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LINHARES, Maria Yedda Leite.

Descolonização e lutas de libertação


nacional. In: FILHO REIS, Daniel Aarão; FERREIRA, Jorge; ZENHA,
Celeste. (Org.). O Século XX: o tempo das dúvidas – do declínio das
utopias às globalizações. V. 3. 2ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,
2002. p. 37-64.

- INTRODUÇÃO (p. 37-40):

- Povos e regiões que sofreram no passado com a ocupação direta de países


estrangeiros começavam a manifestar, por diversos meios, sua insatisfação;
- Na Ásia a ocupação ocorreu a partir do século XVIII, com a
demonstração de superioridade técnica dos países que fizeram parte da
revolução industrial. Já na África essa ocupação ocorreu desde o século
XVI, aprofundando-se no decorrer do século XIX, sendo seus povos
partilhados entre as potências colonialistas europeias. A Era do
Imperialismo (1870);
- Houve a subjugação desses povos e essas conquistas objetivaram o
aumento da força e poder dessas potências imperialistas, bem como da
imposição de sua cultura sobre o outro. Além disso serviu ao atendimento
de interesses de industriais e banqueiros, como novas áreas de investimento
e exploração;
- Motivos para o declínio do imperialismo colonial: crise de 1929; ascensão
do nazi fascismo na Europa e o advento da 2º Guerra mundial.

- A DESCOLONIZAÇÃO NO PÓS-GUERRA (40-41):

- Houve uma rapidez no processo de reivindicação de soberania e


independência de vários países, o que é demonstrado pelo rápido
crescimento dos países membros d a ONU;
- O processo de descolonização se deu logo após o termino da Segunda
Guerra e se intensificou a partir de 1950;
- “Nas colônias africanas, o movimento de participação no conflito mundial
foi acentuado, desde o primeiro chamado da metrópole à solidariedade de
súditos e colonos, com consequência positiva no pós guerra, no tocante ao
movimento de independência.” (p. 40);
- Foram surgindo a partir da segunda guerra, populações com identidade
cultural própria. A descolonização resultou no fim dos impérios coloniais, o
que gerou um longo processo de mudança e reordenação do plano
internacional. Diversas foram as formas de independência (por mei ode
guerra, pacifica, negociada, etc).

- Afinal, descolonização por quê? (41-42):

- Carga ideológica do termo descolonização, por atribuir um destino


definido aos povos colonizados, que após serem colonizados, pela vontade
suprema do colonizador, seriam libertados, implicando assim uma
interpretação eurocêntrica do processo como um todo;
- Complexidade dos movimentos de libertação nacionais e suas aspirações;

- O eclipse da Europa (42-43):

- Reconhecimento da URSS como nova potência mundial e do socialismo


como uma alternativa de desenvolvimento para os povos, países e nações
que gravitavam na orbita do capitalismo;
- Nação em armas e incorporação de ideias independentistas nos partidos
políticos surgidos pós segunda guerra;
- Constituição da bipolaridade e divisão de forças do poder mundial, o que
influenciaria diretamente no processo de descolonização.

- A formação dos blocos internacionais e a divisão do mundo (43-44):

- Hegemonia americana e Europa em crise;


- Formação do bloco socialista sob a liderança soviética e a incorporação
da China em 1949, além da constituição de novas fronteiras em países
satélites da URSS;
- Neocolonialismo: “Nas relações colônia-metrópole, os capitais buscam
lucros não mais no controle da terra destinada à agricultura de exportação e
nem na construção da rede de transportes, mas em atividades nos setores
estratégicos, tais como minérios, combustíveis e modernas industrias de
transformação.” (p. 44);
- Instituições centrais do bloco capitalista que dirimia e articulava conflitos
a favor da superpotência (ONU, FMI, BID, OTAN, etc).

- A tomada de consciência dos povos colonizados (44-47):

- A Segunda Guerra desempenhou um papel fundamental no movimento de


revolta das colônias contra as metrópoles;
- Houve a busca do apoio das colônias por parte de países colonizadores, a
fim de lutar contra o nazi fascismo, especialmente as invasões da
Alemanha;
- O mito da superioridade do homem branco vinha sendo abalado, em
virtude da fraqueza demonstrada pela metrópole diante das nações
invasoras, e da necessidade de ajuda de suas colônias. Houve uma
demonstração de vulnerabilidade;
- “A tomada de consciência dos povos colonizados se dá no momento em
que eles são chamados a participar na guerra em defesa de suas respectivas
metrópoles, obtendo, como recompensa, garantias de autonomia ou
independência, nem sempre respeitadas.” (p. 45);
- Especificidade na colonização, na ajuda das colônias as metrópoles e
também no processo de descolonização;
- Em alguns países, nunca se aceitou sem resistência a colonização. No
entanto, “(...) o nacionalismo que se manifesta nas colônias no pós-guerra
tem novas feições e seus líderes se apresentam como porta-vozes de
aspirações populares, embora nem sempre de forma coerente.” (p. 46);
- A tomada de consciência dos povos coloniais contra a dominação do
homem branco, rico e poderoso, se deveu fundamentalmente a nova
correlação de forças dos países capitalistas no pós segunda guerra mundial;
- A divisão bipolar ideológica desencadeada pela Guerra Fria, demarcou a
expressão Terceiro Mundo, ou seja, nem Primeiro (capitalista, rico, livre e
democrático), nem segundo (comunista). Aos dois primeiros mundos,
constitui a prerrogativa de serem desenvolvidos, uma vez que possuem o
controle de toda tecnologia disponível, já o terceiro mundo seria
subdesenvolvido, sem qualquer desenvolvimento político, social ou
econômico, necessitando assim da ajuda dos dois primeiros.

- APOGEU E CRISE DOS IMPÉRIOS (47-48):

- Formação dos impérios mercantilistas no século XVI e


reformulação/expansão no século XIX;
- “O desenvolvimento do capitalismo com base na ideologia liberal do livre
cambismo e na suposição de que a superioridade do homem branco era
indiscutível constituiu o fundamento moral da nova partilha do mundo
(...).” (p. 48).

- O apogeu da dominação (48-51):

- No início do século XIX, quase nada restava dos velhos impérios


mercantilistas;
- Apenas a Inglaterra manteve certa hegemonia de poder e domínio em suas
colônias, mantendo o status de império. No entanto, com a crise do
capitalismo no final do XIX, o país voltou seus olhos para o expansionismo
imperialista;
- Política do Equilíbrio de Poder a partir da partilha: buscou evitar que
uma potência, através de alianças militares ou da extensão territorial, viesse
a exercer o predomínio sobre o continente europeu e ameaçar a paz entre os
poderosos ou a hegemonia britânica sobre os mares;
- Essa política objetivava ainda a busca de novos mercados e acesso a
matérias-primas, com vistas a atender ao rápido desenvolvimento do
sistema capitalista;
- Missão civilizadora do homem branco;
- Inglaterra, França, Alemanha, Holanda, Bélgica, Itália, Portugal e
Espanha;

- O começo do fim dos impérios (51-55):

- Inglaterra como grande potência marítima e imperial (O império britânico


abrigava ¼ da população o planeta, dominava a produção de arroz, cacau,
chá, lã, borracha, estanho, ouro, etc);
- A França possuía um império colonial menos espetacular que a Inglaterra;
- Caso de Bélgica, Holanda e Portugal;
- “A posição triunfal de uma nova potência na política mundial, os Estados
Unidos, ao lado da agitação crescente no interior do mundo imperializado e
da reação dos partidos de esquerda na Europa contra a política do
imperialismo constituem elementos decisivos que irão incidir sobre as
políticas coloniais, de um lado, e, de outro, sobre os caminhos da
descolonização.” (p. 55);

- Início da descolonização se dá com a independência da Índia em 1948.

- OS CAMINHOS DA INDEPEDÊNCIA (55-57):

- “O processo de independência resultou de um conjunto de fatores e de


ações que envolveram o poder colonial e as condições internas específicas
das colônias, em um conjuntura internacional favorável à mudança do
status quo político dos impérios em causa.” (p. 55);
- Apesar de diretrizes gerais das metrópoles, os movimentos de
independência das colônias tomaram rumos diferentes e específicos, e terá
características próprias em cada caso;
- Fatores diversos incidiram sobre o processo de descolonização;
- Fatores específicos de americanos e soviéticos: interesses econômicos,
localização estratégica, etc. Os EUA se interessavam por conter o avanço
do comunismo;
- EUA e URSS, agiam nos territórios que buscavam independência,
tentando estabelecer influencia por meio de auxílio. A rivalidade instaurada
com a guerra fria, desloca os conflitos armados dos grandes estados, para
as terras dos povos colonizados;

- A Independência tardia (57-61):

- Em 1955, foi realizada a Conferência de Bandung, convocada por 5


países independentes (Índia, Paquistão, Ceilão, Birmânia e Indonésia), e
que reuniu 29 países da África e Ásia, apresentando-se como um bloco do
terceiro mundo. Adotaram uma postura de neutralidade frente a
bipolaridade estabelecida, buscando estabelecer a diretriz de ajudar os
povos subjugados a buscar sua independência. Foi o chamado Espírito de
Bandung;

- Ultracolonialismo português (dependente e subdesenvolvido, sem fazer


qualquer concessão);
- “Apesar da reprovação geral, Portugal continuava a receber suprimentos
em armas pela OTAN, que eram enviadas aos seus exércitos sediados na
África.” (p. 59);
- Revolução dos Cravos: “Era a democracia em marcha e a decretação do
fim do colonialismo. O exército colonial fora derrotado e voltava-se contra
a metrópole, em nome da liberdade.” (p. 60);

- Esperanças e frustrações (61-63):

- “Ora por meios pacíficos, ora por intermédio de longas e cruéis lutas
internas os velho impérios coloniais chegaram ao fim.” (p. 61);
- A descolonização foi uma conquista dos ovos dominados, resultado de
uma longa e nem sempre de aparência espetacular, por vezes silenciosas;
- Na Índia, no Egito, na Argélia, em Gana, a instalação do dominador foi
violenta, e igualmente violenta foi a resistência local. O ato final de
independência foi sempre precedido de prolongados distúrbios, quando não
de longas e cruéis guerras de libertação;