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Curso de

Farmacologia Geral

MÓDULO IV

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descritos na Bibliografia Consultada.
MÓDULO IV
FARMACODINÂMICA

™ Interação Droga/Receptor

Os fármacos ou seus metabólitos ativos, para produzirem efeitos devem atingir o


local de ação em concentrações adequadas.
As drogas normalmente produzem alterações no organismo através de alterações
das propriedades físicas, físico-químicas e ou bioquímicas da estrutura celular. Por
exemplo, acredita-se que os anestésicos gerais inalatórios, devido à alta lipossolubilidade,
se dissolvem na estrutura da membrana das células nervosas. Também certos
antimicrobianos devido as suas propriedades tensoativas alteram a tensão superficial das
membranas e, conseqüentemente alteram a permeabilidade seletiva da membrana o que
leva à morte os microrganismos. Outras vezes, os medicamentos agem através de
reações químicas simples, combina-se com componentes do organismo e alteram então,
a participação destes componentes nos processos fisiológicos normais. Na maioria das
vezes os medicamentos agem em quantidades tão mínimas e tão seletivas que é fácil de
se enxergar uma correlação entre as estruturas químicas dos mesmos e os locais de ação
ou de ligação. Assim atuam anti-histamínicos, anestésicos locais e etc, que sempre
apresentam uma semelhança estrutural com todos os medicamentos do mesmo grupo
farmacológico. Além disto tais medicamentos podem ser antagonizados por outras
substâncias que devem ter semelhança estrutural. Para explicar os mecanismos de ação
destes medicamentos surgiram várias teorias, todas elas baseadas na existência de
macromoléculas as quais se ligam os fármacos formando um complexo, reversível, que
na maioria dos casos é responsável pelo efeito farmacológico. Estas macromoléculas são
denominadas receptores.
Em um exemplo hipotético, suponhamos que um fármaco tenha sido adicionado a
diferentes preparações de músculo liso. Em uma das preparações o músculo contraiu, em
outra houve relaxamento e a terceira não respondeu. Podemos dizer que o músculo da
primeira preparação apresenta receptores para contração, o segundo para relaxamento e
o terceiro não possui receptores para aquele fármaco.

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Outro exemplo interessante é o que ocorre com os hormônios, que após serem
secretados são lançados na circulação sangüínea e, desta maneira, todo o tecido do
organismo estão expostos a estes hormônios. Alguns tecidos respondem a um dado
hormônio e outros não. Os hormônios ligam-se aos receptores presentes em alguns
tecidos e, de alguma forma, produzem alterações que resultam em efeitos fisiológicos
característicos.
O conceito de receptores vem desde Langley que 1907 propôs o conceito de
“substâncias receptivas” e Erlich em 1913 que notou a alta especificidade da ligação entre
protozoários e certos quimioterápicos, no entanto o mais aceito é o proposto por Ariens,
muitos anos mais tarde e, corresponde ao local de interação da droga com o componente
celular que pode resultar em um estímulo que poderá ser traduzido a um efeito.
Segundo Ariens são receptores:

a) Enzimas, com os quais alguns medicamentos se ligam levando ao


aparecimento de seu efeito farmacológico. Exemplo: Inibidores da
acetilcolinesterase que se ligam na enzima e a inibem;
b) Ácidos nucléico, que podem ter a estrutura alterada pela ação de certas
drogas como os antibióticos, antimaláricos e etc;
c) Sítios moleculares específicos, localizados em células, com as quais
determinados fármacos reagem provocando uma resposta característica.
Exemplo: colinérgicos de ação direta, que se ligam aos receptores
muscarínicos da acetilcolina.

Formação do complexo droga-receptor ou fármaco-receptor

A natureza da interação fármaco-receptor tem sido, desde muitos anos, um tema


muito estudado na farmacologia básica.
Quando droga e receptor se interagem, surge um complexo droga-receptor ou
fármaco-receptor. A formação deste complexo geralmente leva a alteração do
funcionamento celular.

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F+R ↔ FR → Efeito
A maioria dos fármacos se liga através de ligações fracas com os receptores de
modo que a velocidade de dissociação do complexo é grande. Quando a ligação é forte,
covalente, os complexos são mais estáveis e o efeito pode ser mais duradouro ou até
irreversível. A ligação fármaco-receptor se faz por ligação iônica, pontes de hidrogênio,
forças de Van der Waals ou interações hidrofóbicas.
Nem todos os fármacos, porém, agem através de receptores, substâncias como o
manitol (um diurético osmótico) vão agir sobre a água, a carboximetilcelulose (um laxante)
apenas aumenta o volume fecal pela incorporação de água. Nestes casos alguns autores
consideram a água como um receptor inespecífico uma vez que ela poderia ser
substituída por qualquer outro solvente polar.
Algumas substâncias de efeito quelante se ligam a íons metálicos divalentes tendo
a predileção por alguns deles como o cálcio e magnésio. Neste caso podemos considerar
estes íons como receptores semi-específicos. Ao contrário do que ocorre nestes
exemplos os receptores específicos apresentam organização química complexa, na qual
o fármaco deve se encaixar para produzir ação farmacológica. No caso de receptores
específicos, pequenas modificações químicas na estrutura do fármaco podem resultar em
grandes alterações em termos de efeitos. Para exemplificação veja a Tabela abaixo:
Potência relativa de alguns análogos da acetilcolina sobre a contração do músculo liso
do íleo de cobaia
Droga Potência Relativa (%)
Acetilcolina 100
Formicolina 25
Propionicolina 5
Butirilcolina 0,5

Também para os receptores específicos a esteroseletividade é muito importante e


em alguns casos isômeros ópticos podem variar de 100 a 1000 vezes em termos de
potência. A tabela abaixo mostra exemplos de potências diferentes de estereoisômeros
diferentes:

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Potências relativas de alguns estereoisômeros de algumas drogas
DROGAS ISÔMERO LEVO (-) ISOMÊRO DESTRO (+)
Noradrenalina 100 1
Atropina 30 1
Metadona 50 1
Butaclamo 11 > 1000

As drogas capazes de bloquear os receptores específicos também são tão


especificas quanto os agonistas para o mesmo receptor. Outro aspecto importante é que
as drogas que agem em receptores específicos o fazem na ordem de concentração de
micromolar ou nanomolar e as que agem em receptores inespecíficos atuam em
concentrações molares ou milimolares.

™ Interação Entre Drogas

A administração simultânea de duas drogas pode fazer com que o efeito de uma
delas seja quantitativamente alterado. A presença em uma mesma preparação de mais de
uma substância geralmente tem a finalidade de aumentar ou reduzir os efeitos de uma
delas, facilitar a dissolução, a conservação ou melhorar as propriedades organolépticas.
A associação entre drogas pode fazer com que obtenhamos o efeito desejado de
um dado fármaco utilizando doses menores e conseqüentemente com a possibilidade de
menores efeitos colaterais. O uso de drogas associadas pode resultar em uma série de
interações que são classificadas em sinergismo e antagonismo.

Sinergismo

Diz-se que há sinergismo, entre dois fármacos A e B quando, devido à presença da


droga B, houve menor necessidade de A, para se obter o efeito desejado. O sinergismo
pode ser dividido em sinergismo por potenciação e sinergismo por adição. No sinergismo
por adição o efeito da droga A soma-se ao efeito da droga B, ou seja, se tivermos um
anestésico A, que em uma dose X, produza efeito por uma hora e um outro anestésico B,
que na dose Y, produza efeito por 30 minutos, ao associarmos os dois anestésicos
obteremos efeito por 1 hora e 30 minutos. O gráfico abaixo ilustra o efeito de A em função

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da dose com doses crescentes de B (B=0, B=4 e B=8).
O sinergismo por potenciação ocorre quando o efeito obtido na associação é maior
que o efeito de cada uma das drogas isoladamente, mas é diferente da somatória dos
efeitos isolados.
Suponhamos que o efeito desejado seja a redução da pressão arterial. Esse efeito
poderia ser obtido pela utilização de uma droga A com ação vasodilatadora ou pela
utilização de uma droga B com ação diurética A utilização das drogas A e B em conjunto
propicia um efeito maior que cada uma delas isoladamente. Dizemos então que houve um
sinergismo por potenciação, Ocorre também potenciação quando as drogas atuam de
forma qualitativamente diferente, uma interferindo nas características farmacocinéticas da
outra, por exemplo, a interação entre os inibidores de aceiticolinesterase e a acetilcolina,
a qual tem os níveis aumentados pela presença do inibidor.

Efeito da droga A com diferentes concentrações de uma droga b

Podemos observar que a curva se desloca para a esquerda à medida que


aumentamos a concentração de B, isto significa que para obtermos um dado efeito, em
presença de B, necessitamos de doses menores de A.

Antagonismo

Há antagonismo entre duas drogas quando a intensidade do efeito de uma é


reduzido pela presença da outra.
Quando duas drogas competem pelo mesmo receptor, com afinidades
semelhantes pelo receptor, tendo uma delas atividade intrínseca igual a um (agonista

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total) e a outra igual a zero (antagonista), dizemos que há antagonismo competitivo
reversível. A interação é competitiva porque as drogas competem pelo mesmo receptor e
reversível, porque as ligações sendo fracas uma das drogas se desloca a outra do
receptor e com isso, aumentando-se concentração do agonista consegue-se reverter o
bloqueio feito pelo antagonista. Neste caso as curvas são paralelas e aumentando-se a
dose do agonista sempre se alcança o efeito máximo. Uma droga neste caso modifica a
afinidade da outra pelo receptor, ou seja, a constante de afinidade se altera, já as curvas
se deslocam para a direita à medida que se aumenta concentração do antagonista. O
antagonismo competitivo reversível é mostrado na Figura abaixo:

Antagonismo competitivo reversível

Para medir-se o grau de antagonismo competitivo usa-se o parâmetro PA2 (Schild,


1949) que representa o logaritmo negativo da concentração molar do antagonista
necessária para que a concentração do agonista seja o dobro para obter o mesmo efeito.
Como exemplo deste tipo de antagonismo podemos citar a reação entre a histamina e os
anti-histamínicos e a acetilcolina e a atropina.
Pode haver uma situação onde o antagonista se liga ao receptor de maneira
irreversível. Neste caso o agonista não consegue remover o antagonista do receptor.
Então chamamos esta forma de antagonismo competitivo irreversível como pode ser visto
na Figura abaixo.

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Efeito de uma droga A em presença de diferentes concentrações de uma droga B

Podemos ver neste caso que o efeito máximo pode ser alcançado até certo limite,
o que podemos atribuir aos receptores de reserva ou suplementares e da mesma forma
que no caso anterior, as curvas se deslocam para a direita e a constante de afinidade se
altera, O logaritmo negativo da concentração do antagonista necessária para reduzir em
50% o efeito do agonista é conhecido como pD2. Alguns bloqueadores neuromusculares
despolarizantes podem agir como antagonistas competitivos irreversíveis da acetilcolina.
Outra forma de antagonismo é o antagonismo não competitivo onde o antagonista
bloqueia alguma etapa da cadeia de eventos que liga a ativação do receptor a resposta
farmacológica reduzindo a resposta ao agonista. O verapamil é um antagonista de drogas
que promovem contração da musculatura lisa impedindo a entrada de cálcio e não
bloqueando o receptor onde estas drogas atuam. Representando graficamente, na figura
abaixo, temos curvas com inclinações diferentes, com efeitos cada vez mais aquém do
efeito máximo à medida que aumentamos a dose do antagonista. Podemos observar
também que a constante de afinidade não muda em virtude das drogas não ocuparem o
mesmo receptor.

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Antagonismo não competitivo ou fisiológico.

Outra forma de antagonismo que graficamente se assemelha ao anterior é o


antagonismo fisiológico onde duas drogas originalmente agonistas produzem ações
farmacológicas contrárias agindo em receptores diferentes e por mecanismos diferentes,
como é o caso da interação entre a adrenalina e a histamina na modificação da pressão
arterial. A adrenalina promove aumento da pressão arterial por vaso-constrição e aumento
da freqüência cardíaca, enquanto a histamina promove uma redução da pressão por
promover vaso-dilatação e reduzir a resistência vascular periférica.
Temos também o antagonismo por agonista parcial ou dualismo onde duas drogas
que apresentam afinidades semelhantes pelos mesmos receptores, porém com atividades
intrínsecas diferentes são associadas. Quando isso ocorre, elas inicialmente atuam de
forma sinérgica, devido a grande disponibilidade de receptores. Porém, quando se
esgotam os receptores elas passam a atuar de forma antagônica, ou seja, a que
apresenta atividade intrínseca mais baixa (agonista parcial) ocupa receptores e não
atuam de forma muito eficaz atrapalhando a ação do agonista total (atividade intrínseca
mais alta). Para isso observe a figura abaixo:

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Antagonismo por agonista parcial ou dualismo

Existe o chamado antagonismo químico onde as substâncias interagem em


solução, ou seja, os metais pesados podem ser antagonizados por substâncias quelantes.
Outro exemplo é a neutralização química do cianeto pela administração de tiossulfatos.
No antagonismo farmacocinético o que ocorre é a redução da concentração do
agonista no local de ação seja por redução da absorção, aumento da velocidade de
degradação ou aumento da velocidade de excreção. Por exemplo, o fenobarbital induz o
metabolismo de uma série de drogas como os anticoagulantes cumarínicos.

™ Mecanismos Moleculares de Ação das Drogas

Avanço no conhecimento dos mecanismos de ação e desenvolvimento de


novas drogas

Os mais recentes avanços com relação ao desenvolvimento de novas drogas têm


sido possíveis graças ao conhecimento que se tem acumulado, basicamente nessa última
década, a cerca da estrutura molecular dos receptores, bem como dos mecanismos
moleculares envolvidos na ação das substâncias químicas capazes de modificar as
funções fisiológicas.

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Relação entre estruturas de receptores e doenças
O progresso no entendimento da função do receptor em termos moleculares tem
revelado um grande número de doenças ligadas ao mau funcionamento do receptor,
como é o caso da myasthenia gravis em que ocorre um ataque auto-imune aos receptores
nicotínicos da acetilcolina na junção neuromuscular impedindo a ação desta nas
contrações musculares.
Outros exemplos podem ser citados, tais como os defeitos nos receptores de
hormônio luteinizante que levam à puberdade precoce, além de uma forma rara de
hipoparatireoidismo, que parece resultar de uma ligação defeituosa da proteína G a
adenilato ciclase, portanto um mecanismo de acoplamento no funcionamento do hormônio
das paratireóides.

Alvos protéicos para a ação das drogas


Os alvos protéicos para a ação das drogas nas células dos mamíferos podem ser
classificados em receptores, canais iônicos, enzimas e moléculas transportadoras. Para
um maior entendimento, cada alvo será explicado detalhadamente em função de seus
mecanismos de ação além de seus efeitos resultantes.

Receptores
Os receptores funcionam como elementos de percepção do sistema de
comunicação química que coordenam a função de todas as diferentes células do corpo.
Toda substância química que atua no processo de coordenação ou modificação das
atividades celulares, tais como as drogas, hormônios e outras, podem potencialmente
utilizar um receptor.

Na maioria dos casos, o mediador endógeno foi descoberto antes do receptor ser
farmacologicamente caracterizado. Exceção a isso são os benzodiazepínicos e os
canabinóides, cujos receptores não apresentam ligantes endógenos bem caracterizados.

Os mediadores endógenos atuam nos receptores obtendo um efeito direto, como


por exemplo, a abertura do canal iônico que despolariza a membrana celular, produzindo

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um efeito. Podem atuar também se combinando aos receptores e desencadeando
mecanismos de transdução que resultam, em ativação ou inibição de enzimas, regulação
da transcrição do DNA ou modulação da função dos canais iônicos. No caso de drogas
antagonistas, estas geralmente ligam-se a receptores resultando no bloqueio mecânico de
efeitos dos mediadores endógenos. Os receptores são classificados em função de sua
estrutura molecular e/ou natureza de associação receptor-efetor.

Canais iônicos
Nós sabemos que os canais que atuam seletivamente na permeabilidade de certos
íons, controlando a condutância iônica através da membrana, são de suma importância
para as atividades celulares, principalmente nas células excitáveis como neurônios e
células musculares onde o potencial bioeletrogénico da membrana é o carro chefe da
atividade fisiológica.
Os canais apresentam a permeabilidade bloqueada ou a abertura controlada pela
ligação a moduladores. Esses canais iônicos são alvos protéicos para a ação de
mediadores endógenos que podem sofrer interferência direta do mediador ou através de
intermediários como a proteína G.
No primeiro caso, pode ocorrer um bloqueio físico do canal pela molécula da droga,
melhor exemplificado pela ação dos anestésicos locais que bloqueiam os canais de sódio
dependentes de voltagem, obtendo como resultado final o bloqueio temporário do impulso
nervoso. Outro bom exemplo é o do diurético amilorida que atua no bloqueio dos canais
de sódio das células tubulares renais impedindo a entrada de sódio nas células
A diidropiridina é uma droga vasodilatadora que influencia o mecanismo de portão
ou comporta do canal, já que o processo de abertura do canal, que normalmente ocorre
em resposta à despolarização da membrana, pode ser inibido ou facilitado de acordo com
a estrutura do fármaco. Os benzodiazepínicos facilitam a abertura dos canais de cloreto
pelo GABA, e as sulfaniluréias que são utilizadas para o tratamento da diabete, uma vez
que atua nas células do pâncreas (responsáveis pela secreção de insulina quando a
concentração plasmática de glicose aumenta) bloqueando os canais de potássio. Este
bloqueio leva à despolarização da membrana estimulando a secreção de insulina.

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Enzimas
Muitos fármacos atuam em enzimas, sendo que freqüentemente a droga atua como
um análogo do substrato que age como um inibidor competitivo da enzima de forma
reversível, como é o caso da neostigmina que atua na enzima acetilcolinesterase, ou de
forma irreversível, como é o caso da aspirina que atua na cíclooxigenase, resultando em
bloqueio da produção de prostaglandinas.
Um outro tipo de interação envolve a droga como um substrato falso, levando à
transformação química da droga, com a formação de um produto anormal que subverte a
via metabólica normal. Exemplo disso é a metildopa que imita a dopa, precursora da
noradrenalina, que quando utilizada, leva á substituição parcial desta pela
metilnoradrenalina afetando a função do sistema nervoso simpático, com efeito, final de
anti-hipertensivo.
Por fim, deve ser mencionado que as drogas podem exigir degradação enzimática
para que ocorra a conversão de uma forma inativa, pró-droga, para uma forma ativa.
Certos tipos de toxicidade de drogas decorrem da conversão enzimática a um metabólico
reativo.

Moléculas transportadoras
As moléculas transportadoras atuam no transporte de íons e pequenas moléculas
orgânicas através de membranas celulares, já que com freqüência, moléculas polares são
insuficientemente lipossolúveis para penetrar por si só nas membranas lipídicas.
Entre exemplos variados, encontramos as moléculas responsáveis pelo transporte
de glicose e aminoácidos, transporte de íons e muitas moléculas orgânicas pelo túbulo
renal, e o transporte de outras substâncias hidrofílicas pelas membranas celulares.

Proteínas receptoras
Isolamento e caracterização dos receptores.
Iniciou-se na década de 70, quando os receptores, antes tratados como entidades
teóricas, começaram a surgir como uma realidade bioquímica. Ao se disponibilizar um
ligante radioativo que se combina fortemente á um receptor, torna-se possível extrair e
purificar o material marcado radioativamente (receptor-ligante). Como exemplo do uso de

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ligantes radioativos para a identificação de receptores citam-se os receptores nicotínicos
da acetilcolina.

O impacto da biologia molecular


Uma vez isolada e caracterizada a proteína receptora, analisa-se a seqüência de
aminoácidos de uma porção polipeptídica, que permite a dedução da seqüência básica
correspondente ao RNAm. Através de sondas de oligonucleotídeos sintetizadas obtém-se
a seqüência do DNA correspondente por métodos de clonagem utilizando o DNA (DNA
complementar).
O DNA clonado é uma fonte de informações rica sobre os receptores de interesse.
Sendo assim, é inoculado para a expressão em oócito de rã onde se detecta por
mudanças registradas no potencial de membrana ou de condutância iônica a proteína
receptora na superfície do oócito em resposta á aplicação do agonista. Embora trabalhosa
esta técnica tem sido utilizada na biologia molecular dos receptores.
Técnicas diferenciadas são utilizadas com a finalidade de estudar a ligação e as
características farmacológicas dos receptores que foram clonados. Entre estas está a
introdução de DNA estranho em células de mamíferos por transfecção, bem como
monitorar a expressão do receptor pela aparência da ligação específica ao ligante.
Recentemente o uso do PCR (reação em cadeia da polimerase) e RACE
(amplificação rápida das extremidades do cDNA) são utilizados para replicar as moléculas
de DNA, podendo levar à formação de novos receptores específicos e semelhantes.

Família de receptores: Estrutura e mecanismos de transdução de sinais


Quanto ao tempo de ação, existem diversos tipos de receptores celulares,
associados a efeitos diferenciados, sendo que a velocidade de ação dependerá do tipo de
estrutura molecular e da natureza do mecanismo de transdução. Sendo assim, podemos
distinguir cinco tipos de receptores de superfície ou, ainda, cinco superfamílias de
receptores, a saber:

a) Tipo 1→ Receptores para neurotransmissores rápidos, acoplados diretamente ao canal


iônico. Como exemplo temos o receptor nicotínico para a acetilcolina (nAChR), o receptor

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do GABA e o receptor do glutamato;

b) Tipo 2 → Receptores para hormônios, receptores lentos acoplados ao sistema de


proteína G. Exemplificando este tipo de receptor tem-se os receptores muscarínicos para
a acetilcolina (mAChR) e receptores adrenérgicos;

c)Tipo 3 → Receptores ligados á atividade de tirosina quinase como, por exemplo, os da


insulina e receptores para vários fatores de crescimento;

d)Tipo 4 → Receptores para hormônios esteróides, hormônio tireoideano e outros


agentes como o ácido retinóico e a vitamina D;

e)Tipo 5 → Recentemente identificou-se um quinto tipo de receptor associado à enzima


guanilatociclase. São receptores semelhantes aos receptores do peptídeo atrial
natriurético.

Receptores para neurotransmissores rápidos


Os receptores nicotínicos da acetilcolina são exemplos clássicos desta modalidade
de receptores, pois tem sido estudado com maiores detalhes se comparados a outros
tipos de receptores. São constituídos por quatro tipos diferentes de subunidades
chamadas alfa, beta, gama e delta com dois sítios que se ligam a acetilcolina. Para que o
receptor seja ativado, as subunidades alfa onde estão presentes os sítios de ligação têm
que se ligar a acetilcolina. A figura abaixo mostra a estrutura do receptor da Acetilcolina.

Estrutura tridimensional do receptor nicotínico da aceiticolina (nAChR).

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* O desenho é baseado na microscopia eletrônica e dados de nêutrons das membranas
orgânicas elétricas do peixe Torpedo. O receptor e o canal iônico associado consistem em 5
subunidades protéicas (α2, β, γ, δ), e todas elas atravessam a membrana e cercam um poro
central. A Ach se liga às subunidades a, e duas moléculas de Ach tem que se ligar para que
o canal seja aberto. (De Lindstrom et al. 1983 Cold Spring Harbour on Quantitative Biology
48:89).

O Mecanismo de portão ou comporta nos receptores ligados a canais iônicos


Este tipo de receptor controla os eventos sinápticos mais rápidos do sistema
nervoso, alcançando um pico em uma fração de tempo da ordem de milissegundos,
normalmente decaindo dentro de poucos milissegundos. A resposta inicia-se com a ação
de neurotransmissores na membrana pós-sináptica de uma célula nervosa ou muscular,
mudando transitoriamente a sua permeabilidade aos íons.
Neurotransmissores excitatórios, como a acetilcolina na junção neuromuscular ou o
glutamato no SNC, causam aumento na permeabilidade ao sódio e ao potássio,
resultando na despolarização celular com posterior geração do potencial de ação. Como
os eventos sinápticos ocorrem em milissegundos, implica-se que a ligação entre os
receptores e o canal iônico é direta.

Receptores ligados à proteína G


Neste grupo inclui-se uma série de receptores que são cada vez mais familiares
aos farmacologistas, dentre estes os muscarinicos da acetilcolina, adrenorreceptores,
receptores da dopamina, receptores da serotonina (5-HT), de opióides, receptores para
muitos peptídeos, de purinas, quimiorreceptores envolvidos na olfação e etc. Existe ainda
uma subdivisão destes receptores uma vez que a maioria destes possuem subtipos de

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receptores, como é o caso dos receptores muscarínicos, subdivididos em M1 M2, M3.

Estrutura molecular de receptores ligados à proteína G


O primeiro receptor desse tipo a ser completamente caracterizado foi o
ßadrenorreceptor (ß-DR), clonado em 1986 A maioria destes receptores consiste de uma
cadeia única de polipeptídeos de 400 a 500 resíduos de aminoácidos com sete
segmentos em alfa hélice, conforme a Figura abaixo.

• O arranjo das sete hélices. As cadeias laterais de aminoácidos especiais (não estão mostradas) que
interagem com as moléculas do agonista foram descobertas por experimentos mutagênicos
seletivos no qual resíduos determinados sofreram mutações seletivas e é medido o efeito na ligação
do agonista. Modelos similares estão disponíveis para vários receptores.

O entendimento do funcionamento deste tipo de receptor ocorreu após o


conhecimento da rodopsina, uma proteína intimamente relacionada com a visão,
responsável pela transdução nos bastonetes retinianos, resultando em hiperpolarização
associada a um desligamento da condutividade do sódio através de um mecanismo que
envolve uma ação hoje atribuída a uma proteína G.

Proteínas G e o seu papel


A família dos receptores acoplados à proteína G representa a maioria dos
receptores conhecidos na atualidade, sendo a proteína G considerada um mensageiro
entre os receptores e as enzimas responsáveis pelas mudanças no interior das células.
Portanto, conclui-se que a proteína G é uma proteína intermediária e interage com

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nucleotídeos guanilícos (GTP e GDP), daí surgiu o nome proteína G (do inglês G protein),
e possui em sua estrutura três subunidades, sendo elas alfa (α) beta (β) e gama (γ). A
figura abaixo mostra um esquema da estrutura da proteína G.

Esquema da estrutura da proteína G.

* A proteína G consiste em 3 subunidades (α, β, γ), e o complexo βY, serve para acoplar a
proteína G a membrana. A ligação da subunidade α a um receptor ocupado por um agonista
faz com que o GDP ligado troque com o GTP intracelular; o complexo α ATP então se dissocia
do receptor e interage com uma proteína-alvo (uma enzima como a adenilato-ciclase, ou um
canal iônico). A atividade da GTPase da subunidade α é aumentada quando a proteína efetora
está ligada, levando à hidrólise do GTP levado a GDP, onde a subunidade a se une com ßY

Por estar livremente difundida no plano da membrana, interage com diferentes


receptores e efetores de uma maneira essencialmente promíscua. No estado de repouso
permanece como o trímero ·· associado, e o GDP ocupam o sítio subunidade α.
Quando ocorre a ocupação do receptor por um agonista, ocorre uma mudança de
conformação, fazendo com que este adquira, na forma de complexo droga-receptor, alta
afinidade pela proteína G (subunidades c43y). Essa associação promove a dissociação
do GDP que é substituído pelo GTP. O GTP associa-se à subunidade a formando um
complexo a-GTP que se dissocia das subunidades py.

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O α-GTP é a forma ativa da proteína G que se difunde na membrana e se associa
com várias enzimas ou canais iônicos, levando à ativação ou inativação dessa estrutura,
conforme o caso.
Finalizando o processo, ocorre a hidrólise do GTP pela própria subunidade a, que
possui uma atividade de GTPase intrínseca, resultando em uma molécula de GDP. O
αGDP resultante dissocia-se do efetor e une-se ao complexo βγ completando o ciclo.
A especificidade receptor-efetor ocorre, mesmo existindo um pool comum de
proteínas G. Isso é explicado, pois as proteínas G não são todas idênticas, apresentando
considerável variabilidade principalmente das subunidades a. Com isso, podemos
distinguir importantes variedades de proteínas G, como se exemplifica a seguir:
• Gs→ 4 Estimulante dos receptores ligados a adenilato-ciclase;
• Gi→ 4 Inibidora dos receptores ligados a adenilato-ciclase;
• Go→ 3 Relacionadas aos canais iônicos;
• Gp→ 4 Ativadora da fosfolipase O.
A proteína G atua nos sistemas adenilatocilcase/AMPc (35’- monofosfato de
adenosina cíclico ou AMP cíclico); fosfolipase C/ fosfatidilinositol e na regulação direta de
canais iônicos.

Sistema adenilato-ciclase
O papel do AMPc como segundo mensageiro foi revelado no fim da década de 50,
eliminando definitivamente a barreira que existia entre a farmacologia e a bioquímica.
Esta molécula consiste de um nucleotídeo sintetizado continuamente dentro da célula
a partir do ATP pela ação da adenilatociclase e inativado por hidrólise em 5’-AMP, através
de uma família de enzimas conhecidas como fosfodiesterases Os efeitos regulatórios do
AMPc na função celular são muito variados, porém estes são todos originados através de
um mecanismo comum representado pela ativação de várias proteínas-quinases
(proteínas capazes de fosforilar outras moléculas).

Exemplos de efeitos regulatórios que envolvem a participação do AMPc:


• Enzimas envolvidas no metabolismo energético (metabolismo de carboidratos e

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lipídeos)
• Divisão e diferenciação celular;
• Transporte de íons;
• Funções de canais de cálcio;
• Mudanças na excitabilidade neuronal;
• Proteínas contráteis no músculo liso;
• Ativação ou inativação de fatores de transcrição que modulam a transcrição gênica

As proteínas quinase catalisam a fosforilação dos resíduos de serina e treonina em


proteínas celulares diferentes através da utilização de ATP. Exemplos são a fosforilação
de canais de cálcio no músculo cardíaco, aumentando a quantidade de cálcio incorporado
na célula durante o potencial de ação, aumentando a força de contração do miocárdio. No
músculo liso a proteína quinase fosforila a miosina-quinase de cadeia leve, resultando em
inativação. A miosina-quinase é necessária para a contração muscular e a sua inativação
leva a relaxamento da musculatura lisa.

O sistema da fosfolipase C fosfatidilinositol


Este sistema envolve vários segundos mensageiros relacionados á inúmeras
alterações celulares determinadas pela ativação de diferentes receptores. Agonistas
muscarínicos, agonistas α-adrenérgicos que agem no músculo liso e glândulas salivares,
e vasopressina quando age nas células hepáticas, produzem um aumento do cálcio
intracelular livre, com aumento paralelo da taxa de degradação do fosfatidilinositol (PI)
componente dos fosfolipídios de membrana.
Verificou-se então que um determinado membro à família do PI, o fosfatidilinositol
4,5-bisfosfato (PIP2) realiza a função de substrato para uma enzima ligada à membrana
chamada de fosfolipase C (PLC), que o divide em diacilglicerol (DAG) e inositol-1 4,5-
trifosfato (IP3), que funcionam como segundo mensageiro. O DAG é fosforilado para
formar ácido fosfatídico enquanto o inositol fosfato é desfosforilado e então religado com o
ácido fosfatídico para formar o fosfatidilinositol mais uma vez.
A ativação da fosfolipase A2, mediada por receptor levando à produção de
metabólitos como o ácido araquidônico, parece ser basicamente igual à ativação da

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fosfolipase. Recentemente tem sido demonstrado que o ácido araquidônico e seus
metabólitos funcionam como mensageiros intracelulares, controlando a função do canal
de potássio em certos neurônios.

PI ======> PIP2 ==> PLC =====> DAG+ IP3

Esquema mostrando a produção de segundos mensageiros pela ação da


fosfolipase C sobre os fosfolipídios de membrana na via do inositolfosfato, também
chamada cascata fosfoinositídica. PI Fosfatidilinositol; PIP2 Fosfatidilinositol-4,5-
bisfosfato; PLC = Fosfolipase O; DAG = Diacilglicerol e IP3 = lnositol-1 ,4,5-trifosfato.
O lP3 age muito eficazmente para liberar cálcio dos depósitos intracelulares,
aparentemente por ligação a um receptor na membrana do retículo endoplasmático, um
sistema de vesículas responsáveis pelo seqüestro e armazenamento de cálcio mantendo
a concentração celular livre muito baixa. A IP3 ativa o canal de cálcio no retículo
endoplasmático liberando um fluxo de cálcio para dentro da célula e elevando a
concentração livre de lOa 100 vezes.
Portanto, o lnositol-1 4, 5-trifosfato é considerado o principal mensageiro liberador
de cálcio, sendo este talvez o caminho mais importante pelo qual os efeitos celulares são
produzidos podendo-se citar como exemplos à contração do músculo liso, força de
contração do músculo cardíaco aumentada, secreção das glândulas exócrinas e liberação
de transmissores dos neurônios, liberação hormonal e citotoxicidade. Existe um
envolvimento do fosfatidilinositol em outras vias além da regulação do cálcio já que o
DAG, com a participação do cálcio afeta a atividade de uma proteína quinase ligada á
membrana, a proteína quinase C, pois se liga a um sítio específico desta molécula
ativando-a.
Os efeitos fisiológicos atribuídos á ativação da fosfolipase C são muito variados
demonstrando a importância da fosforilação e da desfosforilação das proteínas na
regulação da função celular, incluindo a liberação de hormônios de muitas glândulas
endócrinas, aumentos ou diminuições na liberação do neurotransmissor na excitabilidade
neuronal, contração ou relaxamento do músculo liso, respostas inflamatórias, indução
tumoral, diminuição da sensibilidade do receptor aos agonistas e estimulação do

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transporte de íons pelo epitélio.

A regulação dos canais iônicos dependentes de proteína G


Receptores ligados à proteína G podem controlar a função dos canais iônicos
diretamente, sem envolver quaisquer segundos mensageiros, como o AMPc ou os
fosfatos de inositol. A proteína G interage diretamente com o canal provavelmente do
mesmo modo como interage com as enzimas na membrana responsáveis pela síntese do
segundo mensageiro. Exemplos deste tipo de interação incluem os receptores
muscarínicos da acetilcolina no músculo cardíaco que aumentam a permeabilidade ao
potássio, hiperpolarizando as células e inibindo a atividade elétrica. Este efeito requer
proteínas G funcionais que passam adiante o sinal do receptor para o canal.
Ainda existem algumas controvérsias quanto ao mecanismo de ação em que não
se sabe ao certo se a subunidade a livre controla o canal ou se é o conjunto βy

Receptores ligados à atividade de tirosina-quinase e guanilatociclase


Os receptores ligados á tirosina quinase, já citados anteriormente estão envolvidos
com a regulação da ação de uma variedade de fatores de crescimento, mediadores de
peptídeos que estimulam a mitogênese e também da insulina.
O mecanismo pelo qual a atividade da quinase responde à ligação do ligante
envolve a dimerização dos pares de receptores, seguida de autofosforilação dos resíduos
da tirosina, que servirão como sítios de ligação de alta afinidade para várias proteínas
intracelulares que permitem o controle de muitas funções celulares. Entre as diversas
funções atribuídas a estes receptores, incluem-se os eventos que controlam o
crescimento, diferenciação celular, metabolismo intermediário e a regulação da
transcrição de genes.

Receptores que regulam a transcrição do DNA


Este tipo de receptor é característico para a atuação de hormônios esteróides,
tireoideanos, vitamina D e ácido retinóico.
Apesar dos efeitos altamente variados de diferentes drogas e hormônios esteróides
(efeito no sistema reprodutivo; no sistema renal causando retenção de sal e água e ação

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antiinflamatória dos corticosteróides) sabe-se que todos possuem o mesmo mecanismo
de atuação básica através da estimulação da transcrição de genes, levando à síntese de
proteínas com conseqüente efeito celular.
Por ser altamente lipossolúvel, a molécula de esteróide atravessa a membrana
celular rapidamente sem a necessidade da utilização de moléculas transportadoras,
ligando-se a receptores no núcleo que parece desdobrar-se (atuação sobre o genoma),
encontrando o domínio de ligação no DNA que se compõe de seqüências específicas de
cerca de 300 pares de base. Como resultado final desta síntese protéica, tem-se um
efeito fisiológico produzido no organismo animal.
Em razão de seu mecanismo de ação, com síntese protéica resultando em
necessidade de atuação no genoma, estes tipos de receptores são de ação lenta.

------ FIM MÓDULO IV -----

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