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UFCD 9646 – Medidas de primeiros

socorros com crianças e jovens

Manual Elaborado no âmbito da Ação nº 4 pela formadora Ana Rita Ribeiro

Junho 2018
Ação nº 4: Medidas de Primeiros Socorros com crianças e Jovens – UFCD 9646
Junho 2018
Formadora: Ana Rita Pedroso Ribeiro

ÍNDICE
INTRODUÇÃO……………………………………………………………………………………………………………3
• Primeiros socorros……………………………………………………………………………………………………4
o Objetivos
o Atuação
o Serviços de emergência médica
o Organização da mala de primeiros socorros
• Prestação de primeiros socorros com crianças e jovens em casos de:…………………….15
o Corpos Estranhos
o Feridas
o Cortes
o Insolação
o Mordeduras
o Picadas
o Queimaduras
o Entorse
o Fraturas
o Intoxicação
o Hemorragias
o Afogamento
o Asfixia
o Estrangulamento
o Choque elétrico
o Eletrocussão
• Técnicas de Imobilização……………………………………………………………………………………43
• Prevenção de Contaminações……………………………………………………………………………43
• Posição Lateral de Segurança…………………………………………………………………………….43
• Reanimação (suporte básico de vida)………………………………………………………………..46
• Atitudes e Primeiros Socorros face a situações especificas………………………………..60
o Desmaio
o Estado de Choque
o Enregelamento
o Crise de Hipoglicemia
o Convulsão
o Crise Asmática
• Medicamentos………………………………………………………………………………………………….66

CONLCUSÃO………………………………………………………………………………………………………………….70
BIBLIOGRAFIA………………………………………………………………………………………………………………..71

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Ação nº 4: Medidas de Primeiros Socorros com crianças e Jovens – UFCD 9646
Junho 2018
Formadora: Ana Rita Pedroso Ribeiro

INTRODUÇÃO

ÂMBITO DO MANUAL
O presente manual foi concebido como instrumento de apoio à unidade de formação de
curta duração nº 9646 – Medidas de primeiros socorros com crianças e jovens, de
acordo com o Catálogo Nacional de Qualificações.

OBJETIVOS
• Identificar situações de primeiros socorros com crianças e jovens.
• Avaliar situações de emergência com crianças e jovens.
• Identificar e aplicar técnicas de primeiros socorros em caso de acidente com
crianças de jovens.

CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS
• Primeiros socorros
- Objetivos
- Atuação
- Serviços de emergência médica
- Organização da mala de primeiros socorros

• Prestação de primeiros socorros com crianças e jovens em casos de:


- Corpos Estranhos
- Feridas
- Cortes
- Insolação
- Mordeduras
- Picadas
- Queimaduras
- Entorse
- Fraturas
- Intoxicação
- Hemorragias
- Afogamento
- Asfixia
- Estrangulamento
- Choque
- Eletrocussão

• Técnicas de Imobilização
• Prevenção de Contaminações
• Posição Lateral de Segurança

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• Reanimação (suporte básico de vida)
• Atitudes e Primeiros Socorros face a situações especificas:
- Desmaio
- Estado de Choque
- Enregelamento
- Crise de Hipoglicemia
- Convulsão
- Crise Asmática

• Medicamentos

CARGA HORÁRIA
• 25 horas

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1.PRIMEIROS SOCORROS

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1 PRIMEIROS SOCORROS

Os Primeiros Socorros são as primeiras medidas a serem tomadas no local do acidente,


isto é, medidas simples mas eficazes até à chegada do socorro profissional.
É o tratamento inicial e temporário ministrado a acidentados e/ou vítimas de doença
súbita, num esforço de preservar a vida, diminuir a incapacidade e minorar o sofrimento.
O primeiro socorro consiste, conforme a situação, na proteção de feridas, imobilização
de fraturas, controlo de hemorragias externas, desobstrução das vias respiratórias e realização
de manobras de Suporte Básico de Vida.
Qualquer pessoa pode e deve ter formação em primeiros socorros. A sua
implementação não substitui nem deve atrasar a ativação dos serviços de emergência médica,
mas sim impedir ações intempestivas, alertar e ajudar, evitando o agravamento do acidente.

1.1 OBJETIVOS

▪ Preservar a Vida;

▪ Evitar o agravamento do estado da vítima;

▪ Promover o seu restabelecimento.

1.2 ATUAÇÃO

Ser socorrista é, sobretudo, ser capaz de prestar com eficácia o primeiro auxílio a uma
vítima de acidente, ou doença súbita, a fim de evitar o agravamento do seu estado.
No desempenho do primeiro socorro será desejável que cada um tenha uma conduta
norteada por princípios éticos e morais e de respeito pelo seu semelhante.
Enumeram-se, de seguida, algumas capacidades e alguns valores que devem estar
presentes no exercício do socorrismo.
• Bom observador

O socorrista deve observar com atenção e minuciosamente o local do acidente e a


vítima. Só assim poderá colher elementos que o ajudem a concluir sobre a causa do acidente e
possíveis lesões. Esta qualidade pode permitir, de igual modo, fazer chegar ao médico uma série
de dados que facilitem o diagnóstico e permitam um tratamento mais adequado e atempado.

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• Perseverante

Com perseverança muitas situações consideradas irreversíveis ou mesmo mortais


conseguem ter uma evolução positiva. Uma ventilação artificial, por exemplo, pode obter
sucesso se o socorrista for persistente e não se considerar antecipadamente derrotado perante
a gravidade da situação.
• Performance técnica

Ao socorrista exige-se que tenha bons conhecimentos em matéria de primeiros socorros


e que se atualize regularmente para atingir um nível de capacidade que lhe permita ser um bom
executante e sentir-se menos embaraçado perante as várias solicitações de intervenção.
• Solidário

Os sinistrados e doentes estão carentes de uma palavra de apoio e de confiança que


lhes permita aceitar melhor o sofrimento e reunir ânimo para superar as lesões físicas e a dor
que desencadeiam. As pessoas idosas e as crianças, particularmente, podem sentir-se
aterrorizadas pelo afastamento da família e amigos. O socorrista deverá estar sempre disponível
para ajudar.
• Calmo

O socorrista deverá sempre agir com serenidade e delicadeza. Só assim conseguirá


transmitir confiança e mais facilmente manter uma vítima calma e cooperante.
• Profissional consciente

O socorrista deve agir independentemente de aspetos rácicos, religiosos,


socioeconómicos, culturais e outros.
O socorrista não deve divulgar aspetos íntimos dos sinistrados, ou doentes, nem nada
que possa pôr em causa a dignidade, privacidade e o bom nome das pessoas que socorre.
Só poderá pôr em prática métodos e técnicas que se enquadrem no ato de socorro,
tendo sempre em conta o respeito e a privacidade dos acidentados ou doentes e que visem, no
mínimo, estabilizar as lesões.
A recolha de informação deverá ser feita de forma discreta e sensata e só na medida do
necessário para ajudar no diagnóstico e tratamento a ser efetuado a nível hospitalar.

- Características do Socorrista:
• Não substitui a equipa de saúde
• Tem um papel fundamental
o Alertar serviços especializados
o Evitar o agravamento da situação
• Conhecimentos simples e eficazes

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o diminuem sofrimento
o evitam complicações futuras
o salvam vidas
• Pedir e aceitar a colaboração de outras pessoas (maior experiência - líder)

Como atuar numa situação de acidente ou doença súbita?

O plano de ação do socorrista deve ser estruturado de acordo com um conjunto de


princípios que visam estabilizar as lesões e promover um transporte adequado da vítima.
Tais princípios são:
Prevenir/proteger
A observância deste princípio impõe-se se houver risco de agravamento da situação ou de
ocorrerem novos acidentes.
Regras fundamentais a observar na aplicação deste princípio:
– Não se expor;
– Pensar antes de agir;
– Manter a calma;
– Procurar afastar o perigo sem agravar o estado da vítima. (por exemplo, desligar a corrente
elétrica)
– Sinalizar os locais onde tenham ocorrido acidentes de viação (triângulos, lanternas), pois, deste
modo, está a avisar os outros automobilistas e a prevenir novos acidentes;
– Procurar identificar, rápida e objetivamente possíveis lesões.
Alertar
O alerta deve obedecer às regras básicas seguintes:
– Procurar falar com calma e pausadamente;
– Identificar-se (nome, número de telefone e/ou telemóvel);
– Dizer onde se encontra (usar pontos de referência)
– É, ainda, importante referir:
• O sucedido, tipo de acidente;
• O número de vítimas envolvidas;
• As lesões que apresentam;
• A idade aproximada das vítimas;
• Os fatores agravantes (risco de incêndio ou explosão; encarceramento em viaturas
acidentadas; capotamento).

Socorrer
Procurar identificar, prioritariamente, as situações de “Socorro Essencial” – ACHE:
• Alterações cardio-respiratórias;

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• Choque;
• Hemorragia;
• Envenenamento.

No ato de socorro assume importância fundamental o levantamento e transporte da vítima:


• O levantamento e transporte de sinistrados estão a cargo das equipas de socorro
organizado;
• As situações de emergência exigem que o transporte se faça sempre em ambulância e
nunca em viatura ligeira de passageiros.

1.3 SERVIÇOS DE EMERGÊNCIA MÉDICA

O 112 é o Número Europeu de Emergência, sendo comum, para além da saúde, a outras
situações, tais como incêndios, assaltos, etc.
A chamada é gratuita e está acessível de qualquer ponto do país a qualquer hora do dia.
A chamada será atendida por um operador da Central de Emergência, que enviará os meios de
socorro apropriados.
O número 112 DEVE ser SÓ utilizado em situações de Emergência.
Em qualquer caso de emergência, de Norte a Sul do País, o número 112 pode ser ligado
através dos telefones das redes fixa e móvel. A chamada é gratuita e é atendida de imediato
pelos centros de emergência que acionam os sistemas médico, policial e de incêndio, consoante
a situação verificada.
As Centrais de Emergência ativam os meios de socorro adequados de acordo com a sua
informação.
Ao ligar 112 deverá estar preparado para informar:
• A localização exata da ocorrência e pontos de referência do local, para facilitar a chegada
dos meios de socorro;
• O número de telefone de contacto;
• O que aconteceu (ex. acidente, parto, falta de ar, dor no peito);
• O número de pessoas que precisam de ajuda;
• Condição em que se encontra(m) a(s) vítima(s);
• Se já foi feita alguma coisa (ex. controlo de hemorragia);
• Qualquer outro dado que lhe seja solicitado (ex. se a vítima sofre de alguma doença ou se
as vítimas de um acidente estão encarceradas).

Siga sempre as instruções que lhe derem, elas constituem o pré-socorro e são fundamentais para
ajudar a(s) vítima(s). Desligue o telefone apenas quando lhe for indicado e esteja preparado para ser contactado
posteriormente para algum esclarecimento adicional.
A sua colaboração é fundamental sempre que se encontre em risco a vida humana. Preste atenção às
perguntas efetuadas, responda com calma e siga as instruções indicadas.

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O SIEM
O sistema integrado de emergência médica (SIEM) é um conjunto de meios e ações que
visa uma resposta atempada a qualquer ocorrência em que exista risco de vida.
Trata-se de um sistema composto por uma sequência de procedimentos que permitem que os
meios de socorro sejam ativados, mas também que estes sejam os mais adequados à ocorrência
em causa, permitindo assim o posterior encaminhamento do doente à unidade de saúde mais
adequada.

FASES DO SIEM

DETEÇÃO
Deteção da ocorrência de emergência médica que corresponde ao momento em que alguém se
apercebe da existência uma ou mais vítimas.
ALERTA
Fase na qual se contacta através do número nacional de emergência médica (112), dando conta
da ocorrência anteriormente detetada.
PRÉ-SOCORRO
Conjunto de gestos simples executados e mantidos até a chegada de meios de socorro mais
especializados.

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SOCORRO
Cuidados de emergência iniciais efetuados às vítimas de doença súbita ou de acidente, com o
objetivo de as estabilizar, diminuindo assim a morbilidade e a mortalidade.
TRANSPORTE
Transporte assistido da vítima numa ambulância com características, pessoal e carga definidos,
desde o local da ocorrência até à unidade de saúde adequada, garantindo a continuação dos
cuidados de emergência necessários.
TRATAMENTO / HOSPITAL
Após a entrada no estabelecimento de saúde mais próximo a vítima é avaliada e são iniciadas as
medidas de diagnóstico e terapêutica com vista ao seu restabelecimento. Se necessário pode
considerar-se posteriormente um novo transporte, transferência para um hospital de maior
diferenciação, onde irá ocorrer o tratamento mais adequado a situação.

Um sistema de emergência médica depende de tudo e de todos, não podendo afirmar-se que
existe uma única entidade ou profissional com responsabilidades exclusivas na prestação do
socorro. Existe sim um conjunto de intervenientes que vai desde o público em geral, aquele que
deteta a situação, até aos elementos que permitem que a assistência de urgência seja possível.
Ou seja, entre outros, os intervenientes no sistema são:
• Público em geral;
• Operadores das centrais de emergência;
• Agentes da autoridade;
• Bombeiros;
• Socorristas de ambulância;
• Médicos;
• Enfermeiros;
• Pessoal técnico dos hospitais;
ORGANIZAÇÃO DO SIEM
Esta organização é da responsabilidade do INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica),
cabendo a este organizar programas específicos de atuação para cada fase.

O INEM
O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) é o organismo do Ministério da Saúde
responsável por coordenar o funcionamento, no território de Portugal continental, de um
sistema integrado de emergência médica (SIEM), de forma a garantir aos sinistrados ou vítimas
de doença súbita, a pronta e correta prestação de cuidados de saúde.

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A prestação de socorros no local da ocorrência, o transporte assistido das vítimas para o hospital
adequado e a articulação entre os vários intervenientes no SIEM (hospitais, bombeiros, polícia,
etc.), são as principais tarefas do INEM.
A organização da resposta à emergência, fundamental para a cadeia de sobrevivência, simboliza-
se pelo Número Europeu de Emergência - 112 e implica, a par do reconhecimento da situação e
da concretização de um pedido de ajuda imediato, a existência de meios de comunicação e
equipamentos necessários para uma capacidade de resposta pronta e adequada.
O INEM, através do Número Europeu de Emergência - 112, dispõe de vários meios para
responder com eficácia, a qualquer hora, a situações de emergência médica.
As chamadas de emergência efetuadas através do número 112 são atendidas em centrais de
emergência da Polícia de Segurança Pública (PSP). Atualmente, no território de Portugal
Continental, as chamadas que dizem respeito a situações de saúde são encaminhadas para os
Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM.
A capacidade de resposta adequada, eficaz e em tempo oportuno dos sistemas de emergência
médica às situações de emergência, é um pressuposto essencial para o funcionamento da cadeia
de sobrevivência.

CODU
Compete ao CODU atender e avaliar no mais curto espaço de tempo os pedidos de socorro
recebidos, com o objetivo de determinar os recursos necessários e adequados a cada caso.
O funcionamento do CODU é assegurado em permanência por médicos e técnicos, com
formação específica para efetuar:

• O atendimento e triagem dos pedidos de socorro;


• O aconselhamento de pré-socorro, sempre que indicado;
• A seleção e acionamento dos meios de socorro adequados;
• O acompanhamento das equipas de socorro no terreno;
• O contacto com as unidades de saúde, preparando a receção hospitalar dos doentes.

O CODU têm à sua disposição diversos meios de comunicação e de atuação no terreno, como
sendo as ambulâncias INEM, as motas, as VMER e os helicópteros de emergência médica.
Através da criteriosa utilização dos meios de telecomunicações ao seu dispor, o CODU têm
capacidade para acionar os diferentes meios de socorro, apoiá-los durante a prestação de
socorro no local das ocorrências e, de acordo com as informações clínicas recebidas das equipas
no terreno, selecionar e preparar a receção hospitalar dos diferentes doentes.

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AMBULÂNCIAS
As ambulâncias de socorro coordenadas pelos CODU estão localizadas em vários pontos do país,
associadas às diversas delegações do INEM, estão também sediadas em corpos de bombeiros
ou em delegações da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP).
A maior parte das Corporações de Bombeiros estabeleceu com o INEM protocolos para se
constituírem como Posto de Emergência Médica (PEM) ou Posto Reserva. Muitas das
Delegações da CVP são postos reserva do INEM.

As ambulâncias PEM são ambulâncias de socorro do INEM, que estão sediadas em corpos de
Bombeiros com os quais o INEM celebrou protocolos.
Estas ambulâncias destinam-se à estabilização e transporte de doentes que necessitem de
assistência durante o transporte e cuja tripulação e equipamento permitem a aplicação de
medidas de suporte básico de vida (SBV) e desfibrilhação automática externa (DAE).
A tripulação é constituída por dois elementos da corporação e, pelo menos um deles, deve estar
habilitado com o Curso de Tripulante de Ambulância de Socorro (TAS). O outro tripulante, no
mínimo, deve estar habilitado com o Curso de Tripulante de Ambulância de Transporte (TAT).

As ambulâncias SBV do INEM são ambulâncias de socorro, igualmente destinadas à estabilização


e transporte de doentes que necessitem de assistência durante o transporte e cuja tripulação e
equipamento permitem a aplicação de medidas de SBV e DAE.
São tripuladas por dois Técnicos de Ambulância de Emergência (TAE) do INEM, devidamente
habilitados com os cursos de TAS, de DAE, e de Condução de Emergência.

As ambulâncias de suporte imediato de vida (SIV) do INEM constituem um meio de socorro em


que, além do descrito para as SBV, há possibilidade de administração de fármacos e realização
de atos terapêuticos invasivos, mediante protocolos aplicados sob supervisão médica.
São tripuladas por um TAE e um Enfermeiro do INEM, devidamente habilitados. Atuam na
dependência direta dos CODU, e estão localizadas em unidades de saúde.

Têm como principais objetivos:


• A estabilização pré - hospitalar e o acompanhamento durante o transporte de vítimas
de acidente ou doença súbita em situações de emergência.
• Transporte de doente crítico (inter-hospitalar).

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1.4 MALA DE PRIMEIROS SOCORROS

Deve existir, obrigatoriamente, material de primeiros socorros guardados em caixas ou armários


protegidos do calor e humidade, em local de fácil acesso, devidamente sinalizado e que esteja
disponível quando necessário.
É importante que a instituição disponha de um local próprio e adequado à prestação de
primeiros socorros. Esse local deverá ser mantido limpo e desinfetado.
A escola poderá ter um armário de primeiros socorros e também um kit transportável. Este kit
transportável é essencial quando há uma situação de urgência no espaço exterior da escola ou
no ginásio, por exemplo. Pode também ser levado para uma visita de estudo ou campo de férias.

A mala deverá ter:


- Luvas de látex descartáveis (2 pares).
- Compressas esterilizadas (5 pacotes).
- Ligaduras (3 unidades).
- Adesivos (1 rolo).
- Pensos rápidos (1 caixa).
- Solução de iodopovidona dérmica (Betadine) (unidades individuais).
- Soro fisiológico (1 frasco pequeno ou unidades individuais).
- Termómetro digital (1).
- Paracetamol 500 mg (1 caixa).
- Anti-inflamatório (1 xarope ou caixa) - Brufen
- Protetor solar
- Gel para queimaduras (1) - Fenistil
- 4 pacotes de açúcar ou solução de glicose.
- Esfigmomanómetro (aparelho para avaliação de tensão arterial) (1).
- Gaze gorda (5 pacotes).
- Tesoura (1).
- Pinça pequena (1).
- “Spongostan” (esponjas de coagulação).

Nota: É importante rever frequentemente o kit, bem como todo o material existente no armário,
verificando os prazos de validade e material em falta.

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2 PRESTAÇÃO DE PRIMEIROS SOCORROS COM CRIANÇAS E JOVENS

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2 PRESTAÇÃO DE PRIMEIROS SOCORROS COM CRIANÇAS E JOVENS

2.1 CORPOS ESTRANHOS


Corpos estranhos são corpos que penetram no organismo, através de qualquer orifício, ou após
uma lesão de causa variável. Os corpos estranhos podem encontrar-se mais frequentemente
nos olhos, nariz, ouvidos ou vias respiratórias.

NO OLHO
Os mais frequentes são: grãos de areia, insetos e limalhas.

SINAIS E SINTOMAS
• Dor ou picada local.
• Lágrimas.
• Dificuldade em manter as pálpebras abertas.

O QUE DEVE FAZER


• Abrir as pálpebras do olho atingido com muito cuidado.
• Fazer correr água sobre o olho, do canto interno, junto ao nariz, para o externo (fig. 8).
• Repetir a operação duas ou três vezes.
• Se não obtiver resultado, fazer um penso oclusivo, isto é, colocar uma compressa e adesivo, e
enviar ao Hospital.

O QUE NÃO DEVE FAZER


• Esfregar o olho.
• Tentar remover o corpo estranho com lenço, papel, algodão ou qualquer outro objeto.

NO OUVIDO
Os corpos estranhos mais frequentes são os insetos.
SINAIS E SINTOMAS
Pode existir surdez, zumbidos e dor, sobretudo se o inseto estiver vivo.

O QUE DEVE FAZER


Se se tratar de um inseto, deitar uma gota de azeite ou óleo e depois enviar ao Hospital. Outros
corpos estranhos, enviar ao Hospital.

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O QUE NÃO DEVE FAZER


Tentar remover o objeto.

NAS VIAS RESPIRATÓRIAS


Os corpos estranhos podem causar perturbações nas vias respiratórias, de natureza variável de
acordo com a sua localização.

SINAIS E SINTOMAS
São também variáveis. Pode existir dificuldade respiratória, dor, vómitos e nos casos mais graves
asfixia, que pode conduzir à morte.

NO NARIZ
Os mais frequentes, na criança, são os feijões ou objetos de pequenas dimensões, como botões
e peças de brinquedos.

O QUE DEVE FAZER


Pedir à criança para se assoar com força, comprimindo a narina contrária com o dedo, tentando
assim que o corpo seja expelido. Se não obtiver resultado, enviar ao Hospital.

NA GARGANTA
Os corpos estranhos entalados na garganta podem ser pedaços de alimentos mal mastigados,
ossos ou pequenos objetos. Estes corpos estranhos podem impedir a respiração e provocar
asfixia.

2.2 FERIDAS/CORTES
Uma ferida é uma solução de continuidade da pele, quase sempre de origem traumática, que
além da pele (ferida superficial) pode atingir o tecido celular subcutâneo e muscular (ferida
profunda). Devemos sempre tentar perceber qual a extensão e profundidade da ferida para
atuarmos de acordo com a necessidade da criança.

CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES
• Utilizar material descartável, sempre que possível;
• O material que entra em contacto com as feridas deve estar esterilizado;

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• As embalagens devem ter prazo de validade e este deve ser respeitado;
• Utilizar embalagens individuais, sempre que possível;
• Registar no frasco de soro fisiológico a data da sua abertura ou preferencialmente utilizar
unidoses.
• Utilizar material esterilizado e aberto na altura sempre que a situação assim o justifique.

O QUE DEVE FAZER


1. Garantir as condições de segurança

2. Acalmar a criança e afastar as restantes

3. Retirar adornos se necessário

4. Garantir que a criança tem o PNV atualizado

5. Calçar luvas descartáveis

6. Lavar com água e sabão a região circundante e ferida tendo em atenção para não
friccionar o leito da ferida.

7. Nunca utilizar algodão pois este pode deixar fibras no interior da ferida, provocar
infeção e consequentemente atrasar o processo de cicatrização.

LIMPEZA DA FERIDA

O produto de eleição é o soro fisiológico. O soro fisiológico (cloreto de sódio 0,9%) é a solução
de limpeza mais segura e que pode ser usada em todos os tipos de feridas, pois não interfere no
processo de cicatrização, não altera o ph, nem causa reações alérgicas.
A temperatura da solução de limpeza deve ser aproximada à temperatura corporal (37o C), uma
vez que soluções de limpeza frias podem retardar o normal processo de cicatrização até 4 horas.
Os movimentos de limpeza de uma ferida deverão ser dirigidos do centro para a periferia
impedindo o arrastamento de detritos dos tecidos circundantes para a ferida. Ou seja, a limpeza
da ferida deverá ser feita da zona mais limpa para a mais conspurcada.
Secar com pequenos toques para não destruir nenhum coágulo de sangue que se tenha já
formado

DESINFEÇÃO DA FERIDA

Em condições asséticas uma ferida (não infetada) não necessitaria de desinfeção. Uma vez que
as feridas mais frequentes em crianças decorrem de quedas, e que por isso, pressupõem a
contaminação com terra, areia, gravilha,etc. deveremos proceder à desinfeção com antisséptico
adequado.

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▪ Iodopovidona (Betadine) – Antisséptico à base de iodo, de largo espectro bacteriano.

▪ Não aconselhado em casos de hipersensibilidade ao iodo ou patologias da


tiróide e Recém-nascidos

▪ Clorexidina ou octiset (octinidina) – Antissépticos de largo espectro bacteriano e


altamente seguros, nomeadamente o octiset que pode ser utilizado em prematuros

Depois de limpa, se a ferida for superficial e de pequenas dimensões, deixá-la preferencialmente


ao ar, ou então aplicar uma compressa esterilizada.
Se a ferida for mais extensa ou profunda, com tecidos esmagados ou infetados, ou se
contiver corpos estranhos, deverá proteger apenas com uma compressa esterilizada e
encaminhar para tratamento por profissionais de saúde.
É uma situação grave que necessita transporte urgente para o Hospital.
Se a profundidade da ferida for considerável, poderá ser necessário recorrer à sutura
para a sua cicatrização. Na idade pediátrica é frequente o uso de cola sintética em locais que
sejam desprovidos de pêlo, pois é mais confortável para a criança, ou ainda as tiras de sutura
hipoalergénicas (steri strip) quando a profundidade da ferida assim o permite.
Se for necessário suturar, os pontos poderão ser removidos cerca de 5 a 10 dias depois,
dependendo do lugar e profundidade da mesma. As tiras de sutura cutânea também podem ser
aplicadas nestas situações, posteriormente para evitar estiramento dos tecidos e promover a
cicatrização.
Duas semanas após poderão ser aplicados cremes hidratantes na cicatriz para melhorar
a sua aparência. Devemos também protegê-la do sol, seja com protetor solar ou vestuário.
O QUE NÃO DEVE FAZER
• Tocar nas feridas sangrantes sem luvas.
• Utilizar o material (luvas, compressas, etc.) em mais de uma pessoa.
• Soprar, tossir ou espirrar para cima da ferida.
• Fazer compressão direta em locais onde haja suspeita de fraturas ou de corpos
estranhos encravados, ou junto das articulações.
• Tentar tratar uma ferida mais grave, extensa ou profunda, com tecidos esmagados ou
infetados, ou que contenha corpos estranhos.

FERIDA NOS OLHOS


O QUE DEVE FAZER
• Deitar a vítima com a cabeça completamente imóvel e olhando para cima.
• Cobrir o olho com compressas esterilizadas.
• Evitar que a vítima tussa, prevenindo o aumento da pressão intra-ocular.

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Note bem: deve-se pensar na possibilidade de existir uma ferida no olho sempre que haja
uma ferida grave na face. É uma situação grave que necessita transporte para o Hospital.

LESÕES FECHADAS
As lesões fechadas são lesões internas em que a pele se mantém intacta e normalmente estão
associadas a uma hemorragia interna.
Este tipo de lesões é, na maior parte dos casos, originado por impacto, mas pode surgir também
em determinadas situações de doença.

Hematoma
▪ O hematoma surge aquando do rompimento de vasos sanguíneos de um calibre
considerável, provocando o acumular de sangue nos tecidos.
▪ Em muitos casos pode estar associado a outros traumatismos, como fraturas. Este
acumular de sangue vai dar origem a um inchaço doloroso de cor escura.

Equimose
▪ A equimose, normalmente conhecida por nódoa negra, é o resultado do rompimento
de vasos capilares, levando a uma acumulação de sangue em pequena quantidade nos
tecidos.

O QUE DEVE FAZER


Os cuidados de emergência são iguais para ambos os tipos de lesão, mas é preciso lembrar que
este tipo de lesão pode estar associado a outras mais graves. Por isso, deve ser sempre efetuado
o exame da vítima.
o Acalmar a vítima
o Explicar o que vai ser feito;
o Suspeitar de outras lesões associadas;
o Fazer aplicação de frio sobre o local (vasoconstrição) – CRIOTERAPIA
o A aplicação deve ser feita durante 10 a 15 minutos e 3 a 4 vezes durante 2 a 3 dias.
o Imobilizar a região afetada;
o Procurar antecedentes pessoais;
o Ligar 112 se necessário;
o Aguardar pelo socorro, mantendo a vigilância da vítima.

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Junho 2018
Formadora: Ana Rita Pedroso Ribeiro

Crioterapia
Termo utilizado para descrever a terapia com frio.
Aplicação terapêutica de qualquer substância ao corpo que resulte em remoção do calor
corporal, diminuindo assim, a temperatura dos tecidos, com o objetivo de:
▪ Reduzir a taxa metabólica local
▪ Promover a diminuição das necessidades de oxigénio pelas células
O frio contribui para o controle do edema (inchaço), pois causa a contração dos vasos
sanguíneos (vasoconstrição)e, dessa forma, evita a saída de líquidos no local da lesão.
▪ Objetivos:
▪ Vasoconstrição cutânea
▪ Diminuição da sudorese
▪ Aumento do tónus muscular
▪ Efeitos fisiológicos:
▪ Anestesia
▪ Redução da dor
▪ Redução de hematomas e equimoses
▪ Redução da inflamação
CONTRA-INDICAÇÕES:
▪ Envolvimento cardíaco ou respiratório
▪ Feridas abertas
▪ Insuficiência circulatória
▪ Pele anestesiada
▪ Diabetes avançada
▪ Síndrome de Raynaud

PRECAUÇÕES
▪ Quando a temperatura subcutânea diminui abaixo de 12,7ºC ocorre dano tecidular
▪ Utilizar sempre uma interface entre o gelo e a pele para prevenir queimadura da pele

2.3 INSOLAÇÃO
O golpe de calor ou insolação é uma situação resultante da exposição prolongada ao calor,
num local fechado e sobreaquecido (por ex., dentro duma viatura fechada, ao sol) ou da
exposição prolongada ao sol.

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SINAIS E SINTOMAS
Deve-se pensar na possibilidade de golpe de calor ou insolação sempre que haja um ou mais
dos seguintes sintomas:
• Dores de cabeça.
• Tonturas.
• Vómitos.
• Excitação.
• Inconsciência.

O QUE DEVE FAZER


• Deitar a vítima em local arejado e à sombra.
• Elevar-lhe a cabeça.
• Desapertar-lhe a roupa.
• Colocar-lhe compressas frias na cabeça.
• Dar-lhe a beber água fresca, se a vítima estiver consciente.
• Se estiver inconsciente, colocá-la em PLS (Posição Lateral de Segurança).

É uma situação grave que necessita transporte urgente para o Hospital, através do Serviço de
Emergência Médica.
NOTE BEM: A insolação é sempre grave, em especial nas crianças; pode provocar hemorragia
cerebral.

2.4 MORDEDURAS/PICADAS

De uma forma geral as mordeduras resultam numa ferida, independentemente do animal que
a executa.
Devemos desinfetar a ferida de imediato e tratar da ferida (como descrito no capítulo das
feridas).
Caso seja um cão devemos verificar se as vacinas do mesmo estão em dia.
A criança deve ser sempre transportada ao hospital ou centro de saúde para ser observada.
Se a mordida resultar de um animal venenoso (ex. víbora), devemos:
▪ Manter a criança imóvel e calma
▪ Desinfetar o local da mordedura

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Formadora: Ana Rita Pedroso Ribeiro
▪ Colocar um garrote ou ligadura acima do local da mordida para evitar que o
veneno se espalhe.
▪ Vigiar o estado de consciência da vítima e providenciar transporte imediato
para o hospital!

NÃO DEVEMOS:
▪ Golpear a zona da ferida
▪ Tentar extrair o veneno
▪ Queimar a ferida

As picadas comuns de insetos não têm consequências graves para a criança, mas podem ser
bastante desconfortáveis.
Podemos recorrer à aplicação de compressas frias para alivio da comichão e diminuição do
edema. Podemos recorrer também a aplicação de pomadas especificas.
Se houver formação de bolha, não deve ser furada!

- Picada de Ouriço-do-mar
▪ Aplicação local de vinagre que ajuda a dissolver os espinhos e torna o processo de
remoção menos demorado;
- Picada de Abelha
▪ Após a picada deve retirar-se o ferrão;
▪ A picada provoca uma dor intensa, inchaço branco rodeado por uma zona vermelha.
▪ Desinfetar com antisséptico, aplicar gelo para alívio da dor, e compressas humedecidas
em bicarbonato ou amónia para neutralizar o veneno ácido.
- Picada de Vespa
▪ O ferrão não fica na vítima, podendo esta infligir picadas múltiplas;
▪ Maior risco de infeção;
▪ Dor intensa, edema, inflamação local que pode persistir até 15 dias;
▪ O tratamento é semelhante ao da abelha, mas as compressas devem ser embebidas
em vinagre ou sumo de limão de modo a neutralizar o veneno alcalino

- Picada de Peixe-aranha
▪ Os primeiros socorros consistem em primeiro lugar espremer o máximo possível até
sair sangue e depois na aplicação local de calor já que a toxina libertada pelo peixe é
termolábil (decompõe-se devido ao calor).

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▪ Assim, se possível, o membro afetado deve ser submerso em água tão quente quanto
se possa suportar durante cerca de 30 minutos, tendo sempre o cuidado de não
provocar queimadura.
▪ Outra coisa a fazer na altura, mesmo parecendo impossível de realizar, é caminhar
com alguma pressão sobre a zona picada na areia quente.

2.4 QUEIMADURAS

As queimaduras são lesões na pele originadas por exposição ou contato direto com um agente,
seja térmico, químico ou radioativo. A profundidade da lesão depende da temperatura e
duração da exposição ao agente.
Dependendo os tecidos lesados podem ser classificados em primeiro, segundo, terceiro grau.
A classificação das queimaduras em relação à profundidade é efetuada em graus.

1.º Grau – Trata-se de uma queimadura sem gravidade em que apenas foi atingida a primeira
camada da pele. Trata-se de uma queimadura em que a pele se apresenta vermelha, sensível e
dolorosa. Lesão tecidual mínima. Cicatrizam em 3 a 6 dias e habitualmente não deixam cicatriz.

2.º Grau – Trata-se de uma queimadura em que já é atingida a primeira (epiderme) e segunda
(derme) camadas da pele. Caracteriza-se por ser dolorosa e apresenta flictenas (bolhas).
Demoram de 7 a 21 dias a cicatrizar e habitualmente deixam cicatriz.

3.º Grau – Trata-se de uma queimadura em que existe a destruição da pele e de outros tecidos
subjacentes. Caracteriza-se por se apresentar com uma cor castanha ou preta (tipo carvão). O
doente, na maioria dos casos, não refere dor devido ao facto de existir destruição dos
terminais nervosos existentes na pele, responsáveis pela transmissão de informação de dor ao
cérebro. A vítima pode entrar em estado de choque.

A extensão da queimadura pode ser facilmente


estimada através da atribuição de uma percentagem a
cada parte do corpo. Assim, podemos facilmente
perceber qual a gravidade da queimadura.
Nas crianças acima dos 5% já é considerada queimadura
moderada, e a partir dos 10% já será considerado grave,
relacionado igualmente a sua profundidade. As
queimaduras superficiais não são consideradas nesta
classificação.

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Os objetivos dos cuidados imediatos são parar o processo lesivo, cobrir a queimadura,
tranquilizar a criança, e levá-la às urgências se necessário.
Os perigos de uma queimadura são a infeção e a dor. Por este motivo, a atuação é condicionada
a este dois fatores. Quando na presença de uma queimadura provocada pelo calor, atuar da
seguinte forma:

O QUE DEVE FAZER:


- Acalmar a criança;

- Ter em atenção a via aérea;

- Remover a fonte de calor.

- Se a roupa estiver a arder, envolver a vítima numa toalha molhada ou, na sua falta, fazê-la
rolar pelo chão ou envolvê-la num cobertor.
- Retirar a roupa (à exceção de sintéticos, por ex. nylon) que estiver quente, queimada ou
exposta a químicos. A roupa que se encontrar agarrada deve ficar;
- Se a vítima se queimou com água ou outro líquido a ferver, despi-la imediatamente.
- No caso de queimadura com produtos químicos, deve-se irrigar o local da queimadura com
água para ajudar a diluir o agente responsável, com exceção para os casos de queimadura com
pó. Neste caso, o pó deve ser removido sem molhar.
- Dar água a beber frequentemente.

QUEIMADURA DE 1ºGRAU
- Arrefecer a região queimada com soro fisiológico ou, na sua falta, com água corrente até a
dor acalmar.
- Tapar a zona com um penso humedecido e esterilizado;

QUEIMADURA DE 2ºGRAU
- Arrefecer a região queimada com soro fisiológico ou, na sua falta, com água tépida, até a dor
acalmar.
- Nunca rebentar as bolhas e cobrir com compressa esterilizada vaselinada (não aderente).
- Se as bolhas rebentarem, não cortar a pele da bolha esvaziada: tratar como qualquer outra
ferida. O penso deve manter-se 48 horas (se tiver exsudado mudar regularmente) e só depois
expor a zona queimada ao ar para evitar o risco de infeção/tétano.

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- Se estiver longe do hospital, pode ser usada película aderente a envolver a área queimada,
para isolar do exterior.
Transportar a vítima para o Hospital.

QUEIMADURA DE 3ºGRAU
- Remover roupas apertadas e jóias (podem ficar ainda mais apertadas no caso, muito
provável, de ocorrência de edema);
Arrefecer a região queimada com soro fisiológico ou, na sua falta, com água corrente.
- Tratar como qualquer outra ferida
- Se a queimadura for muito extensa, envolver a vítima num lençol lavado e que não largue
pêlos, previamente humedecido com soro fisiológico ou, na sua falta, com água simples.
É uma situação grave que necessita transporte urgente para o Hospital.

Nota: em caso de ser uma queimadura de terceiro grau pequena (com menos de 5 cm de
diâmetro), é possível colocar a zona magoada sob água fria corrente ou numa pia com água
fria, ou, em alternativa, usar compressas húmidas frias, durante 5 minutos. Nunca se deverá
utilizar gelo.

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2.5 QUEDAS E TRAUMATISMOS – ENTORSES, FRATURAS

As crianças são na maioria das vezes imprevisíveis e os acidentes acontecem, seja por queda ou
por outro motivo.
As quedas são o acidente mais comum nas crianças, e são a principal causa das lesões
traumáticas. Devemos estar atentos, reconhecendo e adaptando os produtos que não sejam
seguros.
Se o traumatismo resultar apenas na lesão da pele e ou tecidos moles (equimose e hematoma),
podemos proceder à aplicação de gelo (protegido) para diminuir o edema e aliviar a dor. Se do
traumatismo resultar uma ferida, tratar como descrito anteriormente. A vigilância nestes casos
é extremamente importante.

Traumatismo Craniano (TCE)


▪ A vítima pode apresentar feridas no couro cabeludo ou hematoma
▪ Pode haver perda de consciência ou confusão
▪ Aumento da sonolência
▪ Vómitos
▪ Perturbação do equilíbrio
▪ Uma das pupilas pode estar mais dilatada (anisocoria)
▪ Alguma parte do corpo pode paralisar
▪ Saída de sangue pela boca, nariz e/ou ouvidos
▪ Sinal de Battle e sinal de guaxinim

O QUE FAZER
▪ Acalmar a vítima
▪ Mantê-la confortável e aquecida
▪ Providenciar transporte para o hospital

Traumatismo da face
▪ Colocar a vítima numa posição confortável, de preferência sentada.
▪ Lavar a face com água ou soro fisiológico para evitar obstrução das vias respiratórias
▪ Transportar de imediato para o hospital

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Traumatismo do Tórax
▪ Este tipo de traumatismo é grave pois pode afetar as estruturas essenciais da ventilação.
Devemos estar atentos aos sintomas:
- Dificuldade respiratória
- Lábios roxos
- Pulso fraco e rápido
- Agitação e confusão
▪ Devemos tentar acalmar a vítima e coloca-la numa posição confortável.
▪ Providenciar de imediato transporte para o hospital.

Traumatismo da Coluna vertebral


▪ Sinais e sintomas:
- Impossibilidade de realizar movimentos
- Dor no local
- Possível perda de sensibilidade nas extremidades (mãos/pés), ou outra parte do corpo
Nestas situações, com a ajuda de outra pessoa, devemos imobilizar a criança. Devemos deita-la
horizontalmente e com o corpo alinhado, até que chegue a ajuda diferenciada.
NA DÚVIDA: NÃO MOBILIZAR A VÍTIMA!!!

Traumatismo abdominal
Lesão na zona abdominal que pode lesar os órgãos ou provocar alguma fratura. Se houver dano
nas vísceras, poderá ocorrer hemorragia interna. Devemos estar atentos a sintomas como:
▪ Dor local
▪ Sede
▪ Palidez e suores frios
▪ Arrefecimento
▪ Alteração do estado de consciência
Devemos colocar a criança numa posição confortável e aquecida, em posição sentada com as
pernas fletidas. Devemos mantê-la acordada e calma, e providenciar transporte para o hospital.
▪ Não dar de comer nem de beber!

FRATURAS
A fratura define-se quando existe toda e qualquer alteração da continuidade de um osso.
As fraturas podem ser:

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▪ Fraturas abertas (expostas): quando existe exposição dos topos ósseos, podendo
facilmente infetar.
▪ Fraturas fechadas: a pele encontra-se intacta, não se visualizando os topos ósseos.

SINAIS E SINTOMAS
• Dor localizada na zona do foco de fratura
• Perda da mobilidade total ou parcial
• Alteração da coloração do membro
• Edema (inchaço)
• Exposição dos topos ósseos, no caso da fratura exposta
•Encurtamento ou deformação do membro lesionado.

O QUE FAZER
- Expor a zona da lesão (desapertar ou se necessário cortar a roupa).

- Verificar se existem ferimentos;


- Tentar imobilizar as articulações que se encontram antes e depois da fratura, utilizando talas
apropriadas ou, na sua falta, improvisadas, não forçando no caso da fratura ser ao nível do
ombro, cotovelo, mão, joelho e pés; No caso da fratura ocorrer numa zona articular, não forçar
o alinhamento. Se necessário, imobilizá-lo na posição em que este se encontra.
- No caso de fraturas abertas, lavar a zona com recurso a soro fisiológico antes de imobilizar;
- Não efetuar movimentos desnecessários.

NOTE BEM: As fraturas têm de ser tratadas no Hospital.


As talas devem ser sempre previamente almofadadas e bastante sólidas.
Quando improvisadas, podem ser feitas com barras de metal, varas de madeira, revistas, etc.

O QUE NÃO FAZER:


- Não tentar fazer redução da fratura, isto é, tentar encaixar as extremidades do osso partido.
- Não provocar apertos ou compressões que dificultem a circulação do sangue.
- Numa fratura exposta, não “meter para dentro” as partes dos ossos que estejam visíveis.
- Não efetuar qualquer pressão sobre o foco de fratura;

Em caso de suspeita de fratura de costelas, a vítima deve ser deitada em posição confortável,
evitando movimentos bruscos. Não tentar imobilizar. São situações graves que, necessitam de
transporte urgente para o Hospital.

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IMOBILIZAÇÕES

LESÕES ARTICULARES

ENTORSE

Rotura ou torção dos ligamentos que reforçam uma articulação, provocada por um
repuxamento violento ou movimento forçado a esse nível.

Sinais e Sintomas

▪ Dor forte, no momento do acidente, que aumenta com o movimento;


▪ Edema (inchaço) na região articular;
▪ Equimose (“nódoa negra”), em alguns casos.

O QUE FAZER
▪ Instalar a vítima em posição confortável;
▪ Fazer aplicações frias no local;
▪ Em caso de dúvida, imobilizar a articulação como se de uma fratura se tratasse e
promover transporte ao hospital.
▪ Elevar o membro lesionado.

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LUXAÇÃO
Perda de contacto das superfícies articulares por deslocação dos ossos que formam uma
articulação, o que acontece quando esta sofre uma violência direta ou indireta.
Sinais e Sintomas

▪ Dor violenta;

▪ Impotência funcional;

▪ Deformação;

▪ Edema.

O QUE FAZER

- Instalar a vítima em posição confortável;

- Imobilizar sem fazer qualquer redução;

- Promover o transporte ao hospital.

LESÕES MUSCULARES

DISTENSÃO

Rotura das fibras que compõem os músculos, resultante de um esforço para além da sua
resistência (ex: levantar pesos).

Sinais e Sintomas

▪ Dor local de instalação súbita;

▪ Rigidez muscular;

▪ Edema.

O QUE FAZER

▪ Instalar a vítima em posição confortável;

▪ Se o acidente é recente, fazer aplicações frias;

▪ Repouso absoluto do músculo, mantendo-o imóvel;

▪ Se houver dúvidas sobre o estado da vítima promover o transporte ao hospital.

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CÃIBRA

Contração sustentada, involuntária e dolorosa de um músculo ou de um conjunto de músculos,


provocada por situações de fadiga muscular, sudação abundante ou qualquer outra situação
que provoque desidratação.
Sinais e Sintomas
▪ Dor local de instalação súbita;
▪ Rigidez muscular;
▪ Edema.
O QUE FAZER
▪ Distender os músculos afetados forçando o seu relaxamento;
▪ Massajar suavemente o local;
▪ Aplicar, localmente e de forma indireta, calor.

2.6 INTOXICAÇÕES

As intoxicações podem essencialmente ter três origens: acidental, voluntária ou


profissional, sendo a mais frequente a intoxicação acidental e normalmente por uso ou
acondicionamento incorreto dos produtos.
▪ Via digestiva
▪ Via respiratória
▪ Via cutânea
▪ Via ocular
▪ Via parentérica
▪ Picada de animal

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PREVENÇÃO

CUIDADOS A TER NO CAMPO CUIDADOS A TER NA PRAIA

Quando se estiver perante uma intoxicação importa lembrar que, em muitos casos, o
melhor socorro é não intervir, devendo ter sempre presente que, em caso de dúvida,
deve ser contactado o Centro de Informação Antivenenos (CIAV) (808 250 143) ou ligar
para o número europeu de socorro 112.

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No contacto com o CIAV ou com o 112 indicar:


a) Em relação ao tóxico:
• Identificar o tóxico: Nome do produto; Cor; Cheiro; Tipo de embalagem; Fim a que se
destina.
b) Em relação à vítima:
• Idade; Sexo; Peso; Doenças anteriores.
As embalagens devem acompanhar o doente à unidade de saúde, para facilitar a
identificação do agente tóxico e assim permitir uma intervenção no tempo mais curto
possível.

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Formadora: Ana Rita Pedroso Ribeiro

2.7 HEMORRAGIAS
Quando existir uma perda sanguínea, o organismo vai reagir, originando sinais (o que se
vê) e sintomas (o que o doente refere) que permitem suspeitar de uma hemorragia.
SINAIS E SINTOMAS
▪ Alteração do estado de consciência
▪ Alteração da ventilação
▪ Alteração do pulso
▪ Alteração da pressão arterial
▪ Alterações da pele
▪ Saída evidente de sangue
▪ Sede

EPISTÁXIS
É a hemorragia nasal provocada pela rutura de vasos sanguíneos da mucosa do nariz.
O QUE FAZER:
▪ Pressão direta (5 a 20 min) e aplicação de gelo (interface)
▪ Inclinar a cabeça e tronco levemente para a frente (diminui a probabilidade de
náuseas e OVA – Obstrução da Via Aérea)
▪ Aplicar tamponamento hemostático (Spongostan)
▪ Se persistir, chamar ajuda especializada.

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Ação nº 4: Medidas de Primeiros Socorros com crianças e Jovens – UFCD 9646
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Formadora: Ana Rita Pedroso Ribeiro
Após o controlo da hemorragia aconselhar a criança a não assoar o nariz nas duas
horas seguintes para não destruir o coágulo que que formou.

Exceções:
- Se a hemorragia nasal for devido a TCE não fazer pressão no nariz sob pena de
aumentar a PIC (Pressão intracraniana)
- Epistáxis ter sido provocada por traumatismo da face.

HEMORRAGIA GRAVE
Num quadro clínico de hemorragia grave, o doente apresenta sinais e sintomas de
choque hipovolémico. Assim sendo, devem ser aplicados os seguintes cuidados de
emergência:
▪ Proceder ao controlo da hemorragia; (Equipamento de proteção Individual)
▪ Ter em atenção um possível episódio de vómito;
▪ Manter o doente confortável e aquecido;
▪ Identificar os antecedentes pessoais e a medicação;
▪ Ligar 112
▪ Aguardar pelo socorro, mantendo a vigilância do doente;
▪ Se o doente estiver em paragem cardiorrespiratória, iniciar de imediato as
manobras de reanimação.
HEMORRAGIA INTERNA
Deve-se suspeitar sempre de hemorragia interna quando não se vê sangue, mas a vítima
apresenta um ou mais dos sinais e sintomas anteriormente descritos.
O QUE FAZER
▪ Acalmar a vítima e mantê-la acordada.
▪ Desapertar-lhe a roupa.
▪ Manter a vítima confortavelmente aquecida.
▪ Colocá-la em Posição Lateral de Segurança.
▪ É uma situação grave que necessita de transporte urgente para o Hospital.
Ativar o Serviço de Emergência Médica
NÃO DAR DE BEBER OU DE COMER

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HEMORRAGIA EXTERNA
Atenção: antes de qualquer procedimento o socorrista deve calçar luvas descartáveis.
▪ Deitar horizontalmente a vítima.
▪ Aplicar uma compressa esterilizada sobre a ferida ou, na sua falta, um pano
lavado, exercendo uma pressão firme, conforme o local e a extensão do
ferimento.
▪ Se as compressasficarem saturadas de sangue, colocar outras por cima, sem
nunca retirar as primeiras.
▪ Fazer durar a compressão até a hemorragia parar (pelo menos 10 minutos).
▪ Se a hemorragia for num membro, elevar o mesmo para que fique num nível
superior ao do coração da vítima, de modo a diminuir o afluxo de sangue à
zona afetada.
▪ Se a hemorragia parar, aplicar um penso compressivo sobre a ferida.

2.8 AFOGAMENTO
Convém lembrar que uma criança pequena se pode afogar em poucos centímetros de
água, num tanque, balde ou alguidar quase vazio, ou até mesmo na banheira, durante
o banho.

O QUE FAZER
• Retirar imediatamente a vítima de dentro de água.
• Verificar se está consciente, se respira e se o coração bate.
• Colocar a vítima de barriga para baixo e com a cabeça virada para um dos lados.
• Comprimir a caixa torácica 3 a 4 vezes, para fazer sair a água (fig. 4).

Se a vítima não respira, deitá-la de costas e iniciar de imediato os procedimentos do


algoritmo do Suporte Básico de Vida. Logo que a vítima respire normalmente, colocá-la
em Posição Lateral de Segurança e mantê-la confortavelmente aquecida. Em qualquer
situação, transportar a vítima ao Hospital, ativando o Serviço de Emergência Médica.

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Ação nº 4: Medidas de Primeiros Socorros com crianças e Jovens – UFCD 9646
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Formadora: Ana Rita Pedroso Ribeiro
O QUE NÃO DEVE FAZER
Se o afogamento se deu no mar ou num rio, o socorrista não deve:
• Lançar-se à água se não souber nadar muito bem.
• Procurar salvar um afogado que está muito longe de terra.
• Deixar-se agarrar pela pessoa que quer salvar.
Deve atirar-lhe uma corda ou uma bóia.

2.9 ASFIXIA E ESTRANGULAMENTO

ASFIXIA
Quando um corpo estranho entra na via aérea – obstrução da via aérea por corpo
estranho (OVACE), a criança começa imediatamente a tossir, na tentativa de o expelir.
A tosse espontânea é provável que seja mais eficaz e mais segura do que qualquer
manobra que um reanimador execute. No entanto, se a tosse é ausente ou ineficaz e o
objeto obstruir completamente a via aérea, a criança vai ficar asfixiada necessitando
então de intervenções ativas para a resolver.
▪ Sinais e sintomas:
▪ Dificuldade respiratória de início súbito
▪ Tosse e estridor
Sinais de obstrução ligeira da via aérea
• Chora e/ou responde a questões;
• Tosse audível
• Consegue inspirar antes de tossir
• Completamente reativo
Sinais de obstrução grave da via aérea
• Incapaz de tossir
• Tosse silenciosa
• Pode responder acenando com a cabeça;
• Não consegue respirar e quando tenta o som é sibilante e apresenta estridor;
• Cianose

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Ação nº 4: Medidas de Primeiros Socorros com crianças e Jovens – UFCD 9646
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• A vítima pode perder a consciência a qualquer momento/Diminuição do estado
de consciência
O objetivo de qualquer das manobras recomendadas é provocar um aumento súbito
da pressão intra-torácica, que funcione como uma “tosse artificial” e desobstrua a via
aérea.
ABORDAGEM

Tosse eficaz Tosse ineficaz

Incentivar a tossir Gritar por ajuda

Vigiar Avaliar o estado


continuamente de consciência

ALGORITMO DE DESOBSTRUÇÃO DA VIA AÉREA - Ligeira

Avaliar a gravidade

Tosse eficaz

Encorajar a tossir

Até resolver ou tosse ineficaz

Algoritmo de desobstrução da Via Aérea – LACTENTE consciente

Avaliar a gravidade

Tosse ineficaz

5 pancadas interescapulares

5 compressões
Torácicas

Até resolver ou
inconsciente

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Ação nº 4: Medidas de Primeiros Socorros com crianças e Jovens – UFCD 9646
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Atuação no Lactente – Pancadas interescapulares
- Segurar o lactente em decúbito ventral com a cabeça mais baixa que o tronco, para
que a gravidade ajude na remoção do corpo estranho (CE), suportando a cabeça com
uma mão e apoiando o tórax no antebraço e/ou na coxa (neste último caso deverá estar
sentado).
- Para apoiar a cabeça colocar o polegar num dos ângulos da mandibula, e um ou dois
dedos no mesmo ponto no outro lado da mandibula.
- Deve ter-se cuidado para não pressionar os tecidos moles debaixo da mandibula para
não aumentar a obstrução da via aérea.
- Aplique até 5 pancadas, secas, nas costas, entre as duas omoplatas, com
a base da mão, usando uma força adequada ao tamanho da criança.
- O objetivo não é necessariamente efetuar obrigatoriamente as 5
pancadas, mas antes que alguma delas consiga remover o corpo estranho.

Atuação no Lactente – Compressões torácicas


Após as pancadas interescapulares, se não se conseguir deslocar o objeto e remover o
corpo estranho, e o lactente continua consciente, passar à aplicação de compressões
torácicas.
Segurar a cabeça do lactente na região occipital com a mão que estava livre e rodá-lo
em bloco, para que este fique em decúbito dorsal sobre o antebraço. Manter a cabeça
a um nível inferior ao do resto do corpo.
Fazer compressões torácicas, colocando a ponta de dois dedos sobre
a metade inferior do esterno do lactente e comprimir o tórax na
vertical de forma a causar uma depressão de cerca de 1/3 da sua
altura (4 cm).
Devem ser compressões secas e lentas com o objetivo de deslocar o
corpo estranho.
Fazer até 5 compressões, se necessário, para tentar desobstruir a via
aérea.

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Junho 2018
Formadora: Ana Rita Pedroso Ribeiro
Algoritmo de desobstrução da Via Aérea - CRIANÇA

Avaliar a gravidade

Tosse ineficaz

5 pancadas interescapulares

5 compressões abdominais
– Manobra de Heimlich

Até resolver ou
inconsciente

Atuação na criança – Pancadas interescapulares


As pancadas interescapulares são mais eficazes se a criança estiver com a cabeça para
baixo. Se a criança for pequena, deve ser colocada ao colo do reanimador, como no
lactente. Se isso não for possível, deve apoiar-se a
criança numa posição inclinada para a frente, e aplicar
até 5 pancadas interescapulares.
Se a obstrução se mantém após as pancadas
interescapulares, deve passar às compressões
abdominais – manobra de Heimlich, até 5 tentativas.

Atuação na criança – Compressões Abdominais – Manobra de Heimlich


O reanimador coloca-se de pé ou ajoelhado atrás da criança e passa os seus braços por
baixo dos braços da criança, envolvendo o tronco pela frente.
Fecha um punho e coloca-o entre o umbigo e o apêndice xifoide.
Apertando esse punho com a outra mão, o reanimador puxa de forma seca para trás e
para cima, aplicando até 5 compressões abdominais.
Verificar ao fim de cada compressão se ocorreu desobstrução da VA.
Deve ter cuidado para não aplicar pressão sobre o esterno e a grelha costal para evitar
trauma torácico.

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Ação nº 4: Medidas de Primeiros Socorros com crianças e Jovens – UFCD 9646
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Formadora: Ana Rita Pedroso Ribeiro
As compressões abdominais poderão eventualmente causar lesões internas pelo que,
quando tiverem sido efetuadas, a criança assim tratada deve ser examinada por um
médico.

ESTRANGULAMENTO
Apesar de raro, o estrangulamento é uma situação que pode surgir na escola ou no
jardim-de-infância quando, por imprevidência, se deixa as crianças brincarem com fios,
cordas ou gravatas que se podem enrolar à volta do pescoço.

O QUE DEVE FAZER

• Cortar imediatamente a corda ou o que estiver a fazer pressão em torno do


pescoço da vítima.
• Executar o Suporte Básico de Vida se houver sinais de asfixia.
• Se a situação for grave, recorrer rapidamente ao Hospital.

2.10 CHOQUE ELÉTRICO E ELETROCUÇÃO

Electrocução ou choque elétrico é uma situação provocada pela passagem de corrente


elétrica através do corpo.
Nestas situações deve-se salvaguardar e prevenir, atuando por exemplo na proteção
das tomadas.

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Formadora: Ana Rita Pedroso Ribeiro
O QUE FAZER
▪ Desligar o disjuntor para cortar imediatamente a corrente elétrica.
▪ Ter o máximo cuidado em não tocar na vítima sem previamente ter desligado a
corrente.
▪ Prevenir a queda do sinistrado.
▪ Aplicar o primeiro socorro conveniente:
– Reanimação cardiorrespiratória.
– Tratamento da queimadura
É uma situação grave que necessita transporte urgente para o Hospital. Ligar 112

O QUE NÃO FAZER


▪ Tocar na vítima se estiver em contacto com a corrente elétrica.
▪ Tentar afastar o fio de alta tensão com um objeto.

3 TECNICAS DE IMOBILIZAÇÃO (Ver pág.32)

4 PREVENÇÃO DE CONTAMINAÇÕES
Todas as técnicas e medidas aplicadas por quem socorre, devem, antes de mais, e como
referido anteriormente, ter como principal preocupação a segurança, em primeira
instância, de quem socorre para evitar aumentar o número de vítimas.
Por isso todas as medidas que foram sendo enunciadas até aqui (uso de luvas, p.e.),
concorrem para a promoção da segurança do socorrista.

5 POSIÇÃO LATERAL DE SEGURANÇA


Uma criança inconsciente, a respirar espontaneamente deve ser colocada numa posição
lateral e segura, de modo a prevenir a obstrução da via aérea pela queda da língua e
reduzir o risco de aspiração de vómito ou secreções.
Se há suspeita de trauma, a vítima só deve ser mobilizada se for impossível manter a
permeabilidade da via aérea de outro modo, e neste caso, deve ser sempre respeitado
simultaneamente o alinhamento da coluna cervical.

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Ação nº 4: Medidas de Primeiros Socorros com crianças e Jovens – UFCD 9646
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Formadora: Ana Rita Pedroso Ribeiro
A posição de recuperação usada nas crianças obedece aos mesmos princípios da PLS
(posição lateral de segurança) do adulto e pode ser usada a mesma técnica.
Nos lactentes sugere-se a colocação em decúbito lateral, usando uma almofada ou um
lençol dobrado, colocado por trás, a nível das costas, para manter a posição estável –
Posição de recuperação.
A Posição de Recuperação deve respeitar os seguintes princípios:
▪ Ser uma posição o mais “lateral “possível para que a cabeça fique numa
posição em que a drenagem da cavidade oral se faça livremente;
▪ Ser uma posição estável;
▪ Não causar pressão no tórax que impeça a respiração normal;
▪ Possibilitar a observação e acesso fácil à via aérea;
▪ Ser possível voltar a colocar a vítima em decúbito dorsal de forma fácil e rápida;
▪ Não causar nenhuma lesão à vítima (por isso não está indicada se existe
suspeita de traumatismo da coluna cervical);
▪ Alterar regularmente de lado para evitar pontos de pressão (isto é, a cada 30
minutos).
TÉCNICA DE COLOCAÇÃO DE UMA CRIANÇA EM POSIÇÃO DE RECUPERAÇÃO
1. O reanimador deve ajoelhar-se ao lado da criança e estender-lhe as duas pernas
e os dois braços;
2. Se tiver óculos, devem ser removidos, assim como objetos volumosos (chaves,
telefones, canetas etc.) que estejam nos bolsos.
3. A roupa em volta do pescoço também deve ser alargada;
4. A permeabilidade da via aérea deve ser avaliada e se necessário permeabilizada,
através da extensão da cabeça e elevação da mandibula;
5. O braço da criança, mais próximo do reanimador, é estendido no chão,
perpendicularmente ao corpo;
6. O outro braço da criança é dobrado sobre o tórax e a face dorsal da mão
encostada à face da vítima, do lado do reanimador.
7. Com a outra mão, o reanimador dobra o joelho da perna mais afastada de si;
Puxando cuidadosamente o joelho dobrado, o reanimador rola a criança na sua
direção e ajusta a perna que fica por cima de modo a formar um ângulo reto a
nível da coxa e do joelho. Se necessário, ajusta a mão sob a face da vítima para

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Ação nº 4: Medidas de Primeiros Socorros com crianças e Jovens – UFCD 9646
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que a cabeça fique em extensão, de modo a garantir a permeabilidade da via
aérea.
8. Deve ser exercida uma vigilância regular sobre a vítima, certificando-se que a
mesma respira normalmente (se fizer ruído reposicionar a cabeça).
9. Se a criança tiver que permanecer em Posição de Recuperação por um longo
período de tempo, recomenda-se que ao fim de 30 minutos seja colocada sobre
o lado oposto, para diminuir o risco de lesões resultantes da compressão sobre
o ombro.
10. Se a vítima deixar de respirar espontaneamente é necessário voltar a colocá-la
em decúbito dorsal, reavaliar e iniciar SBV.
POSIÇÃO DE RECUPERAÇÃO

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6 REANIMAÇÃO (SUPORTE BÁSICO DE VIDA)


CADEIA DE SOBREVIVÊNCIA PEDIÁTRICA
Conjunto de procedimentos que permitem salvar vítimas de paragem
cardiorrespiratória.
Estes procedimentos sucedem-se de uma forma encadeada e constituem uma cadeia
de atitudes em que cada elo articula o procedimento anterior com o seguinte

▪ Reconhecimento precoce da gravidade da situação e pedido de ajuda: para


prevenir a PCR
▪ Suporte Básico de Vida (SBV): para otimizar a oxigenação.
▪ Ligar 112: para pedir ajuda diferenciada.
▪ Suporte Avançado de Vida/Desfibrilhação/ Cuidados pós-reanimação: para
restaurar a qualidade de vida (estabilizar).

A principal causa de Paragem Cardiorrespiratória na criança é a hipóxia, e por isso a


prioridade é otimizar a oxigenação.
Assim, no caso de reanimador único, é fundamental que o Suporte Básico de Vida seja
iniciado de imediato e efetuado durante um minuto, antes de se ativar o Sistema
Integrado de Emergência Médica (SIEM) – (ligar 112). Se há mais que um reanimador,
um deverá ligar de imediato 112 ou procurar ajuda, enquanto o outro inicia SBV.
O SBV destina-se a ganhar tempo, mantendo parte das funções vitais até à chegada do
Suporte Avançado de Vida (SAV).

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Ação nº 4: Medidas de Primeiros Socorros com crianças e Jovens – UFCD 9646
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No entanto, em algumas situações em que a falência respiratória foi a causa primária da


paragem cardiorrespiratória, o SBV poderá reverter a causa e conseguir uma
recuperação total.
O Suporte Avançado de Vida (SAV), executado por equipas médicas diferenciadas,
implica a utilização de fármacos, ventilação por entubação traqueal, monitorização
cardíaca e desfibrilhação elétrica.
O conceito de SBV implica que seja praticado sem recurso a qualquer equipamento
específico.
As manobras de SBV devem ser executadas com a vítima em decúbito dorsal, ou seja,
deitada de costas, no chão ou num plano duro.
Se a criança se encontrar, por exemplo, numa cama, as manobras de SBV,
nomeadamente as compressões torácicas, não serão eficazes uma vez que a força
exercida será absorvida pelas molas ou espuma do próprio colchão.
O reanimador deve posicionar-se junto da vítima para que, se for necessário, possa fazer
insuflações e compressões sem ter que fazer grandes deslocações.

1 - AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES DE SEGURANÇA – REANIMADOR, VÍTIMA E TERCEIROS


▪ Avaliar as condições de segurança para o reanimador, para a vítima e para
terceiros, antes de abordar a criança.
▪ Ao aproximar-se da criança deve igualmente procurar pistas sobre o que
potencialmente possa ter causado a emergência. Estes aspetos podem modificar
a abordagem (ex. situação de trauma) ou ajudar na definição da etiologia da PCR.

2 - AVALIAÇÃO INICIAL / ESTIMULAÇÃO

Avaliar a reatividade da criança.


Se for um lactente, estimular através da voz, sem abanar, mexendo nas mãos e pés
Numa criança/jovem estimular chamando em voz alta e batendo suavemente nos
ombros.

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Se a criança responder, mexendo-se, falando ou chorando, avaliar a situação em causa
e potenciais riscos e, se necessário, deixá-la na posição em que está, ou na que ela
pretender adotar e ligar 112, reavaliando-a frequentemente.
Se a criança não responder, passar ao “Pedido de Ajuda”.

3 - PEDIDO DE AJUDA

Se sozinho: pedir ajuda gritando em voz alta “Preciso de ajuda! Está aqui uma criança
desmaiada!”
NÃO ABANDONAR a criança para ir pedir ajuda para não atrasar o início do SBV e
avançar para o passo seguinte.
Se houver uma segunda pessoa presente, pedir que ative o SIEM, ligando 112, enquanto
prossegue com o algoritmo.

4 - SEQUÊNCIA ABC
▪ A – Airway/Via Aérea
▪ B – Breahthing/Respiração
▪ C – Circulation/Circulação

A - Via Aérea (Airway) – Permeabilizar a via aérea


Numa criança inconsciente, o relaxamento do palato mole e da epiglote, bem como a
própria língua, podem causar obstrução da via aérea.
Assim, é importante: Proceder à permeabilização da via aérea.
1. Inspecionar a boca para pesquisa de corpo estranho
2. Existem 2 técnicas para permeabilizar a via aérea:
3. Extensão da cabeça – elevação do queixo
4. Subluxação da mandíbula
Extensão da cabeça – elevação do queixo – CRIANÇA
1. Colocar-se ao lado da criança
2. Colocar a palma de uma mão na testa da criança e inclinar cuidadosamente a
cabeça para trás;
3. Com a outra mão fazer a elevação do queixo, colocando os dedos indicador e
médio no bordo do maxilar inferior (mento ou queixo).

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ATENÇÃO - Não pressionar os tecidos moles abaixo do queixo, pois pode causar
obstrução da via aérea.

Extensão da cabeça – elevação do queixo – LACTENTE


No lactente em decúbito dorsal, a cabeça fica habitualmente fletida em relação ao
pescoço.
A extensão da cabeça deve ser efetuada de forma a
obter uma “posição neutra”, isto é, a face do lactente
ficar paralela ao plano onde está deitado (a orelha
alinhada com o eixo do tronco).
Pode ser útil, nesta situação, colocar uma elevação
(toalha ou lençol) ao nível dos ombros/costas do bebé,
para conseguir esta posição. Nas crianças maiores, é necessário, habitualmente, uma
maior extensão da cabeça.

Subluxação da mandíbula
Esta manobra é a mais eficaz para abertura da via aérea e é a indicada nas situações em
que há necessidade de imobilizar a coluna cervical por
suspeita de trauma, ou se não estamos a ser eficazes com
a técnica da extensão da cabeça e elevação do queixo.
Posicionando-se atrás da cabeça da criança, esta manobra
é conseguida colocando dois ou três dedos de cada mão
debaixo dos ângulos da mandibula, elevando-a
(empurrando para a frente).

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Para dar maior estabilidade, os cotovelos do reanimador devem estar apoiados na
superfície em que a criança está deitada.

B - Ventilação (Breathing)
Após efetuar a permeabilização da via aérea deve-se:
- Avaliar se respira normalmente. Para verificar este aspeto a melhor técnica é “ver,
ouvir e sentir” (VOS), efetuada durante, no máximo, 10 segundos.
O reanimador deve manter a permeabilidade da via aérea e aproximar a sua face da face
da criança olhando para o tórax e:
VER - se existem movimentos torácicos;
OUVIR - se existem ruídos de saída de ar pela boca ou nariz da vítima;
SENTIR - na sua face se há saída de ar pela boca ou nariz da vítima.
Se a criança respira normalmente e não há evidência de trauma, coloque-a em posição
de recuperação (se existe história de trauma, a lesão da coluna cervical deve ser
considerada), peça ajuda ligando 112 e reavalie
periodicamente se mantém ventilação adequada.
Se a criança não respira normalmente mantenha a
permeabilidade da via aérea, remova cuidadosamente
qualquer obstrução óbvia e inicie a ventilação com ar
expirado, efetuando 5 insuflações. O objetivo é fazer
chegar aos pulmões da criança algum oxigénio.
Ao executar as ventilações verificar movimentos de deglutição ou tosse associado às
insuflações.
Esta resposta ou a sua ausência farão parte da avaliação de “sinais de vida”.
Cada insuflação de ar deve ser lenta e feita durante 1 segundo, com um volume de ar
suficiente para causar uma expansão torácica visível.
Após cada insuflação, deve afastar a boca e manter a via aérea permeável para permitir
a expiração.
Repetir o procedimento, voltando a encher o peito de ar antes de cada insuflação, para
melhorar o conteúdo de oxigénio no ar expirado que irá insuflar.
Esta duração maximiza a quantidade de O2 que chega aos pulmões, com menor
probabilidade de distensão gástrica

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Observar se existe a elevação do tórax da vítima. Cada insuflação deve ser suficiente
para provocar elevação do tórax como numa respiração normal (se o tórax não se elevar,
repetir as manobras de permeabilização da VA)

Técnica de ventilação – LACTENTE


Ventilação boca a boca-nariz
O reanimador deve manter a permeabilidade da via aérea, assegurando que a cabeça
está em posição neutra.
Após encher o “peito de ar”, adapta a sua boca à
volta da boca e do nariz do lactente e insufla, como
descrito anteriormente.
Nas situações em que não consegue efetuar uma boa
adaptação da boca à volta da boca e nariz é
igualmente adequado efetuar ventilação boca a boca
ou boca-nariz. Em qualquer dos casos, as narinas ou
a boca devem ser ocluídas para evitar a fuga de ar.

Técnica de ventilação – CRIANÇA


Técnica de ventilação boca a boca
Neste caso, o reanimador deve adaptar a sua
boca sobre a boca da criança, garantindo uma
boa selagem.
Com os dedos da mão que faz a extensão da
cabeça deve pinçar as narinas da criança para
evitar a fuga do ar insuflado.
Mais uma vez se reforça que não é a idade que
determina a decisão de efetuar a ventilação
boca a boca-nariz ou boca a boca, mas
efetivamente o tamanho da vítima.

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VENTILAÇÃO COM MÁSCARA DE BOLSO


Uma máscara de bolso pode ser utilizada por leigos com treino mínimo na realização de
ventilações durante uma RCP. Este dispositivo adapta-se na face da vítima, sobre o nariz
e boca e possui uma válvula unidirecional que desvia do reanimador o ar expirado da
vítima.
Um reanimador ÚNICO deve aproximar-se da vítima de lado. Isto irá permitir uma troca
fácil entre ventilações e compressões torácicas.
1. Colocar a máscara sobre o nariz e boca da vítima (a parte mais estreita da máscara de
bolso deverá ficar sobre o dorso do nariz; a parte mais larga da máscara deverá ficar a
boca);
2. Colocar o polegar e o indicador na parte mais estreita da máscara;
3. Colocar o polegar da outra mão a meio da parte mais larga da máscara e usar os outros
dedos para elevar o queixo da vítima, criando uma selagem hermética;
4. Soprar suavemente pela válvula unidirecional durante cerca de 1 segundo (por cada
ventilação), por forma a que o tórax da vítima se eleve;
5. Retirar a boca da válvula da máscara após insuflar.

C- Circulação (Circulation)
Após as 5 insuflações iniciais, o reanimador deve determinar se a criança tem circulação
espontânea, através da pesquisa de sinais de vida (movimento, tosse, respiração normal
não agónica,) ou se necessita de compressões torácicas. A pesquisa de sinais de vida não
deve demorar mais do que 10 segundos.
Em consequência desta avaliação:
▪ Se a criança apresenta alguns sinais de vida, mas não respira ou a respiração é
inadequada, continuar as insuflações com ar expirado numa frequência de 12 a
20 ciclos por minuto;
▪ Se estiver sozinho, ligar 112, levando se possível a criança, de forma a manter as
insuflações.
▪ Reavaliar periodicamente e manter as insuflações até que a criança respire
normalmente ou chegue a ajuda.

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Se a criança recuperar a respiração normal (e não houver história de trauma), coloque-
a em posição de recuperação.
Se não houver sinais de vida deve iniciar de imediato compressões torácicas, mantendo
uma alternância de 15 compressões com 2 insuflações.
O objetivo das compressões torácicas é exercendo pressão sobre a parede anterior do tórax,
conseguir um fluxo sanguíneo capaz de manter viáveis os órgãos vitais, até ao retorno da
circulação espontânea.
As compressões torácicas, tanto nos lactentes como nas crianças, devem ser efetuadas
sobre a metade inferior do esterno, um dedo acima do apêndice xifóide que,
percorrendo cada uma das grelhas costais inferiores, se localiza onde as duas se
encontram.

As compressões devem ser realizadas de forma a causar uma


depressão de aproximadamente um terço da altura do tórax (ou
seja, pelo menos 4 cm no lactente e 5 cm na criança), a uma
frequência de pelo menos 100 a 120 por minuto.
O gesto de compressão deve ser firme, controlado e executado
na vertical. Os períodos de compressão e descompressão devem ter a mesma duração.
É útil contar em voz alta ‘1 e 2 e 3 e 4 e 5 e... e 29 e 1’ de forma a conseguir manter um
ritmo adequado, ter a noção do número de ciclos (logo do tempo decorrido desde o
início) bem como a coordenação com o outro reanimador (quando estiver presente).
Entre as compressões é fundamental que permita a completa re-expansão torácica,
aliviando totalmente a pressão exercida sobre o tórax, sem, no entanto, retirar as mãos
ou os dedos do local das compressões.

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A qualidade das compressões é essencial no prognóstico da situação, pelo que devem


ser feitas de forma rápida, com força suficiente e minimizando as interrupções.

Compressões Torácicas – LACTENTE


Técnica dos dois dedos
Esta é a técnica recomendada para que um reanimador único efetue compressões em
lactentes.
O reanimador, mantendo a permeabilidade da via aérea (extensão (posição neutra) da
cabeça com uma mão), deve colocar a ponta de dois dedos da outra mão sobre a metade
inferior do esterno do lactente e comprimir o tórax na vertical, de forma a causar uma
depressão de cerca de 1/3 da sua altura (4 cm).
Depois de cada compressão, deve aliviar a pressão de forma a permitir ao tórax retomar
a sua forma.
Após cada série de 15 compressões, deve retirar os dedos para fazer a elevação do
queixo e efetuar 2 insuflações eficazes, continuando sucessivamente esta relação de
15:2.

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Técnica do Abraço
No caso de estarem presentes dois reanimadores, e se a estrutura física da criança o
permitir, deve ser usada preferencialmente a técnica de compressão com os 2
polegares. Neste caso, um dos reanimadores efetua compressões e o outro as
insuflações, da seguinte forma:
O reanimador que efetua as compressões pode estar
colocado aos pés do lactente ou ao lado, e coloca os
dois polegares lado a lado sobre a metade inferior do
esterno, com a ponta apontando para a cabeça.
Se o lactente é muito pequeno poderá ser necessário
sobrepor os dois polegares de forma a não comprimir sobre as costelas. As mãos do
reanimador devem envolver o tórax do lactente e apoiar o dorso;
O reanimador que efetua as insuflações deve estar posicionado à cabeça do lactente e
efetuar duas insuflações após cada série de 15 compressões.

Compressões Torácicas – CRIANÇA


Nas crianças maiores, o reanimador deve posicionar-se ao lado da criança, e, usando as
referências anatómicas mencionadas anteriormente, coloca a base de
uma mão na metade inferior do esterno (um dedo acima do apêndice
xifóide).
Deve levantar os dedos de forma a que só a base da mão faça pressão,
para não comprimir as costelas.
De seguida, mantendo o braço esticado, sem fletir o cotovelo, pressiona
o tórax cerca de um terço da sua altura (5 cm na criança), usando o peso do seu corpo.
Após cada 15 compressões, o reanimador permeabiliza a via aérea e efetua duas
insuflações, mantendo esta relação de 15:2 sucessivamente.

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Não deve ser apenas a idade da criança a determinar a técnica de


compressões a aplicar.
Nas crianças maiores poderá ser necessário usar o mesmo método
do adulto, ou seja, usando as duas mãos entrelaçadas (a segunda
mão colocada sobre a primeira, com os dedos entrelaçados e
afastados da parede torácica).
Esta técnica pode ser também utilizada quando o reanimador for pequeno. Nestes casos
é usada também a relação compressões insuflações 15:2.
LIGAR 112
Caso esteja presente apenas um reanimador devem ser mantidas as manobras de SBV
durante 1 minuto (5 ciclos da sequência de 15 compressões e 2 insuflações) e só depois,
se ainda estiver sozinho, deverá ligar 112. Se estiver sozinho, pode ser utlizado um
telemóvel em alta voz, enquanto mantém o SBV.
Se estiverem presentes dois reanimadores deve confirmar que o 112 foi ativado e
manter SBV na mesma sequência de compressões/insuflações (15:2).

REAVALIAÇÃO
Se, para ligar 112, tiver que se deslocar do sítio onde se encontra a criança/lactente, mas
esta for suficientemente pequena para ser transportada ao colo, deve levá-la consigo
para manter manobras de SBV durante esse período de tempo.
Após o pedido de ajuda para o 112 apenas deverá reavaliar o lactente ou a criança se,
quando a deixou para pedir ajuda, ela apresentava sinais que, entretanto, pudessem
ter-se deteriorado (como a existência de respiração normal ou outros sinais de vida).
Caso contrário deve reiniciar de imediato as compressões torácicas seguidas de
ventilações.
As manobras de Suporte Básico de Vida SÓ podem ser INTERROMPIDAS SE:
▪ CHEGAR AJUDA DIFERENCIADA
▪ A CRIANÇA RECUPERAR SINAIS DE VIDA
▪ (choro, tosse, respiração, abertura ou movimento dos olhos)
▪ EXAUSTÃO DO REANIMADOR

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EXCEÇÃO - A única exceção em que não se realiza um minuto de SBV antes de pedir
ajuda é o caso duma criança que colapsa subitamente perante o reanimador, e este se
encontra sozinho com a vítima. Neste caso a causa provável da paragem
cardiorrespiratória é uma arritmia e a criança pode necessitar de desfibrilhação.

ALGORITMOS SUPORTE BÁSICO DE VIDA


Avaliar as condições de Segurança

Avaliação Estado de consciência: “Estás bem?”/Choro

Não responde : GRITAR POR AJUDA

PAV+VOS – 10 seg

RESPIRA

PLS

112

Avaliar as condições de Segurança

Avaliação Estado de consciência: “Estás bem?”/Choro

Não responde : GRITAR POR AJUDA

PAV+VOS – 10 seg

NÃO RESPIRA

5 INSUFLAÇÕES

Pesquisa de
sinais de vida

1 min SBV

SBV: 15:2

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Entrada do segundo elemento


Se estiverem presentes dois elementos com treino em SBV, quando o elemento que foi
efetuar o pedido de ajuda diferenciada regressar, deve entrar para as compressões
torácicas, aproveitando o tempo em que o primeiro elemento efetua as 2 insuflações
para localizar o ponto onde deverá fazer as compressões. Deste modo reduzem-se as
perdas de tempo desnecessárias.
Deve iniciar as compressões logo que esteja feita a segunda insuflação, aguardando
apenas que o outro reanimador se afaste, não esperando que a expiração se complete
passivamente.
As mãos devem ser mantidas sempre em contacto com o tórax, mesmo durante a fase
das insuflações.
Deverá ter o cuidado, nesta fase, de não exercer qualquer pressão, caso contrário
aumenta a resistência à insuflação de ar, a ventilação não é eficaz e ocorre insuflação
gástrica com a consequente regurgitação.
O reanimador que está a fazer as insuflações deverá preparar-se para iniciar as mesmas
logo após a 15ª compressão, com o mínimo de perda de tempo possível.
Isto requer treino para que não haja perda de tempo mas sem prejuízo da correta
execução das manobras.

Troca de Reanimadores
A necessidade de efetuar compressões ‘com força e rápidas’ leva naturalmente à fadiga
do reanimador, pelo que se torna necessário trocar. A troca deve ser efetuada perdendo
o menos tempo possível a cada 2 minutos. O reanimador que está a fazer as
compressões deve anunciar (ex: durante as insuflações) que pretende trocar no final da
próxima série de 15 compressões.
Durante essa série de 15 compressões o reanimador que estava a fazer as insuflações
preparara-se para passar a fazer compressões. Logo que complete a série de 15
compressões o mesmo reanimador deve efetuar de seguida as duas insuflações.
Durante esse período o outro reanimador localiza o ponto de apoio das mãos, para que
uma vez terminada a segunda insuflação possa fazer de imediato compressões.

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Reavaliação da vítima:
Nas situações de PCR só deve interromper as manobras de SBV, para reavaliação da
vítima, caso esta apresente algum sinal de vida: respiração normal, tosse, presença de
movimentos ou abertura dos olhos.
Nesse caso o reanimador deve confirmar a presença de respiração normal, efetuando o
VOS.

PROBLEMAS ASSOCIADOS AO SBV


PROBLEMAS COM A VENTILAÇÃO
O principal problema que pode ocorrer com a ventilação é a insuflação de ar para o
estômago, que pode provocar a saída do conteúdo do mesmo para a via aérea, provocar
a elevação do diafragma que restringe os movimentos respiratórios tornando a
ventilação menos eficaz.
Fazer insuflações com grande quantidade de ar, com grande velocidade e durante um
curto período de tempo facilita a ocorrência de insuflação gástrica. Se detetada, não
deve tentar resolver-se comprimindo o estômago, dado que apenas estará a causar
regurgitação do conteúdo do mesmo.
No caso de vítimas desconhecidas e na ausência de algum mecanismo de barreira para
efetuar as insuflações, não deverá efetuar ventilação boca-a-boca.
Neste caso é preferível efetuar apenas compressões torácicas, a um ritmo de 100 a
120/min, que não efetuar nenhum SBV.

PROBLEMAS COM AS COMPRESSÕES


As compressões torácicas, mesmo quando corretamente executadas, conseguem gerar
apenas aproximadamente 25 % do débito cardíaco normal.
Efetuá-las obliquamente em relação ao tórax pode fazer rolar a vítima e diminui a sua
eficácia. É também importante que o tórax descomprima totalmente após cada
compressão para permitir o retorno de sangue ao coração antes da próxima compressão
e otimizar o débito cardíaco.
As compressões torácicas podem causar fratura de articulações condro-costais
(articulação das costelas com o esterno), lesão de órgãos internos, rotura do pulmão, do

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coração ou do fígado. Este risco é minimizado, mas não totalmente abolido, pela correta
execução das compressões.
A preocupação com as potenciais complicações do SBV não deve impedir o reanimador
de iniciar prontamente as manobras de SBV dado que, no caso de uma vítima em
paragem cardio-respiratória, a alternativa ao SBV é a morte.

7 ATITUDES E PRIMEIROS SOCORROS FACE A SITUAÇÕES ESPECIFICAS

7.1 DESMAIO E LIPOTÍMIA

Lipotimia: É a perda de força muscular, porém sem perda de consciência, com integral
conservação das funções respiratória e cardíaca. A lipotimia é o primeiro grau de síncope: é
acompanhada de palidez, suores frios, vertigens, zumbidos nos ouvidos, sendo que a pessoa
tem a impressão angustiante de que vai desmaiar.

Desmaio: É provocado por falta de oxigénio no cérebro, à qual o organismo reage de forma
automática, com perda de consciência e queda brusca e desamparada do corpo. Normalmente,
o desmaio dura 2 a 3 minutos e tem diversas causas: excesso de calor, fadiga, jejum prolongado,
permanência de pé durante muito tempo, etc.

O QUE FAZER
Se a vítima ainda estiver consciente devemos posicioná-la com a cabeça entre os joelhos.
Se a vítima estiver inconsciente devemos coloca-la em PLS com as pernas ligeiramente elevadas.
▪ Desapertar quaisquer peças de roupas justas no pescoço, peito e cintura, para auxiliar a
circulação e a ventilação;
▪ Certificar que a vítima tem bastante ar fresco para respirar.
▪ Sossegar a vítima quando esta recuperar a consciência.
▪ Levantar gradualmente até a sentar
▪ Examinar a vítima e socorrer qualquer lesão que possa ter feito ao cair;
▪ Verificar os níveis de consciência de 10 em 10 minutos.
▪ Não ministrar nada à vítima, por via oral, até que esta tenha recuperado totalmente a
consciência. Nessa altura dar apenas pequenos goles de água. Nunca dar bebidas
alcoólicas.

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7.2 ESTADO DE CHOQUE


O estado de choque caracteriza-se por insuficiência circulatória aguda com deficiente
oxigenação dos órgãos vitais. As causas podem ser muito variadas: traumatismo externo ou
interno, perfuração súbita de órgãos, emoção, frio, queimadura, intervenções cirúrgicas, etc.
Todo o acidentado pode entrar em estado de choque, progressiva e insidiosamente, nos
minutos ou horas que se seguem ao acidente. Não tratado, o estado de choque pode conduzir
à morte.

SINAIS E SINTOMAS
• Palidez.
• Olhos mortiços.
• Suores frios.
• Prostração.
• Náuseas.

Num estado de agravamento:


• Pulso fraco.
• Respiração superficial.
• Inconsciência.

É uma situação muito grave e que só as medidas de suporte básico serão


manifestamente insuficientes, por isso a ativação do SIEM é a prioridade.
Atuar como na situação anterior.

7.3 ENREGELAMENTO
Resulta da exposição excessiva ao frio, que pode levar a consequências graves se o tempo de
exposição for prolongado. Estas situações fazem-se acompanhar de sintomas como arrepios,
perda de sensibilidade e sensação de formigueiro nas extremidades, cãibras, dor intensa nas
zonas enregeladas, estado de choque e coma.
▪ Dependendo do estado da vitima, devemos:
▪ incentivar a reativação da circulação, fazendo com que a criança movimente
os pés e as mãos.
▪ Devemos tentar aquecê-la e oferecer bebidas quentes e açucaradas.
▪ Se a vitima estiver em estado de choque, devemos chamar de imediato o 112
para ser transportada de imediato para o hospital.

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▪ Não devemos mexer em membros que estejam congelados, nem iniciar o
processo de aquecimento com um banho quente!

7.4 CRISE DE HIPOGLICEMIA


A diabetes é uma doença crónica caracterizada pelo aumento dos níveis de açúcar no
sangue. Esta doença resulta de um deficiente funcionamento do pâncreas e da
capacidade do nosso organismo usar a glicose (açúcar).
A complicação mais grave e frequente do diabético é a crise de HIPOGLICEMIA (baixa de
açúcar no sangue).

SINAIS E SINTOMAS
▪ Palidez, suores, tremores das mãos.
▪ Fome intensa.
▪ Confusão mental, raciocínio lento, bocejos repetidos, expressão apática,
“apalermada”.
▪ Voz entaramelada.
▪ Alterações de humor: irritabilidade, agressividade, “rabujice”, teimosia, apatia.
▪ Palpitações, pulso rápido.
▪ Perda da fala e dos movimentos ativos.
▪ Desmaio, convulsão, coma.

O QUE FAZER
▪ Lidar com a pessoa com calma (habitualmente há rejeição e teimosia em relação
ao que lhe é proposto).
▪ Dar açúcar:
– 1 colher de sopa cheia ou 2 pacotes de açúcar (10 a 15 g).
▪ Aguardar 2-3 minutos e repetir a operação até melhoria dos sintomas.
▪ Determinar, se possível, uma glicemia capilar com o kit individual que
habitualmente as pessoas diabéticas transportam consigo.
▪ Após melhoria (mais ou menos 10 a 15 minutos), dar hidratos de carbono de
absorção lenta (pão de mistura, bolachas de água e sal ou integrais, ou tostas)

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Hipoglicemia Grave
SINAIS E SINTOMAS
▪ Vítima com alterações de consciência.
▪ Deitar a vítima em Posição Lateral de Segurança
▪ Fazer uma papa de açúcar e colocá-la no interior da bochecha.
▪ Se a vítima não recuperar, chamar o 112.

O QUE NÃO DEVE FAZER


• Deixar a vítima sozinha.
• Dar líquidos açucarados à vítima com alterações de consciência

7.5 CONVULSÃO
Uma convulsão é a resposta a uma descarga elétrica anormal no cérebro.
SINAIS E SINTOMAS
• Face arroxeada.
• Movimentos bruscos e descontrolados da cabeça e/ou extremidades.
• Perda de consciência, com queda desamparada.
• Olhar vago, fixo e/ou “revirar dos olhos”(precede os anteriores).
• Aumento da produção de saliva.
• Perda de urina e/ou fezes.

O QUE FAZER
▪ Afastar todos os objetos onde a vítima se possa magoar e amparar-lhe a cabeça
com a mão ou com um objeto macio (camisola, toalha).
▪ Desapertar a roupa à volta do pescoço e lateralizar a cabeça devido à sialorreia.
▪ Tornar o ambiente calmo, afastando os curiosos. Reduzir a luz e o som porque
pode estimular os sintomas.
▪ Anotar a duração da convulsão, se houve perda de controlo de esfíncteres,
estado de consciência e características dos movimentos.
▪ Acabada a fase de movimentos bruscos, colocar a vítima na Posição Lateral de
Segurança
▪ Manter a vítima num ambiente tranquilo e confortável.
▪ Enviar a vítima ao Hospital sempre que:

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– for a primeira convulsão;
– durar mais de 8 minutos;
– se repetir.
Depois da crise convulsiva, é normal as pessoas sentirem fadiga pelo que não é perigoso
esta dormir enquanto não chegam os bombeiros. É importante não dar medicamentos
porque o reflexo de engolir (deglutição) pode não estar recuperado e a criança engasgar-
se.

Convulsão Febril
É uma convulsão que surge numa criança saudável, entre os 6 meses e os 6 anos de
idade, no início de uma doença febril. São na maioria dos casos breves e embora
pareçam durar “uma eternidade”, frequentemente param sem qualquer intervenção.
Cerca de uma em cada 20 crianças (5 %) têm convulsões acompanhadas de febre.
Acontecem por uma tendência familiar, a idade mais jovem da criança, a subida rápida
da temperatura num cérebro imaturo. Muitas vezes os pais desconhecem que existe um
familiar com convulsões febris. Os avós são na maioria das vezes a fonte mais
importante de informação.
O sistema nervoso central da criança pequena é mais vulnerável a uma subida rápida
temperatura, existe uma maior excitabilidade, pelo que podem mais facilmente iniciar
uma ativação excessiva e sincronizada de um circuito de neurónios.

O QUE FAZER
▪ O mais difícil e o mais importante é não entrar em pânico.
▪ Anotar as horas em que começou e terminou.
▪ Não deve colocar nada na boca da criança.
▪ Deitar a criança de lado, num local seguro onde ela não se possa magoar.
▪ Despir a criança e reduzir a temperatura ambiente.
▪ Baixe a temperatura com paracetamol (até de 4/4 h ou ibuprofeno até de 6/6h)
ou panos de água tépida colocados no corpo despido.
▪ Se não for a primeira convulsão, os pais já devem ter em casa clisteres de
Diazepam (Stesolid-R), um medicamento que se utiliza para parar a convulsão.
▪ A administração é rectal e a dose depende do peso da criança:

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▪ Peso inferior a 5Kg: 2,5 mg
▪ Peso entre 5 a 10Kg: 5 mg
▪ Peso superior a 20Kg: 10 mg

Na primeira convulsão febril deve sempre dirigir-se a um Serviço de Urgência para uma
avaliação cuidadosa da situação. Habitualmente é necessário ficar em observação
durante algumas horas. Se não for a primeira convulsão, e se a criança acordar bem,
pode não ser preciso recorrer à Urgência Hospitalar, mas deve consultar o seu médico
para averiguar e tratar a causa da febre.

7.6 CRISE ASMÁTICA


A asma é uma doença respiratória que pode ser desencadeada por fatores como uma
reação alérgica ou uma infeção, surgindo de um modo súbito.

SINAIS E SINTOMAS
▪ Tosse seca e repetitiva.
▪ Dificuldade em respirar.
▪ Respiração sibilante, audível, ruidosa (“pieira” e/ou “farfalheira”).
▪ Sensação de falta de ar.
▪ Comportamento agitado.
▪ Respiração rápida e difícil.
▪ Pulso rápido, palidez e suores.
▪ Prostração, apatia (“ar parado”).
▪ Cianose
▪ Fala entrecortada
▪ Dificuldade em alimentar-se

Procedimentos Comuns:
▪ Manter um ambiente calmo em redor da criança;
▪ Acalmar a criança
▪ Manter a criança sentada sem que esta faça qualquer esforço;

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▪ Ajudar a criança a respirar, pedindo a este que expire devagar e pela boca e
inspire pelo nariz (como se estivesse a cheirar uma flor e a apagar uma vela);
▪ Ligar 112 e transmitir a informação recolhida
▪ Aguardar pelo socorro.

8 MEDICAMENTOS

FEBRE
A febre é, na grande maioria dos casos, a resposta do organismo a uma situação
infeciosa benigna de curta duração. Tanto as infeções virais (“viroses”) como as
bacterianas podem originar febre. Cerca de 80% das infeções comuns nas crianças são
causadas por vírus, não tendo qualquer interesse o uso do antibiótico nestas situações.
Deve sempre medir a temperatura com um termómetro e não apenas com a mão. Pode
medir-se na axila, na virilha, no ânus (em bebés) com termómetro digital (mais fiável)
ou no ouvido (termómetro timpânico).

T.Axilar > 37,6ºC


A importância de baixar a temperatura é proporcionar o conforto. É importante tentar
baixar a temperatura antes de se dirigir ao médico.
Para tentar diminuir a temperatura, administrar um antipirético:
▪ Paracetamol oral ou rectal de 8/8h ou se necessário até 6/6h.
▪ Ibuprofeno deve ser dado apenas se não se conseguir controlar a febre com o
paracetamol.
A administração intercalada de paracetamol e ibuprofeno, por rotina, é uma medida
sem justificação científica. Por rotina deve praticar-se a monoterapia antipirética.

É importante:
• Não agasalhar a criança, mantendo-a fresca, com roupas leves (o “tremor de
frio” ou “arrepio” é sinal de subida da temperatura).
▪ Dar um banho de imersão em água morna.
▪ Reforçar a ingestão de líquidos.

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SINAIS DE ALARME
▪ Se a criança ficar prostrada mesmo quando a febre baixa;
▪ se aparecem manchas na pele;
▪ se tiver falta de ar;
▪ se vomitar repetidamente → recorrer ao Serviço de Urgência.
Caso contrário, pode aguardar sob medicação e se a febre não ceder ao fim de 3 dias aí
deve ser observada pelo médico.
Os bebés até aos 3 meses de idade, com febre, devem ser observados de imediato.

Paracetamol - 15 mg por cada kg de peso (8/8h ou 6/6h)

Ibuprofeno - 5 a 7mg por cada kg de peso (8/8h)

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DIARREIA E VÓMITOS
A diarreia aguda é uma doença na maioria dos casos benigna com resolução ao fim de
5-7 dias. A principal preocupação é manter a criança hidratada.
Os vómitos na criança podem aparecer no decurso de várias doenças sem que isso
signifique gravidade. Mais frequentemente são uma das manifestações de uma
gastroenterite aguda, doença infeciosa do aparelho digestivo, habitualmente benigna.
Se a criança não quiser comer não forçar, pois o apetite voltará à medida que a doença
se resolver. O importante é que consiga beber líquidos.
Nas primeiras horas:
▪ Oferecer frequentemente líquidos em pequenas quantidades de cada vez - soro
de reidratação oral (p.e. Dioralite®, Bioral Suero®, Miltina electrolit®) ou chá
açucarado.
▪ Se a criança estiver a vomitar, fazer uma pausa alimentar de 30 minutos logo
após o vómito e depois oferecer líquidos em pequenas quantidades- um golo
ou uma colher de chá de 5/5 min.
▪ Se está a fazer amamentação, esta deve manter-se.
Quando a criança referir fome, após tolerar líquidos, oferecer:
▪ Iogurte e 2 bolachas maria/pão torrado
▪ Papa de arroz
▪ Sopa de cenoura/ canja de galinha sem gordura
▪ Maçã ou pêra cozida ou assada e banana madura
▪ Arroz branco com carne/peixe cozido ou grelhado

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Recorrer ao Centro de Saúde ou Hospital se a criança:
▪ Apresentar vómitos persistentes e não tolerar os líquidos oferecidos
▪ Estiver prostrada ou muito queixosa
▪ Apresentar sinais de desidratação:
▪ Olhos encovados
▪ Boca seca
▪ Deixar de urinar / choro sem lágrima

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CONCLUSÃO

As crianças podem ser um alvo fácil no que concerne a acidentes. Por isso, estar
preparado para tomar as primeiras atitudes em determinadas circunstâncias pode ser
importante.
Sempre que nos sintamos incapazes ou com dúvidas devemos sempre ligar ao 112 para
que tenhamos assistência e ajuda especializada.
A vertente emocional é dos aspetos mais importantes a cuidar quando lidamos com as
crianças. Mais do que rapidez no tratamento do problema, devemos zelar pela
tranquilização da criança, e pela sua proteção e aconchego.
Espero que estes conhecimentos tenham sido úteis para enriquecer o vosso leque face
aos primeiros socorros a prestar em algumas situações de emergência que podem
ocorrer no nosso quotidiano.

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BIBLIOGRAFIA

• Manual de Suporte Básico de Vida Pediátrico – INEM – versão 3.0, 2017


• AA VV. Emergências médicas: Manual TAS, Ed. INEM, 2012
• Informação técnica 02/2010 - Emergência e Primeiros Socorros em Saúde Ocupacional,
Ed. Direcção-Geral da Saúde: Programa Nacional de Saúde Ocupacional, 2010
• AA VV. Suporte básico de vida: Manual TAS, Ed. INEM, 2012
• Alves, Ana Paula et al. Noções de Saúde: Manual do Formando, Projeto Delfim, GICEA -
Gabinete de Gestão de Iniciativas Comunitárias do Emprego, 2000

Sites consultados

Conselho Português de Ressuscitação


http://www.cpressuscitacao.pt

Conselho Europeu de Ressuscitação


https://www.erc.edu

Autoridade Nacional de Proteção Civil


http://www.prociv.pt

INEM – Instituto Nacional de Emergência Média


http://www.inem.pt

Sociedade Portuguesa de Pediatria


http://www.spp.pt

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