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XXXII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO

Desenvolvimento Sustentável e Responsabilidade Social: As Contribuições da Engenharia de Produção


Bento Gonçalves, RS, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2012.

ANÁLISE DA LOGÍSTICA E
INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTE
DE CARGA DO PÓLO INDUSTRIAL DE
MANAUS
Joel Castro do Nascimento (UFAM)
jcastro_ep@yahoo.com.br
Ocileide Custodio da Silva (UFAM)
ocileide2002@yahoo.com.br

Com a globalização, a competitividade internacional tornou-se cada


vez mais intensa, as empresas que se destacaram foram as que se
localizavam em países que apresentavam uma adequada logística e
infraestrutura de transporte. Nesse contexto,, a eficiência da
infraestrutura disponível tem impacto direto no desenvolvimento
econômico e social de uma determinada região. O Brasil apresenta
uma infraestrutura de transporte de carga ainda ineficiente. O estado
do Amazonas, situado em região de plena floresta amazônica,
apresenta dificuldade de mobilidade. Apesar dos extensos rios, o modal
hidroviário é subutilizado, e o setor rodoviário é inadequado para o
transporte de cargas. Aliado a isso, grande burocracia na liberação de
cargas é também um entrave na economia regional. Todos esses
problemas causam um impacto direto no desempenho do Pólo
Industrial de Manaus - PIM, justificando a existência de incentivos
fiscais para o setor produtivo, a fim de fixar empresas no PIM. Como
um dos elementos impactantes sobre esta discussão é a logística, este
artigo utiliza pesquisa bibliográfica para analisar a infraestrutura
logística do PIM, com ênfase nas alternativas e nos meios viários de
transportes que as empresas do PIM utilizam. É apresentado um
panorama comparativo da infraestrutura de transporte regional com
outras localidades.

Palavras-chaves: Infraestrutura de Transportes de Cargas, Logística,


PIM
XXXII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
Desenvolvimento Sustentável e Responsabilidade Social: As Contribuições da Engenharia de Produção
Bento Gonçalves, RS, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2012.

1. Introdução
A logística e a infraestrutura de transportes são fatores primordiais no desempenho
socioeconômico de uma região. Basta uma análise comparativa da infraestrutura de
transportes de um país com outro, que se tem uma definição clara do país desenvolvido e do
que está em desenvolvimento. O Brasil, em fase de desenvolvimento, possui uma
infraestrutura de transporte deficiente, em todos os modais, encarecendo a logística de todo
país. A inadequada infraestrutura colabora para uma baixa participação mundial nas
exportações, sendo da ordem de 1%, limitando o crescimento econômico do país (ERHART
& PALMEIRA, 2006). A situação é grave, pois as condições das rodovias, ferrovias e
hidrovias brasileiras são precárias e estão sendo subutilizadas, principalmente na Região
Norte. Um exemplo dessa gravidade é a Transamazônica, que deveria ser o milagre brasileiro
quando na realidade é o pesadelo dos diversos produtores que dependem dessa estrada para
escoar sua produção (MANGABEIRA, 2003).
Conforme Kuwahara (2006), as características geográficas e climáticas do Amazonas
contribuem para a adversidade na acessibilidade, devendo também ser considerado o fato de
que a maioria dos portos está inadequada para o transporte de cargas e de pessoas. Todos
esses fatores contribuem para a limitação da competitividade dos produtos da Amazônia,
principalmente do PIM, que ainda se mostra dependente de matéria-prima e insumos
importados. Portanto, o objetivo principal deste artigo é analisar a situação atual da
infraestrutura logística de Transporte de carga utilizada pelo PIM, tendo como objetivos
específicos: analisar as alternativas e os meios viários de transportes que as empresas do PIM
utilizam e comparar a infraestrutura de transporte regional com outras localidades.
O procedimento metodológico adotado neste trabalho baseia-se em pesquisa bibliográfica
(VERGARA, 2009). As análises realizadas consideraram dados obtidos por meio de consulta
a artigos, trabalhos acadêmicos e técnicos pertinentes ao tema, além de relatórios específicos
da SUFRAMA, da Confederação Nacional de Transporte - CNT, do Ministério dos
Transportes, e também do Centro da Indústria do Estado do Amazonas - CIEAM.
2. Logística e Infraestrutura de transportes
O termo logística surgiu no ambiente militar, com a necessidade da movimentação dos
suprimentos e dos soldados (BRAZ, 2004). Segundo Christopher (1997), logística é o
processo com o qual se conduz de forma estratégica a transferência e a armazenagem de
materiais, componentes e produtos acabados, obedecendo à ordem: fornecedores, empresas e
consumidores. Ballou (2008) conceitua logística como a associação da administração dos
fluxos de bens e serviços com a informação associada que os põe em movimento, ou seja, a
missão da logística é colocar os produtos ou os serviços certos, no tempo certo, no lugar certo,
na condição desejada, ao menor custo possível.
A infraestrutura de transporte tem por objetivo fornecer direito ao acesso, tanto de veículos
como de unidades organizacionais de transportes, a fim de munir de serviços para uso próprio
ou para terceiros, mediante a cobrança de taxa de serviço, trazendo variados benefícios para a
sociedade, como por exemplo, à disponibilidade de bens, à ampliação dos mercados, à
concorrência, aos custos dos produtos, entre outros (BOWERSOX & CLOSS, 2007;
CAIXETA FILHO & MARTINS, 2001).
A infraestrutura de transportes em vários países no mundo, inclusive no Brasil, foi e ainda é

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um fator primordial para seu desenvolvimento. À medida que a infraestrutura de transportes


se adequa as caracteristicas da região, a logística de transporte torna-se mais barata e a
estrutura econômica começa a assemelhar-se com a economia de um país desenvolvido.
Segundo Ballou (2008), um melhor sistema de transporte coopera para: aumentar a
competição do mercado; garantir a economia da escala na produção; e reduzir os preços das
mercadorias.
3. Zona Franca e o Pólo Industrial de Manaus
A Zona Franca de Manaus - ZFM foi um projeto criado pelo governo federal com o objetivo
de trazer desenvolvimento econômico para a Região Amazônica. A ZFM constitui-se, quando
da criação, de uma área de livre comércio, gerenciada pela Superintendência da Zona Franca
de Manaus – SUFRAMA, tendo seu centro na cidade de Manaus.
Os Estados que compõem a Zona Franca são: Amazonas, Roraima, Rondônia, Acre e Amapá.
Atualmente, esses Estados dispõem de amplos benefícios fiscais, seja redução e/ou isenção,
dentre eles: Imposto sobre Produto Industrializado – IPI, Imposto de Exportação – IE,
Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS (SUFRAMA, 2012).
A SUFRAMA viabilizou a implantação de três pólos que compõe a ZFM, de acordo com as
características da região: Agropecuário, Comércio e Indústria.
Das três vertentes, a linha de atuação que mais se desenvolveu foi a indústria, portanto, esse
segmento tem sustentado os esforços políticos em prol de sua continuidade (BOTELHO,
2001). Pelo extraordinário desenvolvimento no setor, a indústria passou a ser chamada de
Pólo Industrial de Manaus – PIM. O qual atraiu e vem atraindo empresas de alta tecnologia e
investidores de todo mundo, tais como do Japão, Estados Unidos, Alemanha, Finlândia, entre
outras, que trouxeram tecnologia de ponta e propiciaram o surgimento de subsetores, como o
eletroeletrônico, duas rodas, relojoeiro, dentre outros.
O PIM conta com mais de 500 empresas nacionais e multinacionais. Nos últimos anos
apresentou faturamento médio anual superior a US$ 25 bilhões, conforme apresentado na
Tabela 1 (SUFRAMA, 2012). O PIM tem apresentando um alto nível de produtividade e
inovação tecnológica.

Ano Faturamento (US$) Exportação (US$)


2007 25.671.769.234 1.044.793.963
2008 30.162.199.431 1.192.004.489
2009 25.959.186.835 854.448.076
2010 35.216.743.915 1.037.373.266
2011 38.189.953.245 766.237.832

Fonte: SUFRAMA (2012)


Tabela 1 – Faturamento versus Exportação PIM

Baseado em seus números, o PIM é um modelo de sucesso, porém ainda apresenta diversos
entraves para seu amplo desenvolvimento. O principal deles é a infraestrutura de transportes
de cargas, que constitui um fator preponderante na não competitividade internacional.

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4. Logística de Transportes do PIM


Segundo Fontana e Aguiar (2001) apud Gomes (2009 p.23), o crescimento da
internacionalização econômica brasileira proporcionou o aumento das opções de transportes,
tornando mais complexa a otimização das operações logísticas por meio da privatização de
portos e ferrovias, do investimentos em infraestrutura e do surgimento de operadores
logísticos. Essa complexidade não ocorre no PIM devido as poucas opções de modais e,
principalmente por estar localizado próximo as margens do Rio Amazonas, que é o principal
modal a ser utilizado tanto para carga como para descarga de insumos, matérias-primas e
produtos acabados. Segundo Gomes (2009) a logística do PIM tem a seguinte estrutura:

Entrada de Insumos: insumos importados, oriundos da Ásia, da Europa e Estados Unidos


vêm pelo modal marítimo e aéreo, já os insumos nacionais, vindos em grande parte da região
Sudeste brasileira vem por meio rodofluvial;
Saída de produtos acabados: é realizada por meio rodofluvial, com distribuição de Manaus
até Belém por via fluvial e a entrega em São Paulo/ Rio de Janeiro em Centros de distribuição
por via rodoviária (Figura 2). Há também, entrega direta para a Região Sudeste por meio do
modal aéreo.

Fonte: BNDS, 1998


Figura 2 – Transporte de Carga: Manaus - Brasil

5. Resultados e Discussão
5.1. Os desafios Logísticos do PIM
Enquanto o Brasil tinha um mercado protecionista à concorrência externa, o PIM, apesar de
toda deficiência na infraestrutura de transportes, viveu um período confortável para a maioria
das empresas nele instaladas. Com a abertura do mercado brasileiro, poucas empresas
conseguiram competir com as internacionais, exportando poucos produtos industrializados
(Braga, et al, 2003). As seções a seguir analisam as alternativas e os meios viários de
transportes utilizados pelas empresas do PIM e traça um panorama comparativo da
infraestrutura de transporte regional com outros Estados da região.
5.2 Eixos do Sistema de Transporte Regional

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Pelo Estado do Amazonas passam três eixos que o integram à região Norte, são eles: ao Norte
a BR-174; ao Noroeste a BR-319 e a Hidrovia do Madeira, em direção ao Acre e Rondônia e
ligação com o restante do país; e, finalmente, o Rio Amazonas, que promove uma integração
inter e intrarregional, dando também acesso ao mercado internacional. Estes eixos são
projetos em uma perspectiva estruturante, promovendo o fornecimento de insumos e o
escoamento da produção para o Brasil e para o exterior.
Essa visão de eixos, procura equacionar uma série de possibilidades de infraestruturas de
transporte para a região capaz de minimizar as limitações e o alto custo logístico que afeta o
PIM. Segundo o Centro da Indústria do Estado do Amazonas - CIEAM, as indústrias
amazonenses enfrentam em média um custo logístico anual de 945 milhões de dólares. As
opções de transporte das empresas do PIM limitam-se a se enquadrar dentro de uma
estratégica logística integrada, onde o sistema de transporte multimodal assume importância
relevante, principalmente para o transporte entre regiões.
Na Amazônia Ocidental, o sistema de transporte apresenta um ponto central, localizado em
Manaus que, motivado pelas indústrias, concentra grande parte da atividade econômica
convergindo grande parte dos fluxos de carga na região. Dessa forma, estudos
(PLANOAMAZON) apontam cinco eixos dentro do conceito de logística integrada do
sistema de transporte. Os eixos partiriam de Manaus de acordo com a seguinte configuração:
I- O Eixo Norte, faria a ligação rodoviária através da BR-174, entre Manaus (AM) e Boa
Vista (RR), podendo seguir para a Venezuela, alcançando os portos marítimos de Caracas ou
Puerto La Cruz; ou então desviando para a Guiana, onde também alcançaria o porto marítimo
de Georgetown. Em ambos os casos seria possível alcançar o Caribe, a América Central e os
países do NAFTA.
II- O Eixo Sul, contemplaria a ligação entre Manaus e Cuiabá (Matogrosso) via Porto Velho
(RO), podendo ser realizado via fluvial através do rio Madeira, ligando Manaus a Porto Velho
e, deste ponto, a Cuiabá através da BR-364. Ou por via rodoviária, ligando Manaus a Porto
Velho através da BR-319, em recuperação, e deste ponto indo até Cuiabá. Deve-se considerar
mais uma possibilidade para alcançar Cuiabá, através de rota rodofluvial, que partiria de
Manaus via Santarém, através do rio Amazonas, e de Santarém para Cuiabá pela BR-163.
III- O Eixo Leste, apresenta uma via fluvial ligando Manaus a Macapá e à Zona de Livre
Comercio de Santana no Amapá, estabelecendo a partir deste ponto um corredor fluvial-
marítimo alcançando portos do Atlântico Norte (NAFTA, UE) e do Atlântico Sul (Costa
brasileira, Uruguai e Argentina) e, por ultimo, o Atlântico Leste, chegando aos países da
África.
IV- O Eixo Oeste, contempla o transporte fluvial a partir da cidade de Manaus, através do rio
Amazonas e Marañon até Puerto América no Perú. A partir daí seguiria via rodoviária até os
portos marítimos da Zona de Livre Cmércio de Paita, no Perú, acessando as rotas marítimas
para o Chile, Alasca, Costa Oeste dos Estados Unidos, Japão e países do Pacífico como Nova
Zelândia e Austrália.
V- A Estrutura Radial propõe a ideia de logística integrada de transportes no Estado composto
de uma estrutura rodofluvial, onde seja possível estabelecer uma rede capaz de promover uma
integração não apenas interregional, proporcionado pelos eixos, como também intrarregional,
ligando o centro dinâmico aos principais municípios do interior. Esta visão de
desconcentração, centrada no desenvolvimento e integração econômico-social, pretende
homogeneizar os padrões de vida das regiões do interior com os grandes centros.

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Ainda em relação aos eixos de escoamento dos produtos, a Iniciativa para a Integração
Regional da Infraestrutura Regional Sulamericana – IIRSA já identificou o Eixo do
Amazonas como um sistema multimodal de transporte que interliga os portos da região do
Pacifico, tais como, Tumaco, na Colômbia; Esmeraldas, no Equador; e Paita, no Peru, com os
portos brasileiros de Manaus, Belém e Macapá. Essa interligação do oceano pacifico com o
atlântico se daria através dos rios Huallaga, Marañon, Ucayali e Amazonas, no Peru;
Putumayo e Napo, no Equador; Putumayo, na Colômbia; e Iça, Solimões e Amazonas, no
Brasil. Com seus mais de 6.000 km de vias navegáveis, o escoamento ocorreria nos portos
fluviais de El Carmen, na fronteira entre Equador e Colômbia; Guepi, na Colômbia; e
Sarameriza e Yurimaguas, no Peru.
Na avaliação das opções de Transporte não se deve descartar nada, mesmo porque muitas
vezes as alternativas mais viáveis economicamente não recebem a devida atenção. O exemplo
disto está na pavimentação da BR-319, que ligará Manaus à Porto Velho. A BR-080, que
ligaria Manaus à Brasília e daí com o restante do país, a um custo logístico, menor foi
descartada.
5.2. Análise comparativa da infraestrutura de transporte do Estado do Amazonas com
outros Estados da região
A malha viária que circunda a região que atua as empresas do PIM apresenta-se de forma
heterogênea, podendo ser identificado pelo menos três subrregiões, tendo em vista a
integração nacional que o mesmo proporciona (MT, 2010).
A região mais ocidental da Calha Norte do Amazonas, apresenta os maiores desafios no que
se refere à capacidade de integração logística. Devido à inexistência de outros modais de
transportes os rios apresentam-se como a única forma de movimentação de cargas, o que
dificulta a inserção da região no âmbito do PIM e também com o resto do país.
Na região intermediária, o processo de integração vem sendo concretizado por meio da
expansão agrícola e pela necessidade que os centros como Santarém, Porto Velho e,
principalmente, Manaus tem experimentado para transpor as imensas distâncias do centro
consumidor. As cargas nessa região utilizam o sistema multimodal efetuando parte dos
trajetos em hidrovias, assim como também em rodovias, mesmo estando algumas ainda por
asfaltar.
Na região mais oriental e, por conseguinte, mais integrada a rede de transporte do país, as
cargas são transportadas em hidrovias, rodovias e também por ferroviárias que estão
concentradas na região entre Carajás e o porto de Itaquí. Os maiores índices de cobertura de
transporte, principalmente de rodovias asfaltadas, se encontram nesta região que, mesmo
estando aquém do resto do país, já são índices consideráveis quando comparado com a região
do PIM.
5.2.1 Modal Aéreo
Em 2000, o total de carga internacional e nacional movimentada nos aeroportos da região,
representou 13% do total de carga movimentada no país. O Estado do Amazonas lidera o uso
do modal aéreo e representa 9,27% dessa movimentação.
Esse domínio é consequência do tipo da atividade econômica do PIM, que utiliza o modal
aéreo entre suas principais formas de escoamento e abastecimento. Para efeito de comparação,
o Estado do Pará representou apenas 1,88% das cargas movimentadas nos aeroportos do país
em 2000. O Quadro 1 mostra a movimentação da carga nos aeroportos de alguns Estados da

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região norte e do Brasil para o ano de 2000.

Carga Embarcada Carga Desembarcada


Total de Carga
Vôos Vôos Vôos Vôos Movimentada
Estados
Nacionais Internacionais Nacionais Internacionais
Rondônia 1945 - 3847 - 5792 0,44%
Acre 1778 - 2661 - 4439 0,33%
Amazonas 49048 3437 49363 21556 123404 9,27%
Roraima 225 7 1365 - 1597 0,12%
Pará 10176 553 13890 420 25039 1,88%
Amapá 372 - 2426 - 2798 0,21%
Tocantins 163 - 773 - 936 0,07%
Maranhão 2470 - 4892 - 7362 0,55%
Mato
Grosso 2524 - 5175 - 7699 0,58%
TOTAL 68701 3997 84392 21976 179066 13,45%
BRASIL 426586 237971 371181 295533 1331271

Fonte: DAC e INFRAERO (2000)


Quadro 1 – Quantidade de carga embarcada e desembarcada em vôos nacionais e internacionais em 2000

5.2.2. Modal Rodoviário


O sistema de transporte rodoviário, de forma geral, é incipiente. Quando analisado
detalhadamente percebe-se que mesmo rodovias consideradas asfaltadas pelos órgãos
competentes, muitas vezes apresentam trechos de extrema precariedade dificultando
consideravelmente o seu percurso e causando maiores custos para as transportadoras, que por
sua vez repassam para as empresas do PIM. Para melhor aproveitar esse modal é importante
transportar uma quantidade maior de cargas, visando à redução do custo com fretes. Além
disso, qualquer análise que busque identificar as condições das rodovias deve-se partir de
dados reais, adquiridos in loco, não se limitando apenas às informações dos bancos de dados.

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Comparando o Amazonas com os Estados mais próximos, verifica-se que o Estado


corresponde apenas a 2% da malha rodoviária (ver Figura 3).

Fonte: GEIPOT (1996/2000) apud Rodrigues (2009)


Figura 3 – Participação no Sistema rodoviário dos Estados selecionados em 2000

As rodovias pavimentadas também são bons indicadores que evidenciam as limitações que a
região enfrenta, comprometendo o transporte de carga das empresas que atuam no PIM,
principalmente nos períodos chuvosos. Nesse sentido, a situação é precária não apenas no
Amazonas, mas nos vários Estados da região, conforme apresenta a Figura 4.

Fonte: GEIPOT (1996/2000) apud Rodrigues (2009)


Figura 4 – Percentual das rodovias pavimentadas em 2000

Quanto ao índice de cobertura rodoviária, a Figura 5 mostra o Amazonas como sendo o


Estado com menor concentração de rodovias por km², evidenciando o isolamento relativo a
este modal.

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Fonte: GEIPOT (1996/2000) apud Rodrigues (2009)


Figura 5 – Índice de cobertura rodoviária

5.2.3 Modal Hidroviário


No modal hidroviário a situação é mais complexa, pois apesar da Região Amazônica ter
elevadas extensões navegáveis, todo esse potencial hidrográfico é subutilizado sendo pouco
desenvolvido. Apesar dos rios suportarem navios de grande calado, possui uma infraestrutura
inadequada ao transporte de carga. Mesmo não utilizando todo o potencial hidroviário da
região, esse é o meio de transporte predominante, respondendo por grande parte do fluxo de
carga que chega às empresas do PIM. Apesar de grande parte dos rios já apresentarem
condições naturais de navegabilidade, no período da estiagem, alguns trechos ficam
comprometidos, demandando investimentos em sinalização, dragagem, monitoramento e
regulação do setor.
O Quadro 2 relaciona os principais rios do Sistema Hidroviário da Amazônia que, segundo
afirma Sant’Anna (1998), os principais rios que integram este sistema são navegáveis em
grande parte de seu percurso. Eles formam a espinha dorsal que estrutura a rede viária da
Amazônia.

Principais Rios da Amazônia Ocidental Principais Rios da Amazônia Oriental

Amazonas, Acre, Branco, Madeira, Tapajós Tocantins


Negro, Purus, Javari, Juruá, Japurá, Jutaí, Xingu Araguaia
Nhamundá, Uatumã, Manicoré, Jari Trombetas
Içá Solimões, Jaú Caxiuanã Arapu

Fonte: Sant’anna (1998)


Quadro 2 – Principais rios da Amazônia

De acordo com a SUFRAMA (2012), não se pode considerar que a Amazônia tenha hidrovias
que atendam ao PIM, pois não existe sinalização adequada e estrutura onde haja
características de hidrovias na região. O modal hidroviário deveria ser a melhor opção de
transporte de carga, mas não o é devido essas condições inadequadas. Tudo isso torna essa
modalidade de transportes uma das mais onerosas.

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Esta análise evidencia o quanto essas deficiências afetam a competitividade e o desempenho


do PIM, quando se compara com as empresas situadas e, outras regiões do País. Empresas de
outros Estados do país, já estão trabalhando com estoque mínimo onde, na maior parte dos
casos, o estoque é no máximo para o período de sete dias. Enquanto isso, no Amazonas, esse
estoque é de 22 dias, levando a um aumento nos custos de R$ 40 bilhões ao ano
(MANGABEIRA, 2003).

6. Considerações finais
Esse estudo procurou mostrar a situação atual da infraestrutura de transportes e a logística do
Pólo Industrial de Manaus. A abertura do mercado brasileiro expôs as debilidades do Pólo
Industrial de Manaus – ZFM, não somente no aspecto da qualidade de seus produtos, mas
também pela falta de infraestrutura adequada, que encarece o transporte dos insumos e dos
produtos. Desde então, várias estratégias tem sido adotadas pelo governo e pela SUFRAMA
para de melhorar o desempenho do PIM.
Ao analisar comparativamente os meios viários do Amazonas com outros Estados da região
verifica-se a distorção viária que o Estado enfrenta. No modal rodoviário, apesar do Estado
ser o maior da região, a malha viária correspondente é de apenas 2%. No modal hidroviário,
mesmo possuindo extensos rios, todo esse potencial hidrográfico é subutilizado por ser pouco
desenvolvido na região. Não se pode considerar que a Amazônia tenha hidrovias que atendam
de forma satisfatória ao PIM, pois não há sinalização adequada e nem a estrutura necessária à
existência de hidrovias na região. Enquanto isso, no modal aéreo, apesar de apresentar, entre
os Estados da região, grande percentual de carga movimentada, com 13% do total, é bastante
comum o cancelamento de vôos e atrasos na liberação de cargas.
A inexistência de uma logística integrada com uma infraestrutura adequada, capaz de
contrapor as adversidades inerentes à localização do PIM, representa um grande risco a
competitividade do Pólo. É preciso que os governos, tanto federal quanto estadual, além da
iniciativa privada, se engajem na busca por novas soluções e alternativas. Para que os fatores
atrativos não sejam apenas os incentivos fiscais, mas também todo o potencial da região,
enriquecida por uma adequada infraestrutura logística de transportes.

Referências
BALLOU, R. H. Logística Empresarial: Transportes, Administração de Materiais e Distribuição Física.
Editora Atlas, São Paulo, 2008.
BOTELHO, A. J. Projeto ZFM: Vetor de Interiorização Ampliado, Manaus, 2001.
BOWERSOX, D. J. e ClOSS, D. J Logística Empresarial: O processo de Integração da Cadeia de Suprimento.
(1ª Ed.) – 5ª reimpr. Editora Atlas, São Paulo, SP, 2007.
BRAGA, H. C., GUIMARÃES, E. P. & REZENDE, F. Estudos Técnicos sobre o Pólo Industrial de Manaus
– PIM. ISAE/FGV, Manaus, 2003.
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Investimentos. (1ª Ed.). Editora Atlas, São Paulo, SP, 2001.
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de custos e melhoria dos serviços. São Paulo: Pioneira, 1997.
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em: http:// www.cnt.org.br. Acesso em Março de 2010

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EMPRESA BRASILEIRA DE INFRA-ESTRUTURA AEROPORTUÁRIA - INFRAERO, Disponível em:


http://www.infraero.gov.br/aero_prev_home.php?ai=47. Acesso em Março de 2010
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FENLEY, C. A. Aviação e desenvolvimento sustentável do Amazonas. Tese de Doutorado do Programa de Pós-
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MANGABEIRA, L. Os desafios logísticos da Amazônia,
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