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CURSOS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, CIÊNCIA POLÍTICA, RELAÇÕES

INTERNACIONAIS E SOCIOLOGIA

TEXTOS DE APOIO ÀS LIÇÕES DA DISCIPLINA DE

GEOGRAFIA POLÍTICA

1º SEMESTRE

Documento Exclusivo às Turmas de 2º Anos:


AP2M + CP2M & SC2N + SC2N

UNIDADE-I

Docente: Daniel S. Tendo

danieltendo@hotmail.com

Ano Lectivo de 2018


1. EVOLUÇÃO E PRINCÍPIOS DA GEOGRAFIA POLÍTICA

Conceito de Geografia
O estudo da Geografia Política como ciência impõe considerar, porque com ela
relacionadas de uma ou de outra forma, outras ciências. No quadro do objectivo do presente
texto, considera-se importante referir, como ciência afim, a Geografia e a Política.
A Geografia é uma ciência que tem como objecto o estudo da superfície terrestre e a
distribuição espacial de fenômenos significativos na paisagem.
Para Pierre Gourou (1948), a Geografia é, essencialmente, descrição e explicação
das paisagens, designadamente a paisagem natural e a paisagem cultural1.
Deste modo, de acordo com a natureza dos fenômenos, a Geografia, segundo refere
Tosta (1984) pode ser dividida nos seguintes ramos: a geografia Matemática, a Geografia
Fisíca e a Geografia Humana que segundo o autor, estuda a influência do meio sobre o
homem e as modificações introduzidas pelo homem nas paisagens geográficas2
A Geografia Humana conta ainda com a Geografia Económica e a Geografia
Política, como subdivisões, entretanto, ela recebe ainda outras subdivisões, tais como, a
Geografia Histórica, cujo objecto é a influência da Geografia na História; a Geografia
Militar, que olha o espaço geográfico como teatro das operações de guerra; e a Geografia
Administrativa.
Para o historiador Vinces Vives (1910-1960) a Geografia Histórica é o ramo da
Geografia Humana que se ocupa do exame estático das relações do homem com o solo
que habitou em um passado mais ou menos remoto3

1 In conferencia no Conselho Nacional de Geografia. A paisagem compreende: Clima, relevo, solo,


drenagens, recursos naturais, oceano e litoral, vegetação, densidade, e mobilidade da população,
habitações, vias de transporte, etc. Citado por TOSTA, Octávio, 1984.
2 Para mais infomações, ler Antonio Teixeira GUERRA, “Importância da Geomorfologia Física” Revista

Brasileira de Geografia, 1964.


3 Moises GICOVATE, Manual de Geografia Humana, 2nd ed. (S. Paulo, Brasil: Melhoramentos, 1952).

Citado por Octávio Tosta.


A Geografia politica estuda o grau de relação existente entre o Estado e o meio
natural, tanto quando coincidem como quando divergem entre si4. Sobre esta disciplina,
Vinces Vives, no seu Tratado General de Geopolítica, afirma que ela “é o ramo da
Geografia Humana que estuda a Geografia do Estado, tanto no que se refere ao seu
desenvolvimento histórico, como no que se refere à estrutura actual”.
De outro modo, Artur Dix (1910-1980) define a Geografia Política como a “ciência
que estuda a morada e a esfera de poderio dos Estados” 5
sendo, segundo Whittlesey
(1948) seu campo de observação para a superfície da terra, contemplada como lugar de
actividade das sociedades humanas e cenários onde se desenrola a vida dos povos
organizados em Estados.
Por sua vez a Geografia Económica é um enorme cruzamento da Geografia,
História e economia. Neste quadro define-se como seus patronos Rangel (1914-1994),
André Cholley (1886-1969) e Marc Bloch (1876-1944), que conseguiram reunir, em graus
variados da geografia, história e economia e defenderam suas ideias e convicções mesmo
com a morte6
Conceito de Política

Derivado do adjectivo originado de pólis (politikós), que significa tudo o que se refere
à cidade e, consequentemente, o que é urbano, civil, público, e até mesmo sociável e social,
o termo Política se expandiu graças à influência da grande obra de Aristóteles, intitulada
“Política”, que deve ser considerada como o “primeiro tratado” sobre a natureza, funções e
divisão do Estado, e sobre as várias formas de Governo, com a significação mais comum
de arte ou ciência do Governo, isto é, de reflexão, não importa se com intenções meramente
descritivas ou também normativas, dois aspectos dificilmente discrimináveis, sobre as coisas
da cidade.

Ocorreu assim desde a origem uma transposição de significado, do conjunto das


coisas qualificadas de certo modo pelo adjectivo "político", para a forma de saber mais ou

4 Para mais informação, ler Ibid. E Dervent WHITTESEY, Geografia Política (Buenos Aires: Fondo de
Cultura Econoica de Mexico, 1948).
5 Citado por TOSTA, Toerias Geopoliticas, 1984,23
6
Ibid.
menos organizado sobre esse mesmo conjunto de coisas: uma transposição não diversa
daquela que deu origem a termos como física, estética, ética e, por último, a cibernética.

O termo Política foi usado durante séculos para designar principalmente obras
dedicadas ao estudo daquela esfera de atividades humanas que se refere de algum modo às
coisas do Estado.

Na mesma senda, outros estudiosos mais modernos portanto, com outras experiencias
mais recentes de vida, procuraram uma definição para o termo. Assim, Hobbes (1588-1679)
disse que ela “consiste nos meios adequados à obtenção de qualquer vantagem7”

Outro teórico do passado, Nicolau Maquiavel, em O Príncipe (1513), definiu a


Política como a “arte de conquistar, manter e exercer o poder, o governo8”; enquanto Max
Weber (1864-1920) definiu-a como a “luta para compartilhar o poder ou influenciar a
distribuição do poder, quer entre Estados, quer entre grupos dentro do Estado9

Na época moderna, o termo perdeu seu significado original, substituído pouco a


pouco por outras expressões como "ciência do Estado", "doutrina do Estado", "ciência
política", "filosofia política", etc, passando a ser comumente usado para indicar a actividade
ou conjunto de actividades que, de alguma maneira, têm como termo de referência a
pólis, ou seja, o Estado.

1.1. OBJECTO DE ESTUDO DA GEOGRAFIA POLÍTICA


A Geografia Política é um ramo da Geografia que se dedica ao estudo da interacção
entre a Política e o Território, nomeadamente no que diz respeito à administração. A
Geografia Política moderna reflete as características políticas frente aos aspectos
sócioeconômicos no âmbito local, regional, nacional e internacional.

Os estudos desta área avaliam diversos factores que determinaram uma situação já
estabelecida como, por exemplo, as características demográficas frente ao desenvolvimento
de um ramo da economia.

7
Thomas HOBBES, os elementos da lei natural e politica (WMF Martins Fontes, 1640).
8
Citado em NICOLAU MAQUIAVEL, O Príncipe, Roberto Grassi (Rio de Janeiro, Brasil: civilização Brasileira,
1976).
9
William BLUTON, Theories of the political System (New York, 1965)
Este ramo da geografia surgiu na obra "Politische Geographie" (Geografia Política),
do geógrafo alemão Friedrich Ratzel, publicada em 1897. Nessa obra, Ratzel concebe o
Estado como um organismo territorial, mas seu objetivo não é explicar essa instituição por
meio de uma metáfora com o desenvolvimento dos seres vivos, e sim como referência ao seu
papel de articular o povo ao solo por meio de políticas territoriais.

Portanto, esse autor entendia o Estado como organismo no sentido que o pensamento
romântico dava a essa noção, ou seja, como um "todo" constituído por elementos naturais e
humanos indissociáveis. A função primordial do Estado, razão de sua própria existência, era
mobilizar os indivíduos para a realização de um objectivo comum, qual seja, a defesa e
organização do território.

O estudo da geografia política existe desde a Grécia antiga. A contração das palavras
"geografia política" deu origem ao termo geopolítica. O termo foi criado pelo cientista
político sueco Rudolf Kjellén, no trabalho "Staten som Lifsform" ("O Estado como um
organismo"), de 1916.

Quando é que a Geografia une-se com a Política?

A geografia une-se com a politica no estudo dos fenomenos politicos. Os geografos


têm como principal papel visualizar unidades politicas como uma área possuindo fronteiras
e divide em áreas administrativas, mas tendo em conta a variedade ou características
económicas, sociais e físicas, por sua vez o cientista político ou político trabalha ou lida com
as instituições políticas, processos de comportamento político e princípios gerais de
governação. Assim a Política preocupa-se com o estudo comparativo de diferentes governos
e então mestura-se com a geografia.

Portanto, a geografia e a Ciência Política possuem grande ligação, isto é, na análise


de elementos de poder entre países.

Segundo Ratzel, não é possivel conceber um Estado sem território e sem


fronteira, nesta afirmação ele mostra o quão é importante o elemento território ou área
geográfica para o exercício da política, respeitando as fronteiras ou os limites geográficos.

1.2. ÂMBITO DA GEOGRAFIA POLÍTICA


A Geografia Política preocupa-se fundamentalmente em entender o comportamento
humano, ou seja, a influência do comportamento humano sobre o espaço ou lugar. Deste
modo os principais fundamentos da geografia são o Poder, o Território e o Estado.

Entretanto, a Geografia Política ao estudar tais elementos preocupa-se na organização


espacial das sociedades, por isso, tem poder qualquer pessoa ou entidade que consiga levar
terceiros a realizar, a agir e a pensar em função do seu interesse e vontade. Deste modo, é
possivel visualizar o poder através da organização dos espaços, portanto, o poder constitui
um dos principais fundamentos da geografia politica.

Território é o outro elemento utilizado para analisar e interpretar a sociedade e a sua


relação com a natureza. É uma importante condição de poder, e nele vigora determinadas
regras que são instituidas por aqueles que detêm o poder.

Definições da Geografia Política

Na realidade, cabe à Geografia Política a incumbência de examinar e interpretar os


modos de exercício de poder estatal na gestão dos aspectos territoriais das fontes e das
manifestações do poder em geral. "Geografia política é a política feita em decorrência das
condições geográficas" (BACKHEUSER apud SILVA et al, 2004, p. 28). A política equivale
à fixação de metas, à preparação e a aplicação do poder para sua conquista e manutenção.

Uma outra definição da geografia política é a de Demko e Wood (1999) em que eles
afirmam que “Geografia política é a análise de como os sistemas políticos e as estruturas dos
níveis locais aos internacionais influenciam e são influenciados pela distribuição dos
recursos, eventos, e grupos e pelas interacções entre as unidades políticas sub-nacionais,
nacionais e internacionais no mundo”. (DEMKO; WOOD, 1999, p. 4,)

O’LOUGHLIN (1994, p. 200), afirma que a Geografia política “é a parte da pesquisa


geográfica que examina a constituição territorial do poder político ¾ os recursos de poder,
as mudanças no poder e o uso do poder político nas relações com as localizações territoriais
e suas características ¾ e seu corolário, o molde das relações territoriais pela via do emprego
do poder político”.
1.3. A GEOGRAFIA POLÍTICA TRADICIONAL E AS PROPOSTAS TEÓRICAS
CLÁSSICAS DE SEUS AUTORES

Friedrich Ratzel (1844-1904)

Biografia do Autor

Friedrich Ratzel nasceu em Karlsruhe (na atual Alemanha), aos 30 de agosto de 1844
e faleceu em Ammerland aos 09 de agosto de 1904, vivendo, deste modo aproximadamente
60 anos.

Como destacou Palma ([200-]), ele tinha grande qualidade para várias actividades
tanto que como jornalista político, colaborou para um jornal. Em suas viagens pela Europa,
Estados Unidos, México e Cuba, interessou-se pela Geografia.

Friedrich Ratzel-(1844-1904): o Espaço Vital

Entre os teorizadores da Geografia Política destaca-se naturalmente Friedrich Ratzel


pelo seu papel preoponderante entre aqueles. Ele não só foi o primeiro Geopolítico moderno,
mas o primeiro a formular uma doutrina geopolitica de âmbito Global. Assim Ratzel é um
dos precursores (talvez o precursor) do que hoje se designa de Geografia Política. Por outro
lado, Ratzel destaca-se também como teorizador do “Poder Nacional”, porque as suas teorias
serviram de retaguarda ideológica ao carácter expansionista da politica nacional da Alemanha
do último quartel do século XIX.
Através das suas teorias, Ratzel explicou a cultura política em função do meio físico,
sistematizando o estudo das influências ambientais no poder nacional, estando na origem da
corrente determinista na Goegrafia Política.

Nas suas teorias, Ratzel defende:

- a existência de dois elementos básicos para a afirmação de um Estado territorial, a


saber: Espaço (Raum) e posição (Lage), sendo o espaço, caracterizado pela área total do
Estado, a sua extensão, as suas características físicas: o clima, o relevo, a forma , a
hidrografia, e a vegetação. Para Ratzel, o espaço é um dos factores determinantes do poder
do Estado, que permite qualifica-lo, sendo por isso a ambição máxima de um povo. Por outro
lado, a posição fornece as coordenadas de localização do Estado face aos outros, as suas
referências geográficas, os acidentes geográficos, fonecendo dados importantes como a sua
insularidade e continentalidade, permitindo criar e estudar o seu ratio. Para Ratzel, a posição
diferencia os povos em relação a sua maneira de estar, sendo assim um factor da história
humana.

A expansão como inevitável ao progresso, seja em consequência da exaustão do meio


pelo uso intensificado, seja em consequência da pressão demográfica. Assim a expansão,
segundo Ratzel, seria uma componente natural da história humana e produziria efeitos
diferentes conforme o estágio de desenvolvimento vivenciado pelas sociedades no momento
em que ocorria. Pois, o povo que progride expande, difundindo sobre as sociedades que
subjuga o germe civilizatório que impulsionou o seu acto. A isto Ratzel chamou de Raum
Seen (sentido de espaço) que, tambem explicou, pode manifestar-se de forma diferente nos
líderes e naqueles que têm que executar os projectos e ocupar os territórios recém-adquiridos.
Deste modo, o êxito na conquista e dominação do espaço depende da visão do domínio de
espaço por parte dos estadistas e da mobilidade e adaptabilidade do povo;

- o espaço vital como necessidade territorial de uma sociedade, tendo em vista o seu
equipamento tecnológico, a sua demografia e a disponibilidade de recursos naturais. Isto é, a
necessidade de uma relação de equilíbrio entre a população (comunidade) e os recursos
disponiveis , assim como a porção de território necessário à sua reprodução, ou seja, “à sua
realização como ser político”.
Em resumo, em 1895, foi publicado o que o mundo hoje conhece como os postulados
de Ratzel ou leis do Crescimento espacial do Estado, saber:

1- Lei no nível cultural: o espaço é factor primordial de poder, e a necessidade


de Espaço cresce com a cultura do Estado. Backheuser refere que a velociade de dilatação de
um Estado e a importância do seu tamanho é função do nível cultural da época.

2- Lei da penetração pacífica: o crescimento dos Estados segue outros sintomas


de desenvolvimento: ideias, produção comercial, actividade missionária, etc. esta lei
corresponde à ideia de que: a penetração pacífica será tanto mais frutuosa para o Estado
conquistador quanto menor o nível de cultura do país conquistado;

3- Lei da assimilação: o crescimento dos Estados processa-se pela amalgamação


e absorção de unidades menores, em regra umas após outras.

4- Lei do menor esforço: a fronteira é um orgão periférico do Estado e, como tal,


é o indício do crescimento da força e das modificações deste organismo. Para Otto Maull,
um dos fundadores da Escola de Geopolítica Alemã, referiu que a dilatação do espaço político
se processa de preferência pelas linhas de menor resistência, quer física, quer demográfica;

Em seu crescimento, os Estados tendem a absorver valiosos sectores politicos,


designadamente: litorais, leitos de rios, planícies, regiões ricas em recursos. Em Geografia
Política, Arthur Dix explica esta tendência pela aspiração de controlo total de uma bacia
higrográfica, obter uma saída ao mar, possuir vários acessos ao mar, controlo da margem
oposta, e o controlo das grandes rotas comerciais;

Ratzel dizia que “Neste pequeno planeta, só há espaço suficiente para um único
Estado”

Entre os anos de 1875 e 1886, Ratzel, com a grande interdisciplinaridade que possuía,
lecionou na Universidade de Munique com grande propriedade, basicamente porque em suas
viagens pôde coletar dados e informações que, ligadas às teorias acadêmicas, foram de grande
valia para a interligação de diversas situações propostas por ele. Posteriormente, transferiu-
se para a Universidade de Leipzig onde lecionou até falecer.
Ratzel foi um dos primeiros geógrafos a trabalhar com a questão do poder das
sociedades nas relações com seus espaços, portanto ele é reconhecido como o fundador da
Geografia Política. Foi um dos primeiros formuladores de um estudo geográfico dedicado às
discussões de problemas humanos, sendo fundamental no processo de sistematização da
Geografia moderna. Neste sentido, como disse Martins ([200-]), sempre foi preocupado em
entender a difusão dos povos na superfície terrestre e a influência que as condições naturais
exercem sobre a humanidade.

A preocupação nacionalista

Além das preocupações intelectuais, Ratzel buscava entender os destinos de sua


nação. Ratzel tinha um sentimento nacionalista bastante entusiástico tanto que lutou e foi
ferido na Guerra Franco-Prussiana, em 1870, pouco antes da unificação alemã.

Em 1871, vivenciou de modo muito claro o processo de unificação da Alemanha e


pensava que foi ele um processo mal-concluído. Isto se deve ao fato de não ter ocorrido um
processo revolucionário. Deste modo, a Alemanha sofria de um mal que pode ser resumido
em um Estado que era comandado pela Prússia (governo central), contudo, cada estado-
membro tinha poderes sobre sua forma de governo. Apesar de uma aparente autonomia, todos
os estados-membros eram subordinados ao imperador Guilherme I (1797-1888). Neste
sentido, as unidades alemãs compunham-se de “um leão, meia dúzia de raposas e uma vintena
de camundongos.” (LOWEL apud BURNS; LERNER; MEACHAM, 1999, p. 646). O leão,
representado pelo imperador, tinha que “acalmar” todos os ânimos dentro da “recém nascida”
Alemanha.

“A abrangente produção ratzeliana deixa transparecer a integração de fatos da


modernidade e do rápido desenvolvimento da sociedade no contexto da Alemanha que se
unificava” (MARTINS, [200-], p. 1).

Dentro do conceito nacionalista ratzeliano, um autor cujas idéias são bastante


discutidas até hoje, afirmou que “quanto pior um Estado é constituído tanto mais confusa e
incompreensível é a explicação da sua finalidade.” (HITLER, 2001, p. 295)
Como se pode perceber, Ratzel, como um nacionalista, buscava entender o que
acontecia na “sua” Alemanha, tanto que sugeriu que “uma política estatal correta é a de evitar
que as dissensões que ocorrem no interior da sociedade transformem em conflitos
geografizados.” (RATZEL, 1987, p. 66)

A necessidade do espaço, de expansão, é algo incontornável para o Estado, sendo


este, um conceito que não pode ser negado. “Ninguém jamais viu o Estado. Quem poderia,
no entanto, negar que ele seja uma realidade?” (BURDEAU, 1970, p.13 apud RAFFESTIN,
1993, p. 14).

A questão do Lebensraum (Espaço Vital) deve-se ao darwinismo social6 que Ratzel


buscou em sua obra. “Ele [Ratzel] considerou Lebensraum a região geográfica onde o
organismo desenvolve-se.” 7 (O’LOUGHLIN, 1994, p. 149, tradução nossa) Ele entende
que, como todos os seres vivos têm que possuir um lugar para morar, para se alimentar, os
Estados também têm essa necessidade. Karl Haushofer (1986) “considera o Lebensraum a
base da política externa e considera que toda a política externa alemã tinha a tarefa de
defender e expandir o Lebensraum alemão.” 8 (O’LOUGHLIN, 1994, p. 149, tradução
nossa). Adolf Hitler (2001) utilizou a política do Lebensraum para buscar o Pan-germanismo,
de modo posterior na década de 1930.

PAUL VIDAL DE LA BLACHE- PRINCÍPIOS DA GEOGRAFIA HUMANA

PAUL Vidal de La Blache (1845-1918)


É uma figura de grande importância para a constituição da geografia humana na
passagem do século XIX para o século XX. Sua obra de destaque para a geografia regional
francesa é Princípios de geografia humana, publicada postumamente em 1922, por Emannuel
de Martonne.

Na época de Paul Vidal de La Blache a geografia era encarada como auxiliar da


história. Por isso, a geografia lablachiana acaba criando tipologias próprias à geografia, em
vias de sistematização, e centra-se no estudo da relação entre o homem e o meio, temática
que até a atualidade permanece recorrente, além de retomar discussões em relação ao
conceito de região, que na geografia também permanece atual.

Entre os conceitos utilizados na obra, vários deles apresentam um viés que se inspira
na biologia e no evolucionismo, enquadrados em quatro ideias principais: “organismo, meio,
ação humana e gênero de vida” (GOMES, 1996, p. 198).

La Blache parte do “princípio da unidade terrestre”, obedecendo a leis gerais que se


encadeiam e se combinam de formas específicas em cada região do globo (p. 30). O meio,
por sua vez, seria “dotado de uma potência tal que pode agrupar, e manter juntamente, seres
heterogêneos em correlação recíproca” (p. 34). Dessa maneira, “Cada região representa um
domínio, onde se reuniram artificialmente seres díspares, que aí se adaptaram a uma vida em
comum” (p. 34). Diante dessas noções, emprestadas das ciências naturais, age sobre o meio
uma força adicional e influente, a ação humana, sendo que o homem é encarado como um
fator geográfico “ao mesmo tempo, activo e passivo” (p. 41).

É nessa relação com o meio que, historicamente, os grupos humanos se constituíram


enquanto gêneros de vida diferenciados ao longo do tempo, constituindo uma “herança” em
que cada grupo superou obstáculos e exigências específicas.

Por isso, insere-se a noção de contingência: “Os gêneros de vida atuais são, portanto,
resultados contingentes dos gêneros de vida anteriores, ao longo de uma cadeia contínua,
regida não por uma ideia de necessidade, mas somente de possibilidade” (GOMES, 1996, p.
205). Cada grupo desenvolveu uma forma específica de relação com o meio, mediante várias
influências físicas, históricas e sociais. Isso insere ao conceito de gênero de vida um caráter
de singularidade.
A herança de cada grupo enquadra-se na luta para superar os obstáculos da natureza
e na criatividade para controlá-la e transformá-la. É assim que cada gênero de vida adquire
uma feição específica, que relaciona as características do meio às técnicas utilizadas nos
transportes, na construção de casas, na alimentação, no vestuário etc. Nesse sentido, La
Blache busca compreender como os gêneros de vida se articulam num todo, que constitui a
civilização em suas várias etapas.

É dessa forma que o conceito de gênero de vida passa a embasar a análise da


espacialização das sociedades, mediante a ideia de graus de civilização. Nessa concepção, a
obra Princípios de geografia humana reporta, inicialmente, aos povos ditos primitivos. Por
isso, a primeira parte da obra é dedicada à explicação da distribuição dos homens na
superfície terrestre mediante a “evolução” dos povos. La Blache apresenta também, nesse
momento, uma preocupação com a epistemologia da geografia, explicando a noção de região
tendo como foco a importância da ação humana, sendo que “o elemento humano é essencial
em toda a Geografia” (p. 27). Com o fator humano e as singularidades dos lugares é que La
Blache procura explicar a distribuição dos gêneros de vida pelo globo. Para isso, cita mestres
e filósofos, como Humboldt, K. Ritter, F. Ratzel, Aristóteles, Heráclito e Ptolomeu,
entendendo a Terra como um organismo, explicável a partir da formulação de leis gerais (p.
30).

A segunda parte da obra trata das diferenças e semelhanças das formas de civilização
pelo globo. Há uma análise histórica dos gêneros de vida chamados por La Blache de
“grandes aglomerações humanas”, como o Egito, a China e a Índia (p. 87). Já a terceira parte
insere a análise sobre o Mediterrâneo e a Europa, voltando-se à circulação, à construção de
estradas e às transformações modernas na paisagem pelo desenvolvimento e inovação dos
meios de transporte, sempre com uma visão evolucionista.

A argumentação inicial da obra é interligada às suas conclusões. Primeiramente, La


Blache se pergunta por que há áreas povoadas e outras não. Sua resposta leva em conta que
algumas regiões foram mais propensas à vida, localizadas ao longo de cursos de rios,
inicialmente na África e na Ásia (p. 87). Dessa forma, se as regiões áridas ou muito frias
foram ocupadas éporque houve uma intensa pressão pelos recursos em áreas mais férteis,
impulsionando emigrações (p. 88).
Assim, a distribuição dos gêneros de vida pela superfície terrestre tem como base
ideias evolucionistas, com povos que se dispersam pela competição em relação aos recursos.
Nessa dispersão, ocorreriam isolamentos responsáveis pela diferenciação dos gêneros de
vida. Ideia semelhante é proposta por Darwin (2004), referindo-se às modificações e
formações das espécies a partir da importância dos isolamentos: “o isolamento oferece a uma
nova variedade o tempo necessário para se aperfeiçoar lentamente, sendo isso, ponto
importante” (DARWIN, 2004, p. 114-115).

Desse modo, para La Blache, a distribuição dos homens no globo ocorreria por uma
progressão descontínua, produzindo isolamentos. A partir da aglomeração de núcleos
humanos ao longo do curso de rios ocorreu uma separação por obstáculos, como montanhas.

Em sua obra, o autor considera que “é preciso conceber grandes espaços


habitualmente vazios, vastas zonas de isolamento” (p. 365). Nesse isolamento, em sua
relação com o meio, o homem teria engendrado seu modo de vida, levando à criação de
técnicas capazes de transformar o ambiente (p. 40). Analisados a partir de ideias
evolucionistas, esses isolamentos levaram à formação de “raças” que, em vários casos, não
cessam de modificar-se.

Origens das principais diversidades de raças escapam- -nos [...] Mas


[...] muito fatos advertem-nos de que a matéria humana conserva sua
plasticidade e que, incessantemente modelada pelas influências do
meio, é capaz de prestar-se a combinações e formas novas. O trabalho
da formação de raças está sempre a fazer-se (p. 373).

Nessa análise, muito próxima ao darwinismo, quando um grupo desloca-se para outra
região, “pela necessidade ou pela força”, traz consigo seu gênero de vida. “Poderá conservá-
lo, se o novo habitat for semelhante ao antigo. Mas pode verificar-se incompatibilidade entre
os seus hábitos e o meio onde ele se estabelece. Novos usos impõem-se” (SORRE, 1984, p.
107).

Segundo essa ideia, a construção de casas, por exemplo, ocorreria com materiais que
as aglomerações humanas tinham ao seu alcance. Clima e solo determinariam o uso
preponderante da madeira, terra ou pedra. Esses materiais, concomitantemente, também
guiariam a mão do homem. Como exemplo, o autor diz que no Japão utilizou-se a madeira,
pois havia muitas coníferas. Já nas zonas áridas havia terra argilosa, possibilitando a
fabricação de tijolos (p. 215-216).

Apesar da possibilidade que o meio oferece de mudanças e “evoluções” a um gênero


de vida, La Blache argumenta que a formação dos isolamentos, porém, pode trazer
estagnação.

A série de esforços pelos quais o homem [...] assegurou sua existência parece ter
estimulado a inteligência em determinado sentido, de que não mais se desviou. Chega um
momento em que esses esforços param; e se nada de novo vem solicitar a actividade, esta
adormece sobre os resultados adquiridos. Um período de estagnação sucede a períodos de
progresso, tal como aconteceu na China e noutras partes (p. 277).

Em alguns casos, então, a população ficaria estagnada em seus hábitos,


assemelhando-se às sociedades animais por serem presas, historicamente, à mesma forma de
interação com o meio (p. 80-84). Dessa maneira, a circulação e o contato com outros povos
seriam fundamentais, trazendo um estímulo ao progresso das civilizações.

Em acréscimo, segundo o autor o meio europeu teria sido muito mais exigente, por
isso a população que lá vive fez um povoamento original, concentrando a principal massa da
humanidade, capaz de uma “evolução” mais complexa, constituindo-se, desde tempos
antigos, num centro difusor de inovações (p. 374).

Algo a ressaltar é que Paul Vidal de La Blache, embora concentre sua análise muitas
vezes nos gêneros de vida cristalizados numa paisagem rural, fisionomia em que se notam as
permanências, é sensível também às mudanças de sua época, notando o aperfeiçoamento dos
meios de transporte e das vias de circulação.

Por fim, La Blache coloca as cidades como o testemunho de civilizações num estágio
mais avançado, “que certas regiões não atingiram que, possivelmente, não atingirão nunca
por si mesmas” (p. 280). No contexto da época há um otimismo quanto às maiores
possibilidades desse intercâmbio. “O movimento e a vida aceleram-se constantemente. Uma
atração mais forte [...] provocou entre as diferentes regiões da terra uma fermentação que
anteriormente não teria sido possível” (p. 361).

Para La Blache a cidade de Paris despontaria com um crescimento harmonioso que


deixa visível uma “unidade urbana mais ou menos perfeita” (p. 384). É nesse ponto que as
monografias regionais de Paul Vidal de La Blache acabam ocupando-se de novas questões
colocadas, como a circulação, que serão continuadas por seus discípulos com a produção de
monografias urbanas, inclusive no Brasil. Dentro dessa ótica, as crenças no progresso e nas
conquistas da civilização exprimem, na visão de La Blache, que “as modificações operadas
pela ciência são as mais rápidas: a utopia de ontem é a realidade de amanhã” (p. 361).

Paul Vidal de La Blache, como as referências ao positivismo e a crença no progresso,


ao mesmo tempo em que posturas historicistas, que valorizam a liberdade humana e a
singularidade de cada cultura, entram em foco. Podemos, então, citar Gomes (1996, p. 222),
colocando a obra de Paul Vidal de La Blache como “Nem moderna, nem tradicional”, pois
ela “incorpora a perpetuidade relativa das grandes referências de um passado, em que se pode
encontrar tantas maneiras de interpretar, quanto os pontos de vista daqueles que a
examinam”.

NA ORIGEM DA GEOPOLÍTICA: RUDOLF KJELLÉN

Rudolf Kjellén (1864-1922)


Rudolf Johan Kjellén- (1864-1922): O Organicismo

Rudolf Kjellén é aceite como sendo o criador do termo “Geopolítica”, embora não
haja acordo em relação à data em que o mesmo foi pela primeira vez utilizado, variando,
segundo os autores, entre o ano de 1899 e o ano 1900.

O Estado, notou Kjellen, apresentam-se uns para os outros tal como os seres vivos
que coabitam em sociedade, mantendo boas relações ou hostilizando-se, auxiliando-se ou
destruindo-se. De igual modo, tal como os seres vivos, os Estados têm carácter, sentimentos,
interesses, objectivos e comportamentos próprios.

Kjellen (1905) concluiu que os Estados são formas de vida, sendo por isso apontado
como organicista, ao reconhecer nas potências da sua época “fenomenos biológicos latu
sensu”, pois, valendo-se das próprias forças e beneficiadas por determinadas circunstâncias,
“vivem em permanente competição, lutando pela existência e estabelecendo, de modo claro,
uma selecção natural, os Estados vivem de facto sobre a terra, pois, vêmo-los nascerem,
crescerem, entrarem em decadência e morrerem” .

Em o “Estado como forma de vida” Kjellen defendeu que o Estado age por impulso
orgânico e manifesta o seu poder mais nas relações externas que interna, suportando melhor
a perda de vidas humanas do que a perda de território, porque possui um núcleo territorial
fixo- o país-do qual não se pode separar ou desligar, sob pena de sucumbir. O Estado “é
Direito por dentro” isto é, necessita de uma organização e disciplina interna, onde predomina
o aspecto jurídico; e “força por fora”, ou seja, recorre à força para defender interesses vitais,
embora reconheça o Direito Internacional como lei geral. De igual modo defendeu que o
Estado, enquanto “indivíduo geográfico”, prevalece sobre a “naçã”- “indíviduo étnico”-
sendo este a sua morada; o Estado “joga um super jogo num super tabuleiro com os outros
Estados (super–seres), sofre, tem tendências para a procriação, sendo colonias os seus filhos.”

Partindo dos 5 elemntos que considera serem formadores do Estado, a saber :


Território, Povo, Economia, Sociedade e Governo, Kjellen sistematizou a Política em 5
ramos diferentes.

1- GEOPOLÍTICA: cujo objecto de investigação é o território com organização política.


2- DEMOPOLÍTICA: que tem por objecto de estudo o povo e as raças, nas suas relações
políticas como nação e não como elemento etnográfico;

3- ECOPOLÍTICA: que estuda a actividade económica, isto é, como a nação trabalha.


Este é um processo diferente da Economia Política ou da Geografia Política, embora muito
proximo da última.

4- SOCIOPOLÍTICA: cujo objecto de investigação é a sociedade dentro da nação;

5- CRATOPOLÍTICA: que estuda as questões de governo e de administração,


designadamente as questões relativas ao regime político e as manifestações de soberania.

De igual modo, Kjellen subdividiu a Geopolítica em Topolítica, Morfopolítica e


Fisiopolítica, tratando cada uma delas, respectivamente, da posição geográfica (lage) do
Espaço (Raum) ocupado pelo Estado; dos recursos naturais exploráveis no território sob
domínio do Estado.

A teoria de Kjellen, enunciada através dos seus postulados, pode basicamente


resumir-se no seguinte:

- Um Estado, como qualquer organismo biológico, tem o direito natural à procriação,


ao desenvolvimento e à expansão que as leis da evolução natural determinarem e que a sua
própria força puder assegurar. “… quanto maior o desenvolvimento dos grandes Estados,
menor a importância dos pequenos Estados”;

-Por necessidade de sobrevivência, um Estado tem de preferir aos princípios da moral,


as manifestações brutais da força necessária para assegurar a sua sobrevivência.

Uma vez que Kjellen aprecia o Estado como um organismo vivo, considera-se aqui
que «na decisão de cada homem, a acção também aparece subordinada a uma antinomia
fundamental, que é a que se verifica entre a “moral responsabliadade” e a “moral de
convicção”». No primeiro caso, «conforme a regra de que os fins justificam os meios, Weber
deu como exemplo o homem que, segundo Maquiavel, perdeu a alma para salvar a cidade».
No que se refere a “moral de convicção”, o homem recusa sacrificar os valores essenciais,
sejam quais forem as consequências, e perde a cidade para salvar a alma. Weber, como
exemplo, citou o dito de Lutero: “Eis a minha posição, e não posso proceder de outra maneira.

1.4. A RELAÇÃO ENTRE GEOGRAFIA POLITICA E GEOPOLITICA

Muitos confundem a Geopolitica com a Goegrafia Politica: assim uma das definições
de Geopolitica é a de se constituir na Geografia Política com vistas no futuro. No entanto,
para diferenciar uma da outra podemos dizer que a Geografia Politica é como a fotografia,
portanto, estática, enquanto a Geopolítica é como o Filme, tem movimento e é dinamica
(Therezzinha de Castro, 1986: 28).

A propósito da distinção entre Geografia Politica e Geopolitica, o professor Sousa


Lara (1981, p.3-19) apresenta três criterios, segundo ele, a primeira seria claraemente uma
ciencia descritiva, enquanto a segunda teria uma forte vocação programática.

A Geografia Política seria predominantemente sincronica, isto é, tenderia a


limitar as suas análises a um determinado segmento temporal. Enquanto que a
Geopolítica seria por essencia diacronica, isto é, analisando os acontecimentos segundo
o vector tempo, do passado para o futuro.

Finalmente, a primeira, apesar de fazer apelo a conhecimento de outras disciplinas,


seria antes demais, uma divisão da geografia enquanto a segunda seria muito mais
pluridisciplinar.

Ladis Kristoff afirma que a única diferença real entre as disciplinas está na enfâse, no
foco da atenção. A Geografia Politica tende a focar a sua atenção nos fenomenos
geográficos. A Geopolitica, pelo contrario, tende a focar-se nos fenomenos politicos e
tenta dar uma interpretação geográfica e estudar os aspectos geográficos destes
fenômenos10. Os factores fundamentais da Geopolítica são o espaço, o tempo, e o poder.

10
LADIS KRISTOFF, citado por RAÚL FRAÇOIS MARTINS, Geopolitica e Geostratégia: O que são e para que
servem, in Nação e Defesa, p. 34
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