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MAGNOLI, Demétrio. Relações Internacionais: teoria e história. 2ª ed.

São Paulo: Saraiva, 2012.

ORIGENS DA GUERRA FRIA

Introdução:

- “A “paz perpétua” parecia ao alcance da mão, por meio de uma vontade


expressa em atos jurídicos. O advento de Hitler expôs, brutalmente, a
natureza ilusória de tais iniciativas – e a fragilidade do simulacro de ordem
internacional erguida após a Grande Guerra. (...) O Eixo Berlim-Roma foi
formado em 1936 e os Estados nazifascistas coligados passaram a apoiar os
rebeldes de Francisco Franco na Guerra Civil Espanhola (1936-1939).” (p.
92);

- Política de apaziguamento: movimento franco-britânico com o objetivo


de evitar um conflito com a Alemanha nazista;

- Expectativa britânica de que Hitler fosse um contraponto ao poder


soviético;

Teerã, Yalta e Potsdam:

- Relações entre Grã-Bretanha, EUA e URSS;

- A Conferência de Teerã foi o primeiro grande encontro dos três líderes


(Roosevelt, Stálin e Churchill);

- “As conferências de Yalta e Potsdam reuniram os vencedores da Segunda


Guerra Mundial e redefiniram a organização geopolítica do continente
europeu. Os três grandes começaram a delinear, nesses encontros, a
bipartição do espaço europeu em zonas de influência de antagônicas.” (p.
95);

- Na Conferência de Yalta, realizada em fevereiro de 1945, reorganizou-se


a fronteira soviética, sendo estabelecidas as bases para os novos regimes
políticos a serem implantados nos países até então sob influência alemã;

- “Um acordo inicial entre os participantes previa a formação de governos


de união nacional na Polônia, Tchecoslováquia, Hungria, Romênia,
Bulgária, Iugoslávia e Albânia. Tais governos contariam com
representantes de todos os partidos antifascistas, mas seriam dirigidos pelos
partidos comunistas. Nessas, condições Yalta assinalava a constituição de
uma esfera de influência soviética.” (p. 95);

- A Conferência de Potsdam, realizada em julho de 1945, teve Truman no


lugar de Roosevelt e os trabalhistas no lugar de Churchill. O centro das
discussões foi a organização político-administrativa da Alemanha
derrotada. Decidiu-se por sua divisão em quatro zonas de influência militar
sob a ocupação dos vencedores: França, EUA, URSS e Grã-Bretanha;

- Berlim também foi dividida da mesma maneira;

- “A perspectiva de Roosevelt decorria da tendência histórica dos Estados


Unidos de buscar a reforma do sistema internacional e de rejeitar a noção
realista do equilíbrio de poder.” (p. 97);

- “As conferências do pós-guerra deflagraram um processo conflituoso, em


que se manifestaram as divergências entre as perspectivas dos Três
Grandes. A dinâmica desse processo erodiu o projeto roosveltiano dos
“Quatro Policiais” e alinhou os Estados Unidos na perspectiva britânica de
contrabalançar o poder soviético no Leste Europeu. A Doutrina Truman,
enunciada no início de 1947, assinalou a transição para a Guerra Fria.” (p.
98);

A Doutrina Truman:

- Falta de resolução da questão polonesa. Influência soviética no Leste


Europeu;

- “Depois de Yalta, a morte de Roosevelt, a Conferência de São Francisco,


a captura de Berlim pelas forças soviéticas, a rendição alemã e, sobretudo,
o teste da bomba atômica americana em Alamogordo criaram um novo
ambiente diplomático.” (p. 98);

- Na Alemanha houve uma política de desmilitarização e eliminação total


do aparato nazista;

- Na Grécia houve repressão britânica contra os comunistas. Na Alemanha


Oriental as reformas sociais e econômicas soviéticas desagradaram
americanos e britânicos;
- “No início de 1946, a crise polonesa acirrou-se . O governo provisório ,
sob hegemonia comunista, anunciou a nacionalização da grande indústria
iniciando a implantação de um regime socialista no país.” (p. 99);

- “A Doutrina Truman, nitidamente inspirada nas notas de Mr. X, foi


formulada em março de 1947. O evento que suscitou o discurso histórico
do presidente americano consistiu na comunicação britânica de que
Londres não podia mais assumir suas responsabilidades tradicionais de
sustentação dos governos da Grécia e da Turquia, aliados ocidentais
estrategicamente localizados no Mediterrâneo oriental.” (p. 100);

- Sustentação e apoio aos governos Turco e Grego;

- Discurso de Truman: “Creio que a política dos Estados Unidos deve


consistir dos Estados unidos deve consistir em apoiar os povos que estão
lutando contra tentativas de subjugamento por parte de minorias armadas
ou de pressões externas. Creio que devemos ajudar os povos livres a
desenvolver seu destino à sua maneira.” (p. 101);

- A defesa dos povos livres contra o terror e a opressão, significava a


contenção do expansionismo soviético sob outras esferas de influência;

O Plano Marshall:

- Logo após a segunda guerra, a Europa enfrentou uma situação de ruína


econômica iminente. A crise social era profunda em virtude da baixa de
divisas para importar produtos manufaturados. A fome era uma realidade, o
desemprego batia a porta;

- “A ruína econômica refletia-se no espalho da política. Os partidos


conservadores conheciam profundo desgaste enquanto os trabalhadores e
desempregados voltavam-se para a esquerda. (...) O Plano Marshall
representou a resposta americana à crise europeia. A presentado em junho
de 1947, concentrava-se na resolução do problema da carência de dólar,
que emperrava a reconstrução econômica. (...) No Plano Marshall encontra-
se a origem do Ocidente da Guerra Fria. O programa de financiamento
americano da reconstrução europeia tornou-se o principal instrumento da
Doutrina Truman. Entre 1948 e 1952, o Plano forneceu o impulso para a
reconstrução europeia e, nesse passo, proporcionou as condições para a
estabilização política e institucional dos Estados da Europa ocidental.” (p.
102);
- A URSS não aderiu ao plano, definindo o programa como uma tentativa
norte-americana de interferir na soberania soviética;

- O programa possuía caráter estratégico e geopolítico e abrangeu 16


países;

Bipartição da Alemanha:

- Na Conferência de Potsdam a principal preocupação da URSS em relação


à Alemanha era de assegurar de que receberia as reparações e indenizações
devidas;

- Os EUA propuseram a desindustrialização e neutralização política da


Alemanha;

- Proposta americana de unificação da zona Ocidental (formação da Tri-


Zona) – Alemanha Ocidental. A Alemanha deveria funcionar como um
impeditivo ao expansionismo soviético;

- Bloqueio de Berlim em virtude da reforma monetária proposta na zona


ocidental;

- “Stalin suspendeu o bloqueio em maio de 1949, quando Berlim já tinha se


transformado num símbolo da unidade antissoviética da Europa Ocidental e
do engajamento dos Estados Unidos na Europa. O encerramento do
bloqueio possibilitou a constituição da República Federal da Alemanha
(RFA), com capital em Bonn. (...) Em outubro, surgia a República
Democrática Alemã (RDA) abrangendo a zona sovi´tica e tendo como
capital Berlim Oriental. A Alemanha bipartia-se, formalmente, sobre as
ruínas das decisões da Conferência de Potsdam.” (p. 105);

O SISTEMA BIPOLAR DA GUERRA FRIA

Introdução:

- “A crise do Bloqueio de Berlim representou o primeiro grande teste da


Doutrina Truman. Seu resultado consistiu na divisão da Europa em blocos
geopolíticos antagônicos e na bipartição da Alemanha em Estados
integrados a esses blocos.” (p. 110);
- Durante a crise de Berlim aprofundou-se o processo de transformação dos
países do Leste Europeu sob influência soviética em um Bloco de países-
satélites, sendo ocupados por tropas soviéticas, tendo partido único
subordinados as diretrizes de Moscou;

- “O encerramento do Bloqueio de Berlim assinalou a inflexão definitiva da


estratégia da contenção. (...) As tensões desencadeadas pela crise berlinense
adensaram o conteúdo militar da contenção, resultando na criação, em abril
de 1949, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). (...) O Pacto
de Varsóvia, criado em 1955 pela União Soviética, agrupou um conjunto
dos países-satélites. (...) Os sistemas antagônicos de alianças militares
cimentaram a divisão do continente em blocos geopolíticos rivais e
consolidaram a fronteira estratégica que, durante a Guerra Fria, separou
Ocidental da Europa Oriental.” (p. 111);

- Criação das instituições de cooperação econômica, Comecon na Europa


Oriental e CEE e Aelc;

O equilíbrio do terror:

- A OTAN nasceu como uma forma dos EUA tentar equilibrar o cenário
estratégico europeu e contrapor o avanço do desenvolvimento nuclear
soviético;

- A primeira bomba atômica soviética foi testada em julho de 1949;

- “A formulação caracterizava-se um eventual ataque militar a qualquer


membro da aliança como um ataque a todos os seus membros, e firmava
um compromisso de reação conjunta e automática. (...) Um ataque
convencional soviético na Europa Ocidental deflagraria uma resposta
nuclear americana contra a União Soviética.” (p. 112);

- “(...) o Pacto de Varsóvia não foi concebido como organização de


segurança coletiva (...). A aliança estruturada por Moscou estava voltada
para a estabilização interna do bloco de países-satélites, não para a defesa
em face de uma ameaça externa.” (p. 112);

- “A fragilidade política dos regimes comunistas nos países-satélites,


derivada da carência de legitimidade social dos aparelhos partidários
associados a Moscou, não podia ser resolvida na moldura das instituições
nacionais. A solução foi a ancoragem dos Estados do bloco soviético na
aliança militar supranacional. O Pacto de Varsóvia representou a supressão
dos resquícios de soberania política dos países-satélites.” (p. 113);
- O equilíbrio nuclear entre as duas potências só se efetivou em 1960;

- Crise de Berlim em 1961 em virtude da diferença entre o crescimento


econômico da RFA e da RDA com o início da construção do Muro;

- “A construção do Muro de Berlim dissolveu a tensão, conservando o


estatuto político de Berlim Ocidental, mas interrompendo o fluxo de
refugiados, que drenava a energia da RDA. A separação física gerou o
símbolo mais dramático da Guerra Fria e da divisão da Europa e da divisão
da Europa em blocos geopolíticos antagônicos. A “Cortina de Ferro”
ganhava uma representação material extraordinariamente inadequada (...).”
(p. 115);

- Revolução Cubana em 1959 e Invasão da Baía dos Porcos em 1961, levou


a tensão bipolar para o quintal dos EUA, em uma área que o país achava
até então que possuía o controle total e deveria ser naturalmente uma região
aliada;

- Crise dos Mísseis em 1962 (resposta a tentativa de invasão à Cuba em


1961 e a presença de mísseis norte-americanos na Turquia) – Bloqueio
Naval à Cuba e exigência da retirada dos mísseis soviéticos. “A ameaça de
um ataque nuclear soviético a partir do Caribe virtualmente suprimia a
superioridade estratégica dos Estados Unidos em vetores e ogivas.” (p.
116);

- “A crise berlinense de 1958-1961 acabou por estabilizar o cenário


europeu reforçando a fronteira estratégica entre os blocos antagônicos. A
crise cubana de 1962, ao evidenciar os riscos da catástrofe nuclear, gerou
regras mais claras para o relacionamento entre as superpotências e, no fim
das contas, desanuviou um pouco o cenário global da Guerra Fria.” (p.
116);

A “cortina de bambu” na Ásia:

- “(...) a Revolução Chinesa e a Guerra da Coréia (1950-1953)


evidenciaram a fragilidade da situação geopolítica da Ásia. Esses eventos
provocaram uma reformulação da estratégia da contenção, que passou a
englobar o espaço asiático.” (p. 116);

- Sob o impacto da revolução, Truman estava decidido a barrar a expansão


do comunismo na Ásia;

- Divisão do Vietnã em dois Estados, sendo o Vietnã do Norte comunista;


- Formação da Organização do Tratado do Sudeste Asiático (Seato);

- Formação do Pacto de Bagdá;

- “O sistema de alianças asiáticas dos Estados Unidos configurou um


imponente “cordão sanitário” em torno das potências comunistas. Esse
dispositivo de segurança inspirou, por similaridade com a “Cortina de
Ferro” europeia, a expressão “cortina de bambu”. Uma fronteira estratégica
erguia-se na orla asiática separando dois blocos geopolíticos antagônicos.”
(p. 118);

- Interferência americana no Vietnã a partir de 1961;

A carta chinesa:

- “A Revolução Chinesa, um movimento nacional e popular que se


desenrolou por mais de duas décadas, gerou um Estado socialista autônomo
diante da União Soviética. O poderio geopolítico desse Estado – expresso
na demografia, na extensão territorial e na base de resursos econômicos –
representou um desafio estratégico para Moscou. O cisma Sino-Soviético
tornou-se público em julho de 1960, quando a União Soviética rompeu o
programa de cooperação militar bilateral, suspendendo a assistência
financeira e retirando todos os assessores técnicos que trabalhavam na
China.” (p. 119-120);

- “A política externa conduzida por Nixon e Kissinger girou em torno de


três eixos, que se reforçavam e apoiavam uns aos outros: a “retirada
honrosa” do Vietnã, a aproximação e cooperação com a China e a distensão
das relações com a União Soviética.” (p. 121);

- Entrada da China comunista na ONU, representando a consolidação do


Estado nascido a partir da Revolução Chinesa em 1949;

- Relações sino-americanas;

A política da détente:

- A partir da aproximação sino-americana, Moscou deveria trabalhar com


duas frentes de combate: a OTAN na Europa, e a China na Ásia;
- “A nova configuração do sistema internacional proporcionou condições
para o desenvolvimento da política da distensão. Nixon e Kissinger
acreditavam que os soviéticos seriam forçados a aceitar uma dinâmica de
redução das tensões em várias áreas do mundo e, em especial, no Oriente
Médio. (...). A diplomacia triangular, tal como caracterizada por Kissinger,
substituía a contenção rígida – expressa no “cordão sanitário” – por uma
dinâmica de equilíbrio de poder no espaço asiático.” (p. 122);

- Tratados de limitação do desenvolvimento de armamentos nucleares.