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Copyright©2016 tradução portuguesa, Derek Prince Portugal

Copyright© 2009 DPM Nederland


Baseado em 15 transmissões de rádio de Derek Prince da série:
Keys to succesfull living com o titulo: Grace
DPM International – Charlotte, North Carolina

Publicado em Português pela:


Editora Um Êxodo Unip. Lda.
em nome do:
Derek Prince Portugal
Caminho Novo Lote X,
9700-360 Feteira AGH

Telf.: (00351) 295 663738 / 927992157


Blog: www.derekprinceportugal.blogspot.pt
E-mail: derekprinceportugal@gmail.com

ISBN : 978-989-8501-15-8

Autor: Derek Prince


Tradução/correção: Sónia Marques / Alda Silva
Redação: Christina van Hamersveld
Desenho da capa: Arnout Hendriks, DPM Nederland
Graça Definida

Deus tem colocado nas minhas mãos, através de muitos anos


de experiência pessoal e ministério Cristão, as chaves para
uma vida de sucesso.

O tema que escolhi para este livro é de uma beleza particular:


Graça.
E não consigo pensar em qualquer outra palavra que resuma
com mais precisão a verdadeira mensagem de Natal do que
esta.

É do meu desejo sincero que o leitor possa compreender o


verdadeiro significado e a verdadeira bênção do Natal. Mas
isto dependerá da atitude com que encarar a celebração de
Natal. Se a sua atitude for de sincera apreciação e
compreensão, poderá receber bênçãos que terão um valor
eterno. Por outro lado, se a sua atitude for igual à da maioria
das pessoas hoje, buscando apenas uma auto satisfação
carnal, então poderá muito bem sentir-se espiritualmente
mais pobre aquando do fim da celebração do que se sentia
antes.

Para mim, pessoalmente, a chave para a adequada


apreciação do Natal está contida numa linda palavra de
significado imensurável: Graça. Ao contemplar os eventos
que comemoramos no Natal, vejo claramente duas coisas
que contrastam entre si: a infinita graça e misericórdia de
Deus e a abismal necessidade e incapacidade humana.
Analisaremos ambos os lados deste assunto.

Mas primeiro quero começar por lhe dar uma definição de:
graça. A chamada “definição oficial”, que é aceite por
muitos professores bíblicos, certamente não engloba todo o
significado de Graça, mas é um bom ponto de começo. A
definição é esta: Graça é o imerecido e gratuito favor de
Deus para todo aquele que é pouco digno de merecer e para
o mau merecedor.

Repare, em primeiro lugar, que a graça é gratuita. Não pode


ser merecida, não se pode trabalhar para a receber. E depois
note que, não é só para os que são pouco dignos de receber,
mas também para os maus merecedores. Por outras palavras,
quando nós merecemos o que é mau, da Sua graça Deus
oferece-nos o que é bom.

Repare também que a palavra “favor” é uma palavra


alternativa para graça . Especialmente no Antigo
Testamento, ambas as palavras são usadas alternadamente.
Graça é um dos conceitos chave de todas as Escrituras. Ela é
introduzida no Antigo Testamento e torna-se completa no
Novo.
No Novo Testamento, a palavra Grega para “graça” ocorre
150 vezes. A saudação normal dos Cristãos no Novo
Testamento era: “Graça e paz…”. Por vezes também
adicionavam “misericórdia”, dizendo: “Graça, paz e
misericórdia…”. Uma coisa está implícita nesta saudação;
se quisermos ter paz, primeiro temos de ter a graça. A única
forma de verdadeiramente termos paz é através da graça de
Deus.

A maioria das epístolas do Novo Testamento também


termina com a palavra “graça”, em frases como: “A graça
de nosso Senhor Jesus Cristo seja convosco” ou “A graça de
nosso Senhor Jesus Cristo seja, irmãos, com o vosso
espírito” . As epístolas Neo-Testamentárias são o
pensamento primário da nossa compreensão da vida Cristã,
de como aplicamos as verdades do evangelho. E a lição a
aprender aqui é esta, a vida Cristã começa e termina com a
Graça. E se nós estamos a viver uma vida em que a graça não
é o princípio nem o fim, provavelmente não seremos bem
sucedidos na nossa vida Cristã.

A palavra Grega para “graça” é charis e quer dizer beleza ou


favor. No Hebraico são usadas duas palavras: chen e ratson.
As duas são usadas mutuamente. Chen significa beleza.
Ratson significa prazer. Quer dizer a graça sempre tem a ver
com beleza e atracção.
Uma frase que é muito utilizada no Antigo Testamento,
usando estas palavras, é encontrar graça ou favor aos olhos
de alguém. Por exemplo, a Bíblia diz que Noé encontrou
graça aos olhos de Deus. Isto distinguia Noé de todos os
outros homens da sua geração. Na sua geração, Noé e (por
causa de Noé) a sua família acharam graça aos olhos do
Senhor. Por outras palavras, a graça tem a ver com a forma
como olhamos para as pessoas. A Graça de Deus tem a ver
com a maneira que Deus olha para nós. Há um ditado que diz:
“A beleza está nos olhos do observador.” E a Graça realça
esta verdade. Não começa connosco, mas com Deus. Ela
origina-se através da forma que Deus escolhe olhar sobre
nós. Quando Ele olha para nós com favor, então a graça
começa a operar nas nossas vidas.

O conceito de que a graça depende, primeiramente, da forma


que Deus nos vê ou olha para nós, está lindamente ilustrado
nas bênçãos Leviticas que são encontradas em Números
6:22-26; uma bênção que é, provavelmente, familiar à
maioria de nós que já frequentámos uma igreja ou qualquer
tipo de serviço religioso. Uma bênção que é partilhada e
usada por Cristãos e Judeus:

“Disse o Senhor a Moisés: Fala a Arão e a seus filhos: Assim


abençoareis os filhos de Israel, dizendo-lhes (e agora vem a
bênção): O Senhor te abençoe e te guarde. O Senhor faça
resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti.
O Senhor sobre ti levante o seu rosto, e te dê paz.”
Números 6:22-26

Na realidade, esta benção tem seis partes:

1ª O Senhor te abençoe
2ª O Senhor te guarde
3ª O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti
4ª O Senhor tenha misericórdia de ti
5ª O Senhor sobre ti levante o seu rosto
6ª O Senhor te dê paz

Apaz é o alvo final.

Repare, a quarta benção tem a ver com a misericórdia


(nalgumas traduções aparece a palavra graça) – esta é a
palavra-chave deste conjunto de benções. A graça é o
conceito de Deus no qual Ele nos mostra a Sua face, tanto
antes como depois da frase onde fala da misericórdia – fala
sobre a face do Senhor. “O Senhor faça resplandecer o seu
rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti. O Senhor sobre ti
levante o seu rosto, e te dê paz.” Então, a graça é, colocada
mesmo no meio de duas frases que falam sobre a forma como
o Senhor olha para o Seu povo.

Primeiro de tudo, o Senhor faz resplandecer a Sua face sobre


o Seu povo, e depois, o Senhor coloca a Sua face na direcção
do Seu povo. Esta é a operação da graça do Senhor. Tem a
ver com a forma como o Senhor olha para nós. E o
resultado disso novamente é, a paz. Repare que, “Ele dá-nos
paz.” Mas mais uma vez, a lição é que, a paz só vem
mediante a graça de Deus.
Existe um belo exemplo da graça de Deus que se manifesta
no Seu olhar sobre o Seu povo no final do capítulo 2 de
Êxodo, onde descreve a miséria de Israel no Egipto e como o
Senhor começou a mostrar graça ou favor para com eles.
Está escrito em Êxodo 2:23-25:

“Decorridos muitos dias, morreu o rei do Egipto; os filhos


de Israel gemiam sob a servidão e por causa dela clamaram,
e o seu clamor subiu a Deus.
Ouvindo Deus o seu gemido, lembrou-se da sua aliança com
Abraão, com Isaque e com Jacó.
E viu Deus os filhos de Israel e atentou para a sua
condição.”

Veja, aqui estão os Israelitas em miséria e necessidade


desesperada, incapazes de se ajudarem a si próprios. Tudo o
que eles podem esperar é, a graça de Deus. Deus ouve os seus
gemidos e clamores, e a Sua resposta é: Deus olhou para os
Israelitas e atentou para a sua condição. Este é o favor de
Deus. A Sua graça é colocada na direcção dos Israelitas.
Deus estava preocupado com eles. Na prática Ele começou
interferir a favor deles para os libertar. Mas, no ponto em
que diz, “ E viu Deus os filhos de Israel,” foi neste ponto que,
a Sua graça começou a funcionar em favor deles.
Permita-me mostrar-lhe uma bela escritura do Novo
Testamento. 1 Pedro 5:10 diz:

“Ora, o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à


sua eterna glória, depois de terdes sofrido por um pouco, ele
mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e
fundamentar.”

Estas palavras não são bonitas? Repare que, antes de tudo,


ele é o Deus da graça. Por outras palavras, a graça provém
única e exclusivamente de Deus. Não existe nenhuma outra
fonte de graça. Se quiser graça, então deve direccionar-se a
Deus, porque Deus é a única fonte de graça no universo.

Observe o que a Graça faz: A Graça restaura-nos, torna-nos


fortes, firmes e inabaláveis. É desta forma que a Graça opera.
A Graça é o favor de Deus olhando para nós, é a Sua face
direccionada para nós. E, quando Deus olha na nossa
direcção e intervém, a Graça Dele faz o que precisamos.
Graça versus Obras

A graça de Deus é essencialmente a forma como Ele olha


para nós. Deus olha para nós com favor. Ele vê-nos de
maneira diferente das pessoas que não desfrutam da Sua
graça. Isto foi ilustrado através do exemplo de Noé. Noé
achou graça, ou favor aos olhos do Senhor. Deus olhou para
Noé de uma maneira diferente de todos os outros homens da
sua geração. E, como resultado disso, o destino de Noé era
totalmente diferente. Todas as outras pessoas pereceram.
Noé foi salvo porque, Deus olhou para ele com graça ou
com favor.

Então, este é o conceito básico da graça. É a forma como


Deus olha para nós. Como resultado do Seu olhar sobre nós,
as coisas acontecem nas nossas vidas, que não
aconteceriam por qualquer outro motivo. O nosso destino é
mudado. Torna-se bom e próspero, em vez de mau e triste.
Centrar-me-ei numa importante distinção que a Escritura faz
constantemente, a distinção entre graça e obras.
Quero salientar que, neste ponto, há um aspecto intelectual
na explicação que dou. Não é, uma citação, puramente
espiritual, tem de aplicar a sua mente; se prestar
cuidadosamente atenção à explicação, através de sua
apreciação intelectual obterá enriquecimento espiritual.
A passagem chave para a distinção entre graça e obras
encontra-se em Efésios 2:8-9 onde Paulo diz:

“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não


vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém
se glorie.”

Repare que, há duas declarações positivas e uma declaração


negativa. Elas estarão sempre juntas. As duas declarações
positivas são "pela graça, mediante a fé." A Graça sempre
vem mediante a fé. Adeclaração negativa vem logo a seguir
“não vem de vós;não de obras”. A Graça exclui sempre as
obras. Se é pela graça, então não é por obras, não por aquilo
que fazemos ou fizemos. Não podemos trabalhar para a
receber, não a podemos ganhar, não a merecemos. Temos de
recebê-la pela fé. Ao longo do Novo Testamento, sempre
encontraremos este contraste. Graça e obras são duas
alternativas mutuamente exclusivas. Isto é afirmado muito
claramente por Paulo em Romanos 11:6:

“E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a


graça já não é graça.”

Por outras palavras, se puder ganhar, não é graça. Se é pela


graça, não poderá ganhar. Mantenha isto continuamente na
mente, porque muitos cristãos ao longo da sua vida cristã
voltam para uma atitude em que tentam novamente merecer
a graça. O contraste entre a graça e obras indica-nos dois
caminhos mutuamente exclusivos de alcançar
a justiça com Deus. Um deles é a lei, o outro é Cristo. A lei
exige obras, Cristo oferece graça.
Mais uma vez temos de escolher. Isto é-nos colocado, na
passagem de João 1, quando João apresenta Jesus como a
Palavra eterna de Deus, feito carne. Ele diz em João 1:17:

“Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a


verdade vieram por meio de Jesus Cristo.”

Existem duas apresentações alternativas: A lei que foi dada


através de Moisés; a graça [e também com ela, a verdade],
que veio através de Jesus Cristo.
Para ser justificado pela lei, para conseguir justiça através da
lei, terá de manter toda a lei em todo o tempo. Isto é muito,
muito importante. A maioria das pessoas não vê isso. A lei
dada por Moisés foi um sistema único e compreensivo. Tudo
foi dado duma vez só. É algo completo por todo tempo e
Moisés continuamente advertiu os israelitas, "Nada
poderão adicionar a ela, nada poderão tirar. Terão de
manter toda a lei em todo o tempo. "
Isto é-nos revelado no Novo Testamento na epístola de
Tiago, quando o próprio Tiago diz no capítulo 2 versículos
10 e 11:
“Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só
ponto, se torna culpado de todos.
Porquanto, aquele que disse: Não adulterarás também
ordenou: Não matarás. Ora, se não adulteras, porém matas,
vens a ser transgressor da lei.”

Se manter 99 por cento da lei e falhar apenas em 1 por


cento, está a quebrar toda a lei, porque isso é uma completa
unidade indivisível.
E depois, em Gálatas 3:10 Paulo mostra-nos também estas
palavras:

“Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de


maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não
permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para
praticá-las.”

Repare nestas palavras importantes. Todo aquele…


permanece… em todas as coisas. “Maldito todo aquele que
não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei.”
Por outras palavras, se estiver na direcção de ser justificado
pela manutenção da lei, tem de fazer tudo o que a lei diz, em
todo o tempo. Não pode manter a lei a 99 por cento todo o
tempo e apenas 1 por cento do tempo não a manter e dizer
que este 1 por cento não interessa. Esse 1 por cento do tempo
que não a mantém, faz com que invalide todo o tempo que a
manteve até então. Não pode manter 99 por cento da lei em
todo o tempo e quebrar apenas 1 por cento da lei e dizer,
"Este 1 por cento não importa. Tenho mantido todos os 99
por cento. "A Escritura diz que, tem de manter toda a lei em
todo o tempo. E se confiar no manter da lei para conseguir a
justiça, e se a quebrar em algum ponto ou em qualquer
momento, então está sob maldição. A própria lei pronuncia
uma maldição. “Maldito todo aquele que não permanece
em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-
las.” A única maneira em que Israel pode receber a lei, era
colocando-se debaixo desta maldição.

A próxima verdade que temos de enfrentar é que, nunca


ninguém conseguiu manter toda a lei em todo o tempo,
excepto uma pessoa. E essa pessoa era Jesus. Então, Paulo
diz em Romanos 3:20:

“Visto que ninguém será justificado diante dele por obras da


lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do
pecado.”

A lei dá-nos algo muito importante. Não se trata de justiça,


mas sim do conhecimento do pecado. A lei dá-nos o
conhecimento do pecado, mas não somos capazes de
conseguir justiça, mantendo a lei.
Portanto, há apenas um caminho a percorrer. Se a lei é
excluída, então a única forma de conseguir justiça, a
Graça de Deus, é através de Cristo. Paulo diz em Romanos
3:21-24:

“Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus


testemunhada pela lei e pelos profetas; justiça de Deus
mediante a fé em Jesus Cristo, para todos (e sobre todos) os
que crêem…”

Repare, isso é através da fé. É pela graça, e não pelas obras.

“…porque não há distinção…”

Entre Judeu e Gentio, entre católicos e protestantes, entre


uma e outra nacionalidade
Nós somos todos iguais em determinado ponto, pois todos
pecaram e carecem da glória de Deus. Se não aceitar isto,
está a argumentar com o Deus Todo-poderoso, veja que Deus
na Sua própria palavra diz que, todos pecaram. Ele diz isso
no Antigo Testamento. Ele diz isso tudo no Novo
Testamento. Aplica-se ao judeu, aplica-se aos cristãos.
Todos têm pecado e carecem da glória de Deus. Por isso, não
podemos ser justificados. Não podemos conseguir justiça
mantendo a lei, porque a temos quebrado. Portanto, a única
outra alternativa é:
“…sendo justificados gratuitamente, por sua graça,
mediante a redenção que há em Cristo Jesus.”

Não vamos conseguir alcançar justiça, mantendo a lei. Todos


nós falhamos. Temos de aceitar que a única alternativa é a
graça de Deus que vem até nós livremente. Nós não a
ganhamos, recebemo-la por acreditarmos. E ela chega até
nós através de Jesus Cristo.
E assim Paulo fala em Romanos 10:4 na relação entre Cristo
e a lei como um meio de justiça. Ele diz em Romanos 10:4:

“Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que


crê.”

Depois de acreditar em Cristo, então já não pode exercer a lei


como um meio para alcançar justiça com Deus. A lei ainda é
uma parte da eterna Palavra de Deus. É ainda uma
maravilhosa demonstração da justiça de Deus e das regras de
Deus. É ainda uma parte da total cultura e da história do povo
(Israel) de Deus. Cristo não aboliu a lei. Mas, como um
meio para alcançar justiça com Deus, quando Cristo
morreu na cruz, trazendo os pecados e a culpa de quem
quer que estava sob a lei e daqueles que não foram, através
da sua morte na cruz, Cristo finalmente acabou com a lei
como um meio aceitável para a realização da justiça com
Deus. E como Paulo diz, Estamos todos sob a graça e
misericórdia de Deus. Não temos outra alternativa a
considerar. Trata-se de GRAÇAOU NADA.
A Humanidade precisa
da Graça de Deus

Olhemos para a condição da raça humana a parte da graça de


Deus. Uma vez que nós compreendemos isso,
compreendemos porque razão somente a graça, satisfaz as
necessidades do homem.

A primeira imagem que quero mostrar da humanidade antes


do mover da Graça de Deus é encontrada em Mateus 4:12-
16:

“Ouvindo, porém, Jesus que João fora preso, retirou-se


para a Galileia; e, deixando Nazaré, foi morar em
Cafarnaum, situada à beira – mar (o mar da Galileia), nos
confins de Zebulom e Naftali; Para que se cumprisse o que
fora dito por intermédio do profeta Isaías: Terra de
Zebulom, terra de Naftali, caminho do mar (o mar da
Galileia), além do Jordão, Galileia dos gentios! O povo que
jazia em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região e
sombra da morte resplandeceu-lhes a luz.”

Veja a imagem da humanidade quando Jesus entra em


cena, pessoas que vivem na escuridão. São pessoas que
vivem na terra da sombra da morte. O que significa esta
imagem para si? Posso resumi-la em três palavras:
escuridão, desespero e sem expectativas, apenas a morte.
Esta é a condição da humanidade à parte da graça de Deus.
Uma versão actual diz que eles realmente estavam sentados
na terra da sombra da morte. Imóveis, não tinham qualquer
forma de avançar, não podiam sair dela. Eles não tinham
alternativas. A sombra da morte, a longa sombra negra da
morte caía a cada dia um pouco mais em todas as suas vidas.
Nada tinham a esperar, mas a morte. Quão desesperante!
Quão miseráveis! E eis que surge a graça de Deus! Para
essas pessoas a luz brilhou. Eles não tinham nada a ver com a
luz brilhante, não poderiam comandar a luz. Se a luz não
brilhasse, nada poderiam ter. Esta é a graça de Deus. É
gratuita, imerecida. Não está no nosso poder de comando.
Tudo o que podemos fazer é, responder a ela.

Que Deus nos ajuda dar a resposta adequada a essa


maravilhosa graça. Podemos ver-nos como somos ou como
fomos sem a graça de Deus e, perceber novamente a
infinita profundidade e riqueza da Sua graça.
Agora, vou mostrar-lhe a mesma condição espiritual descrita
por Paulo em Efésios 2:1-5:

“Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e
pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste
mundo segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito
que agora actua nos filhos da desobediência; entre os quais
também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações
da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos
pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como
também os demais.
Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande
amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos
delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, - pela graça
sois salvos…”

Observe como Paulo neste ponto enfatiza que a graça é a


única que poderia ajudá-los. Veja, espiritualmente
estávamos mortos. Nós estávamos mortos em nossas
transgressões e pecados. Fomos separados da vida de Deus.
Somos incapazes de responder a Deus de qualquer forma.
Considere o desamparo e o desespero de uma pessoa morta –
a falta de esperança. Pode apresentar a lei a uma pessoa
morta, mas ela não a pode ver. Pode pregar sermões a uma
pessoa morta, mas ela não os pode ouvir. Poderá mostrar
bons exemplos a uma pessoa morta, pois ela não poderá vê-
los. Não há nada, que possa ajudar tal pessoa, dentro daquilo
que está no seu poder de a conseguir. E essa foi a nossa
condição. Paulo diz que todos nós éramos assim.
Andávamos segundo a nossa natureza. Essa é uma
afirmação que não agrada em muitos círculos, mas continua
a ser verdade hoje. Por natureza, fomos separados de Deus.
Vivemos num mundo sem Deus, sem a Sua graça.

Pense nos hinos de Charles Wesley, “ o meu espírito preso


por longos anos, esteve cativo à noite do pecado e das
trevas.” Que verdade que é, em cada um de nós – em
cativeiro do pecado e das trevas da natureza da noite,
incapazes de ajudarmo-nos a nós mesmos, incapazes de
reagir, incapazes de fazer qualquer coisa boa, simplesmente
mortos.
Esta é uma razão clara porque a lei não pode ajudar
ninguém. Paulo diz em Gálatas 3: 21:

“…Porque se fosse promulgada uma lei que pudesse dar


vida, a justiça, na verdade, seria procedente da lei.”

Se a lei pudesse dar vida, então, a lei poderia ajudar uma


pessoa morta. Mas a lei não pode dar vida. A lei não é uma
natureza que transmite vida. Ela diz-nos o que fazer. É
bonita, é santa, é justa. Mas, não nos pode dar vida. E, a
única necessidade primária para uma pessoa morta é a
vida. E, a vida vem unicamente pela graça. É como, quando
Jesus caminhava na Galileia, em direcção dos que estavam
sentados na região de sombra da morte, e a gloriosa luz de
Deus mostrando-os a Sua graça e misericórdia. Eles não
tinham mérito nenhum, era tudo a Graça de Deus. Olhe por
um momento no Velho Testamento para a imagem do
homem sem a graça de Deus. Não difere no mínimo do Novo
Testamento. Em Salmos 14:2-3 encontramos uma
declaração sobre toda a raça humana. Fala sobre os filhos dos
homens, que é, de toda a humanidade. Diz o seguinte:

“Do céu olha o SENHOR para os filhos dos homens, para


ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus. Todos se
extraviaram e juntamente se corromperam; não há quem
faça o bem, não há nem um sequer.”

Não é o Novo Testamento, é o Antigo Testamento.


Primeiramente foi dirigido a Israel, mas também inclui toda
a humanidade, como Deus olhou dos céus para os filhos dos
homens. Ele procurava alguém que fizesse o bem. Mais do
que isso, Ele procurava alguém que buscasse a Deus fora da
sua própria necessidade. E a resposta é, que não havia um
sequer. Veja, à parte da graça de Deus, nem sequer vemos a
necessidade que temos Dele. Pense nesta linda canção que
conhecemos tão bem “Amazing Grace”. Existem duas frases
que dizem, “Foi a Graça que ensinou meu coração temer, e a
graça, os meus medos aliviou.” À parte da graça de Deus não
vemos a nossa necessidade. Não podemos ver a situação
desesperada em que nos encontramos, somos como pessoas
mortas.
Não há nada, que possamos fazer por nós mesmos,
enquanto a graça de Deus não entrar em funcionamento.

Lembro-me que depois de conhecer o Senhor Jesus Cristo e


provar da Sua graça de uma forma verdadeiramente pessoal,
costumava dizer a mim mesmo, "Bem, eu era um pecador,
não tenho dúvidas sobre isso”. Graças a Deus eu nunca tive
qualquer dúvida sobre isso. Mas pensava, "Afinal, havia
algo de bom em mim. Eu tinha um desejo da verdade.” Eu
realmente estava a seguir a verdade. É por isso que eu
comecei a praticar yoga. É por isso que eu comecei a estudar
filosofia. É por isso todas estas coisas. Então, realmente,
houve de facto um pouco de bom em mim e Deus trabalhou
nesse pouco de bom que existia. E um dia, através da
Escritura e do Espírito Santo, eu vi muito claramente que
mesmo o desejo da verdade não existia por natureza. Foi
colocado ali por graça de Deus. Foi uma maneira que a graça
de Deus utilizou para se começar a mover na minha vida. E
que, provavelmente tinha começado mesmo quando eu era
um adolescente. No entanto, não cheguei a conhecer o
Senhor de uma forma pessoal antes dos meus 24 ou 25 anos.

Então veja, a Graça de Deus trabalha nas nossas vidas,


mesmo antes de sabermos que precisamos e antes mesmo
de estarmos dispostos a voltar para Deus e a receber.
Distinção entre Graça e Justiça

É muito importante compreendermos a distinção entre graça


e justiça. Permita-me dizer isto novamente, há um conteúdo
intelectual neste ensino que exige que se aplique a sua
mente, que se concentre. E, se entrar na verdade intelectual,
aquilo que virá será uma tremenda bênção espiritual. Mas
não poderá ter esta bênção espiritual, enquanto não colocar
um esforço intelectual necessário para compreender estas
distinções importantes.

A natureza de Deus é como uma moeda, em certo sentido.


Existem dois lados que compõem o conjunto. Estes dois
lados estão muito brevemente resumidos em Isaías 45:21. O
Senhor fala através de um profeta, e ele diz:

“…Pois não há outro Deus, senão eu, Deus justo e Salvador


não há além de mim.”

Existem dois lados que compõem a total natureza de Deus.


De um lado da moeda, a justiça. Do outro lado da moeda
Deus apresenta-se como salvador. Agora, a justiça
corresponde à lei e, exige obras. O lado do salvador
corresponde à graça de Deus e, exige fé. Precisamos de
compreender a natureza da justiça. A sociedade
contemporânea está tremendamente confusa sobre a justiça.
Há uma espécie de ideia de desleixo sentimental de justiça, o
que significa que perdoa a todos, deixa por aí tantos
criminosos quanto podem e provavelmente tornam-se mais
rígidos para a vítima do que para o criminoso. Isto é um
pouco a maneira de como a justiça é vista e realmente
funciona na sociedade contemporânea. Isso não é a
verdadeira justiça.Averdadeira justiça é muito exacta, muito
imparcial. Justiça faz duas coisas. Ela recompensa e
protege o justo e castiga o pecador e o infractor. E como o
próprio Deus tem dois lados, a justiça tem também dois
lados. Não se pode acabar com um lado e manter a justiça.
Ajustiça recompensa o justo e pune o infractor.

Agora, a justiça de Deus é um padrão absoluto. Ele diz isso


de novo, através do profeta Isaías, em Isaías 28:17. Deus
diz:

“Farei do juízo a régua e da justiça, o prumo…”

Isso é realmente uma metáfora usada na construção civil.


Duas coisas que cada construtor está familiarizado: linha de
medição ou uma régua, e um prumo. A medição da linha ou,
as distâncias medidas pela régua.
O prumo vê se uma coisa é vertical ou não. E Deus disse, a
minha justiça é assim. É invariável, é imparcial. Ela mede
a todos o mesmo exactamente, seja ele Judeu, Gentio,
Católico ou Protestante, ou de qualquer nacionalidade.
Deus não tem padrões diferentes de justiça. Ele mede a
todos com a mesma medida e verifica toda a vida com o
mesmo prumo de linha. Agora, suponha que a largura de uma
parede deveria ser de 15,24 cm, coloca a régua sobre ela, e dá
14.60 cm. Bem, poderá dizer que é quase 15,24cm, mas não
é. Poderá ser 14,92cm, poderá ser 13,49cm, mas não é 15,24
cm. Então, não passa. É assim que é a justiça. Algumas
pessoas pensam que eles estão muito mais perto de ter a
medição certa do que outros. Mas se não tiverem a medição
exacta, não importa se estão perto ou longe, não serão
aceites.

Considere o prumo de linha. Precisamos de saber se uma


parede é vertical, então penduramos o prumo na parede de
cima para baixo, tem 0,15 cm de distância a partir da base da
parede. Então, o que sabemos nós? A parede não é vertical.
Há apenas um único objectivo invariável e é o mesmo para
cada pessoa e em todas as situações. Isto é a justiça de Deus.
E se nós queremos justiça temos de encará-la. Será desta
forma que ela irá operar. Será exacta, será totalmente
objectiva. Não haverá qualquer elemento de
misericórdia. Não vale a pena apelar aos sentimentos ou ao
pedido de compaixão. É simplesmente exacto. E em certo
sentido, a exactidão e a severidade da justiça está resumido
em Levítico 24:17-20, uma parte do código legal de Moisés.
Isto é o que diz:

“Quem matar alguém será morto. (Não há alternativa) Mas


quem matar um animal o restituirá: igual por igual. Se
alguém causar defeito em seu próximo, como ele fez, assim
lhe será feito: fractura por fractura, olho por olho, dente por
dente; como ele tiver desfigurado a algum homem, assim se
lhe fará.”

Isso é justiça. É o objectivo soberano invariável. É o


objectivo, prumo sem variações. Ele é igual para cada vida.
Muitas pessoas hoje em dia exigem justiça. É um dos mais
familiarizados pedidos que ouvimos, tanto na nossa
sociedade como em todo o mundo. "Eu quero justiça." E,
obviamente, há certas razões para fazer este pedido, mas
quando se trata do nosso relacionamento com Deus,
amigo, eu quero avisá-lo, não exija justiça. Na verdade,
não tem de exigir justiça, porque a natureza da justiça virá
quer a procure ou não.
Neste contexto, eu penso sempre numa pequena história que
eu ouvi sobre uma senhora que foi ao fotógrafo tirar algumas
fotografias. Na devida altura, verificou as provas. Quando o
fotógrafo lhe entregou as provas ela olhou para ele e abanou
a cabeça. Ela realmente não gostou do que viu. Então, ela
disse ao fotógrafo, "Estas fotos não me fazem justiça." O
fotógrafo olhou para ela por um momento e então, disse-lhe,
"A senhora não precisa de justiça, precisa de misericórdia."
Bem, essa é a verdade sobre si e sobre mim. Não precisamos
de justiça, precisamos de misericórdia. Se exigimos justiça
podemos obtê-la, mas ficaremos arrependidos de a ter
pedido. Desta forma, vemos a natureza da justiça. É
imparcial, objectiva, invariável e nenhuma misericórdia
poderá ter qualquer influência nela.

Mais uma das coisas que precisamos de enfrentar, é que a


fonte da graça é a mesma que a fonte da justiça. Nós não
podemos obter graça de nenhuma outra fonte, mas apenas
da fonte que também oferece justiça. Deixe-me dar-lhe um
ou dois exemplos. Suponha que conduz o seu carro onde está
a sua esposa e um amigo no banco de trás e excede o limite de
velocidade. Entretanto, a Polícia manda-o encostar à berma
da estrada e passa-lhe uma multa. Então diz-lhe: "Sr. Policia,
estou realmente arrependido pelo que fiz, mas por favor, não
me passe uma multa." E, depois, volta para o carro e diz à sua
esposa: " Sabes, eu realmente não queria uma multa. Eu não
me posso dar ao luxo de obter outra multa agora." E a sua
esposa diz-lhe: "Bem, eu sei que não precisas de outra multa,
mas eu não posso mudar nada acerca disto." Então, procura
o seu amigo e diz-lhe: "Eu realmente gostaria de
misericórdia." O seu amigo no banco de trás diz: "Eu tenho
certeza que precisas de misericórdia, mas não sou eu que a
posso dar." A única pessoa que lhe pode dar misericórdia é a
pessoa que lhe passou a multa. Graça e justiça provêm da
mesma fonte.

Entretanto é acusado de uma infracção penal e terá de


responder em Tribunal. Está muito nervoso, tem o amigo
consigo e a sua esposa ao seu lado, e, do outro lado o seu
advogado. Volta-se para o advogado e diz: "Oh, eu realmente
gostaria de ser perdoado. Queria misericórdia." Diz a
mesma coisa à sua mulher e ao seu amigo. O que é que eles
respondem? "Não somos nós que perdoamos porque não
administramos justiça." O único que pode perdoar é o juiz. A
pessoa que administra a justiça é o que também pode
oferecer graça. E essa é a verdade nessa situação descrita. Se
deseja graça e misericórdia, só virá daquele que oferece
justiça. Deus é a fonte e a única fonte de toda a graça.
A Única Base para a Graça de Deus

A primeira distinção que eu mencionei foi, a diferença entre


graça e obras. Obras, é o que se ganha por aquilo que
fazemos. A graça é o que recebemos através da fé sem ganhar
o que quer que seja. A essência da graça, é que não pode ser
adquirida. Em seguida, houve a distinção entre lei e Cristo
que se resume em João 1:17:

“Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a


verdade vieram por meio de Jesus Cristo.”

A lei exige obras e não aceitará qualquer outra coisa, mas


obras perfeitas. Cristo, por outro lado, oferece graça
recebida através da fé e não exige que cumpramos todas as
obras da lei. E depois, há o contraste entre a graça e a justiça
onde a justiça é exacta, objectiva, invariável, há apenas um
padrão, onde todos são medidos da mesma forma. Mas
graça, anula ou passa sobre as exigências da justiça e oferece
algo que a justiça nunca poderá oferecer. Iremos lidar agora
com a única base para a graça de Deus. Houve um caso na
história humana que tornou possível oferecer a graça de
Deus e não apenas justiça: a morte de Jesus Cristo na
cruz!
Veja, como eu já referi, há uma espécie de tensão entre a
graça e a justiça. Como pode Deus ser absolutamente justo e
ainda oferecer graça e misericórdia. Esta tensão está
expressa no Antigo Testamento numa revelação de que o
Senhor fez de Si mesmo a Moisés. Moisés pediu para ver a
glória do Senhor e as Escrituras dizem que o Senhor desceu,
pronunciou o Seu nome a Moisés e, em Seu nome foi
revelada a Sua natureza.
Encontramos isso em Êxodo 34:5-7:

“Tendo o SENHOR descido na nuvem, ali esteve junto dele e


proclamou o nome do SENHOR. E, passando o SENHOR
por diante dele, clamou: SENHOR, SENHOR Deus
compassivo, clemente e longânime e grande em
misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil
gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o
pecado, ainda que não inocenta o culpado…”

Então, vemos aqui uma enorme ênfase da graça de Deus e


misericórdia, amor e fidelidade, a Sua vontade de perdoar.
Mas termina com a advertência: “ainda que não inocenta o
culpado.” A graça de Deus é tal que não pode comprometer
a Sua justiça. No Salmo 89:14 o salmista diz ao Senhor:

“Justiça e direito são o fundamento do teu trono; graça e


verdade te precedem.”

Todo o trono de Deus é construído sobre a rectidão e a


justiça. Se Deus alguma vez se comprometesse ou se
desviasse da total rectidão e justiça, o próprio trono de Deus
seria ameaçado. Ele já não seria seguro. Lá, existe
fundamento para as regras de Deus, porque o Seu trono
representa as Suas regras. As Suas regras são baseadas na
rectidão e na justiça. Todo o universo se desviaria, o caos iria
substituir a ordem. Então, Deus deve manter a Sua justiça.
Primeiro, porque é a sua natureza, seria contrário à sua
natureza fazer qualquer outra coisa. Segundo, porque iria
produzir o caos em todo o universo.

Então, estamos face a face com este problema. Simples de


perceber mas nada simples de resolver. O problema é este:
Como Deus pode ser justo e ainda perdoar os pecados? Só
Deus poderia resolver este problema. E só havia uma
maneira de ele resolver o problema, através da morte de
Jesus Cristo pelos nossos pecados na cruz, e por isso, Paulo
apresenta a cruz como a solução para este problema, como
Deus pode ser justo e ainda perdoar? Em Romanos 3:23-
26, Paulo diz isto – precisamos de ter muita atenção. Ele
começa por afirmar a culpa de toda a raça humana. Os
versículos 23 e 24 dizem:
“Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo
justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a
redenção que há em Cristo Jesus.”

Repare, porque todos pecaram, nenhum de nós pode pedir


por justiça. Mas podemos ser justificados livremente pela
graça de Deus. Note que, quando a graça é gratuita, não
trabalhei para a receber. Não foi ganha. Recebi através da
redenção, através da obra redentora de Jesus Cristo na cruz.
Então Paulo continua:

“…a quem Deus propôs (Jesus), no seu sangue, como


propiciação…”

O sacrifício de Jesus trouxe o pecador de volta a Deus,


reconciliou o pecador com Deus e fez com que fosse possível
perdoar o pecador e ter paz com Deus.

“…a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação,


mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na
sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente
cometidos…”

Veja, Deus perdoou os pecados de muitas gerações


anteriores, mas, a Sua justiça nunca tinha sido satisfeita.
Como é que isso aconteceu? Porque Deus esperava o
momento em que Jesus através da Sua morte na cruz, de
uma vez por todas satisfizesse a justiça de Deus e que a
tornasse consistente, para que os pecados das gerações
anteriores fossem perdoados. Houve uma grande questão
no universo. Deus tem esses pecados perdoados. Ele tem
administrado justiça. Como poderia isto ser possível? E,
num certo sentido, todo o universo esperava que Deus
resolvesse este problema. Como? Através da morte de
Jesus na Cruz. E assim, quando Deus permitiu que Jesus
morresse pelos nossos pecados, Paulo resume-se a isto,
Romanos 3:26:

“Tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo


presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele
que tem fé em Jesus.”

Eis a resolução do problema. Deus mantém a Sua justiça,


mas Ele também justifica, Ele inocenta, oferece perdão
para o que crê em Jesus, porque a totalidade da culpa de
toda a raça humana já tinha sido levada mediante Jesus
através da Sua morte. A justiça de Deus foi satisfeita pela
morte de Jesus. Portanto, para aqueles que crêem em Jesus
e nos méritos do Seu sangue derramado, Deus é agora
capaz de oferecer perdão, paz, a absolvição e justiça
através da fé no sangue de Jesus. Deus é justo, mas desta
maneira também é O Justificador daquele que acredita em
Jesus.
O carácter expiatório da morte de Jesus na cruz é
profeticamente estabelecido em Isaías 53:4-6, é uma
profética antevisão do que viria a ter lugar quando Jesus
morresse na cruz. Estas são as palavras de Isaías:

“Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as


nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito,
ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi trespassado pelas
nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o
castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas
pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos
desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo
caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de
nós todos.”

Isto resume-se nesta última afirmação. O Senhor fez cair a


iniquidade, a rebeldia, o pecado, de toda a raça humana sobre
Jesus. E Jesus pagou o preço por nós. “Mas ele foi
trespassado pelas nossas transgressões e moído pelas
nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava
sobre ele.” Porque Ele foi punido, Deus agora pode oferecer-
nos a paz, a reconciliação.
Ou seja: Terá sempre de ter a graça antes de poder ter paz.
Esta reconciliação entre a justiça e a misericórdia está
lindamente retratada pelo salmista em Salmos 85:10-11 (A
Bíblia Viva):

“Então, o amor fiel e a verdade se encontrarão; a perfeita


justiça e a paz andarão de mãos dadas. A verdade se espalha
pela terra inteira, e a justificação perfeita sorri para o
mundo, lá do céu.”

Foi na Cruz onde a misericórdia e a verdade se encontraram


com a implacável justiça. A implacável justiça foi
estabelecida com Jesus para que assim se tornar acessível a
misericórdia e a verdade para o crente em Jesus. Sempre foi
enfatizado que a graça vem com a verdade. O pecado do
homem nunca pode ser esquecido. Nada pode ser, como
diríamos, varrido para debaixo do tapete. Tudo tem de estar à
vista, ser lembrado, para poder ser tratado. A verdade tem de
ser satisfeita. Mas quando a verdade e a justiça são satisfeitas
então, a misericórdia está disponível. A verdade é
preservada, a justiça é satisfeita. É o que abre o caminho para
a misericórdia e a paz. E o resultado é: a verdade sob da
terra e a justiça sorri do céu.

Leia na sua própria Bíblia, Salmos 85:10-11. Veja que bela


imagem de reconciliação entre a justiça de Deus e a graça de
Deus, que foi realizado na cruz, e depois aplique-a à sua
própria vida.

“Encontraram-se a graça e a verdade, a justiça e a paz se


beijaram. Da terra brota a verdade, dos céus a justiça baixa
o seu olhar.”
Deus dá Graça ao Humilde

Olhemos para uma questão extremamente importante, e um


requisito indispensável para receber a graça de Deus. O
requisito é: humilharmo-nos. Deixe-me acrescentar que a
humildade é, uma decisão que temos de ser nós a tomar,
ninguém mais poderá fazer isso por nós. Eu realmente acho
que não devemos orar a Deus e dizer, "Deus, torna-me
humilde" porque acho que na Escritura, Deus vem até nós e
diz-nos, "Quem quer ser humilde, humilhe-se a si mesmo".
Vejamos alguns exemplos disso na Escritura do Novo
Testamento sobre este tema da humildade. Primeiro de tudo,
Tiago 4:6-7:

“Antes, ele dá maior graça; pelo que diz: Deus resiste aos
soberbos, mas dá graça aos humildes.”

Repare nas duas atitudes diferentes de Deus. Ao orgulhoso,


Ele oferece oposição. Ao humilde, Ele oferece a Graça. E
Tiago continua nos seguintes versículos:

“Sujeitai-vos, portanto, a Deus…”

Por outras palavras, se quer a Graça de Deus, deve deixar o


orgulho e sujeitar-se. Então, Tiago continua:
“…mas resisti ao Diabo, e ele fugirá de vós.”

Veja, uma vez que nos sujeitamos a Deus, estamos na


posição para resistir ao diabo. Mas acredite em mim, se
tentar resistir ao diabo sem se submeter a Deus, será
desastroso para si. Então, a primeira sujeição é humilhando-
nos a nós mesmos para com Deus. O Novo Testamento
também nos diz que temos de nos humilhar uns para com os
outros. Em 1 Pedro 5:5-6, Pedro cita a mesma passagem do
Antigo Testamento que se encontra no livro de Provérbios e
que Tiago também citou. Isto é o que ele diz:

“Rogo igualmente aos jovens: sede submissos aos que são


mais velhos; outrossim, no trato de uns com os outros, cingi-
vos todos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos,
contudo, aos humildes concede a sua graça.”

Pergunto-me se está a começar a receber a mensagem. Deus


opõe-se ao orgulhoso, mas dá graça aos humildes. E então,
Pedro prossegue:

“Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para


que ele, em tempo oportuno, vos exalte.”

Pedro diz-nos novamente que temos de nos humilhar sob a


mão poderosa de Deus, mas ele também diz que temos de nos
vestir com humildade uns para com os outros. Então, Deus
exige que nos humilhemos a Ele e também que sejamos
submissos aos que são mais velhos. Veja, a essência da
humildade é que nós reconheçamos que precisamos da graça
de Deus. Deus nunca derrama a Sua graça sobre aqueles
que não vêem a necessidade da mesma. Há um belo modelo
disto na canção de louvor que a Virgem Maria deu ao Senhor
após o anjo lhe ter anunciado que iria ser a mãe do Messias, o
Filho de Deus. Esta bela canção é geralmente conhecida
como o "Magnificat" da palavra latina para louvar ou
glorificar. Encontramos estas palavras em Lucas 1:46-48:

“Então, disse Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, e


o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador, porque
contemplou na humildade da sua serva. Pois, desde agora,
todas as gerações me considerarão bem – aventurada.”

Repare naquilo que fez com que o Senhor escolhesse a


Virgem Maria para esta única honra entre todas as mulheres.
Foi a sua humildade. Quando o anjo apareceu pela primeira
vez e se dirigiu a ela e lhe disse, “Não temas; porque achaste
graça diante de Deus.” É a mesma palavra. Então, a grande
graça de Deus foi oferecida à virgem Maria por causa da sua
humildade. E um pouco mais tarde, na mesma canção ela
continua:

“Agiu (Deus) com o seu braço valorosamente; dispersou os


que, no coração, alimentavam pensamentos soberbos.
Derribou do seu trono os poderosos e exaltou os humildes.
Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos.”

Repare novamente na ênfase sobre os humildes e os


famintos, os que sentem a necessidade de Deus. E depois
por outro lado, Deus rejeita os orgulhosos e os ricos,
aqueles que são suficientes em si mesmo, aqueles que em
nada necessitam de Deus. A barreira do orgulho que mantém
a graça de Deus fora das vidas muitas das vezes assume a
forma de auto justificação.

Quero compartilhar consigo uma parábola que Jesus falou


sobre o perigo da auto justificação e como ela mantém a
graça de Deus fora das nossas vidas. É a parábola do fariseu
e do publicano, que encontramos em Lucas 18:9-14:

“Propôs também esta parábola a alguns que confiavam em


si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os
outros.”

Repare que, o problema está em confiarem em si mesmos.


Jesus passou por:

“Dois homens que subiram ao templo com o propósito de


orar: um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, posto em
pé, orava de si para si mesmo…
(ele estava completamente centrado em si, auto-suficiente,
auto satisfeito)

…desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como


os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem
ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e
dou o dízimo de tudo quanto ganho (aqui está auto
justificação). O publicano, estando em pé, longe, não
ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no
peito dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador!”

Mas, na realidade, o grego diz: "Deus, tenha misericórdia


de mim, pecador." Por outras palavras, sou necessitado de
misericórdia. Ele não olha para mais ninguém, ele não se
compara com os outros, ele apenas olhou para Deus, na
verdade, ele nem sequer levanta os olhos falando
fisicamente, para Deus, mas interiormente ele considera
Deus, a justiça de Deus, a Sua santidade, a Sua justiça, e ele
diz, "Deus, eu sou pecador. Não estou a exibir a minha
justiça, a minha bondade. Eu sou um dos que necessita." E
então, este é o comentário de Jesus:

“Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não


aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o
que se humilha será exaltado.”

Repare novamente no último destaque. Qual é a chave? É


humilhando-nos. O que conteve o fariseu de fazer isso?Asua
religião auto justificada. Ele estava tão ocupado com o que
pensava que era a sua bondade e a sua justiça e todas as boas
coisas que ele fazia e de como ele era muito melhor do que os
outros, que a barreira da auto justificação o excluiu da graça
de Deus na sua vida. O publicano, por sua vez, não tinha essa
barreira, ele simplesmente abriu o seu coração e recebeu a
graça de Deus, foi justificado, absolvido, e aceite por Deus.
Então, deixe-me exortar-lhe, defenda-se contra esta barreira
de auto justificação. Não procure Deus, com base na sua
bondade, na sua justiça e na sua religião, porque dessa
forma não será aceite.
Como Receber a Graça de Deus

O que é que se segue depois de nos humilharmos; a transação


que de facto abre as nossas vidas para a plenitude da graça de
Deus.
Isso é de vital importância para todos. Existem dois aspectos
para esta transacção. A primeira é negativa e a segunda é
positiva. Olhemos em primeiro lugar para a negativa. É
resumida em duas simples palavras que são muito
surpreendentes. Qual a primeira coisa que terá de fazer
realmente para receber a graça de Deus? A resposta é parar
de fazer o que quer que seja. Pare de trabalhar, pare de tentar
ganhar. Enquanto estiver a tentar ganhar a graça de Deus não
a poderá receber. Deus não lhe pode dar a Sua graça nesta
base, porque Deus é um Deus de verdade absoluta e esta é
uma base falsa. Nunca poderá ganhar a graça de Deus.

Assim, enquanto estiver a tentar ganhar, nunca a poderá


receber, porque se Deus lhe der sobre esta base que é falsa,
terá uma imagem falsa de si mesmo, de Deus e de tudo o que
está envolvido. Então, o primeiro requisito e a grande
dificuldade para as pessoas religiosas é parar de trabalhar.
Pare de tentar ganhar.

Isto é claramente afirmado por Paulo em Romanos 4:4-5:


“Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como
favor, e sim como dívida. Mas, ao que não trabalha, porém
crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída
como justiça.”

Estas palavras são de importância vital, para o homem que


não trabalha para alcançar a graça. A primeira coisa que tem
de fazer é parar de trabalhar no alcance da graça. Então,
simplesmente confie em Deus que justifica os ímpios.
Naturalmente, que é muito humilhante, pois significa que se
colocará na categoria daqueles que precisam de ser
justificados porque é ímpio. E, claro, isso é muito, muito
difícil para as pessoas religiosas. Mas aquele que confia em
Deus que justifica os ímpios, a sua fé é creditada como
justiça. A partir de então, estará a viver de crédito, não viverá
na produção do seu próprio trabalho. Viverá do crédito de
Deus. Essa é a graça de Deus. A Sua fé é creditada a si como
justiça. Não será avaliado justo por causa do que fez, mas
porque acredita em Deus que justifica o injusto.
Uma vez que parou de trabalhar para alcançar a graça de
Deus, o que terá de fazer então? A resposta é muito simples,
terá de receber Jesus, terá de se render a si mesmo sem
reservas a Jesus. Lembre-se do que a Escritura nos diz
diversas vezes, João 1:17:

“Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a


verdade vieram por meio de Jesus Cristo.”

Toda a graça de Deus está em Jesus Cristo. Não existe outro


canal para a graça de Deus, só Jesus. Portanto, se quer a
graça de Deus tem de receber Jesus. Quando O recebe, toda a
graça de Deus é disponibilizada para si. Olhe mais
firmemente para a afirmação em João 1:11-17:

“Veio (Jesus) para o que era seu, e os seus não o


receberam.”

Repare, que é uma transação crucial, recebê-lo.

“…Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de


serem feitos filhos de Deus…”

Ele deu-lhes isso, foi como um presente, não ganharam isso.

“…a saber, aos que creem no seu nome.”

Agora, qual o resultado de O receber? Versículo 13:

“Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da


carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.”

Eles nasceram de novo, eles experimentaram um novo


interior e transformação espiritual, a renovação, o
renascimento. E então, isso está directamente ligado com a
graça de Deus manifestada em Jesus. João continua no
próximo versículo:

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e


de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigénito
do Pai.”

Repare agora na ênfase da graça e na verdade.

“João testemunha a respeito dele e exclama: Este é o de


quem eu disse: o que vem depois de mim tem, contudo, a
primazia, porquanto já existia antes de mim.”

E então João, o escritor do evangelho, continua:

“Porque todos nós temos recebido da sua plenitude e graça


sobre graça.”

Por outras palavras, quando recebemos Jesus em seguida,


toda a plenitude de Deus em Cristo é-nos disponibilizada.
Cada graça que há com Jesus está disponível para nós. João
resume isso, neste versículo:

“Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a


verdade vieram por meio de Jesus Cristo.”
Veja, há ênfase na graça. Cheia de graça e verdade. Graça
sobre graça. Graça e verdade. E toda a ênfase está, em
receber Jesus. Assim, o decisivo aspecto positivo desta
transacção está em receber Jesus, rendendo-se a Ele. Trata-se
de não ser religioso, não é dizer orações, não é ir à igreja.
Tudo isso pode ser muito bom no seu próprio lugar, mas a
chave decisiva desta transação é submetendo-se a si
mesmo a Jesus, entregando-se a si mesmo sem reservas,
abrindo-se para Ele e a tudo o que Ele tem para trazer e a
tudo o que Ele tem para fazer na sua vida. Tem um resultado
duplo. Primeiro de tudo, há um novo nascimento, um novo
tipo de vida que começa dentro de nós. Não se trata de vida
física, mas sim de vida espiritual. Embora que, mais cedo ao
mais tarde também afectará a nossa vida física.

Então, com Jesus em nós recebemos da Sua plenitude, graça


por graça. Para cada graça em Cristo, o novo nascimento
abre o caminho para a correspondente graça se manifestar
em nós. É tudo contido em Jesus. Assim, quando recebemos
Jesus, em seguida, cada graça que está em Jesus torna-se
disponível para nós. Jesus é como um belo diamante com
inúmeros aspectos, onde todos os quais brilham e contêm a
faísca com a beleza e com a graça. Cada aspecto do
diamante é uma graça especial. Quando temos esse
diamante, então o caminho está aberto para que a graça em
todos os aspectos brilhe nas nossas vidas.
Deixe-me dar alguns exemplos práticos de como isso
funciona. Eu tenho provado isso na minha própria
experiência vezes e vezes sem conta. Imagine que tem um
problema com a timidez. Tudo bem. Renda-se à graça de
Jesus e a Sua coragem é-lhe disponibilizada. Portanto, a sua
fraqueza de timidez é substituída pela Sua graça de coragem.
Ou imagine que tem um problema com a raiva. Este foi o
meu maior problema pessoal, há muitos anos. Mas,
rendendo-se a Jesus, o seu problema com a raiva é
substituído pela Sua graça e delicadeza. Posso realmente
dizer que isto tem funcionado na minha vida ao longo de
vários anos. Pessoas que me conheceram nestes últimos anos
nunca acreditariam que já tive problemas com a raiva, mas
ela foi substituída pela graça de Deus. Não tenho crédito
para isto, é graça. Não ganhei, não trabalhei para a
receber; creditei.

Imagine que tem um problema com a luxúria. Qual a


solução? Deixe a graça da pureza de Jesus se manifestar em
si. Permita-me que diga uma coisa, nunca se concentre no
negativo. Não gaste todo o seu tempo a preocupar-se com o
seu problema, porque isso não lhe ajudará. Apenas afaste-
se do problema e renda-se à correspondente graça de
Jesus. Se o seu problema é luxúria, aceite a Sua pureza. Ou,
se tiver um problema com a insensatez. Qual a solução?
Aceitar a graça da sabedoria que está em Jesus. Deixe que a
Sua sabedoria comece a operar através de si. Ficará
espantado com os resultados. Será capaz de responder a
alguém que nunca poderia responder, e pensa, "de onde
recebi esta resposta?"Aresposta vem da graça de Deus.

Permita-me dar mais um exemplo, muito comum. Tem o


problema de se preocupar. Eu tenho certeza que há muitas
pessoas que têm esse problema. O que irá fazer sobre isso?
Não se preocupe com a preocupação, apenas renda-se a Jesus
e deixe que a graça da Sua paz tome o lugar da sua
preocupação.
Aprender a Confiar na Graça de Deus

Precisamos de aprender a confiar na graça de Deus na nossa


vida diária. E eu penso que para a maioria de nós não tem
sido fácil aprender a confiar na graça de Deus. A nossa
tentação é sempre, de começar na graça de Deus, ficamos
satisfeitos connosco e achamos que estamos a ir bem, que
podemos lidar com isso, e até pensamos: ” agora estou
realmente maduro”. Em seguida, sem nos apercebermos
deixamos de confiar na graça de Deus, e o que é que
acontece? Encontramo-nos com problemas, porque estamos
de novo na nossa natureza carnal com todas as suas
insuficiências e falhas. Então, quero sugerir-lhe três simples
e sucessivas medidas que nos ajudam a manter a confiança
na graça de Deus.

Ponto um, afirme que Cristo vive em si. Há um belo


exemplo disso nas palavras de Paulo em Gálatas 2:20:

“Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e


esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho
de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.”

Então, fui crucificado com Cristo, já não estou vivo. É


Cristo que vive em mim agora. Eu não enfrento os
problemas com o meu velho eu, eu enfrento os problemas da
vida como uma pessoa na qual Cristo vive. Ele tornou-se a
minha vida. Precisa afirmar isto, precisa afirmar isto
continuamente. Cada vez que estiver sob pressão e achar que
não pode lidar com isso, diga, "Já não sou eu quem vive, mas
Cristo vive em mim." É muito importante que o possamos
dizer com os nossos lábios, com a nossa boca, porque
estamos realmente a verbalizar a nossa fé. Isto é o que se
chama de confessar a Bíblia, é dizer com a nossa boca a
mesma coisa que a Bíblia nos diz, e acreditarmos com o
nosso coração. Não basta acreditar no seu coração; diga-o
com a sua boca. Seguidamente, eis o segundo ponto, que por
sua vez é um ponto negativo. Não coloque nenhuma
confiança na carne. Mais uma vez, vou citar as palavras de
Paulo em Filipenses 3:3:

“Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a


Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não
confiamos na carne.”

Nos dias de Paulo um assunto muito disputado foi: é preciso


circuncisão ou não. Penso que não precisamos de nos
envolver nisto. Mas, as pessoas que se chamaram a si mesmo
de circuncidados consideraram-se o povo de Deus, aquelas
pessoas que tinham tudo. Paulo diz que não é bem assim. Ele
diz que esta é a marca da verdade, do povo de Deus
circuncidado. E ele dá três marcas. Primeiro, Adoramos
pelo Espírito de Deus, não estamos vinculados a algum
espaço de adoração, porque a nossa adoração é em espírito e
em verdade, como disse Jesus. Em segundo lugar, gloriamo-
nos, exaltamo-nos ou vangloriamo-nos em Cristo Jesus.
Não nos vangloriamos na nossa própria justiça, não nos
vangloriamos do nosso parentesco, da nossa denominação,
das nossas boas obras, do nosso certificado de batismo. Mas,
vangloriamo-nos em Cristo Jesus. E, terceiro, não
coloquemos a confiança na carne. Deliberadamente
dizemos que não dependemos da nossa capacidade, da nossa
própria força ou da nossa própria justiça.

Paulo continua na passagem e diz: “Bem que eu poderia


confiar também na carne.” Ele diz, “Circuncidado ao
oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim,
hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu, quanto ao zelo,
perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei,
irrepreensível.”
Mas ele diz: “Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei
perda por causa de Cristo.”

Se quiser a graça de Deus tem de confiar na Sua graça


totalmente. Não pode misturar graça e obras. Este é um
princípio que percorre o Novo Testamento. Portanto, é
importante que diga, não confio nas minhas boas obras, não
confio na minha própria capacidade, não confio na minha
denominação, na minha igreja, seja ela qual for. Confio na
graça de Deus em mim. Em seguida, o terceiro ponto estará
mais perto de tudo isso, pois confio em toda a suficiência de
Cristo. Novamente vou citar Paulo em Filipenses 4:13:

“Tudo posso naquele que me fortalece.”

“Tudo posso.” Isto é vaidade, é orgulho? Não, por causa das


palavras que se seguem. “Naquele que me fortalece” Ele já
afirmou que “não sou eu quem vive”, é Cristo que vive em
mim. E agora ele diz que “com Cristo que vive em mim eu
posso enfrentar qualquer situação, cada problema”,
naturalmente, dentro da vontade de Deus. Em qualquer
lugar que Deus me coloca, eu posso lidar com a situação,
pois é Cristo em mim que me dá a força. Eu posso fazer
tudo.

Permita-me que lhe sugira para não continuar a falar sobre o


seu insucesso e as suas incapacidades porque já os
renunciou. Já não confia neles, por isso não se mantenha
incomodado com eles. Seja positivo no que diz. Eu posso
fazer tudo através de Cristo em mim que me dá a força.
Deixe-me só resumir estas três etapas sucessivas, uma vez
mais. Primeiro, afirme que Cristo vive na sua vida. Em
segundo lugar, não confie na carne, onde está por
natureza. E em terceiro lugar, confie na total suficiência de
Cristo. Mantenha-se focado nos aspectos positivos, centrado
em Jesus. Não volte atrás para os seus próprios fracassos,
porque quando fala sobre os seus próprios fracassos, eles
realmente indicam que, em certa medida, confiou na sua
própria capacidade. Renuncie a ambos.

Deixe-me partilhar brevemente, duas maneiras de se


proteger contra o desânimo. Uma das mais fortes armas do
diabo contra a maioria de nós é o desânimo. Quando nos
sentimos desencorajados então ele pode fazer quase
qualquer coisa que queira connosco. E assim, se estiver
desencorajado em qualquer momento ou a ser tentado a isso,
deixe-me oferecer-lhe estas duas palavras de encorajamento.
Primeiro de tudo, quando somos fracos somos fortes. Veja
as palavras de Paulo em 2 Coríntios 12:9-10:

“Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o


poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais
me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o
poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas
injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias,
por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que
sou forte.”

Então, quando se sentir fraco, não seja desencorajado. Em


certo sentido, é bom sentir-se fraco. Porquê? Porque quando
se sente fraco, está na direcção da graça de Deus. De facto, a
graça de Deus manifesta-se mais facilmente nas áreas da
nossa vida em que vemos a nossa fraqueza do que naquelas
áreas onde pensamos que nós mesmos podemos lidar com a
situação. Então, com certeza que irá haver alturas que se
sentirá fraco e incapaz. Não se preocupe. Não desista.
Apenas confie em toda a graça de Deus, porque a graça de
Deus é oferecida para os mais fracos. Basta dizer como
Paulo disse. “Porque, quando sou fraco, então, é que sou
forte.”
E em segundo lugar, se fracassar, não fique desanimado.
Porque, a nossa fé ainda é creditada como justiça mesmo
quando falhamos. Volte novamente a Romanos 4:5:

“Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica


o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça.”

Mesmo quando não faz o que é correcto, se não desistir de


acreditar e confiar em Deus, a sua fé ainda lhe é atribuída
como justiça. Trata-se de um crédito, não é algo que
realmente tem, mas é um crédito. Permita-me dar um
pequeno exemplo da cultura contemporânea. Hoje em dia há
tantas coisas que compramos com um cartão de crédito. Nós
não temos dinheiro, mas oferecemos o cartão de crédito.
Bem, Deus fez o Seu cartão de crédito disponível para si
através da sua fé. Então, quando não consegue enfrentar a
situação e falha, basta estender o cartão de crédito e dizer a
Satanás ou a quem quer que seja, "A minha fé ainda me é
creditada como justiça. Deus aceita a responsabilidade por
mim mesmo da maneira que eu sou. "
Abrir Espaço Para a Graça de Deus

Paulo dirigindo-se aos cristãos de Coríntios alerta-os para a


necessidade de crer que o poder de Deus se aperfeiçoa nas
nossas fraquezas, conforme encontramos logo a seguir, em
2 Coríntios 12:10:

"Quando eu sou fraco, então, é que sou forte".


Por outras palavras, quando reconheço o meu ponto fraco,
então é mais fácil para mim dar espaço para a correspondente
graça de Deus. Mas quando eu penso que sou responsável e
posso lidar com a situação por mim mesmo, em seguida,
posso estar a entrar em problemas. Abrir espaço para a graça
de Deus exige que superemos um grande obstáculo, a nossa
própria vida. Enquanto pretendermos manter o nosso velho
estilo de vida, realmente não poderá haver espaço algum
para que a graça de Deus seja vista em nós.

Neste aspecto, a vida humana pode ser comparada a um rolo


de filme duma câmara fotográfica. O negativo é projetado
apenas para uma exposição. Assim neste negativo em que o
indivíduo foi exposto é realmente inútil tentar produzir a
imagem de Jesus.
O novo nascimento é utilizarmos um rolo de filme novo,
virgem e aí sim sobre este novo negativo há espaço para uma
verdadeira e precisa representação de Jesus.Mas não tente
sobrepor o negativo de Jesus onde ainda tem o velho
individuo, porque tudo o que voçê obtém é uma imagem
muito desfocada em que nada está claro. Esta verdade já
estava implícita numa passagem que referimos
anteriormente escrita por Paulo, onde diz, "Eu fui
crucificado com Cristo, já não sou eu quem vive, mas Cristo
vive em mim." Tenho que aceitar a minha própria morte
antes da vida de Jesus se tornar eficaz em mim. Gostaria de
referir o mesmo princípio numa outra passagem escrita por
Paulo, que se encontra em 2 Coríntios 4:5-6, onde diz:

“Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo


Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por
amor de Jesus. Porque Deus, que disse: Das trevas
resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso
coração, para iluminação do conhecimento da glória de
Deus, na face de Cristo.”

Isto é realmente uma declaração muito notável quando


considera estas palavras de Paulo nesta situação. Paulo, o ex-
fariseu orgulhoso, judeu virtuoso aos seus olhos, escreveu
estas palavras para os cristãos em Coríntio, ele diz, “Nós
mesmos como vossos servos, por amor de Jesus.” É preciso
pensar que tipos de cristãos de Coríntio tinham sido
completamente avaliados nesta declaração que Paulo faz.
Paulo recorda-os em 1 Coríntios 6:9-11, isto é o que ele diz
para estas mesmas pessoas:

“Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de


Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem
adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões,
nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem
roubadores, herdarão o reino de Deus. Tais fostes alguns de
vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes
justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do
nosso Deus.”

Que tipo de pessoas vemos? Vamos percorrer a lista por um


momento e ver para que tipo de pessoas Paulo escrevia. As
pessoas impuras, idólatras, adúlteros, homossexuais,
sodomitas, ladrões, avarentos, bêbados, maldizentes e
ladrões. Para este tipo de pessoas, este orgulhoso e auto
justificado fariseu (Paulo antes da conversão) escreveu,
(depois da conversão) "Nós mesmos como vossos servos,
por amor de Jesus." Se não fosse a graça de Deus eu não
acredito que houvesse qualquer outra forma de um homem
como Paulo puder ter sido mudado até este ponto. As suas
próprias práticas religiosas nunca teriam conseguido isso.
Foi necessário o sobrenatural, a soberana graça de Deus,
para trazer o tipo de mudança num homem como Paulo que
até então tinha sido tão auto justificador, para chegar ao
ponto de ele próprio querer ser o servo das pessoas que, antes
do seu encontro com Jesus, não teria sequer andado do
mesmo lado da rua que elas. Ele teria retirado a orla das suas
vestes e depois ele diz a estas mesmas pessoas, "Eis aqui os
vossos servos, estamos aqui para servi-los, só queremos
fazer-lhes bem. "

Observe os três passos que conduziram Paulo a este lugar de


graça. Estão contidos nas palavras que vimos anteriormente.
O primeiro é a negação de si mesmo. “Porque não nos
pregamos a nós mesmos.”. O segundo é reconhecer a
autoridade de Jesus. “Cristo Jesus como Senhor.” E depois,
“a nós mesmos como vossos servos.” Veja, esta é a chave.
Não nós mesmos, mas, negarmos a nossa própria vida.
Terceiro, isso faz de nós servos vinculados, com
compromisso, ou seja faz de nós seus servos. A graça de
Deus muda-nos tão completamente, que fazemos com
alegria qualquer coisa que pudermos para ajudarmos as
pessoas a saborearem a graça que temos experimentado.
Paulo continua a enfatizar que esta milagrosa graça de Deus
está sempre contida em vasos de barro, para que,
permaneçam sempre continuamente dependentes da graça.
É desta forma que ele continua em 2 Coríntios 4:7-12:

“ Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a


excelência do poder seja de Deus e não de nós. Em tudo
somos atribulados, porém não angustiados; perplexos,
porém não desanimados; perseguidos, porém não
desamparados; abatidos, porém não destruídos; levando
sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua
vida se manifeste em nosso corpo. Porque nós, que vivemos,
somos sempre entregues à morte por causa de Jesus, para
que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne
mortal. De modo que, em nós, opera a morte, mas, em vós, a
vida.”

Esta última frase é muito, muito significativa. “De modo


que, em nós, opera a morte, mas, em vós a vida.” Não nos
podemos tornar canais de vida e da graça de Cristo
enquanto a morte não trabalhar em nós, até que neguemos
a nós mesmos, até que deixemos o nosso velho homem
crucificado na cruz com Cristo, até que possamos dizer
como Paulo disse, “Porque eu, mediante a própria lei, morri
para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com
Cristo.” Uma vez que tenhamos chegado ao fim de nós
mesmos, das nossas próprias suficiências, da nossa própria
justiça e da nossa própria força, depois de tudo estar morto,
então, a vida de Deus flui através de nós para os outros.
Tornamo-nos canais da divina vida sobrenatural e graça.

Na minha própria experiência, de muitos, muitos anos de


ministério aprendi que, geralmente, o resultado mais bem
sucedido no meu ministério vem quando sou mais
incomodado, quando estou mais sob pressão, quando eu
mais gosto de fazer qualquer outra coisa. Porque, é sempre
através da morte de mim mesmo que a vida de Jesus pode ser
manifestada. Então, quando passar este dia, lembre-se que
está apenas continuamente num vaso de barro. Não fique
perturbado pelas pressões, pelos problemas, pelas provas.
Eles são obrigados a vir. Mas eles são apenas uma forma de
lembrar de que não vive mais em si mesmo, mas é Cristo
quem vive em si. Tem este tesouro num vaso de barro. É um
vaso fraco, mas lembre-se que, a força de Deus é que nos
torna perfeitos na fraqueza. É tudo desenhado para que
confie mais e mais na graça de Deus.
Gloriar somente na Graça

Gostaria que analisasse novamente as palavras de Paulo em


2 Coríntios 4:5-6:

“Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo


Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por
amor de Jesus. Porque Deus, que disse: Das trevas
resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso
coração, para iluminação do conhecimento da glória de
Deus, na face de Cristo.”

Estas palavras "das trevas resplandecerá a luz", que Paulo


cita de Génesis 1, são realmente uma bela adição da graça.
Aqui estamos com a escuridão da nossa vida humana, o
nosso pecado, a nossa impotência, a nossa inutilidade. Nada
nos poderá elogiar, nada podemos fazer para nos ajudarmos
a nós mesmos. E naquela escuridão Deus enviou a luz da Sua
graça para brilhar na beleza do rosto de Jesus. Já lemos
anteriormente na Escritura, “ para aqueles que estavam
sentados na região e na sombra da morte, a luz surgiu”. Para
mim, essa é a essência do Natal. Eu não penso
principalmente num bebé deitado numa manjedoura, mas
penso na luz de Deus em Jesus Cristo a brilhar na infinita
profundidade da escuridão da vida humana, desfazendo a
escuridão e trazendo luz, vida, esperança e paz. Lembre-se
do que foi falado anteriormente, não há paz sem graça. É
sempre primeiramente a graça e depois a paz.

Voltando às palavras de Paulo, vimos a chave desta


maravilhosa transformação na qual este orgulhoso fariseu
auto justificado, estava disposto a ser servo das pessoas que
ele nem sequer falava antes de conhecer Jesus. Isso está
resumido em três fases. Em primeiro lugar, não em nós
mesmos. Segundo, o Senhor Jesus Cristo. E depois, nós, os
Seus servos por amor de Jesus.

Agora, vou-lhe mostrar como a graça de Deus não deixa


margem para o orgulho, excepto quanto à graça de Deus.
Esse é o único tema no qual se pode orgulhar; sobre o caso de
estar a viver na graça de Deus. Nada nos resta da nossa
bondade ou da nossa própria justiça ou da nossa própria
sabedoria que nos possamos orgulhar. Paulo continua
mostrar isto cuidadosamente em várias passagens do Novo
Testamento. Em Romanos 3:27-28 diz:

“Onde, pois, a jactância? Foi de todo excluída.”

Por outras palavras, não há espaço para ela…


“Por que lei? Das obras? Não…”
Se tivéssemos respeitado a lei perfeitamente, teríamos algo
para nos orgulharmos. Mas por que lei?

“…Pelo contrário, pela lei da fé. Concluímos, pois, que o


homem é justificado pela fé, independentemente das obras
da lei.”

Se somos justificados pela fé, sem manter a lei, então não


temos nada para nos orgulharmos. A vanglória é excluída
pelo princípio da fé. E então, no próximo capítulo 4:1-3 de
Romanos, Paulo passa a aplicar isso especificamente. Foi
muito importante para Paulo provar que este era o princípio
sobre o qual Abraão foi aceite com Deus, porque Abraão era
o pai de toda a raça de Israel e a sua experiência foi a chave
para poder compreender a própria experiência deles. Quer
dizer, Paulo tem o cuidado de mostrar que Abraão não tinha
nada para se orgulhar. Ele também foi justificado pela fé sem
obras. Isto é o que ele diz, Romanos 4:1-3:

“Que, pois, diremos ter alcançado Abraão, nosso pai


segundo a carne? Porque, se Abraão foi justificado por
obras, tem de que se gloriar, porém não diante de Deus. Pois
que diz a Escritura? Abraão creu em Deus, e isso lhe foi
imputado para justiça.”

Na verdade, ele é nosso pai espiritual.Abraão recebeu justiça


de Deus não na base da manutenção de qualquer lei ou das
suas boas obras, mas simplesmente porque ele acreditava na
graça de Deus.
E, com base na sua fé ele foi creditado com justiça. Ele
recebeu esse tremendo maravilhoso cartão de crédito.
Quando não estamos a fazer exactamente aquilo que
devemos fazer, a nossa fé continua a ser creditada para a
justiça. Não se pode pagar com boas obras, mas podemos
estender o cartão de crédito da justiça. Paulo recorda essas
coisas aos cristãos em Coríntio, e, em seguida, salienta a
mesma lição:
não há qualquer espaço deixado para a vanglória.
1 Coríntios 1:26-31:

“Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não


foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos
poderosos, nem muitos de nobre nascimento.”

Há três coisas principais que causam aos homens a confiança


em si próprios. Sabedoria ou educação, influência social ou
política, e nobre nascimento. Paulo recorda aos cristãos em
Coríntio que a maioria deles não se podia gabar de qualquer
dessas três pontuações. Mas ele prossegue:
“Pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo
para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do
mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as
coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que
não são, para reduzir a nada as que são...”

Esta é uma lista espantosa do que Deus tem escolhido. Ele


escolheu as coisas loucas, as coisas fracas, as coisas
humildes, as desprezadas, e mesmo aquelas que não são, só
para reduzir a nada as que são. E Paulo dá a razão:

“…a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus.


Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da
parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e
redenção…”

Paulo diz que nada temos em nós mesmos. Não é a nossa


própria justiça, não é a nossa própria redenção. Mas, é a
sabedoria de Deus, Jesus Cristo fez estas coisas para nós. É a
Sua graça em nós, que produz estas coisas.

E depois Paulo resume a passagem a seguir:

“…para que, como está escrito (Paulo cita o Antigo


Testamento): Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor.”

No tempo ou na eternidade não há nada em que nos


possamos gloriar, somente no Senhor. E então, novamente
em Gálatas 6:14, uma das mais surpreendentes declarações:
“Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de
nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está
crucificado para mim, e eu, para o mundo.”

Se conhecesse o mundo antigo nos dias de Paulo, se soubesse


o que o castigo da cruz significava, era o cúmulo da
vergonha, da degradação. Um cidadão romano não podia ser
crucificado, ele teria de ser executado de qualquer outra
forma, porque era vergonhoso demais e o Império Romano
não queria desclassificar a cidadania romana tanto. Então,
havia uma lei na qual, um cidadão romano não poderia ser
crucificado. É por isso que Paulo não foi executado por
crucificação, porque ele era um cidadão romano. Era o limite
de vergonha. Paulo diz, mas longe esteja de mim gloriar-me,
senão na crucificação do Senhor Jesus Cristo, porque essa é
a forma como a graça de Deus foi disponibilizada para mim.
Não de qualquer outra forma, mas através da cruz.

Em consonância com este tema de orgulho e de glória, toda a


glória que está na eternidade vai para a graça de Deus. Não é
um belo pensamento? Permita-me citar algumas belas
palavras da epístola de Paulo aos Efésios. Efésios 1:5-6:

“ Nos predestinou (Deus) para ele, para a adopção de filhos,


por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua
vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos
concedeu gratuitamente no Amado.”

Assim, tudo o que Deus faz por nós, em última instância é,


projectado para trazer louvor para a glória da Sua graça que
Ele livremente ofereceu. Por outras palavras, Paulo recorda-
nos que a graça era livre, não era merecida, não poderia ser
trabalhada para a receber.

Deixe-me mencionar uma outra passagem um pouco mais à


frente no mesmo capítulo 1 de Efésios. Vemos aqui
novamente a ênfase da glória e graça de Deus.
Versículos 11-12:

“Nele, (Jesus) digo, no qual fomos também feitos herança,


predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as
coisas conforme o conselho da sua vontade, a fim de sermos
para louvor da sua glória, nós, os que de antemão
esperamos em Cristo.”

Por outras palavras, tudo é destinado para trazer louvor e


glória a Deus.
E, em seguida, no 2 º capítulo de Efésios Paulo continua de
novo com o mesmo tema. Efésios 2:4-7 diz:

“Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do


grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em
nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, - pela
graça sois salvos (Repare na ênfase da graça), e, juntamente
com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares
celestiais em Cristo Jesus; para mostrar, nos séculos
vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade
para connosco, em Cristo Jesus.”

Esta declaração é surpreendente, não é? Deus recebe com


agrado o mais baixo, o menos digno, o mais fraco. Ele dá-
lhes a Sua graça, transforma-os, ressuscita-os, coloca-os
sentados com Cristo. E a sua última finalidade é que, através
de toda a eternidade, Ele demonstrará as riquezas da Sua
graça superando a Sua bondade para connosco. É
surpreendente, a medida da graça de Deus. Deus pega no
mais baixo e levanta-o a lugares altos. Mas sempre com o
objectivo de que toda a glória seja para a Sua graça e não para
nenhum de nós mesmos. Lembre-se que a graça de Deus é
sempre para a glória de Deus.
Graça é uma “Presença”

Gostaria de voltar a referir uma passagem que já mencionei


anteriormente. São as bênçãos Levíticas dos sacerdotes, que
encontramos em Números capítulo 6, versículos 25 e 26.
Não é a bênção completa. É parte final dela. É semelhante a
isto:

“O SENHOR faça resplandecer o rosto sobre ti e tenha


misericórdia de ti; o SENHOR sobre ti levante o rosto e te dê
a paz.”

Encontramos nesta passagem a frase "o Senhor tenha


misericórdia de ti." Isto significa que "o Senhor estende ou
exerce a Sua graça para si – o seu gratuito favor imerecido."
E nós verificámos antes, mas é importante mantê-lo em
mente, que isso está directamente ligado com a face do
Senhor. "O Senhor faça resplandecer o rosto sobre ti, e tenha
misericórdia de ti… o Senhor sobre ti levante o rosto e te dê a
paz." Por outras palavras, o favor do Senhor, em certo
sentido, é a maneira como Ele olha para nós. Soberanamente
Ele olha para nós com favor. O nosso destino é alterado por
completo. Tornamo-nos diferentes das pessoas que estão ao
nosso redor.

Um bom exemplo – que já foi referido anteriormente foi,


Noé. “Noé achou graça – ou favor – aos olhos do Senhor.” E
como resultado do Senhor olhar para Noé desta maneira, o
seu destino foi alterado. Foi diferente de todos os outros
homens da sua geração.Continuando com estas bênçãos
Levíticas, depois destas palavras, “o Senhor faça
resplandecer o rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti; o
Senhor sobre ti levante o rosto.” temos o ponto culminante,
“e te dê a paz [Shalom].” Então, nós entendemos que a paz é
sempre o resultado da graça. E de facto, separados da graça
de Deus nunca poderemos ter realmente a verdadeira paz.

Veja agora que a graça é mais do que uma mera atitude de


Deus. Quando Deus olha para nós com o Seu favor Ele
transmite-nos algo. Estamos rodeados de uma atmosfera
diferente. Estamos protegidos. Não é apenas um tipo de
transacção legítima, mas é uma verdadeira partilha do seu
Ser connosco. Deus olha-nos nos olhos e transmite-nos o Seu
amor, a Sua misericórdia, acima de tudo a Sua presença. A
graça de Deus traz a Sua presença às nossas vidas de uma
maneira muito real. Há algo diferente na atmosfera que nos
rodeia. Eu disse uma vez que isso é, como um dia muito
quente em torno de muitas pessoas que conduzem os seus
carros sem ar condicionado, enquanto nós, temos um carro
com ar condicionado. Assim, enquanto todos os outros estão
quentes e transpiram, nós estamos frescos e descansados,
porque temos uma atmosfera diferente. E é desta forma que a
graça de Deus é. Rodeia-nos com uma atmosfera diferente.

Isso explica muitas frases que são usadas no Novo


Testamento.Só entendendo verdadeiramente a graça de
Deus, podemos compreender o seu significado. Como já
disse anteriormente a graça e a paz foram a saudação de
norma para abrir uma epístola ou uma carta no Novo
Testamento. Deixe-me dar-lhe apenas um ou dois exemplos
disto. Romanos capítulo 1 versículo 7:

“…graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e


do Senhor Jesus Cristo.”

Alguma coisa vem até nós. Vem até nós através de Deus, o
Pai, através de Jesus Cristo, o Filho. É o Seu favor que nos
traz a Sua paz, a Sua plenitude, a Sua perfeição, a Sua total -
suficiência. E então, no final de Romanos, no capítulo 16
versículo 20, Paulo fala de duas coisas que são muito
significativas. Ele faz uma declaração, uma ousada
declaração de fé, ele diz:

“E o Deus da paz, em breve, esmagará debaixo dos vossos


pés a Satanás.

(e de imediato a seguir diz o seguinte)

“A graça de nosso Senhor Jesus seja convosco.”


Por outras palavras, o que os vai tornar mais vitoriosos sobre
Satanás é a graça de Deus, o Seu favor, a Sua presença para
com eles. Se a graça de Deus estiver consigo, então também
será vitorioso sobre Satanás e sobre as forças do mal. E
depois, numa outra carta, a segunda epístola de Paulo a
Timóteo, encontramos o ínicio e o fim desta, com saudações
da mesma natureza. Em 2 Timóteo capítulo 1 versículo 2:

“Ao amado filho Timóteo, graça, misericórdia e paz, da


parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor.”

Repare que, Paulo acrescenta mais uma bênção. Não é


apenas graça e paz, é graça, misericórdia e paz. Mas vemos
mais uma vez que a graça sempre vem em primeiro lugar.
Pela Graça fluem todas as outras bênçãos. E então, no final
dessa epístola, em 2 Timóteo 4 versículo 22, Paulo termina
desta forma:

“O Senhor seja com o teu espírito. A graça seja convosco.”

É como a presença do Senhor, a Sua graça está connosco. E


Paulo fala de graça como algo que, na verdade, nos
acompanha. Está presente em nós. "A graça seja convosco."
E então, novamente, o próprio testemunho de Paulo é-nos
dado em 1 Coríntios 15 versículo 10 sobre o seu trabalho
para o Senhor:
“Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que
me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito
mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus
comigo.”

É interessante que a palavra "graça" ocorre três vezes em


apenas um versículo. "Pela graça de Deus sou o que sou…e
a Sua graça que me foi concedida..." E então ele diz: "antes,
trabalhei mais do que todos eles..." E, em seguida, ele
corrige-se," todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo."
E assim, quando Paulo explica o seu sucesso no ministério
cristão, ele não afirma que é por ele, mas alega que é pela
graça de Deus. Ele diz, "A graça de Deus estava comigo,
como uma presença - como algo que me seguiu, que me
rodeou, que me manteve firme para trabalhar para o
Senhor."

Quero dar-lhe duas belas imagens da graça retiradas do


Antigo Testamento. A primeira encontra-se no livro dos
Salmos e a segunda no livro de Provérbios. Salmo 5
versículo 12, diz o seguinte:

“Pois tu, SENHOR, abençoas o justo e, como escudo, o


cercas da tua benevolência.”

Veja de forma tão clara que, a graça de Deus não é apenas um


conceito teológico. É algo real em nós. Ela protege-nos,
envolve-nos, mantém as forças do mal longe de nós e condu-
las para fora as que se opõem a nós. Deus rodeia os justos
com o Seu favor como com um escudo. Quero que pense em
si mesmo e enfrente tudo o que está à sua volta com o escudo
que o protege de prejuízos e perigos - espirituais,
emocionais, físicos, inclusivamente financeiros. O que o
protege? A graça, o favor de Deus que o envolve como um
escudo invisível. Um escudo invisível que mantém os
germes distantes, que afasta a doença. Não existe nenhuma
força maligna que realmente possa penetrar o escudo da
graça de Deus, se apenas o receber pela fé, crer e acreditar
nisso, estará consigo. Em seguida, a segunda imagem
encontra-se em Provérbios 16 versículo 15:

“O semblante alegre do rei significa vida, e a sua


benevolência é como a nuvem que traz chuva serôdia.”

Agora falamos de um rei. E lembre-se que Jesus não é apenas


um rei - Ele é o Rei de todos os reis. "O semblante alegre do
rei significa vida…"

Quando Ele levanta o Seu rosto e olha para nós com favor,
isso é vida.

E então, ele continua: “…e a sua benevolência (o favor do


Rei) é como a nuvem que traz chuva serôdia.” Temos de
compreender que na terra de Israel, a chuva é uma das
maiores bênçãos. Não é algo que não queiram. É algo que
clamam para ter. E a chuva mais abençoada de todas, a que
leva a uma maior fecundidade, na perspectiva de uma boa
colheita, é a chuva serôdia ou a do fim da própria estação.
Então, uma nuvem que traz a chuva serôdia é algo que as
pessoas anseiam por ter. É a garantia da bênção, da oferta da
fecundidade abundante de Deus para o Seu povo. E o favor
de Deus é como uma nuvem. Então, veja-se a si próprio
rodeado por uma nuvem de chuva serôdia, a nuvem de Deus
cobrindo-o e protegendo-o.
Graça Ensina Santidade

Quero compartilhar consigo um outro aspecto de Deus, uma


graça espantosa que o irá surpreender. Muitas pessoas que
acreditam na graça de Deus e usam frases como, "a graça de
Deus" não percebem esse aspecto particular da graça de
Deus. Trata-se de graça que nos ensina. Permita-me dizer
isso de novo, "a graça ensina-nos." No segundo capítulo da
epístola de Paulo a Tito, podemos ver esta verdade. Nesta
epístola, e especialmente neste capítulo, Paulo diz de Tito -
que era um homem jovem que estava no ministério a servir
como um pastor ou representante de Paulo - como cuidar do
povo de Deus, como fazer o melhor para eles e como fazer
sobressair o melhor deles. E ele fala de várias categorias
diferentes na congregação; dos homens jovens, dos velhos
homens, das mulheres mais velhas e assim por diante. E, em
cada seção do presente capítulo específico Paulo diz ao Tito
o que deve ensinar-lhes. Mas no final do capítulo ele diz:
“lembra-te, é a Graça de Deus que nos ensina a todos”. Por
outras palavras, Tito é um instrumento da graça de Deus,
ensinando o que Paulo lhe diz para ensinar. Leia estes
versículos especiais que revelam esta ênfase do ensino. Tito
capítulo 2 versículo 1-7:

“Tu, porém, fala o que convém à sã doutrina. Quanto aos


homens idosos, que sejam temperantes, respeitáveis,
sensatos, sadios na fé, no amor e na constância. Quanto às
mulheres idosas, semelhantemente, que sejam sérias em seu
proceder, não caluniadoras, não escravizadas a muito
vinho; sejam mestras do bem, a fim de instruírem as jovens
recém-casadas a amarem ao marido e a seus filhos, a serem
sensatas, honestas, boas donas de casa, bondosas, sujeitas
ao marido, para que a palavra de Deus não seja difamada.
Quanto aos moços, de igual modo, exorta-os para que, em
todas as coisas, sejam criteriosos. Torna-te, pessoalmente,
padrão de boas obras. No ensino, mostra integridade,
reverência.”

Poderá analisar que falam sobre homens mais velhos,


mulheres mais velhas, homens e mulheres jovens. E em cada
um, há uma ênfase particularmente adequada sobre o ensino
de que necessitam.
Mas então, Paulo encerra o capítulo retratando a graça de
Deus. E o que ele está realmente a dizer é que, todos estes
aspectos diferentes de ensino prosseguem de uma única
fonte que é a graça de Deus. E assim nos versículos de 11 a
14 do mesmo capítulo, eis o que Paulo diz relativamente à
graça de Deus:

“Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a


todos os homens, (é uma linda frase, não concorda?)
educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões
mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e
piedosamente, aguardando a bendita esperança e a
manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador
Cristo Jesus, o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de
remir-nos de toda a iniquidade e purificar, para si mesmo,
um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras.”

Vejamos algumas das coisas que a graça nos ensina. À


medida que lê verifique isso na sua própria vida. É a graça de
Deus que ensina essas coisas, ou, talvez não seja tão bom
aluno como deveria de ser da graça de Deus. Por exemplo, a
primeira é muito poderosa. A graça ensina-nos a dizer
"Não" à impiedade e às paixões mundanas. Nunca chegará
longe na vida se não souber como dizer "Não", mas mesmo
não a sério. Existirão situações em que será confrontado com
a atracção para o mal, ou a ter um compromisso com o mal ou
decidir por um caminho mais fácil que não é o caminho de
Deus. Convém que tenha aprendido a dizer "Não" de tal
forma que o diabo, e todos, sabem que realmente está a sério
e que não vale a pena incomodá-lo mais com essa tentação. E
é a graça que nos ensina a dizer "Não" à impiedade e às
paixões mundanas. Em segundo lugar, a graça ensina-nos a
viver uma vida controlada, íntegra, misericordiosa.
Algumas pessoas têm a ideia de que a graça significa que
pode fazer qualquer coisa que goste. Isso é exactamente o
oposto do que Deus diz. Se estiver a ser ensinado pela graça
vai ser ensinado a viver uma vida controlada, correta e
misericordiosa.

Em terceiro lugar, a graça ensina-nos a esperar pelo


aparecimento de Jesus Cristo. Dá-nos um objectivo para o
qual são dirigidas as nossas vidas, a bendita esperança do
aparecimento do grande Deus, nosso Salvador, Jesus Cristo.
Penso que uma pessoa que não esteja interessado e excitado
com o retorno de Jesus não vive realmente na graça de Deus.
Em quarto lugar, a graça lembra-nos que Jesus morreu
para nos resgatar de toda a iniquidade. Para nos purificar.
Toda a ênfase nesta passagem está em: virar as costas ao mal,
ser liberto dele e ser purificado. E em quinto lugar, a graça
ensina-nos que devemos estar ansiosos por fazer o que é
bom. Não é uma imagem diferente da graça daquilo que
algumas pessoas têm ouvido nas igrejas? É justamente o
oposto. A graça não define um padrão inferior à lei.
Estabelece um padrão ainda mais elevado. Há uma
diferença. A lei ensina de fora. A graça ensina do nosso
interior. As leis são mandamentos, normas que se criam para
definir o que, como e quando fazer determinada coisa ."Faço
isto! Não faço isto! " E então diz," Bem, isto é bom." Por
vezes temos mesmo a intenção de a cumprir, no entanto
manifesta-se um rebelde dentro de nós que não irá ceder à lei.
A graça vem e muda a rebelião interior. E então a graça
começa a falar com os rebeldes convertidos e diz: "Agora
este é o caminho que precisas para viver. É dessa forma que
deve responder a essas e outras pessoas. Este é o caminho
através desta dificuldade." E quando confrontado com esta
tentação, há apenas uma palavra que pode dizer, e que é o
“Não!” É desta forma que a graça ensina. Existem dois
avisos do Novo Testamento contra o abuso da graça de Deus.
Suponho que perceba que é possível abusar da graça de
Deus. Em 2 Coríntios 6:1, Paulo diz:

“ E nós, na qualidade de cooperadores com ele, também vos


exortamos a que não recebais em vão a graça de Deus.”

Por outras palavras, isso prova que é possível receber a graça


de Deus em vão. O que significa isso? A graça de Deus
começa a operar na sua vida, mas voçê não permite que ela
lhe ensine. Não se deixa disciplinar pela graça. Continua a
viver à sua própria maneira, agradando-se a si próprio e
alegando estar na graça de Deus. Mas está a enganar-se a si
mesmo. Porque se viver na graça de Deus, as coisas que a
graça ensina serão manifestadas na sua vida. E se elas não
se manifestam na sua vida, então está a receber a graça de
Deus em vão.
E depois, no quarto versículo da epístola de Judas, há uma
forte advertência:

“Pois certos indivíduos se introduziram com dissimulação,


os quais, desde muito foram antecipadamente pronunciados
para esta condenação, homens ímpios, que transformam em
libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único
Soberano e Senhor, Jesus Cristo.”

Novamente, a experiência mostra que tipo de coisa acontece


nas igrejas e noutros lugares nos dias de hoje. As pessoas
alegam estar a viver na graça de Deus, mas elas
transformaram tudo em imoralidade. Elas são na realidade
pessoas imorais. Seduzem as mulheres, vivem vidas
perdidas, são pessoas imorais. E ainda alegam estar na graça
de Deus. Mas a Bíblia diz que eles transformaram a graça de
Deus numa licença para a imoralidade. Há uma
possibilidade muito real de fazer isso. Como podemos ter
certeza que não vamos fazer isso? A única forma, penso eu, é
deixar que a graça nos ensine. É ler as nossas Bíblias e deixar
que a graça nos ensine o que significa ser um verdadeiro
cristão. O tipo de vida que devemos levar e, deixarmos que a
graça nos forneça a capacidade para nos conduzir nesse tipo
de vida. É de suma importançia aprender a deixar a Graça
nos ensinar.
Graça Produz Gratidão

Há certos resultados específicos manifestos quando a Graça


começa a operar em nós. "Quando recebemos Cristo,
recebemos Nele a graça de Deus." E com Ele nós
recebemos graça por graça. Por outras palavras, por cada
graça em Jesus, há uma graça correspondente que começa a
operar nas nossas vidas. Uma área vital, a área primária, que
é afectada quando a graça começa a operar em nós, é a área
dos nossos lábios. O nosso falar é alterado.

Ao voltar ao Antigo Testamento a Salmo 45 versículo 2


vemos uma imagem profética de Cristo. Isto é o que diz o
salmista. Ele, no Espírito de Deus, está na expectativa da
vinda do Messias e como Ele será, o salmista canta uma linda
canção de louvor a Ele. Isto é o que ele diz:

“Tu és o mais formoso dos filhos dos homens; nos teus lábios
se extravasou a graça; por isso, Deus te abençoou para
sempre.”

Repare no primeiro aspecto mais bonito do Messias que o


salmista vê em revelação. Ele vê a graça de Deus sobre esta
bela pessoa. E a primeira área que ele descreve são os lábios
de Jesus. “Nos teus lábios se extravasou a graça…”
Recorda-se de uma vez um homem ser enviado pelos líderes
religiosos para prender Jesus? Regressaram sem Ele e os
líderes disseram, "Por que não o trouxeram?" A resposta foi:
"Nunca ninguém falou como este homem." Isso foi a graça
derramada sobre os Seus lábios. E o salmista passa a dizer
depois: "Deus te abençoou para sempre." É importante
reparar no "por isso." Jesus não foi abençoado, porque Ele
era o filho favorito. Jesus era abençoado, porque Ele
reunia as condições para ser abençoado. E a primeira
condição era, "nos teus lábios se extravasou a graça," a
graça do Seu discurso. E devido a essa graça sobre os Seus
lábios, Deus abençoou-O para sempre. Com a
correspondente graça dos nossos lábios, reunimos as
condições para a mesma bênção.

Isto leva-nos a uma ligação que é básica e fundamental entre


duas frases - ter graça e ser agradecidos. E eu quero levá-lo a
essa ligação, citando do livro de Hebreus capítulo 12,
versículo 28, Vou referenciar este versículo em duas versões
diferentes. A primeira é a versão do Rei Tiago* e a segunda é
o Novo Padrão Americano*, e eu quero que veja a diferença
aparente. Primeiro de tudo, na versão do Rei Tiago de
Hebreus 12:28:

“Portanto, recebendo um Reino que não pode ser movido,


faça que nós retenhamos a graça, pela qual poderemos
servir a Deus aceitavelmente com reverência e santo temor.”

Observe, mais uma vez, a graça produz santidade. Não há


outra maneira de ver isso, só esta. Mas repare na frase, " faça
que nós retenhamos a graça, pelo qual poderemos servir a
Deus" Vou-lhe dar o mesmo versículo na versão do Novo
PadrãoAmericano*:

“Por conseguinte, uma vez que recebemos um reino que não


pode ser abalado, mostremos gratidão, pelo qual
entregamos a Deus um serviço aceitável com reverência e
temor."

Consegue ver a diferença? A Versão do Rei Tiago diz, "faça


que nós retenhamos a graça", a Versão do Novo Padrão
Americano diz, "mostremos gratidão." Então, começa a
pensar: "O que é que se passa com as traduções? Porque é
que elas não concordam? "Bem, elas concordam.
Simplesmente usaram aspetos diferentes da mesma palavra.
Na língua grega, na época de Paulo ter graça queria dizer
"obrigado." É a frase padrão para ser agradecido. Então o
que estou a tentar dizer é que, não terá graça sem estar
agradecido. Uma pessoa que não é agradecida está fora da
graça de Deus. Tenho estudado em certa medida, um grande
número de línguas. Comecei com o Latim e, em seguida,
Grego, e também aprendi uma série de línguas modernas.
Existe um grupo de línguas chamado de "línguas
românticas", que vem do Latim, penso que se verificar na sua
mente, encontrará em cada uma delas a palavra para
"obrigado" que está directamente relacionado com a palavra
para "graça."

Por exemplo, em francês, "graças a Deus" é grace a Dieu.


"Graça" é obrigado. Em italiano se quiser dizer "obrigado",
diria grazie. Em espanhol, diria, gracias.

De qualquer forma, o que estou a tentar referir é que, a


palavra "obrigado" é a palavra para "graça". Então, voltando
ao nosso versículo, Hebreus 12:28, o Rei Tiago traduz do
que eu diria, literalmente: "faça que nós retenhamos a
graça". O Novo PadrãoAmericano e a maior parte das outras
versões modernas dizem, "mostremos gratidão." Mas o
ponto em que estou a tentar focar é muito, muito importante:
não pode ter graça sem gratidão. As palavras estão
interligadas. Portanto, a primeira manifestação da graça
começa por se ser grato. Quando já não estivermos
agradecidos, então estamos fora da graça.
Continuando com este tema de, como a Graça afectará o
nosso falar, vejamos Colossenses capítulo 3, versículos 15
e 16:

“Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual,


também, fostes chamados em um só corpo; e sede
agradecidos. [Repare que é um mandamento. “Seja
agradecido.” O próximo versículo prossegue] Habite,
ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e
aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando
a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com
gratidão, em vosso coração.”

Mas novamente, a versão do Rei Tiago diz, "… cantando


com graça no vosso coração. " A mesma palavra. Mas que
verdade é revelada aqui! Se estiver na graça de Deus, será
agradecido. É necessáriamente o resultado da graça de
Deus. Não pode ser de outra forma.

Analisámos anteriormente que a graça de Deus nos ensina.


Paulo conduz-nos a mais um passo. Ele lembra que, quando
estamos na graça de Deus podemos ensinar outros. Então,
ele diz, “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo;
instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a
sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos
espirituais, com gratidão, em vosso coração.”
Uma pessoa que está sob a graça de Deus será agradecida,
estará cheio de louvor, vai desejar cantar, dar expressão
vocal para o que está no seu coração e terá algo para
transmitir aos seus amigos crentes. Será capaz de ensinar e
repreender os seus amigos crentes pela graça de Deus que
opera no seu coração e se manifesta principalmente através
da sua gratidão.
Repare numa declaração sobre a graça que é feito por Paulo
em Colossenses. A graça no nosso falar, ele diz que é como
sal para a nossa comida. Colossenses 4:6:

“A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com


sal, para saberdes como deveis responder a cada um.”

Qual é a função do sal quando adicionamo-lo à nossa


comida? É para torná-la saborosa. É para torná-la atraente.
Trata-se de obter os vários sabores da comida que queremos
saborear ao máximo. E a graça tem a mesma função em
relação ao nosso falar. É como uma pitada de sal sobre os
nossos lábios. Ela traz o sabor. Ela traz a capacidade de
atracção. Faz com que as nossas palavras sejam atraentes.
Cria apetite para aqueles que ouvem. Fá-los desejar mais.

Deixe-me dar este pequeno conselho prático, seja grato.


Permita que a graça de Deus seja derramada sobre os seus
lábios. Não seja um resmungão. Não seja queixoso. Não
esteja sempre a enfatizar o negativo. Não seja crítico e mal
agradecido. Deixe que a graça de Deus o torne agradecido,
o encha os seus lábios com louvor, o dê capacidade de
admoestar e ensinar os seus amigos crentes.
Graça Produz Generosidade

Quero compartilhar consigo outra bela manifestação da


graça de Deus – a Generosidade.
Voltando novamente ao exemplo de Jesus como um padrão,
recordamo-nos que quando Jesus entra nas nossas vidas a
graça de Deus vem com Ele. É a graça por graça. Por cada
graça em Jesus, há uma correspondente graça que se
manifesta em nós pelo facto de Jesus estar connosco. A graça
de generosidade encontra a sua perfeita expressão em Jesus.
Veja alguns exemplos disso em 2 Coríntios capítulo 8. Este
capítulo faz referência a uma oferta para os crentes pobres de
Jerusalém e de Israel, levantada por Igrejas no mundo
Gentio, instrumentalisadas pelo ministério de Paulo. Paulo
escreve a esses crentes em Corinto e diz-lhes quais os
princípios de ofertar, e os princípios mais gerais de dar para
Deus no geral. E assim, ele concentra-se na natureza e na
graça de Jesus. Em 2 Coríntios 8:9 diz:

“Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que,


sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua
pobreza, vos tornásseis ricos.”

Repare! O que é que a graça levou Jesus a fazer? Fê-lo pôr de


lado a Sua infinita riqueza e fê-lo tornar-se pobre em nosso
favor. Mas o motivo foi que, através da Sua pobreza,
poderemos nos tornar ricos. Então a graça torna-lhe um
doador. Uma pessoa que não se alegra no dar, realmente
não tem muito da graça de Deus. Paulo continua a falar
sobre o modo como esta atitude de dar com alegria é
produzida pela graça de Deus em nós como crentes. No
mesmo capítulo, 2 Coríntios 8:1-3, ele diz o seguinte:

“Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus


concedida às igrejas da Macedónia; porque, no meio de
muita prova de tribulação, manifestaram abundância de
alegria, e a profunda pobreza deles superabundou em
grande riqueza da sua generosidade. Porque eles,
testemunho eu, na medida de suas posses e mesmo acima
delas, se mostraram voluntários.”

Olhemos para estas palavras. Primeiro de tudo temos de ver


que a generosidade dos crentes macedónios foi uma
expressão da graça. Paulo fala sobre a "graça de Deus
concedida às igrejas da Macedónia", que foi expressa na
forma como deram. E depois temos de constatar que elas
manifestaram abundância de alegria, e diz-nos que estavam
no meio de muita prova de tribulação, onde as suas
condições eram de profunda pobreza. Mas através das suas
profundas pobrezas, superabundaram em grande riqueza de
generosidade. Veja, a graça nunca é limitada a algo que
possamos fazer. Quando reflectir sobre e calcular o que
pensa que poderá dar, não atinge a graça de Deus. Porque a
graça de Deus vai muito mais além do que isto.

Paulo diz isso exatamente. Ele diz, “Porque eles, testemunho


eu, na medida de suas posses e mesmo acima delas, se
mostraram voluntários.” É aqui que a graça começa. A
graça começa sempre quando tivermos atingido o limite da
nossa própria capacidade. Paulo aplica este princípio e este
exemplo das igrejas da Macedónia à igreja de Corinto. E ele
diz nos versículos 6 e 7 do mesmo capítulo:

“O que nos levou a recomendar a Tito que, como começou,


assim também complete esta graça entre vós. [Qual foi o acto
da graça? O acto de dar é oferecido aos crentes necessitados
em Jerusalém. Então dar é um acto de graça. É uma
expressão concreta da graça nas nossas vidas. Paulo exorta-
os…] Como, porém, em tudo, manifestais superabundância,
tanto na fé e na palavra como no saber, e em todo cuidado, e
em nosso amor para convosco, assim também abundeis
nesta graça.”

Paulo diz que a graça de Deus já está manifestada em muitas


áreas da sua vida. Está manifestada no seu falar, na sua fé. É
manifestada no conhecimento, na sabedoria, no amor. Mas
ele diz que não deixa que este aspecto da graça de Deus falte.
Veja que se excede também nesta graça de dar. Em 2
Coríntios capítulo 9, Paulo passa a mostrar-nos que a graça
de Deus irá proporcionar tanto a motivação como os meios
para dar. Existem dois belos versículos em 2 Coríntios 9:8-9:

“Deus pode fazer-vos abundar em toda a graça, a fim de


que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência,
superabundeis em toda a boa obra, [Repare que a graça faz
uma total disposição para todas as nossas necessidades. Mas
não é apenas só isso, ter o suficiente para nós, a graça é o
pudermos transbordar no bom e no dar. Paulo referencia um
versículo do Salmo 112 no Antigo Testamento como um
exemplo de como este princípio da graça opera no dar. Paulo
cita este Salmo que fala de um homem justo, e que diz…]
como está escrito: Distribui, dá aos pobres, a sua justiça
permanece para sempre.”

Perceba que a nossa justiça está estabelecida, tornar-se


permanente e inabalável quando damos. A imagem deste
homem no Salmo 112 havia distribuído, ou dado aos pobres.
Ele havia dado sumptuosamente, generosamente em graça.
E a afirmação foi, "a sua justiça permanece para sempre."
Lembre-se disso. Agraça de dar estabelece a nossa justiça.

O próprio Jesus estabeleceu um princípio em relação à graça


que precisamos de ver. Em Mateus capítulo 10, versículos
7 e 8, quando Ele envia os apóstolos pela primeira vez com a
mensagem do evangelho, Ele diz o seguinte:

“E, à medida que seguirdes, pregai que está próximo o reino


dos céus. Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai
leprosos, expeli demónios; de graça recebestes, de graça
dai.”

Agora Ele está a falar sobre a capacidade que Ele lhes tem
dado de ministrar, de expulsar demónios, de curar os
enfermos. Ele quer dizer o seguinte, "Não te custou nada.
Não tiveste de pagar por ela. Recebeste através da graça de
Deus como um dom gratuito. Ministra-o da mesma forma
que o recebestes. De graça recebestes, de graça dai." Isso
aplica-se em todas as áreas. Não importa o que recebemos
gratuitamente de Deus, temos de dar tão livremente como
temos recebido. Não podemos ministrar a graça de Deus de
uma forma diferente daquela que recebemos. Novamente
Jesus diz em Lucas 6:38:

“Dai, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida,


transbordante, generosamente vos darão; porque com a
medida com que tiverdes medido vos medirão também.”

Mais uma vez, dar é a chave para receber. A medida em que


dermos, será a medida que receberemos. E receberemos
mais do que demos. Mas será proporcional à maneira como
damos. Existem dois mares na Terra Santa, o Mar da Galileia
e o Mar Morto. Têm aproximadamente o mesmo tamanho, e
são alimentados pelo mesmo rio. Mas há uma grande
diferença, o Mar da Galileia é fresco, lindo e cheio de vida. O
Mar Morto é tal e qual como o próprio nome indica, é
totalmente morto. Qual é a diferença? Ambos recebem do
mesmo rio, mas o Mar da Galileia tem algo para dar já o Mar
Morto não tem nada. Ele recebe, mas não dá. A chave para a
vida é dar e receber. O caminho para morte é receber mas
não dar.

Veja o que diz em Provérbios 11:24-25:

“A quem dá liberalmente, ainda se lhe acrescenta mais e


mais; ao que retém mais do que é justo, ser-lhe-á em pura
perda. A alma generosa prosperará, e quem dá a beber será
dessedentado.”

Deixe-me dar-lhe este conselho: Pratique o dar. Faça uma


resolução para ser generoso. Não seja mesquinho. Não se
mantenha inerte a dizer, "posso não conseguir mais." A
medida em que der será a mesma que receber.
A Graça é Suficiente

Saiba como a graça de Deus é suficiente na sua vida. Veja a


ilustração disso na experiência e no testemunho do apóstolo
Paulo. Ele escreve sobre isso baseado na sua experiência
pessoal. No meio das suas pressões tremendas e
necessidades ele vem com as suas verdades triunfantes – a
graça de Deus é suficiente. Em 2 Coríntios no capítulo 12,
versículos 7-10, Paulo fala sobre a tremenda revelação que
ele recebeu de Deus. Mas ele contrabalançou isto dizendo
que foi para evitar que ele se tornasse orgulhoso e
convencido (por causa das tremendas revelações) que Deus
permitiu que ele fosse acompanhado por uma força do mal,
para que o importunasse constantemente. Essa força do mal
era chamada de mensageiro de Satanás que vinha para lhe
esbofetear. Então, Paulo tinha estas revelações mas tinha o
mensageiro de Satanás na sua vida ao mesmo tempo. Veja de
facto o que Paulo diz, em 2 Coríntios 12:7-10:

“E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das


revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro
de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte.
Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de
mim. [Estará a pensar que o Senhor iria responder às orações
de um grande homem como o apóstolo Paulo. Pois ele
respondeu, mas ele respondeu como muitas das vezes
responde às nossas orações, Ele disse "não". E lembre-se que
quando orar tanto o “não” como o “sim” podem ser a
possível resposta. É desta forma que Paulo continua…]
Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder
se aperfeiçoa na fraqueza. [Foi isto que Deus disse – a
Minha graça é suficiente para ti, o meu poder se aperfeiçoa
na tua fraqueza. E esta é a conclusão de Paulo:] De boa
vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que
sobre mim repouse o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer
nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas
perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque
quando sou fraco, então, é que sou forte.”

Veja a lição, quando a graça de Deus opera nas nossas vidas,


não estamos limitados aos nossos próprios recursos. De
facto, a graça de Deus começa apenas quando os nossos
próprios recursos terminam. Enquanto nós podermos lidar
com a situação na nossa própria capacidade, na nossa própria
força, na nossa própria sabedoria, não precisamos da graça
de Deus. Mas quando chegarmos ao final da nossa própria
força, da nossa própria capacidade, da nossa própria
sabedoria, é aí que a graça de Deus entra em funcionamento.
O que Paulo quer dizer por outras palavras é que, "Se quiser
que a graça de Deus tenha uma medida abundante, então
entra num lugar difícil sob a vontade de Deus." Quanto
mais difícil for o lugar onde está, quanto maior é a
impossibilidade, maior é a medida da graça de Deus
disponível para si.

Atente para estas palavras novamente, porque é preciso levá-


las ao coração.

"…Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas


necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de
Cristo."

"Entendeu a dimensão do que disse Paulo?" Sentiria prazer


nestas coisas? À primeira vista não faz sentido. Como
poderia sentir prazer naquelas coisas? Paulo disse ,"eu
aprendi uma lição. Elas fazem-me fraco. Elas levam-me até
ao fim da minha própria capacidade. E então, quando estou
fraco, então sou forte. "
Ou seja, a graça de Deus não força o Seu caminho através da
nossa força. Enquanto somos fortes, mantemos a graça de
Deus em segundo plano. Mas quando nós estamos fracos e
sob a vontade de Deus, esgotamos todas as nossas próprias
capacidades, é aí que a graça de Deus flui abundantemente.
Quanto maior a necessidade, maior será a medida da
graça de Deus.

Quero ilustrar esta situação, com um pequeno exemplo do


ministério de Jesus, que me surpreende muitas vezes. Houve
duas ocasiões em que Jesus alimentou grandes multidões
sobrenaturalmente. Na primeira ocasião Ele alimentou
5.000 homens com cinco pães e dois peixes. Recolheram
doze cestos cheios de pedaços que sobraram, depois de todos
estarem satisfeitos. Na segunda ocasião, Ele alimentou
4.000 homens com sete pães e alguns peixes, onde sobraram
sete cestos. E aliás os cestos foram ligeiramente menores do
que no primeiro tempo. O que eu quero que veja é que o
desafio foi menor na segunda vez. Havia menos pessoas,
havia maiores recursos. Havia sete pães e dois peixes e
sobraram alguns cestos. Mas quando a situação era ainda
mais impossível, quando a multidão era maior, quando havia
5.000 pessoas, os recursos eram menores, cinco pães e dois
peixes, onde sobraram até doze cestos, doze grandes cestos.
Ou seja, quanto maior for a impossibilidade, maior será a
graça de Deus.

Então, nunca esteja perante uma situação ou uma atitude e


diga, "Bem, esta situação é tão difícil, é tão impossível, não
há nada a ser feito sobre isto." Cultive a atitude de Paulo.
"Louvo a Deus por esta situação ser totalmente impossível.
Estou tão feliz. Isto faz com que o verdadeiro espaço para a
graça de Deus se manifeste nesta situação." Só temos de
aproveitar esse facto, e agarrar-lhe, que a graça de Deus
levantar-nos-á acima das nossas próprias capacidades
naturais. Há ainda uma outra declaração no Novo
Testamento em que quero que reparemos. 1 Petro 4:10 –
Pedro escrevepara os cristãos,e ele diz:

“Servi uns aos outros,cada um conforme o dom que recebeu,


[a palavra em grego é carisma. É formado directamente a
partir do Palavra grega para a graça que é charis. Carisma,
dom, neste sentido, é a graça de Deus feita_restrita a uma
forma singular. Então, ele diz que, cada um de nós tem a
nossa própria particular manifestação da graça de Deus.
Depois ele diz sobre isso…] como bons despenseiros da
multiforme graça de Deus.”

Por outras palavras, quando a graça de Deus entra nas


nossas vidas, é manifestada em parte através de dons que
Deus nos dá, habilidades especiais e quando exercermos
essas competências, estamos a agir como mordomos da
multiforme graça de Deus. A palavra “multiforme” é uma
boa palavra para - “muitas maneiras”. Não há limite para
os diferentes tipos da graça de Deus. Independentemente de
qual a graça de Deus que está a trabalhar em nós, ministramos
dali para os outros. Deixe-me dar-lhe esta pequena e bela
definição da graça. A graça é: as riquezas de Deus à custa
de Cristo. São as riquezas de Deus. Deus não é pobre.
Ele nunca está em perigo de falência. Ele nunca vai ficar
sem graça. A fonte é inesgotável. Ao encerrar este tema

111
sobre a graça de Deus eu quero estabelecer uma fresca e final
ênfase no facto de que a graça de Deus é rica. Gostaria de
citar duas passagens em Efésios neste contexto. A primeira
encontra-se em Efésios 1:7:

“No qual (em Cristo) temos a redenção, pelo seu sangue, a


remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça.”

Repare que, "segundo a riqueza da sua graça." Depois, em


Efésios 2:7, apenas mais um capítulo à frente, Paulo volta a
este tema, mas ele acrescenta outra palavra. Isto é o que ele
diz:

“Para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da


sua graça, em bondade para connosco, em Cristo Jesus.”

Isso é bastante típico de Paulo. À medida que ele avança em


algo que está relacionado com Deus, mais excitado ele fica
em relação a isso, a sua visão torna-se maior. Então, a
primeira vez que ele fala sobre as riquezas da graça de Deus,
ele diz, "…segundo a riqueza da sua graça." Mas quando ele
chega ao capítulo 2 já está tão entusiasmado com este tema
que não pode dizer somente "segundo a riqueza da sua
graça." Por isso desta vez, ele diz,"…a suprema riqueza da
sua graça." Não há nada na terra que se compare às riquezas
da graça de Deus. Podemos pensar no homem mais rico.
Podemos pensar na pessoa mais generosa. Podemos
pensar no maior banco. Mas nada oferece qualquer padrão de
comparação com as riquezas da graça de Deus. Esta é a
aplicação prática: Quanto mais nós recebemos e usamos a
Graça de Deus… mais sobra!!!

Uma palavra para terminar, algo que eu ouvi uma vez e que
ficou comigo. "A vontade de Deus nunca o irá colocar onde
a graça de Deus não o pode manter." Então, se está na
vontade de Deus, não importa se a situação é estranha,
desconhecida, difícil. Se tiver chegado ao fim de todas as
suas próprias experiências e recursos e se simplesmente não
souber para onde se dirigir ou o que fazer, então, tenha isto
em mente: "A vontade de Deus nunca o irá colocar onde a
graça de Deus não o pode manter."

que, “a graça e a paz de Deus estejam consigo”.


DEREK PRINCE MINISTRIES
"Se não conseguires explicar um princípio duma maneira simples e em
poucas palavras, então tu próprio ainda não o percebes
suficientemente."
Esta frase de Derek Prince é característica do seu ensino bíblico. Estudos
simples e claros, os quais levam o leitor para os princípios de Deus e o
colocam cada vez diante de uma nova escolha.
Os estudos de Derek Prince têm ajudado milhões de cristãos por todo o
mundo a conhecerem melhor Deus e a porem em prática os princípios da
Bíblia no dia-a-dia das suas vidas.

Derek Prince Portugal deseja cooperar na edificação do corpo de Cristo:


...com o fim de preparar os santos para o serviço da comunidade, para
a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos a unidade da
fé e ao pleno conhecimento do Filho de Deus, ao homem adulto, à
medida completa da estatura de Cristo. (Efésios 4:12 e 13)

O nosso alvo é fortalecer cristãos na sua fé no Senhor Jesus Cristo, pelo


ensino bíblico de Derek Prince, com material (livros, cartas de ensino,
cartões de proclamação e mais tarde cd's e dvd's) na sua própria língua!
Em mais de 100 países o DPM é activo em fazer conhecer o maravilhoso e
libertador evangelho de Jesus Cristo. Esperamos que você também seja
inspirado e encorajado na sua fé através do material por nós
(Derek Prince Portugal) fornecido.
A nossa principal actividade neste momento é traduzir e disponibilizar
trabalhos do Derek Prince em Português. Como por exemplo:
As Cartas de Ensino, grátis. Planeamos distribuir, gratuitamente, 4 vezes
por ano, cartas de ensino orientadoras e edificadoras sobre diversos temas
da Bíblia.

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