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Na obra “As regras do método sociológico”, o Sociólogo Francês Émile Durkheim (1858-1917),

analisou o crime sob a ótica da sociologia. Segundo o autor o crime não se observa só na maior
parte das sociedades desta ou daquela espécie, mas em todas as sociedades de todos os tipos.
Não há sociedade em que não haja crime.

Nessa esteira Durkheim afirma que o crime é um fenômeno normal porque uma sociedade
isenta dele é completamente impossível. Tal afirmação encontraria guarida no simples fato de
que a inexistência do crime somente seria possível caso todo o tecido social fosse dotado da
mesma consciência individual, nesse caso quando atingida essa possibilidade o crime
ressurgiria sob outra forma.

A ideia de uma sociedade livre do crime permeia a fantasia de parte da sociedade porém é
inatingível pois cada indivíduo carrega antecedentes hereditários, influências sociais, fatores
contribuintes para a formação de uma sociedade divergente em vários aspectos.

Durkheim afirma que o crime é necessário e útil pois está ligado às condições fundamentais de
qualquer vida social e portanto indispensáveis à evolução normal da moral e do direito. A
autoridade moral não pode ser excessiva a ponto de tornar imutável a vontade, é preciso que
a originalidade individual se possa manifestar. O crime seria a mola propulsora de mudanças
necessárias e também a centelha de adequações de futuras, assim como aconteceu com
Sócrates (469 a. C – 399 a. C), considerado criminoso na sua época, posteriormente tido como
um pensador brilhante e de valor incalculável para a humanidade. A liberdade de pensamento
que possuímos hoje jamais teria sido atingida caso as regras estabelecidas anteriormente não
tivessem sido violadas.

O criminoso é um agente regular na vida social, não há como retirá-lo da camada, dessa forma
o crime pode ser um fenômeno social, dependendo da intensidade e regularidade. A sociologia
visa analisar esse contexto verificando se determinado crime é um fato social levando em
consideração as regras por ela criadas.