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FACULDADE DE BELAS ARTES

UNIVERSIDADE DE LISBOA

ESTUDO DE PINTURA
ANALÍSA AUTOREFFERENCIAL
Reflexões sobre o absurdo no ato pictórico

Maïténa Etchebarne
N 8896
Licenciatura em pintura, 4 ano
2018-2019
INDICE
PAGINA

1. INTRODUÇÃO……………………………………………………………………… .3

2. GENESE DO CONJUNTO DE TRABALHOS ARTISTICOS………………………..4


1. O processo criação e pensamento visual………...…………………………………4
2. Presentação do projeto……………………………………………………………...5

3. A RELACAO ESTREITA ENTRE PINTURA E FOTOGRAFIA…………………….


1. A relação estreita entre pintura e fotografia………………………………………7
2. A força das imagens………………………………………………………………8

4. O ABSURDO E O TEATRO…………………………………………………………10
1. O jogo de teatralização e a rejeição de uma narrativa coerente…………………..10
2. O papel do humor com meio de defensa………………………………………….11
3. O ciclo do absurdo e a sua relação com o espectadoras espectadores…………...12

5. MICHAEL BORREMANS E A PINTURA ENCENADA…………………………..14

6. CONCLUSÃO……………………………………………………………..…………15

7. ANEXOS……………………………………………………………………………..16

8. BIBLIOGRAFIA……………………………………………………………………..17

2
1. INTRODUÇÃO

No âmbito da disciplina de Estudo de Pintura, do ano letivo 2018-2019, foi proposta a


realização de um exercício de análise autorreferencial. Na linhagem dos pintores belgas,
sobretudo flamengos, o meu trabalho insere-se na dimensão do absurdo no quotidiano. Sejam
com influências tanto de peças de teatro e de obras literárias, de artistas contemporâneos, como
o Michael Borremans ou ainda a performance de Anne Imhof durante a bienal de Veneza.
Pelo meio da fotografia, pretendo exprimir a força das imagens e a rejeição de uma
narrativa coerente. O uso de imagens onde se-sente uma instabilidades para mi tem origem os
personagens como Meursault, ou Julien Saurel da literatura absurda. Reais fontes de inspiração,
tento de transpor os ressentimentos dessas personagens fictícias nas imagens produzidas. Tento
por em foco personagens que são fora da realidade estabelecida para a ação deles, e tentam
escapar ao peso da condição humana. A linguagem e encenação já não é um meio de
comunicação mas sim expressa o vazio e a incoerência, e representa a vida cuja é sempre
ridícula.
O ciclo do absurdo neste trabalho é a transposição em imagens da filosofia do absurdo,
aonde só a fatalidade e o azar guiam os nossos passos. A única escapatória é de confrontar o
absurdo e assumir o seu destino. Ao sair do ciclo do absurdo, só pode-se atingir o ciclo da
revolta. E só quando o absurdo do mundo é aceite, nós podemos aceder á lucidez e agir.

PALAVRAS CHAVES: Pintura, Fotografia, Figurativo, Absurdo, Teatro, Michael Borremans

3
1. GENESE DO CONJUNTO DE TRABALHOS ARTISTICOS
1. O processo de criação e pensamento visual

A necessidade de seguir e respeitar um processo artístico foi me ensinada logo na


segundaria em estudo artística. Alem de classificar o fluxo de ideais que desfilavam
continuamente na minha mente permitia de controlar-lhas, ordenar-lhas. Considero a
criação artística como um processo que permite uma dupla perspetiva relacional e dinâmica,
e que coloca a obra no centro. A produção artística não é considerado apenas com um
resultado final mas sim como um conjunto de operações que resultaram nele. O processo
inclui confrontar diferentes maneiras de olhar para o trabalho anterior, questionar suas
interpretações e suas reinterpretações, apreender o fazer artístico através de seus múltiplos.

O meu processo de criação decomponha-se em varias fases. As peças presentadas nesse


ensaio são um conjunto de fotografias e pinturas realizadas desde 2017. Primeiro anota
todas as ideias em cadernos de forma escrita, não faco esboços. O meu modo de pensamento
é uma juncão de imagens e palavras. Como penso em imagem, só coloco as palavras chaves
que liguei a essa imagem afim de lembrar-me interiormente na altura. A fase de pesquisas
permite me de entrar num mundo de reflexões sem fim. Por esse projeto cujo teve inicio em
2017, foquei as minhas pesquisas sobre a temática do absurdo. Leu e visionei peças de teatro
tal como En attendant Godot1, de Samule Beckett, Rhinoceros 2 ou ainda La cantatrice
chauve3 de Ionesco.

O livro que motivou esse projeto é L’étranger4 d’Albert Camus estudado na segundaria
no qual dedico uma fascinação sem falha. Apos descobrir as pinturas do Michael Borremans,
as esculturas de Juan Muñoz, Maen Florin5 e a performance6 de Anne Imhof na Bienal de
Veneza o projeto esboçou-se sozinho. No entanto, a minha maior fonte de inspiração é de
longe a minha família. Preciso quando estou com eles de registrar o gestos quotidianos deles
afim de ciar dados e matérias para futuros trabalhos. Tantos são fotografados “sur le vif”
que organizamos encenação como quando eramos pequenos. As vezes não preciso de passar

1
En attandant Godot, (1952)peça de teatro escrita por Samuel Beckett
2
Rhinoceros, (1959) peça de teatro escrita em por Eugene Ionesco
3
La cantatrice chauve,(1950) peça de teatro escrita em por Ionesco
4
L’étranger, (1942) livro de Albert Camus
5
Maen Florin é uma artista belga
6
Faust, (2017) performance no pavilhão alemã, na bienal de Veneza 2017

4
por esse longe processo, a imagem aparece na minha cabeça de maneira distinta e só
necessita pintar la. A força da imagem impõe-se sozinha e com imensa clareza.

2. Presentação do projeto

O fio condutor do projeto Revolta foi uma reflexão sobre o absurdo, mas também o papel
da encenação no ato pictórico. Ele tomou inicio no segundo semestre de do ano letivo 2017-
2018. Esse trabalho é de natura figurativa com a figura humana como principal sujeito. O corpo,
e a representação da figura humana é uma imagem sempre recorrente quase obsessiva na minha
produção artística. É com o intermediário do corpo que o homem exista e que pode entrar em
relação com o mundo, os outros e o espaço. Ele assim consegue tomar lugar dentro dum grupo
social. Ter um lugar dentro de um grupo social, permite um processo de identificação,
representação, desenvolvimento e autoestima. É por isso que o tema do corpo tem sido de
crescente interesse no pensamento coletivo. De fato, o universo do corpo tem conotações que
podem ser muito variadas dependendo do ponto de vista que adotamos para estudá-lo. Como
dito precedentemente, esse projeto começou com uma seria de pintura efetuada na casa dos
meus sogros. A arquitetura, os materiais e as luzes das divisões da casa tinham uma importância
preponderante para as fotografias. Foi realizada la duas serias de fotografias, uma nas escadas7
e uma outra na cozinha8. Essas serias de fotografias, serviram de inspiração para uma seria de
pinturas a guache em escala 1. O sujeito nas fotografias era o meu namorado e eu, a tentar reagir
com o espaço arquitetónico da casa, sempre com a dimensão do absurdo em mente. Da primeira
seria, destacamos cores quentes devido a madeira da escada, aonde o corpo esta de lutas interno
como o seu meio ambiente. Numa das fotos9 por exemplo o corpo aparece deitado nas escada
de forma a acentuar a verticalidade das escadas e jogar com o espaço. A outra seria feita na
cozinha por exemplo tem uma luz forte, branca refletido nas paredes e peles. Os corpos nesses
caso, estão de braços oscilantes, quase caindo10. Duas dessas fotografias forma imprimidas a
preto e branco afim de ser matéria para uma quadro com intervenção a tina de china
preta11.Apos essas serias, foi realizada umas quatro pinturas a guache de técnica mista sobre
papel em grande dimensão, inspirada em fotografias encontrados nos álbum de família. Alem

7
Ver anexo, figura 1, e figura 2
8
Ver anexo, figura 4
9
Ver anexo, figura 3
10
Ver anexo figura 3
11
Ver anexo, figura 5

5
disso uma outra seria fotográfica, inspirado do trabalho do Klaus Rinke, foi realizada resposta
do corpo em relação ao seu ambiente12.

No primeiro semestre do ano letivo 2018-2019, aconteceu o mesmo processo artístico.


Comecei para tirar fotografias no verão na vertente de usar-lhas como matérias para futuras
criações. Essa seria constitua-se de 7 fotos 13 , num universo arquitetónico completamente
diferente. Quando as primeiras seria procurava uma simplicidade visual a mais recente seria
esta composta de um “trop-plein” de objetos.

12
Ver anexo, figura 6
13
Ver anexo, figura 7

6
2. A RELAÇÃO ESTREITA ENTRE PINTURA E FOTOGRAFIA
1. Pintura e fotografia

Com a aparição da fotografia no fim do seculo XIX, os pintores desenvolverem uma


relação muita estreita com esse novo médium. De facto, esses dois médiuns plástico aprendem-
se, alimentam-se uns dos outros, cada um se esforçando para estabelecer sua singularidade.
Tanto os pintores que os fotógrafos partilhavam e ainda agora, a vontade de representar a
realidade. Ser um reflexo dela na fotografia. A fotografia era usada para os pintores como uma
fonte iconográfica e um meio de estudo preliminar da figura e do paisagem.

No meu caso, tanto que dos meus antecessores, a fotografia é exercitada para fornecer
soluções aos problemas colocados para a pintura como uma representação do mundo real em
uma superfície plana, especialmente o problema da perspetiva. Ela é praticada também como
feramente, e funciona como processo inerrante ao meu trabalho de pintura, como os
daguerreotipes do tempo passado. Ao contrario de deixar o modelo numa posição de esforço
constante, ela permite-me de realizar vários fotos com luzes diferentes e de pensar mais na
composição do futuro trabalho. Gustave Courbet14 é o exemplo perfeito dessa dupla linguagem.
Ele usava os dois médium afim de criar uma nova forma de realismo na pintura. No âmbito de
quebrar com o Academismo que glorificava os corpos perfeitos, a sua coleção de fotografias de
mulheres nuas permitia-lhe de aproximar o mais possível da realidade. Gerando um repertório
de formas inéditos, a fotografia instituiu novos modelos criativos. Com esse processos
constitua-me então uma base de referencias fotográficas afim de elaborar a pintura final. As
fotografias tiradas são o trabalho inicial da produção plástica aonde destaca-se similitudes15. As
fotos deixam observar modelos, autorrepresentação, ou familiares. Os sujeitos são limitados a
um circulo restrito e intimo, as vezes seminuas. Aparece também fotos de interiores, cenas
familiar em diferentes lugares. No entanto como as pinturas, as fotos concentram-se num ou
dois personagem. Ele é destacada do fundo que é em geral um fundo claro com poucas
informações visuais. Encontrem-se nas fotos, o gosto da encenação, de posições longamente
pensadas com o absurdo em tela de fundo transfigura as cenas quotidianas. Se o meu trabalho
pictórico alimenta se da fotografias, o contrario é também verdade.

A tomar a fotografia como fonte, é insuflado as telas novas significações, e descobertas


novas questões como a narração e a representação. Como Gerhard Richter 16 , é usada a

14
Gustave Courbet (1819) - (1877), pintor francês precursor do realismo
15
Ver anexo : “fotografia 1”
16
Gerhard Richter (1932), pintor alemão,

7
fotografia como fonte de inspiração para a suas pinturas quase todas tratadas em grande escala.
Por exemplo, as serias que foram pintadas um pouco depois do Richter ter chegado em
Dusseldorf. Ele tem por modelos as fotos de família. Elas revelam a tradição do cliché amador,
e obedecem as normas culturais. Os personagem são centrados, toma a posa a frente do objetivo,
apresentam-se em grupo, sozinho, numa reunião de família ou durante as ferias. Dessa criação
d’imagens comuns, triviais, vão nascer novas imagens. O uso de uma fonte fotográfico como
ponto de partida, as preocupações do realismo dos corpos e das caras, o escolha das cores e da
fatura brutal permite me de propor ao espectador uma nova forma de fabricar imagens.

2. A força das imagens

A representação da figura humana foi desde sempre umas das atividades mais constante
no meu trabalho, virando num lado quase obsessivo. Representar e tomar prazer na
representação é o privilegio do ser humano. O objetivo de colocar a figura humana no meu
trabalho é no âmbito de expressar a sensibilidade interior do sujeito. Essa sensibilidade pode
ser demonstrada com uma pose, e a expressão da fisionomia. São as forças que veicula das
imagens que interessem-me. Elas combinam-se com a fotografia e a pintura. Não existe de
maneira estrita um cenário, ou indicação cénica para as figuras. A fundir um nos outros, numa
atmosfera que levara finalmente a criação de uma imagem. É o resultado da observação da
sociedade, dos indivíduos, dos corpos com o realismo que caracterizam-se para sua atualidade
e clareza. Esse trabalho se move alem do simbólico em nossa ansiedade atual. O uso de imagens
aonde sente-se uma instabilidades tem como origem para mi os personagens como Meursault17,
ou Julien Saurel 18 da literatura absurda. Reais fonte de inspiração, tento de transpor o
ressentimentos de esses personagens fictícios nas imagens produzidas.

Na vertente de mostrar a intimidade do dia a dia na filiação das cenas de géneros dos
mestres antigos como Pierre Bonnard19. A influencia do realismo magico, que puxa a querer
transformar a aparente banalidade do quotidiano em algo extraordinário. Quebrar com a
monotonia das ações repetitivas numa cativante e aparentemente interminável reação em cadeia
semiótica de mutação de significados. As vontades de essas imagens é de evocar a sensação de
um deambular sem destino através de uma paisagem desconhecido.

17
Personagem fictício do livro “L’Etranger” de Albert Camus
18
Personagem fictício do livro “Le rouge et le noir” de Stendhal
19
Pierre Bonnard (1867) - (1947), pintor frances post impresionisto

8
Resulta na obras desde 2017 uma sequencia de quadros vivos 20 , uma seria de
pantominamos nas quais a ausência de som se transforma num fator afirmativo. A omissão de
um fundo com detalhes mas sim um fundo de aplat de cores chamam a atenção para a sensação
prevalecente de um grande vazio, vácuo devastador que se encontra na obra. Esse vazio não é
no entanto sinonimo de oco mas que pelo contrario transporta consigo um imenso potencial de
possibilidade. Tento por em foco, personagens que são for da realidade estabelecida para ação
deles e tenta de escapar ao peso da condição humana. Figuras fora deles próprios, indiferentes
ao mundo, estrangeiro a ele mesmos. O caos interno tenta transparecer na ação sem sentido
perante afim de contrastar com as pinceladas lisas e fundidas. A presença passiva da morte,
confronte o homem a falta de sentido da sua existência. Qual sentido dar a vida se em qualquer
dos casos vamos morrer e não sabemos a finalidade da nossa existência.

20
Ver anexo figura 8

9
4. O ABSURDO E O TEATRO

1. O jogo da teatralização, e a rejeição de uma narrativa coerente

« Aujourd'hui, maman est morte. Ou peut-être hier, je ne sais pas. J'ai reçu un
télégramme de l'asile : Mère décédée. Enterrement demain. Sentiments distingués. Cela ne veut
rien dire. C'était peut-être hier. »21

Uma das influencias no meu trabalho é o livro como dito precedentemente “L’
étranger”22 de Albert Camus. Camus era um autor que tornava tudo em derisão a um ponto que
a ironia torna-se humorosa e a humor irónica. Era um verdadeiro virtuose na arte da
teatralização. O teatro do absurdo desmantele todos os princípios que desde Aristóteles
governam o teatro ocidental e refletem a crise profunda da pós-guerra. Não distingue
personalidades marcadas, nem intrigas no sentido narrativo do termo. O lugar aonde acontece
a ação não é em geral citado com precisão como por exemplo no “En attendant Godot”23. O
tempo é tornado ao absurdo, não há precisão. Existe uma vontade de criar um espetáculo total
com o mime, palhaço, o máximo de elementos visuais, uma preocupação do detalhes na
encenação com jogos de luzes, sombras. A tela de fundo da ação é muita vezes a sátira da
burguesia, do seu linguagem congelada e da sua mentalidade estreita. A cena esta em geral a
acontecer num clima de catástrofe mas o cómico mescla se a ele afim de superar o absurdo. O
linguagem e encenação já não é um meio de comunicação mas exprimo o vazio e a incoerência
e representa a vida cuja é sempre ridícula. Vontade de erguer, irrigar um quadro da condição
humana, bloqueada na sua absurdidade. O absurdo não é demonstrado mas simplesmente
encenado e retorna ao espectadores de perceber devida ao gesto. O absurdo faz rir de primo
abordo, mas é um riso angustiante. E só depois reflexões que percebemos o mal estar.

O teatro do absurdo tanto na minha produção artística procura a mostrar o que é


contrario ao verossimilhança, e a razão é ao possível. Os personagens são desprovido de toda
importância e de espessura psicológica. A ação é muita reduzida, até as vezes inexistente. E
pode dar lugar a improvisação. Também, o tempo pode não decorrer normalmente e parecer um
eterno recomeço. Existe uma filiação entre o universo de Samuel Beckett e o meu universo
pictórico. De facto como no “Faust” da Anne Imhof, encontram-se nos dois, objetos recetáculos
que acolhem corpos em posições larval, membros disformes, paralisados, mutilados, e

21
“L’Etranger”, (1942), Albert Camus
22
« L’Etranger»(1942), livro de Albert Camus
23
“En attendant Godot”(1952) peça de teatro escrita por Samuel Beckett

10
ameaçado por absorção na matéria e o retorno ao inerte e ao informo. No universo de Samuel
Beckett é que o poder do espaço é das coisas mais assustadora. Nesse trabalho, as figuras são
pintadas de maneira assépticas. Os corpos são quais congelados e se ação há, ela é quase
congelado no tempo. De facto destaque-se dois grupos de pessoas, os em movimentos24, e os
inertes quase a derreter25 e fundir se com o meio ambiente. As imagens são pensadas a maneira
do teatro, sem iluminação por uma luza leitosa no fundo, obscuro ou de core neutra. Cada
movimento é pensado e resulta de ensaios fotográficos, quase coreografado, aonde o corpo é
usado e cuidadosamente estudado. As figuras são retratadas em pequenos grupos ou sozinha
que se mantem ocupados com ações sem sentido. Um olha dentro as suas mãos, outra levante
com forca uma cadeira26. Os vestidos são neutros, clássicos, ou exagerados, como se eram
perante a uma trupa de teatro ambulante.

2. O papel do humor como meio de defensa

O humor esta presenta em quase todos o correntes de arte contemporâneos, tanto


divergentes um dos outros mas sempre ligados a tradição artística criada por Duchamp. Depois
do dadaísmo e os ready made, o surrealismo volta a tomar uma atitude derisória e ligeira e
transborda no tereno do sonho e do irracional. O humor é no centro, jogando nas associações
absurda e incôngruas que denota um espirito jovial alem do ambiente pesado pós-guerra. Sendo
belga, o peso cultural, a educação, os valores e o estado de espirito desse pais sempre tiveram
um papel na minha construção de ser humana como repercussão na minhas obras. Existe varias
formas de humor em Bélgica e isso desde a seculo XIV. Dum lado temos um humor involuntário
que pimenta o quotidiano de maneira direita. Dum outro temos um humor voluntario, com
tendência Flamengo e Valónia que promovam a autoironia. Bruno Coppens define o humor
belga como uma evocação do absurdo, do excêntrico, do natural, a influencia de Tati e do humor
britânico. Identifica-me então imenso com a Maen Florin e o Michael Borremans. Nessa cultura
do norte, aparece o Michael Borremans e o seus quadros misteriosos. O encontro de elementos
disparates e incôngruas é em geral um elemento característico. O humor, sempre foi no centro,
jogando nas associações absurdas. A particularidade do humor que encontramos hoje em dia
nas obras d’artes contemporâneas tem um aspeto rangente. De lado ao humor jogador e
provocador que deixava a denotar o espirito dada, mais e mais artistas usam a carta do humor
negro e da ironia como arma de contestação, a maioria do tempo social e politica. No entanto,

24
Ver anexo, figura 8
25
Ver anexo, figura 9
26
Ver anexos, 10

11
com o surrealismo ele volta a tomar uma atitude derisória e ligeira, e transborda no tereno do
sonho e do irracional.

O humor, aqui presente desenvolve se no espaço da ilusão, do defasagem para a realidade. E é com esse
aspeto que eles consegues fazer o espectador pôr se em perspetivas, tomar afastamento, ou consciência
das coisas que nos são pertas ou familiar demais. Se seguimos o ponta de vista do Freud, o humor que
nasce na capacidades do jogo permite de fazer coexistir o principio de prazer e o principio de realidade.
Existe uma capacidade unificador e conciliador dos opostos. O ressentimento de leveza frente a gravidez
da realidade exterior permite nos pôr uma distancia entre os nossos medos e nos. Nesse trabalho, o
humor funciona como uma defensa ao mal estar interior, da angustia da existência. Ele cria uma quebra
com a realidade exterior e vai nos ajudar a viver em sublimar as calamidades do mundo que nos envolve.

3. O ciclo do absurdo e a sua relação ao espectadores

O ciclo do absurdo nessas pinturas, é a transposição em imagens da filosofia do absurdo,


aonde só a fatalidade e o azar guiam os nos passos. A única escapatória é de confrontar o
absurdo e assumir o seu destino. A sair do ciclo do absurdo só pode-se atingir o ciclo da revolta.
E só quando a absurdidade do mundo é aceitado nos podemos aceder a lucidez e agir. O absurdo
marca uma rutura com a ordem estabelecida. Torna possível apagar as regras estabelecidas pela
desestabilização. Surge do confronto de elementos comparativos, a associação do artista com o
mundo. É um mecanismo de pensamento que permite, por turnos, desvios e deformações,
alcançar o significado profundo e oculto das coisas. O absurdo torna-se para o artista uma
ferramenta, uma categoria estética para levantar questões filosóficas e existenciais. Ao iniciar
uma mudança da realidade para a realidade, da realidade como é para a realidade como
pensamento do artista, o absurdo consegue expor e destacar as verdades fundamentais. O
homem esta sempre a procura dum sentido, a sua existência, a suas ações. Com o absurdo, o
herói, personagem pode libertar-se do seu papel, e ser totalmente medíocre a existência absurda.
No entanto, o mundo aonde vivemos não tem sentido, ele é indiferente ao nos consideração, o
caracter sem sentido da monotonia da nos existência e a nos morte inelutável e a inutilidade do
sofrimento.

Frente ao sentimento do absurdo o homem podem refugiar se na religião ou em crença


irracionais não necessariamente religiosa mas também filosófica. Também, o homem pode
suicidar-se como representado no quadro da mulher agachada num banco 27 . No quadro, a

27
Ver anexo 12

12
rapariga esta na escuridão28, olhos abertos mas a cair dum móvel cuja forma deixa pensar uma
cama ou um sofá. Será que ela esta aborrecida como Emma Bovary de Flaubert. O corpo sem
vontade de movimento e totalmente deixado ao abandono, sugere uma vontade de ‘lacher-prise’,
não vontade de existência, um questionamento interior sem fim. Com o olhar dirigido ao
espectador, ela tenta interpelar o outro, ou tal vez seja só um olhar no vazio. No entanto, essas
dois reação por cima são fugas, tentativas de evasões. Nos quadros, tento propor três reações
possíveis, a liberdade e a paixão com a predominância da revolta. O termo de revolta não é
nesse caso uma chamada que incentiva a violência mas sim o facto de ser lucido sobre a
absurdidade da sua própria existência, sobre a falta de sentido da vida. E aceitar essa falta sem
fugir e não preferindo-se o suicido ou refugar se em crenças religiosa ou irracionais. A liberdade
e a paixão é uma consequência da consciencialização do absurdo. Uma vez que tomamos
consciência do absurdo, somos libres porque paramos de crer no objetivo da nossa existência.
Podemos então viver plenamente e com paixão cada experiencias.

O motivo de transmitir algo que seja reflexão ou sentimentos ao espectadores sempre


foi uma valor intrínseca ao meu trabalho Tento estabelecer uma enigma deliberadamente
construído ou não na vertente de por em interrogações e desequilibrar os espectadores. Não
estão colocados perguntas para ser resolvida mas sim para produzir uma reflexão libre. Não é
imposto ao espectador de decifrar o quadro, só de ressentir. Não é imposto uma maneira de ver
mas sim uma liberdade ao espectadores de ver o que ele quere e sobretudo pode no quadro.
Mesmo com paletas cromáticas calorosas sobressalta uma pintura fria, e mecânica cujo
propósito e de criar um afastamento em a cromáticas selecionadas e os personagens no
espectadores.

28
Ver anexo 11

13
5. MICHAEL BORREMANS E A PINTURA ENCENADA

A pintura nas convulsões do seculos XIX propôs-se constituir-se como um campo de


ensaio sobre os limites do seu próprio processo de representação. Propôs-se praticamente tudo,
desde ser uma teoria geral da imagem, espacializar-se até constituir como um campo envoltório
para o espectador, abdicar da vinculação ao real para se dedicar a visualização da perceção,
estabelecer se como o campo de representação do real muito próximo da vida e do quotidiano.
Um dos dados fundamentais na transformações da pintura reside, evidentemente no surgimento
da fotografia a partir de 1940 como referindo previamente. O processo de construção de uma
temporalidade que se apresenta como um problema no interior da pintura existe como condição
na pintura de Borremans e, associada a um segundo dispositivo. Esse existe numa melancolia
difusa e irónica que produz uma pintura que na sua condição de imagem se define como uma
dissensão temporal.

Tanto na pintura do Borremans que na minha os personagens que povoam-lhas são o


grande cenas coletivas ou grupo estreitos. As mulheres e homens que executam tarefas
aparentemente infantis, ou que estão envolvidas em incongruentes atividades manuais. Quer
nos retratos em que manipulam pequenos objetos, possuem uma inevitável qualidade de
apresentação do trabalho num sentido da execução de tarefas repetitivas e desprovidas de outro
sentido senão aquele que se poderá depreender da sua repetitiva execução. Como num jogo cujo
único sentido é a sua manutenção e repetição, os retratados de Borremans são personagens sem
qualquer espessura psicológica senão a que lhes advém do uso de um adereço que remete para
uma tradição pictórica do retrato. Podemos observar que existe uma possível conotação em
relação ao surrealismo na pintura de Michael Borremans, mas ela não é oriunda de uma relação
onírica do sentido, mas de um uso da repetição como dispositivo, presente na forma recursiva.

14
CONCLUSÃO

Esse trabalho de autorreflexão baseado no absurdo, é a confrontação entre a queta do


sentido do homem e a ausência de sentido do mundo, da vida. O sentimento que quero procurar
no espectador é a falta de sentido na vida, sentido quando é confrontado a falta de sentido na
sua existência. Tento mostrar a reação possível frente ao absurdo, mas afim de perceber a ação
que esse sentimento provoca. Apoio mais a revolta que é nobre do que a fuga na morte ou
crença. O corpo entra em jogo numa restruturação dos gestos simples do dia a dia. Mesmo com
uma encenação numa vertente de pureza, afim de guardar só o essencial. Os personagens contra
o supérflua. Uma visão simples mas não simplista, tudo resulta dum dosagem de informação
meticulosamente estudado afim de criar um equilíbrio instável.

Esse projeto tornou-se um instrumento para refletir sobre o assunto do absurdo. Alem
mais a influencia do absurdo no teatro, deu me no fim do projeto a refletor sobre a encenação
no ato pictórico que deu o inicio de um novo projeto nesse semestre do ano letivo 2018-2019.

15
ANEXOS

BIBLIOGRAFIA

- BORREMANS MICHAEL, Weight, Hatje Cantz

BOUILLET, Mariette, Aux frontières du théâtre et de la peinture, Etude sur les tableaux vivants
de Claudie Gagnon Université Toulouse Le Mirail, 2009

- Chalumeau Jean-Luc, Peintures et Photographies, éditions du Chêne, 2007

- CLAUDE LORENT, La peinture narrative,

- COGGINS DAVID, Michael Borremans an interview, Art in America Magazine, 2009

- GAGEN NADEIJE, Histoire de l’art pour tous, Hazan, 2011

- GRIGORI DANIELA, Corps résistant et violence de l’image

- Gerhard Richter, Panorama, catalogue de l’exposition, ouvrage collectif, Centre Pompidou,


2012

- MICHAEL PALMER, L’art Belge, D’Ensor a Panamarenko, RACINE

- POLERA JUSTIN, Anne Imhof ’Faust’


- REID LOUISE, The life and work of Michael Borremans, Culture trip 2016
- SAINT-JEAN, M. La représentation contemporaine du corps comme allégorie de la société,
Lien social et Politiques, 2008
WEBGRAFIA
http://www.danskmagazine.com/attention/review-anne-imhofs-faust-at-venice-biennale/
https://www.goethe.de/ins/fr/fr/kul/mag/21038292.html

https://www.artinamericamagazine.com/news-features/magazines/michael-borremans/

http://www.lalibre.be/culture/arts/la-peinture-narrative-51b89ad0e4b0de6db9b2510f

16
ANEXOS

Figure 1, Sem titulo, 2017 fotografia digital Figure 2, Sem titulo, 2017 fotografia digital

Figure 3, Sem titulo, 2017 fotografia Figure 4, Sem titulo, 2017 fotografia
digital digital

Figure 5, Sem titulo, 2017


fotografia digital Figure 6, Sem titulo, 2017
fotografia digital

17
Figure 7, Sem titulo, 2018 fotografia digital Figure 8, Sem titulo, 2017 fotografia digital

Figure 9, Sem titulo, 2017 fotografia digital


Figure 10, Sem titulo, 2017 fotografia digital

Figure 11, Sem titulo, 2017


fotografia digital

18