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INFORMATIVOS TCU

Informativo de Licitações e Contratos nº 271 - Exigências relativas ao tempo de formação acadêmica e de experiência
profissional somente são aceitáveis como requisito de habilitação em licitações se acompanhadas de justificativa expressa,
no instrumento convocatório, que demonstre a imprescindibilidade de tais condições à execução do objeto.

Representação formulada por sociedade empresária questionara possível restrição à competitividade em licitação realizada
pela Associação Pró-Gestão das Águas da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (Agevap) para a contratação de
empresa especializada na elaboração de gestão integrada de resíduos sólidos, face à exigência de equipe multidisciplinar,
contando com a participação, entre outros profissionais, de engenheiro especialista na área de resíduos com quinze anos de
experiência e de advogado na área de resíduos com cinco anos de experiência. Sobre o assunto, anotou a unidade técnica
especializada que “a jurisprudência deste Tribunal indica que a exigência de requisitos profissionais baseados
exclusivamente na formação e no tempo de experiência dos profissionais, salvo quando tais características revelarem-se
imprescindíveis à execução do objeto, configura medida de caráter restritivo, devendo os motivos das exigências serem
tecnicamente justificados de forma expressa no processo licitatório, assegurando-se de que os parâmetros fixados são
necessários, suficientes e pertinentes ao objeto licitado”. Analisando o ponto, corroborou o relator as conclusões da unidade
técnica, em especial por presumir, dentre outros aspectos, “cabível a exigência de tempo de formação e experiência na área
de resíduos sólidos, já que as características requeridas revelam-se imprescindíveis à execução do objeto, uma vez que se
trata de projeto complexo, compreendendo períodos de consecução de curto a longo prazo, para o qual exige-se
conhecimento técnico especializado na área”. Nada obstante, concluiu o relator assistir “razão à unidade técnica, contudo,
no que diz respeito à necessidade de a Agevap fazer constar, em futuros editais de licitação, os motivos tecnicamente
justificados para a contratação de equipe qualificada e experiente, que venha a atender efetivamente aos objetivos traçados,
fato que não se observou no âmbito da Coleta de Preços nº 22/2014”. Nesses termos, acolheu o Plenário a proposta da
relatoria para considerar parcialmente procedente a representação e determinar à Agevap que “nas próximas licitações, ao
especificar os requisitos de habilitação da equipe técnica das licitantes, justifique, de forma expressa, no instrumento
convocatório, os motivos das exigências de tempo de formação acadêmica e experiência profissional, desde que tais
condições se revelem imprescindíveis à execução do objeto, assegurando-se de que os parâmetros fixados são necessários,
suficientes e pertinentes ao objeto licitado”. Acórdão 3356/2015-Plenário, TC 020.738/2015-3, relator Ministro-Substituto
André Luís de Carvalho, 9.12.2015.

Informativo de Licitações e Contratos nº 272 – É irregular a contratação emergencial por dispensa de licitação (art. 24,
inciso IV, da Lei 8.666/93) quando a interdição do acesso à edificação com problema estrutural for suficiente para a
eliminação do risco e, consequentemente, da situação emergencial.

O Plenário do TCU apreciou Recurso de Revisão interposto em face de acórdão que aplicara multa em razão da elaboração
de parecer pela dispensa indevida de licitação para reforma de estádio de futebol, custeada parcialmente com recursos
federais. Na espécie, os recorrentes haviam sido penalizados por terem produzido pareceres no sentido de autorizar a
dispensa de licitação da obra, sem que estivessem presentes os requisitos previstos no art. 24, inciso IV, da Lei 8.666/93,
relativos à situação emergencial. A questão posta no apelo, portanto, referia-se à subsistência ou não da responsabilidade
dos recorrentes, em relação à dispensa indevida de licitação. Nos dizeres do relator, “uma situação emergencial justificadora
da dispensa de licitação só se caracteriza se restar demonstrado que a contratação direta é o único meio adequado,
necessário e efetivo de eliminar iminente risco de dano ou o comprometimento de segurança”. No caso em exame, entretanto,
o relator observou que “seguindo recomendações técnicas” constantes dos próprios autos, “bastaria que o estádio fosse
interditado ao público, para que o iminente risco de dano e, consequentemente, a situação emergencial fossem afastados,
possibilitando tempo suficiente para que o procedimento licitatório fosse planejado e realizado. A existência de graves
problemas estruturais, por si só, não autoriza a contratação direta”. Por fim, demonstrados indícios suficientes de existência
de nexo causal entre os atos praticados e a dispensa indevida de licitação, o relator votou pela negativa de provimento ao
recurso, sendo seguido pelos demais ministros. Acórdão 27/2016 Plenário, Recurso de Revisão, Relator Ministro Raimundo
Carreiro.

Informativo de Licitações e Contratos nº 272 - A indicação de marca no edital deve estar amparada em razões de ordem
técnica, de forma motivada e documentada, que demonstrem ser aquela marca específica a única capaz de satisfazer
o interesse público.

Representação formulada por sociedade empresária questionara a regularidade de pregão eletrônico conduzido pelo
Departamento de Logística em Saúde do Ministério da Saúde (DLOG/MS), destinado ao registro de preços para a
aquisição de equipamentos hospitalares. Segundo a representante, para o módulo de oximetria de pulso fora exigida
tecnologia afeta a fabricantes específicos, sem qualquer laudo, parecer ou respaldo técnico, o que teria restringido o
caráter competitivo do certame. Analisando o ponto, registrou o relator, preliminarmente, que as marcas desejadas
para o módulo de oximetria de pulso foram, de fato, requeridas no termo de referência anexo ao edital e que a
representante tivera sua proposta desclassificada, bem como recurso negado, face ao não atendimento àquela
exigência editalícia. No mérito, registrou o relator que “na legislação de regência, a regra é a vedação à indicação
de marca (arts. 15, § 7º, inciso I, e 25, inciso I, da Lei 8.666/1993), excepcionada apenas nos casos em que for
tecnicamente justificável (art. 7º, § 5º, da Lei 8.666/1993)”, entendimento, aliás, já assentado pelo TCU mediante a
Súmula 270, segundo a qual “em licitações referentes a compras, inclusive de softwares, é possível a indicação de
marca, desde que seja estritamente necessária para atender exigências de padronização e que haja prévia justificação
”. Nesse caso, relembrou o relator, com espeque em outra deliberação de sua relatoria, que “a vedação à indicação
de marca (arts. 15, § 7º, inciso I, e 25, inciso I, da Lei 8.666/1993) não se confunde com a menção à marca de referência,
que deriva da necessidade de caracterizar/descrever de forma adequada, sucinta e clara o objeto da licitação (arts. 14,
38, caput, e 40, inciso I, da mesma Lei). A diferença básica entre os dois institutos é que o primeiro (excepcionado pelo
art. 7º, § 5º, da Lei 8.666/1993), admite a realização de licitação de objeto sem similaridade nos casos em que for
tecnicamente justificável, ao passo que o segundo é empregado meramente como forma de melhor identificar o objeto
da licitação, impondo-se a aceitação de objeto similar à marca de referência mencionada” (Acórdão 2.829/2015
Plenário). Nesse passo, prosseguiu, para mitigar o risco de direcionamento da licitação, “é indispensável que o órgão
licitante, caso realize a indicação de marca específica no edital, observe a impessoalidade e, logo, esteja amparada em
razões de ordem técnica, motivada e documentada, demonstrando que somente a adoção daquela marca específica
pode satisfazer o interesse da Administração”. Por fim, tendo em vista que o DLOG/MS não apresentara
fundamentação técnica, laudo ou estudo que comprovasse a necessidade de exigir as tecnologias indicadas no edital,
inferiu o relator que “o órgão realizou indicação expressa de marca específica, sem, todavia, ter sido apresentada a
correspondente justificativa técnica, o que não pode ser convalidado por esta Corte”. Nesses termos, acolheu o
Tribunal a proposta da relatoria, para considerar procedente a Representação, assinando prazo para que o DLOG/MS
“adote as providências necessárias no sentido de, exclusivamente em relação ao item 17 do pregão eletrônico SRP
12/2015, anular o procedimento licitatório, a ata de registro de preço e eventuais contratos, em razão de cláusula
restritiva ao caráter competitivo do certame, evidenciada pela indicação de marcas específicas sem a correspondente
justificativa técnica, contrariando os arts. 3º, caput e § 1º, 7º, § 5º, 15, § 7º, inciso I, e 25, inciso I, da Lei 8.666/1993,
o Enunciado 270 da Súmula de Jurisprudência do TCU e a jurisprudência do TCU”. Acórdão 113/2016 Plenário,
Representação, Relator Ministro Bruno Dantas.

Informativo de Licitações e Contratos nº 272 - Permite-se menção a marca de referência no edital, como forma ou
parâmetro de qualidade para facilitar a descrição do objeto, caso em que se deve necessariamente acrescentar expressões
do tipo “ou equivalente”, “ou similar”, “ou de melhor qualidade”, podendo a Administração exigir que a empresa
participante do certame demonstre desempenho, qualidade e produtividade compatíveis com a marca de referência
mencionada.

Ainda na Representação acerca de possível restrição à competitividade em pregão eletrônico para a aquisição de
equipamentos hospitalares, conduzido pelo Departamento de Logística em Saúde do Ministério da Saúde (DLOG/MS),
face à exigência editalícia de marcas específicas para o módulo de oximetria de pulso, anotou o relator ser possível
“haver menção a uma marca de referência no ato convocatório como forma ou parâmetro de qualidade do objeto
simplesmente para facilitar a sua descrição”. Nesses casos, registrou, “deve-se necessariamente acrescentar
expressões do tipo ‘ou equivalente’, ‘ou similar’ e ‘ou de melhor qualidade’”. Tal obrigatoriedade, prosseguiu, “tem
por fundamento a possibilidade de existir outros produtos, até então desconhecidos, que apresentem características
iguais ou mesmo melhores do que o produto referido no edital, podendo a Administração exigir que a empresa
participante do certame demonstre desempenho, qualidade e produtividade compatível com a marca de referência
mencionada”. No caso em exame, ponderou o relator, “é até verossímil que tenha sido necessário mencionar tais
marcas como referência, pois trata-se de modelos consolidados no mercado”. Para tanto, inobstante, “seria necessário
acrescentar expressões do tipo ‘ou equivalente’, ‘ou similar’ e ‘ou de melhor qualidade’”. Consequentemente, concluiu,
“por existirem outras tecnologias que se propõem às mesmas funções, a especificação do objeto deveria ter ocorrido
sem a indicação de marca específica, salvo nos casos em que for tecnicamente justificável, o que, repita-se, não resta
demonstrado nestes autos”. Nesses termos, acolheu o Tribunal a proposta da relatoria, para considerar procedente a
Representação, assinando prazo para que o DLOG/MS “adote as providências necessárias no sentido de,
exclusivamente em relação ao item 17 do pregão eletrônico SRP 12/2015, anular o procedimento licitatório, a ata de
registro de preço e eventuais contratos, em razão de cláusula restritiva ao caráter competitivo do certame, evidenciada
pela indicação de marcas específicas sem a correspondente justificativa técnica, contrariando os arts. 3º, caput e § 1º,
7º, § 5º, 15, § 7º, inciso I, e 25, inciso I, da Lei 8.666/1993, o Enunciado 270 da Súmula de Jurisprudência do TCU e a
jurisprudência do TCU”. Acórdão 113/2016 Plenário, Representação, Relator Ministro Bruno Dantas.

Informativo de Licitações e Contratos nº 272 - Em regra a prorrogação do contrato administrativo deve ser
efetuada antes do término do prazo de vigência, mediante termo aditivo, para que não se opere a extinção
do ajuste. Entretanto, excepcionalmente e para evitar prejuízo ao interesse público, nos contratos de
escopo, diante da inércia do agente em formalizar tempestivamente o devido aditamento, é possível
considerar os períodos de paralisação das obras por iniciativa da Administração contratante como períodos
de suspensão da contagem do prazo de vigência do ajuste.

Auditoria realizada em junho de 2015 verificara a aplicação de recursos federais repassados mediante convênio pelo
Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) à Secretaria de Educação do Estado do Tocantins
(Seduc/TO) para a construção de dezenove escolas. A unidade técnica do TCU promoveu oitiva prévia da secretaria e
das empresas contratadas para a execução das obras, tendo em vista a suspeita de uso de recursos federais no
pagamento de despesas de contratos que se encontrariam com validade expirada. De acordo com a unidade técnica, o
órgão estadual teria realizado aditamentos e rescisões em contratos que já estariam extintos por decurso de prazo,
assim como aditamentos antes do término da vigência dos contratos, com a contagem dos prazos prorrogados se
iniciando a partir da data de assinatura dos respectivos termos aditivos, além de suspensões na contagem dos prazos
de vigência de todos os contratos, correspondentes aos períodos de paralisação na execução das obras, sem que
houvesse previsão nos respectivos termos contratuais. Nos dizeres do relator, “a jurisprudência desta Corte de Contas
se consolidou ao longo do tempo no sentido de considerar irregular o aditamento feito após o término da vigência
contratual, ainda que amparado em um dos motivos do art. 57, § 1º, da Lei nº 8.666, de 1993, uma vez que o contrato
original estaria formalmente extinto, de sorte que não seria juridicamente cabível a sua prorrogação ou a continuidade
da sua execução”. Lembrou que a Lei 8.666/93 “permite a prorrogação do contrato nas situações em que a contratante
determina a paralisação da obra, autorizando, inclusive, a prorrogação do cronograma de execução, por igual período,
contudo, tal previsão não dispensa a formalização do aditamento, a fim de ajustar os prazos de conclusão das etapas
e de entrega da obra”. Entretanto, asseverou o relator que “nos chamados contratos por escopo (em que o objeto
consistiria na obtenção de um bem ou na construção de uma obra), o prazo de execução só seria extinto quando o
objeto fosse definitivamente entregue à administração e as demais obrigações fixadas no ajuste fossem plenamente
satisfeitas, de modo que, inexistindo motivos para rescisão ou anulação, a extinção desse tipo de ajuste somente se
operaria com a conclusão do objeto e com o seu recebimento definitivo pela administração, diferentemente do que
ocorreria nas avenças por tempo determinado (em que o objeto consistiria na prestação de serviços contínuos), nos
quais o prazo constituiria elemento essencial e imprescindível para a consecução ou a eficácia do objeto avençado”.
Considerando tal raciocínio, o relator afirmou que “o TCU tem acolhido, em caráter excepcional, na análise de alguns
casos concretos, a tese de diferenciar os efeitos da extinção do prazo de contratos de obra”. Em todos esses casos, “o
Tribunal identificou a presença de circunstâncias objetivas atenuantes da conduta dos gestores”. Ponderou o ministro
relator que “neste caso concreto também estão presentes algumas dessas circunstâncias pontuadas na jurisprudência
do Tribunal, em especial, o fato de os aditamentos considerados ilegais (posteriores ao término de vigência da avença)
terem decorrido da premissa equivocada do governo estadual no sentido de que os prazos de vigência dos contratos
por escopo seriam prorrogados automaticamente em decorrência dos sucessivos períodos de paralisação, com espeque
nos arts. 57, § 1º, inciso III, e 79, § 5º, da Lei nº 8.666, de 1993, sem a necessidade do tempestivo aditamento”. Com
este raciocínio, concluiu que, para o caso concreto “mostra-se adequada a solução proposta pelo dirigente da unidade
técnica, a fim de autorizar, em caráter excepcional e em sintonia com os precedentes mencionados, a continuidade dos
aludidos contratos, isso porque, como se sabe, a regra é a prorrogação do contrato administrativo mediante a
formalização do respectivo termo aditivo, antes do término do prazo de vigência do ajuste, já que o aditamento não
pode produzir efeitos retroativos, mas a falta dessa providência tempestiva deve ser analisada sob a ótica do interesse
público, mesmo porque não seria razoável prejudicar a comunidade destinatária do investimento estatal em razão da
inércia do agente em evitar a execução do objeto de inquestionável interesse social sem a devida cobertura contratual
formal”. O relator foi acompanhado pelo Plenário, que proferiu acórdão determinando ao FNDE, em conjunto com o
órgão convenente, a elaboração de plano de ação para o término das obras. Acórdão 127/2016 Plenário, Auditoria,
Relator Ministro-Substituto André de Carvalho.

Informativo de Licitações e Contratos nº 273 - A classificação de proposta com preço superior ao limite admitido
no edital viola o princípio da vinculação ao instrumento convocatório, não descaracterizando tal ilegalidade
a alegação de urgência na contratação.

Representação formulada por empresa licitante noticiara supostas irregularidades praticadas pela Secretaria de Saúde
do Estado do Piauí (Sesapi/PI), no âmbito da licitação RDC Presencial 2/2013, com vistas à contratação integrada de
empresa para a elaboração de projeto básico e executivo e a execução das obras de implantação de unidade hospitalar
(centro de referência) de Picos/PI. Na instrução de mérito, a unidade técnica concluiu que não foram observados os
princípios da publicidade e da vinculação ao instrumento convocatório, bem como as próprias regras estabelecidas
para o certame. O relator anuiu integralmente às considerações da unidade técnica, destacando, em relação à afronta
ao princípio da vinculação ao instrumento convocatório, que a Administração não desclassificou a licitante vencedora
(única participante), cuja proposta, no valor de R$ 104.618.870,05 (posteriormente reduzida para R$ 100.957.209,60),
situava-se flagrantemente acima do valor inicial previsto (R$ 83.884.314,47), embora houvesse regra editalícia que
estabelecia textualmente a desclassificação da proposta que apresentasse preços acima do orçamento estimado.
Destacou também que a majoração do valor contratado veio por acolhimento de sugestão formulada pela própria
licitante, sob a alegação de que, sem o referido acréscimo, o funcionamento do hospital restaria inviabilizado. Diante
da situação, ressaltou o relator a jurisprudência do TCU no sentido de que a Administração Pública deve pautar as
suas ações pela observância ao princípio da vinculação ao instrumento convocatório, de tal modo que as propostas em
desacordo com o instrumento convocatório devem ser desclassificadas. Nessa esteira, observou, concordando com a
análise da unidade técnica, que “se a administração local considerou haver falhas no projeto e no orçamento que ela
mesma elaborou, deveria ter cancelado o certame para, de maneira regular, elaborar e publicar outro edital mais
adequado” e que “ a alegada urgência não pode servir de motivo para que a administração desfigure por completo os
princípios gerais de licitação, até porque as situações reconhecidamente urgentes já recebem tratamento diferenciado
da própria legislação, como, por exemplo, a dispensa de licitação”. De todo modo, considerou também a informação
de que a obra encontrava-se paralisada, tendo a contratada realizado apenas os projetos básicos e executivo, os
serviços preliminares e parte da superestrutura. Por fim, em razão dessa e de outra ilegalidade, pugnou pela parcial
procedência da Representação, determinando-se a anulação do certame e do contrato dele decorrente, proposta à qual
aderiu o Colegiado. Acórdão 649/2016 Segunda Câmara, Representação, Relator Ministro-Substituto André de
Carvalho.

Informativo de Licitações e Contratos nº 274 - Propostas técnicas em desacordo com o projeto básico anexo ao edital
deverão ser desclassificadas, exceto se contiverem erros ou falhas que não alterem a substância das propostas, os quais
poderão ser saneados pela própria comissão de licitação (art. 43, inciso IV e § 3º, e art. 48, inciso I, da Lei 8.666/93).

Representação formulada pelo Procurador-Geral do Ministério Público junto ao TCU, em razão de notícias veiculadas
em 2014 na imprensa, tratara de supostas irregularidades em licitação internacional da Petrobras Transporte S.A.
(Transpetro) para aquisição, com recursos do Fundo da Marinha Mercante, de vinte comboios, constituídos por oitenta
barcaças e vinte empurradores, destinados ao transporte de etanol pela hidrovia Tietê- Paraná. As supostas
irregularidades inicialmente apontadas foram afastadas. Não obstante, a unidade técnica levantou outras duas
questões: os atrasos na entrega dos comboios, decorrentes da complexidade do objeto licitado, e a "não
desclassificação das propostas técnicas em desconformidade com o projeto básico ou devolução das propostas
comerciais com determinação de novo prazo para apresentação das propostas técnicas e comerciais escoimadas dos
vícios apontados". Quanto às propostas desconformes com o edital, a unidade técnica, considerando as circunstâncias
atenuantes da situação em exame, propôs a expedição de determinação à Transpetro nos seguintes termos: "nos
processos licitatórios de grande relevância na modalidade melhor técnica e preço, em prol da elevada competitividade
e de se manter o maior número possível de licitantes, quando houver um grande número de propostas técnicas em
desacordo com o projeto básico, avaliar a oportunidade e conveniência de se abrir novo prazo para apresentação das
propostas escoimadas dos vícios existentes, em respeito aos princípios da vinculação ao instrumento convocatório, da
isonomia aos licitantes, da legalidade, da eficiência e sobretudo da garantia de contratação da proposta mais vantajosa
para a Companhia" . O relator, contudo, discordou da proposição, fundamentado em duas razões: (i) “propostas
técnicas em desacordo com o projeto básico anexo ao edital deverão, a teor dos arts. 43, IV e § 3º, e 48, I, ambos da
Lei 8.666/93, abaixo transcritos, ser desclassificadas, exceto se contiverem erros ou falhas que não alterem a
substância das propostas, os quais poderão ser saneados pela própria comissão de licitação”; e (ii) o art. 48, § 3º, da
Lei 8.666/93, à qual a se submete a Transpetro, conforme a jurisprudência do TCU, exige que todos os licitantes tenham
sido inabilitados ou todas as propostas desclassificadas para que seja fixado prazo para apresentação de novas
documentações ou propostas. Todavia, no caso em deliberação, apesar de não ter ocorrido a necessária
desclassificação da proposta em desacordo com o projeto básico, o relator considerou, no que foi seguido pelo
Tribunal, de extremo rigor chamar em audiência os membros da comissão de licitação, dado o contexto de necessidade
premente de contratação em prazo mais exíguo possível e ante a ausência de comprovação de favorecimento, má-fé ou
outra impropriedade relacionada às suas condutas, mostrando-se suficiente dar ciência da falha à Transpetro. Acórdão
300/2016 Plenário, Representação, Relator Ministro Vital do Rêgo.

Informativo de Licitações e Contratos nº 275 – As sanções de declaração de inidoneidade impostas pelo TCU (art. 46 da Lei
8.443/92) alcançam as licitações e contratações diretas promovidas por estados e municípios cujos objetos sejam custeados
por recursos de transferências voluntárias da União.

O Plenário apreciou processo administrativo que, entre outras questões, discutiu o alcance material dos efeitos da
declaração de inidoneidade proferida pelo TCU, com fundamento no art. 46 da Lei 8.443/92: “Art. 46. Verificada a
ocorrência de fraude comprovada à licitação, o Tribunal declarará a inidoneidade do licitante fraudador para
participar, por até cinco anos, de licitação na Administração Pública Federal”. Segundo o relator, apreensão
superficial do dispositivo pode conduzir ao entendimento de que os procedimentos licitatórios em relação aos quais o
infrator é temporariamente declarado inidôneo seriam somente os promovidos por órgãos e entidades da
Administração Pública Federal, a abranger as unidades subalternas e despersonalizadas da Administração Pública
Direta, bem como aqueles entes vinculados e dotados de personalidade jurídica da Administração Pública Indireta
(Fundações, Autarquias, Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista). Contudo, segundo o relator, é de se
repudiar “leitura estrita da expressão ‘licitação na Administração Pública Federal’, já que a norma sancionadora
abrange todos os processos licitatórios em que agentes públicos de outras unidades federativas atuam como longa
manus da União, na execução de políticas nacionais de alcance local e regional ou em regime de mútua cooperação”.
Ressaltou o relator que, no caso das transferências voluntárias da União, realizadas por meio de convênios, contratos
de repasse, acordos e instrumentos congêneres, a União é a titular da totalidade dos direitos de crédito sobre os
recursos repassados, de maneira que a licitação realizada continua sendo federal e o seu realizador, para todos os
efeitos, responde perante à União, como se dela funcionário fosse, até mesmo para efeitos criminais. Conforme
asseverou, “esse entendimento é o único que se harmoniza com o plexo de competências constitucionais deferidas ao
Controle Externo, de titularidade do Congresso Nacional e exercido com o auxílio desta Corte de Contas”, pois se
insere entre as prerrogativas do controle externo da União a fiscalização da aplicação de recursos repassados
voluntariamente pela União a estados e municípios (artigo 71, inciso VI, da Constituição Federal). Da mesma forma,
pontuou, “no caso de crime, responde o administrador desonesto no âmbito da justiça federal e, não, da justiça
estadual, como no caso de os recursos aplicados serem da titularidade do ente federativo estadual ou municipal”.
Observou, ademais, ser inconcebível que o licitante seja declarado inidôneo pelo TCU, por ter fraudado licitação
promovida por determinado ente da federação ou por agente privado, no âmbito de transferência voluntária da União,
e esse impedimento não se aplique às outras licitações que venham a ser promovidas por esse mesmo convenente em
outros repasses voluntários de recursos federais. Além disso, consignou o relator que a extensão da aplicação da
sanção de declaração de inidoneidade a licitantes de participarem de licitações promovidas por estados e municípios,
realizadas no âmbito de transferências voluntárias da União, também se fundamenta na teoria dos “poderes
implícitos”, princípio basilar da hermenêutica constitucional. Por fim, deixou assente que o termo licitações deve ser
compreendido em sentido amplo, a abranger contratações diretas, em consonância com o entendimento adotado no
Acórdão 100/2003 Plenário. Nessa esteira, o Colegiado seguiu o voto do relator, firmando o seguinte entendimento:
“as sanções de declaração de inidoneidade impostas pelo TCU alcançam as licitações e contratações diretas,
promovidas por estados e municípios, cujos objetos sejam custeados por recursos oriundos de transferências
voluntárias da União”. Acórdão 348/2016 Plenário, Administrativo, Relator Ministro Walton Alencar Rodrigues.

Informativo de Licitações e Contratos º 276 – É lícito a Administração exigir, como critério de aceitação das propostas,
que os produtos de informática ofertados pelos licitantes cumpram os requisitos técnicos previstos na Portaria
Inmetro 170/2012. Todavia, não pode ser exigida a certificação correspondente, pois constitui modalidade voluntária
de certificação, cuja emissão depende de requerimento do fabricante dos produtos, o qual não tem obrigação legal de
fazê-lo.

Pedido de Reexame, em sede de representação, questionou acórdão do TCU que considerara ilegal a exigência de
certificação na forma da Portaria Inmetro 170/2012. No caso concreto, a exigência da referida certificação fora feita
a título de documentação técnica a ser apresentada pelo proponente primeiro classificado, não se tratando, portanto,
de exigência para habilitação. Reconheceu o relator que “há precedentes neste Tribunal que consubstanciam o
entendimento de que a exigência de apresentação de certificações com base na Portaria 170 do Inmetro e no Decreto
7.174/10 é permitida em licitações como requisito dos bens a serem adquiridos, e não como critério de habilitação”, a
exemplo dos Acórdãos 1225/2014 e 165/2015 Plenário. No entanto, ponderou o relator que a exigência de
documentação técnica feita no edital “pelo menos em tese, pode constituir óbice para competitividade do certame. Isso
se dá pelo fato de que, apesar do fato de a emissão do documento não estar vinculada a nenhuma instituição
certificadora específica, e de se ter como objetivo a demonstração da adequação técnica do objeto ofertado, o
estabelecimento da exigência de certificação de adequação técnica segundo normas do Inmetro, como único meio de
comprovação do cumprimento dos requisitos do produto, a meu ver, pode representar uma restrição indevida do
universo potencial de licitantes”. Frisou o relator que “a Portaria nº 170, de 10 de abril de 2012, estabeleceu, sob a
modalidade de certificação voluntária, os requisitos técnicos para produtos de informática, uma vez que tal avaliação
de conformidade tem como única finalidade informar e atrair o consumidor. Efetivamente, não se trata de uma
certificação compulsória (obrigatória), pois não é resultante do exercício do poder de polícia da autarquia. Logo, é
razoável que a Administração exija dos licitantes que os produtos por eles ofertados cumpram os requisitos técnicos
previstos na referida norma, mas não podem ser obrigados a apresentar a certificação correspondente, pois ela é
emitida por requerimento do fabricante, que não tem nenhuma obrigação legal de fazê-lo”. Conhecendo do Pedido de
Reexame, o ministro relator votou pela negativa de provimento, sendo seguido pelo Plenário. Acórdão 445/2016
Plenário, Pedido de Reexame, Relator Ministro Raimundo Carreiro.

Informativo de Licitações e Contratos º 276 – Na contratação de serviços de manutenção preventiva e corretiva de


equipamentos médico-hospitalares, é ilegal a exigência, para fins de habilitação jurídica, de autorização de
funcionamento expedida pela Anvisa.

Representação formulada por unidade técnica do TCU apontara possíveis irregularidades em pregão eletrônico
realizado pelo Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, vinculado à Universidade Federal de Mato Grosso
do Sul (HU/UFMS), destinado à contratação de empresa prestadora de serviços de manutenção corretiva e preventiva
de equipamentos médico-hospitalares. Entre outras irregularidades apuradas, foi aberto o contraditório para que os
responsáveis apresentassem justificativas à exigência, para fins de habilitação jurídica, de autorização de
funcionamento expedida pela Anvisa. Analisando as razões apresentadas, anotou o relator que as cláusulas restritivas
“não visavam a garantir a qualidade dos serviços, pois ou exigiam qualificações que não estavam diretamente ligadas
à natureza dos serviços, como no caso da RDC 59/2000 e da autorização de funcionamento da Anvisa”. Nesse sentido,
fez reproduzir em seu voto excerto da instrução promovida pela unidade técnica representante, que analisa os aspectos
centrais do ponto impugnado. Relembrou a unidade instrutiva que “a Lei 8.666/1993 admite a possibilidade de se
exigir, a título de habilitação jurídica, ‘ato de registro ou autorização para funcionamento expedido pelo órgão
competente, quando a atividade assim o exigir (art. 28, inc. V)’”. Não obstante, prosseguiu, “o serviço licitado –
manutenção de equipamentos médico-hospitalares – não demanda autorização de funcionamento a ser expedida pela
ANVISA, tal como exigido no instrumento convocatório”. Isso porque, “dentre as atividades que se sujeitam ao regime
de vigilância sanitária e que, portanto, demandam a referida autorização de funcionamento expedida pela Anvisa, de
acordo com o previsto no art. 7°, inc. VII, da Lei 9.782/1999, encontram-se a ‘fabricação, distribuição e importação
dos produtos mencionados no art. 8º desta Lei e de comercialização de medicamentos’”. Assim, concluiu a unidade
instrutiva, “empresas que se dediquem às atividades de fabricação, distribuição e importação de equipamentos e
materiais médico-hospitalares estão condicionadas à prévia autorização de funcionamento de competência da Anvisa,
sendo certo que o objeto licitado – serviço de manutenção preventiva e corretiva de equipamentos médico-hospitalares
– não demanda tal autorização, posto não ter sido listado no rol constante da legislação supramencionada”. Com tal
balizamento, acatou o Plenário a proposta do relator para julgar procedente a Representação e, no ponto, rejeitar as
razões de justificativa apresentadas pelos responsáveis. Acórdão 434/2016 Plenário, Representação, Relator Ministro
Bruno Dantas.

Informativo de Licitações e Contratos º 276 – Na contratação de serviços de manutenção preventiva e corretiva de


equipamentos médico-hospitalares, é ilegal a exigência de certificação com base na Resolução 59/2000, emitida pela
Anvisa, que estabelece as “boas práticas de fabricação de produtos médicos”.

Ainda na Representação que apontara possíveis irregularidades em pregão eletrônico realizado pelo Hospital
Universitário Maria Aparecida Pedrossian, vinculado à Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (HU/UFMS), os
responsáveis também foram instados a apresentar justificativas quanto à exigência, para fins de qualificação técnica,
de certificação com base na Resolução 59/2000, da Diretoria Colegiada da Anvisa (RDC 59/2000), que estabeleceu
requisitos para “boas práticas de fabricação de produtos médicos”. Conforme mencionado, anotou o relator em
preliminar que as cláusulas restritivas “não visavam a garantir a qualidade dos serviços, pois ou exigiam qualificações
que não estavam diretamente ligadas à natureza dos serviços, como no caso da RDC 59/2000 e da autorização de
funcionamento da Anvisa”. Na instrução promovida pela unidade técnica, em excerto reproduzido pelo relator no seu
voto, consignou-se inicialmente que “a exigência em questão, a despeito de ter sido elencada em seção do edital
referente aos procedimentos a serem observados por ocasião do envio da proposta de preços no sistema eletrônico em
que se processou a licitação em epígrafe, trata-se, na realidade, de requisito de qualificação técnica, posto ter por
objetivo avaliar a aptidão técnica de a licitante vir cumprir, a contento, as futuras obrigações contratuais, de modo a
bem executar o objeto do contrato”. Nessa seara, prosseguiu, “a Lei 8.666/1993, em seu art. 30, inc. IV, admite a
possibilidade de ser exigida dos licitantes, a título de qualificação técnica, ‘prova de atendimento de requisitos
previstos em lei especial, quando for o caso’, sendo que a correta exegese do termo ‘lei especial’ conduz ao
entendimento de que ‘... deve ser entendida no sentido lato, englobando inclusive regulamentos executivos’ (Acórdão
1.157/2005 – 1ª Câmara. Relator: Ministro Valmir Campelo)”. Examinando o teor da Resolução 59/2000, observou a
unidade instrutiva que “se sujeitam ao cumprimento das denominadas ‘Boas Práticas de Fabricação de Produtos
Médicos’ os fornecedores, bem como estabelecimentos que armazenem, distribuam ou comercializem produtos
médicos, ao passo que o objeto do certame em foco restringe-se à prestação de serviço de manutenção preventiva e
corretiva de equipamentos médico-hospitalares”. Assim, concluiu, “ainda que o mencionado ato normativo se
enquadre no conceito de ‘lei especial’ previsto no art. 30, inc. IV, do Estatuto de Licitações e Contratos, a exigência
de certificação, no caso concreto, mostrou-se desarrazoada e impertinente para o específico objeto do contrato”. Com
tal balizamento, acatou o Plenário a proposta do relator para julgar procedente a Representação e, no ponto, rejeitar
as razões de justificativa apresentadas pelos responsáveis. Acórdão 434/2016 Plenário, Representação, Relator
Ministro Bruno Dantas.

Informativo de Licitações e Contratos nº 276 – Em regra, o pregão é a modalidade de licitação adequada para a
concessão remunerada de uso de bens públicos, com critério de julgamento pela maior oferta em lances sucessivos.

Empresa licitante formulou Representação, com pedido de medida cautelar, em face de indícios de irregularidades no
âmbito de convite promovido pelo 23º Batalhão de Caçadores do Exército/CE, cujo objeto fora a concessão
administrativa de uso de imóvel público para funcionamento de lanchonete. Após examinar as irregularidades aventadas
pela licitante e concluir pela procedência da Representação, o relator consignou não ser o caso de se determinar a
anulação do contrato, mostrando-se suficiente a proposta do titular da unidade técnica no sentido de que o ajuste não
fosse prorrogado. Ademais das irregularidades veiculadas na Representação, observou o relator que, no tocante ao novo
certame a ser realizado para cessão de uso de imóvel para funcionamento de lanchonete, “a jurisprudência deste
Tribunal é no sentido de que a modalidade de licitação que melhor se coaduna à situação em tela é a realização de
pregão, não devendo o órgão se valer, indevidamente, de certames na modalidade convite para aquisição de bens e
serviços comuns, por se tratar de um meio que permite viabilizar o direcionamento dos resultados nesses certames
licitatórios”. Nessa linha, citou o Acórdão 2050/2014 Plenário, que reproduzira exaustivo exame da matéria procedido
no Acórdão 2844/2010 Plenário, destacando serem conhecidas “as inúmeras vantagens comparativas da modalidade
pregão para a Administração Pública em termos de proporcionar maior eficiência, transparência e competitividade”
e a existência de “inúmeros precedentes, na utilização do pregão para a concessão de áreas públicas, por parte de
diversos órgãos da Administração, como os Tribunais Regionais Federais (Pregão 07/2008, TRF da 1ª Região), o
Ministério Público Federal (Pregão 41/2007) e a Procuradoria da República no Distrito Federal (Pregão 01/2008)”.
A respeito da peculiaridade de que contratos dessa natureza geram receita para a Administração Pública, ressaltara-se
na ocasião do citado precedente que “a adoção do critério de julgamento pela maior oferta, em lances sucessivos, nada
mais é que a adequada aplicação da lei ao caso concreto, ajustando-a à natureza do objeto do certame, restando
assegurada a escolha da proposta mais vantajosa que, conjuntamente com a isonomia de todos os interessados,
constituem as finalidades primeiras de todo procedimento licitatório”. Assim, acompanhando o voto do relator, o
Plenário decidiu pela procedência da Representação e por determinar ao 23º Batalhão de Caçadores do Exército/CE que
se abstenha de prorrogar o contrato, e “em futuro certame que, porventura, venha a realizar com o mesmo objeto, adote
a modalidade pregão, em consonância com o entendimento jurisprudencial desta Corte de Contas”. Acórdão 478/2016
Plenário, Representação, Relator Ministro-Substituto Marcos Bemquerer.

Informativo nº 277 – Nas licitações do tipo técnica e preço, ainda que não submetidas ao RDC, é possível adotar como
referência o disposto no art. 20, § 2o, da Lei 12.462/2011, que permite a atribuição de fatores de ponderação distintos
para valorar as respectivas propostas, com percentual de ponderação mais relevante limitado a 70%, devendo-se
demonstrar no processo licitatório, se for o caso, a pertinência da primazia da técnica em relação ao preço,
considerando-se a natureza dos serviços a serem executados.

Em Representação formulada pela Juíza Titular da 1a Vara Federal da Seção Judiciária do Amazonas, apontara- se
possível irregularidade na Concorrência 114/2013, do tipo técnica e preço, conduzida pela Amazonas Distribuidora de
Energia S.A. (Adesa). O certame destinou-se à contrataçaõ de serviços advocatícios e apresentou, na ótica da
representante, “indícios de distorções no critério - valor atribuído à técnica e ao preço - de classificação adotado pela
Adesa”. Questionou-se o peso (60%) conferido pela Adesa ao critério técnica, em comparação com o critério preço
(40%). No caso, a escolha de tais fatores de ponderaçao ̃ fizera com que se sagrasse vencedora empresa com o segundo
maior preço, por ter apresentado equipe técnica com melhor titulaçao ̃ . Registrou o relator em seu voto que, ao examinar
os autos, de pronto entendeu, “quanto à utilizaçao ̃ dos pesos de te ́ cnica e preço para composição da nota final dos
licitantes, nos percentuais de 60% para a técnica e 40% para o preço, não haver, para o caso concreto, irregularidade”,
pois, “em que pese a Lei de Licitações não explicitar percentuais aceitáveis”, seria possível tomar como referência o
regramento previsto no RDC (art. 20, § 2o, da Lei 12.462/2011), que permite “a atribuição de fatores de ponderaçaõ
distintos para valorar as propostas técnicas e de preço, sendo o percentual de ponderação mais relevante limitado a
70%”. Desse modo, e considerando que o caso examinado não configurava situaçaõ similar à jurisprudência trazida
pela unidade instrutiva (80% para técnica e 20% para preço), descartou o relator, desde o início, a necessidade de a
Adesa se pronunciar nos autos sobre valoraçaõ dos critérios técnico e de preço, sem prejuízo, ao final, e diante de outras
análises empreendidas no processo, de consignar determinação à entidade para que “fundamente os processos das
futuras licitações objetivando a contrataçaõ de serviços advocatícios com estudo adequado à demonstraçaõ da
pertinência da prevalência da qualificação técnica em relação ao preço, considerando a natureza dos serviços a serem
executados pelos contratados”. Acórdão 532/2016 Plenário, Representação, Relator Ministro Vital do Rêgo.

Informativo de Licitações e Contratos nº 280 – A etapa de pré-qualificação (art. 114 da Lei 8.666/1993) somente deve
ser adotada para licitação de objetos que tenham maior complexidade ou que possuam peculiaridades que exijam
competências não usuais do futuro contratado.

O TCU apreciou Representação formulada em face do edital de pré-qualificação da Concorrência 02/2015, publicado
pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com vistas à contratação de empresa especializada para construção
de edifícios acadêmicos e administrativos nos campi Osasco (R$ 72 milhões), Baixada Santista (R$ 96 milhões),
Diadema (R$ 85 milhões) e Zona Leste (R$ 80 milhões), com valor total estimado de R$ 333 milhões. Inicialmente, a
relatora deferira medida cautelar para suspensão do certame, com fundamento, entre outras ocorrências, na “adoção
indevida de etapa de pré-qualificação, sem a necessária justificativa”. No mérito, após análise das oitivas pela unidade
técnica, observou a relatora quanto ao ponto que tanto a doutrina como a jurisprudência são unânimes em afirmar que
a etapa de pré-qualificação “deve ser adotada somente quando se pretenda contratar objetos que se revistam de maior
complexidade ou que possuam peculiaridades que requeiram que o futuro contratado detenha competências não
ordinárias ou usuais” e que “as obras em questão não apresentam tais características”. Na situação examinada,
registrou, “a análise da documentação relacionada ao certame demonstra que a Unifesp adotou a pré-qualificação
calcada em premissa equivocada”, pois invocara em sua fundamentação a Lei 12.462/2011 e o Decreto 7.581/2011,
“inaplicáveis ao caso por não se tratar de procedimento regido pelo Regime Diferenciado de Contratações Públicas –
RDC”. Além disso, conforme verificado pela unidade instrutiva, as questões levantadas no “Mapa de Riscos”
elaborado pela Universidade e cuja existência servira de argumento de defesa para a escolha do procedimento nem
sequer teriam sido consideradas na pré-qualificação, que teria contido apenas fatores avaliativos usualmente adotados
em obras comuns. Concluiu, pois, a relatora que “a real intenção da pré-qualificação foi a de proporcionar uma
alegada celeridade administrativa ao procedimento, possibilitando a antecipação das etapas de habilitação dos
certames, que foi efetuada de forma prévia e uma única vez para as quatro obras pretendidas”. Considerando, contudo,
que no caso em exame houve habilitação de doze empresas, entendeu a relatora não ter sido verificada real limitação
no universo de concorrentes. Assim, embora utilizada de forma inadequada, os resultados do certame não teriam sido,
até o momento, prejudicados em decorrência da pré-qualificação realizada. Todavia, quanto ao temor de possível
formação de conluios entre os concorrentes pré-habilitados, destacou a relatora que “se trata de hipótese incerta e
que deve ser objeto de especial atenção da Unifesp – e também deste Tribunal - na etapa de apresentação das propostas
de preços, cabendo-lhe verificar a efetiva existência de competição ou, ao contrário, de mero simulacro em que os
competidores apresentam descontos figurativos”. Propôs, destarte, o julgamento pela procedência parcial da
Representação, e a expedição de determinação à Unifesp, entre outras, para que “adote as providências
administrativas necessárias para assegurar, na etapa de apresentação das propostas de preços, a efetiva existência de
competição entre os proponentes, coibindo eventuais arranjos e aferindo a verificação do quantum dos descontos
praticados pelos licitantes”, o que foi acolhido pelo Tribunal. Acórdão 711/2016 Plenário, Representação, Relatora
Ministra Ana Arraes.

Informativo de Licitações e Contratos nº 280 – O regime de empreitada integral previsto no art. 6º, inciso VIII, alínea
e, da Lei 8.666/1993 deve ser considerado na condução de projetos de vulto e complexos, em que a perfeita integração
entre obras, equipamentos e instalações se mostre essencial para o pleno funcionamento do empreendimento, a
exemplo de obras em hidrelétricas. A adoção desse regime em obra pública fora dessas circunstâncias pode ferir o
princípio do parcelamento, ao incluir no escopo a ser executado por empresa de construção civil itens que poderiam
ser objeto de contratação à parte, como equipamentos e mobiliário.

Ainda na Representação formulada por associação empresarial acerca de possíveis irregularidades em edital de pré-
qualificação para concorrência, promovida pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), destinada à
contratação de empresa especializada para execução de obra de construção de edifícios acadêmicos e administrativos
em diversos campi da universidade, após obtidos esclarecimentos preliminares da Unifesp, determinou a relatora a
suspensão cautelar do certame em face, entre outros aspectos, da adoção do regime de empreitada integral sem
justificativa para tal opção. Analisando o mérito da Representação, após a realização das oitivas regimentais, anotou
a relatora que a adoção do regime de empreitada integral merecera sua reprovação por entender que esse regime “fere
o princípio do parcelamento, pois não se justifica a inclusão de equipamentos e mobiliário no objeto a ser executado
por empresa de construção civil, o que seria necessário para a entrada em operação do empreendimento”. No caso em
análise, a unidade instrutiva já havia destacado que “além dos serviços, equipamentos e instalações comumente
executados dentro do escopo de obras públicas de edificações, há alguns itens que, eventualmente, poderiam ter sido
objeto de contratação à parte, como, por exemplo, os equipamentos de cozinha industrial”. Sobre o assunto, relembrou
a relatora que “a jurisprudência deste Tribunal é firme no sentido de que o regime de empreitada integral previsto no
art. 6º, inciso VIII, alínea ‘e‘, da Lei 8.666/1993 deve ser considerado na condução de projetos de vulto e complexos,
em que a perfeita integração entre obras, equipamentos e instalações se mostre essencial para pleno funcionamento do
empreendimento, a exemplo de obras em hidrelétricas”. Nesses termos, mas considerando que os itens indevidamente
incluídos representaram apenas 1% do valor total da contratação para um único campus, bem como não ter sido
verificada limitação ao universo de concorrentes, acolheu o Plenário a proposta da relatora para considerar
parcialmente procedente a Representação, determinando à Unifesp que (i) “não inclua, no escopo das contratações
das obras dos campi Baixada Santista, Diadema e Zona Leste, equipamentos e mobiliários de simples instalação, que
não possuam um grau de interação atípico com a infraestrutura da obra, que deverão ser objeto de contratação à parte,
em consonância com o art. 23, § 1º, da Lei 8.666/1993 e com a Súmula TCU 247”; e (ii) “retifique, por ocasião da
publicação dos ‘editais de convite às empresas pré-qualificadas’ relativos às obras dos campi Baixada Santista,
Diadema e Zona Leste, o regime de execução contratual, passando-o de empreitada integral para empreitada por preço
global, de modo a refletir as características efetivas da contratação, em consonância com o art. 6º, inciso VIII e alíneas
‘a’ a ‘e’, da Lei 8.666/1993”. Acórdão 711/2016 Plenário, Representação, Relatora Ministra Ana Arraes.
Informativo de Licitações e Contratos nº 279 – Somente é possível alterar o cronograma físico-financeiro
do contrato para antecipar o recebimento de materiais em casos excepcionais, em que fiquem demonstrados
inequívocos benefícios à Administração, tais como: (i) a necessidade de receber os materiais para consolidar
a contratação; (ii) a existência de risco de desabastecimento desses materiais; (iii) a possibilidade de
obtenção de ganhos financeiros e de eficiência expressivos o suficiente para suplantar a incidência de custos
de estocagem, deterioração e perda de garantia.

Auditoria realizada na obra de construção do Contorno Ferroviário de São Francisco do Sul (SC),
paralisada desde o ano de 2012, sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de
Transportes (Dnit) no Estado de Santa Catarina, apontara, entre outros achados, avanço desproporcional
das etapas de serviço e inadequação no recebimento, estocagem e guarda de equipamentos e materiais.
Nesse quesito, registrou o relator, foram “medidos e pagos dormentes de madeira e aparelhos de mudança
de via (AMV) muito antes da época em que se previa sua efetiva aplicação”. Esses materiais “foram
fornecidos a partir do 3º mês de execução da obra, em dissonância com o cronograma físico financeiro
contratado, que indicava fornecimento desses materiais entre os 19º e 22º meses de execução da obra”. Em
decorrência, “recursos públicos no montante de R$ 1.388.183,74 estão, desde 2007, empregados em
materiais estocados em condições precárias, sem prazo para gerar qualquer benefício para o contribuinte,
montante esse que poderia estar sendo utilizado em outras áreas prioritárias”. Analisando o ponto, após a
audiência dos responsáveis, anotou o relator que, por imperativo do princípio da eficiência, “a execução de
serviços e o fornecimento de materiais devem estar atrelados à correspondente etapa ou atividade da obra”.
Nesse sentido, prosseguiu, “somente é possível alterar o cronograma físico financeiro para antecipar o
recebimento de materiais em casos excepcionais, devidamente demonstrados, no intuito de permitir
inequívocos benefícios à Administração”. No caso em exame, os defendentes não apresentaram “qualquer
evidência de que fosse necessário receber os materiais para consolidar a contratação no âmbito do
orçamento do Dnit, de que havia risco de desabastecimento desses materiais, nem de que fosse possível
inferir, à época, que a antecipação permitiria à Administração obter ganhos financeiros e de eficiência
expressivos o suficiente para suplantar a incidência de custos de estocagem, deterioração e perda de
garantia”. Ao revés, arrematou o relator, “os elementos colacionados aos autos sugerem, em vez disso,
atendimento exclusivo do interesse da contratada, que já apresentara duas propostas de revisão de
cronograma prevendo antecipação da entrega dos materiais”. Nesses termos, acolheu o Plenário a proposta
da relatoria para, rejeitando as razões de justificativa apresentadas pelos responsáveis, aplicar-lhes a multa
prevista no art. 58, inciso III, da Lei 8.443/1992. Acórdão 643/2016 Plenário, Auditoria, Relator Ministro
Walton Alencar Rodrigues.