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FACULDADE VALE DO SALGADO

BACHARELADO EM PSICOLOGIA

VITÓRIA NEVES DA SILVA.

RELATÓRIO DE ESTAGIO BÁSICO I.

ICÓ-CE
2018
VITÓRIA NEVES DA SILVA.

RELATÓRIO DE ESTAGIO BÁSICO I.

Relatório de Estágio Supervisionado submetido à


disciplina de Estágio Básico I da Faculdade Vale
do Salgado, como requisito para obtenção de nota
de AV2, tendo como professor Hérico Maciel de
Amorim.

ICÓ-CE
2018
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 4

2. METODOLOGIA ............................................................................................................. 5

3. DISCUSSÕES E REFLEXÕES ....................................................................................... 9

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................................... 11

REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 12
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1. INTRODUÇÃO

O Estágio Básico I, como a própria numeração explicita, é o início da caminhada do discente


no processo de formação e um dos fatores fundamentais na construção do conhecimento.
Entende-se que o estágio tem em sua essência a articulação entre teoria e prática,
componentes complementares e necessários para um bom aprendizado. Além disso, é de
extrema importância para o desenvolvimento do profissional que pretende se graduar,
oportunizando por meio desses momentos, uma ampla visão sobre o espaço de atuação e
trabalho a ser desenvolvido. (BONASSINA et al 2015).

No senso comum, muito se entende que o estágio é apenas uma prática de observação,
passando-se uma imagem de passividade. No entanto, o desafio de “estagiar” é fazer de forma
ativa a reflexão e interpretação da realidade, entendendo em prática o que parecia ser
complexo em teoria, estabelecendo relações entre o que acontece nas instituições com o que
se é dito e fomentado em sala. (ARAUJO, 2010).

Dessa forma, este relatório apresenta uma visão geral sobre as visitas institucionais
que aconteceram com os discentes de Psicologia da Faculdade Vale do Salgado- FVS, sendo
acompanhado e direcionado pelo professor Hérico Maciel de Amorim. O estágio ajusta-se e é
assegurado pela a lei n°. 11.788 de 25 de setembro de 2008 que define no artigo 1° o conceito
de estágio: “é ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho,
que visa à preparação para o trabalho produtivo de educandos que estejam frequentando o
ensino regular(...)”. Compreende que o estágio é um dispositivo de preparação para o
educando no processo de formação visando o desenvolvimento de habilidades e competências
necessárias a atuação profissional.

O estágio básico reconhece e pauta-se nas exigências da Resolução CNE/CES n°


05/2011 que dispõe das Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de graduação em
Psicologia, o Art. 21 expõe o objetivo do estágio:

Os estágios supervisionados visam assegurar o contato do formando com situações,


contextos e instituições, permitindo que conhecimentos, habilidades e atitudes se
concretizem em ações profissionais, sendo recomendável que as atividades do
estágio supervisionado se distribuam ao longo do curso. (p.7).

Deste modo, as visitas institucionais aconteceram no município de Icó-CE e nos


equipamentos da cidade. As atividades de estágio ocorreram no período de 03 de setembro de
2018 ao dia 12 de novembro de 2018, todas no horário da tarde, no qual tivemos a
oportunidade de conhecer os polos do setor público: os Centros de Atenção Psicossocial
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(CAPS AD, CAPSi, CAPS II), o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), o
Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), a Associação de Pais e
Amigos dos Excepcionais (APAE) e por último a Escola de Ensino Fundamental Conselheiro
Araújo de Lima.

Cada visita objetivou integrar os conhecimentos com a realidade observada, nos


confrontou e nos desafiou a ir além dos medos e receios. As oportunidades de contato com os
profissionais e usuários nos viabilizaram a compreensão sobre o modo de funcionamento, as
demandas, as práticas desenvolvidas na área da saúde, especificamente na saúde mental e os
planejamento de ações e gestões em nível de promoção e prevenção da saúde.

O estágio funciona como uma possibilidade de transformações na vida do discente e


estas acontecem por meio das sucessivas significações que o indivíduo faz em cada visita e
em cada encontro com os usuários dos equipamentos, é a oportunidade de se tornar mais
humano e mais acolhedor ao sofrimento do outro.

2. METODOLOGIA

Para a compreensão das relações entre os sujeitos e o meio em que se encontram, foi
utilizado como método o caráter de observação e entrevista. Estes atributos são fundamentais
no exercício do estágio juntamente com a supervisão e reflexão do que é exposto e dialogado
nas instituições visitadas. Como base e fundamento para tal método, foi explanado em sala
sobre a prática da observação e a estratégia de entrevista, isso nos serviu como alicerce para
poder conhecer e compreender os construtos dos equipamentos.

Minayo (2009) descreve a observação como a aproximação entre o pesquisador e a


realidade da pesquisa demonstrando um contato empírico importante para a construção do
conhecimento. Essa aproximação também é feita diante da interação existente na prática da
entrevista que se constitui como um meio de coletar as informações de forma dinâmica,
organizada e com finalidades pertinentes ao objetivo da pesquisa.

Para entender a realidade a ser observada nos momentos de estágio, o primeiro


conteúdo estudado foi de Vulnerabilidade e Risco, um conceito importantíssimo para a
percepção dos indivíduos e ambientes. Entende-se que a vulnerabilidade diz respeito ao
conjuntos de fatores individuais, coletivos e programáticos que resultam na suscetibilidade de
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adoecimento. Esses aspectos são descritos a partir do modo de vida das pessoas, o grau de
acesso às informações, reconhecimento e práticas delas no nível individual. Quanto aos
recursos, as políticas voltadas ao indivíduo, as formas desempenhadas para que o mesmo
tenha acesso a informações e oportunidades de escolarização, constituem o componente social
ou coletivo. Os programas que gerenciam e promovem a prevenção, cuidado e atenção de
todos os aspectos individuais e coletivos fazem parte do componente programático. (AYRES
et al 2006).

Para que haja uma maior atenção voltada ao indivíduo e os diversos aspectos que estão
interligados a saúde, expandiu-se uma nova forma de trabalhar com o sujeito. O objetivo não
é mais proporcionar ao indivíduo um modelo tradicional de atendimento no qual o médico
prescreve remédios e observa a situação orgânica do sujeito, mas um método mais amplo que
se preocupa com os outros aspectos que afetam a saúde do indivíduo. Para tanto, atribuiu-se
uma forma mais adequada de tratamento, a Clínica Ampliada que visa integrar as várias
abordagens de saúde de forma multidisciplinar, dando importância a participação do sujeito
no processo de saúde-doença e fazendo um recorte de cada conhecimento para se chegar aos
desafios a serem enfrentados, resultados e soluções para o problema. (MINISTÉRIO DA
SAÚDE, 2009).

Em complemento, o Projeto Terapêutico Singular- PTS, outro assunto pertinente no


estágio, propõe uma visão detalhada e analisada sobre o que há de diferente e singular no
indivíduo ou coletivo a ser trabalhado. Acontece por meio de reuniões e projetos que
objetivam quatro movimentos: hipóteses diagnóstica, definição de metas, divisão de
responsabilidades e reavaliações. Cada um desses momentos se caracterizam,
respectivamente, pela avaliação dos riscos e vulnerabilidades do usuário, as propostas a serem
seguidas, o profissional que se tem como referência para acompanhar o processo e a evolução
do usuário e as devidas correções do rumo do projeto. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2009).

Desenvolveu-se no campo da saúde o Apoio Matricial ou Matriciamento que


compreende a junção das equipes de profissionais de referência para a produção de saúde de
forma compartilhada e fortalecida na troca de conhecimentos e intervenções conjuntas
utilizando o projeto terapêutico singular, visitas domiciliares, educação em saúde e
capacitação da Atenção Básica e equipes de Saúde da Família. (PEGORARO; CASSIMIRO;
LEÃO, 2014).
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Os conceitos supracitados foram de extrema importância para que compreendêssemos


o funcionamento dos equipamentos. Nosso estágio ocorria no período da tarde e nitidamente
pudemos observar que o horário era destinado para as reuniões nas quais seriam discutidas as
particularidades, demandas da instituição e dos usuários. Os equipamentos que visitamos
foram o CAPS AD, CAPSi, CAPS II, APAE, CRAS, CREAS e a Escola. Cada um tem um
fluxo de serviço a ser oferecido a comunidade e forma especifica de desenvolver o trabalho:

O CAPS AD – Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas atende


necessariamente pessoas com sofrimento psíquico devido ao uso de álcool e outras drogas que
chegam a instituição por encaminhados ou por vontade própria, sem serem obrigados ao
tratamento com exceção dos casos de ordem judicial e que tenham idade a partir dos 18 anos,
caso haja algum caso de menores é encaminhado ao CAPSi que cuida das crianças e
adolescentes. O equipamento tem aproximadamente 200 usuários ativos e 800 inativos, com
mais usuários do sexo masculino do que feminino. A unidade realiza atividades que visam a
redução dos danos e inclusão social, disponibilizam café da manhã e almoço, fazem grupos
com as famílias, palestras, prescrição de medicamentos e renovação das receitas, acolhem e
recebem com atenção aos usuários funcionando como um amparo e família para eles.

O CAPS II- Centro de Atenção Psicossocial Adulto: atende pessoas que apresentam
sofrimento psíquico decorrente de transtornos mentais graves e persistentes, incluindo os
casos relacionados ao uso de substâncias psicoativas, recebe usuários a partir dos 18 anos de
idade passando inicialmente por um momento de triagem para então ser direcionado ao
serviço especifico, a unidade tem 14 mil prontuários e a demanda chega através de
encaminhamentos de outras instituições ou demanda espontânea. Os técnicos realizam toda
semana atividades de Artes fazendo desenhos, pinturas e outras oficinas relacionadas;
Educação física com atividades de relaxamento e esportes; Conversas com as famílias, as
chamadas sala de espera, entre outras. Há alguns usuários que ficam direto na residência que
são aproximadamente 11 pacientes, dentre eles 3 idosos. Os casos mais recorrentes são de
esquizofrenia, ocorrendo momentos em que chegaram amarrados, ansiedade em pessoas mais
jovens como também casos de tentativa de suicídio.

O CAPSi- Centro de Atenção Psicossocial Infantil atende crianças e adolescentes em


sofrimento psíquico decorrentes de transtornos mentais graves e persistentes como também
em situações de comprometimento na vida social, recebe usuários de 0 à 18 anos. O
equipamento tem aproximadamente 2.800 prontuários, as demandas chegam por
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encaminhamentos e são mais recorrentes nos dias de terça-feira, dia de atendimento da


psiquiatra. As crianças em crise são prioridades, mas o atendimento acontece normalmente
por ordem de chegada. A psicóloga da instituição atende 10 pessoas por dia e a psiquiatra 20
ou 25 só acontecendo pelo horário da manhã.

A APAE- Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais atende pessoas com


deficiências visando a inserção no meio social para que tenham um modo de viver como
qualquer outro cidadão. O equipamento tem aproximadamente 132 alunos matriculados
distribuídos nos horários de manhã e tarde, os professores atendem e ensinam os alunos nas
salas de modo rotativo, com um tema a ser desenvolvido por semana e os alunos passam pelas
sala de atendimento convencional, informática, educação física, linguagens e códigos,
raciocínio lógico, tea e de artes. As demandas mais frequentes são de crianças com deficiência
intelectual e alguns chegam por meio de encaminhamento de outro lugar como o CAPS.

O CRAS- Centro de Referência de Assistência Social é uma unidade de atendimento


que visa a prevenção e a promoção do acesso aos direitos garantidos. O equipamento atende a
aproximadamente 2.500 famílias e realiza atividades voltadas para o fortalecimento de
vínculos e serviços de convivência sendo baseado no serviço do PAIF – Proteção e
Atendimento Integral à Família. Possui uma equipe completa, oferece benefícios como a cesta
básica, kit natalidade, kit funerário, passe livre para pessoas com HIV e o BPC – Benefício de
Prestação Continuada para pessoas com deficiência e idosos a partir dos 60 anos. Realizam
visitas em todo o território para atender as famílias carentes de outros municípios.

O CREAS- Centro de Referência Especializado de Assistência Social atende pessoas


que tiveram seus direitos violados, que se encontram negligenciados ou em situação de risco.
A equipe de atendimento realiza visitas, dialogam e tentam resolver os problemas que chegam
a unidade. Os casos chegam por encaminhamentos do CRAS ou outras instituições e também
por meio de denúncias. Trabalham diretamente com o Ministério Público, Delegacia e muitos
dos casos são com menores em medidas socioeducativas, negligência com idosos e violência
doméstica.

A Escola- a Escola Conselheiro Araújo de Lima oferece educação em nível de ensino


fundamental indo do 1° ao 5° ano com horário de funcionamento pela manhã e à tarde. A
instituição visa educar e oferecer o ensino de qualidade as crianças preparando-os
principalmente na alfabetização e letramento.
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3. DISCUSSÕES E REFLEXÕES

Ao visitar o CAPS AD, eu estava um pouco apreensiva, pois não sabia como seria a
minha desenvoltura na entrevista e por ser um pouco tímida diante dessas situações. No
entanto, foi bem tranquilo e nos sentimos a vontade para perguntar e conhecer o ambiente,
fomos bem recebidas pelos funcionários que trabalhavam na instituição e um deles que é
formado em Serviço Social e trabalha no aparelho como auxiliar de enfermagem nos recebeu
e respondeu prontamente a nossas perguntas. Ele falou um pouco da instituição e como era
desafiador trabalhar no local, exige-se muito emocionalmente e por isso confessou que muitas
vezes quis desistir, mas o amor pelo trabalho em saúde mental o estimulou a continuar. Fiquei
triste pela situação dos usuários, pois estes são muitas vezes abandonados pela família,
todavia vi o que há de mais bonito na profissão quando os profissionais rompem as barreiras e
dão suporte, apoio e atenção sendo como uma verdadeira família para os usuários.

Tivemos a oportunidade de visitar a Unidade de Atendimento ao Adulto – UAA e


conversar com os usuários que passavam pelo tratamento, nesse momento senti grande apreço
pelos funcionários da saúde mental, acredito que seja muito gratificante ver a reabilitação e
ajudar nesse processo tão difícil. Os usuários foram bem expressivos quanto a seus
sentimentos, nos contaram suas histórias de vida e como chegaram a situação de dependência.
Me senti muito tocada ao ouvir a história do “Seu Pagão” que relatou ser abandonado pela
família e chegou a UAA por decisão da justiça. Outra usuária Dona Graça relatou que morava
no bar, uma exemplo de vulnerabilidade e risco, pois a mesma estava suscetível ao
adoecimento. Além deles, também conhecemos o Cícero, um homem de 29 anos que era
usuário de cocaína e crack, nos falou a sua história de vida e o quanto a UAA foi importante
para ele, o mesmo relatou já ter sido internado várias vezes e que estava próximo de sair da
residência por causa do tempo de tratamento que durava 6 meses, tem planos de ir para outra
clínica e visita constantemente a irmã que mora na cidade e frequenta uma igreja. Foi muito
importante pra mim conhecê-los, pude ver a realidade dos usuários pela versão deles e as
dificuldades que eles encontram.

Em outro momento, visitamos o CAPS II no qual fomos recebidas pela coordenadora


Ana Neres Aquino de Lima que nos mostrou as estruturas do CAPS e nos deixou a par do
funcionamento da instituição. Foi diferente do encontro no CAPS AD pois nesse aparelho não
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tivemos a oportunidade de conversar com os usuários. A instituição tem a mesma dinâmica


onde o horário da tarde é destinado ao matriciamento e por isso não tem atendimento aos
usuários. Apesar disso, foi um momento de grande importância pois através da fala e
observação pudemos ter conhecimento da instituição e dos usuários. Ao conhecer a
coordenadora que se apresentou como uma ex-aluna da FVS, me senti na expectativa de um
dia desempenhar esse papel na minha cidade.

Outro equipamento visitado foi o CAPSi, nele pude entender um pouco do


funcionamento ao conversar com a psicopedagoga, o educador físico e a enfermeira. Assim
como nas outras, não tivemos oportunidade de conversar com as crianças ou adolescentes pois
o equipamento atende pela manhã e o horário da tarde é destinado as reuniões especificas da
instituição. Como já cuidei de crianças eu tenho uma noção de quanto é desafiador trabalhar
com elas, muitas são bastante amorosas, calmas, outras intensamente agitadas e isso reflete a
fala do educador físico quando diz que trabalhar com criança é bastante relativo, que depende
muito do emocional do profissional.

O dia em que mais gostei e que ao mesmo tempo fui bastante apreensiva foi na visita a
APAE, cheguei antes do professor e das colegas pois desci na rodoviária onde era mais
próximo do equipamento, não sabia o que fazer quando os alunos da APAE chegaram, mas
foi bastante contagiante a energia que eles me passaram e logo me desprendi dos medos e
receios, conheci e conversei com quase todos os alunos, eles sempre chegavam com um
sorriso estampado e com uma alegria verdadeira ao falar com cada um dos colegas e com os
professores. Estávamos preparadas para a entrevista, porém fomos surpreendidas pelo
professor que nos direcionou a ajudar nas atividades que seriam desenvolvidas pelos
professores do local, fomos divididas por salas. Eu fui para a Brinquedoteca juntamente com
Gabriela Gonçalves, lá pudemos observar as atividades desenvolvidas com os alunos de
pintura, colagens, desenhos e brinquedos e auxiliamos as professoras no projeto da semana
que tinha como temática as eleições, as professoras explicaram sobre o título de eleitor e
abordaram a temática numa atividade de caça palavras. Foi uma experiência única para mim
pois me despi de preconceitos e medos, pude enxergar a vida através do olhar dos alunos da
APAE, mesmo que por pouco tempo.

No equipamento do CREAS conhecemos a estrutura da unidade e logo depois


entrevistamos a psicóloga Bruna e a coordenadora da instituição, ambas ex-alunas da FVS.
Elas nos falaram a respeito das dificuldades, do trabalho com menores, idosos e mulheres
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vítimas de violência doméstica, explicaram como funciona o atendimento e a questão das


visitas domiciliares. A entrevista foi tranquila, me vi trabalhando naquele local e percebi que
é um equipamento que lida com muita pressão visto que trabalha com direitos violados e
negligenciados.

Relacionado a assistência social, visitamos o CRAS no mesmo dia da visita ao


CREAS, unidades totalmente interligadas. Conhecemos a estrutura e o local em que são
realizadas cada atividade, entrevistamos a Assistente Social que exerce a função de
coordenadora do CRAS, ela nos falou sobre os serviços, as demandas, as dificuldades
encontradas e nos falou um pouco sobre o que a psicóloga fazia. Logo depois a própria
psicóloga nos explanou um pouco de como era o trabalho no equipamento e frisou bastante a
importância do sigilo, pois muitas vezes o CRAS trabalhava com casos de delegacia e o juiz
pedia informações sobre usuários. Apesar de ser uma autoridade, a psicóloga deve passar
apenas o necessário, que não quebre o sigilo exigido no código de ética.

Por último visitamos a Escola Conselheiro Araújo de Lima que oferece educação de
ensino fundamental a alunos do 1° ao 5° ano. Conversamos com as professoras que estavam
em planejamento e entendemos um pouco do funcionamento escolar. Percebi a falta de um
psicólogo escolar, especialmente pelas questões que as professoras nos trouxeram de
desamparo dos pais, falta de acompanhamento, dificuldade de aprendizagem e o bulling que
para as professoras são “apelidos normais” o que me assustou bastante. Depois desse
momento de conversa, fomos ter contato com as crianças da escola, diferente das meninas eu
não consegui me aproximar e conversar, apenas me juntei a um grupo e fiquei observando.
Foi uma visita proveitosa e importante, percebi que é um ambiente que necessita muito da
presença de um psicólogo e carente desse acompanhamento.

Cada visita nos proporcionou a visão prática dos conceitos de Vulnerabilidade e Risco,
ao perceber que as pessoas constantemente estão passíveis e suscetíveis ao adoecimento
devido a aspectos individuais, coletivos, contextuais e programáticos. Percebi também o
funcionamento das instituições baseadas nas estratégias de PTS, Matriciamento e Clinica
Ampliada e absorvi a importância da entrevista, observação e construção dos diários de
campo nas visitas institucionais.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
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Diante de todas as visitas institucionais eu pude conhecer o trabalho de cada


equipamento, exceto pelo ambiente escolar e CRAS, não tinha tido contato com nenhum dos
aparelhos visitados. O estágio me proporcionou uma visão mais ampla sobre o funcionamento
dos equipamentos e o trabalho exercido pelo psicólogo nos setores públicos. Também tive a
oportunidade de conhecer e me deparar com as dificuldades que existem e os desafios
encontrados nessas instituições, cada encontro nos capacitou tanto nas entrevistas como nas
habilidades exigidas de um estagiário, foi um aprendizado ímpar que levarei pra a vida e este
aprendizado se deu pelo envolvimento com minhas colegas, professor, equipamentos,
funcionários e usuários.
A articulação das teorias com a vivência delas em prática foi de extrema importância
para que pudéssemos entender o sentido do estágio e a importância desse processo na
formação. Cada aula nos ofereceu um aparato para que fôssemos capazes de observar e
atentar para os detalhes das unidades e o desenvolvimento delas. Foi um período em que
cresci em conhecimento e absorvi o máximo de cada momento realizado, a relação com a
turma e o professor proporcionou um ambiente agradável para o aprendizado e para a
dinamicidade dos estágios.

Como sugestão, acredito que conseguimos absorver muito conhecimento sobre os


equipamentos, mas em muitas visitas não tivemos a oportunidade de conhecer os usuários, o
que seria bastante interessante e animador, compreendo que uma melhor organização na
questão dos horários, tanto para as aulas de supervisão quanto para as visitas seria mais
adequado. Quanto ao mais, tenho a experiência do estágio como o início de muitos outros
aprendizados que virão e o atribuo como um componente curricular de relevância para o
formando na construção de habilidades e competências que serão exigidas ao futuro
profissional.

REFERÊNCIAS

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para a atuação profissional. Juiz de Fora, 2010.

AYRES, J. R. C. M; FRANÇA JUNIOR, I., CALAZANS, G. J, SALETTI FILHO, H. C. O


Risco, Vulnerabilidade E Práticas De Prevenção E Promoção Da Saúde. In: CAMPOS,
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Fiocruz, 2006.

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estudantes. Brasília-DF. DOU de 26.9.2008, seção I.

BRASIL. RESOLUÇÃO CNE/CES N° 05/2011. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais


para os cursos de graduação em Psicologia, estabelecendo normas para o projeto pedagógico
complementar para a Formação de Professores de Psicologia. 2011.

BONASSINA, A.L.B; BANAS, J.C.B; HÜBLER, S.M.P; CORRÊA, B.R.P.G. A importância


do estágio supervisionado sob o olhar crítico dos acadêmicos do curso de pedagogia. SIPD
Catedra UNESCO. PUC PR, 2015.

MINAYO, M.C.S(org.). Pesquisa Social. Teoria, método e criatividade. 18 ed. Petrópolis:


Vozes, 2009.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretária de atenção a saúde, Política Nacional de


Humanização da Atenção e Gestão do SUS. Brasília-DF: 2009.

PEGORARO, R.F; CASSIMIRO, T.J.L; LEÃO, N.C. Matriciamento em saúde mental


segundo profissionais da estratégia da saúde da família. Psicologia em Estudo, Maringá, v.
19, 2014.