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Aula 04

Direito Empresarial p/ Procurador da Fazenda Nacional (PGFN) -2015

Professor: Gabriel Rabelo


Direito Empresarial para PGFN
Teoria e exercícios comentados
Prof. Gabriel Rabelo Aula 04

AULA 04. 5 FALÊNCIA. RECUPERAÇÃO JUDICIAL E EXTRAJUDICIAL.


INTERVENÇÃO E LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL.

SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO ............................................................................................................................. 2
FALÊNCIA E RECUPERAÇÃO JUDICIAL ............................................................................................... 2
NOÇÕES GERAIS ............................................................................................................................ 2
DIFERENÇA ENTRE A COBRANÇA CONCURSAL DO DEVEDOR EMPRESÁRIO E DO DEVEDOR CIVIL ............ 3
DIFERENÇA BÁSICA ENTRE A FALÊNCIA E A RECUPERAÇÃO JUDICIAL .................................................. 4
PRINCÍPIOS DA FALÊNCIA ............................................................................................................... 4
PROCESSO DA FALÊNCIA EM SI ....................................................................................................... 5
PRIMEIRO PRESSUPOSTO - DEVEDOR EMPRESÁRIO ........................................................................... 6
LOCAL PARA AJUIZAMENTO DO PEDIDO DE FALÊNCIA ........................................................................ 8
DO JUÍZO UNIVERSAL DA FALÊNCIA ................................................................................................. 9
SEGUNDO PRESSUPOSTO - INSOLVÊNCIA ....................................................................................... 10
IMPONTUALIDADE INJUSTIFICADA ................................................................................................. 11
EXECUÇÃO FRUSTRADA ................................................................................................................ 13
ATOS DE FALÊNCIA ...................................................................................................................... 13
PEDIDO DE FALÊNCIA ................................................................................................................... 14
TERCEIRO PRESSUPOSTO – SENTENÇA DECLARATÓRIA DA FALÊNCIA ................................................ 15
TERMO LEGAL DA FALÊNCIA .......................................................................................................... 17
DECRETAÇÃO DA FALÊNCIA DE CONCESSIONÁRIAS DE SERVIÇOS PÚBLICOS ..................................... 18
SUSPENSÃO DAS AÇÕES ............................................................................................................... 18
RESTRIÇÕES PESSOAIS AO FALIDO ................................................................................................ 19
ADMINISTRAÇÃO DA FALÊNCIA ...................................................................................................... 19
ATUAÇÃO DO JUIZ ........................................................................................................................ 20
ATUAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO ............................................................................................... 20
ÓRGÃOS DA FALÊNCIA .................................................................................................................. 21
ADMINISTRADOR JUDICIAL ........................................................................................................... 21
ASSEMBLÉIA GERAL DE CREDORES ................................................................................................ 26
COMITÊ DE CREDORES ................................................................................................................. 28
EFEITOS DA SENTENÇA QUE DECRETA A FALÊNCIA .......................................................................... 30
APURAÇÃO DO ATIVO DO DEVEDOR ............................................................................................... 31
A RESTITUIÇÃO DE BENS DE TERCEIROS ........................................................................................ 32
VERIFICAÇÃO E HABILITAÇÃO DOS CRÉDITOS ................................................................................ 33
LIQUIDAÇÃO DO PROCESSO FALIMENTAR ....................................................................................... 36
PAGAMENTOS DAS DÍVIDAS .......................................................................................................... 38
ENCERRAMENTO DA FALÊNCIA ....................................................................................................... 39
RECUPERAÇÃO JUDICIAL ............................................................................................................... 41
SUJEITO ATIVO DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL ................................................................................... 41
MEIOS DE SE RECUPERAR A EMPRESA ............................................................................................ 42
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FORO PARA PEDIR A RECUPERAÇÃO JUDICIAL ................................................................................. 43


DO PEDIDO E PROCESSAMENTO DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL ........................................................... 44
PLANO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL................................................................................................ 46
FASE DELIBERATIVA DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL ............................................................................ 48
A RECUPERAÇÃO JUDICIAL EM SI ................................................................................................... 49
CONVOLAÇÃO DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL EM FALÊNCIA ................................................................. 52
RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL ...................................................................................................... 54
HOMOLOGAÇÃO DO PLANO DE RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL ......................................................... 55
CRIMES FALIMENTARES ................................................................................................................ 57
PRESCRIÇÃO DOS CRIMES FALIMENTARES ...................................................................................... 60
QUESTÕES COMENTADAS .............................................................................................................. 61
QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA ........................................................................................... 79
GABARITO DAS QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA .................................................................... 83

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APRESENTAÇÃO

Olá, meus amigos. Como estão?!

Obrigado por estarem aqui, em mais um encontro. Sei que para muitos não é o
encontro dos sonhos, mas, convenhamos, não deixa de ser um. Afinal, se não
estou tomando mais tempo de vocês do que os seus entes queridos, tem algo
errado!

Espero, de coração, que tenham gostado das aulas precedentes.

Hoje, vamos versar sobre o direito falimentar.

Deixamos nosso e-mail:

gabrielrabelo@estrategiaconcursos.com.br

Quaisquer dúvidas, por favor, enviem, estamos à disposição.

Forte abraço!

Gabriel Rabelo

FALÊNCIA E RECUPERAÇÃO JUDICIAL

Faremos um passeio pelos aspectos históricos, bem como pela legislação que
rege, arrematando com as questões comentadas.

NOÇÕES GERAIS

Como é sabido, dificilmente consegue na prática viver o empresário sem que se


utilize das compras e vendas a prazo.24678074520

Honrar as dívidas no vencimento indica que a empresa possui o que Rubens


Requião chama de “normalidade econômica”. Não honrar com as obrigações
pode ter um efeito não muito desejado para o empresário, como, por exemplo,
a cobrança por execução judicial.

Com efeito, a regra é a execução singular por partes dos credores. O credor X
tem um valor a receber, entra em juízo para saldá-lo. O credor Y tem um valor
a receber, entra em juízo para liquidá-lo. Todavia, quando essas dívidas tomam
proporções épicas, superando o total de bens, a execução individual não atende
critérios de isonomia, pois a propositura antecipada da ação é que garantiria a
satisfação do crédito e não a importância do crédito. Assim, a falência existe
justamente para que se evite esse tipo de prejuízo.

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Agravando-se, quando a crise começa a tomar efeitos mais vultosos, atingindo


uma quantidade maior de credores, há que se perquirir se o empresário não foi
à bancarrota, sujeitando-se à decretação da falência.

A falência, a um só tempo, é instrumento que garante:

- Igualdade entre os credores (princípio da par conditio creditorum);


- Exclusão do mercado de empresários com insucesso;
- Mecanismo de controle da economia.

Em tempos remotos, mais especificamente, à época da Lei das XII Tábuas, a


quantia confessada ou julgada deveria ser paga em trinta dias. Acabando-se o
prazo, aplicava-se a tomada da pessoa e dos bens do devedor, levando-o ao
magistrado. Persistindo a dívida, o devedor ficava preso. No caso de um
terceiro ou o próprio devedor não aniquilar a obrigação as conseqüências
podiam ser a escravidão, morte ou esquartejamento. Observe-se que a garantia
era, literalmente, pessoal.

Somente na Idade Contemporânea é que o direito passou a discernir


adequadamente a figura do devedor da do criminoso, ganhando a falência um
aspecto patrimonial.

No Brasil, a legislação falimentar tem início no período colonial, ganhando uma


parte específica no Código Comercial de 1.850, chamada “das quebras”.

O direito foi se aperfeiçoando até chegarmos à Lei 11.101/2005, que, embora


apresente falhas, é a que vige no regime jurídico pátrio.

O importante aqui, para concursos, é que se note que a falência, ao longo da


história, deixou de ser um instituto forjado para consagrar a desonra dos
devedores, para ser um aparelho de satisfação das dívidas e obrigações que o
empresário toma no curso de suas atividades.
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DIFERENÇA ENTRE A COBRANÇA CONCURSAL DO DEVEDOR


EMPRESÁRIO E DO DEVEDOR CIVIL

A falência é instituto que se aplica basicamente ao empresário e sociedade


empresária (vide artigo 1º abaixo). Para os devedores civis, resta o chamado
concurso de credores, regido pelo Direito Civil.

E qual a vantagem da cobrança do rito empresarial sobre o concurso de


credores, do âmbito civil? Fábio Ulhoa cita basicamente duas:

- Possibilidade de a empresa se recuperar;


- Extinção das obrigações do falido mesmo que as dívidas não sejam totalmente
quitadas (será visto adiante).

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Assim, indubitável que o regime falimentar tem um aspecto diferenciado.

DIFERENÇA BÁSICA ENTRE A FALÊNCIA E A RECUPERAÇÃO JUDICIAL

A lei 11.101/2005 dispõe que:

Art. 1o Esta Lei disciplina a recuperação judicial, a recuperação extrajudicial e a


falência do empresário e da sociedade empresária, doravante referidos
simplesmente como devedor.

Com efeito, o primeiro aspecto que devemos saber para concursos é distinguir a
figura da recuperação judicial da figura da falência. Sobre a recuperação
extrajudicial, deixaremos para o momento oportuno.

Vários aspectos são comuns à falência e à recuperação judicial. Entrementes, o


que por ora merece destaque é o de que a falência se aplica nos casos em que
a crise do empresário é tão profunda que não restam alternativas que não a
extinção do negócio. Ao revés, a recuperação judicial é capaz de propiciar o
saneamento da atividade.

FALÊNCIA  ENSEJA O FIM DA ATIVIDADE.


RECUPERAÇÃO JUDICIAL  PODE OCASIONAR A RECUPERAÇÃO DO
EMPRESÁRIO.

Na recuperação, o que se quer evitar é justamente a decretação da falência do


devedor.

Ademais, segundo a própria Lei de Falências e Recuperação Judicial (doravante


chamada de LRE – Lei de recuperação de empresas):

Art. 64. Durante o procedimento de recuperação judicial, o devedor ou seus


administradores serão mantidos na condução da atividade empresarial, sob
fiscalização do Comitê, se houver, e do administrador judicial, (...).
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Já na falência:

Art. 103. Desde a decretação da falência ou do seqüestro, o devedor perde o


direito de administrar os seus bens ou deles dispor.

Destarte, na recuperação judicial, mantém-se o devedor no comando das


atividades. Contudo, na decretação da falência o que se tem é a indisposição
dos bens por parte do falido.

PRINCÍPIOS DA FALÊNCIA

Os princípios geralmente atrelados ao processo falimentar são:

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- PAR CONDITIO CREDITORUM: pelo qual todos os credores devem ter


igualdade de condições para receber seus créditos.

- VINCULAÇÃO PATRIMONIAL: segundo o qual todos os bens e direitos do


devedor ficam afetados para que haja o efetivo pagamento dos credores.

- MAXIMIZAÇÃO DOS ATIVOS E PRESERVAÇÃO DA EMPRESA: os ativos


devem ser alienados de maneira ótima, a fim de que se atinja o maior
montante para a satisfação dos créditos e, também, da forma que propiciem ao
máximo o aproveitamento dos fatores de produção para a produção de riqueza
para a economia, preservando postos de trabalho, recolhimento de tributos,
etc. Ambos estão insculpidos no artigo 75 da LRE:

Art. 75. A falência, ao promover o afastamento do devedor de suas atividades,


visa a preservar e otimizar a utilização produtiva dos bens, ativos e recursos
produtivos, inclusive os intangíveis, da empresa.

- VIABILIDADE ECONÔMICA DA EMPRESA: o princípio da preservação da


empresa propõe que os ativos devem ter o máximo possível de solução de
continuidade. Contudo, deve-se coadunar, ponderar, este princípio com o da
viabilidade econômica da empresa. Se a crise é irremediável, resta
impossível que se recupere a empresa pela recuperação judicial, por exemplo.

- CELERIDADE E ECONOMIA PROCESSUAL: Tratado no artigo 75, parágrafo


único da LRE:

Art. 75. Parágrafo único. O processo de falência atenderá aos princípios da


celeridade e da economia processual.

Existem alguns outros princípios de aspecto processual (como universalidade do


juízo falimentar, publicidade, entre outros).

PROCESSO DA FALÊNCIA EM SI 24678074520

Começaremos a falar agora sobre o processo falimentar propriamente dito. A


doutrina aponta três pressupostos básicos para a instauração da execução
concursal falimentar, quais sejam:

1) Devedor empresário;
2) Insolvência;
3) Sentença declaratória da falência.

Esse processo é o que a doutrina chama de processo pré-falimentar, e tem


início com a petição inicial da falência se estendendo até a decretação da
falência por sentença. Estudemo-los amiúde.

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PRIMEIRO PRESSUPOSTO - DEVEDOR EMPRESÁRIO

Dissemos que a falência se aplica ao empresário individual e à sociedade


empresária.

Lembre-se do conceito de empresário já tratado quando do estudo do artigo


966, a saber:

Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade


econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.

A própria Lei de Recuperação de Empresas propõe:

Art. 1o Esta Lei disciplina a recuperação judicial, a recuperação extrajudicial e a


falência do empresário e da sociedade empresária, doravante referidos
simplesmente como devedor.

As sociedades simples, os profissionais liberais, as sociedades de advogados, as


cooperativas, portanto, não se sujeitam aos efeitos da Lei 11.101/2005.

Ressalte-se, também, que alguns empresários, embora atendam a todos os


requisitos para a classificação como tal, estão excluídos, total ou parcialmente
das aplicações da Lei 11.101/2005, aplicando-se a legislação específica:

Art. 2o Esta Lei não se aplica a:

I – empresa pública e sociedade de economia mista;


II – instituição financeira pública ou privada, cooperativa de crédito, consórcio,
entidade de previdência complementar, sociedade operadora de plano de
assistência à saúde, sociedade seguradora, sociedade de capitalização e outras
entidades legalmente equiparadas às anteriores.

Este assunto é cobrado de modo constante. Vejamos esta assertiva, elaborada


pela Fundação Carlos Chagas:
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(Procurado do Estado/PGE/PA/2009) A Lei falimentar, a despeito de


controvérsia doutrinária, claramente estabelece que apenas as sociedades de
economia mista que exercem atividade econômica estão sujeitas ao processo
falimentar.

O item está errado. A lei de falências dispõe que as empresas públicas e


sociedades de economia mista não estão sujeitas à falência, sejam elas
exploradoras de atividade econômica, sejam prestadoras de serviço público.

Mas, devemos nos perguntar, também, quem poderá postular o pedido de


falência do devedor (PÓLO PASSIVO). Quem será o SUJEITO (PÓLO) ATIVO
desta demanda?!

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A resposta se encontra no artigo 97 da LRE, cuja redação transcrevemos:

Art. 97. Podem requerer a falência do devedor:

I – o próprio devedor, na forma do disposto nos arts. 105 a 107 desta Lei;
II – o cônjuge sobrevivente, qualquer herdeiro do devedor ou o inventariante;
III – o cotista ou o acionista do devedor na forma da lei ou do ato constitutivo
da sociedade;
IV – qualquer credor.

Assim, grave-se:

Pólo passivo na falência Empresário ou sociedade empresária


Próprio devedor (autofalência)
Cônjuge sobrevivente, herdeiro
Pólo ativo na falência
Quotista ou acionista
Qualquer credor

Vamos lá! Analisemos o pólo ativo da demanda.

A primeira hipótese (LRE, art. 97, I) é o requerimento da falência pelo próprio


devedor, caso em que teremos a AUTOFALÊNCIA.

A autofalência está disciplinada nos artigos 105, 106 e 107 da LRE.

O artigo 105 dispõe que:

Art. 105. O devedor em crise econômico-financeira que julgue não


atender aos requisitos para pleitear sua recuperação judicial deverá
requerer ao juízo sua falência, expondo as razões da impossibilidade de
prosseguimento da atividade empresarial, acompanhadas dos seguintes
documentos: 24678074520

I – demonstrações contábeis referentes aos 3 (três) últimos exercícios sociais e


as levantadas especialmente para instruir o pedido, confeccionadas com estrita
observância da legislação societária aplicável e compostas obrigatoriamente de:

a) balanço patrimonial;
b) demonstração de resultados acumulados;
c) demonstração do resultado desde o último exercício social;
d) relatório do fluxo de caixa;

II – relação nominal dos credores, indicando endereço, importância, natureza e


classificação dos respectivos créditos;

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III – relação dos bens e direitos que compõem o ativo, com a respectiva
estimativa de valor e documentos comprobatórios de propriedade;
IV – prova da condição de empresário, contrato social ou estatuto em vigor ou,
se não houver, a indicação de todos os sócios, seus endereços e a relação de
seus bens pessoais;
V – os livros obrigatórios e documentos contábeis que lhe forem exigidos por
lei;
VI – relação de seus administradores nos últimos 5 (cinco) anos, com os
respectivos endereços, suas funções e participação societária.

Note-se que a lei impõe ao devedor que, ao constatar a impossibilidade total de


continuidade das atividades, faça o requerimento da falência.

Contudo, este instituto é de pouquíssima utilização, já que a medição de


quando a atividade está bem ou mal é atividade que requer grande dose de
subjetivismo.

A segunda hipótese é o pedido de falência por cônjuge sobrevivente, qualquer


herdeiro do devedor ou inventariante (LRE, art. 97, II). Esta hipótese se aplica
ao empresário individual, que, vindo a falecer, deixa herdeiros. Esses herdeiros,
então, ao perceberem que não mais é possível a continuidade do empresariado,
requerem a decretação da falência.

Outra hipótese de pedido de falência é aquele feito por acionista ou quotista de


sociedade, provando-se a condição de membro da sociedade.

Por fim, a grande massa dos pedidos falimentares são aqueles postulados por
credor.

Vejam que o artigo 97, IV, fala em qualquer credor. Isto significa dizer que
pode ser empresário ou não empresário. Sendo empresário, há uma condição
para o pedido de quebra, qual seja o credor empresário apresentará certidão do
Registro Público de Empresas que comprove a REGULARIDADE de suas
atividades (LRE, art. 97, §1º). 24678074520

Assim, o credor empresário deve ser regular. Não sendo empresário, não vale
este tipo de exigência.

O pedido de falência quando feito por um credor deve estar acompanhado do


título executivo. Se o pedido for aforado por causa da impontualidade do
devedor em pagar, deverá estar vencido. Ao revés, se o pedido de falência se
basear nos denominados atos de falência (LRE, art. 94, III), não se faz
necessário o vencimento do título, isto por que o título executivo apenas
provará que o credor possui realmente o direito ao pedido de quebra.

LOCAL PARA AJUIZAMENTO DO PEDIDO DE FALÊNCIA

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Visto quem é o pólo ativo e passivo do processo falimentar, sabemos que deve
existir um ajuizamento desta ação. E onde se passa o processo falimentar? Um
contribuinte que tenha filiais por todo o Brasil, pode ser demandado em
qualquer destas comarcas?!

Segundo a LRE:

Art. 3o É competente para homologar o plano de recuperação extrajudicial,


deferir a recuperação judicial ou decretar a falência o juízo do local do
principal estabelecimento do devedor ou da filial de empresa que tenha
sede fora do Brasil.

Portanto, vejam, amigos, que o foro competente é do LOCAL DO PRINCIPAL


ESTABELECIMENTO do devedor. E não se confunda a expressão local do
principal estabelecimento com a constituição jurídica destes estabelecimentos, a
saber, matriz e filial.

O que a lei pretende dizer é que o juízo competente é aquele em que se possua
o MAIOR VOLUME DE RECURSOS. Não se trata necessariamente da matriz,
repito. A lógica é a de que o local onde o volume de transações for maior será
aquele em que haverá maior vulto de bens e direitos para satisfação dos
credores.

E isso já foi cobrado? Decerto que sim:

(FGV/Agente Fiscal de Rendas/RJ/2008) O juízo competente para decretação da


falência é o do local em que se situa a sede do devedor, ou da filial de empresa
que tenha sede fora do Brasil.

Está incorreto. O escorreito é o juízo onde esteja o principal estabelecimento. O


principal estabelecimento é aquele em que está concentrado o maior volume
das operações empresariais. O que importa é o ponto de vista econômico, e não
o jurídico. Assim, não necessariamente será o local da sede.
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Se for sociedade estrangeira, vale a mesma regra, deve-se buscar a filial


economicamente mais importante.

DO JUÍZO UNIVERSAL DA FALÊNCIA

Diz-se que o juízo da falência é universal. Isto significa dizer, em lição


simplória, que, em regra, TODAS as ações referentes a bens, interesses e
negócios serão processadas e julgadas pelo juízo em que o feito da falência
tramita. Com fulcro na LRE:

Art. 76. O juízo da falência é indivisível e competente para conhecer todas as


ações sobre bens, interesses e negócios do falido, ressalvadas as causas

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trabalhistas, fiscais e aquelas não reguladas nesta Lei em que o falido figurar
como autor ou litisconsorte ativo.

Assim, como se depreende da leitura do próprio dispositivo, algumas causas


não são atraídas para o juízo falimentar, quais sejam:

- As que não sejam reguladas pela LRE, quando a massa falida for autora ou
litisconsorte ativa.
- As causas trabalhistas.
- As causas fiscais.
- As ações que demandam quantia ilíquida (LRE, art. 6º, §1º).

SEGUNDO PRESSUPOSTO - INSOLVÊNCIA

O segundo pressuposto para que a falência do empresário seja decretada é que


o passivo seja superior ao ativo. Esta situação é conhecida na contabilidade
como PASSIVO A DESCOBERTO. É descoberto haja vista que não há recursos
suficientes para saldá-lo com os bens e direitos de que a empresa dispõe.

Contudo, Fábio Ulhoa destaca que não basta a simples existência de passivo a
descoberto para que se faça a decretação da falência. A insolvência possui,
assim, caráter jurídico e não econômico. Praticando determinados atos
estatuídos pela lei, caracterizado está o estado de insolvência. Todavia, se não
praticar, mesmo que seja deficitário o ativo em relação ao passivo, não há
fundamento para a decretação da falência.

Assim, só se decretará a falência de determinado devedor se ele:

1 – Incorrer em impontualidade injustificada no cumprimento de obrigação


líquida (LRE, art. 94, I).
2 – Incorrer em execução frustrada (LRE, art. 94, II).
3 – Praticar determinados atos de falência (LRE, art. 94, III).

Art. 94. Será decretada a falência do devedor que:


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I – sem relevante razão de direito, não paga, no vencimento, obrigação líquida


materializada em título ou títulos executivos protestados cuja soma ultrapasse o
equivalente a 40 (quarenta) salários-mínimos na data do pedido de falência;

II – executado por qualquer quantia líquida, não paga, não deposita e não
nomeia à penhora bens suficientes dentro do prazo legal;

III – pratica qualquer dos seguintes atos, exceto se fizer parte de plano de
recuperação judicial:

a) procede à liquidação precipitada de seus ativos ou lança mão de meio


ruinoso ou fraudulento para realizar pagamentos;

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b) realiza ou, por atos inequívocos, tenta realizar, com o objetivo de retardar
pagamentos ou fraudar credores, negócio simulado ou alienação de parte ou da
totalidade de seu ativo a terceiro, credor ou não;
c) transfere estabelecimento a terceiro, credor ou não, sem o consentimento de
todos os credores e sem ficar com bens suficientes para solver seu passivo;
d) simula a transferência de seu principal estabelecimento com o objetivo de
burlar a legislação ou a fiscalização ou para prejudicar credor;
e) dá ou reforça garantia a credor por dívida contraída anteriormente sem ficar
com bens livres e desembaraçados suficientes para saldar seu passivo;
f) ausenta-se sem deixar representante habilitado e com recursos suficientes
para pagar os credores, abandona estabelecimento ou tenta ocultar-se de seu
domicílio, do local de sua sede ou de seu principal estabelecimento;
g) deixa de cumprir, no prazo estabelecido, obrigação assumida no plano de
recuperação judicial.

IMPONTUALIDADE INJUSTIFICADA

Segundo a Lei de Falências:

Art. 94. Será decretada a falência do devedor que:

I – sem relevante razão de direito, não paga, no vencimento, obrigação líquida


materializada em título ou títulos executivos protestados cuja soma ultrapasse o
equivalente a 40 (quarenta) salários-mínimos na data do pedido de falência;

Assim, o pedido de falência de devedor com base em impontualidade


injustificada pressupõe:

a) Falta de pagamento sem relevante razão de direito de dívida no


vencimento. Se houver razão de direito para o atraso, não há fundamento para
o pedido, como, por exemplo, cobrança de dívida prescrita.
b) Que a dívida seja líquida.
c) Que a dívida ultrapasse 40 salários-mínimos. Contudo, caso a dívida seja
inferior, propõe a LRE que os credores poderão se juntar para atingir este valor
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(LRE, art. 94, §1º).


d) Que o título esteja protestado. Esse protesto pode ser cambial, quando se
tratar de título de crédito, ou, então, de protesto especial para fins de falência,
nos demais casos.

Segundo a LRE:

Art. 94, § 3o Na hipótese do inciso I do caput deste artigo, o pedido de falência


será instruído com os títulos executivos na forma do parágrafo único do art.
9o desta Lei, acompanhados, em qualquer caso, dos respectivos instrumentos
de protesto para fim falimentar nos termos da legislação específica.

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A própria lei sugere os casos em que não será decretada a falência por
impontualidade injustificada. A saber:

Art. 96. A falência requerida com base no art. 94, inciso I do caput, desta Lei,
não será decretada se o requerido provar:

I – falsidade de título;
II – prescrição;
III – nulidade de obrigação ou de título;
IV – pagamento da dívida;
V – qualquer outro fato que extinga ou suspenda obrigação ou não legitime a
cobrança de título;
VI – vício em protesto ou em seu instrumento;
VII – apresentação de pedido de recuperação judicial no prazo da contestação,
observados os requisitos do art. 51 desta Lei;
VIII – cessação das atividades empresariais mais de 2 (dois) anos antes do
pedido de falência, comprovada por documento hábil do Registro Público de
Empresas, o qual não prevalecerá contra prova de exercício posterior ao ato
registrado.

Analisemos um quesito de concurso sobre este tema:

(FCC/Analista de Regulação/ANS/2007) Paulo, Pedro e João são credores da


empresa “Alpha Ltda.”, em decorrência de obrigações líquidas não pagas no
vencimento e materializadas em títulos executivos protestados, cuja soma
corresponde a 25 salários mínimos em relação a Paulo, a 18 salários mínimos
em relação a Pedro e a 10 salários mínimos em relação a João. Nesse caso, é
certo que a falência da empresa devedora pode ser requerida por:

A) Pedro, com base nos títulos de que é credor.


B) Paulo, com base nos títulos de que é credor.
C) Paulo e Pedro, se reunidos em litisconsórcio.
D) Pedro e João, se reunidos em litisconsórcio.
E) Paulo e João, se reunidos em litisconsórcio.
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Comentários

Trata-se da hipótese prescrita no artigo 94, inciso I. A doutrina denomina


impontualidade injustificada. Injustificada porque sem relevante razão de
direito. Veja que a lei exige que:

A obrigação seja líquida;


O título seja protestado;
A soma ultrapasse 40 salários mínimos.

Ocorre que a própria lei permite que diversos credores se unam, em


litisconsorte, para que este valor possa ser alcançado.

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Assim, na questão, individualmente, nenhum deles terá competência para


requerer a falência, contudo, Paulo e Pedro reunidos poderão fazê-lo.

Gabarito  C.

EXECUÇÃO FRUSTRADA

A execução frustrada está prevista no inciso II do artigo 94 da Lei de Falências,


que prega:

Art. 94. Será decretada a falência do devedor que:

II – executado por qualquer quantia líquida, não paga, não deposita e não
nomeia à penhora bens suficientes dentro do prazo legal;

Nesta hipótese, basicamente, o devedor é executado por qualquer quantia


líquida (veja que não precisa ser 40 salários mínimos) e, intimado a fazê-lo em
juízo:

- não paga.
- não deposita quantia para quitar a dívida.
- não penhora bens suficientes para a quitação.

Havendo o enquadramento nestes três itens, encerra-se a execução e o credor,


munido de uma declaração judicial da omissão, ingressa com ação pedindo a
falência. Ressalte-se, o título não precisa estar protestado e não há que se
atingir o montante de 40 salários mínimos.

O item foi cobrado no concurso para Auditor Substituto de Conselheiro do TCM


RJ, em 2008 (item incorreto):

(FGV/Auditor/TCM/RJ/2008) O protesto do título é condição especial para


decretação da falência com fundamento em execução frustrada.
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ATOS DE FALÊNCIA

Por fim, a última hipótese caracterizadora da insolvência representa os


chamados atos de falência e estão previstos no artigo 94, III, que, por não ser
demais, repetimos:

Art. 94. Será decretada a falência do devedor que:

III – pratica qualquer dos seguintes atos, exceto se fizer parte de plano de
recuperação judicial:

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a) procede à liquidação precipitada de seus ativos ou lança mão de meio


ruinoso ou fraudulento para realizar pagamentos;
b) realiza ou, por atos inequívocos, tenta realizar, com o objetivo de retardar
pagamentos ou fraudar credores, negócio simulado ou alienação de parte ou da
totalidade de seu ativo a terceiro, credor ou não;
c) transfere estabelecimento a terceiro, credor ou não, sem o consentimento de
todos os credores e sem ficar com bens suficientes para solver seu passivo;
d) simula a transferência de seu principal estabelecimento com o objetivo de
burlar a legislação ou a fiscalização ou para prejudicar credor;
e) dá ou reforça garantia a credor por dívida contraída anteriormente sem ficar
com bens livres e desembaraçados suficientes para saldar seu passivo;
f) ausenta-se sem deixar representante habilitado e com recursos suficientes
para pagar os credores, abandona estabelecimento ou tenta ocultar-se de seu
domicílio, do local de sua sede ou de seu principal estabelecimento;
g) deixa de cumprir, no prazo estabelecido, obrigação assumida no plano de
recuperação judicial.

Na ocorrência dos atos de falência, o pedido de falência descreverá os fatos que


a caracterizam, juntando-se as provas que houver e especificando-se as que
serão produzidas (LRE, art. 94, §5º).

PEDIDO DE FALÊNCIA

Concebidos tais pressupostos, a pessoa de direito deve ajuizar o pedido de


falência. Quando a falência for requerida por terceiros, há para o devedor um
prazo para contestação do pedido.
Art. 98. Citado, o devedor poderá apresentar contestação no prazo de 10 (dez)
dias.

Dissemos que a falência pode ser fundada na impontualidade injustificada, na


execução frustrada ou nos atos de falência.

Se o aforamento tiver se dado por impontualidade injustificada ou


execução frustrada, o devedor por elidir (eliminar, suprimir) a falência,
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fazendo um depósito da quantia reclamada, correspondente ao valor total do


crédito, acrescido da correção monetária, juros e honorários advocatícios. Nesta
hipótese, o pedido de falência será denegado e o credor levará consigo os
valores obtidos para que haja satisfação da dívida.

Art. 98. Parágrafo único. Nos pedidos baseados nos incisos I e II do caput do
art. 94 desta Lei, o devedor poderá, no prazo da contestação, depositar o valor
correspondente ao total do crédito, acrescido de correção monetária, juros e
honorários advocatícios, hipótese em que a falência não será decretada e, caso
julgado procedente o pedido de falência, o juiz ordenará o levantamento do
valor pelo autor.

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Assim, ficam para o requerido (devedor) as seguintes possibilidades quando do
pedido da falência:

- Apenas contesta o pedido. Aqui, se o magistrado acolhe as teses da defesa,


denega a falência. Ao revés, declara a continuidade do procedimento.

- Contesta o pedido e deposita o valor. Nesta hipótese, o devedor não só


deposita o valor, mas, também, contesta o pedido. Se o magistrado julgar a
contestação procedente, o depósito será levantado em favor do requerido
(devedor). Caso contrário, se julgado o pedido procedente, não será declarada
a falência do devedor, posto que o depósito elisivo fora efetuado.

- Apenas deposita. Nesta hipótese, o juiz denega a falência e recolhe o valor


para o credor.

- Não contesta nem deposita. Neste caso, o juiz declara a falência se


restarem atendidos os demais requisitos para tanto.

- Apresentar pedido de recuperação judicial.

Art. 95. Dentro do prazo de contestação, o devedor poderá pleitear sua


recuperação judicial.

TERCEIRO PRESSUPOSTO – SENTENÇA DECLARATÓRIA DA FALÊNCIA

De posse de tudo o que já foi dito, resta ao magistrado duas alternativas:


declarar ou denegar o pedido de falência.

A sentença que denegar o pedido de falência deve ter o cuidado de analisar o


comportamento do requerente quando do pedido. Agindo de má-fé, a lei estatui
que seja o requerido indenizado (LRE, art. 101.

Ademais, outra hipótese em que a decretação da falência será denegada é


quando houver o depósito elisivo. 24678074520

Falemos agora da sentença que decreta a falência procedente.

A Lei 11.101/2005 determina que:

Art. 99. A sentença que decretar a falência do devedor, dentre outras


determinações:

I – conterá a síntese do pedido, a identificação do falido e os nomes dos que


forem a esse tempo seus administradores;
II – fixará o termo legal da falência, sem poder retrotraí-lo por mais de 90
(noventa) dias contados do pedido de falência, do pedido de recuperação

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judicial ou do 1o (primeiro) protesto por falta de pagamento, excluindo-se, para
esta finalidade, os protestos que tenham sido cancelados;
III – ordenará ao falido que apresente, no prazo máximo de 5 (cinco) dias,
relação nominal dos credores, indicando endereço, importância, natureza e
classificação dos respectivos créditos, se esta já não se encontrar nos autos,
sob pena de desobediência;
IV – explicitará o prazo para as habilitações de crédito, observado o disposto no
§ 1o do art. 7o desta Lei;
V – ordenará a suspensão de todas as ações ou execuções contra o falido,
ressalvadas as hipóteses previstas nos §§ 1o e 2o do art. 6o desta Lei;
VI – proibirá a prática de qualquer ato de disposição ou oneração de bens do
falido, submetendo-os preliminarmente à autorização judicial e do Comitê, se
houver, ressalvados os bens cuja venda faça parte das atividades normais do
devedor se autorizada a continuação provisória nos termos do inciso XI
do caput deste artigo;
VII – determinará as diligências necessárias para salvaguardar os interesses
das partes envolvidas, podendo ordenar a prisão preventiva do falido ou de
seus administradores quando requerida com fundamento em provas da prática
de crime definido nesta Lei;
VIII – ordenará ao Registro Público de Empresas que proceda à anotação da
falência no registro do devedor, para que conste a expressão "Falido", a data da
decretação da falência e a inabilitação de que trata o art. 102 desta Lei;
IX – nomeará o administrador judicial, que desempenhará suas funções na
forma do inciso III do caput do art. 22 desta Lei sem prejuízo do disposto na
alínea a do inciso II do caput do art. 35 desta Lei;
X – determinará a expedição de ofícios aos órgãos e repartições públicas e
outras entidades para que informem a existência de bens e direitos do falido;
XI – pronunciar-se-á a respeito da continuação provisória das atividades do
falido com o administrador judicial ou da lacração dos estabelecimentos,
observado o disposto no art. 109 desta Lei;
XII – determinará, quando entender conveniente, a convocação da assembléia-
geral de credores para a constituição de Comitê de Credores, podendo ainda
autorizar a manutenção do Comitê eventualmente em funcionamento na
recuperação judicial quando da decretação da falência;
XIII – ordenará a intimação do Ministério Público e a comunicação por carta às
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Fazendas Públicas Federal e de todos os Estados e Municípios em que o devedor


tiver estabelecimento, para que tomem conhecimento da falência.

Esta sentença declaratória há que ser publicada no órgão oficial e, caso haja
possibilidade financeira, em jornal de grande circulação.

Segundo a Lei de Falências, art. 100: Da decisão que decreta a falência cabe
agravo, e da sentença que julga a improcedência do pedido cabe apelação.

O agravo, na forma retida ou na de instrumento, é o recurso cabível contra


decisão interlocutória. Decisão interlocutória é o ato do juiz, com caráter
decisório, mas que não extingue o procedimento (no nosso caso, a falência).

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Embora a Lei de Falências seja silente, o agravo cabível contra a sentença que
decreta a falência é o agravo de instrumento.

A decretação da falência determina o vencimento antecipado das dívidas do


devedor e dos sócios ilimitada e solidariamente responsáveis, com o abatimento
proporcional dos juros, e converte todos os créditos em moeda estrangeira para
a moeda do País, pelo câmbio do dia da decisão judicial, para todos os efeitos
(LF, art. 77).

Além da identificação completa do devedor falido e dos motivos que ensejaram


a falência, merecem destaque:

TERMO LEGAL DA FALÊNCIA

O artigo 99, II, fixa que:

Art. 99. A sentença que decretar a falência do devedor, dentre outras


determinações:

II – fixará o termo legal da falência, sem poder retrotraí-lo por mais de 90


(noventa) dias contados do pedido de falência, do pedido de recuperação
judicial ou do 1o (primeiro) protesto por falta de pagamento, excluindo-se, para
esta finalidade, os protestos que tenham sido cancelados;

Trata-se do termo legal da falência, que é o lapso temporal antes da


decretação de falência em que os atos praticados pelo devedor podem vir a
serem considerados como ineficazes.

Assim, se houver evidências, por exemplo, de que o empresário estava se


desfazendo de seu patrimônio, antes da decretação da quebra, de forma
gradual para evitar a constrição judicial, tal postura poderá ser considerada
ineficaz.

E como saber qual o termo legal da falência?! Bem, vimos que a insolvência do
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devedor pode se dar por: a) impontualidade injustificada (quando é necessário


o protesto); b) execução frustrada (o título não precisa estar protestado); e c)
atos de falência.

Se o pedido de falência se basear em impontualidade injustificada, teremos


uma hipótese.

Imaginemos que em 31 de agosto de 2011 o magistrado decrete sentença que


declara a falência do empresário X, por pedido do credor Y, que protestou o
título em 15 de setembro de 2009. O juiz, ao sentenciar, deve olhar para
quando houve o primeiro protesto por falta de pagamento (não
necessariamente do credor Y). No nosso caso, olharemos para a data de 15 de
setembro de 2009 e andaremos 90 dias para trás, até 15 de junho de 2009.

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Diz-se, então, que esse período, de 15/06/2009 a 31/08/2011 é considerado o


termo legal da falência.

Se o pedido se basear em execução frustrada ou atos de falência, esses 90 dias


são tomados da data em que o pedido foi ajuizado.

DECRETAÇÃO DA FALÊNCIA DE CONCESSIONÁRIAS DE SERVIÇOS


PÚBLICOS

A decretação da falência das concessionárias de serviços públicos implica


extinção da concessão, na forma da lei (LF, art. 195). Esse item já foi cobrado
no concurso para Juiz Substituto do TJDFT, em 2008 (item correto):

(TJDFT/Juiz Substituto/2008) A decretação da falência das concessionárias de


serviços públicos implica extinção de concessão.

SUSPENSÃO DAS AÇÕES

A lei de falências prescreve que:

Art. 6o A decretação da falência ou o deferimento do processamento da


recuperação judicial suspende o curso da prescrição e de todas as ações e
execuções em face do devedor, inclusive aquelas dos credores particulares do
sócio solidário.

Com efeito, se determinado credor tem valor a receber perante certo


empresário cuja quebra é declarada, o prazo prescricional para que esse valor
seja cobrado é suspenso. Esse prazo, contudo, volta a fluir após a sentença que
der encerramento ao processo falimentar.

Regra: Suspensão da prescrição e de todas as


Ações ações e execuções em face do devedor
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contra o
devedor Exceções:
1) Quantia ilíquida;
2) Crédito trabalhista, até a apuração do
crédito;
3) As ações tributárias na recuperação judicial,
ressalvado parcelamento nos termos do CTN e
da legislação ordinária específica;
4) Ações em que o falido figure como autor ou
litisconsorte ativo.

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Art. 157. O prazo prescricional relativo às obrigações do falido recomeça a


correr a partir do dia em que transitar em julgado a sentença do encerramento
da falência.

Os credores que tiverem execuções correndo contra o devedor deverão


HABILITAR os créditos no processo falimentar.

§ 4o Na recuperação judicial, a suspensão de que trata o caput deste artigo em


hipótese nenhuma excederá o prazo improrrogável de 180 (cento e oitenta)
dias contado do deferimento do processamento da recuperação,
restabelecendo-se, após o decurso do prazo, o direito dos credores de iniciar ou
continuar suas ações e execuções, independentemente de pronunciamento
judicial.

RESTRIÇÕES PESSOAIS AO FALIDO

Com a decretação da falência, algumas conseqüências advêm para a pessoa do


falido, como, por exemplo:

Art. 104. A decretação da falência impõe ao falido os seguintes deveres:

III – não se ausentar do lugar onde se processa a falência sem motivo justo e
comunicação expressa ao juiz, e sem deixar procurador bastante, sob as penas
cominadas na lei;

Destarte, não pode o falido se ausentar do local em que a falência é


processada, regra voltada para o empresário individual.

As correspondências do falido atinentes às atividades empresariais sofrem


parcial quebra do sigilo prevista pela Constituição Federal, vez que todas as
correspondências que concernem ao empresariado devem ser enviados ao
administrador judicial.

Art. 22. Ao administrador judicial compete, sob a fiscalização do juiz e do


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Comitê, além de outros deveres que esta Lei lhe impõe:

III – na falência:

d) receber e abrir a correspondência dirigida ao devedor, entregando a ele o


que não for assunto de interesse da massa;

ADMINISTRAÇÃO DA FALÊNCIA

A administração da falência incumbe basicamente a:

- magistrado;

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- órgãos da falência: administrador judicial, comitê de credores, assembléia
geral de credores;
- ministério público.

ATUAÇÃO DO JUIZ

O magistrado é quem, eminentemente, conduz o processo falimentar.


Basicamente, ele:

- Conduz o processo falimentar;


- Pode autorizar a venda antecipada de bens;

Art. 111. O juiz poderá autorizar os credores, de forma individual ou coletiva,


em razão dos custos e no interesse da massa falida, a adquirir ou adjudicar, de
imediato, os bens arrecadados, pelo valor da avaliação, atendida a regra de
classificação e preferência entre eles, ouvido o Comitê.

Art. 113. Os bens perecíveis, deterioráveis, sujeitos à considerável


desvalorização ou que sejam de conservação arriscada ou dispendiosa, poderão
ser vendidos antecipadamente, após a arrecadação e a avaliação, mediante
autorização judicial, ouvidos o Comitê e o falido no prazo de 48 (quarenta e
oito) horas.

- Nomeia e aprova as contas prestadas pelo administrador judicial;


- Entre outras tantas providências.

ATUAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO

A intervenção do Ministério Público se dá nos casos previstos em lei, ora como


fiscal da lei, ora com tarefas de cunho administrativo. O MP, em síntese, age
como fiscal da lei, em seu dia a dia. Na lei de falências, sua atuação maior se
dará em havendo evidências de tipos penais.

Vejamos algumas das hipóteses que podem contar com a participação do


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Parquet:

Art. 8o No prazo de 10 (dez) dias, contado da publicação da relação referida no


art. 7o, § 2o, desta Lei, o Comitê, qualquer credor, o devedor ou seus sócios ou
o Ministério Público podem apresentar ao juiz impugnação contra a relação de
credores, apontando a ausência de qualquer crédito ou manifestando-se contra
a legitimidade, importância ou classificação de crédito relacionado.

Art. 19. O administrador judicial, o Comitê, qualquer credor ou o representante


do Ministério Público poderá, até o encerramento da recuperação judicial ou da
falência, observado, no que couber, o procedimento ordinário previsto no
Código de Processo Civil, pedir a exclusão, outra classificação ou a retificação
de qualquer crédito, nos casos de descoberta de falsidade, dolo, simulação,

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fraude, erro essencial ou, ainda, documentos ignorados na época do julgamento
do crédito ou da inclusão no quadro-geral de credores.

Art. 30, 2o O devedor, qualquer credor ou o Ministério Público poderá requerer


ao juiz a substituição do administrador judicial ou dos membros do Comitê
nomeados em desobediência aos preceitos desta Lei.

Art. 132. A ação revocatória, de que trata o art. 130 desta Lei, deverá ser
proposta pelo administrador judicial, por qualquer credor ou pelo Ministério
Público no prazo de 3 (três) anos contado da decretação da falência.

ÓRGÃOS DA FALÊNCIA

Além do juiz e do MP, a falência possui órgãos próprios, a saber: administrador


judicial, comitê de credores, assembléia de credores.

ADMINISTRADOR JUDICIAL

O administrador judicial é o principal auxiliar do juiz no processo falimentar. A


legislação falimentar lhe acometeu diversas atribuições correlacionadas com a
administração da falência. Atua ele sob direcionamento do magistrado e
fiscalização do Comitê de Credores (se existente).

O administrador judicial será profissional idôneo, preferencialmente


advogado, economista, administrador de empresas ou contador, ou pessoa
jurídica especializada (LF, art. 22).

Vejamos como isso é cobrado em certames:


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(Ministério Público do Estado de SP/Promotor/2008) Não é admissível a


nomeação de pessoa jurídica para a função de administrador judicial, que deve
ser necessariamente desempenhada por profissional de nível universitário,
inscrito no órgão de classe competente.

Resta claramente incorreto o item, uma vez que o administrador judicial pode
ser pessoa física ou jurídica.

Lembre-se do que dissemos acima, quando falamos do conteúdo da sentença


declaratória da falência:

Art. 99. A sentença que decretar a falência do devedor, dentre outras


determinações:

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IX – nomeará o administrador judicial, que desempenhará suas funções na


forma do inciso III do caput do art. 22 desta Lei sem prejuízo do disposto na
alínea a do inciso II do caput do art. 35 desta Lei;

Portanto, o administrador judicial é nomeado quando for proferida a sentença


que decretar a quebra.

Se o administrador judicial nomeado for pessoa jurídica, declarar-se-á o nome


de profissional responsável pela condução do processo de falência ou de
recuperação judicial, que não poderá ser substituído sem autorização do juiz.

Caberá ao devedor ou à massa falida arcar com as despesas relativas à


remuneração do administrador judicial e das pessoas eventualmente
contratadas para auxiliá-lo (LF, art. 25).

O juiz fixará o valor e a forma de pagamento da remuneração do administrador


judicial, observados a capacidade de pagamento do devedor, o grau de
complexidade do trabalho e os valores praticados no mercado para o
desempenho de atividades semelhantes (LF, art. 24).

As remunerações dos auxiliares do administrador judicial serão fixadas pelo


juiz, que considerará a complexidade dos trabalhos a serem executados e os
valores praticados no mercado para o desempenho de atividades semelhantes
(LF, art. 22, §1º).

A função do administrador judicial difere quando se tratar de recuperação


judicial ou de falência. Na recuperação extrajudicial não existe a figura do
administrador judicial.

Esse assunto já foi abordado com as seguintes questões...

(FCC/Auditor de Contas Públicas TCE PB/2006) Uma das semelhanças


existentes entre os regimes jurídicos da recuperação judicial e da recuperação
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extrajudicial é a nomeação de um administrador judicial para gerir o empresário


devedor.

O item está incorreto. Não se nomeia administrador judicial na recuperação


extrajudicial.

Na recuperação judicial, uma vez que o devedor não perde o direito de


administrar seus bens, ao administrador judicial caberá precipuamente
a fiscalização das atividades da empresa e o cumprimento da
recuperação judicial, conforme o artigo 22, II, da LF.

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Já na falência, ele passará a administrar a sociedade, pois, como dito
acima, com a decretação da falência perde o devedor o direito de
administrar seus bens ou deles dispor.

As atribuições do administrador judicial estão previstas na lei, que assim


dispõe:

Art. 22. Ao administrador judicial compete, sob a fiscalização do juiz e do


Comitê, além de outros deveres que esta Lei lhe impõe:

I – na recuperação judicial e na falência:

a) enviar correspondência aos credores constantes na relação de que trata o


inciso III do caput do art. 51, o inciso III do caput do art. 99 ou o inciso II
do caput do art. 105 desta Lei, comunicando a data do pedido de recuperação
judicial ou da decretação da falência, a natureza, o valor e a classificação dada
ao crédito;
b) fornecer, com presteza, todas as informações pedidas pelos credores
interessados;
c) dar extratos dos livros do devedor, que merecerão fé de ofício, a fim de
servirem de fundamento nas habilitações e impugnações de créditos;
d) exigir dos credores, do devedor ou seus administradores quaisquer
informações;
e) elaborar a relação de credores de que trata o § 2o do art. 7o desta Lei;
f) consolidar o quadro-geral de credores nos termos do art. 18 desta Lei;
g) requerer ao juiz convocação da assembléia-geral de credores nos casos
previstos nesta Lei ou quando entender necessária sua ouvida para a tomada
de decisões;
h) contratar, mediante autorização judicial, profissionais ou empresas
especializadas para, quando necessário, auxiliá-lo no exercício de suas funções;
i) manifestar-se nos casos previstos nesta Lei;

II – na recuperação judicial:
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a) fiscalizar as atividades do devedor e o cumprimento do plano de recuperação


judicial;
b) requerer a falência no caso de descumprimento de obrigação assumida no
plano de recuperação;
c) apresentar ao juiz, para juntada aos autos, relatório mensal das atividades
do devedor;
d) apresentar o relatório sobre a execução do plano de recuperação, de que
trata o inciso III do caput do art. 63 desta Lei;

III – na falência:

a) avisar, pelo órgão oficial, o lugar e hora em que, diariamente, os credores


terão à sua disposição os livros e documentos do falido;

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b) examinar a escrituração do devedor;


c) relacionar os processos e assumir a representação judicial da massa falida;
d) receber e abrir a correspondência dirigida ao devedor, entregando a ele o
que não for assunto de interesse da massa;
e) apresentar, no prazo de 40 (quarenta) dias, contado da assinatura do termo
de compromisso, prorrogável por igual período, relatório sobre as causas e
circunstâncias que conduziram à situação de falência, no qual apontará a
responsabilidade civil e penal dos envolvidos, observado o disposto no art. 186
desta Lei;
f) arrecadar os bens e documentos do devedor e elaborar o auto de
arrecadação, nos termos dos arts. 108 e 110 desta Lei;
g) avaliar os bens arrecadados;
h) contratar avaliadores, de preferência oficiais, mediante autorização judicial,
para a avaliação dos bens caso entenda não ter condições técnicas para a
tarefa;
i) praticar os atos necessários à realização do ativo e ao pagamento dos
credores;
j) requerer ao juiz a venda antecipada de bens perecíveis, deterioráveis ou
sujeitos a considerável desvalorização ou de conservação arriscada ou
dispendiosa, nos termos do art. 113 desta Lei;
l) praticar todos os atos conservatórios de direitos e ações, diligenciar a
cobrança de dívidas e dar a respectiva quitação;
m) remir, em benefício da massa e mediante autorização judicial, bens
apenhados, penhorados ou legalmente retidos;
n) representar a massa falida em juízo, contratando, se necessário, advogado,
cujos honorários serão previamente ajustados e aprovados pelo Comitê de
Credores;
o) requerer todas as medidas e diligências que forem necessárias para o
cumprimento desta Lei, a proteção da massa ou a eficiência da administração;
p) apresentar ao juiz para juntada aos autos, até o 10o (décimo) dia do mês
seguinte ao vencido, conta demonstrativa da administração, que especifique
com clareza a receita e a despesa;
q) entregar ao seu substituto todos os bens e documentos da massa em seu
poder, sob pena de responsabilidade; 24678074520

r) prestar contas ao final do processo, quando for substituído, destituído ou


renunciar ao cargo.

A saída do cargo de administrador pode se dar por substituição ou destituição.

Vejamos um caso de substituição:

Art. 30. Não poderá integrar o Comitê ou exercer as funções de administrador


judicial quem, nos últimos 5 (cinco) anos, no exercício do cargo de
administrador judicial ou de membro do Comitê em falência ou recuperação
judicial anterior, foi destituído, deixou de prestar contas dentro dos prazos
legais ou teve a prestação de contas desaprovada.

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§ 1o Ficará também impedido de integrar o Comitê ou exercer a função de


administrador judicial quem tiver relação de parentesco ou afinidade até o 3o
(terceiro) grau com o devedor, seus administradores, controladores ou
representantes legais ou deles for amigo, inimigo ou dependente.

Caso venha a ser nomeado e, somente depois, se constate tal situação, será o
administrador substituído do exercício do cargo.

Já a destituição tem caráter punitivo, como se comprova à leitura do seguinte


artigo legal:

Art. 31. O juiz, de ofício ou a requerimento fundamentado de qualquer


interessado, poderá determinar a destituição do administrador judicial ou de
quaisquer dos membros do Comitê de Credores quando verificar desobediência
aos preceitos desta Lei, descumprimento de deveres, omissão, negligência ou
prática de ato lesivo às atividades do devedor ou a terceiros.

E como fica a remuneração nestes casos?

Segundo o artigo 24 da LF: O juiz fixará o valor e a forma de pagamento da


remuneração do administrador judicial, observados a capacidade de pagamento
do devedor, o grau de complexidade do trabalho e os valores praticados no
mercado para o desempenho de atividades semelhantes.

O administrador judicial substituído será remunerado proporcionalmente ao


trabalho realizado, salvo se renunciar sem relevante razão ou for destituído de
suas funções por desídia, culpa, dolo ou descumprimento das obrigações
fixadas na Lei, hipóteses em que não terá direito à remuneração.

Também não terá direito a remuneração o administrador que tiver suas contas
desaprovadas.

Assim, se o administrador judicial for substituído por que renunciou, sem


relevante razão, não fará jus à remuneração, ou, então, se for destituído por
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desídia, culpa, dolo, ou descumprimento, também não fará jus. Item incorreto.

Os créditos devidos ao administrador judicial e seus auxiliares serão


classificados como extraconcursais – art. 84.

A ESAF, parecendo ter gostado do assunto, exigiu da seguinte forma o assunto:

(ESAF/Procurador do DF/2007) Em julho de 2005, foi requerida a falência da


sociedade empresária K-Lote Ltda. que atua no ramo da construção civil. Tal
falência foi decretada em maio de 2006, encerrando a fase pré-falimentar.
Nesse processo o administrador judicial fará jus a uma remuneração que será
classificada como crédito trabalhista.

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O item está incorreto.

ASSEMBLÉIA GERAL DE CREDORES

A assembléia-geral é o órgão que toma deliberações salutares nos processos de


recuperação judicial e falimentar.

Trata-se de órgão colegiado, existente tanto na falência quanto na recuperação


judicial. É característica da nova legislação falimentar, que teve a preocupação
de assegurar aos credores maior participação no processo. Sua principal função
é a de deliberar sobre matérias que possam afetar os interesses dos credores.

Suas atribuições estão arroladas no artigo 35 da lei de falências, in verbis:

Art. 35. A assembléia-geral de credores terá por atribuições deliberar sobre:

I – na recuperação judicial:

a) aprovação, rejeição ou modificação do plano de recuperação judicial


apresentado pelo devedor;
b) a constituição do Comitê de Credores, a escolha de seus membros e sua
substituição;
d) o pedido de desistência do devedor, nos termos do § 4o do art. 52 desta Lei;
e) o nome do gestor judicial, quando do afastamento do devedor;
f) qualquer outra matéria que possa afetar os interesses dos credores;

II – na falência:

b) a constituição do Comitê de Credores, a escolha de seus membros e sua


substituição;
c) a adoção de outras modalidades de realização do ativo, na forma do art. 145
desta Lei;
d) qualquer outra matéria que possa afetar os interesses dos credores.
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O CESPE, no concurso para Defensor Público do Estado do Ceará, abordou o


assunto da seguinte forma:

(Cespe/Defensor Público do Ceará/2007) Considere que determinada sociedade


empresária, em situação de crise econômico-financeira, tenha requerido sua
recuperação judicial e que o juízo competente, tendo verificado o cumprimento
dos requisitos legais, tenha deferido o processamento da referida recuperação.
Nesse caso, a sociedade empresária somente poderá desistir do pedido de
recuperação judicial se obtiver a aprovação da desistência na assembléia-geral
de credores.

Está certo, porquanto compete à Assembléia Geral de credores deliberar sobre


o pedido de desistência do devedor (LF, art. 35, I, d).

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A assembléia será presidida pelo administrador judicial, que designará 1 (um)


secretário dentre os credores presentes (LF, art. 37).
Já nas deliberações sobre o afastamento do administrador judicial ou em outras
em que haja incompatibilidade deste, a assembléia será presidida pelo credor
presente que seja titular do maior crédito (LF, art. 37, §1º).

A composição da assembléia é basicamente a seguinte:

Art. 41. A assembléia-geral será composta pelas seguintes classes de credores:

I – titulares de créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de


acidentes de trabalho;
II – titulares de créditos com garantia real;
III – titulares de créditos quirografários, com privilégio especial, com privilégio
geral ou subordinados.
IV - titulares de créditos enquadrados como microempresa ou empresa de
pequeno porte. (Incluído pela Lei Complementar nº 147, de 2014)

A assembléia instalar-se-á, em 1a (primeira) convocação, com a presença de


credores titulares de mais da metade dos créditos de cada classe,
computados pelo valor, e, em 2a (segunda) convocação, com qualquer número.

Sobre o voto na Assembléia Geral de Credores. Adote-se o seguinte como


regra: O VOTO DO CREDOR SERÁ PROPORCIONAL AO VALOR DE SEU
CRÉDITO (LF, art. 38).

Considerar-se-á aprovada a proposta que obtiver votos favoráveis de credores


que representem MAIS DA METADE DO VALOR TOTAL DOS CRÉDITOS
PRESENTES À ASSEMBLÉIA-GERAL (LF, art. 42).

Esquematizando, teremos:

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Algumas exceções importantes surgem a essa regra, a saber:

- Composição do comitê de credores: será constituído por deliberação de


qualquer das classes de credores na assembléia-geral (LF, art. 26);

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- Forma alternativa de realização de ativo: a forma alternativa de realização do
ativo depende de deliberação de dois terços dos créditos presentes à
assembléia (LF, art. 46);

- Deliberação sobre o plano de recuperação judicial: todas as classes de


credores deverão aprovar a proposta (LF, art. 45).

COMITÊ DE CREDORES

Ademais, temos também o chamado COMITÊ DE CREDORES, que é


FACULTATIVO, seja no processo de recuperação judicial, seja no processo
falimentar.

Art. 99. A sentença que decretar a falência do devedor, dentre outras


determinações:

XII – determinará, quando entender conveniente, a convocação da assembléia-


geral de credores para a constituição de Comitê de Credores, podendo ainda
autorizar a manutenção do Comitê eventualmente em funcionamento na
recuperação judicial quando da decretação da falência;

Art. 28. Não havendo Comitê de Credores, caberá ao administrador judicial ou,
na incompatibilidade deste, ao juiz exercer suas atribuições.

Esse item já foi cobrado literalmente pelo Cespe, no certame para Juiz
Substituto do TJ PI, em 2007, com o seguinte excerto:

(Cespe/Juiz de Direito/TJ PI/2007) No curso da recuperação judicial, não


havendo comitê de credores, caberá ao administrador judicial exercer as
atribuições do comitê e, na incompatibilidade deste administrador, caberá ao
juiz da causa exercer as atribuições do referido comitê.

Vê-se claramente a correção do item.


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A composição estabelecida pela LF ao Comitê de Credores é a seguinte:

Art. 26. O Comitê de Credores será constituído por deliberação de qualquer das
classes de credores na assembléia-geral e terá a seguinte composição:

I) 1 representante indicado pela classe de credores trabalhistas, com 2 (dois)


suplentes;
II) 1 representante indicado pela classe de credores com direitos reais de
garantia ou privilégios especiais, com 2 (dois) suplentes;
III) 1 representante indicado pela classe de credores quirografários e com
privilégios gerais, com 2 (dois) suplentes.

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IV - 1 (um) representante indicado pela classe de credores representantes de


microempresas e empresas de pequeno porte, com 2 (dois) suplentes.
(Incluído pela Lei Complementar nº 147, de 2014)

E mais, estabelece a lei ainda que:

Art. 44. Na escolha dos representantes de cada classe no Comitê de Credores,


somente os respectivos membros poderão votar.

Todavia, se os representantes quirografários, por exemplo, deixarem de indicar


um representante, não restará prejuízo para o Comitê. A lei permite que o
órgão funcione com uma quantidade menor de membros.

Art. 26, 1º A falta de indicação de representante por quaisquer das classes não
prejudicará a constituição do Comitê, que poderá funcionar com número inferior
ao previsto no caput deste artigo.

Dentre suas atribuições, constantes do artigo 27 da Lei de Falências, as


principais são:

a) fiscalizar as atividades e examinar as contas do administrador judicial;


b) zelar pelo bom andamento do processo e pelo cumprimento da lei.

Existem, ainda, alguns impedimentos no que tange à ocupação dos cargos do


Comitê de Credores, transcrita:

Art. 30. Não poderá integrar o Comitê ou exercer as funções de administrador


judicial quem, nos últimos 5 (cinco) anos, no exercício do cargo de
administrador judicial ou de membro do Comitê em falência ou recuperação
judicial anterior, foi destituído, deixou de prestar contas dentro dos prazos
legais ou teve a prestação de contas desaprovada.

O administrador judicial e os membros do Comitê de Credores, logo que


nomeados, serão intimados pessoalmente para, em 48 (quarenta e oito) horas,
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assinar, na sede do juízo, o termo de compromisso de bem e fielmente


desempenhar o cargo e assumir todas as responsabilidades a ele inerentes (LF,
art. 33). Não assinado o termo de compromisso no prazo previsto, o juiz
nomeará outro administrador judicial (LF, art. 34).

O administrador judicial e os membros do Comitê responderão pelos prejuízos


causados à massa falida, ao devedor ou aos credores por dolo ou culpa,
devendo o dissidente em deliberação do Comitê consignar sua discordância em
ata para eximir-se da responsabilidade (LF, art. 32).

Sobre o administrador judicial, o comitê de credores e a assembléia-geral de


credores, esses eram os principais aspectos a serem tratados e que podem ser
cobrados em concurso.

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EFEITOS DA SENTENÇA QUE DECRETA A FALÊNCIA

Alguns efeitos decorrem quando da decretação de sentença falimentar. Os


principais são os seguintes:

1) SÓCIOS COM RESPONSABILIDADE ILIMITADA

Segundo a Lei 11.101...

Art. 81. A decisão que decreta a falência da sociedade com sócios


ilimitadamente responsáveis também acarreta a falência destes, que
ficam sujeitos aos mesmos efeitos jurídicos produzidos em relação à sociedade
falida e, por isso, deverão ser citados para apresentar contestação, se assim o
desejarem.

Com efeito, se uma sociedade em nome coletivo vir a falir, todos os seus sócios
também incorrem na mesma conduta, juntos.

Se a sociedade for de responsabilidade limitada, por seu turno, não haverá, em


regra, conseqüências para a sociedade, em vista da autonomia que possui a
pessoa jurídica (o já propalado princípio contábil da entidade, pelo qual a
sociedade é diferente da pessoa dos sócios).

De acordo com a lei:

Art. 82. A responsabilidade pessoal dos sócios de responsabilidade limitada, dos


controladores e dos administradores da sociedade falida, estabelecida nas
respectivas leis, será apurada no próprio juízo da falência, independentemente
da realização do ativo e da prova da sua insuficiência para cobrir o passivo,
observado o procedimento ordinário previsto no Código de Processo Civil.

2) PERDA DOS DIREITOS DE ADMINISTRAR OS SEUS BENS


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Art. 103. Desde a decretação da falência ou do seqüestro, o devedor perde o


direito de administrar os seus bens ou deles dispor.

Parágrafo único. O falido poderá, contudo, fiscalizar a administração da falência,


requerer as providências necessárias para a conservação de seus direitos ou
dos bens arrecadados e intervir nos processos em que a massa falida seja parte
ou interessada, requerendo o que for de direito e interpondo os recursos
cabíveis.

Veja-se que a decretação da falência retira do empresário o poder de


administrar seus bens ou deles se desfazer.

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Entrementes, pode o falido fiscalizar a condução dos seus negócios, conforme
previsão expressa do parágrafo único.

3) INABILITAÇÃO PARA ATIVIDADES EMPRESARIAIS

Art. 102. O falido fica inabilitado para exercer qualquer atividade empresarial a
partir da decretação da falência e até a sentença que extingue suas obrigações,
respeitado o disposto no § 1o do art. 181 desta Lei.

A inabilitação para as atividades empresariais se dá tão-logo seja decretada a


falência do empresário e, segundo a própria lei, perdura até a sentença que
extingue as obrigações do falido.

Cumpre ressaltar, porém, que:

Art. 181. São efeitos da condenação por crime previsto nesta Lei:

I – a inabilitação para o exercício de atividade empresarial;


III – a impossibilidade de gerir empresa por mandato ou por gestão de negócio.

§ 1o Os efeitos de que trata este artigo não são automáticos, devendo ser
motivadamente declarados na sentença, e perdurarão até 5 (cinco) anos
após a extinção da punibilidade, podendo, contudo, cessar antes pela
reabilitação penal.

Desse modo, se o empresário for condenado à pena prevista em regime


falimentar, ficará inabilitado pelo período de 5 anos após a extinção da
punibilidade.

APURAÇÃO DO ATIVO DO DEVEDOR

Logo após a decretação da sentença que declara a falência, o processo


falimentar se instaura. Tem início o processo de execução concursal de seus
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bens. Isto é, apurar-se-á o montante de bens que possui o empresário para


saldar as dívidas existentes. Tal processo dá origem no que, no processo
falimentar, é chamado de MASSA FALIDA.

Art. 108. Ato contínuo à assinatura do termo de compromisso, o administrador


judicial efetuará a arrecadação dos bens e documentos e a avaliação dos bens,
separadamente ou em bloco, no local em que se encontrem, requerendo ao
juiz, para esses fins, as medidas necessárias.

Assim, após a nomeação do administrador judicial, deve ele proceder ao


levantamento dos bens que possui o devedor, a fim de compará-lo com o
passivo.

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Os bens absolutamente impenhoráveis, contudo, não serão arrecadados.

Uma vez recolhidos, os bens devem ficar sob a guarda do administrador


judicial.

Art. 108. § 1o Os bens arrecadados ficarão sob a guarda do


administrador judicial ou de pessoa por ele escolhida, sob
responsabilidade daquele, podendo o falido ou qualquer de seus representantes
ser nomeado depositário dos bens.

Estes bens podem ser retirados do local em que se encontrem.

Art. 112. Os bens arrecadados poderão ser removidos, desde que haja
necessidade de sua melhor guarda e conservação, hipótese em que
permanecerão em depósito sob responsabilidade do administrador judicial,
mediante compromisso.

Ainda, se se tratar de bens perecíveis:

Art. 113. Os bens perecíveis, deterioráveis, sujeitos à considerável


desvalorização ou que sejam de conservação arriscada ou dispendiosa, poderão
ser vendidos antecipadamente, após a arrecadação e a avaliação, mediante
autorização judicial, ouvidos o Comitê e o falido no prazo de 48 (quarenta e
oito) horas.

Para findar, cumpre anotar que o administrador judicial poderá alugar ou


celebrar outro contrato referente aos bens da massa falida, com o objetivo de
produzir renda para a massa falida, mediante autorização do Comitê (LRE, art.
114).

A RESTITUIÇÃO DE BENS DE TERCEIROS

A arrecadação pode recairá sobre os bens próprios, um veículo da sociedade,


por exemplo, ou sobre bens de terceiros, como um veículo objeto de leasing.
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Decerto, os bens de terceiros que se encontram em posse da empresa não


podem ser utilizados para que sejam saldadas as dívidas do empresário. Deste
modo, surge o direito de restituição.

Segundo a LRE:

Art. 85. O proprietário de bem arrecadado no processo de falência ou que se


encontre em poder do devedor na data da decretação da falência poderá pedir
sua restituição.

O pedido de restituição deverá ser fundamentado e descreverá a coisa


reclamada (LRE, art. 87).

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Também pode ser pedida a restituição de coisa vendida a crédito e entregue ao
devedor nos 15 (quinze) dias anteriores ao requerimento de sua falência, se
ainda não alienada (LRE, art. 85, parágrafo único). Portanto, se o empresário
efetua compra a crédito em 01.02.X1 e tem sua falência requerida em
12.02.X1, nascerá para o credor o direito a pedir a restituição da mercadoria,
se ainda permanecer em estoque.

A restituição, nesses casos, se dá com a devolução do próprio bem.

Existem, ainda, outras hipóteses de restituição previstas na lei, a saber:

Art. 86. Proceder-se-á à restituição EM DINHEIRO:

I – se a coisa não mais existir ao tempo do pedido de restituição, hipótese em


que o requerente receberá o valor da avaliação do bem, ou, no caso de ter
ocorrido sua venda, o respectivo preço, em ambos os casos no valor atualizado;
II – da importância entregue ao devedor, em moeda corrente nacional,
decorrente de adiantamento a contrato de câmbio para exportação, na forma
do art. 75, §§ 3o e 4o, da Lei no 4.728, de 14 de julho de 1965, desde que o prazo total da
operação, inclusive eventuais prorrogações, não exceda o previsto nas normas
específicas da autoridade competente;
III – dos valores entregues ao devedor pelo contratante de boa-fé na hipótese
de revogação ou ineficácia do contrato, conforme disposto no art. 136 desta
Lei.

VERIFICAÇÃO E HABILITAÇÃO DOS CRÉDITOS

Para ver o quanto deve realmente o empresário, deve não só se apropriar dos
documentos constantes dos arquivos do empresário. É obrigação, também, do
administrador judicial que compare os valores apresentados com aqueles
fornecidos pelos credores. Esse procedimento é chamado de verificação dos
créditos.

Art. 7o A verificação dos créditos será realizada pelo administrador judicial, com
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base nos livros contábeis e documentos comerciais e fiscais do devedor e nos


documentos que lhe forem apresentados pelos credores, podendo contar com o
auxílio de profissionais ou empresas especializadas.

VERIFICAÇÃO DOS CRÉDITOS  ADMINISTRADOR JUDICIAL.

Quando da sentença que decreta a falência ou quando do deferimento do


processo de recuperação judicial, será publicado um edital (art. 52, §1º e 99,
parágrafo único).

Neste edital será feita a exigência de que os credores apresentem no prazo de


15 dias ao administrador judicial suas habilitações ou suas divergências

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quanto aos créditos relacionados no edital. A habilitação compete ao
credor (LF, art. 9º).

A habilitação dos créditos permite que ao administrador judicial e demais


credores tomem ciência de sua existência, verificando-se também sua
legitimidade e exatidão.

HABILITAÇÃO DOS CRÉDITOS  CREDOR.

Pois bem, após o transcurso do período de habilitação para os credores, o


administrador judicial, com base nas informações e documentos colhidos na
habilitação, fará publicar edital contendo a relação de credores no prazo de 45
(quarenta e cinco) dias, devendo indicar o local, o horário e o prazo comum em
que as pessoas indicadas no art. 8o da Lei (o Comitê, qualquer credor, o
devedor ou seus sócios ou o Ministério Público) terão acesso aos documentos
que fundamentaram a elaboração dessa relação.

A FGV explorou o tema no concurso para Fiscal de Rendas do ICMS RJ, em


2010, com a seguinte redação:

(FGV/Agente Fiscal de Rendas/RJ/2010) O prazo para o credor apresentar ao


administrador judicial a sua habilitação ou a sua divergência quanto ao crédito
relacionado é de 15 (quinze) dias, contados da publicação do Edital.

O item está correto. Dois editais existem.

Um primeiro contém uma relação de credores, que devem são convocados para
habilitação (15 dias).

Aberto o prazo, o administrador verificará (procedimento de verificação) a


exatidão e legitimidade, fazendo-se publicar outro edital (45 dias após o
término dos 15).

Caso não haja impugnações, o juiz homologará, como quadro-geral de


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credores, a relação dos credores constante do segundo edital publicado (LF, art.
14).

No prazo de 10 (dez) dias, contado da publicação do segundo edital o Comitê,


qualquer credor, o devedor ou seus sócios ou o Ministério Público podem
apresentar ao juiz impugnação contra a relação de credores, apontando a
ausência de qualquer crédito ou manifestando-se contra a legitimidade,
importância ou classificação de crédito relacionado.

Os credores cujos créditos forem impugnados serão intimados para contestar a


impugnação, no prazo de 5 (cinco) dias, juntando os documentos que tiverem
e indicando outras provas que reputem necessárias (LF, art. 11). Transcorrido o

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prazo acima, o devedor e o Comitê, se houver, serão intimados pelo juiz para
se manifestar sobre ela no prazo comum de 5 (cinco) dias.

O item foi cobrado no já dito certame para o TRT com a seguinte redação: “Os
credores cujos créditos forem impugnados serão intimados para contestar a
impugnação, no prazo de 5 (cinco) dias, juntando os documentos que tiverem e
indicando outras provas que reputem necessárias” – Correto, trata-se de mera
transcrição da lei.

Por fim, após as manifestações, o administrador judicial será intimado pelo juiz
para emitir parecer no prazo de 5 (cinco) dias, devendo juntar à sua
manifestação o laudo elaborado pelo profissional ou empresa especializada, se
for o caso, e todas as informações existentes nos livros fiscais e demais
documentos do devedor acerca do crédito, constante ou não da relação de
credores, objeto da impugnação.

Instruídos os autos, da decisão judicial sobre a impugnação caberá agravo –


cuidado não é apelação, mas, sim, agravo!! (LF, art. 17).

Perdendo-se o prazo para habilitação dos créditos, será ele tido como
retardatário (LF, art. 10). Na recuperação judicial, os titulares de créditos
retardatários, excetuados os titulares de créditos derivados da relação de
trabalho, não terão direito a voto nas deliberações da assembléia-geral de
credores (LF, art. 10, §1º). O mesmo vale para a falência, salvo se na data da
assembléia de credores já houver homologação do quadro geral de credores
contendo o crédito retardatário,

O ADMINISTRADOR JUDICIAL SERÁ RESPONSÁVEL PELA


CONSOLIDAÇÃO DO QUADRO-GERAL DE CREDORES, a ser homologado
pelo juiz, com base na relação dos credores e nas decisões proferidas nas
impugnações oferecidas.

O quadro-geral, assinado pelo juiz e pelo administrador judicial, mencionará a


importância e a classificação de cada crédito na data do requerimento da
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recuperação judicial ou da decretação da falência, será juntado aos autos e


publicado no órgão oficial, no prazo de 5 (cinco) dias, contado da data da
sentença que houver julgado as impugnações.

A ESAF já explorou o tema, com a seguinte questão:

(ESAF/Procurador do Bacen/2002) A organização do Quadro Geral de Credores


na falência visa a garantir a igualdade absoluta entre credores ou a observância
da par conditio creditorum.

Conquanto valha na falência o conhecido princípio da par conditio creditorum,


pelo qual os credores devem, em tese, possuir as mesmas chances de

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satisfação dos seus créditos, esse entendimento é válido numa escala
horizontal, dentro de uma mesma classe (por exemplo, créditos trabalhistas).

Os credores são divididos em diversas classes e a quitação de uma classe


depende da quitação integral da classe anterior. O quadro-geral de credores
tem por finalidade organizar essas diversas classes. Item incorreto, uma vez
que não há aplicação absoluta do princípio.

LIQUIDAÇÃO DO PROCESSO FALIMENTAR

Uma vez que os passos listados acima foram todos ultimados, já sabemos
quanto de bem tem o empresário e quanto é o valor total de suas dívidas,
restam-nos duas providências: a) providenciar a venda dos ativos (realização
do ativo); b) efetuar o pagamento do passivo.

Art. 139. Logo após a arrecadação dos bens, com a juntada do respectivo auto
ao processo de falência, será iniciada a realização do ativo.

A realização do ativo terá início independentemente da formação do quadro-


geral de credores (LRE, art. 139, §2º).

A alienação de bens deve se dar da forma que dê maior retorno possível ao


empresário, considerando-se que o conjunto dos bens e direitos organizados
segundo determinados fatores e profissionalmente conferem ao
estabelecimento o chamado aviamento (ou sobrepreço). Assim, se a sociedade
empresária X é formada por um terreno, de R$ 50.000,00, uma máquina para
produção, no valor de R$ 30.000,00 e um veículo utilizado para entrega de
mercadorias, no valor de R$ 20.000,00, teremos um valor contábil de R$
100.000,00. Entretanto, o valor de mercado será maior do que este valor,
tendo em vista que a empresa se organiza profissionalmente para atingir lucro.

Deste modo, estabeleceu a lei que:

Art. 140. A alienação dos bens será realizada de uma das seguintes formas,
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observada a seguinte ORDEM DE PREFERÊNCIA:

I – alienação da empresa, com a venda de seus estabelecimentos em bloco;


II – alienação da empresa, com a venda de suas filiais ou unidades produtivas
isoladamente;
III – alienação em bloco dos bens que integram cada um dos estabelecimentos
do devedor;
IV – alienação dos bens individualmente considerados.

Porém, se convier à realização do ativo, ou em razão de oportunidade, podem


ser adotadas mais de uma forma de alienação (LRE, art. 140, §1º).

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Trata-se de questão de conveniência, buscando sempre a otimização dos
valores obtidos.

As modalidades típicas previstas para venda dos ativos são:

Art. 142. O juiz, ouvido o administrador judicial e atendendo à orientação do


Comitê, se houver, ordenará que se proceda à alienação do ativo em uma das
seguintes modalidades:

I – leilão, por lances orais;


II – propostas fechadas;
III – pregão.

A realização da alienação em quaisquer das modalidades de que trata este


artigo será antecedida por publicação de anúncio em jornal de ampla circulação,
com 15 (quinze) dias de antecedência, em se tratando de bens móveis, e com
30 (trinta) dias na alienação da empresa ou de bens imóveis, facultada a
divulgação por outros meios que contribuam para o amplo conhecimento da
venda (LRE, art. 142, §1º).

A alienação dar-se-á pelo maior valor oferecido, ainda que seja inferior ao valor
de avaliação (LRE, art. 142, §2º).

Havendo motivos justificados, o juiz poderá autorizar, mediante requerimento


fundamentado do administrador judicial ou do Comitê, modalidades de
alienação judicial diversas das previstas no art. 142 desta Lei (LRE, art. 144).

O juiz homologará qualquer outra modalidade de realização do ativo, desde que


aprovada pela assembléia-geral de credores, inclusive com a constituição de
sociedade de credores ou dos empregados do próprio devedor, com a
participação, se necessária, dos atuais sócios ou de terceiros (LRE, art. 145).

Em qualquer modalidade de realização do ativo adotada, fica a massa falida


dispensada da apresentação de certidões negativas (LRE, art. 146). Ou seja, os
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bens alienados pela massa são livres de ônus fiscais.

Vale ressaltar, ainda, que o adquirente de estabelecimento empresarial


em processo falimentar está livre de responsabilidade por dívidas
anteriores, de quaisquer naturezas.

Tal entendimento se encontra estatuído na LRE, no seguinte excerto:

Art. 141. Na alienação conjunta ou separada de ativos, inclusive da empresa ou


de suas filiais, promovida sob qualquer das modalidades de que trata este
artigo:

(...)

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II – o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão


do arrematante nas obrigações do devedor, inclusive as de natureza
tributária, as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de
acidentes de trabalho.

Contudo, caso haja conluio entre o devedor e comprador para se livrar das
dívidas, a regra acima não se aplicará. Analisemos o que diz a lei a respeito.

Art. 141. § 1o O disposto no inciso II do caput deste artigo não se aplica


quando o arrematante for:

I – sócio da sociedade falida, ou sociedade controlada pelo falido;


II – parente, em linha reta ou colateral até o 4o (quarto) grau, consangüíneo ou
afim, do falido ou de sócio da sociedade falida; ou
III – identificado como agente do falido com o objetivo de fraudar a sucessão.

Portanto, uma vez realizada a venda de todo o ativo, deverá o valor ser
levantado e ficar à conta de instituição financeira.

Art. 147. As quantias recebidas a qualquer título serão imediatamente


depositadas em conta remunerada de instituição financeira, atendidos os
requisitos da lei ou das normas de organização judiciária.

Começaremos, então, a realizar o pagamento dos credores.

PAGAMENTOS DAS DÍVIDAS

De posse de todas as dívidas do devedor, apresentadas no quadro-geral de


credores, começaremos a realizar os pagamentos.

A cobrança desses créditos segue determinada ordem, estabelecida pela própria


Lei de Falências (LF).
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A ordem de preferência (e isso é importantíssimo para o seu certame) na


falência é a que se segue – art. 83:

PREFERÊNCIA DOS CRÉDITOS NA FALÊNCIA

1) Créditos extraconcursais (que são créditos que surgem no decorrer do


processo de falência);
2) os créditos derivados da legislação do trabalho, limitados a 150 (cento e
cinqüenta) salários-mínimos por credor, e os decorrentes de acidentes de
trabalho;
3) Bens gravados com garantia real, até o limite do bem gravado;
4) créditos tributários, independentemente da sua natureza e tempo de
constituição, excetuadas as multas tributárias;

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5) créditos com privilégio especial;


6) créditos com privilégio geral;
7) créditos quirografários;
8) as multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das leis penais ou
administrativas, inclusive as multas tributárias;
9) créditos subordinados.

Segundo o artigo 84 da LRE, serão considerados créditos extraconcursais e


serão pagos com precedência sobre os mencionados no art. 83 desta Lei
(acima), na ordem a seguir, os relativos a:

I – remunerações devidas ao administrador judicial e seus auxiliares, e créditos


derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho
relativos a serviços prestados após a decretação da falência;
II – quantias fornecidas à massa pelos credores;
III – despesas com arrecadação, administração, realização do ativo e
distribuição do seu produto, bem como custas do processo de falência;
IV – custas judiciais relativas às ações e execuções em que a massa falida
tenha sido vencida;
V – obrigações resultantes de atos jurídicos válidos praticados durante a
recuperação judicial, nos termos do art. 67 desta Lei, ou após a decretação da
falência, e tributos relativos a fatos geradores ocorridos após a decretação da
falência, respeitada a ordem estabelecida no art. 83 desta Lei.

ENCERRAMENTO DA FALÊNCIA

Uma vez levantado o ativo e realizado o pagamento dos credores, deve-se


declarar findo o processo falimentar, através de sentença. O administrador
judicial deve, então, prestar contas ao magistrado.

Art. 154. Concluída a realização de todo o ativo, e distribuído o produto entre os


credores, o administrador judicial apresentará suas contas ao juiz no prazo de
30 (trinta) dias.
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As contas, acompanhadas dos documentos comprobatórios, serão prestadas em


autos apartados que, ao final, serão apensados aos autos da falência.

Art. 155. Julgadas as contas do administrador judicial, ele apresentará o


relatório final da falência no prazo de 10 (dez) dias, indicando o valor do ativo e
o do produto de sua realização, o valor do passivo e o dos pagamentos feitos
aos credores, e especificará justificadamente as responsabilidades com que
continuará o falido.

Art. 156. Apresentado o relatório final, o juiz encerrará a falência por sentença.
Parágrafo único. A sentença de encerramento será publicada por edital e dela
caberá apelação.

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Art. 157. O prazo prescricional relativo às obrigações do falido recomeça a
correr a partir do dia em que transitar em julgado a sentença do encerramento
da falência.

As obrigações do falido são extintas se houver (LRE, art. 158):

I – o pagamento de todos os créditos;


II – o pagamento, depois de realizado todo o ativo, de mais de 50% (cinqüenta
por cento) dos créditos quirografários, sendo facultado ao falido o depósito da
quantia necessária para atingir essa porcentagem se para tanto não bastou a
integral liquidação do ativo;
III – o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado do encerramento da
falência, se o falido não tiver sido condenado por prática de crime previsto na
Lei de Falências;
IV – o decurso do prazo de 10 (dez) anos, contado do encerramento da
falência, se o falido tiver sido condenado por prática de crime previsto Lei de
Falências.

Assim, levantado o ativo, o processo ideal é aquele no qual todas as dívidas do


credor são saldadas, que é a hipótese prevista no inciso I. Assim ocorrendo,
considera-se que as obrigações do falido estão extintas.

O inciso II revela uma regra interessante, configurando hipótese em que, após


liquidados os créditos que estão hierarquicamente superiores (como já visto
acima), sobram recursos para pagar mais de 50% dos credores quirografários.
Assim, haverá extinção das obrigações, mesmo que alguns credores não
tenham seus direitos saldados. As multas pecuniárias, créditos subordinados e a
parcela restante dos créditos quirografários restarão prejudicados.

As hipóteses do inciso III e IV tratam das hipóteses em que não houve bens
suficientes para saldar o passivo, variando a pena, conforme tenha ou não
incorrido o devedor em crime falimentar.

O devedor pode requerer a sua reabilitação para voltar a exercer atividades


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empresariais.

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RECUPERAÇÃO JUDICIAL

Dissemos à aula passada que um dos princípios que gira em torno do direito
empresarial é o da preservação da empresa. Neste intento, surge a recuperação
judicial.

A recuperação judicial é instituto que veio substituir a figura da concordata, já


fadada ao fracasso.

Nos termos da Lei 11.101/2005:

Art. 47. A recuperação judicial tem por objetivo viabilizar a superação da


situação de crise econômico-financeira do devedor, a fim de permitir a
manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses
dos credores, promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social
e o estímulo à atividade econômica.

Então, grave-se, este é o objetivo da recuperação judicial: viabilizar a


superação da situação da crise econômico-financeira do devedor, a fim
de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos
trabalhadores e dos interesses dos credores, promovendo, assim, a
preservação da empresa, sua função social e o estímulo à atividade
econômica.

A recuperação judicial é, pois, uma via alternativa, evitando-se que a empresa


caia em processo falimentar, havendo prejuízo irreversível. Obviamente,
considerando o escopo da fonte de renda para o Estado, manutenção de
empregos e crescimento da economia, é muito mais viável que se mantenha a
empresa em funcionamento.

SUJEITO ATIVO DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL


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O artigo 48 da Lei de Falência e Recuperação Judicial impõe alguns requisitos


para que seja feito o pedido de recuperação judicial. Vejamos:

Art. 48. Poderá requerer recuperação judicial o devedor que, no momento do


pedido, exerça regularmente suas atividades há mais de 2 (dois) anos e que
atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente:

I – não ser falido e, se o foi, estejam declaradas extintas, por sentença


transitada em julgado, as responsabilidades daí decorrentes;
II – não ter, há menos de 5 (cinco) anos, obtido concessão de recuperação
judicial;

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III - não ter, há menos de 5 (cinco) anos, obtido concessão de recuperação


judicial com base no plano especial de que trata a Seção V deste Capítulo;
(Redação dada pela Lei Complementar nº 147, de 2014)
IV – não ter sido condenado ou não ter, como administrador ou sócio
controlador, pessoa condenada por qualquer dos crimes previstos nesta Lei.

Observe-se, assim, que o pedido deve ser feito pelo próprio devedor. O
devedor, como já dito, é a figura do empresário ou sociedade empresária.

Ademais, deve comprovar que exerce regularmente suas atividades há mais


de 2 (dois) anos. Assim, a atividade deve ser regular.

Analisemos uma assertiva elaborada inteligentemente pelo CESPE sobre os


requisitos:

(Cespe/Auditor Fiscal da Prefeitura de Vila Velha/2008) Considere-se que a TW


Informática S/A formalize requerimento de recuperação judicial ao juízo
competente 20 meses depois de ter sido constituída. Nesse caso, deve ser
negado o pedido da TW Informática S/A, por ausência de requisito legal.

Veja que o item está correto.

E mais, a decretação da falência impede o pedido de recuperação judicial,


conforme salienta o artigo 48, I.

A recuperação judicial também poderá ser requerida pelo cônjuge sobrevivente,


herdeiros do devedor, inventariante ou sócio remanescente.

MEIOS DE SE RECUPERAR A EMPRESA

A forma como pode se dar a recuperação judicial está prevista no artigo 50 da


Lei de Falências e Recuperação Judicial, que trouxe uma lista exemplificativa
sobre o tema:
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Art. 50. Constituem meios de recuperação judicial, observada a legislação


pertinente a cada caso, dentre outros:

I – concessão de prazos e condições especiais para pagamento das obrigações


vencidas ou vincendas;
II – cisão, incorporação, fusão ou transformação de sociedade, constituição de
subsidiária integral, ou cessão de cotas ou ações, respeitados os direitos dos
sócios, nos termos da legislação vigente;
III – alteração do controle societário;
IV – substituição total ou parcial dos administradores do devedor ou
modificação de seus órgãos administrativos;

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V – concessão aos credores de direito de eleição em separado de


administradores e de poder de veto em relação às matérias que o plano
especificar;
VI – aumento de capital social;
VII – trespasse ou arrendamento de estabelecimento, inclusive à sociedade
constituída pelos próprios empregados;
VIII – redução salarial, compensação de horários e redução da jornada,
mediante acordo ou convenção coletiva;
IX – dação em pagamento ou novação de dívidas do passivo, com ou sem
constituição de garantia própria ou de terceiro;
X – constituição de sociedade de credores;
XI – venda parcial dos bens;
XII – equalização de encargos financeiros relativos a débitos de qualquer
natureza, tendo como termo inicial a data da distribuição do pedido de
recuperação judicial, aplicando-se inclusive aos contratos de crédito rural, sem
prejuízo do disposto em legislação específica;
XIII – usufruto da empresa;
XIV – administração compartilhada;
XV – emissão de valores mobiliários;
XVI – constituição de sociedade de propósito específico para adjudicar, em
pagamento dos créditos, os ativos do devedor.

Com efeito, estas são algumas formais pelas quais pode se recuperar uma
empresa. Essas possibilidades podem ser combinadas ou, alternativamente,
podem ser usadas outras.

Anote-se, ainda, que, conforme o artigo 50:

§ 1o Na alienação de bem objeto de garantia real, a supressão da garantia ou


sua substituição somente serão admitidas mediante aprovação expressa do
credor titular da respectiva garantia.
§ 2o Nos créditos em moeda estrangeira, a variação cambial será conservada
como parâmetro de indexação da correspondente obrigação e só poderá ser
afastada se o credor titular do respectivo crédito aprovar expressamente
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previsão diversa no plano de recuperação judicial.

FORO PARA PEDIR A RECUPERAÇÃO JUDICIAL

À recuperação judicial aplica-se a mesma regra de foro sobre a falência. Senão


vejamos:

Art. 3o É competente para homologar o plano de recuperação extrajudicial,


deferir a recuperação judicial ou decretar a falência o juízo do local do
principal estabelecimento do devedor ou da filial de empresa que tenha sede
fora do Brasil.

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Apenas repita-se que o principal estabelecimento não coincide necessariamente
com a matriz. Deve-se observar sob a óptica do volume de recursos.

DO PEDIDO E PROCESSAMENTO DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL

A lei traz alguns requisitos para que seja realizado o pedido de recuperação
judicial. Vejam que se trata do pedido de recuperação, e não do deferimento.
Dificilmente este artigo é cobrado em concurso, mas vale a pena dar uma
observada:

Art. 51. A petição inicial de recuperação judicial será instruída com:

I – a exposição das causas concretas da situação patrimonial do devedor e das


razões da crise econômico-financeira;
II – as demonstrações contábeis relativas aos 3 (três) últimos exercícios sociais
e as levantadas especialmente para instruir o pedido, confeccionadas com
estrita observância da legislação societária aplicável e compostas
obrigatoriamente de:

a) balanço patrimonial;
b) demonstração de resultados acumulados;
c) demonstração do resultado desde o último exercício social;
d) relatório gerencial de fluxo de caixa e de sua projeção;

III – a relação nominal completa dos credores, inclusive aqueles por obrigação
de fazer ou de dar, com a indicação do endereço de cada um, a natureza, a
classificação e o valor atualizado do crédito, discriminando sua origem, o
regime dos respectivos vencimentos e a indicação dos registros contábeis de
cada transação pendente;
IV – a relação integral dos empregados, em que constem as respectivas
funções, salários, indenizações e outras parcelas a que têm direito, com o
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correspondente mês de competência, e a discriminação dos valores pendentes


de pagamento;
V – certidão de regularidade do devedor no Registro Público de Empresas, o ato
constitutivo atualizado e as atas de nomeação dos atuais administradores;
VI – a relação dos bens particulares dos sócios controladores e dos
administradores do devedor;
VII – os extratos atualizados das contas bancárias do devedor e de suas
eventuais aplicações financeiras de qualquer modalidade, inclusive em fundos
de investimento ou em bolsas de valores, emitidos pelas respectivas instituições
financeiras;
VIII – certidões dos cartórios de protestos situados na comarca do domicílio ou
sede do devedor e naquelas onde possui filial;

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IX – a relação, subscrita pelo devedor, de todas as ações judiciais em que este


figure como parte, inclusive as de natureza trabalhista, com a estimativa dos
respectivos valores demandados.

Os documentos de escrituração contábil e demais relatórios auxiliares, na forma


e no suporte previstos em lei, permanecerão à disposição do juízo, do
administrador judicial e, mediante autorização judicial, de qualquer interessado.

Se a nomeação estiver de acordo com a lei, o juiz defere o processamento


da recuperação judicial, e, a um só tempo:

I – nomeará o administrador judicial;


II – determinará a dispensa da apresentação de certidões negativas para que o
devedor exerça suas atividades, exceto para contratação com o Poder Público
ou para recebimento de benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios;
III – ordenará a suspensão de todas as ações ou execuções contra o devedor,
permanecendo os respectivos autos no juízo onde se processam, ressalvadas as
ações que demandem quantia ilíquida, as que correm perante a Justiça do
Trabalho, as execuções fiscais, e a de credores não sujeitos à recuperação
judicial.

Dissemos que a decretação da falência ou o deferimento do processamento da


recuperação judicial suspende o curso da prescrição e de todas as ações e
execuções em face do devedor, inclusive aquelas dos credores particulares do
sócio solidário (LRE, art. 6º). Contudo, na recuperação judicial, a suspensão de
em hipótese nenhuma excederá o prazo improrrogável de 180 (cento e oitenta)
dias contado do deferimento do processamento da recuperação,
restabelecendo-se, após o decurso do prazo, o direito dos credores de iniciar ou
continuar suas ações e execuções, independentemente de pronunciamento
judicial (LRE, art. 6º, §4º).

Regra: Suspensão da prescrição e de todas as


ações e execuções em face do devedor
Ações 24678074520

contra o
devedor
Exceções:
1) Quantia ilíquida;
2) Crédito trabalhista, até a apuração do
crédito;
3) As ações tributárias na recuperação judicial,
ressalvado parcelamento nos termos do CTN e
da legislação ordinária específica;
4) Ações em que o falido figure como autor ou
litisconsorte ativo.

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Observe-se que a suspensão se dá com o despacho que deferir o
processamento da recuperação judicial, e não com a sua concessão
propriamente dita. A FGV abordou este tema em uma de suas provas mais
difíceis de direito empresarial já elaborada, com a seguinte assertiva (correta):

(FGV/Agente Fiscal de Rendas/RJ/2008) A suspensão da prescrição das


obrigações do devedor ocorre com o despacho de processamento da
recuperação judicial, e não com a sua concessão.

IV – determinará ao devedor a apresentação de contas demonstrativas mensais


enquanto perdurar a recuperação judicial, sob pena de destituição de seus
administradores;
V – ordenará a intimação do Ministério Público e a comunicação por carta às
Fazendas Públicas Federal e de todos os Estados e Municípios em que o devedor
tiver estabelecimento.

O devedor não poderá desistir do pedido de recuperação judicial após o


deferimento de seu processamento, salvo se obtiver aprovação da desistência
na assembléia-geral de credores (LRE, art. 52, §4º).

Após a distribuição do pedido de recuperação judicial, o devedor não poderá


alienar ou onerar bens ou direitos de seu ativo permanente, salvo evidente
utilidade reconhecida pelo juiz, depois de ouvido o Comitê, com exceção
daqueles previamente relacionados no plano de recuperação judicial (LRE, art.
66).

PLANO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL

Uma vez deferido o processamento da recuperação judicial, será apresentado


um plano de recuperação pelo devedor em juízo no prazo improrrogável de 60
(sessenta) dias da publicação da decisão que deferir o processamento da
recuperação judicial, sob pena de convolação em falência, e deverá conter (LRE,
art. 53):
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I – discriminação pormenorizada dos meios de recuperação a ser empregados,


conforme o art. 50 desta Lei (os meios de recuperação citados), e seu resumo;
II – demonstração de sua viabilidade econômica; e
III – laudo econômico-financeiro e de avaliação dos bens e ativos do devedor,
subscrito por profissional legalmente habilitado ou empresa especializada.

Vejam que a norma diz “sob pena de convolação em falência”. Isso significa,
em síntese, que, não apresentando o plano no prazo, será decretada a falência
do devedor.

De acordo com a lei, ainda sobre o plano de recuperação judicial:

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Art. 54. O plano de recuperação judicial não poderá prever prazo superior a 1
(um) ano para pagamento dos créditos derivados da legislação do trabalho ou
decorrentes de acidentes de trabalho vencidos até a data do pedido de
recuperação judicial.

Parágrafo único. O plano não poderá, ainda, prever prazo superior a 30 (trinta)
dias para o pagamento, até o limite de 5 (cinco) salários-mínimos por
trabalhador, dos créditos de natureza estritamente salarial vencidos nos 3 (três)
meses anteriores ao pedido de recuperação judicial.

E quais são os créditos que estão sujeitos à recuperação judicial?!

Pois bem, a Lei de Falências e Recuperação Judicial prega que:

Art. 49. Estão sujeitos à recuperação judicial todos os créditos existentes na


data do pedido, ainda que não vencidos.

Algumas exceções, contudo, devem ser feitas:

- Credor titular da posição de proprietário fiduciário de bens móveis ou imóveis,


de arrendador mercantil, de proprietário ou promitente vendedor de imóvel
cujos respectivos contratos contenham cláusula de irrevogabilidade ou
irretratabilidade, inclusive em incorporações imobiliárias, ou de proprietário em
contrato de venda com reserva de domínio (LRE, art. 49, §3º).
- Credor de adiantamento de contrato de câmbio (LRE, art. 49, §4º).

Ainda, sobre o artigo 49, algumas explicações devem ser feitas.

De acordo com o parágrafo primeiro, os credores do devedor em recuperação


judicial conservam seus direitos e privilégios contra os coobrigados, fiadores e
obrigados de regresso. Deste modo, se X é fiador ou avalista do empresário Y e
este entre em processo de recuperação judicial, não há modificações na
garantia prestada.
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Por fim, segundo o parágrafo segundo, as obrigações anteriores à recuperação


judicial observarão as condições originalmente contratadas ou definidas em lei,
inclusive no que diz respeito aos encargos, salvo se de modo diverso ficar
estabelecido no plano de recuperação judicial.

Com efeito, se o contrato de compra e venda de mercadoria diz que o


fornecedor deve entregar 100 mercadorias ALFA, todo dia 05 do mês, a
concessão de recuperação não altera essa natureza, somente se assim ficar
acordado no plano de recuperação judicial.

Esse processo é o que chamamos de fase postulatória da recuperação


judicial. Uma vez deferido o processamento, tem início a fase deliberativa.

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FASE DELIBERATIVA DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL

Essa fase do procedimento de recuperação judicial tem início com o despacho


que ordena o processamento da recuperação judicial. Nela, discute-se e vota-se
o plano de recuperação apresentado pelo devedor. Antes, contudo, deve haver
a verificação e habilitação dos créditos, como propugna o artigo 7º da Lei.

A verificação e habilitação dos créditos se dá com o fito de possibilitar os


credores a participação na assembléia geral de credores.

O juiz ordenará a publicação de edital contendo aviso aos credores sobre o


recebimento do plano de recuperação e fixando o prazo para a manifestação de
eventuais objeções (LRE, art. 53, parágrafo único).

Qualquer credor poderá manifestar ao juiz sua objeção ao plano de recuperação


judicial no prazo de 30 (trinta) dias contado da publicação da relação de
credores elaborada pelo administrador judicial, conforme o § 2o do art.
7o desta Lei.

Não havendo objeção, considera-se aprovado o plano de recuperação judicial.


Vejam que a aprovação do plano depende de consentimento dos credores.

Ao revés, existindo objeção de qualquer credor ao plano de recuperação


judicial, o juiz convocará a assembléia-geral de credores para deliberar sobre o
plano de recuperação (LRE, art. 56).

A data designada para a realização da assembléia-geral não excederá 150


(cento e cinqüenta) dias contados do deferimento do processamento da
recuperação judicial (LRE, art. 56, §1º).

Nesta hipótese, o plano será discutido na assembléia. Se a assembléia aprovar


o plano, poderá montar o comitê de credores (se já não existir).

O plano de recuperação judicial poderá sofrer alterações na assembléia-geral,


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desde que haja expressa concordância do devedor e em termos que não


impliquem diminuição dos direitos exclusivamente dos credores ausentes (LRE,
art. 56, §3º).

A assembléia poderá, também, rejeitar o plano de recuperação judicial.


Rejeitado o plano de recuperação pela assembléia-geral de credores, o juiz
decretará a falência do devedor (LRE, art. 56, §4º).

Se o plano for aprovado na assembléia, passa-se à fase do artigo 57, que diz:

Art. 57. Após a juntada aos autos do plano aprovado pela assembléia-geral de
credores ou decorrido o prazo previsto no art. 55 desta Lei sem objeção de
credores, o devedor apresentará certidões negativas de débitos tributários nos

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termos dos arts. 151, 205, 206 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código
Tributário Nacional.

Assim, se o plano for aprovado por não haver objeção ou se, na assembléia
geral, for aprovado, deve o devedor empresário apresentar certidões
negativas tributárias.

Atendendo-se a essas formalidades, concede-se a recuperação judicial (LRE,


art. 58).

Assim, vê-se que o plano deve ser aprovado pelos credores para que haja a
concessão da recuperação judicial. O juiz apenas homologa.

Contudo, existe uma hipótese em que não há necessidade de aprovação pelos


credores, prevista no artigo 58 da Lei, a saber:

Art. 58, §1º. O juiz poderá conceder a recuperação judicial com base em plano
que não obteve aprovação na forma do art. 45 desta Lei, desde que, na mesma
assembléia, tenha obtido, de forma cumulativa:

I – o voto favorável de credores que representem mais da metade do valor de


todos os créditos presentes à assembléia, independentemente de classes;
II – a aprovação de 2 (duas) das classes de credores nos termos do art. 45
desta Lei ou, caso haja somente 2 (duas) classes com credores votantes, a
aprovação de pelo menos 1 (uma) delas;
III – na classe que o houver rejeitado, o voto favorável de mais de 1/3 (um
terço) dos credores, computados na forma dos §§ 1o e 2o do art. 45 desta Lei.

Ainda, a recuperação judicial concedida desta forma só poderá vigorar se o


plano não implicar tratamento diferenciado entre os credores da classe que o
houver rejeitado (LRE, art. 58, §2º).

A RECUPERAÇÃO JUDICIAL EM SI
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Proferida a decisão que concede a recuperação judicial, o devedor permanecerá


em recuperação judicial até que se cumpram todas as obrigações previstas no
plano que se vencerem até 2 (dois) anos depois da concessão da recuperação
judicial (LRE, art. 61).

O CESPE andou cobrando este tema em concurso, da seguinte maneira:

(Cespe/Procurador da PGE PI/2008) A recuperação judicial envolverá os


créditos contraídos em até dois anos após a sua concessão.

Analisemos. Estão sujeitos à recuperação judicial todos os créditos existentes


na data do pedido, ainda que não vencidos. O devedor permanecerá em
recuperação judicial até que se cumpram todas as obrigações previstas no

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plano que se vencerem até 2 (dois) anos depois da concessão da recuperação
judicial (LF, art. 61).

Cumpridas as obrigações vencidas no prazo de dois anos, o juiz decretará por


sentença o encerramento da recuperação judicial (LF, art. 63). As obrigações
que se prolonguem após os dois anos deverão ser cumpridas, mas o devedor
não mais será considerado em recuperação judicial.

O item está, portanto, incorreto, porquanto a abrangência não se dá pela


contração, mas pelo vencimento das obrigações.

Uma vez deferida a recuperação judicial, há novação - criação de uma


nova obrigação, substituindo e extinguindo a obrigação anterior e originária –
dos créditos anteriores ao pedido, obrigando o devedor e todos os credores do
plano, conforme a LRE, art. 59.

Contra a decisão que conceder a recuperação judicial caberá agravo, que


poderá ser interposto por qualquer credor e pelo Ministério Público (LRE, art.
59, §2º).

Se o plano de recuperação judicial aprovado envolver alienação judicial de filiais


ou de unidades produtivas isoladas do devedor, o juiz ordenará a sua
realização, através de leilão, por lances orais, propostas fechadas ou pregão
(LRE, art. 60).

O objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do


arrematante nas obrigações do devedor, inclusive as de natureza tributária
(LRE, art. 60, parágrafo único). Contudo, havendo conluio na venda de filiais ou
unidades produtivas, justamente para se livrar do ônus tributário, a regra não
se aplica.

Segundo o artigo 64 da Lei, durante o procedimento de recuperação judicial, o


devedor ou seus administradores serão mantidos na condução da
atividade empresarial, sob fiscalização do Comitê, se houver, e do
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administrador judicial, salvo se qualquer deles:

I – houver sido condenado em sentença penal transitada em julgado por crime


cometido em recuperação judicial ou falência anteriores ou por crime contra o
patrimônio, a economia popular ou a ordem econômica previstos na legislação
vigente;
II – houver indícios veementes de ter cometido crime previsto nesta Lei;
III – houver agido com dolo, simulação ou fraude contra os interesses de seus
credores;
IV – houver praticado qualquer das seguintes condutas:

a) efetuar gastos pessoais manifestamente excessivos em relação a sua


situação patrimonial;

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b) efetuar despesas injustificáveis por sua natureza ou vulto, em relação ao
capital ou gênero do negócio, ao movimento das operações e a outras
circunstâncias análogas;
c) descapitalizar injustificadamente a empresa ou realizar operações prejudiciais
ao seu funcionamento regular;
d) simular ou omitir créditos ao apresentar a relação de que trata o inciso III
do caput do art. 51 desta Lei, sem relevante razão de direito ou amparo de
decisão judicial;

V – negar-se a prestar informações solicitadas pelo administrador judicial ou


pelos demais membros do Comitê;
VI – tiver seu afastamento previsto no plano de recuperação judicial.

Incorrendo-se nas hipóteses acima, o administrador deve ser destituído.

Quando do afastamento do devedor, nas hipóteses acima, o juiz convocará a


assembléia-geral de credores para deliberar sobre o nome do gestor judicial
que assumirá a administração das atividades do devedor, aplicando-se-lhe, no
que couber, todas as normas sobre deveres, impedimentos e remuneração do
administrador judicial (LRE, art. 65).

Segundo a lei:

Art. 67. Os créditos decorrentes de obrigações contraídas pelo devedor durante


a recuperação judicial, inclusive aqueles relativos a despesas com fornecedores
de bens ou serviços e contratos de mútuo, serão considerados extraconcursais,
em caso de decretação de falência, respeitada, no que couber, a ordem
estabelecida no art. 83 desta Lei.

Durante a recuperação judicial, as Fazendas Públicas e o Instituto Nacional do


Seguro Social – INSS poderão deferir, nos termos da legislação específica,
parcelamento de seus créditos, em sede de recuperação judicial, de acordo com
os parâmetros estabelecidos na Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 -
Código Tributário Nacional (LRE, art. 68).
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E atenção! Segundo o parágrafo único do artigo 68: As microempresas e


empresas de pequeno porte farão jus a prazos 20% (vinte por cento)
superiores àqueles regularmente concedidos às demais empresas
(Incluído pela Lei Complementar nº 147, de 2014)

Ainda, em todos os atos, contratos e documentos firmados pelo devedor sujeito


ao procedimento de recuperação judicial deverá ser acrescida, após o nome
empresarial, a expressão "em Recuperação Judicial" (LRE, art. 69).

Depois de cumpridas todas as obrigações, o juiz decretará por sentença o


encerramento da recuperação judicial e determinará:

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I – o pagamento do saldo de honorários ao administrador judicial, somente
podendo efetuar a quitação dessas obrigações mediante prestação de contas,
no prazo de 30 (trinta) dias, e aprovação do relatório previsto no inciso III
do caput deste artigo;
II – a apuração do saldo das custas judiciais a serem recolhidas;
III – a apresentação de relatório circunstanciado do administrador judicial, no
prazo máximo de 15 (quinze) dias, versando sobre a execução do plano de
recuperação pelo devedor;
IV – a dissolução do Comitê de Credores e a exoneração do administrador
judicial;
V – a comunicação ao Registro Público de Empresas para as providências
cabíveis.

CONVOLAÇÃO DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL EM FALÊNCIA

Vimos que o devedor permanece em recuperação judicial até dois anos após a
sua concessão, se vier cumprindo regularmente suas obrigações. Contudo, se
durante este período, descumprir obrigação prevista no plano, terá a
recuperação judicial convolada em falência (LRE, art. 61, §1º).

Portanto, a convolação em falência se deve a atos realizados dentro dos dois


anos seguintes à concessão da recuperação judicial.

Não obstante, não só estes atos implicam a convolação da recuperação em


falência. O artigo 73 prevê o seguinte...

Art. 73. O juiz decretará a falência durante o processo de recuperação judicial:

I – por deliberação da assembléia-geral de credores, na forma do art. 42 desta


Lei;
II – pela não apresentação, pelo devedor, do plano de recuperação no prazo do
art. 53 desta Lei;
III – quando houver sido rejeitado o plano de recuperação, nos termos do §
4o do art. 56 desta Lei; 24678074520

IV – por descumprimento de qualquer obrigação assumida no plano de


recuperação, na forma do § 1o do art. 61 desta Lei.

Parágrafo único. O disposto neste artigo não impede a decretação da falência


por inadimplemento de obrigação não sujeita à recuperação judicial, nos termos
dos incisos I ou II do caput do art. 94 desta Lei, ou por prática de ato previsto
no inciso III do caput do art. 94 desta Lei.

Havendo a convolação, decretada a falência, os credores terão reconstituídos


seus direitos e garantias nas condições originalmente contratadas, deduzidos os
valores eventualmente pagos e ressalvados os atos validamente praticados no
âmbito da recuperação judicial (LRE, art. 61, §2º).

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Na convolação da recuperação em falência, os atos de administração,
endividamento, oneração ou alienação praticados durante a recuperação judicial
presumem-se válidos, desde que realizados na forma desta Lei de Falência
(LRE, art. 74).

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RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL

A recuperação extrajudicial, como o próprio nome diz, ocorre no âmbito


extrajudicial. O plano de recuperação extrajudicial é apenas homologado pelo
Judiciário.

A recuperação extrajudicial não exclui a possibilidade de negociação do devedor


com seus credores, sem nenhuma intervenção do Judiciário, conforme previsão
do artigo 167.

Art. 167. O disposto neste Capítulo não implica impossibilidade de realização de


outras modalidades de acordo privado entre o devedor e seus credores.

O devedor que preencher os requisitos seguintes poderá propor e negociar com


credores plano de recuperação extrajudicial (LRE, art. 161). Os requisitos para
a consecução da recuperação extrajudicial são os previstos no artigo 48 da LRE,
transcrito:

Art. 48. Poderá requerer recuperação judicial o devedor que, no momento do


pedido, exerça regularmente suas atividades há mais de 2 (dois) anos e que
atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente:

I – não ser falido e, se o foi, estejam declaradas extintas, por sentença


transitada em julgado, as responsabilidades daí decorrentes;
II – não ter, há menos de 5 (cinco) anos, obtido concessão de recuperação
judicial;
III – não ter, há menos de 8 (oito) anos, obtido concessão de recuperação
judicial com base no plano especial de que trata a Seção V deste Capítulo;
IV – não ter sido condenado ou não ter, como administrador ou sócio
controlador, pessoa condenada por qualquer dos crimes previstos nesta Lei.

Outrossim, o devedor não poderá requerer a homologação de plano


extrajudicial, se estiver pendente pedido de recuperação judicial ou se houver
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obtido recuperação judicial ou homologação de outro plano de recuperação


extrajudicial há menos de 2 (dois) anos (LRE, art. 161, §2º).

Esses são os chamados requisitos subjetivos para a recuperação


extrajudicial.

Existem também os requisitos objetivos, que, segundo Fábio Ulhoa, são:

1) Não se prever pagamento antecipado de nenhuma dívida (LRE, art. 161,


§2º);
2) Dar aos credores sujeito ao plano tratamento igualitário (LRE, art. 161, §2º);
3) Abranger somente créditos constituídos até a data do pedido de
homologação do plano de recuperação extrajudicial (LRE, art. 163, §1º);

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4) Necessário consentimento de credor garantido para que haja a alienação,
supressão ou substituição de garantia real (LRE, art. 163, §4º);
5) Não conceder afastamento de variação cambial sem que haja a anuência do
respectivo credor (LRE, art. 163, §5º).

O plano de recuperação extrajudicial não se aplica aos seguintes credores:

- Créditos tributários (LRE, art. 161, §1º);


- Créditos trabalhistas e decorrentes de acidente do trabalho (LRE, art. 161,
§1º);
- Credor titular da posição de proprietário fiduciário de bens móveis ou imóveis,
de arrendador mercantil, de proprietário ou promitente vendedor de imóvel
cujos respectivos contratos contenham cláusula de irrevogabilidade ou
irretratabilidade, inclusive em incorporações imobiliárias, ou de proprietário em
contrato de venda com reserva de domínio (LRE, art. 49, §3º);
- Credor de adiantamento de contrato de câmbio (LRE, art. 49, §4º).

A FGV abordou o tema no concurso para Auditor Fiscal do Estado do RJ, com a
seguinte assertiva:

(FGV/AFR RJ/2009) Todos os credores, inclusive os de natureza tributária e


trabalhista, podem participar da negociação da recuperação extrajudicial.

Vê-se que o item está incorreto.

O pedido de homologação do plano de recuperação extrajudicial não acarretará


suspensão de direitos, ações ou execuções, nem a impossibilidade do pedido de
decretação de falência pelos credores não sujeitos ao plano de recuperação
extrajudicial (LRE, art. 161, §4º).

HOMOLOGAÇÃO DO PLANO DE RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL

A homologação do plano de recuperação extrajudicial pode ser:


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- facultativa;
- obrigatória.

A homologação facultativa está prevista no artigo 162 da Lei de Falências:

Art. 162. O devedor poderá requerer a homologação em juízo do plano de


recuperação extrajudicial, juntando sua justificativa e o documento que
contenha seus termos e condições, com as assinaturas dos credores que a ele
aderiram.

Nesta hipótese, todos os credores alcançáveis pela recuperação extrajudicial


aderiram ao plano. A homologação não é condição para obrigá-los, uma vez que
aceitaram o plano.

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A petição em juízo para homologar pode se dar para revestir o ato de


solenidade e segurança, proibindo-se, em regra, a desistência por parte do
credor.

A homologação obrigatória, por seu turno, consta do artigo 163 da LRE:

Art. 163. O devedor poderá, também, requerer a homologação de plano de


recuperação extrajudicial que obriga a todos os credores por ele abrangidos,
desde que assinado por credores que representem mais de 3/5 (três quintos)
de todos os créditos de cada espécie por ele abrangidos.

Neste caso, conseguiu o devedor apenas parte de adesão dos credores que
podem ser submetidos ao processo de recuperação extrajudicial (3/5). Havendo
a homologação, os credores restantes, que não concordaram com a
recuperação, passam a ficar obrigados.

Art. 163, § 6o Para a homologação do plano de que trata este artigo, além dos
documentos previstos no caput do art. 162 desta Lei, o devedor deverá juntar:

I – exposição da situação patrimonial do devedor;


II – as demonstrações contábeis relativas ao último exercício social e as
levantadas especialmente para instruir o pedido, na forma do inciso II
do caput do art. 51 desta Lei; e
III – os documentos que comprovem os poderes dos subscritores para novar ou
transigir, relação nominal completa dos credores, com a indicação do endereço
de cada um, a natureza, a classificação e o valor atualizado do crédito,
discriminando sua origem, o regime dos respectivos vencimentos e a indicação
dos registros contábeis de cada transação pendente.

Recebido o pedido de homologação do plano de recuperação extrajudicial, seja


na forma do artigo 162, seja do 163, o juiz ordenará a publicação de edital no
órgão oficial e em jornal de grande circulação nacional ou das localidades da
sede e das filiais do devedor, convocando todos os credores do devedor para
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apresentação de suas impugnações ao plano de recuperação extrajudicial (LRE,


art. 164).

Mas não é por qualquer motivo que pode o credor impugnar o plano. Deve ser
por um dos motivos previstos no parágrafo terceiro do artigo 163, in verbis.

Art. 163, § 3o Para opor-se, em sua manifestação, à homologação do plano, os


credores somente poderão alegar:

I – não preenchimento do percentual mínimo previsto no caput do art. 163


desta Lei;
II – prática de qualquer dos atos previstos no inciso III do art. 94 ou do art.
130 desta Lei, ou descumprimento de requisito previsto nesta Lei;

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III – descumprimento de qualquer outra exigência legal.

Os credores terão prazo de 30 (trinta) dias, contado da publicação do edital,


para impugnarem o plano, juntando a prova de seu crédito (LRE, art. 163, §2º).

No prazo do edital, deverá o devedor comprovar o envio de carta a todos os


credores sujeitos ao plano, domiciliados ou sediados no país, informando a
distribuição do pedido, as condições do plano e prazo para impugnação (LRE,
art. 163, §1º).

Sendo apresentada impugnação, será aberto prazo de 5 (cinco) dias para que o
devedor sobre ela se manifeste (LRE, art. 163, §4º).

Havendo impugnação, cabe ao juiz decidir sobre a procedência ou não do


pedido de recuperação extrajudicial.

Na hipótese de não homologação do plano o devedor poderá, cumpridas as


formalidades, apresentar novo pedido de homologação de plano de recuperação
extrajudicial (LRE, art. 163, § 8º). Esta hipótese é válida se o vício for formal.

O plano de recuperação extrajudicial produz efeitos após sua homologação


judicial (LRE, art. 165).

É lícito, contudo, que o plano estabeleça a produção de efeitos anteriores à


homologação, desde que exclusivamente em relação à modificação do valor ou
da forma de pagamento dos credores signatários (LRE, art. 165, § 1º).

CRIMES FALIMENTARES

Vejamos os principais crimes falimentares previstos na Lei 11.101/2005:

Art. 168. Praticar, antes ou depois da sentença que decretar a falência,


conceder a recuperação judicial ou homologar a recuperação extrajudicial, ato
fraudulento de que resulte ou possa resultar prejuízo aos credores, com o fim
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de obter ou assegurar vantagem indevida para si ou para outrem.

Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.

Aumento da pena

§ 1o A pena aumenta-se de 1/6 (um sexto) a 1/3 (um terço), se o agente:

I – elabora escrituração contábil ou balanço com dados inexatos;


II – omite, na escrituração contábil ou no balanço, lançamento que deles
deveria constar, ou altera escrituração ou balanço verdadeiros;
III – destrói, apaga ou corrompe dados contábeis ou negociais armazenados em
computador ou sistema informatizado;

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IV – simula a composição do capital social;
V – destrói, oculta ou inutiliza, total ou parcialmente, os documentos de
escrituração contábil obrigatórios.

Contabilidade paralela

§ 2o A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até metade se o devedor manteve


ou movimentou recursos ou valores paralelamente à contabilidade exigida pela
legislação.

Concurso de pessoas

§ 3o Nas mesmas penas incidem os contadores, técnicos contábeis, auditores e


outros profissionais que, de qualquer modo, concorrerem para as condutas
criminosas descritas neste artigo, na medida de sua culpabilidade.

Redução ou substituição da pena

§ 4o Tratando-se de falência de microempresa ou de empresa de pequeno


porte, e não se constatando prática habitual de condutas fraudulentas por parte
do falido, poderá o juiz reduzir a pena de reclusão de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois
terços) ou substituí-la pelas penas restritivas de direitos, pelas de perda de
bens e valores ou pelas de prestação de serviços à comunidade ou a entidades
públicas.

Violação de sigilo empresarial

Art. 169. Violar, explorar ou divulgar, sem justa causa, sigilo empresarial ou
dados confidenciais sobre operações ou serviços, contribuindo para a condução
do devedor a estado de inviabilidade econômica ou financeira:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.

Divulgação de informações falsas 24678074520

Art. 170. Divulgar ou propalar, por qualquer meio, informação falsa sobre
devedor em recuperação judicial, com o fim de levá-lo à falência ou de obter
vantagem:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.

Indução a erro

Art. 171. Sonegar ou omitir informações ou prestar informações falsas no


processo de falência, de recuperação judicial ou de recuperação extrajudicial,
com o fim de induzir a erro o juiz, o Ministério Público, os credores, a
assembléia-geral de credores, o Comitê ou o administrador judicial:

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Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.

Favorecimento de credores

Art. 172. Praticar, antes ou depois da sentença que decretar a falência,


conceder a recuperação judicial ou homologar plano de recuperação
extrajudicial, ato de disposição ou oneração patrimonial ou gerador de
obrigação, destinado a favorecer um ou mais credores em prejuízo dos demais:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.

Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre o credor que, em conluio, possa
beneficiar-se de ato previsto no caput deste artigo.

Desvio, ocultação ou apropriação de bens

Art. 173. Apropriar-se, desviar ou ocultar bens pertencentes ao devedor sob


recuperação judicial ou à massa falida, inclusive por meio da aquisição por
interposta pessoa:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.

Aquisição, recebimento ou uso ilegal de bens

Art. 174. Adquirir, receber, usar, ilicitamente, bem que sabe pertencer à massa
falida ou influir para que terceiro, de boa-fé, o adquira, receba ou use:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.

Habilitação ilegal de crédito

Art. 175. Apresentar, em falência, recuperação judicial ou recuperação


extrajudicial, relação de créditos, habilitação de créditos ou reclamação falsas,
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ou juntar a elas título falso ou simulado:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.

Exercício ilegal de atividade

Art. 176. Exercer atividade para a qual foi inabilitado ou incapacitado por
decisão judicial, nos termos desta Lei:

Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.

Violação de impedimento

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Art. 177. Adquirir o juiz, o representante do Ministério Público, o administrador
judicial, o gestor judicial, o perito, o avaliador, o escrivão, o oficial de justiça ou
o leiloeiro, por si ou por interposta pessoa, bens de massa falida ou de devedor
em recuperação judicial, ou, em relação a estes, entrar em alguma especulação
de lucro, quando tenham atuado nos respectivos processos:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.

Omissão dos documentos contábeis obrigatórios

Art. 178. Deixar de elaborar, escriturar ou autenticar, antes ou depois da


sentença que decretar a falência, conceder a recuperação judicial ou homologar
o plano de recuperação extrajudicial, os documentos de escrituração contábil
obrigatórios:

Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa, se o fato não constitui


crime mais grave.

PRESCRIÇÃO DOS CRIMES FALIMENTARES

Art. 182. A prescrição dos crimes previstos nesta Lei reger-se-á pelas
disposições do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal,
começando a correr do dia da decretação da falência, da concessão da
recuperação judicial ou da homologação do plano de recuperação extrajudicial.

Parágrafo único. A decretação da falência do devedor interrompe a prescrição


cuja contagem tenha iniciado com a concessão da recuperação judicial ou com
a homologação do plano de recuperação extrajudicial.

A prescrição dos crimes poderá começar a fluir a partir do dia da decretação da


falência, da concessão da recuperação judicial ou da homologação do plano de
recuperação extrajudicial.

Atente-se, também, para o fato de que a prescrição dos crimes falimentares


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reger-se-á pelas disposições do Código Penal.

Anote-se, por fim, que a decretação da falência interrompe (e não


suspende) a prescrição cuja contagem tenha iniciado com a concessão da
recuperação judicial ou com a homologação do plano de recuperação
extrajudicial.
.

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QUESTÕES COMENTADAS

1. (CESPE/ABIN/Oficial de Inteligência/2010) Julgue o item a seguir, a respeito


das sociedades empresárias e do exercício da atividade empresarial.

O falido, inabilitado a desempenhar qualquer atividade empresarial a partir da


decretação de sua falência, será novamente autorizado a exercer o ofício
empresarial por meio de sentença que extinga suas obrigações, salvo se
condenado por crime falimentar.

Comentários

O item está correto, porque segundo a Lei de Falências e Recuperação Judicial:

Art. 102. O falido fica inabilitado para exercer qualquer atividade empresarial a
partir da decretação da falência e até a sentença que extingue suas obrigações,
respeitado o disposto no § 1o do art. 181 desta Lei.

Art. 181. São efeitos da condenação por crime previsto nesta Lei:

I - a inabilitação para o exercício de atividade empresarial;


II - o impedimento para o exercício de cargo ou função em conselho de
administração, diretoria ou gerência das sociedades sujeitas a esta Lei;
III - a impossibilidade de gerir empresa por mandato ou por gestão de negócio.

§ 1o Os efeitos de que trata este artigo não são automáticos, devendo ser
motivadamente declarados na sentença, e perdurarão até 5 (cinco) anos após a
extinção da punibilidade, podendo, contudo, cessar antes pela reabilitação
penal.

Gabarito  Correto.
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2. (CESPE/Procurador do Estado do Ceará/2007) A Lei n.º 11.101/2005, que


regula a recuperação judicial, a recuperação extrajudicial e a falência do
empresário e da sociedade empresária, aplica-se a:

A empresa pública exploradora de atividade econômica.


B instituição financeira privada.
C sociedade de capitalização.
D sociedades simples.
E pessoas jurídicas irregulares.

Comentários

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Dissemos que a falência se aplica ao empresário individual e à sociedade
empresária.

Lembre-se do conceito de empresário já tratado quando do estudo do artigo


966, a saber:

Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade


econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.

A própria Lei de Recuperação de Empresas propõe:

Art. 1o Esta Lei disciplina a recuperação judicial, a recuperação extrajudicial e a


falência do empresário e da sociedade empresária, doravante referidos
simplesmente como devedor.

As sociedades simples, os profissionais liberais, as sociedades de advogados, as


cooperativas, portanto, não se sujeitam aos efeitos da Lei 11.101/2005.

Ressalte-se, também, que alguns empresários, embora atendam a todos os


requisitos para a classificação como tal, estão excluídos, total ou parcialmente
das aplicações da Lei 11.101/2005, aplicando-se a legislação específica:

Art. 2o Esta Lei não se aplica a:

I – empresa pública e sociedade de economia mista;


II – instituição financeira pública ou privada, cooperativa de crédito, consórcio,
entidade de previdência complementar, sociedade operadora de plano de
assistência à saúde, sociedade seguradora, sociedade de capitalização e outras
entidades legalmente equiparadas às anteriores.

Contudo, as pessoas jurídicas irregulares estão sujeitas ao procedimento


falimentar.

Gabarito  E.
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3. (CESPE/Procurador do Estado do Ceará/2007) Considere que Leo seja


mandatário de certa sociedade empresária para a realização de negócios afetos
à sua atividade-fim. Nesse caso, a decretação da falência da sociedade cessará
os efeitos do mandato conferido a Leo.

Comentários

Segundo a Lei de Falências e Recuperação Judicial:

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Art. 120. O mandato conferido pelo devedor, antes da falência, para a


realização de negócios, cessará seus efeitos com a decretação da falência,
cabendo ao mandatário prestar contas de sua gestão.

§ 1o O mandato conferido para representação judicial do devedor continua em


vigor até que seja expressamente revogado pelo administrador judicial.
§ 2o Para o falido, cessa o mandato ou comissão que houver recebido antes da
falência, salvo os que versem sobre matéria estranha à atividade empresarial.

Gabarito  Correto.

4. (CESPE/Procurador do Estado do Ceará/2007) Considere que a VR


Administração e Participações Ltda. tenha locado imóvel à P&B Livraria Ltda.-
ME. Nessa situação, a decretação da falência da VR Administração e
Participações Ltda. acarreta a resolução do contrato de locação firmado com a
P&B Livraria Ltda.-ME.

Comentários

Art. 117. Os contratos bilaterais não se resolvem pela falência e podem ser
cumpridos pelo administrador judicial se o cumprimento reduzir ou evitar o
aumento do passivo da massa falida ou for necessário à manutenção e
preservação de seus ativos, mediante autorização do Comitê.

Entre os contratos que não se resolvem pela falência se encontra, também, o


contrato de locação. Além deste, contratos de franquia, arrendamento, locação
em shopping também não se resolvem.

Gabarito  Errado.

5. (CESPE/Procurador do Estado do Ceará/2007) Todos os contratos de


execução continuada do devedor, sejam eles bilaterais, unilaterais ou
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administrativos, serão extintos automaticamente com a decretação da falência.

Comentários

O item está incorreto. Dissemos que os contratos bilaterais não se resolvem


pela falência (LRE, art. 117).

Gabarito  Errado.

6. (CESPE/Procurador do Estado do Ceará/2007) Devem ser compensadas, com


preferência sobre todos os outros créditos, as dívidas do falido vencidas até a

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data da decretação da falência, desde que o vencimento seja proveniente da
sentença que decretou a falência.

Comentários

O item está incorreto. Segundo a LRE:

Art. 122. Compensam-se, com preferência sobre todos os demais credores, as


dívidas do devedor vencidas até o dia da decretação da falência, provenha o
vencimento da sentença de falência ou não, obedecidos os requisitos da
legislação civil.

Parágrafo único. Não se compensam:


I – os créditos transferidos após a decretação da falência, salvo em caso de
sucessão por fusão, incorporação, cisão ou morte; ou
II – os créditos, ainda que vencidos anteriormente, transferidos quando já
conhecido o estado de crise econômico-financeira do devedor ou cuja
transferência se operou com fraude ou dolo.

A compensação está prevista no artigo 368 do Código Civil, que diz:

Art. 368. Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da
outra, as duas obrigações extinguem-se, até onde se compensarem.

Gabarito  Errado.

7. (CESPE/Procurador do Estado do Ceará/2007) A decretação da falência priva


a sociedade empresária falida da administração de seus bens, mas mantém
incólume o direito de qualquer sócio de exercer o direito de retirada ou de
recebimento do valor de suas quotas.

Comentários
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Segundo a Lei da Falência e Recuperação de Empresas:

Art. 103. Desde a decretação da falência ou do seqüestro, o devedor perde o


direito de administrar os seus bens ou deles dispor.

Art. 116. A decretação da falência suspende:

I – o exercício do direito de retenção sobre os bens sujeitos à arrecadação, os


quais deverão ser entregues ao administrador judicial;
II – o exercício do direito de retirada ou de recebimento do valor de suas
quotas ou ações, por parte dos sócios da sociedade falida.

Gabarito  Errado.

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8. (CESPE/Procurador do Estado da Paraíba/2008) O juízo da falência é


indivisível e competente para todas as ações e reclamações sobre bens,
interesses e negócios da massa falida, ressalvadas as causas trabalhistas,
fiscais e aquelas não reguladas pela Lei de Falências em que o falido figura
como autor ou litisconsorte ativo.

Comentários

Literalidade do artigo 76:

Art. 76. O juízo da falência é indivisível e competente para conhecer todas as


ações sobre bens, interesses e negócios do falido, ressalvadas as causas
trabalhistas, fiscais e aquelas não reguladas nesta Lei em que o falido figurar
como autor ou litisconsorte ativo.

Gabarito  Correto.

9. (CESPE/BB/2011) O devedor ou os seus administradores sempre devem ser


mantidos na condução da atividade empresarial durante o procedimento de
recuperação judicial, sob fiscalização direta e exclusiva do juiz competente.

Comentários

Segundo o artigo 64 da Lei, durante o procedimento de recuperação judicial, o


devedor ou seus administradores serão mantidos na condução da
atividade empresarial, sob fiscalização do Comitê, se houver, e do
administrador judicial, salvo se qualquer deles:

I – houver sido condenado em sentença penal transitada em julgado por crime


cometido em recuperação judicial ou falência anteriores ou por crime contra o
patrimônio, a economia popular ou a ordem econômica previstos na legislação
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vigente;
II – houver indícios veementes de ter cometido crime previsto nesta Lei;
III – houver agido com dolo, simulação ou fraude contra os interesses de seus
credores;
IV – houver praticado qualquer das seguintes condutas:

a) efetuar gastos pessoais manifestamente excessivos em relação a sua


situação patrimonial;
b) efetuar despesas injustificáveis por sua natureza ou vulto, em relação ao
capital ou gênero do negócio, ao movimento das operações e a outras
circunstâncias análogas;
c) descapitalizar injustificadamente a empresa ou realizar operações prejudiciais
ao seu funcionamento regular;

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d) simular ou omitir créditos ao apresentar a relação de que trata o inciso III
do caput do art. 51 desta Lei, sem relevante razão de direito ou amparo de
decisão judicial;

V – negar-se a prestar informações solicitadas pelo administrador judicial ou


pelos demais membros do Comitê;
VI – tiver seu afastamento previsto no plano de recuperação judicial.

Gabarito  Errado.

10. (CESPE/BB/2011) Os preceitos dessa nova lei são também aplicáveis às


instituições financeiras públicas e privadas.

Comentários

Segundo a Lei 11.101/2005:

Art. 2o Esta Lei não se aplica a:

I – empresa pública e sociedade de economia mista;


II – instituição financeira pública ou privada, cooperativa de crédito,
consórcio, entidade de previdência complementar, sociedade operadora de
plano de assistência à saúde, sociedade seguradora, sociedade de capitalização
e outras entidades legalmente equiparadas às anteriores.

Gabarito  Errado.

11. (CESPE/BB/2011) Nos processos de recuperação judicial e de falência, o


comitê de credores tem competência para fiscalizar as atividades do
administrador judicial. No entanto, esse comitê não detém poderes para
examinar as contas do administrador judicial, pois essa atividade é prerrogativa
do juiz competente. 24678074520

Comentários

Segundo a Lei 11.101/2005:

Art. 27. O Comitê de Credores terá as seguintes atribuições, além de outras


previstas nesta Lei:

I – na recuperação judicial e na falência:

a) fiscalizar as atividades e examinar as contas do administrador


judicial;
b) zelar pelo bom andamento do processo e pelo cumprimento da lei;

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c) comunicar ao juiz, caso detecte violação dos direitos ou prejuízo aos


interesses dos credores;
d) apurar e emitir parecer sobre quaisquer reclamações dos interessados;
e) requerer ao juiz a convocação da assembléia-geral de credores;
f) manifestar-se nas hipóteses previstas nesta Lei;

II – na recuperação judicial:

a) fiscalizar a administração das atividades do devedor, apresentando, a cada


30 (trinta) dias, relatório de sua situação;
b) fiscalizar a execução do plano de recuperação judicial;
c) submeter à autorização do juiz, quando ocorrer o afastamento do devedor
nas hipóteses previstas nesta Lei, a alienação de bens do ativo permanente, a
constituição de ônus reais e outras garantias, bem como atos de endividamento
necessários à continuação da atividade empresarial durante o período que
antecede a aprovação do plano de recuperação judicial.

Gabarito  Errado.

12. (CESPE/BB/2011) A decretação da falência provoca a conversão de todos


os créditos em moeda estrangeira para a moeda do país, tendo por base a taxa
de câmbio do dia da decisão judicial.

Comentários

A decretação da falência determina o vencimento antecipado das dívidas do


devedor e dos sócios ilimitada e solidariamente responsáveis, com o abatimento
proporcional dos juros, e converte todos os créditos em moeda estrangeira para
a moeda do País, pelo câmbio do dia da decisão judicial, para todos os efeitos
da Lei de Falências (LRE, art. 77).

Gabarito  Correto.
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13. (CESPE/BB/2011) Na falência, os créditos tributários, independentemente


da sua natureza e do tempo de sua constituição, excetuadas as multas
tributárias, têm preferência sobre os créditos com garantia real até o limite do
valor do bem gravado.

Comentários

Art. 83. A classificação dos créditos na falência obedece à seguinte ordem:

I – os créditos derivados da legislação do trabalho, limitados a 150 (cento e


cinqüenta) salários-mínimos por credor, e os decorrentes de acidentes de
trabalho;

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II - créditos com garantia real até o limite do valor do bem gravado;


III – créditos tributários, independentemente da sua natureza e tempo de
constituição, excetuadas as multas tributárias.

(...)

Portanto, os créditos com garantia real preferem aos créditos tributários,


excetuadas as multas tributárias.

Gabarito  Errado.

14. (Cespe/Juiz de Direito/TJ AC/2007) A CBA Livraria Ltda. procedeu à


liquidação antecipada de seus ativos e, por essa razão, alguns de seus credores
decidiram requerer sua falência. Considerando o disposto, julgue a assertiva
que se segue. Qualquer credor da CBA Livraria Ltda. pode requerer sua
falência, desde que preste caução relativa às custas do processo.

Comentários

A exigência de caução é feita apenas para os credores que não tenham


domicílio no Brasil, conforme o artigo 97, §2º.

Para os credores nacionais não existe essa exigência.

Gabarito  Incorreto.

15. (CESPE/Juiz Substituto/TJ/SE/2008) Na classificação dos créditos


falimentares, os créditos tributários constituídos antes da decretação da falência
terão preferência sobre os créditos com garantia real.
Comentários
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O item está incorreto.

PREFERÊNCIA DOS CRÉDITOS NA FALÊNCIA

3) Bens gravados com garantia real, até o limite do bem gravado;


4) créditos tributários, independentemente da sua natureza e tempo de
constituição, excetuadas as multas tributárias;

Gabarito  Incorreto.

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16. (Cespe/Procurador/PGE/PI/2008) As garantias já oferecidas por avalistas e
fiadores serão limitadas aos novos valores dos créditos como definidos no plano
de recuperação judicial.

Comentários

Os credores do devedor em recuperação judicial conservam seus direitos e


privilégios contra os coobrigados, fiadores e obrigados de regresso (LF, art. 49,
§1º).

O item resta incorreto, haja vista que não há modificação dos direitos e
privilégios contra os coobrigados, fiadores e obrigados de regresso.

Gabarito  Incorreto.

17. (CESPE/Procurador PGE PI/2008) Haverá novação dos créditos abrangidos


pela recuperação judicial.

Comentários

O que vem a ser novação? Novação, em linguajar simplificado, é a criação de


obrigação nova, para extinguir uma anterior. Segundo a Lei de Falências e
Recuperação Judicial:

Art. 59. O plano de recuperação judicial implica novação dos créditos anteriores
ao pedido, e obriga o devedor e todos os credores a ele sujeitos, sem prejuízo
das garantias, observado o disposto no § 1o do art. 50 desta Lei.

Gabarito  Correto.

18. (CESPE/Analista/Advocacia/SERPRO/2013) Sobre os administradores da


sociedade limitada recairão os deveres impostos pela lei falimentar no caso de
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falência, não sendo cabível nenhuma restrição à pessoa dos sócios que não
sejam administradores da sociedade.

Comentários

Mais uma vez, os enunciados do CJF estão sendo cobrados. Senão vejamos:

Enunciado 49: Sobre os administradores da sociedade limitada recairão os


deveres impostos pela lei falimentar no caso de falência, não sendo cabível
nenhuma restrição à pessoa dos sócios que não sejam administradores da
sociedade.

Gabarito  Correto.

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19. (CESPE/Analista/Advocacia/SERPRO/2013) A falência do devedor


empresário não poderá ser requerida pela fazenda pública, por esta não possuir
legitimidade ou interesse de agir.

Comentários

Vimos que os que podem solicitar a falência de devedor são:

Art. 97. Podem requerer a falência do devedor:

I – o próprio devedor, na forma do disposto nos arts. 105 a 107 desta Lei;
II – o cônjuge sobrevivente, qualquer herdeiro do devedor ou o inventariante;
III – o cotista ou o acionista do devedor na forma da lei ou do ato constitutivo
da sociedade;
IV – qualquer credor.

Numa primeira leitura é de se pensar que a Fazenda poderia estar inclusa no


inciso IV da Lei Falimentar. Contudo, tal pensamento está equivocado.

Segundo o E. STJ:

(363206 MG 2001/0148271-0, Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS, Data de


Julgamento: 04/05/2010, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe
21/05/2010)

TRIBUTÁRIO E COMERCIAL -CRÉDITO TRIBUTÁRIO - FAZENDA PÚBLICA -


AUSÊNCIA DE LEGITIMIDADE PARA REQUERER A FALÊNCIA DE
EMPRESA.

1. A controvérsia versa sobre a legitimidade de a Fazenda Pública requerer


falência de empresa.
2. O art. 187 do CTN dispõe que os créditos fiscais não estão sujeitos a
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concurso de credores. Já os arts. 5º, 29 e 31 da LEF, a fortiori, determinam que


o crédito tributário não está abrangido no processo falimentar, razão pela qual
carece interesse por parte da Fazenda em pleitear a falência de empresa. 187
CTN 5º 2931 LEF
3. Tanto o Decreto-lei n. 7.661/45 quanto a Lei n. 11.101/2005 foram
inspirados no princípio da conservação da empresa, pois preveem
respectivamente, dentro da perspectiva de sua função social, a chamada
concordata e o instituto da recuperação judicial, cujo objetivo maior é conceder
benefícios às empresas que, embora não estejam formalmente falidas,
atravessam graves dificuldades econômico-financeiras, colocando em risco o
empreendimento empresarial.7.66111.101

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4. O princípio da conservação da empresa pressupõe que a quebra não é um
fenômeno econômico que interessa apenas aos credores, mas sim, uma
manifestação jurídico-econômica na qual o Estado tem interesse preponderante.
5. Nesse caso, o interesse público não se confunde com o interesse da Fazenda,
pois o Estado passa a valorizar a importância da iniciativa empresarial para a
saúde econômica de um país. Nada mais certo, na medida em que quanto
maior a iniciativa privada em determinada localidade, maior o progresso
econômico, diante do aquecimento da economia causado a partir da geração de
empregos.
6. Raciocínio diverso, isto é, legitimar a Fazenda Pública a requerer falência das
empresas inviabilizaria a superação da situação de crise econômico-financeira
do devedor, não permitindo a manutenção da fonte produtora, do emprego dos
trabalhadores, tampouco dos interesses dos credores, desestimulando a
atividade econômico-capitalista. Dessarte, a Fazenda poder requerer a quebra
da empresa implica incompatibilidade com a ratio essendi da Lei de Falências,
mormente o princípio da conservação da empresa, embasador da norma
falimentar. Recurso especial improvido.

Gabarito  Correto.

20. (CESPE/Delegado de Polícia Federal/2013) De acordo com a legislação


empresarial vigente, julgue o item a seguir.

Em caso de falência de sociedades, diretor e gerente equiparam-se ao falido


para todos os efeitos penais, na medida da culpabilidade de cada um dos
envolvidos, estando sujeitos, em caso de condenação, à inabilitação para o
exercício da atividade empresarial, que deve ser certificada pelo delegado que
tenha acompanhado o inquérito.

Comentários

Segundo a Lei 11.101/2005:


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Art. 179. Na falência, na recuperação judicial e na recuperação extrajudicial de


sociedades, os seus sócios, diretores, gerentes, administradores e conselheiros,
de fato ou de direito, bem como o administrador judicial, equiparam-se ao
devedor ou falido para todos os efeitos penais decorrentes desta Lei, na medida
de sua culpabilidade.

Art. 181. São efeitos da condenação por crime previsto nesta Lei:

I – a inabilitação para o exercício de atividade empresarial;


II – o impedimento para o exercício de cargo ou função em conselho de
administração, diretoria ou gerência das sociedades sujeitas a esta Lei;
III – a impossibilidade de gerir empresa por mandato ou por gestão de negócio.

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§ 1o Os efeitos de que trata este artigo não são automáticos, devendo


ser motivadamente declarados na sentença, e perdurarão até 5 (cinco)
anos após a extinção da punibilidade, podendo, contudo, cessar antes
pela reabilitação penal.

Portanto, todos esses efeitos são fixados em sentença.

Gabarito  Errado.

21. (CESPE/Delegado de Polícia Federal/2013) No que se refere à falência,


julgue o item a seguir.

Na falência, os créditos decorrentes de acidentes de trabalho, ao contrário dos


créditos trabalhistas, não estão limitados ao valor de cento e cinquenta salários
mínimos.

Comentários

O item está correto. Vejamos o que diz o artigo 83 da Lei 11.101:

Art. 83. A classificação dos créditos na falência obedece à seguinte ordem:

I – os créditos derivados da legislação do trabalho, limitados a 150 (cento e


cinqüenta) salários-mínimos por credor, e os decorrentes de acidentes de
trabalho;

Notem que a limitação diz respeito tão-somente aos créditos derivados da


legislação de trabalho, não se aplicando àqueles decorrentes de acidentes de
trabalho.

Gabarito  Correto.

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22. (CESPE/Delegado de Polícia Federal/2013) No que se refere à falência,


julgue o item a seguir.

A sociedade seguradora não se submete ao regime falimentar da atual Lei de


Falências, de modo que a decretação da sua falência é inadmitida pelo
ordenamento jurídico em vigor.

Comentários

Segundo a Lei 11.101:

Art. 2o Esta Lei não se aplica a:

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I – empresa pública e sociedade de economia mista;


II – instituição financeira pública ou privada, cooperativa de crédito, consórcio,
entidade de previdência complementar, sociedade operadora de plano de
assistência à saúde, sociedade seguradora, sociedade de capitalização e
outras entidades legalmente equiparadas às anteriores.

Isso não significa que a sociedade seguradora não esteja sujeita à falência, mas
submete-se à regime jurídico diverso (Lei 6.024/74).

Gabarito  Errado.

23. (CESPE/Procurador/PGE/BA/2014) No que se refere ao direito falimentar,


julgue o item a seguir.

A lei exclui total e absolutamente do direito falimentar as sociedades de


economia mista, as empresas públicas e as câmaras de compensação.

Comentários

Com base na Lei de Falências e Recuperação Judicial:

Art. 2o Esta Lei não se aplica a:

I – empresa pública e sociedade de economia mista;


II – instituição financeira pública ou privada, cooperativa de crédito, consórcio,
entidade de previdência complementar, sociedade operadora de plano de
assistência à saúde, sociedade seguradora, sociedade de capitalização e outras
entidades legalmente equiparadas às anteriores.

Questão, portanto, correta.

Gabarito  Correto.
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24. (FCC/Titular de Serviços Notariais/TJ PE/2013) Na alienação judicial


de imóvel realizada no processo de falência, o arrematante:

a) responderá como sucessor de todas as obrigações do devedor.


b) responderá apenas como sucessor nas obrigações tributárias.
c) responderá apenas como sucessor nas obrigações trabalhistas.
d) responderá apenas como sucessor nas obrigações por acidentes do trabalho.
e) não será sucessor nas obrigações do devedor, inclusive as de natureza
tributária, as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de acidentes
de trabalho.

Comentários

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Conforme dissemos na aula:

Art. 141. Na alienação conjunta ou separada de ativos, inclusive da empresa ou


de suas filiais, promovida sob qualquer das modalidades de que trata este
artigo:

II – o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá


sucessão do arrematante nas obrigações do devedor, inclusive as de
natureza tributária, as derivadas da legislação do trabalho e as
decorrentes de acidentes de trabalho.

Gabarito  E.

25. (FCC/Juiz do Trabalho/TRT 6ª/2013) O plano de recuperação judicial


poderá prever, observada a legislação pertinente a cada caso, dentre outros
meios de recuperação,

a) a ineficácia dos contratos de alienação fiduciária.


b) a alienação de bem objeto de garantia real, com a supressão da garantia,
independente de aprovação expressa do credor titular da respectiva garantia.
c) nos créditos em moeda estrangeira, o afastamento da variação cambial,
independente de aprovação expressa do credor titular do respectivo crédito.
d) a redução salarial e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção
coletiva.
e) o parcelamento dos créditos tributários no prazo máximo de quinze anos.

Comentários

Vejamos o que prega o artigo 50 da Lei de Falências:

Art. 50. Constituem meios de recuperação judicial, observada a legislação


pertinente a cada caso, dentre outros:
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I – concessão de prazos e condições especiais para pagamento das obrigações


vencidas ou vincendas;
II – cisão, incorporação, fusão ou transformação de sociedade, constituição de
subsidiária integral, ou cessão de cotas ou ações, respeitados os direitos dos
sócios, nos termos da legislação vigente;
III – alteração do controle societário;
IV – substituição total ou parcial dos administradores do devedor ou
modificação de seus órgãos administrativos;
V – concessão aos credores de direito de eleição em separado de
administradores e de poder de veto em relação às matérias que o plano
especificar;
VI – aumento de capital social;

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VII – trespasse ou arrendamento de estabelecimento, inclusive à sociedade


constituída pelos próprios empregados;
VIII – redução salarial, compensação de horários e redução da jornada,
mediante acordo ou convenção coletiva;
IX – dação em pagamento ou novação de dívidas do passivo, com ou sem
constituição de garantia própria ou de terceiro;
X – constituição de sociedade de credores;
XI – venda parcial dos bens;
XII – equalização de encargos financeiros relativos a débitos de qualquer
natureza, tendo como termo inicial a data da distribuição do pedido de
recuperação judicial, aplicando-se inclusive aos contratos de crédito rural, sem
prejuízo do disposto em legislação específica;
XIII – usufruto da empresa;
XIV – administração compartilhada;
XV – emissão de valores mobiliários;
XVI – constituição de sociedade de propósito específico para adjudicar, em
pagamento dos créditos, os ativos do devedor.

§ 1o Na alienação de bem objeto de garantia real, a supressão da garantia ou


sua substituição somente serão admitidas mediante aprovação expressa do
credor titular da respectiva garantia.
§ 2o Nos créditos em moeda estrangeira, a variação cambial será conservada
como parâmetro de indexação da correspondente obrigação e só poderá ser
afastada se o credor titular do respectivo crédito aprovar expressamente
previsão diversa no plano de recuperação judicial.

Vejamos item a item...

a) a ineficácia dos contratos de alienação fiduciária.

Não há previsão no artigo para este tipo de recuperação judicial. Ademais,


prescreve a Lei de Falências que:

Art. 49. § 3o Tratando-se de credor titular da posição de proprietário fiduciário


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de bens móveis ou imóveis, de arrendador mercantil, de proprietário ou


promitente vendedor de imóvel cujos respectivos contratos contenham cláusula
de irrevogabilidade ou irretratabilidade, inclusive em incorporações imobiliárias,
ou de proprietário em contrato de venda com reserva de domínio, seu crédito
não se submeterá aos efeitos da recuperação judicial e prevalecerão os direitos
de propriedade sobre a coisa e as condições contratuais, observada a legislação
respectiva, não se permitindo, contudo, durante o prazo de suspensão a que se
refere o § 4o do art. 6o desta Lei, a venda ou a retirada do estabelecimento do
devedor dos bens de capital essenciais a sua atividade empresarial.

b) a alienação de bem objeto de garantia real, com a supressão da


garantia, independente de aprovação expressa do credor titular da
respectiva garantia.

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Conforme prega o parágrafo primeiro do respectivo artigo 50, na alienação de


bem objeto de garantia real, a supressão da garantia ou sua substituição
somente serão admitidas mediante aprovação expressa do credor titular da
respectiva garantia.

Item, portanto, incorreto.

c) nos créditos em moeda estrangeira, o afastamento da variação


cambial, independente de aprovação expressa do credor titular do
respectivo crédito.

Nos créditos em moeda estrangeira, a variação cambial será conservada como


parâmetro de indexação da correspondente obrigação e só poderá ser afastada
se o credor titular do respectivo crédito aprovar expressamente previsão
diversa no plano de recuperação judicial (LF, art. 50, §2º).

Item, assim, incorreto.

d) a redução salarial e a redução da jornada, mediante acordo ou


convenção coletiva.

Este é o nosso gabarito.

Art. 50. Constituem meios de recuperação judicial, observada a legislação


pertinente a cada caso, dentre outros:

VIII – redução salarial, compensação de horários e redução da jornada,


mediante acordo ou convenção coletiva;

e) o parcelamento dos créditos tributários no prazo máximo de quinze


anos.

Segundo a Lei 11.101: 24678074520

Art. 68. As Fazendas Públicas e o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS


poderão deferir, nos termos da legislação específica, parcelamento de seus
créditos, em sede de recuperação judicial, de acordo com os parâmetros
estabelecidos na Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário
Nacional.

Segundo o Código Tributário Nacional:

Art. 155-A. O parcelamento será concedido na forma e condição estabelecidas


em lei específica.

§ 3º - Lei específica disporá sobre as condições de parcelamento dos créditos

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tributários do devedor em recuperação judicial.

Essa lei, contudo, ainda não foi editada.

Gabarito  D.

26. (FCC/Juiz de Direito/TRT/AM/2012) No tocante à recuperação judicial


ou à falência, é correto afirmar:

a) Estão sujeitos à recuperação judicial todos os créditos existentes na data do


pedido, desde que vencidos.
b) Os credores do devedor em recuperação judicial, enquanto esta durar,
perdem seus direitos e privilégios contra os coobrigados, fiadores e obrigados
em direito regressivo.
c) A decretação da falência ou o deferimento do processamento da recuperação
judicial suspende o curso da prescrição e de todas as ações e execuções em
face do devedor, inclusive aquelas dos credores particulares do sócio solidário.
d) Poderá requerer recuperação judicial o devedor que, no momento do pedido,
exerça regularmente suas atividades há pelo menos cinco anos e não tenha, há
menos de dois anos, obtido concessão de anterior recuperação judicial.
e) A recuperação judicial é personalíssima do devedor, não podendo pois ser
requerida por seus herdeiros ou pelo cônjuge supérstite.

Comentários

Como de praxe, comentemos item a item...

a) Estão sujeitos à recuperação judicial todos os créditos existentes na


data do pedido, desde que vencidos.

Segundo a LF:

Art. 49. Estão sujeitos à recuperação judicial todos os créditos existentes na


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data do pedido, ainda que não vencidos.

b) Os credores do devedor em recuperação judicial, enquanto esta


durar, perdem seus direitos e privilégios contra os coobrigados,
fiadores e obrigados em direito regressivo.

Segundo o artigo 49, da LF:

Art. 49. § 1o Os credores do devedor em recuperação judicial conservam seus


direitos e privilégios contra os coobrigados, fiadores e obrigados de regresso.

c) A decretação da falência ou o deferimento do processamento da


recuperação judicial suspende o curso da prescrição e de todas as

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ações e execuções em face do devedor, inclusive aquelas dos credores
particulares do sócio solidário.

Item correto. Senão vejamos:

Art. 6o A decretação da falência ou o deferimento do processamento da


recuperação judicial suspende o curso da prescrição e de todas as ações e
execuções em face do devedor, inclusive aquelas dos credores particulares do
sócio solidário.

d) Poderá requerer recuperação judicial o devedor que, no momento do


pedido, exerça regularmente suas atividades há pelo menos cinco anos
e não tenha, há menos de dois anos, obtido concessão de anterior
recuperação judicial.

O item está incorreto.

Art. 48. Poderá requerer recuperação judicial o devedor que, no momento do


pedido, exerça regularmente suas atividades há mais de 2 (dois) anos e que
atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente:

I – não ser falido e, se o foi, estejam declaradas extintas, por sentença


transitada em julgado, as responsabilidades daí decorrentes;
II – não ter, há menos de 5 (cinco) anos, obtido concessão de recuperação
judicial;
III – não ter, há menos de 8 (oito) anos, obtido concessão de recuperação
judicial com base no plano especial de que trata a Seção V deste Capítulo;
IV – não ter sido condenado ou não ter, como administrador ou sócio
controlador, pessoa condenada por qualquer dos crimes previstos nesta Lei.

e) A recuperação judicial é personalíssima do devedor, não podendo


pois ser requerida por seus herdeiros ou pelo cônjuge supérstite.

Este item, por fim, está incorreto. Segundo o artigo 48, parágrafo único:
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Art. 48. Parágrafo único. A recuperação judicial também poderá ser requerida
pelo cônjuge sobrevivente, herdeiros do devedor, inventariante ou sócio
remanescente.

Gabarito  C.

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QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA

1. (CESPE/ABIN/Oficial de Inteligência/2010) Julgue o item a seguir, a respeito


das sociedades empresárias e do exercício da atividade empresarial.

O falido, inabilitado a desempenhar qualquer atividade empresarial a partir da


decretação de sua falência, será novamente autorizado a exercer o ofício
empresarial por meio de sentença que extinga suas obrigações, salvo se
condenado por crime falimentar.

2. (CESPE/Procurador do Estado do Ceará/2007) A Lei n.º 11.101/2005, que


regula a recuperação judicial, a recuperação extrajudicial e a falência do
empresário e da sociedade empresária, aplica-se a:

A empresa pública exploradora de atividade econômica.


B instituição financeira privada.
C sociedade de capitalização.
D sociedades simples.
E pessoas jurídicas irregulares.

3. (CESPE/Procurador do Estado do Ceará/2007) Considere que Leo seja


mandatário de certa sociedade empresária para a realização de negócios afetos
à sua atividade-fim. Nesse caso, a decretação da falência da sociedade cessará
os efeitos do mandato conferido a Leo.

4. (CESPE/Procurador do Estado do Ceará/2007) Considere que a VR


Administração e Participações Ltda. tenha locado imóvel à P&B Livraria Ltda.-
ME. Nessa situação, a decretação da falência da VR Administração e
Participações Ltda. acarreta a resolução do contrato de locação firmado com a
P&B Livraria Ltda.-ME.

5. (CESPE/Procurador do Estado do Ceará/2007) Todos os contratos de


execução continuada do devedor, sejam eles bilaterais, unilaterais ou
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administrativos, serão extintos automaticamente com a decretação da falência.

6. (CESPE/Procurador do Estado do Ceará/2007) Devem ser compensadas, com


preferência sobre todos os outros créditos, as dívidas do falido vencidas até a
data da decretação da falência, desde que o vencimento seja proveniente da
sentença que decretou a falência.

7. (CESPE/Procurador do Estado do Ceará/2007) A decretação da falência priva


a sociedade empresária falida da administração de seus bens, mas mantém
incólume o direito de qualquer sócio de exercer o direito de retirada ou de
recebimento do valor de suas quotas.

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8. (CESPE/Procurador do Estado da Paraíba/2008) O juízo da falência é
indivisível e competente para todas as ações e reclamações sobre bens,
interesses e negócios da massa falida, ressalvadas as causas trabalhistas,
fiscais e aquelas não reguladas pela Lei de Falências em que o falido figura
como autor ou litisconsorte ativo.

9. (CESPE/BB/2011) O devedor ou os seus administradores sempre devem ser


mantidos na condução da atividade empresarial durante o procedimento de
recuperação judicial, sob fiscalização direta e exclusiva do juiz competente.

10. (CESPE/BB/2011) Os preceitos dessa nova lei são também aplicáveis às


instituições financeiras públicas e privadas.

11. (CESPE/BB/2011) Nos processos de recuperação judicial e de falência, o


comitê de credores tem competência para fiscalizar as atividades do
administrador judicial. No entanto, esse comitê não detém poderes para
examinar as contas do administrador judicial, pois essa atividade é prerrogativa
do juiz competente.

12. (CESPE/BB/2011) A decretação da falência provoca a conversão de todos


os créditos em moeda estrangeira para a moeda do país, tendo por base a taxa
de câmbio do dia da decisão judicial.

13. (CESPE/BB/2011) Na falência, os créditos tributários, independentemente


da sua natureza e do tempo de sua constituição, excetuadas as multas
tributárias, têm preferência sobre os créditos com garantia real até o limite do
valor do bem gravado.

14. (Cespe/Juiz de Direito/TJ AC/2007) A CBA Livraria Ltda. procedeu à


liquidação antecipada de seus ativos e, por essa razão, alguns de seus credores
decidiram requerer sua falência. Considerando o disposto, julgue a assertiva
que se segue. Qualquer credor da CBA Livraria Ltda. pode requerer sua
falência, desde que preste caução relativa às custas do processo.
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15. (CESPE/Juiz Substituto/TJ/SE/2008) Na classificação dos créditos


falimentares, os créditos tributários constituídos antes da decretação da falência
terão preferência sobre os créditos com garantia real.
16. (Cespe/Procurador/PGE/PI/2008) As garantias já oferecidas por avalistas e
fiadores serão limitadas aos novos valores dos créditos como definidos no plano
de recuperação judicial.

17. (CESPE/Procurador PGE PI/2008) Haverá novação dos créditos abrangidos


pela recuperação judicial.

18. (CESPE/Analista/Advocacia/SERPRO/2013) Sobre os administradores da


sociedade limitada recairão os deveres impostos pela lei falimentar no caso de

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falência, não sendo cabível nenhuma restrição à pessoa dos sócios que não
sejam administradores da sociedade.

19. (CESPE/Analista/Advocacia/SERPRO/2013) A falência do devedor


empresário não poderá ser requerida pela fazenda pública, por esta não possuir
legitimidade ou interesse de agir.

20. (CESPE/Delegado de Polícia Federal/2013) De acordo com a legislação


empresarial vigente, julgue o item a seguir.

Em caso de falência de sociedades, diretor e gerente equiparam-se ao falido


para todos os efeitos penais, na medida da culpabilidade de cada um dos
envolvidos, estando sujeitos, em caso de condenação, à inabilitação para o
exercício da atividade empresarial, que deve ser certificada pelo delegado que
tenha acompanhado o inquérito.

21. (CESPE/Delegado de Polícia Federal/2013) No que se refere à falência,


julgue o item a seguir.

Na falência, os créditos decorrentes de acidentes de trabalho, ao contrário dos


créditos trabalhistas, não estão limitados ao valor de cento e cinquenta salários
mínimos.

22. (CESPE/Delegado de Polícia Federal/2013) No que se refere à falência,


julgue o item a seguir.

A sociedade seguradora não se submete ao regime falimentar da atual Lei de


Falências, de modo que a decretação da sua falência é inadmitida pelo
ordenamento jurídico em vigor.

23. (CESPE/Procurador/PGE/BA/2014) No que se refere ao direito falimentar,


julgue o item a seguir.

A lei exclui total e absolutamente do direito falimentar as sociedades de


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economia mista, as empresas públicas e as câmaras de compensação.

24. (FCC/Titular de Serviços Notariais/TJ PE/2013) Na alienação judicial


de imóvel realizada no processo de falência, o arrematante:

a) responderá como sucessor de todas as obrigações do devedor.


b) responderá apenas como sucessor nas obrigações tributárias.
c) responderá apenas como sucessor nas obrigações trabalhistas.
d) responderá apenas como sucessor nas obrigações por acidentes do trabalho.
e) não será sucessor nas obrigações do devedor, inclusive as de natureza
tributária, as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de acidentes
de trabalho.

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25. (FCC/Juiz do Trabalho/TRT 6ª/2013) O plano de recuperação judicial
poderá prever, observada a legislação pertinente a cada caso, dentre outros
meios de recuperação,

a) a ineficácia dos contratos de alienação fiduciária.


b) a alienação de bem objeto de garantia real, com a supressão da garantia,
independente de aprovação expressa do credor titular da respectiva garantia.
c) nos créditos em moeda estrangeira, o afastamento da variação cambial,
independente de aprovação expressa do credor titular do respectivo crédito.
d) a redução salarial e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção
coletiva.
e) o parcelamento dos créditos tributários no prazo máximo de quinze anos.

26. (FCC/Juiz de Direito/TRT/AM/2012) No tocante à recuperação judicial


ou à falência, é correto afirmar:

a) Estão sujeitos à recuperação judicial todos os créditos existentes na data do


pedido, desde que vencidos.
b) Os credores do devedor em recuperação judicial, enquanto esta durar,
perdem seus direitos e privilégios contra os coobrigados, fiadores e obrigados
em direito regressivo.
c) A decretação da falência ou o deferimento do processamento da recuperação
judicial suspende o curso da prescrição e de todas as ações e execuções em
face do devedor, inclusive aquelas dos credores particulares do sócio solidário.
d) Poderá requerer recuperação judicial o devedor que, no momento do pedido,
exerça regularmente suas atividades há pelo menos cinco anos e não tenha, há
menos de dois anos, obtido concessão de anterior recuperação judicial.
e) A recuperação judicial é personalíssima do devedor, não podendo pois ser
requerida por seus herdeiros ou pelo cônjuge supérstite.

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Direito Empresarial para Advogado Geral da União
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GABARITO DAS QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA

QUESTÃO GABARITO
1 C
2 E
3 C
4 E
5 E
6 E
7 E
8 C
9 E
10 E
11 E
12 C
13 E
14 E
15 E
16 E
17 C
18 C
19 C
20 E
21 C
22 E
23 C
24 E
25 D
26 C
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