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Teoria e história III

Os últimos modernos
Os pós-modernos
Arquitetura contemporânea
High tech – arquitetura da alta tecnologia

• Estilo que acentua a construção do edifício, conceito que incorporava o design, a


engenharia, a construção e a manipulação do espaço

• O Palácio de Cristal, a Bauhaus e as ideias do Archigram são precedentes

• Maioria dos edifícios estão na Inglaterra, nos anos 1960

• Materiais leves, superfícies puras, serviços e partes construtivas à mostra, uso de


metal e vidro e cores vibrantes

• Os espaços internos normalmente é livre

• Normam Foster e Richard Rogers são os principais arquitetos


Archigram. À esquerda, a walking city (cidade caminhante) e à direita a plug-in city (cidade plugável). Década
de 1960

Archigram era composto por Peter Cook, Warren Chalk, Ron Herron, David Greene, Mike Webb e Dennis
Compton.

Interessavam-se pela obsolescência das edificações, afirmando que “o lar, a cidade toda e o pacote de ervilha
são a mesma coisa”
Richard Rogers. Lloyd´s Bank, Londres 1978-86
A city londrina, com o Lloyd´s Bank, logo próximo o edifíco (“The Gherkin”) de Norman
Foster, inaugurado em 2004
Norman Foster. Sainsbury Centre for Visual Arts, Norwich, 1977. Contornos audaciosos criados com a expressão do
metal brilhante, colunas e cabos
Norman Foster. Sainsbury Centre for Visual Arts, Norwich, 1977
Norman Foster. Centro de distribuição de partes da Renault, Swindon, 1981-82
Richard Rogers e Renzo Piano. Centro George Pompidou, Paris, 1971
Richard Rogers e Renzo Piano. Centro George Pompidou, Paris, 1971
Richard Rogers e Renzo Piano. Centro George Pompidou, Paris, 1971
Metabolistas japoneses

• Apropriam-se da tecnologia, especialmente a naval e aeroespacial, de forma


irônica e tem um manisfesto publicado em 1960

• Recorre a referências biológicas e fazem eco aos trabalhos de Yona Friedman (que
propôs o conceito de “urbanismo espacial”)

• Faz eco as ideias de crescimento para satisfazer as novas necessidades da


sociedade, fazendo uso, mesmo exagerado das novas tecnologias e comunicação
de massa

• Cidades lineares, estruturas flutuantes, edifícios orgânicos que cresciam


indefinidamente
Kisho Kurokawa. À esquerda, a Cidade Hélice, inspirada num DNA, que pode crescer verticalmente e horizontalmente, de
modo indefinido; à direita, a Cidade Rural, onde cada célula é independente dentro da malha, onde as unidades
multiplicam-se espontaneamente sem nenhum hierarquia. Década de 1960
Kisho Kurokawa. Torre
de cápsulas Nagakin,
Tóquio, 1970-72.

Pensada para crescer


(ou diminuir )
indefinidamente,
embora nunca tenha
sido modificada
Pós-modernismo

• Robert Venturi o primeiro expoente do pós-modernismo, com seu livro


Complexidade e contradição, de 1966

• Crítica ao reducionismo dos modernos

• Propõe uma arquitetura que se expressa nos termos “tanto...como”, “elementos


de dupla função”, “mais não é menos”, “difícil unidade de inclusão”

• Inspirado pela semiótica, psicologia da Gestalt e teoria literária que afirma o valor
poético da ambiguidade

• Valorização e apropriação da história centrada nas imagens (Venturi era


admirador do maneirismo e do barroco)
Pós-modernismo

Trecho de Complexidade e contradição


Robert Venturi. Guild House, Philadelphia, 1963

Referências às consagradas tradições da arquitetura ocidental,


como elementos como colunas, simetria, tudo dosado com
ironia, como a antena que segue a simetria e que no momento
da construção não era funcional, porém simbólica: a Guild
House é um abrigo de idosos, cuja maior parte do tempo
passam assistindo TV.
Robert Venturi. Casa Vana Venturi, Pensilvania, 1964

Fazendo eco a casa tradicional, nota-se a valorização do fechamento ao invés da estrutura como era comum
entre os modernos. Ironicamente, a entrada é pela lateral, não pelo centro como é sugerido
Robert Venturi. Institute for Scientific Information, Pensilvania, 1978

Posteriormente, no livro Aprendendo com Las Vegas (1972), Venturi irá criar a expressão “galpão decorado”,
uma caixa simples, banal, com símbolos aplicadas em sua superfície.
Philip Johnson. Igreja sem telhado, Indiana, 1960

Johnson, um modernista convertido para o pós-modernismo, usa símbolos como a rosa


(importante para esta comunidade), enquanto as telhas de madeira remetem a um material
americano tradicional (shingle style)
Philip Johnson. Pennzoil Place, Nova Iorque, 1972-76

Johnson foi um dos primeiros a se afastar da torre de vidro


cúbica e inventar formas únicas como uma maneira de
criar prédios de escritório reconhecíveis
Philip Johnson. Edifício da AT&T, Nova Iorque, 1978-83

Nesta sede corporativa, Johnson usou ornamentos e


motivos ousados, lembrando nova-iorquinos dos anos
1920.

Todo revestido de granito, a base apresenta uma loggia


clássica, e o topo, refere-se ao estilo Chippendale
A Strada Nouvissima, na exposição de Veneza de 1980,
explorava o tema “a presença do passado”, onde foi
possível a percepção que os arquitetos europeus também
estavam prontos para a ornamentação

A principal inspiração foram os derivados do clássico, indo,


do idiossincrático ao neoclássico
Robert Stern. Casa em Farm Neck, Massachusetts, 1980-83. Referências históricas aos
arquitetos Mckim, Mead & White. Também inspirada no shingle style do século anterior.
Oswald Mathias Ungers. Museu de arquitetura alemã, Frankfurt, 1979-84.
Integração entre elementos novos e antigos
Oswald Mathias Ungers. Museu de arquitetura alemã, Frankfurt, 1979-84.
Integração entre elementos novos e antigos
Ricardo Bofill. Palácio d´Abraxas. Conjunto habitacional em Marne-la-Vallée, perto de
Paris, 1978-82. Aplicação do ideário pós-moderno a conjuntos habitacionais de grande
escala, estabelecendo identidade clara, contrária a monotonia dos conjuntos modernos.
Michael Graves. Prefeitura de Portland, Oregon, 1978-82. Limites do pós-modernismo
Charles Moore. Piazza d´Italia, Nova Orleans, 1975-80. Em projetos como este, os
arquitetos do fim do século XX buscaram criar lugares onde, mais uma vez, as pessoas
pudessem se divertir
Hans Hollein. Agência de viagens, Viena, 1976-78. As referências vão desde os destinos
paradisíacos à caixa de depósitos de Otto Wagner, referida na grande abóbada de vidro.
Notar as colunas de “quebradas”, preenchidas com metal.
Regionalismo crítico

Mario Botta. Casa em Viganello, Suíca, 1981-


1982

Formas geométricas ousadas, construída


com materiais comuns, que atendem a
função e, ao mesmo tempo, criam imagens
poderosas.

Embora as formas seja geométricas (Le


Corbusier e Louis Kahn foram os dois
mentores de Botta), as formas e os materiais
ecoam profundamente no subsconsciente
humano, em busca de uma arquitetura que
falasse com as pessoas
Regionalismo crítico

Álvaro Siza. Banco Pinto & Sotto Mayor,


Oliveira de Azeméis, Portugal, 1971-74
Regionalismo crítico

Balkrishna Doshi. Instituto do


trabalho Mahatma Gandhi, Índia,
1980-84.

Doshi reuniu influências de seus


professores, Le Corbusier e Louis
Kahn, em formas criadas pelas
antigas culturas do subcontinente
indiano
Desconstrutivismo

• A princípio uma reação à pós-modernidade Disneylândia e ao mesmo tempo


contra a modernidade ortodoxa

• O termo vem da filosofia de Jacques Derrida, associada a ideia de desmontar


sem, no entanto, destruir

• Associação com os processos dos construtivistas e suprematistas russos, primazia


da forma geométrica abstratas e busca de uma simplicidade radical nas formas
geométricas

• Propõe-se a trabalhar não com a linearidade perceptiva, mas com processos de


construção do significado que inclui mudanças de perspectiva e associações
imprevistas na origem
Peter Eisenman

Diagrama para o
processo projetivo
da Casa III, 1969-71
Peter Eisenman

Diagrama para o
processo projetivo
da Casa III, 1969-71

Peter Eisenman. Centro de Arte e Design Aronoff, Cincinnati, 1996.


Baseado nas curvas do terreno, árvores e edifícios existentes
Kassimir Malevich.
Suprematismo, 1915
Zaha Hadid. Residência
para o primeiro ministro
irlandês, 1980 (projeto)
Zaha Hadid. Estação de bombeiros da Vitra, Cincinatti, Weil am Rheim, 1983-93
Zaha Hadid. Rosenthal Center for Contemporary Art, Cincinatti, 2003
Daniel Libeskind. Museu Judaico, Berlim, 1999
Coop Himmelb(l)au.

Remodelagem de um
telhado, Viena, 1988
Frank Gehry. Casa do arquiteto, Santa Monica, 1978
Frank Gehry. Museu Guggenheim, Bilbao, 1997
Arquitetura hoje

• Geografias estratégicas: China, nações do Golfo Pérsico e do antigo bloco


socialista; trabalho à distância: como atender demandas tão distantes e manter a
qualidade arquitetônica sem cair na imagem comercial? Internacionalismo
crítico?

• Materiais reinventados: muito além dos grandes vãos de concreto e aço, novos
materiais ajudam a reiventar a relação de arquitetos com a construção: do vidro
portante, nanotecnologia aplicada ao concreto, resinas, carbono, titânio e a
redescoberta do gesso e do barro

• Edifícios sustentáveis: consideração do edifício em suas diversas fases, desde a


escolha dos materiais, localização, implantação, e principalmente funcionamento.
A sustentabilidade pode ter uma face mais voltada para os recursos naturais
(barro, pedra, madeira...) assim como os materiais industriais
Arquitetura hoje

• A cidade: atualização da relação entre cidade e edifício por meio de métodos e


práticas do desenho urbano que não se limitam a composições de grande escala ,
mas que consideram a definição de processos complexos de interação entre
autoridades, urbanistas e cidadãos.

• Outro problema se refere ao espraiamento da malha urbana das cidades, não


mais suburbanos, mas exurbanos

• A paisagem: busca de maior especificidade topográfica e de uma nova


urbanidade envolvem reflexões sobre as relações arquitetura e paisagem.

• Atenção aos aspectos históricos e ecológicos ao invés da imagem dos edifícios


• Aplicação de preceitos paisagísticos às grandes infraestruturas: redes rodoviárias,
ferroviária e aeroviária como caminho fecundo
Arquitetura hoje

• Meios digitais de projeto: a informática abriu novas possibilidades de projeto


podendo abranger desde pesquisas formalistas, a integração de variáveis
diversas, como aspectos de sustentabilidade que podem ser simulados mais
facilmente

• Por sua vez, as mídias hipermodernas acabaram com a hegemonia do material


impresso e põe em risco a crítica arquitetônica, gerando ambientes volúveis e
fragmentados

• A habitação social: abandono do compromisso social da arquitetura do início do


século passado e o nível galopante da urbanização atual trazem dificuldades de
proposição de uma arquitetura social, que raramente é encomendada pelo
mercado, restando apenas alguns exemplos esparsos. O engajamento do início do
século pode ter sido um feliz e efêmero interlúdio no drama da história.