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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS


Processo Nº. : 0001240-88.2016.8.05.0150

Classe : RECURSO INOMINADO


Recorrente(s) : UNIME UNIAO METROPOLITANA DE EDUCACAO E
CULTURA S C LTDA

Recorrido(s) : ROSELI DE OLIVEIRA SILVA REIS

Origem : 2ª VARA DOS JUIZADOS DE LAURO DE FREITAS

Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

VOTO- E M E N T A

RECURSO INOMINADO. CONSUMIDOR. FACULDADE .AÇÃO INDENIZATÓRIA.


CONTRATO DE EXCLUSIVIDADE FIRMADO ENTRE EMPRESA DE FOTOGRAFIA E
FACULDADE PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DURANTE A FORMATURA.
COBRANÇA DE VALORES DIFERENCIADOS ENTRE FORMANDOS.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE EMPRESA DE FOTOGRAFIA E A
FACULDADE. PARTÍCIPES DA MESMA CADEIA DO FORNECIMENTO DO SERVIÇO.
VEROSSIMILHANÇA DAS ALEGAÇÕES. PARTE AUTORA QUE FAZ PROVA
CONSTITUTIVA DO SEU DIREITO. (ART.373, INCISO I DO CPC). DANOS MORAIS
CONFIGURADOS. SOLIDARIEDADE NA CONDENAÇÃO. PARTE AUTORA QUE PODE
DIRECIONAR A EXECUÇÃO CONTRA QUAISQUER DOS RÉUS, QUE PODERÃO
COBRAR REGRESSIVAMENTE DOS DEMAIS DEVEDORES DE MODO
PROPORCIONAL. QUANTUM ARBITRADO DE ACORDO COM OS PARÂMETROS DA
RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. SENTENÇA MANTIDA.

1. Trata-se de recurso inominado interposto contra sentença que julgou


parcialmente procedente os pedidos, nestes termos: “CONDENAR a parte
acionada CLICK SCHOOL a disponibilizar o álbum de formatura da autora pelo
menor valor cobrado aos demais formandos, qual seja, R$ 1.920,00(-),nas mesmas
condições(12x 160,00 cada);b) condenar ao(a) primeira acionado(a),
SOLIDARIAMENTE, a indenizar ao(a) autor,(a) a título de danos morais, no
montante de R$ 3.000,00 (trêsmil reais),a ser corrigido de acordo com a Súmula
362 do STJ e juros legais da data publicação da sentença.”
2.

3. A recorrente busca a reforma da sentença , aduzindo, em síntese, a sua


ilegitimidade passiva , aponta omissão do dispositivo na sentença no que tange à
solidariedade imposta na condenação por danos morais, que não foram
demonstrados os danos morais alegados, pugnando assim pela improcedência dos
pedidos.
4. No que tange à preliminar de ilegitimidade passiva argüida pela recorrente,
rejeito-a, tratando a hipótese de responsabilidade solidária entre a 1ª ré,
empresa de fotografia, e a 2ª ré, dado que integram no caso presente a
mesma cadeia causal relacionada ao fornecimento do produto e prestação
de serviço, não podendo portanto furtar-se à responsabilidade por eventuais
danos causados ao consumidor, parte hipossuficiente nessa relação., sendo
descabida a exclusão prima facie da ora recorrente, quando patente a sua
participação na causação do dano alegado pela parte acionante.

5. . A demonstração do fato básico para o acolhimento da pretensão é ônus do


autor, segundo o entendimento do art. 373, inciso I, do NCPC, partindo daí a
análise dos pressupostos da ocorrência de indenização por danos morais, recaindo
sobre o réu o ônus da prova negativa do fato, segundo o inciso II do mesmo artigo
supracitado.

6. Em que pese o quanto alegado pelo réu, não consta dos autos a prova de
fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da parte autora. A versão autoral,
por seu turno, além de dotado de verossimilhança, está embasado por elementos
de prova que fortalecem a tese apresentada. Com efeito, a alegação da parte
autora, de que fora compelida a adquirir o seu álbum de fotografia por valor diverso
daquele ofertado aos demais formandos, fora comprovado pela juntada do
orçamento de outra formanda, consoante doc juntado no evento 01, “ cont.outra
formanda”. A exclusividade no fornecimento do serviço de fotografia pela 1ª ré, em
acordo com contrato firmado entre esta e a faculdade , 2ª ré, fora confirmada por
esta em sede de contestação.
A narrativa fática é dotada de verossimilhança, e o contexto probatório favorece
a tese autoral. As circunstâncias que ensejaram a contratação havida entre a parte autora
e a ré demonstram claramente a ocorrência de prática abusiva, ponto o consumidor em
posição de desvantagem, além de configurar violação a direitos da personalidade, haja
vista o vislumbre da autora de ver-se privada das fotos de sua formatura. O conjunto
probatório , desta feita, demonstrou cabalmente a ocorrência do dano moral, gerando
situação que impôs angústia e sofrimento à acionante, fragilizando-a emocionalmente,
viciando inclusive as condições para a manifestação de seu consentimento.

O valor da indenização fixado pelo juiz sentenciante, a título de danos


morais, guarda compatibilidade com o comportamento do recorrente e com a repercussão
do fato na esfera pessoal da vítima e, ainda, está em harmonia com os princípios da
razoabilidade e proporcionalidade, devendo ser mantido.

No que tange à alegação de ter havido omissão na sentença, quando á ordem da


solidariedade imposta na condenação pelos danos morais, insta ressaltar que a
parte autora tem a faculdade processual de direcionar a execução contra quaisquer
das empresas condenadas solidariamente, cabendo à parte que realizar o
pagamento cobrar da outra ré proporcionalmente a outra parte. Nesse sentido:

Ementa: PROCESSUAL. FASE DO CUMPRIMENTO DA


SENTENÇA. IMPUGNAÇÃO. CONDENAÇÃO SOLIDÁRIA
DAS RÉS AO PAGAMENTO. POSSIBILIDADE DO CREDOR
COBRAR O VALOR TOTAL DE QUALQUER DAS RÉS
DIANTE DA SOLIDARIEDADE DA CONDENAÇÃO,
CABENDO ÀQUELA QUE PAGAR TODA A DÍVIDA COBRAR
REGRESSIVAMENTE A OUTRA DEVEDORA. Foi reconhecido
pela própria recorrente que a condenação é solidária ("as rés
foram condenadas solidariamente"- fl. 241). Portanto, sem
razão ao afirmar que sua obrigação se limita à metade do valor
da condenação. Solidariedade na condenação significa
exatamente o oposto, podendo o credor cobrar a totalidade da
dívida de uma das rés ou de ambas. A parte devedora que
pagar a integralidade do débito pode se recobrar
proporcionalmente da outra devedora. RECURSO
DESPROVIDO. (Recurso Cível Nº 71004162012, Primeira
Turma Recursal Cível, Turmas Recursais, Relator: Lucas
Maltez Kachny, Julgado em 15/10/2013)
7.
8. ISTO POSTO, voto no sentido de CONHECER DO RECURSO
INTERPOSTO E NEGO-LHE PROVIMENTO, para manter a sentença objurgada
pelos próprios fundamentos. Custas processuais e honorários advocatícios
pelo recorrente, que arbitro em 20% sobre o valor da condenação.
9.
10.Salvador, Sala das Sessões, 13 de JULHO de 2017
11. BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
12.Juíza Relatora
13.BELA CÉLIA MARIA CARDOZO DOS REIS QUEIROZ
14.Juíza Presidente
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS

Processo Nº. : 0001240-88.2016.8.05.0150

Classe : RECURSO INOMINADO


Recorrente(s) : UNIME UNIAO METROPOLITANA
DE EDUCACAO E CULTURA S C
LTDA

Recorrido(s) : ROSELI DE OLIVEIRA SILVA REIS

Origem : 2ª VARA DOS JUIZADOS DE


LAURO DE FREITAS
Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL
LEITE

ACÓRDÃO
Acordam as Senhoras Juízas da 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais
Cíveis e Criminais do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, CÉLIA MARIA
CARDOZO DOS REIS QUEIROZ –Presidente, MARIA AUXILIADORA SOBRAL
LEITE – Relatora e ALBÊNIO LIMA DA SILVA HONÓRIO, em proferir a seguinte
decisão: RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO . UNÂNIME, de acordo com a ata
do julgamento. Custas processuais e honorários advocatícios pelo recorrente,
que arbitro em 20% sobre o valor da condenação.

Salvador, Sala das Sessões, 13 de JULHO de 2017


BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
Juíza Relatora
BELA CÉLIA MARIA CARDOZO DOS REIS QUEIROZ
Juíza Presidente