Você está na página 1de 6

FILHO REIS, Daniel Aarão. O mundo socialista: expansão e apogeu.

In:
FILHO REIS, Daniel Aarão; FERREIRA, Jorge; ZENHA, Celeste. (Org.).
O Século XX: o tempo das dúvidas – do declínio das utopias às
globalizações. V. 3. 2ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002. p.
13-41.

- A PAX AMERICANA E O DESENCADEAMENTO DA GUERRA


FRIA (1945-1949) (p. 13-21):

- Um dos fenômenos mais importante e polêmicos da história


contemporânea;
- Confronto ideológico, luta pelo poder entre duas superpotências mundiais
pela dominação mundial;
- Conflito multifacetado, explicado a luz das transformações que marcaram
o século XX;
- A Revolução Russa de 1917 estabeleceu um corpo estranho no interior do
sistema internacional. A Guerra Civil Russa (1918-1921) tentou expurga-lo,
o que constantemente ocorreu posteriormente a isso, inclusive na segunda
guerra;
- Após o fim da segunda guerra, a URSS que prestou auxilio no conflito
para ajudar na derrubada no regime nazista alemão e frear a expansão do
III Reich, teve de ser incorporada como um polo de poder e força no
sistema internacional, mesmo com suas diferenças em antagonismos em
relação aos países centrais capitalistas;
- Em 1945 os EUA detinham vantagens nunca antes obtidas por outra
potência, tanto no plano político, quanto militar: possuía bases aéreas e
navais, exércitos em todos os continentes, dominava os mares, tinha a
bomba atômica e uma força aérea estratégica, capaz de atingir todos os
lugares do globo. Além disso por meio da Conferência de Bretton Woods
(1944) impôs o dólar como moeda padrão para transações comerciais entre
os países capitalistas, criou o FMI e o Banco Mundial. Criou ainda a ONU,
como um instrumento jurídico, político e ideológico do internacionalismo,
necessário a construção de um sistema mundial calcado no livre fluxo de
mercadorias e capitais. Se estabeleceu assim como um outro polo de poder
e força no sistema internacional;
- “As origens imediatas da Guerra Fria encontram-se, em grande parte, nas
divergências entre os aliados ocidentais e os soviéticos acerca da ordem
pós-guerra.” (p. 14);

- Conferências:

1 – Yalta (fevereiro de 1945): reuniu Churchill, Roosvelt e Stalin,


promovendo um acordo de que os países limítrofes (Europa Oriental) a
URSS, não deveriam promover governo antissoviéticos.
2 – Potsdam (julho-agosto de 1945): com a presença de Truman, no geral
referendou as decisões de Yalta. No entanto, naquele momento a URSS
passava a representar para o bloco anglo-saxão, uma ameaça.

- Nesse momento as bombas atômicas foram lançadas sobre o Japão, em


uma clara demonstração de força dos EUA para a URSS, os movimentos de
libertação nacional que explodiam na China, Coreia e sudeste asiático, e
também para a esquerda europeia e os nascentes movimentos de
descolonização na África;
- Os EUA eram os senhores da Nova Ordem mundial naquele momento. “A
Pax Americana caracterizou-se, nesse sentido, e por longo tempo, como o
monopólio dos EUA em termos de decisões estratégicas.” (p. 15);
- Os EUA passaram a endurecer as atitudes com a URSS, na tentativa de
enfraquece-la;
- Cortina de Ferro descera sobre metade da Europa;
- Dificuldades econômicas de reconstrução da URSS e políticas de
controle, em países como a Polônia, Iugoslávia e Tchecoslováquia;
- Dificuldades financeiras da Europa Ocidental, que havia sofrido com a
guerra e vinha importando vários gêneros dos EUA até o fim de suas
reservas monetárias;
- Em 1947, na tentativa de construir um mercado europeu rentável as
finanças e ao comercio privados dos EUA, além de livre da influência
soviética, os norte-americanos lançaram a Doutrina Truman e o Plano
Marshall;
- Doutrina Truman: defendia o auxílio os EUA aos povos livres que
fossem ameaçados pela agressão totalitária. Ajuda a Grécia e a Turquia.
Estabeleceu uma cruzada do “mundo livre” contra seu inimigo, o
comunismo;
- Plano Marshall: concedia empréstimo a juros baixos aos governos
europeus, para que adquirissem mercadorias dos EUA. O plano
privilegiava o lado ocidental da Europa em detrimento do lado Oriental sob
influência da URSS, aprofundando assim a divisão e resistência a
hegemonia norte-americana;
- “A Doutrina Truman e o Plano Marshall materializaram a partilha da
Europa, lançando as bases para a formação dos blocos político-militares.”
(p. 18)
- Anticomunismo: “A “ameaça soviética” e a “defesa do mundo livre”
constituíram esses mitos mobilizadores e legitimadores da nascente Guerra
Fria.” (p. 18);
- O tensionamento ficara cada vez maior, com a recusa soviética a aderir ao
Plano Marshall e a constante interferência americana para derrubar as
influências comunistas em países da Europa ocidental;
- Houve então a criação da CIA e do Kominform, agências norte-
americanas e soviéticas respectivamente, que atuaram em ações de
clandestinas e de inteligências, a fim de expandir ou conter as ideologias e
influências inimigas;
- Os países ocidentais tentavam criar uma Berlim modelo, como forma de
contrapor os problemas do mundo comunista, simbolicamente
representados pela Berlim Oriental, sob administração soviética. A URSS
então resolve fazer um bloqueio a cidade, causando a chamada Crise de
Berlim;
- Os EUA utilizaram-se do episódio em Berlim e do Golpe de Praga, como
instrumentos de propaganda antissoviética, perante a opinião pública
ocidental, o que gerou um grande contingente oposicionista ao comunismo
e a URSS, por países da Escandinávia e pela esquerda-liberal europeia;
- A URSS reagiu e estreitou o controle político-econômico sobre a região
de sua área de influência, com o objetivo de garantir a defesa da URSS. No
plano interno foi iniciado um programa atômico de desenvolvimento da
bom nuclear, na aviação de caça, na ampliação do poder militar terrestre do
país;
- Em 1949 a guerra fria se intensificou, e a URSS em resposta ao Plano
Marshall, lançou a COMECON, integrando os planos de desenvolvimento
e lançando base para um mercado comum dos países socialistas;
- Houve por parte dos EUA e seus aliados a criação da OTAN. A URSS pôs
fim ao bloqueio à Berlim, criando-se a República Federal Alemã, sob
influência ocidental e norte-americana e a República Popular Democrática
Alemã, de influência e administração soviética e comunista;
- “Ao manipular a idéia de uma ameaça externa, Washington obtinha a
unidade do mundo capitalista e orientava-a contra a URSS e os
movimentos de esquerda e nacionalistas, tanto metropolitanos como
coloniais, emergidos da Segunda Guerra Mundial.” (p. 20);
- “A Guerra Fria representava tanto um conflito quanto um sistema.
Finalmente, a permanente tensão permitia a hegemonia inconteste da
formidável máquina militar americana, em pleno tempo de paz. A Guerra
Fria constituiu-se, assim, numa verdadeira Pax Americana.” (p. 21).

- DOS CONFLITOS À COEXISTÊNCIA PACÍFICA: A GUERRA


FRIA NA PERIFERIA (1950-1962) (p. 21-27):

- “A partir da divisão da Alemanha, a situação se altera e o eixo da Guerra


Fria se desloca em direção à periferia terceiro-mundista contígua às duas
superpotências.” (p. 21);
- Em 1949 é proclamada a República Popular da China, transformando o
país em comunista;
- Nos EUA surge o macarthismo e a perseguição ideológica maniqueísta;
- Inicia-se também a Guerra da Coréia, ponto de inflexão da Guerra Fria e
que simboliza de vez a divisão do mundo em dois polos de poder e
espectros ideológicos;
- A descolonização também teria reflexos na Guerra Fria;
- Conferência de Bandung (1955): os países africanos e asiáticos reunidos
ali, passaram a defender a emancipação total dos territórios ainda
dependentes, repudiando a Guerra Fria e seus pactos de defesa coletiva
patrocinado pelas grandes potências;
- Em 1961 se reuniram em Belgrado, na Iugoslávia, a I Conferência dos
Países Não-Alinhados, na qual convergiram a política de Tito, na busca de
uma Terceira Via nas relações internacionais, representada pelo neutralismo
e o afro-asiatismo de Bandung;
- O desengajamento militar terrestre após a Guerra da Coréia; a emergência
do Terceiro Mundo nas relações internacionais, a consolidação e a
transformação no campo socialista e a obtenção de um relativo equilíbrio
no campo nuclear, bem como a recuperação econômica da Europa e Japão,
contribuíram para o estabelecimento de uma conjuntura de “Coexistência
Pacífica” a partir dos anos 1950;
- Integração europeia em 1957, com a criação da Comunidade Economica
Europeia. Houve na Europa Ocidental, uma elevação do padrão de
consumo, com a expansão deste. Tal modelo reforça o modelo capitalista
norte-americano, reduzia a democracia aos ritos eleitorais, diminuindo a
participação política, além de aprofundar as desigualdades entre as
economias do centro e da periferia, em proveito dos países
superdesenvolvidos;
- “O estabelecimento da coexistência pacífica e, posteriormente, o impacto
da desestalinização produziram um relaxamento das relações entre as
superpotências no Hemisfério Norte.” (p. 24);
- Em 1955 houve a criação do Pacto de Varsóvia, reunido URSS, Polônia,
Hungria, Romênia, Bulgária, Tchecoslováquia e Alemanha Oriental, com
objetivo de contrapor a OTAN e defender os territórios sob influência
comunista;
- A partir dos anos 1950, a URSS passa a desenvolver uma política de
âmbito mundial, recuperando seu crescimento, atingindo o equilíbrio
nuclear com os EUA ao desenvolver as bombas atômicas, e ultrapassando o
colosso capitalista na corrida espacial, ao lançar o primeiro satélite
artificial (o Sputnik) em 1957 e colocar o primeiro homem em órbita (Yuri
Gagarin). Iniciou programas de ajuda econômica ao terceiro mundo;
- “A URSS percebia-se como potência e, nos marcos da coexistência
pacífica, propunha-se a ultrapassar economicamente os EUA em pouco
tempo.” (p. 24);
- Em 1959 a revolução Cubana aumenta a tensão na América Latina,
levando o espectro da Guerra Fria ao continente, que era visto pelos EUA
como alinhado natural no grande condomínio do poder mundial;
- Em 1961 Kennedy assume a presidência norte-americana, momento em
que ocorre o episódio da invasão da Baía dos Porcos;
- Nesse mesmo ano há o início da construção do Muro de Berlim, que
marcaria de vez a divisão não só das duas cidades, da Alemanha e da
Europa, mas do mundo, em dois polos ideológicos de poder;
- Baixo investimento norte-americano na América Latina e a forma do país
lidar com a revolução cubana, inverteu a lógica dos países do continente
em apoiar os EUA, ameaçando assim sua hegemonia nos vizinhos do sul;
- Crise dos mísseis em 1962;
- “Os EUA recuperaram a iniciativa, ampliando o efetivo americano no
Vietnã, aumentando o orçamento de defesa e os contingentes da OTAN,
bem como criando um frota de porta-aviões nucleares.” (p. 26);
- Assinatura do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, que institucionalizou
a primazia das superpotências em detrimento das médias e emergentes;
- “(...) a Guerra Fria e a coexistência pacífica representavam mais um
problema de ênfase quanto ao antagonismo entre conflito ou negociação,
centro ou periferia e ação ou pressão, do que uma alteração qualitativa da
natureza do conflito. Além disso, faz-se necessário salientar que os
conflitos no Terceiro Mundo, nesta fase, como nas seguintes, não eram
criados por Moscou e Washington, mas manipulados e enquadrados no
grande jogo estratégico.” (p. 27);
- Vantagem norte-americana na corrida armamentista.

- A DÉTENTE E O EQUILÍBRIO ESTRATÉGICO: A GUERRA


FRIA MUNDIAL (1962-1979) (p. 27-35):

- O FIM DA DÉTENTE E A SEGUNDA GUERRA FRIA (1979-1985)


(p. 35-41):