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Uma publicação da Igreja Batista da Lagoinha

1ª Edição: novembro/2010

Transcrição:

Marisa Rodrigues

Copidesque:

Adriana Santos

Revisão:

Marcelo Ferreira

Capa e Diagramação:

Matheus Freitas
Introdução

Vou dividir com você uma palavra sobre o significa-


do da cruz, e para isso, o convido a ler o capítulo 15 de
Êxodo, versos 22 a 27. Este nos mostra, de forma glo-
riosa, o momento da cruz. Mas como sempre fazemos,
antes de iniciar, oremos a Deus:
“Pai, essa é a certeza que o nosso coração possui de que
não há um momento sequer quando nos aproximamos
da sua Palavra que ela não nos transforme, que ela não nos
alimente, que ela não nos exorte, que ela não nos edifique,
que ela não venha trazer salvação também. Senhor, eu
reivindico, na autoridade do nome de Jesus, que o coração
de cada leitor seja boa terra, e que a sua Palavra caia como
semente viva e floresça para a glória do teu nome. Amém!

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O Plano

João, por meio de seu evangelho, nos diz que


se tudo aquilo que Jesus fez fosse registrado, nem
no mundo inteiro caberiam os escritos. “Há, porém,
ainda muitas outras coisas que Jesus fez. Se todas elas
fossem relatadas uma por uma, creio eu que nem no
mundo inteiro caberiam os livros que seriam escritos.”
(João 21.25.) A Bíblia não apenas apresenta a histó-
ria de um povo ou de uma pessoa, e, sim, as inter-
venções de Deus na história de um povo, de uma
pessoa. Por isso, não existe um texto que seja mais
poderoso do que outro. Toda a Palavra de Deus pos-
sui o mesmo poder. Agora vamos ao texto de Êxodo,

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conforme citado anteriormente, que relata uma das
intervenções do eterno Deus na caminhada do povo
de Israel.
“Fez Moisés partir a Israel do Mar Vermelho, e
saíram para o deserto de Sur; caminharam três dias
no deserto e não acharam água. Afinal, chegaram a
Mara; todavia, não puderam beber as águas de Mara,
porque eram amargas; por isso, chamou-se-lhe Mara.
E o povo murmurou contra Moisés, dizendo: Que ha-
vemos de beber? Então, Moisés clamou ao Senhor, e
o Senhor lhe mostrou uma árvore; lançou-a Moisés
nas águas, e as águas se tornaram doces. Deu-lhes ali
estatutos e uma ordenação, e ali os provou, e disse: Se
ouvires atento a voz do Senhor, teu Deus, e fizeres o
que é reto diante dos seus olhos, e deres ouvido aos
seus mandamentos, e guardares todos os seus esta-
tutos, nenhuma enfermidade virá sobre ti, das que
enviei sobre os egípcios; pois eu sou o Senhor, que te
sara. Então, chegaram a Elim, onde havia doze fontes
de água e setenta palmeiras; e se acamparam junto
das águas.” (Êxodo 15.22 a 27.)
Novamente, o verso 25: “Então Moisés clamou ao
Senhor, e o Senhor mostrou uma árvore.” A tradução
literal é essa: “Ele mostrou o madeiro”. Precioso leitor,

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quando Jacó e seus filhos foram para o Egito, em
um clã de cerca de setenta pessoas, esse número
cresceu em um período de 430 anos para cerca de
600 mil homens, sem contar mulheres e crianças.
Se levarmos em conta os setenta que foram, Jacó
e seus onze filhos, mais José que estava lá, para
completar esse número de setenta, veremos que
dava uma proporção de aproximadamente quatro
mulheres e crianças. Esses 600 mil homens nessa
mesma proporção correspondem exatamente a
esse número: cerca de três milhões de pessoas. Em
430 anos, que foi o tempo em que o povo ficou no
Egito, no cativeiro, o número de pessoas, que era de
setenta, passou para três milhões. Três milhões de
pessoas que saíram do Egito e que viveram exila-
dos, como escravos. Durante 300 anos, foram mãos
de obra escrava, que viveram sob o domínio do fa-
raó, dos egípcios.
Certa vez tive uma informação sobre um levan-
tamento feito por um general do exército ame-
ricano, especializado em logística. Na época, ele
comparou o número de soldados americanos no
Iraque, que era mais de cem mil, com os três mi-
lhões que entraram no deserto e que enfrentaram

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uma caminhada de quarenta anos até chegarem
à terra prometida, à terra que manava leite e mel.
Ele mostrou que foi preciso cerca de mil e quinhen-
tas toneladas de alimento por dia. Isso equivalia a
uma carga de cem caminhões médios para cada
três quilômetros de percurso. Foi preciso cerca de
quatro mil toneladas de lenha por dia para prepa-
ração dos alimentos. Foi preciso mais de um milhão
de galões de água para todos os dias, e apenas para
transportar um milhão de galões de água por dia,
foi preciso um trem de ferro, em que cerca de três
quilômetros de vagões levava água. Segundo esse
estudo, o espaço para acomodar os três milhões de
pessoas era duas vezes maior do que a cidade de
São Paulo. E Deus, de uma forma milagrosa, supriu
cada uma das necessidades daquele povo. Todos os
dias tiveram a Sua intervenção, seja o alimento, a
roupa ou calçado que não se desgastara. Todos os
dias contemplaram muitos milagres.
Porém, logo depois que o povo de Israel atra-
vessou o mar Vermelho, eles experimentaram sede.
Chegaram a um oásis, mas ao tomarem um gole
de água, perceberam que a mesma era amarga. As
águas de Mara, que significa amargura, não serviam

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para beber. Eles haviam saído do Egito, experimen-
tado o milagre da abertura do mar Vermelho e o
atravessado a pés enxutos. Veja o texto: “Fez Moisés
partir a Israel do mar Vermelho, e saíram para o de-
serto de Sur; caminharam três dias no deserto e não
acharam água. Afinal, chegaram a Mara; todavia, não
puderam beber as águas de Mara, porque eram amar-
gas; por isso, chamou-se-lhe Mara.” (Êxodo 15.22-23.)
Talvez você possa se identificar com a situação
do povo de Israel, não geograficamente, mas em re-
lação ao relacionamento com o Senhor. Você já cami-
nha com ele, já teve muitos livramentos, já recebeu
muitas bênçãos, enfim, experimentou muitas inter-
venções de Deus, mas por causa de um obstáculo, de
algumas dificuldades, a amargura toma conta da sua
vida. Muitas pessoas, quando se casam, pensam que
a vida conjugal será apenas de alegria, sem proble-
mas, e quando surgem as primeiras dificuldades, vem
o desgosto na vida do casal. O mel se torna amargo.
Outras pessoas depositam todas as expectativas na
realização profissional. Pensam que a obtenção de
um título, de um diploma, trará a felicidade, que a
vida entrará numa dimensão bonita, mas ao concluir
o tão desejado curso e receber o diploma, o vazio

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ainda existe. Surge então o “gosto amargo” na boca,
a frustração. Muitas pessoas carregam no semblante
uma tristeza, apesar de terem tudo aquilo que, aos
“olhos do mundo”, pode oferecer alegria. O povo de
Israel também deixava transparecer essa tristeza. Se
na época existissem câmeras e alguém tivesse tirado
uma foto satélite das águas de Mara, poderia julgá-las
como um oásis de água doce, própria para o consu-
mo, e por isso o povo de Israel estaria muito feliz, pois
tinham tudo. Contudo, esse julgamento seria errado,
pois o povo não estava feliz. Na verdade, havia um oá-
sis, água com abundância, porém esta não podia sa-
ciar a sede daquele povo. No instante em que o povo
constatou a amargura das águas, passou a murmurar
contra Moisés. “E o povo murmurou contra Moisés, di-
zendo: Que havemos de beber?” (Êxodo 15.24.)
Todos murmuraram. Imagine tal multidão mur-
murando, reclamando contra Moisés! Diante de tal
situação, ele não se deixou contaminar e clamou ao
Senhor: “Então, Moisés clamou ao Senhor, e o Senhor
lhe mostrou uma árvore; lançou-a Moisés nas águas, e
as águas se tornaram doces.” (Êxodo 15.25.)
Deus não tem o plano A e o plano B. “Ah, se o plano
A não funcionar, tem o plano B”. Deus tem apenas um

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plano. Ele não arquitetou dois planos para redenção
do homem. O plano dele foi apenas um: a cruz! Não
existe um momento, em qualquer circunstância, que
a cruz não seja a resposta de Deus para o homem. A
Bíblia nos mostra o único plano de redenção de Deus,
Jesus Cristo, antes mesmo da fundação do mundo,
morto, crucificado por amor ao mundo. Há mais de
dois mil anos, Jesus Cristo foi levado à cruz a nosso fa-
vor. Este momento foi terrível e o próprio Pai não pôde
ver a crueldade cometida contra o próprio Filho, que
é santo, puro, imaculado e inculpável, mas que se tor-
nou maldição, carregando nos ombros toda a sujeira,
o pecado do mundo. Era dia, mas o sol escureceu e
houve trevas sobre a Terra durante aquelas três horas
(Lucas 23.44.).
Jesus absorveu toda a amargura do mundo, to-
das as nossas enfermidades, todas as maldições, to-
dos os nossos pecados. A Palavra diz que tudo isso
caiu sobre ele. Foi como se ele realmente tivesse es-
ponjando, sugando tudo de ruim que não o perten-
cia. Foi um quadro tão terrível que ninguém pôde
olhar. Por este motivo, o sol escureceu durante três
horas. Jesus tomou nosso lugar. Esta foi a resposta
de redenção para a humanidade: Jesus Cristo. Ele

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nos justificou. Em Romanos 5.1 está escrito: “Justi-
ficados, pois mediante a fé, temos paz com Deus por
meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de
quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta
graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na es-
perança da glória de Deus.” (Romanos 5.1-2.)
Em 2 Coríntios 5.21 está escrito: “Aquele que não
conheceu pecado, ele o fez pecado por nós, para que,
nele, fôssemos feito justiça de Deus.” Essa deve ser a
primeira coisa a ser ensinada: que não precisamos
viver sob culpa, sob condenação. A culpa é algo ter-
rível. Pessoas desistem da vida por causa dela. Casa-
mentos, lares, relacionamentos, sonhos, são destru-
ídos por causa da culpa. Esta também faz com que
a vida seja amarga, e, muitas pessoas passam a so-
breviver por causa dela. Mas Jesus, que não conhe-
ceu o pecado, Ele o fez pecado, ali na cruz, para que
nele fôssemos feitos justiça de Deus. Usando uma
metáfora, podemos dizer que quando a árvore,
o madeiro (que simboliza a cruz) foi colocado nas
águas amargas, elas ficaram doces. Essa é a mensa-
gem da cruz. A palavra ‘justo’ nos diz que Deus nos
vê como se nós não tivéssemos cometido um único
pecado, e Ele nos concede a graça e autoridade de

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entrarmos na sua presença sem nenhum complexo
de culpa ou condenação. Falando de uma maneira
bem simples, isso é que é ser justo na Terra.

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As realidades
concernentes
à cruz

Quando uma pessoa se converte a Cristo, o pas-


sado dela é apagado, zerado. Deus a declara justa.
Ela passa a ser uma nova criatura, tendo a oportu-
nidade de escrever uma nova história de vida. Se
Adolf Hitler (mundialmente conhecido como líder
nazista) tivesse recebido a cruz (não estou afirman-
do que ele não tenha recebido, pois isso ninguém
pode ter a certeza), Deus o declararia justo. Querido

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leitor, querida leitora, não é a quantidade de nossos
pecados que nos condena, mas o fato de estarmos
separados de Deus. A justificação é a primeira rea-
lidade da cruz.
A segunda realidade que a cruz provoca é a re-
conciliação. Estávamos separados de Deus porque
o homem virou as costas para Ele. E essa jamais foi
a vontade do Senhor. No Jardim do Éden, quando o
homem pecou, voltando as costas para Deus, dizen-
do com essa atitude que não o queria, Deus disse
que a única maneira de se reconciliar com o homem
seria através da cruz, da morte de Jesus. “Ora, tudo
provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo
por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconci-
liação, a saber, que Deus estava em Cristo reconcilian-
do consigo o mundo, não imputando aos homens as
suas transgressões, e nos confiou a palavra da recon-
ciliação. De sorte que somos embaixadores em nome
de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermé-
dio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos recon-
cilieis com Deus.” (2 Coríntios 5.18-20.) Em Romanos,
capítulo 5, versos 10 e 11, está escrito: “Porque, se
nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus
mediante a morte de seu Filho, muito mais, estando

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já reconciliados, seremos salvos pela sua vida; e não
apenas isto, mas também nos gloriamos em Deus por
nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem re-
cebemos, agora, a reconciliação.”
A fé cristã não é um conjunto de doutrinas ou
dogmas religiosos. Ela proporciona ao homem
uma experiência que nada e nem ninguém pode
proporcionar. Ela proporciona, também, a reconci-
liação do homem com Deus. Jesus disse que “se al-
guém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai
o amará, e viremos para ele e faremos nele morada.”
(João 14.23.)
A terceira realidade da cruz é a regeneração. E o
que é a regeneração? É sermos gerados de novo. E
esse “nascer de novo” acontece no plano espiritual,
por meio do Espírito Santo. Em João 3.3-6 está as-
sim escrito: “A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em
verdade te digo que, se alguém não nascer de novo,
não pode ver o reino de Deus. Perguntou-lhe Nico-
demos: Como pode um homem nascer, sendo velho?
Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer
segunda vez? Respondeu Jesus: Em verdade, em ver-
dade te digo: quem não nascer da água e do Espírito
não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da

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carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito.”
Em João 1.12-13 está escrito: “Mas, a todos quantos
o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos
de Deus, a saber, aos que creem no seu nome; os quais
não nasceram do sangue, nem da vontade da carne,
nem da vontade do homem, mas de Deus.”
A regeneração é uma mudança extraordinária, e
somente aquelas pessoas que experimentaram po-
dem descrevê-la. Não é algo simples, que acontece
externamente, mas interiormente. Para que possa
entender, podemos fazer uma simples comparação.
A borboleta é um inseto lindíssimo, contudo, ela
não nasce linda como é. Antes, fora uma lagarta, e
as lagartas normalmente não atraem olhares e não
transmitem beleza alguma. Esta é nojenta, rasteja e
pode causar queimaduras nas pessoas. Mas quando
esta passa pelo momento de transformação, a cha-
mada metamorfose, ela vira uma crisálida, e depois
de alguns dias, nasce a tão admirada e bela borbo-
leta. E diferentemente da sua antiga vida, a nova
vida desse inseto é bem melhor. Ela não espanta as
pessoas, não causa ferimentos, não rasteja... Ela se
torna modelo para muitos artistas pintarem seus
quadros, tecidos, objetos, passa a viver junto das

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flores e voa, voa alto. Passa a viver em outro mundo,
passa a ter outros prazeres. Passa a viver uma nova
realidade de vida. A borboleta jamais voltará à sua
condição inicial. Isso jamais acontecerá.
De maneira parecida, assim também aconte-
ce com aquele que se reconcilia com Deus. Antes,
lagarta, depois, borboleta. Eu me “transformei em
borboleta” no dia 19 de maio de 1966, quando me
converti. E você? Já foi transformado por Deus ou
continua sendo uma lagarta? Reflita sobre isso!
Quando o madeiro foi colocado nas águas amar-
gas de Mara, elas se tornaram doces. A estrutura da
água mudou, as moléculas mudaram. O que acon-
teceu somente Deus pôde fazer. Isso não é obra de
homens, por mais bondosos que possam parecer.
A mudança que uma pessoa experimenta ao se
encontrar com Jesus pode ser comparada a este
exemplo.
Uma nova criatura, é isso o que todos os que
O recebem se tornam. Há uma mudança de vida
profunda, a pessoa passa a ter uma nova natureza,
passa a ser uma nova criatura, porque ela passou a
ter a vida de Deus nela. E esta vida precisa testificar
a nova natureza que ela possui. Esta verdade está

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registrada em 1 Pedro, capítulo 1, verso 23: “Pois
fostes regenerados não de semente corruptível, mas
de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual
vive e é permanente.” Na língua grega a palavra “se-
mente” significa esperma, e no natural, nós fomos
gerados por meio dessa semente, que veio do nos-
so pai. Essa é a semente natural. Mas no espiritual,
a semente é outra, é a Palavra de Deus. Esta quan-
do cai no coração, traz vida. “Pois fostes regenerados
não de semente corruptível, mas de incorruptível,
mediante a palavra de Deus, a qual vive e é perma-
nente.” A semente do meu pai biológico me trouxe
algumas características que passei para os meus fi-
lhos e eles estão repassando aos meus netos, mas
o poder da semente da Palavra de Deus vai trazer
as características do Pai Celestial. E as características
do Pai Celestial lançam fora todo o passado, confor-
me nos mostra o texto que está em 2 Coríntios 5.17:
“E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as
coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.”
A palavra criatura vem de criação, logo se alguém
está em Cristo, é uma nova criação.
Novas águas. Nova criação. Isso foi o que acon-
teceu com as águas de Mara quando o madeiro foi

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colocado nas mesmas. Houve uma transformação
radical. O que era imprestável tornou-se algo dese-
jável, bom. Lembro-me que naquele dia, 19 de maio
de 1966, quando eu voltei para casa após ter minha
vida transformada por Jesus Cristo, todas as pesso-
as que olharam para mim viram algo diferente, que
antes não haviam visto: a beleza de Cristo em mim.
Antes do madeiro não era possível beber daque-
las águas, nem mesmo os animais, mas depois do
madeiro, todos puderam dessedentar-se. A água
não ficou sólida, não virou gelo, nem vapor. Ela con-
tinuou sendo líquida, sem cheiro e sabor, ela foi re-
generada.
A quarta realidade que a cruz provoca é a reden-
ção. O povo de Israel viveu no Egito como escravo.
José também foi vendido como escravo para Poti-
far, mas houve o momento no qual eles foram res-
gatados. No mercado de escravos, a palavra reden-
ção foi muito usada. Obviamente, o maior desejo de
um escravo era ser liberto, ter a sua carta de alforria,
a libertação, ou pelo menos ser comprado por um
dono que não o maltratasse tanto. Graças a Deus,
hoje não temos mais essa escravidão física. Pelo
menos não é para se ter, mas no mundo espiritual,

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há muitas pessoas escravas do diabo. Muitas pes-
soas estão nas águas amargas da escravidão, seja a
escravidão do álcool, das drogas, da licenciosidade,
da lascívia, da mentira, enfim, de tudo aquilo que
traz morte. Mas a boa notícia é que Jesus veio resga-
tar todo aquele que está escravizado. Ele pagou um
alto preço exatamente para nos outorgar a reden-
ção. “Porque fostes comprados por preço. Agora, pois
glorificai a Deus no vosso corpo.” (1 Coríntios 6.20.)
Jesus Cristo pagou um preço muito alto, que nin-
guém, nunca, jamais, irá pagar por mim e por você.
Por isso, não permita que mentiras do tipo “Você não
vale nada, não tem valor nenhum, não presta, você não
é ninguém” entrem em seus ouvidos. Você e eu vale-
mos muito. O preço que Jesus pagou por cada um
de nós está além do ouro e da prata, do real, do dólar
ou do euro. Quando Jesus estava na cruz, antes de
Ele morrer, antes de dizer: “Pai, nas tuas mãos entre-
go meu espírito”, Ele disse: “Está consumado”, que em
grego quer dizer tetelestai, que significa “está pago”.
Mas o que Ele havia pagado? Ele pagou o preço
da nossa redenção. Ele pagou o preço da sua, amado
leitor, amada leitora, redenção. Em Gálatas, 4, versos
4 e 5, está assim escrito: “Vindo, porém, a plenitude do

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tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nas-
cido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a
fim de que recebêssemos a adoção de filhos.” Em 1 Pe-
dro, capitulo 1, versos 18 a 21 diz: “Sabendo que não
foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro,
que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que
vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue,
como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue
de Cristo, conhecido, com efeito, antes da fundação do
mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por
amor de vós, que, por meio dele, tendes fé em Deus, o
qual o ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória, de
sorte que vossa fé e esperança estejam em Deus.”
Ele nos comprou com seu precioso sangue. Ele
nos resgatou não para vivermos como se ainda fôs-
semos escravos, mas para sermos livres. Ele também
disse: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos liber-
tará [...] Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente
sereis livres.” É preciso conhecer a verdade para não
ser destruído. Saber que você tem um dono, que Ele
pagou, fez, o que ninguém fez ou fará por você.
A identificação é a quinta realidade da cruz.
Jesus tomou o nosso lugar ali no calvário. Não era
para Ele estar ali, mas por amor Ele nos substituiu.

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E quando você contemplar essa realidade, identi-
fique-se com ela. Em Gálatas 2, versos 19 e 20, le-
mos: “Porque eu, mediante a própria lei, morri para
a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com
cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive
em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo
pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se
entregou por mim.”
A vida cristã não é o que muitas pessoas imagi-
nam: esforço próprio, força do pensamento ou pen-
samento positivo. Imagine as águas amargas falando
para elas mesmas: “Ah, nós vamos ficar doce. Vamos
melhorar, pode ter certeza que vamos conseguir por
nós mesmas!” Jamais aquelas moléculas amargas po-
deriam ser justificadas, reconciliadas, regeneradas,
terem a redenção ou identificação pelo esforço pró-
prio. Foi o “madeiro” que as transformou.
Nós somos um espírito, temos uma alma e mo-
ramos num corpo. E a obra de Jesus toca em todas
as áreas. Quando Saulo perseguia os cristãos, Jesus
o confrontou numa visão e disse: “Saulo, Saulo, por-
que me persegues?” (Atos 9.4.). Mas se Jesus já tinha
morrido, ressuscitado e assunto aos céus, como Sau-
lo o estava perseguindo? Jesus se identificou com os

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cristãos que estavam sendo perseguidos por ele. A
identificação.
A sexta realidade da cruz é a santificação. O texto
de 1 Coríntios, capítulo 1, verso 30, diz assim: “Mas
vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se tornou, da parte
de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação e redenção,
para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glo-
rie-se no Senhor.” Muitos pensam que “santo” refere-
se às imagens de esculturas conhecidas como sacras.
No momento no qual o madeiro foi colocado nas
águas amargas de Mara, elas passaram a ser santas,
pois santo significa separado. Elas não continuaram
as mesmas, assim como acontece com aquele que
passa a caminhar com Jesus Cristo. Tudo na vida da
pessoa passa a ser santo, seja o namoro, o casamen-
to, as relações pessoas, a vida financeira, profissional.
Na vida do crente não pode haver espaço para tre-
vas, somente a luz. A vida do crente é uma vida de
santidade, uma vida separada. O Senhor disse assim:
“De novo, lhes falava Jesus, dizendo: eu sou a luz do
mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo
contrário, terá a luz da vida.” (João 8.12.)
A última realidade da cruz, segundo a Palavra, é a
glorificação: “E aos que predestinou, a esses também

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chamou; e aos que chamou, a esses também justifi-
cou; e aos que justificou, a esses também o glorificou.
[...] Porque para mim tenho por certo que os sofrimen-
tos do tempo presente não podem ser comparados
com a glória a ser revelada em nós.” (Romanos 8.29;
18.) Isso nos dá força para suportar as lutas nesse
mundo. Ainda que passemos por humilhações, ca-
lúnias, enfermidades, rejeição, podemos ter a cer-
teza, porque a Palavra não mente, de que seremos
glorificados. Assentaremos com Cristo nas regiões
celestiais. Os sofrimentos de hoje não podem ser
comparados, jamais, com a glória que será revelada
em nós. Em 1 Pedro, capítulo 5, verso 1, está escri-
to: “Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu,
presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos
de Cristo, e ainda co-participante da glória que há de
ser revelada.” Filipenses 3.20 diz exatamente assim:
“Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também
aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo.” E o
último versículo, João, capitulo 17, versos 22 a 24:
“Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado,
para que seja um, como nós o somos; eu neles, e tu em
mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade,
para que o mundo conheça que tu me enviaste e os

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amaste, como também amaste a mim. Pai, a minha
vontade é que onde eu estou, estejam também comi-
go os que me deste, para que vejam a minha glória
que me conferiste, porque me amas antes da funda-
ção do mundo.”

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Conclusão

Jesus disse: “Pai, a minha vontade é que onde


eu estou, estejam comigo os que me deste, para que
vejam a minha glória.” Pode ser que você esteja no
meio de águas amargas, sem poder saciar a sua
sede. Ou talvez você não esteja mais no Egito,
mas a falta do conhecimento tem destruído você.
Contudo, hoje você ouviu a solução de Deus: o
madeiro. A cruz é a solução para a crise no casa-
mento, para a enfermidade, para o relacionamen-
to com os filhos. A cruz é a solução para tudo na
vida. Deus fez tudo aquilo que era preciso ser fei-
to por você, por meio de Jesus, ali na cruz. Ele o

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justificou, reconciliou, regenerou, ofereceu a reden-
ção, identificação, santificação e a glorificação.
Amado leitor, a vida não é apenas para ser so-
brevivida. Muitas pessoas sobrevivem a uma difi-
culdade, algumas vezes através de circunstâncias
esdrúxulas, como beber urina para não morrer de
sede debaixo de escombros. Entretanto, há uma
diferença entre viver e sobreviver. Ao ler a Bíblia
pode-se perceber que o desejo de Deus para os
seus filhos não é o de que eles apenas sobrevivam
na Terra. Ele quer que vivamos, e para isso nos doou
seu Filho, Jesus Cristo: “O ladrão vem somente para
roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida
e a tenham com abundância.” (João 10.10.)

Deus abençoe!

Márcio Valadão

32
JESUS TE
AMA E QUER
VOCÊ!

1º PASSO: Deus o ama e tem um plano


maravilhoso para sua vida. “Porque Deus amou
o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigê-
nito, para que todo o que nele crê não pereça, mas
tenha a vida eterna.“ (Jo 3.16.)

2º PASSO: O Homem é pecador e está

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separado de Deus. “Pois todos pecaram e ca-
recem da glória de Deus.“ (Rm 3.23b.)

3º PASSO: Jesus é a resposta de Deus,


para o conflito do homem. “Respondeu-lhe
Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida;
ninguém vem ao Pai senão por mim.“ (Jo 14.6.)

4º PASSO: É preciso receber a Jesus em


nosso coração. “Mas, a todos quantos o rece-
beram, deu-lhes o poder de serem feitos filhos
de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome.“
(Jo 1.12a.) “Se, com tua boca, confessares Je-
sus como Senhor e, em teu coração, creres que
Deus o ressuscitou dentre os mortos, será sal-
vo. Porque com o coração se crê para justiça
e com a boca se confessa a respeito da salva-
ção.” (Rm 10.9-10.)

5º PASSO: Você gostaria de receber a


Cristo em seu coração? Faça essa oração de
decisão em voz alta:

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“Senhor Jesus eu preciso de Ti, confesso-te o
meu pecado de estar longe dos teus caminhos.
Abro a porta do meu coração e te recebo como
meu único Salvador e Senhor. Te agradeço por-
que me aceita assim como eu sou e perdoa o
meu pecado. Eu desejo estar sempre dentro
dos teus planos para minha vida, amém”.

6º PASSO: Procure uma igreja evangé-


lica próxima à sua casa.
Nós estamos reunidos na Igreja Batista da
Lagoinha, à rua Manoel Macedo, 360, bairro
São Cristóvão, Belo Horizonte, MG.
Nossa igreja está pronta para lhe acom-
panhar neste momento tão importante da
sua vida.
Nossos principais cultos são realizados
aos domingos, nos horários de 10h, 15h e
18h horas.

Ficaremos felizes com sua visita!

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Uma publicação da Igreja Batista da Lagoinha

Gerência de Comunicação

Rua Manoel Macedo, 360 - São Cristóvão

CEP: 31110-440 - Belo Horizonte - MG

www.lagoinha.com

Twitter: @Lagoinha_com

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