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1 CONCRETO ARMADO EU TE AMO, VOL= 1 (BOTELHO, M. H. C.

E
MARCHETTI)

1.1 Dimensionamento de Pilar

Botelho e Marchetti (2015) afirma que o dimensionamento do pilar é em função


de uma determinada carga que age sobre o mesmo, com isso torna-se possível a
determinação da armadura longitudinal, transversal e a seção de concreto. O pilar é
constituído por concreto que tem como finalidade resistir aos esforços de compressão
que venham atuar na estrutura e de aço que age combatendo os esforços de tração, com
isso temos o seguinte esquema:

Figura 1: Elementos do Pilar


Fonte: Botelho e Marchetti (2015)

Os estribos auxiliam no posicionamento correto das ferragens nas fôrmas, no


entanto função é resistir aos possíveis efeitos de flambagem na armadura longitudinal.
O autor do livro afirmar que o formato definido em planta, a minimização
momentos de inércia, possibilita a existência dos efeitos de flambagem na estrutura.
Abaixo temos um comparativo entre o pilar A e pilar B, que apresentam dimensões
distintas, no qual possuem a mesma taxa de armadura e de concreto. No entanto o pilar
mais resistente é o pilar B. (BOTELHO; MARCHETTI , 2015)

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Figura 2: Seções transversais dos pilares
Fonte: Botelho e Marchetti (2015)

O pilar A é caracterizado por contempla uma ótima disposição em relação ao


eixo yy, todavia possui uma péssima disposição em ralação ao eixo xx. O pilar b
apresenta maior facilidade de flambar em relação ao eixo xx e yy, porém estas chances
são menores do que o pilar A em relação ao eixo xx

1.2 Cálculo de pilares com dimensões especiais

A norma 6122 (item 13.2.3) expõe que é possível ter pilar com dimensões entre
19 cm e 14 cm, para isso é necessário que no dimensionamento majore-se os esforços
solicitantes de cálculo, esta majoração é realizada através de um coeficiente adicional,
que é indicado na tabela 13.1 da norma. Em possibilidade alguma o pilar poderá ter área
inferior a 360 cm².

2 CONCRETO ARMADO, VOLUME 2, CHUST CARVALHO

2.1 Conceitos básicos

Pilar é um elemento estrutural vertical o inclinado que são de grande


importância na estrutura das construções de modo geral pois são eles quem recebem os
esforços das lajes e vigas e o transmitem a fundação.
Os pilares são composições estruturais das quais a maioria das vezes estão em
estado de compressão, e muitas vezes seu dimensionamento se torna tão não simples
pelo farto de estarem sujeitos a flexão composta e a flambagem e assim necessita-se de
uma avaliação das fissuras.

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São geralmente quadrados, retangulares ou circulares pelo fato da maior força
ser a compressão e eles são sujeitos a flambagem gerando assim um centro de gravidade
mais centralizado

2.2 Dimensionamentos de pilar

A dimensão mínima de um pilar é de em sua menor sessão não deve ser menor
do que 19 cm, que em alguns casos dependendo dos esforços solicitantes finais de
cálculo podem considerar menor dimensão de 14 a 19 cm.
Para encontrar a armadura mínima longitudinal deve-se ter um parâmetro a ser
adotado: 15% multiplicado pelar razão entre a força normal aplicada e fyd e essa razão
tem que ser maior que à área da sessão do pilar multiplicada por 0,004. Para encontrar a
maior armadura a ser usada em pilares deve-se te 8% da sessão real do pilar.

2.3 Classificação segundo o índice de esbeltes

O índice de esbeltez depende do comprimento do pilar, da sua sessão transversal


e das condições de extremidade cujo os índices são classificados em curtos,
medianamente esbeltos, esbeltos e muito esbeltos:

- Pilares curtos: são cujo índice de esbeltez é calculado e seu resultado é menor que 90,
que depende da excentricidade relativa de primeira ordem a vinculação dos extremos da
coluna isolada e a forma do diagrama de momentos de primeira ordem.

- Pilares medianamente esbelto: são os pilares que seu índice de esbeltez são
aproximados dos 90 para menor ou igual, é o método do pilar-padrão, são submetidos à
flexão composta obliqua.

- Pilares esbeltos: são aqueles cujo índice de esbeltes estão entre 90 e 140 e a
consideração da fluência é obrigatória e o método do pilar-padrão com curvatura real
acoplado a diagramas.

- Pilares muito esbeltos: estão entre 140 e 200 no índice de esbeltes a consideração da
fluência também é obrigatória e o método geral é obrigatório e não pode haver pilar

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com índice de esbeltes maior que 200.

2.4 Classificação dos pilares segundo a posição da planta

Eles podem ser classificados em pilares central, pilares laterais e pilares de


canto.
Pilares centrais se localizam no interior do edifício e são submetidos, em
princípio, só cargas concentradas verticais não sofrendo assim flexão, segundo NBR
6118 (item 14.6.7.1) indica que as vigas continuas poderão ser calculadas como
simplesmente apoiadas nos pilares centrais, portanto assim não transmitindo momento
para esses pilares.
Pilares laterais localizam-se nas bordas do edifício sendo assim as vigas que são
apoiadas neles são interrompidas neles causando assim um momento fletor na direção
perpendicular e na outra direção há uma continuidade adotando-se apenas os esforços
normais.
Pilares de canto como o nome já diz localiza-se no canto do edifício e as vigas
que neles chegam veem em duas direções encerrando-se neles ocasionando assim além
da carga normal também tem momentos nas duas direções, a ação nos pilares pode ser
representada pela força normal atuante e pela excentricidade em relação ao centro do
pilar indicando assim a ação dos momentos fletores.

2.5 Excentricidade

Excentricidade é uma força normal atuando em um pilar de sessão retangular


pode estar aplicada no seu centro geométrico, a certa distância desse centro e sobre um
dos eixos e em um ponto de qualquer da sessão e desta forma devem ser conhecidas
para o dimensionamento dos pilares isolados e causam diversos tipos de excentricidade
e entre elas estão a inicial, de forma, acidental, de segunda ordem e a suplementar.
Excentricidade inicial ela é causada em pilares de canto ou laterais por estarem
ocasionando um momento em sua extremidade resultando assim neste desvio na
excentricidade.
Excentricidade de forma é gerada a partir de projetos geométricos que não se
coincidem fazendo com que a viga não esteja alinhada ao pilar.

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Excentricidade acidental assim como nome já está dizendo por si, ela ocorre
acidentalmente, por exemplo na incerteza na localização da força normal ou desvio do
eixo da peça durante a construção em relação a posição prevista no projeto.
Excentricidade de segunda ordem geralmente ela acontece pela deformação da
peça a ser utilizada que no caso seria o pilar, daí se chama a segunda ordem, que influi
no próprio esforço interno podendo causar sua instabilidade;

2.6 Cálculo de segunda ordem

Para calcular o efeito de segunda ordem existem diversos métodos que


apresentam razoável precisão quando aplicados as situações especificas. Assim o
método mais simplificado serve apenas para algumas situações e os mais sofisticados,
obviamente, servem para todas as condições, mas dependem de um grande trabalho
numérico que muitas vezes só é possível com software.
O método geral serve para determinar a carga crítica de flambagem, ele deve ser
empregado quando o índice de esbeltes for maior que 140 e também é muito utilizado
em casos que o índice seja menor e em pilares de sessão transversal variável ou quando
tem cargas laterais.

3 CÁLCULO DE PILARES CENTRAIS

Pilar central é aquele que a princípio não está submetido à flexão devido às
cargas verticais. Existem três casos a considerar no dimensionamento dos pilares
centrais, sendo eles: o pilar curto, pilar medianamente esbelto e o pilar esbelto.

3.1 Cálculo de pilares centrais curto

No pilar central não existe momento de segunda ordem, e o momento de


primeira ordem ser dado através das cargas verticais, este problema acaba recaindo em
um dimensionamento de flexão normal. Tendo que considerar a excentricidade
acidental ou mínima prevista na NBR 6118:2003.

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O cálculo da armadura é definido através da distância do centro de gravidade da
barra longitudinal em relação à face do pilar.

3.2 Cálculo de pilares centrais medianamente esbeltos

Quando o índice de esbeltez λ está contido no intervalo de λ1, e 90, diz-se que o
pilar é medianamente esbelto. Não havendo variação de seção transversal e nem de
armadura, o pilar pode ter sua armadura calculada com o método pilar-padrão com
curvatura máxima. Assim, na direção de menor inércia atuarão as excentricidades e2 e
e3, ou e2 e e1,min.. (Levamos em consideração conforme a norma, que a
excentricidades se usa a maior, ou seja, a mínima substitui a acidental.).
Como o pilar central é medianamente esbelto, precisa-se considerar o efeito da
excentricidade de segunda ordem.

3.3 Cálculo de pilares centrais esbeltos

Quando o índice de esbeltez λ está contido no intervalo de 90 e 140, diz-se que o


pilar é esbelto. Não havendo variação de seção transversal e nem de armadura, o pilar
pode ter sua armadura calculada com o método pilar-padrão, porém agora com a
curvatura real. Assim, na direção de menor inércia atuarão as excentricidades e2 e e3,
ou e2 e e1,min. Além dessas excentricidades será necessário também considerar a
excentricidade devida à fluência. Neste caso parece lógico considerar como mais
desfavorável a situação segundo o índice de esbeltez máximo.
Neste caso, na excentricidade acidental apesar de não haver momento de
primeira ordem aplicado ao pilar, deve-se considerar a excentricidade acidental devido à
retilineidade e de prumo. Como se trata de pilar esbelto, a excentricidade suplementar
deve-se considerar o efeito da fluência.

4 CÁLCULO DE PILARES LATERAIS

Como visto anteriormente, pilares laterais são aqueles submetidos à momentos


de 1ª ordem, ou seja, devido apenas às cargas verticais, não considerando aos advindos
de ações horizontais, como o vento por exemplo. Serão abordados pilares

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medianamente esbeltos, tendo em vista que não é interessante, nem comum trabalhar
com pilares de esbeltez muito baixa ou muito alta.
Em relação à posição em planta dos pilares laterais, duas possibilidades podem
ocorrer. Na primeira, o efeito de segunda ordem na direção da menor dimensão é
afetado pelo momento de primeira ordem. Na outra direção isso não ocorre, pois, o
valor de λ1 depende da distribuição do momento de 1ª ordem, que nessa direção é
tomado como inexistente. Na seguinte figura será representado as duas possibilidades:

Figura 3: Pilar lateral com duas possibilidades de situação em planta


Fonte: Carvalho (2009)

Na primeira, a direção x é a de maior esbeltez, na mesma direção de atuação do


momento de primeira ordem; na segunda, a direção de maior esbeltez é y, perpendicular
ao momento de primeira ordem.
De qualquer modo é preciso tanto considerar esse momento de primeira ordem
máximo na extremidade do pilar, como também verificar como este momento vai se
somar ao de segunda ordem em uma seção intermediária. Primeiramente será visto
como se obter de forma simplificada o momento de primeira ordem e depois como
combiná-lo ao efeito de segunda ordem.

4.1 Determinação aproximada dos momentos na ligação viga-pilar

Na ligação viga-pilar existe certa rigidez, não é uma rótula, portanto o momento
fletor transmitido pela viga não pode ser desprezado, o que ocorre é que o sistema de
vigas e pilares que compõe a estrutura funciona como um pórtico, o qual deveria ser
calculado para determinar corretamente o momento no pilar. Devido a isto que o

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método apresentado nesse resumo, calculado segundo a NBR 6118:2003 são apenas
aproximações, que em alguns casos podem diferir bastante do valor correto. A figura a
baixo ilustra o que foi explicado:

Figura 4: Ligação entre vigas e pilares laterais


Fonte: Carvalho (2009)

Conforme a NBR 6118, é permitida a utilização do modelo de viga contínua,


simplesmente apoiada nos pilares, para o estudo das cargas verticais, observando-se a
necessidade das seguintes correções adicionais:

 Não devem ser considerados momentos positivos menores que os que se


obteriam se houvesse engastamento perfeito da viga nos apoios internos;
 Quando a viga for solidária com o pilar intermediário e a largura do apoio,
medida na direção do eixo da viga, for maior que a quarta parte da altura do
pilar, não pode ser considerado momento negativo de valor absoluto menor do
que o de engastamento perfeito nesse apoio
 Quando não se fizer o cálculo exato da influência da solidariedade dos pilares
com a viga, deve ser considerado, nos apoios externos, momentos fletores
calculados
Para o cálculo de pilares o que interessa é o momento no topo do pilar inferior (o
momento de primeira ordem).

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4.2 Combinação dos momentos de primeira ordem e segunda ordem (seções de topo e
intermediárias)

Em uma estrutura praticamente rígida às ações laterais, nós não-deslocáveis, os


nós extremos de um pilar não sofrem deslocamentos de segunda ordem, pois estão fixos
na laje e, portanto, impedem deslocamentos no seu plano. Porém, em uma seção
intermediária do pilar existem deslocamentos de segunda ordem que devem ser
considerados. Para a figura mostrada a seguir pode-se dizer que os nós A e B são não-
deslocáveis do plano horizontal:

Figura 5: Deformação de um pilar lateral


Fonte: Carvalho (2009)

Também pode se admitir que os efeitos do vento são desprezíveis, nesse caso a
estrutura vai se deformar entre os pontos A e B, resultando em diagramas de momentos
fletores de primeira e segunda ordem. Dessa maneira, mesmo considerando no cálculo
os efeitos de 2ª ordem, duas situações devem ser analisadas:

 A primeira consiste em uma seção próxima às extremidades do pilar junto à


ligação com a viga;
 A segunda consiste em uma seção intermediária, aproximadamente no meio da
altura do pilar entre dois pavimentos.

Em ambos os casos, a excentricidade acidental está presente, serão indicadas


situações a seguir, se deve escolher a mais crítica dessas.

I) Seções na extremidade do pilar (junto a ligação com a viga e a laje)

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Nesta situação não existe efeitos de segunda ordem (e2= 0), e a excentricidade
inicial apresenta-se sem redução, isto é, ei = M/F, podendo ainda existir a
excentricidade acidental ou a excentricidade mínima prevista na Norma. As situações de
cálculo/projeto para o cálculo de seções de extremidade de um pilar lateral serão
mostradas a seguir:

Figura 6: Situações de projeto/cálculo para seção de extremidade de pilar lateral


Fonte: Carvalho (2009)

Se a excentricidade da ação se der segundo a direção x, toma-se a seção que tem


o maior momento entre A e B. Na primeira situação de cálculo deve-se considerar o
efeito da excentricidade acidental de desaprumo no pilar. Dessa forma, a excentricidade
em x será a soma da excentricidade de primeira ordem com a de desaprumo, ou o valor
mínimo estabelecido pela norma, sendo este:

e1,min,x = (0,015 + 0,03∙bx)

bx - Dimensão do pilar na dimensão x

II) Seções intermediárias (entre dois pavimentos)

Agora pode existir o efeito de segunda ordem e a excentricidade inicial passa a


ter um valor reduzido (Válido para estruturas de nós não deslocáveis sem ação
transversal aplicada ao longo do pilar).

Algumas informações são pertinentes:


Pode-se interpretar da NBR 6118:2003 que devem ser considerados em pilares o
efeito de primeira ordem (excentricidade), acidentais (desaprumo) e de segunda ordem
(Quando for o caso de cada um). O momento (excentricidade) total não deve ser inferior

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ao momento mínimo.
Ao se considerar o método apresentado para o cálculo, o projetista tem que
sempre verificar se o pilar calculado cumpre todas as características apresentadas.
Também não foi considerado a situação de força normal mínima, e o momento
resultante desse pode, em algum caso, ser desfavorável se tratando do cálculo da
armadura.

5 CÁLCULO DE PILARES DE CANTO

Os pilares de cantos estão, geralmente, ligados às extremidades de duas vigas


ortogonais e devido a isso são submetidos a um momento inicial que pode ser
decomposto na direção de cada viga.
Desta forma o efeito de pórtico vai ocorrer em duas direções e os momentos vão
poder ser calculados da mesma maneira que em pilares laterais, segundos os eixos x e y,
tomando cuidado de determinar a rigidez dos pilares e vigas conforme o eixo analisado.
As excentricidades são obtidas dividindo cada uma das componentes do momento no
pilar pela força normal atuante. A figura a seguir demonstrar as excentricidades de
projeto e cálculo que devem ser aplicadas em pilares de canto, tanto nas seções de
extremidade como nas intermediárias:

Figura 7: Excentricidades de projeto/cálculo em pilares de canto


Fonte: Carvalho (2009)

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5.1 Pré-dimensionamento

Os pilares mais empregados nas obras usuais, de maneira geral, têm seção
transversal retangular. Exceção é quando se desejam mantê-los aparentes. Nessas
situações, os pilares circulares ou com seção quadrada são os mais indicados.
No caso das seções retangulares, um dos lados da seção tem geralmente a
mesma dimensão da parede, dessa forma, o pilar ficará embutido, não visível. Destaca-
se as recomendações para cobrimento da NBR 6118:2003. Como em uma estimativa
inicial, recomenda-se que sejam utilizados para a menor dimensão, b, os seguintes
valores:

 b >= 12 a 20 cm - até dois pavimentos;


 b >= 15 a 20 cm - até quatro pavimentos;
 b >= 20 a 30 cm - até doze pavimentos.

Para a outra dimensão, conhecido o esforço normal, pode ser determinada


conhecido o valor adimensional de v entre 1 e 1,5, para que se obtenha, pelo menos na
flexão normal, a seção trabalhando no domínio 5. Assim pode se obter os valores limite
de h com a relação:

𝑁𝑑
1≤𝑣= ≤ 1,2
𝑏 𝑥 ℎ 𝑥 𝑓𝑐𝑑

Evidentemente esse procedimento é simples e aproximado, servindo apenas para


pré-dimensionamento. Os cálculos pertinentes devem ser efetuados em seguida.

5.2 Detalhamento da armadura

O detalhamento da armadura de um pilar deve contemplar a quantidade e


posicionamento correto da armadura longitudinal e transversal, além de indicar as
distâncias entre barras, traspasses e as barras de espera. O detalhamento deve ser
apresentado em um desenho em que fique clara a disposição da armadura, indicando
bitolas, formatos, comprimentos e quantidades.

Após a escolha da bitola da armadura longitudinal, é necessário estudar sua


distribuição ao longo do pilar (concentra-se a armadura sempre na parte externa do

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pilar) de acordo com o cálculo e definir o espaçamento máximo e mínimo entre barras.
Em relação ao comprimento das barras é necessário levar em consideração como é feita
a execução dos pilares, em que cada andar é produzido por vez, então as barras
precisarão ser emendadas, sendo necessário calcular o traspasse entre as barras de um
andar para o outro.
Para a armadura transversal, cuja função principal é evitar a flambagem das
barras longitudinais, terá sua quantidade na seção transversal e ao longo do
comprimento do pilar definida em relação a esse fato.

5.2.1 Armadura longitudinal

As barras da armadura longitudinal devem ser distribuídas ao longo da periferia


da seção, ou no caso de pilares retangulares, nas situações de flexão composta normal e
oblíqua. As barras devem ser dispostas conforme especificado em cálculo, geralmente
são colocadas simetricamente em faces opostas e no mínimo, quatro barras.
Não devem ser colocados ganchos nas extremidades das barras longitudinais
comprimidas, porque esses ganchos ao serem comprimidos podem forçar a camada de
concreto que protege a armadura. Destaca-se que os cobrimentos para armaduras em
pilares estão dispostos no item 7.4.7 da NBR 6118:2003.

I) Diâmetro mínimo da armadura longitudinal

O diâmetro das barras não deve ser inferior a 10mm, nem superior a 1/8 da
menor dimensão da seção transversal do pilar.

II) Distribuição transversal e distâncias máxima e mínima entre as barras

Segundo o item 8.4.2.2 da NBR 6118:2003 as armaduras longitudinais de pilares


não cintados devem ser dispostas na seção transversal, de forma a garantir a adequada
resistência da peça. Em seções poligonais deve existir pelo menos uma barra em cada
vértice. Em seções circulares, no mínimo seis barras distribuídas ao longo do perímetro.
O espaçamento livre entre as faces das barras, medido no plano da seção
transversal, fora da região de emendas, deve ser igual ou superior aos seguintes valores:

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O espaçamento máximo entre os eixos das barras, ou de centro de feixes das
barras, deve ser menor ou igual a duas vezes a menor dimensão do trecho considerado,
sem exceder 400mm.

III) Emendas por traspasse de barras comprimidas

Comercialmente não existem barras de aço com comprimentos maiores de 12m,


então dessa forma, as barras da armadura longitudinal do pilar necessitam ser
emendadas, além do mais, barras de grande comprimento são de difícil manipulação. O
usual são as emendas por traspasse, ou seja, na região da emenda o esforço de uma barra
longitudinal passa para outra, através do concreto. Também é comum emendar as barras
em regiões que estejam todas comprimidas.
Para barras comprimidas isoladas, o comprimento do trecho do traspasse deve
ser igual ao comprimento de ancoragem. Com o mínimo:

Recomenda-se que as emendas sejam feitas no terço superior ou inferior da


altura do pilar. O melhor seria que as emendas fossem feitas no nível do pavimento,
pois dessa forma o tamanho final da barra seria igual a distância de piso a piso mais o
comprimento da emenda. Não é permitido emenda por traspasse em barras com
diâmetros maiores que 32mm.
Na transição entre pavimentos, quando não houver mudança na seção transversal
do pilar, as barras do tramo inferior posicionadas nos cantos devem ser dobradas
ligeiramente para dentro, de modo a efetuar a emenda. Quando houver diminuição da
seção do pilar deve se prolongar as barras possíveis e necessárias na emenda, quando a
seção não permitir o prolongamento, devem ser usadas barras complementares, que
servirão de arranque para a parte superior do pilar. No caso de barras que terminem em

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locais próximos a superfície externa de um elemento, é conveniente que essas barras
sejam dobradas ou interrompidas a uma distância maior igual a três vezes o seu
diâmetro.

IV) Armadura transversal na região de emendas por traspasse de barras comprimidas

Quando a armadura longitudinal for de diâmetro inferior a 16mm e a proporão


de barras emendadas na mesma seção for menor que 25%, devem ser satisfeitas as
recomendações do item 9.4.2.6 da NBR 6118:2003. Como usualmente as barras são
emendadas na mesma seção, se o diâmetro foi maior que 16mm, a Norma recomenda
que a armadura transversal:

 Seja capaz de resistir a uma força igual a de uma barra emendada, considerando
os ramos paralelos ao plano de emenda;
 Seja constituída por barras fechadas, se a distância entre as duas barras mais
próximas de duas emendas na mesma seção for menor que dez vezes o diâmetro
da barra emendada;
 Concentre-se nos terços externos da emenda.

5.2.2 Armadura transversal (estribos)

A armadura transversal de pilares, constituídas por estribos e quando for


necessário por grampos suplementares, deve estar disposta em toda a altura do pilar,
sendo obrigatória na região de cruzamento com vigas e lajes. Essa armadura deve ser
calculada para:

 Garantir o posicionamento e evitar a flambagem das barras longitudinais;


 Garantir a costura das emendas das barras longitudinais;
 Resistir aos esforços de tração decorrentes de mudanças de direções dos
esforços, de forças cortantes e de momentos torçores aplicados;
 Confinar o concreto e obter uma peça mais resistente ou dúctil.

I) Diâmetro mínimo dos estribos

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O diâmetro dos estribos em pilares não deve ser inferior a 5mm, nem a ¼ do
diâmetro da barra isolada ou do diâmetro equivalente do feixe que constitui a armadura
longitudinal.

II) Espaçamento máximo entre estribos

O espaçamento entre os estribos, medido da direção do eixo do pilar deve ser


igual ou inferior ao menor dos seguintes valores:

 200mm;
 Menor dimensão da seção;
 24 vezes o diâmetro da armadura longitudinal para CA – 25 e 12 vezes o
diâmetro da armadura longitudinal para CA – 50.

III) Proteção das barras longitudinais contra a flambagem

Sempre que houver possibilidade de flambagem, devem se tomar alguns


cuidados conforme descritos no item 18.2.4 da NBR 6118:2003. De acordo com esse
item, admite-se que os estribos oferecem proteção contra flambagem às barras dos
cantos e as barras situadas a uma distância de no máximo 20φt dos cantos com um
máximo de duas. Caso essas condições não sejam satisfeitas deve-se implementar
estribos suplementares.

Figura 8: Estribos adicionais


Fonte: Carvalho (2009)

IV) Esquema final de apresentação

A apresentação final do detalhamento dos pilares deve conter o número da barra


longitudinal, a quantidade, o diâmetro e o comprimento de cada uma. A seção

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transversal deve ser desenhada de modo a indicar o correto posicionamento das barras
longitudinais e os estribos devem ser desenhados ao lado, contendo também o
comprimento, número das barras, quantidade, diâmetro e espaçamento. Os pilares
devem ser detalhados em todos os pavimentos do edifício, com as cotas de nível
indicadas.

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REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (2003), NBR 6118:2003 –


Projeto de estruturas de concreto, Rio de Janeiro.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (2010), NBR 6122:2010 –
Projeto e execução de fundações, Rio de Janeiro.
BOTELHO, Manoel Henrique Campos; MARCHETTI, Osvaldemar. CONCRETO
ARMADO EU TE AMO. São Paulo: Edgard Blucher Ltda, 2015.
CARVALHO, Roberto Chust. Cálculo e detalhamento de estruturas usuais de
concreto armado. São Paulo: PINI, 2009. V.2.

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