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IMMANUEL KANT (1724-1804)

1 – VIDA

2 – O CONFLITO ENTRE RACIONALISTAS E EMPIRISTAS

3 – A VIRADA “COPERNICANA” NA EPISTEMOLOGIA KANTIANA

4 – A CRÍTICA DA RAZÃO PURA

5 – A CRÍTICA DA RAZÃO PRÁTICA

1 - VIDA

Natural de Köningsberg, Prússia (atual Kaliningrado, Rússia). Família numerosa. Enfrentou


duras privações.

Dedicou-se cedo ao estudo do latim e do grego.

Formou-se na universidade Köningsberg, onde também se tornou professor.

Era de extrema regularidade e muito prussiano. Recusou convites importantes para sair de sua
cidade. Viveu mais interessado na pesquisa do que na carreira.

Teve uma velhice sofrida. Perdeu a visão e a lucidez perto nos últimos anos de vida.

2 – O CONFLITO ENTRE RACIONALISTAS E EMPIRISTAS

a) Racionalistas: a única fonte do conhecimento é a razão, dotada das ideias inatas

- Os juízos válidos são analíticos a priori: o predicado já está contido no sujeito.

Ex. “O círculo é uma reta cujos pontos são todos eqüidistantes do centro”.

“Uma reta é um seguimento de pontos”.

b) Empiristas: a única fonte do conhecimento é a experiência sensível. A ciência avança


fazendo novas experiências. O trabalho da razão consiste em organizar as experiências feitas e
não em fazer análise de ideias.

- Os juízos válidos são sintéticos a posteriori: o predicado não está contido no sujeito.

Ex. “A uva é amarga”.

c) JUÍZO A PRIORI JUÍZOS A POSTERIORI

- Feitos a partir da razão – Feitos a partir da experiência

- Não oferecem uma novidade sobre o sujeito – oferecem uma novidade sobre o sujeito.

- Tem valor lógico universal – Não tem universalidade


- São necessários – São contingentes

- O predicado é atribuído essencialmente – O predicado é atribuído pela experiência

3 – A VIRADA “COPERNICANA” NA EPISTEMOLOGIA KANTIANA

a) Para Kant os racionalistas e empiristas erram por não levarem em conta que o
conhecimento é a junção de um elemento a priori (o sujeito) e um elemento a posteriori (o
objeto:

O sujeito oferece a FORMA do conhecimento. A forma é TRANSCENDENTAL. Todas as formas


pertencem ao sujeito, elas são as categorias supremas de conhecimento, sem elas o SH não
poderia conhecer nada.

O objeto oferece a MATÉRIA do conhecimento. A matéria do conhecimento vem do mundo, é


dada por meio da sensibilidade.

b) Do “geocentrismo” ao “heliocentrismo”

- geocentrismo: o sol girava e a terra era parada.

Na epistemologia, o objeto girava em torno do sujeito e o sujeito tinha que se adequar ao


objeto.

“heliocentrismo”: a terra gira em torno do sol e o sol fica parado.

Na epistemologia, o objeto deve ser o centro e o sujeito gira sobre ele, fazendo-o se adequar
ao sujeito.

c) O processo da intuição: o objeto se adéqua ao sujeito.

- Primeiro, a ciência deve reconhecer que seu papel é descrever as coisas e não se pronunciar
sobre a natureza delas.

- Segundo, a razão pura deve ser examinada para que saiba até onde pode ir, isto é, qual é o
seu alcance na capacidade de conhecer o mundo.

4 – A CRÍTICA DA RAZÃO PURA

a) As operações da mente: Apreensão, Juízo e Raciocínio.

b) A apreensão

- A sensibilidade é a primeira fonte de conhecimento. Ela é passiva. Os objetos afetam a


sensibilidade e são dados na intuição.

- A intuição é a maneira direta de nos referirmos aos objetos dados na sensibilidade.

- Formas puras da intuição: tempo e espaço. A multiplicidade que nos é dada na sensibilidade
só pode ser conhecida por meio das formas puras que temos de intuir os objetos.

- FENÔNEMO → Aparência e NUMENO → o objeto em si.


- O conhecimento, portanto, é síntese: o fenômeno dos objetos é dado na intuição sensível e o
SH faz a síntese no juízo aplicando as formas ou categorias.

c) O juízo

- A IMAGINAÇÃO unifica as intuições sensíveis e o entendimento julga por meio dos modos a
priori do juízo

- MODOS OU ESQUEMAS A PRIORI DO JUÍZO são Quantidade, Qualidade, Relação e


Modalidade. Por meio deles, o entendimento aplica as categorias da razão e forma os juízos.

- AS CATEORIAS DA RAZÃO são a priori ou transcendentais. Por conseguinte, o conhecimento


não é teoria, como pensavam os antigos, mas, sim, trabalho de síntese do SH.

d) O raciocínio

- a razão não apenas formula juízos sobre aquilo que é dado na intuição. Ela unifica todos os
juízos num conhecimento sistemático a partir de três Ideias ou Ideais: a Ideia de alma, a ideia
de mundo e a ideia de Deus.

- As Ideias não nascem da experiência, elas são as condições a priori da unidade da


experiência.

- A mente crê que as Ideias referem algo porque a razão tende a superar os limites do
fenômeno.

* A Ideia de alma: representa a totalidade das experiências pessoais;

* A Ideia de mundo representa a totalidade dos fenômenos;

* A Ideia de Deus: representa a totalidade a todo objeto posível.

- As ANTINOMIAS DA RAZÃO: Tese e Antítese

→ A alma é uma substância ↔ A alma não é uma substância.

→ O mundo teve um começo ↔ O mundo não teve um começo

→ Deus existe ↔ Deus não existe.

5 – A CRÍTICA DA RAZÃO PRÁTICA

a) Se não podemos conhecer as coisas em si, então a natureza não pode mais ser tomada por
modelo. Como SH deve viver? O que pode guiar sua ação?

b) A razão pura não pode conhecer os objetos além da intuição sensível, mas ela é prática e
tem a capacidade de guiar o SH. A razão pura dita a lei moral válida para todos.

c) Quando a vontade se inclina para a razão pura, ela é o que Kant chama de “boa vontade”.
Quando a vontade recusa-se a obedecer à razão e inclina a razão aos seus interesses, Kant a
chama de “vontade particular” ou “vontade movida por interesses particulares”.
d) Se a razão se inclina para a vontade movida por interesses particulares ela se chama “razão
prática empiricamente condicionada”. Esta razão não pode guiar o SH, ela está movida por
interesses particulares.

e) Mas se a razão pura pode guiar a vontade, ela conduz o SH à ação ética, porque ela contém
os princípios morais universalmente válidos. Estes princípios são:

- Imperativos hipotéticos: (que determinam a vontade sob uma condição. Ex. Se você quer ser
tratado bem, você deve tratar bem aos demais);

- Imperativos categóricos (você deve... e pronto!)

f) As fórmulas dos imperativos categóricos

- “Age de modo que a máxima da tua vontade possa valer sempre como princípio de legislação
universal”.

- Age de modo a considerar a humanidade, seja na tua pessoa, seja na pessoa de outro, como
um fim e nunca como um meio”.

g) A verdadeira moral, portanto, é “deontológica”, isto é, ela toma como fundamento único
apenas o dever. Para ela, a ação moral não é mais aquela ação que persegue um fim
considerado bom ou útil, mas aquela ação que realiza o imperativo categórico do dever,
independentemente de qualquer outra motivação. Pois, para ela a ação moral reside na
obediência à lei moral pura, isto é, na subordinação da ação ao princípio incondicionado do
querer em geral.