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Hidráulica Geral – Laboratório 1

Docente: Thais Santos Castro (thais.castro.feg@gmail.com)

Nome: Nº: Turma:

Escoamento em um Canal Aberto de Seção Retangular

1. Objetivo:

Geral:
Identificar diferentes tipos de escoamento em canais abertos.
Específico:
Realizar o cálculo da profundidade crítica e do coeficiente de rugosidade da superfície de um canal
aberto de seção retangular através da fórmula de Manning e do número de Froude.

2. Introdução teórica:
Um escoamento em canal aberto é caracterizado pela existência de uma superfície livre, sendo esta
superfície uma interface entre dois fluidos. Em engenharia civil, as aplicações mais comuns estão
relacionadas ao escoamento de água em contato com o ar atmosférico.
Como exemplos de aplicações, podemos citar o escoamento em rios e riachos, em canais de
irrigação, esgotos domésticos e industriais, canais de águas pluviais, etc.

Figura 1 – Representação esquemática de um canal aberto


Característica de canais abertos:

Inclinação do canal (S0): É definida como a tangente do ângulo de inclinação do canal.

S0  tg (1)

Profundidade do escoamento (y): Distância medida perpendicularmente ao fundo do canal até a


superfície livre.

Área de escoamento (A): Área da seção transversal perpendicular à direção do escoamento.

Perímetro molhado (P): Comprimento da superfície sólida do canal em contato com o fluido.

Raio hidráulico (R): Definido como:

A
R (2)
P

Profundidade hidráulica média (yh): Profundidade média do canal em qualquer seção


transversal, definida por:

A
yh  (3)
bs

Sendo bs a largura da superfície.

Para um canal de seção retangular, como o da figura 1:

P  b  2 y (4)

A  b y (5)

b y
R (6)
b  2 y

yh  y (7)
Sobre a classificação quanto ao tipo de escoamento:

O escoamento em um canal aberto pode ser classificado pela maneira em que suas propriedades se
alteram com o tempo (permanente e não-permanente) e ao longo do canal (gradualmente variado,
rapidamente variado e espacialmente variado). Um escoamento em regime permanente é aquele em
que suas propriedades não se alteram com o tempo. Se a profundidade do canal permanece
constante também ao longo do canal, o escoamento é chamado de escoamento uniforme. Em
contrapartida, um escoamento é dito ser não-permanente quando suas grandezas podem variar tanto
com o tempo como ao longo do canal.
A maneira como as grandezas de um escoamento variam espacialmente pode defini-lo como
gradualmente variado, se essa variação ocorrer de forma gradual, rapidamente variado, se essa
variação for de forma abrupta ou espacialmente variado, quando se tem adição ou remoção de
fluido do canal (ex.: escoamento em uma calha).

Sobre a análise unidimensional em canais:

Como o fluido de um canal se move majoritariamente em uma direção, convém-se negligenciar o


escoamento nas demais direções. Essa consideração é bastante razoável, visto que promove
simplificação considerável nos cálculos com erros aceitáveis. Para isso, se faz necessário o cálculo
da velocidade média para cada seção do canal, que pode ser calculada através da média entre
medidas da velocidade no centro do canal para diferentes distâncias, medidas a partir da superfície
livre:

V0,2  V0,8
V (8)
2

V0,2  4 V0,6  V0,8


V (9)
4

Para um fluido incompressível e em um escoamento onde não há nem adição nem remoção de
massa, a velocidade em certa seção pode ser calculada a partir de:

1 Q
V
AA u  dA 
A
(10)

Para compensar as diferenças produzidas pela consideração de um perfil uniforme, coeficientes


para correção da energia e da quantidade de movimento são definidos. Esses são o coeficiente de
energia (α) e o coeficiente de quantidade de movimento (β):

 A
u 3  dA
(11)
V3  A

u  dA
2

 A
(12)
V2A

Sobre a distribuição de pressões:

Em canais com pequenas inclinações, a inclinação pode ser desprezada e a distribuição da pressão
com a altura é dada por:

p  y    y (13)

Para grandes inclinações, sua influência deve ser considerada:

p  y     y  cos  (14)

Assim sendo, a linha piezométrica é dada por:

p
 z  z  yn  cos  (15)

Sendo yn a profundidade do escoamento, medido normal ao fundo.

Sobre as equações de conservação

A equação da continuidade (ou de conservação de massa) é dada por diferentes expressões, de


acordo com o tipo de escoamento. Para um escoamento uniforme, gradualmente ou rapidamente
variado é assim definida:

Q  V  A  cte (16)

Se o escoamento for espacialmente variado, a equação da continuidade é dada por:

x
dQ
Q  Q1   dx (17)
0
dx
Mas se o regime de escoamento for não permanente, é dada pela equação:

Q y
 bs 0 (18)
x t

A conservação da energia é dada pela equação de Bernoulli (19) e a equação da quantidade de


movimento é derivada da análise da 2ª lei de Newton para um volume de controle (20):

Figura 2 – Parâmetros da equação de Bernoulli e volume de controle

V12 V2
y1  cos   1   z1  y2  cos    2  2  z2  hL (19)
2 g 2 g

F   2    Q V2  1    Q V1 (20)

Sobre a energia específica (E):

A energia específica é um parâmetro definido como a energia do escoamento tomando-se como


referência o fundo do canal.

V2
E  y  cos     (21)
2 g
Q2
E  y  cos     (22)
2  g  A2

A equação acima pode ser representada graficamente:

Figura 3 – Representação gráfica de energia específica

Com uma análise da figura 3, nota-se que existem duas profundidades diferentes para uma mesma
energia específica, já que a equação da energia específica é quadrática. Para cada valor de vazão Q,
existe certo valor de energia específica para o qual há uma raiz dupla. Esta condição é chamada
condição crítica, com energia mínima Ec e profundidade crítica yc. Como esta é a condição de
energia mínima, para obtê-la basta derivar a equação da energia em relação a y uma vez e igualar o
resultado a zero:

dE   Q 2 dA
 cos   0
dy g  A3 dy

dA
 bs
dy
  Q 2  bs
 cos  , considerando  = 1 e cos = 0
g  A3

Q 2  bs
1
g  A3

Assim, o número de Froude (Fr) é definido como:

V Q 2  bs
Fr  ou Fr 2  (23)
g  A bs g  A3

O número de Froude é a razão entre a velocidade característica do escoamento e a velocidade da


onda gravitacional para sua altura hidráulica relacionada. Para as condições críticas (mínima
energia específica), o número de Froude tem valor unitário e a linha correspondente de Fr = 1
divide as curvas de energia específica em duas regiões distintas. Para uma vazão específica, para os
pontos acima da linha Fr = 1, a profundidade é maior que a crítica para certa quantidade de energia,
levando a um escoamento mais lento e com Fr < 1. Esses escoamentos são chamados de
escoamentos subcríticos. Por outro lado, a parte inferior da curva corresponde a escoamentos mais
velozes e de Fr > 1. Neste caso, os escoamentos são denominados escoamentos supercríticos.
Para o canal aberto de seção retangular, estudado neste laboratório, a profundidade crítica yc é dada
em (24) e a energia crítica Ec em (25):

13
 Q2 
yc   2  (24)
b g 

3
Ec   yc (25)
2

Sobre o balanço de forças em um escoamento uniforme


Em um escoamento uniforme, a força peso na direção do escoamento se iguala à força de
resistência causada pelo atrito. Portanto, não há aceleração e assim a profundidade permanece
constante.
Figura 4 – Escoamento uniforme

O balanço de forças na direção do escoamento é:

 0  P  L    g  A  L  sen , para pequenas elevações, senθ = tgθ = S0:

  g  A  S0
0     g  R  S0 , para escoamento turbulento, a tensão de cisalhamento nas paredes
P
pode ser estimada por:

g
 0  K V 2 , então V   R  S0  C  R  S0 (26)
K

O coeficiente C é conhecido como coeficiente de Chézy. Para o seu cálculo, usaremos a equação de
Manning, na qual C é calculado da seguinte maneira:

R1 6
C (27)
n

Sendo n o coeficiente de Kutter, que depende da rugosidade da superfície. A substituição nas


expressões acima fornece:

R 2 3  S01 2 A  R 2 3  S01 2
V ou Q (28)
n n

De acordo com o tipo do escoamento, a superfície livre de um canal aberto pode assumir diferentes
perfis. Quando a vazão Q, o coeficiente de rugosidade n e a inclinação S0 são fixados, podemos
calcular dois fatores para caracterizar um canal. O primeiro fator é a profundidade normal, ou seja,
a profundidade que existiria no canal se o escoamento fosse uniforme. Esta profundidade pode ser
calculada através da fórmula de Manning. O outro fator é a profundidade crítica, ou seja, a
profundidade para que o escoamento ocorra na condição crítica. Esta profundidade pode ser
calculada através do número de Froude, para Fr = 1. A tabela a seguir mostra a classificação de
diferentes canais:

Tabela 1 – Classificação dos canais


Categoria Símbolo Característica Comentários
Inclinação fraca M yn > yc Escoamento subcrítico, profundidade normal
Inclinação forte S yn < yc Escoamento supercrítico, profundidade normal
Inclinação crítica C yn = yc Escoamento crítico, profundidade normal
Leito horizontal H S0 = 0 Não pode existir escoamento uniforme
Inclinação adversa A S0 < 0 Não pode existir escoamento uniforme
Perfis das superfícies Tipos de Profundidade Escoamento Declividade
curva da superfície
Declividade suave
M1 y > yn > yc Subcrítico Positiva
M2 yn > y > yc Subcrítico Negativa
M3 yn > yc > y Supercrítico Positiva

Declividade forte
S1 y > yc > yn Subcrítico Positiva
S2 yc > y > yn Supercrítico Negativa
S3 yc > yn > y Supercrítico Positiva

Declividade crítica
C1 y > yc = yn Subcrítico Positiva
C3 y < yc = yn Supercrítico Positiva

Declividade horizontal
H2 y > yc Subcrítico Negativa
H3 y < yc Supercrítico Positiva

Declividade adversa
A2 y > yc Subcrítico Negativa
A3 y < yc Supercrítico Positiva

Figura 5 – Perfis das superfícies de escoamento


3. Procedimento Experimental

O canal aberto de seção retangular a ser utilizado no experimento em questão é esquematizado na


figura 6:

Figura 6 – Esquema do aparato experimental

O canal possui paredes e fundo de acrílico, com 3 m de comprimento e 0,19 m de largura. A


inclinação do mesmo é feita pelo acionamento de um parafuso sem fim, sendo a distância entre a
articulação do canal e o ponto de elevação de 2030 mm.
A vazão é imposta ao sistema pela utilização de uma bomba com capacidade máxima de 25 m 3/h,
sendo que a vazão circulante é determinada pela utilização de um medidor de vazão magnético. A
altura da lâmina d’água pode ser obtida pela utilização de uma régua que pode ser deslocada ao
longo do comprimento do canal.
O procedimento do experimento será o seguinte:
1) Regular a vazão para aquela que se deseja iniciar o teste;
2) Depois do escoamento estabilizado, incline o canal até uma condição de declividade
adversa (S < 0), anotando o valor da altura I do controle de elevação e a vazão
informada pelo medidor. Faça oito medições de profundidade ao longo do canal,
concentrando a maior parte delas na região de escoamento uniforme. Anote também
o valor da distância horizontal x equivalente à profundidade medida;

3) Repita o procedimento 2 para declividade horizontal (S = 0) e outras 3 declividades


positivas (S > 0);
4) Para cada declividade, anote o tipo de curva (vide figura 5) observada e a
profundidade yn normal (medida na região onde o escoamento é uniforme).

Declividade adversa (S < 0), I = -6 mm; Q : l/min


Medida: d (mm): y (mm): A (m2) V (m/s): Fr: E (m):
M1 x1 =300 y1 =
M2 x2 =500 y2 =
M3 x3 =700 y3 =
M4 x4 =850 y4 =
M5 x5=1000 y5=
M6 x6 =1500 y6 =
M7 x7 =2000 y7 =
M8 x8 =2500 y8 =
Prof. crítica yc (mm):
Tipo de curva:

Declividade horizontal (S = 0), I = 0 mm; Q = l/min


Medida: d (mm): y (mm): A (m2) V (m/s): Fr: E (m):
M1 x1 =300 y1 =
M2 x2 =500 y2 =
M3 x3 =700 y3 =
M4 x4 =850 y4 =
M5 x5=1000 y5=
M6 x6 =1500 y6 =
M7 x7 =2000 y7 =
M8 x8 =2500 y8 =
Prof. crítica yc (mm):
Tipo de curva:
Declividade positiva 1 (S > 0), I = 3 mm; Q = l/min
Medida: d (mm): y (mm): A (m2) V (m/s): Fr: E (m):
M1 x1 =300 y1 =
M2 x2 =500 y2 =
M3 x3 =700 y3 =
M4 x4 =850 y4 =
M5 x5=1000 y5=
M6 x6 =1500 y6 =
M7 x7 =2000 y7 =
M8 x8 =2500 y8 =
Prof. normal yn (mm): Prof. crítica yc (mm):
Tipo de curva:

Declividade positiva 1 (S > 0), I = 6 mm; Q = l/min


Medida: d (mm): y (mm): A (m2) V (m/s): Fr: E (m):
M1 x1 =300 y1 =
M2 x2 =500 y2 =
M3 x3 =700 y3 =
M4 x4 =850 y4 =
M5 x5=1000 y5=
M6 x6 =1500 y6 =
M7 x7 =2000 y7 =
M8 x8 =2500 y8 =
Prof. normal yn (mm): Prof. crítica yc (mm):
Tipo de curva:
Declividade positiva 2 (S > 0), I = 15 mm; Q = l/min
Medida: d (mm): y (mm): A (m2) V (m/s): Fr: E (m):
M1 x1 =300 y1 =
M2 x2 =500 y2 =
M3 x3 =700 y3 =
M4 x4 =850 y4 =
M5 x5=1000 y5=
M6 x6 =1500 y6 =
M7 x7 =2000 y7 =
M8 x8 =2500 y8 =
Prof. normal yn (mm): Prof. crítica yc (mm):
Tipo de curva:
4. Cálculos
Além dos cálculos das propriedades indicadas nas tabelas da seção anterior, pede-se que o aluno
calcule o valor da profundidade crítica (Fr = 1) para cada uma das declividades. O aluno deve
também estimar o valor do coeficiente de rugosidade da superfície do canal n a partir da fórmula de
Manning e do valor da profundidade normal yn.

5. Comentários e Conclusão