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Desemprego recua para 12,5% em

abril, mas ainda atinge 13,2 milhões


de brasileiros
Número de subutilizados atingiu o recorde de 28,4
milhões. Total de desalentados, aqueles que desistiram
de procurar emprego, também bateu recorde e chegou
a 4,9 milhões.
Por Daniel Silveira e Darlan Alvarenga, G1
31/05/2019 09h00 Atualizado há 3 horas

Taxa de desemprego fica em 12,5% e atinge 13,2 milhões de brasileiros


GloboNews em Ponto
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Taxa de desemprego fica em 12,5% e atinge 13,2 milhões de brasileiros

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 12,5% no trimestre


encerrado em abril, atingindo 13,2 milhões de pessoas, segundo
dados divulgados nesta sexta-feira (31) pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE).
Trata-se a primeira queda após 3 altas seguidas e um leve recuo ante
a taxa de 12,7% registrada no trimestre encerrado em março. Na
comparação com o mesmo trimestre do ano passado (12,9%), a taxa
de desemprego caiu 0,4 ponto percentual.
Evolução da taxa de desemprego
Índice no trimestre móvel, em %
12,912,912,712,712,412,412,312,312,112,111,911,911,711,711,611,611,611,
6121212,412,412,712,712,512,5fev-mar-abr/18mar-abr-mai/18abr-mai-
jun/18mai-jun-jul/18jun-jul-ago/18jul-ago-set/18ago-set-out/18set-out-
nov/18out-nov-dez/18nov-dez-jan/19dez-jan-fev/19jan-fev-mar/18fev-mar-
abr/1902,557,51012,515
Fonte: IBGE
Segundo o IBGE, a população ocupada no país somou 92,4 milhões
de pessoas, ficando estável na comparação com o trimestre móvel
anterior e aumentando 2,1% (mais 1,9 milhão de pessoas) ante o
mesmo trimestre do ano passado (90,4 milhões de pessoas).
Na comparação com o trimestre terminado em março, a população
ocupada cresceu em 502 mil pessoas, mais que o dobro da queda da
população desempregada, que foi de 210 mil pessoas. Além disso, 32
mil pessoas entraram para o desalento, ou seja, desistiram de
procurar emprego. Esses movimentos – aumento da população
ocupada e aumento do desalento – proporcionaram um recuo na taxa
de desocupação.
De acordo com o coordenador de trabalho e rendimento do IBGE,
Cimar Azeredo, “foi uma surpresa” a estabilidade da população
ocupada na comparação com o trimestre móvel anterior, após quedas
expressivas nos últimos meses. “A gente não esperava essa
estabilidade na população ocupada. Não fosse isso, a situação estaria
ainda mais crítica”, disse.
Azeredo lembrou que dos quase 2 milhões de pessoas que entraram
na população ocupada no último ano, 48% foram da categoria
trabalhador por conta própria. "Ou seja, a ocupação segue crescendo
por conta da informalidade", resumiu.
Subutilização, subocupação e desalento batem
recorde
Subutilização recorde no país
em milhões de brasileiros
Desempregados: 13,2Subocupados (que trabalham menos de 40 h por
semana): 7Desalentadas: 4,9Fora da força de trabalho potencial: 3,3
Desempregados
13,2
Fonte: IBGE
Apesar da queda do desemprego no trimestre encerrado em abril, a
população subutilizada atingiu 28,4 milhões, número recorde da série
histórica iniciada em 2012.
O grupo de trabalhadores subutilizados reúne os desempregados,
aqueles que estão subocupados ou fazendo bicos (menos de 40 horas
semanais trabalhadas), os desalentados (que desistiram de procurar
emprego) e os que poderiam estar ocupados, mas não trabalham por
motivos diversos, como mulheres que deixam o emprego para cuidar
os filhos.
A taxa de subutilização da força de trabalho subiu para 24,9%, ante 24,2
% no trimestre de novembro de 2018 a janeiro de 2019. Isso significa que
1 em cada 4 brasileiros em condições de trabalhar está desempregado,
trabalhando menos horas do que gostaria ou simplesmente desistiu de
procurar emprego.
Brasil volta a gerar carteira de trabalho assinada, mas subutilização ainda é
'pesadelo'
G1 Economia
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Brasil volta a gerar carteira de trabalho assinada, mas subutilização ainda é
'pesadelo'

O número de pessoas desalentadas chegou a 4,9 milhões no trimestre


encerrado em abril, alta de 4,2% em 1 ano (mais 199 mil pessoas), e
também número recorde na série histórica do IBGE.
Já contingente de subocupados por insuficiência de horas trabalhadas
chegou ao número recorde de 7 milhões, alta de 3,3% (mais 223 mil
pessoas) em relação ao trimestre móvel anterior e aumento de 11,9%
(mais 745 mil na comparação interanual.
Evolução do número de desempregados
Em número de desocupados no trimestre móvel
13.36113.36113.19013.19012.92312.92312.82712.82712.66512.66512.45012
.45012.30912.30912.16412.16412.15212.15212.62512.62513.05313.05313.3
8713.38713.17713.177fev-mar-abr/18mar-abr-mai/18abr-mai-jun/18mai-jun-
jul/18jun-jul-ago/18jul-ago-set/18ago-set-out/18set-out-nov/18out-nov-
dez/18nov-dez-jan/19dez-jan-fev/19jan-fev-mar/19fev-mar-
abr/1902,5k5k7,5k10k12,5k15k
Fonte: IBGE
Emprego com carteira assinada cresce
A boa notícia, segundo o IBGE, foi que o número de empregados no
setor privado com carteira assinada cresceu 0,8% (mais 270 mil
pessoas) na comparação com o trimestre móvel anterior, para 33,1
milhões de pessoas, quase meio milhão a mais que o registrado no
mesmo trimestre do ano passado, quando chegou a 32,7 milhões, o
menor contingente de toda a série histórica da pesquisa.
De acordo com o coordenador de trabalho e rendimento do IBGE, Cimar
Azeredo, após 16 trimestres, o Brasil voltou a gerar vagas com carteira de
trabalho assinada. “Foram 13 trimestres em queda e três com
estabilidade. Esta é a primeira vez que a gente vê aumento”, afirmou.
"É uma luz no fim do túnel? Talvez, vamos ter que esperar as
próximas divulgações", avaliou. “Embora tenha aumentado, ainda está
3,4 milhões abaixo do recorde já registrado, que foi de 36,5 milhões
em julho de 2014. Esse é um número que a gente não vai recuperar
tão cedo”, acrescentou.
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged)
divulgados na semana passada pelo Ministério da Economia
mostraram que o país criou 129.601 empregos com carteira assinada em
abril, melhor resultado para meses de abril desde 2013. No ano,
porém, o ritmo segue abaixo do registrado no ano passado.
O número de empregados sem carteira assinada (11,2 milhões de
pessoas) ficou praticamente estável (-0,3%) frente ao trimestre
anterior, segundo o IBGE, e subiu 3,4% (mais 368 mil pessoas) em
relação ao mesmo trimestre do ano passado.
Já a categoria dos trabalhadores por conta própria (23,9 milhões de
pessoas) também ficou estável (0,2%) frente ao trimestre anterior e
cresceu 4,1% (mais 939 mil pessoas) em 12 meses.
Ocupação no Brasil por posição
Em milhões de pessoas
Empregado com carteira setor privado: 33,136Empregado sem carteira setor
privado: 11,217Conta própria: 23,884Empregado setor público:
11,462Trabalhador doméstico: 6,147Empregador: 4,381Trabalhador familiar
auxiliar: 2,139
Trabalhador familiar auxiliar
2,139
Fonte: IBGE
“Nós temos que comemorar o aumento da população ocupada em relação
ao ano passado, o aumento da carteira de trabalho depois de 16
trimestres corridos, mas a subutilização no mercado de trabalho
brasileiro ainda é um pesadelo”, afirmou o pesquisador do IBGE.
Renda estagnada
O rendimento médio real habitual do brasileiro (R$ 2.295) recuou 0,4%
frente ao trimestre móvel anterior e avançou 0,4% em relação ao
mesmo trimestre do ano passado, o que na avaliação do IBGE
representa uma estabilidade.
Segundo o IBGE, o rendimento médio dos trabalhadores com carteira
assinada foi de R$ 2.175, um valor 60% maior do que a média
daqueles não têm carteira (R$ 1.364). Já a renda média dos
trabalhadores por conta própria foi de R$ 1.667.
“Essa estabilização da renda é reflexo do mercado de trabalho
informal. Com a entrada da carteira [de trabalho assinada], isso pode,
futuramente, ter uma reação positiva, da renda voltar a subir”, disse
Azeredo.
Ele ponderou que, apesar da renda estar estagnada, a massa
rendimentos aumentou puxada pelo maior nível de ocupação. “Você
tem mais pessoas trabalhando e sendo remuneradas e é isso que vai
colocar o mercado de trabalho num círculo virtuoso”, disse.
A massa de rendimento real habitual (R$ 206,8 bilhões) também ficou
estável contra o trimestre anterior e cresceu 2,8% em relação ao
mesmo trimestre de 2018.
Economia estagnada
Na véspera, o IBGE divulgou que o PIB (Produto Interno Bruto) do
Brasil caiu 0,2% no 1º trimestre, a primeira contração desde 2016, em
meio a um tombo dos investimentos e desaceleração do consumo das
famílias. Com o fraco resultado da atividade econômica observado
entre janeiro e março, passou a ganhar força entre os analistas um
cenário de que o crescimento do Brasil neste ano possa ser inferior a
1%.