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papeis-equivocados-do-coordenador-pedagogico

Publicado em GESTÃO ESCOLAR Edição 14, 01 de Julho | 2011

Coordenador pedagógico

Os 6 papéis equivocados
do coordenador
pedagógico
Saiba quais são as atribuições que sobrecarregam o
responsável pela formação dos professores e fazem com
que ele deixe de realizar suas tarefas essenciais
Dagmar Serpa

O fiscal

Perfil Ele parece que está na escola só para


verificar se tudo está nos conformes. A
pesquisa O Coordenador Pedagógico e a
Formação de Professores: Intenções,
Tensões e Contradições, encomendada pela
Fundação Victor Civita (FVC) à Fundação
Carlos Chagas (FCC), revelou que 55% dos
coordenadores conferem se as classes
estão limpas e 72% inspecionam a entrada e
saída de alunos todos os dias. Há casos em
que o profissional assume a postura de inspetor até quando tenta ser
formador. "Se fizer a observação de sala de aula e a análise da prática
pedagógicas somente para pegar erros, estará desvirtuando o seu trabalho,
que é ser o parceiro mais experiente do professor", afirma Laurinda Ramalho
de Almeida, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Como evitar Um funcionário administrativo pode conferir as condições das


salas. A fim de dar mais segurança na entrada e saída de alunos, é preciso ter
uma pessoa capacitada para a função. Esse desvio pode ser corrigido com
uma conversa com o diretor para haver uma redistribuição de
responsabilidades. Já para se livrar da personalidade fiscalizadora, é
necessário um processo de conscientização - dele e do gestor - para que sua
atuação seja no sentido de assegurar o bom desempenho docente. As
secretarias de Educação implantam essa concepção na rede ao investir na
capacitação dos gestores. "A formação tem grande peso na construção da
identidade profissional, pois quem desenvolve as competências necessárias
para o exercício de determinada função sabe bem o que fazer e ganha o
respeito de todos", ressalta Vera Lucia Trevisan de Souza, professora da
Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas).

O secretário

Perfil Conferir listas de chamadas e


arquivá-las. Organizar os horários para o
uso da biblioteca e dos laboratórios.
Escrever as atas de todas as reuniões. Ele
faz tudo isso e, não raro, preenche e
confere documentos. A pesquisa constatou
que 22% dos entrevistados colocam
trabalhos administrativos na lista de
atividades da coordenação pedagógica.

Como evitar Questões burocráticas são atribuições de funcionários da


secretaria. É o diretor que pede tanta coisa a ele? É preciso então mudar essa
mentalidade. Para Luzia Marino Orsolon, diretora do Colégio Assunção, em
São Paulo, o gestor deve encarar o cotidiano de sua escola como uma
responsabilidade coletiva. Assim, cada um faz sua parte para que ninguém
fique sobrecarregado. "A rotina funciona bem quando há um trabalho
colaborativo, com o envolvimento de todos." O que complica é a burocracia?
Então, está na hora de repensar os processos. O problema é a falta de
pessoal? Espera-se que o diretor reivindique reforços na Secretaria de
Educação.

O psicólogo

Perfil Quase todo o foco de sua atenção


está dirigido aos alunos indisciplinados. Se
há brigas entre colegas de classe, rixa no
recreio ou um garoto hostil com os colegas,
ele tenta resolver. Um quarto dos
entrevistados considera sua atribuição a
resolução das questões de indisciplina, pois
muitas vezes é o próprio diretor ou um
professor quem encaminha as ocorrências
para ele e pede intervenção. Ou são os pais
que batem à sua porta em busca de ajuda.

Como evitar Nesse ponto, há uma ressalva. A indisciplina geralmente vem


dos alunos que não estão aprendendo e não têm a devida atenção do
professor nas suas necessidades de aprendizagem. Nesse caso, o
coordenador deve, sim, intervir, pois é sua obrigação cuidar para que a
dinâmica da sala de aula inclua a todos e que o professor possa atender à
diversidade e ensinar. "É função do coordenador receber a família quando se
trata de questões pedagógicas. Se for para resolver brigas do filho com
colegas, não", observa Luzia Marino Orsolon, diretora do Colégio Assunção,
em São Paulo. Há uma confusão entre o coordenador pedagógico e o
orientador educacional, cuja função é fazer a ponte entre as demandas dos
alunos e familiares com a escola. Quando há um na escola, fica fácil resolver
esse equívoco. Porém essa figura raramente existe no organograma das
redes. Quando não, uma ação de esclarecimento da equipe gestora com
funcionários e professores dizendo o que deve ou não ser levado ao
coordenador ajuda. Mas antes talvez seja necessário um processo de
autoconvencimento de que esse não é mesmo seu papel. "Tem coisas que o
coordenador faz porque se sente importante, fundamental na escola", alerta
Vera.

O síndico

Perfil Sua maior preocupação é com o


estado do prédio da escola, a quantidade
de materiais de consumo e a carência de
pessoal. Cerca de 35% dos consultados
citaram a falta de conservação das
instalações, de materiais didáticos e de
pessoal, o número insuficiente de
professores e funcionários e salas muito
cheias como sendo problemas do seu
cotidiano. A fase qualitativa do estudo
demonstrou ainda que há coordenadores que até empreendem esforços
pessoais para conseguir meios de suprir algumas necessidades mais urgentes
e custear melhorias. "Para arrecadar dinheiro, fiz galinhada, gincana e bingo",
contou um dos entrevistados.

Como evitar Cuidar de recursos e infraestrutura é atribuição do diretor e do


vice. Conforme os problemas detectados, eles terão de negociar com a
Secretaria de Educação reformas, consertos e reforço de pessoal. Se o
coordenador pedagógico está se ocupando em demasia de questões do
gênero, é sinal de que a equipe gestora precisa se reunir para rever a divisão
de atribuições e o uso adequado de recursos. "Coordenador, diretor e vice
precisam se juntar para fazer uma análise das demandas e resolver como
supri-las. O eixo da conversa deve ser o papel de cada um a fim de definir as
responsabilidades individuais e as ações coletivas", sugere Vera. Como
necessidades novas e urgências surgem todo dia, ela acrecenta que reuniões
esporádicas não resolvem. "Os encontros devem ser permanentes e
frequentes, semanais ou quinzenais."
O relações-públicas

Perfil Tem gincana, festa junina ou


qualquer evento na escola? Ele corta
bandeirolas e faz cartazes e convites: 18%
dos entrevistados afirmaram que é tarefa
da coordenação se envolver nesses tipos de
atividades extracurriculares. Mais da
metade dos coordenadores entrevistados
(54%) diz que gostaria de ter mais tempo
para visitar empresas a fim de firmar
parcerias com a escola - tarefa que cabe ao
diretor.

Como evitar O coordenador deve orientar a organização de eventos quando


esses tiverem relação com os projetos didáticos desenvolvidos pelos
professores. Mas veja bem: orientar não é executar. Ele não precisa bancar o
relações-públicas ou o promoter. O envio do comunicado aos pais, o
agendamento da visita ao museu e outras tarefas do gênero podem ficar nas
mãos de funcionários da secretaria, sob o comando dos professores
responsáveis pela ação. Se o coordenador tiver alguma ideia de parceria com
empresas ou entidades do entorno, deve planejar o projeto junto com os
professores, justificando a importância da ação para a ampliação dos
conhecimentos dos alunos, e levá-lo ao diretor.

O assistente social

Perfil De tão tocado com a situação precária


da comunidade do entorno, ele envolve-se
com os problemas de desemprego e
alcoolismo das famílias dos alunos e se
empenha em juntar alimentos não
perecíveis para distribuir aos mais carentes.
Quando sabe que há adolescentes metidos
com drogas na vizinhança, mesmo que não
estejam matriculados, tenta agir para que
mudem de vida. Às vezes, busca ajuda de
organizações não governamentais para iniciar algum projeto na escola e
ajudar não só os estudantes mas também toda a garotada do pedaço. A
pesquisa revelou que o grupo que considera ações sociais tarefas do
coordenador é pequeno (4%), mas existe.

Como evitar Ações que abram a escola e promovam a interação com a


família e a comunidade do entorno - como promover palestras temáticas de
interesse geral - são vistas com bons olhos. No entanto, a militância social é
iniciativa de outra ordem, que o coordenador pedagógico até pode ter, mas
nunca deve ser exercida no horário de trabalho, no qual é sua obrigação se
dedicar à formação de professores.

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Ana Maria Falcão de Aragão
Laurinda Ramalho de Almeida
Luzia Marino Orsolon
Vera Lucia Trevisan de Souza