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UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS

UNIDADE ACADÊMICA DE GRADUAÇÃO

CURSO DE CIÊNCIAS SOCIAIS

FERNANDO DIEHL

RESUMO DO ARTIGO O CAMPONÊS E A FOTOGRAFIA

SÃO LEOPOLDO
OUTUBRO DE 2013
Apresento a seguir um breve resumo do artigo O camponês e a fotografia
escrito por Pierre Bourdieu e Marie-Claire Bourdieu. O artigo tenta apresentar de
uma maneira o processo histórico que a fotografia surge no cotidiano dos
camponeses, mais especificamente nas aldeias do sudoeste da França, tal processo
foi analisado a partir de uma pesquisa etnográfica. Outro fator importante a destacar
é que o artigo tentou demonstrar os usos e sentidos sociais dados à fotografia em
tais sociedades.

Conforme descrito pelo autor, “as imagens fotográficas entraram cedo na


sociedade camponesa, muito antes da prática de tirar fotos” (p. 32), mais
precisamente na questão dos casamentos, o que tornou as imagens fotográficas
como algo praticamente obrigatório, para os camponeses. Pois a foto por si só
“provê os meios para eternizar e solenizar estes momentos intensos da vida social,
em que o grupo reafirma a sua unidade” (p. 32) e os casamentos são um dos
momentos em que maior pode-se afirmar esses momentos da vida social. Não é por
acaso que a fotografia entrou como uma ação ou um ritual de deveras importância
para as cerimônias sociais em tais grupos.

Porém, vale salientar que segundo Bourdieu, “a fotografia de casamento só


se impôs tão rapidamente porque encontrou as suas condições sociais de
existência: os gastos e o desperdício são parte dos comportamentos festivos,
particularmente as despesas ostentatórias que ninguém podia evitar sem ver
diminuída a sua honra” (p. 33), ou seja, a fotografia se popularizou por estar inserida
em um contexto cultural em que era apto a seu desenvolvimento. Como as pessoas
querem gastar demais em suas festas, optaram por colocar as fotos como outro
objeto de ostentamento.

Posteriormente o autor também coloca a fotografia como um objeto de trocas


reguladas, assim como a função social da pratica de fotografar crianças por
exemplo. Portanto, as fotografias devem ser analisadas como um “objeto de uma
leitura sociológica” (p.34) e por isso ela não pode ser analisada por si mesma, mas
em seu contexto social. Como exemplifica Bourdieu, “para as famílias dos recém-
casados, e para o próprio casal, a foto testemunha a posição hierárquica da família,
ao relembrar o número e a qualidade dos convidados” (p.34). A fotografia representa
um verdadeiro “sociograma” (p.34), pois a fotografia em si dá significado à um
momento, ela materializa uma imagem de um grupo social e o mais importante,
como esse grupo pretende se apresentar para os demais, pode-se dizer talvez que o
verdadeiro objeto da fotografia não são os indivíduos, mas as relações entre eles.

Novamente o autor apresenta como os camponeses tratam a fotografia, ao


relatar que “na maioria das casas camponesas, as fotografias são mantidas
‘fechadas’ numa caixa, com exceção da fotografia do casamento e de certos
retratos. Seria indecente, ou ostentatório, mostrar imagens de membros da família a
qualquer um que pudesse aparecer” (p.35). As imagens por possuírem um
significado simbólico de bastante importância, não pode ser algo exposto a qualquer
um ou de maneira indevida. Novamente o autor retrata o cotidiano dos camponeses
e a questão da fotografia e sua implicação na interação entre os indivíduos, ao ponto
de apresentar, por exemplo, a forma como as pessoas se posicionam na foto:

Até a postura que o camponês adota em frente à maquina parece expressar os valores
camponeses e, mais precisamente, o sistema de modelos que governa as relações com os
outros na sociedade camponesa. Os indivíduos apresentam-se, geralmente, de frente, no
centro da fotografia, de pé e em corpo inteiro, o que quer dizer que ficam colocados a uma
distância respeitável. Em fotografias de grupo, eles ficam perto uns dos outros, muitas vezes
abraçados. Seus olhares convergem para a lente de modo que toda a imagem indique o seu
centro ausente. Quando um casal é fotografado, seguram-se pela cintura numa pose
inteiramente convencional. As normas de conduta frente à câmera às vezes se tornam
conscientes, de uma forma positiva ou negativa (p.37)

Como se apresentação na imagem é uma ação simbólica a ser apresentada


aos indivíduos que não estavam nesta foto ou pertencem a outro grupo. Isso
acarreta em diversos fatores, como utilizar a melhor roupa, um penteado de cabelo
entre outros fatores.

Pode-se dizer que a fotografia é uma ação simbólica realizada por um


indivíduo ou um coletivo, que visa uma interação com demais membros, que não
pertencem a tal grupo. Assim como pode ser uma ação de ostentação para mostrar
às demais pessoas alguma forma de poder ou status social.