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A dor visceral tem cinco características importantes, que merecem destaque:

1. A dor não é evocada de todas as vísceras. Órgãos como fígado, rim, a maioria das
vísceras sólidas e o parênquima pulmonar não são sensíveis à dor, enquanto
membranas serosas de órgãos ocos são mais sensíveis à dor.
2. A intensidade da dor não é ligada diretamente com o grau de injúria visceral: o corte do
intestino, por exemplo, não causa dor, enquanto a distensão da bexiga é dolorosa e é
um exemplo de dor sem lesão.
3. A dor é difusa e pobremente localizada devido a poucos aferentes viscerais, quando
comparada com vias somáticas. Particularmente, a ausência de vias sensoriais viscerais
individualizadas e a extensiva divergência no SNC podem também levar a diagnósticos
errôneos.
4. A dor geralmente é referida para outros locais devido a convergência viscerossomática
em vias de dor central. Pode ser, inclusive, a queixa mais importante, e pode confundir
a exata localização da doença.
5. A dor é frequentemente acompanhada de reflexos autonômicos e motores, como
náusea, vomito e tensão muscular lombar baixa, como ocorre na cólica renal. Estas
alterações podem servir como sistema mantenedor e facilitador da transmissão
dolorosa.

A ocorrência de dor visceral depende da natureza dos estímulos provocados. Estímulos


adequados que produzem dor visceral são: distensão ou estiramento, isquemia e processo
inflamatório. Órgaos ocos como o intestino são relativamente sensíveis à distensão e
inflamação e insensíveis ao corte e queimadura. Logo, a gravidade da dor nem sempre
reflete a gravidade da condição causadora da dor.