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APRESENTAÇÃO

Na presença do Senhor nada se encobre.

Muitas vezes as pessoas não sabem o que as move a agir, pensando estar bem,
mas verdadeiramente suas motivações encobertas são bem diferentes.
Muitos de nós falamos em salvar almas, em dedicar a vida a Deus, porém: no homem
interior pensamos em obter poder fama etc. Mas: existem pessoas realmente diferentes
que têm o propósito de se dedicar, e se deixar gastar em favor da obra de Deus e em favor
das almas perdidas; aliás, a principal característica de quem é convertido ao evangelho de
Cristo Jesus é a capacidade de servir.

Por isto que, com muita alegria, vos apresento Edna Mayo, esta autora dedicada à
obra de Deus, que coloca em nossas mãos esta obra “Deus Fala”, que tem a finalidade de
abrir os olhos daqueles que estão enganados por espíritos malignos. Aqueles que muitas
vezes pensando em fazer o bem, são enganados e enganam a muitos, por não
conhecerem a Jesus Cristo, Autor e Consumador da fé.
Edna Mayo teve muitas experiências profissionais, trabalhando no Rádio e na
Televisão, comandando programas infantis; também é dubladora de filmes famosos bem
como minisséries.

No espiritismo, teve experiências terríveis com demônios, sendo escravizada por


esses, mas no ano de 2003, já cansada e sem objetivos na vida, compareceu a uma de
nossas reuniões, na Primeira Igreja Presbiteriana Renovada de Contagem / Minas Gerais -
Brasil, onde a luz de Cristo brilhou em sua vida, teve um encontro com Deus, convertendo-
se ao evangelho de Cristo Jesus. E como prova de uma verdadeira conversão passou a
dedicar-se inteiramente à obra de Deus, em especial ao Ministério de louvor, gravando um
CD, que tem sido benção na vida de milhares de pessoas.

E agora nos presenteia com esta grande obra que contém seu testemunhos e as
experiências passadas que, sem dúvidas, fará diferença na vida de seus leitores, haja vista
que a autora expõe com muita propriedade a bondade de Deus Pai, Deus Filho e Deus
Espírito Santo, bem como a vida enganosa que o mundo oferece.
Este livro sem dúvida edificará a vida daqueles que apreciam uma boa leitura.
No amor de Cristo Jesus, na confiança da vida eterna.

Pastor Elzi Gomes Fialho.


DEDICATÓRIA

Dedico este livro a você que está lendo estas primeiras palavras e espero que
continue lendo até o final e que Deus te ilumine durante todo o período desta leitura porque
este livro foi escrito pra você.

Dedico também à minha filha Claudia e seu marido Victor Powell pela capa deste livro
que ele fez com muito carinho e paciência com o apoio dela; aos meus irmãos e também
aos meus pais que me criaram dentro do evangelho do Nosso Senhor Jesus Cristo e que já
partiram para a glória do Senhor.
PREFÁCIO

Eu não sabia que “estava escalada pelos céus” para revisar este livro. Mas estava.
Como escritora, sei do trabalho que dá para produzir uma obra literária. Do empenho, da
quantidade de vida que é derramada em cada livro.
Eu e a Edna temos isso em comum: Somos locutoras e escritoras. Trabalhamos em
algumas emissoras de Rádio em comum, no Rio de Janeiro, mas em épocas diferentes.
Ela, com mais tempo de profissão que eu. Eu já tinha ouvido falar dela, mas ela não me
conhecia no meio; afinal, a Edna foi há muitos anos para a América – como você poderá
constatar na leitura da presente obra.
Me deixa abrir um parênteses aqui. Amigos, vocês não têm ideia de quantas
solicitações um escritor recebe, para escrever um livro para alguém, ou para ajudar a
colocar as ideias no formato livro, ou para ser um ghost writer, enfim! E se nós formos
atender a todos que desejam registrar sua vida num livro, não faremos outra coisa na vida.
Até que para alguns pode ser uma boa opção profissional. Bem, mas não é o meu caso.
Até hoje, só me senti motivada espiritualmente, a escrever o livro de um irmão, em 2013,
um livro testemunhal – como a presente obra.
Desta vez, não foi diferente. Assim que a Edna me fez a proposta de revisar os
originais deste livro, senti, na hora, que deveria aceitar mais essa missão. Era de Deus.
Este livro tem “algo diferente”. Há uma Mão sobre ele: A Mão de Deus, que me
moveu para esta tarefa. Você sentirá, também, uma forte unção, uma forte Presença, que
te impulsionará a ler até o fim.
Gostosa. Sim, é uma leitura gostosa, fácil, que, logo de cara, me prendeu a atenção.
Fazendo uma crítica literária, a sua maneira de escrever é fascinante; uma narrativa
envolvente, que faz com que passemos de um capítulo a outro sem sentir, querendo mais.
A Edna que passei a conhecer melhor, me surpreendeu com tantas e diversificadas
experiências profissionais – fiquei sua admiradora. Dubladora, Locutora, Apresentadora,
Atriz, Radialista, Escritora, Compositora, Cantora, puxa! Quantos talentos!
Mas assim como eu, que vim do meio artístico também, para o Evangelho de Jesus
Cristo, eu entendo como essa quebra de paradigma mexeu com a estrutura da Edna Mayo.
Acostumada com uma maneira de viver, na qual, somos, em muitas ocasiões, o “centro das
atenções” de nossos fãs e conhecidos, agora, na nova vida em Cristo, temos que nos
despojar deste velho homem, e permitir que Cristo seja o centro da nossa existência. Não é
fácil. Temos que ser refeitos, desfeitos, reconstruídos. Isso dói. Mas tem recompensas
eternas. E a Edna narra com bastante e ricos detalhes o transcorrer desta caminhada.
São histórias da vida real, da sua vida, que você tomará conhecimento ao ler este
livro. Você perceberá que algumas “Ednas” narram sua história, em momentos diferentes
da narrativa. A “menina” Edna nos emociona, quando nos conta como foi difícil o período
em que deixou a brincadeira no grande quintal de sua casa, rodeada de pés de várias
frutas, com um rio, aonde nadavam, logo ali, no final desse quintal, para ser internada em
um colégio frio e austero; ou quando conta sobre como gostava de ver seus irmãos
brincando com seu pai, quando este chegava do trabalho, trocava de roupa, e ia para a rua,
jogar bola com os garotos.
Bem, amigo (a), neste livro, você vai conhecer uma pessoa real, de carne, osso, e
sangue humano correndo nas veias, que foi transformada pelo mesmo poder que
ressuscitou a Jesus Cristo dos mortos. E eu desejo de todo o coração que você seja
envolvido (a) por esta missão como eu fui. Que Deus te abençoe.
E que Deus te abençoe, Edna querida, nessa nova etapa missionária de sua vida
cristã. Ganhe muitas almas para Jesus, minha irmã! Fique na Paz do Senhor Jesus Cristo.

Mônica Sampaio de Melo


Missionária
Youtube.com/monicasampaioDEPENDAdeDEUS

Facebook.com/monica.sampaio1
PRIMEIRAS PALAVRAS

Amados, eu escrevi este livro no ano de 2006 porém durante muito tempo fiquei
esperando o Senhor liberar a edição do mesmo porque foi Ele justamente quem me disse
pra dar meu testemunho e também usou duas pessoas pra me falarem a mesma coisa.

Anos depois mais precisamente em 2009 fiquei conhecendo uma pessoa pela internet
e Deus me mostrava ela pra revisar o livro pra mim porque ela havia passado pelas
mesmas situações que eu passei. Mônica Sampaio de Melo, missionária, radialista e
autora. Entrei em contato com ela mas ela sempre dizia que estava ocupada e eu fui
guardando em uma pasta nossas conversas pelo e-mail.

Aí surgiu o Facebook, glória a Deus pelo fundador Mark Zuckerberg e minha amizade
com ela começou a crescer enquanto eu aguardava o momento exato pra Deus liberar
minha conversa final com ela. Enquanto isso, de vez em quando eu dava uma namoradinha
no livro e mexia um pouco nele tirando algumas coisas e acrescentando outras. E eu
sempre dizia: “Deus, tá demorando”. Mas foi bom demorar porque eu fiz novas amizades e
com isso, meu testemunho pode servir para alcançar mais vidas pois é assim que Deus
quer.

Na manhã do dia 1 de Novembro de 2016 eu recebi de Deus a confirmação e liguei


pra ela imediatamente. Quando ouvi sua voz comecei a ficar emocionada e chorando eu
disse: “Se você não me ajudar esse livro não será lançado porque Deus me mostrou você
há muitos anos atrás”. Ela deve ter levado um baita susto mas aceitou, graças a Deus.

Quando escrevi este livro minha mãe ainda estava viva mas agora ela já partiu para o
Senhor e quero deixar aqui um testemunho sobre a partida dela e sei que vai emocionar a
você tanto quanto me emocionou e ainda me emociono sempre que me lembro desta
notícia que minha irmã Ruth me deu.

No final do mês de Janeiro de 2010 eu vim passar trinta dias de férias em Miami a fim
de visitar minha filha e meu genro. E ela queria me trazer de volta mas eu não queria
porque eu já tinha me convertido, tinha obrigações de voluntariado na igreja e tinha feito
muitas amizades também. Mas ela insistiu e poucos dias antes de minha viagem de volta
ao Brasil ou seja, no final de Fevereiro, ela me levou a dois estúdios de dublagem onde eu
já havia trabalhado e os diretores disseram que tinha trabalho pra mim. Um deles disse que
eu tinha dez dias pra vir ao Brasil pegar minhas coisas e voltar. E assim eu fiz. Quando me
despedi da mamãe no dia 10 de Março ela me deu um sorriso muito gostoso e eu disse a
ela que queria um abraço bem gostoso também porque aquele seria nossa despedida
definitiva e eu tinha certeza que não mais voltaria a vê-la.

Mamãe partiu deste mundo no dia 6 de Abril e eu me lembrei das palavras que havia
dito a ela e chorei muito. No dia 9 liguei pra Ruth para dar os parabéns pelo seu aniversário
e eu fiquei um pouco receosa porque ainda estava bem perto da partida da mamãe, mas
ela me deu uma notícia que me deu alívio e refrigério.

No dia em que mamãe partiu ela chegou ao final da tarde ao hospital pra passar a
noite com a mamãe como de costume e o médico pediu a ela pra ir buscar um copo de
água pra ele. Enquanto ela narrava um turbilhão de perguntas se passavam em minha
mente eu pensava: “Eu, hein, porque o médico não bebeu água antes de entrar naquele
quarto? Porque ele não pediu a enfermeira? Porque ele não esperou até terminar de
examinar a mamãe”? E todas estas perguntas passaram pela minha cabeça como um
relâmpago, mas Deus sabe o motivo. E ela continuou dizendo que quando voltou com a
água para o quarto a mamãe já tinha partido, e o médico disse que naquele exato momento
entrou uma luz intensa vindo de cima do teto daquele ambiente e a mamãe deu seu último
suspiro. Mamãe partiu tranquila para os braços do Pai. A moça que acompanhava a mulher
que estava na cama ao lado da mamãe confirmou essa luz dizendo que o quarto ficou tão
iluminado que ela ficou encantada com o que viu. Fiquei maravilhada ao saber que a glória
do Senhor estava ali e mamãe partiu para a eternidade com Deus.

Quão maravilhoso é o nosso Deus! Ele tocou naquele médico, tenho certeza. Deus
tirou a Ruth no momento exato porque caso contrário ela poderia começar a chorar e tocar
na mamãe, talvez gritar e atrapalhar o mover do Senhor naquele momento. Fiquei
maravilhada com o que ela me contou e desisti de chorar porque eu sei onde minha mãe
está. Até o médico teve o privilégio de ver a luz do Senhor! E que testemunho para minha
família, principalmente para minha irmã Ruth! Agora mais que nunca temos certeza da
Glória do Senhor em nossas vidas. Amém!

Amados, tenham uma boa leitura e tenham em mente que o que está escrito neste
livro foi inspirado por Deus. Aqui não tem nada de mim mesma e minha intenção apenas é
para que você abra os olhos antes da volta de Jesus Cristo porque Ele em breve voltará
para buscar os seus e eu quero te ver no céu, na eternidade com Ele. Eu oro ao Senhor
que te dê sabedoria e discernimento da Sua Palavra. Que Ele seja o centro de sua vida.

Na Paz do Senhor.

Edna Mayo
Introdução

Aprendi que:

“E assim, se alguém está em Cristo, nova criatura é, as coisas antigas já passaram, eis
que tudo se fez novo”. l Co 5,17

Deus fala comigo o tempo todo. Seja em oração, na leitura da bíblia, em uma
conversa com alguém, em um programa na televisão, enfim, o tempo todo Ele fala comigo.

Há pouco tempo atrás, para ser mais exata em abril do ano de 2006 em uma
madrugada que poderia ser uma madrugada qualquer mas não foi, acordei com a sensação
de que Ele mesmo, o meu Deus estava falando comigo estas palavras: “Quem tem ouvidos,
ouça”. Estas palavras são encontradas no livro do Apocalipse, o último livro do Novo
Testamento da bíblia sagrada, escrito pelo apóstolo João em revelação de Jesus Cristo
através do anjo. Não foi sonho, eu tenho a nítida certeza de que estas palavras me foram
ditas, sopradas em meus ouvidos. Fiquei muito tempo meditando nelas e tentando decifrar
qual seria a mensagem que Deus teria a me dizer através destas palavras.

Adormeci novamente e tive um sono muito tranquilo. Nos dias que se seguiram, eu,
já que Deus me deu o dom de compor, tentei fazer uma música cujos versos teriam as
palavras que eu ouvira naquela noite mas no íntimo eu sabia que não era essa a
mensagem pois minhas músicas Ele sempre me dava e eu não precisava me sentar em
algum lugar com papel e lápis na mão esperando a inspiração acontecer. Quando Deus
queria me dar uma canção ele me dava tudo completo. E muitas vezes com os arranjos
prontos, como aconteceu com as músicas Espírito Santo e Ressurreição.

Santo Espírito

Santo Espírito! Santo Espírito!


Santo! Santo!
Santo Espírito! Santo Espírito!
Santo! Santo!

Espírito! Espírito Santo!


Santo Espírito! Que nos renovou!
Espírito! Divino Espírito
Espírito Divino! Venha sobre nós!

Espírito Santo! Precioso Espírito!


Como propriedade de Deus nos selou!
Venha! Espírito Santo!
Com misericórdia! Opera em nós!

Espírito Santo nos trás alegria


De noite e de dia, e nos faz compreender
Que o teu amor é puro. É justo, é sagrado
Só tu nos convence de nosso pecado

(este louvor e Ressurreição foram gravadas no primeiro CD com algumas pessoas da


igreja e não no meu CD solo, infelizmente).

E assim o tempo foi passando mas eu não me esquecia da mensagem do Senhor e


esperava que Ele me desse a revelação a qualquer momento. Alguns dias depois Deus
usou uma mulher, missionária e profeta amiga minha, que me ligou dizendo que estava
estendendo roupas no varal quando Deus tocou no coração dela pra falar comigo. Ela
obedeceu. Parou tudo e imediatamente me telefonou. Conversamos ligeiramente e depois
ela fez uma oração de despedida porque teria que continuar com a sua tarefa. Quando a
oração terminou, ela me perguntou se eu estava pensando em escrever um livro. Achei
interessante aquela pergunta pois a ideia de escrever um livro com relatos sobre a minha
conversão já havia passado em minha mente mas devido a outros compromissos me
esqueci do assunto, ou melhor, deixei o assunto para o segundo plano. E então ela disse
que Deus havia revelado a ela naquele momento de oração que eu escreveria um livro.

Aquela revelação muito me emocionou pois eu havia escrito um livro no ano de 1997.
Só que o livro que eu havia escrito não era um livro para Deus e nem falava das coisas de
Deus pois eu ainda não era convertida não tinha ainda voltado ao primeiro amor, não tinha
me batizado nem aceitado Jesus Cristo como meu Salvador e meu Senhor, dono absoluto
do meu coração e da minha vontade.

Aquele livro que eu havia escrito fala de coisas que não existem, coisas irreais que o
"inimigo" coloca sutilmente na cabeça da gente e por não conhecermos a palavra de Deus,
acreditamos naquelas experiências e práticas pelas quais passamos durante um período de
ignorância espiritual em nossas vidas. Bem diz a Palavra do Senhor:

“O meu povo tem sido destruído porque lhe falta o conhecimento”. - Oséias 4.6

Fiquei maravilhada com aquela revelação através da missionária. Deus é realmente


um Deus maravilhoso. Ele tem feito tantas maravilhas em minha vida, tem falado tantas
coisas bonitas comigo que fico até me perguntando se eu realmente mereço tanto carinho e
tanto amor, uma vez que nasci em um lar evangélico e me desviei dos seus ensinamentos.

Quero te dizer que durante trinta e oito anos de minha existência eu andei afastada
de Deus, no deserto, me dedicando a outros deuses, escrevendo poesias que não me
edificavam e que inclusive uma delas foi colocada em um livro num concurso de poesias
Américanas em que poetas amadores de todos os estados participaram. Escrevi também
um livro cujo título é “As Vidas Que Vivi” falando sobre “falsas” regressões às vidas
passadas. Digo falsas porque tais práticas, consultas aos mortos, são abominações ao
Senhor; segundo o livro de Deuteronômio, capítulo 18 versículos de 9 a 12 em que Ele diz
estas palavras a Moisés para que fossem repetidas ao povo de Israel que saiu do Egito
depois de 400 anos sofrendo como escravos naquela terra. Para quem quiser confirmar na
Palavra do Senhor, aí está : “Quando entrares na terra que o Senhor, teu Deus te der, não
aprenderás a fazer conforme as abominações daqueles povos. Não se achará entre ti quem
faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem
agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem necromante, nem mágico, nem quem
consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor; e por estas
abominações o teu Deus os lança de diante de ti”. Até então eu não sabia o que era
“abominação” a Deus. Na verdade eu não conhecia Deus.

Quando desliguei o telefone me prostrei de joelhos e mais apaixonada ainda por


Deus, agradeci a Ele e chorei de felicidade me sentindo abençoada com o que eu havia
acabado de ouvir. Deus falou para eu escrever um livro! Que maravilha! Que Pai
maravilhoso é esse que eu tenho! Aleluia!

Duas semanas se passaram e eu estava somente com o projeto em minha mente,


nem havia feito um esboço nem me sentado em frente ao computador para fazer um
rascunho do que eu haveria de escrever. Somente comecei a formatar os textos em minha
mente. Porém, numa tarde, após um culto na 1ª Igreja Presbiteriana Renovada de
Contagem onde me converti, o pastor Elzi Fialho pastor presidente desta igreja que já tinha
lido o meu livro me disse: “Preciso falar com você”, mas como muitas pessoas necessitam
de aconselhamentos com o pastor após o culto fui esperando pacientemente a minha vez.
Porém o tempo foi passando e como eu ainda tinha um compromisso, escrevi o número do
meu telefone e coloquei na mesa dele dizendo para a sua esposa que eu não poderia
esperar.
Quando ele me ligou mais tarde o que ouvi do outro lado da linha foi a confirmação
das palavras da missionária. Ele disse: “Você já pensou em escrever um livro contando
suas experiências com Deus? Você precisa dar o seu testemunho”. Quando ouvi tais
palavras eu quase não acreditei. Foi uma mistura de susto e emoção ao mesmo tempo.
Como ele poderia saber disso? Deus não é simplesmente maravilhoso? Diante de tais
revelações meus queridos irmãos e amigos, sei que a partir de agora tenho uma
responsabilidade muito grande em minha vida e um compromisso com Deus, claro. É
necessário que eu revele a vocês as minhas experiências do passado, como foi a minha
vida antes e o que é a minha vida após meu encontro com Deus, o Deus Verdadeiro, o
único, pois não há outro e nem haverá jamais. Aleluia!

Pela lógica, todo ser humano conhece a Deus. Seja em alguma leitura, ouvindo
alguma canção gospel ou mesmo de amor, seja ao olhar para a natureza; as árvores, o
céu, o mar, as nuvens, nos ventos, nas aves voando em seu esplendor e na beleza das
flores, na inteligência dos animais… eu poderia dar muitas outras provas da existência de
Deus. Todo homem conhece a Deus, todo homem sabe que há um Deus Todo-Poderoso,
mesmo aquele que diz que Ele não existe e até “tenta” provar que Ele não existe. Ora, se o
que tenta provar que algo não existe é porque tem certeza de que aquilo existe, não é?
Mas o homem não tem condição de conhecer a Deus completamente, em sua totalidade.
Durante algum tempo o homem esteve com Deus, teve comunhão com Ele, batia papo com
Ele todas as tardes no Jardim do Éden, porém, devido ao pecado o homem se afastou de
Deus e todos nós também nos tornamos pecadores, mas Jesus veio a este mundo para
nos justificar porque não há um só, que não peque, como diz a palavra do Senhor. “Se
dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em
nós. Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e
nos purificar de toda a injustiça. Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a
sua palavra não está em nós”. 1 João 1:8-10.

A justificativa de Sua existência está firmada também no livro dos Salmos de Davi
que declara a excelência da criação e da palavra de Deus, no capítulo 19 versículo 1 que
diz: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas
mãos”. Eu mesma recebi de Deus uma canção linda poucos dias depois de minha
conversão, quando estava lendo esta passagem maravilhosa no livro de Davi. O universo é
um efeito que exige uma causa adequada, e a única causa suficiente é Deus. É importante
saber que Deus se manifesta ao homem para completar a revelação por meio da natureza
e da razão. Você somente precisa ler uma passagem linda em que Deus teve um diálogo
com Jó quase no final de seu livro e aí você vai entender sua importância e seu poder. Para
você que não é crente em Jesus, que ainda não entregou sua vida a Ele será difícil
entender, mas Deus fala com o homem, assim como Ele falou comigo, com muitos profetas
da bíblia e ainda fala com seus profetas e os seus escolhidos nos dias de hoje.

Em um trabalho escolar um tempo atrás nossa professora sugeriu que escrevêssemos


sobre o dia mais feliz de nossa vida. No mesmo instante veio à minha memória o dia em
que minha filha nasceu e este trabalho acabou se tornando um capítulo do livro que eu
tinha escrito. Realmente foi o dia mais feliz da minha vida, porque pegar aquela coisinha
fofa, aquela criaturinha linda e gostosa que eu gerei por nove meses em meus braços foi
uma sensação maravilhosa. Olhar aquele rostinho perfeito, suas mãozinhas delicadas
tentando segurar um dos meus dedos, e todo aquele seu corpinho minúsculo e frágil foi
muito emocionante depois de tantas dores de parto. Quando o médico deu o “famoso”
tapinha no bumbum dela me deu vontade de xingá-lo, mas eu sabia o motivo daquele
gesto. Depois ele a aconchegou em seus braços, olhou pra mim e perguntou qual seria o
sexo da criança que eu queria, e eu apenas perguntei a ele: “Meu bebezinho é perfeito,
doutor”? Eu não estava preocupada com o sexo da criança naquele momento, eu apenas
queria saber se era perfeito e ele disse que sim e disse também que era uma menina. Que
bom doutor ela será minha amiguinha e minha companheira, dos bons e dos maus
momentos. E assim foi, graças a Deus.

Quando minha filha nasceu eu achei que ela era a coisinha mais linda do mundo e
senti uma felicidade tão grande ao ver que meu corpo estava tomando as formas antigas
novamente. Deu-me vontade imensa de falar pra todas as mulheres que estavam naquela
enfermaria sobre aquele momento de alívio, de paz e de serenidade porque as dores do
parto já tinham se acabado. Mas quando minha irmã Nívea chegou ao hospital para nos
visitar e disse: “Nossa, como ela é feia!” Ah, você pode até imaginar que eu tive vontade de
expulsá-la do quarto, não é? Também eu gostaria de falar umas coisas pra ela e sei que ela
não gostaria de ouvir porque ali já estava despontando em mim a galinha arrepiada
defendendo seu pintinho recém-nascido. Mas eu não fiz isso porque ela me deu muito
apoio quando eu estava grávida, e eu também não teria coragem de maltratar minha
própria irmã porque essa não foi a educação que recebi dos meus pais.

Eu tinha acabado e dar à luz e como testemunhas apenas o médico e a enfermeira. E


senti por muitos anos que aquele foi o dia mais feliz da minha vida. Mas quando eu nasci
de novo, aí sim, este realmente foi o dia mais feliz de toda a minha vida porque naquele
momento alguém me deu a luz, a luz verdadeira, a luz eterna. Jesus. E como testemunhas
a igreja toda. E houve festa no céu. Este sim, foi o dia mais feliz da minha vida.

Eu esperei minha filha por nove meses mas Jesus esperou por mim por muitos e
muitos anos.

Poucos dias depois do nascimento da minha filha o nome dela foi registrado em um
livro no cartório da cidade de Belo Horizonte mas quando eu nasci de novo em Cristo
Jesus, no mesmo instante o meu nome foi registrado no livro da vida, no cartório celestial.

Eu carreguei minha filha no colo por alguns anos mas Jesus me carregou por longos e
longos anos e continuará fazendo isso por toda a minha vida.
Você entendeu a diferença entre uma coisa e outra? Entre a vida terrena a vida
espiritual eterna com Deus? O primeiro é o nascimento físico e o segundo é o nascimento
espiritual. Ele nos dá vida eterna quando nos entregamos a Ele. Ele nos dá seu colo, nos
carrega em seus braços, enxuga nossas lágrimas, fala conosco, enfim, Ele é apaixonado
por nós. Mas precisamos nos entregar a Ele. Crer somente não basta.

Jesus disse: “De todos sereis odiados por causa do meu amor”. Lucas 21.17. Eu sei que
com o que estarei revelando aqui alguns me odiarão, mas sei também que muitos se
converterão ao Senhor Jesus Cristo através do meu testemunho. Amém!
CAPÍTULO 1

“Eu sou o seu Deus e não terá outros deuses diante de mim, a minha glória eu não
divido com ninguém”. Isaias 42.8

Assim disse Deus. Não há outros deuses.

Desde que me converti ao Senhor eu tenho sofrido muito com pessoas que me
conheceram superficialmente e que agora não entendem a minha mudança. Elas querem
aquela Edna que já morreu para o mundo, aquela Edna que não existe mais. Elas tentam
me provocar, tentam me influenciar com palavras, tentam me machucar, mas Jesus é o
meu Caminho, Jesus é o meu Salvador, Jesus é o meu verdadeiro amigo e o meu protetor.
Ele pagou um preço muito alto pra me salvar quando foi pendurado naquela cruz e
derramou seu sangue por mim, e eu, derramando lágrimas me entreguei a Ele. É com ele
que vou passar a eternidade de glória em glória e andando com Ele em ruas de ouro.

Ressurreição

Um dia eu te vi, pregado na cruz


Por mim morreste, três dias depois ressuscitaste
O precioso sangue que foi derramado
Me purificou de todo pecado
E em teus caminhos eu me converti
Fui renovado de novo nasci

Um dia eu te vi pregado na cruz


Por mim morreste, três dias depois ressuscitaste
Quão grande e precioso foi teu sacrifício
E por teres me amado a Ti me entreguei
E na eternidade feliz viverei
E em ruas de ouro Contigo andarei
Perto de Cristo quero estar
No céu com Cristo quero estar
Pra sempre, pra sempre
Pra sempre quero estar
Pra sempre, pra sempre
Pra sempre! Pra sempre!
Pra sempre!

Quando eu era pequenina em meus inocentes seis aninhos, morava com minha
família no interior de Resplendor em Minas Gerais, numa cidadezinha tão pequena que
nela havia somente uma rua. Lembro-me muito bem que a rua era de terra socada e o
progresso não havia ainda chegado até lá.

Comércio, só havia dois. Um, pertencia aos meus avós. Ele tinha uma venda pequena
como se vê nos filmes Américanos antigos, os chamados faroeste onde se comprava de
tudo desde uma agulha com linha, biscoitos e pães que minha avó fazia, e pequenas
lembranças que os viajantes adquiriam para levar para seus entes queridos. Ali, as pessoas
que viajavam de carroça ou mesmo a cavalo, paravam para dar água aos animais e
aproveitavam para descansar também e até comer uma refeição ou café com bolo. Todos
se conheciam. O outro comércio era um restaurante e bar onde paravam os ônibus que
transportavam os passageiros de uma cidadezinha à outra.

As casas daquela cidadezinha eram todas de frente para a rua, com a ausência dos
muros altos e os portões trancados de hoje. Suas portas sempre abertas e janelas também
abertas eram o nosso passaporte de diversão onde podíamos nos debruçar nos finais das
tardes já de banho tomado, para vermos o movimento do vai e vem das pessoas
passeando na rua ou então levávamos uns banquinhos e nos sentávamos do lado de fora.

Mas a maior lembrança que eu tenho dessa época é de quando a igreja católica
romana fazia suas grandes procissões pela rua afora. Eu ficava com minhas irmãs na
janela da casa observando a procissão passar com centenas de meninas e meninos
vestidos de anjinhos. Suas vestimentas eram lindas, todas claras, umas cor-de-rosa, outras
azuis, amarelas e brancas. Elas seguravam velas acesas em suas mãos e cantavam como
anjos.

Eu era filha de crente, frequentava a igreja metodista, a única igreja crente daquela
redondeza, e ela era muito pequena e fora da cidadezinha uns dez minutos mais ou menos
e eu ficava pensando porque existiam duas igrejas diferentes e porque a minha era pobre e
a outra, rica e pomposa.

A igreja católica tinha uma escadaria enorme como todas as igrejas católicas, com
uma área grande bem no meio da cidade onde todos podiam ver a impotência daquela
igreja, com sua torre alta e um sino que tocava em todos os acontecimentos importantes e
também anunciando as vinte e quatro horas dia; com suas luzes acesas durante a noite
inteira e era localizada justamente em frente ao bar grande onde os ônibus paravam com
seus passageiros. As igrejas católicas são sempre imponentes e muito ricas.

Na minha inocência, eu comparava a minha igrejinha com a igreja católica e


comparava também a vendinha do vovô com o bar grande e ficava muito triste apesar de
nunca ter comentado isso com ninguém e muito menos com minhas irmãs. Eu me sentia
frustrada e diminuída também por pertencer a uma igrejinha onde não se fazia procissões e
achava tudo feio na minha igreja e até as luzes se apagavam durante a noite. E eu ficava
pensando também que aqueles anjinhos iriam para o céu e no meu íntimo eu queria ser
católica para me vestir de anjo e ir para o céu também. Essa era a ideia que eu tinha dos
anjos, quando a inocência dos meus seis aninhos me permitia sonhar.

Mas hoje eu sei que não é se vestir de anjo que te leva ao céu, não é ser importante
que te leva ao céu, não é igreja imponente que te leva ao céu. O que te leva ao céu é
Jesus, que se sacrificou na cruz por nós, derramando seu sangue para nos dar sua
salvação através da graça de Deus. Se você realmente entregar sua vida a Jesus e
confessar com sua boca e crer em seu coração, aí sim, você irá para o céu. Mas também
você precisa de mais: crer que existe um só Deus e somente a Ele dará glória porque Ele
não divide sua glória com ninguém. E que seus pedidos e suas orações sejam feitas
somente a Ele.

“Ao Rei eterno, imortal, invisível, mas real, o único Deus - a Ele sejam dadas a honra e
a glória, para todo o sempre! Amém!” I livro de Timóteo 1.17
CAPÍTULO 2

“Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí”. - Jeremias 31:3b

Eu te amo, Senhor. Eu pronuncio estas palavras pelo menos umas vinte vezes por
dia quando acordo, e, principalmente quando estou já em meu leito, quase dormindo.

Existem dias em que acordamos de mau humor, sem vontade de ver as pessoas e
muito menos conversar. Entretanto, aprendi nestes últimos tempos uma coisa muito boa.
Quando acordo, vou direto ao banheiro, lavo meu rosto e depois olho no espelho e repito
três vezes: “Edna, Deus te ama! Edna, Deus te ama! Edna, Deus te ama”! Eu sei que Deus
me ama, Ele já me deu várias provas de seu amor por mim e é por isso que estou
escrevendo este livro. Sei também o quanto Ele me ama. E Ele também já disse isso várias
vezes em Sua Palavra. Mas e eu? Será que eu o amo com a mesma intensidade com que
Ele me ama? Eu declaro meu amor por Ele da mesma forma com que Ele declara seu amor
por mim? Por isso, depois de dizer três vezes que Deus me ama, eu então, decidi inverter a
frase e agora também digo: “Deus, eu te amo! Deus, eu te amo! Deus, eu te amo”! Ah! com
que alegria eu repito estas palavras e como elas ficam gravadas em meu coração durante
todo o dia! É maravilhoso sentir o amor de Deus. E eu fico até mais bonita quando eu
declaro este amor e nessas alturas já estou até sorrindo! Por dizer estas palavras eu me
revigoro por mais mal-humorada que eu me levanto. Vejo que meu semblante muda e eu
então saio do banheiro cheia de vontade de viver e com o rosto corado, energizado e me
sentindo bem disposta para enfrentar o dia.

É maravilhoso saber que Deus existe, que Ele é um Deus vivo, que Deus me ama
desde antes mesmo que eu nascesse e saber também que, com benignidade e compaixão
Ele me atraiu pois eu andava perdida no mundo, longe, clamando por um amor, um amor
verdadeiro que me tirasse do abismo e ao mesmo tempo do deserto em que eu vivia,
mesmo que eu não soubesse de onde viria esse amor e onde eu pudesse encontrá-lo mas
Ele que me fez e me amou primeiro, me atraiu para os seus braços e eu me alegro nele
agora e para sempre. É maravilhoso amá-lo e poder dedicar esse amor à sua obra. E eu
exalto o teu nome meu querido, grandioso e amado Pai.

É assim que eu quero ser por toda a minha vida. Adorar, exaltar e prestar culto ao
Senhor meu Deus. Em Mateus capítulo 4 versículo 10 vemos que Jesus foi tentado pelo
diabo e o que foi que Ele respondeu? - “Ao Senhor Teu Deus adorarás e só a Ele darás
culto”. Estas palavras estão registradas também no livro de Êxodo capítulo 20 versículos 4
e 5, quando Deus ordena fidelidade ao povo de Israel, em seus 10 Mandamentos.
Somente a Deus nossa adoração e nosso louvor. Nós fomos feitos para louvar e adorar ao
Senhor não somente em sua grandeza e majestade, mas em tudo e até em nossas aflições
porque alegramos assim o coração dele. Não que Deus necessite de nós para adorá-lo e
amá-lo, pois Ele mesmo em Si, já é Amor, mas esse amor é o elo mais precioso que nos
une a Ele em sua plenitude. Deus é amor e importa que o adoremos em espírito e em
verdade. Por isso, temos que ser verdadeiros em nossa adoração porque fomos feitos para
o seu louvor e a sua glória e estamos aqui para testemunhar o seu grande amor. Esse
amor precisa nascer no fundo do nosso coração.

E o meu testemunho é este: Deus me ama. O amor que Ele tem por mim é completo,
perfeito e inquestionável e é assim que Ele espera que meu amor por Ele seja também. Eu
amo o meu Deus e quero estar sempre em comunhão com Ele. Deus governa sobre todas
as coisas e é meu desejo continuar sendo governada por Ele, pra sempre. Eu quero alegrar
o coração de Deus, pois seu amor me satisfaz e eu quero estar sempre aliançada em seu
amor, quero que meu coração esteja alinhado à minha alma, minha alma ao meu espírito e
que meu espírito esteja alinhado ao Espírito de Deus em nome de Jesus Cristo que me
salvou.

Nos dias de hoje, com todos os meios de comunicação que possuímos como: rádio,
televisão, internet, telefone, celular e etc... algumas pessoas têm preguiça, medo ou
vergonha de falar de Jesus dizendo que é coisa de pobre e que isso está ultrapassado.
Está cada dia mais difícil irem para o campo para evangelizar ou mesmo abrir os corações
às pessoas e testemunhar sobre o que Jesus fez e tem feito em suas vidas. Seria tão
simples se fosse via internet, é só escrever um testemunho ou uma mensagem e clicar.
Simples assim. Em qualquer parte do mundo a nossa pequena mensagem, o nosso
pequeno testemunho chegaria em fração de segundos, mas a maioria das pessoas não age
assim. Será que temos realmente vergonha do evangelho? Quando abrimos nossa caixa de
mensagens na internet deparamos com uma quantidade muito grande de mensagens
indesejáveis, principalmente por volta do período das eleições com dizeres que nos
revoltam e por causa dessa revolta muitos vão à sua lista de amigos e repassam toda
aquela revolta e podridão para eles que também repassam pra muitas outras e assim
revolta e ódio vão se multiplicando cada vez mais. Ao invés de jogarem no lixo o que é lixo
fazem exatamente o contrário. Envenenam mais ainda a humanidade, mas quando
recebem uma mensagem de amor, esperança e fé, ainda irão pensar se devem mandá-la
para um amigo, pois não sabem como ele reagirá diante daquele texto porque a maioria
tem amigos espíritas, católicos, ateus, budistas e assim por diante. Eu mesma já fiz isso.

Mas agora eu quero falar de Jesus custe o que custar.

Faço aqui uma pausa para falar de uma amiga que, quando eu disse a ela que havia me
convertido imediatamente me perguntou se eu também estive no fundo do poço, pois todo
novo convertido fala a mesma coisa. Mas é claro que eu estava no fundo do poço, pois é de
lá que o nosso amado nos tira. Se não estivéssemos no fundo do poço já estaríamos com
Ele, já seríamos salvos e não seriam necessárias as confissões de amor e testemunhos de
sua grande obra em nossas vidas.
CAPÍTULO 3

“Bem-aventurado aquele que teme a Deus e anda nos seus caminhos”. - Salmos
127.3

Para quem não leu meu livro “As Vidas que Vivi” gostaria de falar um pouco sobre
meu passado.

Nasci em um lar evangélico e toda a família da minha mãe é crente em Jesus Cristo.
Ela já nasceu em um lar cristão, mas meu pai se converteu quando moço. Meu pai já está
descansando em Cristo. Ele era um homem fervoroso, apaixonado por Jesus e pregava
maravilhosamente bem. Ele era muito eloquente em suas pregações e em suas orações.
Ele foi um homem de grande conhecimento do evangelho e era muito culto também. Ele e
mamãe foram professores. Tínhamos em nossa casa cultos domésticos e em todas as
refeições ele orava e somente depois de suas orações de agradecimento pelo nosso
alimento é que nos era permitido sentar à mesa e ele se sentia feliz e orgulhoso vendo sua
família reunida nestes momentos tão importantes. Aos domingos íamos à igreja pela manhã
para assistirmos as aulas da Escola Dominical e para o culto matutino e no final da tarde
voltávamos para o culto noturno. Algumas vezes na parte da tarde fazíamos reuniões em
casa e convidávamos a vizinhança para participarem conosco.

Meu pai era como o apóstolo Paulo, ele também gostava de ir às cidades vizinhas,
cidades pequenas, vilarejos e fazendas para evangelizar àqueles onde a Palavra de Deus
não tinha como chegar a não ser através dos que se dispunham a desbravar territórios e
levar o amor do Senhor. Ele tinha uma grande necessidade de ganhar almas para Deus,
assim como a sua foi ganha. Meu pai cumpriu com amor e fidelidade o IDE de Jesus.

É um compromisso que temos, não por ser ordem de Jesus como nos mostra em sua
palavra através do livro de Marcos capítulo 16 versículo 15 que diz: “Ide por todo o mundo e
pregai o evangelho a toda criatura”, mas quando somos salvos do fogo do inferno, sentimos
esse grande desejo e responsabilidade dentro do coração. O de levar o conhecimento da
palavra do Senhor aos enfermos e aos perdidos. Eu pelo menos tinha esse desejo, mas
muitas vezes não encontramos receptividade da parte das pessoas e elas já começam a se
coçar e a mudar de assunto. Entretanto, eu posso levar sim, através do meu
comportamento, do meu falar, dos meus gestos e de meu testemunho. Ter Jesus em nosso
coração é tão maravilhoso que dá vontade de falar dele o tempo todo e mostrar às pessoas
o quanto elas estão erradas prestando cultos a outros deuses. Dá vontade de sair gritando
pelas ruas dizendo pra cada um que encontrar: “Ei, Jesus te ama”.

Meu pai viajava dias seguidos na época dos trens, carroças e cavalos. Muitas vezes
ele não tinha como pagar suas passagens e viajava a pé porque seu coração ardia em
amor pelo Senhor e a necessidade de ganhar almas pra Deus crescia dentro de seu ser.
Lembro-me de quando ele voltava de suas viagens e contava pra nós as histórias sobre as
cidadezinhas, vilarejos e em todos os lugares em que passava; Minas Gerais, Espírito
Santo e também no interior de São Paulo e Rio de Janeiro. Seu amor pela humanidade ia
crescendo cada dia mais. Seu desejo de evangelizar era muito grande.

É assim que devemos ser. Amar para evangelizar. Porque sem amor não agradamos
a Deus nem temos condições de falar de seu amor às pessoas. Nós, os crentes em Jesus,
estamos aqui para semear amor. E meu pai sempre foi um homem temente a Deus, um pai
amoroso, um amigo fiel, um esposo exemplar e um ser humano digno, honesto e
respeitoso. Ele deu educação e amor aos seus filhos. Assim era meu pai, um verdadeiro
filho de Deus. Um verdadeiro exemplo para a vizinhança e para os que conviviam com ele.

E para homenagear meu maravilhoso pai, homem temente a Deus, que a ele devo
meu conhecimento sobre o Pai Celeste e o respeito que tenho pela vida e pelo ser humano,
coloco neste livro em dedicação a ele estas palavras que ele mesmo escreveu e através de
panfletos, distribuía com muito amor às pessoas para que elas pudessem ser salvas e que
eu também tenho distribuído por onde passo.

RESIDÊNCIAS GRÁTIS

ENQUANTO A CAIXA ECONÔMICA FEDERAL EMPRESTA DINHEIRO PARA A COMPRA


DE CASAS, HÁ UM SENHOR QUE LHE OFERECE CASA GRÁTIS. BASTA RESPONDER
A 3 PERGUNTAS, ACEITAR 3 CONDIÇÕES E CRER 3 VERDADES.

I - AS PERGUNTAS:

1) CARECE VOCÊ DE UMA RESIDÊNCIA?


Ouça: “Na casa de meu Pai há muitas moradas”. João 14.2

2) NÃO TEM DINHEIRO PARA MUDANÇA?


Escuta: “Voltarei e vos receberei para mim mesmo”. João 14.3

3) QUER VIVER NA CIDADE MAIS LINDA?


A cidade não precisa nem de sol, nem da luz, para lhe darem claridade, pois a glória de
Deus a iluminou, e o Cordeiro (Jesus) é a sua lâmpada. As suas portas nunca jamais se
fecharão de dia, porque, nela, não haverá noite. Apocalipse 21. 23-25
II - AS CONDIÇÕES:

1) ESTAR SEM CULPA. POR QUÊ?


Veja: “Nela nada entra que contamine”. Apocalipse 21.27

2) HAVENDO CULPA, TOME ADVOGADO. I João 2.1 diz:


“Filhinhos, não pequeis. Se alguém pecar, temos um Advogado perante o Pai”.

3) NÃO LEVAR BAGAGEM


Atenção: “Qualquer que tem esta esperança, purifique-se, como Ele é puro”. I João 3.3

III - CRER EM 3 VERDADES:

1) QUE VOCÊ É UM PECADOR

2) Reconheça isso: “O Espírito Santo nos convence do pecado, da justiça e do juízo”.


João 16.8

3) QUE JESUS SALVA PECADORES


Ouça: “Quem crer será salvo”. Marcos 16.16

4) QUE SEU DESTINO É PROBLEMA SEU


Considere: “Os justos irão para a Vida Eterna; os ímpios porém, para a
Condenação Eterna”. Mateus 25.46

NOTA – Só existem dois Senhores que abrigarão toda a humanidade. Com um


deles você vai passar sua eternidade: ou com DEUS no CÉU ou com o diabo no
inferno. É você quem escolhe.

Edna Mayo in memorian de


Gercino de Paula Perpétuo

Quando criança, eu sempre via meu pai ajoelhado em seu quarto à noite,
orando, já de pijama e pronto para se deitar. Se existiu uma pessoa de oração,
verdadeiramente cristã e fiel ao Senhor esta pessoa foi o meu pai. Ele também era
muito educado, de fala mansa e alegre. Gostava de assobiar com os passarinhos
pela manhãzinha, e ele tinha um repertório de cânticos e assobios de vários deles e
os passarinhos se achegavam e gostavam de cantar junto com meu pai. Acho que
meu pai conhecia os cânticos dos passarinhos porque ele viajava muito a pé nas
matas e florestas e naquele silêncio o que ele ouvia era o canto dos pássaros. Meu
pai também gostava de contar uns “causos” quando a família estava reunida de
preferência à noitinha e nós gostávamos muito de suas histórias.
Esse era meu pai, sério nos momentos em que precisava ser sério, porém,
um homem alegre e brincalhão ao mesmo tempo. Toda a família gostava de suas
brincadeiras, mas também, quando ele pegava uma correia ... sai de baixo, corra
quem puder. Eu mesma já apanhei muito dele. Eu não podia ver meu pai tirar o cinto
quando chegava do trabalho de noitinha que logo colocava minha cabecinha para
trabalhar e pensar o que é que eu tinha feito, já imaginando que iria apanhar, pois
quando fazíamos alguma coisa errada durante o dia, a mamãe logo dizia: “Deixa
estar, vou contar para o seu pai quando ele chegar, e aí ele vai acertar as contas
com você!” Ah… ficávamos todos quietinhos na hora em que ele chegava e
torcíamos pra que ela esquecesse sua promessa. E muitas vezes ela esquecia sim,
de propósito.

Meu pai e minha mãe nunca brigaram. Pelo menos em minha presença.
Meus olhos jamais os viu discutirem e eles nos educaram segundo os mandamentos
do Senhor. Nossa família era um bom exemplo para a nossa vizinhança e para os
amigos e parentes. Meu pai viveu até a idade de noventa e quatro anos. Pelo que
ele representava em nossa casa eu creio que também era assim com os pais. Ele
devia honrá-los muito e respeitá-los, pois de acordo com o primeiro mandamento
com promessa em Êxodo 20.12 quem assim o faz, seus dias são prolongados aqui
na terra. Glória a Deus.

No livro de Provérbios o rei Salomão também nos dá essa exortação: “Filho


meu, não te esqueças dos meus ensinos, e o teu coração guarde os meus
mandamentos; porque eles aumentarão os teus dias e te acrescentarão anos de
vida e paz”. Estas palavras estão registradas nos versículos 1 e 2 do capítulo 3.

E os dias do meu pai foram prolongados cerca de quatro anos a mais a partir
do dia em que o médico me disse que ele não conseguiria sobreviver aquele
enfarto. Era um domingo quando fui visitá-lo no hospital e eu estava muito triste e
angustiada ao vê-lo indefeso naquela cama e inconformado eu chorava quando o
médico se aproximou e disse que ele poderia resistir no máximo até quarta-feira.
Aconselhou-me a voltar para casa. Mas, para nossa surpresa na quarta-feira o meu
pai já havia recebido alta. Graças a Deus que a última palavra vem lá de cima.
CAPÍTULO 4

“Honra teu pai e tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa)”.
Efésios 6.2

Minha mãe também, é exemplo de uma pessoa que amava, honrava e


respeitava os pais. Não só aos pais, mas também aos irmãos. Todos são crentes,
fiéis ao Senhor nosso Deus e todos se respeitam mutuamente.

Minha mãe já está na fase em que os velhinhos se tornam criancinhas. Mas


graças ao bom Deus ela é uma pessoa cheia de vitalidade, gosta muito de caminhar
e tem um apetite de dar inveja a qualquer um. Mesmo com a idade avançada ela
ainda fala um português invejável pois ela também já havia sido professora antes de
se tornar costureira, profissão que aborrece menos e rende mais financeiramente.
Ela já está com oitenta e oito anos e parece não querer abandonar esse mundo tão
cedo. Também com o mimo que ela tem recebido não era de se esperar que ela não
desejasse partir.

Quando cheguei ao Brasil vinda dos Estados Unidos em dezembro de 2001


eu estava muito preocupada com a saúde da mamãe e com o seu mal de Alzheimer
que minha irmã Darcy tinha me falado ao telefone, tanto é que um dos motivos da
minha vinda foi essa, e pensava sempre que ela poderia não amanhecer viva no dia
seguinte, portanto, todas as noites quando eu acordava ia sempre ao quarto dela
verificar se ela estava respirando. E ela segundo o mandamento de Deus está
sendo abençoada por ter honrado os pais. O próprio médico dela disse à minha irmã
Ruth que a acompanhava em suas visitas ao hospital que mamãe iria “durar” muito.

A Ruth, irmã mais velha que eu, mora nos fundos da casa e era ela quem
cuidava da mamãe durante o dia até a chegada à noitinha da outra irmã Darcy que
mora na casa da frente com a mamãe. Eu e minha filha decidimos por esse ato tão
generoso da parte dela enviar todos os meses uma quantia razoável de dinheiro pra
ela como se fosse um pagamento por ela ter deixado o trabalho pra assumir esta
responsabilidade. Entretanto, com a minha chegada esse dinheiro foi cortado e não
sei se foi por causa disso ou se foi pelo fato de algo que mudou nosso
relacionamento há muitos e muitos anos atrás, mas eu só posso dizer que comecei
a viver naquela casa debaixo de uma pressão muito grande e aquilo começou a
afetar minha saúde mental. Pois bem, vou explicar para que você possa entender.
Quando éramos adolescentes, vaidosas que éramos, decidimos trabalhar
durante o dia e estudar à noite pra termos condições de comprar nossas próprias
roupas e sapatos visto que a mais velha, a Nívea trabalhava e andava bem mais
arrumada que nós e sempre comprava roupas novas e eu já estava cansada de
usar as roupas dela às escondidas enquanto ela estava no trabalho. Eu chegava em
casa antes dela e guardava tudo no lugar só que ela descobria e contava para o
papai e adivinha? Eu apanhava, claro. Mas no dia seguinte eu fazia tudo de novo
porque o guarda-roupa não tinha chave então ficava fácil sair de roupa nova todos
os dias.

Na escola tinha um professor de matemática que eu achava um “gato” e logo


nos primeiros meses de aula escrevi numa folha de caderno uma cartinha pra ele
como se fosse uma declaração de amor. Mas era uma declaração inocente porque
naquela época na realidade não tínhamos maldade e eu não tive nenhuma intenção
de mostrar ou enviar a ele, mas infelizmente eu esqueci debaixo da minha carteira e
minha cartinha foi descoberta pela própria namorada dele que era a secretária da
escola. Que fatalidade hein?

No dia seguinte me expulsaram da escola e quando a Ruth foi à diretoria me


defender ela também foi expulsa. Mas ela nunca me contou que tinha feito isso,
apenas disse que não queria voltar pra casa sozinha de noite. Ora, se ela tivesse
me contado poderíamos ter evitado muitos desacordos entre nós duas porque a
partir desse dia ela começou a me tratar com indiferença e quando ela se casou
anos depois eu não fui convidada nem para a união na igreja nem para a festa.
Como eu já estava morando longe da família, não fiquei sabendo do casamento da
minha própria irmã.

E ela foi guardando sua raiva durante quarenta e cinco anos quando precisei
de uma informação daquela época da escola. Liguei pra ela e foi então que ela me
revelou dizendo que estava engasgada comigo durante todo aquele período. Foi um
grande choque pra mim, pois muitas coisas se passaram depois daquilo e eu nem
me lembrava de mais e aquela cartinha foi capricho de uma adolescente. Eu jamais
poderia imaginar que uma pessoa consegue guardar tanta raiva durante tantos
anos. E logo minha irmã? A irmã que eu mais tinha intimidade? Quando ouvi
aquelas palavras agressivas eu disse a ela que estava em meu quarto ajoelhada e
chorando pedi perdão por tê-la feito sofrer por causa daquela ingenuidade minha
mas eu tinha certeza de que era ela a culpada do próprio sofrimento. Ela não me
disse se havia me perdoado, mas a minha obrigação eu fiz. Foi a partir desta
revelação que entendi o motivo dela me tratar com tanta indiferença por tantos anos.
Eu fiquei triste, muito triste.

Mas vamos voltar à mamãe. Logo assim que eu cheguei ao Brasil mamãe
conversava muito, contava casos, lia a bíblia, assistia televisão e até brigava com a
gente algumas vezes. Ela costumava pegar os meus pertences no meu quarto
dizendo que eram dela. Quando eu procurava uma coisa e não encontrava podia ir
diretamente às gavetas do quarto dela que estava lá. Algumas vezes eu achava
graça, mas também outras vezes eu ficava nervosa, claro.

Eu lavava roupa e logo após colocá-las no varal eu ia fazer o almoço e ela


sorrateiramente ia lá fora, tirava as roupas do varal e as espalhava pelas cadeiras e
outros móveis da casa dizendo que o sol iria queimá-las. Era preciso muita
paciência pra lidar com ela, mas isso eu fui perdendo pouco a pouco. Ela não me
reconhecia como filha. Eu escrevia o meu nome em um papel e mostrava a ela e ela
então dizia que tinha uma filha com aquele nome e eu dizia que eu era a Edna filha
dela, mas ela simplesmente ignorava e dizia que a filha dela havia se mudado pra
longe, bem longe. Isso me fazia sofrer muito. Uma vez perguntei a ela porque
reconhecia os meus três irmãos que moravam lá, a Darcy que morava com ela, a
Ruth e o Carlos com sua esposa que moravam em duas pequenas casinhas nos
fundos da casa e ela me respondeu dizendo que é porque eles estavam sempre
com ela, presentes todo o tempo. Pensando dessa forma, acabei concordando
porque eu fiquei oito anos longe do Brasil.

Mas a mamãe era muito engraçada vez em quando: uma vez eu escrevi em
um papel perguntando a ela qual era o meu nome. Sua resposta veio imediatamente
quase num raio de luz: “uai, você não sabe seu nome? Que memória fraca você
tem, hein”? E a gente acabava rindo muito. E ela também ria das próprias gracinhas.
Que Alzheimer que nada, eu pensava.

Um domingo a família toda estava reunida pouco antes do almoço e a Darcy


abriu uma garrafa de vinho, “suco de uva” porque ela também não bebe álcool e
distribuiu pra todos. Eu estava bem próxima da mamãe e ela me olhou com um
sorriso maroto e disse: “minha filha”, como se tivesse me reconhecido. Eu fiquei tão
feliz que coloquei minha pequena taça na mesinha dela e fui abraçá-la por ela ter se
lembrado de mim. Quando acabei de abraçá-la ela já tinha bebido meu suco de uva
e todos riram e ela também, claro. Parece brincadeira, mas a mamãe agia assim em
várias ocasiões e por vários motivos diferentes, e assim ela se divertia e também
nos divertíamos muito.

De vez em quando ela me deixava muito irritada porque ela dizia para quem
chegasse em casa que não tinha comido mesmo quando eu havia acabado de
alimentá-la e que estava com fome. Tudo me perturbava e eu ficava com os nervos
à flor da pele porque as pessoas pensavam que eu estava sacrificando a mamãe e
tratando ela mal, deixando-a passar fome. Por outro lado algumas vezes eu
precisava sair e na volta ela dizia que estava com fome e que ninguém tinha dado
comida pra ela. Algum tempo depois recebemos a visita de uma tia e ela disse que o
vovô fazia a mesma coisa nos seus últimos anos de vida e que era mania dos
“velhos que sofrem deste mal”. Mas a essa altura a minha raivinha, cólera e irritação
já estavam criando raízes lá dentro de mim e os meus nervos começaram a
despontar com intensidade.

Quando era hora de tomar banho era um sacrifício porque ela dizia que já
tinha tomado dois banhos naquele dia e brigava comigo me dando socos e dizendo
que eu estava querendo mandar nela e eu na minha ignorância, ainda sem Cristo
comecei a me irritar a cada dia mais, pois pouco entendia sobre o estado dela. Eu
não conseguia compreendê-la e ficava nervosa e falava alto com ela. Porém, pouco
depois, arrependida, eu pedia perdão a ela e a abraçava, e ela me perdoava e a
gente se beijava. Mamãe sempre foi muito carinhosa e sempre gostou de nos cobrir
de beijos, ah … essa era a melhor parte.

Mas também nós tínhamos nosso lado positivo pois eu lia a bíblia com ela e
ela também sempre lia pra mim uma passagem no livro do apóstolo Paulo, I
Coríntios 13 e repetia várias vezes os versículos 7 e 13 que dizem estas palavras:
“O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Agora, pois, permanecem a
fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor”. Aleluia! E
sempre que ela terminava de ler ela olhava pra cima como quem olha para o céu.
Veja bem, uma senhora em idade avançada, com problemas de Alzheimer nos
ensinando o que é o amor! Deus é bom demais. De vez em quando ela orava
comigo dizendo que Deus estava lá no céu e apontava pra cima. Ela me disse um
dia que iria para o céu e que sua filha também iria, só não consegui fazer com que
ela dissesse “qual filha” e isto me preocupava muito porque somos cinco irmãs e
meu desejo é ver toda a família reunida com o papai na eternidade, lá no céu, com
Jesus.

Mamãe é muito querida na redondeza e os vizinhos sempre a respeitaram,


pois ela conseguiu fazer uma boa vizinhança naquele bairro e em outros lugares em
que morou. Nunca vi alguém dizer que não gostava dela, nunca vi ninguém passar
por ela sem cumprimentá-la ao contrário, as pessoas quando a viam de longe até
vinham ao seu encontro sorridentes e a abraçavam e a beijavam.

Na época em que mamãe gozava de plena saúde, muitas vezes quando as


pessoas precisavam de um conserto nas roupas ela consertava com muita boa
vontade e nem cobrava porque eram amigos. Assim é minha mãe, uma verdadeira
filha de Deus. Um verdadeiro exemplo para a vizinhança e para os que convivem
com ela: nós, os filhos.

Mesmo sendo durona às vezes, mas eu a amo sim, apesar das minhas faltas,
pois graças ao bom e maravilhoso Deus ela ainda está viva, mas muitas vezes,
devido ao estado dela e a minha infelicidade de estar no Brasil na situação em que
eu me encontrava, eu não conseguia entender bem a doença da mamãe. Pela
doença dela e pelo que eu estava passando naqueles meses eu chorava quando ia
para a cama. Eu sentia muita tristeza vendo-a naquele estado e me recordando dela
cheia de vida e saúde, cuidando dos filhos e costurando pra fora e sempre cantando
baixinho os hinos do hinário até altas horas da noite, para que nada nos faltasse. E
me doía o coração ao ver minha mãe naquele estado dependendo da gente, tão
frágil, tão debilitada e tão vulnerável. Eu sentia uma enorme tristeza dentro de mim
por ver aquela mudança tão drástica em minha mãe e me condoia demais com isso.
E quando eu ficava sozinha à noite em meu quarto eu tinha pena de mim também e
chorava porque eu me sentia muito isolada naquela casa. Eu queria recobrar as
amizades com meus irmãos que não me conheciam mais, queria recobrar os
encontros com a família, mas estava muito difícil porque eu era tratada como uma
estranha no ninho por alguns deles, afinal eu fiquei oito anos morando na América
sem contar os anos que morei no Rio de Janeiro, e não era fácil nem pra eles e
muito menos pra mim. Eu me sentia muito isolada mesmo quando a família se
reunia, e eu ficava somente observando os comportamentos de cada um e parecia
que conversavam apenas entre eles e me deixavam de lado entre uma conversa e
outra. Muita coisa foi passando pela minha cabeça e acabei pensando que era
querida somente enquanto eu estava longe e mandava presentes. Portanto, só me
restou a companhia de minha mãe e coitada, descontei nela todas as minhas
frustrações. Fiquei pensando se teria valido a pena eu sair de Miami e voltar para
Belo Horizonte e ter que conviver com tudo aquilo.

Confesso que tive pouca paciência com minha mãe e isso foi o que mais me
doeu naquela época. Mas eu reconhecia que estava errada e pedia perdão a ela e
ela dizia que me perdoava. Eu a beijava e a abraçava e ela me correspondia de uma
forma que parecia depender totalmente daquele meu gesto. Finalmente entendi que
o que ela necessitava era de carinho depois que minha irmã Ruth me disse um dia
que a doente era eu. Foi então que eu comecei a reconhecer o meu mau caráter e
pouco tempo depois e comecei a ter ataques de nervos, queria me isolar, fugir, mas
ao mesmo tempo precisando estar com todos ali. Afinal eu tinha voltado e por amor
à mamãe eu tinha obrigação de ficar.

Um dia uma cunhada nossa que mora em outra cidade veio juntamente com
seu filho visitar nossa família e estavam todos reunidos na copa conversando
quando eu cheguei faminta, do centro da cidade, pouco depois do almoço. Nós nos
abraçamos e eu fiquei feliz em vê-los ali e depois de conversamos um pouco eu
preparei um prato de comida e coloquei no microondas. A comida esquentou e eu
coloquei o prato na mesa onde o pessoal estava reunido. Depois me sentei e fiquei
parada, olhando para o prato em minha frente eu não mexia nem no garfo nem em
nada. Percebi imediatamente que todos pararam de conversar e seus olhos
estavam me fitando, mas eu não tive nenhuma reação. Logo eu, que tinha um gênio
explosivo, consegui ficar quieta como se eu fosse um robô. Foi silencio total por uns
longos segundos tanto da minha parte quanto da parte deles. Meus olhos
continuaram fitando aquele prato de comida na minha frente e eu não sabia o que
fazer. Fiquei sem fala, completamente paralisada. Naquele momento eu surtei. Elas
começaram a falar comigo querendo saber o que eu estava sentindo, fizeram várias
perguntas e eu não conseguia responder nada. Eu tentava falar alguma coisa, mas
não conseguia, saia tudo enrolado e ninguém entendia nada. Tentei pegar no garfo,
mas eu não consegui, elas me perguntavam se eu estava sentindo mal e eu não
conseguia responder apenas balbuciava as palavras. Eu vi que elas se levantaram
pra chegar perto de mim, mas eu também me levantei e comecei a andar, mas no
mesmo instante eu não sabia pra onde ir e voltei a me sentar. Trouxeram papel e
caneta, tentei escrever alguma coisa, mas também não conseguia apesar de ter
plena consciência do que estava se passando ao meu redor e de saber o que as
pessoas estavam falando, inclusive escutei minha mãe dizendo: “coitadinha, ela
está passando mal”. E me deu uma vontade de abraçar minha mãe e chorar no
colinho dela, mas nem pra isso eu servi naquele dia. Isso durou uma boa parte da
tarde e à noitinha quando a Darcy chegou em casa esta mesma irmã que me
chamou de doente, a Ruth, teve compaixão de mim e seu coração de boa
samaritana falou mais alto e naquele momento graças ao bom Deus ela chamou um
táxi e me levou imediatamente para um hospital e permaneceu ao meu lado durante
as horas em que fiquei tomando soro. Ela foi muito carinhosa comigo e se
preocupou com meu estado procurando o médico a todo momento pra saber o que
estava se passando comigo. Ela mesma me levou ao hospital, ela mesma me
socorreu.

Quase um ano depois de minha chegada, depois que comecei a frequentar a


igreja eu aprendi muito sobre relacionamento familiar e mudei completamente minha
forma de tratar a mamãe. Decidi também me mudar dali porque não queria tomar o
lugar que pertencia à Ruth naquele casa. E agora, com a mamãe é só carinho, eu a
trato com muito amor, da mesma forma que a tratava quando cheguei ao Brasil e se
eu pudesse eu iria mais vezes à casa dela e fazer as brincadeiras e palhaçadas que
eu gosto de fazer, pois ela se diverte muito comigo. Mas tenho outras atividades
além dos compromissos que tenho com a igreja e me sobra menos tempo, porém eu
tenho um compromisso de ir à casa da mamãe todos os sábados pra fazer comida
pra minha irmã Darcy e ela. Então, depois de brincar um pouco com a mamãe e
fazer companhia pra ela eu preparo o almoço e cozinho uma variedade de pratos
para o domingo e também pra Darcy levar para o trabalho durante a semana. E ela
logo após o almoço sai e passa o restante das tarde de sábado fazendo campanha
do quilo para a casa espírita que ela frequenta, portanto, alguém precisa ficar com a
mamãe.

E a partir daí e meu relacionamento com a Ruth mudou completamente


graças a Deus e eu me alegro com isso.
CAPÍTULO 5

“O que retêm a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina”.
Provérbios 13.24

“A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará


dela”. Provérbios 22.15

Quando pequena, eu gostava de ouvir meu pai falar sobre as coisas de Deus, as
caminhadas de Jesus e dos milagres que ele fazia. Eu ficava atenta a todas as histórias
que ele contava e me empolgava com os milagres contidos na bíblia. Por causa disso ele
pensou que eu poderia um dia ser missionária e conseguiu para mim uma bolsa de estudos
na parte interna de um colégio metodista em Belo Horizonte.

Éramos dez irmãos e eu me senti traída por ter sido separada deles, pois éramos
muito unidos, brincávamos todos juntos nos finais de tarde, éramos uma família muito feliz.
Nossa família era muito bem estruturada. Eu amava meus irmãos e minhas irmãs e não me
sentia feliz longe da companhia deles. Não conseguia me adaptar com as pessoas
estranhas com que eu convivia no meu dia a dia, com o ambiente de internato, regras,
horários rígidos, horários para tomar banho e até horário de silencio durante o dia. Eu
achava tudo aquilo muito estranho, um verdadeiro absurdo. Sentia-me, como diz o ditado:
“como um peixinho fora d’água”. Aquele lugar era um mundo que não era meu, não fui feita
pra ficar presa.

Eu, criança, sapeca, ainda não havia despertado em mim a puberdade, fui lançada
fora do convívio dos irmãos, principalmente de minhas duas irmãs mais velhas que eram
adolescentes com quem eu tinha um relacionamento maravilhoso e forçada a conviver no
mesmo quarto com moças adultas, gente que eu nunca tinha visto e nem tinha como me
identificar com elas, pois eram bem mais velhas que eu.

Frustrada, não conseguia me relacionar com elas, não conseguia corresponder às


expectativas daquela escola, e vivia com o meu coraçãozinho apertado e angustiado pela
falta da minha tão querida família, do quintal grande da nossa casa, dos pés de frutas que
eu tanto gostava, dos patos, dos porcos e galinhas que mamãe e papai criavam e também
do riozinho no fundo do quintal onde de vez em quando a gente tomava um banho e
nadava. Em algumas noites, depois que íamos todos para nossas camas, mamãe
cantarolava hinos enquanto costurava tanto para nossa família quanto para a vizinhança e
eu sentia saudades disso também; da voz da mamãe que era tão doce e de um soprano
muito suave.
Eu era tão pequena, tão novinha e tão ingênua em meus onze anos e já sofria a dor
de uma perda, a dor de uma separação, como se fosse uma perda eterna. Naquela época
eu não sabia nada da vida, não era como as menininhas de hoje que nem querem ser
chamadas de crianças, já querem se comportar como adolescentes aos oito, nove anos de
idade, menosprezando assim uma das melhores fases da vida; pintando rosto e unhas,
espichando cabelos e usando roupas de moças adultas. E eu reclamava dentro de mim a
convivência e intimidade familiar. Meu coração gritava e gemia em silêncio. Eu queria
continuar a ser criança, brincar, correr, trepar em pés de frutas como eu fazia em nossa
casa com um quintal enorme, com pés de limão, laranja, manga, goiaba, algumas
variedades de verduras; e um jardim que eu mesma gostava de plantar as pequenas
mudas de flores e cuidava de todas elas. Além do mais, mamãe era costureira, portanto
nossa casa vivia cheia de gente e as clientes dela levavam as crianças para brincar com a
gente enquanto elas conversavam e tiravam as medidas das roupas.

Quando anoitecia o papai voltava do trabalho, tirava o terno e gravata e colocava


uma camiseta de mangas e uma calça velha e se envolvia nas brincadeiras com meus
irmãos, na rua, brincando de “maia”. Acho que ninguém mais conhece esse tipo de
brincadeira. E eu gostava de observar meu pai e meus irmãos jogando aquelas maias,
levantando poeira, pois ainda o asfalto não tinha chegado até lá, e eu dando gargalhadas
atrás daquela roda no meio da rua, até o momento que mamãe chegava ao alpendre
anunciando que o jantar já estava servido. Qual a criança que ficaria feliz sendo tirada de
um ambiente assim pra viver em um lugar estranho, limitada entre muros altos, portões
trancados à chave, com pessoas desconhecidas e com regras e horários para tudo?

O colégio era, se não me engano, o melhor colégio de Belo Horizonte naquela época,
mas para mim, nada daquilo me importava. Eu queria estar longe daquela prisão, eu queria
voltar a ser eu, eu queria voltar a dormir na minha cama de beliche, no mesmo quarto com
minhas irmãs e cochichar um pouco antes de dormir pra que o papai não escutasse; eu
tinha saudades de brincar e brigar com elas, comer a comida da minha mãe e ouvi-la cantar
hinos lindos enquanto costurava à noite depois de nos ter mandado pra nossas camas.
Também tinha saudades dos almoços de domingo com frango assado e macarronada
porque comida de pobre aos domingos era especial pra nós e ansiávamos pra que esse dia
chegasse pra saborearmos um almoço mais gostoso. Esta era a vida para mim. Viver para
mim, era estar ali, naquele mundo que eu conhecia tão bem. Naquele mundo que eu tanto
amava onde estavam meu pai, minha mãe e meus irmãos.

Por ser um colégio metodista tínhamos todos os dias às 17:30 um horário religioso na
capela e depois de cantarmos um hino uma aluna era escolhida para ir lá à frente, abria a
bíblia em qualquer parte e lia alguns versículos e depois a professora ou diretora faria o
comentário e o esclarecimento do texto que tínhamos lido. No dia em que fui escolhida pra
ir lá à frente eu saí do meu lugar bem cheia de pose querendo dar o melhor de mim, mas a
página que abri tinha uma história que não me ajudou em nada, pelo contrário, ele fez com
que eu fosse expulsa do colégio. Mas, que responsabilidade é essa dos dirigentes do
colégio fazendo com que lêssemos na frente, no altar, passagens da bíblia sem termos pelo
menos lido a história em primeiro lugar? Se meu pai tivesse pensado nisso ele bem que
poderia processar aquele colégio porque por causa de uma leitura de um estudo indevido
em um momento indevido, meu pai foi obrigado e me levar embora. Depois que cresci eu
consegui analisar a tristeza de meu pai por ter que me retirar daquele estabelecimento
naquela situação. Tenho certeza de que ele sofreu bastante e se sentiu envergonhado
perante a reitora do colégio. Ele, na posição de pregador do evangelho, levando sua filha
expulsa de um colégio por mau comportamento, deve ter doído muito o coração do meu
pobre pai. Mas na realidade, no fundo no fundo eu penso que não foi mau comportamento,
eu fui instruída a fazer o que fiz só que não dei sorte com o que apareceu na minha frente
que foi a história de Ló e suas filhas em Gênesis 19. 31a 38. Entretanto, eu fui expulsa.

Caminhamos lado a lado ambos de cabeça baixa, em direção à nossa casa, por
muito tempo calados, sem trocarmos uma palavra sequer, sem nenhuma pergunta, sem
nenhuma reprovação. Pior, sem choro de minha parte. Ao chegarmos em casa, ele foi
direto para o quarto. Ele não me bateu, como eu esperava e merecia como era de direito
dele por ser meu pai, e como ele sempre agia quando não éramos obedientes. Ele nos
corrigia dessa forma, mas nem por isso deixava de nos amar e nem por isso deixávamos de
amá-lo. Ele nos corrigia exatamente como Salomão nos aconselha no livro de Provérbios
cujos versículos coloquei acima no início deste capítulo.

Vindo ao tempo de hoje, os pais estão com muita dificuldade em criar seus filhos
porque eles não podem corrigi-los como antigamente e se o fizerem serão punidos tendo
que passar por psicólogos porque colocaram leis contra as leis de Deus que os manda
corrigir, com vara. Quando me encontro com minhas quatro irmãs, sempre conversamos
sobre este assunto e todas nós concordamos que o papai nos fez bem, nos corrigindo com
vara porque nunca tivemos raiva do papai e sim da vara ou do cinto que ele usava e
agradecemos a Deus pelo pai que ele nos deu, que soube nos corrigir dentro da palavra do
Senhor.

Portanto, por causa do meu comportamento no colégio, durante muito tempo eu


andava de cabeça baixa, triste e preocupada, esperando que a qualquer momento viesse a
reprovação por parte dele ou mesmo por parte de minha mãe. Não era só a perda dos
estudos, de um futuro brilhante que eu joguei pelos ares como se joga fora um brinquedo
velho. Foram empregados muito tempo de minha mãe costurando todo o uniforme do
colégio, incluindo roupas de cama e roupas novas para mim porque naquela época não se
compravam roupas de cama em lojas, além do mais, minha mãe era uma excelente
costureira e professora de corte e costura. Sapatos novos e agasalhos foram comprados
também. Ganhei um enxoval completo simplesmente pra nada. Foi gastos talvez dinheiro
extra do salário do meu pai que lutava com grande dificuldade para sustentar uma família
com dez filhos. E você não pensa que estou chorando ao escrever isto? Sim estou, porque
me dói muito ter que me lembrar destas coisas e me sinto torturada e muito mal por ter me
comportado tão mau. Sinceramente, eu abusei dos meus pais mesmo na minha inocência,
mesmo sem saber.
CAPÍTULO 6

“Tu conheces a minha afronta, a minha vergonha e o meu vexame”; Salmos


69. 19a

No final da minha adolescência fiquei grávida. Era ainda virgem e esperava


uma criança. Difícil de acreditar e difícil de entender não é? Pois é, mas estou
dizendo a verdade debaixo da palavra do Senhor, pois não posso mentir e não
quero mentir, não tenho necessidade de mentir e este livro foi um pedido de Deus e
Ele não aceita mentira. Por muito tempo fiquei sem saber como eu havia ficado
grávida. Eu tinha um namorado, mas não havia tido sexo com ele. Eu o conheci
quando estava com uma amiga e ele estava com um primo e saíamos os quatro
juntos de vez em quando para tomarmos um refresco, como se dizia na época.
Nossos encontros eram muito inocentes, eram apenas um passeio do meu trabalho
até o ponto do ônibus ou então quando saíamos com minha amiga e o primo dele a
alguma lanchonete porque meu pai era muito rigoroso e eu tinha horário de chegar
em casa.

Na noite do nosso primeiro encontro sozinhos, minha irmã Ruth foi comigo
porque naquela época não podíamos sair à noite sem a companhia de um irmão,
portanto ela me acompanhou, mas a deixamos no cinema e combinamos que a
pegaríamos na volta. Eu jamais poderia imaginar o destino que me esperava
naquela noite! Ele me levou direto para uma casa dizendo que era dele e que ali ele
satisfazia seus desejos íntimos e disse ainda que eu era a “mocinha” mais difícil que
havia aparecido em sua vida. Desligou o carro, tirou a chave da ignição e começou
a abrir a porta. No mesmo instante eu comecei a chorar e a dizer que ali eu entraria
só se fosse morta. Eu sabia que ele tinha uma arma no porta-luvas do carro e então
eu o abri, peguei a arma e entreguei a ele. Calmamente ele pegou a arma da minha
mão, guardou e disse: “o que eu vou fazer com você morta”? Ele tentou me acalmar
porque viu meu desespero. Colocou a chave na ignição, ligou o carro e saiu daquele
lugar. Passeou um pouco comigo pelas ruas da cidade e eu relaxei pensando que
ele havia esquecido do seu intento. Depois de muito dirigir me levou até uma boate
na Avenida Amazonas. Quando chegamos, ele se comportou normalmente,
conversamos um pouco e inclusive tivemos momentos alegres e rimos bastante.
Nossa! Como ele era lindo! Ele era a cara do Francisco Cuoco. Depois de uns drinks
ele pegou minhas mãos e as beijou delicadamente como um verdadeiro cavalheiro,
e olhava pra mim com cara de apaixonado. Eu me senti muito bem ao seu lado
depois do que havia acontecido chegando a esquecer de que havia chorado pouco
tempo antes de entrar naquela boate. Ele me convidou para dançar e eu pensei que
iríamos dançar no salão da boate que estava cheio de casais dançando e como
estávamos em uma cabine fechada apenas com uma cortina, me levantei e ia
passando por ela quando ele disse que iríamos dançar ali mesmo, e ele me puxou
pra dentro da cabine delicadamente, com gestos muito bem pensados. E foi assim.
Dançamos e nos abraçamos. E quando começou a segunda música trocamos um
beijo e ele aproveitou o momento, já planejado creio eu, e me encostou-se à parede
levantando meu vestido. Eu senti algo estranho me tocando e fiquei por uns
segundos lutando contra ele que tentava me empurrar cada vez mais contra a
parede, mas não gritei pra não chamar atenção e fiquei sufocada porque ao mesmo
tempo ele me beijava. Na realidade, nada aconteceu, ele apenas encostou em mim,
portanto eu jamais poderia imaginar que a partir daquele momento eu carregaria um
feto, uma criança em meu ventre. Naquela época eu também nem sabia como uma
mulher ficava grávida, pode? Pode sim, nos anos sessenta as mocinhas não sabiam
nada sobre estas coisas. Agora, imagina você o nome da boate: Boa Sorte. Na
realidade foi boa sorte porque minha filha foi o meu maior presente, foi a melhor
coisa que aconteceu em minha vida depois da minha salvação em Jesus Cristo.

Quando saímos da boate e fomos ao cinema pra pegar minha irmã eu me


senti tão infeliz por dentro de mim com o que aconteceu que quando a Ruth veio ao
nosso encontro eu disse a ele pra não nos levar até nossa casa e sem nenhuma
objeção nos deixou no ponto final do ônibus. Nós duas nos sentamos na parte de
trás até que eu pegasse o dinheiro para pagar a passagem. Quando chegamos
perto de casa eu me levantei primeiro pra pagar a passagem e ela me perguntou o
que era aquela coisa molhada no meu vestido. Eu disse que deveria ser goteira da
chuva no ônibus porque estava chovendo. Ela começou a rir e disse que eu era
boba porque no ônibus não pode ter goteira e disse pra eu olhar pra cima e ver se
havia condição de ter alguma goteira ali. Eu até ri um pouco com ela, mas eu não
estava achando nenhuma graça porque estava me consumindo por dentro com o
que havia acontecido comigo naquela noite. Entretanto, eu passei a mão sobre a
parte molhada porem, constatei que não era água da chuva, não era goteira porque
aquele molhado não tinha nada a ver com molhado de chuva, mas não me
preocupei porque eu mesma não sabia o que era aquilo e continuei minha vida
tranquila. Jamais passaria pela minha cabeça que aquilo poderia ser algo
completamente diferente de goteiras da chuva e não contei pra ninguém o que tinha
acontecido, pois também não estava preparada pra responder às muitas perguntas
que viriam. Afinal o que passou, passou. Não é isso que a gente aprende? Dois
meses se passaram até eu tomar conhecimento de que aquilo era “esperma”.

Quando o conselho da igreja em que eu congregava com minha família tomou


conhecimento do caso, mandou uma comitiva composta de quatro pessoas lá em
casa e eu fui praticamente forçada a assinar uma carta já preparada por eles,
pedindo meu afastamento da igreja. Eles prepararam a carta como se fosse eu a
autora das palavras ali contidas. Fizeram um sermão pra mim, mas não me
deixaram abrir a boca e fui obrigada a ouvir tudo aquilo em silencio total. Ora, se eu
tinha que assinar um documento pra nunca mais ter o direito de entrar naquela
igreja, o que isso quer dizer pra você? Aí eu pensei: “puxa vida, expulsa mais uma
vez e sem culpa no cartório! No momento em que eu mais preciso de uma
orientação, de amor, carinho, misericórdia, compreensão, compaixão, sou forçada a
me afastar da igreja, das pessoas que poderiam ter me dado uma ajuda espiritual e
apoio moral, me confortando e me ajudando a me preparar para o futuro para que
eu não entrasse em depressão; pois críticas, julgamento, humilhação e cobranças
viriam. E vergonha claro, principalmente vergonha”. Com este ato que hoje
considero “corajoso” e desrespeitoso da direção daquela igreja eles me afastaram
até de Deus, pois não me queriam naquela congregação. E se o povo de Deus não
me queria por perto, pra onde iria eu? E fizeram isso justamente quando meu pai
estava viajando atendendo ao IDE de Jesus. E em minha inocência e falta de
orientação jurei que minha filha seria batizada na igreja católica pensando que
assim estaria me vingando deles. Quanta criancice! Quanta ingenuidade! Aposto
que eles nem souberam mais sobre mim. Mas isso foi ideia de uma adolescente
sem o conhecimento da Palavra porque na bíblia não existe batizados de
criancinhas porque elas não tem pecado e quem se batiza é o adulto que nasce de
novo isto é, quando reconhece que é um pecador e quer mudar de vida e então
aceita Jesus como seu salvador. Depois professa sua fé pública como vemos na
passagem de João Batista batizando as pessoas no Novo Testamento.

Igreja tradicional tem suas ideias e preconceitos, mas isso já deve ter
acabado nos dias de hoje. Será?

Eu sempre tive uma tristeza em meu coração por ter sido forçada a me afastar
da igreja daquela forma. Acho que ao sentir minha barriga crescendo, eu,
voluntariamente me afastaria, pois teria vergonha do meu estado me mostrando
para as pessoas, para as mocinhas da minha idade tanto as amigas quanto as
coleguinhas da escola dominical… sem me casar. Mas a igreja tem obrigação de
apoiar, confortar e orientar os perdidos, segundo os ensinamentos de Jesus, mas
em meu caso não foi isso o que recebi e me afastei com muita dor em meu peito.
Pior pra mim que batizei minha filha onde eu mesma jamais deveria ter entrado, mas
graças a Deus ela também foi resgatada para honra e glória de Deus Pai. Ela
aceitou Jesus como único Senhor e Salvador da vida dela e depois professou
publicamente sua fé se batizando também como diz a palavra de Deus.

No meu emprego foi a mesma coisa. Eu estava trabalhando na seção de


discos e instrumentos musicais na Mesbla da Rua Curitiba em Belo Horizonte. Havia
outra loja na Rua Tupinambás com Avenida do Contorno que se chamava Mesbla
Veículos e onde funcionava o departamento pessoal, que nos contratava. Numa
manhã, assim que entrei na loja e fui para minha seção o gerente me viu sem o
cinto do uniforme e mandou que eu o colocasse e assim o fiz. A loja abriu, entrou
um cliente e pediu para ouvir um disco La Paloma do Billy Vaughn que fazia grande
sucesso naquela época. Peguei o disco e quando fui tirá-lo de dentro da capa pra
ele escutar minhas vistas escureceram e eu imediatamente me encostei na
prateleira onde estavam organizados os discos e me agarrei ali e penso que foi ele
mesmo quem chamou alguém pra me socorrer. Dali foi levada para o banheiro
onde colocaram um pano úmido em minha testa e me deram café e me foi dito pra
ficar ali descansando por um tempo até que eu voltasse ao meu estado normal. A
partir daquele momento o banheiro foi muito visitado porque as funcionárias, como
não poderia deixar de ser, apareceram por lá uma por uma pra satisfazerem sua
curiosidade. Quando me recuperei me colocaram dentro de um taxi e mandaram
que eu fosse pra minha casa pra descansar.

O gerente da loja que entendeu minha situação e viu que minha barriga já
estava em fase de desenvolvimento, imediatamente marcou uma consulta pra mim
com uma ginecologista e quando eu cheguei ao trabalho no dia seguinte fui levada
ao médico. Mas até aquele momento nada me disseram. Fizeram tudo em silencio,
nas minhas costas. Depois do exame a doutora nada me disse e pediu que eu
ficasse na sala de espera e disse que gostaria de conversar em particular com a
pessoa que estava me acompanhando. Nestas alturas o gerente já deveria ter tido
uma conversa “especial” com a doutora, suponho. Eu saí, mas fiquei de “orelha em
pé” prestando atenção no que estavam conversando lá dentro e pude perceber que
o caso era sério, porém passou pela minha cabeça que eu poderia estar com
alguma doença grave, talvez incurável porque até aquele momento tudo o que fiz foi
caminhar em silencio ao lado da pessoa que foi indicada pelo gerente pra me levar
àquele lugar, mas nada me disseram sobre o motivo da minha visita ao consultório.
E enquanto as duas conversavam lá dentro do consultório sem a minha presença,
do lado de fora na sala de espera eu ouvi várias vezes a palavra "aborto" sem ter
ideia do que elas estavam falando e o que aquela palavra representava na vida de
uma mulher grávida e na vida de um feto que estava sendo gerado dentro da minha
barriga e que até aquele momento eu também ainda não sabia que estava grávida.

Ora, uma adolescente dos anos sessenta era muito ingênua, pelo menos eu
era. Não passava pela minha cabeça o que seriam os órgãos genitais, hormônios,
aborto, enfim eu não tinha conhecimento de nada e estas eram as palavras que eu
ouvia a médica dizer repetidamente. As partes íntimas do nosso corpo ainda eram
completamente abstratas para mim. Naquela época, até para beijar era difícil e
escondidos trocávamos o tal do “selinho” que as pessoas falam hoje, e ficávamos
com o rosto completamente rosados, ficávamos envergonhadas, olhos baixos e
sorriso amarelo. Beijar um rapaz era muito raro. Eu tive um namoro que durou
alguns meses e depois de muitos anos a gente voltou a se falar e eu perguntei a ele
se nós havíamos beijado e ele disse que não. Pegar na mão também era difícil e
sair para namorar, somente com um irmãozinho nos acompanhando. Mas mesmo
assim, a vida era bela nos anos sessenta. Essa era talvez a beleza da vida. As
coisas eram delicadas, inocentes e ingênuas.
O gerente que era casado e tinha filhos conhecia muito bem quando uma
mulher estava grávida além do mais nós usávamos uniforme, e não era saia e blusa
que você pode disfarçar se engorda um pouquinho deixando a blusa soltinha por
cima da saia. Nosso uniforme era um vestido com cintura marcada, saia de pregas
que era a moda na época e ele era todo aberto na frente com botões de cima até
embaixo e o prendíamos com um cinto largo, feito com o mesmo tecido do vestido.
Como eu estava comendo muito e o feto dentro de mim insistia em sobreviver,
nessa altura eu já não tinha condições de apertar o cinto, portanto ele percebeu meu
estado. Mas ele não poderia ter uma conversa comigo antes de me mandar para o
médico sendo ele um homem casado e experiente no assunto? Eu mesma poderia
ter ido sozinha ao médico mas certamente ele precisaria de uma testemunha para
seus objetivos.

No dia seguinte quando cheguei à loja pela manhã o gerente me chamou para
uma conversa em particular. Não fui eu que descobri por mim mesma que eu estava
grávida, não foi a médica quem disse pra mim que eu estava grávida e sim o
gerente da firma em que eu trabalhava. E ele era um homem comum e não um
médico e isso foi duro demais e doeu dentro de mim como uma punhalada. Meus
olhos começaram a lacrimejar e eu me esforçava pra não chorar na frente dele,
porém meu sangue começou a esquentar e foi subindo até a cabeça e eu tive
vontade de gritar e sair correndo, mas tive medo e me controlei naquele momento
mesmo porque eu me sentia muito frágil. E de cabeça baixa ouvi tudo o que ele
tinha que dizer sobre mim mesma e fiquei envergonhada e bastante humilhada com
aquela revelação. Ele mesmo me explicou minha situação, ele mesmo me explicou
o estado em que eu me encontrava e disse que para meu caso poderia haver uma
saída e ainda de cabeça baixa fui ouvindo atentamente seu plano. Ele tinha um
casal de amigos em São Paulo que não poderia ter filhos, portanto, se eu aceitasse
ir morar com eles e doar minha criança eles pagariam toda a minha despesa
durante o período de gravidez e depois eu voltaria a trabalhar na firma novamente.
Ele por sua vez, diria aos funcionários que eu tinha sido transferida por uns meses e
se eu aceitasse sua proposta teria que assinar um documento e que fosse
registrado no cartório porque ele e o casal exigiam sigilo total sobre o assunto. Ao
ouvir aquela barbaridade as lágrimas rolaram pelo meu rosto abaixo e eu
inevitavelmente comecei a soluçar e a gemer de dor. Com gestos calmos ele pegou
o telefone interno e pediu que alguém me trouxesse um copo de água e após eu ser
servida ele disse para que eu pensasse seriamente sobre o assunto e que me
deixaria por uns momentos até que eu me recuperasse do choque. Saiu, fechou a
porta e me deixou sozinha com meu dilema e uma carga enorme em minhas costas.
Como as pessoas podem ser tão frias, tão calculistas e cruéis!

E agora, o que seria de mim? Como meus pais reagiriam? Lembrei-me de um


irmão que levou uma surra tão grande que mamãe teve que dar um banho nele com
água e vinagre e eu pensei que o mesmo poderia acontecer comigo e eu não
poderia suportar. O meu pai era um homem muito bom, mas era severo demais e eu
não aguentaria suas represálias e pensei que poderia apanhar até a morte. Eu sabia
que poderia ser expulsa de casa também, mas pra onde eu iria? Pensei no meu
emprego, pois eu teria que depender de um salário pra me sustentar e também
sustentar aquela criança dentro de mim e que não havia pedido para vir ao mundo.
Que fazer? Mesmo me sentindo derrotada e chorando desesperadamente, mesmo
com todos as dificuldades e atribulações que eu teria pela frente a partir daquela
minha decisão, quando o gerente abriu a porta novamente, com voz partida e em
lágrimas descendo pelo meu rosto afora eu disse a ele que não iria pra São Paulo e
que aquela criança que estava dentro de mim naquele instante já estava gerando
amor em meu coração e que seria minha, somente minha e que eu não a daria pra
ninguém, pois era sangue do meu sangue. Se eu tivesse do bom e do melhor esta
criança também teria do bom e do melhor, mas se eu tivesse que passar fome esta
criança passaria fome comigo. Eu iria fazer de tudo para que ela tivesse uma vida
digna de ser vivida.

Em silencio ele sentou e calmamente pegou o telefone e discou um número e


em poucas palavras foi dada naquele momento a minha sentença. Desligou e me
disse pra passar no Departamento Pessoal. Abriu a porta e fez sinal para que eu
saísse. Quando cheguei os papéis para minha demissão já estavam todos prontos e
dali mesmo pediram que eu me retirasse sem ao menos ter direito de me despedir
dos colegas de trabalho. Logo eu que havia sido coroada Princesa da Primavera em
um concurso de beleza que a rede de lojas realizava todos os anos. Será que nem
isso valia nada pra eles? Claro que não, beleza não te leva a lugar nenhum quando
a sociedade hipócrita tem outros propósitos e não aceita falha humana. Só faltou me
retirarem dali na companhia dos seguranças e fui praticamente expulsa do meu
ambiente de trabalho. Isso é o que eu poderia chamar de conspiração.

Quando meu namorado tomou conhecimento do fato também não quis mais
saber de mim e o que ele fez foi mandar um empregado levar um envelope com o
dinheiro pra fazer o tal do "aborto", a mesma palavra que eu ouvi várias vezes na
salinha do lado de fora do consultório da médica. Ele não teve nem coragem de me
encarar face a face. E até me ameaçou de morte se eu fosse atrás dele. E ele faria
isso sim porque era muito rico, e quem daria importância à morte de uma jovenzinha
boba do interior de Minas Gerais quando um filhinho de papai quer apenas se
divertir e o dinheiro pode comprar qualquer advogado sem escrúpulos?

A mãe da minha melhor amiga e que era minha vizinha de porta, a única
amiga que eu considerava como irmã do coração, a proibiu de falar comigo. E nem
pra ela eu pude falar as coisas que se passavam dentro de mim naqueles dias. Eu
estava só, completamente só e perdida. Frustrada e humilhada. Eu nunca havia me
sentido tão só em toda a minha vida. Eu já estava tremendamente envergonhada
me sentindo uma vil pecadora por estar grávida e ainda me afastaram da minha
amiga, do meu emprego e principalmente de Deus. Entretanto o tempo foi passando
e minha amiga chegou à conclusão de que desobedeceria sua mãe em prol de
nossa grande amizade e me procurou secretamente e armamos um plano pra nos
encontrarmos às escondidas. Mas e a minha família? Como reagiriam meus pais?
CAPÍTULO 7

“No mundo passareis por aflição, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. João
16.33b. Jesus falando aos discípulos.

Naquela época meu pai estava viajando, ganhando almas para Cristo enquanto sua
filha estava se “perdendo” como deve ter sido o pensamento de muitos. E minha mãe,
coitada, nem me olhava frente a frente, não tinha coragem nem condições psicológicas
para me orientar. E nem saberia. Ela vivia de cabeça baixa como quem se culpava por isso.
Ela se afogou no trabalho, costurando até de madrugada e dando aulas de costura em uma
loja no centro da cidade durante o dia. Foi minha irmã Nívea, a mais velha das cinco irmãs
quem conversou comigo e com minha mãe. Ela foi como uma ponte entre nós,
conversando e convencendo as duas a se unirem para uma conversa clara. Minha mãe não
tinha coragem de me encarar e eu não sabia o que falar nem como explicar a minha
situação, pois nem eu mesma estava acreditando no que estava me acontecendo. Eu
mesma não entendia o que estava se passando comigo tal era a minha ignorância e falta
de informação sobre o assunto.

Verdade é que até nos anos sessenta as mães não conversavam sobre os assuntos
íntimos femininos com as filhas. Lembro-me que até poucos anos antes quando elas
estavam em trabalho de parto a gente só conseguia ver o movimento das parteiras entre o
quarto e a cozinha e ficávamos curiosos, mas nada se comentava em frente às crianças.
Tudo era muito camuflado e elas conversavam aos sussurros. De repente, um choro de
bebê vinha do quarto e ficávamos estarrecidos porque não tínhamos visto a tal da
“cegonha” voando no teto da casa como nos fora ensinado e até acreditávamos nessa
história. Porque não acreditar se eram os adultos que nos diziam estas coisas? E nós
confiávamos em tudo o que nos era dito. Tudo o que nós aprendíamos era com nossas
colegas de escola e com nossas amiguinhas, mas não falávamos sobre coisas íntimas. No
dia em que fiquei menstruada pela primeira vez eu pensei que estava machucada, mas e a
“dor” que eu não sentia? Eu fiquei desesperada, pois não tinha ideia do que era aquilo.
Fiquei até com receio de contar e mostrar para alguém afinal eu não tinha nenhuma
amizade no colégio. Como justificaria aquilo? Fiquei menstruada no colégio, interna, e
também meus seios começaram a crescer no colégio e lamentavelmente não houve
participação familiar na minha saída da infância. Meus primeiros sinais de “menina mulher”
estavam acontecendo no internato de um colégio, portanto, apoio familiar não houve. Eu
estava completamente só, com minha dor, com meus problemas e meus órgãos femininos
despontando dentro e fora do meu corpo, de mim. E não tive nem o privilégio de me apoiar
em minhas irmãs mais velhas como fazíamos quando íamos para a cama à noite,
conversando sobre nossas “coisinhas” íntimas, nossos segredinhos. Aquele bate-papo de
irmãs para irmãs faltou no meu desabrochamento da vida de criança para a adolescência.
Muita dor ficou dentro de mim. Muita pergunta sem resposta.

Meu pai assim que voltou de viagem me viu vestida de grávida, a barriga insistindo
em crescer, deve ter tido a maior decepção da vida dele. Não me bateu como imaginei
porque ele deve ter pensado também que não se bate em mulher grávida, pois isso é um
ato de violência e isso pode até ser um crime e ele jamais cometeria um crime. Mas ele
disse claramente que naquela casa eu não poderia ficar. Ou ouvir tais palavras logo
imaginei que estava sendo expulsa de casa.

Quanta fatalidade e adversidade em minha vida! E não parava, tudo contribuía contra
mim, para o meu mal, para que eu fosse interpretada como uma pessoa vadia e sem
escrúpulos.

Fui expulsa do colégio quando criança. Fui expulsa da escola, fui expulsa da igreja,
fui expulsa do trabalho e também fui expulsa da casa dos meus pais duas vezes porque
dois anos após o nascimento da minha filha minha mãe também me expulsou de casa
forçada pelos meus dois irmãos mais velhos. Naquela noite eu estava trabalhando na
televisão até quase meia-noite fazendo comerciais ao vivo para o Super-Cine e quando saí
não tinha ônibus. Um colega me deu carona e ao chegar em minha casa conversamos um
pouco e quando eu me despedi ao tentar abrir a porta eu não consegui e o meu colega
tentou abri-la sem sair do carro e encostou o cotovelo no volante e então para completar
minha desventura a buzina disparou. Meus dois irmãos mais velhos se levantaram
apressadamente e acordaram a mamãe e a forçaram a me expulsar de casa sem direito e
levar minha filha porque eu estava sendo um péssimo exemplo para ela, para os irmãos
menores e para a vizinhança.

Me lembrei também do que meu irmão mais velho fez comigo numa ocasião em que
cheguei tarde da televisão. Nosso quarto estava trancado, pois o papai dava ordens para
que eu não chegasse tarde da noite e então da forma como eu cheguei, com a roupa de
trabalho eu me deitei no sofá da sala e dormi. De madrugada eu acordei com ele em cima
de mim. Ele estava de pijama e eu com a roupa do trabalho, mas ele estava com seu corpo
em cima do meu corpo. O outro irmão abaixo dele eu o peguei me olhando no banheiro
enquanto eu tomava banho. Como eles poderiam ter moral pra incitar minha mãe a me
expulsar de casa?

Além de todo o meu sofrimento eu descobri que todos os meus nove irmãos tinham
sobrenome na certidão de nascimento, menos eu. Tudo que tinha na certidão era: Edna - - -
. Esse era meu nome. Somente anos depois de ter os registros dos meus trabalhos como
radialista, comunicadora e atriz e também fotos em jornais e revistas é que consegui junto
ao cartório colocar o nome que tenho hoje caso contrário eu seria eternamente Edna.
E enquanto eu preparava minhas roupas pra ir embora foram passando todas estas
situações penosas pela minha cabeça como um filme, sem eu mesmo ter culpa em nenhum
destes infortúnios. Eu tinha todas as armas nas mãos pra dar um fim no meu desespero, na
minha vida e na falta de solidariedade das pessoas ao meu redor, mas Deus foi me
amparando, me dando amor e me reestruturando pouco a pouco e eu nem ao menos
pensei nele como escapatória para o meu sofrimento. Mesmo sem eu saber Deus foi à
frente de tudo o que estava acontecendo comigo e não me deixava esmorecer. Quando eu
sentia que estava enfraquecendo Ele me dava forças pra continuar. E a criança que crescia
dentro de mim queria vida e lutava para sobreviver e de certa forma me transmitia uma
vontade enorme de vencer. E eu lutava contra o mundo, contra os preconceitos,
intolerância e rejeições e contra mim mesma.

Estou te contando tudo isso para que você tenha fé em si mesma e tenha fé em Deus
em primeiro lugar porque durante a leitura deste meu testemunho você começou a
conhecer mais de Deus do que eu conheci até poucos anos atrás. E eu venci todas as
perseguições e todos os abusos que você possa imaginar. E se eu venci você também
pode vencer porque Deus é fiel e assim como Ele esteve comigo por todas as trilhas e
estradas que eu cruzei Ele está contigo também e vai te ajudar em todo o seu caminho
mesmo que ele seja pedregoso ou mesmo que seja um deserto sem água e sem uma
árvore para que você possa descansar debaixo de sua sombra. Olhe pra mim e veja meu
passado. Uma mulher fraca e sofrida, com o mundo inteiro contra mim. Olhe novamente e
veja quem eu sou agora. Uma mulher forte e corajosa porque Deus me libertou. Não
importa se você está amargurada, não importa se neste momento você está passando por
dificuldades, por lutas, por tentações e rejeições. Deus é o nosso refúgio e a nossa
fortaleza, Ele é o nosso socorro bem presente na hora das nossas tribulações. Ele me
libertou da vergonha, da desonra e de toda calamidade e pode te libertar também porque
você é filha amada de Deus e a única coisa que você precisa é crer nele e pedir ajuda.
Clame por Ele e Ele te ouvirá. Ele é o único Deus vivo e pode todas as coisas. Não deixe
que as adversidades deste mundo superem o amor de Deus por você. Ele é a resposta.
Deixe que Ele te ame, deixe que Ele te abrace, enxugue suas lágrimas e mude sua vida.
Não há nada no mundo que Deus não pode fazer porque Deus é o Deus do impossível.

Meu pai era um homem muito inteligente e sábio e me questionou como se ele fosse
um agente policial e eu na realidade já estava me sentindo como uma criminosa e foi difícil
encará-lo, olhar nos seus olhos e ter que me abrir com ele naquele momento de
interrogatório, ter que explicar a ele toda a situação em que fui envolvida e por mais que eu
tentasse dizer que não tinha feito nada, ele não acreditou evidentemente, e me levou para
fazer um exame na Medicina Legal. Resultado do teste: “Deflorada devido ao estado de
gravidez”. Eu tenho esse documento até hoje se alguém duvidar das minhas palavras. Eu
não fui deflorada pelo pai da minha filha e como eu havia dito antes eu não tive
profundidade de relacionamento e eu não entendia o que estava se passando e não tinha
como explicar a minha situação para o meu pai. Simplesmente não sabia o que dizer, não
sabia o que falar. Mas o meu pai viu com seus próprios olhos que sua filha ainda era uma
menina pura e inocente. Passei por momentos cruciais entre aquele exame e a volta para
casa porque o papai não abriu a boca pra falar uma palavra comigo. Aliás, o meu pai era de
pouca conversa, ele agia mais do que falava e esse era o meu medo.

Dias depois, meu pai que deve ter ficado desesperado com o ocorrido, pois era um
homem íntegro e de boa fama, me levou para um lugar onde ninguém pudesse me ver
naquele estado e onde ninguém me conhecia. Sua filhinha que deveria ser missionária
estava grávida. E não tinha marido. Apesar de todo o meu sofrimento eu tive pena do meu
pai, ele deve ter sofrido mais do que eu, pois eu o decepcionei mais uma vez assim como
decepcionei minha mãe e também a Deus que já tinha um plano pra mim desde o ventre da
minha mãe. Antes de nascer de novo, antes de ter consciência de que Deus nos perdoa
quando confessamos nossos pecados e nos entregamos a Ele, eu chorei muito quando me
lembrava dessa época. Se eu pudesse voltar atrás em algum momento de minha vida para
pedir perdão aos meus pais, o momento seria esse.

Fui levada para uma casa onde abrigavam moças grávidas que não tinham
condições de se manterem e que também foram desprezadas pelas famílias. Mais uma vez
fui levada pra longe da minha família que eu tanto amava. Éramos quatorze grávidas ao
todo. Eu confesso que passei momentos difíceis naquele lugar e sofria muito pensando em
como minha vida tinha levado uma reviravolta tão grande e que ninguém esperava.
Naquela casa eles faziam a gente trabalhar o dia todo e nos tratavam como escravas.
Aprendi que gravidez não é doença, até faz bem trabalhar para o desenvolvimento da
criança, mas da forma como nos faziam trabalhar e como nos tratavam nenhum ser
humano merece. Nós nos sentíamos muito rejeitadas naquela casa e não podíamos
reclamar porque se não ficássemos ali para onde iríamos? Portanto sofríamos caladas,
somente trocando olhares de conformismo entre nós. Mas também conversar o que?
Desabafar umas com as outras? Estávamos na mesma condição, no mesmo barco, não
podíamos reclamar. E a tempestade era a mesma para todas nós. E também não tínhamos
condição nem de reclamar porque a casa era uma casa de “suporte às grávidas” sem
amparo familiar, mas também ali não tínhamos apoio humano e a instituição era mantida
pelo governo que não devia saber o que acontecia lá dentro, entre quatro paredes.

Eu e a outras que estavam ali na mesma situação lavávamos as roupas de toda a


casa que era de dois andares, com as mãos claro, pois as máquinas de lavar ainda não
haviam chegado no Brasil. Lavávamos também as roupas de cama, passávamos,
limpávamos o chão, os banheiros, enfim, fazíamos todo o trabalho de uma casa grande de
dois andares e ainda o quintal e não podíamos nos sentar durante o dia em nossa própria
cama. Os lençóis tinham que ficar esticados nas camas sem nenhuma ruga e sem
nenhuma dobra. Tinham que ficar como se tivessem sido passados a ferro naquele
instante. Pra quem e por que, não me pergunte por que eu também não saberia responder.
Essa era a nossa maior tristeza. Pode até ser que esperassem que algum fiscal do governo
passasse por lá pra fazer uma visita a qualquer momento.
Era assim que acontecia conosco, porém tínhamos que passar por tudo aquilo sem
contestar. Aquele lugar era muito rígido. E tínhamos que dar graças a Deus por termos um
lugar pra ficar. Nós éramos vigiadas pelas funcionárias que o tempo todo andavam pra lá e
pra cá em passos leves. Nenhuma palavra de amor e compaixão foi-nos dada pelas
pessoas que ali trabalhavam e nem nos era permitido conversar com elas.

No quintal dos fundos da casa tinha um pé de laranjas que de tão maduras caíam e
amarelavam todo o chão, mas não nos era permitido pegar. Nunca perguntei o porquê, pois
já era grande demais a minha vergonha de estar ali, já me era bastante pesado o fardo e eu
somente obedecia às regras humildemente e calada porque assim nos foi dito quando ali
entramos. A bem da verdade, me senti muito humilhada em estar naquele lugar. As nossas
refeições eram muito restritas e não comíamos arroz o que era substituído por trigo. Vez ou
outra minha irmã Nívea, ia me visitar e levava algumas bananas pra mim, por ser fácil de
comer e não ter cheiro forte, mas descobriram e fui obrigada a repartir com as outras. A
Nívea era a única da família que se importava comigo. Eu chorava minhas mágoas com ela
e reclamava da vida que eu levava naquela casa, ela então se sentindo penalizada pelo
meu estado, pelo meu sofrimento, decidiu me tirar de lá e me levar para seu barracãozinho
de um só quarto, uma sala e uma cozinha, onde morava com o marido e duas filhas. Toda
a família dormia no quarto e eu numa caminha dobrável na sala. Minha irmã se entristecia
com minha situação, mas não tinha condições de me dar uma vida melhor. A vida dela
também não era fácil, ela lutava com muita dificuldade.

Até que um dia meu pai foi a casa dela, arrependido, com a bíblia na mão e depois
dos cumprimentos leu em João 8 a passagem da mulher adúltera e parou no versículo 7
que diz: “Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra”.
Olhou pra mim com piedade, me pediu que o perdoasse e me levou para casa.

Meus irmãos tinham vergonha de mim. Não falavam nada na presença dos meus
pais, mas eu podia “ler” nos olhares e nas indiretas deles. Mulher solteira, grávida, na
década de sessenta era vergonha e humilhação para uma família. Poucos meses depois
“aquele” meu irmão que me olhava tomando banho quando me via sair às cinco horas da
manhã para fazer o pré-natal no Hospital das Clínicas me ofendia dizendo que eu estava
indo procurar “homem" e o nome menos feio que eu ganhei foi o de prostituta. Naquela
época ainda morávamos no bairro Serra e eu ia a pé até a área hospitalar atrás do Parque
Municipal da cidade onde eu fazia o pré-natal de graça, portanto, tinha que chegar bem
cedo porque o médico somente atendia trinta mulheres e pra sair de lá antes do meio-dia
eu tinha que chegar mais ou menos às seis horas da manhã. Era inverno e ainda estava
muito escuro quando eu saia de casa, mas eu precisava ir a pé porque não tinha nem
mesmo dinheiro pra tomar ônibus. E nesse período meu irmão me jogava tanta palavra de
maldição, claro, sem saber porque também não guardava a Palavra do Senhor. Ele não
deveria ter noção do que estava falando porque o inimigo fala como se fosse nós mesmos.
Ele sopra em nossos ouvidos coisas ruins, maldições, e acabamos falando bobagens,
falamos o que não devemos falar. E eu me sentia tão miserável com a situação que nem
conseguia responder às palavras grosseiras e perniciosas dirigidas a mim. Eu também
tinha medo dele que era valentão e devido ao meu estado que era além de delicado
fisicamente era delicado moralmente também. Por outro lado eu não tinha como responder.
Dizer o que? Porque me defender? Nem eu mesma sabia se eu era aquilo que ele dizia que
eu era.

Pouco tempo depois a minha família começou a ter problemas de estrutura. Portanto,
pensei que o desmoronamento de minha família começou a partir daí, de mim, dessa
situação insuportável e humilhante para todos os componentes que até então era uma
família crente e feliz. Aquela família maravilhosa que eu tinha na minha infância e na minha
adolescência e que eu tanto amo, verdadeiramente, já não mais existe. Porém eu creio nos
ensinamentos do Senhor quando ele inspirou Salomão no livro de Provérbios capítulo 22,
versículo seis que diz: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando
for velho, não se desviará dele”. Mas eu creio em nome de Jesus a quem eu sirvo, em seu
nome maravilhoso, o nome que está acima de todo nome, que, se eu voltei para Ele minha
família também voltará porque a família toda se desviou do Senhor, mas esta é sua
promessa registrada em Atos 16.31: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua casa”.
Aleluia, três de nós já voltamos para o Senhor e agora precisamos orar pela salvação dos
outros. E eu confio no meu Deus e oro com todas as forças que tenho dentro de mim de
que “eu e minha família serviremos ao Senhor”, assim como Josué grande homem de Deus
disse em seu livro no capítulo 24 versículo 15b. Esta é a minha oração diária. E creio que
esse dia está próximo, muito próximo porque Deus faz mais, muito mais e além do que
pedimos e imaginamos. Amém.
CAPÍTULO 8

“Senhor, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando a procura
de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais pra mim”. Salmos 131.1

Minha filha nasceu linda, perfeita, cheia de saúde, era como se fosse minha
bonequinha. A bonequinha que eu nunca tive, pois meus pais não tinham condições
financeiras para comprar brinquedos para nós, e tudo o que eu queria na minha infância era
ter uma bonequinha como minhas amiguinhas. Agora eu tinha uma bonequinha. Uma
bonequinha de verdade que fala, que canta, que ri e chora; de carne e osso e que eu teria
que ter muita responsabilidade, amor, paciência e também muita sabedoria para educá-la.

Passado o período de resguardo, exatamente três meses após o seu nascimento eu


comecei a procurar emprego e olhando os classificados num jornal local vi um anúncio que
me chamou a atenção. Uma agência de publicidade estava procurando garotas-
propaganda para trabalharem na Televisão. "Puxa, que legal”! - pensei.

Dois dias depois eu estava mostrando meu rosto para milhões de pessoas através da
TV Belo Horizonte, posteriormente TV Globo e que hoje é a superpotente Rede Globo de
Televisão. Naquela época os canais de televisão ainda não transmitiam as novelas em rede
nacional, portanto, nós, as garotas-propaganda que anunciávamos os produtos dos
grandes anunciantes éramos as atrações dos tele-espectadores. Fazíamos cerca de seis a
oito comerciais por noite, e tudo decorado na ponta da língua e mostrávamos nossos
sorrisos como se fossemos as mulheres mais felizes que existiam no mundo. Eu era
reconhecida nas ruas e as pessoas até se cutucavam uma na outra quando me viam,
porém eu nunca me envaideci por causa disso. Nunca me senti orgulhosa por ser
reconhecida nas ruas, muito pelo contrário, eu sempre fui uma pessoa muito simples e
humilde e sentia até um pouco envergonhada quando elas apontavam pra mim ou mesmo
quando vinham falar comigo. Eu era vaidosa sim e gostava de andar bem arrumada, bem
penteada e com sapatos da mesma cor das bolsas, mas vaidade por ser bonita e estar me
mostrando na telinha das casas das pessoas não, isso não me envaidecia de forma
alguma.

O rádio até então era o canal de entretenimento das pessoas, mas quando chegou a
televisão ela veio com força total porque mostrava as imagens, portanto, nós que
aparecíamos naquela telinha ficamos conhecidos num piscar de olhos. Naquela época
existiam apenas três canais de televisão em Belo Horizonte e no meu caso que era
contratada por uma agência, eles me mandavam cada dia para um canal diferente, portanto
eu me tornei uma figura bastante conhecida. Os outros canais existentes naquela época
eram a TV Itacolomy, TV Alterosa e a TV Vila Rica onde eu trabalhei também e que chegou
pouco tempo depois, mas hoje, todas extintas.

Além dos comerciais que eu fazia, um dos produtores da TV Globo descobriu meu
talento e me convidou para apresentar um programa infanto-juvenil criado por ele mesmo,
Rubens Radick, aos sábados à tarde. Radicklandia era o nome do programa. Além de fazer
a apresentação eu também cantava no programa e minha irmã Darcy que também cantava
fazia dupla comigo de vez em quando. E o grupo musical que abrilhantava o programa era
A Junta com os músicos: Dedé, Vicente, Fidel, José Carlos e Fernando que era o líder do
conjunto.

O programa tinha como convidados especiais cantores famosos do programa Brasa


4 da TV Itacolomy tais como Wagner Carone, Amir Francisco, Dalva Riguetti e também
alguns dos cantores da Jovem Guarda, como Vanderléa, Silvinha, Eduardo Araujo, o
menino de trança Claudio Fontana, Martinha, e outros. Também tive o privilégio de
entrevistar alguns dos jogadores de futebol que eram bastante conhecidos tais como,
Tostão, Piazza, o goleiro Raul e Dario Peito de Aço entre outros, e algumas pessoas da alta
sociedade de Belo Horizonte. E meu talento estava sendo reconhecido na capital mineira,
pois fui convidada para apresentar vários programas de auditório e um deles foi o Ronnie
Von na Secretaria de Saúde com meu amigo Luiz Edmundo. Recebi também um convite
para ser dançarina em um programa que o Albertinho Limonta apresentava, semanalmente,
no auditório da TV Itacolomy.

Daí fui para o Rádio e me apaixonei. Passei pela rádio Inconfidência, Itatiaia,
Tiradentes onde eu apresentava um programa cujo titulo era: “Saudade Não Tem Idade”
somente com músicas da Jovem Guarda, e posteriormente rádio D'el Rey FM que foi a
primeira emissora FM de Belo Horizonte.

Em todos os lugares que eu trabalhava minha pequena Cláudia ia comigo e todos


gostavam muito dela. O apelido dela era “rabinho”, pois ela estava sempre atrás de mim,
mas ela era uma garotinha muito bem comportada e nunca perturbou o meu trabalho.
Todos a admiravam e gostavam muito dela por isso. Eu entrava no estúdio para trabalhar e
ela ficava quietinha, sempre prestando atenção nas falas e nos gestos da “mamãe”. Ela me
acompanhou tanto que acabou sendo chamada pra fazer um comercial de uma fábrica de
chocolate e também ganhou um troféu em um concurso de “Corrida de Baby”.

Em 1976 fui para o Rio de Janeiro a convite de um amigo, o famoso radialista e


dublador Márcio Seixas. Como contratada da Herbert Richer´s, trabalhei doze anos e
dublei várias séries de televisão incluindo das mais conhecidas “Acredite se Quiser” e
“Dallas” e os desenhos animados “As Aventuras do Super Homem” onde interpretei a Lois
Lane” e também o “Homem Aranha” onde fiz a voz da Betty e a Bruxa da serie “Popeye” e
as bruxas dos filmes O Pássaro Azul e O Mágico de Oz. Mas claro que não foram apenas
estes os meus trabalhos em doze anos de dublagem no Rio, mas estes são os que eu mais
gosto.

Trabalhei também nas empresas de dublagem Delart e VTI e nas emissoras de


rádios D'el Rey FM, Fluminense FM, Capital AM, Estácio FM e FM 105. Fiz várias
participações como atriz na TV Globo do Rio, inclusive a voz do Denis Carvalho quando ele
era pequeno, no especial Malú Mulher onde a Regina Duarte era o personagem principal da
série; Carga Pesada, Plantão de Polícia e uma participação na novela “Uma Rosa com
Amor” contracenando com Tonia Carreiro e eu me apaixonei tanto pela forma como ela me
tratou porque ela esqueceu uma fala e o diretor colocou a culpa em mim, mas ela
humildemente disse que a falha foi dela e assim continuamos a gravação. Quando saí do
estúdio eu fui direto para uma padaria ao lado da televisão e comi muitos docinhos em
homenagem a ela.

Em meu curriculum inclui também várias peças de teatro, incluindo “Do Cárcere ao
Santuário” e “A Virgem de Fátima” que foram apresentadas no Teatro da Gávea do Rio de
Janeiro, e em escolas. Por muito tempo eu personifiquei a virgem Maria mãe de Jesus na
peça “A Paixão de Cristo” que foi também apresentada em colégios. Fiz várias peças
infantis e religiosas no teatro da Gávea, no teatro Tereza Raquel e em algumas escolas.
Também os papéis femininos a peça do Millor Fernandes “O Homem do Principio ao Fim”
que me deu uma bagagem muito grande em termos de dramatização e interpretação.
Portanto, agradeço ao diretor de teatro Nobel Medeiros que confiou em mim tanto quanto o
produtor de televisão Rubens Radick confiou quando eu morava em Belo Horizonte.

Importante dizer que vez ou outra a Rede Globo precisava de alguém com alguma
característica especial e ia aos estúdios da Herbert Richer's a procura de algum talento e
eu era sempre indicada, por isso até emprestei minha voz a um gay que não tinha voz
adequada para o personagem que estava interpretando. Também ganhei um teste e
emprestei minha voz para a travesti Roberta Close em um comercial que estava lançando
uma linha de produtos porque o texto tinha dupla intenção e ela não tinha voz sensual
como o comercial exigia.

Durante muitos anos eu apresentei o Jornal da Arquidiocese aos domingos pela


manhã da Rede Globo de Televisão no Rio de Janeiro logo após o programa Santa Missa
em Seu Lar. Esse programa era a “menina dos olhos” do Roberto Marinho, segundo o
coordenador e produtor do programa e isso foi muito bom pra mim, pois o carro da Rede
Globo me pegava em casa toda semana para a apresentação do programa e depois me
levava de volta. Para esta apresentação eu era penteada pelas cabeleireiras da Globo e
vestia as roupas das atrizes das novelas. E o Sr. Roberto Marinho um dia estava saindo
quando eu cheguei e ele abriu a porta da televisão, olhou bem dentro dos meus olhos,
segurou a porta para que eu passasse e me cumprimentou com um gostoso e largo sorriso
e me desejou um bom dia com muita alegria. Nesse momento eu pensei: “O senhor
Roberto Marinho me reconheceu. Puxa, que prazer ser reconhecida pelo todo-poderoso da
Rede Globo de Televisão”. Agora, imagina você ser reconhecido pelo Todo-Poderoso Rei
dos céus e da terra!
CAPÍTULO 9

“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto,


quem o conhecerá”? Jeremias 19.9

Eu era uma pessoa bem sucedida. Não era famosa, não era rica, nunca fui e nem
desejei ser, mas era bem reconhecida pelos trabalhos que fazia. Já aconteceu de
reconhecerem minha voz quando eu ia fazer compras e uma mulher uma vez me disse que
colocou o nome da filha dela de Edna porque era minha “fã”. Mas não me vangloriei por
isso. Eu também tinha sucesso com os homens, eu tinha sucesso em minha carreira e eu
tinha sucesso financeiramente. Nunca me faltou nada, materialmente falando, graças a
Deus. Mas as coisas mudaram por um breve período de tempo. Quando eu cheguei ao Rio
eu passei por alguns momentos de dificuldades e adaptação, claro. Creio que todos os
estrangeiros e imigrantes passam por isso, mas nunca me faltou comida nem nunca me
faltou dinheiro pra tomar as conduções que me levaram ao trabalho, isso não.

Minha filha, Claudia, foi passar um final de semana comigo no Rio de Janeiro
acompanhada de minha irmã, quando eu morava com umas moças em um pensionato em
Copacabana e ela então decidiu que não voltaria para Belo Horizonte e resolveu ficar
comigo, pois gostou de estar rodeada de pessoas diferentes, e também de Copacabana,
claro. Quem não gosta daquele ar gostoso de praia, de pessoas alegres, de mar, sol, brisa,
cores, tudo isso encantou minha pequena Cláudia ainda com treze anos de idade. Mas ali
não tinha ambiente para ela então tive que procurar outro lugar pra nós e que aceitasse
criança. Por algum tempo nós comíamos pão com mortadela e coca-cola no almoço e miojo
no jantar porque onde fui parar, não tinha como cozinhar e nem havia espaço na geladeira
para que eu pudesse guardar nossa comida porque o que encontrei foi um apartamento
kitinete que até nos trouxe momentos de riso. A mulher tinha uma cama beliche com dois
filhos dormindo embaixo. Ela me aceitou porque viu meu desespero para encontrar um
lugar em cima da hora e eu fiquei ali com a Claudia até encontrar um espaço só nosso. Eu
dormia com minha filha na parte de cima do beliche até às quatro ou cinco da manhã
quando ela chegava do trabalho e então, tínhamos que levantar. As crianças que dormiam
na parte debaixo levantavam às seis horas para irem pra a escola e então nós deitávamos
de novo pra terminarmos nossa noite. E assim vivemos por algum tempo até que eu
conseguisse me adaptar no Rio de Janeiro e ficar conhecida dos diretores de dublagem e
dos estúdios de gravação, para então, conseguir um crédito e alugar meu próprio cantinho
e viver tranquila com minha filha.

A partir do momento em que fui contratada pela Herbert Richer's e já, com referencias,
aluguei um apartamento de dois quartos quase em frente ao Estádio Maracanã pra ficar
com minha queridinha filha. Mas isso não durou muito tempo porque o inquilino
sobrealugou o apartamento e quando a imobiliária descobriu pediu meu despejo e eu tive
que me mudar antes do despejo acontecer para não ter que passar pela vergonha de um
processo judicial. Com ajuda de amigos poucos dias depois encontrei um apartamento na
Saens Pena o que me facilitou mais, pois dali eu poderia tomar condução para vários
lugares do Rio de Janeiro. Consegui também um emprego em uma emissora de rádio que é
um trabalho que sempre me fascinou, Rádio De’l Rey FM bem pertinho, apenas um
quarteirão e meio do meu prédio.

E eu comecei a ganhar um bom dinheiro. Tudo o que eu queria eu comprava e se eu


quisesse, poderia almoçar e jantar em restaurantes todos os dias. Eu fazia isso sim, várias
vezes por semana inclusive com os amigos da dublagem na Tijuca. Raramente eu
cozinhava em minha casa. Naquela época os restaurantes ainda não contaminavam as
comidas como fazem nos dias de hoje.

Eu tinha tudo o que eu queria de acordo com minhas finanças o que não era muita
coisa, pois sempre fui muito simples em meus desejos e eu nunca fui uma pessoa dada ao
luxo, portanto eu poderia me identificar como uma pessoa realizada, a meu modo, claro.
Mas, com tudo isso eu não me sentia feliz, não tinha paz e estava determinada a encontrar
minha felicidade “custe o que custar” e também paz no meu espírito porque eu sentia um
grande vazio dentro de mim.

Morei no Rio de Janeiro por doze anos e durante esse período conheci muita gente
que frequentava centros espíritas, messiânica, ciganas, búzios e centros de macumba,
seicho-no-iê e tudo o que me diziam que era bom. Só não me apresentaram a Jesus. E eu
pensava que poderia encontrar a felicidade que eu tanto procurava em um lugar daqueles e
pra onde as minhas amigas iam, eu ia atrás. Foi o início do meu sofrimento e da minha
decadência espiritual.

Minha primeira experiência com a Nova Era, foi no Hotel Glória, no Rio de Janeiro
em 1985 quando fui fazer o Mind Control um curso de controle mental sugerido por um
amigo. Esse curso coloca tanto exercício mental na cabeça da gente que dá até pra ficar
louco em lugar de controlar a mente. A partir deste momento minha vida foi se
transformando sim, pra pior porque eu passei a conviver com a dúvida, com a incerteza,
com a crueldade do mundo, enfim, comecei a ver como era o inferno na vida do ser
humano. Só que o inimigo faz as coisas tão bem feitas, tão sutil, com tamanha precisão,
que você não se dá conta de que está se afundando num poço.

No curso de controle mental, você às vezes precisa de muito tempo pra fazer as
meditações porque os exercícios que você faz são muito lentos e você precisa contar
mentalmente o numero três, três vezes. Dois, três vezes e um, três vezes também. Você já
está meditando no curso e ainda cria um lugar em sua mente pra você descansar e
meditar. Esse lugar você visita todas as vezes em que vai meditar e é chamado de “lugar
de descanso”. Eles sugerem os lugares pra você escolher tais como uma montanha, um
jardim, uma praia e você se sente feliz por estar em um lugar somente seu, um lugar que
ninguém conhece, aonde ninguém vai te incomodar e você faz nesse lugar o que você mais
gosta de fazer na vida e constrói sua vida, seu futuro, fala com amigos, com pessoas
distantes e até com quem você ama e não mais está ao seu lado. No seu lugar de
descanso quem manda é você portanto, você tem total liberdade. Muitas vezes eu
acordava às quatro horas da manhã para meditar. Eles sugerem que você esvazie sua
mente e eu tentava o máximo que eu podia e não conseguia porque enquanto eu estava
fazendo a contagem regressiva eu pensava: ah! que sono, que vontade de dormir mais, até
que cheguei a triste conclusão de que isso não existe, você não consegue estar de mente
vazia. Só se você dormir e não sonhar, claro. Ou será que isso só acontecia comigo? E
você paga caro por isso, muito caro. Esses cursos são caríssimos. E você também é
induzido a fazer reciclagens do programa. Mas paga também, pois nada é de graça. Tanto
é que eu e minha filha que também fez a curso fomos para Nova Jersey e no Texas pra
fazer reciclagem do curso quando nos mudamos para Nova York. E a gente achava tudo
maravilhoso, tudo fascinante! Adorávamos fazer nossas viagens para estar nestes lugares
e era para nós duas uma grande oportunidade para fazermos turismo e conhecer mais um
pouco os Estados Unidos. E o meu coração se deixou enganar por tantas heresias e seitas
que eu a cada dia estava em um lugar diferente à procura da minha felicidade e meu
sossego interior. O pior de tudo é que eu levava minha filha comigo aonde quer que eu
fosse. E a paz verdadeira, a vida verdadeira que se encontra em apenas um nome, Jesus,
estava bem longe de nós. Ou melhor, estávamos cada vez mais afastando Jesus de nós.

Gastávamos muito dinheiro em viagens de avião, aluguel de carro, restaurantes,


cursos e também com hotéis e compra de lembranças e cartões das cidades para nós e
para mandarmos para os familiares e amigos. Um dia, fazendo a reciclagem em Nova
Jersey, o instrutor disse que você poderia programar a sua morte. Oba! Eureca! Eu, como
estava bonita naquela época, muito requisitada nos trabalhos que eu fazia e admirada pelo
sexo masculino tinha medo de envelhecer, ficar feia e inútil, e saber que eu teria uma
solução ouvir aquilo foi como uma saída que apostei nela, isto é, eu programaria a minha
morte pra quando eu quisesse porque em Nova York eu trabalhava com gravações,
noticiários pelo telefone e também em uma emissora de rádio. Veja bem até que ponto
chega a ignorância do ser humano sem Deus. Curso de controle mental ensinando a
pessoa a programar sua própria morte. Isso deveria ser considerado como crime. E eu
acreditei nessa mentira e decidi que não viveria mais do que cinquenta anos porque eu
pensava que estaria um “caco” ao chegar a esta idade e também já estava ficando cansada
da minha vida sem graça e sem ninguém pra me amar e me fazer companhia. Você pode
imaginar o que aconteceu, não é? Se eu não morri com a programação que fiz com os
métodos de controle mental isso quer dizer que o que nos é ensinado é mentira, é falso, é
apenas dinheiro jogado fora. E olha que eu fiz tudo direitinho porque eu confiava muito
nessa “coisa” pra não dizer esse “trem” porque eu sou mineira; de controle mental. Tive um
trabalho enorme pra acordar de madrugada, fazer os exercícios que nos é ensinado e
entrar no laboratório, porque chegamos a um estágio do curso em que tínhamos nosso
próprio laboratório em que nos tínhamos nossos conselheiros e eles podiam ser pessoas
famosas, alguém de nossa família, alguém que gostamos muito ou mesmo alguém que já
morreu, e o que aconteceu? Nada, nada, nada. Nenhum deles me ajudou a morrer, graças
a Deus. Hoje estou com sessenta e três anos bem vividos e ainda quero viver muito mais,
com a graça de Deus. É por isso que preciso dar meu testemunho pra que você veja até
onde vai o ser humano que não acredita em Deus, que não acredita em Jesus. A Palavra
do Senhor diz que não cai uma folha de uma árvore se não for da vontade de Deus, não é
mesmo? Amém. Ainda bem que Deus sabe das coisas e não me deu ouvidos, pois eu teria
morrido sem alcançar a salvação e já estaria sofrendo nas garras do inimigo se Deus não
tivesse amor e compaixão por mim. Ele já tinha planos para a minha vida que são melhores
do que os meus. “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor;
pensamentos de paz e não de mal, para lhes dar o fim que desejais. Então passareis a orar
a mim, e eu os ouvirei. Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso
coração. Serei achado de vós, diz o Senhor, e farei mudar a vossa sorte”. Jeremias 29.11-
14a. Paz e felicidade? Naquelas meditações não estavam.
CAPÍTULO 10

···… “há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas,
ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já
vos pregamos, seja anátema”. Gálatas 1.7,8

Na messiânica, ainda morando no Rio de Janeiro, conheci o tal do jorei que segundo
eles, é oração em ação, e como a gente gosta de ficar quietinha nos dias calorentos do
nosso pais tropical, o jorei era uma boa pedida porque você fica sentadinha na cadeira
recebendo ou dando uma “oração” de quinze minutos com uma das mãos levantadas em
direção à outra pessoa em silencio e então você vai trocando de mão e assim
sucessivamente até completar os quinze minutos. Que monótono ficar quinze minutos de
boca fechada olhando um pra cara do outro não é mesmo? Às vezes a pessoa que está
ministrando fecha os olhos e de repente você olha e vê que ela está cochilando, então eu
pergunto: que oração seria essa? Mas preste atenção no que vou te dizer, não eram todas
as pessoas que ficavam quietas e caladas, a maioria das pessoas ficava conversando,
contando casos, criticando ou falando mal de alguém. O ambiente em todas por onde
passei não era bom porque havia muita fofoca mesmo sentadinha na cadeira, “orando”. Eu
também fofocava não estou tirando meu corpo fora. As ministrações, entretanto não são
muito diferentes, pois eles também, como em muitas outras seitas, acreditam em
reencarnação. Se você que está me lendo agora e conhece Deus, mas acredita em carma
e reencarnação, quero deixar aqui um versículo pra você meditar nele e que está no livro
de Hebreus 9.27. “E aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto,
o juízo”. Quem já morreu está dormindo o sono da morte até a segunda vinda de Jesus que
virá pra buscar os seus e então os que morreram em Cristo irão para o céu. Os que ainda
não se arrependeram dos seus pecados e não aceitaram Jesus como Senhor e Salvador,
comparecerão ao julgamento como está escrito no livro de Apocalipse 20.

Veja o que Meihsu-Sama fala sobre reencarnação:


“O tempo que o homem leva para reencarnar é bastante variável, podendo a reencarnação
ocorrer cedo ou tarde. A rapidez ou atraso são determinados pela própria vontade da
pessoa. Quando alguém morre e tem muito apego a este mundo, reencarna mais cedo.
Mas isso não traz bons resultados, porque no Mundo Espiritual a purificação é mais
rigorosa e, quanto mais tempo o espírito lá permanecer, mais será purificado. Quanto mais
purificado estiver, mais feliz será ao reencarnar. No caso de reencarnação prematura, a
purificação não foi completa, restando impurezas que deverão ser purificadas neste mundo.
Ora, a purificação no Mundo Material traduz-se em sofrimentos como doenças, pobreza,
acidentes, etc.: obviamente, a pessoa terá um destino infeliz”. Alicerce do Paraíso - vol. 3
Porém meus amigos o rei Salomão esclarece essa questão em seu livro de
Eclesiastes 9.5: “Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem
coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, porque a sua memória jazz no
esquecimento”. No capítulo 3.22 do mesmo livro ele nos diz: “Pelo que vi não haver coisa
melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras, porque essa é a sua recompensa;
quem o fará voltar para ver o que será depois dele? Pronto, a palavra de Deus disse tudo e
quem falar que existe reencarnação está chamando Deus de mentiroso. Agora eu pergunto:
Porque o Alan Kardeck ainda não foi reencarnado por ninguém? Porque Meishu-Sama
também não foi reencarnado ainda? Porque outros fundadores de seitas ainda não
reencarnaram em outras pessoas sendo eles próprios os defensores da reencarnação? Já
não seria tempo de algum deles ter voltado se isso fosse verdadeiro?

E Meishu-Sama continua:
“Para alcançar a verdadeira salvação da humanidade e extinguir os males sociais:
doença, pobreza e conflito, Meishu-Sama deixou três caminhos para que os homens
possam buscar a elevação do espírito e da matéria. São eles: Jorei, Agricultura e
Alimentação Natural e Beleza, que é representada pelos arranjos florais.”

Ele falou de salvação, mas não falou de pecado. Interessante, não acha? Pra ser
salvo você precisa ser pecador. E precisa se arrepender dos seus pecados. Só o pecador
necessita de salvação e eu pequei muito, mas não fui salva em sua casa Meishu-Sama,
como o senhor explica isso? E olha que eu plantei, comi bem e apreciei a beleza de que o
senhor tanto fala, pois eu fiz muitos arranjos florais e a maioria deles com meu próprio
dinheiro e eu me alegrava nisso. Que estranho não acha? E ninguém ainda se tocou. Como
se diz por ai: Não caiu a ficha ainda.

Meishu-Sama se julga o salvador dizendo que ele mesmo deixou três caminhos pra
você alcançar salvação. Pior que eu acreditei nisto por tantos anos, mas eu gostaria de
dizer a você que procure a verdade e não se entusiasme com estes ensinamentos, com a
beleza destas palavras e não deixe de se preocupar com os seus pecados, pois eles
existem. Deus vai nos cobrar isso quando morrermos e todos nós precisamos de um
advogado que nos redime verdadeiramente porque nossa salvação somente vem do nosso
arrependimento e do sacrifício de Jesus na cruz do calvário que morreu em nosso favor.
Em I João 1. de 8-10 diz: “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós
mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo
para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. Se dissermos que não
pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós”. No capítulo 2.1-3 lemos:
“Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém
pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo, e Ele é a propiciação pelos
nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro”.
Viu? Jesus é o nosso advogado. E nós, somos pecadores. Não se deixe enganar por estes
falsos profetas porque Jesus diz: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem
ao Pai senão por mim”. João 14.6.

Quero dizer a você que repito alguns versículos e algumas citações porque quero que
fique bem gravado em sua mente e em seu coração. É como se você estivesse lendo o
livro pela segunda vez porque gostou, certo? Digo isso porque sou assim, quando eu gosto
de um livro eu leio mais de uma vez, portanto não se espante quando eu faço repetições.

É fácil ser salvo na igreja messiânica, pois você se senta numa cadeira, come bem e
aprecia a beleza das flores, não é isso? Mas, e Jesus que deu seu sangue pra nos salvar,
onde fica? Eles não falam de Jesus. Bom, também não leem a bíblia, portanto não é de
admirar que ali não tem nem Deus nem tem Jesus. Agora eu pergunto: salvação pra que?
Do que? Se eles não têm Jesus em seus ensinamentos então não deveriam se preocupar
com salvação, pois Jesus é o único que tem poder de nos salvar dos nossos pecados.
Jesus diz em Matheus 28.18 que: “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra”. Meishu-
Sama obviamente não tomou conhecimento desta palavra antes de escrever seus
ensinamentos e apregoar que ele é o salvador. Mas a bíblia tem resposta pra tudo: “Não há
salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos
homens pelo qual devamos ser salvos”. Atos 4.12. Interessante como esse mundo está
cheio de salvador!

Tive contatos com pessoas influentes na messiânica tais como ministros e


reverendos, fiz o curso de Ikebana que é o arranjo floral japonês (um dos itens citados para
a salvação) e também fui responsável pela compra das flores e de fazer os arranjos em
New York e Miami. Fui locutora oficial. nos cultos em Miami, escrevi, produzi e dirigi duas
peças de teatro com referência aos ensinamentos messiânicos e que inclusive foram
interpretadas por alguns membros e amigos meus dubladores. Li quase todos os livros
escritos por Meishu-Sama e tive coleção deles. Ali dentro da messiânica eu conheço de
tudo. Também já fui passar um final de semana no Solo Sagrado em São Paulo e até levei
minha irmã Ruth comigo.

Em Nova York, na imensa vontade de nos fazermos conhecidos, íamos ao Central


Park, às feiras esotéricas e ficávamos sentados naquele gramado lindo ministrando jorei e
o povo que passava nos olhava desconfiados e até faziam caras de quem nos achavam
loucos ou algum ser de outro planeta. Na messiânica eu também pensei que encontraria a
felicidade tão almejada e a paz em meu coração. Paz? Felicidade? Nenhum dos dois
estava ali.

Me levaram para os centros espíritas. Nos centros do Alan Kardec onde eu pensava
que estava a verdade, pois eles leem o evangelho, me enterrei mais ainda no poço em que
eu comecei a cavar para mim mesma, pois o "evangelho" daquele lugar não é o Evangelho
do Senhor Jesus onde o próprio Kardec modificou a Palavra de Deus, enganando e
levando muita gente para o abismo e qualquer um que não seja cego como eu fui pode ver
isso, que o evangelho segundo o espiritismo não se parece nem de longe com o Evangelho
pregado por Jesus. Além do mais, eles não acreditam em Jesus como salvador da
humanidade. Eles não acreditam na Cruz. É uma pena porque sem Jesus e sem a cruz não
existe o plano da salvação e nem os meios legais para o perdão de pecados. Pra que? na
realidade, nem haveria evangelho. E Jesus nem precisaria ter vindo a este mundo. Pra
quê? O que Jesus faria aqui? Seria em vão a vinda de Jesus pra morrer na cruz pra nos
salvar se o próprio Kardec pode fazer isso.

Minhas irmãs que são espíritas conhecem a Bíblia mais do que eu e não acreditam
em Jesus Cristo como salvador da humanidade por causa destes falsos ensinamentos, mas
elas irão se converter, em nome de Jesus!

Amados, veja quem é o Jesus do espírita, que encontrei no Google. Copiei e colei
aqui pra você ver:

Jesus Para o Espiritismo


Amílcar Del Chiaro Filho

“Jesus de Nazaré, homem nascido de homem, está profundamente enraizado no


Espiritismo. A sua doutrina cristã, mas não a dos púlpitos das igrejas, norteia o Espiritismo.
O seu Evangelho é um roteiro de paz e de amor.
Contudo, o Espiritismo demonstra a impossibilidade de Jesus ser o próprio Deus,
afirmando que ele é criatura como todos nós. No entanto, a sua evolução infinitamente
maior do que dos homens mais evoluídos da Terra, não é dádiva ou privilégio, e sim
conquista. Criado por Deus num tempo infinitamente distante para nós, conquistou a
evolução que todos estamos fadados a conquistar um dia.
A Doutrina Espírita difere das Doutrinas Cristãs, no tocante à salvação. Enquanto
elas pregam uma salvação exterior, por graça da fé, do sangue, do batismo ou da confissão
e arrependimento dos pecados, o Espiritismo ensina que temos que acertar as nossas
contas, quitar os nossos erros. Transformar o ódio em amor, perdoar de verdade setenta
vezes sete, fazer as pazes com o nosso adversário enquanto estamos no mesmo caminho.
O Espiritismo baniu os castigos eternos e a eterna e inútil beatitude. Por tanto, o
nosso Jesus não é o mesmo Cristo dos altares, ou das pregações dos pastores. Mas não é
inimigo destes. Cada um enxerga o Mestre pelo prisma próprio.
O nosso Jesus não nasceu de uma virgem numa estrebaria em Belém de Judá. Não
é unigênito, nem recebeu a visita dos Reis Magos, não foi tentado por inexistentes
demônios, nem permanece pregado na cruz”.

Muito bem, lendo uma barbaridade como esta, não consigo me calar. Em primeiro
lugar senhor Amilcar, na sua bíblia como em todas as outras bíblias, existe este versículo:
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo o
que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna”. João 3.16. Pra mim este é o versículo
chave da bíblia e no capítulo 8. 58 Jesus diz: “Antes que Abraão existisse, EU SOU”. Isso
quer dizer que Jesus estava com Deus e o Espírito Santo em Gênesis, no início, quando
Ele mesmo, Deus, disse estas palavras no versículo 3 do capítulo 1: “Disse Deus: Haja luz,
e houve luz”. Mais adiante no versículo 26, Ele diz: “Façamos o homem à nossa
semelhança”. Note que Deus falou no plural, portanto Ele estava falando com Jesus e o
Espírito Santo ou seja, Deus, Jesus e Espírito Santo são um só, representando a Trindade.
Sei que é difícil para o senhor entender assim como também é difícil pra mim e pra todo ser
vivente, mas nós temos apenas que crer com nossos olhos da fé. E o que é a fé? Hebreus
11.1 diz; ‘Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que não se
veem”.

Sobre o seu comentário de que Jesus evoluiu aqui na terra o senhor está
completamente enganado porque Jesus não evoluiu aqui meu senhor, Ele veio prontinho
do céu porque Ele é Deus. Ele faz parte da Trindade e trindade quer dizer três em um ou
seja, três em unidade: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Veja bem, Espírito
Santo e não um espírito qualquer.

No livro de João se encontra toda a teologia da bíblia, aconselho o senhor a lê-lo. A


bíblia explica tudo, tenha um pouco de paciência e leia-a porque muitas passagens estão
ligadas a outras passagens e muitos versículos se completam como um todo e o senhor
entenderá e se não entender, faça um curso de teologia. A bíblia que eu tenho e falo sobre
ela no final do livro tem explicações de quase todas as passagens e sugiro que o senhor
compre-a pois ela te fará entender Deus e seu reino e vai tirar suas dúvidas sobre muita
coisa que o senhor não sabe ou não entende. Creia nela por favor, e encontre seu lugar no
céu com Jesus, o verdadeiro e real.

Uma coisa certa o senhor falou aqui pois disse que nós, nem vou dizer cristãos, direi
evangélicos porque muitos se dizem cristãos inclusive os espíritas, mas não conhecem nem
professam Cristo Jesus assim como o senhor acabou de dizer em seu artigo. Nós cremos
na salvação pela fé que nos foi dada através da graça do Senhor, do sangue de Jesus
derramado na cruz, e pelo arrependimento dos nossos pecados. Cremos em salvação
interior sim porque nossa mudança de atitude precisa acontecer a partir do interior e não no
exterior como o senhor está proclamando. Venha à nossa igreja e conheça o que é a
verdadeira salvação ou assista a um vídeo sobre salvação no Youtube. No final deste livro
eu coloquei algumas pregações e todas elas fazem o apelo aos não salvos e também aos
que estão afastados do Senhor Jesus e então, poderá assisti-las e comprovar o que estou
dizendo. O que o senhor fala contra os evangélicos é uma acusação sem tamanho que
nem merece comentários, mas não posso me calar diante de tanta hipocrisia e barbaridade
porque se alguém que não conhece Jesus ler esta nota do senhor ela poderá ir para o
inferno se acreditar em SUA PALAVRA e o senhor, além de pagar na eternidade por não
crer em Jesus ainda pegará pelas almas que está desencaminhando do reino dos céus.

E não é o caso de enxergar o Mestre como “prisma próprio” como o senhor diz, e sim
que Jesus foi anunciado no livro de Isaías 9,12. Ele é o “Maravilhoso Conselheiro, Deus
Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”. Eu creio no que a bíblia diz e a bíblia é a
verdade. Jesus é Deus quer o senhor aceite ou não, quer acredite ou não.

Sobre banir castigos eternos, senhor, nenhum ser humano, nenhuma religião e
nenhuma seita têm condição nem permissão do alto pra banir castigos eternos a não ser
Jesus, o próprio Deus. Ele mesmo diz em Mateus 28.18 que: “Toda a autoridade me foi
dada no céu e na terra”. Quer mais?

Sobre os pecados, nós confessamos sim, porque quando o cidadão peca necessita de
perdão. Se magoei alguém eu preciso procurar esta pessoa e pedir perdão porque se eu
não fizer isso ela ficará com ódio de mim e Jesus pregou o amor, como o cidadão mesmo
está falando. Bom pra vocês que os seus pecados foram banidos pelo espiritismo, mas não
se esqueçam que irão pagar na eternidade e não será como vocês dizem que precisam
voltar aqui na terra para pagar carma e sim, sofrerão por toda a eternidade, portanto, eu os
aconselho a lerem a bíblia com os olhos da fé e a se arrependerem enquanto é tempo. O
grande e maior propósito da vinda de Jesus a este mundo é exatamente a salvação. Agora,
se a pessoa pensa que só porque aceitou Jesus como salvador, batizou e se tornou
membro em uma igreja está salva e vai morar nos céus eternamente, não. A pessoa tem
que deixar de lado o velho eu, e daí pra frente precisa ter mãos limpas e coração puro.
Vocês oram o Pai Nosso que eu sei, porque passei pelo espiritismo e minhas irmãs fazem
reuniões aos domingos pela manhã e no final oram (elas dizem que “rezam”, mas esta
palavra também não está na bíblia, portanto, nós oramos) o Pai Nosso. Nesta oração que
Jesus ensinou aos apóstolos ele diz: “Perdoa os nossos pecados assim como nós
perdoamos aos nossos devedores”. Alguém me disse um dia que as pessoas pecam,
pecam e pecam e depois pedem perdão. Não é assim que a gente faz quando
machucamos alguém? Graças a Deus por isso também. O perdão foi feito pra que
possamos nos regenerar. A pessoa teve tempo de se arrepender. A bíblia também nos diz
que somos salvos pela graça de Deus, caso contrário não haveria salvação, pois todos
somos pecadores. Eu preciso dizer mais alguma coisa?

Sobre o amor, Jesus nos ensinou que precisamos amar as pessoas e perdoá-las, não
apenas sete vezes, mas setenta vezes sete. Nisso o senhor acertou. Sim, Jesus pregou o
amor para toda a humanidade e nós temos obrigação de amar os nossos semelhantes,
amigos e inimigos, pois o amor é um dos ensinamentos de Jesus e ele mesmo diz em
Mateus 22.37 a 39: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma
e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo,
semelhante a este é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. Viu meu senhor? Não é
apenas perdoar ao meu semelhante e amá-lo como também pedir perdão a Deus e amar a
Deus acima de tudo. Sei que é difícil pedir perdão, mas a gente acaba se acostumando.

Batizamos sim, para confessarmos nossa fé publicamente depois de nascermos de


novo, somos filhos de Deus como Jesus disse a Nicodemos, no livro de João três de 1 a
15. Nascer de novo para os evangélicos significa regeneração, mudança de atitude, curado,
reestruturado, deixar de ser uma pessoa mundana para ser alguém que procura se
santificar perante Deus. No livro de Levítico capítulo 11.44 e 45 Deus esta dizendo ao povo
de Israel: “sereis santos porque eu sou santo” e a minha bíblia explica que a busca da
santidade e da justiça seja uma preocupação central na vida do cristão. O cristão a que Ele
está se referindo, é exatamente aquele que o segue, ou seja, nós os evangélicos. Isso não
quer dizer que somos “santos” que devem ser adorados como são adorados os santos de
barro e de madeira. Nascer de novo é ser uma pessoa que deixa seus sentimentos de ódio,
de vingança, de prostituição, de mentira, de coisas mundanas como carnaval por exemplo;
não ter sexo fora do casamento e muito mais. Nós não nos tornamos santos porque santo
só existiu um e o nome dele é Jesus. Não existe santo como a igreja católica propaga e
enche a igreja de santos de barro para os fiéis adorarem, mas isso é outro assunto e quero
mais uma vez dizer que nós, quando pecamos, porque não existe ninguém que não peque,
pedimos perdão também a Deus.

Sobre o lugar de nascimento de Jesus e ter nascido de uma virgem, a bíblia tem a
resposta em Mateus 1.16: “Ora, o nascimento de Jesus foi assim: estando Maria, sua mãe,
desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito
Santo”. (grifo meu) Nos versículos 22 e 23 lemos: “Ora, tudo isto aconteceu para que se
cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: “Eis que a virgem
conceberá e dará a luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel que quer dizer:
Deus conosco”. Agora vamos ver onde Jesus nasceu porque o senhor disse que ele não
nasceu em Belém mas aí está a cidade de seu nascimento em Mateus 2.1 que diz: “Tendo
Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do
Oriente à Jerusalém”. É difícil de acreditar que pessoas inteligentes e sábias, leem estas
passagens na bíblia e ficam cegas espiritualmente.

Sobre os demônios, eles não são inexistentes como o senhor disse pois o próprio
Jesus falou sobre eles, inclusive foi tentado por satanás no deserto assim que foi batizado,
ou sua bíblia não tem esta passagem? Por favor, leia Mateus 4 nos versículos de 1 ao 11
quando satanás vem tentar Jesus no deserto e o que Jesus diz a ele? -“Retira-te satanás”.
Em II Corintos 11.14 vemos as palavras do apóstolo Paulo: “E não é de admirar, porque o
próprio satanás se transforma em anjo de luz”. Esta é uma das artimanhas de satanás.
Então, porque o próprio Jesus falaria de satanás se ele não existe, segundo vocês?

O escritor C. S. Lewis disse que o melhor truque de Satanás é convencer o mundo de


que ele não existe. Portanto meu senhor, leia a bíblia novamente porque se o espiritismo
extraiu suas doutrinas da bíblia será melhor reproduzi-las com sabedoria e da mesma forma
como foram escritas, sabe porque? A própria bíblia responde ao senhor. Veja no livro de
Apocalipse 22.18,19: “Portanto, declaro a todos os que ouvem as palavras da profecia
deste livro: Se alguém lhes acrescentar algo, Deus lhe acrescentará os flagelos descritos
neste livro. Se alguém tirar alguma palavra deste livro de profecia, Deus tirará dele a sua
parte na árvore da vida e na Cidade Santa, que são descritas neste livro”. As palavras não
são minhas e eu sei que já falei sobre isso mas agora estou falando diretamente ao senhor.
Pois bem, de minha parte e da parte dos altares das igrejas, preferimos acreditar nas
palavras de Jesus porque é com Ele que passaremos a eternidade sem reencarnar e sem
carma, porque iremos direto para o céu quando nossos dias se vencerem aqui na terra e
quando aprouver ao Senhor nos tirar deste mundo. O Jesus dos altares das igrejas é o
verdadeiro Jesus, é o único que nos salva, é o único que tem poder de perdoar nossos
pecados, é aquele que tomou a Santa Ceia com os discípulos antes de morrer e é o único
que ressuscitou dentre os mortos e subiu ao céu; e sua cruz está vazia e não nas medalhas
que muitas pessoas carregam no pescoço. Sobre a cruz vazia, o senhor também acertou
porque Jesus esteve pendurado na cruz por pouco tempo.

Jesus diz no livro de João 5.40a: “Examinai as escrituras”. Sabe, nós não podemos ler
a bíblia como um livro qualquer e apenas como uma leitura superficial e interpretação
nossa. Também não podemos enxergar nada que está escrito nela com “nosso próprio
ponto de vista” pois a palavra de Deus requer profunda e cuidadosa reflexão e temos que
lê-la como a mensagem do Deus eterno.

Minha irmã Ruth um dia disse este versículo pra mim: “Na casa de meu Pai tem
muitas moradas”, mas parou por aí. Mas ela não disse os versículos que vinham depois,
completando o que Deus nos diz sobre morar no céu, sobre libertação que vem através de
Jesus, o Filho de Deus. Então, pra minha irmã e também para quem somente conhece o
versículo acima aqui está a verdade de Jesus quando estava reunido com seus discípulos:
“Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu
Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vô-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E
quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para
que onde Eu estiver estejais vós também. Mesmo vós sabeis para onde vou, e conheceis o
caminho. Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos
saber o caminho? Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém VEM
ao Pai, senão por mim. Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e
já desde agora o conheceis, e o tendes visto. Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, e
isso nos basta. Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes
conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai? Não
crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as
digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras”. João 14:1-10. Eu
coloquei a palavra VEM em letras maiúsculas porque Jesus está se identificando com o Pai
e existem muitas seitas que conhecem Jesus mas não acreditam que Ele é o próprio Deus.

Aproveitando a sede de comunhão com Deus em seu coração, a grande maioria das
religiões leva o homem a se afastar de Deus, e não a se aproximar d’Ele e eu fui uma
vítima dessas filosofias e muitas delas ainda diziam “isso não é religião, e sim, uma
filosofia” e eu ficava orgulhosa e feliz da vida em repetir como um papagaio tudo o que eu
ouvia pois eu não queria saber de religião porque estava crendo naquela desventurada
ideia dos “sábios” sem Jesus. Eu achava “chic” viver aquilo. Jesus estava ali? Claro que
não, ali não estava a felicidade nem a paz que eu tanto almejava.

Outras filosofias montam suas crenças com palavras que tiraram da bíblia,
convertem-nas como se fossem suas e ainda nos chamam de hereges, leigos e outras
coisas mais. Mas eu quero dizer uma coisa a todos os que falam mal dos evangélicos, dos
crentes, pois estão sempre dizendo que nós afirmamos que somos os únicos a irmos para
o céu. Pois eu digo pra vocês que não, nem todos. Nem todos os que se dizem crentes irão
para o céu. Nem todos os que dizem Senhor, Senhor entrarão no reino dos céus. Existem
aqueles que aceitam Jesus, se arrependem mas não se afastam do mundo não se afastam
do pecado e estes, se não se arrependerem antes de partir deste mundo não irão para o
céu. Fico triste em dizer isso mas é verdade. Mas por outro lado também eu digo que sim,
nós dizemos que vamos para o céu, porque só adoramos a Deus e Ele mesmo diz no
Primeiro Mandamento: “Eu sou o Senhor teu Deus e a nenhum outro adorareis”. Isso basta.
Quer mais? eu estava assistindo a uma pregação do pastor Juanribe Pagliarin sobre os
católicos e ele estava lendo a bíblia católica no livro de Baruque capítulo 6 e Ele, Deus, fala
ao povo justamente para não adorar ídolos. Não é curioso um livro da bíblia católica falando
para não adorar ídolos? Será que nem o Papa tomou conhecimento deste livro na bíblia
deles? Então vejamos a narração do apóstolo João quando ele está tendo a revelação do
anjo sobre o cumprimento da profecia em Apocalipse 22.8,9: “Eu, João, sou quem ouviu
estas coisas. E, quando as ouvi e ví, prostrei-me ante os pés do anjo que me mostrou
essas coisas, para adorá-lo. Então, ele me disse: “Vê, não faça isso, eu sou conservo teu,
dos teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus”.
Você conhece esta passagem, tenho absoluta certeza mas um dos grandes problemas do
ser humano é admitir e se submeter aos ensinamentos bíblicos.

A igreja evangélica é a única que faz o apelo aos perdidos como Jesus mesmo fez.
Ele chamou todos, um por um, ali, na frente de quem estava por perto e a palavra de Deus
nos diz para confessarmos publicamente o nosso arrependimento. É difícil no início mas
quando você cria coragem e confessa publicamente Jesus como seu salvador você se
sente tão bem, tão feliz, tão aliviado que você se sente outra pessoa no mesmo instante,
porque a água do amor de Deus te lava completamente. Você sente como se estivesse
carregando um saco de vinte quilos e de repente alguém o tira dos seus ombros. Bom, eu
senti isso e penso que muita gente sentiu o mesmo pois é um alivio muito grande quando
nos arrependemos e nos entregamos à Ele. E mais ainda, Jesus diz no capítulo 3 versículo
20 do Livro de Apocalipse: “Eis que estou a porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e
abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo”. I João 1.9 diz: “Se
confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos
purificar de toda a injustiça”. Lemos também que muitas vezes Jesus dizia: “Perdoados
estão os teus pecados”. Era a salvação, não era? E o ladrão na cruz, o que vemos? Jesus
disse que naquele mesmo dia ele estaria no paraíso. Esta passagem serve também para os
meus amigos espíritas que não creem que Jesus é Deus. Ali naquele momento ele não
estava perdoando o ladrão? Ele concedeu o perdão e o levaria ao paraíso. Ora, se Jesus
não é Deus porque então estas palavras proferidas por Ele estariam na bíblia sagrada?
Portanto, a salvação vem através do perdão de Jesus. Jesus é o único que tem o poder de
perdoar os nossos pecados, ninguém mais. E a igreja católica também precisa entender e
professar que Jesus é Deus. Ensinou os fiéis a rezarem e fazerem o sinal da cruz e eles
dizem: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, não é? Então eu penso que eles
sabem que Jesus é Deus mas não o reconhecem como tal, assim como os espíritas e
qualquer outra “filosofia”. Em diálogo com alguns judeus no livro de João 8.58 Jesus diz:
“Antes que Abraão existisse, Eu Sou”. E quem se expressa dessa forma várias vezes no
Velho Testamento e também nos 10 Mandamentos? Deus.

Eu li um livro cujo título é: “Verdadeiramente Livres”, de Richard Bennett, com


testemunhos de 10 ex-padres que vieram para Jesus dizendo que não o conheciam e que
também não conheciam a verdade do evangelho porque o clero não os deixa saber a
verdade e portanto, eles não leem a bíblia em sua essência, por inteiro, como nós, os
evangélicos. Logo no primeiro testemunho, Joseph Tremblay diz que: “Minha teologia me
ensinou que a salvação vem pelas boas obras e sacrifícios. Descobri na Bíblia uma
salvação gratuita”. Jesus não quer sacrifícios, Ele não quer que você fique acendendo velas
principalmente para os mortos e sobre isso lemos no capítulo 9 do livro de Salomão, ele diz
no versículo 5: “Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem
coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, porque sua memória jazz no
esquecimento”. Deus não quer que você se sacrifique ao ponto de subir de joelhos tantos
degraus de uma igreja, o que Ele quer é o seu coração apenas.

Ora, se te interessa saber a verdade sem precisar de testemunhos leia as 95 teses


de Lutero e assista também o filme de sua vida pra você saber como a igreja católica
chegou ao extremo da perseguição a este homem de Deus por ter exposto estas teses.
Veja na vida de Lutero o que ele representou para a nossa vida cristã. Dou informações
sobre ele no final do livro.

Portanto, só Jesus Salva. Só Jesus liberta. Sem Jesus, sem felicidade, sem paz
interior.
CAPÍTULO 11

“Como antes temos dito, assim agora novamente o digo: Se alguém vos pregar outro
evangelho além do que já recebestes, seja anátema”. Gaiatas 1.9

Minha irmã Darcy que ainda é espírita e vai se render a Jesus Cristo brevemente se
Deus quiser, porque Ele quer que ninguém se perca mas que todos venham ao
conhecimento da verdade; um dia me disse que o Jesus do crente é louco porque “imagina
se ele iria sair do céu, daquele lugar maravilhoso e viria para esta terra onde só tem gente
má, tais como assassinos, traficantes, ladrões, etc e tal”. Mas foi justamente pra isso que
Ele veio. Para salvar o perdido. Ora, se o mundo aqui embaixo fosse maravilhoso, cheio de
paz, alegria, felicidade, Ele não precisaria ter vindo mas por outro lado jamais o
conheceríamos. Nem o seu amor, não é? Bom minha irmã querida, minha resposta está na
própria bíblia. Veja bem, o apóstolo Paulo nos diz nos versículos de 5 a 11 do capítulo 2 do
livro aos Filipenses: “Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo
Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; a si mesmo
se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e
reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou. E, sendo encontrado em forma
humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso
Deus o exaltou a mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para
que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda
língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai”. Será que não deu
pra você entender, maninha? Esta é a Palavra de Deus. É a verdade. Não existe outra
alternativa, Jesus é Deus. Aqui estão três provas de que Jesus é Deus: 1- João 8.58:
“Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: antes que Abraão existisse, EU
SOU”. 2- João 1.1: “No principio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era
Deus”. 3- Gênesis 1.26a: “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa semelhança”.
Jesus é Deus maninha, e Ele não é louco como você disse. Ah! desculpe, Ele é louco sim,
por você e por mim.

A bíblia nos explica que Jesus Cristo não tirou de si mesmo a sua identidade como
Deus. O significado da frase é que Ele a si mesmo se humilhou, deixando seu status
celestial, não seu ser divino. Ora, a bíblia é a mesma, porque não a interpretam como nós
os evangélicos a interpretamos?

E na minha caminhada a procura de felicidade e paz interior, por muitas vezes


também meus queridos, eu beijei as mãos do comediante Zacarias do programa Os
Trapalhões da Rede Globo - já falecido; em um centro espírita em Jacarepaguá no Rio
quando ele vestia de vovô, e bebendo pinga e fumando charutos, jogava uma fumaça muito
forte no rosto da gente num lugar escuro, sem luz e com uma voz suave nos dava
“conselhos e esperança de uma vida melhor". Eu não entendia ainda porque poderíamos
encontrar felicidade em um lugar como aquele, cheio de fumaça com um cheiro terrível nos
sufocando, pessoas vestidas de branco, luzes apagadas, fumando e bebendo. Meu
conhecimento sobre estas coisas malignas era muito limitado, portanto, me deixei
influenciar. Não tinha ainda amigos cristãos que poderiam me orientar nem mesmo a
internet para pesquisar.

Meu Deus, como eu não acordei naqueles encontros, como não consegui ver a
realidade, como não consegui ver que tudo aquilo era obra do inferno? Ora, se Jesus é a
própria Luz, o que eu fazia naquela escuridão e em vários outros lugares escuros e
cavernosos que frequentei durante muitos e muitos anos de minha existência? E é claro
que a felicidade e minha paz de espírito também não estavam ali. Jamais poderiam estar.
Jamais estarão.
CAPÍTULO 12

“Pois busco eu agora o favor dos homens, ou o favor de Deus? ou procuro agradar
aos homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo. Mas
faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os
homens; porque não o recebi de homem algum, nem me foi ensinado; mas o recebi por
revelação de Jesus Cristo”. - Apóstolo Paulo em Gálatas 1.10 -12

Gostaria de enfatizar aqui algumas anotações a respeito da Nova Era que faz parte
do meu trabalho no curso Básico de Teologia que estou fazendo na igreja Assembleia de
Deus da rua São Paulo em Belo Horizonte, centro. Mas quero deixar bem claro que
algumas palavras são minhas mas a maioria destas informações eu encontrei na internet e
estão anotadas no final do livro para que você possa conferir.

A NOVA ERA E A RELIGIÃO

A Nova Era veio para contrariar tudo o que a bíblia diz. Nós, os evangélicos, creu na
palavra de Deus, cremos que existe um céu e cremos que existe inferno pois tudo isso está
escrito na Palavra de Deus, a Bíblia, e se alguém disser que inferno não existe está
chamando Deus de mentiroso e o mesmo Jesus também usou tanto a palavra inferno
quanto usou a palavra satanás e infelizmente, os espíritas não creem mas eles estudam a
mesma bíblia que nós estudamos. Falo isso porque algumas de minhas irmãs ainda não
conhecem o Jesus Cristo que eu conheci mas elas conhecem um Jesus, disso eu tenho
certeza.

Veja em Mateus 16.23 o que Jesus respondeu a Pedro quando ele disse que de
modo algum nada disso aconteceria quando o próprio Jesus estava dizendo a eles que
estava prestes a morrer: “Arreda, satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não
cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens”. A bíblia fala ainda em Mateus 4.1 que:
“a seguir, (após ser batizado por João Batista) foi Jesus levado ao deserto para ser tentado
pelo diabo”. Em Mateus 5. 29 e 30 vemos a palavra inferno; “Se o seu olho direito o fizer
pecar, arranque-o e lance-o fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ser todo
ele lançado no inferno. E se a sua mão direita o fizer pecar, corte-a e lance-a fora. É melhor
perder uma parte do seu corpo do que ir todo ele para o inferno”. Nós que “estamos” em
Cristo Jesus, cremos que Ele veio a este mundo para nos salvar, nos libertar e ser nosso
único Senhor e Salvador. Cremos também que Ele voltará para arrebatar a sua igreja. A
igreja, não é o prédio em si, uma construção, a igreja somos nós, o corpo de Cristo.

Jesus diz no evangelho de João 14.6: “Eu sou o caminho, a verdade, a vida; ninguém
vem ao Pai senão por mim”. Jesus é o próprio Deus. Note aí que Ele não diz: ninguém vai
ao Pai. Ele diz: Vem. Vem ao Pai é vir até Ele, pois Ele é o próprio Pai. Jesus é Deus, é o
Filho e é o Espírito Santo. E repito, se alguém disser o contrário está chamando Deus de
mentiroso. Jesus quando pronunciou estas palavras em momento algum Ele disse que
deixaria algum substituto. Ele disse que quando fosse para o céu, iria nos preparar um
lugar, para que morássemos com Ele e disse também, que nos mandaria um Consolador
que é o Espírito Santo, para que não ficássemos órfãos aqui na terra até a sua volta. O
Alan Kardek se aproveitou desse ensinamento e inculca na cabeça dos ignorantes, assim
como eu fui, que o Espírito Santo é o mesmo espírito da filosofia kardekista e acaba
desviando muita gente por acreditar nisto.

O próprio Antonio Bezerra de Menezes Netto, nos relata seu testemunho tanto ao
vivo no Youtube quanto em uma entrevista que eu li e fiquei apaixonada com o mover de
Deus na vida dele e você pode encontrar no Google toda a verdade espírita porque ele não
escondeu nada, e isto serve para todos. Você pode acessar e vai encontrar todo o relato de
suas riquezas perdidas e familiares doentes, sem esperança de uma vida melhor, de saúde
melhor, e do seu desespero quando viu seu próprio casamento sendo destruído por
satanás. Ele foi um adepto do Kardecismo, dava passes, recebia espíritos que ele próprio
diz que são demônios; e hoje ele dá palestras no mundo inteiro falando sobre a obra
grandiosa que Jesus Cristo fez em sua vida e de seus familiares e dando seu testemunho
para honra e Glória de Deus. Mais um que estava perdido e foi encontrado e que vai estar
nos braços do Pai quando partir deste mundo, amém. Existe também um livro com um
testemunho maravilhoso de uma ex-espírita chamada Mary Grace Hughes com o título
Nascida de Novo. Fiquei muito impressionada com sua narração dizendo que saia do corpo
e voava pela atmosfera. Ela teve um centro espírita na Flórida, mas se converteu também
para honra e glória do nosso amado Jesus Cristo.

Infelizmente, os adeptos da Nova Era creem que Deus é apenas um ser cósmico,
uma força, uma energia e não creem que inferno existe mas Jesus falou muito sobre o
inferno, portanto quando eles dizem isto estão afirmando ser Jesus um mentiroso. Eles
creem que Jesus era um homem comum, que conseguiu ir mais além e enxergar sua
condição de iluminado, assim como Buda. Grande blasfêmia. E a Palavra do Senhor diz
que “quem pregar evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema”. Apóstolo
Paulo aos Gálatas, versículo 9 do capítulo 1.

Eles se misturam com espiritismo, astrologia, ufologia, filosofia e muitas outras


práticas que não são de Deus. Praticam o pensamento positivo, meditação, ioga, usam
pedras, símbolos, uma confusão sem fim de crenças e idolatrias; e vivem escravos de tudo
o que dizem que é bom para energizar. Usam espiga de milho seco na passagem de ano,
sementes de romã nas gavetas dos armários, roupas amarelas e brancas para dar sorte na
passagem do ano; não gostam de ver gato preto, irmã de caridade, não passam debaixo de
escada e não deixam bolsa no chão, sombrinha aberta dentro de casa pois tudo isso
segundo eles, dão azar. Eu passei por tudo isso, e o cantor mais famoso do Brasil,
conhecido como o Rei da Jovem Guarda, foi um dos grandes responsáveis pela minha
crença nestas coisas e até pouco tempo atrás eu não usava roupas de cor marrom por
causa dele mas graças ao bom Deus eu consegui me libertar de tudo isso, inclusive das
suas músicas pois eu já chorei e sofri muito ao ouvi-las quando meu namorado me
abandonou para se casar com outra. Quem tem Jesus não precisa de nada disto, somente
de fé e do amor dele. Eles creem também que o homem vai reencarnar eternamente afim
de ir “limpando” o carma e alcançar nirvana. Minha filha me perguntou uma vez: se eles
reencarnam para se purificarem, como se explica o mundo cada vez mais impuro, mais
controvérsias e os homens regredindo cada vez mais ... espiritualmente? É bom desconfiar
dessas “maravilhas” que eles oferecem com tanta sutileza. Devemos “ler” e “entender” o
que diz a Palavra de Deus, não é tão difícil assim: “O meu povo está sendo destruído,
porque falta o conhecimento, diz o Senhor”. Palavras registradas no livro de Oséias,
capítulo 4 versículo 6. Bom, então vamos ao que aprendi sobre a Nova Era.

A NOVA ERA E A FAMILIA

Nessa crença não existe pecado nem erro. Cada um é seu próprio juiz portanto,
todos são livres, tudo é bonito, porque não precisam obedecer a ninguém, não existem leis
nem regras. O ajuntamento de casais é normal. Dizem que: “juntos com fé, casado é.”

A NOVA ERA E A MÚSICA

Paulo Coelho se intitulou “mago” e tornou conhecido na década de 70 como parceiro


do falecido roqueiro Raul Seixas quando juntos fizeram entre tantas outras, as três músicas
mais conhecidas da dupla: “Eu nasci há 10 mil anos atrás, Metamorfose Ambulante e
Guita”. Os Mutantes também, na mesma época fizeram igual sucesso com a canção “2001”.
Essas músicas fazem apologia ao movimento místico da Nova Era. Aqui, neste trabalho, eu
peço perdão ao meu querido Pai Celestial por ter cantado durante anos, inocentemente,
tantas músicas que enchiam minha alma de alegria, incluindo duas das mais famosas no
mundo inteiro. A primeira, cujo título é “Aquários” diz: “quando a Lua entrar na sétima casa,
e Júpiter se alinhar a Marte ... será o nascimento da era de Aquários”. Segundo a
Astrologia, o Sol estaria saindo da Constelação de Peixes e entrando na de Aquário, o que
significaria o fim do Cristianismo, representado pelo Peixe. Esta canção anunciava através
de sua letra, no final de 60 e início de 70, o “glorioso” mundo que teríamos ao chegar à Era
de Aquários. E, nessa era, teríamos paz, amor e união-fraternidade. Mas, como a música
era em inglês e eu ainda não falava a língua, cantava sem saber; porém eu acho que,
mesmo que eu soubesse o que estava cantando, eu era uma revoltada, amargurada, triste
e sem ninguém, sem Jesus, continuaria cantando assim mesmo pois estava afastada dos
caminhos do Senhor.

A segunda música, composição do ex- Beatles o falecido John Lennon, se tornou um


hino mundial para os adeptos da Nova Era que procuram satisfazer os mais profundos
anseios do homem. “Imagine” é o título da música. Algumas palavras desta canção foram
recitadas por todas as gerações, desde o mais novo até o mais idoso. “Imagine que não
existem países ... nem religiões ... nem céu, nem inferno. Você pode dizer que eu sou um
sonhador, mas eu não sou o único. Espero que você se junte a nós e o mundo será um só”.
Lennon também difamava Jesus e chegou ao absurdo de declarar para a imprensa que
eles, os Beatles, eram mais famosos que Jesus. Compôs também uma música com o titulo
“Deus” dizendo que não acredita nem em Deus, nem no próprio Beatles. Lennon era um
rapaz inteligente, sábio, mas não soube usar sua sabedoria para o bem.

No Movimento da Nova Era encabeçam seitas como: Mórmons, Espiritismo,


Meditação Transcendental, Adventista que se preocupam mais com o sábado do que com o
autor dele, Testemunha de Jeová, Meninos de Deus que agora é mais conhecido como A
Grande Família; Seicho-No-Ye, Hare Krisna, Messiânica que nos Estados Unidos é
conhecida como Johrey Fellowship, Budismo, Cabala e outras.

A Nova Era sugere a adoção de um único idioma como forma de incentivar a paz
entre as nações. Meus queridos, “Sem Jesus, sem paz”. O único que nos trás a paz tem um
nome e este nome está acima de todo nome: JESUS.

MEDICINA ALTERNATIVA

Na medicina alternativa ela já atua na aplicação de técnicas não-convencionais de


diagnósticos, visando prevenir e curar enfermidades substituindo os medicamentos
convencionais, por métodos como: Aromaterapia, íris-diagnósticos, acupuntura, hipnose e
tantas outras. Eu, pessoalmente, já passei por quase tudo isso, só não fiz hipnose; porém
nada resolveu minha vida, nada me curou. O que fiz foi gastar um monte de dólares pois
tudo é muito caro e eu fiz tudo isso na América.

A Nova Era está se expandindo e crescendo a cada dia mais e se estabelecendo em


todo o nosso planeta. Os próprios líderes desse movimento os denominam como
conspiração silenciosa. É, irmãos, precisamos estar preparados porque esta conspiração
silenciosa, embora suave, é violenta, gritante e tenebrosa. Em Efésios 6 de 10 a 12 o
apóstolo Paulo nos diz: “Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu
poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as
ciladas do diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os
principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças
espirituais do mal, nas regiões celestiais”. Para conseguir seu objetivo de governar este
mundo, satanás usa todos os meios que ele pode alcançar. Precisamos o tempo todo vigiar
e orar. Todo o Movimento da Nova Era está realmente servindo a satanás.

Termino este trabalho citando ll Coríntios 11.13 em palavras do apóstolo Paulo:


“Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos
de Cristo”.

Eu ainda não tinha conhecimento da palavra, não sabia quem era esse Deus
Maravilhoso, Soberano e Misericordioso que nós temos e por isso, andava a busca da
felicidade e a procurava nos caminhos mais difíceis, sombrios e ocultos, ou melhor, eu
procurava paz e felicidade onde eu jamais poderia encontrá-las. E nessas buscas, à
medida que minha filha ia crescendo, eu a levava comigo. Os ambientes não eram
agradáveis, uns até tinham mau cheiro, outros tinham defumadouros demais, outros eram
escuros, e o pior de tudo era o palavreado que éramos obrigadas a ouvir. E minha filha
sempre me dizia: “Mãe, se esse pessoal tem poder pra resolver a vida dos outros, porque
eles não resolvem a vida deles em primeiro lugar? Só de ver o lugar onde eles moram, o
modo como eles falam, você deve entender que isso tudo é falso, é engano e eles estão
apenas querendo seu dinheiro. Por favor, mãe, não caia nessa, acorda, dona Edna”. Ela,
vez ou outra me chama de dona Edna quando o assunto é muito sério. Mas eu continuava
procurando paz e felicidade e não dava muita atenção aos conselhos de minha filha.

Em todos os caminhos em que eu andava me davam esperança, mas uma


esperança falsa, mentirosa e ilusória. E geralmente, depois das consultas saía do local me
sentindo frustrada, desanimada e sem nenhum sinal de esperança em meu coração. Minha
vida era uma fraude, tudo à minha volta era muito falso, vazio. Não havia uma maneira de
me sentir feliz e contente com minha vida. Não havia uma forma de confiar em ninguém, em
nada. Por muitos anos procurei a felicidade e a felicidade não existiu pra mim. E jamais
seria feliz se Jesus não tivesse entrado em minha vida, porque Jesus é a própria vida.

Para o evangélico, paz não é simplesmente ausência de conflitos e desavenças ou


qualquer outro estado artificial que o mundo oferece. É a paz profunda e permanente que
Jesus Cristo traz ao nosso coração, porque Jesus é amor, Jesus é manso, Jesus é suave.
Ele diz: “Deixo com vocês a minha paz; a minha paz eu lhes dou, não como o mundo
costuma dar”. João 14.27.

Ora, essa paz que o Nosso Senhor Jesus Cristo nos deixou só pode vir pelo Espírito
Santo. A palavra Paz em hebreu significa “Shalom”. O profeta Isaias diz no capítulo 26
versículo 3 de seu livro: “Tu, Senhor, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é
firme; porque ele confia em Ti”. Com estas palavras soando em nossos corações podemos
nos deleitar no amor do Senhor e confiar em sua paz. Jesus é a paz verdadeira. E eu me
regozijo em sua presença agora porque encontrei a paz e a felicidade no amor do meu
Jesus. Aleluia!
CAPÍTULO 13

“Pois os vivos sabem que morrerão, mas os mortos não sabem coisa nenhuma; e
não têm jamais recompensa; porque sua memória está esquecida. Tanto seu amor como
seu ódio e sua inveja desapareceram; eles não têm parte em coisa alguma daqui pra frente
que se faz debaixo do sol”. Palavras do Rei Salomão em seu livro: Eclesiastes 9. 5 e 6.

Relatarei aqui uma experiência tirada do meu livro “As Vidas Que Vivi” para que você
possa entender até ao ponto em que fui levada antes da minha conversão em Cristo Jesus.

“Em meados de 1994, uma amiga de minha filha a levou no Bronx, bairro de Nova
York para conhecer uma mulher que, segundo ela, era uma boa cartomante. Voltando do
encontro ela me disse que a mulher gostaria de falar comigo.

Fiquei muito preocupada durante os dias que me separavam do nosso encontro,


pensando o que é que ela teria de tão importante para me dizer ou perguntar. No dia certo,
cheguei à casa dela às oito e meia da manhã mas o movimento era muito grande e, mesmo
com hora marcada para as dez horas somente fui atendida às quatro horas da tarde.

Vi-me frente à uma mulher de estatura baixa, muito simples, cabelos castanhos
escuros, longos e lisos, presos atrás, mostrando um rosto lindo e um sorriso cativante.
Usava um vestido branco, de mangas compridas e o pescoço adornado com colares de
contas. Com um sorriso largo e aconchegante ela me convidou a entrar no quarto, onde,
num canto, havia uma mesinha com uma toalha branca, bordada com motivos nordestinos,
e duas cadeiras.

Um pouco desconfiada, sentei-me vagarosamente em frente a ela, procurando tirar


de dentro de mim as palavras, quando a voz suave dela se fez ouvir:

- Então você é a Edna, mãe da Claudinha?


Confirmei com um sorriso e pensei: “Se ela é uma mulher que sabe das coisas, pode nesse
momento saber o que passa no meu íntimo, as minhas dúvidas e incertezas”.

Um turbilhão de perguntas, que se embaralhavam em minha mente, se misturavam e


se confundiam ao ponto de me deixarem incapaz de abrir a boca. Pareceu-me que ela se
divertiu com isso, pois pelo que pude perceber no final da secção, a gente não precisa
fazer perguntas. Ela dá a resposta prontamente, antes mesmo que a pergunta seja
formulada. Ela é uma mulher inteligente, esperta e sabe o que fala – por isso, pediu pra me
ver.

Percebendo meu embaraço, pediu a empregada que nos trouxesse um cafezinho e


perguntou se alguém havia me oferecido almoço, se eu estava satisfeita, enfim, colocou-
me bem à vontade e relaxada com o papo inicial. Depois que fomos servidas com um
delicioso cafezinho, a porta foi fechada e teve início a nossa seção.

Ela embaralhou as cartas várias vezes e me pediu que as partisse em dois montes e
assim o fiz. Em seguida pegou uma carta cuidadosamente e, olhando para mim, disse:
- Posso lhe fazer uma pergunta bem íntima e pessoal?
Claro que pode, respondi. Estamos aqui só nós duas, eu não a conheço e você não me
conhece. O que for dito aqui permanecerá aqui, creio eu.

- É claro, o que for dito aqui permanecerá aqui. Isso funciona como um
confessionário. É muito privado. Eu levo o meu trabalho a sério. Além do mais, não tenho
nem tempo para comer direito, você mesma viu o movimento durante o dia todo. Eu ainda
devo trabalhar até às dez da noite. Onde eu arranjaria tempo para outras coisas? Mas,
mudando de assunto, vamos ao que interessa. Posso fazer a pergunta?

Claro que pode. O que é que você quer saber?

- Porque é que você fez aborto do homem que você mais amou durante sua toda a
sua vida?

Meu Deus! Que choque! Como é que ela foi ver isso nas cartas? Faz tanto tempo...
é uma coisa que eu luto até hoje para esquecer e ela vem me fazer recordar aquele
sofrimento todo?!

- É uma história longa e complicada, respondi, como fazem os Américanos quando


querem se livrar de explicações. Mas, ela deveria saber. Afinal, pelo que percebi, ela sabia
tudo.

- É uma história longa e complicada, mas eu quero ouvir, nem que seja em poucas
palavras, embora eu talvez saiba até mais do que você, disse ela.

Naquele momento, então, comecei a chorar. Como é que aquela mulher que nunca vi
em toda a minha vida pode saber tanta coisa sobre mim?

Seria ela uma feiticeira? seria ela uma enviada? seria mágica? uma bruxa? seja ela
quem for está abrindo uma grande ferida que não quer cicatrizar pois sei perfeitamente que
cometi um pecado e, por tantas vezes roguei a Deus que me perdoasse porque na época
eu não sabia o que estava fazendo ou melhor, eu não sabia que o que estava fazendo era
pecado. Agora carrego essa culpa em meus ombros e em minha consciência. E logo do
homem que eu amo!

E ela ainda estava me fazendo revelar um segredo que era só meu e que eu estava
guardando comigo por todos esses anos. Agora, ele vinha à tona me maltratando ainda
mais, me machucando, me ferindo e me humilhando. Isso, sem contar as dores físicas que
passei, quase perdendo também a minha vida, pois havia sido entregue a uma mulher que
se dizia parteira e eu fiquei na casa dela entre a vida e a morte, durante quase quatro dias.

- É que eu sou mãe solteira e fui abandonada pelo pai da minha filha e muito
humilhada pela igreja, pela família, pela sociedade e pelos amigos por causa disso.

Contei como fui desrespeitada por isso. Meu pai me expulsou de casa, alguns de
meus irmãos me chamavam de prostituta, de vagabunda. O pai da minha filha mesmo
afirmando não ser o responsável, mandou dinheiro através de um empregado dizendo que
era para o aborto.

Fui despedida da loja em que trabalhava a Mesbla, dizendo o gerente que, se eu


fosse para São Paulo e doasse a criança para um casal que ele conhecia e que não
poderia ter filhos, eu poderia voltar a trabalhar lá assim que terminasse o período de
resguardo. Preferi assumir a responsabilidade de ser mãe solteira a dar minha criança para
ser doada. E Deus me abençoou com uma criança maravilhosa que foi muito bem criada.

Minha filha Claudia é muito preciosa para mim. O pai dela jamais soube o que é
receber um carinho de uma pessoa tão afetuosa como é a filha dele. Ela é doce, amiga,
companheira e muito inteligente.

Fui também, expulsa da igreja em que eu frequentava, na época.


Sofri muito, você não faz ideia de como foi penoso para mim suportar tudo isso, sozinha,
sem nenhum apoio, sem carinho, na hora mais preciosa e difícil de uma mulher, na hora em
que eu mais precisava de calor humano, compreensão e amor.

E prossegui a minha narrativa dizendo que por causa destas coisas, eu não gostaria
de ter outro filho na mesma situação. O meu namorado nunca me assumiu
verdadeiramente como namorado pois durante todos os anos de namoro nunca havia me
apresentado à sua família. Portanto, nem ele soube que eu havia feito um aborto.

Ela continuou embaralhando as cartas. De vez em quando olhava para mim com um
olhar triste, pesaroso, por me ver sofrendo.

Para terminar, ela me deu a pior notícia que jamais ouvira em toda a minha
existência. Disse ela que tempos atrás um mau espírito foi incumbido de acabar com a
minha vida.
As lágrimas que estavam começando a aparecer em meu olhos, foram derramadas
por todo o meu rosto e minha memória voltou há anos atrás pois me lembrei perfeitamente
de como e quando tudo aconteceu.

Quando me separei do meu namorado, apareceram sapos em minha casa, vindos


não sei de onde pois eu morava em um lugar onde não havia condições deles estarem.
Carros vinham em minha direção, os pneus rasgavam minhas meias mas não feriam
minhas pernas. Eu caia nas ruas sem mais nem menos e os carros freavam em cima de
mim sem que houvesse ferimento algum.

Já era a mão de Deus me tocando, só que eu não sabia disso. Eu estava afastada,
desviada, e não tinha o conhecimento do mundo espiritual nem da proteção de Deus como
eu tenho hoje.

Uma amiga me indicou um médium para uma consulta. Em dado momento, baixou
um espírito furioso, dando fortes e nervosas gargalhadas, acompanhadas de palavrões
dizendo que tinha recebido uma quantia muito boa pra acabar com a minha vida ... e o que
é que eu estava fazendo ali? nesse momento ela me interrompeu, e disse:

Edna, esse espírito se apaixonou por você, e …

Segurei minha respiração por alguns momentos, sem saber se acreditava ou não
naquilo que eu estava ouvindo. Mas, se ela estava me mostrando muitas coisas da minha
vida, como se fosse um filme, como não acreditar naquilo?

Apertei meus lábios com bastante força na tentativa de reter minhas lágrimas e
esperei pelo final da frase.

. ...ele fazia sexo com você.

Então eu me lembrei que naquela época por várias vezes à noite, eu acordava ora
rindo, ora chorando, ora gemendo, mas não recordava que tipo de sonho eu havia tido por
mais que eu tentasse me lembrar. Veio-me também à memória que de vez em quando eu
acordava no meio da noite com uma sensação de que havia acabado de ter relações
sexuais e que o corpo de alguém, vagarosamente, retirava-se do meu corpo e eu ainda o
sentia presente em mim. Eu me sentia gostosa, amada, e então me abraçava, tentando
segurar aquela sensação por mais tempo. Como o inimigo é sujo, malvado, insatisfeito e
infeliz! Como pode ele se aproveitar tanto de um ser humano, indefeso e inocente?

- E você, continuou ela, ficou escrava dele por muito tempo. É por esse motivo que
você ainda não conseguiu segurar homem nenhum em sua vida, ele não deixa, ele afasta
os homens, por mais apaixonados que eles estejam, eles não conseguem levar o
compromisso adiante.
- Meu Deus! Exclamei. Como é possível? é difícil acreditar. Por favor, me diga o que
fazer.

Ela então, segurou minhas mãos com delicadeza e disse que já sabia disso antes
mesmo que eu fosse até a casa dela. E foi por isso que ela pediu que eu fosse até lá.

- Sei que é cruel, sei que é terrível para você ouvir tudo isso, mas infelizmente, é
verdade. Essas coisas acontecem. Pelo menos, ele se apaixonou por você e não te matou
como era o previsto, como os organizadores desejavam. Mas, tudo isso tem conserto, você
ainda pode se recuperar.

Estas palavras soaram para mim como um raio de esperança, como um hino de
aleluia, de louvor. Eu não sabia até então o que era um hino de aleluia, de louvor, mas
estas palavras estão na página 155 do meu livro. Que poderiam elas significar para mim
naquela época? mas agora sei porque Deus me iluminou e me deu já a resposta a estas
palavras! Glórias a Deus.

Voltando àquela mulher, seria tão bom se ela tivesse me mandado procurar uma
igreja evangélica pra que eu pudesse fazer curas verdadeiras, vindas do Espírito Santo de
Deus, e libertação, mas ela me deu nomes de umas flores e mandou que eu tomasse
banho com elas, misturando mel, limpasse a casa e rezasse, rezasse muito. Deu-me uma
oração e mandou que eu rezasse aquilo todos os dias. Mandou também que eu procurasse
um centro espírita e fizesse um tratamento espiritual. Em minha casa tinha um livro do Alan
Kardec e encontrei nas últimas páginas, uma oração para os espíritos atormentados, e
aquela oração passou a ser uma espécie de mantra pra mim. Eu a repetia várias vezes ao
dia.

Segundo fui orientada, eu perdoei o espírito e pedi a Deus na minha ignorância, que
o recebesse com amor e o perdoasse também segundo instruções do Alan Kardec e dela, a
senhora Edir.

Me senti sufocada e angustiada por vários dias, um vazio muito grande invadiu meu
ser, eu não conseguia coordenar os meus pensamentos. Foram dias de sofrimento, tristeza
e agonia.

Queria contar pra alguém, desabafar, chorar, chorar muito e ser consolada. Queria
que alguém me abraçasse, me desse muito carinho e enxugasse minhas lágrimas. Mas não
encontrei na lista de pessoas do meu relacionamento alguém em que eu pudesse confiar
tamanha monstruosidade. Minhas noites se transformaram em terríveis pesadelos e
confesso que aquele período foi o pior da minha vida. Fiquei muito atormentada. Eu fazia
muita coisa durante o dia, me ocupando, me ocupando e me ocupando. Queria que,
quando eu fosse pra cama, estivesse tão cansada a ponto de me deitar e adormecer
imediatamente, com medo de pensar. Mas nada me tirava da cabeça aqueles momentos de
terríveis e amargas revelações naquele quarto.

Descobri um centro espírita em Nova York e consegui, depois de muitas semanas,


me apresentar durante um bazar, à presidente do centro e contei a ela a minha situação.
Ela disse que eu teria que fazer um tratamento de nove semanas. Teria de me vestir de
branco, levar uma garrafa água e lençol branco para me cobrir. O ambiente como não podia
deixar de ser, era completamente escuro. Havia outras pessoas fazendo tratamento e todos
nos deitávamos em fileiras e os rezadores iam passando um por um, por nós, rezando
baixinho e dando passes. E eu ficava deitada, quietinha, na expectativa de que algo iria
mudar em minha vida e que eu sairia curada dos meus problemas e que o tal espírito iria
deixar de me atormentar. No final nos davam nossa garrafa de água que segundo eles,
ajudava a nos limpar e nos purificar durante a semana, até que voltássemos para que ela
fosse energizada novamente em nosso próximo encontro. Hoje entendo que enquanto eu
bebia aquela água, eu estava bebendo a vontade do diabo.

Terminadas as nove semanas, eu não vi diferença nenhuma, não senti que havia
sido curada. Nada havia mudado. Ou melhor, as coisas mudaram sim, pra pior. Eu estava
me aprofundando a cada dia mais em um abismo sem fim a cada passo que eu dava
tentando resolver minha vida.

Conversei com a presidente do centro novamente e então ela me deu o telefone de


um analista e disse para eu fazer regressão às vidas passadas e o meu problema “poderia”
ser resolvido.

Enquanto isso, aos sábados eu fazia Ioga por longas duas horas, e meditava três
vezes ao dia pela manhã, à tarde e à noite, porém nada disso me tranquilizava a mente e
eu não conseguia me acalmar. Nada conseguia trazer serenidade o meu coração. Nem paz
nem felicidade.
CAPÍTULO 14

“Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão
que ruge procurando alguém para devorar”. I Pedro 5. 8

Marquei encontros semanais com o analista e demos inícios às sessões de


regressão. Fiquei vários meses crendo que em vidas passadas, fui uma índia depois voltei
a este mundo como uma egípcia, morri e nasci francesa lutando na guerra, mas não era a
Joana D’arc; e daí por diante. E fiquei fascinada com tudo aquilo porque eu via coisas que
jamais passariam pela minha cabeça.

E, pra começar a entrar em estado de alfa (como se fosse possível se você não
estivesse sendo induzida a isso, porque ele sugere, ele fala, ele comanda, e você crê que
na realidade tudo está acontecendo) você limpa sua mente, esvaziando-a completamente,
e o analista vai te guiando conforme a vontade dele. Em dado momento, ele sugere que
você veja uma luz no fim de um túnel e na sua cabeça, na sua mente você crê realmente
que está vendo um túnel e uma luz, então você vai caminhando vagarosamente em direção
àquela luz sempre ao comando do analista.

Hoje, eu sei o que é luz. Aquilo que eu via na minha imaginação era uma luz no fim
de um túnel, certo? A luz é bem pequena pois está no fundo do túnel. Só que, Jesus é a
própria luz. Jesus é a luz do mundo, a luz que Ele irradia não só vai até o fim do túnel mas
ilumina todos os cantos da terra. Jesus diz no evangelho de João 8.12 estas palavras
maravilhosas e verdadeiras: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas
trevas, pelo contrário, terá a luz da vida”. Não dá pra comparar amigos e irmãos, a luz do
mundo com um pequeno pontinho de luz no final de um túnel, dá? Então eu pergunto: deu
pra imaginar como somos tolos quando estamos longe da presença do Senhor? Eu ficava a
semana inteira esperando outro encontro com o analista somente para ver uma luzinha
bem pequenininha no final de um túnel e agora eu faço parte de uma luz imensa, a luz
verdadeira que é Jesus. Eu andava nas trevas, eu vivia em trevas e agora eu ando na luz
“verdadeira” pois eu sigo o meu Jesus, sigo os caminhos dele e estou com ele, glória a
Deus! Interessante é que eu pagava caro pra ver por alguns segundos aos sábados, uma
luzinha no fim de um túnel e agora eu tenho a luz do mundo gratuitamente durante vinte e
quatro horas por dia, em minha vida.

Hoje, relendo o livro que escrevi me dá vontade de rir pois, quando novamente fiz
este trabalho de regressão “eu era uma egípcia, eu morri bem velhinha, de morte natural, e
não tinha doença alguma e na hora da minha morte eu vi uma luz branca, forte, penetrando
no quarto. Depois, vi meu espírito se desintegrando da matéria e subindo, através da luz,
para um descanso, lá no alto, no infinito. Vários anjos vieram se encontrar comigo. Todos
eles eram adolescentes e à medida que íamos subindo o meu espírito ia se transformando
em um belo anjo também, e eu ia rejuvenescendo até chegar à idade daqueles anjinhos. E
eles me levaram para o descanso, na eternidade”. Que mentes criativas nós temos, não?
Principalmente quando temos alguém nos induzindo a isto e acreditamos neste poder que,
na realidade nos encanta.

O analista deveria ter interrompido minhas regressões aí pois eu havia me


transformado em um anjo não é verdade? Ora, se eu já era um anjo porque então ele me
perguntou quais eram as lições que eles estavam me dando e quais eram as preparações
que estavam sendo feitas para o meu “retorno à terra”? Tem alguma coerência nisso? É
bíblico?

Aqueles anjos naturalmente estavam me levando para o céu, pois eu era muito boa.
Ora, se eu era tão boa ao ponto de me transformar em um anjo e ir com aqueles
maravilhosos anjos para o céu como é que se explica a minha volta à terra? Então, o que
estou fazendo aqui, em carne e osso? Será que é porque eu assistia demais aquela serie
de televisão intitulada Touched by an Angel? Mas eu não ficava invisível como no seriado.
E porque um anjo, no caso eu, voltaria a encarnar? Será mesmo que nos tornaremos anjos
quando morrermos? Que confusão seria o mundo de Deus, hein, irmão? E que ignorância e
falta de conhecimento bíblico do analista! Agora eu pergunto onde ele estudou para fazer
voltar um espírito que já está no céu!? Ora, se eu já havia pago todos os meus “carmas”,
como acreditam os espíritas, então porque voltei agora, como Edna? Percebeu a
contradição? Eu tinha mais é que ficar linda e maravilhosa lá no céu com Jesus gozando
das bênçãos espirituais nos lugares celestiais como está escrito na bíblia, ora. Eu também
estaria pagando mais “carma” depois de ter me tornado um anjo? Digo isso porque eu
tenho muitas tribulações em minha vida. Não é só porque me tornei crente em Jesus e
entreguei minha vida a Ele que deixei de sofrer. Na bíblia Jesus diz que “neste mundo
teríamos aflições. Mas também Ele disse pra termos bom ânimo porque ele venceu o
mundo e, se ele venceu, nós também venceremos porque somos co-herdeiros dele”. João
16.33. Que maravilha, a bíblia tem resposta pra tudo, basta você estudar e analisar.

Querendo entender o motivo da minha volta a este mundo fiz todas estas perguntas
ao analista e recebi dele essa explicação por escrito e agora eu coloco aqui para comprovar
o que ele me disse e que está na página 81 do meu livro. Veja bem sua resposta:

EXPERIÊNCIA ENTRE VIDAS


- “Geralmente, encontram-se resistências ao se tentar rever ou reexperimentar o período
entre vidas.
Metafisicamente, especula-se que este período deve ser bloqueado de nosso
conhecimento, à memória consciente, para que não venha interferir em nossa vida atual.
Crê-se que, durante esse período, fazemos com a ajuda de “outros” seres uma
análise da vida que acabamos de deixar e planos de ação para a próxima, baseado nas
experiências passadas - inclusive a escolha de pais, meio-ambiente e forma física com que
voltaremos a nascer.
Também, nesse período, dão-nos algumas instruções e trabalhos que devemos praticar
para o nosso avanço espiritual. Por esse motivo, o conhecimento de tais instruções poderia
prejudicar nosso rumo atual, que deve seguir de acordo com o nosso livre-arbítrio”.

Ele me deu esta declaração por escrito e eu a transcrevi palavra por palavra, de
acordo com as instruções dele.

Agora, eu fico pensando em como eu fui tão ingênua ao ponto de acreditar nestas
palavras que são uma verdadeira blasfêmia e contradiz tudo o que Deus fez e disse. Fico
pensando também como certas pessoas gastam tanto tempo e dinheiro para se formarem
em uma faculdade e se tornam tão ignorantes em relação à criação do Senhor nosso Deus
criador deste universo tão maravilhoso e nós, inocentes, caímos nesta armadilha ardilosa,
demoníaca. O que Deus fez ninguém pode mudar. Eles se preocupam com tantas vindas a
este mundo enquanto Deus diz que só se vive uma vez. Melhor viver apenas uma vez do
que ficar preocupado em voltar uma, duas, dez, mil vezes pra pagar “carmas” que jamais
acabarão, não é verdade?

Se você pegar sua bíblia agora e ler as sábias palavras do rei Salomão, filho de Davi,
no livro de Eclesiastes 9.5, 6 você lerá: “Pois os vivos sabem que morrerão, mas os mortos
não sabem coisa nenhuma; e não têm jamais recompensa; porque sua memória jazz no
esquecimento. Tanto seu amor como seu ódio e sua inveja já desapareceram; eles não têm
parte em coisa alguma daqui pra frente que se faça debaixo do sol”. Ainda, em Eclesiastes
3.20, lemos: “Todos vão para o mesmo lugar, todos procedem do pó e ao pó tornarão”. Já
na última parte do versículo 22, lemos: “quem o fará voltar para ver o que será depois dele?
No versículo 7 do capítulo 12, ele continua: “e o pó volte à terra, como o era, e o espírito
volte a Deus, que o fez”. Ponto final. Discussão sobre o assunto? Se você quiser, fale com
Deus porque Ele é o autor, querendo ou não. Quero deixar bem claro pra você que está
lendo este livro, peço por favor que não confunda estas palavras porque aqui se fala do
nosso espírito, o nosso fôlego de vida.

Foi por causa desta palavra “espírito” que o Alan Kardec deturpou todas as escrituras
confundindo as pessoas com seu livro “O evangelho segundo o espiritismo” fazendo as
pessoas crerem que ele fala do “Espírito de Deus” mas, que na verdade, sabemos que é o
espírito inimigo de Deus, o próprio satanás que com isso atrai multidões como também um
dia me atraiu.
Jesus Cristo é o verdadeiro Messias anunciado no Velho Testamento porém existem
as seitas que influenciam o povo e cada seita tem seu próprio messias. Na igreja
messiânica, Meishu Sama é o seu “Messias”. Ele não faz segredo dessa reivindicação pois
declara: “Não houve outro caso semelhante a não ser Cristo que outorgou sua força aos
seus 12 discípulos”. (Apostila Para Aula de Iniciação, p. 23, aula 4). Este título que ele
mesmo se deu significa “portador de luz”. Uma luz não verdadeira, sem dúvida, pois a
respeito de Jesus, o apóstolo João escreveu no capítulo 1 versículo 9 no livro com seu
nome: “Ali estava a luz verdadeira, que alumia a todo o homem que vem ao mundo”. Ora,
se Jesus é a luz verdadeira, qualquer um que alegue ser portador de luz só pode ser aceito
como não verdadeiro, como intruso.

Quando converso com alguém que ainda não se converteu a Cristo Jesus e falo
algumas passagens da bíblia, as pessoas logo vão dizendo que a bíblia é um livro comum
pois papel aceita tudo. Essa blasfêmia eu ouvi em minha própria casa. Claro que papel
aceita tudo, até os falsos escritos do Alan Kardec, Meishu Sama, Masaharu Taniguchi e
outros, porque não? Se eu tivesse conhecimento das palavras do Livro Sagrado antes de
procurar outros deuses eu confiaria somente em Jesus e agora fico imaginando como estas
pessoas que conhecem a bíblia profundamente creem em um livro comum que também foi
escrito por homens, e não creem na bíblia, que é a palavra de Deus, ditada por Ele mesmo,
soprada pelo Espírito Santo e claro, escrita pelo homem pois Deus precisava do homem
para escrevê-la e nos transmitir seus ensinos. E isso também está escrito na bíblia. Não
fosse isso todos nós seriamos ateus nos dias de hoje porque não teríamos aprendido de
forma alguma a Palavra que o Senhor nos deixou. Palavras do apóstolo Paulo em II
Timóteo 3.16 e 17 diz: “Toda a escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a
repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus
seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”. II Pedro 1. 21 nos diz: “Porque
nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto homens (santos)
falaram da parte de Deus motivados pelo Espírito Santo”.

O “Mestre” como é chamado o fundador da Seicho-No-Ie, então, passou a transmitir


essa “verdade maravilhosa” ao maior número de pessoas, que conheceram a imagem
verdadeira do homem que não adoece, não envelhece e não morre, e, também passaram a
transmiti-la a outras pessoas. Ele também diz que: “O mal não existe; é pura ilusão, produto
da mente humana. O pecado também não existe; é irreal, pura ilusão”. Só que ele
envelheceu e morreu. Taniguchi acha que um dos maiores males é o fato de os homens se
considerarem pecadores. É preciso apenas tirar da mente a ideia de pecado, produto falso
da mente, para ser o homem perfeito e puro como Deus o criou. Dessa forma, a Seicho-No-
Iê nega a existência real do mundo material e existência de qualquer mal. Ele diz ainda que
o deus da Seicho-No-Iê até agora ainda não foi revelado”. Ora, esse “seu” deus jamais será
revelado senhor Tanigucci porque o senhor morreu e não pode fazer mais nada, além do
mais morreu sem conhecer o “seu” próprio deus, que pena, que lástima. A menos que o
senhor tenha se convertido no ultimo sopro de sua vida. Agora eu pergunto: qual seria o
nome do seu deus ao ser revelado? “Deus” o nosso Deus não pode ser porque Ele sempre
existiu querendo o senhor, ou não.
CAPÍTULO 15

“Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão


insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Quem pois
conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro lhe deu
alguma coisa, para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para Ele
são todas as coisas. A Ele, pois, a glória eternamente! Amém.”- Romanos 11.34-36

A bíblia contém a mente de Deus. Ela nos mostra o caminho da nossa salvação, nos
mostra a condenação dos pecadores, e traz também a felicidade daquele que crê na sua
justiça divina. O que nos revela a bíblia são histórias verdadeiras. Cremos na Palavra de
Deus e praticamos o que nela está escrito para nos purificarmos e nos santificarmos.
Através de seus ensinamentos somos restaurados para a glória de Deus. E, sem Jesus,
ninguém tem vida eterna ao lado do criador e todos precisam saber disso. Vida abundante,
cheia de alegria e paz em nossos corações.

A igreja católica também modificou os ensinamentos do Senhor. Ela ensinou os fiéis


a rezarem aos pés de Nossa Senhora. A igreja usa uma imagem feita de barro ou de
madeira e os fiéis pedem à Maria para intermediar entre eles e Deus, se esquecendo
completamente de Jesus que é o único intermediador entre nós e Deus, como diz a própria
Palavra. Maria foi usada por Deus para trazer ao mundo aquele que é nosso Salvador, o
Messias, o Príncipe da Paz, JESUS. Maria foi uma mulher santa e agraciada de Deus e foi
por isso que Deus a escolheu para ser mãe de Jesus, mas ela nunca fez nenhum milagre
enquanto viva, porque faria então depois de morta? Escrevo isso com todo o respeito que
tenho por ela e também por ela ser a mãe de Jesus mas isso está escrito na bíblia e eu
creio no que Deus fala. Nosso intercessor e mediador foi, é e sempre será Jesus Cristo.
Não são palavras minhas pois elas estão escritas na bíblia sagrada. Eu apenas estou
servindo de instrumento de Deus pra te falar sobre estas verdades. Veja bem, o que
apóstolo Paulo nos diz em I Timóteo 2.5: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador
entre Deus e os homens, Cristo Jesus”. I João 2.1 também diz: “Filhinhos meus, estas
coisas vos digo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao
Pai, Jesus Cristo, o justo”. Não é maravilhoso saber que temos um advogado que intercede
por nós junto ao Pai celestial? Ora, a bíblia não diz que temos uma advogada que intercede
por nós e está claro que só temos um advogado e o nome dele é Jesus, o nome que está
acima de todo o nome. Maria está morta e vai ressuscitar quando Jesus voltar para buscar
os “seus” os que creram e se renderam a Ele. Jesus vive, Ele ressuscitou dos mortos.

Sabemos que Jesus, Deus e o Espírito Santo são um só. Trindade. E a igreja romana
ensina aos seus fiéis que Maria é mãe de Deus. “Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós,
pecadores”. Nesta reza eu concordo com ela “ser santa” mas ela não é mãe de Deus nem
pode rogar por nós. Meu querido amigo, Maria foi apenas mãe de Jesus quando ele veio a
este mundo em forma humana. Ela jamais poderia ser mãe de Deus porque Deus a criou
assim como ele me criou, assim como ele te criou e toda a humanidade e tudo o que há no
céu, na terra e no mar. E Deus sempre existiu, ele não nasceu e não foi criado, Ele é o
próprio criador. Você pensa que pode dizer que ela é mãe de Deus porque Jesus é Deus
mas não é assim. Quando Jesus esteve aqui na terra ele veio cem por cento em forma
humana, assim como nós. Você verá isso mais adiante. Muita gente se confunde por causa
disso mas não é assim, isso não é verdade. Isso foi ensinado pra você porque rende
financeiramente para a igreja de Roma. Por favor, entenda isto antes que Jesus volte
porque não haverá segunda chance se você morrer sem Ele.

Maria era virgem somente quando esperou Jesus em seu ventre porque foi obra do
Espírito Santo, que aos nossos olhos é até difícil de entender mas cremos com os olhos da
fé, cremos porque está escrito no Livro Sagrado e como verdadeiros crentes, verdadeiros
evangélicos, entendemos que depois que Jesus nasceu, Maria teve outros filhos com José.
Filhos e filhas. Ora, se ela teve outros filhos, não continuou virgem e os católicos veneram
Maria como “virgem” e no conceito deles, ela permanece virgem até os dias de hoje. Mas, e
quando Jesus nasceu o que aconteceu com o corpo dela se naquela época não existia
cesariana? Então, como se explica a virgindade dela? Vou dizer aqui o motivo de Maria não
ser virgem: O livro de Marcos 3.31-35 nos diz as seguintes palavras do próprio Jesus,
quando estava pregando em uma residência e sua mãe juntamente com seus irmãos foram
até lá para falarem com ele e a resposta dele está nesta passagem: “Nisto, chegaram, sua
mãe e seus irmãos; e, estando do lado de fora, mandaram chamá-lo. E muita gente estava
assentada ao redor, e lhe disseram: Eis que tua mãe e teus irmãos te procuram, e estão lá
fora. Então ele lhes respondeu dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos? E, olhando em
redor para os que estavam assentados junto dele, disse: Eis aqui minha mãe e meus
irmãos. Portanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, e minha irmã, e
minha mãe”. No livro de Mateus 13.54-56 está escrito tanto na bíblia evangélica quanto na
bíblia católica: “E, chegando à sua terra, ensinava-os na sinagoga, de tal sorte que se
maravilhavam e diziam: Donde vem esta sabedoria e estes poderes miraculosos? Não é
este o filho do carpinteiro? Não se chama Maria sua mãe e seus irmãos Tiago, José, Simão
e Judas? Não vivem entre nós todas as suas irmãs? Donde lhe vem pois tudo isso”?
Portanto meus amigos, meus irmãos, Maria se casou, teve outros filhos e filhas e não
continuou virgem depois que Jesus nasceu porque ela concebeu com Jose seu marido e
seu casamento foi consumado. Maria também não é onisciente nem onipresente.

Outra coisa que a igreja católica ensinou para seus fiéis é rezar para o menino Jesus
ajudar e operar milagres. Ora, o primeiro milagre de Jesus aconteceu quando ele
completou trinta anos logo após ser batizado por João Batista. Ele foi a uma festa de
casamento e quando o vinho acabou o que ele fez? Transformou água em vinho. Quando
menino ele não fazia milagres. Ele era uma criança como qualquer outra criança. Ele ia à
escola, jogava bola, corria atrás de galinhas e de cachorro, brincava com seus
amiguinhos… enfim, ele era uma criança completamente “normal” e quando foi crescendo
começou a ajudar seu pai que era carpinteiro. A bíblia somente relata que Jesus iniciou seu
ministério quando ele completou trinta anos e também nos diz em Deuteronômio 29.29 que:
“As coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus, porém as reveladas nos
pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as palavras
desta lei”, portanto não cabe a nós especularmos o que Deus não nos revela. Ele é rei,
soberano e está acima de todas as coisas e Ele sabe o motivo de não nos revelar tudo. Ele
é Deus. Creia nisso e aceite a Bíblia Sagrada como verdadeira. Veja bem, tudo o que digo
aqui foi inspirado pelo Espírito Santo, não estou dizendo nada por mim mesma porque tudo
está na bíblia portanto, se você tiver intenção de ficar magoado comigo, fale com Deus
primeiro. E leia a bíblia.

A igreja católica instruiu seus fiéis a rezarem aos pés de todos os santos e eles os
adoram dizendo que os santos são milagrosos, mas os santos nada podem fazer pois são
de barro. O rei Davi no Salmo 115 versículos de 5 a 8 que devem estar em todas as bíblias
do mundo, nos dá exatamente a descrição destes ídolos. Minha Bíblia de Estudos comenta
que este salmo é uma liturgia para a adoração pública, declarando a confiança de Israel no
Senhor contra os ídolos inúteis das nações. Leia:

- “Têm olhos, mas não vêm.


Têm boca, mas não falam.
Têm mãos, mas não abençoam.
Têm pés, mas não andam.
Nem nenhum som lhes sai da garganta.
Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem e quantos neles confiam”.

Essa é forte demais, não é? Aliás, toda palavra que vem de Deus é forte. Também é
útil para o ensino. “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, é mais cortante do que
qualquer espada de dois gumes; e penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e
medulas, e é apta para discernir os pensamentos e os propósitos do coração”. Palavras do
livro de Hebreus 4.12. Precisamos vigiar mais os nossos pensamentos e nossas ações.

Tem um padre cujo nome é Paulo Ricardo que fala bastante mal dos evangélicos no
Youtube e eu fico muito indignada com a forma com que ele fala porque ele gosta mesmo
de detonar a gente, ele fala mal de nossa crença e ainda ousa dizer que “não existe
salvação fora da igreja católica” mas não deixa espaço para comentários. Isso não é bom
porque estamos em um pais democrático e todos nós precisamos dar nossas opiniões
sobre os assuntos que são colocados ali principalmente um assunto como este. Agora, se
ele não deixa espaço para comentários é porque ele sabe que seria apedrejado por falar
tanta mentira e por ser tão arrogante.

Mas eu quero dar um recadinho para este padre que diz que somente a igreja
católica salva. Olha padre, igreja nenhuma salva, meu senhor, quem salva é Jesus que
morreu por nós na cruz do calvário. Somente Jesus tem o poder de nos salvar e foi pra isso
que ele veio a este mundo. Nem a sua igreja e nem a minha, nem o senhor e nem o papa e
muito menos o meu pastor. Somente Jesus. Guarde este nome padre: JESUS. Escrevi com
letras maiúsculas para que o senhor guarde em seu coração e em sua mente, como está
escrito na bíblia. Procure ler a bíblia porque eu tenho um livro cujo titulo é:
“Verdadeiramente Livres” de Richard Bennett e o livro conta a história de 10 ex-padres que
diziam que no seminário católico não se pode ler a bíblia em sua totalidade e que o que
aprendiam na igreja católica não é exatamente o que está escrito na bíblia e um deles diz:
“minha teologia me ensinou que a salvação vem pelas obras e sacrifícios. Descobri na
bíblia uma salvação gratuita”, disse o ex-padre Joseph Tremblay que era um sacerdote que
não conhecia Deus. O livro é pequeno e deve custar baratinho. Tente comprá-lo porque
assim o senhor verá dez lindos testemunhos de dez ex-padres que por longos anos de
sacerdócio não conheciam a bíblia e o senhor, assim como eles, descobrirá um Deus de
amor, um Deus que perdoa e que salva. Que pena padre, que o senhor ainda não conhece
nosso Pai.

Tem outra coisa, Deus também não quer sacrifícios. Se o senhor conhecesse a bíblia
veria isto no livro de Davi homem segundo o coração de Deus, no Salmos 51 versículo 16a.
Preste atenção: “Pois não te comprazes em sacrifícios; do contrário, eu tos daria”. Bom,
pelo menos eu acho que o senhor conhece o rei Davi e o livro dos Salmos que ele
escreveu. Dias atrás eu estava ouvindo no rádio um testemunho de um ex-padre falando
justamente dos sacrifícios que eles eram obrigados a fazer para se purificarem. Tanto
sacrifício a troco de nada. Deus não quer que as pessoas façam sacrifícios subindo de
joelhos nas escadarias de uma igreja, fazendo novenas, pegando em um terço e rezando,
contando aquelas continhas, fazendo promessas, carregando patuás e santinhos, beijando
os pés dos santos feitos de barro, estátuas de madeira, faixas e fitas amarradas nos pulsos;
e quem se diverte com isso é o diabo. O Senhor nosso Deus não quer nada disso. Ele quer
o nosso amor, nosso coração, a nossa consagração a Ele. Somente a Ele pois foi Ele quem
nos fez. Todas essas coisas, é abominação ao Senhor. Já vi muita gente rezando terços
em ônibus olhando para o movimento nas ruas; quando passam em frente a uma igreja
fazem o sinal da cruz na testa no rosto e no peito sem mesmo fechar os olhos para se
concentrarem em suas rezas. Não vejo sabedoria nisso. Não vejo unção nestes gestos.
Deus não quer isso. Deus quer um coração puro e mãos limpas, só isso. Nossa adoração
deve ser somente a Ele. E nada disso está na bíblia.

Assisti também uma pregação do pastor Juanribe Pagliarin exatamente sobre


adoração a ídolos e ele estava pregando em cima do capitulo 6 do livro de Baruque que só
existe na bíblia dos católicos. É só procurar no Youtube que o senhor vai encontrar. O título
da pregação é este: “Verdades que a igreja católica omite”. Não posso entender porque
vocês ensinam seus fiéis a adorarem esses ídolos que são feitos de barro e madeira. Deus
condena isso. Padre, ensine aos seus fiéis quem é o verdadeiro Jesus porque Ele já não
está na cruz há mais de dois mil anos. Ele ressuscitou! Tire esse Jesus da cruz, vocês o
estão crucificando cada dia mais. A cruz está vazia! Seu túmulo também está vazio. Glória
a Deus porque Jesus vive. Não sabe que o diabo está te enganando e te tirando dos braços
do “único” Deus verdadeiro? Jesus quer te dar vida eterna, quer te levar para um lugar
onde não terá dor nem choro; aceite-o e abra sua porta quando Ele bater. Deus diz em
Êxodo 20, nos 10 Mandamentos da Lei: “Eu Sou o Senhor, teu Deus. Não terás outros
deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura. Não a adorarás, nem lhes
darás culto; porque Eu sou o Senhor teu Deus”. Porque então milhares e milhares de
pessoas estão ainda adorando santos, ídolos?

Padre, se o senhor ainda não conhece o livro de Apocalipse, veja no capítulo 22 nos
versículos 18 e 19 a conclusão do livro: “Eu, a todo aquele que ouve as palavras da
profecia deste livro, testifico. Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe
acrescentará os flagelos escritos neste livro; e, se alguém tirar qualquer coisa das palavras
do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das
coisas que se acham escritas neste livro”. Padre, o senhor e os fundadores de seitas irão
penar no lago do fogo e serão responsáveis pela almas que estão levando para o inferno.
Não queira morrer sem antes conhecer verdadeiramente o salvador da humanidade.

Tem também uma passagem em Deuteronômio 6. 4,5,7 que tocou muito o meu
coração: “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor,
teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras,
que hoje te ordeno estarão no teu coração; E tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás
assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te”. Isso não
é maravilhoso? Deus é único! Só há um Deus. A bíblia inteirinha fala sobre este assunto e
ninguém tem o direito de duvidar de Deus. Deus é único, nosso amor tem que ser somente
d’Ele, e somente pra Ele viveremos. Ele é o nosso criador, nosso Pai. Ponto final.

Vejamos agora o que diz o Senhor em Deuteronômio 18.10-12: “Não achará entre ti
quem faça passar pelo fogo o seu filho ou sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador,
nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem necromante, nem mágico, NEM QUEM
CONSULTE AOS MORTOS; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor; e
por estas abominações o Senhor teu Deus os lança de diante de si”.

Você pode imaginar como eu me senti quando as li pela primeira vez? Foi um choque
muito grande que eu senti pois eu fiquei trinta e oito anos nessa escuridão, nesse vazio de
ignorância, consultando mortos também assim como muitos que andam perdidos e bem
longe da verdade. Sim, isso mesmo, consultando mortos. Meus olhos ficaram paralisados,
analisando todas as palavras contidas nestes dois versículos e eu pensava em como Deus
decidiu me amar depois de tudo o que fiz; pensei também nas pessoas que se dizem
“cavalos” com muito orgulho, no meio do candomblé. Que coisa mais feia, que coisa mais
impura. Deus nos chama de Filho, nos chama de amados, de cordeiros enquanto eles são,
cavalos? Você que está lendo isso, pense e analise o grande amor de Deus para conosco,
e Ele não ama somente os evangélicos, Ele ama todos os humanos porque todos nós
somos feitos criaturas dele, somos feitos por Ele. Mas precisamos entender que Ele é Deus
e que precisamos nos arrepender de nossos pecados porque todo ser humano é pecador e
aceitar Jesus como nosso salvador.

Por muito tempo eu fiquei num verdadeiro estado de choque, abalada


emocionalmente, me imaginando sem Deus quando eu morresse e Ele, claro, iria me cobrar
isso quando eu chegasse lá para acertar as contas. E então me lançaria no lago do fogo.
Não existe segunda chance depois da morte como muitos propagam por aí. Imagina o calor
de um fogo, durando pra sempre, um fogo eterno, sem fim, te queimando, queimando,
queimando e você não morre, fica ali sofrendo por toda a eternidade. Quando andamos nas
ruas com um calor de trinta graus, quase chegamos sem fôlego em casa, quase
desidratados, imagina o calor do inferno. Será essa a vida que nos espera? Isso é eterno
meu irmão, isso é eterno minha irmã, não se esqueça. Precisamos nos converter ao Senhor
todos os dias de nossa vida, limpar as nossas mentes e nos purificarmos de todo o mau
pensamento, de todas as nossas transgressões. Deus diz que precisamos ter nossas mãos
limpas e coração puro para entrarmos no reino dos céus. E eu estou falando isso que é pra
você se entregar a Ele e ir para o céu porque é lá que eu quero te ver. E é lá que Jesus te
quer porque Ele te ama.

Nós temos que entender sobre estas coisas com clareza pois o diabo é nosso inimigo
e ele nos tenta todos os dias, ele quer fazer de tudo pra nos tirar dos braços do Pai. O
diabo anda ao nosso derredor para nos fazer pecar contra o Pai. Assim está escrito em I
Pedro 5.8 mas infelizmente muita gente inocente está sendo enganada. Ele quer tirar a
nossa felicidade pois ele quer governar esse mundo nos fazendo duvidar de nossa paz e de
toda a beleza de viver que Deus nos dá através de seu amor. Deus quer nos dar vida. Vida
eterna. Vida em abundância. Foi isso que o Senhor Jesus nos disse em João 10.10 - “O
ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham
em abundância”. Ora, a vida em abundância que Jesus dá é a vida eterna. Uma vida cheia
de amor, de paz, de confiança, de harmonia e consagrada a Deus. E a vida com o ladrão, é
justamente o contrário, com dores, tormentas, gemidos e ranger de dentes. Eternamente, já
pensou nisso? O ladrão a que Jesus se refere é justamente o diabo que quer nos desviar
dos caminhos do Senhor, e não um ladrão humano que quer apenas roubar nosso dinheiro
e nossos pertences.

Mas, Deus, que é bom e sua misericórdia dura para sempre, me amou e me fez, e,
através de sua graça me concedeu sua salvação, agora eu posso chegar lá no céu e
encontrá-lo e sei que Ele abrirá a porta pra mim e me receberá de braços abertos e estarei
ao lado de Jesus, seu filho, gozando de todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais,
como Ele prometeu em ll Crônicas 7.14: “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome se
humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu os ouvirei
dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra”. Ele me perdoou. E agora Ele
reina em meu coração. Pra sempre. Aleluia! E eu gostaria muito que você também
entregasse sua vida a Jesus e gozar de todas as bênçãos que Ele tem pra você. Se você
ainda não tem Jesus, no final do livro eu faço uma oração de entrega e você poderá orar
comigo. Amém?
CAPÍTULO 16

“Lembra-te pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras”.
Apocalipse 2.5

Como você pode ver, fiquei anos e anos à procura da minha felicidade e quanto mais
eu pensava que estava perto dela, mais distante ela se encontrava. Eu me sentia como se
estivesse correndo para tentar alcançar o pote de ouro que nos ensinaram quando crianças
ao vermos um arco-íris.

No início do ano de 1998 me ofereceram um cargo muito bom numa companhia de


dublagem BVI em Miami e então eu dei adeus à cidade de Nova York em que eu morava
para ser contratada como diretora de dublagem nesta companhia e atuar também como
dubladora, claro. Com a vasta experiência que eu tinha em minha bagagem e observadora
dos diretores de dublagem no Brasil especialmente na Herbert Richer’s onde eu era
contratada, foi muito fácil fazer o trabalho. Eu adquiri experiência em poucos dias e logo
passei a fazer adaptação e também controle de qualidade aumentando assim o meu
curriculum.

Não me adaptei com a cidade no início pois já estava há oito anos na Big Apple, com
seus arranha-céus, a Quinta Avenida, World Trade Center que infelizmente não existe mais
por obra do maligno; o Central Park, os teatros e muitas outras belezas que me
encantavam e me davam prazer de ver, além da beleza das estações do ano que se
coloriam maravilhosamente; e em Miami até as pessoas pareciam ser diferentes e alheias
aos seus próprios anseios e sentimentos. Porém, como eu iria trabalhar na minha área, eu
me esforcei e em poucos dias já havia me adaptado à cidade e às pessoas. Não demorou
muito e encontrei um apartamento muito bom em um prédio em South Beach (porque
brasileiro quando chega em Miami quer ficar em South Beach) e este prédio tinha loja,
salão de beleza, piscina, jacuzzi, pista de caminhada, academia de ginastica e então me
senti maravilhosamente bem ali naquele lugar.

Meu trabalho também era fascinante. Deixei de ser Baby Sitter para trabalhar como
contratada em uma companhia, com carteira assinada, seguro saúde, cargo respeitável,
garagem para estacionar meu carro e muitas outras regalias. E o mais importante é que
naquela firma havia trabalhadores Américanos, brasileiros e hispanos de vários países da
América do Sul; todos trabalhando em um ambiente que, no início era uma festa para os
meus olhos e ouvidos. Eu passava pelo corredor e ouvia vários dialetos ao mesmo tempo.
Abria a porta de um estúdio, estavam gravando em espanhol, abria outro estúdio,
português, entrava na sala de engenharia, ouvia o som gostoso dos Américanos; tudo lá
era fascinante. Eu, por exemplo, na mesa de gravação, fui treinada por uma mexicana que
me ensinava em inglês com um sotaque muito gostoso. E tudo aquilo me fascinava e tudo
era novidade para mim. Era maravilhoso e eu estava feliz. Eu era uma boa profissional,
séria e responsável e queria fazer um bom trabalho para ser respeitada e fazer jus à
confiança que os donos da firma haviam depositado em mim me dando um cargo
responsável sem ao menos ver meu curriculum e pedir informações a meu respeito,
confiando apenas na palavra da pessoa que havia me indicado, que é meu grande amigo
Luiz Edmundo Souza. Eu estava disposta a agradá-los não apenas pela profissional que
sou mas também pela confiança que eles haviam depositado em mim.

E assim o tempo foi passando, as coisas foram acontecendo, até que um dia o
estúdio começou a perder aos poucos os seus clientes e quase todos os funcionários da
parte em português foram mandados embora. Eu fui uma das primeiras. Sofri muito, chorei,
murmurei. Foi crescendo um espírito de revolta muito grande dentro de mim porque eu
precisava daquele emprego e também já havia alugado um apartamento em South Beach,
já havia comprado móveis, televisão, som, computador, telefone, enfim, já tinha feito uma
grande dívida e minha filha já havia me mandado seu carro de Nova York para que eu
pudesse me locomover com mais facilidade em Miami e ela por sua vez tinha também
largado tudo e veio morar comigo. Além do mais, depois de oito anos trabalhando como
Baby Sitter, já estava na hora de voltar a ser eu, novamente.

Sofri muito no momento em que as coisas estavam acontecendo, depois me esqueci


completamente. Em pouco tempo me esqueci do sofrimento por que passei e continuei a
viver com tranquilidade a minha vida porque não deixo que certas coisas tomam lugar em
meu coração e muito menos que me afetem por muito tempo. Eu sou corajosa, sou
guerreira e confiante em minhas atitudes e sempre gostei de desafios também.

Meu mundo não caiu porque eu já era conhecida no meio artístico de Miami e era
muito requisitada para gravar comerciais e promos de programas do Hallmark Television,
Nick, do canal infantil Nickelodeon, fiz a voz de uma host muito famosa Hoda Kotbe em um
grande noticiário do “Discovery News” na Hero, Terry Meuwssen do “Club 700”, um
programa religioso que está no ar até hoje em vários canais de televisão na América, e
muitos outros trabalhos foram aparecendo também. E continuei a trabalhar na BVI como
freelance e então cheguei à conclusão de que eu ganhava mais e tinha mais tempo livre
pra trabalhar em qualquer lugar e em qualquer área que eu fosse convidada, portanto meus
queridos, minha vida passou a ser melhor do que quando eu era contratada de uma
companhia. Fiquei muito agradecida à BVI por ela ter aberto as portas pra mim em Miami.

Outros estúdios de dublagem foram abertos e logo fui chamada novamente para
trabalhar. Graças ao bom Deus eu não passei nenhuma dificuldade financeira. Pouco
tempo depois minha filha conseguiu um trabalho, nos estabilizamos e começamos a viajar
nos finais de semana e passeamos muito. Juntas explorávamos as praias, ruas, cafés,
restaurantes e lojas. Nessa época era muito gostoso morar em South Beach.

Em um dos nossos passeios encontramos uma livraria de livros usados bem


baratinhos e compramos muitos livros da Shirley Maclaine e um livrinho de pequenas
bruxarias. Lendo aquelas coisas, encontramos uns pequenos “feitiços” para arranjar
namorado. Ficamos ansiosas e líamos o livro apressadamente para ver o que seria mais
fácil pra gente fazer. Estávamos dispostas a fazer nosso próprio feitiço pois havia muito que
não tínhamos ninguém em nossa vida, e, com um feiticinho ... quem sabe a coisa poderia
acontecer mais rápido e mais barato pois não precisaríamos procurar um namorado na
praia, bar ou clube, nem pagar uma feiticeira ou um centro de macumba. Veja o que o
inimigo faz com as pessoas sem Jesus. O livrinho era bonito, muito interessante e parecia
um livro de historinhas para criança, cheio de gravuras e todo coloridinho e não se parecia
de forma alguma com livro de bruxaria, e foi isso exatamente que nos atraiu.

Resolvemos então fazer algumas coisas que estavam escritas naquele livro pra ver
se algo diferente poderia acontecer em nossa vida. Compramos todo o material e no dia e
hora marcada pra fazer o trabalho, nós concentrávamos e fazíamos tudo o que estava
escrito no livro. Mas, instantaneamente, olhávamos uma para a cara da outra e
começávamos a rir, como duas crianças fazendo travessuras, assim era nosso
comportamento. E nada acontecia porque não levávamos nada daquilo a sério, e ainda
dizíamos: “Se Deus quiser, vai dar certo”. Ah, se soubéssemos que Deus odeia estas
coisas!

Hoje, arrependida, juntamente com minha filha de volta para os braços do Pai eu sei
que Deus não queria aquilo em nossa vida e não quer essas fraquezas e debilidades na
vida de ninguém. Que abominação. Deus já estava interferindo nas minhas ações, Ele já
havia me separado pra Ele, para fazer a obra d’Ele. Agradeço ao Deus Todo-Poderoso que
me amou primeiro e me criou. Glória a Deus que nos dá conhecimento e vitória.
CAPÍTULO 17

“Toda arma forjada contra ti não prosperará; toda língua que ousar contra ti em juízo,
tu a condenarás; esta é a herança dos servos do Senhor e o seu direito que de mim
procede, diz o Senhor”. Isaias 54.17

No período em que estava em Miami fiz por duas vezes o lançamento do livro “As
Vidas Que Vivi” que foi escrito em Nova York quando eu trabalhava de Baby Sitter na casa
de uma família muito rica. O primeiro lançamento foi em um colégio e outro em uma
churrascaria brasileira em Miami que contou inclusive com alguns funcionários do
Consulado Brasileiro de Miami como convidados. O livro conta toda a trajetória da minha
vida pessoal, no trabalho, no espiritismo, na messiânica, chama violeta e outras seitas e
filosofias, e principalmente, regressões às vidas passadas. A meu modo de ver, o livro seria
um sucesso, principalmente porque na época era um assunto muito divulgado pela
imprensa lida e falada e a rede Globo estava investindo nesse assunto. E enquanto eu
distribuía os convites para o lançamento do livro aos meus amigos, um dos diretores da
Hero, Almir Rosa Junior falou de Jesus pela primeira vez pra mim. Ao entregar o convite,
ele olhou e disse em um tom suave e cheio de amor respondeu: “Se eu posso falar
diretamente com Deus, eu não necessito de outros deuses”. Sem responder uma palavra
sequer, passei por ele e fui embora mas confesso que esta pequena frase jamais saiu dos
meus pensamentos e do meu coração.

Pouco tempo antes disso acontecer eu havia passado uns meses no Brasil e o livro
havia sido lançado na Biblioteca Pública de Belo Horizonte e em uma livraria no Rio de
Janeiro. Muitas entrevistas em rádio e televisão, anúncios em jornais, mas o livro não
aconteceu, ficou parado nas prateleiras das poucas livrarias que ousaram expô-lo.

Foi uma decepção muito grande para mim, pois eu havia investido muito dinheiro na
edição do livro e as poucas pessoas que o compraram nada comentaram e nem mesmo
fiquei sabendo se os leram mas eu achava que elas tinham obrigação de fazer pelo menos
uma observação, uma palavra de incentivo, uma crítica, mas nada, não disseram uma
palavra sequer a respeito do conteúdo do livro. Ninguém de minha família fez comentário
também e todos compraram o livro pra me ajudar. Nem mesmo sei se algum amigo íntimo
ou mesmo um dos meus irmãos leu o livro. Escrever aquele livro foi a pior escolha que fiz
em toda a minha vida.

Hoje, eu elevo meus olhos para os céus e agradeço a Deus pelo fracasso do livro e
por não ter levado mais pessoas a acreditarem naquela mentira que haviam incutido em
minha alma. O livro ficou esquecido nas prateleiras e o diabo perdeu a grande chance de
levar mais almas para o inferno para sofrer e viver em trevas em sua companhia tenebrosa
com a leitura do meu livro que ele mesmo se incumbiu de me induzir a escrevê-lo; e eu
seria culpada por estas almas. Na eternidade eu teria que pagar por isso, pela alma de
cada um que eu teria desviado através da leitura do livro, e o preço é alto. Muito alto. Ora,
se muitos que acreditam em reencarnação tivessem lido meu livro teriam em sua leitura
mais um motivo pra crer que reencarnação realmente existe e graças a Deus pelo livro não
ter alcançado os propósitos a que foi feito porque eu seria responsável pela perdição deles.

Dou glórias a Deus porque Ele interferiu na venda dos livros, Ele tinha algo bem
melhor pra mim, Ele queria que eu escrevesse um livro para a glória d’Ele, e não para a
glória de seu inimigo. Aleluia! Deus já tinha um plano em minha vida e não deixou nada
acontecer comigo porque eu sou escolhida d’Ele.

Voltando às passagens pelo mundo do inimigo, pelo caminho que não é de Deus,
gostaria de narrar aqui alguns livramentos que Deus havia me dado. Eu já disse
anteriormente que o inimigo do nosso Poderoso Deus recebeu muito dinheiro para acabar
com minha vida, mas Jesus, o meu maravilhoso e redentor Jesus, o meu Senhor e meu
Salvador, entrou na história, e como Deus já tinha um plano para mim eu não poderia ter
morrido pois o Senhor não nos deixa morrer sem primeiro cumprirmos o que Ele tem pra
nós. O profeta Isaías diz no capítulo 55 versículos de 8 a 11: “Porque os meus
pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus
caminhos, diz o Senhor, porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim
são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos,
mais altos do que os vossos pensamentos. Porque, assim como descem a chuva e a neve
dos céus e para lá não tornam, sem que primeiro reguem a terra, e a fecundem, e a façam
brotar, para dar semente ao semeador e pão ao que come, assim será a palavra que sair
da minha boca; não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo
para que a designei”. Que lindo! a bíblia tem resposta pra tudo!

Eu amo o livro de Isaías. Suas passagens são encantadoras. Os pensamentos de


Deus ultrapassam nossa imaginação, não é verdade? E esta passagem é simplesmente
maravilhosa e eu creio que Deus falou pra mim e pra você também nestes versículos. Os
planos do inimigo foram frustrados, glória a Deus! Veja agora o que o inimigo havia
preparado pra mim, mas os planos de Deus são maiores e com sua graça e misericórdia,
tudo mudou.

A primeira que me recordo foi quando eu ainda adolescente, fui a um piquenique em


Raposos, uma cidadezinha no interior de Minas Gerais, com alguns membros da minha
família e alguns amigos em uma área perto de um riacho, preparada exatamente para estes
eventos. Pouco tempo depois que chegamos eu tive vontade de passar para a outra
margem do riacho e no meio dele havia uma pedra. Como o rio era largo para minhas
pernas curtas pulei na pedra para que dali eu pudesse alcançar o outro lado da margem
mas assim que meus pés tocaram a pedra, havia cacos de vidros quebrados que estavam
já ali durante muitos dias e eu cai na outra margem do rio com os pés ensangüentados e
meu sangue foi descendo água abaixo. Quando o pessoal viu o sangue correndo rio abaixo
junto às águas, subiram o rio pra ver o que era aquele sangue e me viram desmaiada. Me
retiraram dali e me levaram para uma casinha na redondeza para que eles pudesse cuidar
de mim porquanto ainda era cedo e eles haviam de gozar o dia e o piquenique. O pessoal
da casa cuidou de mim envolvendo panos molhados com água e sal no meu pé e ali passei
uma boa parte do dia dormindo em uma casa de quem eu não conhecia ninguém. No final
da tarde o pessoal decidiu que já era hora de ir para a estação pra tomarmos o trem que
nos levaria de volta a Belo Horizonte e foram me buscar naquela casinha onde fui cuidada
com muito carinho. Ao chegarmos à cidade minha família me levou direto para o Pronto
Socorro. Quando o médico me atendeu ele disse que se eu demorasse mais vinte minutos
a chegar lá, teria dado tétano no meu pé. Hoje eu sei que foi livramento. Aleluia.

A segunda vez, aconteceu quando fiz um aborto, ainda jovem, depois que minha filha
nasceu e fiquei entre a vida e a morte, sem mesmo saber onde eu estava pois havia sido
levada por uma “amiga” que me deixou lá sozinha à mercê de uma mulher que se dizia
parteira, e sumiu, naturalmente pensando que se eu morresse ela teria que responder a
algum processo pois me levou para fazer algo proibido e que era pecado aos olhos de
Deus porque praticando o aborto, eu me tornei uma assassina. Nunca mais vi esta “amiga”
nem mesmo soube do seu paradeiro. Ali, naquela casinha, fiquei abandonada por quase
quatro dias, entre a vida e a morte e ninguém soube disso nem mesmo minha família.

A terceira, foi em um carnaval em Ouro Preto, onde me enfiaram em um carro com


quatro rapazes e eles tentaram me estuprar no caminho de volta a Belo Horizonte, às
quatro horas da madrugada. Era uma noite escura e somente o farol daquele carro
iluminava a estrada. De repente o carro foi desviado da estrada e eu me vi no meio de um
matagal, perto de uma árvore para onde fui levada e todos eles, um a um tentava me
persuadir a ter relações íntimas e eu fiquei ali em silencio, pedindo socorro a Deus. Eles
eram tão jovens quanto eu e penso que ainda não haviam tido contato sexual com ninguém
porque analisando hoje o comportamento deles, tudo ficou apenas em palavras. E foram
palavras ofensivas porque eu estava em um baile de carnaval, mas, e eles não estavam
também fazendo o mesmo que eu? Mas Deus em sua grande misericórdia enviou um carro
naquele momento e os faróis ficaram parados em cima de nós por alguns minutos até que
os rapazes resolveram que já era hora de voltarmos para a estrada. Livrei-me sabiamente
propondo-me a me encontrar com um deles no dia seguinte, encontro este que jamais
aconteceu.

A quarta, foi um carro que passou raspando e rasgando minhas meias numa manhã
quando eu subia uma rua em Belo Horizonte para ir trabalhar, e minha perna não teve
nenhum arranhão. Esse carro havia sido enviado pelo inimigo naquele feitiço que fizeram
pra acabar com a minha vida mas Deus estava sempre de braços abertos me protegendo e
me amparando.

A quinta vez, me lembro também que já morando no Rio de Janeiro, quando aprendi
a dirigir, eu não fiz auto-escola como se deve fazer, com todas as aulas e todo o
regulamento que o Detran exige. O proprietário da auto-escola me perguntou se eu gostaria
de passar no teste e como minha resposta foi afirmativa ele exigiu um preço bem mais alto,
claro. Foi até interessante o meu teste de rua pois quando estávamos esperando pra
começar o teste de direção no Maracanã o fiscal do Detran chegou e vendo o grupo de
pessoas reunidas perguntou ao proprietário da auto-escola: “quem vai passar”? Piada, né?
E eu era uma das pessoas que “iria” passar no teste. Passei no teste, claro sem ter andado
ou melhor, sem ter dirigido o tempo suficiente de ter mudado a marcha e mais, o próprio
fiscal engatou a marcha pra mim. Pois bem, aí está o resultado de ter comprado uma
carteira de motorista e você que tem intenção de fazer coisas erradas veja bem no que deu
minha “esperteza”: Minha estreia como motorista foi assim. Um amigo meu comprou um
carro pra mim e levou até a porta do prédio onde eu morava e ele ficou ali na rua
estacionado por uns dias porque eu tinha medo de dirigir. Porém, num sábado minha filha
insistiu pra que fôssemos à praia e eu tive que guardar o meu medo dentro de uma gaveta
e sair com ela.

Nós morávamos na Tijuca e estávamos indo para a praia de Copacabana passando


pela Lagoa Rodrigo de Freitas, e assim que saímos do Túnel Rebouças eu estava dirigindo
em uma boa velocidade quando minha filha me disse para entrar na curva à esquerda que
estava a poucos metros à nossa frente. Não deu tempo de passar da quarta para a terceira
e depois engatar a segunda para entrar na curva. Eu poderia ter ido direto e entrado na
próxima curva mas não tive tempo de pensar e entrei na curva sem ter diminuído a
velocidade, como em filmes de ação. Claro que eu capotei o carro. Puxa, foi minha primeira
viagem sem o instrutor, eu poderia ter prestado mais atenção, não é? Eu poderia ter ido
devagar mas eu queria acompanhar a velocidade dos outros carros. A capota do carro
desceu tanto que ficou a poucos centímetros dos bancos. Fiquei com muita vergonha
porque alguns carros foram parando e um montão de gente foi se aproximando. Como
estávamos perto de um posto de gasolina os funcionários vieram pra nos socorrer.
Agradeci aos rapazes com um sorriso amarelo e disse pra eles ficarem com o carro e nós
duas caímos fora dali. Saímos do carro com apenas pequenos arranhões sem perdermos o
humor e chegamos à praia a pé, morrendo de rir. Nem procurei saber aonde foi parar o
carro. Era Deus também me protegendo e me guardando para os propósitos dele.

A sexta, fui assaltada duas vezes no Rio de Janeiro com armas em meus ouvidos.
Uma vez dentro de um ônibus quando eu estava indo para a Herbert Richer´s na Tijuca.
Alguém dentro daquele ônibus já conhecia o bandido e o colocou pra fora a ponta pés e
disse que se o visse novamente fazendo o que ele fez iria matá-lo. Eu fiquei tão calma, não
tive reação nenhuma e acho até que fiquei boba, lerda pois nem chorei e nem gritei. Assim
que o ônibus se pôs em movimento de novo um senhor veio com a bíblia na mão, leu
alguma coisa e orou por mim. Não seria uma boa hora pra eu me converter e parar com
meu sofrimento? Quando eu cheguei à Herbert Richer’s aí sim, eu me derramei e chorei
muito. Nessa hora é bom porque vem uma porção de gente te abraçar. Outra vez, quando
no inicio do ano de 1988 o ladrão entrou dentro do meu carro novo que eu havia acabado
de comprar, logo assim que desliguei o alarme e me ordenou que sentasse no banco do
carona e foi dirigindo com a cabeça bem empinadinha como se o veículo fosse dele. Viajou
comigo por alguns quarteirões com a arma voltada para o meu ouvido e dizendo sempre
para eu não olhar para os lados nem para trás e nem tão pouco gritar. Ele queria me deixar
na Quinta da Boa Vista, um lugar bem perigoso à noite e eu pedi pra me deixar em
qualquer outro lugar movimentado onde eu poderia tomar um táxi pra voltar pra casa. Ele
me deixou tranquila e eu até que bati um papo com ele dizendo que ele não tinha cara de
ladrão, que tinha sapatos e roupas de grife e ainda teve coragem de me pedir dinheiro pra
colocar gasolina e pelo que pude perceber ele iria longe pois tinha bastante gasolina no
tanque. Ele até que foi muito bonzinho pra mim pois devido meu medo de estar em um
lugar deserto como aquele, decidiu me deixar na rodoviária porém me alertou pra que eu
não falasse com a polícia sobre o ocorrido caso contrário eu não voltaria viva pra casa e foi
embora dizendo que iria fazer um servicinho mas que ele devolveria o carro.

A polícia me informou uma semana depois que o carro estava parado na frente de
uma casa em Vila Isabel aberto, com as chaves na ignição. A proprietária da casa viu
aquele carro parado durante vários dias ali e foi verificar o que estava acontecendo e
avisou a polícia. Lindo, não? A polícia levou o carro para a delegacia e depois foram até
minha casa pra me buscar, porque me conheciam através dos meus trabalhos em rádio e
me levaram até lá para identificá-lo, e ainda colocaram gasolina pra mim porque o que tinha
não dava pra chegar até o meu prédio. Como o carro era zero e ainda não tinha seguro,
eles chamaram uma companhia de seguros e somente me deixaram levar o carro depois
que o seguro foi feito. É Deus no comando. Aleluia. Agora, bem secretamente vou te dizer
uma coisa: eu dou muita sorte com polícia. Pode crer.

A sétima vez foi no inicio do ano de 2006 num dia, bem cedinho, a missionária
profeta que já falei sobre ela, me ligou e perguntou se eu estava bem e eu disse que sim.
Ela então explicou o motivo de sua ligação. “Irmã, eu estava fazendo almoço e Deus me
disse pra te ligar. E ela tornou a perguntar: Irmã, tem certeza de que está tudo bem com
você? Sim missionária, eu já disse que estou bem, está tudo bem e muito obrigada pela
preocupação. Conversamos um pouco mais e antes de se despedir ela orou por mim. No
final da oração ela disse que Deus estava mostrando a ela um acidente na avenida Augusto
de Lima que faz esquina com minha rua e que era para eu evitar passar por lá. Durante um
bom período de tempo assim o fiz, mas à medida que o tempo foi passando eu fui me
esquecendo daquele telefonema. Morando perto desta avenida eu tinha condições de fazer
muitas coisas tais como: banco, mercado, a farmácia de uma irmã da igreja que eu sempre
passava lá pra bater um papinho gostoso com ela; lojas de roupas, cama e mesa, chaveiro,
consultórios de advocacia, consultórios médicos, restaurantes e lanchonetes, lojas de
moveis e eletro-domésticos, o Fórum e o posto da Polícia Federal onde fazemos nossa
carteira de identidade, enfim, o que você imaginar, ali naquela redondeza tem. São dois
quarteirões de plena benção porém, nas minhas caminhadas matutinas eu sempre passava
por ali e tive também que evitar este prazer porque quando Deus usa profetas como esta
missionária e outros profetas que profetizaram pra mim eu creio, e tudo acontece, glória a
Deus.

Certa manhã eu fui lavar minha roupa numa lavanderia perto do meu prédio, na
avenida Amazonas que é justamente o oposto da Augusto de Lima e como eu precisava de
fazer uma retirada no banco, quando coloquei a roupa na secadora, já de posse do cartão
do banco na mão, ia saindo quando me deu vontade de ir ao banheiro e a funcionária me
indicou onde era. Na volta, pisei em falso em algum lugar atrás da caixa registradora e caí.
Foi uma dor terrível e o meu pé direto começou a inchar e a ficar roxo. Comecei a fazer
massagem no pé e a mexer com ele pra lá e pra cá para continuar quente pensando assim
aliviar a dor, só que aconteceu o contrário, minhas massagens estavam piorando e a dor
aumentando. Tive que ficar ali até a roupa secar e ninguém veio saber o que aconteceu e
não havia ninguém na lavanderia além de duas funcionarias mas nenhuma se dignou a
perguntar o que havia acontecido. Ninguém teve compaixão de mim. Fui embora
carregando aquele saco de roupas, sentindo muita dor e mancando. Mas Deus, enquanto
eu caminhava sofrendo e quase chorando de dor me deu uma canção com letra e música
juntos, porque é assim que Ele faz comigo, Ele me dá tudo completo. Meu Deus é
simplesmente maravilhoso. Eu amo o meu Deus.

Confissão

Jesus meu Rei, clamo ao Senhor


Confesso a ti que sou um pecador
Ó meu Jesus abro meu coração
Meus pecados são muitos
Quero o seu perdão

Jesus meu Rei, clamo ao Senhor


Limpa minhas feridas com o seu amor
Ó meu Jesus é grande a minha cruz
Meu fardo é pesado
Para eu suportar

Jesus meu Rei, eu te sinto agora


Sua presença é meu bálsamo
O bem mais precioso foi o teu perdão
Por isso Jesus meu Rei eu te agradeço
Com esta oração

Infelizmente eu não consegui gravar esta canção que me foi dada com muito amor
num momento crucial pra mim. Não entendi porque Deus me deu esta música num
momento como aquele, num momento de aflição e dor. Quando cheguei em casa, ao
passar pelo porteiro, ele, vendo meu estado de desespero e chorando, recomendou que eu
fosse ao Pronto Socorro Ortopédico que não ficava muito longe dali. Já era perto do horário
de almoço, então eu fiz alguma coisa rápida, comi, tomei banho e ainda com dor e muita
dificuldade para andar, fui a pé para o Pronto Socorro pensando que a caminhada não seria
tão longe e tão dolorosa mas com a dor que eu sentia o endereço ficou muito mais longe e
foi muito difícil suportar.

Depois de prontas a radiografias, o diagnóstico veio por trás de um sorriso triste do


médico: “seu pé” está quebrado e teremos que colocar gesso e você terá que ficar de
repouso por três meses”. Tive também que alugar um par de muletas pra mim pois eu não
poderia me dar ao luxo de passar um período tão longo na cama. Ao voltar para casa já era
quase noite, liguei para a missionária profeta e contei o sucedido e então ela mais uma vez
orou por mim. Ao terminar a oração ela me disse: “irmã, Deus te deu um livramento”. O
que? Deus me deu um livramento e eu estou com meu pé quebrado e vou ficar de molho
por três meses? Desde quando isso pode ser chamado de livramento? Calmamente ela me
explicou que aquilo era pra evitar “aquele acidente” de meses atrás em que ela
recomendou que eu não fosse até a avenida Augusto de Lima e Deus mostrou a ela
naquele momento um acidente em que eu estaria com a testa sangrando. Depois que
desliguei o telefone, analisei a letra da música e foi à revelação do cuidado de Deus comigo
e ali, já era o agradecimento. Na hora de dormir, abri a bíblia sem procurar nada pra ler e
meus olhos bateram no primeiro versículo do Salmos 30: “Eu te exaltarei oh Senhor, porque
tu me livraste e não permitiste que os meus inimigos se regozijassem contra mim”. Aleluia,
Senhor! Mais uma vez eu te agradeço por todo o teu amor, tua infinita misericórdia.

A oitava, me lembro também deste que me ocorreu há pouco tempo. Eu estava


chegando em casa mais de nove horas da noite de um domingo, vindo da igreja
Assembleia de Deus no centro da cidade, onde fui assistir o pastor Silas Malafaia. Ele
pregou em cima do versículo 14 do capitulo 27 do livro dos Salmos escrito pelo rei Davi que
diz: “Espera pelo Senhor, tem bom ânimo, e fortifique o seu coração; espera pois, pelo
Senhor”. Voltei pra casa caminhando pois eu morava cerca de cinco ou seis quarteirões da
igreja, glorificando a Deus em voz alta pois a pregação foi simplesmente tocada no meu
mais profundo ser. Quase na esquina da minha rua dois rapazes me pararam pra pedir
dinheiro e como eu neguei eles vieram atrás de mim e um deles me torceu o braço direito
com violência e disse: “Eu não quero te matar, eu só quero dinheiro”. Ele continuou
torcendo o meu braço enquanto o outro arrancou minha bolsa do outro braço, abriu jogando
no chão o que via pela frente e puxou a carteira arrancando tudo o que tinha dentro. Eu
apenas disse: “leve tudo mas deixe minha bíblia por favor”. Ele pegou a bíblia, chegou-a
pertinho do meu nariz e em seguida jogou-a no chão dizendo que sim, que deixaria a bíblia
comigo mas que eu teria que me “ajoelhar” para apanhá-la. Eu estava praticamente em
frente ao prédio em que morava, menos de um metro, e entrei chorando, desesperada.

O porteiro se compadeceu de mim, me deu água e chamou a polícia que chegou em


poucos minutos e me levou pelas redondezas pra ver se os rapazes ainda estavam por ali
para que eu pudesse identificá-los, mas é claro que eles sabiam que ali bem perto tinha um
Posto Policial e não iriam dar bobeira na área. Durante alguns dias meu braço ficou
dolorido e roxo e eu tive que usar uma pomada e enfaixá-lo por um bom tempo para dar
proteção e aliviar a dor. E graças ao bom e maravilhoso Deus sempre de braços abertos
me acolhendo e me protegendo com todo o seu amor e compaixão, eu estou aqui, bem
viva, trabalhando para sua obra pois Ele me escolheu e me ungiu. Amém.
CAPÍTULO 18

“Ele tomou sobre si as minhas enfermidades e as minhas dores Ele levou”. Isaias
53.4a

Muitas coisas ruins aconteceram em minha vida que eu teria que escrever outro livro,
mas penso que o que foi narrado no capítulo anterior seja o suficiente pra que você possa
entender porque eu decidi me mudar para a América, e depois de uma temporada no Brasil
voltar novamente para um lugar que sempre me acolheu de braços abertos e onde eu
sempre tive tranquilidade e liberdade para andar e dirigir nesta terra tão desejada e amada
por muitos imigrantes, assim como eu.

Após alguns destes acontecimentos que me deixaram com receio de que alguma
coisa pior pudesse acontecer e com medo de viver em meu próprio país foi que eu decidi
me mudar definitivamente para a América em 1988. Morei mais de oito anos em Nova York
antes do acontecimento que narrarei a seguir que considero o maior livramento do Senhor
em minha vida.

Em 1997 eu me mudei para Los Angeles a convite de um diretor de dublagem e dono


de um estúdio que nunca me deu trabalho porque descobriu que eu não era da mesma
religião dele, mas eu não “desisti” porque esta palavra não existe pra mim. Dias depois eu
estava em um núcleo da messiânica inclusive o ator e dublador amigo meu nos tempos da
Herbert Richer’s Nizo Netto estava lá neste dia, e também dublou em alguns estúdios em
Los Angeles por um tempo. No exato momento em que comentei que precisava de um
lugar pra morar uma pessoa muito simpática ouviu e disse que eu poderia ir morar com ela
sem pedir documento, sem perguntar o que eu fazia e sem mesmo perguntar se eu tinha
emprego e dinheiro pra pagar minhas contas. Ela simplesmente me ofereceu um teto pra
morar. Carmem Marechal é o seu nome e jamais em minha vida vou esquecer o que ela fez
por mim. Dias depois minha filha veio me visitar e a Carmem preparou um jantar especial
pra ela. Rimos, brincamos e passeamos bastante. A Carmem sempre foi uma mulher muito
positiva e nunca houve dias de tempestades em sua vida, pra ela tudo era festa e alegria.

De segunda a sexta eu fazia dublagem em dois estúdios em Burbank mas como o


trabalho era pouco e quase não era o suficiente para pagar uma vaga e eu precisava de
aumentar o meu orçamento, então, eu consegui um emprego para os finais de semana
para fazer companhia a um casal de idosos. Ele ainda caminhava e fazia tudo sozinho mas
ela precisava de ajuda e para sair da cama precisava de alguém para colocá-la em uma
cadeira de rodas o que ela não conseguia fazer sozinha.

Eu gostava muito deles e eles eram muito educados e bons pra mim também, me
respeitavam e me tratavam muito bem. Eu ia para a casa deles na sexta-feira à noite e
ficava até segunda-feira pela manhã quando era substituída pela enfermeira que trabalhava
pra eles há um bom tempo de segunda pela manhã até sexta a noite quando eu chegava.

Alguns meses depois em um sábado pela manhã acordei com uma dor muito
estranha na barriga. Essa dor já havia me incomodado diversas vezes durante a noite, mas
pela manhã ela se agravou. Cheguei ao quarto da minha chefe para entregar o jornal que
ela gostava de ler enquanto eu preparava o breakfast e comentei sobre a minha dor. No
mesmo instante ela chamou o marido aos gritos e me expulsou do quarto dizendo para eu
não chegar perto porque não sabíamos o que estava se passando comigo e eu poderia
transmitir à ela algum vírus. Mandou que o marido telefonasse para a enfermeira que
trabalhava com ela durante a semana pra vir me substituir e ligou para o hospital pedindo
uma ambulância pra mim e ordenou que eu fosse para o quarto. A ambulância se negou a
me buscar pois disseram que eu teria que estar “sangrando” mas este não era o caso.
Disse também para que eu ficasse com a porta do quarto fechada e de lá não saísse sem
que eles mandassem e ordenou que eu não tocasse em nada na casa. Eu fiquei sem
entender o histerismo dela naquele momento porém alguns dias mais tarde eu analisei com
mais frieza a situação e me coloquei no lugar dela pois coitada, era inválida e deveria estar
bem sensível devido ao seu estado e portanto, entendi sua reação, liguei pra ela e falei com
ela e o marido pedindo perdão e durante muito tempo trocamos cartas e cartões.

Grande parte da manhã daquele dia eu fiquei trancada no quarto, chorando, a dor
aumentando e tentando entender o que estava se passando comigo. E minha barriga ia
tomando uma forma estranha, estava crescendo como se eu estivesse grávida. Só que ela
cresceu em proporção de uns três meses em poucas horas. Liguei desesperada para a
minha amiga Carmem e pedi socorro mas ela só poderia me buscar na parte da tarde pois
estava no trabalho naquela manhã. Ela chegou justamente no momento melhor da tarde e
eu saí da casa às escondidas, enquanto eles faziam a cesta pois naquela altura dos
acontecimentos a enfermeira já tinha chegado e tomado o comando da casa e que também
estava tirando sua soneca e a casa portanto, estava completamente silenciosa. Saí daquela
casa como um ladrão que roubou uma fortuna, bem caladinha, pisando macio com
sandálias havaianas pra não fazer barulho e levando alguns segundos pra mudar de passo
que eu até parecia um robô caminhando naquela casa silenciosa. Mesmo com as fincadas
da dor que eu sentia deu pra rir muito com a Carmem quando entrei no carro porque ela
começou a fazer muita piada sobre eu sair como um ladrão noturno. Ela foi muito esperta e
sábia porque poderia ficar se compadecendo da minha tragédia e eu poderia ficar ainda
mais triste porém, diante daquelas brincadeiras eu pude esquecer por um momento a
minha dor e deixar de ter “peninha” de mim. Rimos muito durante nossa trajetória até
chegarmos à casa dela.
Deixei meu carro lá na casa e à noite, bem tarde, para que novamente ninguém nos
visse voltamos para buscá-lo. Foi muito sacrifício pra nós duas mas ao mesmo tempo foi
engraçado. Parecia que estávamos vivendo uma cena de cinema. A rua estava
completamente deserta portanto foi fácil colocar em prática nosso plano. Eu deixei o carro
com o farol apagado e dirigi por alguns metros enquanto ela empurrava com seu carro e
fomos bem devagarinho pra não fazer barulho e não acordar ninguém. Tivemos sorte
também porque não tinha ninguém naquela rua. Ainda bem que a rua não era muito plana e
o carro estava estacionado com a frente virada para a descida.

Foram duas viagens cansativas no mesmo dia pois o lugar em que ela mora fica a
uma hora de Los Angeles, onde morávamos. Se contássemos as horas gastas nas duas
viagens de ida e volta seriam mais ou menos quatro horas bem cansativas tanto pra ela
quanto pra mim que sentia muitas dores. Ela foi muito generosa comigo naqueles dias e foi
dormir na sala onde eu dormia e me deu o quarto dela e sua cama de casal muito
confortável mas nem pude sentir o prazer de estar ali naquela cama gostosa só pra mim
porque a dor era insuportável demais pra que eu pudesse sentir qualquer tipo de prazer.

Eu queria ir ao hospital mas ela disse que me custariam mais de mil dólares e que ela
mesma com seus chás “me curaria”, falou com muita precisão. Deixou de ir ao trabalho por
dois dias e cuidou de mim com muito carinho como se eu fosse uma filha. Naqueles dias
meu estômago recusava tudo e eu não tinha fome e nem estava suportando cheiro de
comida, portanto só tomava chá, só conseguia tomar os chás que ela fazia e afirmando que
eles me curariam. Sempre que eu colocava alguma coisa na boca eu tinha crises de vômito
mas eu ia ao banheiro, me ajoelhava no vaso sanitário e não saía nada além do barulho
dos vômitos que eu simulava.

Ela começou a me dar sopinha na boca e me obrigava a engolir pois eu nem


conseguia segurar na colher e também não tomaria se ela não insistisse. Foram dias
terríveis aqueles. Minha barriga continuava a crescer e a esta altura parecia que eu estava
com quase seis meses de gravidez. Finalmente, três dias depois minha barriga começou a
latejar e doía tanto quanto as contrações do parto e eu me contorcia e chorava. Eu chorava
alto e gemia, quase gritando. Senti as mesmas dores quando estava em trabalho de parto
da minha filha Claudia. Comecei a sentir alguma coisa muito estranha se mexendo dentro
de mim. Esse processo durou muito tempo e fazia barulho, muito barulho. E doía demais.
Sem entender o que estava se passando meu desespero aumentou e eu chorava
desesperadamente e ela ficava me animando e passando a maior parte do dia ao meu lado
dizendo palavras positivas de fé e esperança pra me consolar. E assim foi também durante
a noite. Quando o dia estava quase amanhecendo, tive urgência de ir ao banheiro, mas não
deu tempo. A Carmem veio correndo pra me socorrer mas não deu tempo e eu fiquei com
muita vergonha mas ela agiu como se nem tivesse visto o que fiz nos seus lençóis brancos.
Portou-se como mãe, como amiga e como uma verdadeira enfermeira, e também me
tratava com carinho, paciência e muito amor e até banho ela me deu.
Finalmente, com os chás que ela mesma tinha em casa, nem precisou gastar um
centavo com médico e hospital. E com o cuidado e carinho que recebi dela e o amor do
Senhor, eu fui curada.

Bom, acho que é o suficiente pra reconhecer que Deus estava na história o tempo
todo, me protegendo, me separando para sua obra pois em qualquer destas ocasiões eu
poderia ter morrido ou ficado sem um membro do meu corpo ou mesmo paralítica. Deus é o
Deus dos médicos e dos amigos sinceros e fiéis como minha amiga Carmem Marechal.
Essa é mais uma prova do grande amor de Deus para comigo. Eu te amo Senhor.
CAPÍTULO 19

“Quando ouvirdes falar de guerras e revoluções, não vos assusteis; pois é necessário
que primeiro acontecesse estas coisas, mas o fim não será logo”. Apocalipse 21.9

Minha filha conheceu um rapaz maravilhoso em Miami e não demorou muito e eles
se casaram. Eu morava em South Beach e eles moravam em Sunrise cerca de quarenta
minutos de carro com um bom trânsito. Pouco tempo depois meu aluguel teve um aumento
muito grande na mesma ocasião em que eu fui despedida da firma, mas continuei
trabalhando, porém sem salário fixo pois eu agora era freelance. Fiquei preocupada se
conseguiria fazer dinheiro suficiente pra me sustentar sozinha então, como eles tinham uma
casa muito grande, me convidaram pra morar com eles. Lá eu me sentia muito bem. A casa
era muito parecida com as casas dos filmes Américanos, sem muros e quem já veio
passear aqui sabe muito bem do que estou falando, e o vizinho mora bem ali do lado mas
você não ouve voz de ninguém, não ouve música em tom alto e eles não ultrapassam seu
quintal. A casa deles é a primeira que se vê quando se entra no condomínio. E a cidade de
Sunrise onde eles moram é a terceira cidade menos violenta do sul da Flórida, segundo
estatísticas.

Eu tinha um banheiro enorme só pra mim, com duas pias e um espelho também
muito grande que pegava a parede inteira do banheiro; uma banheira que me fazia desejar
tomar banho de sais e espuma todos os dias, com velas perfumadas. E isso era o que eu
fazia todos os finais de semana. Olhando pela sala e também pela cozinha, eu namorava a
piscina da casa e a lagoa do condomínio com uma fonte luminosa jorrando água dia e
noite. Ali era como um paraíso pra mim, um lugar tranquilo e eu tinha uma boa vida mas,
sem mudança interior. Minha vida era vazia e extremamente superficial. Mesmo vivendo na
beleza e no conforto daquela casa eu me sentia vazia, isolada e cansada da vida. Eu sentia
falta de alguma coisa mas não sabia o que era. Muitas e muitas vezes eu me via chorando
e soluçando sem mesmo saber porquê. Eu, simplesmente chorava. Eu me sentia muito
infeliz.

Um dia, que não foi um “belo dia” como é de costume dizer, 11 de Setembro de 2001
me levantei no horário de sempre para me aprontar pra trabalhar e quando entrei no
banheiro, liguei o rádio como de costume para ouvir músicas em uma emissora de rádio de
que eu gostava muito porque só tocava música light das décadas de 60, 70 e 80 e, ao
mesmo tempo abri a torneira do chuveiro. O som do noticiário foi meio confuso naquela
hora da manhã. Achei estranho porque aquela emissora não tinha noticiários vindo da rua e
pelo som daquela voz que estava dando a notícia notei logo que ela não estava sendo feita
no estúdio, então prestei mais um pouco de atenção me esforçando para entender o que
estava se passando. Meio dormindo, meio acordada, ouvi o noticiarista dizer algo sobre
avião entrando no edifício World Trade Center, as Torres Gêmeas que embelezavam uma
boa parte da ilha de Manhattan em Nova York.

Desliguei o chuveiro rápido e corri para o quarto e liguei a televisão mas antes de ver
as imagens bati no quarto da minha filha Claudia e do marido Victor e disse em tom de
desespero pra eles ligarem a televisão. Claudia perguntou qual canal ... enquanto eu fui
correndo para meu quarto dizendo em tom bem alto: qualquer um. Porém, eu ouvi que ela
resmungou alguma coisa mas não liguei. Não desta vez. Eu repetí em um tom mais alto
ainda: “qualquer canal” porque eu sabia que naquele momento a maioria dos canais estaria
mostrando as mesmas imagens terríveis de terrorismo e aquilo era um acontecimento
mundial portanto como eu previ, todos os canais de televisão estavam com a mesma
imagem. O World Trade Center, aquele poderoso império que era a maior atração de Nova
York estava pegando fogo. Eu comecei a tremer e a chorar histericamente sentindo dores
em minhas entranhas como se o fogo estivesse dentro de mim. Eu não queria entender
como é que alguém pode ser tão cruel ao ponto de pilotar um avião e entrar friamente
dentro de um prédio matando milhares de pessoas de uma só vez e além de tudo, se matar
também. Será que enquanto o avião estava se aproximando daquele prédio ele não teve
tempo de se arrepender e mudar a direção daquela nave? E eu chorava sem entender
aquela crueldade e soluçava desesperadamente pensando que se fosse uma semana
antes eu poderia estar lá também pois eu estive naquele prédio descendo e subindo várias
escadas rolantes para tomar o trem lá no fundo do prédio, no subterrâneo, pois estava
fazendo as provas finais de um curso de arranjos florais e passei pelo World Trade Center
por vários dias entre Nova York e Nova Jersey. Além do mais, me doía ver um prédio como
aquele sendo destruído daquela forma tão maquiavélica e tantas vidas dizimadas.

Eu entrei naquele prédio tantas e tantas vezes, quando eu ia à igreja Messiânica em


Nova Jersey. Era lá que eu tomava o trem, no subterrâneo do W.T.C. E lá era lindo, tantas
lojas e escritórios, cafés, restaurantes, tantas coisas que se podia ver e fazer ali além dos
passeios lindos que você dava em suas torres e de lá de cima apreciar a maravilhosa ilha
de Manhattan e Brooklyn, porém agora tudo destruído por obra do inimigo. Tantas pessoas
inocentes com suas vidas dizimadas naquele lugar. Quanta tristeza! Quanta dor! Não fui
trabalhar, eu não teria como dirigir por quase uma hora na rodovia que me levaria ao
estúdio e não teria como me concentrar também. Naquele dia ninguém trabalhou. As
emissoras de rádio e televisão estavam anunciando para quem estivesse indo trabalhar que
voltassem para casa. Foi um dia tenebroso. A América entrou em pânico. A América
chorou. A América ficou de luto.

As imagens que estávamos vendo naquele momento tinham sido gravadas por um
amador que estava filmando o local quando o avião entrou na torre. Mas momentos depois
a imprensa já estava lá também narrando todos os detalhes do acidente e os repórteres já
estavam fazendo a cobertura ao vivo. Em poucos instantes nós três vimos com nossos
olhos, ao vivo, a outra torre ser destruída. Vimos outros aviões caindo e destruindo outros
lugares. Veja a nota tirada do site Wikipédia a enciclopédia livre:

Ataques de 11 de setembro de 2001

“Na manhã daquele dia, dezenove terroristas da al-Qaeda sequestraram quatro


aviões comerciais de passageiros. Os seqüestradores colidiram intencionalmente dois dos
aviões contra as Torres Gêmeas do complexo empresarial do World Trade Center, na
cidade de Nova Iorque, matando todos a bordo e muitas das pessoas que trabalhavam nos
edifícios. Ambos os prédios desmoronaram duas horas após os impactos, destruindo
edifícios vizinhos e causando vários outros danos. O terceiro avião de passageiros colidiu
contra o Pentágono, a sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, no Condado
de Arlington, Virgínia, nos arredores de Washington, D.C. O quarto avião caiu em um
campo aberto próximo de Shanksville, na Pensilvânia, depois de alguns de seus
passageiros e tripulantes terem tentado retomar o controle da aeronave dos
seqüestradores, que a tinham reencaminhado na direção da capital norte-Américana. Não
houve sobreviventes em qualquer um dos voos”.

Para quem não acredita e para quem não sabe como deve ser o fim dos tempos,
aquele dia 11 de setembro de 2001 deve ter sido um “preview” do que poderá ser.

Eu, Claudia e o Victor passamos o dia todo na cama deles, que é muito grande, king
size, com a televisão ligada, tomando café da manhã e almoçando na cama. Quando íamos
até cozinha buscar algo pra comer ou beber, a televisão de lá também estava ligada para
que não perdêssemos nenhuma parte das notícias e dos acontecimentos. Naquele dia,
choramos muito. Todos nós acreditávamos que estávamos vivendo um pesadelo e que em
breve, no dia seguinte, acordaríamos e tudo voltaria ao normal. Mas o dia seguinte veio, e o
noticiário não nos disse que foi um pesadelo. Era real. A destruição realmente aconteceu
para desespero de toda nação. E o pais ficou de luto. Eu, que já amava a América como
meu próprio pais, talvez até mais, fiquei de luto por muito tempo.

E aí começou uma grande catástrofe também em nossas vidas. Os estúdios


fecharam e o meu faturamento a partir dali caiu para apenas dez por cento do que eu
recebia. Entre os meus colegas de trabalho, uns eram casados e tinham família constituída
na América e estavam preocupados com o futuro, outros tinham casa própria e as
perderam, outros começaram a cantar em restaurantes para sua própria sobrevivência
enquanto outros voltaram para suas terras, seus países de origem, e muitos brasileiros
também voltaram para o Brasil porque não tinham mais trabalho. E eu nessas alturas não
conseguia fazer mais nada. Foi um verdadeiro caos o que fizeram com o pais e com o
povo. O país sofreu, nós sofremos. Eu sofri muito. O marido da minha filha ficou sem
emprego, minha filha que trabalhava no canal da Disney ficou sem emprego e o nosso
dinheiro foi se esgotando.
Comecei a pensar em voltar para o Brasil também, como fizeram muitos dos meus
colegas de trabalho e amigos, já que minha irmã poucos dias antes havia me dito que
mamãe não estava bem e que foi diagnosticada com mal e Alzheimer, então eu pensei que
seria bom se eu viesse e passasse uma temporada com ela porque pensei que ela poderia
partir sem que eu a visse pois meu pai havia morrido quando eu estava em Nova York e eu
não pude me despedir dele portanto, eu não gostaria que o mesmo acontecesse em
relação à minha mãe. Não pensei duas vezes. Peguei meus pertences e muito triste dei um
adeus à terra do Tio Sam.
CAPÍTULO 20

“Maldito o homem que confia no homem”. Jeremias 17.5 a

Às vésperas do Natal daquele mesmo ano, vim para o Brasil satisfeita com minha
decisão. O propósito principal de minha vinda era a mamãe, mas eu também queria
trabalhar. Procurei todas as emissoras de rádio em que eu havia trabalhado, revi meus ex-
diretores e conheci alguns novos também, visitei varias agencias de publicidade mas
ninguém me deu emprego, apesar de me tratarem muito bem. Fui também em vários
estúdios de gravação e o que me diziam era que “voz de mulher” era difícil de ser aceita
mas o que eu mais ouvia e ouço até hoje é voz feminina nas emissoras de rádio e
televisão. Gravei um portfólio e distribuí pessoalmente em vinte agências de publicidade e
em todas elas eu fui muito bem recebida, porém, ninguém me deu trabalho.

Poucos meses depois fui para o Rio de Janeiro, crendo que minhas amigas e meus
amigos de estúdios e emissoras de rádio e os novos diretores em dublagem que eram
apenas colegas de trabalho quando eu ainda morava no Rio, e que agora atuam também
como diretores me dariam trabalho porém a luta foi muito intensa. Os amigos se
esqueceram de mim e não me deram oportunidade. Ignoraram-me completamente.
Tratavam-me muito bem, perguntavam sobre minha vida nos Estados Unidos, estavam
“interessados” no que eu narrava e diziam que me dariam trabalho porém nada aconteceu
em três meses e eu sabia que tinha muito trabalho em dublagem. Foi uma péssima
experiência pra mim, foi muita humilhação e eu jamais gostaria de passar por isso
novamente.

Eu estava completamente enganada com o pessoal que eu conheci no passado e


que sempre me tratava bem e pensei que ainda tinham algum respeito por mim e pelo meu
trabalho mas a pessoas mudam com o passar do tempo, não é? Infelizmente eu não
consegui nada no Rio de Janeiro, muito menos com as pessoas mais chegadas a mim.
Chegaram a me dizer que eu tinha “sotaque” e me mandaram treinar um pouco de
português e depois voltar, imagina. Ouvi comentários de que eu não precisava de trabalho
porque tinha muitos “dólares” e que também tiraria emprego de outras pessoas. O mundo
é mesmo cruel ou eu sou muito ingênua.

Fiquei sabendo que não me dariam trabalho porque:


1- Depois de tanto tempo na América eu deveria estar com muitos dólares no banco e iria
tirar trabalho de alguns,
2- Porque eu era uma traidora da classe. Ora, se eu estava lá e o trabalho estava lá,
porque eu continuaria a trabalhar como doméstica?
3- Porque eu dublava na América e os dubladores do Brasil não queriam que filmes
dublados em português fossem dublados fora do Brasil,
4- Fiz um teste de tradução em um estúdio de uma pessoa que sempre me tratou bem e
passei no teste mas nunca fui chamada pra traduzir nada,
5- Alguém disse que minha voz era impostada. Imagina, depois de tanto tempo que
trabalhei na Herbert Richer’s, Delart, VTI e outros estúdios, agora me dizem uma aberração
desta!
6- Visitei uma amiga em um estúdio e a proprietária ao ouvir minha me perguntou: “Porque
você com esta voz bonita não está dublando”? Eu olhei para a minha amiga e como ela
não disse nada eu respondi para a proprietária do estúdio: “Pergunta pra ela”. Silêncio total.
Todos esses tipos de preconceitos eu sofri. Por tudo isso eu passei no Rio de Janeiro e
sofri muito com a indiferença de alguns dos meus antigos colegas de trabalho como
também alguns dos meus “amigos” bem chegados a mim.

Sofri terrivelmente e me senti bastante humilhada durante um bom período na


esperança de que alguém me desse uma chance até que um dia eu decidi esquecer que
havia passado pelo Rio de Janeiro. Meu tempo de sofrimento tem tempo de validade e é
somente até o dia em que eu decido que não vale a pena sofrer mais. Resolvi que tinha
que ficar com minha mãe que precisava de mim.
CAPÍTULO 21

“Feliz o homem constante no temor a Deus”; Provérbios 28.14a

Meu irmão Carlos morava com sua esposa nos fundos da casa da mamãe e ela
sempre passava pela casa da mamãe toda arrumadinha com um lindo sorriso no rosto, a
bíblia na mão, e me convidava para ir à igreja. Eu achava que ela deveria fazer esse
convite bem antes e me dar tempo de aprontar, mas ela sempre me convidava quando
estava indo para a igreja e ela sabia que nem o endereço da igreja eu tinha, portanto, eu
sempre dizia que iria noutro dia mas esse dia nunca chegava. E eu pensava: será que ela
quer mesmo que eu vá ou só faz isso pra dizer que me convidou porque o convite vinha
sempre na última hora? Pra dizer a verdade eu também não queria saber de igreja, meu
coração estava muito frio para esse negócio de “bíblia”. Acho até que nem queria saber de
crente na minha frente. Eu tinha ainda um coração de pedra, muito sofrido e duro demais. A
porta que eu poderia abrir para Jesus entrar e fazer morada e me trazer a tal felicidade que
eu tanto procurava, estava fechada, e muito bem lacrada. A porta estava totalmente
trancada e ali não havia nenhuma gretinha para que a palavra de Deus entrasse. E eu não
sabia que a felicidade estava tão perto de mim, tão perto de ser encontrada, tão perto de
ser alcançada. Mas, e a chave da humildade onde estava? A porta se encontrava fechada e
eu não sabia onde estava escondida a chave e nem queria saber também.

Confesso que eu tinha uma raiva enorme quando escutava minha cunhada cantando
enquanto estava na varanda lavando roupa no tanque e depois as pendurava no varal
também cantando, feliz da vida. Hoje eu tenho a certeza absoluta de que a raiva que eu
tinha era de perceber que ela era feliz e eu não era. Como é que ela, vivendo nos fundos
da casa da sogra podia ser mais feliz do que eu que tinha tudo o que eu queria? Será que
eu tinha tudo mesmo? No fundo do meu coração eu tinha raiva e muita inveja. Era ela
quem tinha “tudo” enquanto que eu não tinha nada, mas como eu poderia saber disto se
ninguém havia pregado pra mim e me mostrado o amor de Jesus?

Depois de algum tempo num domingo à tardezinha, ela passou por mim sorrindo e
novamente me convidou pra ir à igreja com ela. Eu recusei e disse para a minha irmã Ruth
que já não aguentava mais aqueles convites e que minha cunhada não desconfiava que já
estava me perturbando e me enchendo a paciência com aqueles convites. Então minha
irmã sugeriu que eu fizesse como ela, pedindo à nossa cunhada que fosse primeiro à igreja
dela e depois ela iria à igreja da minha cunhada. Mas eu não tive coragem de falar isso
para minha cunhada. Primeiro, porque eu sabia bem lá no fundo, que o que eu tinha não
era religião, era uma “filosofia” e não era igreja, era um salão apenas, um lugar onde
poucas pessoas se reuniam, era bem diferente de igreja. Segundo, eu nem estava indo em
lugar nenhum mais, pra onde eu levaria minha cunhada se ela aceitasse o desafio? E
aquele lugar que minha irmã frequentava e que também eu ia “de vez em quando” jamais
poderia ser chamado de igreja. Então, um dia resolvi pedir o endereço da igreja e disse à
minha cunhada que apareceria por lá mais tarde, à hora do culto. Assim ela não teria
motivos para insistir que eu fosse à igreja na próxima semana e eu não precisaria arranjar
mais desculpas por não ir.

A pessoa quando não tem Jesus Cristo no coração é muito covarde. Eu tive vergonha
de entrar em uma igreja sozinha e levei minha mãe comigo. Coitada, ela mal podia andar
mas estava feliz e muito ansiosa pra chegar à igreja. Por muitas vezes, quando meu irmão
passava na casa da mamãe, arrumadinho para ir à igreja, ela queria acompanhá-lo mas ele
nunca a levou, só dava um beijinho rápido no rosto dela e tirava o time de campo, mas
desta vez ela iria a igreja porque eu iria levá-la comigo, mesmo que minha intenção fosse
outra, mas ela iria. Interessante é que ele sempre foi o “filhinho da mamãe” por ser o caçula
e enchia ela de beijos mas levá-la à igreja, nunca. E isso me intrigava portanto eu a levei
comigo. Depois que eu me aprontei e comecei a ajudá-la a se aprontar ela demonstrou uma
felicidade enorme porque sabia que iria à casa do Senhor e também iria dar um belo
passeio. Foi difícil nossa caminhada porque tivemos que ir devagar porque a avenida que
iria nos levar tem muita descida e depois muita subida e tivemos que ir a passos lentos mas
ela estava feliz e a todo o momento perguntava se ja estávamos chegando tal era sua
ansiedade de entrar em uma igreja.

Quando finalmente chegamos à igreja era hora do louvor, e o meu irmão estava
tocando bateria e mamãe ficou eufórica, se portando como uma criança, como uma
fanzóca, sei lá. Só sei que ela estava feliz demais e contava pra todos que estavam ao
nosso lado que ele era o “filho” dela, orgulhosamente. E mandava beijinhos pra ele o tempo
todo. Eu, claro, fiquei com muita vergonha, pois eles nos colocaram no banco da frente e
estávamos bem visíveis aos olhos de muita gente. Estratégia, não é?

Igreja pequena sabe como é, não? Todos se conhecem e ali havia duas mulheres
desconhecidas, portanto, éramos o alvo da atenção de várias pessoas. Em dado momento,
saiu não sei de onde uma mulher pulando, sapateando e falando uma língua estranha e
mamãe olhou pra mim apavorada, começou a me agarrar me pedindo pra ir embora. Eu,
por minha vez, fiquei pensando que tinha entrado no lugar errado. Eu que já estava
cansada de tipos de manifestações nos centros espíritas, pensei que aquele lugar fosse
mais um centro com título de igreja na porta para enganar as pessoas e me decepcionei
com minha cunhada.

Eu nada sabia sobre igreja “pentecostal”. Nunca tinha ouvido esta palavra em toda a
minha vida. Achei que minha cunhada que tanto havia me convidado para ir à sua igreja
tinha obrigação de me informar e me preparar para não ser surpreendida ao entrar naquele
lugar que ela tanto queria que eu fosse e que era tão desconhecido pra mim. Minha mãe
continuava a me cutucar e a me convidar pra sair mas eu estava com vergonha pois
havíamos entrado lá há poucos minutos atrás, e as pessoas que nos receberam foram
muito gentis conosco. Eu não queria magoá-las pois tiveram certa dificuldade para
encontrar um lugar pra nós. De repente o louvor acabou, a igreja se acalmou, a mulher se
sentou e eu e mamãe também sentamos e eu fiquei aliviada. Começou então o momento
esperado e para minha surpresa, o pastor começou a falar sobre a tragédia na América. O
atentado de 11 de Setembro de 2001 em Nova York minha cidade tão querida. Minha
memória voltou para aquele terrível dia e eu me derramei em lágrimas. Chorei muito.
Ninguém ali entendeu meu pranto e muitos não tiravam os olhos de mim. Eu, brasileira,
chorando pela América? No way José! Eles não sabiam que eu tinha acabado de chegar.
Eles não sabiam que eu já era “Americana” de coração. E com sotaque, segundo os
“amigos” do Rio de Janeiro.
CAPÍTULO 22

“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. Se, pois, o Filho vos libertar,
verdadeiramente sereis livre”. João 8.32, 33

À noite, quando voltamos pra casa, minhas irmãs me perguntaram se eu havia


gostado do culto. Acho até que elas já sabiam o que me esperava naquela igreja. Claro que
não, respondi, pois quando eu ainda era criança e até a minha adolescência, estava
acostumada com cultos silenciosos e tradicionais nas igrejas que frequentava com minha
família, com coral harmonioso e hinos do hinário, sem palmas, sem gritos e, de repente me
vejo em uma igreja completamente diferente, barulhenta, falando em línguas estranhas,
pessoas correndo pra lá e pra cá, orando em voz alta, erguendo as mãos para o alto, outros
chegavam perto das pessoas e oravam, de repente sapateavam, dançavam, aquilo tudo
pra mim parecia loucura. Mas eu permaneci ali, naquele lugar de “loucos” sem saber que
mais tarde eu estaria fazendo parte daquele batalhão de malucos “loucos por Jesus”, glória
a Deus.

Os cânticos eram esquisitos demais, com conjunto ao vivo e com guitarra e bateria
que mais tarde soube que eram os “ministros de louvor”, cantavam e falavam entre as
músicas que depois também, fiquei sabendo que eram “ministrações”. Eu não conhecia
nenhuma música e aquelas que eu ouvia nem de longe se pareciam com as do hinário que
eu tão bem conhecia. Lembro-me de algumas músicas que eu achava tão esquisita que me
dava vontade de ir embora pra nunca mais entrar ali. Uma delas era de um cantor que não
sei o nome até o dia de hoje cuja letra diz que ele vinha pulando pelos montes, seus
cabelos eram de fogo e também de uma cantora Cassiane que dizia: “se você quiser
atravessar o mar chame esse homem com fé, que ele vai te ajudar”, e ficava imaginando
que homem era aquele … e eles estavam chamando Deus de… homem? E tantas outras
letras de música que me deixavam atônita. E o povo fazia barulho. E o povo gostava. Mas
eu não gostava e aquilo me incomodava. Mas eu não tinha coragem de sair daquele lugar,
ficava até o final e voltava no domingo seguinte.

Havia também, um pequeno coral como os de antigamente, que cantavam uma ou


duas músicas no culto de domingo à noite com regência do próprio pastor Elzi Fialho. Aí
sim, aí era a minha praia, aí eu sabia que estava em uma igreja mas ao mesmo tempo eu
achava lá no fundo, no fundo, que era minha imaginação fértil que estava funcionando
porque naquela igreja o povo fazia barulho demais e me dava vontade de mandá-los
calarem a boca quando eles diziam bem alto: Glória a Deus! Aleluia! Amém! Na hora da
oração era pior, eu queria ouvir as palavras do pastor e todo mundo orava junto com ele,
cada um por si, fazendo muita anarquia. Eu pensei que aquilo poderia ser comparado ao
som do purgatório. Mas, por outro lado eu pensei: quem sabe como é o som do purgatório?
Foi aí que veio a pergunta: “purgatório existe”? Foi criado pela igreja católica porém agora
eu sei que purgatório não existe. É mais uma farsa dos papas e dos padres para
aumentarem a caixa 2 da igreja, infelizmente.

No último capítulo do livro de Apocalipse quase no final da bíblia, a Palavra do


Senhor, depois de muitas recomendações nos diz nos versículos 18 e 19 - “Eu, e todo
aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: “Se alguém lhes fizer
qualquer acréscimo Deus lhe acrescentará os flagelos escritos nele livro, e, se alguém tirar
qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da
vida, da cidade santa e das coisas que se acham escritas neste livro”. É sério isso gente,
muito sério, Deus não está brincando e com Deus não se brinca. Não são palavras minhas
e sim palavras do Senhor Jesus ditando para o apóstolo João que escreveu este livro
maravilhoso. Eu já citei esta passagem mas como eu disse antes, eu gosto de repetir para
que a pessoa possa entender e gravar em sua mente e em seu coração.

Se os padres e os bispos, e os cardeais e o papa não conhecem o livro de Apocalipse


eu os recomendo que leiam porque ele também é um livro de louvor e adoração. E muita
adoração. Não precisam temer aqueles que amam a Deus. Recomendo também que leiam
o capítulo 20 do livro de Êxodo que fala sobre os 10 mandamentos que logo de início é
Deus dizendo que Ele é o único Deus e a ninguém mais adorará e não farão para si
“imagens” de escultura. E com essa história de purgatório e outras enganos da igreja
católica muitos fiéis irão para o inferno se não conhecerem a verdade que está na bíblia e
se converterem a Jesus Cristo antes de partirem deste mundo. Triste demais. Se você está
sendo enganado por causa destas heresias procure a verdade e mude sua vida, sua
maneira de pensar, de agir e crer somente em Jesus Cristo o filho de Deus, enquanto é
tempo. Leia e entenda a bíblia, a palavra sagrada. Leia a bíblia católica porque ela também
fala sobre isso.

Dois dias depois para minha própria surpresa e das minhas irmãs, na terça-feira eu
aprontei e fui para a igreja novamente. A mesma igreja que eu não havia gostado dois dias
atrás. Não acha curioso? Mas, levei mamãe comigo outra vez pois ela tinha ânsias de ir à
igreja. Também não fui com as mãos vazias desta vez. Levei uma bíblia comigo. Só que ela
foi dentro da bolsa. Fiquei com vergonha de levá-la na mão e alguém debochar de mim, no
caminho. Nem sei porque tive vergonha de carregar a bíblia pois não conhecia ninguém ali
no bairro e ninguém me conhecia, que mal havia? Naquelas alturas eu que já estava com
vergonha de ir sozinha à igreja levando mamãe comigo, agora tinha outro motivo para me
envergonhar. Não queria ser vista com a bíblia na mão. Isso tudo são coisas que o inimigo
faz com a gente para nos envergonharmos do evangelho de Deus. Mas, eu venci esse
preconceito ou melhor, Deus venceu em mim. “Maior é Deus do que aquele que está no
mundo”. I João 4.4b. Glória a Deus! Hoje eu tenho orgulho de carregar minha bíblia e faço
questão de ter uma bíblia bem grande pra todo mundo ver, ela é tão grande que não cabe
em nenhuma das bolsas que eu tenho. E eu ainda comprei pra ela uma capa de couro com
alça, e um versículo gravado nela e ela fica maior ainda. O versículo está em Isaías 40. 31
que diz: “Mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como
águias, comem e não se cansam, caminham e não se fatigam”. Agora meus amigos e meus
irmãos, eu também “não me envergonho do evangelho”, como diz o apóstolo Paulo.

Relendo a última capa do meu livro “ As Vidas Que Vivi” meu amigo radialista,
produtor e jornalista Luiz Edmundo diz que o livro talvez poderia ser um “guia” na vida
simples de alguém que busque a verdade. E a encontra. Por muitos anos eu acreditei
nisso. Mas agora eu sei que a verdade está em Cristo e o livro “guia” de qualquer ser
humano é a bíblia sagrada, as escrituras de Deus, sua própria Palavra. O próprio Jesus
Cristo diz em João 14.6: “Eu sou o Caminho, e a Verdade, e a vida; ninguém VEM ao Pai
senão por MIM”, (grifo meu). Quem é a Edna Mayo para escrever um livro “guia” na vida de
alguém que busca a verdade? Eu mesma busquei a verdade e achava que aquilo que eu
havia escrito era a verdade e quando li as palavras do meu amigo eu fiquei orgulhosa
porque finalmente alguém dizia uma coisa boa a meu respeito. Engano meu, a coisa boa
escrita a meu respeito veio muitos anos depois quando entreguei minha vida a Jesus e
agora está escrito por todo sempre no livro da vida, escrito pelo próprio Deus, a “BÍBLIA
SAGRADA”. Este é o verdadeiro livro, o verdadeiro “guia” de qualquer ser humano e esta é
a verdadeira palavra de vida eterna.
CAPÍTULO 23

“Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele darás culto." Mateus 4:10

No ano de 1988 deixei a cidade do Rio de Janeiro para ir morar em Nova York. Nova
York é uma cidade que estava em minha mente desde os tempos de mocinha, mas na
verdade, nunca me interessei em procurar saber como seria a vida fora do Brasil, falando
outras línguas, outras culturas, longe dos familiares, da minha vida de artista que eu
gostava muito, saídas noturnas, minhas amigas, namorados e tudo o mais. Porém, eu me
via lá em Nova York em minha imaginação. As decepções sofridas nos lugares em que
trabalhei e as intimidades interesseiras e falsas dos namorados e das amizades que fiz
durante anos, já estavam me fazendo cansar da vida vazia que eu vivia no Brasil e
começou a nascer em mim um desejo de voar mais alto, de sair daquela vida a procura de
coisas novas, experiências novas, diferentes. Eu sabia que seria um desafio muito grande
principalmente ao deixar minha filha pra trás, pela segunda vez, única filha, ainda mocinha,
e também minha carreira pois eu tinha um orgulho muito grande em ser locutora de rádio,
em primeiro lugar; de todas as minhas atividades artísticas. Rádio era uma coisa que eu
fazia com muito amor porque eu tinha contato direto com o público e trabalhar em uma
emissora de rádio me dava um grande prazer. Tudo o que eu fazia era bom e gostoso e eu
dava tudo de mim mas o trabalho em rádio me completava totalmente como profissional em
minha carreira artística.

Além dos problemas particulares que me levaram a pensar em sair do Brasil eu tive
que refletir muito antes de tomar qualquer decisão porque eu estava muito bem instalada e
era muito conhecida no meio artístico. Largar uma vida profissional como a que eu levava e
partir para o “desconhecido” precisava ter muita coragem, precisava ter uma reflexão
profunda e muito bem pensada para não ter mais decepções e me arrepender mais tarde
do passo tomado.

No Rio de Janeiro e em Belo Horizonte todos os meios de comunicação sabiam quem


era a Edna Mayo, locutora, atriz, dubladora, imitadora e apresentadora em televisão. Meu
nome e minha voz já eram bastante conhecidos pelos lugares em que eu passava e
também em lojas me reconheciam quando eu falava com as vendedoras. Portanto tive que
usar de toda a coragem e depois de muito pensar decidi dar este passo mas, antes de ir
para Nova York eu deixei o Rio e passei três meses em Belo Horizonte ajeitando minha
vida e refrescando minha cabeça pra sentir realmente se era aquilo que eu estava
procurando, pois além de tudo havia ainda uma "gangue" embaixo do prédio em que eu
morava que o divertimento preferido deles era roubar carro e não é que eu tinha coleção
de carro mas, me roubaram quatro. Explico: eu tinha uma Brasília e minha filha outra.
Roubaram minha Brasília e passei a usar a da minha filha. Roubaram a dela também então
comprei um Gol. Ele foi roubado e achado uma semana depois. Passei um fim de semana
com ele e foi roubado novamente e nunca mais foi achado. Tudo isso em menos de um
mês.

Mas eu queria ser feliz e sair dessa vida de insegurança que estava me preocupando
e aborrecendo muito. Eu também queria ter alguém que gostasse de mim de verdade, sem
interesse e isso não acontecia, então, juntando todos estes acontecimentos resolvi
abandonar tudo e ir para longe. Escolhi Nova York porque essa cidade já estava no meu
coração desde que eu era jovenzinha, ou melhor, falando na linguagem atual: adolescente.

Poucos dias depois que cheguei em Nova York conheci uma moça que foi visitar uma
amiga na casa onde eu morava, e notei que ela carregava em seu pescoço a correntinha
da igreja messiânica a qual reconheci imediatamente e na semana seguinte eu já estava
em uma reunião na casa dela e dali pra frente foram anos e anos de “desperdício religioso”
procurando mais uma vez a felicidade que jamais seria alcançada. Mas na ilusão de que
aquilo era a verdade me dediquei até o extremo, até ao ponto de deixar minha filha sozinha
nos fins de semana que a esta altura já estava morando comigo, pra me dedicar a esta
religião ou melhor, filosofia como eles dizem e que na realidade é uma seita.

Eu trabalhava a semana inteira como Baby Sitter em uma casa na cidade de White
Plains longe de Manhattan onde havia me instalado com minha filha, e quando ia pra casa
nos finais de semana, minha filha precisava de mim, pois éramos só nós duas em um pais
estranho, cultura completamente diferente, longe de familiares, sem amigos ... e o que eu
fazia? ia parar em uma cidade chamada Newark no estado de New Jersey pra ficar me
dedicando na igreja messiânica e deixando minha filha sozinha. Eu poderia me dedicar
mais à ela, sair com ela na sexta-feira mas precisava dormir cedo para ter disposição de
acordar cedo no sábado porque sairia de casa às sete horas da manhã e só voltava à noite.
Quando eu chegava não poderia sair com ela porque estava cansada. E ainda voltava lá
um domingo por mês. Muitas vezes saia debaixo de grandes tempestades de neve,
congelada, porque o frio de Nova York é terrível. No verão tínhamos tempestades de
chuva, calor intenso, porém tudo isso era festa pra mim.

Eu achava que estava a caminho da felicidade, principalmente quando eu tirava da


carteira muitas notas de vinte dólares para dar de ofertas, e dava muito mais que o dízimo
que dou na igreja hoje; e achava bom, ficava feliz porque eu tinha dinheiro pra colocar nos
envelopes; porque na igreja messiânica é assim:

- Você quer uma oração para um amigo ou parente que já morreu: coloca dinheiro no
envelope.
- Você quer pedir uma benção: coloca dinheiro em outro envelope.
- Você quer pedir oração pra sua família: coloca dinheiro em outro envelope.
- Você quer agradecer uma benção: coloca dinheiro em outro envelope.
Tudo é pago. A messiânica tem envelope pra tudo, a menos que tenha mudado depois que
eu parei de frequentar no ano de 2001. Cada pedido seu tem um envelope especial e você
paga porque pensa que o seu pedido será realizado. Descobri que a primeira coisa que
eles fazem depois que te recebem na igreja e te explicam o que é ser messiânico é te dar
um envelope para ofertas. Eles tem sempre um envelope pra você fazer um “pagamento”
pelo que você está procurando receber. Fizeram isso comigo quando cheguei pela primeira
vez e mais tarde fui instruída a fazer o mesmo com os visitantes. Além do mais, pra você
estar apto a ministrar o jorei você faz um curso e depois precisa usar uma corrente com
uma medalha que, claro, você também paga por ela.

Ali nada tem a ver com Jesus, o sacrifício que ele fez na cruz em nosso favor através
da graça de Deus e na salvação e vida eterna. Jesus não entra ali, o nome dele nem é
mencionado. O deus deles é o Meishu Sama, fundador desta filosofia a quem você
reverência, que disse que recebeu o chamado de Deus pra fundar esta “religião” - seita,
melhor dizendo.

Hoje eu fico imaginando como eu “comprei” benção e oração sem saber que benção
está a sua disposição gratuitamente. Será que algum dia eu fui realmente abençoada lá?
Será que algum dia alguém orou por mim, de verdade? Ora, as orações eram escritas num
livrinho e eram repetidas todos os dias a mesma “ladainha” em língua japonesa que eu nem
sabia o que estava escrito lá naquele papel. Você bate três palmas e se curva três vezes
naquele altar e na foto do deus fundador daquela “seita”. Ah, que perda e tempo. Mas
quando você está lá você acha tudo maravilhoso, claro, o diabo não vai te enganar com
coisa feia.

Na época em que eu fazia isso eu deixei de ter comunhão com minha filha ainda
adolescente que precisava de mim, de minha companhia, dos meus conselhos, de minha
palavras amigas, pois somente nos víamos nos finais de semana e em lugar de ficar com
ela eu ia para New Jersey, e não somente ficava por lá o sábado inteiro como ia também
um domingo por mês como já mencionei no inicio deste capítulo. E claro, eu digo agora que
por causa disso abandonei completamente minha filha; não somente isso como também a
minha comodidade de fim de semana para me dedicar a um deus que era um homem
comum, como eu, de carne o osso e que já está morto e nada pôde fazer por mim, e nem
me passava pela cabeça que existia um Deus vivo, um Deus que me fez e me amou desde
antes de eu nascer. Um Deus que criou o universo, os céus, a terra, o mar e tudo o que
nele há. Um Deus que me ama, apesar de mim.

Mesmo frequentando a igreja messiânica, passei também a frequentar a Seicho-no-


Iê, levada por uma amiga da messiânica. Hoje eu fico pensando: se essas “filosofias” ou
“seitas” fossem tão boas as pessoas não precisavam pular de uma para outra frequentando
uma hoje e outra amanhã, não acha? Eles ficariam em apenas um lugar como nós, os
crentes em Jesus que ficam em apenas uma igreja e não pulamos de galho em galho pois
uma só nos satisfaz. E lá na Seicho-no-Iê eu aprendi que não existe pecado. Ai, que
maravilha! Eles também tem um livrinho de “oração” e como era bom ler aquela lenga-lenga
daquela meditação de meia hora, dizendo que pecado não existe, que doença não existe,
que inferno não existe mas “Jesus diz várias vezes nos Evangelhos que inferno existe e
disse também que neste mundo teríamos aflições”. Por outro lado o senhor Taniguchi diz
que muita coisa de ruim não existe e que tudo é fruto da nossa imaginação. Que mundo
bom esse!!! Êita imaginação fértil, hein? Ora, se não existe nada disso porque e pra que
existimos também? E porque eu passava por sofrimentos, angustias, tristezas e incertezas
se nada disso existia? Quem poderia me responder? Onde eu poderia aliviar a minha dor
quando a própria “religião” dizia que dor não existe? Quem poderia me curar das doenças
que tive senão o médico, guiado Deus? E aí, sai dessa senhor Taniguchi!

Sabe, eu enchia a minha casa dos livros dessas religiões, ou melhor, seitas, porque
hoje eu sei que são seitas. Além do mais, existiam os livros de romances espíritas, os livros
do Alan Kardec, Paulo Coelho e ainda os da Shirley McLaine. Fiz uma grande peregrinação
entre seitas, filosofias e cursos de meditação a procura de felicidade, à procura de
segurança, à procura de Deus. E Ele estava tão perto porém eu não o via. Eu não o
escutava, eu não entendia e não o procurava no lugar certo. Eu lia muito. Lia muitos livros
procurando o que eu não conseguia encontrar mas que também não sabia o que era, em
nome da felicidade.

Só hoje eu entendo que tudo o que eu precisa era de uma Bíblia. Um só livro, e muita
informação; informações verdadeiras, reais, ensinamentos verdadeiros, mandamentos
verdadeiros e as leis de Deus. E os ensinamentos de Jesus. A Bíblia é o livro de ontem, de
hoje e o será eternamente. E também e o único livro que quando você lê o autor está
presente, te orientando te exortando e te amando. E Jesus é o Amor verdadeiro, a Paz
verdadeira, a Alegria verdadeira, a Verdade transformadora. JESUS é o mesmo ontem,
hoje e o será para sempre. Eternamente, JESUS.

João 8.32 diz: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará, se verdadeiramente


o Filho do homem te libertar”. Essa libertação, o apóstolo João quer dizer: Libertação
completa, isto é, o homem é completamente restaurado para viver uma nova vida, não mais
como cidadão mundano, escravo do pecado e sim, livre como um cidadão do céu, co-
herdeiro de Jesus. E como co-herdeira de Jesus quero gozar de todas as bênçãos
espirituais nos lugares celestiais em Cristo Jesus, como diz a Palavra de Deus. Minhas
irmãs que são espíritas só leem a primeira parte do versículo e já recitaram pra mim mas
ele sozinho não se completa sem a segunda parte, precisamos ler as duas partes para
entendermos o que Deus quer nos dizer com aquela passagem. Eu aprendi que alguns
versículos isolados podem nos confundir e isso tem acontecido com elas mas sei que Deus
está no controle e creio que elas ainda irão ouvir a ministração do Espírito da verdade
porque a Palavra de Deus diz em atos 16.31: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo tu e a tua
casa”. Eu cri e elas crerão, em nome de Jesus. Pra isso o papai orou e pra isso estou
orando.
CAPÍTULO 24

“Deus fala de um modo, sim, de dois modos, mas o homem não atenta para isso.” Jó
33.14

A Primeira Igreja Presbiteriana Renovada de Contagem mudou de endereço. Ela foi


construída em um terreno bem mais próximo à casa da mamãe e ficou mais fácil para levá-
la comigo mesmo porque as descidas e subidas são mais suaves e então nós íamos
também às quartas-feiras à tarde. Numa dessas tardes quando voltamos do culto da “Tarde
da Benção” achei muito interessante que ela falou umas palavras sábias que até me
fizeram pensar muito e que me deixaram tremendamente feliz e eu tenho certeza de que
foram inspiradas pelo Espírito Santo. Ela disse que a igreja era muito longe mas que valeu
à pena o sermão do pastor. Então eu pensei que Deus coloca sua palavra no coração
daquele que lhe é fiel pois o que mamãe poderia entender no estado em que ela estava? O
Senhor cuida realmente de suas ovelhas, e com que carinho Ele as cuida! Ele é mais que
fiel! Ele é bom, e sua benignidade dura para sempre. E esse dia, foi o último dia em que
mamãe foi à igreja pois na semana seguinte e nas outras subsequentes eu a convidava
mas ela dizia que estava muito cansada. Acho que o bom Deus a deixou tão maravilhada
com aquela última palavra que ela nem precisou voltar à igreja. Senti no fundo do meu
coração que as palavras que ela disse vieram diretamente do coração de Deus para o
coração dela.

Porém, o tempo foi passando e eu continuei indo à igreja aos domingos e nas terças-
feiras à noite porque eu não queria saber das novelas da Globo e naquela época estavam
exibindo O Clone e eu detestava aquele assunto e aquelas músicas chatas. Eu também
não estava mais acostumada com novelas, graças a Deus. Na América os canais de
televisão exibem as novelas entre meio dia e quatro horas da tarde porque é o horário em
que as “domésticas estão mais folgadas”, assim me disseram. Com isso, eles querem dizer
que novela é pra quem não tem o que fazer e também porque o Américano não liga para
assuntos novelescos, ele trabalha muito e levanta muito cedo.

Aos domingos, o meu grande problema era o programa do Faustão. Eu não queria
me isolar no quarto porque ficava preocupada em não dar atenção pra minha irmã, então,
nos outros dias eu fazia companhia à ela. Mas, assistir ao programa do Faustão, ninguém
merece. Ele leva os piores cantores, que aliás, me desculpe se você gosta das músicas
que se cantam hoje em dia mas para mim, é lixo, já não se fazem músicas como
antigamente, nem no Brasil nem em lugar nenhum do mundo. Ele também faz as piores
apresentações e ainda é muito desbocado, não tem respeito ao próximo, não deixa os
convidados falarem e ... não tem papa na língua. Eu não gosto do estilo dele e chego até a
dizer que ele é o maior responsável pela minha conversão. Eu não queria participar daquilo
e só de ouvir a voz dele dizendo tanta besteira me dava vontade de sair correndo e, então
optei por correr sim, mas para a igreja, apesar do barulho que também me incomodava
muito. Mas pelo menos ali o barulho que eu ouvia era um barulho santo, era o barulho de
louvor, adoração e da palavra de Deus.

Uma noite de domingo na hora do culto, enquanto a igreja estava em pé cantando e


adorando, uma mocinha veio de seu lugar, me abraçou e disse: “Deus me mandou orar por
você, irmã”. Claro que eu ri internamente enquanto ela orava e pensei: “Deus fala? Inda
mais com quem? Desde quando Deus fala”? Acho até que foi por causa do meu deboche
íntimo com aquela irmã humilde que Deus falou para eu escrever um livro, este livro.

Nunca havia me sentido em um lugar tão estranho como me sentia naquela Igreja.
Cheguei à triste conclusão que eu nunca tinha lido a bíblia além dos Salmos 1 e 23, e mais
tarde descobri que no livro de Atos 2.1-4 diz: “Chegando o dia de Pentecostes, estavam
todos reunidos num só lugar. De repente veio do céu um som, como de um vento muito
forte, e encheu toda a casa na qual estavam assentados. E viram o que parecia línguas de
fogo, que se separaram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito
Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito os capacitava”. E no livro
de I Coríntios o apóstolo Paulo cita os vários ministérios distribuídos pelo Espírito Santo.
Muito vergonhoso por ter sido eu a filha de um pastor.

Nos primeiros dias de minhas visitas a esta igreja, um homem cujo nome é Antonio
Porto, evangelista e profeta de Deus, me chamou lá na frente no momento da oração,
depois que terminou a palavra do pastor. Eu entendi perfeitamente que ele estava falando
comigo mas fingi que não era e fiquei quietinha em meu lugar. Ele insistiu: “Você aí de azul,
por favor não tenha vergonha, venha até aqui. Eu quero orar por você”, e apontou pra mim.
A igreja estava muito cheia e pude perceber que muita gente estava olhando pra mim e
houve um silencio profundo. Eu olhei para trás pra ver se tinha alguém de azul atrás de
mim mas eu sabia que era comigo. E ele insistiu: “é com você mesmo que estou falando,
você aí que olhou pra trás. Venha aqui na frente, por favor, eu quero orar por você”. A igreja
continuou em silencio e eu hesitei por um momento porém fui muito envergonhada lá na
frente, andando bem devagar e com medo do que ele falaria pra mim. E eu sabia que todos
os olhares estavam em minha direção, curiosos, principalmente porque a igreja não era tão
grande e todos ali se conheciam. Menos eu. Então ele começou a orar, falou em uma
língua estranha que eu não entendia, colocou o dedo indicador em minha fronte sem ao
menos encostar, mas não cheguei nem a sentir o calor de seu dedo e eu fui me encurvando
para trás e meu corpo foi abaixando tanto que algumas obreiras vieram rápido e ficaram por
trás e pelos lados para me segurarem caso eu caísse naquele chão duro. Elas disseram
mais tarde quando já havíamos nos conhecido e nos tornamos amigas, que ficaram até
com medo de que eu me quebrasse ao meio porque minha cabeça quase encostou no
chão. Ele também comentou isso comigo tempos depois. E ainda nesta ministração o
Antonio Porto disse que haviam feito uma obra de macumba pra mim e que estava
enterrada debaixo de uma pedra grande em um cemitério. Fiquei desesperada com aquela
revelação e chorei muito porque eu já sabia o que haviam feito e naquele momento Deus
revelou a ele onde estava aquela obra do inferno. Inclusive eu falo sobre este assunto no
outro livro que escrevi. Ele disse também que eu não precisava chorar e que eu não ficasse
preocupada porque naquele momento Deus estava enviando seus anjos pra desfazerem
aquela obra maldita e que eu poderia seguir minha vida com tranquilidade e olhar para
frente de cabeça erguida. Aleluia!

Entretanto, eu chorei com tanto desespero que me ajoelhei ali mesmo na beirada da
plataforma, onde os músicos ficam tocando seus maravilhosos instrumentos. Eu estava tão
envergonhada pois eu não sabia que eles faziam isso com outras pessoas, pensei que era
somente comigo, e, depois de ter ouvido aquela revelação eu não tive coragem de voltar
para o meu lugar com receio do que as pessoas que estavam ali iriam todas olhar pra mim
e eu não gostaria de mostrar meu desespero pra ninguém. Mas por outro lado, as pessoas
deveriam estar felizes e eu também porque Deus me abençoou mas isso era algo que eu
não entendia ainda. Passei os últimos minutos do culto chorando muito ali naquele lugar,
ajoelhada, porque me lembrei de quando eu soube do que havia ocorrido comigo muitos e
muitos anos atrás, sem ao menos saber que eu teria que chorar de alegria e que todos ali
estariam se alegrando comigo.

Eu, no meu pensamento ingênuo, achava que, pelo menos o meu irmão ou mesmo
minha cunhada tinha que chegar perto de mim e me consolar ou orar por mim pois afinal eu
nada sabia sobre aquela religião. E quando tudo terminou, a esposa do pastor passou perto
de mim e disse: “Tá na benção, irmã”? E colocou um grande sorriso no rosto lindo que ela
tem. Eu não havia entendido bem estas palavras porém eu realmente “estava na benção”
porque Deus já havia me dado um grande livramento de morte pois o que haviam feito era
um trabalho de macumba pra me matar. Eita glória! Aleluia! Deus é bom demais!!!

Por muitos meses, naqueles cultos de libertação, eu era chamada lá na frente pra que
retirassem em oração, as coisas ruins que eu deixei entrar ano após ano, abrindo as
brechas com meu comportamento mundano e frequentando seitas e filosofias com nome de
“religião”. Mas numa terça-feira, quando o último inimigo foi expulso, eu estava lá nos
fundos da igreja em pé, pois nestes cultos a igreja ficava lotada de pessoas doentes tanto
espirituais quanto físicas à procura de libertação e cura, e também de profecias e
revelações; e eu me lembro que estava de vestido branco, encostada em uma pilastra
quando uma profetisa veio até a mim, falou umas palavras desconhecidas que descobri
mais tarde que eram “línguas estranhas que agora eu sei que é a língua dos anjos”,
assoprou em meu ouvido e eu caí espichadinha para trás e nem senti o impacto do meu
corpo quando bateu naquele chão duro. O que eu senti naquele instante foi uma paz muito
grande invadindo todo o meu ser e aquele peso que eu carregava foi-se embora totalmente
e pude perceber que meu corpo ficou leve como uma pluma. Eu senti até vontade de
dançar, de pular, de cantar, de rir e até de voar. Mas fiquei ali no chão, extasiada com o
toque de amor do Senhor. Eu não conseguia pensar em mais nada a não ser na maneira
misteriosa com que Deus trabalha em nossas vidas e nos muda, trocando nossas vestes, e,
em lugar de vergonha, nos dá dupla honra e nos recompensa quando somos chamados e
temos um coração disposto a obedecer. Percebi que recebi um grande milagre, uma de
suas maiores bênçãos naquela noite, a minha libertação. Naquela noite eu senti que minha
cura estava completa e que todos os demônios que fizeram morada em meu corpo durante
muitos anos, haviam sido totalmente expulsos para a honra e glória do Senhor Jesus
Cristo, aleluia.
CAPÍTULO 25

“Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de
onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras”. Apocalipse 2. 4, 5

Eu ainda não sabia direito o que era benção, libertação e livramento, eu não sabia
nada. Todas estas palavras eram novas para mim. Não existiam em meu dicionário ainda
mas eu fui aprendendo estas coisas bem devagar porque era tudo novidade pra mim. Não
entendia também porque as pessoas levantavam os braços pra cantar e repetiam os finais
das canções por várias vezes e que me cansavam tanto. Eu ficava louquinha pra ver a
música acabar e poder me sentar mas as músicas se repetiam e se repetiam cada vez mais
e eu decidi que iria chegar aos cultos somente na hora da pregação. Afinal, eu não
entendia aquelas músicas modernas e nem gostava delas mesmo, chegar tarde não iria
fazer nenhuma diferença pra mim. Mas claro, nem sempre era assim pois muitas vezes eu
saia de casa com meu irmão e minha cunhada até que um dia o pastor falou no meio do
louvor que era pra gente abrir a boca e cantar e como eu pensei que ele estava falando
diretamente pra mim, assim o fiz. Envergonhada, eu cantei. Então ali naquele momento o
Espírito Santo começou a me tratar. Porém quanto mais eu ia naquela igreja menos
entendia o que se passava lá. Eu sei que o povo gostava e eu ficava igual uma boba
olhando as pessoas chorando, falando em línguas, outras interpretando, batendo palmas,
algumas até corriam pela igreja afora e a maioria delas sapateava. Porém, com o passar do
tempo comecei a gostar também. E fui aprendendo aos poucos o novo linguajar evangélico
pentecostal, o linguajar dos anjos, de Jesus, do Espírito Santo, de Deus. Também estranhei
porque os crentes de antigamente eram chamados de crente ou cristão e hoje são
evangélicos mas como tudo muda neste mundo então tenho que acompanhar as novidades
até nas igrejas e a Ele toda honra e glória para sempre, amém. Mais tarde eu aprendi
também que os católicos, espíritas e outras seitas se dizem cristãos quando na verdade
não são porque não falam e nem acreditam na salvação através do nosso arrependimento,
através da nossa entrega a Jesus e através cruz porque somente Ele tem o poder de nos
salvar, assim está escrito.

E vieram também as revelações, as profecias e eu ainda continuava achando aquilo


tudo estranho. Eu me escondia atrás das pessoas, me sentava em lugares diferentes mas
os profetas me achavam. Sempre me achavam, não porque eles me procuravam mas
porque Deus os orientava. Uma vez, para me certificar se tudo aquilo era verdade, me
escondi atrás de uma pilastra e atrás dela tinha um homem altíssimo e bem gordo.
Posicionei-me bem atrás dele e pensei: “hoje ninguém me acha aqui”. Mas eu estava
enganada. Deus é o Deus que vê tudo, Ele nos sonda e nos conhece, Ele é onisciente,
onipresente e vê inclusive o que há na profundidade do oceano ou da terra. No final do
culto o pastor chamou os obreiros e profetas para o “momento esperado”, o momento das
curas, das profecias e das revelações. Naquele instante uma profeta de nome Leila, grande
profeta de Deus, veio em disparada, quase correndo em minha direção, e me levou lá pra
frente, segurando em uma das minhas mãos orando e profetizando em minha vida. No final
da oração ela disse que Deus mostrou a ela uma chave grande em minhas mãos e eu
perguntei que chave era aquela. Ela disse que poderia ser a chave de um carro e eu
respondi: “Então diga a Deus que pode ficar com ela porque eu cheguei aqui, comprei um
carro mas não consegui dirigir, porque na América os carros são automáticos e aqui eu
teria que ficar trocando de marcha e não consegui, portanto vendi o carro em poucos dias
de uso, ou melhor, sem usá-lo”. Dois meses depois apareceu uma oportunidade de compra
de um apartamento e quando o vendedor me entregou o chaveiro nele estava a “chave
carneiro”, grande e eu me lembrei da oração e agradeci a Deus pelo presente maravilhoso.
Outra época ela orou e disse que Deus estava curando meus ossos e eu tinha artrite que
me doíam as mãos e meus ossos e pouco tempo depois eu fui participar de um Encontro
com Deus num final de semana e quando eu acordei no dia seguinte Jesus já tinha levado
minhas dores e eu fui curada. Aí então eu comecei a gostar das profecias e cri naquilo tudo
e me familiarizei com as “boas bênçãos” do Senhor e comecei a me mostrar. Ali, naquele
lugar, naquela igreja, recebi muito mais do que eu pensava e imaginava. Bênçãos e curas
sem fim vieram pra mim totalmente de graça.

Eu sempre mandava e-mails para minha filha que mora na Flórida para contar as
novidades daquela igreja que também incrédula a princípio, não sabia o que era igreja
pentecostal mas depois de certo tempo ela também começou a me perguntar se não
tinham mais profecias pra nós. Sim, porque eles entregavam profecias pra ela também. E
eu também fui curada completamente das minhas dores espirituais que são extremamente
piores do que as dores físicas.

E as pregações? Quando o pastor começava falar parecia que só eu estava na igreja


e que ele falava somente pra mim. Todos os sermões eram dirigidos ao meu estado físico,
emocional, mental e espiritual. Durante meses, parecia que os sermões eram escolhidos à
dedo pra mim. Algumas vezes eu procurava o pastor depois do culto e dizia: “Pastor, esse
sermão foi pra mim”. E ele me olhava em silencio deixando uma pergunta no ar. Eu sabia
que ele queria me perguntar se eu havia recebido tantas “palavras” como se fossem
diretamente pra mim, porque é que eu não havia me convertido ainda? Mas ele, muito
sábio, deixou que o Espírito Santo me convencesse. Isso não era obra dele, o que ele tinha
que fazer ele já estava fazendo através de suas pregações. E a resposta ficou no ar, assim
como a pergunta. Ele não perguntou e eu, por minha vez não respondi. Ma eu ainda não
sabia o que era “converter, aceitar Cristo, nascer de novo... nada disso. Essa seria a parte
do Espírito Santo porque é Ele que nos convence dos nossos pecados e a hora não é
nossa, pertence somente à Ele, quando Ele quiser e quando Ele achar que chegou o
momento certo da nossa conversão a Cristo Jesus, do nosso arrependimento, da nossa
entrega total. Meu irmão e minha cunhada nunca me disseram nada a respeito desta igreja
e eu também não perguntava porque decidi aprender sem a ajuda de ninguém. Acho que
foi uma batalha muito grande no mundo espiritual durante este período porque eu não
gostava, queria ir, mas ao mesmo tempo eu achava tudo estranho, acho até que eu sentia
vergonha de aceitar Jesus e andar com a bíblia debaixo dos braços e ser chamada de
“bíblia” como vi e ouvi muita gente ser criticada por causa dessa crença maravilhosa. Eu
inclusive já vi muitas pessoas com bíblia nas mãos e achei esquisito e criticava também.
Deus tinha um propósito em minha vida mas o menor, queria me dominar, queria vencer.
Mas Deus, que é grande e poderoso, claro, venceu a batalha. Aleluia! Fiquei sabendo
também que Deus é paciente e sei que Ele me esperou com muita paciência, compaixão e
misericórdia. “Ao Senhor pertence a Salvação”. Jonas 2.9
CAPÍTULO 26

“Porque serei misericordioso para com suas iniquidades, e de seus pecados e de


suas prevaricações não me lembrarei mais”. Hebreus 8.12

Um dia, um belo dia, depois de vários meses frequentando a IPR de Contagem senti
a mão de Deus me tocando. O sermão que o pastor Elzi Fialho estava pregando na noite
daquele domingo foi tão forte, tão poderoso, verdadeiro e tão especial que me senti como
se estivesse presa, sufocada, mas sem dor; e sem poder me mexer e nem mesmo respirar.
Eu não queria olhar para os lados, eu não queria me mover pois queria absorver ao
máximo aquela palavra que estava me tocando até o âmago do meu ser e eu me deliciava
no Senhor. Lá no fundo do meu ser eu imaginava que o pastor havia preparado aquele
sermão somente pra mim, especialmente pra mim porque ele me via todas as semanas nos
cultos e portanto, sabia nestas alturas que eu estava completamente curada
espiritualmente pois ele também é um grande profeta de Deus; e eu nunca conseguia ter
coragem de me render ao Senhor, e ainda bem lá no fundo do meu ser continuei a pensar
que o meu irmão ainda contava minha vida pra ele.

Naquela noite as crianças que sempre choravam e faziam pirraça se calaram ou eu


não as ouvi naquele momento. As moças que sempre desfilavam seus vestidos novos e
bonitos e que procuravam se sentar bem na frente nos primeiros bancos e gostavam de ir
lá fora nos momentos em que todos se sentavam depois do louvor, permaneceram
silenciosas e quietas em seus lugares prestando atenção na palavra sendo pregada. Ou fui
eu quem não viu nada? Ou será que Deus vedou meus olhos e ouvidos para o que
acontecia ao meu redor? Até a luz da congregação parecia que tinha se apagado e
somente o rosto do pastor tinha um vislumbre de luz - somente pra mim. Naquela noite,
ninguém sapateou naquele lugar, ninguém saiu pulando e ninguém gritou glória a Deus,
aleluia. Os celulares também não tocaram e se tocaram eu não ouvi porque meus olhos e
ouvidos apenas viam e ouviam a palavra do pastor. Era silencio total. Penso até que Deus
parou o mundo naquela noite por minha causa. Aleluia!

Naquele precioso momento, se um mosquito passasse voando em frente aos meus


olhos ou mesmo se uma bomba explodisse, eu não veria nem ouviria nada pois o Senhor
estava me tocando com seu infinito amor de uma maneira muito especial e esplêndida com
seu amor, sua misericórdia e sua graça. Eu estava vivendo o momento mais delicioso da
minha vida, eu estava sentindo Deus ali, eu estava sendo confortada pelo seu imenso
amor. Ele estava me resgatando para seu louvor e sua glória. Ele estava operando em mim
maravilhosamente.
Fiquei olhando para o pastor com meus olhos fixos e sem piscar ao menos e com
toda a atenção que se possa imaginar, absorvendo cada palavra que saia de sua boca.
Então eu, instantaneamente comecei a sentir o meu ser se transformando e no lugar do
pastor ali naquele altar eu enxerguei a glória do Senhor. Eu não via mais o pastor, eu via
Deus em seu soberania e sua luz resplandecendo naquele altar. Parecia que eu não estava
mais ali em corpo materializado e sim, minha alma, meu espírito talvez, eu não consigo
descrever a beleza e a glória daquele momento. Senti como se Deus tivesse me arrebatado
pra me mostrar sua realeza, sua grandeza e seu poder. Foi tão lindo, tão especial. Eu não
estava mais em mim e me pareceu que Jesus Cristo imediatamente começou a viver em
mim, é difícil de explicar mas senti como se eu estivesse morrendo de verdade e
renascendo ao mesmo tempo. Foi maravilhoso porque eu pude sentir isso dentro de mim,
era como se eu estivesse dando a luz porém sem dor e ao mesmo tempo senti como se eu
fosse uma criança nascendo. Senti como se alguma coisa estivesse saindo de dentro de
mim e eu estava me esvaziando de mim, de minhas ansiedades, de minhas inquietações,
minhas angústias e tristezas, minhas dúvidas e minhas dores… enquanto o Senhor ia
entrando e fazendo morada, deliciosamente.

A Edna que entrou naquela igreja momentos antes já não fazia parte de mim, ela
estava morrendo, se transformando, e foi maravilhoso porque o que eu sentia era um gozo
inigualável dentro de mim, um gozo inexplicável e me deu uma vontade imensa de sair pela
igreja afora pulando como as pessoas faziam, me deu vontade de gritar e dizer tudo o que
eu estava sentindo e dar glória a Deus bem alto, o mais alto que eu pudesse gritar e
começar a fazer e viver tudo o que as pessoas faziam e viviam ali. Que momentos
maravilhosos eu sentia naquele lugar. Aquele coração duro foi amolecendo aos poucos. Ah!
que belíssima transformação! foi uma mudança muito significante para mim. Foi tremendo!
Foi tremendo! Inexplicável!

Acho até que Deus se materializou ali naquele momento para que eu o visse e eu o vi,
eu vi sua luz. Eu andava cega e perdida mas naquele momento Ele estava se mostrando
pra mim e eu o enxerguei. Ele havia feito muitas tentativas antes para que eu o aceitasse e
o reconhecesse como meu único salvador e Senhor mas meu coração permanecia duro
como uma pedra. Então, “Ele teve que usar esse subterfúgio para me atrair”, eu pensei. As
escamas dos meus olhos espirituais foram caindo devagar e me mostrando o Deus que eu
desconhecia. Até que por um momento, eu enxerguei Deus ali na minha frente, em sua
Soberania, em sua Grandeza, em sua Bondade e Misericórdia e eu então comecei a me
sentir pequena, pecadora, pobre e humilhada. Meus olhos começaram a lacrimejar e eu me
senti como se eu fosse um vaso caindo de uma altura imensa e se espatifando no chão em
muitos pedaços e aqueles pedaços de caco representavam a multidão dos meus pecados.
Mas o Senhor do alto de sua Soberania, de sua Santidade, me estendeu sua mão poderosa
e disse: "Vem, filha! Eu te restauro! Eu te transformo num vaso novo! Eu curo suas feridas!
Vem filha, vem, vem para os meus braços onde você tem o verdadeiro amor, a verdadeira
paz e felicidade que você tanto procurou". E Ele com todo seu amor, com toda a sua
bondade, foi juntando meus caquinhos e com muita paciência me transformou em um vaso
novo. “Vem filha! Vem! Vem!” E eu ouvi o Senhor e me entreguei em seus braços de amor.

Quando o pastor terminou o sermão e fez o apelo eu já havia me rendido


completamente ao Senhor de corpo e alma e estava chorando muito, em prantos, e nem
me importava com as pessoas que ouviam meu choro ou até mesmo olhavam para mim.
Não desta vez. Naquele momento nada mais me importava além do amor do Pai. E eu
chorei. Foi um choro desesperado pois eu vi meus pecados desfilando em frente aos meus
olhos como o papai sempre nos dizia, e os meus pecados eram feios e pesados e me
doíam até os ossos, então eu fui a primeira a levantar a mão. Naquele momento eu não
pensei em nada a não ser no Senhor, na sua salvação, em seu amor e na eternidade com
Ele gozando de todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais justamente como o
pastor falou na pregação e eu me entreguei totalmente. Eu tinha pressa de confessar que
Jesus era meu e que eu era dele e eu saí rápido do meu lugar para chegar ao altar
primeiro, como se o “prêmio” fosse para uma pessoa apenas e eu queria esse prêmio para
mim. Eu havia sentido a mão do Senhor me tocando, sua voz me chamando e eu me
entreguei a Ele completamente. Com passos apressados, querendo correr até, eu cheguei
no altar daquela igreja em prantos, feliz por tê-lo reencontrado e ao mesmo tempo pedia
perdão por tê-lo abandonado por tantos anos. Eu havia me desertado do Senhor por trinta e
oito anos mas Ele é fiel é paciente e perdoou o meu passado. Interessante é que você não
tem consciência do que é verdadeiramente o peso do seu pecado enquanto você não sente
seu amor, sua presença amorosa e se converte a Ele. Ele me amou primeiro, é o que a
bíblia diz. Ele me amou desde a eternidade passada, é o que a bíblia diz. Ele me estendeu
sua mão e eu voltei para Ele. Naquela noite, eu nasci de novo. Naquela noite, percebi que
havia conseguido finalmente encontrar a paz e a felicidade que eu tanto procurava. Que
noite maravilhosa eu passei nos braços do Senhor! Glória a Deus!
CAPÍTULO 27

…“portanto, vós mesmos estais por Deus instruídos que deveis amar-vos uns aos
outros”. I livro dos Tessalonicenses 4.9b

Cheguei em casa eufórica e todos estavam dormindo mas eu senti uma vontade
muito grande de acordar todo mundo e contar a minha grande felicidade. Eu me deitei mas
não queria dormir. Eu queria somente pensar em Jesus e senti-lo dentro do meu peito que
agora ardia e queimava de paz, amor e de felicidade. Eu encontrei a chave e finalmente
abri a porta do meu coração para que Ele entrasse e fizesse morada. E eu queria sair
gritando e contar para minha família, meus vizinhos, contar para o mundo que Jesus vive e
que Ele agora estava vivendo em mim, que não era eu que estava vivendo, como o
apóstolo Paulo disse há mais de dois mil anos atrás “mas Cristo vive em mim”. Eita glória!

Que alegria inigualável sente um perdido quando volta para os braços do Pai, quando
volta ao primeiro amor. Deus é maravilhoso e trabalha de maneiras tão diferentes em
nossas vidas. O amor que se sente por Ele é difícil de ser escrito, somente sentido. É um
tipo de amor que você não sente pela pessoa que você mais ama ou já amou em toda a
sua vida, não é como o amor que você sente pelo seu pai e sua mãe ou mesmo pelo seu
filho mas é algo muito mais profundo, muito gostoso que você sente lá dentro do seu ser e
que você não quer deixar ir embora, você quer senti-lo o tempo todo, quer retê-lo para si e
ao mesmo tempo dividi-lo com as pessoas que estão perdidas e também quer explodir de
tanta felicidade. É um amor inigualável, simplesmente maravilhoso.

Dias depois, estudando a bíblia, quando eu conheci as palavras de Jesus no livro de


Mateus 10.37 eu entendi o meu amor por Ele e senti a diferença. Aí está o versículo:
“Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu
filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim”.

E, juntando a esse amor, eu passei a ver minha cunhada e meu irmão com outros
olhos, passei e vê-los com os olhos de Jesus. Eu comecei a amá-los como eu nunca
poderia pensar em amar alguém, mas foi com um amor diferente dos amores de pai de mãe
e também de filhos ou mesmo de uma pessoa de outro sexo. Naquela mesma noite e em
muitas outras que se seguiram, eu esperava por eles durante muito tempo, tentando ouvir
suas vozes ou mesmo os passos deles ao chegarem em casa e somente isso me
satisfazia. Eu ansiava pela chegada deles mas eles eram os últimos a saírem da igreja pois
meu irmão ainda tinha que guardar todo o equipamento de som e minha cunhada que era
líder de louvor juntava as letras de música, partituras e muitas vezes ainda faziam reuniões
após os cultos para decidirem como fariam o louvor do próximo culto ou mesmo baterem
um papo com os irmãos e amigos. Mas eu esperava acordada, eu só sei que eu queria vê-
los pela greta da janela ou simplesmente ouvir suas vozes, ouvir os passos deles entrando
pelo portão adentro e conversando até chegarem na casinha deles lá nos fundos e isso me
satisfazia.

Quando eles passaram naquela noite, eu já tinha fechado a janela pois já era bem
tarde e eu fiquei olhando pra eles pela gretinha da janela. Eu queria explodir, eu queria
gritar pra eles e dizer o quão feliz eu estava mas eu não podia acordar a família e então me
controlei. Eu também fiquei sem entender o que se passava dentro de mim mas eu senti
que fiquei realmente apaixonada por eles. Eles faziam parte do momento mais especial da
minha vida, portanto, eu os amei. Eu os amei assim como Jesus nos ama e eu senti isso.
Ele nos recomenda em sua Palavra que amemos uns aos outros. Senti como se eu
estivesse na pele deles ou eles na minha, parecia que éramos um só, o que também é
difícil de explicar porque na realidade nem eu mesma entendia muito bem o que estava se
passando comigo. E a partir daquele momento eu também passei a amar a voz da minha
cunhada e desejei ouvi-la cantar quando estava rodeada com os afazeres da casa. Muitas
vezes, eu ficava em silencio na casa da mamãe na expectativa de ouvir a voz dela e deixar
que meus ouvidos se deliciassem com aquele som melodioso de sua voz como o som dos
anjos. Eu queria vê-los a todo o momento e arranjava muitas desculpas para ir à casa deles
só pra vê-los mas eu não queria dizer que estava apaixonada por eles, acho que não
entenderiam e eu por minha vez não saberia explicar.

Até que um dia sem saber o que se passava comigo minha cunhada disse que eu
estava indo muito na casa dela, e sem avisar. Mas como avisar a alguém que está no
mesmo quintal, gente que é da sua família e que ficava de porta aberta o dia inteiro? Nem
assim eu disse a ela sobre o que se passava comigo mas de uma coisa eu sei e ela sabe:
ela foi a responsável pela obra maravilhosa que Deus operou em minha vida. Eternamente
obrigada, cunhada Cirlene.

Passei a ter um relacionamento vital com Jesus de tal forma que as dúvidas deixaram
de existir e minha alma foi dominada por um gozo infinito e tudo isto é resultado da
salvação que entrou em minha vida pela “fé” que o próprio Espírito Santo colocou dentro de
mim me convencendo dos meus pecados.

A salvação também vem pela graça de Deus e a graça foi um presente que não
mereci mas, que mesmo assim Deus me concedeu pelo seu amor incondicional porque Ele
é bondoso, misericordioso, me amou primeiro e me fez. Para ser salva, precisei ter fé
porque “sem fé é impossível agradar a Deus”. Precisei também me humilhar diante da
presença do Senhor, pedir perdão, me quebrantar e pedir a Ele que entrasse em meu
coração e que nele fizesse morada, eternamente. Fiz a oração de entrega que o pastor Elzi
nos direcionou, juntamente com outras pessoas que também se arrependeram dos seus
pecados e da vida errada que tínhamos até então.

Reencontrando uma antiga amiga que frequentava determinados lugares comigo


descobriu que eu era crente então me perguntou: “você agora é bíblia"? respondi: “Sim,
claro que sou bíblia, de Genesis ao Apocalipse”. Ela retrucou: “Eu não entendo Edna
porque os crentes são sérios, sisudos e você agora ri e dá gargalhadas muito mais do que
quando te conheci e então eu disse que rio e dou gargalhadas porque agora eu tenho a
felicidade completa, porque sei que eu tenho Jesus em minha vida, em meu coração e sei
que quando eu morrer eu vou viver com Ele e sei também que terei vida eterna ao seu lado,
andando em ruas de couro, onde não haverá trevas, não haverá choro nem ranger de
dentes, gozando de todas as bênçãos espirituais no céu e acima de tudo, reencontrarei
meus pais.

Quando as pessoas me perguntavam alguma coisa porque me viam irradiando


felicidade eu dizia que estava em “lua-de-mel”, com Jesus. Muitas delas achavam
estranhas as minhas respostas mas eu tinha encontrado a felicidade que eu tanto
procurava e que agora havia entrado em minha vida e eu queria segurá-la pra sempre. Ela
estava tão perto de mim a vida toda e eu nunca pensei nisso. Eu viajei a vários lugares à
procura da felicidade e da paz, fui pra longe, viajei por estados afins, paguei caro, lutei,
sofri, mas quando Jesus entrou em minha vida, tudo se transformou. E não foi somente
através da “graça” do Senhor; foi também “de graça”, não precisei pagar nada pois quem
pagou por mim foi Jesus lá na cruz do calvário, derramando seu precioso sangue por mim,
amém.

E a partir daquele momento eu me senti outra mulher, outra pessoa. Lavada, remida,
purificada e justificada pelo sangue de Jesus. Foi o dia mais feliz da minha vida. Aleluia!
Você também precisa experimentar isso. Pouco tempo depois Ele me deu esta canção. E
assim começou o meu chamado.

Entregue-se

Vem!
É hora de entregar
Seu coração ao Rei
É hora! Uhn... hum!

Vem!
Caminhe para a luz
É Jesus quem conduz
A vida! Uhn...hum!
Vem! Vem, vem, vem!
Jesus te chama! Vem, vem, vem!
Vem! Vem, vem, vem
Jesus te ama! Vem, vem, vem!

Vem! Entregue o coração


Jesus te dá perdão
Agora filho, vem!
Vem! Jesus te chama!
Jesus te ama filho, vem!

Agora, eu posso dizer com pureza da alma que o meu passado já morreu porque o
meu Jesus já se esqueceu dele, portanto, não posso fazer nada a respeito do que ocorreu
no meu passado e acabaram-se as dores que eu sentia em meu peito por causa dos erros
que cometi em minha vida, porque eu sei que Ele me perdoou e me libertou. Melhor ainda,
a palavra dele diz que Ele lança o nosso pecado no mar do esquecimento e que deles, Ele
não se lembra mais. Ele repete que é exatamente para que eu não me esqueça. Em
Jeremias 31. 34 Ele também diz isso para mim. “E não ensinará mais cada um a seu
próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me
conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o Senhor; porque lhes perdoarei a sua
maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus pecados”. Não é simplesmente
maravilhoso?

No livro de Apocalipse 2.4,5 o apóstolo João escreve: “Tenho, porém, contra ti que
abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, arrependa-te e volta à
prática das primeiras obras”. E foi o que eu fiz, eu voltei ao primeiro amor e desta vez Ele
não tem mais nada contra mim. Eu digo primeiro amor porque nasci em um lar evangélico
só que depois me afastei do Senhor como já narrei aqui. E agora, com Jesus, meu irmão,
com Jesus, minha irmã, eu sei que posso todas as coisas naquele que me fortalece. Posso
mudar o meu futuro. E você, já pensou em mudar também?

E o meu futuro é a vida eterna ao lado de Jesus Cristo nas regiões celestiais
gozando de todas as bênçãos espirituais que Ele tem pra mim. Isso é promessa de Deus e
eu não abro mão dessa benção. Portanto, não importa o que eu fiz no passado quando eu
ainda não conhecia Jesus da forma como conheço hoje, pois sei que Ele já se esqueceu e
que eu fui perdoada, não é assim? Quando alguém te machuca, te magoa, te trai e pede
perdão você perdoa, não é? Não é diferente quando você se entrega a Deus, Ele te perdoa
e esquece, aleluia. Deus não vai levar em consideração o que eu escrevi naquele outro
livro falando sobre vidas passadas porque eu não o conhecia na sua totalidade, nem a sua
Palavra. O fato de eu ter nascido em um lar evangélico não quer dizer que eu era crente,
não quer dizer que eu conhecia Jesus porque somente o conhecemos quando entregamos
nossa vida a Ele, quando nascemos de novo. E o que Ele quer agora é a minha vida daqui
pra frente porque o que importa é o fim e não o começo. O que importa para Deus, não é o
que vivi e o que fiz e sim como viverei daqui pra frente, o que farei da minha vida, da
comunhão que terei com Ele e do meu testemunho. Tudo isso é que vai dizer onde
passarei a eternidade. Feliz estou porque Jesus me salvou. Esta é a verdadeira paz. Esta é
a verdadeira felicidade.
CAPÍTULO 28

“Medite nessas coisas; concentre-se totalmente nelas, para que o seu progresso seja
claramente visto por todos. Preste constante atenção a si mesmo e ao seu ensino.
Persevere nessas coisas, pois fazendo isso você salvará tanto a si mesmo como aos que o
escutam”. - I Timóteo 4.15,16

Tudo em minha vida passou a ser diferente. Eu sentia como se Jesus estivesse
andando comigo, controlando meus pensamentos e minhas ações, me dirigindo. Ele dormia
comigo e acordava comigo. Ele ia por todos os lados aonde eu ia e isso era bom demais,
sua presença era o que me satisfazia. Ele estava comigo o tempo todo, eu sentia isso e
fiquei muito apaixonada pelo meu amado salvador.

Logo na semana seguinte eu procurei o pastor Elzi Fialho e disse à ele que eu havia
feito uma música com letra e tudo para os ministros de louvor cantarem na igreja. Atrevida,
não? Eu nem era membro da igreja e cheguei cheia de pose. Ele não disse nada mas eu
entendi suas palavras silenciosas quando ele passou a mão pelo queixo e me deu uma
olhada como quem dizia: “você fez uma música ou Deus te inspirou”? Me convidou para
entrar porque eu estava esperando por ele na porta da igreja às nove horas da manhã, feliz
por já estar me sentindo abençoada e útil na igreja. Quanta ingenuidade, não? Eu ainda
não tinha o discernimento da palavra e já comecei mal dizendo que tinha “feito” uma
música, mas quem fez a música foi Deus. Pra mim. Eu fui apenas um instrumento que Deus
usou, mas quem poderia me dizer isso? Também isso foi uma coisa que só fui entender
bem mais tarde. Foi Ele quem me deu aquela música mas eu não sabia ainda e precisava
aprender as coisas de Deus. E eu cantei a minha primeira canção para o pastor e acho que
ele não gostou pois ficou calado todo o tempo com os olhos parados olhando para alguma
coisa em cima da mesa enquanto eu cantava. O rosto dele também não mostrava reação
nenhuma. Quando eu terminei, mesmo com o silencio dele ainda tive coragem de perguntar
o que ele achava e então ele disse que eu ainda estava começando minha caminhada com
Jesus e que era para eu esperar mais um pouco e ver se Deus me daria outras músicas e
depois voltasse a falar com ele. Eu tive vontade de ir embora correndo porque pelo seu tom
de voz eu seria um fracasso como compositora porém disfarcei minha decepção e disse à
ele que tinha escrito um livro, expliquei como era o livro, que falava de nova era, vidas
passadas, espiritismo, etc. ... e que tinha uma coleção “daquelas coisas” como livros,
revistas, pedras, incenso, e ele me orientou que jogasse tudo fora porque eram coisas do
meu passado mundano, propriedades sujas do inimigo, pois eu nasci de novo e o meu
passado havia sido perdoado, portanto, eu deveria esquecer tudo aquilo, morrer pelas
coisas que eu guardava e morrer para o mundo.

Isso eu fiz, segui seu conselho, porém, continuava lendo muitas coisas que não
devia, assistia a filmes que não me edificavam espiritualmente porque eu queria ficar um
pouco com minha irmã que trabalhava o dia inteiro, e, por alguns meses ainda ouvia
músicas da Madona e Michael Jackson porque eu fazia ginástica na casa da mamãe e com
música você tem mais energia pra estas coisas. Minha irmã tinha uma esteira e enquanto
eu caminhava nela eu ouvia as tais músicas e a mamãe ficava sentadinha na poltrona ao
lado, alegre, balançando aquele corpinho frágil pra cá e pra lá, me imitando.

O pastor leu meu livro e poucos dias depois me convidou para dar o meu
testemunho. Eu queria que ele falasse por mim porque eu não falava em público fazia muito
tempo mas o testemunho era meu porém ele me ajudou um pouco pois eu fiquei nervosa
com aqueles olhares curiosos em cima de mim. Eu ainda era bem diferente daquele povo e
me sentia muito observada e até julgada, pode-se dizer. Mas creio que isso era apenas no
meu pensamento pois aprendi que na igreja não se julga ninguém.

A partir de então, Deus começou a me acordar nas madrugadas para me dar


canções de louvor à Ele. E todas as canções já vinham com letras, algumas já vinham com
arranjo pronto como a música “Santo Espírito” e não deixei que fosse modificado em nada e
ela foi gravada da forma como veio do céu pra mim. Fiquei realmente muito apaixonada em
ver a maneira como Deus age em nossa vida quando nos entregamos a Ele. Imagina como
Deus me tratou! Ele me honrou! Logo eu, que chegava na igreja somente depois do louvor
porque não gostava das canções “modernas” e Ele me deu este chamado para honra e
glória do Seu nome. E então eu passei a dormir com o gravador ao lado da minha cama.
Deus não é simplesmente maravilhoso? Você não gostaria de ter um Deus como este? Ele
é o único Deus vivo. Ele vive, Ele não é de barro nem de pedra nem de madeira. Eu fiquei
tão apaixonada e maravilhada com o que Deus fez em minha vida que até me deu vontade
de ser como os homens da Bíblia, vivendo apenas para o meu Senhor. Deus então me deu
mais uma canção linda e que depois de regravada com arranjos do Marquinhos da Dupla
ficou simplesmente maravilhosa.

Pra Sempre, Senhor

Pra sempre, Senhor


Eu te louvarei
Pra sempre, Senhor
Tu és o meu Rei.
Enquanto houver
Vida para mim
Eu te louvarei
Senhor, Senhor
Amém!

Seguindo os exemplos
Dos grandes profetas
Daniel, Isaias
Também Jeremias.

Louvando com cânticos


Como os grandes poetas
Davi e Salomão.
E é com grande emoção
Que eu canto assim!
Amém!

Tive também uma sede imensa de conhecer a Palavra de Deus e me dispus a ler a
Bíblia em três meses. Comecei pelo início, pelo livro de Gênesis e fiquei muito surpresa e
admirada em como as pessoas obedeciam e também desobedeciam a Deus. Os profetas
falavam a palavra de Deus e o povo dizia amém porém logo depois se esqueciam e faziam
tudo ao contrário e foi assim, durante tempos e tempos. Fiquei fascinada com o que a bíblia
continha; a vida dos profetas, dos homens de Deus, como eles faziam e obedeciam ao
Senhor, e como eles louvavam e adoravam o Senhor.

Vi também que Deus é muito detalhista, a partir da maneira como ele explicava a
Moisés como seria o Tabernáculo; tudo bem detalhado, tudo bem explicado, as cores e
materiais usados, largura, altura, comprimento e tudo o mais como você possa imaginar.
Com Noé foi a mesma coisa quando foi chamado para construir aquele navio que durante
muitos anos eu pensava ser apenas mais uma historinha de criança.

E lá fui eu, comendo a Palavra do Senhor. Eu estava com muita fome de entender e
compreender tudo aquilo que estava escrito naquele livro sagrado. Quanto mais eu lia mais
eu queria saber e entender e então ficava até altas horas da noite lendo a Palavra Sagrada
do Senhor que me alimentava.

Eu me apaixonei tanto por Salomão, por ele ter pedido sabedoria ao Senhor quando
ele poderia ter pedido fama ou mesmo riqueza. Mas quando cheguei na parte em que ele
saiu da presença do Senhor por causa das mulheres mundanas que apareceram em sua
vida eu chorei demais pois eu fiquei muito preocupada com sua salvação. Todas as vezes
que eu me lembrava de Salomão eu chorava e me inquietava pensando pra onde ele teria
ido depois que morreu. Perguntava à todas as pessoas se no final ele havia ido para o céu.
Mas, no momento final é somente entre Deus e a pessoa, ninguém mais sabe. Até que um
dia, já membro da Igreja Batista da Lagoinha eu perguntei a uma pastora e ela me mostrou
na própria bíblia a verdade e eu li em II Samuel 7, do versículo 12 até o versículo 16 estas
palavras ditas por Deus ao Rei Davi através do profeta Natã: “Quando teus dias se
cumprirem e descansares com teus pais, então, farei levantar depois de ti o teu
descendente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao
meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino. Eu lhe serei por pai, e ele
me será por filho; se vier a transgredir, castigá-lo-ei com varas de homens e com açoites de
filhos de homens. Mas a MINHA MISERICÓRDIA NÃO SE APARTARÁ DELE, (grifo meu)
como a retirei de Saul, a quem tirei de diante de ti. Porém a tua casa e o teu reino serão
firmados para sempre diante de ti; teu trono será estabelecido para sempre”. Mas demorou
muito para que eu pudesse entender completamente estas palavras. Depois descansei no
Senhor. Eu também li e reli por várias vezes o livro de Eclesiastes escrito por ele mesmo e
cheguei à conclusão de que Salomão o escreveu para nos alertar e a não cometer os
mesmos erros que ele. Assim como estou fazendo, dando meu testemunho.

Outra pessoa que eu não entendia muito bem era o rei Davi. Eu, ainda muito ingênua
nos conhecimentos da Palavra do Senhor, achava o rei Davi um chorão, e sem entender
nada do que estava lendo pois ainda não tinha a Bíblia de Estudos Genebra porque a
explicação de quase todos os versículos e os acontecimentos estão no rodapé da bíblia e
com ela Deus me deu grande iluminação. Eu, particularmente, no meu início com Cristo,
logo após meu novo nascimento, achei o rei Davi um homem de duas personalidades pois
ele pecava, arrependia, pecava, arrependia; dizia que o Senhor estava com ele e depois
dizia que Deus o havia abandonado. Levou um bom tempo para que eu entendesse os
propósitos de Deus na vida de Davi. Ele se declarava um grande pecador e aos pés do
Senhor ele se arrependia e se lamentava. Nós também somos assim, muitas vezes
sentimos a presença do Senhor e outras vezes “pensamos” que Ele está distante de nós e
que não nos ouve e que não fala conosco. O livro dos Salmos mexeu muito comigo e
através dele aprendi a louvar e adorar ao Senhor. Também é o livro que nos ensina a nos
quebrantar. O livro dos Salmos é o livro que mostra que Deus nos vê por dentro e por fora e
aprendi esta parte no capítulo 139.

E assim, louvando, adorando e lendo a Palavra e, debaixo da graça do Senhor, em


pouco mais dois meses eu já tinha umas trinta músicas. Então pensei em gravar um cd
para a igreja. Meu irmão me apresentou a um amigo dele que tinha um estúdio em sua
casa e ele mesmo fez os arranjos junto com um amigo.

Pedi à minha cunhada que é ministro de louvor que escolhesse alguns cantores da
igreja pra ajudarem no back vocal e ensaiamos durante o período de duas semanas.
Entretanto, sem mais nem menos, elas começaram a sumir e não voltaram mais para os
ensaios, nem disseram o motivo de seu afastamento e isso, claro, me deixou
profundamente triste. Pedi à minha cunhada que as gravasse sozinha mas ela insistiu para
que eu cantasse pelo menos duas músicas porque eu era a autora.

Em uma música infantil contei com a colaboração de Patricia Pereira e que


graciosamente fez a coreografia em uma das canções. O cd, pré-fabricado não agradou
nas rádios e tão pouco nas lojas. Muito menos a mim. O motivo foi a falta de produção, eu
não tive nenhuma direção musical, nenhuma experiência, o estúdio era praticamente
improvisado, não tinha equipamento profissional, e nós também não éramos profissionais.
Enfim, acho que éramos apenas “curiosos” querendo agradar a Deus. Nem minha cunhada
que tem muita experiência em cantar e estava estudando música deu sua opinião e muito
menos meu irmão que toca bateria e guitarra e já havia gravado um cd com um cantor e
tinha uma boa experiência com estúdio de gravação mas como nenhum de nós era
profissional, o produto final não foi da maneira como eu havia pensado. Mas mesmo assim
tivemos uma noite de lançamento na igreja e eu doei parte dos CDs para que o dinheiro
fosse arrecadado para ser usado em obras. Só assim algumas pessoas sairiam da igreja
com um cd nas mãos, caso contrário eu jamais venderia um sequer.

Poucos dias depois Deus usou a mesma missionária profeta da qual eu falei antes
dizendo que eu cantaria em outras terras e ganharia muitas almas para Jesus. Aí sim, eu
entrei em estado de choque. Eu não tinha conhecimento nenhum sobre como ministrar as
músicas na igreja pois cantar em igreja não é como cantar músicas seculares. Quando eu
apresentava um programa infantil na TV Globo de Belo Horizonte eu cantava sim, mas era
dentro do estúdio, e quando a gente anunciava a música que eu ia cantar os músicos ou a
banda imediatamente dava inicio na introdução mas na igreja é diferente, você prepara as
pessoas para o louvor e adoração e eu ainda não sabia nem um versículo de cor, bom, pra
dizer a verdade eu conhecia dois capítulos dos salmos mas isso não quer dizer nada em
relação a louvar e ganhar almas, eu precisaria de muito preparo. E eu ainda nem estava
participando das aulas dominicais portanto não tinha nenhum conhecimento da bíblia, de
Deus. Mas Deus queria me usar.

O tempo foi passando e eu não entendia porque a minha cunhada não cantava as
músicas gravadas por ela nem naquela igreja nem em outras igrejas. Ela tinha
conhecimento em outras igrejas e poderia muito bem se oferecer para ministrar assim como
faço nos dias atuais. Eu não espero ninguém tomar conhecimento do que faço, eu vou até
as igrejas, faço parte do culto e depois então me apresento ao pastor, dou um cd pra ele
que tem todas as informações a meu respeito como telefone, e-mail, e me ofereço pra
louvar em outra ocasião quando melhor aprouver para ele. Eu cantava de vez em quando
nesta igreja nos cultos diurnos no momento do recolhimento das ofertas porque tinha
poucas pessoas e eu sabia que elas não iriam ficar preocupadas se eu cantava bem ou
não, se eu ministrava bem ou não. Louvar naquele horário da tarde foi um grande
aprendizado pra mim.
CAPÍTULO 29

“Não te faças negligente com o dom que há em ti, o qual foi concedido mediante
profecia, com a imposição de presbíteros”. I Timóteo 4.14

Ainda no início do meu ministério muitas coisas estranhas e absurdas aconteciam


comigo mas aos poucos eu ia entendendo que as coisas nem sempre são da forma como a
gente pensa que devem ser e nem da maneira que a gente quer. Por exemplo, havia na
igreja uma visitante de outra congregação e logo após o término do culto da Tarde da
Benção ela veio falar comigo e me convidou para ministrar na igreja dela e disse que a
igreja era bem pequena, humilde e tinha poucos membros, menos de vinte pessoas, mas
gostaria que eu aceitasse o convite. No dia marcado me preparei e coloquei 10 CD`s numa
bolsa grande e uma garrafa de água bem fechada, e fui muito feliz para a igreja. Só que
naquela momento eu não pensei em resgatar almas para Deus, eu simplesmente fazia
conta do que eu receberia se eu vendesse os 10 CD`s. Deus, claro, me puxou as orelhas
pois quando cheguei na igreja e tirei os CD’s da bolsa, todos eles estavam molhados e não
tinha condição nenhuma daquela garrafa abrir pois eu tinha fechado bem a tampa e a
coloquei em pé na bolsa, muito menos de molhar os CD’s pois estavam em compartimentos
diferentes e a bolsa era de couro. Porém, eu entendi que Deus estava me mostrando que
eu iria cantar para Ele e que o louvor e honra seriam d’Ele. Me mostrou também que Ele
havia me chamado para o louvor e não para meu benefício próprio e isso eu entendi bem
mais tarde. Enxuguei os CD’s e terminado a ministração do louvor da igreja, me chamaram
para cantar. Antes do final da segunda música o aparelho de som da igreja pegou fogo e
explodiu. Simplesmente explodiu, sem ninguém entender o motivo. Todos na congregação
olharam espantados pra mim para ver o que eu faria, qual seria minha reação naquele
momento. Você já deve saber o que eu fiz, não? Continuei cantando mesmo sem o som do
playback claro, mas eu estava louvando ao Senhor, eu estava adorando o Senhor e a
congregação ficou quieta e louvando comigo. Foi uma experiência muito marcante em
minha vida. E uma grande lição também. No final, doei um cd para cada família ali
representada e daí pra frente coloquei em primeiro lugar a minha posição de adoradora do
Senhor e não do dinheiro e disse a mim mesma que não venderia mais nenhum CD e que
eu doaria para cada família presente onde eu cantasse e, se fosse uma igreja com muitos
membros eu faria doação e o dinheiro poderia ser aplicado na própria igreja ou em
missões.

Passei por muitas lutas nesse início de “adoradora” do Senhor. Mas, escrevendo este
livro, noto que as lutas não param, elas são constantes em nossa vida. Sei que isso
também não acontece somente comigo pois já vi e ouvi vários testemunhos a este respeito
não só de cantores como também de pastores, inclusive de um pastor famoso muito
conhecido que tem programa na televisão e também missionários fiéis ao Senhor.

Um dia, sem saber até hoje como fui descoberta pela Rede Super de Televisão em
Belo Horizonte, rede de TV evangélica, fui convidada para me apresentar no programa do
pastor Vanderlei Miranda e dar meu testemunho e cantar. Quando entrei na sala de espera
estava lá um pastor esperando pra gravar um programa antes de mim. Nos apresentamos e
ele e me convidou para cantar em sua igreja no domingo da semana seguinte.

No dia marcado me deu uma vontade muito grande de não ir. Eu tinha ido numa
emissora de rádio pela manhã em um lugar muito distante. Fui informada de que tinha que
tomar dois ônibus e quando cheguei lá, a emissora estava fechada e eu não conseguia me
comunicar com ninguém até que um vizinho solidário veio até a mim e me informou que os
proprietários da emissora não estavam. O pessoal da casa tinha ido ao culto matutino,
deixaram a programação gravada rolando e eu fiquei do lado de fora, na calçada, em pé,
me queimando no sol, com sede e com a fome chegando até o ponto de me incomodar. E
ali fiquei por mais de uma hora transpirando, esperando pacientemente pelas pessoas que
me convidaram pra ir até aquele lugar. Eles poderiam ter me dito isso antes quando me
ligaram pra fazer este convite.

Quando chegaram eles não me ofereceram nada para beber nem pra comer, e me
levaram com má vontade para o estúdio. Acho até que se esqueceram de que haviam me
convidada para esta entrevista. O estúdio era na sala da casa e eu ouvia as pessoas na
cozinha comendo e conversando, nem se preocupando se eu estava ouvindo ou não o
barulho que faziam com os talheres nos pratos; e eu esperando pacientemente, tadinha de
mim, com fome e com sede. Não se deram conta de me oferecer um copo de água mesmo
sabendo que eu fiquei lá fora no sol por tanto tempo.

Participei do programa pelo qual eu tinha sido convidada e depois me pediram pra
esperar para participar de outro programa que viria a seguir e eu fiquei, mesmo com sede e
com muita fome. Cheguei em casa quase na hora de ir para o culto noturno da igreja do
pastor que havia me convidado na Rede Super.

Me deitei um pouquinho pra descansar, depois tomei banho, comi claro, aprontei e fui
para o ponto do ônibus. Ele demorou tanto que tive vontade de voltar para casa mas eu
tinha um compromisso e não poderia começar minha vida de adoradora daquela forma.
Quando cheguei no centro da cidade eu tinha que tomar outro ônibus que também
demorou. Nos domingos e feriados em Belo Horizonte fica muito difícil de encontrar
condução. Naquela espera eu também tive vontade de voltar pra casa, mas eu estava
determinada e precisava cumprir minha palavra. Não era pra mim, era pra Deus. Além do
mais eu havia sido convidada pelo pastor e não poderia faltar em um compromisso como
este de forma alguma.
Quando cheguei na igreja, ao me apresentar, o pastor me disse que já tinha se
esquecido do convite que havia me feito poucos dias antes e disse também que o louvor já
estava pronto e que nada poderia ser alterado. Ali mesmo, me deu vontade de chorar, e
claro, de dizer algumas coisas pra ele porque fiquei muito irada com as palavras dele e da
forma como ele disse. Queria voltar para casa correndo pois eu me senti enganada,
humilhada, desprezada e pensei que eu poderia ter ficado em casa deitada, descansando
meu corpo cansado daquele dia, mas eu não poderia deixar de atender ao pedido de um
pastor para cantar e louvar ao Senhor, logo no início, principalmente quando ainda sou
desconhecida. Mas humildemente me calei e decidi ficar para assistir ao culto e ainda fiquei
na esperança de que em algum momento ele me convidasse para cantar mas o culto
terminou e ele nem se dignou a ir se despedir de mim e eu voltei pra casa muito frustrada.
Pensa se eu chorei. Claro que chorei. Ali mesmo, ao sair da igreja, procurando o ponto de
ônibus eu me derramei em lágrimas e até que foi um grande milagre eu não ter chorado na
igreja porque eu sou muito chorona. Duas decepções no mesmo dia me doeu muito. Como
o pessoal costuma dizer, “ninguém merece”.

Eu não entendia porque tudo isso estava acontecendo comigo e não achava que era
um bom início para mim, tudo estava muito estranho. Mas era Deus me preparando, me
limpando, trabalhando em mim, em meu interior, mas eu não sabia das coisas de Deus
ainda e eu sofria demais e não conseguia entender e tudo o que acontecia eu pensava que
era por causa da minha idade porque eu já não era sou jovem como as outras cantoras
gospel e na realidade até me sentia como “um peixe fora d’água”.

Me lembrei de quando fui trabalhar na rádio Fluminense FM em Niterói e naquela


emissora só foram contratadas vozes femininas, todas as locutoras eram jovens, garotas de
faculdade e eu tinha o dobro da idade delas e até me sentia como se fosse a “mãe” delas.
Nossa diferença de idade era muito grande e claro, estas coisas te frustram sim, não é fácil
encarar a realidade. Toda a equipe da Fluminense era formada por jovens e eu estava lá no
meio daquela turma cheia de gingas e gírias. A diferença era que eu havia sido convidada
pra trabalhar lá por isso eu deixei o preconceito de lado e segui em frente.

Mas que preconceito é este? Porque para os homens não existe idade e para
mulheres sim, por que? Os homens cantam em todas as igrejas em qualquer idade, gordos,
magros, cabelos brancos ou não; mas mulher, parece que há um grande preconceito
quanto a isso. Elas tem que ser novas? Quem disse? E olha que isso sempre acontece
comigo porque quando visito as igrejas eu procuro o pastor depois do culto, me apresento e
dou meu cd pra ele avaliar e na capa tem todas as minhas informações com telefone e
página da web portanto não tem desculpas mas eles sempre contam suas histórias de
“falta” de tempo pra escutar meu cd.

Coisas ao contrário também acontecem. Um dia, no Rio de Janeiro, visitei uma igreja
pequenina, uma célula da Assembleia de Deus em Botafogo, que funcionava no segundo
andar de uma casa e como tinha pouca gente, apenas quatorze pessoas, o pastor logo viu
que tinha uma visitante e pediu que eu fosse na frente me apresentar. Depois de me
apresentar eu disse que tinha gravado um cd. Ele então pediu que eu cantasse uma música
e como eu não tinha levado o playback eu disse que voltaria no domingo seguinte e
cantaria com o playback, mas, no dia marcado eu não fui lá pois dentro de mim eu não
queria cantar para uma plateia tão pequena e fui assistir o culto em outra igreja, ali perto.

Quando cheguei na igreja era dia de batismo e pude notar que a congregação era
muito grande e havia bastante gente. O louvor foi tão maravilhoso e eu logo pude perceber
que Deus ungiu a moça que estava ministrando e a igreja chorou e cantou com ela. Foram
momentos de grande unção e muito poder naquele estabelecimento. A palavra que veio
após o louvor também foi específica para aquela noite e no final veio o momento mais
esperado. O batismo, a confissão de que você se entregou a Jesus Cristo e naquele
momento você declara publicamente sua fé naquele que te salvou, naquele que mudou sua
vida.

O batismo foi uma ordem de Jesus quando ele diz no livro de Mateus 28.19: “Ide,
portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho, e do
Espírito Santo”. Ele também diz em Marcos 16.16 estas palavras: “Quem crer e for batizado
será salvo; quem, porém, não crer será condenado”. Portanto, sabemos que depois de
confessarmos Jesus como nosso salvador e entregarmos nossas vidas à Ele precisamos
ser batizados e com esse ato confessamos nossa fé publicamente. O batismo em si não
salva ninguém porque você deve se lembrar do ladrão na cruz no mesmo dia que Jesus foi
crucificado e disse pra Jesus se lembrar dele e a resposta que ele ouviu foi esta: “Hoje
mesmo estarás comigo no paraíso”. Lucas 23. 42,43. O ladrão não foi batizado mas ele
creu em Jesus e por isso foi salvo. Portanto, pra você ser salvo e fazer morada no céu
eternamente você precisa crer e entregar sua vida a Jesus. E eu cri. E naquela noite,
enquanto o pastor chamava as pessoas que seriam batizadas o Espírito Santo disse
claramente pra mim: “Chegou a hora de você ser batizada”. Eu achei estranho mas
confesso que ouvi uma voz me dizendo estas palavras e então perguntei: - eu? “Sim você.
Chegou a hora de você ser batizada”. - Mas eu não posso, eu não sou desta igreja. E ouvi
a mesma voz dizendo mais uma vez: “Chegou a hora de você ser batizada”. Eu comecei a
me mexer na cadeira e fiquei muito preocupada pois como eu poderia ser batizada num
lugar que havia entrado pela primeira vez? E o pastor continuou a chamar alguns nomes
enquanto as pessoas que estavam próximas a mim começaram a me olhar e eu fiquei
envergonhada por estar conversando com… ninguém. Quero dizer, com uma voz que
somente eu ouvia, mais ninguém. Quando o pastor disse que a porta seria fechada eu me
levantei e fui numa disparada em direção à porta e disse com voz sufocada para alguém lá
dentro. “Eu preciso ser batizada”! penso que a pessoa com quem eu falei também ouviu a
voz do Espírito Santo pois imediatamente ela disse: “vamos ver se tem uma roupa pra você,
vem comigo”. Perguntou meu nome, escreveu em um papel e mandou que entregassem ao
pastor. Fomos às pressas para uma sala grande e encontramos uma roupa de batismo. Me
troquei rapidamente e ela me levou para o lugar de batismo e eu me juntei às outras
pessoas que me olharam com curiosidade pois nunca tinham me visto até aquele momento.
E assim o pastor foi chamando as pessoas uma a uma e quando chegou a minha vez de
ser batizada o pastor que não me conhecia me pediu que eu mesma me apresentasse e
me deu o microfone. Em poucas palavras me apresentei e pedi desculpas dizendo que
estava ali pela primeira vez e que havia me convertido em Belo Horizonte, mas que o
Espírito Santo estava me convidando para este ato de fé pública e que eu me sentia muito
feliz em estar ali naquela igreja, naquele momento.

Quando cheguei em casa eu estava irradiando de felicidade por ter sido batizada
naquela noite mas logo a seguir me lembrei do compromisso que eu tinha com a outra
igrejinha que eu deixei de ir e meu semblante mudou instantaneamente e meu coração
ficou pequenininho e eu me arrependi. Peguei minha bíblia abri sem procurar nada e li um
versículo para meditar sobre aquela passagem enquanto o sono não vinha. Deus me puxou
novamente a orelha e me mostrou I Timóteo 4.14 que diz: “Não te faças negligente com o
DOM que há em ti, o qual foi concedido mediante profecia, com a imposição de
presbíteros”. - Logo esse versículo, Deus? não! Fiquei muito preocupada com essa
revelação e então eu pensei: é de Deus mesmo, mas é muita responsabilidade, estou me
aposentando, como é que vou sair cantando por aí? Deus podia escolher tanta gente pra
cantar, porque ele me quer? Porque eu? Envergonhada e com humildade voltei naquela
igrejinha na semana seguinte com meus CDs nas mãos para doar para as famílias e
também o playback e contei a história para a congregação e desta vez o número de
pessoas tinha diminuído. Eu contei oito pessoas adultas e eu cantei como se estivesse
cantando para uma multidão. Aprendi a lição pois eu não queria cantar para quatorze
pessoas e no final cantei para um grupo de oito pessoas apenas.

Mas mesmo assim eu não me conformava com o fato de “ter” que cantar. Tanta
gente querendo subir na plataforma de uma igreja pra cantar e louvar ao Senhor e Ele
chamou logo a mim, e eu desprezava este chamado e fugia o mais que podia. Eu achava
que isso era uma obrigação e nunca imaginei ser eu uma privilegiada por ter recebido este
magnífico “Dom de Deus” em minha vida. Fugia o mais que podia das minhas
responsabilidades com o Pai. Fugia do meu chamado. Eu, como Jeremias, não me achava
em condições por causa da minha idade. Ele, porque disse que era muito novo e eu porque
me achava muito velha. Velha para começar uma nova vida, eu não tinha nem voz para
cantar, e ainda teria que viajar. Não, essa vida não era para mim, eu não tinha capacidade
para isso, eu nem sabia nada da Bíblia e via que as pessoas que cantavam, ministravam
antes, durante e também no final das canções, como um pequeno sermão. Elas levam a
congregação ao louvor e a adoração, será que conseguirei fazer isso um dia? Não,esse
chamado não é para mim, pensei. Mas mesmo assim fui tomar umas aulas de canto. Mais
tarde tomei conhecimento daquela passagem que diz: “Deus não chama os capacitados;
Ele capacita os chamados” e dei glórias a Deus e naquele instante fiquei mais confiante
sabendo que Deus estará comigo em todos os momentos em que eu subir numa
plataforma. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.
CAPÍTULO 30

“Faça-se a vontade do Senhor”! Atos 21.14b

No mês de outubro de 2004 a mesma missionária e profeta Geralda que eu vi


pulando e profetizando quando fui pela primeira vez na igreja, foi até a casa da mamãe
onde eu estava ainda hospedada, e me disse que viajaria para Portugal dali a dez dias. Ela
havia me dito que tinha uma amiga que morava lá e várias vezes havia tentado levá-la para
as terras portuguesas. Eu perguntei se a igreja iria pagar sua passagem porque eu bem
sabia que ela não teria condições financeiras pra uma viagem tão longa quanto
Brasil/Portugal e ela disse que não mas que Deus em sua grande misericórdia
providenciaria tudo porque haviam profetizado sua ida e que Deus também já havia falado
com ela mesma que ela iria. Me disse também que todos os trabalhos que ela tinha haviam
sido tirados dela, um por um.

Ela trabalhava como faxineira em várias casas naquela época. É assim que Deus
age, se ele quer te usar em algum lugar Ele providencia tudo. É maravilhoso o mover de
Deus, é maravilhosa a forma como Ele trabalha. Também perguntei como ela iria fazer para
pagar a passagem e ela simplesmente me respondeu, com muita naturalidade: “É por isso
que estou aqui irmã, porque o Senhor já me confirmou que eu iria e que alguém me
ajudaria com as passagens”. Eu ri, apesar de não conhecê-la muito bem achando aquela
resposta muito ingênua. Que maneira mais estranha de me pedir pra ajudá-la com uma
passagem de um custo tão alto! Perguntei: você sabe quanto custa uma passagem para
Portugal, missionária? “Não, eu não sei irmã, mas sei que está tudo nas mãos de Deus e
Ele vai providenciar, tudo o que eu posso te dizer é que “eu vou”. Admirei muito a firmeza
com que falou estas palavras e a posição dela em me responder daquela forma. Isso é que
é confiança! Quando você se entrega, quando você obedece a voz de Deus, Ele se
encarrega do resto.

Eu emprestei o dinheiro pra ela pagar a passagem com a condição de me levar junto.
Eu queria fugir de Deus, como Jonas. Eu literalmente fugi da presença do Senhor e do meu
chamado. Fui para bem longe. Portugal é longe, muito longe. Porém… eu cantei lá. Isto é,
cantei porque estava lá, fugindo do meu chamado e não porque estaria obedecendo ao
Senhor, obedecendo ao meu “chamado”. Bom, assim eu pensei, né? Mas o Senhor que me
sonda e me conhece, de longe penetra o meu pensamento e meus atos, me chamou de
volta, dizendo:- “Vem cá ovelhinha desgarrada, volte para o aprisco e me obedeça. O
chamado é da Geralda e não seu. Vamos retirar todos estes espinhos e carrapichos, não
seja rebelde. Eu te chamei para a minha obra. Obedeça!”. E olha que eu nem lembrava
mais da história de Jonatas pois quando eu li a bíblia pela primeira vez em três meses e na
minha ânsia de conhecer tudo rapidamente não conseguia guardar todas as passagens ali
descritas, mas como Davi fiquei a pensar: “Para onde fugiria eu do Espírito do Senhor?
Para onde fugiria eu da face do Senhor”?

Em Portugal tive oportunidade de ministrar em uma Igreja da Assembleia de Deus e


então a profecia da outra missionária começou a se concretizar pois foi justamente o que
ela disse, que eu cantaria em outros países pois Deus estava mostrando isso à ela. E ali
mesmo em Portugal eu ministrei ao Senhor.

A respeito de emprego também, muitas portas estavam se abrindo pra mim em


Lisboa e também em Torres Vedras, cidade em que eu e a irmã Geralda hospedamos.
Havia até uma agencia de empregos em que a diretora queria me mandar para Mônaco
porque eu falava inglês, andava muito bem vestida e isso conta muito, e os salários eram
altíssimos. Comecei a ficar entusiasmada mas Deus fechou todas as portas. Ele precisava
de mim no Brasil. Ele precisava me tratar no Brasil. Então eu decidi obedecê-lo. Ele me
trouxe de volta e então eu comecei a levar a sério o meu ministério.

Aprendi que quando você se converte você nasce de novo, então, eu era ainda uma
criancinha e estava engatinhando. Ainda estava em fase de tomar leite e eu precisava
crescer e comer um alimento sólido. E então decidi crescer na presença do Senhor, para
servi-lo com amor, seriedade e respeito, deixando de lado meus complexos e minha
rebeldia. Voltei a fazer aulas de canto e a me preparar para a gravação de um cd solo. E
meu professor e cantor Marcos Fagon me deu uma grande ajuda, ele confiou em mim e me
ofereceu algumas músicas suas para eu colocar no meu CD.

Eu ficava prestando atenção na minha cunhada quando ela cantava e muitas vezes
eu dizia que quando ela cantava, o pastor nem precisava pregar de tanta unção que ela
tinha e de tanto que a congregação chorava, clamava e adorava a Deus em suas
ministrações. Houve um dia em que eu a vi com o rosto como se fosse de um anjo. Ela
realmente levava a congregação a um grande quebrantamento. E eu ficava pensando:
“Será que algum dia terei coragem de fazer isso? Será que terei coragem de falar de Deus
pra tanta gente? Será que o povo gostará de me ouvir? E se eu não tiver unção”?

Quando encontrei o pastor Elzi novamente eu comuniquei à ele minha decisão de


gravar um CD solo e ele me disse para procurar ouvir as emissoras de rádio evangélicas e
ouvir o tipo de música que os cantores gospel estavam cantando. Eu aceitei sua sugestão
mas não queria copiar ninguém mesmo porque eu já tinha algumas músicas novas que
Deus havia me dado além das músicas do outro cd. E eu queria fazer justamente o
contrário, eu seria o que Deus quisesse que eu fosse, eu faria o que Deus quisesse que eu
fizesse, eu teria o que Deus quisesse que eu tivesse.

Meu professor de canto se propôs a me ajudar e fez tudo pra mim. Ele se tornou meu
diretor musical. Meu primeiro CD e sua primeira produção. Estaríamos “debutando” juntos.
Deus nos abençoaria, tenho certeza. Assim eu pensei e assim foi.

Quando os arranjos estavam prontos, eu fui para o estúdio gravar, ainda um pouco
temerosa pois iria de cara gravar um CD profissional com um produtor que era cantor e
professor. A responsabilidade seria muito grande visto que eu não tinha nenhuma
experiência como cantora, nem sabia ministrar, nada. Até ali, naquele momento, eu era
zero.

Ficamos uma tarde inteira gravando uma única música, eu tentei trocar por uma mais
fácil mas o meu produtor disse que de qualquer forma eu teria que gravá-la, então, que eu
me esforçasse para gravar pelo menos aquela música naquele dia mas ele disse que
esperava que eu conseguisse gravar mais. Fiquei muito cansada e muito apreensiva e,
quando acabei de gravar a música, pude ver pela expressão no rosto do meu produtor e
também do diretor de estúdio que alguma coisa não estava bem; que eu não cantava bem.
Ouvi o meu trabalho e não gostei, então suspendi tudo e fui pra casa chorar aos pés do
Senhor. Me ajoelhei e chorei muito. Chorei durante uma semana pedindo à Deus que me
desse uma voz que fosse do agrado dele porque daquela forma eu não poderia fazer a
obra.

Deus é grande, Soberano, Deus é Milagroso, e aprendi mais uma vez, na minha volta
ao estúdio que Deus não chama os capacitados, Ele capacita aos chamados. Ele operou
um milagre em minha vida. Ele ungiu a minha voz. Agora eu sei que viverei para Ele e farei
somente o que Ele quiser que eu faça. Quem passou pelo que eu passei não pode vacilar.
A vontade de Deus em minha vida agora é irrestrita e incondicional. Viverei para obedecê-lo
e honrá-lo. Deus nos quer incondicionalmente. Sei que ir de igreja em igreja pedir para que
me aceitem não será nada fácil mas decidi que quero carregar minha cruz literalmente e a
partir de agora eu me entrego totalmente ao Senhor Jesus Cristo e eu o obedecerei e
confiarei que Ele estará sempre comigo por onde eu caminhar. Sei que será difícil mas farei
o possível para que isso aconteça.

Precisamos aceitar os desígnios de Deus para nossa vida ainda que não os
entendamos, ainda que não nos agrade, o que você acha?
CAPÍTULO 31

“Sede santos porque eu sou santo”. I Pedro 1.16


…“assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos
santos e irrepreensíveis perante Ele”. Efésios 1.4

No final do ano da minha conversão, o meu ex-namorado por quem eu estive


apaixonada por toda a vida ligou para minha família pra desejar um Feliz Ano Novo e eu
atendi a ligação. Depois de batermos um papo amigável ele disse que gostaria de me ver.
Eu quase não acreditei pois enquanto morava na América, todas as vezes que vinha ao
Brasil à passeio eu ligava pra ele com muita vontade de vê-lo e nas poucas vezes em que
ele havia concordado em me ver comportou-se como se eu fosse apenas uma amiga,
ficando muito distante ou de preferência ia me ver em casa de minha mãe pois minha
família gosta muito dele. Mas desta vez ele queria me ver longe dos familiares, a sós, e eu
feliz da vida fui me encontrar com ele.

Assim que nos cumprimentamos ele começou a dirigir e nem me perguntou onde eu
gostaria de ir, levou-me diretamente para um motel. Levou consigo uma porção de CDs
com músicas que ouvíamos na época em que namorávamos, época da Jovem Guarda,
dizendo que chorou muito ouvindo-as durante o longo período de nossa separação.

Chegando ao local tive uma ânsia tremenda de sair correndo daquele lugar e que
acabou por anular qualquer encantamento que eu pudesse ter até então. Certamente que
não me senti bem em sua presença pois eu ainda tinha esperança de encontrar aquele
mesmo homem que eu amava até então porém, depois de tanto tempo as pessoas mudam
e nós dois, mudamos ou melhor, eu mudei. Eu já não ansiava por amor físico pois eu agora
tinha um verdadeiro amor, que era Jesus e sei que Ele me ama de verdade e sem
restrições, e então eu comecei a sentir sua presença e seu olhar triste por me ver ali,
naquele lugar. Fiquei enojada de mim mesma ao olhar para aquelas paredes, naquele
ambiente que estavam me mostrando o meu pecado e eu então comecei a ficar
fisicamente, espiritualmente e moralmente entediada. Me senti mal com tudo aquilo. Por um
momento, em silencio, pedi perdão a Deus.

Apesar de que não houve intimidade entre nós eu considerei minha entrada naquele
lugar como um ato pecaminoso e me senti completamente indigna do Senhor porque o fato
de eu ter permitido que ele me levasse até aquele local obviamente que eu estava com
intenção de um relacionamento íntimo, e isso, pra mim, foi pecado.
Porque isso tinha que me acontecer? Justo agora que me converti ao Senhor?
Justo agora que eu estava me sentindo realmente feliz, realizada e em paz no meu
coração? Eu esperei por ele durante tantos anos na minha vida e ele agora aparece
quando eu nasci de novo e não posso mais fazer tais coisas? Justo agora que eu conheci o
dono da salvação, o dono do universo e meu dono e que me deu felicidade de encontrá-lo,
ainda tinha que me deparar com o resultado de minha fraqueza? Eu me mantive pura por
muitos anos e justamente agora que me entreguei ao Senhor eu caí em uma armadilha
como esta? O inimigo foi muito inescrupuloso ao me tentar daquela forma. Jesus esperou
por mim longos e longos anos e justo quando me entrego a Ele eu caio nesta estratégia
sórdida.

A queda foi um momento de fraqueza muito grande em minha vida principalmente


porque eu estava apaixonada por Jesus, mas eu procurei, eu estava consciente do que
estava fazendo e pior, eu quis fazer. Foi muito constrangedor pra mim e me senti
envergonhada na presença do Senhor pois eu não devia ter cedido àquela tentação e eu fui
tremendamente castigada.

Me frustrei muito porque parecia que Jesus estava naquele ambiente com seus olhos
tristes me cobrando durante todo o tempo e eu, como Adão no paraíso, tentei me cobrir,
mas eu quis me cobrir por inteira e fugir tamanha era a minha vergonha, e eu via meu
pecado diante de mim o qual não seria possível encobrir com nenhum tipo de vestidura.
Foram momentos duros de tristeza, dor na alma, dor no coração, vergonha e
arrependimento. Então, naquele momento, entendi a dor do Rei Davi que passou por uma
vergonha tal qual a minha quando se lamentou e se quebrantou diante do Senhor no Salmo
51 com os versículos abaixo, que diz:

1 - Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas


transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias.
2 - Lava-me completamente da minha iniquidade, e purifica-me do meu pecado.
3 - Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de
mim.
4 - Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal à tua vista, para que sejas
justificado quando falares, e puro quando julgares.
9 - Esconde a tua face dos meus pecados, e apaga todas as minhas iniquidades.
10 - Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto.
11 - Não me lances fora da tua presença, e não retires de mim o teu Espírito Santo.
12 - Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário.”

Uma mulher na minha idade não deveria nem pensar em sexo, ainda mais em
minhas condições de nova convertida. Fiquei sozinha durante muitos anos portanto eu já
havia me acostumado a ser uma pessoa só e já que eu não tinha um companheiro que eu
continuasse sozinha esperando que Deus colocasse alguém ou não em minha vida de
acordo com os sonhos que Ele tem pra mim. Se for do agrado dele, Ele colocará alguém
em meu caminho. E o Senhor conhece as minhas necessidades, Ele sabe do que preciso.
Além do mais de que me adiantaria ter apenas uma noite de prazer e depois voltar pra casa
e continuar só?

Fui novamente clamar na presença do Senhor. Ele é bom e misericordioso, Ele


perdoa as nossas faltas, Ele entende nossas súplicas e as atende de acordo com os planos
que Ele tem pra nós, de acordo com seus sonhos que são mais altos e melhores que os
nossos. E eu agora, todos os dias proclamo que quero ter minhas mãos limpas e meu
coração puro para ser digna de ser chamada “filha” porque Ele é puro e Santo e eu também
quero me aperfeiçoar em santidade. Li e reli várias vezes o livro dos Salmos e então, com
humildade até me tornei parceira de Davi guiada pelo amor do Pai que me entendeu, me
compreendeu, atendeu ao meu clamor e me deu esta canção maravilhosa que faz parte do
meu cd com outros louvores que Ele mesmo me deu.

... dos Salmos

Ó Senhor
Atende ao meu clamor
Ouve a minha oração
Te louvarei
Com todo fervor
Ó Senhor
Tu és meu rochedo
Meu libertador

Invocarei o nome do Senhor


Que é digno de louvor
Os céus proclamam
A sua glória
E o firmamento anuncia
As obras das tuas mãos

O Senhor vive
Benedito seja
E exaltado, exaltado

Ó Senhor
Te louvarei
Entre as nações
E cantarei
Louvores ao Teu nome. Amém.

Somente a pessoa que foi liberta em Cristo Jesus é capaz de escolher uma vida de
coração puro e mãos limpas. O amor permanente para com a justiça, isto é, a inclinação do
coração para o modo de viver que agrada a Deus, é uma perspectiva da liberdade pura e
virtuosa que Cristo Jesus assegura em nossas vidas. João 8 versículos 34 a 36 nos diz tais
palavras vindas do coração de Deus: “Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos
digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado. Ora, o servo não fica para
sempre em casa; o Filho fica para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente
sereis livres”. Gálatas 5.1 e 13 enfatiza: “Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos
libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão. Porque vós, irmãos,
fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas
servi-vos uns aos outros pelo amor”.

Porque escrevo todos estes versículos? Porque sei que as pessoas que não
“conhecem” Jesus Cristo ainda não têm consciência de que sexo fora do casamento é
pecado porque eu também já passei por isto. Tudo o que pensamos e fazemos pra nós é
normal, consequência da vida, de nossos desejos e vontades. Pensamos sim em pecado
mas não como o “pecado” que pode nos levar para o inferno e a perder a comunhão com o
Pai. Somente depois de “nascidos de novo”, depois de conhecermos Jesus realmente,
termos consciência do que Ele fez na cruz em nosso favor e termos consciência de que Ele
é o único Salvador é que descobrimos o significado do pecado, caso contrário,
pereceríamos por falta de conhecimento. Portanto, amando o Senhor, desejo intensamente
ser apenas d’Ele e evitar o pecado. O pecado nos separa de Deus e o apóstolo João nos
diz em seu primeiro livro, capítulo 8 que se dissermos que não temos pecado a nós
mesmos nos enganamos e que a verdade não está em nós. Você acredita nestas palavras?
Eu sim, eu creio nelas por que estão na bíblia. E no versículo seguinte ele diz que se nós
confessarmos nossos pecados Deus nos perdoa porque Ele é fiel e justo. Você acredita?
Eu também acredito.

E então, o que nos separa de Deus? O pecado. O profeta Isaias também fala sobre
o pecado que nos afasta de Deus no versículo 2a do capítulo 19. Preste atenção: “Mas as
vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus”. Você quer se separar do
Altíssimo, do único Rei soberano, de Deus? Claro que não. Então ouça a voz do Espírito
Santo de Deus falando com você, mas ouça o Espírito da verdade e não um espírito
qualquer para que você não caia no engano. Quando você o ouvir e crer, e aceitar Jesus
como seu Senhor e Salvador, o Espírito Santo fará morada em seu coração e você será
transformado completamente e saberá com certeza que levava uma vida de pecado.

Para sermos de Jesus nós temos que nos afastar completamente do pecado porque
somente assim teremos certeza de irmos para o céu e fazer morada com Ele eternamente.
E eu decidi que não quero pecar mais. Lendo mais a bíblia fico mais tranquila porque a
bíblia me afasta do pecado. E nela eu encontro tudo o que eu preciso e quero. Qualquer
assunto que eu preciso de orientação eu encontro nela. A bíblia é minha bússola e meu
guia para todos os momentos e em todas as situações. Existem muitas tentações claro,
porque a carne é fraca e grita mais alto, existem muitas coisas que passam pela nossa
cabeça mas nós temos o poder de dizer “não” a nós mesmos. Deus quer-nos assim,
radicais. Começando por Abraão, e você pode ver sua história bem no início da bíblia. Ele
disse a Abraão para deixar tudo e segui-lo. Elias tinha uma missão e disse a Elizeu que o
seguisse e o que foi que Elizeu fez? Sabendo o que estaria para acontecer em sua
caminhada com Deus, matou os bois que ele tinha e cozinhou com as próprias juntas dos
bois; e deu uma grande festa de despedida reunindo familiares, amigos e vizinhos, para
que não fosse deixado nada pendente pra trás. Posteriormente ele seguiu Elias e foi
obediente a Deus daquele momento em diante, sem olhar para trás. E no Novo
Testamento, Jesus disse aos discípulos que largassem tudo para segui-lo. Na bíblia quem
decide seguir a Deus caminha sem se preocupar com o que tem guardado e sem se
preocupar com o passado porque é a partir deste momento pra frente que interessa a sua
vida para Deus.

Deus é maravilhoso, Ele nos ama e é um Deus perdoador. “O salário do pecado é a


morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor”.
Romanos 6.23, epístola do apóstolo Paulo. Portanto meus amigos e minhas amigas, irmãos
e irmãs, e também vocês que não são evangélicos, quero dizer que os olhos do Senhor
repousam sobre os justos, e os seus ouvidos estão abertos às suas súplicas, mas o rosto
do Senhor está contra aqueles que praticam pecados. Vigiemos para não pecarmos. “Vigiai
e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é
fraca”. Marcos 14.38. “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela
renovação de vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita
vontade de Deus”. Romanos 12.2. Porque pela graça de Deus fomos salvos.

Eu sei que você conhece a Palavra do Senhor e você sabe muito bem que nossa
vida aqui na terra é curta mas teremos vida eterna com Cristo lá nos céus e salvação não é
dom de ninguém, é porque Deus nos amou primeiro, teve bons pensamentos a nosso
respeito. Além do mais a bíblia nos diz que todos os propósitos de Deus são realidade
antes mesmo de acontecerem porque tudo está debaixo de Sua vontade e Seu domínio!
Termino este capítulo com o versículo que achei mais apropriado para o assunto:
“Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo,
tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e
se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.” Filipenses 4.
CAPÍTULO 32

... “e o Senhor disse: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na
fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que
repouse sobre mim o poder de Cristo”. II Coríntios 12.9

Na presença do Senhor, senti que não devia mais rever o meu ex-namorado, afinal
tantos anos se passaram, já não somos o mesmo casal apaixonado da nossa juventude
mas isso não significa que eu deixei de amá-lo, ele continua vivo dentro de mim talvez até
mais ainda porém, eu senti uma grande necessidade de fazer uma escolha e eu seguiria a
Jesus Cristo porque é com Ele que passarei a eternidade. Não cabem os dois no mesmo
espaço em meu coração pois somos bem diferentes agora. Completamente diferentes. Foi
a partir da necessidade de Cristo em minha vida que percebi que Ele agora quer pra mim
uma vida de paz, alegria e felicidade pois ele precisa de mim para a sua obra e me tirou
das correntes e da prisão do meu passado. Aleluia! Continuo tendo um carinho muito
grande pelo meu amado mas agora meu coração tem um dono que me completa
totalmente: Jesus.

Nunca mais pensei nele com aquele desejo carnal, com aquela paixão que ardia e
queimava meu ser e contristava minha alma, graças ao bom e maravilhoso Deus! Ele ainda
está vivo aqui dentro de mim mas agora eu sei que o amor de Jesus Cristo é muito mais
valioso e que, o que eu tenho que fazer agora é apenas descansar em seus braços. Foram
anos e anos de sofrimento e desesperança mas agora eu estou livre porque Jesus me
libertou e agora o meu Senhor e o meu dono é Jesus. O que sobrou disso tudo foi um
carinho e uma vontade imensa de encontrá-lo para falar do amor de Jesus a ele, mas
prefiro orar, assim o inimigo não volta com suas perigosas armadilhas. O que eu preciso
fazer a partir de agora é procurar me santificar cada dia mais para continuar a ter essa
felicidade e paz interior, e a paz de Cristo resplandecerá em minha face. Preciso sim, me
preocupar em ter uma vida santa, reta e justa diante do Altíssimo. A santidade precisa e
deve fazer parte de minha vida daqui por diante pois sem ela será muito difícil manter
comunhão com o Pai.

Minha visão a partir de agora tem que ser espiritual apenas, este é o propósito que
deve fazer parte da minha vida diária para que eu possa adorar o Pai em espírito e em
verdade. Portanto, passei a dedicar mais em minhas leituras bíblicas, procurei fazer cursos
para me aprimorar espiritualmente e aprender mais sobre o reino de Deus e confesso que
tem sido maravilhoso experimentar as intimidades com Ele. Eu que até então me sentia
intimidada na presença do Senhor e que nem ousava chamá-lo de Pai, agora já o tenho
como aquele “Pai” que te ouve, te consola, te abraça, enxuga suas lágrimas e te carrega
nos braços tão amáveis e tão carinhosos.

Portanto, aprendi a me sentir bem na presença do Senhor. As leituras das escrituras


e os estudos me levaram a um crescimento espiritual e em um nível mais profundo com
Deus e senti também que a partir dessa intimidade com Ele posso enfrentar com mais
sabedoria as minhas tribulações. Meu relacionamento com Deus se tornou agradável,
perceptível e transparente. Tudo ficou melhor em minha vida, natural e estável depois que
decidi a ter uma vida aberta e sincera diante do Senhor e passei também a desfrutar de
suas bênçãos. A cada dia mais eu quero estar em sua presença, eu conto os dias e as
horas de ir para a igreja. Eu anseio pela presença do Senhor.

E você também, assim como eu, precisa estar preparado para enfrentar tudo o que
tem feito em sua vida. Já se conscientizou de que é um pecador? Já se arrependeu? Já
entregou sua vida a Ele? Ao único e verdadeiro Deus?
Se não o fez digo então que agora é o tempo certo pra você fazer um levantamento em sua
vida pra ver o que você tem feito e se você precisa fazer algum concerto e se entregar ao
único Deus vivo que é o nosso Pai celestial porque o dia do juízo virá, o castigo virá e
Jesus voltará brevemente para buscar os seus e você precisa estar preparado para
enfrentar tudo o que tem feito em sua vida.

Se você ainda não aceitou Jesus como seu Salvador e Senhor faça essa pequena
oração comigo: “Senhor Deus, eu confesso que sou um pecador e me arrependo de todos
os meus pecados. Peço que o Senhor me perdoe e eu me entrego a Ti neste momento.
Cura-me Senhor de todas as minhas fraquezas e me dê um coração novo e renova minha
mente. Escreva meu nome no Livro da Vida em nome de Jesus, amém”.
CAPÍTULO 33

Existem tantas coisas que eu gostaria de escrever neste livro mas não quero que
você fique entediado com tanta informação de uma só vez. Mas eu gostaria de deixar pra
você um devocional que um homem de Deus escreveu e acho que seria muito bom pra
todos nós guardarmos esta leitura maravilhosa escrita por Hans Kellert, cujo titulo é:

A REFORMA

Há mais ou menos 500 anos, a igreja na Europa havia-se desviado perigosamente da


Palavra de Deus. Vários estudiosos da Bíblia começaram a alertar o povo de diversas
maneiras contra esta situação. Em 31 de Outubro de 1517, particularmente, Martinho
Lutero publicou um manuscrito decisivo para o movimento que passou a ser conhecido
como “Reforma” da igreja.

Lutero desejava que as invenções humanas para a doutrina da Igreja (católica)


fossem deixadas de lado e que todos os cristãos tivessem a Bíblia, a Palavra de Deus,
como sua única orientação para o seu dia a dia.

Hoje a Bíblia está facilmente disponível para quem quiser, mas mesmo assim o
perigo de nos perdermos por aí em ensinos contrários a ela está sempre presente.
Curiosamente, muitos destes desvios tentam basear-se na própria Bíblia quando escolhem
só uma ou outra passagem sem levar em conta o que está escrito em torno ou na Bíblia
toda.

Não se deixe enganar! Leia a Bíblia, estude a Bíblia, medite naquilo que a Bíblia diz e
pratique apenas aquilo que a Bíblia diz.

Abra os olhos e o entendimento para aquilo que é ensinado como sendo algo bíblico,
pois nem sempre é assim. Qualquer ensino da Bíblia deve ser coerente com aquilo que ela
diz num todo, e não apenas em um ou outro versículo.

E mais, faça parte de uma igreja que de fato estuda a Bíblia e vive segundo aquilo
que ela ensina.

No livro de Atos, capítulo 17, lemos que as pessoas de Beréia eram mais nobres do
que as de Tessalônica, pois tudo o que ouviam conferiam na Bíblia, para verificar se era
assim mesmo.

Prezado leitor, não se deixe enganar por falsos ensinos - confira na Bíblia tudo o que
você ouve, para ver se é isso mesmo que ela quer dizer. Deus o abençoe, e lhe dê muita
sabedoria e discernimento para ler, estudar e ouvir a Palavra de Deus. - HK
EPÍLOGO

Carta à minha irmã Ruth que nunca foi enviada. E que também pode servir pra você.

“Eu gostaria de te falar sobre o que aprendi a partir do momento em que aceitei Jesus
Cristo como meu único Salvador, como meu único caminho que me levará aos céus, aos
braços do meu Pai Celestial.

Eu sei que você acredita em Deus. Pois bem, se você acredita em Deus você tem que
acreditar na palavra dele; e tudo o que está escrito na bíblia foi escrito por profetas no
Velho Testamento e por apóstolos no Novo Testamento. Sim, foi tudo escrito por mãos
humanas como alguns costumam dizer e ainda acrescentam que papel aceita tudo. Mas, se
papel aceita tudo e você acredita no que é escrito nos livros que você lê, porque não crê no
livro de Deus? Claro que foi escrito por mãos humanas, mas elas foram ungidas e as
palavras foram ditadas por Deus e sopradas pelo Espírito Santo de Deus.

A ÚNICA PASSAGEM QUE DEUS ESCREVEU, ELE MESMO, EM UMA TÁBUA


FORAM OS 10 MANDAMENTOS.

Agora, eu quero te dizer uma coisa: se você acredita em Deus deve acreditar nas
palavras de João 3:16 que diz: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu
único filho para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.

Vamos analisar o que ele quis dizer pra nós: alguns insistem na ideia de que Deus
enviou seu filho com o propósito de conceder salvação a todos, sem exceção, mas
somente como uma possibilidade. Permanece como verdadeiro que aquele que crê viverá
na presença de Deus para sempre. Não a existência como tal mas a existência em
cumprimento ao desígnio de Deus, de sermos seu templo vivo. Algumas seitas insistem que
Jesus é apenas um profeta, o maior de todos, mas eles leem a mesma bíblia, então como
explica dois tipos diferentes de Jesus?

Agora vamos ler João 14: de 1 a 6 quando Jesus conforta seus discípulos na véspera
de sua crucificação.
1- Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim.
2- Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vô-lo teria dito. Pois vou
preparar-lhes lugar.
3- E, quando eu for e vos preparar-lhes lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo,
para que, onde eu ESTOU, estejais vós também. (grifo meu, e aqui, Jesus diz que é Deus
quando ele diz: onde eu estou)
4- E vós sabeis para onde vou.
5- Disse-lhe Tomé: Senhor, não sabemos para onde vais; como saber o caminho?
6- Respondeu-lhe Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém VEM ao Pai
senão por mim.” (grifo meu)

Bom, vemos aí que Jesus disse que ninguém “VEM” ao Pai senão por Ele. Isto
significa que Jesus não deixou substituto algum. Esta é uma forte afirmação de que só
Jesus Cristo é o caminho para a salvação. Imaginar e proclamar que há outros caminhos é
enganar o povo e esquecer a necessidade da sua vinda e redenção. Portanto, só Jesus nos
leva a Deus. Não há outro caminho. Quando Jesus fala aos seus discípulos está se
dirigindo a nós também porque sua palavra não se restringe somente a uns, mas a todos. E
Jesus deixou esta palavra para todos os que se converterem a Ele, ou seja, aos que
nascerem de novo.

Porém, indo Ele para o céu, não quer nos deixar aqui sozinhos, portanto, Jesus
promete outro Consolador. Em João 14:16 e 17 ele diz: “E eu rogarei ao Pai e Ele vos dará
outro Consolador afim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da Verdade, que o
mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque Ele
habita convosco e estará em vós”. Quando Jesus fala “o mundo não pode receber” Ele está
se referindo ao povo que não quer reconhecê-lo como Deus, como Senhor e como
Salvador de nossas vidas.

Consolador em grego significa advogado de defesa. Aqui também, o Espírito Santo


nosso Consolador está em igualdade com o Pai, Deus. Uma coisa posso te afirmar: o
Espírito Santo de Deus está em mim porque eu creio que Jesus é meu soberano e minha
salvação, eu me entreguei a Jesus e naquele momento o Espírito Santo passou a morar em
mim, assim a bíblia fala. E eu oro para o Pai, para o Filho e para o Espírito Santo e não
para os santos nem para as almas, nem para os anjinhos nem para os espíritos. Veja bem
que escrevi “espíritos” com letra minúscula e Espírito Santo de Deus com letras maiúsculas
pra que você veja a diferença entre os dois, pois filosofias montaram crenças com palavras
tiradas da bíblia e distorceram os significados delas para enganarem e desviarem os filhos
da presença de Deus. Agora, o Espírito Santo de Deus que está na Trindade: “Pai, Filho e
Espírito Santo” não tem nada a ver com o espírito do Alan Kardek e outros que se dizem
“iluminados”.

Se você crê em Deus e crê na sua palavra, precisa saber o seguinte: a bíblia, como
eu já disse, foi escrita por homens, inspirada por Deus e soprada pelo Espírito Santo. O
nome do Alan Kardek não está na bíblia, como então vou acreditar nele? A palavra carma
também não está na bíblia portanto não vou acreditar no que as seitas ensinam sobre isso,
se existe realmente e que seja verdade. Eu li um livro cujo titulo é Médico de Homens e de
Almas que conta a vida de Lucas e este livro fala que “carma” foi criado pelos indús. Ora,
se eu tenho a bíblia que é inspirada por Deus e que me fala a verdade, porque vou
acreditar em outros livros inspirados e criados pelo homem? E porque vou deixar de crer
em Jesus e crer no homem? Não faz sentido pra mim e não deve fazer pra você também.
Creia nisso.

Depois da minha conversão eu li a bíblia todinha três vezes e claro, estou lendo e
relendo a bíblia todos os dias. Encontrei alguns textos muito interessantes e gostaria de
passar pra você.

Marcos 3:28 e 30 diz: “Em verdade vos digo que tudo será perdoado aos filhos dos
homens; os pecados e as blasfêmias que proferirem. Mas aquele que blasfemar contra o
Espírito Santo não tem perdão para sempre, visto que é réu de pecado eterno. Isto porque
diziam que Jesus estava possesso”.

Vejamos agora Eclesiastes, livro escrito por Salomão, o mais rico e mais sábio de
todos os reis que o mundo já viu, pois Deus se agradava tanto de Davi que deu ao seu filho
riqueza e sabedoria. Salomão era filho de Davi e recebeu grande herança do Pai celestial e
também do pai terreno. Salomão herdou o trono de Davi, mas enquanto os anos iam
avançando as mulheres também iam chegando em sua vida e o encantaram sobremaneira
que conseguiram desviá-lo dos caminhos de Deus porém tempos depois ele reconheceu as
suas transgressões e escreveu este livro maravilhoso que começa assim no capítulo 3:
“Vaidades de vaidades. Tudo é vaidade.”

No capítulo 9 versículos 4a, 5, e 6 lemos o seguinte: “Para aquele que está entre os
vivos há esperança. Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem
coisa nenhuma, nem tão pouco terão eles recompensa, porque a sua memória jazz no
esquecimento. Amor, ódio e inveja, para eles já pereceram; para sempre não têm eles parte
em coisa alguma do que se faz debaixo do sol.”

Além do mais, os 10 Mandamentos da Lei de Deus deixa bem claro que não haverá
outros deuses. Só o Senhor é Deus, em cima nos céus e embaixo na terra; e não existem
outros deuses. Então, porque insistimos em adorar outros deuses e não somente o nosso
Pai, criador dos céus e da terra? Se é para adorar, vamos adorar ao único e verdadeiro,
aquele que nos fez, o Deus dos deuses. Ao único que é digno de receber a honra e a glória
e todo o poder.

I João 5: 20 e 21 acrescenta: “Também sabemos que o filho de Deus é vindo, e nos


tem dado entendimento para reconhecermos o verdadeiro que é seu filho Jesus Cristo. Ele
é o verdadeiro Deus e a Vida Eterna. Filhinhos, guardai-vos dos ídolos”. Estas palavras não
são minhas, elas foram inspiradas por um homem que andou e aprendeu com Jesus e que
ouviu a voz de Deus.

Interessante, todas as vezes que vou dormir, costumo abrir a bíblia em qualquer
parte e ler um versículo para meditar enquanto o sono não vem, mas sempre aparece o
livro de Tiago na minha frente até que um dia pensei: se isso está acontecendo tantas
vezes seguidas, vou ler Tiago todinho e ver o que Deus quer falar comigo. Eu entendi que
Ele queria que eu acrescentasse as palavras de Tiago que é irmão de Jesus, filho de Maria
e José e para quem diz que Maria ainda é virgem, aí está a prova. Mais uma vez eu digo
que estas palavras estão na bíblia, não são palavras minhas e eu apenas estou repassando
pra você. Eu sei que eu já disse isso mas o próprio apóstolo Paulo algumas vezes repetia
sua mensagem pra ficar bem claro para as pessoas. “Meus irmãos, se algum dentre vós se
desviar da verdade, e alguém o converter, saber que aquele que converte o pecador do seu
caminho errado, salvará da morte a alma dele e cobrirá multidões de pecados”. (morte
espiritual). Tiago 5:19,20. Foi pra isso que Deus me chamou, pra testemunhar para as
pessoas o seu amor porque ele pode te tirar do inferno e minhas declarações possam ser
um meio para a sua conversão. E o meu maior desejo é, que pessoas se entreguem a
Jesus e tenham vida eterna ao seu lado gozando de todas as bênçãos que Deus tem pra
nós.

Gostaria de te convidar para ir à Igreja, uma visita apenas. Não vai te fazer mal. Se
você ficar ali sem reservas sem pensar em quem vai te ver entrando em uma igreja porque
no início a gente tem vergonha mesmo; sem pensar em sua casa, nos seus deveres e
obrigações, você vai sentir a presença de Deus em sua vida. Depois volte outras vezes
mesmo que não queira, e assim como aconteceu comigo você acabará se acostumando.
Vai fazer muita diferença em sua vida ou melhor, você será a diferença. E então você
nunca mais vai querer se afastar de Deus. Jesus te ama. Deixe que Ele te prove isso, deixe
que Ele entre em seu coração. Só ele tem poder para curar nossas feridas espirituais,
nossa alma e nosso corpo. Peça a Deus que toque em seu coração e que te faça
resplandecer para a vida. Ainda há tempo de recuperar sua felicidade ... ou … de ganhá-la.
Se você se render a Cristo, TODOS os seus pecados serão perdoados. Todos. Ele mesmo
inspirou seu apóstolo em l João 1.9- “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo
para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”. Já pensou que felicidade?
Preste atenção: “A Igreja de Cristo” funciona como um Pronto Socorro, uma Casa de
Misericórdia. Você chega doente, cansado, oprimido, fraco ... e sai restaurado.

Um dia ouvi um comentário: “A cantora tal fez e aconteceu, agora se converteu”.


Mas, que bom que tudo o que ela fez foi antes de se converter não é? Portanto, ela já
nasceu de novo e agora está cantando pra Deus. Que bom, que maravilha. Comigo
aconteceu a mesma coisa. Eu também fiz de tudo, falei palavrões, mentiras, pulei carnaval,
tive encontros íntimos com namorados, bebi e fumei. Mas tudo isso ficou pra trás e quando
eu me converti, quando nasci de novo o Espírito Santo me mostrou minha vida pecaminosa
e me convenceu do que eu era e Deus naquele momento de conversão me perdoou. E o
que eu não sabia é que DEUS tinha outros planos para minha vida. Agora eu canto pra Ele
com todo amor que tenho dentro de mim porque Ele me salvou do inferno. Aleluia!

E este livro é completamente o oposto do outro porque ele fala a verdade, ele fala o
que Jesus fez em minha vida, ele te revela quem é Jesus, a transformação do amor
verdadeiro, da Felicidade que eu procurava e da Paz que só encontrei através d’Ele e que
excede todo entendimento. Não estou falando de religião e sim de Jesus, o verdadeiro filho
de Deus, o único. Mas você somente vai encontrar o verdadeiro Jesus em uma igreja
“evangélica” mas preste atenção em qual igreja você vai entrar porque existem as igrejas
que pregam prosperidade apenas e isso não vem de Deus. Procure se informar que tipo de
igreja você vai visitar antes de ir até lá. Existem também as “igrejas” que se dizem cristãs
mas não falam de Jesus e de seu sacrifício na cruz pra nos salvar e nem fazem apelo aos
não salvos, portanto Jesus não está neste lugar, certo?

Jesus, somente Jesus nos salva e nos concede perdão ao nos convertermos.
Somente Ele pode fazer isso, ninguém mais, assim está escrito. Foi por isso que Ele
morreu na cruz. Para que nossos pecados fossem resgatados.

Veja agora o que modificou minha vida após minha conversão:

1- Minhas orações passaram a ser diferentes, tiveram mais vida.


2- Minha confiança foi afetada diante do Pai
3- Minha fé foi renovada, redobrada, estou caminhando com confiança porque agora eu
conheço o Pai e sei que o Espírito Santo mora em mim.
4- A fé vem pelo ouvir e ouvir a palavra do Senhor. Se você não a ouvir, como irá crer?

Só Jesus tem o poder da cura. As duas curas, a cura do corpo e a da alma. Só ele
pode te salvar. A salvação vem de Jesus. Ao entregarmos nossa vida a Jesus podemos
saber que ele vai fazer algo tão bonito que nos encherá de alegria e que honrará o nome de
cristão-evangélico que carregamos. Ao mesmo tempo é bom estarmos prevenidos de que,
quando queremos fazer a vontade de Deus muitas coisas neste mundo parecem se unir em
uma conspiração, para nos fazer tropeçar e cair. Neste momento é maravilhoso sabermos
que Deus está do nosso lado sempre pronto a nos dar a mão, sempre pronto a nos ajudar
na nossa caminhada e nos levantar quando cairmos.

A escolha é sua, mas é minha obrigação te falar sobre isso. Ah! como eu gostaria de
te ver com um sorriso franco, aberto e verdadeiro nos seus lábios. Sabe, aquele sorriso de
felicidade, de amor, de confiança e de paz! Eu gostaria de te dizer que tudo o que eu cria
no passado não é obra de Deus e que você abra seus olhos e seu coração de pedra como
foi o meu, e deixe Cristo entrar e fazer morada ... para sempre.

Este testemunho foi a resposta que Deus me deu naquela noite logo no início deste
livro sobre a passagem de Apocalipse 1 versículos 7 e 8. “Eis que Ele vem com as nuvens,
e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão
sobre Ele. Certamente. Amém! Eu Sou o Alfa e o Ômega diz o Senhor Deus, aquele que é,
que era e que há de vir, o Todo-Poderoso. Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às
Igrejas”.

Você leu e creio que entendeu. Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz as
igrejas. Tudo está escrito na bíblia e se você acredita em qualquer outro livro, creia neste
em primeiro lugar e aplique-o em sua vida diária e você terá vida eterna com Jesus. Porque
Ele te ama. Eu também”.

FIM
Bibliografia

Musicas do meu CD que estão no site


www.ednamayo.org

ednamayo@hotmail.com

Bíblia de Estudos Genebra


Todos os versículos aqui citados foram tirados desta bíblia

Enxertos do Site Vivos


Falando sobre Espiritismo

Site Edificador - o site que edifica


Nova Era e o Espiritismo

Antonio Bezerra de Menezes / youtube


Caderno Alfa / Sua conversão ao Senhor Jesus
O dia em que conheci a verdade

Youtube:
Filme Lutero
As 95 Teses de Lutero - livro

Juanribe Pagliarin / Youtube


Pregações:
Verdades que a Igreja Católica Omite
Espiritismo
Reencarnação, o que o Evangelho diz?
João Batista e a Reencarnação
Elias e a Reencarnação
Reencarnação - baseado no versículo de Hebreus 9.27

A Ele, glória pelos séculos dos séculos, amém. II Timóteo 4.18b


Deus te Abençoe

Edna Mayo

2016
www.ednamayo.org
ednamayo@hotmail.com
DEUS FALA
A Vida Verdadeira

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