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05/03/2017 TREINAMENTO TÁTICO NAS CATEGORIAS DE BASE – Fabio Cunha

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TREINAMENTO TÁTICO NAS CATEGORIAS DE BASE
Por Fabio Aires da Cunha

Muito se discute sobre a importância do treinamento tático nas categorias de base. Até que ponto a tática influencia no desempenho de uma equipe de jovens? Em qual
categoria deve‐se priorizar a tática em detrimento da técnica? Qual a progressão de ensino da tática? São questões que permeiam a cabeça dos técnicos e professores de
futebol.

Antes de falar no treinamento tático, deve‐se compreender e entender a função e formação do técnico/professor. Muitos acham que treinar taticamente uma equipe de futebol
é somente dividir dois times de onze jogadores, jogar uma bola e assoprar o apito. O treinamento tático envolve inúmeros fatores que podem influenciar positiva ou
negativamente o desempenho, principalmente quando se fala em formação, ou seja, em categoria de base.

Para FREIRE ﴾2003﴿, o técnico/professor deve possuir algumas características para exercer essa função: deve ter formação pedagógica, além da formação técnica em futebol;
deve participar ativamente da aula; deve planejar as aulas; deve fazer avaliação periódica de suas aulas; deve conversar sempre que possível com os alunos, sem se exceder no
tempo e no assunto; deve ministrar atividades lúdicas e prazerosas; deve levar em conta as necessidades e interesses dos alunos; deve promover o rodízio entre os alunos,
quanto mais novos, mais importante esse rodízio e deve ser flexível com os alunos, mas sempre sabendo impor limites, estabelecendo o respeito entre ambos. Segundo
MICHELS ﴾2001﴿ o técnico deve ser genuíno, capaz de transmitir didaticamente cada passo da sua visão e ser apto a formular objetivos claros e reais, além disso, deve explicar
aos jogadores os objetivos de cada treino. De acordo com TRAPATTONI ﴾1999﴿ o técnico deve entender o momento de dar suporte e tranqüilizar os atletas quando estes
cometem erros, isso é fundamental no lado psicológico. O professor deve ter sempre como objetivo principal auxiliar o desenvolvimento dos alunos levando em consideração
as características individuais ﴾GALLAHUE; OZMUN, 2001﴿. No caso de iniciantes, os técnicos devem evitar o excesso de conversa, procurando manter os atletas sempre em
atividade ﴾McGOWN, 1991﴿. SANTOS FILHO ﴾2002﴿ complementa que a capacidade de comunicação de forma adequada e precisa é fundamental no desenvolvimento do
treinamento de futebol.

Ao se planejar um programa de treinamento para crianças e adolescentes, o profissional que irá planejá‐lo deve conhecer bem os aspectos que envolvem a puberdade e aceitar
a variabilidade individual em que eles ocorrem ﴾TOURINHO FILHO; TOURINHO, 1998﴿.

Segundo McARDLE, KATCH e KATCH ﴾1991﴿, o preparo acadêmico do profissional que irá ministrar um programa de treinamento é de fundamental importância, seja ele para
jovens, adultos, idosos, sedentários ou atletas. A experiência prática é um aspecto tido como o melhor método, mas os autores acreditam que o conhecimento das razões do
treinamento e do exercício seja fundamental para o adequado desenvolvimento do programa de treinamento.

O técnico tem a responsabilidade em relação à correta programação do treinamento ﴾distribuição coerente das cargas gerais e específicas, do volume, da intensidade;
observação das particularidades biológicas; oferecimento de corretas informações pedagógicas de acordo com a faixa etária e outras﴿, à educação motora, intelectual e moral
dos jovens ﴾FILIN e VOLKOV; FILIN; SCHMOLYNSKI; MAGILL; FERNANDES, citados por AUGUSTI, 2001﴿.

As considerações colocadas por muitos autores e estudiosos são bem retratadas na afirmação de Claparède, citado por WEINECK ﴾1991, p. 246﴿: “a criança não é uma miniatura
do adulto e sua mentalidade não é só quantitativa, mas também qualitativamente diferente da do adulto, de modo que a criança não é só menor, mas também diferente.”

Enfim, conduzir um treinamento de futebol é uma tarefa complexa, que exige cuidado, planejamento, conhecimento, capacitação e criatividade.

O treinamento tático está diretamente relacionado com o desenvolvimento da técnica, com o condicionamento físico e com o preparo psicológico. Não se pode dissociar, no
futebol moderno, independentemente da categoria, o treinamento tático, do treinamento técnico, físico e psicológico.

Não adianta o técnico tentar implementar uma marcação pressão, se seu time não possui preparo físico para exercer esse tipo de marcação. Não adianta o técnico tentar
implementar um jogo a base de lançamentos longos se seus atletas não possuem qualidade técnica para realizar esse tipo de passe.

O desenvolvimento da tática está relacionado diretamente com a maturação, o crescimento, o desenvolvimento motor e a aprendizagem. O técnico deve estudar a fundo as
características fisiológicas, morfológicas e maturacionais de cada faixa etária, para entender em qual estágio de desenvolvimento seus atletas/alunos se encontram e, com isso,
aplicar a maneira mais adequada e eficiente de ensino da tática.

Até por volta dos 12 anos à ênfase no treinamento se dá pela técnica. A preocupação é aprimorar as habilidades motoras das crianças, desenvolver a inteligência espacial, o
pensamento rápido, enfim dotar os jovens futebolistas de condições para a próxima etapa de aprendizagem, etapa essa na qual se inicia o desenvolvimento dos aspectos
táticos no campo grande ﴾11 X 11﴿.

Ao longo da sua carreira, o técnico vai moldando sua filosofia de jogo. É necessário o conhecimento teórico e prático para estabelecer um esquema eficiente, mas é mais
importante ainda, saber empregar esse conhecimento adquirido para obter um desempenho satisfatório.

A tática é idealizada no todo, ou seja, num plano estratégico maior e, depois executada em partes durante os treinamentos.

Sua origem vem da palavra grega taktiké, que significa a arte de manobrar tropas. Segundo FERREIRA ﴾1995, p. 626﴿ “tática é o processo empregado para sair‐se bem num
empreendimento.” Para Zech, citado por DRUBSCKY ﴾2003﴿ tática é a capacidade de desempenho individual ou em time de oposição a um adversário. De acordo com LEAL
﴾2001, p. 99﴿ “tática significa o planejamento e a execução racional de dispor jogadores em campo, para sair‐se bem e tirar proveito em dada situação, surpreendendo o

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adversário e dominando‐o, em consequência.” Conforme MELO ﴾1999, p. 38﴿ “tática é a arte de combinar a técnica individual de cada jogador, em suas diferentes linhas e
posições, de modo a obter o máximo de rendimento do conjunto, em um determinado jogo.” Para o técnico português José Mourinho, citado por OLIVEIRA et. al. ﴾2006﴿ é um
conjunto de princípios que dão forma ao seu modelo de jogo.

Sistema Tático

“É o conjunto das táticas que determinam as ações e características de uma equipe em campo. Compõe‐se de ideia de jogo, desenho tático, esquematizações, variações,
posturas, sistemas de marcação, detalhes táticos e estilo de jogo. Por convenção, adotam‐se as denominações numéricas, 4‐3‐3, 3‐5‐2 ou 4‐4‐2, por exemplo, para nomear os
sistemas táticos no futebol” ﴾DRUBSCKY, 2003, p. 93﴿.

Esquema Tático

“É um elemento importante do sistema tático. Exemplificando, é uma movimentação de campo previamente determinada e treinada entre alguns jogadores e ou setores da
equipe. As esquematizações táticas são jogadas ensaiadas que fazem parte de um contexto de táticas maior, denominado sistema” ﴾DRUBSCKY, 2003, p. 93﴿.

 .

Estratégia

“Estratégia é planejamento visando a atingir determinado objetivo, explorando os fatores favoráveis e usando os meios disponíveis, quando, onde e como quiser” ﴾LEAL, 2001, p.
99﴿.

No futebol, a estratégia adota a mobilização, a concentração, o reconhecimento, as coberturas, perseguições e outros meios, visando a vitória final.

Exemplos: Marcar pressão desde o começo; atrair o adversário para contra‐atacar; jogar defensivamente para garantir resultado; marcar determinado atleta individualmente e
outros.

 .

Sistema de Jogo

Segundo LEAL ﴾2001, p. 33﴿ sistema de jogo é “a distribuição dos jogadores de um time em campo, em estrutura organizada, coordenados e unidos por princípio de
interdependência, com funções definidas que se complementam e que se movimentam, visando, com o menor esforço possível, alcançar a melhor produção e resultado.”

Referências:

AUGUSTI, M. Treinamento de endurance para crianças e adolescentes. In: Revista Digital, Buenos Aires, ano 7, n. 37, jun. 2001. Disponível em: <www.efdeportes.com>. Acesso
em: 15 nov. 2001.

DRUBSCKY, Ricardo. O universo tático do futebol: Escola brasileira. Belo Horizonte: Health, 2003.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário básico da língua portuguesa. São Paulo: Folha de São Paulo/Nova Fronteira, 1995.

FREIRE, João Batista. Pedagogia do futebol. Campinas: Autores Associados, 2003.

GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C. Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos. Tradução de Maria Aparecida da Silva Pereira Araújo. São
Paulo: Phorte, 2001.

LEAL, Julio César. Futebol: Arte e Ofício. 2. ed. Rio de Janeiro: Sprint, 2001.

McARDLE, W. D.; KATCH, F. I.; KATCH, V. L. Fisiologia do Exercício: Energia, Nutrição e Desempenho Humano. Tradução de Giuseppe Taranto. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan, 1991. 510 p.

McGOWN, C. O Ensino da técnica desportiva. Treino Desportivo, Lisboa: [s.n.], II série, n. 22, p. 15‐22, dez. 1991.

MELO, Rogério Silva de. Sistemas e táticas para futebol. Rio de Janeiro: Sprint, 1999.

MICHELS, Rinus. Teambulding: the road to success. Spring City: Reedswain, 2001.

OLIVEIRA, Bruno; AMIEIRO, Nuno; RESENDE, Nuno; BARRETO, Ricardo. Mourinho: Porquê tantas vitórias? 4. ed. Lisboa: Gradiva, 2006.

SANTOS FILHO, José Laudier Antunes. Manual de futebol. São Paulo: Phorte, 2002.

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TOURINHO FILHO, H.; TOURINHO, L. S. P. R. Crianças, adolescentes e atividade física: aspectos maturacionais e funcionais. Revista Paulista de Educação Física, São Paulo:
Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo, v. 12, n. 1, p. 71‐84, jan./jun. 1998.

TRAPATTONI, Giovanni. Coaching high performance soccer. Spring City: Reedswain, 1999.

WEINECK, Jürgen. Biologia do esporte. São Paulo: Manole, 1991.

2011 

         

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