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Estabilidade e o FGTS

Estabilidade é a vantagem jurídica de caráter transitório deferida ao empregado em


virtude de uma circunstância contratual ou pessoal obreira de caráter especial, de modo
a assegurar a manutenção do vínculo empregatício por um lapso temporal definido,
independentemente da vontade do empregador. O instituto da estabilidade decorre dos
princípios da continuidade da relação de emprego e o da proteção, bem como no
princípio da causalidade da dispensa, é também uma garantia constitucional conforme
assegura inciso I do artigo 7 º da Constituição Federal (CF/88). Na prática, a
estabilidade consubstancia o direito do empregado à manutenção do emprego dentro
das exigências legais. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) trata da
estabilidade em seu Capítulo VII – DA ESTABILIDADE artigos 492 a 500.

Art. 492 – O empregado que contar mais de 10 (dez) anos de serviço


na mesma empresa não poderá ser despedido senão por motivo de
falta grave ou circunstância de força maior, devidamente
comprovadas. Parágrafo único – Considera- se com o de serviço
todo o tempo em que o empregado esteja à disposição do
empregador.

Conforme artigo supracitado o empregado que contar com mais de dez anos de serviço
na mesma empresa – sendo considerado todo o tempo em que o empregado esteja à
disposição do empregador – não poderá ser despedido senão por motivo de falta grave
ou circunstância de força maior, devidamente comprovadas pelo empregador. O artigo
499, §3º da CLT prevê que “A despedida que se verificar com o fim de obstar ao
empregado a aquisição de estabilidade sujeitará o empregador a pagamento em dobro
da indenização prescrita nos arts. 477 e 478”. Porém a proteção da relação de emprego
não é absoluta, tem caráter transitório em virtude das circunstâncias contratuais. As
causas que justificam a dispensa do trabalhador que tenha adquirido a estabilidade estão
disciplinadas no artigo 482 da CLT.

Art. 482 – Constituem justa causa para rescisão do contrato de


trabalho pelo empregador: a) ato de improbidade; b) incontinência
de conduta ou mau procedimento; c) negociação habitual por conta
própria ou alheia sem permissão do em pregador, e quando o em
pregado, passada em julgado, caso não tenha havido suspensão
da execução da pena; e) desídia no desempenho das respectivas
funções; f) embriaguez habitual ou em serviço; g) violação de
segredo da em presa; h) ato de indisciplina ou de insubordinação;
i) abandono de emprego; j) ato lesivo da honra ou da boa fama
praticado no serviço contra qualquer pessoa, ou ofensas físicas,
nas m esmas condições, salvo em caso de legítima defesa, própria
ou de outrem ; k) ato lesivo da honra ou da boa fama ou ofensas
físicas praticadas contra o empregador e superiores
hierárquicos, s alvo em c aso de legítima defesa, própria ou de
outrem ; l) prática constante de jogos de azar. Parágrafo único
– Constitui igualmente justa causa para dispensa de empregado a
prática, devidamente com provada em inquérito administrativo, de
atos atentatórios à segurança nacional

Existem exceções à estabilidade, como cargos de Direto ria, gerência e demais


cargos de confiança, conforme artigo 499 da CLT, porém o § 1º do artigo 499
versa que Ao em pregado que d eixar de exercer cargo de confiança, lhe é
assegurada a reversão a o cargo efetivo anteriormente ocupado, e para o
empregado que só tenha exercido cargo d e confiança e que contar mais de 10
(dez) ano s de serviço na mesma empresa, é garantida a indenização proporcional
ao tempo de serviço, conforme § 2º do mesmo artigo.

A estabilidade, entretanto, é anterior à promulgação da CLT pode ser encontrada por


exemplo na Constituição de 1824 um dispositivo de proteção das patentes militares,
está também na Constituição de 1891 a qual outorga estabilidade aos juízes federais e
oficiais militares. Os ferroviários foram os primeiros empregados beneficiados com a
estabilidade, lhes f oi concedida pelo art. 42 d o Decreto nº 4.682, de 24 de janeiro
de 1923 , posteriormente foram beneficiados também o s empregados n a
navegação marítima ou fluvial e a os ferroviários dos Estados e Municípios (Lei nº
5.109/26), aos portuários (Decreto nº 17.940/27), aos comerciários (Decreto nº
24.273/34), aos empregados de empresas de transportes urbanos, luz, força,
telefone, telégrafos, portos, água e esgoto (Decreto nº 20.465/31) e aos bancários
(Decreto nº 24.615/ 34).

Inicialmente o Instituto da estabilidade tinha por objetivo garantir recursos para o


custeio dos fundos previdenciários constituídos para o atendimento das categorias
laborais nela tratada, a estabilidade desvinculou -se da matéria previdenciária após o
advento da Lei nº 62/35, que estendeu o direito a todos os trabalhadores, exceto os
domésticos e rurais. A Consolidação das Leis do Trabalho uniformizou, em 1943, a
legislação concernente à estabilidade no emprego, mas excetuou, uma vez mais,
rurícolas, domésticos e também os servidores públicos. Sob pretexto de atrair o capital
estrangeiro, dando impulso à economia, forjou - se um novo regime, em que os
empregados poderiam optar pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGT S), não
mais adquirindo estabilidade os que fizessem tal opção. Ao início de cada mês, o
empregador passou a recolher 8% da remuneração paga ao s seus empregados,
optantes pelo FGTS, no mês anterior. Esses empregados, que optavam pelo FGTS,
não mais adquiriam estabilidade e, por isso, disseminou-se, entre os empregadores, o
estratagema de não admitir empregados que se opusessem a optar pelo novo regime.
Eram raros os empregados regidos pelos artigos 478 e 492 da CLT, sendo residual o
pagamento de indenização de antiguidade ou a aquisição de estabilidade.

O FGTS foi concebido em 1966 (Lei nº 5.107/66) pelo ministro do Planejamento do


governo do marechal Castello Branco, Roberto Campos. O objetivo era duplo: facilitar
a demissão de trabalhadores e financiar a construção de imóveis. Para criar o fundo,
foi necessário tornar letra morta dois artigos d a Consolidação das Leis do Trabalho
(CLT) : o que previa ao funcionário indenização de um mês de salário por ano
trabalhado, em caso de demissão imotivada, e o que assegurava estabilidade no
emprego ao trabalhador do setor privado que completasse dez anos na mesma
empresa.

Atualmente o FGTS é regido pela Lei nº 8. 036/90 e posteriores alterações, rege que
todos os empregadores devem depositar em conta bancária vinculada, a importância
correspondente a 8% da remuneração paga ou de vida nos meses anterior a cada
trabalhador, incluídas na remuneração estão as parcelas que versam os arts 457 e
458 da CLT, como comissões, gorjetas, gratificações, etc, e a gratificação de natal, a
que se refere a Lei nº 4.090/62 com as modificações da Lei nº 4.746/65. O FGTS
não pode ser descontado do salário do empregado, é uma obrigação do empregador.
Como dito, o FGTS nasce como um sistema alternativo de indenização do tempo de
serviço, pois veio substituir a parte do regime da CLT que previa indenização de
antiguidade (artigo 478) e estabilidade após dez ano s de emprego na mesma
empresa (artigo 492). Era um sistema opcional, podendo o empregado optar por ele ser
regido pela Consolidação das Leis do Trabalho, sem ressalvas. Em 1988, a
Constituição (artigo 7º, III) estendeu o FGTS ao trabalhador rural, impondo-o a este e o
convertendo em regime único para os empregados urbanos. Agindo desse modo, o
constituinte pôs fim ao direito de opção que, em verdade, nunca foi propriamente
exercido.
A proposta de criação do FGTS (Projeto de Lei 10/1966), enviada pela Presidência ao
Congresso, previa que os novos contratados poderiam optar entre a estabilidade e o
Fundo de Garantia. Na prática, porém, as em presas só aceitaram contratar os que
abriram mão da estabilidade. (FONTENELLE, 2017,

Atualmente a estabilidade é somente provisória, portanto, tem período determinado para


vigorar. No entanto, inclusive a estabilidade provisória pode ser perdida nos termos do
artigo 482 da CLT. A estabilidade pode decorrer de previsão leal ou de
documento/acordo coletivo de determinada categoria. São hipóteses de estabilidade
provisória nos casos de:

Empregada gestante: A estabilidade para este caso fica garantida desde a confirmação
da gravidez até cinco meses após o parto. Mesmo que o empregador não tenha
conhecimento da gravidez da empregada, terá de reintegrar ao trabalho ou pagar a
indenização decorrente da estabilidade em caso de demissão. Assegurada no Artigo 10,
II, “b” do ADCT. Membro da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA: A
estabilidade nesse caso dura desde o registro de sua candidatura até um ano após o
final de seu mandato. Também se aplica a estabilidade provisória ao suplente eleito na
CIPA, conforme entendimento do Tribunal Superior do Trabalho, na Súmula nº 339.
Não se aplica, porém, ao empregado que representa o empregador perante a CIPA.
Conforme Art. 10, II, a do ADCT.

Comissão de Conciliação Prévia Eleitos pelos Empregados: Conforme parágrafo


único do artigo 625 -B, §1º, da CLT: “É vedada a dispensa dos representantes
dos empregados membros da Comissão de Conciliação Prévia, titulares e
suplentes, até 1 (um) ano após o final do mandato, salvo se cometerem falta
grave, nos termos da lei”.

Acordos Em Convenção Coletiva: Os sindicatos, com a intenção de assegurar aos


empregados garantia de emprego e salário, determinam em Acordos e Convenções
algumas estabilidades, tais como: Garantia ao Empregado em Vias de Aposentadoria,
Complementação de Auxílio-Doença, etc. O empregador deverá verificar, junto ao
sindicato, as garantias asseguradas à categoria profissional a que pertencem os seus
empregados, visto que as situações apresentadas podem não contemplar todas as
hipóteses.
Têm direito a estabilidade provisória também os representantes dos trabalhadores na
empresa, conforme art. 1º da Convenção n. 135 da OIT, ratificada pelo Brasil ; os
membros do CNPS - Conselho Nacional de Previdência Social segundo art. 3º,
§7º da Lei 8213/91; membros do Conselho Curador do FGTS conforme §9º art. 3º
da Lei 8036/90, entres outros. Estas modalidades de Estabilidade podem ser também
chamadas de garantias motivadas, especiais ou temporárias. São resultantes de causas
personalíssimas – gestação e acidente do trabalho, do cargo ou de causas comunitárias –
dirigentes sindicais, de CIPA, de cooperativas criadas pelos trabalhadores, membros de
comissão de conciliação prévia, do conselho curador do FGTS e do conselho nacional
de previdência social.

Referências:

DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 15. ed. – São

Paulo: LTr, 2017.

FONTENELLE, André. Em 1967, FGTS substituiu estabilidade no emprego.

Agência Senado, 2017. Disponível em:


http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2019/06/01/em-1967 -fgts- substituiu-
estabilidade-no-emprego. Acessado em 01/06/2019.

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