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Luz e sustentabilidade: a eficiência energética em projetos


luminotécnicos residenciais

Vanessa Araújo de Oliveira - nessaoliveira113@hotmail.com


Master em Arquitetura e Lighting
Instituto de Pós-Graduação - IPOG
Salvador, BA, 15 de Dezembro de 2018

Resumo
Este artigo tem como objetivo mostrar a importância de um bom projeto de iluminação para
viabilizar maior eficiência energética e trazer a sustentabilidade para o ambiente residencial.
Com o aumento crescente dos preços de energia, os consumidores se tornaram mais
exigentes, o que aumentou a demanda por produtos mais eficientes. Estes são adquiridos de
forma discriminada pela falta de informação da sociedade com relação às tecnologias
existentes. Questionamentos surgiram para saber quais sistemas de controle de energia
eficazes e os benefícios das lâmpadas LED. Foram realizadas pesquisas bibliográficas,
documentais e de levantamento, consultas a catálogos de luminárias e um estudo de caso com
um ambiente residencial. Os dados apresentados são extraídos de um questionário elaborado
pela autora e respondido por cerca de 30 (trinta) pessoas baianas em uma rede social, de
diferentes faixas etárias e níveis sociais. Os resultados encontrados indicam uma falta de
informação dos consumidores sobre as tecnologias existentes na iluminação que podem
beneficiá-los. Conclui-se que as lâmpadas LED reduzem o consumo de energia e trazem
maior conforto térmico, sendo mais eficiente do ponto de vista energético e, apesar de terem
um custo maior que os outros tipos de lâmpada, o tempo de retorno do investimento é curto.

Palavras-chave: Eficiência. Energética. Iluminação. Residencial. Sustentabilidade.

1. Introdução
Nos antepassados, na Idade da Pedra, o homem dependia muito da luz natural para realizar
suas atividades básicas. Com a descoberta do fogo, deu-se início a iluminação artificial, a
primeira que possibilitava enxergar a noite. A gordura animal era utilizada para fins de
iluminação de ambientes: velas, símbolo importante da religião cristã, construídas com fibras
vegetais e gordura animal armazenadas em recipientes propícios. Elas ganharam destaque na
Idade Média, pois, como não podiam ser produzidas em larga escala, viraram artigo de luxo.
As primeiras lâmpadas, ver exemplos na figura 2, foram feitas de materiais naturais, como
pedras, conchas, chifres. O seu combustível eram gorduras de origem animal ou vegetal, tais
como o azeite de oliva, óleo de gergelim, óleo de noz, óleo de peixe, óleo de mamona e outros
óleos vegetais. Depois disso, vieram as lâmpadas de cerâmica, modeladas à mão, sendo um
meio barato e prático de iluminação, fácil de produzir, mas de difícil manuseio.
O homem primitivo deixou suas marcas nas cavernas escuras com as tochas e, com isso, a luz
funcionou, através do fogo, como um elemento teatral, acompanhando a magia dos sacerdotes
no início da história, dando-lhes mistério e teatralidade dramática. No Teatro Ocidental, a
iluminação era natural, com espetáculos iniciando com o nascer do sol e seus anfiteatros
orientados a serem projetados em lugares com boa ventilação e luz solar abundante. Os
objetos usados para criar iluminação dramática foram desde pedaços de madeira encharcados
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em piche (para manter a chama acesa por mais tempo) até as tochas. As tochas foram usadas
como iluminação de rua e nos primeiros candelabros. Na Idade Média eram colocados de fora
dos castelos e as velas em seu interior (ver figura 1).

Figura 1 – Primeiras fontes de luz


Fonte: Site EscolaKids

Figura 2 – Primeiros modelos de lâmpadas


Fonte: Site Acapelatto Marcas

Como marco da iluminação artificial daquela época, o teatro se destaca, pois foi através dele
que criaram técnicas para iluminação cênica com o auxílio das velas. A forma de colorir o
espaço cênico através da luz desenvolvida por Sebastiano Serlio (1475 – 1554) colocava
líquidos coloridos na frente de garrafas de vidros especialmente fabricadas numa forma
convexa para aumentar o efeito luminoso das velas. Nicola Sabbatini (1574 – 1654) publica
em 1638 um livro que foi um marco na história das técnicas de encenação onde descreve
como construir uma engrenagem para manipular a intensidade da luz dos candelabros.
Sabbattini termina com uma observação excepcional para o seu tempo: “Apesar de se ver
melhor o guarda-roupa dos artistas usando luzes brilhantes colocadas diante do palco e em
posição baixa, o rosto dos atores ficam pálidos e parecem estar com febre”. Os princípios
básicos de iluminação cênica foram criados por ele e sua insistência em que se deve começar
pela iluminação e não pelo cenário, marcou a história do teatro durante mais de 300 anos.
Lâmpada significa “tocha” e pode ser definida como uma ampola de vidro bastante fina
preenchida com gás inerte, normalmente argônio, e um fino filamento constituído de
tungstênio, que ao ser percorrido por uma corrente elétrica, se aquece até a incandescência,
emitindo luz branca de tom levemente amarelado. Thomas Edison (1847-1931), apresentado
na figura 3 deste artigo, cientista norte-americano, é autor da primeira lâmpada elétrica – a
lâmpada incandescente. Antes disso, já existiam lâmpadas de gás natural, carvão e extraída de
rochas sedimentares, mas a descoberta de Thomas foi um grande salto naquela época. Com a
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Revolução Industrial, a sociedade tornou-se dependente da lâmpada incandescente, usando-a,


inclusive, nas estações de trabalho a fim de aumentar a jornada nas fábricas. Porém, após mais
de 100 anos do seu uso, elas entraram em extinção regulamentada pela Portaria
Interministerial n° 1007/2010, do Ministério de Minas e Energia. A sua vida útil era muito
baixa e o consumo de energia altíssimo, principalmente depois da chegada de novas
tecnologias no mercado.

Figura 3 – Thomas Edison e a lâmpada incandescente


Fonte: Site Acapelatto Marcas

Com o passar dos anos, outros tipos de lâmpadas foram surgindo, como as fluorescentes,
vapor de sódio etc. Especificamente em ambientes residenciais, as lâmpadas fluorescentes
ganharam destaque por serem mais econômicas que as incandescentes. Porém, o aumento
crescente na conta de energia elétrica fez a sociedade começar a pensar em novas maneiras de
economizar. E a partir daí, o uso de lâmpadas LED tornou-se frequente em muitos ambientes,
mas devido ao seu alto preço, nem todos entendem as suas vantagens perante os outros tipos
de lâmpada. Uma lâmpada incandescente tinha apenas 8% de eficiência energética, ou seja, só
8% eram transformados em luz e o restante se transformava em calor para o meio ambiente.
Já a lâmpada fluorescente compacta, possui 32% e nas lâmpadas de LED, toda energia
utilizada é convertida em luz. E poucas pessoas sabem da importância disto na conta de
energia ao final do mês. A falta de informação aliada ao crescente aumento dos preços de
energia elétrica foram um dos incentivos na elaboração deste artigo que visa mostrar a
importância e comprovar com quantitativos a eficiência energética das lâmpadas de LED
perante as lâmpadas fluorescentes.
2. Conceitos importantes das lâmpadas
Na hora da compra de uma lâmpada, apesar de o vendedor ter uma obrigação de informar ao
consumidor se aquela lâmpada é ou não eficiente para o espaço pretendido, na realidade isso
não acontece. Na própria pesquisa de levantamento que será apresentada nos próximos
tópicos, pode-se perceber que não se tem uma ajuda do comerciante na escolha do produto. Já
em lojas especializadas, o cliente se sente mais seguro e é conduzido, na maioria das vezes, a
uma escolha certa.
Considerando que nem sempre as pessoas terão acesso a um setor especializado, é importante
dispor neste artigo de conceitos que são importantes para auxiliar a sociedade de forma geral
numa escolha eficiente. Os principais são o fluxo luminoso, a potência, a eficiência luminosa
e temperatura de cor. A figura 4 mostra estes itens acompanhados do selo do Inmetro.
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Figura 4 – Imagem do Selo presente nas lâmpadas led da G-light


Fonte: Site G-light

2.1. Fluxo luminoso


É a quantidade de luz visível em uma superfície emitida por determinada fonte em todas as
direções, de acordo com esquema da figura 5. Sua unidade de medida é o lúmens. Uma
lâmpada incandescente de 100W, emitia 1500lm, enquanto uma fluorescente de 40W, emite
2600lm.

Figura 5 – Representação do fluxo luminoso em uma superfície


Fonte: Site Everlight

2.2. Eficiência Luminosa


A eficiência diz respeito a quanto de energia elétrica é gasto para que a lâmpada acenda e
quanto o fluxo luminoso alcança com determinada quantidade de energia. É definida pela
relação entre fluxo luminoso (lúmens) e potencia energética (watts). O nível de eficiência de
uma lâmpada fluorescente chega a variar entre 50 e 90 Lm/W, enquanto que os das lâmpadas
de LED ficam em torno de 150 Lm/W. Quanto maior o resultado, maior será a produção e
estabilidade da luz. Veja o comparativo da eficiência na figura 6:
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Figura 6 – Eficiência Luminosa


Fonte: EMPALUX (2017)

2.3. Potência
A quantidade de energia despendida para realizar o ligamento e liberar o fluxo luminoso para
o uso da lâmpada. Sua unidade é Watts (W).

2.4. Temperatura de cor


Quanto mais alta, mais branca será a luz. Para ambientes residenciais em que são realizadas
atividades que exigem uma maior atenção, como a cozinha ou gabinete, recomenda-se a luz
branca. Já em locais mais aconchegantes, utilizados para descanso, como quartos, a luz
amarela é mais indicada. Veja as diferenças nas figuras 7 e 8.

Figura 7 – Temperaturas de cor


Fonte: Site Trancil
As escalas de temperatura da cor existentes levam em consideração a sua medida em Kelvin
(K) e a coloração de luz branca correspondente a cada uma delas:

- Branco avermelhado – luz mais quente: de 2.600 a 3.500 Kelvin

- Branco alaranjado – luz neutra: de 4.000 a 4.500 Kelvin

- Branco amarelado — luz neutra: de 5.000 a 5.500 Kelvin

- Branco azulado – luz mais fria: acima de 6.000 Kelvin


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Figura 8 – Diferenças de temperaturas de cor


Fonte: Blog Japiassú/Tua Casa

Figura 9 – Temperaturas de cor


Fonte: Site Trancil

2.5. Vida útil


Representa a durabilidade de uma fonte luminosa. Ver comparativo na figura 10.

Figura 10 – Comparativo de vida útil das lâmpadas


Fonte: EMPALUX (2017)
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3. Lâmpadas fluorescentes
Nas lâmpadas de descarga elétrica do tipo fluorescente, o fluxo luminoso é gerado pela
passagem de corrente elétrica através de um gás ou vapor que produz luz ultravioleta invisível
ao olho humano. As lâmpadas fluorescentes requerem uma fonte de alimentação especial
chamada reator, que é necessário para regular a corrente de operação da lâmpada e fornecer
uma tensão inicial compatível. Elas duram 20 vezes mais do que as lâmpadas incandescentes
tradicionais, além de consumir até 80% menos energia.
Nos ambientes residenciais, são muito utilizadas as fluorescentes compactas (figura 11) e
tubulares (figura 12). Aquelas conseguem encaixar na maioria dos acessórios criados para as
lâmpadas incandescentes e são indicadas para iluminação geral de ambientes residenciais e
comerciais. Segundo dados do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica,
PROCEL (2018), a potência declarada das lâmpadas fluorescentes compactas variam entre 8 a
32W, em 127 ou 220V, a depender da marca.

Figura 11 – Exemplo de lâmpadas fluorescentes compactas


Fonte: Site Taschiba

As tubulares retas, indicadas para iluminação geral e, principalmente, muito usada na


iluminação decorativa embutida em rasgos de gesso, necessitam de reatores e estão
disponíveis em diferentes temperaturas de cor. A potência declarada das lâmpadas
fluorescentes tubulares variam entre 20 a 40W, incluindo o reator.

Figura 12 – Exemplo de lâmpadas fluorescentes tubulares


Fonte: Site Taschiba

4. Lâmpadas LED
A lâmpada LED é mais econômica porque sua eficiência luminosa é maior do que as das
outras lâmpadas. Ou seja, gasta menos energia para gerar a mesma iluminação. As LED
podem durar, dependendo do modelo, pelo menos vinte e cinco vezes mais do que as
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lâmpadas incandescentes e quatro vezes mais do que as fluorescentes compactas. Entretanto,


o tempo (em horas de funcionamento) estimado na embalagem não significa o tempo que ela
vai levar para queimar e sim o período que a lâmpada passará a funcionar com mais ou menos
70% da capacidade luminosa original. A garantia também é mais longa do que as das
lâmpadas comuns. Sendo assim, caso o produto pare de funcionar ou tenha a sua eficiência
luminosa reduzida dentro do prazo de garantia estipulado pelo fornecedor, configurando um
defeito, o consumidor pode solicitar a sua substituição.
Existe uma tendência na utilização das lâmpadas LED em função das suas qualidades:
potencial de vida mais longo que qualquer outra fonte de luz, altamente eficiente
energicamente, pequenas dimensões e acendimento imediato, produzem cores sem filtros e se
integram com outros elementos eletrônicos. As LED geram menor risco para a saúde dos
consumidores e para o meio ambiente, pois não contêm mercúrio na sua constituição, como é
o caso das fluorescentes compactas, podendo até serem descartadas em lixo comum. Apesar
disso, a resistência da sociedade na substituição das fluorescentes por LED está,
principalmente, no custo alto que ele ainda possui (ver figura 13), mas que tende a cair ao
longo dos próximos anos. É importante que seja conhecido que o investimento terá um
retorno em curto prazo através da conta de energia.

Figura 13 – Comparativo de preços entre as lâmpadas


Fonte: Casa Abril
Através do selo PROCEL (ver figura 14), junto à etiqueta do Inmetro, as lâmpadas mais
eficientes são destacadas, facilitando a escolha pelo consumidor.

Figura 14 – Etiqueta de identificação nas lâmpadas LED


Fonte: Inmetro
5. Eficiência Energética Residencial
Fazer mais com menos energia é o conceito da eficiência energética na prática. Uma lâmpada
tipo LED de 8W tem o mesmo nível de iluminação que uma lâmpada incandescente de 70 W.
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Ou seja, quase 90% de economia. Além disto, a vida útil do LED é 50 vezes maior e o calor
que é transferido para o ambiente é menor em relação aos outros tipos de lâmpadas.
A iluminação dos edifícios compõe, com a envoltória e o sistema de ar condicionado, o tripé
da etiquetagem PROCEL EDIFICA de eficiência energética dos edifícios. Segundo David
Douek (2015), diretor da Otimização Energética para a construção, “os processos de
certificação adotam, a fim de premiar o desempenho energético mais eficiente de um edifício,
uma metodologia de comparação entre um caso de referência e o projeto proposto”. A maior
eficiência deve ser conquistada através de simulação computacional de desempenho, que deve
ter como resultado final a eficiência resultante da combinação de soluções aplicadas no
projeto de arquitetura, no projeto de ar condicionado e no projeto de iluminação artificial.

O primeiro passo para contabilizarmos ganhos no projeto de iluminação artificial é


integrá-lo às condições planejadas de iluminação natural. Isto não significa
simplesmente abrir um vão na fachada ou cobertura sem considerar fatores como
orientação, proporção e características dos materiais utilizados. A especificação de
luminárias e lâmpadas mais eficientes garantem ganhos complementares de
economia. Em edifícios operados 24 horas, é importante considerar estratégias como
setorização de iluminação e iluminação de tarefa. Sensores de presença são sempre
muito bem vindos em áreas de curta permanência como banheiros e corredores.
David Douek (2015).
Há destaque de algumas tecnologias (ver figuras 15 e 16) que colaboram para reduzir o
consumo energético da iluminação, entre elas, lâmpadas e luminárias eficientes, sensores de
presença, light tube, dimerização fotossensível e setorização do projeto. Outra inovação são
os tubos de fibra ótica, que captam iluminação no exterior da edificação e a conduzem até um
ambiente fechado, muito utilizada em banheiros e áreas internas de edificações. Há, também,
a tecnologia de tubo de fibra ótica acoplado a um painel fotovoltaico: durante o dia, a luz do
sol ilumina o ambiente conduzido pela fibra ótica e, ao mesmo tempo, carrega uma pequena
bateria pelo painel fotovoltaico, que durante a noite aciona uma lâmpada LED.

Figura 15 – Maneiras de aumentar a eficiência energética


Fonte: ANEEL

Figura 16 – Benefícios da eficiência energética


Fonte: ANEEL
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6. Pesquisa
Além de artigos, dissertações e páginas da internet, foram coletados dados por meio da
aplicação de questionários. Os objetivos eram a identificação do nível de conhecimento e
utilização da tecnologia LED, bem como as motivações pela compra de produtos.
O público-alvo considerado foi o usuário e cliente final que compra lâmpadas para utilização
em suas residências ou que contrata profissionais para elaboração de projetos luminotécnicos.
Esse público representa uma amostra de moradores de classe média de residências do tipo
apartamento ou casa na cidade de Salvador (BA) e região metropolitana. A pesquisa foi
realizada no mês de julho de 2018. A 30 pessoas foram aplicadas 12 questões que buscaram
identificar o nível de conhecimento e de utilização dos diversos tipos lâmpadas nas
residências, o item principal a ser observado na hora da aquisição de produtos de iluminação,
o conhecimento dos vendedores em determinado departamento de iluminação e se os
consumidores são orientados de maneira correta.
No campo escolhido para a realização desse estudo, notou-se que a utilização das lâmpadas de
LED aumentou muito nos últimos anos e isso se dá devido ao aumento das contas de energia
que faz o consumidor procurar outras soluções de barateamento de custo. Nota-se que os
clientes estão em fase de adaptação, pois a maioria utiliza em suas casas o uso misto
(lâmpadas led em alguns ambientes e fluorescentes em outros), conforme a figura a seguir:

Figura 17 – Tipo de lâmpada existente nas residências


Fonte: Questionário elaborado pela autora (2018)

Outra questão interessante retirada das respostas do questionário foi que as pessoas não
costumam comprar em lojas especializadas em iluminação e boa parte delas nunca nem
entraram em lojas desse tipo, recorrendo sempre às casas de materiais de construção. Na hora
da compra, 57,1% não questionam ao vendedor se aquela lâmpada é ou não adequada ao
espaço pretendido.

Figura 18 – Local de compra


Fonte: Questionário elaborado pela autora (2018)
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Figura 19 – Indagar a qualidade e funcionalidade da lâmpada antes da compra


Fonte: Questionário elaborado pela autora (2018)

São raros os consumidores finais que buscam informações sobre tecnologias para iluminação
em lojas técnicas para orientação antes da compra. Esses têm o hábito de recorrer a revistas de
decoração de interiores e de arquitetura para visualizar os ambientes prontos e acabados, sem
se ater às questões de iluminação especificamente. O critério adotado na aquisição de uma
lâmpada pelo consumidor é a potência elétrica seguida do preço.

Figura 20 – Critério adotado na aquisição de uma lâmpada


Fonte: Questionário elaborado pela autora (2018)

7. Estudo de Caso
Foi analisado o sistema de iluminação de um quarto, onde a proposta de torná-lo um ambiente
energeticamente eficiente baseou-se apenas nas trocas dos tipos de lâmpadas sem que o
usuário tivesse que trocar suas luminárias e fazer alterações arquitetônicas. As figuras 21 e 22
são as plantas com o layout e os pontos de iluminação, respectivamente.
Considerou-se para este ambiente um tempo de utilização de 6 horas diárias. Os valores
dispostos em reais foram obtidos em uma loja de iluminação na cidade de Salvador (BA) no
período de setembro de 2018.
Na figura 21, têm-se três circuitos de iluminação, indicados com a numeração ao lado dos
símbolos das luminárias em vermelho. “O uso dos controles de luz e setorização do sistema
de iluminação é bem-vindo, pois além de economizar energia, é possível criar um ambiente
aconchegante ou funcional” (SILVA, 2009). Desta forma, o cliente pode escolher qual
circuito ele quer acender, sem ter que ligar todos ao mesmo tempo. Com a troca dos
equipamentos de iluminação, o usuário do ambiente conseguirá economizar, durante a vida do
sistema de iluminação com LEDs, 74% em energia elétrica. O comparativo dos gastos e
consumo de energia do sistema utilizado pelo usuário e do sistema proposto, podem ser
verificados nas tabelas 1, 2 e 3.
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Para este tipo de ambiente, onde o tempo de permanência é curto e sua utilização é
basicamente para descanso, são indicadas lâmpadas na temperatura de cor por volta dos
2700K ou 3000K, proporcionando a sensação de aconchego e um tom mais amarelado ao
local.

Figura 21 – Planta de layout do quarto


Fonte: Arquivo do próprio autor (2018)

Figura 22 – Planta de pontos de iluminação do quarto


Fonte: Arquivo do próprio autor (2018)

Os sistemas luminotécnicos do quarto podem ser classificados em iluminação geral, indireta e


direcional.
- Iluminação geral: luminária mix cênico com 04 lâmpadas PAR 20 de 50w/cada,
representada pelo circuito 03 na figura 22;
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- Iluminação indireta: 7 lâmpadas fluorescentes tubulares T8, de 32W e 3 lâmpadas


fluorescentes tubulates T8, de 16W, representadas pelo circuito 02 na figura 22;
- Iluminação direcional: luminária de embutir para lâmpada dicróica de 50w/12v direcionável,
representada pelo circuito 01 na figura 22;
Neste caso, a solução proposta para transformá-lo em um ambiente mais funcional do ponto
de vista energético foi a substituição das lâmpadas fluorescentes T5 com reatores eletrônicos,
consideradas as mais eficientes no seu segmento, por fitas de LED, com a mesma temperatura
de cor e IRC. E, na iluminação geral e direcional, também deve ser feita a substituição por
lâmpadas de LED com características semelhantes. Abaixo, um comparativo entre as
lâmpadas existentes e as lâmpadas propostas.
Tipo de lâmpada PAR 20 PAR 20 LED

Potência (W) 50W 7W


Custo total da lâmpada (R$)* R$ 17,90 R$ 20,00
Número de pontos no projeto 04 04
Total da potência no circuito 200W 28W
Número de horas de uso/dia 6h 6h
Número de dias/ano 365 365
Vida útil de cada lâmpada 12.000 horas 25.000horas
Custo Kwh (R$)** R$ 0,78 R$ 0,78
Custo de mão de obra de troca de 1 lâmpada R$ 25,00 R$ 25,00
Custo de aquisição do sistema R$ 171,60 R$ 180,00
Consumo anual de energia (KWH) 438KWH 61,32KWH
Consumo anual de energia (R$) R$ 341,64 R$ 47,83
Tabela 1 – Comparativo par 20 e par 20 led
Fonte: OSRAM E BRILIA (2018)

Tipo de lâmpada Fluorescentes T8 Fita de Led

Potência (W) 32W e 16W 4,8W


Custo total da lâmpada (R$)* R$ 15,80/ R$ 7,90 R$ 120,00/ 5metros
Número de pontos no projeto 10 9,60 metros
Total da potência no circuito 272W 48W
Número de horas de uso/dia 6h 6h
Número de dias/ano 365 365
Vida útil de cada lâmpada 12.000 horas 25.000horas
Custo Kwh (R$)** R$ 0,78 R$ 0,78
Custo de mão de obra de troca de 1 lâmpada R$ 50,00 R$ 50,00
Custo de aquisição do sistema R$ 634,30 R$ 740,00
Consumo anual de energia (KWH) 595,68KWH 105,12KWH
Consumo anual de energia (R$) R$ 464,63 R$ 81,99
Tabela 2 – Comparativo fluorescente tubular e fita de led
Fonte: OSRAM E BRILIA (2018)
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Tipo de lâmpada Dicróica Dicróica LED GU10

Potência (W) 50W 5W


Custo total da lâmpada (R$)* R$ 19,90 R$ 31,90
Número de pontos no projeto 3 3
Total da potência no circuito 150W 15W
Número de horas de uso/dia 6h 6h
Número de dias/ano 365 365
Vida útil de cada lâmpada 12.000 horas 25.000horas
Custo Kwh (R$)** R$ 0,78 R$ 0,78
Custo de mão de obra de troca de 1 lâmpada R$ 25,00 R$ 25,00
Custo de aquisição do sistema R$ 194,40 R$ 266,40
Consumo anual de energia (KWH) 328,5KWH 32,85KWH
Consumo anual de energia (R$) R$ 256,23 R$ 25,63
Tabela 3 – Comparativo dicroicas e dicroicas led
Fonte: OSRAM E BRILIA (2018)

Diante das tabelas 1,2,3 apresentadas acima, pode-se concluir que, apesar do custo ainda
elevado das lâmpadas de LED com relação aos outros tipos, essa diferença é notória no
consumo anual de energia. A vida útil dos sistemas com lâmpadas em LED é muito maior que
a das lâmpadas fluorescentes e, ao longo desse tempo, a necessidade de trocar de lâmpada é
praticamente nula, principalmente devido à garantia que as lojas oferecem na hora da compra.

8. Conclusão
Com este artigo foi possível verificar que se pode ter iluminação eficiente sob o ponto de vista
qualitativo e quantitativo. O avanço das tecnologias tem proporcionado produtos eficientes –
mantendo um padrão de qualidade – aos profissionais e consumidores. Para chegar aos
resultados da relação custo-benefício foram elaborados cálculos onde foi considerada uma
média de utilização de seis horas diárias para cada circuito ao longo da vida útil de cada
sistema. Pode-se admitir que medidas como estas podem ser adotadas pelos profissionais para
ajudar na questão da eficiência energética, não somente em residências. Com relação às
oportunidades que um projeto eficiente e sustentável de iluminação pode trazer à sociedade e
ao meio ambiente pode-se destacar:
- Redução de gastos de energia;
- Não-poluição do meio ambiente com metais pesados (dependendo do sistema luminotécnico
utilizado);
- Redução da emissão de gás carbônico no ambiente;
- Maior conforto térmico, pois a saturação das lâmpadas mais eficientes é baixa;
- Contribuição para o crescimento sustentável.
Além disso, conclui-se que a utilização das lâmpadas de led torna um projeto mais eficiente
do ponto de vista energético e o consumidor obterá um retorno a curto prazo, mesmo que seja
necessário um investimento alto na troca das lâmpadas de uma determinada residência. Sendo
assim, é necessário que haja uma política de conscientização aos consumidores para que
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procurem profissionais especializados e que estes estejam acompanhando de perto as


novidades do setor de iluminação. Pois, em geral, um bom projeto de iluminação tem como
aliados: conforto visual, eficiência energética, sustentabilidade, produtos modernos e
utilização de sistemas de controle eficazes.

Referências

ABNT, ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5413: iluminância


de interiores. Rio de Janeiro, 1992.

LAMBERTS, Roberto; DUTRA, Luciano; O. R. PEREIRA, Fernando. Eficiência Energética


na Arquitetura. São Paulo: PW, 1997.

GOIS, Alexandre. LEDs na Iluminação Arquitetural. São Paulo, 2008.

RODRIGUES, P. Manual de iluminação eficiente. PROCEL, Programa Nacional de


Conservação de Energia Elétrica, 1ª edição, 2002.

Iluminação com eficiência energética. < https://www.osetoreletrico.com.br/iluminacao-com-


eficiencia-energetica/ > Acesso em 28 de agosto de 2018.

PROCEL. Manual de Iluminação Eficiente. Eletrobrás. 2002.

INMETRO. Lâmpada LED. 2012.

TOLEDO, Beatriz Guimarães. Integração de iluminação natural e artificial: métodos e


guia prático para projeto luminotécnico. Dissertação (mestrado em arquitetura) Faculdade
de Arquitetura e Urbabismo da Universidade de Brasília. Brasília, 2008.

SILVA, Mauri Luiz da. Luz, Lâmpadas e Iluminação: produtos, características,


aplicações e efeitos em linguagem fácil. Rio de Janeiro, 2004.

REGIÃO SUSTENTÁVEL. A eficiência energética na iluminação. Disponível em: <


http://www.regiaosustentavel.pt/agencia/dicas/105-eficiencia-energetica-iluminacao> Acesso
em: 01 de setembro de 2018.

BOT, KAROL. A eficiência energética na iluminação de uma edificação. Disponível em: <
https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/engenharias/a-eficiencia-energetica-na-iluminacao-
uma-edificacao.htm> Acesso em: 03 de setembro de 2018.

CAPELATTO. A invenção da lâmpada. Disponível em: <


https://www.acapelattomarcas.com.br/invencao-da-lampada/> Acesso em: 15 de dezembro de
2018.

ESCOLA KIDS. Fontes de luz. Disponível em: < https://escolakids.uol.com.br/a-luz.htm>


Acesso em: 15 de dezembro de 2018.
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Anexo

Pesquisa para auxílio na elaboração de Artigo de pós- graduação Master em


Arquitetura e Lighting pelo IPOG

1. Nome e sobrenome *

2. Sexo *

Feminino
Masculino

3. Faixa etária *

Menos de 20
20-30 anos
30-40 anos
40-50 anos Acima de 50 anos

4. Você sabe o que é um projeto de iluminação? *

Sim
Não
Minha residência teve um projeto de iluminação.

5. Você já teve algum tipo de orientação sobre qual a lâmpada mais adequada em determinado
ambiente da sua residência? *

Sim
Não
Talvez

6. Antes de comprar uma lâmpada, você costuma indagar ao vendedor se ela é adequada ao
espaço pretendido? *

Sim
Não
Talvez

7. Qual o critério de compra de uma lâmpada para sua residência? *

Preço
Cor
Watts - potência elétrica
Procuro profissional especializado
Marca

8. Costuma comprar em lojas especializadas ou lojas de materiais de construção? *


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Lojas especializadas
Casa de materiais de construção

9. Já entrou em alguma loja de iluminação? *

Sim
Não

10. Qual o tipo de lâmpada existente na sua casa atualmente? *

LED
Fluorescente
Misto (LED e fluorescente)
Não sei.

11. Você sabe a diferença, na realização das suas atividades diárias, que a lâmpada branca faz
em relação a lâmpada de cor amarelada? *

Sim
Não

12. Você sabia que existem ambientes específicos que pedem o uso da luz branca? E outros
que são mais confortáveis com o uso da lâmpada de cor amarelada? *

Sim
Não

13. Você contrataria uma pessoa especializada em projeto de iluminação? *

Sim
Não acho necessário
Talvez