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ESTADO DE ALAGOAS

MUNICÍPIO DE FEIRA GRANDE


Rua Sete de Setembro – Centro – Feira Grande – Estado de Alagoas.
CNPJ nº 12.207.528/0001-15 - CEP 57.340-000

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA 13ª VARA FEDERAL DA SEÇÃO


JUDICIÁRIA DO ESTADO DE ALAGOAS

Proc. n. 0803236-16.2014.4.05.8000

O MUNICÍPIO DE FEIRA GRANDE, devidamente qualificado nos autos do


processo em epígrafe, por seus advogados legalmente constituídos, vem, mui
respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, expor e requerer o que se segue:

Nos despachos judiciais nº 4058000.3762526 e 4058000.3520882 restou


decidida a manutenção da suspensão do feito, apesar das diversas solicitações do
Município de Feira Grande/AL. O primeiro despacho assim consignou:

1. Mantenho suspenso o curso do presente feito, tal como


determinado nos despachos com ids. 4058000.1460341,
4058000.2795119 e 4058000.2901453.

2. É que muito embora o Município de Feira Grande/AL (id.


4058000.3117732) tenha pugnado pela retomada da marcha
executiva, sob o fundamento de que o TRF5 julgou improcedente o
mérito da Ação Rescisória nº 0800907-04.2016.4.05.0000, ainda
não houve qualquer comunicação oficial daquele Sodalício a tal
respeito.

3. Aliás, o que se tem de certo é que, em 11/07/2018, a União


Federal interpôs Embargos de Declaração do aludido julgado,
veiculando pretensão de modificar o acórdão atacado. Isso
significa dizer que ainda não se estabilizou a solução do mérito da
rescisória em comento.

4. Acrescente-se que, cf. delineado no despacho com id.


4058000.2175856, o PRC nº 143399-AL encontra-se com duas
ordens de bloqueio provenientes da referida ação rescisória e de
uma ação civil pública, conforme certificado nos autos (Id.
4058000.2179222).

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5. Por fim, verifico que ainda se encontram pendentes de


julgamento no TRF os embargos à execução n. 0803715-
09.2014.4.05.8000, tendo em vista a interposição de apelação da
União contra a sentença proferida pelo juízo da 2ª Vara (id.
4058000.668104).

Apesar de louvável o argumento de que a ação rescisória ainda não se


estabilizou, tendo em vista que a União interpôs embargos de declaração, tal fato não
pode obstar o recebimento do crédito devido ao Município, pois, nos aludidos embargos
não há deferimento de efeito suspensivo e a tutela de urgência que impedia o
pagamento dos créditos aos municípios alagoanos fora expressamente revogada no
acórdão da ação rescisória.

A ausência de comunicação oficial também não deve ser obstáculo à


liberação do crédito do precatório n. 143.339, uma vez que a decisão já foi anexada aos
autos e esta produz efeito independente da comunicação nestes autos.

A ordem de bloqueio da ação civil pública não existe mais, pois fora
homologado termo de ajuste de conduta nos autos n. 0800702-91.2017.4.05.8001 e
este capítulo da sentença já transitou em julgado.

O recurso de apelação nos embargos à execução nº 0803715-


09.2014.4.05.8000 se limitam à insurgência da União “contra sentença que julgou
improcedentes os embargos à execução, fixando o índice de correção monetária como
sendo o IPCA-E e mantendo o valor da execução em R$ 7.654.040,13 (sete milhões
seiscentos e cinquenta e quatro mil quarenta reais e treze centavos), sem honorários,
atualizado até o mês julho de 2014”.

A ausência de transito em julgado desse processo não impede o


pagamento do precatório devido ao Município de Feira Grande/AL, pois, este precatório
se limita apenas ao valor incontroverso apresentado nos embargos à execução pela
própria União.

O valor incontroverso é aquele que deriva da diferença entre o valor


apresentado pelo exequente com o IPCA-E como índice de correção monetária e o valor
apresentado pela União com a TR como índice de correção monetária.

Nos aludidos embargos, portanto, não há nenhum pedido que seja capaz
de extinguir inteiramente a execução nº 0803236-16.2014.4.05.8000. Assim, na remota
hipótese de procedência dos embargos à execução, não haverá nenhum prejuízo para a
União, tendo em vista que só terá sido pago ao Município o valor incontroverso.

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Além do mais, como a apelação nos embargos à execução nº 0803715-


09.2014.4.05.8000 já foi julgada desprovida e os recursos especiais e extraordinários da
União foram inadmitidos, não pode haver inovação da tese jurídica com a arguição de
matéria capaz de fulminar por inteiro a presente execução.

No sentido aqui exposto, foram proferidas diversas decisões pelo


Tribunal Regional Federal da 5º Região, veja-se:

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO


CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. COMPLEMENTAÇÃO DE VALORES DO
FUNDEF ORDEM DE BLOQUEIO IMPOSTA A PRECATÓRIO.
LEVANTAMENTO DE 80% DA QUANTIA INCONTROVERSA, CONFORME
TAC AJUSTADO COM O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. POSSIBILIDADE.
RECURSOS EXTREMOS DA UNIÃO QUE DISCUTEM JUROS DE MORA E
CORREÇÃO MONETÁRIA. AGRAVO PROVIDO.

1. Cuida-se de agravo de instrumento interposto pelo


MUNICÍPIO DE PILAR/AL em face de decisão oriunda do juízo da 4ª
Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Alagoas, a qual negou o
pedido do município ora agravante de liberação do requisitório n.º PRC
158.604/AL.

2. O Magistrado a quo consignou na decisão agravada que o


pedido de liberação da verba não poderia ser analisado naqueles autos,
tendo em vista a pendencia de julgamento dos Embargos à Execução
nº 0800233-19.2015.4.05.8000 nos tribunais Superiores.

3. Em suas razões recursais, expôs o ora agravante que


inexistiria conflito de interesses entre o que foi requerido pela União
Federal em sede de embargos à execução e a aplicação pretendida
pelo município, conforme se depreenderia do TAC firmado com o MPF,
não havendo, consequentemente, razões para se aguardar o trânsito
em julgado dos embargos. Ainda, que o juízo singular teria usurpado a
competência do Tribunal para conferir efeito suspensivo à execução,
quando isto sequer teria sido requerido pela União Federal, em
violação ao princípio da inércia.

4. Compulsando-se os autos dos Embargos à Execução, verifica-


se que os Embargos já foram julgados por esta Quarta Turma, o qual
foi negado provimento. De fato, ainda estão pendentes de julgamento
os Recursos Especial e Extraordinário que discutem os juros de mora e
correção monetária.

5. especificamente no que se refere ao caso ora sob exame se


vislumbra plausibilidade na tese apresentada pela ora agravante,
notadamente por não ter sido concedido efeito suspensivo aos

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recursos especial e extraordinário por este Tribunal e por o conteúdo


decisório a ser proferido em sede dos referidos recursos não versarem
sobre os valores cuja titularidade e montante se encontram
incontroversos, e cuja liberação é requerida pelo município agravante.
Portanto, não mais subsiste, em tese, o empecilho à liberação dos
valores devidos ao ente municipal, a título de diferença do VMAA, no
valor 80% do requisitório de nº PRC 158604-AL, em razão do TAC
ajustado com o Ministério Público Federal.

6. Agravo de instrumento provido, para determinar a liberação


do 80% crédito do PRC 158604-AL.

(PROCESSO: 08112638720184050000, DESEMBARGADOR


FEDERAL LAZARO GUIMARÃES, 4ª Turma, JULGAMENTO: 14/12/2018,
PUBLICAÇÃO: )

***

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO.


CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. PARCELA INCONTROVERSA.
EXPEDIÇÃO DE PRECATÓRIO. POSSIBILIDADE.

1. Trata-se de agravo de instrumento manejado pelo


MUNICÍPIO DE PARIPUEIRA/AL e OUTRO contra decisão
proferida pelo Juízo da 3ª Vara Federal da Seção Judiciária de
Alagoas que, nos autos de cumprimento de sentença, deixou de
deferir o pleito de regular prosseguimento do feito, com a
expedição de alvará de levantamento do PRC 149866-AL em
favor dos credores agravantes (o ente municipal e o escritório
contratado, MONTEIRO E MONTEIRO ADVOGADOS
ASSOCIADOS).

2. O caso cuida de cumprimento de sentença proposto pelo


Município de Paripueira/AL, referente à condenação da União ao
pagamento das diferenças relativas ao repasse a menor ao
FUNDEF, em virtude da subestimação do Valor Mínimo Anual por
Aluno (VMAA). Houve o manejo de ação rescisória, pelo ente
federal, visando desconstituir a decisão transitada em julgado no
processo nº 0011204-19.2003.4.05.8000, a qual formou o título
ora executado. Diante do julgamento de improcedência da ação
rescisória nº 0800907-04.2016.4.05.0000, foi requerida a
imediata liberação da quantia do PRC 149866-AL em favor do
Município e escritório agravantes.

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3. O Juízo de origem, em que pese alertado sobre o


julgamento de improcedência da ação rescisória, achou de
melhor alvitre aguardar-se a comunicação oficial a respeito do
trânsito em julgado da mencionada rescisória. Daí o agravo da
edilidade municipal.

4. É verdade que, como bem elucidado pelos agravantes,


nas razões de seu recurso, sobreveio o julgamento de
improcedência da ação rescisória de nº 0800907-
04.2016.4.05.0000, com a consequente cassação da liminar
deferida naqueles autos para suspender o curso dos inúmeros
feitos executivos provenientes da ação coletiva nº 0011204-
19.2003.4.05.8000 (estando o cumprimento de sentença de que
se cuida nisto incluído).

5. Portanto, não mais subsiste, em tese, o empecilho à


liberação dos valores devidos ao ente municipal, a título de
diferença do VMAA, e ao escritório de advocacia contratado para
representá-lo em juízo, a respeito de honorários contratuais.

6. Com efeito, a mera pendência de julgamento dos


embargos de declaração opostos pela União contra o acórdão de
julgamento improcedente do pedido da ação rescisória não tem
o condão de obstar o regular processamento do feito executivo
em questão, razão pela qual assiste razão ao Município de
Paripueira e ao escritório Monteiro e Monteiro Advogados
Associados no que tange à pretensão de acesso aos valores que
lhes são devidos.

7. Agravo de instrumento provido, para determinar a


liberação do do crédito do PRC 149866-AL.

(PROCESSO: 08114292220184050000, DESEMBARGADOR


FEDERAL PAULO ROBERTO DE OLIVEIRA LIMA, 2ª Turma,
JULGAMENTO: 11/10/2018, PUBLICAÇÃO: )

Insta acrescentar, ainda, que a Secretaria de Educação do Município de


Feira Grande/AL elaborou um relatório, cuja cópia segue anexa ao presente, no qual
demonstra a necessidade de realização de diversas obras emergenciais em algumas
escolas públicas, o que evidencia, ainda mais, a necessidade de imediata liberação do
crédito a que faz jus o Município de Feira Grande/AL.

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Destaque-se que o Município de Feira Grande possui portal da


transparência ativo, assinou termo de ajuste de conduta com o Ministério Público
Federal e se compromete e a cumprir todas as exigências legais para aplicação do
crédito do precatório do FUNDEF nº 143.399.

O risco na liberação do crédito devido ao Município pode ensejar a


aplicação da Lei n. 13.463/2017, que, em seu art. 2º determina que sejam cancelados
os precatórios e as RPV federais expedidos cujos valores depositados há mais de dois
anos não tenham ainda sido levantados pelo credor. Veja-se:

Art. 2o Ficam cancelados os precatórios e as RPV federais


expedidos e cujos valores não tenham sido levantados pelo credor
e estejam depositados há mais de dois anos em instituição
financeira oficial.

Dessa forma, caso não seja o crédito liberado em benefício do Município


de Feira Grande, a fim de evitar a incidência do artigo susomencionado, deve o valor
do depósito integral se transferido para conta judicial à disposição deste juízo, o que
significará levantamento dos valores e impedirá o cancelamento do precatório, o que
causaria ainda mais dano ao Município com a necessidade de nova inscrição e novo
pagamento.

Por último, cite-se que no processo nº 0700383-90.2018.8.02.0060


ajuizado pelo Monteiro e Monteiro Advogados foi proferida tutela de urgência para
bloquear 20% do crédito oriundo do precatório nº 143.399. Esta decisão, porém, foi
suspensa pelo Vice-Presidente do Tribunal de Justiça no julgamento da suspensão
liminar nº 0803528-51.2018.8.02.0000, cuja decisão segue anexa, e no processo nº
0700210-39.2018.8.02.0069 ajuizado pelo Sindicato dos Trabalhadores da Educação de
Alagoas - SINTEAL foi proferida tutela de urgência para bloquear 60% do crédito oriundo
do precatório nº 143.399 para pagamento dos profissionais do magistério (rateio). Esta
decisão ainda não foi modificada e a ordem de bloqueio, na data de protocolo desta
petição, persiste.

Por todo o exposto, requer-se:

a) Em caráter de urgência, que os valores do precatório FUNDEF nº 143.399 sejam


levantados e transferidos para conta bancária à disposição deste juízo, a fim de
se evitar o cancelamento do precatório FUNDEF nº 143.399, cujos valores estão
depositados pela União desde 28/06/2017.

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b) que este juízo se digne a determinar a imediata expedição de ALVARÁ liberatório


do crédito do precatório FUNDEF nº 143.399 (pelo menos de 40% do crédito do
Município, permanecendo na conta descrita na alínea anterior o percentual de
60% cujo bloqueio se deve à ação ordinária ajuizada na Vara do Único Ofício da
Comarca de Feira Grande) em benefício do requerente, tendo em vista que todos
os itens mencionados no despacho ID n. 4058000.3520882 não se constituem
hábeis para impedir o direito do Município exequente.

Nestes termos, pede deferimento.

Maceió, Alagoas, 20 de fevereiro de 2019.

RUBENS MARCELO PEREIRA DA SILVA


OAB/AL Nº 6638