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Teste de Língua Portuguesa 2012 / 2013

I
Texto A

A triste história do zero poeta

Numa certa conta havia


um zero dado à poesia
que tinha um sonho secreto: e ainda as chaves do carro
fugir para o alfabeto. e uma máscara de entrudo...
Não tinha bolsos, coitado,
Sonhava tornar-se um O guardava na alma tudo!
nem que fosse um dia só,
ou ainda menos: só A alma! Como queria
o tempo de dizer: «Oh!» gritá-la num «Oh!» sincero!
Mas não passava de um zero
(Nos livros e nas seletas1 que, oh!, não se pronuncia...
o que mais o comovia
eram os «Ohs!» que os poetas Daí que andasse doente
metiam nas poesias!) de grave doença poética
e em estado permanente
Um «Oh!» lírico & profundo, de ansiedade alfabética.
um só «Oh!» lhe bastaria
para ele dizer ao mundo E se indignasse & etc.
o que na alma lhe ia! contra o destino severo
que fizera dele um zero
E o que na alma lhe ia! com uma alma de letra!
Sonhos de glórias, esperanças,
ânsias, melancolia2, Tanta ambição desmedida,
recordações de criança; tanto sonho feito pó!
E aquele zero dava a vida
além de um grande vazio para poder dizer «Oh!»...
de tipo existencial
Manuel António Pina, Pequeno livro
e de uma caixa que o tio de desmatemática, Assírio e Alvim, 2002
lhe pedira para guardar;
VOCABULÁRIO
1 seleta – livro que reúne textos de vários autores.

2 melancolia – tristeza.

Responde ao que te é pedido sobre o poema, seguindo as orientações que te são dadas.
1. Assinala com X a opção que completa corretamente cada afirmação.
1.1. O poema é constituído por onze quadras. duas quadras.
dois dísticos. onze quintilhas.

1.2. Na quarta estrofe, os versos que rimam entre si são


o primeiro e o segundo versos; o terceiro e o quarto versos.
o primeiro e o terceiro versos; o segundo e o quarto versos.
o primeiro e o quarto versos; o segundo e o terceiro versos.
o primeiro, o segundo, o terceiro e o quarto versos.

1.3. As estofes presentes no poema chamam-se tercetos. quintilhas.


dísticos. quadras.

1.4. Nos versos «Sonhos de glórias, esperanças, / ânsias, melancolia, / recordações de


criança… » (versos 18 a 20) está presente uma personificação. metáfora.
repetição. enumeração.

2. Identifica o local onde vivia o zero e diz qual era o seu sonho secreto.
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3. Identifica o motivo que levou o zero a ter este sonho.


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4. Reescreve os versos 37 a 40, introduzindo as alterações necessárias para que o narrador


passe a ser o zero poeta.
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5. Caracteriza psicologicamente o zero poeta.
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6. Por que razão se indignava o zero poeta contra o destino?


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Texto B
7. Indica o objetivo deste cartaz.
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8. Lista as tarefas que os leitores terão que levar a cabo.


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8.1. De acordo com a informação dada, assinala as características que consideras importante
para exercer adequadamente a função anunciada.
a. criativo b. desinteressado c. conversador
d. decidido e. curioso f. tímido
g. confiante h. atrevido

II
Responde agora ao que te é pedido sobre o conhecimento explícito da língua.
9. Indica:
a. o número de sílabas gramaticais do primeiro verso do texto A. ________________________
b. o número de sílabas métricas do primeiro verso do texto A. __________________________

10. Lê o seguinte excerto do texto A:


Tanta ambição desmedida, / tanto sonho feito pó! / E aquele zero dava a vida / para poder
dizer «Oh!»...

10.1.Classifica as palavras destacadas no texto, indicadas na coluna da esquerda da tabela


abaixo, assinalando com X a classe gramatical a que pertencem.
nome adjetivo verbo determinante quantificador preposição interjeição
Tanta
desmedida
aquele
a
vida
para
Poder
Oh!
11. Completa a frase seguinte com as formas adequadas dos verbos indicados. Só podes usar
cada verbo uma vez. poder conseguir ir dizer
Se o zero poeta ______________ entrar no alfabeto e ______________ O! ______________
contar tudo o que lhe ______________ na alma.
12. Preenche o seguinte quadro, classificando as formas verbais indicadas.
Tempo Modo
Havia (verso 1)
bastaria (verso 14)
Pronuncia (verso 32)
Andasse (verso 33)

13. Atenta nas seguintes frases e indica as funções sintáticas de cada constituinte:
13.1.Infelizmente o zero poeta não concretizou o seu sonho.
a. o zero poeta _______________________________________________________________
b. não concretizou o seu sonho __________________________________________________
c. o seu sonho ________________________________________________________________
d. Infelizmente ________________________________________________________________

13.2. O nosso amigo era muito sonhador.


a. O nosso amigo _____________________________________________________________
b. era muito sonhador __________________________________________________________
c. muito sonhador _____________________________________________________________

14. Completa as frases, ligando as orações com a conjunção indicada entre parênteses:
a. O zero queria ser uma letra ___________ (conj. coord. adversativa) não passava de um algarismo.
b. O tio deixara-lhe uma caixa, umas chaves ___________ (conj. coord. copulativa) uma máscara.
c. Tornar-se-ia um O ___________ (conj. coord. disjuntiva) seria infeliz para sempre.

15. Atenta nas seguintes frases complexas e classifica a oração assinalada.


a. Perguntaram ao zero se queria entrar no alfabeto! _________________________________
b. O zero queria ser um O para revelar o que sentia. _________________________________
c. Ele sentia-se miserável porque não era uma letra. _________________________________
d. Indignava-se contra o destino que fizera dele um número. ___________________________

III
15. Relembra o texto A. Imagina que o zero poeta encontrava uma oportunidade de se tornar
uma letra, como desejava.
Relata a viagem do zero poeta, construindo uma narrativa em que:
– descrevas os preparativos da viagem rumo ao abecedário;
– relates as principais aventuras vividas pelo zero poeta;
– dês conta dos sentimentos vividos pelo zero poeta através do poema construído.
Podes incluir um pequeno poema no teu texto.
Escreve um texto com o mínimo de 120 e o máximo de 200 palavras.