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UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO

GRANDE DO SUL - UNIJUI

ANDREY PROTTI BASSO


EZEQUIEL DEBONI
LEONARDO DE MELLO WEGNER
THIAGO DE LUCA ROSSETTO

ORGANIZAÇÃO SOCIAL E POLÍTICA BRASILEIRA

Ijuí - RS
2019

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ANDREY PROTTI BASSO
EZEQUIEL DEBONI
LEONARDO DE MELLO WEGNER
THIAGO DE LUCA ROSSETTO

ORGANIZAÇÃO SOCIAL E POLÍTICA BRASILEIRA

Trabalho apresentado aos Cursos da


Universidade Regional do Noroeste do
Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ,
como requisito parcial à avaliação de 30
pontos referentes à disciplina de
Formação e Desenvolvimento da
Sociedade Brasileira.

Orientador: Airton Adelar Muller

Ijuí – RS
2019

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO .......................................................................................... 1

2 FORMAÇÃO DO ESTADO NACIONAL, SOCIEDADE CIVIL E


POLÍTICAS PÚBLICA ................................................................................................ 2

2.1 COLÔNIA ........................................................................................... 2


2.2 IMPÉRIO ............................................................................................ 6
2.3 A REPÚBLICA .................................................................................... 7

3 CONCLUSÃO ......................................................................................... 23

4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................... 24

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1 INTRODUÇÃO

Nesta Unidade apresenta-se uma análise da forma como se deu a formação


da sociedade política no Brasil. Sociedade política compõem-se do conjunto de
estruturas que forma o poder político, através da figura do Estado e também pela
sociedade civil, composta pelas organizações e movimentos sociais.

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2 FORMAÇÃO DO ESTADO NACIONAL, SOCIEDADE CIVIL E POLÍTICAS


PÚBLICA

A formação do estado nacional foi fruto da colonização, de certa forma, muito


parecida à dos Estados Unidos. Não é à toa que nosso país ia se chamar Estados
Unidos do Brasil. A história do Brasil tem início com o descobrimento, episódio que é
consequência da expansão marítima, colonial e comercial europeia. O Brasil, no
cenário do sistema colonial, representava tanto a intenção da expansão da
economia mercantilista quanto um instrumento de poder da metrópole portuguesa.
No território que convencionamos chamar de Brasil a sociedade é
anterior ao Estado. Os portugueses que aportaram em 1500 encontraram
uma sociedade organizada, as sociedades indígenas, que viviam num outro
estágio, diferente dos europeus. Eram sociedades relativamente
homogêneas, que desconheciam a propriedade particular e a acumulação
privada do trabalho social. No Rio Grande do Sul adquiriu notoriedade a
sociedade desenvolvida nas Missões, designada como República
Comunista Cristã dos Guaranis. Nestas sociedades não se observam
estruturas políticas que se assemelham ao Estado. São, portanto,
sociedades sem Estado. (TRENNEPOHL, Vera Lúcia (Org.). 2014, p.102).

O território brasileiro a sociedade é anterior ao estado. Os portugueses


encontraram uma sociedade diferente dos europeus. Não existia a presença de
estruturas políticas.

2.1 COLÔNIA

Em 1530, Martim Afonso de Sousa chegou no Brasil e em 1532 fundou a vila


de São Vicente, que se tornou o primeiro núcleo de colonização portuguesa. Até a
transferência do governo português para o Brasil, em 1808, as decisões principais
vinham de Lisboa. As câmaras municipais atuavam na administração das vilas e
cidades. As câmaras municipais eram compostas pelos “homens bons”, ou seja,
proprietários de grandes latifúndios com importância política e econômica muito
grande. Para ser eleito e ocupar um cargo na Câmara era preciso pertencer ao
grupo dos “homens-bons”. A partir de 1976, as câmaras passaram a ser presididas
pelos juízes de for, nomeados pelo rei
A efetiva ocupação do território brasileiro só teve início com o a criação do
sistema de capitanias hereditárias por D João III, em 1534. A coroa portuguesa
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necessitava de encontrar um modelo de produção colonial que atendesse as


necessidades da metrópole. Como não foi possível, logo no início, dedicar-se à
mineração de metais, a colônia teve de optar pelo desenvolvimento de atividades
agrícolas tropicais. Desses, o açúcar era o mais atrativo, visto que era um produto
que estava em ascensão no mercado europeu. Portugal já possuía experiência
suficiente para efetuar a implantação dessa cultura em larga escala, devido ao
grande êxito nas ilhas do atlântico.
O cultivo da cana e a produção do açúcar foi a solução ideal encontrada, pois
ao mesmo tempo que se ajustavam perfeitamente ao clima da colônia, valorizavam
economicamente as terras e promoviam seu povoamento e ocupação efetiva, e
facilitavam, por conseguinte sua defesa. Como a metrópole não podia sozinha dar
conta de tarefa tão ampla, devido aos recursos limitados, coube a iniciativa privada,
em que detinha do capital necessário aos investimentos. Veja-se que,

No processo de colonização do Brasil, a coroa utilizou-se da


iniciativa particular e nela se apoiou, buscando, porém, sempre o seu
controle. Se, na perspectiva do Estado contemporâneo, essa situação pode
ser vista como fragilidade, à época, no processo de formação do Estado, tal
política constituiu hábil recurso: a coroa utilizava recursos humanos e
financeiros particulares para viabilizar seus projetos, sem que lhe coubesse
nenhum ônus, cedendo em troca desse apoio, terras, cargos, rendas e
títulos nobiliárquicos. (RICUPERO, Rodrigo. 2009, p. 13, apud LIMA, 2011,
p.44)

Tais premissas persuadiram ao modelo de capitanias hereditárias, esse


sistema foi economicamente interessante para a coroa portuguesa, uma vez que
transferia os encargos da colonização para particulares. A coroa portuguesa
outorgava parcelas do território brasileiro aos donatários, por outro lado, o donatário
tinha obrigação de povoar e proteger o local e a remeter à coroa os impostos e
obedecer às determinações reais. Os donatários, conforme definido pelas cartas de
doação e os forais, se tornavam possuidores, mas não proprietários da terra, isso
significa, que não podiam vender ou dividir a capitania. Do ponto de vista
administrativo, eles tinham autorização para fundar vilas e doar sesmarias.
Caso a produção açucareira adotasse o trabalho assalariado, em função da
grande quantidade de terras os colonos acabariam por se estabelecer por conta
própria e desenvolver atividades de subsistência, que não atendiam aos interesses
monopolistas da metrópole.

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“Surgiu, assim, o uso dessa instituição como um imperativo


econômico inelutável: só seriam admissíveis empreendimentos industriais,
montagem de engenhos, custosas expedições coloniais, se a mão-de-obra
fosse assegurada em quantidade e continuidade suficientes. E por esses
tempos e nestas latitudes, só o trabalho escravo proporcionaria tal garantia”
(Simonsen, 1937, p.126).

É em função dessas premissas que em meio ao nascimento do mundo


moderno, a colônia adota o sistema escravista. Esse sistema foi visto como um
importante alicerce da exploração colonial no século VXI. Ao passo que surgiram as
dificuldades com a escravização dos indígenas devido à resistência dos indígenas e
a forte oposição dos jesuítas deram início ao tráfico negreiro, e abriram assim mais
um importante setor comercial. A partir da segunda metade do século XVI ocorre a
gradativa substituição da mão de obra escrava indígena pela mão de obra escrava.
É importante ressaltar que escravidão indígena permeou até o século XVIII.
Estima-se que entre os séculos XVI e XIX mais de 4 milhões de escravos
vieram para o Brasil. Essa parte da história ajuda a explicar parte do preconceito que
temos hoje em dia em nossa sociedade.
Após a inviabilidade das capitanias hereditária foi instituído, em 1548, o
governo geral, que tinha como objetivo centralizar a administração da colônia e dar
um apoio maior as capitanias.
Um fato importante foi a vinda de Tome de Sousa como primeiro governador
geral do Brasil, trazendo consigo o Regimento de 1548, documento que consolidava
as instruções de D. João III. As instruções revelam o propósito de garantir a posse
territorial da nova terra, colonizá-la e organizar as rendas da Coroa. Foram criados
alguns cargos para o cumprimento dessas finalidades, sendo os mais importantes o
de ouvidor, a quem cabia administrar a justiça, o de capitão-mor, responsável pela
vigilância da costa, e o de provedor-mor, encarregado do controle e crescimento da
arrecadação. Tomé de Sousa fundou a cidade de Salvador que se tornou a primeira
capital do Brasil. Na administração de Tome de Souza veio os primeiros padres
jesuítas tiveram papel fundamental na brasil colônia.
A Ordem dos Jesuítas é produto de um interesse mútuo entre a
Coroa de Portugal e o Papado. Ela é útil à Igreja e ao Estado emergente.
Os dois pretendem expandir o mundo, defender as novas fronteiras, somar
forças, integrar interesses leigos e cristãos, organizar o trabalho no Novo
Mundo pela força da unidade lei-rei-fé. (RAYMUNDO, 1998, p. 43)

Ao mesmo tempo em que atuavam junto aos nativos, os jesuítas foram


responsáveis pela fundação das primeiras instituições de ensino do Brasil Colonial.

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Os principais centros de exploração colonial contavam com colégios administrados


dentro da colônia. Dessa forma, todo acesso ao conhecimento laico da época era
controlado pela Igreja
Embora Portugal tenha dividido o país em dois polos, após a morte de Mem
de Sá (em 1572), do qual a sede do norte era em Salvador e a sede do Sul, no Rio
de Janeiro, o governo geral foi extinto em 1808, com a chegada da família real ao
Brasil. Observe que o sistema de Governo geral, auxiliou na consolidação da
dominação portuguesa no Brasil.
A União Ibérica (1580-1640) teve papel fundamental na construção do
território brasileiro ao se diluir as fronteiras estabelecidas pelo Tratado de
Tordesilhas. Permitiu expandir os limites territoriais para o norte, com a conquista do
Maranhão e para o sul, alcançando a região platina.
No final do século XVII, com o declínio do açúcar e descoberta das minas de
ouro na porção central do brasil teve um impacto na economia da colônia, na sua
demografia e nas relações com a metrópole. O fluxo de portugueses intensificou-se
e o movimento de interiorização de núcleos urbanos alcançou novos patamares.
Começou a se formar uma sociedade urbana com vilas e pequenas cidades Em
1763, à mudança da capital da colônia de Salvador (BA) para o Rio de Janeiro.
Nota-se que ao longo do século XVIII o ouro provocou uma transformação
radical na colônia. Sendo uma atividade altamente lucrativa a mineração trouxe a
intensificação da cobrança de impostos da metrópole. Nesse período surge algumas
revoltas na tentativa rompimento local com as autoridades portuguesas e a fundação
de governos independentes.
Um fato importante refere-se à vinda do imperador D. João VI no
Brasil, em 1808. Independentemente dos motivos – inclusive uma ideia era
transferir definitivamente a sede do Estado português para o Brasil – este
fato desencadeou a criação de um conjunto de estruturas administrativas
necessárias para dar suporte ao funcionamento do Estado. (TRENNEPOHL,
Vera Lúcia (Org.). 2014, p.102)

Esse fato singular, na história do Brasil foi um passo importante para a


independência, contribuiu para consolidar a unidade nacional; e por outro, para que
se completasse a separação de Portugal.
Em 1815 o Brasil deixou de ser colônia e foi elevado à categoria de Reino
Unido de Portugal e Algarve. Embora não tivesse se tornado um país independente,
passava a ter condição de igualdade com Portugal.

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2.2 IMPÉRIO

O Estado brasileiro nasce em 1822, com a declaração da


Independência feita pelo representante do Estado português, D. Pedro I.
Este ato não foi o resultado de um grande movimento popular local – como
a Independência dos Estados Unidos, por exemplo. Não havia uma sólida
economia local, fundadora de uma classe social dotada de um poder
econômico capaz de almejar uma situação de autonomia territorial.
(TRENNEPOHL, Vera Lúcia (Org.). 2014, p.102)

Alguns historiadores consideram que o processo de independência foi um


“arranjo político” elaborado entre as elites, havendo pouquíssima participação
populares. EUA foram os primeiros a reconhecerem a Independência. O estado
nacional brasileiro foi fruto de conflitos europeus do qeu de movimentos sociais. A
oranização politica do Brasil se deu atraves da monarquia. A ideia de D. Pedro I, era
se basear na ideia de liberdade, propriedade, soberania e direitos, já que essas
ideias eram frutos da Monarquia Constitucional na Inglaterra e da Revolução
Francesa.
Mas não foi assim que ocorreu, com a criação da Assembleia Constituinte, a
Assembleia manteve o anteprojeto de Constituição que mantinha o trabalho escravo
e estabelecia direitos políticos apenas aos indivíduos com renda anual superior ao
valor de cem alqueires de farinha de mandioca.
Como a Assembleia não agradou Dom Pedro, ela foi dissolvida. E uma
comissão foi nomeada para criar a primeira Constituição do país, outorgada em 25
de março de 1824, estabelece um governo “monárquico, hereditário e constitucional
representativo”.
O legislativo foi dividido em Câmara e Senado, a Câmara podendo ser
dissolvida pelo imperador. Juntando os dois se dava a Assembleia Geral. Somente
brasileiros católicos podiam ser nomeados, e a constituição institui o voto censitário.
O trabalho escravo foi mantido, com o argumento para a economia agroexportadora.
.O periodo que seseguiu foi marcado por conflitos sociasi, muito pelas
divergencias ideologicas- os Conservadorese os Liberais.

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Foi criado Regência Trina Permanente grupo que sustentava o processo de


independência, defendiam uma maior descentralização política e administrativa
(federalismo), a república e o fim da escravidão.
Logo após D. Pedro II ser nomeado imperador, volta a monarquia e o poder
da oligarquia escravocrata. A partir disso há uma alternância entre os partidos
Liberal e Conservador.
Surge o Partido Republicano, cuja origem esta no grupo dos liberais,
defensores do fim do trabalho escravo e da substituição da Monarquia pela
República. O movimento republicano nao se caracterizou como um mvimento das
classes populares, mas sim num movimento dos grandes proprirtarios rurais com
interesses na manutenção do modelo agroexportador.
Nessa premissa, o Estado devia apoiar a agroexportação e não o
desenvolvimento da industria.
Foi realizado um projeto ideológico, com a finalidade de progresso da
industria sobre as formas feudais e militares de organização social. A proposição de
um Estado republicano forte e centralizador, justificado cientificamente, foi vitoriosa e
prevaleceu no período de 1889 a 1894, vulgarmente conhecido como “república da
espada”.

2.3 A REPÚBLICA

O advento da República ocorre no dia 15 de novembro de 1889. É nessa data


que o então marechal - e futuro presidente do Brasil – Deodoro da Fonseca
proclama a República brasileira. Esse movimento só é possível, pois as bases
aliadas do então imperador estavam descontentes. A Igreja Católica – responsável
pela religião oficial do império como consta no artigo 5° da Constituição de 1824 –
não apreciava a política do padroado, quando para as ordenações de bispos e
cardeais era necessário o aval do imperador. Os latifundiários estavam descontentes
com a abolição da escravatura no ano de 1888. O exército, com influência da
doutrina positivista e desgostosos com a proibição dos baixos oficiais de se
expressarem, deixa de apoiar D. Pedro II. No entanto, as classes menos
privilegiadas não participaram do movimento, com explica Rainer Sousa:

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Não por acaso, o fim da monarquia brasileira não abriu caminho para que os
velhos dilemas da exclusão social, política e econômica fossem finalmente
colocados em questão. Formada por uma população miserável e inculta, a nação
brasileira passou das mãos dos militares para as novas elites agroexportadoras.
Sousa antecipa, assim, a república da espada e as oligarquias que assumem
o poder no início de nossa era republicana. Não obstante, em nenhum desses
momentos houve a preocupação com os menos privilegiados. Ou seja, a República,
que por definição pertence a todos, serviu como um modo de elites exercerem
influência e adquirirem poder sobre as classes desprivilegiadas.

2.3.1 República da Espada

Período compreendido entre 1889 e 1894. Caracterizado por um estado


republicano forte e centralizador, com aspectos ditatoriais. A partir da Proclamação
da República é organizado o Primeiro Governo Provisório Republicano, presidido
pelo marechal Deodoro da Fonseca. Constitui-se, assim, o país Estados Unidos do
Brasil, federado e republicano. Em um primeiro momento ocorre a laicização do
Estado, com a separação de Igreja e Estado.
Em 1891 é promulgada a primeira Constituição Republicana, que acaba por
instituir o federalismo, o regime representativo e o presidencialismo. Deodoro,
devido ao desgaste político, renuncia no mesmo ano, quando assume seu vice,
Floriano Peixoto. Este, acaba por combater os opositores – notadamente os conflitos
da Revolta da Armada e a Revolução Federalista – durante todo o seu governo, que
acaba em 1894 com a eleição do civil Prudente de Morais, representante das
oligarquias agrárias.

2.3.2 República Oligárquica

Nesse período é notório o revezamento político entre o Partido Republicano


Mineiro e o Partido Republicano Paulista na presidência do Brasil. Assim, essa
época fica conhecida como a “política do café com leite”, devido à alternância no
poder entre os cafeicultores paulistas e os pecuaristas mineiros. É importante
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ressaltar também, o modo como essa oligarquia se mantinha no poder: o voto de


cabresto. Essa prática constituía-se no controle das eleições pelos coronéis – que
apoiavam os governadores; e estes o presidente da república – através da pressão
sobre os eleitores, quando os eleitores não podiam escolher com liberdade seus
representantes. Essa prática só era possível, pois o voto na época não era secreto,
e apenas uma pequena parcela da população podia votar – os homens, com mais
de 21 anos e alfabetizados.
Apesar de erigido sob a égide republicana, esse foi um período autoritário, em
que os governantes se preocupavam mais como as oligarquias no poder do que com
a grande maioria da população. Logo, há de se pensar que dos 130 anos de
vigência do estado republicano, podemos contabilizar apenas 52 anos de prática
democrática. Ou seja, o período da república, ainda que resultante de vários
processos ideológicos, por vezes não conseguiu sustentar o mais importante item
que a compõe – a democracia – instituindo governos autoritários, que não
respeitavam a lei e nem ao povo brasileiro.

2.3.3 Regime Militar

Em 31 de março de 1964, os militares assumem o poder. Inicia-se, assim,


uma das épocas mais repressivas da história brasileira, em que muitos líderes
políticos, sindicalistas e as lideranças de organizações populares foram presos,
torturados, exilados ou mortos. O presidente deposto João Goulart, inclusive, exilou-
se no Uruguai. Além disso, foi um tempo de fechamento de instituições
democráticas, como por exemplo: a suspensão do habeas corpus, o fim das eleições
livres e a limitação – ou até mesmo extinção – da liberdade de opinião e de
organização.
É nesse contexto que é elaborada a Lei de Segurança Nacional, que proibia
qualquer manifestação política contrária ao regime militar. Resultam dela duras
penas aos infratores, e é a partir de sua vigência que mandatos parlamentares são
cassados, servidores públicos aposentados e militares obrigados a irem a para a
reserva. A legalidade das ações do Executivo é determinada pela outorga de Atos
Institucionais – ao todo 17, mais os 104 atos complementares – durante o período
de 1964 a 1969. Dessa forma, o poder Executivo se sobrepõe ao Legislativo e ao

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Judiciário. O ato mais significativo – e repressivo – entretanto, foi o AI-5, de 1968,


que conferia poderes extraordinários para o Presidente da República, e que,
inclusive, ordenava o fechamento do Congresso nacional por tempo indeterminado.
Além disso, grande parte dos cargos do executivo (presidente, governadores,
prefeitos das capitais e de municípios de fronteira) são escolhidos indiretamente, por
meio de um colégio eleitoral controlado pelos militares. Da mesma maneira, formam
extintos os partidos políticos, com os militares preferindo pelo bipartidarismo entre a
ARENA (Aliança Renovadora Nacional) e o MDB (Movimento Democrático
Brasileiro), instaurado pelo AI-2. O primeiro apoiava e sustentava o governo e o
segundo fazia a oposição consentida ao governo. Entretanto, a sociedade brasileira
foi excluída do processo de tomada de decisões políticas e a parte de oposição mais
combativa foi eliminada do cenário político nacional.
Outro ponto importante desse período foi o milagre econômico ocorrido
durante o governo de Emílio Garrastazu Médici – o governante que mais se utilizou
do poder ditatorial e da violência. Médici também apostou em uma ampla campanha
publicitária, que objetivou melhorar sua imagem e legitimar o regime vigente,
notadamente o slogan: “Brasil: ame-o ou deixe-o”. Após a edição do AI-5 e a
desarticulação da oposição por parte do governo, eclodem conflitos armados, em
sua maioria guerrilhas pela derrubada do governo militar e a implementação das
reformas de base. Esses movimentos, no entanto, são duramente reprimidos.
Com o fim do milagre econômico, a crise sobre a economia brasileira a partir
de 1973 e o aumento da oposição contra o regime – principalmente nas eleições
legislativas de 1974 – o regime militar entra em decadência. Em conjunto com a
política do governo de Ernesto Geisel e a pressão popular pela volta da democracia,
o processo de redemocratização se inicia no país.

2.3.4 Governo Provisório

Durante o Governo Provisório ocorreu a dissolução do Congresso Nacional e


das Assembleias Estaduais. Foram nomeados interventores que governariam os
Estados até a elaboração da nova Constituição.

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Foram criados o Código Eleitoral e a Justiça Eleitoral, sendo instituído o voto


secreto, o voto feminino e a redução da idade de 21anos para 18 aos votantes. Fez
mas não aplicou a Lei naquele ano.
As medidas mais inovadoras do Governo Provisório ocorreram no campo das
relações entre o Estado e os trabalhadores. Foi criado o Ministério do Trabalho e
iniciada a elaboração da legislação trabalhista, que incluía jornada de trabalho de
oito horas diárias, repouso semanal remunerado, férias remuneradas e proibição de
trabalho de menores de 14 anos.
Em 9 de julho de 1932, fruto do descontentamento pela demora na
convocação da Assembleia Constituinte, eclodiu, principalmente em São Paulo, o
movimento chamado Revolução Constitucionalista. Também em São Paulo crescia o
descontentamento dos fazendeiros de café, ansiosos por recuperar e conquistar
novamente a influência perdida. O objetivo do movimento era a convocação imediata
de uma Assembleia Constituinte. Em 70 dias de luta as forças legalistas sufocaram a
revolta. Mesmo derrotados no campo de batalha, os paulistas conseguiram atingir
seu objetivo político, pois o presidente Getúlio Vargas convocou eleições para a
Assembleia Constituinte. A Constituinte tomou posse em novembro de 1933. Como
base de seus trabalhos contava com um anteprojeto elaborado por uma comissão
nomeada pelo governo. A promulgação da nova Constituição Republicana ocorreu
em julho de 1934.

2.3.5 Governo Constitucionalista

O período denominado como governo constitucional representa uma tentativa


de construção de um Estado de Direito a partir de uma Constituição elaborada por
constituintes eleitos pelo voto popular.
Nessa fase foram criados dois movimentos políticos importantes: a Ação
Integralista Brasileira (AIB) e a Aliança Nacional Libertadora (ANL). A AIB, criada em
1932, foi um movimento liderado pelo escritor e jornalista Plínio Salgado. Sua linha
ideológica era inspirada no fascismo italiano e buscava a instituição de um Estado
Integral, que se contrapunha ao capitalismo e ao comunismo, afirmava a
propriedade privada, os valores cristãos, o princípio da autoridade e da hierarquia e
a valorização da cultura nacional.

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Em oposição, comunistas, socialistas e a ala esquerda tenentista uniramse


para formar a Aliança Nacional Libertadora (ANL), em 1935, liderada por Luís Carlos
Prestes. O modelo de sociedade defendida pela ANL centrava-se na propriedade
coletiva dos meios de produção e consequentemente no fim das classes sociais e do
próprio Estado, conforme a teoria marxista. Em julho de 1935 o governo ordenou o
fechamento da ANL. No mês de novembro, militares vinculados a essa organização
promoveram insurreições em quartéis de Natal, Recife e Rio de Janeiro. A intenção
era depor o governo de Getúlio Vargas e instalar um governo revolucionário. Sem
contar com o apoio da população e com a traição de alguns líderes do movimento as
rebeliões conhecidas com Intentona Comunista foram rapidamente sufocadas. O
governo desencadeou uma terrível repressão que atingiu duramente, não só os
participantes da Intentona, mas também qualquer cidadão que fizesse oposição ao
governo.
A repressão ao movimento comunista de 1935 reforçou a centralização
política do governo Vargas. Em 1937, quando se aproximava o fim do seu mandato
previsto pela Constituição, Getúlio Vargas e seus colaboradores passaram a
articular a suspensão das eleições marcadas para o ano de 1938, alegando o perigo
comunista. Para isso elaborou um plano falso, o Plano Cohen, que denunciava a
articulação de uma revolução comunista e o assassinato de muitos políticos
brasileiros. O falso plano foi divulgado com grande alarde, provocando comoção
nacional.
Diante desse quadro Getúlio Vargas aproveitou o momento para decretar
estado de guerra, o que lhe permitia prender qualquer cidadão sem ordem judicial e
obter o apoio dos governadores e das Forças Armadas para o seu plano golpista.
Contando com o apoio dos militares e pela pequena resistência da população o
golpe concretizou-se em 10 de novembro de 1937. Getúlio apresentou aos ministros
a nova Constituição que instaurava o Estado Novo.

2.3.6 Estado Novo

O Estado Novo prolonga-se de 1937 até 1945. Este período mostrou sua face
mais cruel de grandes perseguições políticas. Sob um regime de intensa repressão,
os partidos políticos foram extintos, os meios de comunicação sofreram censura,

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greves e sindicatos são proibidos e coíbe-se qualquer manifestação de oposição. Ao


mesmo tempo, é instituída a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e se organiza
a burocracia do Estado. Cabe ressaltar também que é nesse período que são
lançadas as bases para o efetivo desenvolvimento da indústria nacional, mediante
investimentos estatais nas áreas da infraestrutura, siderurgia e energia.
O movimento integralista foi incentivado pelo próprio presidente Getúlio
Vargas, que recebeu deles o auxílio para a formulação do Plano Cohen e do golpe
de Estado. O líder do movimento, Plínio Salgado, almejava ocupar o Ministério da
Educação, no entanto a proibição de funcionamento de todos os movimentos
políticos atingiu também os integralistas que, descontentes, tentaram tomar o poder
por meio do Levante Integralista, em 11 de maio de 1938.
A pronta reação do governo derrotou a tentativa de golpe, com muitos
militantes integralistas mortos, outros tantos presos e o líder Plínio Salgado exilado
em Portugal. A reorganização do movimento ocorreu com a criação do Partido de
Representação Popular (PRP), em 1945.
O Estado Novo chegou ao seu término em 1945, poucos meses depois do fim
da Segunda Guerra Mundial. O mundo todo vivia um clima de liberdade e
democracia. Vargas foi afinal derrubado por seus próprios ministros. Foram
convocadas eleições presidenciais e legislativas. As eleições legislativas
destinavam-se a escolher uma Assembleia Constituinte, a terceira desde a criação
da República. O país entrou numa nova fase que podemos descrever como sendo a
primeira experiência democrática de sua História, que se prolonga de 1945 até 1964.
Com o fim da censura estabeleceram-se as liberdades democráticas, a livre
organização partidária, as eleições livres, dentre outros pressupostos de um Estado
Democrático de Direito.

2.3.7 Redemocratização

A eleição foi vencida pelo general Eurico Gaspar Dutra com 55 % dos votos.
Sob a influência da guerra fria, entre os anos de 1947 e 1949 o governo de Eurico
Gaspar Dutra perseguiu os militantes comunistas, colocou o PCB novamente na
ilegalidade e decretou intervenção nos sindicatos, valendo-se para isso de
instrumentos herdados do período ditatorial do Estado. Após a sua deposição

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Vargas foi eleito senador da República e manteve uma postura discreta, enquanto
preparava sua volta ao poder em 1950 pelo voto popular.
O segundo governo de Getúlio Vargas foi marcado por uma radicalização do
projeto nacional-desenvolvimentista, ampliando a presença do Estado na economia,
principalmente pela criação da Petrobras, do Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e do Instituto Brasileiro do Café. Na verdade, considerando a importância
estratégica do petróleo como fonte de energia, a grande obra do segundo governo
Vargas foi a criação da Petrobras, em 3 de outubro de 1953, que se tornou um
símbolo do nacionalismo.
Getúlio Vargas conseguiu manter o apoio da maioria da população e marcou
profundamente a história política do século 20. A Carta-Testamento indica a
natureza dos conflitos políticos em curso na sociedade brasileira: “A campanha
subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados
contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no
Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os
ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através
da Petrobras e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A
Eletrobrás foi obstaculizada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja
livre” (Vargas, 1954). Ou seja, de um lado, o projeto nacional desenvolvimentista, de
outro, o projeto de abertura total da sociedade aos interesses estrangeiros. Esse
conflito expressa o contexto político em que ocorre o suicídio de Getúlio Vargas, em
24 de agosto de 1954; ele se prolonga nos governos seguintes desembocando no
golpe militar de 1964, que representa a derrota do nacional desenvolvimentismo. A
morte do presidente Vargas impôs a convocação de eleições presidenciais, que se
realizaram em 3 de outubro de 1955. A UDN, que comandava as forças
antigetulistas, foi novamente derrotada, agora por Juscelino Kubitschek.
Apesar da oposição civil e militar o governo Juscelino conseguiu combinar o
desenvolvimento econômico com a manutenção das regras da incipiente democracia
brasileira. Sem abandonar o nacional-desenvolvimentismo, estabeleceu uma política
de abertura da economia brasileira para os investimentos estrangeiros, conseguindo
assim reduzir a forte pressão das multinacionais e principalmente do governo
norteamericano. A conjuntura de relativa estabilidade política permitiu a construção
de muitas obras, especialmente a nova capital federal, Brasília. A grande indústria

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automobilística multinacional instalou-se definitivamente no Brasil. JK concluiu seu


mandato em 31 de janeiro de 1961. Finalmente a UDN, com seu discurso de
moralização da política brasileira, tinha chegado ao poder, mas inexplicavelmente
Jânio renunciou em 25 de agosto de 1961, alegando pressão de “forças ocultas”.
Talvez tenha pensado que sua imensa popularidade faria o povo ir às ruas e pedir a
sua volta. Um dos seus atos mais polêmicos foi a condecoração de Che Guevara,
então ministro da Indústria e Comércio de Cuba, inaceitável à postura anticomunista
da UDN.
A renúncia de Jânio Quadros desencadeou nova crise política. Os setores
conservadores e anticomunistas não queriam a posse do vice-presidente João
Goulart (Jango), eleito nas mesmas eleições. A eleição de João Goulart foi possível
em virtude do sistema eleitoral brasileiro que permitia que os cidadãos brasileiros
pudessem escolher pelo voto o presidente e o vice-presidente de chapas diferentes.
Com essa possibilidade Jânio Quadros foi eleito presidente e João Goulart como
vice-presidente, sendo este membro da chapa do marechal Lott.
Os grupos que se posicionaram contra a posse de Jango alegavam que o
vice-presidente daria continuidade à política nacionalista de Getúlio Vargas, que era
duramente combatida por eles. Organizou-se um movimento golpista para impedir a
posse de Jango, que foi obrigado a recuar diante da grande mobilização popular
desencadeada pelo Movimento da Legalidade.
O Movimento da Legalidade, liderado pelo então governador do Rio Grande
do Sul, Leonel Brizola, foi um forte movimento popular de enfrentamento das forças
golpistas que queriam impedir a posse de João Goulart, que se encontrava em
viagem diplomática à China quando da renúncia do presidente Jânio Quadros.
Nesse clima de instabilidade política foi construída uma proposta de conciliação em
que se adotou o parlamentarismo no período de 1961 a 1963.
Assim, foi permitida a posse de Jango à Presidência como chefe de Estado.
Tancredo Neves foi escolhido como primeiro-ministro (chefe do Governo) durante o
regime parlamentarista. Logo foi convocado um plebiscito, que restabeleceu o
presidencialismo no Brasil. Foi então que João Goulart assumiu o país com amplos
poderes de presidente – chefe de Estado e de Governo – começando a anunciar as
Reformas de Base que pretendia implantar no Brasil.

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As Reformas de Base foram anunciadas no grande comício realizado em 13


de março de 1964, que ficou conhecido como o comício da Central do Brasil. Elas
buscavam a realização das mudanças estruturais na sociedade brasileira, sempre
reivindicadas e sempre adiadas. Dentre elas chamam a atenção a reforma agrária,
reforma administrativa, reforma urbana, reforma da educação e reforma do sistema
bancário. Um dos itens mais polêmicos era a revisão da lei da remessa de lucro das
multinacionais para suas matrizes, que estabelecia que parte do lucro deveria
permanecer no país e ser investido no parque industrial brasileiro, atenuando o alto
grau de exploração que as multinacionais estabeleceram no Brasil.
Essa medida contrariou os interesses dos investidores externos, levando os a
apoiar os golpistas que contavam com o apoio logístico dos EUA. Jango também
anunciou a universalização do voto popular e o aumento do salário mínimo para os
trabalhadores. Alguns grupos de conspiradores liderados pelos militares iniciaram a
mobilização contra Jango. Precisavam convencer a maioria dos militares, de tradição
legalista, de que o presidente e seu governo estariam se afastando dos preceitos
constitucionais e por isso as Forças Armadas deveriam intervir no processo político.
Em 31 de março de 1964 as Forças Armadas com apoio de parte da
sociedade civil e dos partidos conservadores, liderados pela UDN, depuseram o
presidente João Goulart e assumiram o controle do Estado, instituindo um regime
militar que se prolongou até 15 de março de 1985, quando o vice-presidente José
Sarney tomou posse em razão da doença do presidente eleito Tancredo Neves.
Muitos líderes políticos reformistas, sindicalistas e de organizações populares foram
presos, torturados, mortos ou exilados, inclusive o presidente Jango, que se exilou
no Uruguai.

2.3.8 Redemocratização do Brasil

Esse termo é utilizado para definir o processo de abertura política e transição


do governo militar para o civil. Assim, é nesse período que o Brasil, pós-ditadura
militar, recupera suas instituições democráticas e põe fim ao regime opressivo que
imperava até então. Este período compreende desde a posse de Ernesto Geisel em
1974 até a eleição de Tancredo Neves e a posse de José Sarney. O general Geisel
já vinha tomando medidas de lentas e progressivas de abertura política, que

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resultam na lei de anistia, responsável por perdoar os presos e perseguidos


politicamente. Por sua vez, os políticos de oposição (ao regime militar) incentivaram
o movimento das Diretas Já, onde visavam conseguir o apoio popular para aprovar a
emenda à Constituição do deputado Dante de Oliveira – que queria promover
eleições diretas para a presidência do pais.
A emenda não foi aprovada, e com isso, restou à oposição disputar as
eleições do colégio eleitoral que elegiam o Presidente da República. Desta vez, os
parlamentares tiveram sucesso. Por conseguinte, Tancredo Neves – candidato da
oposição – conseguiu sua eleição para o cargo máximo deste país. Este, porém, não
assumiu o governo, devido a sua internação hospitalar na véspera da posse. Logo,
como o falecimento de Tancredo, seu vice – José Sarney – assume a presidência do
país, o que encerra o processo de redemocratização nacional.

2.3.9 Novo período, Nova República

Esse período se inicia após o fim do governo militar de João Figueiredo, em


1985. Com a eleição indireta de Tancredo Neves e seu posterior falecimento
assume o poder Jose Sarney – ex-membro da ARENA, e primeiro presidente da
Nova República. Durante seu governo, ocorreram a promulgação da Constituição de
1988 e várias tentativas infrutíferas de controlar a hiperinflação, herança dos
governos anteriores. Após, é eleito Fernando Collor em 1989, com uma campanha
de forte moralização da vida pública – o “caçador de marajás” como era intitulado.
Tenta, também, controlar a inflação – mas não obtém sucesso – e em 1992, sob
fortes acusações de corrupção, sofre um processo de impeachment. Assume, então,
seu vice, Itamar Franco, com o objetivo de completar o mandato de Collor. Em
seguida, com escolhas errôneas, finalmente acha um bom nome para o ministério da
fazenda: Fernando Henrique Cardoso (FHC). É, durante o mandato de Franco, e por
idealização de FHC, que a inflação começa a ser controlada, a partir do plano Real.
Com o êxito do plano Real, FHC consegue a eleição em 1994 e a reeleição
em 1998. Em seguida, no ano de 2003, o Luís Inácio Lula da Silva é eleito por dois
mandatos seguidos, que resultam em programas de assistência a população carente
e na aproximação com países africanos e latino-americanos. Com o apoio de Lula e
do PT, Dilma Rousseff é eleita em 2010 e reeleita em 2014, dando prosseguimento

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as políticas do governo anterior. Contudo, em 2016 sofre um processo de


impeachment por responsabilidade, e quem assume é seu vice Michel Temer. Na
atualidade, e em meio a escândalos de corrupção, é eleito em 2018 o presidente Jair
Bolsonaro, com pretensões de organizar a economia brasileira e promover a justiça
no país.

2.3.10 Constitucionalismo brasileiro

Nossa história constitucional se inicia no ano de 1823, com a designação de


uma assembleia constituinte responsável pela redação da Constituição Imperial. No
entanto, devido aos rumos do texto constitucional (contrários ao ideal do imperador),
o imperador D. Pedro I acaba por dissolver a assembleia constituinte – episódio
conhecido como Noite da Agonia. Após, o imperador nomeia um conselho de Estado
e outorga a Constituição de 1824, claramente aliada ao desejo imperial. Essa
Constituição permanece em vigência por 65 anos – a constituição que mais tempo
vigorou no país. Assim, fica definida a monarquia hereditária e o estado centralizado,
os senadores detêm mandato vitalício, o voto é censitário e há, ainda, a definição do
Poder Moderador. Essas características nos revelam o poder concedido a pessoa do
imperador durante o período imperial.
Com o fim da monarquia e o surgimento da República institui-se uma nova
Constituição para o Brasil. Com revisão de Rui Barbosa e promulgada pelo poder
legislativo, a Lei Maior de 1891 inovou ao aprovar a forma de estado federada e ao
sistema de governo presidencialista. Alterou, também, ao possibilitar o voto direto
para presidente. No entanto, o voto não era universal, apenas homens alfabetizados
e maiores de 21 anos podiam votar - Mulheres e analfabetos não podiam votar, falta
de progresso efetivo no voto popular. Ainda, vigorou durante 39 anos e concebeu a
tripartição dos poderes. Desta forma, foi um importante marco, mas não trouxe
benefícios efetivos a toda a população, ou ao menos, a maior parte dela.
A Revolução de 30 acaba coma chamada republica velha, e com a queda do
modelo oligárquico, a constituição de 1891 deixa de vigorar. Assim, Getúlio Vargas
governa por decretos até 1934, ano de promulgação da nova constituição, impelido
a consolidar uma nova lei básica após a Revolução Constitucionalista de 1932.
Nessa constituição, ficou definido o mandato de quatro anos e sem reeleição para o

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Presidente da República, o voto foi estendido para as mulheres. Vigorou até o golpe
do Estado Novo, ou seja, durante apenas três anos. Em suma, foi uma importante
Constituição para a posterior consolidação democrática, porém, seu curto período de
vigência não conseguiu garantir todos os direitos nela redigidos.
Com o golpe que iniciou o Estado Novo (1937-1945), Getúlio Vargas outorga
uma nova carta magna. Assim, a Constituição de 1937 previa vários plebiscitos para
a organização nacional. No entanto, esses nunca foram postos em prática, dado o
caráter autoritário do governo e do próprio governante. Com a deposição de Vargas
em outubro de 1945, a constituição deixa de vigorar.
Em 1946, com as eleições do ano anterior, é promulgada uma nova
Constituição. O texto, por sua vez, retoma o caráter democrático esquecido durante
o Estado Novo. Logo, manteve a forma federativa e republicana para o governo, a
separação dos poderes, estava garantida: a liberdade de expressão, a liberdade
individual, a segurança, a vida e a propriedade. Vigorou durante 21 anos. Em
síntese, o elemento principal dessa Constituição era assegurar o regime
democrático no Brasil, bem como promover a melhora das condições de vida do
povo brasileiro.
Ao contrário do que ocorreu em 1891 e 1937, o advento da Ditadura militar,
em 1964, não acarretou na revogação imediata da constituição de 1946. Em 1967,
com ares de promulgada – no entanto, outorgada – passa a vigorar a nova carta
magna brasileira, quem após o Ato Institucional n° 4 e uma série de mudanças no
texto base de 1946, o substitui definitivamente. Ademais, essa carta concedeu
maiores poderes ao executivo. Apesar disso, o texto tinha feições democráticas,
como a garantia de liberdades individuais, a inviolabilidade do lar, a manifestação
livre do pensamento e o sigilo de correspondência. Mas, deixava em aberto a
possibilidade de decretação de estado de sítio pelo executivo, mesmo que sem o
aval do legislativo. Após a decretação do Ato Institucional n° 5, ocorrem profundas
mudanças na constituição, principalmente com a emenda constitucional de 1969.
Tão significativa foi a mudança, que alguns juristas a consideram uma nova
constituição. É, assim, que a repressão se torna institucionalizada, e os anos de
chumbo – como ficaram conhecidos, só serão atenuados no final da década de
1970, com a lei de anistia. Este período da história brasileira conta com vários

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atentados contra a democracia, em especial às liberdades políticas e de expressão,


bem como a suspensão do habeas corpus.
Com o fim da Ditadura militar e o processo de redemocratização, é
promulgada a Constituição de 1988. Assim, esse texto legal faz jus ao seu apelido
de “Constituição Cidadã”, já que elencou uma série de garantias individuais, como a
inviolabilidade de direitos e liberdades básicas, a igualdade de gêneros, a proibição
da tortura, a criminalização da prática do racismo. Para além disso, implementou
direitos sociais como o acesso a saúde, a educação e ao transporte. Dessa maneira,
procurou – e ainda procura – trazer e efetivar grandes feitos em prol dos cidadãos
brasileiros. Embora o texto receba críticas quanto ao seu tamanho, essa é, sem
dúvidas, a Constituição que mais se preocupou com o bem-estar social da
população brasileira.

2.3.11 Revolução de 1930

Até o ano de 1930 o brasil era regido pela República Velha, sendo uma
política do ‘’café-com-leite’’, ou seja, São Paulo e Minas Gerais, como eram os
principais produtores do país, eles que tinham o poder das eleições.
Foi realizado em março de 1930 as eleições a presidente da República.
Tendo como vencedor Júlio Prestes, mas não quis assumir o cargo. Então mineiros,
gaúchos e paraibanos, formaram uma Aliança Liberal, aonde colocaram Getúlio
Vargas como oposição. Logo após Washington Luís, acaba fugindo do país, dando
assim o poder de presidente para Getúlio. Com a revolução, a classe operaria teve
reconhecimento e assim começou a se ter direitos sociais para as classes
trabalhadoras no Brasil. Um exemplo é a criação da carta de 1934, aonde foi
permitido o voto secreto e o voto feminino.
Logo em 1934 no segundo mandato de Getúlio Vargas, foi criada a
Constituição de 1934, aonde dava direitos a todas as pessoas e criava uma série de
órgãos, como o Tribunal do Trabalho.
Nos últimos tempos os direitos sociais só vieram aumentando, inclusive, foi
que no período do regime militar, se desenvolveram novos espaços de luta social e
democrática, com a criação do sindicalismo e dos movimentos populares. Também
apareceu os grupos com fortes oposições.

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Hoje em dia se tem um grande crescimento na criação dos direitos sociais,


como mostra a Constituição de 1988 e também os Estatutos, por exemplo, Criança e
Adolescente, Juventude e Idoso. Isto tudo se deve a sociedade civil por trás dos
governantes.

2.3.12 O conflito ideológico

Nos últimos anos, o povo brasileiro está se polarizando em diferentes projetos


sociopolíticos, centro esquerda, de forte cunho social e centro direita, de tendência
liberal. Esta decisão polarizada, é resultado de não ter outras opções. São ideias e
modelos de governos diferentes, principalmente nas ofertas dos planos sociais.
Outro conflito ideológico pode ser definido de outra forma, de um lado, as
grandes empresas globais, lideradas pelo financeiro e as grandes mídias, e no outro
lado sujeito social que se expressam de várias formas, partidárias ou não, e
conseguem influenciar a formação do poder político, conferindo-lhe um caráter
social. O conflito atual é: O indivíduo ou a coletividade, o Estado ou o mercado, o
cidadão ou o consumidor.

2.3.13 Reformas de Base

Com uma sociedade bem dividida ideologicamente e bem desigual, a luta


pela sociedade brasileira mais democrática e igualitária, apenas tende a aumentar.
Em 1964 teve as Reformas de Base, que justamente buscava diminuir esse conflito
entre a esquerda e a direita brasileira, e dar uma maior qualidade de vida ao povo
brasileiro. Pode-se dizer que as ideias que se tiveram, foram baseadas em ideias
socialistas, mesmo sem mudar a política do país. Assim tendo grandes mudanças
nos setores econômicos, agrários, fiscal e eleitoral. Também dando subsídios para
os pobres e as pessoas mais humildes, condições para poder ter acesso à
educação, saúde e trabalho. Uns exemplos de mudanças foi a legalização do
Partido Comunista do brasil, voto aos analfabetos, aumentar a arrecadação do
Estado, valorização do ensino público, entre outros.

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2.3.14 A Constituição democrática de 1988

Surgida a pedidos do povo, após 21 anos da ditadura militar, a constituição


veio justamente para remover qualquer traço da ditadura e instaurar uma
democracia.
Foi criada uma Assembleia Constituinte livre e soberana, com o objetivo de
criar uma nova constituição, teve mais 72 mil propostas para a nova constituição.
Grande parte foi feita em base das reivindicações populares, fazendo ficar efetivo os
direitos dos civis, políticos e sociais. Também parte das reformas de base foram
adotadas como os monopólios estatais na economia, o voto dos analfabetos, e a
função social da propriedade, igualdade de gênero, criminalização do racismo,
trabalho, saúde e educação para todos e a proibição total a tortura.

2.3.15 A democracia e as demandas sociais

Existe um grande déficit democrático que impede a evolução da nossa


sociedade, nos mesmos alimentamos com nossas próprias desigualdades e
preconceitos, vistos como ‘’normal’’ hoje em dia. Na verdade, buscamos, uma
sociedade justa e mais democrática. Mas só é possível atingir uma sociedade mais
democrática através de movimentos populares, pois é nos movimentos populares
que se consolidam a democracia e o sujeito político.
Por isso é essencial ter um debate sobre a reforma do Estado, que
basicamente precisa se debates sobre as virtudes do mesmo, questões como o
federalismo e as formas de governo. Também deve ser debatido o conceito do
cidadão, do poder dele e de suas obrigações sempre visando o espaço inserido.
Com as demandas sociais que existem, a dúvida é, se o estado vai ter
capacidade de suprir essas demandas? E vão conseguir agradar a maioria? Ou é
possível suprir essas demandas sociais investindo em espaços públicos não estatais
(sociedade civil)?
O debate sobre a reforma política e o estado está em curso, o objetivo é
transformar essas ideias, essas demandas sociais, em políticas efetivas e que
funcionam para todos. Os movimentos e instituições justamente servem para
fortalecer essas demandas, em paralelo buscando políticas para supri-las.
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3 CONCLUSÃO

Pelo estudo realizado percebe-se que o processo de organização social e


política da sociedade brasileira, desde a Independência, momento que marca o
início do Estado Nacional brasileiro, esteve ligado esteve ligado a forças sociais
conservadoras, voltadas à agroexportação e ao trabalho escravo, tal fato, impõem
uma forma de Estado oligárquico, ou seja, elitista e autoritário.
Mesmo que nesse período forças sociais progressistas tivessem tentado
tentaram incorporar ao processo político, portanto ao estado, as classes populares,
foi somente a partir da revolução de 1930 (governo de Getúlio Vargas) que a classe
operária teve reconhecimento e assim começou a ter direitos sociais, passando,
então efetivamente a ser parte do Estado.
Esse reconhecimento de sujeitos de direitos sociais se deu por meio da
instituição da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Mesmo que o Regime Militar, que perdurou de 1964 a 1985 tenha
interrompido as tentativas de criação do processo de construção de um Estado
democrático, a constituição de 1988, em grande parte levou em conta as
reivindicações populares, tronando efetivo os direitos dos civis, políticos e sociais.
Também parte das reformas de base foram adotadas como os monopólios estatais
na economia, o voto dos analfabetos, e a função social da propriedade, igualdade de
gênero, criminalização do racismo, trabalho, saúde e educação para todos e a
proibição total a tortura.
Por mais que se perceba um processo de fortalecimento das instituições
democráticas e da ampliação dos direitos sociais, forças que impediram o
desenvolvimento do Estado democrático e social ao longo da história, no entanto,
continuam presentes no cenário político brasileiro.
Portanto é preciso entender que uma sociedade mais democrática somente
se constrói através de movimentos populares, pois é neles que se consolida a
democracia e o sujeito político.

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4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Disponível em: <https://www12.senado.leg.br/radio/1/reportagem-especial/historia-
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CYSNE, Diogo. “Constituição de 1988”; InfoEscola. Disponível em:
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