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USO DO GEORRADAR PARA ESTUDOS DE ESTRATIGRAFIA DO SUBSOLO

Felipe da Silva Alves

Dissertação de Mestrado apresentada ao


Programa de Pós-graduação em Engenharia
Civil, COPPE, da Universidade Federal do Rio
de Janeiro, como parte dos requisitos necessários
à obtenção do título de Mestre em Engenharia
Civil.

Orientador(es): Francisco de Rezende Lopes

Rio de Janeiro
Dezembro de 2011
USO DO GEORRADAR PARA ESTUDOS DE ESTRATIGRAFIA DO SUBSOLO

Felipe da Silva Alves

DISSERTAÇÃO SUBMETIDA AO CORPO DOCENTE DO INSTITUTO ALBERTO


LUIZ COIMBRA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA DE ENGENHARIA
(COPPE) DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE
DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE
EM CIÊNCIAS EM ENGENHARIA CIVIL.

Examinada por:

________________________________________________
Prof. Francisco de Rezende Lopes, Ph.D.

________________________________________________
Prof. Fernando Artur Brasil Danziger, D.Sc.

________________________________________________
Dr. Marcus Peigas Pacheco, Ph.D.

________________________________________________
Dr. Gleide Alencar Nascimento Dias, D.Sc.

RIO DE JANEIRO, RJ - BRASIL


DEZEMBRO DE 2011
Alves, Felipe da Silva
Uso do Georradar para Estudos de Estratigrafia do
Subsolo/ Felipe da Silva Alves. – Rio de Janeiro:
UFRJ/COPPE, 2011.
VIII, 187 p.: il.; 29,7 cm.
Orientador: Francisco de Rezende Lopes
Dissertação (mestrado) – UFRJ/ COPPE/ Programa de
Engenharia Civil, 2011.
Referências Bibliográficas: p. 172-179.
1. Investigação do subsolo. 2. Georradar. 3. Geofísica.
I. Alves, Felipe da Silva. II. Universidade Federal do Rio
de Janeiro, COPPE, Programa de Engenharia Civil. III.
Título.

iii
Resumo da Dissertação apresentada à COPPE/UFRJ como parte dos requisitos
necessários para a obtenção do grau de Mestre em Ciências (M.Sc.)

USO DO GEORRADAR PARA ESTUDOS DE ESTRATIGRAFIA DO SUBSOLO

Felipe da Silva Alves

Dezembro/2011

Orientador: Francisco de Rezende Lopes

Programa: Engenharia Civil

Esta dissertação apresenta um estudo da contribuição do Georradar (GPR, de


Ground Penetrating Radar) na obtenção de informações sobre a estratigrafia do
subsolo. Além da revisão teórica do método, foram estudados três casos, utilizando-se
antenas não-blindadas e, nos casos 1 e 2, também antenas blindadas. Nos estudos de
caso, buscou-se analisar as fases de aquisição (Common Offset e ensaio CMP),
processamento (utilizando-se o software RADAN® 6.5) e interpretação dos dados. O
uso do GPR foi complementado, no caso 3, com outros dois métodos geofísicos:
Eletrorresistividade (ER) e Sub-Bottom Profiler (SBP). Das áreas estudadas: a) a do
caso 1, situada na Ilha do Fundão, apresenta aterro de baixa compacidade, solos
aluvionares e residual, bem como lençol freático próximo à superfície; b) a do caso 2,
localizada em um município vizinho ao Rio de Janeiro, é composta por solos
aluvionares e residual, seguidos de maciço rochoso (com nível d’água, aparentemente,
pouco profundo); c) a do caso 3, localizada em outro município vizinho ao Rio de
janeiro, caracteriza-se por camadas sedimentares diversas e pelo lençol freático
encontrado em profundidades moderadas. Os dados dos métodos de prospecção indireta
(métodos geofísicos) foram comparados entre si e com aqueles de prospecção direta.
Com estes estudos, foi possível concluir sobre a aplicabilidade, as vantagens e
desvantagens de cada metodologia geofísica, em especial do GPR.

iv
Abstract of Dissertation presented to COPPE/UFRJ as a partial fulfillment of the
requirements for the degree of Master of Science (M.Sc.)

ON THE USE OF GPR FOR STRATIGRAPHY STUDIES OF THE


UNDERGROUND

Felipe da Silva Alves

December/2011

Advisor: Francisco de Rezende Lopes

Department: Civil Engineering

This work presents a study of the contribution of Ground Penetrating Radar


(GPR) in order to obtain information about undergroung stratigraphy. Besides the
theoretical review of the method, three cases were studied, with unshielded antennas
and, in cases 1 and 2, also shielded antennas. In the case studies, it was sought to
analysed the phases of acquisition (Common Offset and CMP), processing (using
RADAN® 6.5 software) and interpretation of data. The use of GPR was complemented
in case 3 with other two geophysical methods: Electroresistivity (ER) and Sub-Bottom
Profiler (SBP). Of the areas studied: a) the first one (case 1), situated in Ilha do Fundão,
it contains low compactness landfill, alluvial and residual soils and water table near the
surface; b) the second one (case 2), localized in a neighboring city to Rio de Janeiro, it
is composed of alluvial and residual soils, followed by the rock mass (with, apparently,
little deep phreatic level) and; c) the third one (case 3), located in another neighboring
city to Rio de Janeiro, it is characterized by different sedimentary layers and having
water table at moderate depths. The indirect exploration methods data (geophysical
methods) were compared to each other and with the ones from the percussion drilling.
With these studies it was possible to conclude on the applicability, advantages and
disadvantages of each geophysical method, in particular the GPR.

v
AGRADECIMENTOS

A Deus, pela minha vida.

Aos meus pais e irmãos, por minha formação como pessoa, cidadão e profissional.

A minha esposa, Aracelli, por sempre me incentivar e acreditar em mim.

Ao professor Francisco Lopes, pela orientação, compreensão, apoio, confiança e


exemplo de profissional competente, dedicado, humilde e que ama o que faz.

Ao professor Webe Mansur, por ceder o equipamento de GPR.

Ao geofísico Amilsom Rodrigues, pelo valioso auxílio nas etapas de aquisição,


processamento e interpretação de dados geofísicos.

À professora Gleide Alencar, pelas sugestões e informações transmitidas.

Aos amigos Paulo Garchet e Louis Losier, por me acompanharem nos trabalhos de
campo.

Aos membros da banca examinadora, por participarem deste momento de grande


relevância.

vi
SUMÁRIO

CAPÍTULO 1

INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 1

1.1. OBJETIVO DESTA DISSERTAÇÃO ......................................................................... 1


1.2. METODOLOGIA ADOTADA..................................................................................... 1
1.3. ORGANIZAÇÃO DO PRESENTE TRABALHO ....................................................... 2
CAPÍTULO 2

A TÉCNICA DO GPR – PRIMEIRA PARTE: HISTÓRICO E TEORIA .............. 3

2.1. DEFINIÇÃO ................................................................................................................. 3


2.2. FUNCIONAMENTO .................................................................................................... 3
2.3. HISTÓRICO ................................................................................................................. 4
2.4. PROPAGAÇÃO DA ONDA ELETROMAGNÉTICA EM SUBSUPERFÍCIE .......... 5
2.4.1. Conceitos ............................................................................................................... 5
2.4.2. Propriedades eletromagnéticas dos meios ............................................................. 7
2.4.3. Formulação teórica .............................................................................................. 12
2.4.4. Valores típicos ..................................................................................................... 16
2.5. FENÔMENOS QUE AFETAM OS SINAIS DO GPR .............................................. 18
2.5.1. Reflexão .............................................................................................................. 18
2.5.2. Refração .............................................................................................................. 22
2.5.3. Atenuação ............................................................................................................ 24
2.6. APLICAÇÕES ............................................................................................................ 29
2.7. VANTAGENS E DESVANTAGENS ........................................................................ 30
CAPÍTULO 3

A TÉCNICA DO GPR – SEGUNDA PARTE: AQUISIÇÃO E


PROCESSAMENTO DOS DADOS ........................................................................... 31

3.1. PARÂMETROS DE AQUISIÇÃO ............................................................................. 31


3.1.1. Resolução espacial .............................................................................................. 31
3.1.2. Profundidade máxima de exploração ou penetração ........................................... 35
3.1.3. Frequência de operação ....................................................................................... 37
3.1.4. Janela temporal de amostragem ou de registro (range ou time window) ............ 41
3.1.5. Intervalo temporal de amostragem (ou razão de amostragem) ........................... 41
3.1.6. Espaçamento entre as estações de medida (step) ................................................ 43

vii
3.1.7. Separação das antenas (offset) ............................................................................. 43
3.2. TÉCNICAS DE AQUISIÇÃO DE DADOS ............................................................... 44
3.2.1. Perfil de reflexão ................................................................................................. 44
3.2.2. Sondagem de velocidade ..................................................................................... 45
3.3. PROCESSAMENTO DOS DADOS ........................................................................... 48
3.3.1. Objetivos ............................................................................................................. 48
3.3.2. Etapas .................................................................................................................. 48
CAPÍTULO 4

ESTUDOS DE CASO ................................................................................................... 61

4.1. ESTUDO DE CASO 1 – ILHA DO FUNDÃO .......................................................... 61


4.1.1. Localização e objetivos ....................................................................................... 61
4.1.2. Trabalhos realizados ............................................................................................ 62
4.1.3. Dados preliminares .............................................................................................. 63
4.1.4. Resultados das investigações geofísicas.............................................................. 67
4.1.5. Discussão dos resultados ..................................................................................... 76
4.2. ESTUDO DE CASO 2 – ATERRO EM MUNICÍPIO VIZINHO AO RIO DE
JANEIRO ................................................................................................................................ 77
4.2.1. Localização e objetivos ....................................................................................... 77
4.2.2. Trabalhos realizados ............................................................................................ 78
4.2.3. Dados preliminares .............................................................................................. 79
4.2.4. Resultados das investigações geofísicas.............................................................. 86
4.2.5. Discussão dos resultados ................................................................................... 120
4.3. ESTUDO DE CASO 3 – ÁREA INDUSTRIAL EM MUNICÍPIO VIZINHO AO RIO
DE JANEIRO ........................................................................................................................ 120
4.3.1. Localização e objetivos ..................................................................................... 120
4.3.2. Trabalhos realizados .......................................................................................... 121
4.3.3. Dados preliminares ............................................................................................ 132
4.3.4. Resultados das investigações geofísicas............................................................ 135
4.3.5. Discussão dos resultados ................................................................................... 164
CAPÍTULO 5

CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ................................................................ 165

5.1. CONCLUSÕES ......................................................................................................... 165


5.2. RECOMENDAÇÕES PARA TRABALHOS FUTUROS ........................................ 169
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 172

APÊNDICE ................................................................................................................. 180


viii
CAPÍTULO 1

INTRODUÇÃO

1.1. OBJETIVO DESTA DISSERTAÇÃO

Nos projetos de Engenharia Civil envolvendo fundações, obras de terra e subterrâneas, é


muito importante o conhecimento da estratigrafia do subsolo. Esta é usualmente
avaliada a partir de sondagens (à percussão, denotadas como SP, e/ou mistas, denotadas
como SM), que podem ser complementadas com outras investigações verticais, também
diretas, tais como ensaios de cone (CPT, CPTU, etc.), ensaio de palheta (vane test),
dentre outros, e apresentada na forma de perfil geotécnico. Devido ao elevado custo das
prospecções diretas, estas são disponíveis em número limitado, especialmente em obras
muito extensas. A interpolação das informações das sondagens, em muitas situações, é
difícil, pois o subsolo pode apresentar heterogeneidades pontuais, localizadas entre
prospecções diretas. Os métodos geofísicos são ferramentas úteis na complementação
dos dados de sondagens, além, naturalmente, dos conhecimentos de Geologia,
principalmente na região do subsolo não compreendida pelas mesmas. Os métodos
geofísicos comumente utilizados em estudos de estratigrafia para Engenharia Civil são:
(a) Sísmica de Reflexão Rasa, (b) Eletrorresistividade (ER) e (c) o Georradar (GPR, de
Ground Penetrating Radar). Há outras técnicas, menos utilizadas, como o Sub-Bottom
Profiler (SBP).

O objetivo do presente trabalho consiste no estudo da contribuição do Georradar (GPR)


na obtenção de informações sobre a estratigrafia do subsolo.

1.2. METODOLOGIA ADOTADA

Foram estudados 3 locais cujos subsolos já haviam sido investigados por sondagens à
percussão ou mistas. Nos dois primeiros casos, foram realizadas prospecções com o
GPR e discutidas as etapas de aquisição (perfis de reflexão no arranjo Common Offset e
ensaios CMP), processamento e interpretação dos dados. No terceiro caso, foi realizada,
apenas, a etapa de interpretação dos dados do Georradar, que foram complementados
com outros 2 métodos geofísicos: Eletrorresistividade (ER) e Sub-Bottom Profiler

1
(SBP); as etapas de aquisição e processamento dos dados das 3 metodologias estudadas
neste caso foram realizadas por uma empresa contratada.

Nos estudos realizados, foram utilizadas antenas blindadas com frequência central de
200 MHz, nos casos 1 e 2, e não-blindadas com frequência central de 80 MHz, nos
casos 1 e 2, e de 16 MHz, no caso 1, todas do equipamento SIR 3000, da empresa GSSI,
bem como foram feitos processamentos de sinais pelo software RADAN® 6.5.

1.3. ORGANIZAÇÃO DO PRESENTE TRABALHO

Esta dissertação divide-se em 5 capítulos. Após o capítulo inicial, que apresenta o


escopo e a metodologia deste trabalho, seguem-se 2 capítulos sobre a técnica do GPR
(para evitar um capítulo de tamanho excessivo). O capítulo 4 apresenta os estudos de
caso realizados. O quinto e último capítulo contém as conclusões e recomendações para
trabalhos futuros.

2
CAPÍTULO 2

A TÉCNICA DO GPR – PRIMEIRA PARTE: HISTÓRICO E TEORIA

2.1. DEFINIÇÃO

O Ground Penetrating Radar (GPR), também conhecido, no Brasil, como Georradar, é


um ensaio geofísico ativo, não-intrusivo, que visa analisar a propagação de pulsos
eletromagnéticos em um meio material.

2.2. FUNCIONAMENTO

Pulsos eletromagnéticos de curta duração e alta frequência central, geralmente


contemplada na faixa de 1 a 2600 MHz, são repetidamente irradiados para o subsolo
através da antena transmissora. Durante o percurso dos pulsos no sentido descendente,
eles vão perdendo amplitude e, à medida que atingem materiais de propriedades
eletromagnéticas contrastantes entre si, sofrem reflexões, refrações e difrações, sendo,
por consequência, parcialmente captados pela antena receptora. Os sinais recebidos são
amplificados, digitalizados e armazenados, podendo ser processados em uma etapa
posterior (NUNES, 2002).

Os dados do GPR são apresentados na forma de radargramas semelhantes aos


sismogramas do método geofísico da Sísmica de Reflexão. Cada posição de medida em
superfície contempla um traço (wiggle trace), o qual representa o registro das
amplitudes dos sinais captados a partir da emissão de um único pulso por parte do
Georradar, associadas ao período compreendido entre sua transmissão e captação,
denominado tempo de viagem (time travel). Para visualizar os dados do GPR, podem
ser utilizados 2 padrões de apresentação: wiggle e scan. No primeiro, as amplitudes
registradas podem ser realçadas pelo preenchimento parcial ou total dos traços com uma
única cor (comumente preta), enquanto que, no segundo, este preenchimento é realizado
com base em uma escala de cores (tais como em tons de cinza, colorida, etc.).

3
Conhecendo-se as velocidades de propagação da onda no meio, pode-se obter, a partir
dos tempos das ondas refletidas identificados no radargrama, a profundidade de cada
interface prospectada.

2.3. HISTÓRICO

O primeiro uso de sinais eletromagnéticos para determinar a presença de objetos


metálicos situados em subsuperfície terrestre é geralmente atribuído a HÜLSMEYER
(1904, citado por REYNOLDS, 1997 e por DANIELS, 1996). No entanto, a primeira
descrição da utilização de ondas eletromagnéticas para localizar objetos enterrados
ocorreu somente após 6 (seis) anos, na Alemanha, patenteada por LEIMBACH &
LÖWY (1910, citado por DANIELS, 1996). Estes autores descreveram um
levantamento geofísico efetuado com base em ondas eletromagnéticas contínuas, cujo
objetivo era detectar água subterrânea e/ou depósitos minerais.

O trabalho de HÜLSENBECK (1926, citado por DANIELS, 1996) foi o primeiro a


utilizar pulsos eletromagnéticos para investigações de subsolo.

STERN (1929, citado por OLHOEFT, 2003) realizou o primeiro levantamento geofísico
com o método do GPR, aplicando-se pulsos eletromagnéticos para determinação da
espessura de uma geleira.

A tecnologia do GPR foi pouco utilizada até o final da década de 60, devido às
limitações do instrumento. Nesta década, um dos maiores sucessos da prospecção
realizada com o GPR consistiu na sua utilização para determinação da espessura de
placas de gelo no Ártico e na Antártida (SCAIFE & ANNAN, 1991).

Na década de 70, houve uma intensificação das atividades de pesquisa relacionadas ao


método, incentivada pela missão à Lua com a nave Apollo 17, em 1972, a primeira a
que contou com um geólogo na tripulação, chamado Harrison Schmitt, resultando em
novas pesquisas, publicações e aplicações, iniciando-se, assim, a aplicação de pulsos
eletromagnéticos para investigações de ambientes sem gelo, com o intuito de identificar
tubulações enterradas, escavações, profundidade do lençol d’água, etc.

4
A partir da década de 80, devido às inovações eletrônicas e computacionais, a utilização
do GPR passou a ser muito mais simples e de menor custo, adquirindo uma significativa
gama de opções no que se refere à aquisição, ao processamento dos dados e, por
consequência, às aplicações, difundindo-se pelo mundo. Estes acontecimentos fizeram
com que o GPR fosse reconhecido como método de investigação geofísica pela
comunidade geocientífica mundial.

A aplicação da técnica do GPR, no Brasil, teve seu início no Centro de Pesquisas da


Petrobras (CENPES/PETROBRAS) em 1994 (PORSANI, 1999).

2.4. PROPAGAÇÃO DA ONDA ELETROMAGNÉTICA EM SUBSUPERFÍCIE

2.4.1. Conceitos

A propagação da onda eletromagnética através dos meios é fundamentada nas 4


equações de Maxwell, as quais correspondem, respectivamente, às Leis de Gauss (uma
referente à eletrostática e, a outra, à magnetostática), à Lei de Faraday e à Lei de
Ampère (modificada por Maxwell), e nas 3 relações constitutivas do meio, que
relacionam as propriedades eletromagnéticas deste ao campo elétrico ou magnético
externo aplicado (WARD & HOHMANN, 1987).

A figura 2.01 ilustra a propagação de uma onda eletromagnética, apresentando seus


componentes: o campo elétrico ( ) e o magnético ( ), ambos oscilando ortogonalmente
entre si e em relação à direção de propagação da onda.

5
Figura 2.01 – Propagação de uma onda eletromagnética (REYNOLDS, 1997).

As equações de Maxwell e as relações constitutivas formam um sistema fechado, o qual


deve ser resolvido de forma simultânea, a fim de se obter informações tais como a
velocidade de propagação da onda eletromagnética através do meio e a atenuação do
pulso emitido ao longo de sua propagação no meio.

As equações de Maxwell, apresentadas na forma diferencial, são (WARD &


HOHMANN, 1987):

. = (Lei de Gauss para a eletrostática) (2.01)


. =0 (Lei de Gauss para a magnetostática) (2.02)

x =- t (Lei da Indução de Faraday) (2.03)

x = c (Lei de Ampère, modificada por Maxwell) (2.04)

onde:
 é o deslocamento elétrico, expresso, no S.I., em Coulomb por metro quadrado
(C/m²);
  é a densidade de carga livre (C/m³);
 é o campo de indução magnética, expresso, no S.I., em Tesla (T) = Weber por
metro quadrado (Wb/m²) = Vs/m²;
 é o campo elétrico aplicado, expresso, no S.I., em Volts por metro (V/m) =
Newtons por Coulomb (N/C);
6
 é a intensidade do campo magnético, expressa, no S.I., em Ampère por metro
(A/m);
 c é a densidade da corrente de condução, expressa, no S.I., em Ampère por metro
quadrado (A/m²);
 é a densidade da corrente de deslocamento (ou de propagação), expressa, no S.I.,
em Ampère por metro quadrado (A/m²);
 . é o divergente do campo vetorial;
 x é o rotacional do campo vetorial.

As relações constitutivas do meio estão contempladas no próximo item (2.4.2), o qual


descreve as principais propriedades eletromagnéticas dos meios associadas à
propagação do sinal emitido pelo GPR.

2.4.2. Propriedades eletromagnéticas dos meios

2.4.2.1. Condutividade elétrica ()

Refere-se à capacidade de um material em permitir a passagem de cargas elétricas, em


resposta a um campo elétrico aplicado.

Quando um material geológico é submetido a um campo elétrico externo, este provoca


uma diferença de potencial sobre as cargas elétricas livres daquele, as quais adquirem
movimento quase instantâneo até atingir uma velocidade constante, gerando a corrente
de condução. Após a retirada do campo elétrico, as mesmas cargas cessam seu
movimento e mantêm a posição (TEIXEIRA, 2008).

A corrente de condução implica o efeito Joule, o qual corresponde ao mecanismo de


dissipação de energia, sob a forma de calor, de cargas elétricas livres submetidas a um
campo elétrico (ANNAN, 2001) e que é provocado pelas colisões entre as mesmas
(apresentando a movimentação adquirida, conforme explicitado anteriormente) e os
átomos do condutor, que resultam em uma maior vibração destes e, consequentemente,
no aquecimento do material.

7
Meios condutivos são, portanto, inadequados à aplicação do GPR, uma vez que
dissipam grande quantidade do sinal emitido pela antena transmissora, diminuindo
consideravelmente a profundidade máxima de investigação a partir do emprego desta
metodologia.

A condutividade elétrica é descrita conforme a lei de Ohm:

c =. (Primeira Relação Constitutiva do Meio) (2.05)

onde:
 c é a densidade da corrente de condução, expressa, no S.I., em Ampère por metro
quadrado (A/m²);
  é a condutividade elétrica do material, expressa, no S.I., em Siemens por metro
(S/m) = (Ω.m)-1;
 é o campo elétrico aplicado, expresso, no S.I., em Volts por metro (V/m) =
Newtons por Coulomb (N/C).

Para investigações realizadas com o GPR, uma vez que os meios mais propícios à
aplicação desta técnica apresentam alta resistividade, é comum se trabalhar com a
condutividade expressa por mS/m.

Os principais fatores que aumentam a condutividade elétrica dos materiais em


subsuperfície, de acordo com KELLER (1987), estão relacionados ao acréscimo de: teor
de umidade; porosidade; concentração de sais dissolvidos; argilas e/ou outros minerais
condutivos.

Cabe ressaltar que o acréscimo de porosidade, em solos secos, reduz o valor da


resistividade elétrica destes. No entanto, quando o aumento do percentual de poros é
acompanhado do preenchimento total ou parcial dos mesmos com água
(situação comumente encontrada na natureza), os íons dissolvidos na água
proporcionam um mecanismo de condução elétrica que dissipa o campo
eletromagnético aplicado, extraindo e transferindo irreversivelmente a energia deste

8
para o meio, provocando, assim, atenuação e, por consequência, baixa penetração da
onda eletromagnética no terreno (SOUZA, 2005).

Quanto mais significativos forem os contrastes entre as condutividades elétricas do


meio em estudo, maior tenderá a ser a quantidade de reverberações do sinal
eletromagnético no radargrama (SANDMEIER, 2003).

2.4.2.2. Resistividade elétrica ()

Corresponde ao inverso da condutividade elétrica:

= (2.06)

onde:
  é a resistividade elétrica do material, expressa, no S.I., em Ω.m;
  é a condutividade elétrica, expressa, no S.I., em Siemens por metro (S/m) =
(Ω.m)-1.

2.4.2.3. Permissividade dielétrica ()

Trata-se da habilidade de um material de polarizar-se, quando submetido a um campo


elétrico.

Diferentemente da corrente de condução, a corrente de deslocamento não apresenta


característica dissipadora de energia eletromagnética, mas sim de armazenamento desta.

Quando um material é submetido a um campo elétrico externo, ocorre o fenômeno da


polarização, no qual suas cargas elétricas não-livres deslocam-se de uma posição para
outra, sendo ambas estáveis, aumentando-se, assim, a energia armazenada pelo material.
Associado a este movimento, surge a corrente de deslocamento (ou de propagação),
expressa conforme a equação 2.07. No instante em que o campo é retirado, as mesmas
cargas tendem a voltar para a posição inicial e parte da energia adquirida anteriormente
é liberada, sendo o restante dissipado na forma de calor (efeito Joule) (ANNAN, 1992).
9
d d
= =. (2.07)
dt dt

onde:
 é a densidade da corrente de deslocamento (ou de propagação), expressa, no S.I.,
em Ampère por metro quadrado (A/m²);
 é o deslocamento elétrico, expresso, no S.I., em Coulomb por metro quadrado
(C/m²);
  é a permissividade dielétrica, expressa, no S.I., em Faraday por metro (F/m);
 é o campo elétrico aplicado, expresso, no S.I., em Volts por metro (V/m) =
Newtons por Coulomb (N/C).

Meios dielétricos são, portanto, adequados à aplicação do GPR, visto que proporcionam
menor atenuação da onda eletromagnética e, consequentemente, maior profundidade
máxima de prospecção através deste equipamento.

A permissividade dielétrica é expressa pela relação entre o deslocamento elétrico e o


campo elétrico:

=. (Segunda Relação Constitutiva do Meio) (2.08)

onde:
 é o deslocamento elétrico, expresso, no S.I., em Coulomb por metro quadrado
(C/m²);
  é a permissividade dielétrica, expressa, no S.I., em Faraday por metro (F/m);
 é o campo elétrico aplicado (V/m).

2.4.2.4. Constante dielétrica (k) ou permissividade dielétrica relativa (r)

Consiste na razão entre a permissividade dielétrica do meio e a permissividade dielétrica


no vácuo (ANNAN, 2001):

10

K = r = (2.09)

onde:
 K é a constante dielétrica (adimensional);
 r é a permissividade dielétrica relativa (adimensional);
  é a permissividade dielétrica (F/m);
 0 é a permissividade dielétrica no vácuo (cerca de 8,854 . 10-12 F/m).

Na prática, utiliza-se a constante dielétrica (K) em substituição à permissividade


dielétrica (), devido ao fato daquela ser adimensional e fornecer valores mais práticos
que os desta grandeza.

2.4.2.5. Permeabilidade magnética ()

Corresponde ao grau de magnetização de um material, quando submetido a um campo


magnético:

=. (Terceira Relação Constitutiva do Meio) (2.10)

onde:
 é o campo de indução magnética, expresso, no S.I., em Tesla (T) = Weber por
metro quadrado (Wb/m²) = Vs/m²;
  é a permeabilidade magnética do material, expressa, no S.I., em Henry por metro
(H/m);
 é a intensidade do campo magnético, expressa, no S.I., em Ampère por metro
(A/m).

2.4.2.6. Permeabilidade magnética relativa (r)

Trata-se da razão entre a permeabilidade magnética do meio e a permeabilidade


magnética no vácuo (ANNAN, 2001):

11

r = (2.11)

onde:
 r é a permeabilidade magnética relativa (adimensional);
  é a permeabilidade magnética (H/m);
 0 é a permeabilidade magnética no vácuo (cerca de 4 . π . 10-7 H/m).

2.4.3. Formulação teórica

A formulação teórica da propagação de ondas eletromagnéticas em subsuperfície tem


como base as seguintes premissas simplificadoras (BORGES, 2002):
 O subsolo é horizontalmente estratificado, composto de camadas homogêneas,
isotrópicas e de extensão lateral infinita;
 As propriedades eletromagnéticas dos materiais são constantes e independentes de
tempo, temperatura ou pressão;
 A permeabilidade magnética é igual à do espaço livre ( = 0). Assim, a
permeabilidade magnética relativa é igual a 1 para os materiais geológicos e o PVC,
e a 100 para materiais metálicos, tais como o ferro e o aço (POWERS & OLHOEFT,
1996).

Resolvendo-se o sistema fechado composto pelas equações de Maxwell e relações


constitutivas do meio, e considerando-se que ondas esféricas podem ser representadas
pela superposição de ondas planas, obtém-se a expressão que define o comportamento
dos pulsos emitidos pelo GPR ao longo de sua propagação através dos diferentes meios,
também conhecida como equação da onda plana:

x + . =0 (2.12)

sendo:
= ..–i. .. (2.13)

onde:

12
 é o campo elétrico aplicado (V/m);
 k é o número de onda, caracterizado por contemplar as informações referentes às
propriedades eletromagnéticas do meio e à frequência da onda (rad/m);
 é a frequência angular da onda eletromagnética (rad/s);
  é a permeabilidade magnética (H/m);
  é a permissividade dielétrica (F/m);

 i é o número complexo igual a - ;

  é a condutividade elétrica, expressa, no S.I., em Siemens por metro (S/m) =


(Ω.m)-1;
 O termo “ .  . ” está associado à corrente de deslocamento (ou propagação);
 O termo “– i . .  . ” refere-se à corrente de condução (ou atenuação).

Para ondas eletromagnéticas de baixa frequência (f < 1 MHz), a corrente de condução é


dominante na expressão 2.13, podendo-se, consequentemente, desprezar o termo
referente à corrente de deslocamento (ou propagação); já no caso de ondas de alta
frequência (f ≥ M z), como ocorre nas investigações realizadas com o GPR, os dois
termos da equação 2.13 devem ser considerados (WARD & HOHMANN, 1987),
podendo esta ser reduzida para (DANIELS, 2004; AGUIAR, 2005):

 = i . k =  + i .          (2.14)

onde:
  é a constante de propagação (m-1);

 i é o número complexo igual a - ;

 k é o número de onda (rad/m);


  é a taxa (ou coeficiente) de atenuação (dB/m);
  é a constante de fase (rad/m).

Resolvendo-se a equação da onda plana (2.12), obtém-se:

.z .z . t –  . z)
(z, t) = . e– .e i. .t
= . e– . ei.( (2.15)

13
onde:
 (z, t) é o campo elétrico na profundidade “z” e no tempo de propagação “t” (V/m);
 é o campo elétrico no instante t = 0, na profundidade z = 0 (V/m);
  é a constante de propagação (m-1);
 t é o tempo de propagação do campo elétrico (s);

 i é o número complexo igual a - ;

 é a frequência angular da onda eletromagnética (rad/s);


  é a taxa (ou coeficiente) de atenuação (dB/m);
 z é a profundidade (m);
  é a constante de fase (rad/m).

Os fatores que governam a propagação da onda eletromagnética em um meio são a


velocidade e a atenuação. sta pode ser definida a partir do coeficiente “” e, devido a
sua complexidade, encontra-se explicitada no item 2.5.3 da presente dissertação; aquela
pode ser determinada através da frequência e da constante de fase (), conforme
apresentado a seguir.

De acordo com ORELLANA (1974), a constante de fase () e a velocidade de


propagação da onda eletromagnética em um meio (v) podem ser determinadas a partir
das seguintes expressões:


   
= . (2.16)

onde:
  é a constante de fase (rad/m);
 é a frequência angular da onda eletromagnética (rad/s);
  é a permissividade dielétrica (F/m);
  é a permeabilidade magnética (H/m);
  é a condutividade elétrica, expressa, no S.I., em Siemens por metro (S/m) =
(Ω.m)-1.

14
c
v= (2.17)

( )
.
. r .

onde:
 v é a velocidade de propagação da onda eletromagnética (m/s);
 c é a velocidade da luz no vácuo (cerca de 3,0 . 108 m/s);
 K é a constante dielétrica do meio (adimensional);
 r é a permeabilidade magnética relativa (adimensional);
  é a condutividade elétrica, expressa, no S.I., em Siemens por metro
(S/m) = (Ω.m)-1;
  é a permissividade dielétrica (F/m).


A relação entre a corrente de condução e a de deslocamento , contemplada nas
.
expressões 2.16 e 2.17, denotada por “tan ”, é denominada tangente do ângulo de perda
(ou, simplesmente, fator de perda) e define, para um determinado meio, a frequência de
transição entre o fenômeno da difusão e o da propagação. O ângulo “” indica o quanto
a densidade de corrente de deslocamento está defasada da densidade de corrente total.

Quando tan  >> 1, a condutividade elétrica torna-se dominante na propagação da onda


eletromagnética e, por consequência, os efeitos provenientes da corrente de
deslocamento podem ser desprezados; já nos casos em que tan  << 1, a permissividade
dielétrica passa a ser dominante na propagação da onda eletromagnética e, por
conseguinte, os efeitos advindos da corrente de condução podem ser desconsiderados.

Na propagação da onda eletromagnética em materiais comumente encontrados em


subsuperfície, em geral, a condutividade elétrica torna-se dominante para ondas de
baixa frequência (inferior a 1 MHz) enquanto que, para ondas de alta frequência (igual
ou superior a 1 MHz), como é o caso das prospecções com o GPR, a permissividade
elétrica passa a ser dominante (WARD & HOHMANN, 1987).
Considerando-se a faixa de frequência de operação do GPR e expandindo-se a equação

2.16 em séries de potência de , obtém-se:
.

15
= . . (2.18)

onde:
  é a constante de propagação dos campos eletromagnéticos, também conhecida
como constante de fase (rad/m);
 é a frequência angular da onda eletromagnética (rad/s);
  é a permeabilidade magnética (H/m);
  é a permissividade dielétrica (F/m).

Considerando-se prospecções em materiais não-magnéticos ( = 0) e de baixa perda


(tan  << 1), tais como solos não-saturados compostos de areia limpa e/ou pedregulhos,
a equação 2.17 pode ser simplificada para:

c
v= (2.19)

onde:
 v é a velocidade de propagação da onda eletromagnética (m/s);
 c é a velocidade da luz no vácuo (cerca de 3,0 . 108 m/s);
 K é a constante dielétrica do meio (adimensional).

Em prospecções geofísicas realizadas com o GPR, é comum utilizar a unidade m/ns


para denotar a velocidade de propagação da onda eletromagnética em um determinado
meio material, visto que o valor desta esta é bastante elevado.

2.4.4. Valores típicos

A tabela 2.01 apresenta valores típicos das principais propriedades eletromagnéticas e


das grandezas que governam a sua propagação, para alguns dos diferentes meios
materiais encontrados em subsuperfície, considerando-se a frequência de operação do
GPR.

16
Tabela 2.01 – Valores típicos de propriedades eletromagnéticas para diferentes materiais.

Material Constante Condutividade Velocidade Atenuação


Termo utilizado na dielétrica (K) elétrica () (v) ( ) Fonte
Termo original (adimensional) (mS/m) (m/ns) (dB/m)
Engenharia Geotécnica

Água do mar Sea water 81 3 x 103 - - Porsani, 1999


Água doce Fresh water 81 0,5 - - Porsani, 1999
Ar Air 1 0 0,3 0 Davis and Annan, 1989
Areia abaixo do NA Sand wet 20 - 30 0,1 - 1 0,06 0,03-0,3 Davis and Annan, 1989
Areia acima do NA Sand dry 3-5 0,01 0,15 0,01 Davis and Annan, 1989
Areia acima do NA e cascalho Areia seca e cascalho 2-6 0,01 - - Porsani, 1999
Arenito abaixo do NA Arenito saturado 20 - 30 40 - - Porsani, 1999
Arenito acima do NA Sandstone dry 2-5 0,001 - 0,01 - 2 - 10 Daniels, 2004
Argila abaixo do NA Argila saturada 40 1000 - - Porsani, 1999
Argila acima do NA Clay dry 2-6 100 - 1000 - 10 - 50 Daniels, 2004
Asfalto Asfalto 3-5 0 - - Porsani, 1999
Basalto abaixo do NA Basalto saturado 8 10 - - Porsani, 1999
Basalto acima do NA Basalto seco 6 1 - - Porsani, 1999
Calcário abaixo do NA Calcário saturado 8 2 - - Porsani, 1999
Calcário acima do NA Calcário seco 4 0,5 - - Porsani, 1999
Concreto abaixo do NA Concreto saturado 12,5 0 - - Porsani, 1999
Concreto acima do NA Concreto seco 5,5 0 - - Porsani, 1999
Diabásio abaixo do NA Diabásio saturado 8 100 - - Porsani, 1999
Diabásio acima do NA Diabásio seco 7 10 - - Porsani, 1999
Folhelho abaixo do NA Folhelho saturado 7 100 - - Porsani, 1999
Folhelho acima do NA Folhelho seco 5 1 - - Porsani, 1999
Gelo de água do mar Sea water ice 4-8 10 - 100 - 1 - 30 Daniels, 2004
Gelo de água doce Fresh water ice 4 0,1 - 1 - 0,1 - 2 Daniels, 2004
Granito abaixo do NA Granito saturado 7 1 - - Porsani, 1999
Granito acima do NA Granito seco 5 0,01 - - Porsani, 1999
10 8
Metal Metal 300 10 0,017 9,5 . 10 Rodrigues, 2004
Neve Snow firm 6 - 12 0,001 - 0,01 - 0,1 - 2 Daniels, 2004
PVC PVC 8 0 - - Porsani, 1999
Silte Silt 5 - 30 1 - 100 0,07 1-100 Davis and Annan, 1989
Silte abaixo do NA Silte saturado 10 1 - 10 - - Porsani, 1999
Siltito abaixo do NA Siltito saturado 30 100 - - Porsani, 1999
Siltito acima do NA Siltito seco 5 1 - - Porsani, 1999
Solo arenoso abaixo do NA Solo arenoso saturado 25 6,9 - - Porsani, 1999
Solo arenoso acima do NA Solo arenoso seco 2,6 0,14 - - Porsani, 1999
Solo argiloso abaixo do NA Solo argiloso saturado 15 50 - - Porsani, 1999
Solo argiloso acima do NA Solo argiloso seco 2,4 0,27 - - Porsani, 1999
Solo siltoso abaixo do NA Soil loamy wet 10 - 30 10 - 100 - 1-6 Daniels, 2004
Solo siltoso acima do NA Soil loamy dry 4 - 10 0,1 - 10 - 0,5 - 3 Daniels, 2004

17
2.5. FENÔMENOS QUE AFETAM OS SINAIS DO GPR

2.5.1. Reflexão

É o fenômeno que possibilita ao GPR identificar interfaces de diferentes tipos de solo


e/ou rocha.

Ocorre quando a onda eletromagnética atinge materiais de propriedades


eletromagnéticas contrastantes entre si, conforme ilustrado na figura 2.02.

Figura 2.02 – Reflexão da onda eletromagnética (modificado de NUSSENZVEIG, 1998).

Para interfaces planas, de acordo com a Lei da Reflexão, o ângulo de incidência (i) é
igual ao de reflexão (r). Além disto, o comprimento de onda e a frequência da onda
refletida são os mesmos da onda incidente.

A porcentagem de energia eletromagnética que sofre reflexão ao incidir em uma


interface que separa 2 meios de propriedades eletromagnéticas contrastantes entre si
corresponde ao coeficiente de reflexão (R), obtido através da expressão
(DANIELS, 2004):


R= (2.20)

onde:

18
 R é o coeficiente de reflexão (%);
 Z1 é a impedância elétrica intrínseca do meio 1 (Ω);
 Z2 é a impedância elétrica intrínseca do meio 2 (Ω).

A impedância elétrica intrínseca, por sua vez, é definida a partir da equação


(ANNAN, 2001):

i. .
Z= = (2.21)
 i. .

onde:
 Z é a impedância elétrica intrínseca (Ω);
 E é o módulo do campo elétrico (V/m);
 H é o módulo do campo magnético (A/m);

 i é o número complexo igual a - ;

 é a frequência angular da onda eletromagnética (rad/s);


  é a permeabilidade magnética (H/m);
  é a condutividade elétrica, expressa, no S.I., em Siemens por metro (S/m) =
(Ω.m)-1;
  é a permissividade dielétrica (F/m).

Segundo DANIELS (2004), a impedância elétrica intrínseca, obtida a partir da equação


2.21, para condições de baixa perda (tan  << 1) e frequência na faixa de operação do
GPR, resume-se à seguinte expressão:


Z= (2.22)

onde:
 Z é a impedância elétrica intrínseca (Ω);
  é a permeabilidade magnética (H/m);
  é a permissividade dielétrica (F/m).

19
Substituindo-se a equação 2.22 na expressão 2.20, considerando-se ainda 1 = 2,
obtém-se:

v –v –
R= = (2.23)
v v

onde:
 R é o coeficiente de reflexão (%);
 v1 é a velocidade de propagação da onda no meio 1 (m/ns);
 v2 é a velocidade de propagação da onda no meio 2 (m/ns);
 K1 é a constante dielétrica do meio 1 (adimensional);
 K2 é a constante dielétrica do meio 2 (adimensional).

A tabela 2.02 apresenta valores típicos do coeficiente de reflexão para algumas


interfaces.

Tabela 2.02 – Valores típicos do coeficiente de reflexão para algumas interfaces


(modificado de ANNAN, 1992; RODRIGUES, 2004).

Coeficiente de
De Para
Reflexão (%)
Ar K=1 Solo acima do NA ≈5 38
Ar K=1 Solo abaixo do NA ≈ 5 67
Ar K=1 Água K = 81 80
Água K = 81 Solo acima do NA ≈5 60
Água K = 81 Solo abaixo do NA ≈ 5 29
Solo acima do NA ≈5 Solo abaixo do NA ≈ 5 38
Solo acima do NA ≈5 Rocha ≈8 12
Solo abaixo do NA ≈ 5 Rocha ≈8 28
Solo  ≈ 5 mS/m Metal  ≈ 9 mS/m 100

Analisando-se a tabela 2.02, percebe-se a importância de se deixar as antenas


transmissora e receptora em perfeito contato com o solo, com o intuito de evitar a
reflexão em torno de 38% da energia emitida pelo GPR (interface ar-solo acima do NA)
ou a de 67% (interface ar-solo abaixo do NA). Outra preocupação a ser tomada consiste
em adotar trajetórias de prospecção nas quais a superfície do terreno não apresente

20
lâmina d’água, a fim de evitar reflexões tais como a ocorrente na interface água-solo
acima do NA (com coeficiente de reflexão de, aproximadamente, 60%) e a originada na
interface ar-água (com coeficiente de reflexão em torno de 80%), quando o cuidado de
deixar as antenas em perfeito contato com a superfície do terreno não é realizado.

Como materiais refletores de destaque existentes no subsolo (aqueles que apresentam


propriedades eletromagnéticas mais contrastantes em comparação com os meios
geológicos), observando-se ainda a tabela 2.02, podem ser citados os solos abaixo do
NA, a água e os metais, justificando o fato de o lençol freático e objetos metálicos
enterrados, tais como dutos, poderem ser facilmente detectados pela antena receptora do
GPR.

O contraste entre a constante dielétrica do solo acima do NA e a do abaixo do NA faz


com que a interface entre estes dois materiais seja uma ótima superfície refletora, porém
a baixa resistividade elétrica do solo úmido, assim como ocorre no caso de metais,
proporciona dissipação significativa da energia eletromagnética, dificultando a
propagação das ondas e a consequente visualização das descontinuidades de maiores
profundidades.

A redução da capacidade de penetração da onda em subsuperfície é ainda mais


acentuada quando há interface solo-metal, visto que a alta condutividade do metal, além
de promover forte atenuação do sinal, implica o contraste significativo entre os valores
de impedância respectivos aos dois materiais, responsável pela reflexão de
aproximadamente 100% da energia eletromagnética.

Cabe ressaltar que, para os materiais comumente encontrados na natureza, a diferença


de condutividade elétrica entre dois meios adjacentes, cujos valores de constante
dielétrica são equivalentes entre si, em geral, tende a ser suficientemente elevada para
caracterizar a interface que os separa em refletor, apenas, nos casos em que este
corresponder à transição entre um estrato não-saturado e um saturado ou entre camadas
cujos vazios estejam preenchidos com água, das quais uma apresenta quantidade de sais
dissolvidos consideravelmente discrepante da outra, conforme apresentado na
figura 2.03, obtida a partir da prospecção, com o GPR, na praia de Itaipuaçu, em

21
Maricá-R , em que o refletor “X” corresponde ao nível do lençol freático e, o refletor
“Y”, a um incremento, principalmente, na salinidade.

Figura 2.03 – Radargrama proveniente de perfil de reflexão, realizado com o GPR, na praia de
Itaipuaçu, em Maricá-RJ (PEREIRA et al., 2003).

2.5.2. Refração

É o fenômeno que confere a cada pulso emitido pela antena transmissora do GPR a
capacidade de atingir mais de um refletor.

Assim como a reflexão, a refração ocorre quando a onda eletromagnética atinge


materiais de propriedades eletromagnéticas contrastantes entre si, conforme ilustrado na
figura 2.04.

22
Figura 2.04 – Refração da onda eletromagnética (modificado de NUSSENZVEIG, 1998).

Para interfaces planas, a frequência de incidência é igual à de refração, enquanto que o


comprimento de onda e a velocidade de propagação da onda incidente não são os
mesmos da onda refratada e o ângulo de incidência (i) é diferente do ângulo de
refração (r). Segundo a lei de Snell-Descartes:

sen i n v
= = = (2.24)
sen r n v

onde:
 i é o ângulo de incidência (graus);
 r é o ângulo de refração (graus);
 n1 é o índice de refração do meio 1 n c
v ;
 n2 é o índice de refração do meio 2 n c
v ;
 1 é o comprimento de onda no meio 1 (m);
 2 é o comprimento de onda no meio 2 (m);
 v1 é a velocidade de propagação da onda no meio 1 (m/ns);
 v2 é a velocidade de propagação da onda no meio 2 (m/ns).

A porcentagem de energia transmitida que sofre refração em uma determinada interface


corresponde a 100% menos o coeficiente de reflexão (R), descontando-se ainda as
perdas por atenuação.

23
2.5.3. Atenuação

Trata-se do fenômeno caracterizado pela diminuição da amplitude da onda conforme se


aumenta a distância ao ponto em que foi gerada, e que depende basicamente do feixe de
energia irradiado pela antena transmissora, da frequência de operação do GPR e,
principalmente, das propriedades eletromagnéticas do meio através do qual a onda se
propaga.

A figura 2.05 ilustra a atenuação da onda eletromagnética ao longo de sua propagação


em subsuperfície.

Figura 2.05 – Atenuação da onda eletromagnética em subsuperfície. a) meio com baixa taxa de
atenuação (); b) meio com elevada taxa de atenuação ().

De acordo com ORELLANA (1974), a taxa de atenuação () pode ser obtida através da
seguinte equação:


    –
= . (2.25)

onde:
  é a taxa (ou coeficiente) de atenuação (dB/m);
  é a permissividade dielétrica (F/m);

24
  é a permeabilidade magnética (H/m);
  é a condutividade elétrica, expressa, no S.I., em Siemens por metro (S/m) =
(Ω.m)-1;
 é a frequência angular da onda eletromagnética (rad/s).

Considerando-se a faixa de frequência de operação do GPR e expandindo-se a equação



2.25 em séries de potência de , obtém-se:
.

 
= . (2.26)

onde:
  é a taxa (ou coeficiente) de atenuação (dB/m);
  é a condutividade elétrica, expressa, no S.I., em Siemens por metro (S/m) =
(Ω.m)-1;
  é a permeabilidade magnética (H/m);
  é a permissividade dielétrica (F/m).

A figura 2.06 apresenta curvas típicas da relação entre taxa de atenuação () e
frequência central do pulso emitido, referentes a 3 meios de propriedades
eletromagnéticas distintas: areia acima do NA, areia abaixo do NA e argila abaixo do
NA.

25
Figura 2.06 – Curvas típicas da relação entre taxa de atenuação () e frequência central do
pulso emitido, de diferentes materiais (modificado de ANNAN, 1992).

De acordo com a figura 2.06, a janela de operação do GPR apresenta um limite inferior
em torno de 1 MHz, de modo a atingir uma faixa de frequência posterior à zona de
difusão da onda eletromagnética, e um limite superior de aproximadamente 2600 MHz,
sendo que, para valores próximos ou acima deste, a onda pode sujeitar alguns minerais
mais susceptíveis ou moléculas de água a vibrações, causando uma forte atenuação do
sinal associada à perda por absorção (ou polarização), semelhante a um forno de
microondas (ANNAN, 1992).

Observando-se, ainda, a figura 2.06, percebe-se que o acréscimo da frequência central


implica o aumento da taxa de atenuação (). Além disto, constata-se o fato de solos
arenosos, assim como a maioria dos materiais comumente encontrados no subsolo
(OLIVEIRA JÚNIOR, 2001), apresentarem, para as frequências geralmente utilizadas
por equipamentos de GPR, taxa de atenuação pouco sensível a mudanças do valor da
frequência, diferentemente do que ocorre para solos argilosos.

Os principais componentes da atenuação referem-se às perdas por: condução elétrica;


absorção; dispersão geométrica; dispersão de energia (scattering).

26
2.5.3.1. Perda por reflexão

Corresponde à parcela de energia emitida pelo GPR que é refletida nas interfaces entre
meios de propriedades eletromagnéticas discrepantes entre si. Incluem-se neste caso as
reflexões provenientes dos diferentes estratos existentes em subsuperfície e do
imperfeito acoplamento das antenas (transmissora e receptora) com o terreno.

2.5.3.2. Perda por absorção

Refere-se à dissipação de parte da energia de uma onda eletromagnética por conversão


em calor, durante a sua propagação.

A absorção provoca diminuição da amplitude do pulso eletromagnético emitido pelo


GPR ao longo de sua propagação em um determinado meio, sem promover, no entanto,
alteração na forma do mesmo, mais precisamente, alargamento temporal.

A perda por absorção pode ocorrer através de condução elétrica e/ou relaxação
dielétrica da água.

a) Perda por condução elétrica

Trata-se do efeito Joule, o qual, conforme explicitado anteriormente, se refere ao


mecanismo de dissipação de energia, sob a forma de calor, de cargas elétricas livres
submetidas a um campo elétrico (ANNAN, 2001) e que é provocado pelas colisões
entre as mesmas (apresentando a movimentação adquirida com a aplicação do campo) e
os átomos do condutor, que resultam em uma maior vibração destes e,
consequentemente, no aquecimento do material.

As perdas por condução elétrica são dominantes nos materiais condutivos, para baixas
frequências, e proporcionais à condutividade elétrica do meio (OLHOEFT, 1981).

27
b) Perda por relaxação dielétrica da água

Fenômeno relacionado ao fato das moléculas de água sofrerem rotação por não
conseguirem mais se polarizar na presença de um campo elétrico aplicado. Este
processo ocorre geralmente para altas frequências, pertencentes à banda de microondas
ou à de ondas de rádio (ULRIKSEN, 1982), a partir de uma determinada frequência, em
torno de 20 GHz.

2.5.3.3. Perda por dispersão geométrica ou espalhamento geométrico (geometric


spreading)

Este tipo de atenuação não tem qualquer relação com o meio, tratando-se de um fator
puramente geométrico. A dispersão geométrica ocorre porque a antena transmissora
irradia, predominantemente, um feixe de energia na forma de um cone em expansão
com a profundidade, cujo ângulo de radiação é caracterizado pela própria antena (em
geral, 45º), e cujo eixo forma um ângulo de 90º com a direção referente ao
deslocamento da antena. De acordo com NEAL (2004), a energia decresce com o
quadrado da distância à fonte emissora.

Na figura 2.07, verifica-se uma região caracterizada pela interseção do cone delimitando
a zona de maior energia emitida pela antena transmissora com o refletor em
subsuperfície. Esta área é denominada GPR footprint (“pegada” do GPR), mais
precisamente Zona de Fresnel (XAVIER NETO & MEDEIROS, 2005), e corresponde à
região imageada pelo equipamento.

28
Figura 2.07 – Dispersão geométrica da energia eletromagnética emitida pelo GPR
(modificado de ANNAN & COSWAY, 1992).

O espalhamento geométrico implica apenas diminuição da amplitude do pulso


eletromagnético emitido pelo GPR ao longo de sua propagação em um determinado
meio, sem promover, no entanto, modificação na forma do mesmo, mais precisamente,
alargamento temporal.

2.5.3.4. Perda por dispersão de energia (scattering) ou difração

Trata-se de um fenômeno que ocorre com as ondas eletromagnéticas quando elas


passam por um orifício ou contornam um objeto cuja dimensão é da mesma ordem de
grandeza que o seu comprimento de onda.

A dispersão proporciona alargamento temporal do pulso, que também resultam em


perda de amplitude do mesmo (BANO, 1996).

2.6. APLICAÇÕES

Dentre as principais aplicações do GPR, podem ser citadas:


 Definição da estratigrafia do subsolo;
 Identificação do lençol freático;

29
 Inspeção de concreto armado e alvenaria (detecção e mapeamento de armaduras,
tubulações, fiações, defeitos no concreto, etc.);
 Verificação das espessuras das diferentes camadas de uma rodovia;
 Mapeamentos geológicos (determinação do topo rochoso, das zonas de fraturamento,
da mudança de litologia);
 Estimativa do teor de umidade do terreno em subsuperfície;
 Localização de feições anômalas enterradas (tubulações, cabos, minas, tanques de
armazenamento, fundações, etc.);
 Identificação de cavernas, túneis, galerias enterradas ou qualquer outro vazio
subterrâneo de dimensões significativas;
 Batimetria (definição do leito de rios e lagos);
 Cubagem em aterros e lixões;
 Investigação de contaminantes (orgânicos ou inorgânicos) no solo e na água
subterrânea.

2.7. VANTAGENS E DESVANTAGENS

A seguir, são apresentadas as principais vantagens e desvantagens da técnica do


Georradar.

Vantagens:
 Cobertura de grandes áreas;
 Método de rápida execução;
 Alta resolução espacial;
 Técnica geralmente não-destrutiva.

Desvantagens:
 A presença de camadas saturadas e/ou aterros mal-compactados reduz fortemente a
capacidade de visualizar a estratigrafia do subsolo com o GPR;
 Atenuação das ondas eletromagnéticas em meios condutivos (com, por exemplo,
presença de argila).

30
CAPÍTULO 3

A TÉCNICA DO GPR – SEGUNDA PARTE: AQUISIÇÃO E


PROCESSAMENTO DOS DADOS

3.1. PARÂMETROS DE AQUISIÇÃO

3.1.1. Resolução espacial

Refere-se à capacidade de identificar, no radargrama, dois refletores adjacentes.


Conhecer a resolução do aparelho consiste em saber qual a distância mínima que deve
existir entre duas interfaces de reflexão para que as mesmas possam ser discriminadas
no radargrama (AGUIAR, 2005). Quanto menor for esta distância, maior será a
resolução do GPR.

3.1.1.1. Resolução vertical ou longitudinal (vertical resolution)

Segundo GRAZINOLI & COSTA (1999), a resolução vertical depende basicamente do


intervalo temporal de amostragem, da velocidade de propagação e da duração (ou
período) do pulso emitido, a qual é controlada pela largura da banda de frequência do
GPR.

Para que duas interfaces de reflexão possam ser registradas como eventos distintos no
radargrama, separados no tempo e sem superposição entre ambas, o tempo de viagem
do pulso referente ao primeiro refletor deverá ser igual ou superior a sua largura no
domínio do tempo (WA) e a diferença entre os tempos de viagem de ambos deverá ser
maior ou igual à largura do sinal correspondente ao segundo refletor no domínio do
tempo (WB). Sob condições ideais, seria válida a seguinte expressão:

v. t
el,mín = = (3.01)

onde:

31
 el,mín é a espessura longitudinal mínima para que duas interfaces de reflexão possam
ser registradas como eventos distintos, separados no tempo e sem superposição entre
ambas (m);
 v é a velocidade de propagação do pulso em subsuperfície (m/ns);
 t é a duração, ou período (T), do pulso emitido pelo GPR (ns).

De acordo com o critério de amostragem de Nyquist, para que duas interfaces de


reflexão possam ser discriminadas no radargrama, o tempo de viagem do pulso referente
ao primeiro refletor deverá ser igual ou superior à metade de sua largura no domínio do
tempo, WA, e a diferença entre os tempos de viagem de ambos deverá ser maior ou igual
à metade da largura do sinal correspondente ao segundo refletor no domínio do tempo,
WB (vide figura 3.01). Sob condições ideais, seria válida a seguinte expressão:

v. t
el,mín detect = = (3.02)

onde:
 el,mín detect é a espessura longitudinal mínima detectável pelo GPR (m);
 v é a velocidade de propagação do pulso em subsuperfície (m/ns);
 t é a duração, ou período (T), do pulso emitido pelo GPR (ns).

A equação 3.02 revela que o acréscimo da frequência central implica a redução da


espessura longitudinal mínima detectável pelo GPR e, por consequência, o aumento da
resolução vertical.

32
Figura 3.01 – Critério de amostragem de Nyquist. a) Sinais bem separados no tempo, os quais
são claramente discernidos; b) Sinais que irão se superpor durante um intervalo de tempo, sem
inviabilizar, no entanto, sua discriminação; c) Sinais que irão se superpor em um período de
tempo, tornando-se, provavelmente, indistinguíveis (modificado de OLIVEIRA JÚNIOR,
2001).

33
Ressalta-se que, embora a resolução vertical teórica para um meio idealizado seja igual
a , as incertezas referentes ao cálculo da velocidade de propagação e as perdas por
atenuação fazem com que a resolução vertical alcançada na prática atinja valores em
torno de a (BERES & HAENI, 1991). Partindo-se deste raciocínio, a resolução

vertical (ou longitudinal) encontra-se na faixa de a , que corresponde ao


intervalo de amostragem de Nyquist.

3.1.1.2. Resolução horizontal ou lateral (lateral resolution)

A resolução horizontal está associada ao padrão de radiação da antena transmissora, que


indica a região em que o GPR é mais sensível, cuja interseção com o refletor em
subsuperfície fornece a “pegada” do equipamento.

CONYERS & GOODMAN (1997) propuseram a seguinte expressão para a obtenção da


área imageada pela antena transmissora, considerando-se um refletor horizontal:

z
rp = + (3.03)

onde:
 rp é o raio da “pegada” do GPR (m);
 é o comprimento de onda (m);
 z é a distância vertical entre o ponto de emissão do pulso e a superfície refletora (m);
 K é a constante dielétrica do meio (adimensional).

A equação 3.03 revela que o acréscimo da frequência central implica a redução do raio
da “pegada” do GPR e, por consequência, o aumento da resolução horizontal.

Segundo REYNOLDS (1997), a resolução horizontal é inversamente proporcional à raiz


quadrada da taxa de atenuação ().

34
Os refletores com dimensões finitas em relação à “pegada” da antena transmissora
podem ser detectados pelo GPR na forma de hipérboles de difração, apresentadas no
radargrama, sendo o ápice de cada hipérbole correspondente ao topo da feição anômala
a que se refere. Superfícies de reflexão com mergulho acentuado também podem ser
registradas, no radargrama, como reflexões difratadas, podendo provocar interpretação
errônea de suas dimensões em subsuperfície. Este problema pode ser evitado ou, pelo
menos, mitigado, pela utilização da técnica de Migração, ferramenta de processamento
de dados explicitada no item 3.3.2.7 desta dissertação (TEIXEIRA, 2008).

3.1.2. Profundidade máxima de exploração ou penetração

A profundidade máxima de exploração da onda eletromagnética no subsolo está


diretamente relacionada com a atenuação do pulso emitido ao longo de seu percurso em
subsuperfície. Uma vez que esta depende principalmente das propriedades
eletromagnéticas do meio, a maioria dos equipamentos de GPR comercializados
atualmente admite a seguinte equação para uma estimativa grosseira da profundidade
máxima de penetração (ANNAN, 1992):

5
Dmáx < (3.04)

onde:
 Dmáx é a profundidade máxima de penetração (m);
  é a condutividade elétrica do meio (mS/m).

A equação 3.04 indica que a profundidade máxima de exploração diminui com o


acréscimo da condutividade elétrica do meio, conforme explicitado anteriormente
(item 2.4.2.1 desta dissertação).

No caso de as informações geológicas serem poucas, não-confiáveis ou então


inexistentes, partindo-se do princípio de que a frequência de operação do GPR pode
interferir significativamente na atenuação da onda eletromagnética ao longo de sua
propagação em subsuperfície e, consequentemente, na profundidade de exploração,
recomenda-se, para uma estimativa grosseira da profundidade máxima de penetração, a

35
utilização da tabela 3.01, que fornece valores típicos deste parâmetro em função da
frequência central utilizada na aquisição de dados.

Tabela 3.01 – Estimativa da profundidade de penetração em função da frequência central


(GSSI, 2010; PORSANI, 1999).

Frequência central Profundidade estimada


Área de interesse
(MHz) de penetração (m)
2600 0,4 Estruturas de Concreto

Estruturas de Concreto e
2000 0,4
Geotecnia (estudos de pavimentos)
Estruturas de Concreto e
1600 0,5
Geotecnia (estudos de pavimentos)
Estruturas de Concreto,
1000 0,6 - 0,9
Geotecnia (estudos de pavimentos) e Pontes
Estruturas de Concreto, Geotecnia (estudos
900 1,0
de pavimentos), Pontes e Arqueologia
Estruturas de Concreto, Meio Ambiente e
400 2,0 - 4,0
Arqueologia
Geotecnia (estudos de estratigrafia),
270 6,0
Geologia, Meio Ambiente e Arqueologia
Geotecnia (estudos de estratigrafia),
200 9,0
Geologia, Meio Ambiente e Arqueologia
Geotecnia (estudos de estratigrafia),
100 15,0 - 25,0
Geologia, Mineração e Arqueologia
Geotecnia (estudos de estratigrafia) e
1 - 80 50,0
Geologia

Observando-se a tabela 3.01, percebe-se que a profundidade máxima de exploração


diminui com o acréscimo da frequência central. Isto ocorre porque o aumento da
frequência do sinal emitido pelo GPR implica o acréscimo da taxa de atenuação (),
conforme explicitado anteriormente (item 2.5.3 desta dissertação), que, por sua vez,
reduz a profundidade máxima de penetração.

Cabe ressaltar que a profundidade máxima de penetração do pulso eletromagnético no


terreno não corresponde à profundidade máxima que o GPR pode detectar. Esta, para
uma subsuperfície homogênea, por exemplo, equivale à metade daquela, uma vez que o
pulso transmitido percorre a mesma distância 2 vezes: a primeira no tempo

36
compreendido entre sua emissão e reflexão e, a segunda, no período entre sua reflexão e
captação.

3.1.3. Frequência de operação

Os equipamentos de GPR emitem pulsos eletromagnéticos, em intervalos regulares de


tempo, cuja transformada de Fourier corresponde a uma faixa (ou banda) de frequência,
comumente caracterizada por sua frequência central (fc). Em geral, a banda apresenta
comprimento mínimo e máximo correspondentes a 50% e a 150% da frequência central,
respectivamente, conforme apresentado na figura 3.02 (XAVIER NETO, 2006).

37
Figura 3.02 – Representação do sinal emitido pelo GPR. a) Domínio da frequência; b) Domínio
do tempo (modificado de XAVIER NETO, 2006).

Na figura 3.02, verifica-se que o pulso transmitido pelo GPR apresenta duração finita
igual a t, o qual corresponde ao inverso da largura da faixa de frequência ( f), e que a
maior amplitude do espectro de energia ocorre na frequência central.

38
O balanceamento ideal do comprimento do pulso nos domínios da frequência e do
tempo seria aquele que proporcionasse aos sinais captados a seguinte relação:

f
=1 (3.05)
fc

Sob condições ideais, a equação 3.05 seria verdadeira, visto que todo sinal captado pelo
GPR iria possuir forma e duração idênticas às dos pulsos emitidos, porém com
amplitude amortecida (ANNAN, 1992). Para um meio real, no entanto, é necessário
incorporar os efeitos da atenuação ao longo da propagação do pulso, os quais desviam a
frequência central em direção às componentes de baixas frequências, gerando um
desbalanceamento do espectro, isto é, fazendo com que f / fc ≠
(XAVIER NETO, 2006).

Ressalta-se que, quanto mais a razão entre a largura da banda e a frequência central for
próxima a 1, melhor será a qualidade do sinal captado. Valores muito acima deste
tendem a aumentar a atenuação, uma vez que a frequência máxima também é acrescida,
e valores muito abaixo podem provocar superposições de eventos registrados pelo GPR,
prejudicando, desta forma, sua resolução espacial, mais precisamente a vertical.

Para garantir que a frequência de operação seja adequada, a mesma deve levar em
consideração três fatores: resolução espacial desejada; profundidade de exploração;
limitações relacionadas ao ruído de fundo (clutter) e à atenuação.

Considerando-se a resolução espacial, ANNAN (2001) recomenda a seguinte expressão:

5
fRc > (3.06)
r .

onde:
 fRc é a frequência central (MHz);
 r é a distância de resolução vertical desejada (m);
 K2 é a constante dielétrica do alvo (adimensional).

39
Considerando-se a profundidade de exploração, ANNAN (2001) recomenda a seguinte
expressão:

. –
fc < (3.07)

onde:
 fc é a frequência central (MHz);
 K2 é a constante dielétrica do alvo (adimensional);
 D é a profundidade de exploração (m).

Considerando-se as limitações relacionadas ao ruído de fundo (clutter) e à atenuação,


ANNAN (2001) recomenda a seguinte expressão:

fc > (3.08)
c .

onde:
 fc é a frequência central (MHz);
 c é a menor comprimento, referente às heterogeneidades, o qual se quer detectar
(m);
 K2 é a constante dielétrica do alvo (adimensional).

Logo a frequência central deve satisfazer a relação:

fRc < fc < mínimo (fc , fc ) (3.09)

Em geral, antenas com frequência central mais baixa produzem um radargrama de


menor resolução espacial (vertical e horizontal), porém de maior penetração no subsolo,
enquanto que as de frequência central mais alta apresentam menor penetração em
subsuperfície, todavia fornecem radargramas de maior resolução espacial (vertical e
horizontal).

40
Ressalta-se que nem sempre antenas de maiores frequências vão proporcionar
radargramas de maior resolução em comparação com as de menores frequências, devido
à reverberação (ringing) do sinal emitido pelo Georradar, ruído relacionado
principalmente com as propriedades eletromagnéticas do meio e com o comprimento de
onda ( ) utilizado pelo GPR. Reduzindo-se o valor deste, ou seja, aumentando-se a
frequência central, o Georradar torna-se capaz de detectar heterogeneidades cada vez
menores, presentes no subsolo, e, por consequência, a quantidade de reverberações pode
sofrer um acréscimo (SANDMEIER, 2003).

3.1.4. Janela temporal de amostragem ou de registro (range ou time window)

Corresponde ao intervalo de tempo no qual a antena receptora registra os sinais de um


pulso eletromagnético emitido pela antena transmissora, definindo, portanto, o intervalo
possível de ser apresentado na coordenada vertical do radargrama, pois os pulsos que
atingirem a antena receptora em tempos de viagem superiores ao range não serão
registrados.

ANNAN (2001) sugere a seguinte fórmula:

.
W = 1,3 . (3.10)
v

onde:
 W é a janela temporal de amostragem (ns);
 D é a profundidade de aquisição (m);
 v é a velocidade da onda eletromagnética no meio em estudo (m/ns).

3.1.5. Intervalo temporal de amostragem (ou razão de amostragem)

Segundo YILMAZ (1991), registros digitais são mostrados em banda limitada no


tempo, chamada de intervalo de amostragem. O intervalo de amostragem, normalmente
especificado nos equipamentos pelo inverso da frequência de amostragem, refere-se à
quantidade de vezes com que a antena receptora capta o pulso propagado.

41
Em levantamentos de alta resolução como o do GPR, para que o sinal seja visualizado
com mais clareza, ANNAN (2001) propôs que a frequência de amostragem fosse igual
a, no mínimo, 6 (seis) vezes o valor da frequência central, ou seja, o dobro da média do
intervalo de Nyquist no domínio da frequência, resultando na seguinte relação:

t= (3.11)
. fc

onde:
 t é o intervalo temporal de amostragem (ns);
 fc é a frequência central (MHz).

MALÅ (1997) sugere que a frequência de amostragem seja, no mínimo, 6 (seis) vezes o
valor da frequência central e, no máximo, 20 (vinte) vezes. Logo:

tmín = (3.12)
. fc

tmáx = (3.13)
. fc

onde:
 tmín é o intervalo temporal de amostragem mínimo (ns);
 tmáx é o intervalo temporal de amostragem máximo (ns);
 fc é a frequência central (MHz).

Quanto mais a razão de amostragem for excedida, menor será a capacidade de definição
dos refletores, podendo implicar, inclusive, o registro de falsas amostragens (aliasings).
Em contrapartida, valores muito pequenos de razão de amostragem proporcionam uma
demanda maior de tempo no que diz respeito à aquisição e ao processamento dos dados.

O intervalo de amostragem é o inverso da taxa de amostragem, que corresponde ao


número de amostras coletadas por unidade de tempo.

42
3.1.6. Espaçamento entre as estações de medida (step)

Trata-se da distância entre duas posições consecutivas de emissão do pulso.

Aconselha-se o uso da seguinte equação (ANNAN, 2001):

5
x= (3.14)
fc .

onde:
 x é o espaçamento entre as estações de medida (m);
 fc é a frequência central (MHz);
 K é a constante dielétrica do meio (adimensional).

3.1.7. Separação das antenas (offset)

A estimativa da distância entre a antena transmissora e a receptora é importante para


uma melhor detecção dos alvos desejados e pode ser realizada apenas quando as antenas
são bi-estáticas, ou seja, quando não apresentam separação fixa, o que geralmente
ocorre para equipamentos de GPR que utilizam frequência central abaixo de 100 MHz.

ANNAN (2001) recomenda a seguinte expressão:

.
S= (3.15)

onde:
 S é a separação das antenas (m);
 D é a profundidade máxima estimada (m);
 K é a constante dielétrica do meio (adimensional).

A expressão 3.15 revela que, para meios dispersivos (aqueles que apresentam altos
valores de constante dielétrica), deve-se recorrer a uma menor separação das antenas,

43
pois, desta forma, a distância total percorrida pelo pulso será reduzida e,
consequentemente, os efeitos da atenuação serão menores. Por outro lado, valores muito
pequenos de separação das antenas podem fazer com que a onda direta propagada no ar
assuma amplitude muito maior que a do sinal refletido, dificultando ou até mesmo
inviabilizando a detecção de refletores rasos. Recomenda-se, portanto, segundo
ANDRADE (2003):

Smín = (3.16)

onde:
 Smín é a separação mínima das antenas (m);
 é o comprimendo de onda (m).

3.2. TÉCNICAS DE AQUISIÇÃO DE DADOS

As principais técnicas de aquisição são: perfil de reflexão e sondagem de velocidade.

3.2.1. Perfil de reflexão

3.2.1.1. Arranjo com Afastamento Constante (Common Offset)

A antena transmissora e a receptora são deslocadas em conjunto, mantendo-se o offset


(x) e o step ( x) constantes e realizando-se aquisições consecutivas ao longo de uma
trajetória em superfície, conforme ilustrado na figura 3.03.

44
Figura 3.03 – Arranjo com afastamento constante (modificado de MENDES, 2008).

3.2.2. Sondagem de velocidade

3.2.2.1. Common Mid Point (CMP) ou Common Depht Point (CDP)

A antena transmissora e a receptora são distanciadas entre si em sentidos opostos, de


forma crescente, partindo-se de um ponto central fixo e realizando-se aquisições
consecutivas. Após a primeira medição, a separação das antenas sofre um acréscimo,
por aquisição, de 2 vezes a distância “x”, sendo metade deste valor para o sentido no
qual a antena transmissora é deslocada e, a outra metade, para o sentido no qual a antena
receptora é afastada, conforme ilustrado na figura 3.04.

45
Figura 3.04 – Ensaio CMP (modificado de PORSANI, 1999).

Esta técnica tem a finalidade de determinar a velocidade de propagação das ondas


eletromagnéticas no subsolo.

3.2.2.2. Wide Angle Reflection and Refraction (WARR)

Este método de aquisição apresenta a mesma finalidade do CMP. Enquanto que neste
ambas as antenas são movidas, no WARR, uma das antenas é mantida fixa e a outra é
sucessivamente afastada da primeira. O ensaio de Common Mid Point fornece
resultados mais satisfatórios.

a) Common Source

A antena transmissora é mantida em uma única posição enquanto a separação das


antenas é aumentada sucessivamente. Este acréscimo, relacionado ao deslocamento da
antena receptora, é efetuado para aquisições consecutivas e corresponde à distância “x”,
conforme ilustrado na figura 3.05.

46
Figura 3.05 – Ensaio WARR, mantendo-se a antena transmissora fixa
(modificado de PORSANI, 1999).

b) Common Receiver

A antena receptora é mantida em uma única posição enquanto a separação das antenas é
aumentada sucessivamente. Este acréscimo, relacionado ao deslocamento da antena
transmissora, é efetuado para aquisições consecutivas e corresponde à distância “x”,
conforme ilustrado na figura 3.06.

47
Figura 3.06 – Ensaio WARR, mantendo-se a antena receptora fixa
(modificado de PORSANI, 1999).

3.3. PROCESSAMENTO DOS DADOS

Neste item, é apresentado o resumo de algumas técnicas de processamento dos dados do


GPR. Informações detalhadas sobre a etapa de processamento podem ser encontradas
nas seguintes literaturas: DANIELS (2004), XAVIER NETO (2006), CONYERS &
GOODMAN (1997), dentre outras.

3.3.1. Objetivos

Realçar os sinais advindos das feições geológico-geotécnicas, além de reduzir ou até


mesmo eliminar os ruídos.

3.3.2. Etapas

3.3.2.1. Importação dos dados

Refere-se ao carregamento dos dados obtidos em campo por meio de um software.

48
3.3.2.2. Pré-processamento dos dados

Etapa na qual se pode reverter o sentido do perfil de reflexão, unir mais de um


radargrama, ajustar a escala horizontal e/ou a vertical, etc.

a) Append files

Recurso utilizado para unir mais de um radargrama, quando, por exemplo, possam
ocorrer interrupções (devido ao término da bateria do console, por exemplo) e/ou
acréscimos de linhas de prospecção com o GPR durante a aquisição de dados.

b) Stacking

Trata-se da transformação de uma quantidade de traços em apenas um só


(empilhamento), através da média simples dos dados advindos dos mesmos, com o
intuito de se combater ruídos.

c) Stretching

Ferramenta cuja finalidade é esticar, horizontalmente, o radargrama, aumentando,


através de interpolação, a quantidade de traços, em vez de, simplesmente, deformá-lo. A
aplicação desta técnica torna-se interessante nos casos em que o radargrama contém
poucos traços e, por consequência, sua visialização, em formato scan, dificulta sua
interpretação. Logo, para mitigar este problema, pode-se alterar o formato varredura
para wiggle ou optar pelo uso do ”stretching”.

d) Scans/m

Recurso que permite ao usuário aumentar ou reduzir a extensão lateral do radargrama,


sem utilizar interpolação. Esta medida pode ser útil quando o comprimento horizontal
do radargrama e a distância percorrida na prospecção divergem entre si, como tende a
ocorrer, por exemplo, em aquisições com o GPR efetuadas com auxílio de roda
descalibrada.

49
e) Correção do tempo zero (position correction)

Trata-se do ajuste do tempo inicial de registro ao instante em que há o primeiro sinal


captado pela antena receptora (onda direta pelo ar), visando compensar o afastamento
desta à antena transmissora.

A correção do tempo zero deve ser efetuada de maneira o ponto de inflexão de maior
cota do primeiro pulso eletromagnético detectado pelo GPR esteja contemplado na
superfície do terreno. Esta atribuição tem como base o fato da ondícula padrão,
denominada wavelet, a qual corresponde ao sinal emitido pela antena transmissora,
apresentar, em geral, formato no qual os maiores níveis de amplitude estão concentrados
na região central do pulso, no domínio do tempo.

Caso esta etapa seja efetuada em dados sísmicos, uma vez que a wavelet destes
geralmente é caracterizada como de fase mínima, formato em que a amplitude máxima
está concentrada na porção inicial do pulso, no domínio do tempo, a superfície do
terreno deverá contemplar o ponto correspondente ao início da primeira ondícula
detectada.

3.3.2.3. Análise dos espectros de frequência

Tem como objetivo identificar as faixas de frequências que não estejam inseridas na
banda de frequência do GPR, oriundas, portanto, de ruídos, para a consequente
eliminação destes através da utilização de filtros.

3.3.2.4. Filtragem

a) Background removal

Recurso que retira os refletores dispostos horizontalmente de comprimento maior ou


igual ao pré-estabelecido, calculando-se a média da amplitude dos traços do radargrama
e subtraindo-a do traço original. Tem a finalidade de combater ruídos que apresentam,
ao mesmo tempo, alta amplitude e baixa frequência, como, por exemplo, aqueles
identificados, no radargrama, através de linhas paralelas próximas à superfície

50
(onda aérea), oriundos da indução eletromagnética entre a antena transmissora e a
receptora.

Ressalta-se que a utilização deste filtro provoca, na maioria das vezes, o inconveniente
de se remover também a reflexão correspondente ao nível d’água, embora isto
proporcione a vantagem de realçar os refletores referentes às mudanças litológicas e aos
materiais anômalos ofuscados anteriormente pelo sinal de maior amplitude advindo do
lençol freático.

b) Infinite impulse response (IIR)

Introduzido antes do advento dos computadores, o filtro IIR, quando utilizado em dados
de radar, produz uma saída que decai exponencialmente para zero, mas nunca alcança
este valor, explicando, portanto, o fato de apresentar “infinite” em sua definição.

Filtro horizontal:
 Low Pass: deixa passar os sinais que contemplarem quantidade de scans idênticos e
consecutivos superior à especificada, em uma mesma faixa temporal;
 High Pass: permite a passagem de sinais que contiverem quantidade de scans
idênticos e consecutivos inferior à especificada, em uma mesma faixa temporal.

Filtro vertical:
 Low Pass: tem como objetivo reduzir os dados espúrios com frequência acima da
especificada (ruídos de alta frequência);
 High Pass: visa mitigar os dados espúrios com frequência abaixo da especificada
(ruídos de baixa frequência).

c) Finite impulse response (FIR)

Ferramenta similar ao IIR. No entanto, diferentemente deste, o filtro FIR gera uma saída
na qual o pulso tem duração finita.

Os principais filtros do tipo FIR são:

51
 Boxcar filter: função que realiza uma média simples dos dados ao longo de uma
região definida por janela retangular, atribuindo-se o mesmo peso a todas as
informações contempladas no filtro;
 Triangular filter: tratamento de dados similar ao boxcar filter, diferenciando-se no
fato de realizar uma média ponderada, atribuindo-se maior peso ao centro do filtro,
através de uma função de ponderação cuja forma se assemelha a de um triângulo.

Devido ao número de cálculos envolvidos, o triangular filter é mais lento que o boxcar
filter. Portanto é recomendável que se utilize, inicialmente, este filtro e, caso os
resultados não estiverem satisfatórios, recomenda-se utilizar aquele.

3.3.2.5. Ganho no tempo (gain recovery)

Consiste em uma função de majoração, no domínio do tempo, das amplitudes dos traços
que compõem o radargrama, com o intuito de mitigar o efeito de diminuição de
amplitude da onda eletromagnética durante a sua propagação em subsuperfície
(atenuação). Pode ser utilizada durante a aquisição de dados, aumentando, assim, a
capacidade de registro de sinais de pouca energia, relacionada à sensibilidade do
equipamento de GPR, ou na etapa de processamento dos dados, realçando, desta forma,
os refletores contemplados no radargrama e, por consequência, facilitando a
identificação dos mesmos.

3.3.2.6. Deconvolução (deconvolution)

O traço registrado no radargrama corresponde ao resultado da interação entre o pulso


eletromagnético emitido pelo GPR (wavelet) e o meio geológico, a qual, segundo
YILMAZ (1987), pode ser expressa através do seguinte modelo convolucional:

T (t) = S (t) . D (t) + N (t) (3.17)

onde:
 T (t) é o traço registrado;

52
 S (t) é a convolução do sinal emitido pela antena transmissora com a função
refletividade, que contempla os coeficientes de reflexão e de transmissão associados
às interfaces entre meios com propriedades eletromagnéticas contrastantes entre si;
 D (t) é o efeito da atenuação do pulso durante sua propagação, desde o instante em
que é emitido até o momento no qual é captado pelo GPR (com exceção das perdas
por reflexão e/ou refração);
 N (t) são os ruídos.

A deconvolução atua na tentativa de converter o registro obtido no campo em um


radargrama no qual os traços registrados apresentem, apenas, reflexões primárias,
restaurando, por consequência, a resolução vertical do radargrama. Esta técnica permite
a remoção (geralmente parcial), de ruídos denominados múltiplas, também conhecidos
como reverberação ou ringing.

3.3.2.7. Migração (migration)

Técnica cujo objetivo é deslocar, no radargrama, os refletores para as suas posições


verdadeiras, através da focalização da energia difratada, que pode ser efetuada com base
em diversos algoritmos contemplados na literatura técnica, tais como os que aplicam os
métodos de KIRCHHOFF, STOLT (1978) e o das diferenças finitas (XAVIER NETO,
2006).

O processo de migração utiliza a equação da onda plana associada a um determinado


modelo de distribuição de velocidades da onda eletromagnética em subsuperfície. Por
consequência, a adequada aplicação deste procedimento requer o conhecimento da
velocidade de propagação do pulso emitido, refletido e captado pelo GPR,
correspondente ao dado a ser migrado. Esta condição pode ser atendida a partir da
realização de sondagens de velocidade (CMP e WARR, por exemplo).

Cabe ressaltar que, para o correto emprego da migração, é imprescindível que a


extensão horizontal do radargrama esteja condizente com a distância prospectada. Caso
esta condição não seja atendida, deverá ser empregada alguma ferramenta de edição de
dados que o faça (modificar a quantidade de scans/m, por exemplo).

53
3.3.2.8. Conversão do tempo em profundidade (time-depth convertion)

A conversão, no radargrama, das leituras de tempo de percurso das ondas refletidas em


profundidade é realizada a partir da obtenção da velocidade de propagação das mesmas.
Esta pode ser determinada por diferentes maneiras, dentre as quais, para estudos de
estratigrafia, destacam-se:
 Utilizando-se a constante dielétrica do meio, que pode ser estimada por estudo
geológico, por valores publicados na literatura técnica, etc.;
 Ajustando-se uma ou mais hipérboles de difração contempladas no radargrama de
um perfil de reflexão ou de uma sondagem de velocidade (CMP, WARR, etc.).

a) Estimando-se a constante dielétrica do meio

Neste caso, a velocidade de propagação da onda eletromagnética pode ser determinada a


partir da constante dielétrica do meio, aplicando-se a equação 2.19, que fornece
resultados satisfatórios, conforme explicitado anteriormente (item 2.4.3 desta
dissertação), nos casos de prospecções em materiais não-magnéticos ( = 0) e de baixa
perda (tan  << 1).

Quando são adotados valores típicos de constante dielétrica, publicados na literatura


técnica, a estimativa da velocidade de propagação da onda eletromagnética torna-se
grosseira, realizada apenas na circunstância de não haver informações sobre a
estratigrafia do terreno ou resultados de sondagens de velocidade (CMP ou WARR), ou
ainda hipérbole de difração em perfil de reflexão.

Caso as profundidades das camadas de solo e/ou maciço rochoso tenham sido definidas
a partir de investigações diretas (sondagem à percussão, por exemplo), pode-se
determinar a velocidade de propagação da onda através de iterações, alterando-se o
valor da constante dielétrica do meio até que se atinja, no radargrama, a profundidade
desejada, ou seja, fazendo-se a correlação deste com os dados das investigações diretas.

54
b) Ajustando-se uma ou mais hipérboles de difração contempladas no radargrama
de um perfil de reflexão ou de uma sondagem de velocidade

A conversão, no radargrama, do tempo em profundidade pode ser efetuada a partir do


processo de migração, utilizando-se o gráfico de distribuição de velocidades de
propagação da onda eletromagnética em subsuperfície, que é obtido pelo ajuste de uma
ou mais hipérboles de difração contempladas no radargrama de um ensaio de velocidade
(CMP, WARR, dentre outros) ou no radargrama de um perfil de reflexão (Common
Offset).

A sequência deste procedimento, utilizando-se um redargrama de uma sondagem de


velocidade, compreende:
 Carregamento dos dados do GPR por meio de um software;
 Correção do tempo zero (position correction);
 Geração de um arquivo de velocidade por meio da ferramenta “velocity analysis”;
 Emprego da técnica de migração, carregando-se o arquivo de velocidade gerado.

A sequência deste procedimento, utilizando-se um perfil de reflexão, compreende:


 Carregamento dos dados do GPR por meio de um software;
 Correção do tempo zero (position correction);
 Emprego da técnica de migração, ajustando-se, manualmente, a hipérbole desenhada
pelo software à hipérbole contemplada no radargrama.

Para o adequado ajuste de uma hipérbole de difração presente no radargrama, é


necessário conhecer as principais trajetórias das ondas emitidas e captadas pelo GPR e a
variação do tempo de chegada das mesmas para as diferentes leituras de um ensaio de
velocidade ou de um perfil de reflexão, conforme apresentado, respectivamente, nas
figuras 3.07, 3.08 e 3.09. Destas, as duas primeiras consideram um único refletor,
contínuo, que, assim como a superfície do terreno, se encontra horizontalizado; a última
considera um refletor descontínuo qualquer presente no subsolo.

55
Figura 3.07 – Principais trajetórias das ondas emitidas pela antena transmissora e captadas pela
antena receptora (modificado de ANNAN, 1992).

S
t2 = v
S
t1 = c

S .z
t3 = S
v t4 ≈ c + constante
ou, apresentando-se
de outra forma:
.z
t3 = t , sendo t 0=
v v

Figura 3.08 – Tempo de chegada das ondas em um radargrama proveniente de um ensaio de


velocidade – 1: onda direta no ar, 2: onda direta no solo, 3: onda refletida, 4: onda refratada sob
ângulo crítico (modificado de ANNAN, 1992).

56
Figura 3.09 – Ilustração da aquisição de dados com o GPR por meio da técnica Common Offset
e de seu respectivo radargrama. a) Esquema da trajetória das ondas refletidas em um refletor
descontínuo qualquer e captada pelo GPR; b) Tempo de chegada das ondas em um radargrama
proveniente de um perfil de reflexão no arranjo Common Offset (modificado de DAVIS &
ANNAN, 1989).

Conforme observado na figura 3.08, em um ensaio de velocidade, os refletores tendem a


hipérboles de primeira ordem, enquanto as ondas diretas, tanto no ar quanto no solo,
tendem a retas de inclinação inversamente proporcional às respectivas velocidades de
propagação. Os termos “t1”, “t2”, “t3” e “t4” correspondem, respectivamente, ao tempo
compreendido entre a emissão e a captação das ondas direta no ar (1), direta no solo (2),
refletida (3) e refratada sob ângulo crítico (4). Os parâmetros “S”, “c”, “v”, “z” e “t0”
referem-se, respectivamente, à separação das antenas, à velocidade da onda
eletromagnética no vácuo, à velocidade da onda eletromagnética em subsuperfície, à
profundidade do refletor e ao tempo entre a emissão e a captação da onda para o caso
em que a separação das antenas (S) é nula (zero-offset time).

Uma vez que a antena transmissora emite pulsos eletromagnéticos em todas as direções,
a energia refletida é detectada pela antena receptora antes do GPR estar próximo ou
sobre tais anomalias, resultando no fato destas serem registradas, no radargrama, na
forma de hipérboles de difração, conforme apresentado na figura 3.09.

A velocidade de propagação da onda eletromagnética refletida em um único refletor,


registrado, no radargrama de um ensaio CMP ou WARR, na forma de hipérbole, bem
57
como a profundidade da superfície de reflexão, pode ser obtida pelo rearranjo da
equação de “t3”, apresentada na figura . 8, considerando-se a superfície do terreno e o
refletor horizontalizados:

S .z
v= (3.18)
t

ou, apresentando-se de outra forma:


S
v= (3.19)
t –t

v .t –S
z= (3.20)

ou, apresentando-se de outra forma:


v.t
z= (3.21)

onde:
 v é a velocidade da onda eletromagnética em subsuperfície (m/ns);
 S é a separação das antenas (m);
 z é a profundidade do refletor (m);
 t é o tempo compreendido entre a emissão e a captação da onda (ns);
 t0 é o tempo compreendido entre a emissão e a captação da onda para o caso em que a
separação das antenas (S) é nula (zero-offset time) (ns).

As velocidades de propagação das ondas eletromagnéticas refletidas em vários


refletores plano-paralelos, registrados, no radargrama de um ensaio CMP ou WARR, na
forma de hipérboles intercaladas, correspondem à velocidade média quadrática da onda
(vrms, de root-mean-square) para a profundidade da superfície de reflexão em estudo.
Esta velocidade, bem como o tempo de percurso onda (desde sua emissão pelo GPR até
a sua captação) e as profundidades das superfícies de reflexão, pode ser obtida pelo
procedimento de DIX (1955), cujos resultados tendem a ser mais acurados à medida que
a separação das antenas se aproxima do valor nulo:

58
n
v . t ,
vn, rms = n (3.22)
t ,

S
tn = t ,n (3.23)
vn, rms

v .t –S n
v .t –S n
v . t , –t , –
zn = + h = + (3.24)

sendo:
n n h
t ,n = t , =2. (3.25)
v

onde:
 vn, rms é a velocidade média quadrática da onda eletromagnética até a profundidade
correspondente à base da camada “n” (m/ns);
 v é a velocidade da onda na camada “k”, conhecida como velocidade intervalar,
considerando-se a propagação da onda ocorrendo na direção normal à base da
camada “ ” (m/ns);
 t , é o tempo de percurso da onda na camada “ ”, considerando-se a propagação
da mesma ocorrendo na direção normal à base da camada “ ” (ns);
 tn é o tempo compreendido entre a emissão e a captação da onda refletida na base da
camada “n” (ns);
 ,n é o tempo compreendido entre a emissão e a captação da onda refletida na base
da camada “n”, considerando-se a separação das antenas nula (S = 0) (ns);
 S é a separação das antenas (m);
 zn é a profundidade da camada “n” (m);
 v é a velocidade da onda na camada “1” (m/ns);
 t é o tempo compreendido entre a emissão e a captação da onda refletida na base da
camada “1” (ns);
 , é o tempo compreendido entre a emissão e a captação da onda refletida na base
da camada “k”, considerando-se a separação das antenas nula (S = 0) (ns);

59
 , – é o tempo compreendido entre a emissão e a captação da onda refletida na
base da camada “k – 1”, considerando-se a separação das antenas nula (S = 0) (ns);
 h é a espessura da camada “ ” (m).

A velocidade de propagação da onda eletromagnética refletida em um único refletor


descontínuo, registrado, no radargrama de um perfil de reflexão no arranjo Common
Offset, na forma de hipérbole, pode ser obtida pela seguinte equação, considerando-se a
superfície do terreno horizontalizada (MENDES, 2008):

(x – ,5 . S) z (x ,5 . S) z
v= (3.26)
tx

onde:
 v é a velocidade da onda eletromagnética em subsuperfície (m/ns);
 x é a distância horizontal em relação ao ápice da hipérbole (m);
 S é a separação das antenas (m);
 z é a profundidade do refletor (m);
 tx é o tempo de chegada da onda refletida na posição “x” (ns).

A profundidade do refletor descontínuo, contemplada na equação 3.26, pode ser


determinada a partir da expressão 3.21.

3.3.2.9. Correção topográfica

Trata-se da inserção dos dados de topografia, referentes à planialtimetria da superfície


do terreno, no radargrama. Neste procedimento, as cotas altimétricas de alguns pontos
da trajetória prospectada são informadas, manualmente (através da tabela “marker
table”, no caso do RA AN® 6.5) ou por meio do carregamento de dados de GPR cuja
aquisição tenha sido realizada em conjunto com um GPS, a um software de
processamento de dados e este, por sua vez, estabelece as devidas associações entre os
traços registrados no radargrama e suas respectivas elevações (OLIVEIRA JÚNIOR,
2001).

60
CAPÍTULO 4

ESTUDOS DE CASO

4.1. ESTUDO DE CASO 1 – ILHA DO FUNDÃO

4.1.1. Localização e objetivos

A área do estudo de caso 1 situa-se na Ilha do Fundão, em uma região compreendida


entre o CT, o CCMN e o Instituto de Física, nas coordenadas UTM 681.534E e
7.471.157N (vide figura 4.01). A via de acesso principal é a Av. Horácio Macedo.

N Instituto de
Física

Área prospectada
com o GPR

CCMN

CT

Escala:

0m 100m 200m 300m

Figura 4.01 – Localização do estudo de caso 1 (fonte da foto aérea: GOOGLE).

Este primeiro estudo de caso teve como objetivo a familiarização com o equipamento
SIR 3000, da empresa GSSI, adquirido pelo Programa de Engenharia Civil da COPPE,
bem como com o processamento dos dados pelo software RADAN® 6.5. Foi escolhido

61
um terreno próximo ao Centro de Tecnologia (CT), onde, recentemente, tivessem sido
realizadas sondagens. Este local, embora pouco adequado para o uso do GPR, pois
apresentava um aterro mal-compactado e lençol freático relativamente próximo à
superfície, permitiu um exercício interessante, pois lançou-se mão de todos os recursos
do Georradar para visualizar feições do subsolo.

O equipamento SIR 3000 da GSSI, adquirido pelo Programa de Engenharia Civil da


COPPE, é composto por uma unidade de controle portátil com tela de cristal líquido de
alta resolução, cabos ópticos, uma antena não-blindada multi-frequência (16 a 80 MHz)
e outra blindada de 200 MHz, com odômetro do modelo (roda de ”), cujo
funcionamento empregado foi o modo distância, que consiste na escolha da quantidade
de pulsos eletromagnéticos emitidos por metro percorrido.

4.1.2. Trabalhos realizados

Foram realizadas prospecções com o GPR através de antena blindada (200 MHz),
totalizando 4 trajetórias de investigação (perfis de reflexão nos 01 ao 04, com extensões
em torno de 78m, 56m, 72m e 122m, respectivamente, e 6 traços por metro – leitura a
cada 0,17m, aproximadamente), e não-blindada (80 MHz) e analisadas as etapas de
aquisição (perfis de reflexão no arranjo Common Offset e ensaios CMP), processamento
e interpretação dos dados. Os resultados das investigações geofísicas foram comparados
com os dados das sondagens à percussão realizadas nas proximidades.

A figura 4.02 apresenta a aplicação do GPR na área do estudo de caso 1.

62
Protetor
contra claridade

Console

Puxador

Cabo óptico
GPS Odômetro

Cabo que conecta


o GPS ao console

Antenas
(transmissora e receptora)

Figura 4.02 – Aplicação do GPR na área do estudo de caso 1.

4.1.3. Dados preliminares

Na figura 4.03, encontra-se a planta de localização das investigações diretas


(sondagens) e indiretas (prospecções geofísicas cuja área estudada encontra-se
delimitada na figura 4.01) e, nas figuras 4.04 e 4.05, são apresentados os perfis
geotécnicos elaborados (AA’ e ’, respectivamente).

63
Legenda:
Trajetória prospectada com
a antena blindada do GPR.
OBS.: As trajetórias prospectadas
com a antena não-blindada do GPR
não foram locadas devido ao
motivo explicitado no item 4.1.4.2.

Escala:

0m 25m 50m 75m

Figura 4.03 – Locação das investigações diretas e indiretas realizadas na área do estudo de
caso 1 (fonte da foto aérea: GOOGLE).

64
A A’

NA

NSPT

Figura 4.04 – Perfil geotécnico AA’, referente ao estudo de caso .

65
B B’

NA

NSPT

Figura 4.05 – Perfil geotécnico ’, referente ao estudo de caso .

66
Os perfis geotécnicos AA’ e ’ indicam a posição do nível d’água (NA) na
profundidade em torno de 1,5m e revelam a existência de 3 camadas contínuas: a
primeira, composta por aterro (silte argiloso) e situada desde a superfície até a
profundidade de aproximadamente 1,5m, seguida de solo residual maduro (silte
arenoso) até a profundidade em torno de 10,5m e de solo residual jovem até o
impenetrável ao trépano de lavagem, na profundidade com cerca de 12m. O perfil AA’
apresenta, ainda, uma camada descontínua de solo aluvionar (areia argilosa), situada
abaixo do aterro, com espessura máxima de 7m, aproximadamente, indicada pelas
sondagens à percussão SP-01 e SP-02. A geologia do local é bem conhecida e o subsolo
não apresenta variação significativa de sua estratigrafia na área que engloba tanto as
investigações diretas (sondagens) quanto as indiretas (geofísicas).

4.1.4. Resultados das investigações geofísicas

As superfícies de reflexão horizontalizadas foram removidas na etapa (completa) de


processamento dos radargramas de todas as trajetórias prospectadas neste estudo de
caso, utilizando-se a ferramenta “bac ground removal”. Logo os refletores que
correspondem à onda direta pelo ar (Aw) e à onda direta através do terreno (Gw),
respectivamente, assim como a anomalia contínua que caracteriza o lençol freático, não
estão contemplados nos mesmos. Este procedimento tem como objetivo evitar que estes
sinais venham a se superpor aos sinais de possíveis feições geológicas de modo a
inviabilizar a detecção destes.

Além dos radargramas processados, são apresentados, a seguir, os radargramas sem


processamento (dados brutos). Nestes, pode ser verificada a posição do nível d’água. A
sequência de processamento dos dados encontra-se no apêndice.

4.1.4.1. Antena blindada

As figuras 4.06 a 4.13 apresentam os radargramas brutos e processados dos perfis de


reflexão nos 01 ao 04, realizados com o GPR através de antena blindada.

67
Legenda:
Nível d’água inferido a partir do radargrama;
Nível d’água inferido a partir das sondagens.

Figura 4.06 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 01 (dado bruto).

68
1

Legenda:
1: Silte argiloso (aterro);
2: Silte arenoso (solo residual maduro);
3: Silte arenoso (solo residual jovem);
Inferição a partir deste radargrama;
Inferição a partir das sondagens SP-03, SP-04, SP-05 e SP-07.

Figura 4.07 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 01 (dado processado).

69
Legenda:
Nível d’água inferido a partir do radargrama;
Nível d’água inferido a partir das sondagens.

Figura 4.08 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 02 (dado bruto).

70
1a

1b

Legenda:
1a e 1b: Camadas de aterro. Infere-se que a camada 1b seja
composta por silte argiloso e que a camada 1a seja constituída
por material arenoso;
2: Silte arenoso (solo residual maduro);
3: Silte arenoso (solo residual jovem);
Inferição a partir deste radargrama;
Inferição a partir das sondagens SP-04, SP-05 e SP-07.

Figura 4.09 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 02 (dado processado).

71
Legenda:
Nível d’água inferido a partir do radargrama;
Nível d’água inferido a partir das sondagens.

Figura 4.10 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 03 (dado bruto).

72
1

Legenda:
1: Silte argiloso (aterro);
2: Silte arenoso (solo residual maduro);
3: Silte arenoso (solo residual jovem);
Inferição a partir deste radargrama;
Inferição a partir das sondagens SP-01, SP-02 e SP-06.

Figura 4.11 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 03 (dado processado).

73
Legenda:
Nível d’água inferido a partir do radargrama;
Nível d’água inferido a partir das sondagens.

Figura 4.12 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 04 (dado bruto).

74
1

Legenda:
1: Silte argiloso (aterro);
2: Silte arenoso (solo residual maduro);
3: Silte arenoso (solo residual jovem);
4: Areia argilosa (solo aluvionar);
5: Maciço rochoso alterado;
Inferição a partir deste radargrama;
Inferição a partir das sondagens SP-01, SP-02, SP-06 e SP-07.

Figura 4.13 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 04 (dado processado).

Nos radargramas das figuras 4.07, 4.09, 4.11 e 4.13, podem ser identificadas anomalias
contínuas (representadas pelas linhas tracejadas de cor preta), situadas a,
aproximadamente, 2m e 10,5m de profundidade, respectivamente, sendo,
provavelmente: a primeira, referente à transição entre a camada de aterro (mais
superficial), “ ”, e a de solo residual maduro, “ ”, e; a segunda, correspondente ao topo
do solo residual jovem, “ ”. No radargrama da figura 4.09, pode ser observada,
também, uma anomalia contínua, em torno de 0,3m de profundidade, relacionada,
provavelmente, à interface entre camadas de aterro (infere-se que a mais superficial,

75
“ a”, apresente menor quantidade de argila em comparação à subjacente, “ b”). No
radargrama da figura 4.13, podem ser verificadas, ainda, uma anomalia descontínua e
outra contínua, situadas a, aproximadamente, 8,5m e 11,5m de profundidade,
respectivamente, sendo, provavelmente: a primeira, correspondente transição entre o
solo aluvionar, “ ”, e o residual maduro, “ ”, e; a segunda, indicativa do topo do maciço
rochoso (alterado), “5”. Ao longo de toda a profundidade são verificadas regiões com
reverberação do sinal eletromagnético, decorrente da presença de elementos que
reduzem a resistividade elétrica da subsuperfície, tais como materiais argilosos e o
lençol freático. Este ruído pode ocultar possíveis interfaces entre estratos geológicos.

Nos radargramas das figuras 4.06, 4.08, 4.10 e 4.12, verifica-se que o nível d’água
inferido com base nos dados do GPR (representado pelas linhas tracejadas na cor
vermelha) encontra-se praticamente coincidente com o inferido a partir das sondagens
(indicado pelas linhas pontilhadas em vermelho).

4.1.4.2. Antena não-blindada

Os resultados advindos da aquisição de dados através de antena não-blindada foram


desconsiderados, visto que a antena receptora captou sinais de amplitude significativa,
contemplados na faixa de operação do GPR, no momento anterior à colocação da
bateria na antena transmissora, ou seja, havia ruídos dos quais, possivelmente, boa parte
deve estar relacionada ao transponder do Aeroporto Internacional do Galeão – Rio de
Janeiro, que inviabilizaram, tecnicamente, as etapas de processamento e de
interpretação dos dados. Naquela, inclusive, nem mesmo a identificação do tempo zero
foi possível. Foi despendido um tempo na expectativa de uma possível diminuição ou,
até mesmo, eliminação destes ruídos, porém os mesmos continuaram a inviabilizar a
utilização do Georradar com a antena empregada.

4.1.5. Discussão dos resultados

A prospecção por meio do Georradar, neste estudo de caso, confirmou os dados das
sondagens à percussão realizadas próximas ao local de interesse, permitindo, por
consequência, a partir da informação de que o subsolo não apresenta variação
significativa de sua estratigrafia na área que engloba tanto as investigações diretas

76
(sondagens) quanto as indiretas (geofísicas), a extrapolação dos dados das sondagens
para o terreno investigado com o GPR. A investigação geofísica possibilitou a
identificação do topo do maciço rochoso que, por estar alterado, apresenta-se como uma
reflexão discreta.

4.2. ESTUDO DE CASO 2 – ATERRO EM MUNICÍPIO VIZINHO AO RIO DE


JANEIRO

4.2.1. Localização e objetivos

A área do estudo de caso 2 trata-se de uma área terraplenada em um município vizinho


ao Rio de Janeiro, conforme indicado na figura 4.14, através do círculo na cor vermelha.
As coordenadas do local, bem como a via de acesso, não podem ser informadas por se
tratarem de informações sigilosas.

Escala:

0m 25.000m 50.000m 75.000m

Figura 4.14 – Localização do estudo de caso 2 (fonte: GOOGLE).

77
Optou-se por realizar o estudo de caso 2, principalmente, devido ao fato do terreno
prospectado estar localizado em uma área pouco urbanizada, caracterizando-se,
portanto, como um meio menos ruidoso e tornando-se, por consequência, atrativo à
aquisição com o GPR por meio de antena não-blindada, que, por sua vez, tende a
aumentar as chances de identificar feições geológicas mais profundas. Em suma, o
objetivo consistiu em poder utilizar os dados tanto da antena blindada quanto da não-
blindada, sendo esta voltada para as feições mais profundas e aquela, para
determinação, em maior resolução, das feições geológicas de menor profundidade.

4.2.2. Trabalhos realizados

Foram realizadas prospecções com o GPR adquirido da empresa GSSI, modelo SIR
3000, através de antena blindada (200 MHz), totalizando 15 trajetórias de investigação
(perfis de reflexão nos 01 ao 15, no arranjo Common Offset, com 6 traços por metro –
leitura a cada 0,17m, aproximadamente), e não-blindada (80 MHz), com, ao todo, 7
trajetórias de prospecção (perfis de reflexão nos 16 ao 22, no arranjo Common Offset,
com leitura a cada 0,5m) e dois ensaios CMP (nos 23 e 24), com leituras consecutivas
espaçadas 1m para cada lado (x = 1m). O perfil de reflexão no 01 apresenta,
aproximadamente, 100m de extensão, enquanto os perfis nos 02 ao 09 e 16 ao 19
apresentam cerca de 80m de comprimento e os perfis nos 10 ao 14 e 20 ao 22, em torno
de 60m.

As trajetórias de prospecção foram dispostas em uma malha espaçada 20m em uma


direção e 40m na direção transversal a esta, com exceção do perfil de reflexão no 01,
que, inicialmente, seria realizado, apenas, para testar a aplicabilidade do GPR no terreno
e, por fornecer um radargrama com resolução significativa em comparação aos demais,
teve seus dados apresentados nesta dissertação. Na malha adotada, metade das
trajetórias de investigação com antena blindada foi realizada em um sentido e o restante,
no sentido oposto. As trajetórias dos ensaios CMP nos 23 e 24 apresentam,
aproximadamente, 15m de extensão, possuem o mesmo ponto médio e são
perpendiculares entre si. Além da aquisição de dados, foram analisadas as etapas de
processamento e interpretação dos dados. Os resultados de todas estas investigações
geofísicas foram comparados com os dados das sondagens à percussão realizadas nas
proximidades.

78
A figura 4.15 apresenta a aplicação do GPR na área do estudo de caso 2.

Console

Trena Cabo
óptico

Antena transmissora

Antena receptora

Figura 4.15 – Aplicação do GPR na área do estudo de caso 2.

4.2.3. Dados preliminares

O levantamento planialtimétrico e as investigações diretas (sondagens à percussão e


mistas) foram realizados antes dos trabalhos de terraplenagem que antecederam a
aquisição de dados com o GPR, por consequência os perfis geotécnicos elaborados para
o local de estudo revelam uma estratigrafia com diferenças relevantes em relação à
encontrada em campo.

79
O terreno prospectado com Georradar apresentava-se praticamente plano, com leve
inclinação para drenagem de águas pluviais, sendo grande parte do mesmo escavado,
havendo, em seu lado inferior direito, uma pequena região aterrada, provavelmente
proveniente de regularização da superfície.

No talude de montante do terreno prospectado com o GPR, foram observadas


ocorrências de acúmulo de lixo, com grandes chances deste material ou, pelo menos,
parte dele atingir o local de estudo, principalmente devido à ação das águas pluviais.

A figuras 4.16 a 4.20 apresentam, em sequência: o relevo do local de estudo e


adjacências, antes dos trabalhos de terraplenagem que antecederam a aquisição de dados
com o GPR e durante a prospecção geofísica; a planta de localização das investigações
diretas e indiretas e; os perfis geotécnicos elaborados (AA’, ’ e ’,
respectivamente).

80
a) N

Área prospectada
com o GPR

Escala:

0m 100m 200m 300m

b) N

Área com acúmulo


de lixo

Área prospectada
com o GPR

Escala:

0m 100m 200m 300m

Figura 4.16 – Relevo da área de estudo. a) antes dos trabalhos de terraplenagem que
antecederam a aquisição de dados com o GPR e; b) durante a prospecção geofísica
(fonte das fotos aéreas: GOOGLE).

81
N

Legenda:
Trajetória prospectada com
a antena blindada de GPR;
Escala:
Trajetória prospectada com
a antena não-blindada de GPR;
Sondagem de velocidade (CMP). 0m 40m 80m 120m

Figura 4.17 – Locação das investigações diretas e indiretas realizadas na área do estudo de
caso 2 (fonte da foto aérea: GOOGLE).

82
Legenda:
A
Provável topo do terreno durante a
prospecção com o GPR.

(PROJEÇÃO)

NA A’
NSPT

Figura 4.18 – Perfil geotécnico AA’, referente ao estudo de caso .

83
(PROJEÇÃO)

B
B’

NSPT

Legenda:
Provável topo do terreno durante
a prospecção com o GPR.

Figura 4.19 – Perfil geotécnico ’, referente ao estudo de caso .

84
Legenda: C’
Provável topo do terreno durante a prospecção com o GPR.

C
(PROJEÇÃO)

NA

NSPT

Figura 4.20 – Perfil geotécnico ’, referente ao estudo de caso .

Os perfis geotécnicos AA’ e ’ indicam a posição do nível d’água (NA) na


profundidade média em torno de 2m, na faixa delimitada pela projeção da região
prospectada com o GPR. Os perfis AA’, ’e ’ revelam a existência de 3 camadas:
a primeira, composta pela intercalação de camadas aluvionares e situada desde a
superfície até a profundidade máxima de aproximadamente 7m, seguida de solo residual
maduro (silte arenoso), com espessura variando cerca de 2m a 5,5m, e de solo residual
jovem (silte arenoso), com espessura variando entre 1,5m e 3m, aproximadamente. Os
perfis AA’ e ’ apresentam, ainda, uma camada de maciço rochoso (gnaisse), situada
abaixo do solo residual jovem, com espessura máxima em torno de 4m, indicada pela
sondagem mista SM-01.

85
4.2.4. Resultados das investigações geofísicas

As superfícies de reflexão horizontalizadas foram removidas na etapa (completa) de


processamento dos radargramas de todas as trajetórias prospectadas neste estudo de
caso, utilizando-se a ferramenta “bac ground removal”. Logo os refletores que
correspondem à onda direta pelo ar (Aw) e à onda direta através do terreno (Gw),
respectivamente, assim como a anomalia contínua que caracteriza o lençol freático, não
estão contemplados nos mesmos. Este procedimento tem como objetivo evitar que estes
sinais venham a se superpor aos sinais de possíveis feições geológicas de modo a
inviabilizar a detecção destes.

Além dos radargramas processados, são apresentados, a seguir, os radargramas sem


processamento (dados brutos). Nestes, pode ser verificada a posição do nível d’água. A
sequência de processamento dos dados encontra-se no apêndice.

4.2.4.1. Antena blindada

As figuras 4.21 a 4.42 apresentam os radargramas (representativos) brutos e


processados dos perfis de reflexão nos 01 ao 15, realizados com o GPR através de antena
blindada.

86
Figura 4.21 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 01 (dado bruto).

87
1a
1b
1c

1d
1e

Depressão

Legenda:
1a, 1b, 1c, 1d e 1e: Camadas de solo aluvionar;
2: Silte arenoso (solo residual maduro);
Inferição a partir deste radargrama.

Figura 4.22 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 01 (dado processado).

No radargrama da figura 4.22, podem ser identificadas superfícies de reflexão


(representadas pelas linhas tracejadas de cor vermelha), situadas a, aproximadamente,
0,4m, 0,8m, 1,2m, 1,7m e, a mais profunda, variando de 2m a 3,4m de profundidade. O
refletor mais profundo provavelmente corresponde ao topo do solo residual maduro,
“ ”, enquanto que os demais devem estar relacionadas a interfaces entre camadas
aluvionares, “ a” a “ e”. Na distância entre 25m e 85m, após cerca de 2m de
profundidade, é observada uma depressão no topo do solo residual maduro.

88
Figura 4.23 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 02 (dado bruto).

89
10 ≡ 11 ≡ 20 12 ≡ 13 ≡ 21 14 ≡ 15 ≡ 22

1a
1b
1c
1d

Legenda:
1a, 1b, 1c e 1d: Camadas de solo aluvionar;
2: Silte arenoso (solo residual maduro);
Inferição a partir deste radargrama;
Inferição a partir do radargrama do perfil de reflexão no 03;
Inferição a partir do radargrama do perfil de reflexão no 16;
10 a 15 e 20 a 22: Perfis de reflexão que atingem este radargrama.

Figura 4.24 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 02 (dado processado).

No radargrama da figura 4.24, podem ser identificadas superfícies de reflexão


(representadas pelas linhas tracejadas de cor vermelha), situadas a, aproximadamente,
0,4m, 0,8m, 1,2m e, a mais profunda, variando de 2,2m a 3,4m de profundidade. O
refletor mais profundo provavelmente corresponde ao topo do solo residual maduro,
“ ”, enquanto que os demais devem estar relacionadas a interfaces entre camadas
aluvionares, “ a” a “ d”.
90
Figura 4.25 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 03 (dado bruto).

91
14 ≡ 15 ≡ 22 12 ≡ 13 ≡ 21 10 ≡ 11 ≡ 20

1a
1b

1c

1d

Legenda:
1a, 1b, 1c e 1d: Camadas de solo aluvionar;
2: Silte arenoso (solo residual maduro);
Inferição a partir deste radargrama;
Inferição a partir do radargrama do perfil de reflexão no 02;
Inferição a partir do radargrama do perfil de reflexão no 16;
10 a 15 e 20 a 22: Perfis de reflexão que atingem este radargrama.

Figura 4.26 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 03 (dado processado).

No radargrama da figura 4.26, podem ser identificadas superfícies de reflexão


(representadas pelas linhas tracejadas de cor vermelha), situadas a, aproximadamente,
0,4m, 0,8m, 1,2m e, a mais profunda, variando de 2,2m a 3,2m de profundidade. O
refletor mais profundo provavelmente corresponde ao topo do solo residual maduro,
“ ”, enquanto que os demais devem estar relacionadas a interfaces entre camadas
aluvionares, “ a” a “ d”.

92
Figura 4.27 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 04 (dado bruto).

93
10 ≡ 11 ≡ 20 12 ≡ 13 ≡ 21 14 ≡ 15 ≡ 22

1a
1b

1c

Legenda:
1a, 1b e 1c: Camadas de solo aluvionar;
2: Silte arenoso (solo residual maduro);
Inferição a partir deste radargrama;
Inferição a partir do radargrama do perfil de reflexão no 05;
Inferição a partir do radargrama do perfil de reflexão no 17;
10 a 15 e 20 a 22: Perfis de reflexão que atingem este radargrama.

Figura 4.28 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 04 (dado processado).

No radargrama da figura 4.28, podem ser identificadas superfícies de reflexão


(representadas pelas linhas tracejadas de cor vermelha), situadas a, aproximadamente,
0,4m, e, as mais profundas, variando de 1,2m a 1,6m e de 2,2m a 3,2m de profundidade.
O refletor mais profundo provavelmente corresponde ao topo do solo residual maduro,
“ ”, enquanto que os demais devem estar relacionadas a interfaces entre camadas
aluvionares, “ a”a “ c”.

94
Figura 4.29 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 05 (dado bruto).

95
14 ≡ 15 ≡ 22 12 ≡ 13 ≡ 21 10 ≡ 11 ≡ 20

1a
1b

1c

Legenda:
1a, 1b e 1c: Camadas de solo aluvionar;
2: Silte arenoso (solo residual maduro);
Inferição a partir deste radargrama;
Inferição a partir do radargrama do perfil de reflexão no 04;
Inferição a partir do radargrama do perfil de reflexão no 17;
10 a 15 e 20 a 22: Perfis de reflexão que atingem este radargrama.

Figura 4.30 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 05 (dado processado).

No radargrama da figura 4.30, podem ser identificadas superfícies de reflexão


(representadas pelas linhas tracejadas de cor vermelha), situadas a, aproximadamente,
0,3m, 1,4m e, a mais profunda, variando de 2,6m a 3,5m de profundidade. O refletor
mais profundo provavelmente corresponde ao topo do solo residual maduro, “ ”,
enquanto que os demais devem estar relacionadas a interfaces entre camadas
aluvionares, “ a” a “ c”.

96
Figura 4.31 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 08 (dado bruto).

97
10 ≡ 11 ≡ 20 12 ≡ 13 ≡ 21 14 ≡ 15 ≡ 22

1a

1b

Legenda:
1a e 1b: Camadas de solo aluvionar;
Inferição a partir deste radargrama;
Inferição a partir do radargrama do perfil de reflexão no 09;
Inferição a partir do radargrama do perfil de reflexão no 19;
10 a 15 e 20 a 22: Perfis de reflexão que atingem este radargrama.

Figura 4.32 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 08 (dado processado).

No radargrama da figura 4.32, pode ser identificadas 1 superfície de reflexão


(representada pelas linhas tracejadas de cor vermelha), situada a, aproximadamente,
0,6m de profundidade, provavelmente correspondente à interface entre camadas
aluvionares, “ a” e “ b”.

98
Figura 4.33 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 09 (dado bruto).

99
14 ≡ 15 ≡ 22 12 ≡ 13 ≡ 21 10 ≡ 11 ≡ 20

1a

1b

Legenda:
1a e 1b: Camadas de solo aluvionar;
Inferição a partir deste radargrama;
Inferição a partir do radargrama do perfil de reflexão no 08;
Inferição a partir do radargrama do perfil de reflexão no 19;
10 a 15 e 20 a 22: Perfis de reflexão que atingem este radargrama.

Figura 4.34 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 09 (dado processado).

No radargrama da figura 4.34, pode ser identificadas 1 superfície de reflexão


(representada pelas linhas tracejadas de cor vermelha), situada a, aproximadamente,
0,6m de profundidade, provavelmente correspondente à interface entre camadas
aluvionares, “ a” e “ b”.

100
Figura 4.35 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 10 (dado bruto).

101
08 ≡ 09 ≡ 19 06 ≡ 07 ≡ 18 04 ≡ 05 ≡ 17 02 ≡ 03 ≡ 16

1a

1b

1c

Legenda:
1a, 1b e 1c: Camadas de solo aluvionar;
Inferição a partir deste radargrama;
Inferição a partir do radargrama do perfil de reflexão no 11;
Inferição a partir do radargrama do perfil de reflexão no 20;
02 a 09 e 16 a 19: Perfis de reflexão que atingem este
radargrama.

Figura 4.36 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 10 (dado processado).

No radargrama da figura 4.36, podem ser identificadas superfícies de reflexão


(representadas pelas linhas tracejadas de cor vermelha), situadas a, aproximadamente,
0,8m e 1,4m de profundidade, todas provavelmente correspondentes a interfaces entre
camadas aluvionares, “ a” a “ c”.

102
Figura 4.37 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 11 (dado bruto).

103
02 ≡ 03 ≡ 16 04 ≡ 05 ≡ 17 06 ≡ 07 ≡ 18 08 ≡ 09 ≡ 19

1a

1b

1c

Legenda:
1a, 1b e 1c: Camadas de solo aluvionar;
Inferição a partir deste radargrama;
Inferição a partir do radargrama do perfil de reflexão no 10;
Inferição a partir do radargrama do perfil de reflexão no 20;
02 a 09 e 16 a 19: Perfis de reflexão que atingem este
radargrama.

Figura 4.38 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 11 (dado processado).

No radargrama da figura 4.38, podem ser identificadas superfícies de reflexão


(representadas pelas linhas tracejadas de cor vermelha), situadas a, aproximadamente,
0,8m e 1,4m de profundidade, todas provavelmente correspondentes a interfaces entre
camadas aluvionares, “ a” a “ c”.

104
Figura 4.39 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 14 (dado bruto).

105
08 ≡ 09 ≡ 19 06 ≡ 07 ≡ 18 04 ≡ 05 ≡ 17 02 ≡ 03 ≡ 16

1a

1b
1c 1c

Legenda:
1a, 1b e 1c: Camadas de solo aluvionar;
Inferição a partir deste radargrama;
Inferição a partir do radargrama do perfil de reflexão no 15;
Inferição a partir do radargrama do perfil de reflexão no 22;
02 a 09 e 16 a 19: Perfis de reflexão que atingem este
radargrama.

Figura 4.40 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 14 (dado processado).

No radargrama da figura 4.40, podem ser identificadas superfícies de reflexão


(representadas pelas linhas tracejadas de cor vermelha), situadas a, aproximadamente,
0,8m e variando de 0,8m a 1,4m de profundidade, todas provavelmente correspondentes
a interfaces entre camadas aluvionares, “ a” a “ c”.

106
Figura 4.41 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 15 (dado bruto).

107
02 ≡ 03 ≡ 16 04 ≡ 05 ≡ 17 06 ≡ 07 ≡ 18 08 ≡ 09 ≡ 19

1a

1b
1c
1c

Legenda:
1a, 1b e 1c: Camadas de solo aluvionar;
Inferição a partir deste radargrama;
Inferição a partir do radargrama do perfil de reflexão no 14;
Inferição a partir do radargrama do perfil de reflexão no 22;
02 a 09 e 16 a 19: Perfis de reflexão que atingem este
radargrama.

Figura 4.42 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 15 (dado processado).

No radargrama da figura 4.42, podem ser identificadas superfícies de reflexão


(representadas pelas linhas tracejadas de cor vermelha), situadas a, aproximadamente,
0,8m e variando de 0,8m a 1,4m de profundidade, todas provavelmente correspondentes
a interfaces entre camadas aluvionares, “ a” a “ c”.

108
4.2.4.2. Antena não-blindada

As figuras 4.43 a 4.52 apresentam os radargramas (representativos) brutos e


processados dos perfis de reflexão nos 16 ao 22, realizados com o GPR através de antena
não-blindada.

Figura 4.43 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 16 (dado bruto).

109
10 ≡ 11 ≡ 20 12 ≡ 13 ≡ 21 14 ≡ 15 ≡ 22
1a
1b

Legenda:
1a, 1b e 1c: Camadas de solo aluvionar;
2: Silte arenoso (solo residual maduro);
3: Silte arenoso (solo residual jovem);
Inferição a partir deste radargrama;
10 a 15 e 20 a 22: Perfis de reflexão que atingem este radargrama.

Figura 4.44 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 16 (dado processado).

No radargrama da figura 4.44, podem ser identificadas superfícies de reflexão


(representadas pelas linhas tracejadas de cor vermelha), situadas a, aproximadamente,
0,5m e, as mais profundas, variando de 2m e 3,5m e de 3m a 6,5m de profundidade,
respectivamente, sendo, provavelmente: a primeira (mais próxima ao nível do terreno),
relacionada à transição entre camadas aluvionares, “ a” e “ b”; a segunda, referente ao
topo do solo residual maduro, “ ”; a terceira (mais profunda), correspondente ao topo
do solo residual jovem, “ ”.

110
Figura 4.45 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 17 (dado bruto).

111
10 ≡ 11 ≡ 20 12 ≡ 13 ≡ 21 14 ≡ 15 ≡ 22
1a
1b

Legenda:
1a e 1b: Camadas de solo aluvionar;
2: Silte arenoso (solo residual maduro);
3: Silte arenoso (solo residual jovem);
Inferição a partir deste radargrama;
10 a 15 e 20 a 22: Perfis de reflexão que atingem este radargrama.

Figura 4.46 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 17 (dado processado).

No radargrama da figura 4.46, podem ser identificadas superfícies de reflexão


(representadas pelas linhas tracejadas de cor vermelha), situadas a, aproximadamente,
0,5m e, as mais profundas, variando de 2m e 3m e de 4m a 7m de profundidade,
respectivamente, sendo, provavelmente: a primeira (mais próxima ao nível do terreno),
relacionada à transição entre camadas aluvionares, “ a” e “ b”; a segunda, referente ao
topo do solo residual maduro, “ ”; a terceira (mais profunda), correspondente ao topo
do solo residual jovem, “ ”.

112
Figura 4.47 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 19 (dado bruto).

113
10 ≡ 11 ≡ 20 12 ≡ 13 ≡ 21 14 ≡ 15 ≡ 22
1a
1b

2 2

Legenda:
1a e 1b: Camadas de solo aluvionar;
2: Silte arenoso (solo residual maduro);
Inferição a partir deste radargrama;
10 a 15 e 20 a 22: Perfis de reflexão que atingem este radargrama.

Figura 4.48 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 19 (dado processado).

No radargrama da figura 4.48, podem ser identificadas superfícies de reflexão


(representadas pelas linhas tracejadas de cor vermelha), situadas a, aproximadamente,
0,5m e variando de 2m a 3m de profundidade. O refletor mais próximo ao nível do
terreno deve estar relacionado à transição entre camadas aluvionares, “ a” e “ b”,
enquanto o restante provavelmente corresponde ao topo do solo residual maduro, “ ”.

114
Figura 4.49 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 20 (dado bruto).

115
08 ≡ 09 ≡ 19 06 ≡ 07 ≡ 18 04 ≡ 05 ≡ 17 02 ≡ 03 ≡ 16

1a
1b
2
2

Legenda:
1a e 1b: Camadas de solo aluvionar;
2: Silte arenoso (solo residual maduro);
Inferição a partir deste radargrama;
02 a 09 e 16 a 19: Perfis de reflexão que atingem este radargrama.

Figura 4.50 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 20 (dado processado).

No radargrama da figura 4.50, podem ser identificadas superfícies de reflexão


(representadas pelas linhas tracejadas de cor vermelha), situadas a, aproximadamente,
0,5m e 2m de profundidade. O refletor mais próximo ao nível do terreno deve estar
relacionado à transição entre camadas aluvionares, “ a” e “ b”, enquanto o restante
provavelmente corresponde ao topo do solo residual maduro, “ ”.

116
Figura 4.51 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 22 (dado bruto).

117
08 ≡ 09 ≡ 19 06 ≡ 07 ≡ 18 04 ≡ 05 ≡ 17 02 ≡ 03 ≡ 16
1a
1b

Legenda:
1a e 1b: Camadas de solo aluvionar;
2: Silte arenoso (solo residual maduro);
Inferição a partir deste radargrama;
02 a 09 e 16 a 19: Perfis de reflexão que atingem este radargrama.

Figura 4.52 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão no 22 (dado processado).

No radargrama da figura 4.52, podem ser identificadas superfícies de reflexão


(representadas pelas linhas tracejadas de cor vermelha), situadas a, aproximadamente,
0,5m e 2m de profundidade. O refletor mais próximo ao nível do terreno deve estar
relacionado à transição entre camadas aluvionares, “ a” e “ b”, enquanto o restante
provavelmente corresponde ao topo do solo residual maduro, “ ”.

As figuras 4.53 e 4.54 apresentam, respectivamente, os resultados das sondagens de


velocidade (ensaio CMP) nos 23 e 24, realizadas com o GPR através de antena não-
blindada.
118
Figura 4.53 – Radargrama proveniente da sondagem de velocidade (CMP) no 23.

Figura 4.54 – Radargrama proveniente da sondagem de velocidade (CMP) no 24.

As figuras 4.53 e 4.54 revelam valores de velocidade de propagação da onda


eletromagnética, em subsuperfície, predominantemente contemplados na faixa de

119
0,1m/ns a 0,15m/ns, típicos de um solo arenoso não-saturado. Esta predominância é
representada, nestas figuras, pelas áreas mais claras dos tons de cinza empregados.

4.2.5. Discussão dos resultados

A prospecção com o GPR, neste estudo de caso, confirmou a presença de camadas


aluvionares e de solos residuais (maduro e jovem), todas contempladas nos dados das
sondagens à percussão e mistas realizadas próximas ao local de interesse. Revelou, com
base nos valores de velocidade de propagação da onda eletromagnética no subsolo,
obtidos a partir do ensaio CMP, que o lençol freático, provavelmente, não estava
situado próximo à superfície, contrariando, desta forma, as informações provenientes
das investigações diretas. Indicou uma possível contaminação da subsuperfície,
principalmente na parte inferior direita do terreno prospectado com o Georradar (região
de menor cota), devido à queda de resolução e acréscimo de atenuação nos radargramas,
em direção a esta área. Este efeito contaminante deve ter sido provocado pela lixiviação
de lixo.

4.3. ESTUDO DE CASO 3 – ÁREA INDUSTRIAL EM MUNICÍPIO VIZINHO


AO RIO DE JANEIRO

4.3.1. Localização e objetivos

A área do estudo de caso 3 destina-se a um projeto industrial de grande extensão em um


município vizinho ao Rio de Janeiro, conforme indicado na figura 4.55, através do
círculo na cor vermelha. As coordenadas do local, bem como a via de acesso, não
podem ser informadas por se tratarem de informações sigilosas.

120
N

Escala:

0m 25.000m 50.000m 75.000m


Figura 4.55 – Localização aproximada do estudo de caso 3 (fonte: GOOGLE).

Esta área foi objeto de investigação geofísica, uma vez que ali passariam dutos
enterrados e devido à grande quantidade de camadas de deposição. A indústria em
implantação contratou a execução de mais de um método geofísico: Georradar (GPR),
Eletrorresistividade (ER) e Sub-Bottom Profiler (SBP). Isto permitiu comparar os
resultados de diferentes técnicas de investigação geofísica, a fim de estudar a
aplicabilidade, as vantagens e as desvantagens das mesmas.

4.3.2. Trabalhos realizados

Foi analisada a etapa de interpretação dos dados referentes aos perfis de reflexão, no
arranjo Common Offset, do GPR e do Sub-Bottom Profiler (SBP), e aos perfis de
caminhamento elétrico da Eletrorresistividade (ER). Os resultados das prospecções

121
geofísicas foram comparados com os provenientes das sondagens à percussão realizadas
na área.

Os serviços de aquisição e processamento dos dados geofísicos deste caso foram feitos
por empresa contratada. Os dados brutos e a sequência das ferramentas de edição
empregadas não foram disponibilizados.

4.3.2.1. Ground Penetrating Radar (GPR)

Foram realizados perfis de reflexão no arranjo Common Offset com o GPR da empresa
GSSI, modelo SIR 3000, através de antena não-blindada (16 MHz), totalizando 6
trajetórias de investigação longitudinais, espaçadas 20m, cada uma com cerca de 250m
de extensão, sendo 3 destas situadas na margem esquerda do rio (LE-01 a LE-03) e as
outras 3, na margem direita (LD-01 a LD-03), e 20 trajetórias de prospecção
transversais, espaçadas 25m, cada uma com, aproximadamente, 40m de comprimento,
sendo metade destas localizada na margem esquerda do rio (TE-01 a TE-10) e o
restante, na margem direita (TD-01 a TD-10).

A figura 4.56 apresenta a aplicação do GPR na área do estudo de caso 3.

122
Console

Cabo óptico

Antena transmissora

Antena receptora

Figura 4.56 – Aplicação do GPR na área do estudo de caso 3.

4.3.2.2. Eletrorresistividade (ER)

A técnica da Eletrorresistividade baseia-se na análise, realizada em superfície ou em


poço, de um parâmetro físico, a resistividade elétrica, ao longo da horizontal e da
profundidade, a partir do estudo do potencial elétrico de campos elétricos artificiais.

O método da Eletrorresistividade consiste na introdução de uma corrente elétrica no


solo, contínua (DC) ou alternada (AC), através de dois eletrodos metálicos cravados em
superfície (“A” e “ ”, denominados eletrodos de corrente), a qual produz uma diferença
de potencial que é medida por um segundo par de eletrodos metálicos cravados em
superfície (“M” e “N”, denominados eletrodos de potencial), nas proximidades do fluxo
de corrente. O valor desta diferença de potencial é função da resistividade aparente do
material investigado (OLIVEIRA, 2009).

123
Uma vez que o solo, na maioria das vezes, corresponde a um meio heterogêneo, a
resistividade de uma região em subsuperfície não pode, em geral, ser atribuída a um
único ponto contemplado na mesma, e sim a uma média ponderada de todas as
resistividades existentes no semi-espaço prospectado. Em função desta constatação, é
utilizado o termo resistividade aparente, cuja equação a partir da qual é obtida não
obedece mais à Lei de Ohm e cujo valor está associado à disposição geométrica das
camadas de solo e/ou rocha e dos eletrodos. Portanto este parâmetro não é uma
propriedade física do terreno, ao contrário da resistividade verdadeira (ou real), que
deve ser estimada a partir de um método denominado inversão de dados, o qual utiliza
os dados de resistividade aparente de campo, e apresentada como resultado da
Eletrorresistividade (BECEGATO ET al., 2009; FURLAN, 2008).

O processo de transformação de resistividade aparente em verdadeira é complexo,


iterativo e trabalhoso, porém pode ser realizado a partir de softwares específicos, os
quais são programados para operar, tanto quanto possível, de forma automática e
utilizam métodos de elementos finitos ou de diferenças finitas para calcular os valores
de resistividade aparente, que dividem a subsuperfície em um grande número de células
retangulares, além de modelos matemáticos de inversão, que sugerem curvas teóricas as
quais são comparadas com a seção de resistividade aparente medida em campo,
conhecida como pseudo-seção, através da técnica de mínimos-quadrados, de modo a se
obter o melhor ajuste entre as mesmas (OLIVEIRA, 2009; FERREIRA, 2002).

A resistividade elétrica aparente (a), expressa em (Ω.m), pode ser obtida através da
expressão (FURLAN, 2008):

V
a = K . (4.01)

onde:
 V é a diferença de potencial entre os eletrodos de potencial, “M” e “N”, expressa
em milivolt (mV);
 é a intensidade de corrente que passa entre os eletrodos de corrente, “A” e “ ”,
expressa em miliampère (mA);

124
 K é o fator geométrico, expresso em metro (m), o qual depende da disposição
geométrica dos eletrodos de corrente e de potencial e cuja expressão é definida da
seguinte forma:
-
K = 2 .  . AM (4.02)
AN M N

onde:
 AM, NA, BM e BN são as distâncias entre os eletrodos (m).

Dentre as aplicações da Eletrorresistividade, aquelas que se relacionam com o escopo


desta dissertação são:
 Determinação da localização do lençol freático;
 Definição da estratigrafia do terreno;
 Identificação de fraturas e falhas existentes no maciço rochoso.

Existem diversas formas de aplicação do método da Eletrorresistividade, referentes à


utilização de diferentes técnicas e arranjos de aplicação que atendam às necessidades de
investigação, de modo a obter um adequado reconhecimento geológico-geotécnico do
subsolo de estudo (REYNOLDS, 1997). A aquisição da resistividade aparente do
subsolo pode ser feita através das seguintes técnicas:
 Sondagem Elétrica Vertical (SEV), caracterizada pela investigação vertical das
variações do parâmetro físico com a profundidade;
 Caminhamento Elétrico (CE), que corresponde à investigação lateral das variações
do parâmetro físico em uma ou em várias profundidades;
 Perfilagem Elétrica (PERF), referente à investigação lateral e vertical das variações
do parâmetro físico efetuadas no interior de furos de sondagens e poços profundos.

Em relação aos arranjos, a variabilidade é ainda maior. Os mais utilizados são:


 Schlumberger (para levantamentos bidimensionais);
 Wenner (para levantamentos bidimensionais);
 Dipolo-Dipolo (para levantamentos bidimensionais e/ou tridimensionais);
 Pólo-Dipolo (para levantamentos bidimensionais e/ou tridimensionais);
 Pólo-Pólo (para levantamentos bidimensionais e/ou tridimensionais).

125
No presente estudo, foram realizados caminhamentos elétricos através do arranjo
dipolo-dipolo (vide figuras 4.57 e 4.58).

Figura 4.57 – Disposição do arranjo dipolo-dipolo (modificado de BRAGA, 1999).

Na figura 4.57, verifica-se que o espaçamento “a” entre os eletrodos de corrente, “A” e
“ ”, é igual ao dos eletrodos de potencial, “M” e “N”. O fator “n” geralmente é
adotado, inicialmente, como 1 e, em seguida, aumentado em uma unidade até atingir um
valor máximo de, aproximadamente, 6 a 8 (seis a oito), objetivando-se uma maior
profundidade de prospecção. Para valores de “n” acima desta faixa, a intensidade do
sinal tende a se tornar muito pequena e, por consequência, indetectável pelo
equipamento de Eletrorresistividade. Esta restrição, no entanto, pode ser amenizada
aumentando-se o valor de “a”.

126
Figura 4.58 – Esquema de aquisição de dados (leituras de resistividade aparente) a partir da
técnica de Caminhamento Elétrico, utilizando-se o arranjo dipolo-dipolo (modificado de
BRAGA, 1999).

Vantagens do caminhamento elétrico através do arranjo dipolo-dipolo:


 Grande sensibilidade a variações horizontais de resistividade, facilitando a
identificação de estruturas verticais, tais como diques e cavidades;
 Cobertura horizontal significativa, o que torna a técnica apropriada para corroborar
levantamentos tridimensionais.

Desvantagens do caminhamento elétrico através do arranjo dipolo-dipolo:


 Pequena sensibilidade a variações verticais de resistividade, dificultando a
identificação de estruturas horizontais, tais como camadas sedimentares;
 Pouca intensidade de sinal, implicando a adoção de resistivímetro que possua
sensibilidade o suficiente para permitir uma boa rejeição de ruído.

O equipamento de Eletrorresistividade utilizado no estudo de caso 3 foi o resistivímetro


TECTROL (vide figura 4.59), com corrente de saída variando entre 0,5 a 1,0 A, e tensão
comutável entre 0 e 1000 V. A tensão é medida em um multímetro simples.

127
Figura 4.59 – Equipamento de Eletrorresistividade utilizado no estudo de caso 3.

Foram realizados 6 Caminhamentos Elétricos longitudinais, espaçados 20m, cada um


com cerca de 250m de extensão, sendo 3 destes situados na margem esquerda do rio
(LE-01 a LE-03) e os outros 3, na margem direita do rio (LD-01 a LD-03). As
trajetórias de prospecção com a Eletrorresistividade são, aproximadamente, coincidentes
com aquelas investigadas com o GPR, de modo a facilitar a correlação dos dados destas
técnicas geofísicas.

As figuras 4.60 e 4.61 apresentam os equipamentos envolvidos na aplicação da técnica


da Eletrorresistividade na área do estudo de caso 3.

Eletrodo de corrente

Figura 4.60 – Eletrodo metálico cravado no terreno.

128
Resistivímetro

Figura 4.61 – Resistivímetro conectado aos eletrodos de corrente “A” e “ ”, através dos cabos
vermelhos, e aos eletrodos de potencial “M” e “N”, através dos cabos azuis.

4.3.2.3. Sub-Bottom Profiler (SBP)

A técnica do Sub-Bottom Profiler (perfilador de subfundo) consiste na submersão de um


equipamento denominado “peixe”, o qual emite ondas mecânicas de alta frequência
(2 a 16 kHz) no sentido descendente, que atravessam o corpo d’água e penetram em seu
respectivo leito. À medida que as ondas atingem materiais de propriedades elásticas
distintas, tais como o módulo de Elasticidade (E) e o coeficiente de Poisson (), elas
sofrem reflexão, refração, absorção e espalhamento, sendo, por consequência,
parcialmente captadas pelo “peixe”. Os sinais recebidos pelo SBP são amplificados,
digitalizados e armazenados, podendo ser processados em uma etapa posterior
(GOMES, 2009; MATTIODA, 2005).

A aquisição através do Sub-Bottom Profiler é feita rebocando-se o “peixe” ao longo de


um alinhamento pré-determinado, com o auxílio de um barco ou navio, sobre o qual se
encontra o operador da técnica portando o console que comandará e permitirá o
acompanhamento de todas as ações referentes à aquisição. Durante esta etapa, o “peixe”

129
deve ser mantido em uma profundidade conhecida e constante, ou seja, sem flutuações
de profundidade, permitindo, deste modo, a determinação da profundidade dos
refletores identificados no perfil sísmico do SBP. Este cuidado pode ser tomado
inserindo-se flutuadores no “peixe” ou, conforme foi efetuado neste estudo de caso,
criando-se um suporte que mantenha constante a distância entre o nível d’água (NA) e a
fonte emissora (FERREIRA, 2009; GOMES, 2009).

O SBP tem por objetivo o reconhecimento da região em subsuperfície situada abaixo de


corpos d’água. entre as suas aplicações, as que se relacionam com o escopo desta
dissertação são:
 Batimetria;
 Definição das espessuras dos estratos sedimentares;
 Determinação de fraturas e falhamentos existentes no maciço rochoso.

O equipamento de Sub-Bottom Profiler utilizado no estudo de caso 3 foi o 3100P


(vide figura 4.62), fabricado pela Edge Tech, o qual apresenta as características
contempladas na tabela 4.01.

Tabela 4.01 – Características do equipamento de Sub-Bottom Profiler utilizado no estudo de


caso 3.

Modelo SB-216S
Frequência 2 - 16 kHz
Pulsos 2 - 16 kHz, 2 - 12 kHz, 2 - 10 kHz
Resolução Vertical 6 cm / 2 - 15 kHz, 8 cm / 2 - 12 kHz e 10 cm / 2 - 10 kHz
Velocidade 3 - 4 nós (ótimo), 7 nós (velocidade máxima de segurança)

130
Figura 4.62 – Equipamento de Sub-Bottom Profiler utilizado no estudo de caso 3, denominado
“peixe”.

Foram realizadas 3 trajetórias de investigação transversais ao eixo do rio


(TE-01 a TE-03), espaçadas 20m, cada uma com cerca de 20m de extensão, e 1
trajetória de prospecção longitudinal ao eixo do rio (LE-01), com 40m de comprimento,
aproximadamente.

As figuras 4.63 a 4.65 apresentam a aplicação do SBP na área do estudo de caso 3.

Suporte cujo objetivo é


Corda a ser amarrada em manter constante a
um objeto indeslocável distância entre o nível
d’água do rio e a fonte
emissora de ondas do
SBP (em substituição
aos flutuadores)

“Peixe”

Corda a ser amarrada em


um objeto indeslocável

abo que conecta o “peixe”


ao console

Figura 4.63 – Aplicação da técnica do Sub-Bottom Profiler na área do estudo de caso 3.


131
Figura 4.64 – Console do SBP.

Figura 4.65 – Fixação da corda em um ponto indeslocável.

4.3.3. Dados preliminares

Nas figuras 4.66 e 4.67, encontram-se, respectivamente, a planta de localização das


investigações diretas e indiretas e o perfil geotécnico elaborado (AA’).

132
Margem direita Margem esquerda

Legenda:
Trajetória prospectada com a antena blindada do GPR; Escala:
Trajetória prospectada com a ER;
Trajetória prospectada com o SBP.
0m 50m 100m 150m
Nota: Os perfis longitudinais de GPR apresentam, praticamente,
trajetória coincidente com os de ER.
Figura 4.66 – Locação das investigações diretas e indiretas realizadas na área do estudo de caso 3.

133
TE-01
TD-04 TE-09
TD-01 TE-02 TD-05
TE-03 TE-06 TE-07 TE-08
TD-06 TD-05
TD-04
TD-03
TD-02
A’
TD-08 TD-07
TD-09
A
NA

NSPT

Figura 4.67 – Perfil geotécnico AA’, referente ao estudo de caso 3.

134
O perfil geotécnico AA’ indica a posição do nível d’água (NA) variando entre 3m e
5,5m de profundidade e revela a existência de 2 camadas contínuas, ambas de solos
aluvionares: a primeira, composta por areia siltosa contemplando lentes de argila siltosa,
situada desde a superfície até a profundidade variando entre 8,5m e 16m e, a segunda,
constituída de argila siltosa, atingindo profundidade em torno de 20m. O perfil AA’
apresenta, ainda, uma camada descontínua de aterro (areia argilosa), situada sobre os
solos aluvionares, com espessura máxima de 3,5m, aproximadamente, indicada pela
sondagem à percussão SP-03, além de estratos descontínuos de solo aluvionar (silte
arenoso e areia siltosa), localizados abaixo da camada de argila siltosa, com espessura
em torno de 2m a 3m, indicados pelas sondagens SP-05 e SP-07.

4.3.4. Resultados das investigações geofísicas

4.3.4.1. Ground Penetrating Radar (GPR)

As superfícies de reflexão horizontalizadas foram removidas na etapa de processamento


dos dados de todos os radargramas deste estudo de caso. Logo os refletores que
correspondem à onda direta pelo ar (Aw) e à onda direta através do terreno (Gw),
respectivamente, assim como a anomalia contínua que caracteriza o lençol freático, não
estão contemplados nos mesmos.

a) Perfis transversais

MARGEM ESQUERDA

As figuras 4.68 a 4.75 apresentam os resultados representativos dos perfis de reflexão


TE-01 ao TE-10, realizados com o GPR através de antena não-blindada, na margem
esquerda do rio.

135
LE-01 ≡ LE-01 LE-02 ≡ LE-02 LE-03 ≡ LE-03
Distância (m)
2

Profundidade (m)
Legenda:
1: Camada composta por material heterogêneo (solo aluvionar);
2: Materiais grosseiros (pedregulhos e, eventualmente, matacões);
Inferição a partir da sondagem SP-05;
LE-01 a LE-03: Perfis de reflexão que atingem este radargrama;
LE-01 a LE-03: Perfis eletrorresistivos que atingem este radargrama.

Figura 4.68 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão TE-01.

No radargrama da figura 4.68, podem ser observadas anomalias descontínuas ao longo


de toda sua extensão e profundidade. A subsuperfície investigada, portanto, deve
apresentar uma única camada composta por material heterogêneo, “ ”. Na distância em
torno de 11m, após cerca de 6m de profundidade, são observados pontos anômalos
contemplando reverberação (área delimitada com linha vermelha), revelando,
provavelmente, a existência de materiais grosseiros (pedregulhos e, eventualmente,
matacões), “ ”.

136
LE-01 ≡ LE-01 LE-02 ≡ LE-02 LE-03 ≡ LE-03
Distância (m)

Profundidade (m)
Legenda:
1: Camada composta por material heterogêneo (solo aluvionar);
3: Região de reverberação do sinal eletromagnético, provocada pela
presença de materiais argilosos e/ou com elevado teor de umidade;
Inferição a partir deste radargrama;
Inferição a partir da sondagem SP-05;
LE-01 a LE-03: Perfis de reflexão que atingem este radargrama;
LE-01 a LE-03: Perfis eletrorresistivos que atingem este radargrama.

Figura 4.69 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão TE-03.

No radargrama da figura 4.69, podem ser identificadas anomalias descontínuas a partir


de, aproximadamente, 4m a 7m de profundidade, representando uma única camada
composta por material heterogêneo, “ ”. Acima deste estrato, cujo limite superior é
estimado com base na linha preta, verifica-se uma região caracterizada pela
reverberação do sinal eletromagnético, que deve ser indicativa da presença de um ou
mais materiais condutivos, provavelmente argilosos e/ou com elevado teor de umidade,
“ ”, e a qual pode ocultar possíveis interfaces entre camadas de solo e/ou rocha
contempladas na mesma, inclusive a real posição do início do estrato de material
heterogêneo.

137
LE-01 ≡ LE-01 LE-02 ≡ LE-02 LE-03 ≡ LE-03
Distância (m)

2 4 6 2

Profundidade (m)
5
1

Legenda:
1: Camada composta por material heterogêneo (solo aluvionar);
2: Materiais grosseiros (pedregulhos e, eventualmente, matacões);
4: Camada de areia siltosa (solo aluvionar);
5: Camada de argila siltosa (solo aluvionar);
6: Topo da lente de argila siltosa (solo aluvionar);
Inferição a partir deste radargrama;
Inferição a partir da sondagem SP-06;
LE-01 a LE-03: Perfis de reflexão que atingem este radargrama;
LE-01 a LE-03: Perfis eletrorresistivos que atingem este radargrama.

Figura 4.70 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão TE-04.

No radargrama da figura 4.70, podem ser observadas anomalias contínuas


(representadas pelas linhas na cor preta), situadas a, aproximadamente, 4m, 14m e 22m
de profundidade, respectivamente, que devem ser indicativas de transição entre camadas
sedimentares, “4” e “5”, e topo de lentes geológicas, “6”. Após a superfície de reflexão
mais profunda, o sinal eletromagnético apresenta anomalias descontínuas, representando
um único estrato composto por material heterogêneo, “ ”. Nas profundidades em torno
de 4m a 22m, são verificadas regiões com reverberação do sinal eletromagnético, que
devem ser indicativas da presença de um ou mais materiais condutivos, provavelmente
argilosos e/ou com elevado teor de umidade, e as quais podem ocultar possíveis
interfaces entre camadas de solo e/ou rocha contempladas nas mesmas, inclusive a real
posição do início do estrato de material heterogêneo. Nas distâncias de 8m a 17m e
33m, após cerca de 7m de profundidade, são observados pontos anômalos

138
contemplando reverberação (área delimitada com linha vermelha), revelando,
provavelmente, a existência de materiais grosseiros (pedregulhos e, eventualmente,
matacões), “ ”, e cujo ruído também pode se superpor a sinais eletromagnéticos
relacionados a elementos geológicos, dificultando ou, até mesmo, inviabilizando a
detecção dos mesmos.

LE-01 ≡ LE-01 LE-02 ≡ LE-02 LE-03 ≡ LE-03


Distância (m)
6
4
4

Profundidade (m)
5

Legenda:
1: Camada composta por material heterogêneo (solo aluvionar);
4: Camada de areia siltosa (solo aluvionar);
5: Camada de argila siltosa (solo aluvionar);
6: Topo da lente de argila siltosa (solo aluvionar);
Inferição a partir deste radargrama;
Inferição a partir da sondagem SP-06;
LE-01 a LE-03: Perfis de reflexão que atingem este radargrama;
LE-01 a LE-03: Perfis eletrorresistivos que atingem este radargrama.

Figura 4.71 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão TE-05.

No radargrama da figura 4.71, podem ser identificadas anomalias contínuas


(representadas pelas linhas na cor preta), situadas a, aproximadamente, 8m, 14m e 21m
de profundidade, respectivamente, que devem ser indicativas de transição entre camadas
sedimentares, “4” e “5”, e topo de lentes geológicas, “6”. Após a superfície de reflexão
mais profunda, o sinal eletromagnético apresenta anomalias descontínuas, representando
um único estrato composto por material heterogêneo, “ ”. Nas profundidades em torno
de 6m a 22m, são verificadas regiões com reverberação do sinal eletromagnético, que

139
devem ser indicativas da presença de um ou mais materiais condutivos, provavelmente
argilosos e/ou com elevado teor de umidade, e as quais podem ocultar possíveis
interfaces entre camadas de solo e/ou rocha contempladas nas mesmas, inclusive a real
posição do início do estrato de material heterogêneo.

LE-01 ≡ LE-01 LE-02 ≡ LE-02 LE-03 ≡ LE-03


Distância (m)
6
4
4
5

Profundidade (m)
1

Legenda:
1: Camada composta por material heterogêneo (solo aluvionar);
4: Camada de areia siltosa (solo aluvionar);
5: Camada de argila siltosa (solo aluvionar);
6: Topo da lente de argila siltosa (solo aluvionar);
Inferição a partir deste radargrama;
Inferição a partir da sondagem SP-06;
LE-01 a LE-03: Perfis de reflexão que atingem este radargrama;
LE-01 a LE-03: Perfis eletrorresistivos que atingem este radargrama.

Figura 4.72 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão TE-06.

No radargrama da figura 4.72, podem ser identificadas superfícies de reflexão


(representadas pelas linhas na cor preta), situadas a, aproximadamente, 5m, 11m e 17m
de profundidade, respectivamente, que devem ser indicativas de transição entre camadas
sedimentares, “4” e “5”, e topo de lentes geológicas, “6”. Após o refletor contínuo mais
profundo, o sinal eletromagnético apresenta anomalias descontínuas, representando um
único estrato composto por material heterogêneo, “ ”. Nas profundidades em torno de
5m a 24m, são verificadas regiões com reverberação do sinal eletromagnético, que
devem ser indicativas da presença de um ou mais materiais condutivos, provavelmente

140
argilosos e/ou com elevado teor de umidade, e as quais podem ocultar possíveis
interfaces entre camadas de solo e/ou rocha contempladas nas mesmas, inclusive a real
posição do início do estrato de material heterogêneo.

LE-01 ≡ LE-01 LE-02 ≡ LE-02 LE-03 ≡ LE-03


Distância (m)
6 4

Profundidade (m)
5

Legenda:
4: Camada de areia siltosa (solo aluvionar);
5: Camada de argila siltosa (solo aluvionar);
6: Topo da lente de argila siltosa (solo aluvionar);
7: Provável Camada de solo aluvionar;
8: Provável Camada de solo aluvionar ou maciço rochoso;
Inferição a partir deste radargrama;
Inferição a partir da sondagem SP-07;
LE-01 a LE-03: Perfis de reflexão que atingem este radargrama;
LE-01 a LE-03: Perfis eletrorresistivos que atingem este radargrama.

Figura 4.73 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão TE-07.

No radargrama da figura 4.73, podem ser identificadas anomalias contínuas


(representadas pelas linhas na cor preta), situadas a, aproximadamente, 4m, 13m e as
mais profundas variando de 17m a 30m e 34m a 42m, respectivamente, que devem ser
indicativas de transição entre camadas sedimentares, “4”, “5”, “7” e “8” (estrato mais
profundo detectado, com possibilidade de corresponder ao maciço rochoso), e topo de
lentes geológicas, “6”. Nas profundidades em torno de 4m a 43m, são verificadas
regiões com reverberação do sinal eletromagnético, que devem ser indicativas da
presença de um ou mais materiais condutivos, provavelmente argilosos e/ou com

141
elevado teor de umidade, e as quais podem ocultar possíveis interfaces entre camadas de
solo e/ou rocha contempladas nas mesmas.

LE-01 ≡ LE-01 LE-02 ≡ LE-02 LE-03 ≡ LE-03

6
4

Legenda:
1: Camada composta por material heterogêneo (solo aluvionar);
4: Camada de areia siltosa (solo aluvionar);
5: Camada de argila siltosa (solo aluvionar);
6: Topo da lente de argila siltosa (solo aluvionar);
Inferição a partir deste radargrama;
Inferição a partir da sondagem SP-07;
LE-01 a LE-03: Perfis de reflexão que atingem este radargrama;
LE-01 a LE-03: Perfis eletrorresistivos que atingem este radargrama.

Figura 4.74 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão TE-08.

No radargrama da figura 4.74, podem ser identificadas anomalias contínuas


(representadas pelas linhas na cor preta), situadas a, aproximadamente, 5m, 13m e 20m
de profundidade, respectivamente, que devem ser indicativas de transição entre camadas
sedimentares, “4” e “5”, e topo de lentes geológicas, “6”. Após a superfície de reflexão
mais profunda, o sinal eletromagnético apresenta anomalias descontínuas, representando
um único estrato composto por material heterogêneo, “ ”. Nas profundidades em torno
de 5m a 26m, são verificadas regiões com reverberação do sinal eletromagnético, que
devem ser indicativas da presença de um ou mais materiais condutivos, provavelmente
argilosos e/ou com elevado teor de umidade, e as quais podem ocultar possíveis

142
interfaces entre camadas de solo e/ou rocha contempladas nas mesmas, inclusive a real
posição do início do estrato de material heterogêneo.

LE-01 ≡ LE-01 LE-02 ≡ LE-02 LE-03 ≡ LE-03


Distância (m)

Profundidade (m)
1

Legenda:
1: Camada composta por material heterogêneo (solo aluvionar);
3: Região de reverberação do sinal eletromagnético, provocada pela
presença de materiais argilosos e/ou com elevado teor de umidade;
Inferição a partir deste radargrama;
Inferição a partir da sondagem SP-07;
LE-01 a LE-03: Perfis de reflexão que atingem este radargrama;
LE-01 a LE-03: Perfis eletrorresistivos que atingem este radargrama.

Figura 4.75 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão TE-09.

No radargrama da figura 4.75, podem ser identificadas anomalias descontínuas a partir


de, aproximadamente, 20m de profundidade, representando uma única camada
composta por material heterogêneo, “ ”. Acima deste estrato, cujo limite superior é
estimado com base na linha preta, verifica-se uma região caracterizada pela
reverberação do sinal eletromagnético, que deve ser indicativa da presença de um ou
mais materiais condutivos, provavelmente argilosos e/ou com elevado teor de umidade,
“ ”, e a qual pode ocultar possíveis interfaces entre camadas de solo e/ou rocha
contempladas na mesma, inclusive a real posição do início do estrato de material
heterogêneo.

143
MARGEM DIREITA

As figuras 4.76 a 4.78 apresentam os resultados representativos dos perfis de reflexão


TD-01 ao TD-10, realizados com o GPR através de antena não-blindada, na margem
direita do rio.

LD-01 ≡ LD-01 LD-02 ≡ LD-02 LD-03 ≡ LD-03


Distância (m)

Profundidade (m)
1

Legenda:
1: Camada composta por material heterogêneo (solo aluvionar);
3: Região de reverberação do sinal eletromagnético, provocada pela
presença de materiais argilosos e/ou com elevado teor de umidade;
Inferição a partir deste radargrama;
Inferição a partir da sondagem SP-03;
LD-01 a LD-03: Perfis de reflexão que atingem este radargrama;
LD-01 a LD-03: Perfis eletrorresistivos que atingem este
radargrama.

Figura 4.76 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão TD-01.

No radargrama da figura 4.76, podem ser identificadas anomalias descontínuas a partir


de, aproximadamente, 11m de profundidade, representando uma única camada
composta por material heterogêneo, “ ”. Acima deste estrato, cujo limite superior é
estimado com base na linha na preta, verifica-se uma região caracterizada pela
reverberação do sinal eletromagnético, que deve ser indicativa da presença de um ou
mais materiais condutivos, provavelmente argilosos e/ou com elevado teor de umidade,
“ ”, e a qual pode ocultar possíveis interfaces entre camadas de solo e/ou rocha

144
contempladas na mesma, inclusive a real posição do início do estrato de material
heterogêneo.

LD-01 ≡ LD-01 LD-02 ≡ LD-02 LD-03 ≡ LD-03


Distância (m)

Profundidade (m)
1

Legenda:
1: Camada composta por material heterogêneo (solo aluvionar);
3: Região de reverberação do sinal eletromagnético, provocada pela
presença de materiais argilosos e/ou com elevado teor de umidade;
Inferição a partir deste radargrama;
Inferição a partir da sondagem SP-02;
LD-01 a LD-03: Perfis de reflexão que atingem este radargrama;
LD-01 a LD-03: Perfis eletrorresistivos que atingem este radargrama.

Figura 4.77 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão TD-03.

No radargrama da figura 4.77, podem ser identificadas anomalias descontínuas a partir


de, aproximadamente, 11m de profundidade, representando uma única camada
composta por material heterogêneo, “ ”. Acima deste estrato, cujo limite superior é
estimado com base na linha preta, verifica-se uma região caracterizada pela
reverberação do sinal eletromagnético, que deve ser indicativa da presença de um ou
mais materiais condutivos, provavelmente argilosos e/ou com elevado teor de umidade,
“ ”, e a qual pode ocultar possíveis interfaces entre camadas de solo e/ou rocha
contempladas na mesma, inclusive a real posição do início do estrato de material
heterogêneo.

145
LD-01 ≡ LD-01 LD-02 ≡ LD-02 LD-03 ≡ LD-03
Distância (m)

Profundidade (m)
Legenda:
LD-01 a LD-03: Perfis de reflexão que atingem este
radargrama;
LD-01 a LD-03: Perfis eletrorresistivos que atingem este
radargrama.

Figura 4.78 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão TD-07.

Nos radargramas referentes aos perfis TD-07 a TD-10 (vide figura 4.78), não foi
possível identificar feições geológicas devido à atenuação e à reverberação do sinal
eletromagnético, ambas provocadas, principalmente, pela baixa resistividade elétrica da
subsuperfície, atribuída geralmente, conforme explicitado anteriormente (item 2.4.2.1
desta dissertação), ao fato do terreno apresentar, em quantidade significativa, uma ou
mais das seguintes características: teor de umidade; porosidade; concentração de sais
dissolvidos; presença de argilas e/ou outros minerais condutivos.

146
b) Perfis longitudinais

MARGEM ESQUERDA

As figuras 4.79 a 4.81 apresentam os resultados representativos dos perfis de reflexão


LE-01 ao LE-03, realizados com o GPR através de antena não-blindada, na margem
esquerda do rio.

147
TE-01 TE-02 TE-03 TE-04 TE-05 TE-06 TE-07 TE-08 TE-09 TE-10

2 6 4

4
5

Legenda:
1: Camada composta por material heterogêneo (solo aluvionar);
2: Materiais grosseiros (pedregulhos e, eventualmente, matacões);
4: Camada de areia siltosa (solo aluvionar);
5: Camada de argila siltosa (solo aluvionar);
6: Topo da lente de argila siltosa (solo aluvionar);
Inferição a partir deste radargrama;
Inferição a partir das sondagens SP-05, SP-06 e SP-07;
TE-01 a TE-10: Perfis de reflexão que atingem este radargrama.

Figura 4.79 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão LE-01.

148
No radargrama da figura 4.79, podem ser identificadas anomalias descontínuas a partir
de, aproximadamente, 18m a 28m de profundidade, representando uma única camada
composta por material heterogêneo, “ ”. Acima deste estrato, cujo limite superior é
estimado com base em linha tracejada na cor preta, podem ser observadas superfícies de
reflexão (também representadas por linhas tracejadas pretas), situadas a,
aproximadamente, 5m e 13m de profundidade, respectivamente, sendo, provavelmente,
a primeira proveniente de uma lente de argila siltosa, “ ”, e, a segunda, referente à
transição entre camadas sedimentares, mais precisamente entre o estrato de areia siltosa
(mais superficial), “ ”, e o de argila siltosa, “5”. Principalmente desde o nível do terreno
até a profundidade em torno de 26m, são verificadas regiões de acentuada reverberação
do sinal eletromagnético, as quais devem estar relacionadas à presença de um ou mais
materiais condutivos, provavelmente argilosos e/ou com elevado teor de umidade, e são
capazes de ocultar possíveis interfaces entre camadas de solo e/ou rocha contempladas
na mesma, inclusive a real posição do início do estrato de material heterogêneo. Na
distância entre 25m e 72m, após cerca de 8m de profundidade, são observados pontos
anômalos contemplando reverberação (área delimitada com linha vermelha), revelando,
provavelmente, a existência de materiais grosseiros (pedregulhos e, eventualmente,
matacões), “ ”, e cujo ruído também pode se superpor a sinais eletromagnéticos
relacionados a elementos geológicos, dificultando ou, até mesmo, inviabilizando a
detecção dos mesmos.

149
TE-01 TE-02 TE-03 TE-04 TE-05 TE-06 TE-07 TE-08 TE-09 TE-10

2 2 4 6

4
5

Legenda:
1: Camada composta por material heterogêneo (solo aluvionar);
2: Materiais grosseiros (pedregulhos e, eventualmente, matacões);
4: Camada de areia siltosa (solo aluvionar);
5: Camada de argila siltosa (solo aluvionar);
6: Topo da lente de argila siltosa (solo aluvionar);
9: Difração do sinal eletromagnético;
Inferição a partir deste radargrama;
Inferição a partir das sondagens SP-05, SP-06 e SP-07;
TE-01 a TE-10: Perfis de reflexão que atingem este radargrama.

Figura 4.80 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão LE-02.

150
No radargrama da figura 4.80, podem ser identificadas anomalias descontínuas a partir
de, aproximadamente, 17m a 23m de profundidade, representando uma única camada
composta por material heterogêneo, “ ”. Acima deste estrato, cujo limite superior é
estimado com base em linha tracejada na cor preta, podem ser observadas anomalias
contínuas (também representadas por linhas tracejadas pretas), situadas a,
aproximadamente, 5m e 12m de profundidade, respectivamente, sendo, provavelmente,
a primeira proveniente de uma lente de argila siltosa, “ ”, e, a segunda, referente à
transição entre camadas sedimentares, mais precisamente entre o estrato de areia siltosa
(mais superficial), “ ”, e o de argila siltosa, “5”. Infere-se que o registro identificado
através de linha na cor laranja corresponda à difração do sinal proveniente de uma
interface inclinada, em relação à horizontal, entre feições geológicas, “9”. Nas
profundidades em torno de 5m a 23m, são verificadas regiões de acentuada
reverberação do sinal eletromagnético, as quais devem estar relacionadas à presença de
um ou mais materiais condutivos, provavelmente argilosos e/ou com elevado teor de
umidade, e são capazes de ocultar possíveis interfaces entre camadas de solo e/ou rocha
contempladas na mesma, inclusive a real posição do início do estrato de material
heterogêneo. Nas distâncias de 12m a 26m e entre 82m e 100m, após cerca de 12m de
profundidade, são observados pontos anômalos contemplando reverberação
(área delimitada com linha vermelha), revelando, provavelmente, a existência de
materiais grosseiros (pedregulhos e, eventualmente, matacões), “ ”, e cujo ruído
também pode se superpor a sinais eletromagnéticos relacionados a elementos
geológicos, dificultando ou, até mesmo, inviabilizando a detecção dos mesmos.

151
TE-01 TE-02 TE-03 TE-04 TE-05 TE-06 TE-07 TE-08 TE-09 TE-10

4 6

4
5

Legenda:
1: Camada composta por material heterogêneo (solo aluvionar);
4: Camada de areia siltosa (solo aluvionar);
5: Camada de argila siltosa (solo aluvionar);
6: Topo da lente de argila siltosa (solo aluvionar);
Inferição a partir deste radargrama;
Inferição a partir das sondagens SP-05, SP-06 e SP-07;
TE-01 a TE-10: Perfis de reflexão que atingem este radargrama.

Figura 4.81 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão LE-03.

152
No radargrama da figura 4.81, podem ser identificadas anomalias descontínuas a partir
de, aproximadamente, 18m a 22m de profundidade, representando uma única camada
composta por material heterogêneo, “ ”. Acima deste estrato, cujo limite superior é
estimado com base em linha tracejada na cor preta, podem ser observadas anomalias
contínuas (também representadas por linhas tracejadas pretas), situadas a,
aproximadamente, 6m e 14m de profundidade, respectivamente, sendo, provavelmente,
a primeira proveniente de uma lente de argila siltosa, “ ”, e, a segunda, referente à
transição entre camadas sedimentares, mais precisamente entre o estrato de areia siltosa
(mais superficial), “ ”, e o de argila siltosa, “5”. Nas profundidades em torno de 6m a
22m, são verificadas regiões com reverberação do sinal eletromagnético, que devem ser
indicativas da presença de um ou mais materiais condutivos, provavelmente argilosos
e/ou com elevado teor de umidade, e as quais podem ocultar possíveis interfaces entre
camadas de solo e/ou rocha contempladas nas mesmas, inclusive a real posição do início
do estrato de material heterogêneo.

MARGEM DIREITA

A figura 4.82 apresenta o resultado representativo dos perfis de reflexão LD-01 ao LD-
03, realizados com o GPR através de antena não-blindada, na margem direita do rio.

Figura 4.82 – Radargrama proveniente do perfil de reflexão LD-01.

153
Nos radargramas referentes aos perfis LD-01 a LD-03 (vide figura 4.82), não foi
possível identificar feições geológicas devido à atenuação e à reverberação do sinal
eletromagnético, ambas provocadas, principalmente, pela baixa resistividade elétrica da
subsuperfície, atribuída geralmente, conforme explicitado anteriormente (item 2.4.2.1
desta dissertação), ao fato do terreno apresentar, em quantidade significativa, uma ou
mais das seguintes características: teor de umidade; porosidade; concentração de sais
dissolvidos; presença de argilas e/ou outros minerais condutivos.

4.3.4.2. Eletrorresistividade (ER)

a) Perfis longitudinais

MARGEM ESQUERDA

As figuras 4.83 a 4.85 apresentam, respectivamente, os resultados dos perfis


eletrorresistivos LE-01 ao LE-03, realizados na margem esquerda do rio.

154
TE-01 TE-02 TE-03 TE-04 TE-05 TE-06 TE-07 TE-08 TE-09 TE-10

Legenda:
1: Possível presença de materiais grosseiros (pedregulhos e, eventualmente, matacões);
2: Provável maciço rochoso são ou com baixo grau de fraturamento;
3: Provável região de argila siltosa, com possibilidade de corresponder ao maciço rochoso com elevado grau de
fraturamento;
4: Provável área de areia siltosa;
Inferição a partir deste perfil eletrorresistivo;
Inferição a partir das sondagens;
TE-01 a TE-10: Perfis de reflexão que atingem este perfil eletrorresistivo.

Figura 4.83 – Perfil eletrorresistivo proveniente do caminhamento elétrico LE-01.

155
TE-01 TE-02 TE-03 TE-04 TE-05 TE-06 TE-07 TE-08 TE-09 TE-10

Legenda:
1: Possível presença de materiais grosseiros (pedregulhos e, eventualmente, matacões);
2: Provável maciço rochoso são ou com baixo grau de fraturamento;
3: Provável região de argila siltosa, com possibilidade de corresponder ao maciço rochoso com elevado grau de
fraturamento;
4: Provável área de areia siltosa;
Inferição a partir deste perfil eletrorresistivo;
Inferição a partir das sondagens;
TE-01 a TE-10: Perfis de reflexão que atingem este perfil eletrorresistivo.

Figura 4.84 – Perfil eletrorresistivo proveniente do caminhamento elétrico LE-02.

156
TE-01 TE-02 TE-03 TE-04 TE-05 TE-06 TE-07 TE-08 TE-09 TE-10

Legenda:
1: Possível presença de materiais grosseiros (pedregulhos e, eventualmente, matacões);
2: Provável maciço rochoso são ou com baixo grau de fraturamento;
3: Provável região de argila siltosa, com possibilidade de corresponder ao maciço rochoso com elevado grau de
fraturamento;
4: Provável área de areia siltosa;
Inferição a partir deste perfil eletrorresistivo;
Inferição a partir das sondagens;
TE-01 a TE-10: Perfis de reflexão que atingem este perfil eletrorresistivo.

Figura 4.85 – Perfil eletrorresistivo proveniente do caminhamento elétrico LE-03.

157
Nos perfis eletrorresistivos das figuras 4.83, 4.84 e 4.85, podem ser identificadas 3
camadas distintas:
 A primeira, variando desde a superfície do terreno até a profundidade de
aproximadamente 20m, 13m e 12m, respectivamente, apresenta um material
predominantemente resistivo, indicado por cores quentes (do amarelo ao roxo), com
valores de resistividade elétrica superiores a 500 Ω.m, provavelmente composto por
areia siltosa de compacidade e teor de umidade baixos, possivelmente acompanhada,
nos locais em roxo, de materiais grosseiros (pedregulhos e, eventualmente,
matacões);
 A segunda, situada em torno de 3m a 28m, 5m a 27m e 3m a 22m de profundidade,
respectivamente, contempla um estrato geológico com predominância de
resistividades moderadas, entre 50 Ω.m e 500 Ω.m, representado nas cores que
vão do azul-claro até o amarelo, correspondendo, provavelmente, à argila siltosa de
elevado teor de umidade;
 A terceira, encontrada após cerca de 8m a 28m, 12m a 27m e 10m a 22m de
profundidade, respectivamente, caracteriza-se por uma mistura de baixa a alta
resistividade elétrica, revelando a presença de uma única camada de material
heterogêneo com elevado teor de umidade, provavelmente composta por solos de
maior compacidade ou consistência (silte arenoso, nas regiões coloridas na faixa
entre o amarelo e o vermelho, e argila siltosa, nas áreas com resistividades abaixo de
50 Ω.m, apresentadas em azul-escuro) e pelo maciço rochoso são ou com baixo grau
de fraturamento, nos locais em roxo e, na figura 4.85, também em vermelho. Cabe
ressaltar, no entanto, que existe a possibilidade da subsuperfície em azul-escuro
(ou parte dela) corresponder a um estrato rochoso com relevante grau de
fraturamento.

158
MARGEM DIREITA

As figuras 4.86 e 4.87 apresentam, os resultados representativos dos perfis


eletrorresistivos LD-01 ao LD-03, realizados na margem direita do rio.
Elevação (m)

Distância (m)

Figura 4.86 – Perfil eletrorresistivo proveniente do caminhamento elétrico LD-01.


Elevação (m)

Distância (m)

Figura 4.87 – Perfil eletrorresistivo proveniente do caminhamento elétrico LD-03.

Nos perfis eletrorresistivos LD-01 ao LD-03 (vide figuras 4.86 e 4.87), o fato de não ser
possível identificar feições geológicas, associado à predominância de valores de baixa a
intermediária resistividade elétrica, revela que, provavelmente, o elevado teor de
umidade do terreno comprometeu os resultados destas prospecções, tornando-os
dispensáveis.

159
4.3.4.3. Sub-Bottom Profiler (SBP)

a) Perfis transversais ao eixo do rio

As figuras 4.88 a 4.90 apresentam, respectivamente, os resultados dos perfis de reflexão


(sísmicos) TE-01 ao TE-03, realizados com o SBP, transversais ao eixo do rio.

1 2

Legenda:
1: Leito fluvial;
2: Múltipla;
3: Areia siltosa (solo aluvionar);
4: Argila siltosa (solo aluvionar);
Inferição a partir da sondagem SP-04.

Figura 4.88 – Perfil sísmico TE-01.

No sismograma da figura 4.88, podem ser identificadas 2 superfícies de reflexão


(representadas pelas linhas na cor vermelha): a primeira, contínua, localizada na
profundidade em torno de 2m, deve corresponder ao leito fluvial, “ ”; a segunda,
descontínua, situada entre, aproximadamente, 6m e 14m de profundidade,
provavelmente representa transição entre camadas sedimentares, “ ” e “ ”.
Principalmente nas profundidades em torno de 2m a 10m, são verificadas regiões com
reverberação do sinal sísmico (apresentadas como regiões escuras abaixo do refletor), as
quais podem ocultar possíveis interfaces entre camadas de solo e/ou rocha contempladas

160
nas mesmas e, inclusive, transmitir a falsa impressão de que são refletores. O caminho
indicado pela linha amarela, por exemplo, provavelmente corresponde a este tipo de
ruído, mais precisamente a uma múltipla simples, “ ”.

1 2

3
3 4

Legenda:
1: Leito fluvial;
2: Múltipla;
3: Areia siltosa (solo aluvionar);
4: Argila siltosa (solo aluvionar);
Inferição a partir da sondagem SP-04.

Figura 4.89 – Perfil sísmico TE-02.

No sismograma da figura 4.89, podem ser identificadas 3 superfícies de reflexão


(representadas pelas linhas na cor vermelha): a primeira, contínua, localizada na
profundidade em torno de 2m, deve corresponder ao leito fluvial, “ ”; as demais,
descontínuas, situadas entre, aproximadamente, 8m e 13m de profundidade,
provavelmente representam interfaces entre camadas sedimentares, “ ” e “ ”.
Principalmente nas profundidades em torno de 2m a 14m, são verificadas regiões com
reverberação do sinal sísmico (apresentadas como regiões escuras abaixo do refletor), as
quais podem ocultar possíveis interfaces entre camadas de solo e/ou rocha contempladas
nas mesmas e, inclusive, transmitir a falsa impressão de que são refletores. Os caminhos
indicados pelas linhas amarelas, por exemplo, provavelmente correspondem a este tipo
de ruído, mais precisamente a múltiplas simples, “ ”.

161
1 2

Legenda:
1: Leito fluvial;
2: Múltipla;
3: Areia siltosa (solo aluvionar);
4: Argila siltosa (solo aluvionar);
Inferição a partir da sondagem SP-04.

Figura 4.90 – Perfil sísmico TE-03.

No sismograma da figura 4.90, podem ser identificadas 2 superfícies de reflexão


(representadas pelas linhas na cor vermelha): a primeira, contínua, localizada na
profundidade em torno de 2m, deve corresponder ao leito fluvial, “ ”; a segunda,
descontínua, situada entre, aproximadamente, 8m e 12m de profundidade,
provavelmente representa transição entre camadas sedimentares, “ ” e “ ”.
Principalmente nas profundidades em torno de 2m a 16m, são verificadas regiões com
reverberação do sinal sísmico (apresentadas como regiões escuras abaixo do refletor), as
quais podem ocultar possíveis interfaces entre camadas de solo e/ou rocha contempladas
nas mesmas e, inclusive, transmitir a falsa impressão de que são refletores. O caminho
indicado pela linha amarela, por exemplo, provavelmente corresponde a este tipo de
ruído, mais precisamente a uma múltipla simples, “ ”.

162
b) Perfis longitudinais ao eixo do rio

A figura 4.91 apresenta o resultado do perfil de reflexão (sísmico) LE-01, realizado com
o SBP, longitudinal ao eixo do rio.

1 2

Legenda:
1: Leito fluvial;
2: Múltipla;
3: Areia siltosa (solo aluvionar);
4: Argila siltosa (solo aluvionar);
Inferição a partir da sondagem SP-04.

Figura 4.91 – Perfil sísmico LE-01.

No sismograma da figura 4.91, podem ser identificadas 2 superfícies de reflexão


(representadas pelas linhas na cor vermelha): a primeira, contínua, localizada na
profundidade em torno de 2m, deve corresponder ao leito fluvial, “ ”; a segunda,
descontínua, situada entre, aproximadamente, 6m e 12m de profundidade,
provavelmente representa transição entre camadas sedimentares, “ ” e “ ”.
Principalmente nas profundidades em torno de 2m a 14m, são verificadas regiões com
reverberação do sinal sísmico (apresentadas como regiões escuras abaixo do refletor), as
quais podem ocultar possíveis interfaces entre camadas de solo e/ou rocha contempladas
nas mesmas e, inclusive, transmitir a falsa impressão de que são refletores. Os caminhos

163
indicados pelas linhas amarelas, por exemplo, provavelmente correspondem a este tipo
de ruído, mais precisamente a múltiplas simples, “ ”.

4.3.5. Discussão dos resultados

A prospecção geofísica, neste estudo de caso, confirmou e complementou os dados das


sondagens à percussão realizadas no local de interesse, de modo a permitir a
identificação de várias feições geológicas (leito do rio, lentes, estrato composto por
material heterogêneo, situado em profundidades superiores às alcançadas pelas
investigações diretas, etc.). Foram obtidas, ainda, características dos materiais que
compõem o subsolo, tais como grau de consolidação1, textura, grau de fraturamento
(em caso de maciço rochoso), dentre outras.

1
Grau de consolidação, no caso desta dissertação, refere-se a um termo proveniente da Geologia,
utilizado para fazer a distinção entre solos e materiais rochosos, não havendo, portanto, qualquer relação
com o adensamento dos solos.

164
CAPÍTULO 5

CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

5.1. CONCLUSÕES

A Engenharia Civil/Geotécnica pode tirar mais proveito de métodos geofísicos,


principalmente nos estudos de estratigrafia. Algum uso tem sido feito na área de
pavimentos (verificação das espessuras das diferentes camadas de uma rodovia, por
exemplo) e em estruturas de concreto armado (detecção de armaduras e defeitos no
concreto). A Geologia e as Engenharias de Mineração e Petróleo fazem muito mais uso
destas técnicas.

A correlação de investigações diretas (sondagens à percussão e/ou mistas, poços,


trincheiras, trados manuais para esclarecer dúvidas sobre o material superficial e o
lençol freático, etc.) com os métodos indiretos é de suma importância para a
interpretação dos dados geofísicos, visto que permite definir e posicionar, no dado
geofísico, as feições geológicas identificadas por método direto. A seguir, são discutidas
as diferentes técnicas geofísicas abordadas nesta dissertação, no que se refere às etapas e
aquisição, processamento e interpretação dos dados.

Ground Penetrating Radar (GPR)

A presença de um ou mais materiais de resistividade elétrica muito baixa (camada


saturada, aterro mal-compactado, água com elevada concentração de sais dissolvidos,
materiais grosseiros, dentre outros) reduz significativamente a capacidade de visualizar
a estratigrafia do subsolo com o GPR, uma vez que diminui a profundidade máxima de
prospecção e provoca reverberações no sinal captado. Nesta situação, outros métodos
geofísicos podem ser utilizados com o objetivo de mitigar ou até mesmo eliminar os
problemas que ocorreriam com a utilização do GPR.

As antenas blindadas protegem os dados do GPR contra vários tipos de ruídos externos
(como, por exemplo, ondas eletromagnéticas com frequência na faixa de operação do
GPR, emitidas por aparelhos eletrônicos de comunicação, tais como TV, rádio, celular,

165
transponder de aeroporto, dentre outros), além dos equipamentos eletrônicos utilizados
na cincunvizinhança contra o sinal emitido pela própria antena transmissora. Logo, em
ambiente urbano, as mesmas são, praticamente, um pré-requisito para a utilização desta
metodologia geofísica.

Eletrorresistividade (ER)

A técnica da Eletrorresistividade pode fornecer resultados inconclusivos quando a


subsuperfície apresenta quantidade significativa de água. Inclusive, quando o terreno
encontra-se encharcado, esta prospecção geofísica se torna perigosa, uma vez que
coloca os profissionais alocados na região investigada sob risco de receber descargas
elétricas que, por sua vez, podem ser letais. Logo, nestas condições, é imprescindível
para a realização de ER, por questões de segurança, a indução de baixa corrente elétrica
no terreno.

Embora não seja usual e, talvez, a melhor alternativa, a Eletrorresistividade pode ser
realizada sobre corpos d’água, através da utilização de uma antena submersa, produzida
especialmente para este tipo de prospecção e ambiente.

Sub-Bottom Profiler (SBP)

A utilização do Sub-Bottom Profiler é condicionada às dimensões do corpo d’água no


qual é aplicado: a espessura da lâmina deverá ser suficiente para possibilitar a adequada
submersão do “peixe”, em geral maior que ,5m (um metro e meio), e, a largura,
possibilitar o tráfego do bote e a obtenção de uma quantidade de leituras que justifique o
emprego da técnica, ou seja, acima de aproximadamente 5,0m (cinco metros).

Comparação entre os métodos

O GPR mostrou-se muito eficiente na obtenção do lençol freático e de interfaces


geológicas, inclusive do topo do maciço rochoso. O topo deste – bem como seu
interior – pode ser identificado com mais facilidade pela Eletrorresistividade. Esta
situação provavelmente se repetiria para prospecções sobre corpos d’água, trocando-se
o Georradar pelo SBP e aplicando-se a técnica de ER com auxílio de antena submersa.

166
Os dados de diferentes métodos geofísicos devem ser correlacionados tanto com as
informações provenientes das investigações diretas, quanto uns aos outros. Nenhuma
das prospecções indiretas estudadas no presente trabalho pode ser substituída, no que se
refere aos dados fornecidos e ao custo de sua implementação, por uma das demais e/ou,
para moderadas a grandes áreas de investigação, por qualquer método direto.

Processamento dos dados

A etapa de edição dos dados geofísicos é de grande importância para a interpretação dos
mesmos, visto que pode torná-la mais rápida e acurada, independentemente do método
aplicado apresentar alta resolução (caso do GPR e do SBP, por exemplo). Esta
característica, embora propicie interpretação satisfatória de alguns resultados
provenientes de prospecção indireta, não impede a possibilidade de ruídos ocultarem
informações geotécnicas relevantes. Cabe ressaltar, inclusive, que nem mesmo o
processamento dos dados, com as ferramentas de edição atualmente empregadas, é
capaz de garantir que este problema seja eliminado, no entanto, caso não consiga fazê-
lo, provavelmente pode, no mínimo, reduzi-lo.

A maioria dos softwares modernos cuja finalidade é o processamento dos dados


geofísicos apresenta um recurso que permite a criação de uma rotina de tarefas, ou seja,
o tratamento automático de vários perfis geofísicos, respeitando uma mesma sequência
de comandos determinada pelo usuário. Este artifício é muito interessante, uma vez que
proporciona rapidez na conclusão desta etapa da uma investigação geofísica, entretanto
cabe ressaltar que cada dado pode requerer um processamento distinto.

Softwares de processamento dos dados

Os softwares de processamento dos dados, em geral, apresentam uma série de recursos


capazes de realçar a ponto de poder identificar os sinais captados pela antena receptora,
os quais, a princípio, eram imperceptíveis a olho nu ao observar o radargrama contendo
os dados brutos (sem tratamento), e, em contrapartida, de criar falsos sinais. Poderosas
ferramentas de filtros podem funcionar como uma armadilha para os seus usuários,
principalmente os inexperientes, uma vez que tornam difícil diferenciar um sinal
realçado que anteriormente não era visível de um gerado pelo próprio software.

167
O RADAN 6.5 apresenta mais recursos que o REFLEXW 4.5, porém este, além de ser
mais simples e, por consequência, mais fácil de manusear, é mais prático que aquele.
Por exemplo: se o resultado de uma sondagem à percussão indica uma transição de
camada em uma determinada profundidade e o radargrama em outra, para retificar a
posição desta interface, no RADAN 6.5, deve-se alterar a constante dielétrica média do
solo e/ou rocha de maneira que a superfície de reflexão atinja a localização apresentada
na sondagem direta; já no REFLEXW 4.5, pode-se, simplesmente, modificar,
diretamente, o valor da profundidade máxima prospectada e, por consequência,
determinar o posicionamento vertical do refletor.

Interpretação dos dados

Embora a posição e a definição de feições geológicas identificadas nos dados geofísicos


possam (e devam) ser refinadas com base nos resultados de investigações diretas, estas,
embora sejam invasivas e, por consequência, apresentem maior confiabilidade que
aquelas, não devem influenciar a interpretação das prospecções indiretas a ponto de
eliminar total ou parcialmente suas informações ou, até mesmo, ser proposta, em seus
resultados, a existência de um ou mais materiais que não haviam sido detectados a
priori. As investigações diretas, devido ao fato de serem pontuais, podem não detectar
feições geológicas identificadas por métodos geofísicos. Estes, por sua vez, apresentam
limitações (ruídos, atenuação do sinal emitido, etc.) que, em alguns casos, os impedem
de detectar todas as feições geológicas identificadas por prospecções diretas.

Para a adequada interpretação dos dados geofísicos, bem como sua padronização na
parte visual, os mesmos devem, de preferência, ser confrontados com aqueles obtidos a
partir da mesma metodologia para as proximidades. Esta medida ajuda
significativamente na distinção entre sinal e ruído.

Caso a etapa de processamento dos dados tenha sido realizada por empresa contratada,
deve-se obter, no mínimo, o histórico da edição de tais resultados geofísicos efetuada
com o auxílio de software especializado, contemplando a sequência de ferramentas
empregadas, permitindo, desta forma, uma interpretação dos dados mais próxima da
realidade. O ideal, no entanto, seria adquirir, além de cada tratamento utilizado, seu
respectivo radargrama, inclusive aquele que corresponde ao dado bruto.

168
Os 2 tipos de formato varredura utilizados na apresentação dos dados que compõem o
radargrama – colorido e em tons de cinza (gray scale) – mostraram-se similares quanto
a sua influência na interpretação dos resultados do GPR. Cabe ressaltar, no entanto, que,
principalmente em trabalhos da área de Meio Ambiente, nos quais, por exemplo, haja
objetivo de detectar zonas de contaminação, radargramas coloridos podem facilitar a
identificação de determinadas informações as quais não seriam realçadas em tons de
cinza. Devido ao fato da escala de cores do padrão scan ser atribuída às faixas de
valores de amplitudes, um contaminante que consegue absorver o sinal eletromagnético
sem se caracterizar como refletor apresenta-se, no radargrama, como pulsos de baixa
amplitude, que podem se sobressair, em relação aos demais, em função de suas cores.

5.2. RECOMENDAÇÕES PARA TRABALHOS FUTUROS

Quanto à programação das investigações geotécnicas e geofísicas

Deve ser planejada, de preferência, uma malha de linhas de prospecções geofísicas,


refinada o suficiente para eximi-la da culpa de um eventual insucesso das técnicas às
quais se refere, procurando-se, sempre que possível, utilizar o mesmo conjunto de
trajetórias para os diferentes métodos geofísicos a serem empregados e fazer com que os
locais destinados às investigações diretas e às sondagens de velocidade estejam
contemplados, preferencialmente, em pontos de interseção da malha de investigações
indiretas. Além destes cuidados, é recomendável que as linhas de prospecção indireta
estendam-se além da área de interesse, cerca de 5m, com o intuito de proteger os dados
do radargrama contra um eventual efeito de borda.

É interessante, embora nem sempre viável financeiramente, a realização de perfis de


reflexão nos dois sentidos para uma mesma linha prospectada com o GPR, objetivando-
se sanar dúvidas em relação ao dado registrado, principalmente na distinção entre sinal
e ruído.

As prospecções geofísicas devem, de preferência, ser realizadas e seus dados pré-


processados e pré-interpretados antes da elaboração da programação de investigações
diretas. Deste modo, haverá a otimização da distribuição destas, implicando economia e
uma maior capacidade de extrair informações necessárias à implantação ou manutenção

169
da obra em questão. Com base nos resultados das prospecções diretas, devem ser
efetuadas, novamente, as etapas de processamento e interpretação dos dados geofísicos,
com o intuito de compatibilizar os diferentes tipos de investigação empregados.

Quanto à aquisição de dados com o GPR

Antes de ser iniciada a etapa de aquisição de dados, deve ser verificada a aplicabilidade
do método geofísico para as condições do terreno local (presença de água, vegetação,
aterro mal-compactado, etc.). Os locais a serem prospectados e a qualidade dos
resultados devem ser confirmados, caso possível, em campo e, tais informações,
passadas imediatamente para o cliente, para que este possa tomar as providências
cabíveis a tempo. No entanto, infelizmente, muitas empresas brasileiras que efetuam a
aquisição de dados geofísicos preferem enviar resultados inconclusivos, visando
garantir a remuneração integral pela realização desta etapa, a conquistar o respeito e a
confiança do cliente.

Para perfis de reflexão cuja profundidade de interesse encontra-se em, no máximo, cerca
de 10m, recomenda-se a utilização de antena blindada, com o intuito de reduzir ou até
mesmo eliminar os ruídos de alta frequência, além de tornar o processo de aquisição de
dados mais expedito e menos cansativo para os operadores, quando comparado com o
realizado a partir de antena não-blindada. Para perfis de reflexão cuja profundidade
estudada é superior a, aproximadamente, 10m, recomenda-se a utilização de antenas de
diferentes valores de frequência central, das quais as de menor frequência (geralmente
não-blindadas) teriam a função de permitir a identificação de feições geológicas
profundas e, as de maior frequência (em geral, blindadas), de proporcionar alta
resolução na visualização dos contatos geológicos em pequena profundidade.

Caso seja utilizada roda para aferição da distância percorrida durante a aquisição de
dados, a mesma deverá ser calibrada e, seu rolamento, verificado ao longo de toda a
prospecção.

Em caso de aquisição de dados através de antena não-blindada, deve-se, de preferência,


conectar o console à antena transmissora e à receptora, ligá-lo e, antes de colocar a
bateria naquela, verificar se esta capta quaisquer sinais. Estes corresponderão a ruídos

170
capazes de inviabilizar tecnicamente a aplicação do GPR, com antena sem blindagem,
para o referido local.

A bateria da antena transmissora do GPR deve ser inserida ou retirada apenas quando
todos os elementos do equipamento estiverem conectados, mitigando, deste modo, as
chances de queimar algum componente eletrônico.

É preferível o cabo óptico ao cabo elétrico, uma vez que aquele não proporciona
indução de campo elétrico e seu funcionamento pode ser testado facilmente,
verificando-se a passagem de luz de uma ponta para a outra do cabo.

Cabos emborrachados são difíceis de serem danificados ao longo da operação. Já os que


não são revestidos com borracha são facilmente danificados.

Para encostas, aconselha-se o uso de cabos longos, maiores que 15 metros.

171
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AGUIAR, J. C. M., 2005, Radar de Penetração no Solo (GPR): Aspectos Geofísicos e


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179
APÊNDICE

As figuras A1 a A7 apresentam a sequência do processamento dos dados referentes ao


radargrama do perfil de reflexão no 4, efetuado no estudo de caso 1.

Figura A1 – Dado bruto do radargrama proveniente do perfil de reflexão no 4.

Figura A2 – Primeira etapa de edição do radargrama proveniente do perfil de reflexão no 4:


correção do tempo zero (position correction).

180
Figura A3 – Segunda etapa de edição do radargrama proveniente do perfil de reflexão no 4:
filtro passa-banda (low-pass = 350 MHz e high-pass = 100 MHz), acompanhado de background
removal de 500 scans.

Figura A4 – Terceira etapa de edição do radargrama proveniente do perfil de reflexão no 4:


deconvolução (deconvolution), com operator length = 60 e prediction lag = 30.

181
Figura A5 – Quarta etapa de edição do radargrama proveniente do perfil de reflexão no 4: filtro
passa-banda (low-pass = 400 MHz).

Figura A6 – Quinta etapa de edição do radargrama proveniente do perfil de reflexão no 4:


aplicação de ganho (range gain).

182
Figura A7 – Sexta etapa de edição do radargrama proveniente do perfil de reflexão no 4:
conversão do tempo em profundidade (adotando-se uma constante dielétrica de 11).

As figuras A8 a A15 apresentam a sequência do processamento dos dados referentes ao


radargrama do perfil de reflexão no 1, efetuado no estudo de caso 2.

Figura A8 – Dado bruto do radargrama proveniente do perfil de reflexão no 1.

183
Figura A9 – Primeira etapa de edição do radargrama proveniente do perfil de reflexão no 1:
correção do tempo zero (position correction).

Figura A10 – Segunda etapa de edição do radargrama proveniente do perfil de reflexão no 1:


filtro passa-banda (low-pass = 350 MHz e high-pass = 100 MHz), acompanhado de background
removal de 500 scans.

184
Figura A11 – Terceira etapa de edição do radargrama proveniente do perfil de reflexão no 1:
deconvolução (deconvolution), com operator length = 60 e prediction lag = 30.

Figura A12 – Quarta etapa de edição do radargrama proveniente do perfil de reflexão no 1:


filtro passa-banda (low-pass = 400 MHz).

185
Figura A13 – Quinta etapa de edição do radargrama proveniente do perfil de reflexão no 1:
seleção da área que pode apresentar sinal (select block).

Figura A14 – Sexta etapa de edição do radargrama proveniente do perfil de reflexão no 1:


aplicação de ganho (range gain).

186
Figura A15 – Sétima etapa de edição do radargrama proveniente do perfil de reflexão no 1:
conversão do tempo em profundidade (adotando-se uma constante dielétrica de 7).

187