentos vazios, provenientes de tantos "achismos".
O outro é o caminho da humildade, da teshuvá, do rebaixamento do 'Eu'.
Este é o caminho da Torá e do Criador que é a Origem de tudo, e assim, é também
a verdadeira e única proteção que existe.
Mas este caminho reto precisa ser aferido.
A pessoa precisa estudar muito as leis da Torá e os conselhos dos Sábios, e assim
entender e praticar para que, "Tão somente temei ao Eterno e O serve
verdadeiramente, com todo o vosso coração; porque vede quão grandiosas coisas
vos fez!".
E é por isso que eu peço que você atenda a este apelo tão profundo, que afinal é o
cerne desta obra, para você escolha viver uma vida maravilhosa aqui e no mundo
vindouro.
Este é o apelo de alguém que te quer bem, e que deseja um mundo melhor e mais
limpo do orgulho, aonde somente as coisas certas e justas façam parte de nossas
vidas.
Você que leu estas minhas palavras neste pequeno livro, saiba que elas vieram de
um profundo e ardente amor por D-us, pela Torá, e o Povo de Israel, pois Kól Israel
Arevim Zé La’zé.
Saiba também que todo aquele que busca viver uma vida reta e espiritual de
acordo com os preceitos de Hashém é muito querido e bem vindo por Ele.
Meu objetivo foi despertar os que dormem um sono profundo, para assim garantir
que o seu ressuscitar futuro seja abençoado, pois "Muitos dos que dormem no pó
da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo
eterno".
Estes que dormem em suas curtas vidas, as desperdiçam nas tantas ilusões e
vaidades do mundo.
E nenhuma maior do que a auto ilusão.
Isto é viver na klipah.
Fuja disso, corra para o S-nhor.
E assim como está escrito: Hatsilêni meoievai Hashém elêcha chissíti, "Resgata-me
dos inimigos, pois Tu és meu abrigo"' e Hashém mach'sí "D-us é meu refúgio".
Eu imploro, por favor, ouça estas minhas palavras, preste atenção e se abra para
permitir Hashém de falar as Suas Palavras da Tora Viva diretamente em seu
coração e mente.
E neste processo de você se retificar, você estará ajudando a retificar o mundo
também, e a apressar a vinda o único e verdadeiro Mashiach, quem inaugurará
uma nova fase na realidade do mundo, quando "Eu removerei todo o espírito da
impureza do mundo" e com isso será cumprido o verso que afirma, "E darei paz à
terra, e vos deitareis e ninguém vos amedrontará; e farei cessar os 'animais
selvagens do mal' da vossa terra e espada não passará pela vossa terra".
Mas enquanto isso não acontece, por favor, tenha...
Cuidado! Sua alma pode estar em perigo. [Rabino Avraham Chachamovits]

Continua
Cuidado – Sua alma pode estar em Perigo – Parte 12

Adendo II - Refuah Shlemah Min HaShamáyim - "Uma Cura Completa dos


Céus"

O grande tsadik, o Rébe Elimélech de Lizênsk zt"l ensinou:


"É impossível para uma pessoa se manter consciente da eminência e grandeza de
D-us a não ser que ela primeiro se aprofunde na essência da sua própria alma. Isto
é assim, pois a alma é semelhante a D-us em algumas maneiras. Se a pessoa não
tem insights nos conhecimentos da sua própria alma, então ela não poderá ter
insights sobre a origem dela, a saber, o próprio Criador".
E quanto mais a pessoa ganhar estes conhecimentos, mais ela desejará
humildemente conhecer o Criador e se curar.
Isto é, o mal que adoenta a sua luz e impede a sua ascensão espiritual precisa de
tikun ("correção"), que é a cura do verdadeiro Juiz.
E como está escrito, "Àqueles de vós que temem o Meu Nome, levantar-se-á o sol
da justiça trazendo saúde eterna em seus raios".
Esta correção implica na pessoa elevar seus olhos para o Alto para ver Quem tudo
criou; no seu coração ser despertado e se tornar sedento pela conexão com o
Divino; e assim os seus membros permitirem então corrigir o seu curso para que
ela se torne um ba'al teshuvá ("mestre do retorno") no sentido ativo.
Entretanto, em princípio, na "entrada" da correção, quando “Hashém bate à sua
porta'', o conhecimento da alma permite um contato externo com a kedusha, no
segredo do pasúk, "E [D-us] colocou — ao oriente do jardim do Éden — os
querubins com uma lâmina flamejante de espada que se volvia, para guardar o
caminho da árvore da vida".
E estes anjos alternam conforme a pessoa: ora anjos, para os humildes, ora shêdim
para os perversos e arrogantes.
A pessoa avista o Éden, mas é impedida de entrar se ela não souber qual o
caminho para a árvore da vida, que é a Torá e as mitsvót.
E apenas por um instante, neste princípio, ela é iluminada, pois Hashém a chama.
Este precioso chamado desperta o seu coração adormecido, e ela entende que não
existe outra força no universo, pois "não existe nada além d'Ele", e Ele somente é
que tudo permite ou proíbe.
De fato, o Ba'al Shêm Tóv ensinou que, ao dizer que existe outra força no mundo, a
pessoa vivencia o estado idólatra de "servir a outros deuses".
O problema desta afirmação é que a pessoa vem a pecar gravemente ao pensar
que existe qualquer outra autoridade no mundo.
Verdadeiramente, não existe outra força que possa fazer qualquer coisa contra Ele.
Mas a pessoa sem preparo espiritual verdadeiro e que busca conhecimento da
alma, usa a sua própria mente e experiências do mundo de ilusões para "avaliar"
este conhecimento tão novo e elusivo.
E através da sua mente não retificada, ela constata que existem de fato coisas no
mundo que negam a autoridade de D-us.
Ela então não compreende isso como sendo a própria vontade do D-us Vivo.
Ela acredita que se trata da vontade dos elokim achareim ("deuses estranhos"), a
saber, de "outras forças", que D-us não permita.
E estas forças estranhas, ela assim assume, têm alguma espécie de autoridade no
mundo e que agora, em seu novo caminho e aprofundamento sobre a alma, elas
decidem por exibir seu poder e demandam subserviência.
E devido a sua grande impureza espiritual e ignorância sobre o Divino, a pessoa
não entende que é de acordo somente com o desejo e autorização de D-us que
existem sim coisas no mundo que servem para distrair e rejeitá-la da kedusha — e
por um propósito Divino importante.
E pelo contrário, ela se liga aos caminhos tortuosos que estas coisas delineiam,
assim causando ela de adentrar ainda mais nos terrenos imundos e pútridos da
insolência e grosseria espiritual.
Usando a sua própria força e desejo rebaixados, sem qualquer noção do que
significa adestrá-los, a pessoa dispara como um cavalo selvagem sobre o qual o
perplexo montador não consegue controlar, e que então parte a errar o caminho
com fervor indomável e apressadamente.
Deste modo, ela vem a usar para si mesma o seu "conhecimento" espiritual
superficial e ainda tão distorcido, avançando até o grau na impureza que ela se
justifica mesmo a se prostrar diante destas coisas que negam a D-us.
Agora, a sua mente muito se contrai, e a sua alma perde brilho enquanto clama em
agonia, mas verdadeiramente, o seu corpo regozija.
Ela então vibra e se alegra muito, acreditando que as suas várias sensações físicas
e emocionais representam sim os seus "avanços" espirituais.
Tola, ela se "sente" espiritual e sua mente grita: Amém! E ela nem percebe que
segue afirmando com vaidade e soberba como a parte é maior do que o todo, que o
falso é verdadeiro, que o proibido é permitido, e que o impuro é puro.
[Os exemplos que a estrutura do texto sustenta são inúmeros. É fora do escopo
desta obra entrar nos detalhes do que caracterizaria esta sequência de erros
espirituais mencionados. No entanto, existe uma regra básica no Judaísmo que
precisa sim ser citada aqui. De modo inquestionável, o grande cabalista e principal
aluno do Ari"zal, o R' Chayim Vital zt"l afirmou: "A pessoa não deve dizer: 'Eu vou
estudar a sabedoria da Cabalá antes que eu estude a Mishnah e o Talmud' , pois o
nosso mestre ensinou... estudar a Cabalá sem conhecer a Halachá [a lei da Torá] é
como uma alma sem corpo, sem responsabilidade e eficácia, até que se conecte a
um corpo que cumpra todas as 613 mitsvót da Torá" (Etz Chayim, Introdução). O
fato de pessoas ousadas e sem qualquer preparo, respeito e conhecimento
verdadeiros da Torá "acharem" que sabem alguma coisa de Cabalá, e pior, que
podem ensinar estes equívocos e falsidades que eles propõem para outros, é
apenas sintomático do mundo arrogante, cínico, e ilusório que vivemos. No caso da
Cabala, a chave para a pessoa conhecer a fonte, ou seja, seu mestre é simples: se
ele afirmar que a Cabalá é separada da Torá e das mitsvót, então a pessoa deve
fugir rapidamente deste charlatão impiedoso, pois ele somente levará a pessoa à
sua destruição espiritual. Existem vários locais fraudulentos, centros de grande
força egocêntrica que nada ensinam de Cabalá. Saiba que este uso da Cabalá
representa sua degradação mais inferior, pois esta santa coroa da Torá é explorada
por estes ímpios desavergonhados somente para seus próprios fins egoístas e
materialistas, contrariando absolutamente tudo o que é Divino. Cuidado! Sua alma
pode estar em perigo, pois nossos Sábios ensinaram: "Aquele que explora a coroa
[da Cabala], perecerá" (Pirkêi Avót 1:13).]

E a santa Cabalá explica que, "Suas palavras de pseudo-descobertas, baseadas no


seu entendimento corrompido [e repleto de misturas estranhas sobre a sua alma e
sua origem celestial] sobem e são recebidas por um grande shed".
Este demônio se junta às outras entidades maléficas para trazer graves prejuízos a
ela e a toda humanidade, que D-us não permita.
E sobre isso está escrito, "Ai dos que se prendem à iniquidade com cordas vãs, e ao
pecado com as correntes da falsidade”.
Entretanto, nada, absolutamente nada poderia contrariar as verdades de D-us com
mais profusão.
E sobre esta pessoa, diz o profeta: "Regozijas-te em praticar o mal'', e assim ela se
mantém para sempre distante da kedusha, entrando somente no domínio da morte.
E este é o sentido que eu vi hoje sobre o pasúk, "Não sacrificarás ao Eterno, teu
D-us, boi ou cordeiro que tenha defeito ou qualquer imperfeição [a saber,
misturando coisas estranhas à Torá e achando que isso é o que D-us deseja],
porque isto é uma abominação ao Eterno, teu D-us. Quando for achado no meio de
ti, numa das tuas cidades que o Eterno, teu D-us, te dá, homem ou mulher que
fizer o que parece mal aos olhos do Eterno, teu D-us, por transgredir a Sua aliança
[a saber, de não cometer idolatria], e tiver ido e servido a outros deuses, e tiver se
prostrado a eles, ou ao sol, à lua ou a qualquer astro do exército dos céus, o que
não ordenei [de adorá-los]; e se isso te for denunciado e ouvires, então indagarás
bem, e eis que, sendo verdade e certo que se fez tal abominação em Israel, farás
conduzir à porta da cidade aquele homem ou aquela mulher que cometeram esta
má coisa; seja homem ou mulher, os apedrejarás e morrerão”.

Agora, de volta à "entrada" do Éden, onde está a lâmina flamejante de espada,


existe outro caminho a seguir.
Este é chamado de Refuah Shlemah Min HaShamáyim.
E como está escrito no final da Torá, “Jamais se levantou em Israel profeta algum
como Moshe, a quem o Eterno aparecera cara a cara”.
Isto significa que, todas as palavras de Torá que Moshe Rabêinu falou se tornaram
arquétipos para o mundo.
Quando ele "chamou ao Eterno, dizendo Ana Kel nah refah nah lah ['D-us, rogo-Te,
cura-a!]", ele estabeleceu a própria dinâmica de cura física e espiritual.
E o Nome Divino usado nesta prece, Kel, para que sua irmã Miriam fosse curada da
tsa'ará ("lepra espiritual"), uma condição espiritual com manifestação física, foi
assim escolhido uma vez que Kel é o Nome Divino e, portanto, o canal espiritual
específico para o poder de cura, como explicou o Ari"zal sobre as 13 medidas da
Misericórdia Divina.
E por isso nossos mestres disseram: Nafhsi cholát ahavatecha, Ana Kel nah refah
nah lah, "Minha alma está doente de amor por Ti, Rogo-Te, cura-a!".
Pois a alma é curada somente através de Behar'ot lah nôam "Mostrando a doçura
do Teu esplendor".
E o que exatamente é esta 'doçura resplandecente'?
Esta é a Torát Chayim ("Torá Viva"), assim como está escrito: "A Torá é doce como
o mel, e como é dito sobre os preceitos do S-nhor, eles são 'mais doces que o mel
que se forma nos favos'".

A cura completa dos Céus vem quando a pessoa que estuda a Torá alcança o grau
de consciência que estabelece firmemente, com total lucidez e sem qualquer dúvida
que existe um juiz e um julgamento.
Mas o que é este julgamento?
É a verificação real do crescimento espiritual o qual se revela diante da pessoa que
cresce em sua fé no juiz.
E o "termômetro" verdadeiro deste crescimento são as suas 'ações e retificações de
comportamentos'.
Daí se conclui algo de grandeza superlativa: a fé é o conjunto das ações acima da
razão.
E assim, a falta das ações transformativas da Torá, ou seja, das mitsvót, implica
diretamente e necessariamente na falta de fé, e deste modo, no julgamento justo e
na punição associada ao grau deste distanciamento da verdade Divina, que são as
suas quedas espirituais.
E graças a D-us por este julgamento, pois ele é precisamente o meio pelo qual a
pessoa pode vir a alcançar o seu objetivo espiritual em vida.
Agora é possível entender o que foi dito anteriormente sobre o propósito Divino
importante o qual sublinha a falta de entendimento da pessoa sobre a autorização
de D-us para que existam coisas no mundo que sirvam para distrair e rejeitá-la da
kedusha.
Isso é assim, pois esta rejeição é um tikun, uma vez que a pessoa rejeitada perde
graus de discernimento.
E com esta perda e as implicações disso na sua vida, ela vem a revelar a sua
carência por D-us.
Ela não compreende a razão de seu estado espiritualmente caído, do avanço do seu
trabalho ser tão infrutífero ao ponto dela presenciar tantos estados de regressão no
seu esforço espiritual.
Ela então se vê perdida e sem saída, levando-a a concluir que somente D-us pode
ajudá-la.
Mas para isso ela sabe que precisa conseguir a atenção d'Ele, por assim dizer, pois
necessita intensamente que Ele a guie para que ela se ligue a Ele para sempre.
E para isso, os nossos Sábios, de abençoada memória, ensinaram: para despertar
uma resposta celestial é preciso, entre outras coisas, que Ohavê Hashém sin'ú rah,
"Vós que amais ao Eterno, repudiai o mal".
Amá-Lo somente, não é suficiente.
Desejar se ligar a Ele, não é suficiente.
Se inspirar espiritualmente e intelectualmente e se submeter às vozes que nos
querem tanto fazer retornar a Ele, mas sem o comprometimento com as ações
necessárias, não é suficiente.
É preciso repudiar o mal, de acordo com sua definição Divina, que é o egocentrismo
— o desejo de receber por si só.
E verdadeiramente, o despojar gradual deste desejo é acompanhado pela
Providência, pois como continua o Salmo: Shomêr nafshot chassidáv mi’íad reshaim
iatsilem, "Ele preserva as almas de Seus fiéis e os salva das mãos dos malévolos".
E este é então o início do sucesso espiritual da pessoa, pois ela se aproxima agora
da kedusha, ainda que em um grau ínfimo — mas sim se aproxima.
Esta aproximação dependerá do seu repúdio ao mal, que afinal, contraria a D-us.
E quando a rejeição da kedusha é abrandada, a pessoa percebe (somente) em sua
submissão a esta força Divina, grau a grau, que D-us tem sido o seu obstáculo Ele
mesmo, e que Ele assim decidiu enviar esta rejeição para ajudá-la a se ligar a Ele.
E o abrandar da rejeição significa a ajuda do Alto, pois como está escrito: Hába
litahêr mesáyin oto, "Aquele que deseja se purificar é ajudado pelo Alto".
E o trabalho agora é muito árduo, pois os obstáculos continuam, em pensamentos e
eventos, tudo para dificultar a sua ligação com D-us.
Verdadeiramente, ela percebe que não está conectada com Ele como deveria ou
como outros estão, e precisa ainda de mais esforços de real devoção.
Mas será que ela tem forças para isso?
O ciclo continua, pois a cada novo estágio de ligação com D-us, novas distrações e
rejeições se apresentam.
Estas são as "muralhas de ferro'', a saber, as klipót que se erguem e circundam
cada nova cidade mesmo já tendo sido rebaixadas. [As klipót já rebaixadas em um
nível espiritual, "voltam" como muralhas de uma "cidade" (i.e., uma alusão para
um grau de consciência) que se erguem novamente para a pessoa que deseja
entrar neste nível.]
Por vezes a pessoa está ligada à kedusha, enquanto outras vezes ela retorna com
dor a um estado anterior, ou mesmo se desligando da kedusha por completo.
E é graças a isso que ela se mantém clamando por Ele — o que é sua única chance
de ter vida.
E ela aprende deste processo de crescimento que é preciso se manter consciente e
ligada a D-us continuamente, pois ela está diante do Rei dos Reis.
Ela não pode abandoná-Lo, mesmo quando se encontra em situações terríveis e
níveis de consciência muito baixos, pois é vital lembrar que Ele é a única autoridade
que a permite de se aproximar d'Ele, e que Ele e somente Ele é Quem autoriza
absolutamente tudo para a sua vida.
Em tempo, a pessoa aprenderá que o mais importante é oferecer alegrias para
Hashém.
E isso é o que acontece quando ela retorna para Ele — estudando a Sua Sabedoria,
a Torá, e cumprindo a Sua vontade, que são as mitsvót.
E a teshuvá traz a cura para ela e o mundo, pois assim como está escrito:
"Retomai, ó filhos rebeldes, e Eu curarei a vossa infidelidade! Dizei: `Eis-nos aqui!
Viemos a Ti, pois Tu és o Eterno, nosso D-us!".
Ela então recebe uma sentença de mérito.
E que nos méritos da teshuvá e das boas ações que venha a era que coroará toda a
Criação — dos dias do único e verdadeiro Mashiach, quem virá para curar o mundo
completamente de todas as suas doenças, pois ele é o Rofeh que terminará o
trabalho de elevar as RaPaCh Nitsotsin Kedusha [O Ari”zal explica que a guemátria
de rofeh ("médico/curador") com o um adicionado (pois D-us é Um) é igual a
RaPaCh (288)! Veja o apêndice: "Retificando Fagulhas".], e que isso seja assim
muito em breve em nossos dias, amém ve'amém sélah.

Continua
Cuidado – Sua alma pode estar em Perigo – Parte Final

Adendo III - "Flutuando"

Lelui Nishmat ("Para elevação da alma")


Dos tantos membros de minha familia materna que pereceram no Holocausto
Nazista
As famílias: Schlenger e Wajntraub
Todos de abençoada memória.

E uma homenagem ao R' Kalônymus Kálman Shapíra (O Rébe de Peasêtzna, 1889-


1943)

Escreveu o R' Kalônymus Kálman Shapíra:

"Ontem à tarde no Shabat, fui acometido por um terror quando um pensamento


veio a minha mente: o que aconteceria se minha morte estivesse perto? A Mishnah
diz para 'se arrepender um dia antes da morte'''.
Eu gostaria de saber como eu faria isto.
Refrear somente os comportamentos e pensamentos proibidos através de
simplesmente se controlar é algo possível até mesmo no auge da vida da pessoa —
apenas mantenha em mente a sua possível morte iminente.
Mas realmente mudar tudo que precisa mudar e curar todas as feridas da minha
alma da maneira que eu sei que verdadeiramente deveria e de fato quero fazer —
isto já não é tão fácil assim de realizar.
Então quando eu penso sobre o que eu faria se fosse subitamente chamado diante
de D-us com todas as manchas em minha alma, eu sou agarrado por pânico e
terror — eu não tenho tanto medo da morte, mesmo uma prematura, quanto eu
tenho medo deste espectro.
Mas a verdade é: por que eu tenho medo de me defrontar com D-us somente nos
mundos superiores com minha alma manchada e não tenho vergonha de me
defrontar com Ele aqui na terra?
Quem sabe?
Talvez D-us já tenha rejeitado a minha alma e a banido para longe de Sua
Presença.
Não existe nada para eu fazer salvo gritar para Ele: 'D-us! Me salva por que eu
estou afogando!’”.

Eu trago um trecho do Zohar que diz:


"R' Ilai falou para eles, os membros de sua yeshivá [`academia']: 'Vós que sois
verdadeiramente virtuosos, entrem e vislumbrem, pois a permissão é dada a vocês
para entrar até o local onde a Cortina está pendurada, feliz é seu lote!' Então, eles
se levantaram e foram para o local onde existiam os 'Mestres da Hagadá’ [os
Cabalistas], com faces que reluziam como o sol. 'Quem são estes', perguntaram os
membros da yeshivá. R' Ilai respondeu: 'Eles são os Mestres da Hagadá, os quais
todos os dias vêem o verdadeiro esplendor da Torá. Eles ficaram lá e ouviram
muitas novas exposições da Torá, mas a eles não foi permitido se juntar aos
Mestres... Mais tarde uma voz surgiu e pronunciou: `Vão, juntem-se, uma vez que
Aholiav está em seu lugar e todos os tronos diante dele'. Então muitos membros
fugiram e alguns ficaram lá, sozinhos sobre as árvores do jardim. Eles avistaram
uma porta e a atravessaram, e daí eles viram o que parecia ser um templo, no qual
eles se aproximaram e sentaram... Eles levantaram seus olhos e aí viram que era
uma Sucá embelezada com várias decorações coloridas, mas envolvendo-a por
cima, existia uma cortina com luzes cintilantes, demasiadamente brilhantes para
serem olhadas”.

Agora, a palavra merachéfet [flutuando] é a 18° palavra da Torá e a primeira que é


numericamente um múltiplo de 26 — a guemátria do Nome Havaya.
Ou seja, a guemátria de merachélet é 728, e que por sua vez é 26 x 28.
E 28 é guemátria de Kôach ['poder‟].
Portanto, o segredo completo implicado pelo valor numérico da palavra 'flutuando'
é 'o poder de D-us‟.
É preciso explicar isso em outros termos.

Vivemos em um grau de apreciação da realidade extremamente limitada.


E isto se deve (também) ao fato de que nós nos distanciamos do mundo que D-us
construiu.
Nascemos, vivemos, e morremos no mundo em que os homens construíram.

Veja bem, D-us construiu um mundo que pode e deve ser vivenciado em qualquer
local onde a natureza é revelada e intocada — nas lindas paisagens das montanhas
ou planícies, nas praias, vales ou nas florestas, etc.
Aí sim você vê o mundo que D-us construiu.
O mundo que o homem construiu são as cidades, com sua pobreza, poluição e
sujeira, perversidade e crime, etc.
Então na medida em que nós nos distanciamos de HaTêva ("A Natureza") devido à
urbanização, nós nos distanciamos de D-us, pois HaTêva tem o mesmo valor
numérico (86) de Elokim ("D-us").
Assim, nossa percepção da realidade se tornou cada vez mais limitada com a perda
da afinidade ao natural, que é o espiritual.
E todo o trabalho com a Torá que cada um realiza implica no resgate da conexão e
alinhamento com o domínio espiritual que tanto se exilou de nossa consciência.
Isto é assim, pois apesar de que Mêlo kól ha'áretz kevodô, "[Toda a] Sua glória
envolve o mundo inteiro”, vivemos vidas afastadas de D-us — em um mundo onde
o Mal predomina.
Veja, a essência do Mal se revela no usar da 'arte da trapaça' para desabilitar as
almas que desejam ascender às dimensões mais elevadas para se aproximaram da
Ór Ayin Sóf ("Luz Infinita").
Este é o sód ("segredo") de Ach meri yevakesh rah, "O homem rebelde busca
somente o mal”.
Rebelde contra o que você perguntaria?
A resposta é: rebelde contra D-us, assim como está escrito Mordêi Ór, "Rebeldes
contra a Luz [de D-us]”. [Jó 24:13, Hêmah haiyú mordêi ór, "Estão entre os que se
rebelaram contra a luz [de D-us]". E por isso que está escrito que D-us "proclamou:
Ainda é pouco seres somente Meu servo, para reerguer as tribos de Jacó e
restaurar a descendência de Israel; farei também de ti 'uma luz para as nações',
para que Minha salvação se estenda aos confins da terra" (Isaías 49:6). Ou seja, o
trabalho espiritual dos Judeus não é somente se elevar à Luz, mas também de
trazer esta Luz para todo este mundo repleto de rebeldia contra D-us.]
De fato, estes trapaceiam os incautos de se ligarem a D-us, trazendo somente a
escuridão do Mal para cobri-los.
E assim foi Caim, quem representou a rebeldia e o mal no mundo, uma vez que
"Levantou-se contra Abel, seu irmão, e o matou”.
Isto é compreensível, pois como está na natureza do mal fazer o mal, então "Foi
natural também que Caim, vindo ele do lado do anjo da morte, devesse assassinar
seu irmão”.
E também Côrach, seu descendente espiritual que ousou se levantar contra Moshe,
"o homem de D-us", foi um rebelde, ainda que se arrependeu. ["A abertura da terra
para engolir Côrach e os seus, se ajustou à largura de cada um. Começando com as
solas do homem, se abriu um pouco para admitir os pés, se alargando para as
pernas, as coxas, e o abdômen, e aí finalmente se estreitou novamente para o
pescoço. Côrach e seu bando se afundaram vagarosamente, pouco a pouco, e na
medida em que a terra os sufocava, eles choravam em agonia: 'Moshe é a verdade,
e sua Torá é verdadeira' (Yalkut Reuvêni, Bamidbar 16:31). Agora, explica o Ari"
zal que "A retificação de Caim veio através do seu guilgul [reencarnação] em Yitro
[o sogro de Moshe]" (Sêfer HaLikutim, Yitro; Sha'ar HaGuilgulim, Hakdamah 36,
traz que o guilgul veio após Yitro se converter).]
E vemos ainda que a palavra em Inglês para 'assassinato' (murder) é composta por
duas palavras do Hebraico: mered ór, "rebelião contra a Luz", que é o próprio D-us
e a Sua Torá.
E por isso que logo a primeira ação do perverso Caim após ele ter sido expulso do
Gán Éden ("Paraíso") foi que ele "edificou uma cidade" — onde a Luz Divina é
trapaceada, a saber, bloqueada e não é tão bem vinda quanto na natureza.
Esta edificação representou o desejo de grandeza [A Mishnah (Sanhedrin 10:2) traz
uma lista de homens proeminentes, todos que tiveram certo status, mas que o
abusaram. A esta lista, o Avót d'Rébi Natán (41:12) adiciona o nome de Caim. Ele
nasceu no Gán Éden (Ráshi no Gênesis 4:1), filho de Adam e Cháva, mas seu
egoísmo, ciúmes, e rebeldia puseram tudo a perder. Caim foi para o lado oriental
(kédem), 'oposto' (e assim, estranho a Kadmon, o "Antigo", ou seja) à Shechiná
(ver Gênesis 4:16. O Ari"zal explica que 'A parte posterior de Adam foi criada
feminina [ou seja, a sua mulher Cháva], e na direção ocidental. Este é o segredo: a
Shechiná está no ocidente', Pri Etz Chayim, Heichal 7, Sha'ar 43). E no oriente
Caim edificou cidades. Agora, a vivência na cidade é algo distante do ideal para se
ter devekút ("conexão /ligação/união") com Hashém, representando um grau de
alienação espiritual. Entretanto, a vinda de Mashiach trará efeitos da mais profunda
ordem de transformação física e espiritual ao mundo, e os centros urbanos
certamente perderão seu "poder e glória", pois "Naquele dia — diz o Eterno —
retirarei do meio de ti teus cavalos e destruirei teus carros; eliminarei tuas cidades
fortificadas e derrubarei tuas fortalezas... Então, com ira e cólera exercerei
vingança contra as nações que não Me souberam escutar" (Miquéias 5:9-14). O
Tanách revela inúmeras profecias sobre as mudanças físicas no mundo, que farão
parte 'inquestionável' do prenúncio Messiânico.] de Caim e de todo aquele que se
rebela contra D-us, se auto intitulando um deus. [Quando expulso do Éden, Caim
saiu já com a intenção de "enganar [até] o Todo Poderoso" (Ráshi no Gênesis
4:16). E como existe um elemento de eternidade no edificar de uma cidade (ver
Bereshit Rabá 23:1), existe também o potencial de enganar (o subconsciente das)
pessoas que lá vivem sobre o próprio edificador ser (como) uma divindade (ver
Ráshi no Gênesis 3:22). As intenções de Caim se revelaram ao dar o nome de seu
filho Enóch à sua primeira cidade, pois afinal: "Pensavam os ímpios que eternas
seriam suas casas, e por gerações sucessivas persistiriam suas moradas; até deram
seus próprios nomes às suas terras" (Salmo 49:12).]
Até aqui o assunto de HaTêva/Elokim.

Continuando, a apreciação da realidade extremamente limitada se prova no fato de


que, quase sempre, existe grande dificuldade de compreensão das verdadeiras
causas dos eventos e circunstâncias que se manifestam em nossas vidas.
Isto é assim, pois existe uma mêssach ("cortina espiritual"), por assim dizer,
'ativamente' limitando a ligação e compreensão do homem com a Luz que ele tanto
necessita receber, e ao mesmo tempo negando a própria Luz de ser repartida com
o homem.
Ou seja, a priori o homem não vem ao mundo em um estado ideal de recebimento
da luz de D-us.
A cortina espiritual impede isto até que condições adequadas sejam cumpridas pelo
homem.
Agora, em sua ignorância e escuridão, o homem crê muitas vezes que na medida
em que "todo o universo foi criado somente para ele, corno se nada mais
merecesse consideração, se, portanto, qualquer coisa acontece para ele contrário
de sua expectativa, ele imediatamente conclui que o universo todo é mal".
No entanto o que ocorre é que, os eventos da vida de cada um são meros "sopros"
da realidade ocultada que emana da Luz Divina e se manifesta aqui neste mundo.
Esta luz sofre tsimtsumim ("contrações e ocultações") evitando com que toda a
criação seja anulada de sua existência, caso este poder de D-us fosse
verdadeiramente revelado.
Assim, o tsimtsum, que é a restrição da Ór Ayin Sóf sob a perspectiva da criatura,
permite a existência de tudo.
Se não houvesse uma restrição da intensidade da luz espiritual Divina, toda criatura
seria anulada nesta luz.
Entretanto, é justamente devido a esta ocultação e restrição Divina que o homem
tem a percepção ilusória e sensação de sua existência independente de D-us, e que
Ele não existe.
Mas é graças a este processo Divino do tsimtsum que o homem tem a oportunidade
singular através do seu avodát Hashém ("trabalho espiritual") para se reaproximar
e reconectar com D-us.
Isso significa também que a Luz de D-us sempre existe, e a escuridão é apenas
uma ilusão. [Pois afinal, "uma vez que o poder de revelar e o poder de ocultar são
essencialmente o mesmo, o qual é a manifestação de habilidade sem limite de
D-us, é impossível para o tsimtsum trazer uma ocultação real, que seria desta
forma reconhecida pela perspectiva Divina" (Lessons in Tanya, Sha'ar HaYichud 4).]
Entretanto, por desígnio de sua natureza, é difícil para o homem receber a Luz,
mesmo que o resultado verdadeiro oferecido a ele em banhar-se n'Ela — o que
ocorre 'unicamente' se ele se alinha às leis de D-us — seja a felicidade plena e a
compreensão da realidade sobre o aspecto de suas causas.
E isto significa que, no vislumbrar das causas, é possível perceber também a
essência de cada coisa existente, que é D-us.
Esta é sim uma promessa da era Messiânica, pois como está escrito: "A glória do
S-nhor se revelará, e toda a carne [ou seja, através dos nossos sentidos físicos]
juntamente a verá”.
Assim, para aqueles que sobreviverem neste período, a percepção da realidade sob
o aspecto de suas causas será verdadeiramente revelada, sendo permitido então
enxergar com o próprio poder da visão dos olhos as fagulhas santas que a tudo
sustentam no universo — literalmente a santidade de D-us no mundo, que é a Sua
glória.
Hoje, isso é completamente bloqueado para nós, salvo possivelmente para as
raríssimas almas dos tsadikim perfeitos.
Este bloqueio — produto (também) da mêssach — se estende às cognições sobre o
domínio espiritual, mas abrange aspectos da vida no grau físico também.
No entanto, a pessoa ainda que incapaz de perceber a revelação da kedusha
("santidade") no mundo deve realizar o seu trabalho espiritual através da sua
emunah ("fé"), pois não existe sentido algum em qualquer dependência imaginária
de uma revelação da kedusha para aí somente buscar se santificar.
De fato, este é o obstáculo maior para os que não cumprem (ainda) Torá e mitsvót
— eles têm uma grave deficiência em sua fé, sobre a qual eles afirmam que será
curada somente através de uma revelação da kedusha.
No seu íntimo, em tendo vivido uma vida que contraria as leis de D-us, mantendo-
os assim desalinhados com o domínio espiritual, eles têm grande dificuldade de se
entregar realmente e crescer na sua fé ao ponto em que as exortações da
sabedoria da Torá, que é de origem Divina, façam-se valer em suas mentes,
emoções, e nas suas ações.
É por esta razão que existe tanta incoerência em nossos irmãos que apenas
"flertam" com a Torá, cumprindo uma coisa, mas não outra etc.
A falta de emunah implica diretamente na fragmentação da consciência.
E a força da iêtser hara que domina a pessoa, a faz resistir fortemente às elevações
intelecto-emocionais tão necessárias para corrigir sua vida.
Com sua fé debilitada e em não enxergando literalmente o resultado do
cumprimento das mitsvót no mundo — que é o investimento e difusão literais da
kedusha aqui mesmo neste grau físico e nos mundos superiores também — ela
resiste obstinadamente em alterar aspectos de sua vida de prazeres ilusórios por
algo (de prazer) espiritual, o que para ela é algo tão completamente etéreo.
Mudanças assim certamente demandam uma emunah robusta — o que é de fato
uma 'obrigação' para todo ser humano, judeu e não-judeu, fazer crescer.
É por esta razão que o início da ligação com a Torá é normalmente marcado por
uma relação periférica, por assim dizer.
A pessoa ainda é muito indulgente no decidir sobre o que cumprir da Torá e mitsvót
devido a sua tumah ("impureza") adquirida e que confunde a sua consciência,
preenchendo-a com dúvidas e opiniões arrogantes.
Assim, ela se permite dar várias desculpas que afirmam a ela mesma: "Bem, ao
menos eu faço isso ou aquilo, ou, me afastei disso ainda que não daquilo etc.".
Isto gera a "tensão espiritual" de uma realidade ambígua, onde opostos morais são
forçados a coexistir no mesmo corpo.
Enfim, tudo absolutamente produto da falta de emunah e do excesso de amor
próprio.
Mas, para todo aquele que busca se ligar a D-us, o correto é verdadeiramente se
imergir na Torá, sem desculpas.
Ou seja, o Sagrado, abençoado seja Ele, que revelou Sua vontade no Sinái para o
Bnei Israel de que cada e todo homem judeu sem exceções de espécie alguma
precisa cumprir as leis da Torá, viver um vida reta em todos os sentidos, abominar
o mal tão evidente no mundo e nas nações distantes de D-us, rezar shacharit,
mincha, e arvit (as três orações diárias) etc., é o 'mesmo exato' D-us que afirma a
necessidade vital do cumprimento do Shabat, ou do homem colocar tefilin nos dias
permitidos, e que para todo judeu é proibido ingerir qualquer alimento não kashér,
etc.
Portanto, é excessivamente incoerente assumir uma mitsvá e não outra,
indefinidamente [No início de sua teshuvá, quando a pessoa está aprendendo as
mitsvot e a viver do modo judaico, ela certamente precisará assumir as obrigações
paulatinamente, podendo inclusive tardar a estar pronta para todas. Mas em
tempo, se a pessoa é séria na sua teshuvá, esta leniência cessa.], quando a origem
divina delas todas é absolutamente a mesma.
Mas a explicação disso é que, sim, o resultado verdadeiro oferecido ao homem de
se banhar na Luz Divina é a 'felicidade plena e a compreensão da realidade sob o
aspecto de suas causas'.
Mas como ele em geral não tem fé suficientemente desenvolvida, ele então não
acredita que este é o resultado de fato.
Veja que, para os judeus "ainda distantes da Torá, tudo [d'Ela] é estranho,
inconfortável e sem significado. A luz da Torá... é tão forte que eles fecham os seus
olhos, se escondendo com medo desta grande intensidade de irradiação Divina.
Através da duração deste período [de afastamento], eles existem em uma
escuridão espessa, e temem abrir os seus olhos. Isto resulta de sua vivência na
realidade restritiva do Mitsráyim [o Egito, do cativeiro espiritual da assimilação],
por assim dizer".
A pessoa tem dificuldade em crer nesta luz santa, principalmente no que tange a
sua felicidade.
É até possível que ela assuma que, intelectualmente, o cumprimento de Torá e
mitsvót talvez traga uma "expansão mental" e compreensão mais elevada da
realidade; o que ela presume em "aferir" subjetivamente como sendo um mero
produto da espécie de "ginástica" mental/espiritual proposta pela Torá, mas não
diferente de qualquer outra filosofia ou religião, chaz ve'shalom.
Entretanto, convencê-la de que somente através da mudança de comportamentos
fundamentais de sua vida ela poderá vivenciar um (novo) grau de felicidade
incomparavelmente superior ao que ela já conheceu, quando ela é tão arraigada
nos velhos e obsoletos hábitos errados de uma vida desconectada de D-us —nos
falsos prazeres efêmeros, e nas ilusões que ela acabou comprando em sua vida
sem jamais se prestar a refletir sobre elas —isto é realmente muito difícil.
Entretanto, esta felicidade nas mitsvót é uma verdade absoluta e conhecida há
milhares de anos, e a resistência do indivíduo à ligação com o Divino, ainda que um
indicador do seu potencial é também o termômetro da sua distância efetiva de
D-us, e do perigo real que sua alma se encontra.
Cuidado!
Cada revelação espiritual que o homem apreende em sua vida sobre a sua vida é
um instante de iluminação/insight, e é exatamente quando 'se ergue a cortina que
mantém a ilusão da escuridão'.
Uma metáfora para isso são as asas de uma águia que batem e chegam quase a
tocar [Em Cabala, este "movimento espiritual" é chamado de matê ve'ló matê
("tocando mas não tocando"), como uma pulsação.] nos seus filhotes, permitindo a
eles perceber a sua essência protetora através do cheiro exalante.
E ao contrário, quando o homem se vê perplexo na confusão de sua escuridão (ou
seja, quando a mêssach está ativada), isto então é simbolizado pela asas da águia
agora retraídas de seus filhotes, mas que clamam por sua atenção.
E é deste mesmo modo que se dá o contato com a luz Divina ocultada, a saber,
através do desativar da méssach, mas que depois é reativada.
Isto faz com que, para a maioria, o contato com a luz Divina tenha um caráter de
permanência apenas de uma lembrança — como uma impressão mental difusa.
Isto significa que para uma pessoa iniciando a sua teshuvá ("retorno à uma vida de
Torá”), quando ela então se liga à kedusha, ela ainda não tem o klí ("recipiente
espiritual") adequado para perceber realmente a grandeza do que está
acontecendo, sejam nas palavras de Torá que estão sendo proferidas por alguém,
ou no local, ou em um evento, ou na tefilá ("oração"), etc.
Isto é devido ao seu estado espiritual de mochin d'katnút ("contração mental")
causado pela tumah que ela ainda é ligada.
É comum para a pessoa que se encontra no estado espiritual ainda imaturo, no
início tênue de sua teshuvá, que ela fique afetada, como que nervosa diante da
kedusha.
Talvez ela se comporte de modo até infantil, falando muito e futilmente, ou rindo
etc.
Ela se sente de certo modo, inapropriada.
Na verdade, esta sensação expressa a vergonha do íntimo de sua alma que a faz
saber intuitivamente que ela deveria estar completamente ligada a esta cena e
situação onde a kedusha se revela.
Entretanto, ela tem dificuldade nesta ligação, pois as mentiras do corpo e
consciência caída a enganam.
Esta confusão mental atua de modo que a pessoa "pensa" que o bom é somente o
que ela até então conheceu e se acostumou em sua vida.
E que não é possível que exista um "bom" que seja maior do que este que ela
originalmente se ligou.
O corpo a engana, e ele briga com a alma e a alma briga com o corpo, pois a alma
deseja fortemente e unicamente esta santidade (isto é particularmente verdadeiro
quando diante da kedusha).
Ao se afastar desta santidade, obviamente fica mais fácil para o corpo e consciência
baixa predominarem.
Mas quando a alma se vê diante de uma situação de santidade revelada, ela fica
extremamente agitada, por assim dizer.
E esta agitação da alma santa "descende" misticamente ao nível da alma animal
que por sua vez é imbuída no sangue, e assim traz resultados ao próprio corpo —
fazendo a pessoa se sentir constrangida, e com algum desconforto nas ocasiões
especiais, seja no Shabat, ou em Yom Kipur, na casa do rabino quando em uma
seudá ("refeição") kashér, etc.
Mas o desconforto é apenas a manifestação física da agitação da alma que
"reconhece" a santidade em questão.
Agora, depois que a pessoa se afasta deste momento de revelação maior de
kedusha, a dita sensação do corpo inverte — ela termina, e o constrangimento não
mais perdura.
O corpo/alma animal rapidamente volta ao seu estado de "equilíbrio", perdendo
completamente a noção dessas sensações incômodas.
E pelo contrário, o que resta é uma impressão mental difusa sobre a santidade —
uma espécie de resquício na memória, fazendo com que ela se lembre do prazer
que ela teve quando no evento santo.
Ela tem vontade de voltar.
Ela deseja voltar para a sinagoga, ela até gostaria de conversar um pouco mais
com o rabino, ainda que de uma maneira desajeitada e infantil.
E ela possivelmente pensa: "Eu gostaria de falar um pouco mais com este rabino,
pois queria ver se ele responde algumas coisas que eu tenho para ele".
De maneira arrogante, ela até sente que gostaria de voltar só para fazer isso.
Mas no fundo, isto é a própria lembrança espiritual que ela tem do evento que
agora ascende em sua consciência, ainda que em sua mente racional ela interprete
isso de outro modo.
E quanto mais elevada a pessoa, menor o vão entre a sua intuição espiritual e o
seu pensamento racional, pois ela é preenchida pela kedusha.
E de fato, aqui nesta narrativa se expressa a ideia do contato com a Luz ocultada
através do erguer da mêssach.
Por quê?
Pois ainda que a Luz esteja ocultada, quando o indivíduo faz algo que é
espiritualmente coerente com a sua alma (como as ações positivas descritas), a
cortina espiritual, que é uma força de D-us atuante na realidade, é desativada.
A lei espiritual é que, quando a pessoa se comporta de modo a se alinhar às leis
naturais dos domínios espirituais superiores, o tsimtsurn que bloqueia sua
consciência é levantado, pois a coerência espiritual implica no ajuste e equilíbrio
entre o céu/espiritual e a terra/físico.
A coerência aqui tratada é 'absolutamente' independente das ideias, opiniões e
desejos de qualquer um.
Ela é um processo de calibragem espiritual, necessitando de uma "tecnologia"
própria para esta calibragem ser tanto ativada como aferida em seus resultados.
Esta é a função singular da Torá e das mitsvót, a saber, o realinhamento natural
entre os domínios espirituais e físicos.
Não existe em Hebraico a palavra 'religião' em todo o Tanách ("Escrituras").
O assunto de Torá e as mitsvót é a 'correção para equilíbrio cósmico', e por isso
que a realidade que vivemos, vis-à-vis, o estado espiritual atual de todos os olamót
("mundos espirituais") é chamado de Olam HaTikún ("Mundo da Retificação").
O tikún (seu e do mundo) precisa então ocorrer, „de um modo ou de outro'.
Não existe exceção aqui, pois a lei é Divina.
E ainda complementando, por fim, quando a pessoa se liga à kedusha, naquele
momento a sua cortina espiritual "particular" é levantada, e ela "toca" a Luz
ocultada, o que permeia a sua alma.
E é por esta razão que é deixado uma impressão mental ainda que difusa, mas
suficiente para eliciar um desejo de retorno à kedusha, amém.

Metaforicamente, este é o bater das asas da águia que simboliza a própria


'flutuação' de nossa consciência.
Quando esta é ligada ao Criador, vivencia-se a alegria/iluminação/doçura e quando
não, a infelicidade/escuridão/amargura.
E é por isso que o Rei David afirmou claramente: „Shiviti Hashém lenegdi tamid...
Lachen samach libi vaiáguel kevod, af bessari yishcon lavêtach‟, "Consciente estou
sempre da presença do Eterno... Por isto se alegra meu coração, regozija-se minha
alma, descansa seguro meu corpo".
Mas enfim, este é o homem: um holech, um ser que está sempre "flutuando
espiritualmente" nas oscilações de sua consciência.
Isto é por desígnio Divino, pois esta flutuação espelha o poder de D-us, uma vez
que "Ele guia o Bnei Israel com compaixão e simpatia, como a águia que demonstra
compaixão aos seus filhotes. Ela não entra no ninho abruptamente, causando
agitação e perturbação com as suas asas sobre seus filhotes. Ela flutua entre uma
árvore e outra, um galho e o próximo, para que assim seus filhotes sejam primeiro
acordados, e depois capazes de recebê-la. Ela não os pressiona, mas sim, flutua,
matê ve'ló matê ['tocando, mas não tocando']. E é desta mesma forma [carinhosa]
com Sha-dai [o 'Todo Poderoso'], a saber, 'nós não encontramos Ele com todo o
Seu poder'".
Sobre o estado de matê, este grau mental é atingido somente quando a consciência
é libertada das amarras da ilusão material — o caos e vazio desolador.
Assim, o indivíduo é conduzido à introspecção para uma busca de sua verdadeira
essência, que urge em se unir naturalmente a D-us através da própria alma.
E este contato com a alma ocorre quando „Ki mimini bal emót‟, "Estando Ele à
minha direita, nada poderá me abalar" e dissuadir minha ligação com a kedusha.
Isto precisa ser explicado, com a ajuda do Céu.

Está escrito: Bereshit bará Elokim et ha-Shamáyim ve-et ha-Aret, "No princípio,
D-us criou os Céus e a Terra".
O sód deste verso é que existe uma dualidade na criação.
Os Céus são na verdade uma referência ao domínio espiritual e não ao céu físico.
E este aspecto da criação é ligado à Terra, que representa não a terra física, mas o
domínio material da realidade.
A Cabalá explica que, enquanto o espiritual é um domínio de luz, o físico é um
reshút ha-rabim (domínio da pluralidade das formas).
Agora, o Nome Divino que é revelado nos Céus é YKVK, e o Nome Divino revelado
na Terra é Elokim.
É preciso entender que o domínio físico/terra é o "recipiente" de natureza
restritiva/rígida, e por esta razão manifesta elementos de severidade (guevurá).
O domínio espiritual/céus é por natureza, a força de expansão e criação, e por esta
razão, manifesta elementos de benevolência (chésed).
Hashém criou ambos estes domínios para que coexistam em harmonia perfeita.
E como "Tudo em baixo corresponde ao que está em cima", segue que, também
assim deve ser a harmonia entre a alma/ YKVK/céus e o corpo/Elokim/terra.
A união perfeita entre estes domínios é chamada de o yichud Kudshá berich Hu
uSh'chintêh, "a união do Sagrado, abençoado seja Ele, e Sua Shechiná” .
Entretanto, o corpo/realidade física/recipiente pode se tornar excessivamente
rígido, impedindo com que a luz/essência interior/espiritual possa fluir e se
manifestar através da sua forma exterior.
Esta rigidez é uma metáfora para o estado negativo do canal do fluxo espiritual que
não deseja se abrir para canalizar esta luz.
Este canal é a própria humanidade, pois o desígnio de D-us é que o homem
governe sobre o universo físico, para leavda u'leshamra, "o cultivar e guardá-lo" e
assim elevá-lo espiritualmente.
Assim, a lei natural do universo é que, 'todo e qualquer' comportamento humano
afeta a realidade aqui nos mundos superiores.
De mesmo modo, quando o elemento espiritual do homem — a alma dentro do seu
corpo, sua luz interior — é impedida de se revelar devido aos comportamentos
desalinhados às leis espirituais de D-us, ela é então dita como sendo aprisionada e
exilada.
Este estado de grave desequilíbrio entre o Céu e a Terra, devido ao desconectar do
universo físico/corpo da sua força vital interior, traz dificuldades a ambos.
Quando o universo não pode desencadear a sua luz interior, este se torna "morto
mesmo quando vivo".
O mesmo ocorre com o corpo e alma.
Isto significa, categoricamente que todo e qualquer indivíduo desconectado de D-us
em sua identificação materialista doentia — causada por seu egocentrismo,
superficialidade, e espírito ruim de rebeldia — é espiritualmente irresponsável.

Isto é assim, pois em sua essência não retificada, ele abomina o „equilíbrio natural
do universo' do qual dependem as bênçãos para toda a Criação.
Verdadeiramente, a sua mente é rígida, constrita pelos parâmetros gerados em sua
intensa e exclusiva identificação com a realidade física e limitante.
Ele é, portanto, repleto de 'severidades' em seus pensamentos e comportamentos.
E "Sem teshuvá, suas falas são muito deficientes, pois ele tem um shêfa [fluxo de
bênçãos] fraco devido a uma vida de 'doces mentiras'. Pesada, yimale fihu
chatsats, 'sua boca está cheias de pedras', repletas de aspectos de guevurót
['severidades‟], pois de da'at pobre, 'as cinco guevurót em da‟at se rompem e
emergem da boca, onde elas se tornam os cinco articuladores'". [R’ Avraham
Chachamovits, "A Bondade para Avraham", Metsorá, aonde este assunto
importante sobre a fala/guevurót é mais explicado. Mas a essência é simples: 'falar
é somente falar de D-us'. Todas as outras falas são inferiores, e assim,
duras/pedras, a saber, mundanas e rebaixadas.]
Verdadeiramente, a harmonia entre o Céu e da Terra depende diretamente do
equilíbrio entre a mente racional/existência física e a mente intuitiva/existência
espiritual/ YKVK e as intenções/ações decorrentes disso.
E isto é vital entender, pois devido aos comportamentos humanos que divorciam a
Luz Infinita/YKVK do mundo, D-us então é "forçado", por assim dizer, a Se revelar
somente no grau de Elokim/ Natureza e suas intensas forças restritivas.
Isto significa, literalmente, o aumento progressivo dos dínim ("juízos celestiais"), a
saber, as manifestações Divinas 'severas' no mundo para assim rigorosamente
impelir o re-equilíbrio universal que sofre com os erros do homem — de sua
arrogância e hedonismo sem fim.
E o apogeu deste processo de imposição da lei espiritual no mundo, deste
reordenamento, será a era Messiânica.
A única solução para este caminho de severidade é favorecer a Luz interior da
Criação de fluir para a sua forma externa.
Em outras palavras, manifestar YKVK na realidade física.
Este processo de mitigar as forças de Elokim se inicia na mente do homem — o
canal para esta revelação em toda a Criação — e terminará somente no milagre
Messiânico, quando „Hirbeiti et ototái ve'etmoftái b'érets mitsráyim‟, "Multiplicarei
Meus sinais e Meus milagres na terra do Egito" [Êxodo 7:3. Mitsráyim — o nome
em Hebraico para Egito — tem uma conexão com o termo metsarim, significando
"fronteiras" ou "limitações". Portanto, "revelar YKVK na realidade física" implica na
transcendência dos limites e restrições da ordem natural/Elokim, e assim, nos
milagres.], ou seja, na realidade física.
E o primeiro milagre que precisa ocorrer é a revelação de YKVK na mente dos
homens.
Isto é o produto do contato da alma que a pessoa faz na introspecção e meditação
que redimem o Divino exilado nos limites do corpo e mente restrita, revelando uma
pequena chama interior.
Esta precisa ser muito nutrida, pois somente assim será possível que se expanda e
a luz da sabedoria ilumine o indivíduo.
O verso diz, 'Estando Ele à minha direita', pois a direita representa o lado de
chésed, que se inicia na força da sabedoria (chochma), seguido da benevolência
(chésed), e das ações generosas e coerentes com a Torá (nêtsach), que se revelam
no domínio (malchut) da pessoa.
Este é o lado direito da Et Chayim, e assim da revelação de YKVK no mundo.
E o verso prossegue: 'Nada poderá me abalar'.
Ou seja, a pessoa que encontra o caminho da Torá Viva não se desligará desta
fonte jamais — não se desviando para um lado ou outro.
E é sobre este estado de matê, do "tocar" na alma que a pessoa será perguntada
quando no olam habá ("mundo vindouro"): "O que você aprendeu? O que você viu?
O que você investigou, uma vez que tudo continua ainda ocultado e escondido
como antes?". [Esta ocultação já começa a cessar, pois ainda que até o advento
Messiânico vivemos em um período que predominam as mudanças no 'mundo
interior' do homem (se ele caminhar na luz da Torá), a 'realidade exterior' do
mundo já exibe transformações causadas pelos seus comportamentos não
retificados. É por isso que nossa geração vive o tempo chamado de Ikvêta
d'Meshícha ("Calcanhar do Mashiach"), aludindo a já estarmos vendo os seus
"passos" logo adiante de nós. As transformações iminentes afetam tanto a
Natureza, como já explicado, bem como a realidade percebida:
"O Talmud Yerusheilmi afirma que quando as pessoas mentem, a natureza segue e
imita, Nuvens se formam, e parece que a chuva cairá, mas nenhuma chuva cai.
Hoje a pessoa pode se levantar de manhã e se vestir em vestimentas que imitam o
algodão, calçar sapatos que imitam couro, sentar-se em uma cadeira feita de
imitação de madeira, tomar café da manhã com imitação de ovos, comer carne
salgada com um substituto de sal, e beber suco de frutas que não contém fruta.
Vivemos em um período onde a verdade é ausente, daí tanta proliferação de
imitações" (R' Zev Leff, do Mosháv Matisyáhu, Israel). E isto tudo somente vai se
agravar, como trazem nossos Sábios (Mishnah, Sotah 49a).]
E também, "Quem durante as suas vidas neste mundo transformou a escuridão em
luz e o gosto do amargo no doce antes de chegar aqui, no olam haba?".
O santo Zohar fala da grande importância de mitigar/ adoçar as severidades/Elokim
para que se transformem em benevolências/YKVK.
Este adoçar se inicia na mente humana. [O Ari"zal ensina que, "Os julgamentos
severos somente podem ser completamente adoçados na sua origem em Biná [o
grau do intelecto humano]".]
Aprenda isso bem.

Agora, sobre o estado de “lô matê” vemos que, pessoas no mundo que não querem
saber de D-us e de Suas leis, e dos comportamentos retificados, apesar de
mostrarem uma aparência de alegria — uma vez que estas pessoas se fantasiam
com toda a espécie de "disfarces" para ocultar a sua condição real — elas vivem de
maneira miserável em sua condição emocional/intelectual, ainda que este estado
seja "silencioso"
Elas são verdadeiramente escravas de suas mentes e apetites baixos.
Um exemplo destas distrações é a prática do consumismo descerebrado, que nunca
trouxe felicidade duradoura para alguém.
As pessoas consomem e querem as coisas para elas de uma maneira egoísta,
caminhando assim em total oposição à emulação de D-us, que é o oferecer pleno, o
altruísmo.
Ainda que suas almas chorem, elas se mantêm cronicamente "vazias", resultando
na necessidade perpétua de mais consumo para um alento temporário, tornando-as
assim como um "buraco negro" que absorve toda e qualquer luz em seu domínio.
Elas querem mais e mais do "bom" de suas ilusões.
De fato, cada letra desta palavra, tanto o "b", o "o", e o "m" expressam
absolutamente nada — nenhum significado ou luz espiritual associada ao conceito
do "bom".
E ao contrário, cada letra da palavra tóv ("bom") na Torá que é escrito na lashón
kódesh ("língua santa") do Hebraico é um elemento espiritual direto que produz a
própria força descrita.
Por exemplo, a primeira letra da palavra tóv, "A letra tét, é mencionada pela
primeira vez na Torá exatamente na expressão Ki tóv, 'A luz era boa'. Antes disso
não existe menção alguma desta letra, a qual alude à luz que brilhou de um canto
do mundo ao outro. Portanto, esta letra, ela mesma, significa tóv, a saber, o bom
que é uma iluminação brilhante em completa perfeição".
Até o falar da palavra tóv traz o verdadeiro e infinito "bom".
Não existem relações de valores numéricos com a palavra "bom" nas línguas
profanas, mas na lashón kódesh, a guemátria de tóv é o mispar katán de Hashém
[O mispar katán é um dos métodos para guemátria. Aqui, cada letra é reduzida à
figura de um único dígito. Por exemplo, normalmente a letra alef é igual a 1, yud é
igual a 10, e o kuf é igual a 100. No entanto, através desta redução matemática,
todas estas letras teriam o valor de 1. Ou, bet é igual a 2, kaf é igual a 20, e o
rêish é igual a 200, que quando reduzidos têm o valor numérico de 2, e assim por
diante. Isto faz com que as letras em Hebraico tenham somente 9 equivalências, ao
contrário de 22 (o número total de letras do alfabeto Hebraico). No exemplo da
palavra em Hebraico Hashém ("D-us"), vemos que ela é escrita com as letras yud
(10), hei (5), vav (6), e hei (5), um total de 26. O mispar katán de 26 é 8, pois o
20 é reduzido a 2, mais o 6, é igual a 8. A palavra tóv tem guemátria 17. O seu
mispar katán é também 8, pois o 10 é reduzido a 1, mais o 7, temos 8.], e assim
como está escrito, Kirvát Elokim li tóv, "Na proximidade do Eterno está o bom".
E o que se pode dizer sobre o suposto "bom" sem D-us?
Nada.
Entretanto, a sociedade ultrassecular abunda com máscaras para a condição
patética de confusão espiritual que aflige a humanidade.
E as pessoas, em sua grande maioria, ao invés de buscarem a introspecção para
tomarem consciência de seu estado espiritual que carece de retificação, ao
contrário, persistem em se ligar a novos disfarces — nas maneiras inusitadas de
garantir a total perda de tempo e rebaixamento espiritual.
A esmo, elas se entregam de distração a distração, de festa a festa, de falas fúteis
às falas fúteis, de queda moral a queda moral, caindo em um engodo da sítra áchra
após outro, como um coitado que está literalmente se "afogando", mas que
consegue apenas emergir da água e respirar um mínimo para mal se manter vivo,
somente então para se afogar novamente.
E tudo isso para evitar a introspecção e o arriscar de crescer na sua fé em D-us, o
que significaria ao menos o início do reconhecimento do seu intenso vazio
existencial.
Isto é assim mesmo se eles são expostos às infinitas provas e intensas belezas das
palavras da Torá e dos sábios, das conexões extraordinárias.
Mas o efeito é praticamente nulo, e em prol do que eles resistem?
Do ordinário, dos limites evidentes no entendimento da realidade, e da estagnação.
Para estes que desdenham o emular das virtudes de D-us e o Seu caminho de
retidão, a mêssach se mantém completamente fechada — e saiba que é
verdadeiramente 'impossível' levantá-la sem que o indivíduo se submeta à
kedusha.
Entretanto, não disse o próprio tsadik, o Rébe de Peasêtzna que, "Talvez D-us já
tenha rejeitado a minha alma e a banido para longe de Sua Presença. Não existe
nada para eu fazer salvo gritar para Ele: 'D-us! Me salva por que eu estou
'afogando"'?

É preciso contar uma história para explicar isso, que, aliás, trata da lembrança da
ligação com a luz Divina.
Certo dia quando viajava em uma região desconhecida, o mestre Chassídico, o
R' Naftali de Ropshitz zt"l, se deparou com uma mansão magnificente em uma
enorme propriedade.
Um pobre trabalhador estava trabalhando na frente, no jardim da propriedade, e
R' Naftali o chamou: "Diga-me, para quem você trabalha?".
O homem simples respondeu: "Eu trabalho para o nobre conde desta região".
Este homem, de maneira polida e delicada perguntou ao grande mestre: "E você,
para quem você trabalha?".
R' Naftali deu uma resposta estranha: "Eu gostaria de contratar o senhor para que
trabalhasse para mim".
O pobre trabalhador ficou um pouco surpreso, e ele perguntou: "Mas o que eu faria
para o senhor?".
Assim, R' Naftali respondeu: "Todos os dias, o senhor me perguntaria a mesma
questão: 'Para quem eu trabalho?'. E isso seria um grande serviço"— R' Naftali se
referia a D-us.

Veja bem, mesmo para um tsadik perfeito, como ele ainda vive em um corpo neste
mundo, pode existir algum aspecto ainda que ínfimo e diminuto que seja, que não
o permita estar em plena e constante consciência da presença do Eterno.
Então, como existe a possibilidade que mesmo por um único instante, vez por
outra, um justo perfeito como o R' Naftali, e igualmente o Rébe de Peasêtzna,
assim como outros tsadikim pudessem estar sendo bloqueados do contato com a
Ein Ayin Sóf neste mundo devido a algum ponto escuro, pois afinal Ki adam êin
tsadik ba'aretz ashér yaasê tóv veló yecheta, "Não há sobre a terra alguém tão
correto que só faça o bem e não peque jamais'', então é preciso ser lembrado o
tempo todo quem é o Ribono Shel Olam ("Mestre do Universo"), que dá a vida e a
tudo sustenta em sua infinita misericórdia, amém ve'amém selah.

Escreveu o R' Kaldnymus Kálman Shapira:


"Se você já tentou tudo sem sucesso, se você tentou despertar sua alma com todos
os seus meios, mas ela não foi despertada para você viver a vida consciente que
deveria e assim desejar uma vida espiritual apropriada, isto é o que você deve
fazer: Conceba você mesmo como a pessoa espiritual ideal que você realmente é.
Apenas imagine a grandeza da sua alma... veja como sua alma brilha no jardim de
D-us, no Éden, e como Ele deleita da sua companhia junto com todo o Seu santo
cortejo... Medite profundamente nestas imagens... Segure estas imagens com os
olhos de sua mente... Inevitavelmente, você será despertado a um grau mais
elevado de consciência... Você não quer manchar a sua alma... Saboreie o estado
de extrema felicidade do abraçar do grande Criador enquanto você deseja
fortemente realizar isto, das profundezas de sua alma..”.

Por: Avraham Chachamovits


Cuidado – Sua alma pode estar em Perigo – Apêndice 1

Retificando Fagulhas

O Ari”zal, o mestre maior da Cabalá explica que, antes da Criação, da realidade que
vivemos, houve uma forma de Criação chamada de Tôhu ("Caos"), assim aludido
no Gênesis 1:2.
Esta forma também é chamada de Nikudim ("Pontos").
O Midrash explica que o Olam HaTôhu ("Mundo do Caos") foi criado para ser
destruído e foi destruído para ser recriado.
O primeiro mundo a ser formado após o tsimtsum foi Adam Kadmon (ou A. K).
Alguma luz de A. K. foi projetada para fora, por assim dizer, através de vários
canais chamados de einayim, ozen, chotem, e peh (literalmente, "olhos, ouvidos,
nariz, e boca").
Estes termos são metafóricos somente, e significam meramente os níveis de luz e
estágios de desenvolvimento dos recipientes que emergiram de Adam Kadmon.
A luz espiritual que emergiu dos olhos de A. K formou a luz e os recipientes das
sefirót do mundo de Tôhu.
Em Akudim — o nível espiritual que precedeu Tôhu/Nikudim — as luzes de todas as
dez sefirót eram contidas em um Único recipiente.
Em Tôhu as luzes das dez sefirót eram contidas em dez recipientes individuais.
Estes recipientes sefiróticos foram emanados como nikudim, ou "pontos" de
qualidades espirituais absolutas, não contendo quaisquer misturas de outras
qualidades espirituais.
Isto significou que, por exemplo, a sefirá de chésed era absolutamente chésed, não
sendo esta "temperada" pela sefirá de guevurá, que é a sefirá de qualidade
absolutamente oposta, e vice-versa.
Esta ausência de inter inclusão de uma qualidade em outra (que caracteriza a
essência da 'imaturidade' na realidade) e o alinhamento sefirótico que neste estágio
era de uma única coluna, não permitiu com que as sefirót do Olam HaTôhu
funcionassem em uníssono.
Assim, elas não conseguiram conter as luzes espirituais extremamente poderosas
de Tohu.
Isto resultou em um evento espiritual dramático chamado de Shevirát HaKêlim
("Quebra dos Recipientes" sefiróticos).

Os recipientes das sefirót inferiores de Tohu quebraram, por assim dizer, em R’pach
[Escrito com as respectivas guematriót, rêish (200), peh (80), e chét (8).] Nitsutsin
(Aramaico para "288 fagulhas" santas).
Estas caíram de sua grandeza espiritual originando, em outro estágio, os próprios
mundos inferiores.
Estas fagulhas se subdividiram e se tornarem "incrustadas" na Criação, e assim,
nas klipót.
Em resumo o Olam Ha Tohu era instável, ou merachéfet.
De fato, esta palavra compreende outras duas palavras que resumem o Shevirát
HaKêlim: “r’pach” e “met” (literalmente, "morreram"), e assim, se rompendo nas
288 fagulhas de santidade que "caíram" (met).

Agora, em um estágio posterior, durante o ato da Criação que originou o Olam


HaTikun ("Mundo da Retificação"), um resíduo das luzes de Tohu permaneceu
ligado aos recipientes quebrados de Tohu, os quais foram "absorvidos" nos Arba'ah
Olamót ("Quatro Mundos") de Atsilut, Beriyah, Yetsirah, e Asiyah (correspondendo
a este mundo físico [De fato, Adam Kadmon é o mundo que abarca todos os níveis
da criação, atingindo mesmo os níveis mais inferiores do mundo mais baixo, o
mundo de Asiyah, e mesmo o elemento mais baixo neste mundo que é o Elemento
da Terra dentro dele. Isto está de acordo com a lei espiritual que afirma: "O fim
[Asiyah] é embutido no início [A. K.] e o início [A. K.] é embutido no fim [Asiyah]"
(Sêfer Yetsirah 1:7).]).
Em sua "descida" espiritual, estes resíduos espirituais foram primeiramente
absorvidos no Olam HaAtsilut ("Mundo da Emanação"), o grau mais elevado e
perfeito de Tikun, tendo grande proximidade com a Ór Eyin Sóf ("Luz Infinita"),
mas sem a união e identificação como em Adam Kadmon.
Enfim, aspectos destes resquícios que não puderam ser absorvidos no Olam
HaAtsilut caíram ainda mais baixo, agora para o Olam HaBeriyah.
E o processo se repetiu até que a descida destes resíduos espirituais chegasse ao
Olam HaAsiyah.
Subsequentemente, os resíduos que não puderam ser absorvidos nos domínios da
santidade se tornaram a própria vitalidade dos domínios da impureza, chamados de
"as klipót impuras".

O Ari "zal ensinou que é a obrigação do homem elevar as Nitsutsin Kedusha


("Fagulhas Santas") do seu estado "caído".
Este processo vital de extração e liberação das fagulhas é chamado de Birúr,
significando "clarificação".
Este processo é parte do plano Divino e processo cósmico maior chamado de Tikun,
significando retificação ou restauração dos recipientes sefiróticos quebrados.
A consequência do Tikun é a restauração da ordem cósmica apropriada.
Mais ainda, quando as nitsutsin são extraídas das klipót e são reconstruídas em
recipientes de Tikun, as luzes que anteriormente iluminaram as sefirót de Tohu (e
que foram intensas demais para os recipientes imaturos) podem novamente ser
trazidos para estes recipientes sefiróticos retificados, que agora são capazes de
conter a luz.
Apesar de que teoricamente, todas as fagulhas de Tohu precisam ser extraídas das
klipót e absorvidas novamente na santidade, em termos práticos isto não pode ser
feito normalmente.
As klipót são divididas em duas categorias: klipát nogah e as três klipót
completamente impuras.
A klipát nogah é um nível intermediário entre a santidade e a impureza, e as
fagulhas que lá caíram podem ser extraídas através do cumprimento apropriado
das mitsvót.
A maioria das mitsvót requer o uso de objetos físicos, de vitalidade originária na
klipát nogah.
Alguns exemplos destes objetos são: a lã da ovelha que é usada para o cumprir da
mitsvá de tsitsit, o couro da vaca que é usado para o pergaminho no qual os rolos
da Torá, os tefilin e as mezuzót são escritas, e o limão da Calábria bem como o
ramo de palmeira usados na mitsvá de etro'g e luiáv na festa santa de Sucót.
O Ari"zal ensinou também que, o grau na santidade que as nitsutsin são elevadas
através do birúr dependem das kavanót ("intenções místicas", no singular, kavana)
da pessoa.
Quando ela cumpre uma mitsvá (e durante a meditação mística na tefilá, "oração"),
a vitalidade do objeto, e de fato do seu próprio corpo (que deriva também da klipát
nogah) é elevada à santidade.
Entretanto, as fagulhas que caíram nas três klipót impuras ascendem somente se a
pessoa que se envolveu com estas klipót (pecando) faz teshuvá (se arrependendo)
ao ponto que "a sua transgressão deliberada é transformada em mérito".
E ainda assim, a purificação final da vitalidade presa nas três klipót somente
ocorrerá no futuro, assim como D-us afirmou que este será o tempo "quando todo
o espírito de impureza será expurgado do mundo", e todas as fagulhas caídas serão
restauradas à santidade.
Que isso seja assim em breve, amém.

Fim
Cuidado – Sua alma pode estar em Perigo – Apêndice 2

Desenvolvendo a consciência fetal

No início desta porção [Parashá Vaet'chanán] da Tora, Moshe ("Moisés") orou


intensamente para Hashém, uma vez mais implorando que a ele fosse permitido
entrar na Terra de Israel.
No entanto, "O Eterno irou-Se contra mim por vossa causa e não me escutou, e o
Eterno me disse: 'Basta! Não tornes a falar-Me mais nisto"'.
A palavra em Hebraico usada aqui para "irou-Se", yitabêr, é incomum, e é
etimologicamente derivada da palavra para "gravidez", ibúr.
Esta é a base da interpretação mística do Ari"zal sobre este verso.

Como é sabido, Ze'ir Anpin é desenvolvido através de três estágios de


consciência: fetal [ibúr], lactente [yeníka], e maduro [gadlút].
De modo semelhante, cada alma se desenvolve através destes estados de
consciência.

Sob o aspecto da nutrição, o desenvolvimento humano passa por três estágios.


No primeiro, o embrião/feto se nutre diretamente do útero da mãe.
Mais tarde, quando ainda um lactente, o bebê recebe nutrição da mãe, mas através
do seu próprio movimento participativo.
Depois, quando desmamado, a criança se alimenta sozinha.
Analogamente, o acesso à consciência se dá em três estágios.
No início, este processo ocorre atrelado à dimensão física do embrião/feto.
Ou seja, a alma funciona literalmente em um estado fetal de consciência.
Quando no estágio lactente, a alma também progride e funciona de modo mais
elevado.
Depois do desmamar, a alma atinge a consciência madura.
Mas, mesmo nas várias fases posteriores de crescimento da pessoa durante a sua
vida, ela passa por estes três estágios novamente.

Na medida em que ela amadurece, a resposta emocional da criança reflete


uma compreensão muito mais profunda e ampla._

Toda a Torá foi outorgada por uma única razão.


E deste mesmo modo, a sabedoria da Cabalá foi revelada também por uma única
razão.
Esta razão tão especial e única é a realização da união espiritual entre o Sagrado,
abençoado seja Ele, e a Sua Shechiná ("Presença Divina").
Isto é o mesmo que unir os partsufim de Ze'ir Anpin e Nukva d' Ze'ir Anpin [Nas
"intenções" (kavanót) cabalísticas, a união de Ze'ir Anpin e Nukva d'Ze'ir Anpin é
referida como a união do “Kudshá berich Hu uSh'chintêh”, "o Sagrado, abençoado
seja Ele, e Sua Shechiná". Todas as ora ("luzes"), olamót ("mundos"), e partsufim
("personalidades"), da própria essência de D-us (Atsmut) até Ze'ir Anpin,
encontram o seu ponto de perfeita convergência no partsuf de Ze'ir Anpin. É por
esta razão que Z.A. pode ser referida como o "o Sagrado, abençoado seja Ele". De
modo semelhante, toda a luz Divina que brilha nos mundos inferiores é concentrada
no partsuf de Nukva d'Ze'ir Anpin, "Sua Presença Divina". A união (zivug/yichud) de
Ze'ir Anpin e Nukva d'Z.A. é, portanto, o ponto de encontro final e união entre D-us
e a Criação.], o que é o mesmo que unir as sefirót de Tiféret e Makhut.

Estas metáforas podem ser entendidas de outra maneira: a razão para a Torá,
portanto a Cabalá, é a necessidade de retificação da personalidade e caráter, para
que todos possamos viver vidas santificadas e retas, como seres humanos criados à
imagem de nosso Criador Divino.
O Sagrado, abençoado seja Ele, Ze'ir Anpin e Tiféret são três metáforas que se
referem as seis sefirót que em Cabalá são chamadas de midót ("atributos
emocionais"), ou seja, a personalidade da pessoa.
A Shechiná, Nukva e Malchut são metáforas para o mundo físico, incluindo o corpo.
Portanto, o segredo da unificação é o manifestar do alinhamento apropriado do
caráter (midót) em nossas vidas e no mundo (Malchui).
Esta é a mensagem mais sublime e avançada da Torá e do estudo da Cabalá.
E de fato, quando alcançarmos o refinamento e retificação de caráter, uma tarefa
extraordinária, a Redenção do mundo iniciará.
Dito isso e de modo mais particular, Ze'ir Anpin (Z. A.) compreende as midót (de
chésed até yesod).
O desenvolvimento deste partsuf ("agrupamento sefirótico") é vital, pois o
crescimento espiritual do indivíduo é medido pela natureza/qualidade da relação
entre seu intelecto e emoções.
Esta qualidade é o estado/grau de retificação (espiritual) da pessoa.
Quando o intelecto é imaturo, não existem emoções que expressem o intelecto de
modo equilibrado/retificado.
No primeiro estágio do desenvolvimento da consciência chamado de "consciência
fetal" (quando as ideias são concebidas e desenvolvidas, mas não existe revelação
emocional), as emoções existem apenas em potencial, e o intelecto pode ser dito
como estando "grávido" das emoções.
No estágio seguinte de amadurecimento da consciência, as ideias concebidas dão
origem às emoções, mas elas ainda não são retificadas, pois 'cada uma destas
expressões emocionais busca total domínio, sem permitir o inter incluir de qualquer
outra emoção'.
Isto estabelece um sistema intelecto/emocional caótico, imaturo, portanto não
retificado, exatamente como no "modelo" da realidade do Olam HaTohu.
É por esta razão que quando uma criança deseja algo, a força do seu querer é tão
intensa que não é possível mitigá-la.
Ou, se ela teme algo, a força do seu medo/repulsa também não pode ser mitigada.
Assim, ainda que este estágio de "consciência lactente" seja mais maduro do que o
anterior, da "consciência fetal", pois o intelecto se expressa agora através das
emoções, a expressão é imatura, portanto não retificada.
Por fim, amadurecer significa perceber as coisas com amplitude na avaliação das
consequências e impactos, com riqueza do contexto, e acima de tudo, agir com
yasharút ("retidão").
Para o reto, todos "os caminhos tortos serão alinhados e os rugosos, nivelados" e
assim, amadurecidos.
E este terceiro estado de desenvolvimento mental/espiritual, da "consciência
madura", reflete emocionalmente a profundidade de avaliações do indivíduo.

Agora, D-us abençoa o líder de cada geração com sabedoria concomitante


com o refinamento coletivo da geração (Talmud, Arachin 17a).
Portanto, quando Israel pecou no incidente do Bezerro de Ouro, eles
causaram com que o seu líder, Moshe, regredisse à consciência fetal e
perdesse quaisquer "luzes" que ele tinha alcançado até então.
Ele ficou sem a sua consciência lactente e madura, e foi deixado somente
com a sua consciência fetal.

O recebimento da Torá no Monte Sinai resultou na volta ao Éden, portanto em uma


existência não mais limitada pelo espirito da morte.
Entretanto, o pecado do bezerro significou o abandono deste estado Edênico.
O ídolo de ouro veio para substituir Moshe, o lider de Israel que deveria ter sido o
Mashiach.
A Cabalá explica [O R' Ginsburgh ensina que, todos os pecados arquétipos da Torá
foram causados pela falta de paciência: "Com a paciência vem a habilidade de
transcender o caráter mortal da pessoa e cumprir o mandamento de emular a D-us,
pois 'Assim como Ele é misericordioso, seja você misericordioso... Assim como Ele é
infinitamente paciente, seja você infinitamente paciente' [Talmud, Shabat 133b]. E
este era o temperamento de Moshe, assim como é dito: 'E o homem Moshe era
muito humilde' [Números 12:3]. E Ráshi explica isso como sendo 'modesto e
paciente'.] que isto foi causado pela falta de paciência em esperar que Moshe
descesse a montanha.
Este pecado revelou uma profunda falha na maneira em que o Povo de Israel
entendia a realidade.
O preferir de um "deus" estranho e concreto ao invés do D-us Onipotente,
Onipresente, e Onisciente, revelou uma mentalidade imperfeita sobre o Todo
Poderoso D-us de Israel, e de fato, sobre tudo que é espiritual.
Isso veio somente mostrar os resquícios de uma vida forçada no meio abominável
que foi o intenso cativeiro no Egito idólatra, e assim, eles não estavam prontos para
receber Hashem.
Agora, no grau mental, o resultado deste mais grave dos erros, desta perda de
uma oportunidade singular foi a regressão da consciência a um estágio pré-natal/
embrionário.
O resultado se deve à natureza da retificação que precisaria ocorrer, pois somente
o "reinicio" da consciência do Povo permitiria sua revitalização.
De fato, mesmo Moshe sofreu também desta regressão.
Mais ainda, nossos Sábios, afirmam que este pecado de Israel foi o arquétipo de
um pecado público, e deste modo, também é seu resultado de regressão (pública).
A idolatria é a base de todos os pecados, pois é uma afronta direta a D-us.
Disso vemos que, absolutamente 'todas' as transgressões às leis de D-us têm
origem na idolatria, uma vez que implicam em uma falha na compreensão
intrínseca sobre a Sabedoria Divina e os Seus desejos.
Segue que, todos os pecados necessariamente causam separação com D-us e a
regressão de consciência.
Mesmo que algumas transgressões sejam mais diretamente associadas a este
efeito regressivo — tal como a raiva — de modo geral, todas implicam neste
mesmo resultado.
É por esta razão que quanto mais distante da Torá menos entendimento/iluminação
a pessoa tem — ela se mantém espiritualmente regredida, e assim, aquém de seu
potencial e humanidade plena.

Agora, Ze'ir Anpin passa o seu período fetal no útero de Ima (que é Biná)...
E Moshe regrediu e re-entrou, ou seja, re-impregnou-se em Ima...
O Nome Havayah neste verso denota o partsuf de Ima.
Este é o significado místico da frase, “O Eterno irou-Se contra mim".

Assim, esta frase pode ser lida: "O partsuf de Ima [expresso pelo Nome Havayah,
ou seja, D-us] se tornou grávido [novamente] comigo".
Normalmente, todos os partsufim de um estado katnút ("constrição") desejam
entrar em gadlút ("expansão"), como é sabido pelos iniciados.
Em um outro nível, esta lei espiritual significa que toda a consciência superior de
um estado inferior almeja elevação para um grau de consciência superior.
E toda inconsciência superior, desce para estados inferiores.
A regressão da consciência (Ze'ir Anpin), causada pelas transgressões da Torá
implica na "re-absorção" mental (a um nível de 'inconsciência superior', Bina), o
que contraria o desenvolvimento natural da consciência.
Quando um nível de consciência "rescinde", todo o processo de iluminação até o
estágio atual precisará ocorrer novamente.
Esta é a ideia de uma re-impregnação/ gestação espiritual das luzes do séchel
("intelecto").
Em tempo, estas luzes (em Cabalá, mochim) poderão "descer" e assim se
manifestar na consciência.
Entretanto, assim como no reflexo físico, esta nova gestação poderá ter vários
"percalços", podendo dificultar o re-nascimento dos estágios posteriores da
consciência (que foram perdidos).
De fato, o Zohar afirma que através da raiva, a pessoa, mesmo sendo um talmid
chacham ("sábio da Torá"), pode perder a sua sabedoria da Torá e não mais
recuperá-la, salvo "através de grande esforço para se santificar novamente e trazer
esta santidade desenraizada de volta a ela".

Isto ocorreu "por vossa causa”, pois, como dissemos, assim como os
pecados da geração causam o partsuf de Ze'ir Anpin de retornar ao útero
de Ima, também eles causam isto de ocorrer com os líderes da geração.
[Existem muitas outras considerações sobre este assunto, mas que fogem ao
escopo do comentário. Por exemplo, quando os justos falecem, eles servem como
canais de influência Divina e beneficência para os seguidores que eles tinham
enquanto vivos. No caso do líder de uma geração, a influência do seu pós vida se
estende para toda a geração.]

Portanto, as transgressões das leis espirituais afetam não somente a pessoa e os


seus, mas até mesmo os justos da geração.
Aqui temos o assunto de responsabilidade espiritual.
Em suma, "o julgamento que uma pessoa faz, ao se degenerar se torna a raiva — o
'egotismo inconformado' que somente uma pessoa sem temor a D-us e que
portanto, não compreende que tudo que existe é Seu Desejo, jamais ousaria a ter.
[De fato, mesmo diante de qualquer adversidade, a pessoa precisa reconhecer que
“Gám zu tová ['Tudo é para o bem']"]
Quando a pessoa age como um 'julgador' (i.e., como um tribunal) em excesso, o
julgamento degenera em raiva, ou seja, a raiva se origina espiritualmente na
severidade do julgamento Divino, quando este é pervertido no grau humano. De
fato, explica a Cabalá que a 'raiva deriva de dois Nomes, Ad-ni e Elokim, os quais
significam os dois tipos de tribunais: leniente e severo.
Quando esses dois Nomes são combinados, a raiva se manifesta.
Isso ocorre pois o Nome Ad-ni (de guemátria 65) é o Nome associado à sefirá de
Malchut (que representa este mundo aqui), e Elokim (de guemátria 86) é o Nome
associado à sefirá de Guevurá, ao Julgamento severo.
E a combinação destes nomes tem guemátria 151.
A severidade que é infligida neste mundo traz o ka'as ['raiva', de guemátria 151,
150 mais 1 do kolel, ou seja, pela própria palavra].
No entanto, o julgamento não é intrinsecamente negativo, mas depende sim da
capacidade da pessoa de temperá-lo com a misericórdia' e a compreensão do bem
e do mal sobre quem está sendo julgado.
Quando a pessoa perde a sua consciência, ou seja, a sua capacidade de
discernimento e sua benevolência, ela se separa do Criador, mancha sua alma em
um ato de profunda idolatria através da degeneração de sua consciência que a une
com Hashém; além disso, sua raiva leva ao pecar subsequente, pois ela se liga
agora com a sítra áchra.

Fim
Cuidado – Sua alma pode estar em Perigo – Apêndice 3

Poderes psíquicos profanos

Existem muitos relatos sobre o assunto do 'campo energético do corpo', assim


como entendido pela sabedoria das Nações.
Interessa-me elevar estes assuntos através da Torá.
Um tema em particular que me atentei foi o da (suposta) cura de um órgão
adoentado através do 'ordenar mental deste órgão a se curar'.
Aparentemente, isto pareceria ser possível devido à difusão de toda a alma para
cada órgão do corpo (mesmo tendo ela uma preponderância no cérebro).
Portanto, poder-se-ia pensar que cada órgão teria algo da "inteligência" da alma,
assim ativada quando no recebimento particular desta difusão etc.
No entanto, o modo de difusão da alma é outro inteiramente, como será explicado
com a ajuda do Céu.

O grande comentarista do Talmud, o Maharsha, cita Berachót 10b, onde é trazido


que existiu um Sefer Refuah ("Livro da Cura") que o justo rei Chizkiyáhu escondeu.
A explicação disso foi que naquele tempo, o povo estava confiante demais neste
Sêfer Refuah, o que causou com que eles parassem de rezar para Hashém — uma
vez que eles se esqueceram que é Ele quem, em Ultima instância, provê todas as
curas.
Entretanto, os segredos das refuót ("curas") permaneceram com os tsadikim que os
revelaram somente para indivíduos virtuosos.
E do mesmo modo são também aqueles crentes no poder psíquico de cura de
certos indivíduos ou até em si mesmo.
Eles negam que é Hashém que traz a cura, e assim transgridem a Torá, pois
comentem avodah zarah ("idolatria").
O estágio inicial desta avodah zarah é a crença no autopoder psíquico de cura do
corpo, o qual eu explicarei como sendo uma ilusão.
Isto é assim, pois a não ser que a pessoa tenha uma conexão psíquica com o Céu,
um assunto estritamente de kedusha ("santidade"), ela é absolutamente incapaz de
receber a Tora Viva, que poderia efetivar alterações físico-espirituais.
A única alternativa é que tudo então que ela se liga e faz flui a ela das câmaras da
sítra achra

Primeiro, o Álter Rébe explica que a difusão de luz da alma ocorre simultaneamente
em todos os órgãos.
E que, "cada órgão recebe da neshama [‘alma'] uma forma diferente de força vital
e poder funcional apropriado para ele de acordo com a composição e caráter de
cada órgão".
Isto significa que cada órgão traz da alma para si a sua habilidade específica.
Isto tem implicações importantes, pois deste modo, a força da alma, que é a
consciência e intelecto da pessoa, também é recebida em cada órgão, pois afinal
cada habilidade representa um elemento de uma função individual inteligível e
verdadeiramente aplicável para o corpo.
Assim, explica o Álter Rébe, "o olho recebe da alma a força-vital e habilidade para
ver; o poder da visão de acordo com a natureza lisa e translúcida do tecido do olho.
O ouvido recebe da alma a força-vital e habilidade para ouvir, a boca para falar, e
os pés para caminhar".
Mais ainda e muito pertinente às estas minhas considerações, o Álter Rébe explica
que, "vemos claramente como no cérebro, um indivíduo é consciente de tudo o que
ocorre nos 248 órgãos e tudo o que é vivenciado por eles, pois o cérebro é o centro
nervoso e residência principal e origem da força-vital de todo o corpo".
Pensar-se-ia que, sendo um consciente em algum nível de tudo o que ocorre em
todos os órgãos, então 'ordená-los' a algo específico e de sua "compreensão"
natural, ou seja, que resolvesse na sua atuação "corrigida" (no caso de uma doença
que estivesse debilitando suas funções naturais) seria bastante razoável.
O Rébe comenta este Tânya, reconhecendo claramente a herança e "inteligência"
que os órgãos recebem da alma, a saber, "que a despeito da essência prístina e
não composta da alma, nela é incluída de forma potencial todos os poderes dos
vários órgãos, e são estas faculdades as quais cada órgão individual recebe...
Assim, o poder de ver ou ouvir não se origina somente quando a força-vital se
torna investida no olho ou ouvido; este poder já existe em potencial dentro da
força-vital abrangente emanando da alma, apesar de que ainda não é revelada".
No entanto, o Álter Rébe deixa muito claro que, "a variação no recebimento pela
alma dos poderes funcionais e força-vital dos órgãos do corpo... não deriva da
essência e ser da alma, ao ponto que diríamos que seu ser e essência é dividida em
248 partes distintas, as quais são investidas em 248 locais, de acordo com o
desenho das várias localizações dos órgãos do corpo".
Se isso fosse o caso, então seria dito sobre a alma que dentro dela já existe
revelado e diferenciado os vários poderes funcionais — da visão, audição, etc. — e
que estes 248 poderes os quais existiriam então na alma são investidos dentro dos
248 órgãos do corpo, cada um em sua localidade apropriada.
Isso não pode ser aceito, pois "de acordo com esta ideia, segue que, a essência e
ser da alma é então desenhada em um desenho físico, a saber, em um desenho e
semelhança de estrutura à estrutura do corpo, chaz ve'shalom [que D-us não
permita]".
A alma, resumindo o que segue do Tânya, é um entidade espiritual única e
singular, simples e sem composição alguma.
Ela não possui qualquer desenho que a limita em termos físicos de espaço, medida,
ou qualquer limitação.
Isto é assim devido a sua natureza intrínseca.
Portanto, mesmo seu investimento nos órgãos não modifica de modo algum a alma.
O Álter Rébe afirma que, "E não é válido dizer, sobre a essência e ser da alma que
ela está no cérebro na cabeça mais do que nos pés, uma vez que o seu ser e
essência não é sujeito ao conceito de dimensão e limitação espacial. Mas sim, 613
tipos de poderes funcionais e forças-vitais são incluídos dentro da alma, dentro do
seu ser e essência, para se tornarem realizados e para emergir de sua ocultação e
inclusão dentro da alma".

Aqui se trata do assunto de revelação destes poderes existentes em potencial e


assim, ocultos na essência da alma.
Portanto, dentro da alma está oculto um potencial para 613 poderes funcionais, a
serem revelados.
E sobre estes poderes funcionais, na medida em que eles são "trazidos" e revelados
da alma no corpo, então se afirma sim que o local principal no qual eles são
trazidos e onde eles são de fato revelados é no cérebro (como já afirmado).
É de lá, no cérebro, que os ditos poderes se difundem para todos os órgãos do
corpo.
Mas a essência da alma existe igualmente no pé (o local mais baixo do corpo) tanto
como no cérebro (o local mais alto do corpo).
Também é preciso entender, de acordo com este Tânya, que não somente o
cérebro recebe a sua própria força-vital antes dos outros órgãos, mas o fluxo de
todos os raios de vitalidade para os órgãos é primeiro investido no cérebro, antes
que se tornem revelados para os órgãos individuais.
Em outras palavras: em qual momento o poder da visão (por exemplo) vem a
existir, e se encontra pronto a ser revelado no olho, ou o poder da audição nos
ouvidos? Somente após a força-vital geral de todo o corpo é trazida para o cérebro
de uma maneira geral, então e somente assim, a "irradiação" é trazida de lá para
cada órgão, uma irradiação que já é constituída de acordo com o caráter particular
de cada órgão individual.
Até aqui o Tanya.
Tudo isso que foi dito implica evidentemente na verdade que, o cérebro, ainda que
o receptor e agente de difusão principal do corpo para os poderes e forças-vitais
dos órgãos, assim o faz graças somente ao investimento da alma e não, pois "ele",
por assim dizer, a ordena a este investimento.
Afinal o cérebro também é um recipiente da alma como todo e qualquer órgão.
Deste modo, ainda que um recipiente adequado e com um aspecto de difusor
também, Hashém assim fez com que tudo isso que foi falado ocorresse a despeito
da intenção do homem.
Este é o desenho que permite a integração entre alma e corpo, algo completamente
além do poder de volição do homem.
A meu ver, usar de uma 'vestimenta' da alma, do pensamento, para atuar em um
órgão específico é querer afirmar que, a essência e ser que é a alma, e os levushim
("vestimentas"), são idênticas em função e natureza.
Como é sabido, os levushim permitem à alma de se expressar na realidade do
mundo de várias maneiras, e o nível dos levushim é ainda mais elevado do que da
própria alma.
Ou seja, as vestimentas da alma permitem que a alma se expresse, seja em
pensamentos, fala, e ação, e não que estas vestimentas atuem na essência da
alma, de modo que esta expresse a essência dos levushim.
Se fosse assim, o levush do pensamento poderia assim "forçar" um revitalizar do
órgão do corpo que esteja danificado através do reinvestimento de seu poder
particular (que deveria vivificá-lo), que afinal provém da alma que estaria sendo
afetada pelo levush.
Para isso, bastaria a pessoa 'pensar' no órgão, o que é a proposição que deu
origem a este shiúr ("aula").
Isto é incoerente, até por que, por desenho Divino, nenhum aperfeiçoamento é
necessário na alma santa, como ensina o Ari"zal. E se estas 'vestimentas da alma'
pudessem atuar na essência e ser da alma, ela então se modificaria,
chazve'shalom.
Existe ainda outros argumentos que negam a ideia da sabedoria inferior das Nações
sobre a cura de órgãos através do pensamento.

Segundo, como já explicado e de acordo com a Cabala, "A porção da neshama


reside no cérebro. É o intelecto que reina sobre todas as partes da alma. Para
compreender isso, saiba que antes que o desejo, o qual reside no coração, é
movido a fazer algo o qual deseja de fazer, este desejo sobe em pensamento
dentro do cérebro, o qual considera o que fazer. Depois que existe um acordo sobre
o que fazer dentro da mente que está no cérebro, então o pensamento é investido
no desejo que está no coração. Portanto, o pensamento é completado pelo desejo
no coração, o qual é o ruach... O ruach que está no coração é vestido em suas
próprias forças as quais se estendem da néfesh, o qual está no fígado, assim
agindo [i.e., sendo motivado] através delas. Deste modo, se completa a atividade
que foi pensada no cérebro, de acordo com o desejo o qual está em acordo com o
pensamento. Portanto, todos os níveis da alma são unidos em uma união completa.
A néfesh recebe do ruach no coração, o qual é o desejo. O desejo somente age em
acordo com o pensamento do cérebro. Eles somente agem em acordo com a
decisão do cérebro".

Aqui vemos um outro grau de influência possível entres os níveis da alma de uma
pessoa.
Este processo Divino não pode ser jamais corrompido, pois ele existe a despeito da
pessoa querer alterá-lo em qualquer maneira.
O que é possível sim é a retificação dos graus e níveis da alma.
Então, com a retificação, existe uma elevação/alteração nos comportamentos,
desejos, e pensamentos da pessoa.
Mas o fluxo não é alterado, pois somente os tsadikim não mais são influenciados
pelas vontades e desejos rebaixados (indicando assim, uma variação possível do
fluxo natural entre néfesh, ruach, e neshama).
Portanto, mesmo que se a pessoa desejasse influenciar o aspecto espiritual mais
baixo que vitaliza o corpo, a néfesh (e que é conhecida como a força-vital ou alma
vitalizadora) para que este atuasse de modo específico a vitalizar algum órgão
adoentado, o fato permanece que, 'naturalmente' (antes de uma vida dedicada às
retificações) é a néfesh que influencia o coração/ruach, e que por sua vez, este, em
suas vontades, ascende para a mente/neshama etc.
Isto não significa que na prática (e devido à néfesh estar no sangue) não exista
como redirecionar a força-vital que atua no corpo, curando bloqueios que possam
estar prevenindo sua atuação equilibrada. Por exemplo, a Osteopatia retifica o
corpo sem a intervenção de medicamentos, mas somente através das mãos do
médico em um processo de realinhamento do corpo para o seu estado natural ideal.
Alguns dos tratamentos médicos Osteopáticos, reconhecidamente eficazes, são a
acupuntura, moxabustão, e shiátsu.
No entanto, o redirecionar da néfesh/força-vital vem externamente — pela força
aplicada no corpo do paciente graças ao conhecimento do sistema muscular e
nervoso que o médico possui.
Ele assim atua com precisão nestes sistemas físicos podendo de maneira
'independente' (dos outros níveis da alma da pessoa), determinar os "caminhos"
específicos para o ajuste da força-vital do corpo sem ter que depender em absoluto
do processo e fluxo Divino da comunicação entre os vários graus da alma para este
equilíbrio.
Mas a pessoa, ela mesmo, não possui a capacidade de atuação no grau físico que a
medicina afirma ser possível somente com um tratamento administrado por um
médico, pois afinal, ela não tem o poder na mente desenvolvido o suficiente para
emular a pressão nos músculos e nervos (e assim, no sangue) aplicada pelas mãos
do médico.
Além disso, existe uma relação intrínseca, como já explicada, entre o tikun hamidót
("retificação do caráter") e os órgãos.

A Cabalá explica que, "as doenças relacionadas com um dos sistemas fisiológicos
que correspondem aos atributos emocionais da alma, em particular aqueles
relacionados com o sistema [nervoso, associado ao da'at/conhecimento e] muscular
[o que é associado com tiferet/beleza, o atributo central dentro das emoções]
seriam mais bem tratadas por estes métodos".
Segue que, através da retificação dos atributos emocionais da alma, ou seja, no
elevar dos desejos e sentimentos, a cura pode ser alcançada na correspondência
fisiológica destes atributos, a saber, nos órgãos.
Este processo de cura não "fere" o fluxo Divino explicado, uma vez que toda
retificação implica em um processo que afeta o homem por inteiro — suas ações,
sua fala, e seus pensamentos, que são as vestimentas da alma.
Assim é possível vermos órgãos sendo curados pela retificação emocional da
pessoa, um assunto ligado ao ruach (e não à néfesh), mas que é em última
instância, o produto da emunah ("fé") em Hashém, portanto associado ao grau da
neshama/intelecto (na medida em que a pessoa precisa 'pensar' para se retificar
emocionalmente).
Também vemos cura de órgãos pelos métodos externos de re-direcionamento de
energia da néfesh, além de outras possibilidades.
Mas a cura de órgãos através do controle da néfesh pelo pensamento não faz parte
destas possibilidades, e nem a cura das doenças nos outros sistemas fisiológicos
como o digestivo, do sangue, e do sistema respiratório permitem intrinsecamente a
cura através do controle da néfesh somente.

Terceiro, e de acordo com o Shlach HaKódesh, desde a queda de Adam, que 'seguiu
o desejo dos seus olhos' e por isso foi vestido na materialidade, "O homem vê o
que está diante dos seus olhos, mas Hashém olha dentro do coração”.
E o Shlach afirma: "E isto significa que, a espiritualidade somente permaneceu no
coração do homem, pois o coração ainda compreende. Este é o significado de
Hashém ‘olha dentro do coração', pois Ele não vê qualquer conhecimento de D-us
no corpo de uma pessoa, com exceção do órgão que é o coração... A única parte do
corpo que ainda compreende é o coração".
E por isso que a mudança de estado espiritual da pessoa depende do seu coração e
assim, da 'retificação dos atributos emocionais' que pertencem afinal ao domínio do
coração.
Pois somente através da mudança deste órgão que deve sim mudar, é que de fato
pode existir cura para o corpo e alma.
Somente através da teshuvá, do retorno espiritual à Torá, da retificação de caráter
de acordo com as leis de D-us, pode alguém alcançar verdadeira cura, pois "Eu sou
o S-nhor que te cura".

Quarto, aprendemos com a passagem do santo Zohar, que originalmente, as


vestimentas da alma de Adam eram sublimes — um corpo santo inclinado à
espiritualidade.
O Shlach HaKódesh explica que assim será também no futuro, quando "a terra será
preenchida pelo conhecimento [de D-us]", a saber, "Mesmo a materialidade do
corpo será inteiramente intelecto e conhecimento Divino, assim como foi para
Adam antes do pecado”.
Ou seja, a promessa que o corpo, e desta maneira, os órgãos terão "inteligência"
para agir de modo diferente de como atuam agora — inclusive recebendo
instruções de se curarem por vontade da própria pessoa — é algo não para os
tempos de hoje, mas sim da promessa da era Messiânica, e que venha muito cm
breve em nossos dias amém.

Fim
Cuidado – Sua alma pode estar em Perigo – Apêndice 4

Nachón Libí - "Diário espiritual"

Entradas: 19-20 de Siván, 5769 (11-12 de Junho, 2009)

Estive estudando sobre o tempo e sobre os assuntos dos Tákions. [Uma partícula
subatômica hipotética que viaja mais rápido do que a velocidade da luz.]
Durante meu estudo, pensei em uma passagem na Torá que tratava de uma
viagem do Bnei Israel que normalmente deveria levar 3 dias, mas que Hashém fez
durar um único dia através do milagre de Kefizat Haderech. [O "encurtamento do
caminho", quando viagens de grandes distâncias são realizadas em frações do
tempo normalmente necessário. Existem vários exemplos na Torá além do citado
neste texto: o Gênesis 14:14-15, o Rashi no Gênesis 24:42, o Targum Yonatan no
Gênesis 28:10, o Salmo 60:2, etc. Os grandes mestres cabalistas como o R' Eleazar
de Germiza zt"l, o Ari"zal, etc. conheciam bem como realizar estes saltos espaços-
temporais chamados na ciência de "dobras" no espaço.]
Eu não me recordei em qual parashá ("porção semanal") ou pasák ("verso") estava
esta referência da Torá.
Mas veja que ela afirma o milagre de Hashem que fez com que todo o povo fosse
teletransportado.
Enfim, continuei estudando e comecei a esboçar algumas ideias, ainda não
totalmente claras.

Veja bem, existe um conceito sobre os Tákions que afirma que a Teoria Especial da
Relatividade pode ser interpretada de uma maneira puramente perspectivista,
propondo assim explanar que existe algum estado de referência preferencial e
universal determinante a simultaneidade absoluta no tempo cósmico.
Se os Tákions existem, então eles seriam o meio pelo qual este estado de
referência não-convencional se tornaria preferencial.
Isto é assim, pois sinais superluminosos poderiam ser empregados no
estabelecimento de sincronia entre relógios em locais diferentes, o que
estabeleceria a simultaneidade absoluta no tempo.
A ideia da expansão do universo serve para estabelecer a existência de um relógio
cósmico e uma sequência temporal contínua de eventos até o ponto da
singularidade.
Assim, em um universo caracterizado pela existência de um tempo cósmico, a
relatividade é reduzida a um fenômeno local, uma vez que este tempo é
universalmente abrangente e independente do observador.
Alguns cientistas afirmam que existe sim um tempo cósmico o qual é determinante
para quais eventos são absolutamente passado, presente, ou ainda por ocorrer.
Mais ainda, a proposição de algum estado preferencial de referência não corrói a
Teoria Especial da Relatividade ou contraria sua evidência empírica.
A designação de alguma referência privilegiada usada no estabelecer da
simultaneidade absoluta entre eventos, portanto, a sua interpretação
perspectivista, de fato permite que o assunto dos Tákions se mantenha vivo, ainda
que as explicações e contradições sobre estas partículas superluminosas e assuntos
adjacentes se compliquem quando vistas pela física e matemática.
Mas a meu ver, existe algo nesta ideia de "referência privilegiada" que muito antes
da ciência já era conhecida e formulada em outra linguagem, pela própria Torá.
No "Código de Leis" Judaicas, o Alter Rébe escreve: "O tempo da meia-noite é
sempre calculado na mesma maneira no verão e inverno — 12 horas após o meio-
dia. Este é o verdadeiro ponto mediano da noite, e o tempo de favor Divino acima
de todos os tempos em todos os lugares. Apesar de que os dias e as noites variam
de acordo com os climas [ou seja, as várias latitudes] e as distâncias longitudinais
entre um país e outro, isto não muda o que foi dito acima".
Ou seja, não existe dificuldade na meia-noite ser o tempo de favor Divino ambos
em Nova Iorque e Jerusalém, mesmo considerando que existe uma diferença de 7
horas entre estes lugares.
Continua o Álter Rébe: "Isto é em semelhança aos tempos de recitação do Shemá e
Shemonê Ésre e os tempos do Shabat e os Yomím Tovím começam, os quais são
também calculados para cada país de acordo com os tempos do seu próprio dia e
noite. Pois o tempo do favor Divino em cima, e as Uniões Celestiais efetivadas pela
recitação do Shemá e Shemonê Ésre, e a santidade do Shabat e das festas, todas
transcendem os limites do espaço e tempo, apesar de que irradiam para baixo nos
domínios físicos para alcançar todo e cada local no tempo apropriado para este
favor".
Ou seja, a "referência privilegiada" é a própria kedusha, que ao "descer" para as
dimensões limitadas do espaço e tempo, permeia, por assim dizer, um lugar e
outro em tempos distintos, mas com o mesmo absoluto grau de santidade...
Após estas ideias preliminares fui estudar Torá.

No Chumash, exatamente na porção desta semana, Beha'alotechá, e na leitura de


hoje, quando no pasúk do Números (10:33), a Torá diz que: "O povo viajou 3 dias
etc.", e o Rashi afirma aqui que, "Hashém fez esta viagem durar apenas um único
dia para que o povo chegasse logo no seu destino".
Isto foi exatamente o que eu pensei durante todo o meu dia dedicado ao estudo
das possibilidades além do entendimento convencional sobre espaço e
tempo/matéria e energia.
Entretanto, eu não creio que a conexão mais importante sobre os Tákions seja a
que eu acabo de revelar, ainda que haja alguma correlação entre o tempo absoluto
e a kedusha.
Eu penso que o assunto sobre estas partículas tão exóticas explica como é possível
que 'entidades variadas' de outras dimensões (olamót) possam se conectar aos
seres humanos.
Sem entrar em detalhes técnicos os quais são muito difíceis, a "estranheza" destas
partículas — que se existirem, uma vez que são vistos pela ciência convencional
somente como uma possibilidade teórica de uma existência acima da velocidade da
luz — é que, na medida em que elas sofrem aceleração, elas perdem energia.
Portanto, Tákions que viajassem em uma velocidade infinita não teriam energia
alguma.
Pelo outro lado, quando energia é oferecida a um Tákión, ele se ‘desacelera'.
Assim, como explicam os cientistas, para poder desacelerar um Tákion até sua
velocidade mínina possível, uma infinita quantidade de energia seria necessária.
E por que isso é relevante?
Pois isto quer dizer que, se estes inúmeros habitantes (chamados de um modo
geral de malachiffi, "anjos") de outras dimensões mais elevadas — com as suas leis
naturais radicalmente diferentes das leis em nossa dimensão física — existem em
um estado elevado de energia 'acima da velocidade da luz', então para que eles
possam se conectar conosco, eles precisam necessariamente baixar a sua
velocidade/frequência ao mínimo possível para a nossa compreensão — uma
velocidade inferior a da luz.
Mas de acordo com a ciência, esta desaceleração somente seria possível com uma
fonte infinita de energia.
Verdadeiramente, existe uma fonte infinita de energia espiritual que a tudo
governa, a saber, o próprio Ribono Shel Olam (D-us, o Mestre do Universo) o
Criador de todas as forças da natureza regentes aqui e nos infinitos olamót.
Ele criou todos os seres tais como os anjos e entidades espirituais — todos
conscientes e com corpos de energia/plasma — e a 'maneira' que estes habitantes
celestiais possam também interagir com a nossa essência, a alma e assim, a nossa
mente.
E este processo de (possível, mas não absolutamente necessária) desaceleração
(pois afinal, a velocidade do pensamento é maior do que a da luz, podendo então
ser o caminho da comunicação angelical sem necessidade de desaceleração) é
descrito em vários seforim ("livros") de Cabalá — no Chésed L'Avraham do R'
Avraham Azulai zt"l, e mesmo no santo Zohar temos que, "Quando um anjo
descende para a terra, ele é vestido em um corpo físico e é visto por quem precisa
percebê-lo naquela vestimenta. E se ele não vestisse aquela vestimenta, ninguém
aguentaria ter a visão dele se fosse visível”. [Sem uma forma compreensível à
mente — e se pudéssemos ver a verdadeira essência de um ser espiritual tal como
um anjo — ele apareceria aos nossos olhos como um flash de luz revelado em
forma gasoso-plásmica, com intensidade suficiente para enfartar mesmo um ser
humano espiritualmente preparado. A forma "compreensível" é produto da
comunicação do malach com o indivíduo, que projeta na mente a forma adequada à
sua missão. Para um exemplo disso, aonde o anjo primeiro aparece em forma
compreensível e depois se revela, veja Juízes 13, culminando no verso 20. Não
devo revelar mais.]
Assim, ele precisa ter desacelerado a sua frequência (de luz), pois para se vestir
com algo físico, implica obrigatoriamente nesta diminuição de velocidade sub-
luminosa.
Afinal, matéria é energia desacelerada, ou, energia é matéria acelerada.
Através deste estudo sobre os Tákions percebi algo muito profundo.
Vou tentar explicar através da física para chegar até a "conclusão" mística, por
assim dizer.

O assunto dos Tákions implica em conhecidas dificuldades para provar a sua


viabilidade.
Isto é devido a sua qualidade de violar a lei de causalidade — em viajando para
trás no tempo, cria-se uma condição paradoxal do efeito preceder sua causa.
Assim, alguns cientistas afirmam que uma partícula de energia-negativa que foi
absorvida primeiro e emitida depois é nada mais do que uma partícula de energia-
positiva emitida primeiro e absorvida depois, uma situação perfeitamente normal.
Através de interpretarmos qualquer partícula de energia-negativa se movendo para
trás no tempo como uma particular de energia-positiva se movendo para frente no
tempo, podemos eliminar o assunto da uma ocorrência de um efeito antes de sua
causa.
E como um exemplo, O’ naturalmente considerará o feixe de Tákions recebido por S
como um verdadeiro sinal que ele mesmo emitiu para S.
De modo semelhante, O considerará o feixe de Tákions recebido por S' como um
sinal que ele mesmo está emitindo de S.
O' e O considerarão estes feixes como emissões espontâneas de seus próprios
transmissores de Tákions ao invés de recepções de algum outro estado de
referência.
Baseado nisso, conclui-se algo de extremo significado: enquanto não parece ser
possível construir ciclos cinéticos fechados usando Tákions nos quais os sinais são
emitidos para trás no passado, um exame cuidadoso dos métodos de detecção —
com a consideração à interpretação da absorção de Tákions de energia-negativa
como emissões de Tákions de energia-positiva —leva a conclusão que, tais ciclos
fechados não serão interpretados como uma sinalização recíproca, mas sim como
emissões espontâneas e não correlatas.
Isto significa que, aqui, o ciclo de causa e efeito é rompido.
Não existe mais a emissão e recepção de sinais.
Em cada caso, 'o observador acredita que ele é que está enviando ambos os sinais'.
Isto explicaria, pela física que ainda tanto se desenvolve, o que ocorre na conexão
entre uma pessoa e alguma `entidade espiritual'.
A pessoa pensa em coisas normais, mas também pensa em coisas que 'não' são
normais.
Ela acredita que é 'ela' de fato quem pensa (ou "emite", na linguagem da física)
ambos os tipos de pensamentos (ou "sinais").
Mas na verdade, ela pode estar em contato direto com uma entidade que
"bombardeia" a sua mente com pensamentos estranhos.
A entidade percebe a "abertura", pois devido ao tempo cósmico (mencionado
anteriormente) ela pode, ainda que em outro olám, a saber, em uma dimensão
paralela, simultaneamente se ligar a pessoa devido a sua frequência (que é afinal,
sujeita às modulações diante dos seus comportamentos aqui no grau físico).
E o tipo de "estranheza" representa a "vestimenta" particular (também já
mencionado anteriormente) que neste grau da mente, a entidade adota 'a fim de
influenciar e manipular a pessoa'.
Assim, todos os três pontos derivados do meu estudo sobre esta partícula que
ainda precisa ser provada, trazem à luz assuntos muito profundos e reais.

A Tora já conhece bem estas partículas hiper velozes, pois a Cabalá do Ari"zal
explica como os constituintes da matéria/energia dos outros olamót são diferentes
do nosso grau físico, sendo eles muito mais refinados.
E deste modo vemos que, lá, nestes outros níveis de realidade existentes operam
também leis naturais distintas das nossas.
Mas a comunicação entre os mundos se torna uma realidade através do contato
pela energia, que afinal, existe em todos os olamót.
Após esta entrada no meu diário, fui estudar o Tânia do dia, 20 de Siván, 5769
(Sba'ar HaYichud, no meio do capítulo 7).
Para minha surpresa, este tratava exatamente sobre aspectos místicos do espaço e
tempo...

Fim
Cuidado – Sua alma pode estar em Perigo – Apêndice 5

Morrendo de sono

Explica o Ari"zal que, "O desejo das klipót [‘cascas'] se empenha só para o mal e
busca ganhar poder sobre os seres humanos para que eles possam pecar,
permitindo às klipót de obterem vantagem para se apossarem das almas santas e
assim, da própria vida. Elas se alimentam das almas santas e recebem vida delas.
Almas santas nas klipót são como almas santas no corpo. As almas dão vida ao
corpo. As klipót perseguem tudo que é externo e aderem onde quer que exista a
kedusha [Santidade], porque elas aderem lá para viver. Se elas param de aderir,
elas morrem. Não se surpreenda quão vorazmente estas cascas perseguem todos
os seres humanos para fazê-los pecar, e assim causar a ira do Criador. As klipót
fazem isso egoisticamente e sem consideração alguma para com a kedusha".

De acordo com a ciência, hipnagogia (ou hipnopompia) é o estado alterado de


transição entre a vigília física ordinária e o sono natural.
Verdadeiramente, todas as noites passamos por este breve e fascinante estado
alterado da consciência, entre a vivacidade e sono.
Comumente, fenômenos hipnagógicos chamados também de "alucinações
hipnagógicas" abundam neste estado intermediário de consciência.
Entre eles são marcantes as faces que podem aparecer (inclusive de pessoas já
falecidas), sendo elas ameaçadoras ou cômicas, ou uma paisagem pode ser abrir,
com montanhas distantes e largas, vistas expansivas, etc.
Também podemos ver formas geométricas, jóias, diamantes e padrões complexos
que podem "dançar" diante de nossos olhos da mente, muito próximos daqueles
observados quando na influência de certas substâncias psicoativas.
Borrifos de cores, sinais luminosos, fagulhas e formas como nuvens chamadas de
"fenômenos entópticos" [Em oftalmologia, isto é definido como uma estimulação
visual cuja fonte são os próprios olhos, por exemplo, a visão dos vasos ou dos
glóbulos sanguíneos oculares, que circulam no corpo vítreo.], tais como os fosfenos
[Uma sensação de ver manchas luminosas, causada pela estimulação mecânica,
elétrica ou magnética da retina ou do córtex visual. Um exemplo de fosfeno são os
padrões luminosos que aparecem quando a pálpebra é esfregada com bastante
pressão.], etc., todos podem se manifestar no processo do adormecer.
Além disso, é possível vivenciar (em conjunto com imagens ou não) sons
hipnagógicos tais como a síndrome da "cabeça explodindo", ou sentenças verbais
estranhas e sem sentido, mas que anunciam verdades assombrosas.
É também possível se sentir também flutuando, ou mesmo que o corpo cresce em
proporções enormes, ou que podemos até captar a "solução" para algum enigma do
universo.
Enfim, estas visões, vozes, insights estranhos, e sensações incomuns que nos
saúdam ao passarmos para o sono, assim como na hipnose (e na meditação),
afirmam para muitos que o estado hipnagógico é profundamente criativo, por assim
dizer. Quando passamos por ele, a mente está completamente voltada para dentro
e pode ter acesso à "inspiração" do subconsciente.
Portanto, o estado hipnagógico é considerado (e certamente usado) por muitos
como um estado de "genialidade", sem quaisquer fronteiras ou limitações.
Neste estado temos acesso a todos os nossos recursos e a nenhuma das restrições
auto impostas.
Entretanto, assim como muitos outros fenômenos psíquicos e psicológicos humanos
que encontram 'supostas' explicações racionais na ciência, e por vezes até no
conhecimento profano tão prevalecente no mundo, a verdade espiritual da Torá
sobre a hipnagogia revela algo muito diferente.

Os nossos sábios ensinaram que, "O sono é 1/60 da morte".


Portanto, o processo de adormecer equivale ao de morrer, com a diferença que no
sono, "O Sagrado, abençoado seja Ele, lida generosamente [quando Ele assim
julga] com os homens e permite que suas almas retornem para seus devidos
lugares”.
E assim como está escrito: "Não existe homem algum que quando adormece em
sua cama à noite não tenha um antegosto da morte, pois a sua neshama parte
dele. E uma vez que seu corpo é deixado sem a sua alma santa, um espírito impuro
vem e paira sobre ele e o polui”.
Aliás, é esta a razão que devemos falar o Shemá Israel antes de dormir [Isto é uma
halachá para os judeus, e muito apropriado para os Bnei Nôach, De fato, é correto
recitar Vidui ("Confissões") antes de dormir junto com o Kriat Shemá Al Hamitá. O
Kaf Ha-Chayim (R' Ya'acov Chayim Sofer zt"l) cita este costume (em 239:2) no
nome do Ari"zal.], pois assim como isto é necessário antes de morrer, também o é
antes do adormecer, sendo este um aspecto da morte.
E o local onde costumeiramente adormecemos traz uma dica preciosa sobre o real
significado deste estado.
As sílabas principais da palavra dormitório são "dor", como "da” em Aramaico,
significando "viver", e "mit", do Hebraico "mel ', significando "morto".
Portanto, um dormitório é um local onde os mortos vivem.
Afinal, isto é assim, pois a „neshama parte... [e] o corpo é deixado sem a sua
alma', como explicado.
E é por esta razão que o Rei David afirmou: "Não concederei sono a meus olhos,
nem cerrarei minhas pálpebras”, a saber, ele não queria se conectar com o domínio
da morte. [Ele dormia até (menos) do que o limite da medida de tempo Talmúdica
de "60 respirações de um cavalo" (Talmud, Sucah 26b), o que evita com que a
pessoa experimente o "gosto" da morte.]

Agora para se compreender de fato a passagem para o sono e suas marcantes


características na consciência, é preciso primeiro entender que, entre a dimensão
física chamada de Asiyah e os planos dimensionais mais elevados de Yetsirah,
Beriyah, e Atsilut, existe uma separação — um domínio que circunvolve a nossa
dimensão.
Este atua literalmente como uma "casca", ou uma "concha" que nos circunda e
mantêm separado daquilo que está espiritualmente acima de nós.
Em Hebraico, esta casca é chamada de klipah (plural, klipót).
As klipót são referidas como o Machtsáv HaKlipót [E sobre o verso, "E o Eterno
disse a Moshe: 'Talha para ti 2 tábuas de pedra como as primeiras' etc." (Êxodo
34:1, Ki Tissá), o Rashi comenta que "D-us mostrou a ele uma 'mina de safira'
etc.". Note que a palavra para mina (ou pedreira) usada aqui é machtsáv, assim
como o R' Chayim Vital usou para se referir às klipót. Vemos que na metáfora, a
"casca" é de fato dura e de difícil penetração, salvo através do árduo trabalho de
mineração. Assim também são as verdades espirituais ocultadas pelas klipót e
reveladas somente através do avodát Hashém ("trabalho espiritual") honesto e
legítimo de acordo com a Sabedoria da Torá.] ("Domínio da Escuridão" [A tradução
aqui é mais "poética" do que estrita, pois como explica a nota anterior, poder-se-ia
traduzir esta expressão como a "mina de cascas" — certamente um domínio sem
luz.]).
Este domínio do mal não é algo abstrato e distante, mas sim, a perene casca
metafórica que a tudo envolve neste mundo/intelecto, ocultando assim a "fruta" —
a verdade do Bem absoluto.
Portanto, mentalmente, a manifestação das klipót ocorre em 'todas' as formas de
falsas crenças, emoções, e ações humanas.
Isto é assim uma vez que a natureza da klipah é de sempre ocultar o que está
"dentro" dela, pois por desígnio Divino, sua 'única' intenção com este encobrimento
é o impedir da mente humana/alma de retornar à sua origem na fruta/kedusha.
A presença das klipót é muito real e o perigo é sempre iminente, a saber, "na porta
jaz o pecado". [Gênesis 4:7, querendo dizer que elas estão 'sempre' prontas a
agir.]
A expressão mental mais fundamental das klipót é seu poder de se apresentar
como algo correto e bom, enquanto se tratando na verdade da própria raiz de tudo
que é errado e ruim.
Estes são os "falsos profetas" que anunciam mentiras.
Portanto, sua arma principal é a sedução — enganando e impelindo o homem aos
comportamentos desalinhados com o domínio espiritual através das suas inúmeras
'auto ilusões'.
Verdadeiramente, as klipót são forças invisíveis que manipulam a mente,
pervertendo os pensamentos, sentimentos, e as ações humanas.
E através da corrupção mental, os seres humanos permanecem ignorantes do bem
verdadeiro, negando-o com grande displicência e até escárnio.
Estes erros tão comuns somente garantem o sustento direto das klipót, que
estimam os seres humanos apenas como uma fonte de alimento.
Essencialmente, a experiência prática da força malévola das klipót se traduz nas
complicações e confusões da mente.
E por isso sempre que buscamos vivenciar a realidade subjetiva, vemos que as
nossas percepções subjetivas sobre alguma coisa são sempre maculadas pelo
conhecimento desviado/corrupções de nossa experiência com esta mesma coisa.
Esta falta de lucidez/visão espiritual objetiva é terreno fértil para ação ludibriadora
das klipót.
A mente humana no seu estado atual não tem capacidade de compreensão e
integração dos assuntos espirituais como no início da humanidade, quando no Gán
Éden.
De fato, nossos mestres avisam: "Prepara-te para o estudo da Torá, pois não chega
a ti através de herança", a saber, sem reais esforços.
A queda espiritual das gerações devido à progressiva desconexão com D-us afetou
as percepções do homem no âmbito espiritual assim como o desenvolvimento da
humanidade o afetou sobre suas percepções da realidade objetiva/material.
Isto significa que, caminhos antes abertos e conhecidos para a ligação real com o
D-us Vivo se preencheram de galhos espinhosos.
Assim, "Antes da colheita [a saber, da visão espiritual objetiva]... Ele cortará os
galhos com foices, e removerá e picará todos os seus cachos [ou seja, as klipól" —
este é o avodát Hashém.
Veja que existe grande ruído espiritual e um estado mental nublado na
subjetividade individual.
Ainda que nossas mentes se definam através de nossas subjetividades particulares,
o que nos oferece os parâmetros para agirmos como entidades independentes,
estas mesmas subjetividades significam um manancial de ideias e percepções
limitadas que inundam a mente.
E exatamente devido ao limite intrínseco da mente, que de nós também é
encoberto a própria experiência real com as verdades de D-us.
Estes obstáculos são as klpót.
É por esta razão que todos os "aventureiros espirituais" — de todas das religiões e
cultos que proliferam no mundo — quando exploram a mente subconsciente,
facilmente se tornam seduzidos pelas forças do mal à espreita para impelir estes
incautos a usarem seus "novos" insights para o Mal que se disfarça do Bem.
Não existe experiência espiritual sem a realidade subjetiva apropriada.
Portanto, o refinamento da visão espiritual interior - que de modo correto clarifica a
diferença entre percepções subjetivas de uma fonte inapropriada e daquelas de
fontes sagradas — é vital para o desenvolvimento espiritual da pessoa.
Por isso que sem o preparo espiritual de uma vida com kedusha, implicando na
aderência rigorosa às leis de D-us, a pessoa se torna uma presa fácil destas forças
antagônicas à kedusha.
O distinguir entre a verdade e a mentira nunca foi fácil, mas para nos capacitar a
isso, D-us nos outorgou Sua Torá.
Somente através da Sabedoria Divina o homem pode conhecer o caminho reto e
estreito que evita as klipót.
É evidente que o cumprimento das mitsvót estabelece uma sociedade harmônica,
uma vez que os parâmetros da Torá são divinos.
Mas além disso, as mitsvót da Torá têm um papel psicológico/espiritual
fundamental — o de servir como arquétipos na mente que filtram as klipót a fim de
possibilitar a percepção espiritual verdadeira da realidade.

Voltando ao assunto do adormecer, de modo semelhante à meditação, o estado de


consciência que transita para o sono permite o acesso mais direto da fase de
consciência chamada na Cabalá de o "vento tempestuoso" da mente — uma
armadilha gerada pelas klpót.
Veja que, normalmente, nos estados ativos da consciência, esta "tempestade" de
imagens e ideias da mente é menos percebida.
Isto ocorre, pois a mente naturalmente busca estar sempre focada no ambiente
externo, recebendo assim inúmeros estímulos que demandam processamento
mental para a sua compreensão.
Quando o foco mental é desviado do ambiente externo (no adormecer/meditar), a
mente, que é biologicamente configurada para compreender este ambiente, cresce
muito em atividade na busca e interpretação destes mesmos estímulos externos.
Entretanto, ao adormecer, ao invés deles, a mente agora apenas tem acesso a ela
mesma, por assim dizer.
Ela então entra em uma fase mais profunda — na 'direção' da realidade
subconsciente.
A primeira destas fases é a tempestade mental, marcada pelas miríades de
imagens armazenadas, positivas ou não, de todas as nossas experiências de vida.
Aqui, as imagens perdem progressivamente sua estrutura de coerência, que em
geral se expressa no estado mental consciente.
Esta fragmentação significa que as estruturas mentais que sustentam as imagens
se "diluem".
Além disso, as memórias e suas verdades perdem seus limites entre si, permitindo
assim uma convergência de "cenas" e suas respectivas estruturas de realidade,
assim como se as paredes de um hotel que separam conjunturas particulares
desaparecessem, permitindo uma fusão delas em meros instantes de realidade.
O aumento da fusão de memórias cria um "peso de consciência", desabilitando a
mente de sua penetração no subconsciente.
Este colapso caótico inaugura o sono, ou o fim da meditação despreparada.
E assim como está escrito: "Deitados estamos sobre nossa vergonha e só confusão
nos envolve”.

Durante o adormecer e mais ainda, nas tentativas de meditação as klipót buscam


extensivamente impedir que a mente se foque e mergulhe no subconsciente,
atingindo graus de percepção que revelem as verdades espirituais.
Por isso, ou a pessoa adormece, uma resposta natural biológica devido a vários
fatores, ou se buscando meditar, sua atenção é fortemente desviada.
Este conhecido desvio das klipót é frequentemente constituído por imagens e ideias
ligadas aos prazeres e desejos da pessoa.
O sucesso das klipót é mais "garantido" quando o caminho oferecido ressoa a
própria verdade das carências do indivíduo.
É por esta razão que imagens sexuais, por exemplo, são tão comuns nestes
estados, além de outras imagens como as alucinações hipnagógicas repletas das
fantasias prazerosas. [Entretanto, algumas pessoas tem uma preponderância de
imagens negativas de intensidade bem variada. Isto pode tanto significar a
natureza real da pessoa, como sendo de uma que sofre de grandes temores sobre
tudo, mesmo sobre D-us (como foi explicado na "Quarta Palestra"), além de em
alguns casos, indicar uma presença maligna nos seus arredores.]
De um modo geral e no estado consciente, o foco e sedução pelos prazeres físicos é
a maior ilusão e armadilha das klipót, promovendo a constrição da consciência e
assim, as inúmeras adições humanas às coisas efêmeras e que tanto distraem o
homem da sua relação com D-us.
No sono e na meditação em particular, as klipót atuam também de forma poderosa,
mantendo a consciência dentro da sua esfera de controle negativo, e assim, aquém
do seu contato com as realidades espirituais que sublinham a realidade.
E quanto mais arraigada a identificação do indivíduo com o mundo físico, mais ele é
prisioneiro deste grau baixo e ilusório da realidade, enquanto se mantendo ao
mesmo tempo distante das percepções e vivência espiritual legítima na kedusha,
portanto da sua árdua missão de alcançar equilíbrio em sua curta vida.
Agora, assim como está escrito: "Eu formo a luz e crio a escuridão; Eu faço a paz e
sou Eu quem cria o mal; Eu sou o Eterno que tudo faz", e isto significa que o
domínio da klipah é uma criação de D-us.
Sua função é garantir o livre arbítrio da pessoa.
E a interação da pessoa com este domínio e o quanto este a influencia é produto
direto de suas próprias atitudes — se desalinhadas com as leis espirituais de D-us
devido ao seu orgulho e sua identificação com o material excedente.
Por isso que a continuação do verso do profeta citado, "Deitados estamos sobre
nossa vergonha e só confusão nos envolve", afirma: "Porque pecamos contra o
Eterno, nosso D-us, nós e nossos pais, desde nossa juventude até os dias de hoje;
e não demos ouvido à voz do Eterno, nosso D-us”.
E a Cabalá afirma: "O pensamento do homem é também a fonte de sua vida, e dela
se expande estradas e veredas que pervertem seu caminho neste mundo e no
próximo. Do pensamento, sai a arrumação da iêtser hara que somente trabalha
para destruí-lo e a todos, e disso provém o erro e a iniquidade, e o pecado
arrogante”.
A lição maior aqui é que, as klipót estão dentro de nós — "A soberba do teu coração
enganou-te".
Elas precisam ser removidas de nossas ações, atitudes, nossos pensamentos e
nosso ser.
Cada indivíduo precisa fazer isso por si mesmo.
Portanto, a única maneira de rebaixar as klipót é o remover real dos maus traços
de caráter tão infiltrados na pessoa, e que dão força para o domínio da escuridão.
A Torá e as mitsvót são o mapa para este caminho de retificação.
De fato, isto é uma lição simples, ensinada pelos nossos profetas há séculos.
Não se engane, pois nada mudou.
A intenção da Torá tem sido absolutamente consistente, somente as palavras para
descrever as coisas mudaram.
E como iniciar isso?
É preciso lembrar-se das palavras sábias do Ramah: “'Consciente estou sempre da
presença do Eterno' é um grande princípio na Torá... Quando a pessoa estabelece
firmemente no seu coração [a realização] de que o Rei poderoso, o Sagrado Um,
abençoado seja Ele, de Quem a 'glória envolve o mundo inteiro', paira sobre ele e
vê suas ações, então temor e submissão em espanto a D-us imediatamente o
alcançarão. E quando ele se deita em sua cama ele saberá diante de Quem ele se
deita, e então imediatamente quando ele despertar de seu sono, ele se levantará
com entusiasmo e vivacidade para servir o seu Criador, que Ele seja abençoado e
exaltado'', amém.

Fim
Cuidado – Sua alma pode estar em Perigo – Apêndice 6
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