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Ranier Bragon

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Não há meio-termo quando


um presidente flerta com a
ditadura
Texto endossado por Bolsonaro e atos do dia 26 testam
aceitação a nova era de arbítrio

21.mai.2019 às 2h00

EDIÇÃO IMPRESSA (https://www1.folha.uol.com.br/fsp/fac-simile/2019/05/21/)

Jair Bolsonaro resolveu testar a aceitação popular a uma nova era de


arbítrio. Não há meio-termo quando um presidente da República
compartilha um texto (https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/05/bolsonaro-distribui-texto-
que-fala-em-brasil-ingovernavel-fora-de-conchavos.shtml) como o da semana passada e

estimula atos que pregam o fechamento do Congresso e do


Supremo Tribunal Federal.
Depois de voltar de uma ridícula e inútil viagem aos cafundós dos
Estados Unidos, ele disparou o pueril texto
(https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/05/bolsonaro-e-evasivo-sobre-mensagem-polemica-e-sugere-

que-leiam-de-novo.shtml) e estimulou os protestos


(https://saidapeladireita.blogfolha.uol.com.br/2019/05/20/clube-militar-deve-apoiar-manifestacoes-pro-

bolsonaro-marcadas-para-domingo/)pró-ditadura do dia 26 —ações que vão


contra o que entendemos por república, democracia e civilização.

O presidente Jair Bolsonaro durante evento na Federação das Indústrias do Estado do Rio de
Janeiro - Mauro Pimentel/AFP

Não importa se Bolsonaro (https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/05/venham-pra-cima-


nao-vao-me-pegar-diz-bolsonaro-sobre-investigacao-de-flavio.shtml)perdeu o eixo devido às
investigações (https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/05/quebra-de-sigilo-de-flavio-atinge-ex-
assessores-do-presidente-bolsonaro.shtml)sobre
a peculiar política de RH dos
gabinetes da família. Não há como ter posições dúbias diante do que
foi dito. Alguns aliados já falaram, como o olavete do Itamaraty,
para quem o chefe quer só desligar a “maldita máquina” corruptora.
Outros, como o MBL e Janaina Paschoal
(https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/05/pessoas-que-cercam-bolsonaro-alimentam-visao-

conspiratoria-que-o-estao-afundando-diz-janaina-paschoal.shtml), criticaram.

“Essas manifestações não têm racionalidade. O presidente foi eleito


para governar nas regras democráticas. Dia 26, se as ruas estiverem
vazias, Bolsonaro perceberá que terá que parar de fazer drama para
trabalhar!”, escreveu a deputada, que nesta segunda-feira (20)
questionou a sanidade mental do presidente.

Os 594 congressistas —chamados de ladrões, não nos percamos em


eufemismos—, o que pensam? E os militares? Concordam com o
reingresso na união das republiquetas de banana, tendo como
césares Bolsonaro (https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/05/bolsonaro-tenta-estancar-crise-
em-semana-de-pressao-por-votos-e-apoio-nas-ruas.shtml) e seu Rasputin desbocado?

Usaremos, para isso, um cabo e um soldado ou será melhor esperar


a vinda de tanques da Virgínia? 

Resta também a eterna curiosidade sobre o que pensa Sergio Moro.


Congresso ou STF, qual liquidar primeiro para haver
governabilidade? O ministro, um apreciador das leis, poderia dizer
quantos artigos da Constituição que jurou cumprir Bolsonaro
descumpriu na semana passada? Ou vai pedir escusas para, mais
uma vez, se fingir de morto?

Sempre é possível correr para debaixo da cama em situações assim.


Que cada um depois preste contas à história e à sua própria
consciência.

Ranier Bragon
Repórter especial em Brasília, está na Folha desde 1998. Foi correspondente em Belo
Horizonte e São Luís e editor-adjunto de Poder.
ENDEREÇO DA PÁGINA

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ranier-
bragon/2019/05/nao-ha-meio-termo-quando-um-presidente-flerta-
com-a-ditadura.shtml

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