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Metodologia do Ensino

da Matemática
Material Teórico
Espaço e Forma

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Ms. Dirceu Zaleski Fiulho

Revisão Textual:
Profa. Esp. Kelciane da Rocha Campo
Espaço e Forma

• Introdução
• Uma abordagem teórica para os sólidos geométricos

OBJETIVO DE APRENDIZADO
· Conhecer os sólidos geométricos e suas respectivas a planificações;
· Fazer a relação das formas dos sólidos geométricos com o cotidiano;
· Identificar os sólidos geométricos;
· Comparar formas do cotidiano e da natureza com as formas dos
sólidos geométricos;
· Perceber que as superfícies sólidas são formadas pela composição de
figuras planas;
· Desenvolver a visão tridimensional por meio da observação dos
sólidos;
· Criar estratégias de ensino por meio das sugestões didáticas.

ORIENTAÇÕES
Olá!
Você está iniciando a Unidade 4 de nossa disciplina. A proposta desta
unidade é informá-lo(a) a respeito dos conceitos de área e volume dos sólidos
geométricos e de sugestões didáticas para o seu trabalho como professor(a).
Ao findar esta unidade, esperamos que você tenha entendido esses conceitos.
Para ajudá-lo(a), realize a leitura do texto indicado no Conteúdo Teórico,
acompanhe e refaça os exemplos resolvidos. Não deixe de assistir também à
apresentação narrada do conteúdo e de alguns exercícios resolvidos.
Finalmente, e o mais importante, fique atento(a) às atividades avaliativas
propostas e ao prazo de realização das mesmas.
Bom estudo!
UNIDADE Espaço e Forma

Contextualização
Existem no nosso cotidiano várias ligações com as formas geométricas. Entre elas:

Fonte: iStock/Getty Images

Uma das que nos chama a atenção é a ligação da Arte com essas superfícies.
Essa ligação pode ser explorada no ensino da Geometria Espacial sob o título
“Matemática e Arte da 3a Dimensão”. Atividades podem ser realizadas com nossos
alunos por meio das obras de vários artistas. Dentre elas, citamos:
·· A representação bidimensional do tridimensional na obra de Tarsila
do Amaral (1872-1944).

Figura 1: Tarsila do Amaral participou da renovação da arte brasileira na década de 20,


quando ocorreu também a Semana de Arte de 1922.
Fonte: base7.com.br/tarsila/

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· A escultura de Max Bill.

Figura 2: Max Bill (1908-1994) foi designer, arquiteto, pintor, escultor e professor de designer.
Um dos mais importantes artistas da vanguarda concretista.
Fonte: bienal.org.br

Podem ser realizadas exposições, releitura das obras pelos alunos, interferências
nas obras, entre outras atividades.

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Introdução
Na obra Orientações Curriculares para o Ensino Médio do MEC - Ministério da Educação,
Explor

volume 2 - Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias, página 73, aparecem


sugestões de como deve ser encarado o estudo da Geometria.

O estudo da Geometria deve possibilitar aos alunos o desenvolvimento da


capacidade de resolver problemas práticos do quotidiano, como, por exemplo,
orientar-se no espaço, ler mapas, estimar e comparar distâncias percorridas,
reconhecer propriedades de formas geométricas básicas, saber usar diferentes
unidades de medida. Também é um estudo em que os alunos podem ter uma
oportunidade especial, com certeza não a única, de apreciar a faceta da Matemática
que trata de teoremas e argumentações dedutivas. Esse estudo apresenta dois
aspectos – a geometria que leva à trigonometria e a geometria para o cálculo de
comprimentos, áreas e volumes.

O trabalho de representar as diferentes figuras planas e espaciais, presentes


na natureza ou imaginadas, deve ser aprofundado e sistematizado nessa etapa
de escolarização. Alguns conceitos estudados no ensino fundamental devem
ser consolidados, como, por exemplo, as idéias de congruência, semelhança e
proporcionalidade, o Teorema de Tales e suas aplicações, as relações métricas e
trigonométricas nos triângulos (retângulos e quaisquer) e o Teorema de Pitágoras.
Durante o ensino médio, o trabalho do aluno em outras disciplinas, como a Física
e a Química, por exemplo, pode servir como motivação para a consolidação da
idéia de grandezas, particularmente aquelas formadas por relações entre outras
grandezas (densidade, aceleração, etc.).

Em relação às grandezas geométricas, as atividades propostas deverão


proporcionar a consolidação dos conceitos aprendidos nas etapas anteriores,
como área, perímetro e volumes. Nessa fase, o aluno já apresenta as condições
necessárias para a compreensão de certas demonstrações que resultem em algumas
fórmulas - por exemplo, a área do círculo.

Quanto ao trabalho com comprimentos, áreas e volumes, considera-se importante


que o aluno consiga perceber os processos que levam ao estabelecimento das
fórmulas, evitando-se a sua simples apresentação. Um conteúdo a ser trabalhado
com cuidado são as fórmulas de comprimento e de área do círculo: se π representa
a razão constante entre comprimento e diâmetro do círculo, deve-se explicar como
esse número π aparece na fórmula da área do círculo; ou se π é introduzido via a
área do círculo, deve-se explicar como aparece na expressão de seu comprimento.
O Princípio de Cavalieri deve ser tomado como ponto de partida para o estudo de
volumes de sólidos (cilindro, prisma, pirâmide, cone e esfera), permitindo ao aluno
compreender o significado das fórmulas.

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No trabalho com as áreas das superfícies de sólidos, é importante recuperar os
procedimentos para determinar a medida da área de alguns polígonos, facilitando
a compreensão das áreas das superfícies de prismas e pirâmides. As expressões
que permitem determinar a medida da área das superfícies do cilindro e do cone
podem ser estabelecidas facilmente a partir de suas planificações.

Ciências da natureza, matemática e suas tecnologias / Secretaria de Educação Básica –


Explor

Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2006.135 p. (Orientações


curriculares para o ensino médio; volume 2).
Disponível em: http://goo.gl/5T4a9.

Sugestões didáticas
1. É interessante trabalhar os sólidos em blocos, levando junto com seus alunos
para o espaços em que serão desenvolvidos os estudos sobre a Geometria
dos sólidos fotos, embalagens que representem:
a) prismas e cilindros;
b) pirâmides e cones;
c) esferas.
Com isso, reconhecerão no seu dia a dia os sólidos que estão estudando.
Lembre-se de deixar claro que fotos e embalagens são representações dos sólidos
e que as embalagens são superfícies geométricas e não sólidos geométricos.

Superfícies cônica(figura 1) , cilíndrica (figura 2) e prismática (figura 3)


Fonte: iStock/Getty Images

2. O interesse em se trabalhar por blocos, como veremos mais adiante, é pelo


fato de que, por exemplo, no caso dos Primas e Cilindros, ambos têm a
mesma estrutura geométrica para o cálculo das áreas totais e volumes. Ocorre
o mesmo com as pirâmides e prismas. Existem disponíveis no mercado
sólidos de madeira e superfícies sólidas em acrílico que poderão ser úteis ao
desenvolvimento do estudo em questão.

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Figura 4: Sólidos em madeira


Fonte: iStock/Getty Images

Figura 5: Superfícies sólidas em acrílico


Fonte: lojadoprofessor.com.br
3. Faça, a partir das embalagens, a planificação dos sólidos, e a partir da
planificações, reconstrua as superfícies dos sólidos; isso contribuirá para o
cálculo das áreas das faces, áreas laterais e totais.
2. O Princípio de Cavalieri contribuirá para o entendimento do conceito de
volume dos sólidos geométricos vistos aos pares: prisma e cilindro, pirâmide e
cone. Ele afirma que “Sejam A e B dois sólidos. Se qualquer plano horizontal
secciona A e B segundo figuras planas com áreas iguais, então vol(A) = vol(B)”.

Em um primeiro momento, ele pode ser apresentado por meio de uma questão
do vestibular da UFSM – Universidade Federal de Santa Maria:

Figura 6

Tres criancas estavam brincando na biblioteca da escola e resolveram fazer pilhas de mesma
altura, com livros, conforme a figura. A mais organizada fez a pi Iha A, e as outras duas fizeram as
pilhas B e C. Considerando-se que todos os livros tern a mesma area de capa e que as pilhas tern a
mesma altura, pode-se afirmar que:
a) o volume da pilha A eé maior do que o volume da pilha C.
b) os volumes das pilhas B e C sao iguais e maiores do que o volume da pilha A.
c) o volume da pilha A e menor do que o volume da pilha B que 6 menor do que o volume
da pilha C.
d) os volumes das três pilhas são iguais.
e) não existem dados suficientes no problema para decidir sobre os volumes e compará-los.

Esta questão tem como resposta a alternativa D.

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3. Os sólidos em acrílico podem ser utilizados em uma atividade utilizando
uma pirâmide e um prisma de bases e alturas iguais, onde é colocada água
na primeira e essa é passada, por meio de um funil, para o segundo, a fim de
verificar a fórmula do volume da pirâmide.

Figura 7: A pirâmide e o prisma de base triangular


4. Por meio da Geometria Dinâmica, utilizando o software Geogebra, pode-se
construir os sólidos em questão e suas planificações, entre outros, contribuindo,
assim, para o entendimento dos conceitos estudados.

Figura 8: Geogebra
Fonte: geogebra.org
Explor

Geogebra. Disponível em: https://www.geogebra.org/.

5. Outro material estruturado para o estudo dos sólidos geométricos é o


Geoespacial. Semelhante ao Geoplano, tem como objetivo contribuir para a
visualização dos sólidos geométricos, entre outras aplicações.
6. Outra sugestão didática é a construção das estruturas dos sólidos por
meio de suas arestas, utilizando-se canudos de refrigerantes e linha de
costura ou barbante.

KALEFF, Ana Maria; REI, Dulce Monteiro. Varetas, canudos, arestas e... sólidos geométricos.
Explor

Revista do Professor de Matemática, nº 28, 1995.


Disponível em: http://goo.gl/RKAknL.

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7. A consulta a tendências sobre o ensino da Geometria, e em particular da


Geometria Espacial, é uma outra importante sugestão a ser considerada.

SCHIRLO, Ana Cristina; SILVA, Sani de Carvalho Rutz da. Resolução de problemas: tendência
Explor

metodológica para o processo de ensino-aprendizagem de geometria. X Encontro paranaense


de educação matemática, de 17 a 19 de setembro de 2009, Guarapuava, Paraná.
Disponível em: http://www.unicentro.br/editora/anais/xeprem/CC/09.pdf

Uma abordagem teórica para


os sólidos geométricos
Prisma
Pris ma e o poliedro lirnitado por duas bases paralelas, que sao poligonos convexos
congruentes, e por faces laterais que sao paralelogramos.

Elementos

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O prisma pode ser:
· reto -quando as arestas laterais sao perpendiculares as bases;
· regular - quando o prisma e reto e as bases sao poligonos regulares
(lados congruentes). Veja:

· Area lateral (A,) ea soma das areas das faces latcrais.

n: numero de faces
Ar: area da face lateral
· Area total: (Ar) e a soma da area lateral com as areas das bases.

Ab: area do poligono da base.


· Volume (V) e o produto da area da base pela medida da altura.

H: distância entre as bases do prisma. No prisma reto, H e


congruente (mesma medida) a aresta lateral.

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UNIDADE Espaço e Forma

Prisma triangular regular


Prisma triangular regular e o prisma cuja base e um triangulo equilátero.

Prisma hexagonal regular


Prisma hexagonal regular e o prisma cuja base e um hexagono regular.

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Para reconstruir as formulas na solucao de problemas, basta
lembrar que:

· area do triangulo equilatcro=

· area do hexágono regular= 6. area do triangulo equilátero.


· apótema: é o segmento que une o centro do polfgono
perpen- dicularmente ao ponto rnedio de urn dos
lados. No hexagono:

Veja:

Dado o prisma hexagonal regular da figura calcule:


a) o apótema da base “ap”;
b) a área total “At”;
c) o volume “V”.

Solução:

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Paralelepípedo reto-retângulo
Paralelepípedo reto-retangulo é um prisma reto de base retangular.

·· Area total

·· Volume

·· d: diagonal da base

·· D: diagonal do paralelepipedo

Se a base é um quadrado, o paralelepipedo reto- retângulo é denominado prisma


quadrangular regular.

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Veja:
As dimensões de um paralelepípedo retângulo são 8m, 6m e 2m. Calcule:
a) a medida da diagonal;
b) a área total;
c) o volume.

Solução:

Cubo ou hexaedro regular


Cubo ou hexaedro regular e o paralelcpipedo reto- retangulo que possui todas
as arestas congruentes.

Area total Volume:

Diagonal:

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UNIDADE Espaço e Forma

Veja:
Sabendo que a aresta de um cubo mede 5 cm, calcule:
a) a medida da diagonal da face;
b) a medida da diagonal do cubo;
c) a area total do cubo;
d) o volume do cubo.

Solução

Cilindro de revolução
Cilindro de revolução é o sólido gerado pela rotação completa de um retângulo
em tomo de um de seus lados. É também denominado cilindro regular reto.

·· Seccção transversal (ST) – a intersecção do cilindro com um piano


paralelo as bases. Ela e um circulo congruente às bases.

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· Secção meridiana – intersecção do cilindro corn um plano que contém
o eixo de rotação. Ela é um retângulo.

· Cilindro equilátero – cilindro cuja altura e igual ao diametro da base.

Área total:

Volume:

Veja:
Dado o cilindro abaixo, calcule:
a) a area da base;
b) a area lateral;
c) a area total;
d) o volume.

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UNIDADE Espaço e Forma

Solução

a)

b)

c)

Pirâmide
Pirâmide co poliedro formado por uma base que é um poligono convexo e por
faces laterais que sao triângulos com um único vértice comum.
Elementos:

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Pirâmide reta: a projecao ortogonal do vértice é perpendicular ao centre da base.

Pirâmide regular: pirâmide reta na qual a base e um polígono regular (la-


dos congruentes).

Pirâmide regular: área total e volume


Apótema da pirâmide:

· area lateral ( Al ): ea soma das áreas das faces.

n: número de faces
Af: área de uma face lateral
· área total (AT): ea soma da area lateral com a area da base.

· volume (V): é um terço do produto da área da base pela altura.

Ab: área da base

H: altura

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UNIDADE Espaço e Forma

Para “reconstruir” as formulas na solucao de problernas,basta


lernbrar que:

·· Área do quadrado=

·· Área do triângulo equilátero=

·· Área do hexágono regular=

n: número de faces laterais

Veja:
Calcule a área total e o volume da pirâmide quadrangular regular indicada na
figura a seguir:
Dados: AM = 20 cm e Aresta da base = 24 cm.

Solução:
Cálculo de H: Apótema da base

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Cálculo da área da base: Cálculo da area lateral:

Cálculo da area total: Cálculo do volume

Cone de revolução
Cone de revolução eé o sólido gerado pela rotação completa de um triângulo
retângulo em torno de um de seus catctos. É também denominado cone circular reto.

Secção transversal (ST) e a intersecção do cone com um piano paralelo a base.


Trata-se de um círculo.

Tem-se que:

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UNIDADE Espaço e Forma

Secção meridiana é a intersecção do cone com um piano que contern o eixo de


rotação.Trata-se de um triângulo isósceles.

Cone equilátero é o cone cuja geratriz e igual ao dobro do raio.


Área total e volume – cone de revolução

·· área total

·· Al: área lateral

·· Ab: área da base

·· Volume

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Veja:

Calcule o volume de um cone equilátero cuja secção meridiana tem perímetro


igual a 18 cm.

Solução:
· Cálculo da altura do cone:

· Cálculo do volume:

Esfera
Esfera é o soélido gerado pela rotação completa de um semi-circulo em torno
de seu diâmetro.

Elernentos:

Secção na esfera é a intersecção da esfera com um plano secante. Trata-se de


um círculo, que é máximo quando passa prlo centro.

D= diâmetro da esfera

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UNIDADE Espaço e Forma

No triânfulo B O M tem-se:

Área e volume da esfera


·· Arca

·· Volume

Veja:

Calcule o volume de uma esfera com área de superfície igual 36mn2.

Solução:

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Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

Sites
MATEMÁTICA DIDÁTICA
Cálculo de área.
http://goo.gl/yHPsM

Sólidos geométricos – área e volume do prisma.


http://goo.gl/P948c1

Sólidos geométricos – área e volume do cilindro.


http://goo.gl/ltJOnu

Sólidos geométricos – área e volume da pirâmide


http://goo.gl/8ox9Hz

Sólidos geométricos – área e volume do cone circular.


http://goo.gl/DIxO0G

Sólidos geométricos – área e volume da esfera.


http://goo.gl/ZD525h

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UNIDADE

Referências
BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCACAO E CULTURA. Parâmetros curriculares
nacionais PCN ensino médio: ciencias da natureza, matemática. Brasília: Mec., s.d.

CARVALHO, P. C. P. Introdução à geometria espacial. 3. ed. Rio de Janeiro:


Sociedade Brasileira de Matemática, 2005.

DOLCE, O.; POMPEO, J. N. Fundamentos de matemática elementar: geometria


espacial, posicão e métrica. 6. ed. São Paulo: Atual, 2005.

LUNA, M. F. A. Estudo das trajetórias hipotéticas da aprendizagem de geometria


espacial para o ensino médio na perspectiva construtivista. São Paulo: PUC,
2009. Disponível em: <http://www.pucsp.br/pos/edmat/mp/dissertacao/maria_
fatima_aleixo_luna.pdf> Acesso em: 28 out. 2015.

MONTENEGRO, G. A. Inteligência visual e 3-D: compreendendo conceitos


básicos da geometria espacial. São Paulo: Edgard Blücher, 2005.

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