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OS SOLSTÍCIOS -

Ir.'. Maria da Imaculada - M.'. M.'. - Loj.'. HARMONIA FRATERNA nº 17 - Or.'. de Curitiba - PR

Ponto de vista da Astronomia:

O movimento anual aparente do Sol na esfera celeste pode ser entendido através da translação da Terra em torno
do Sol (visão heliocêntrica em conjunto com a visão geocêntrica), ou da observação do pôr do Sol (visão
topocêntrica).

A Terra, em sua órbita em redor do Sol, gera quatro posições especiais: são os dias em que ocorrem os solstícios e
equinócios.

Tomemos como referência o hemisfério sul da Terra. Fixando nossa visão a partir da Terra, o Sol está na distância
angular máxima ao norte do plano do equador celeste, parecendo parar na esfera celeste para depois retroceder,
para o sul, em seu movimento anual aparente. Os raios solares, nessa época do ano, incidem mais obliquamente
sobre a superfície do hemisfério sul da Terra, de forma que a incidência de calor é menor. Esse dia é denominado
solstício do inverno austral (solstício significa Sol parado; em latim: solstitium), o qual ocorre por volta de 22 de
junho. A noite do solstício de inverno é a mais longa do ano. A partir do solstício de inverno, tanto os "dias claros"
como os dias civis e astronômicos voltam a aumentar de duração, lentamente.

De modo análogo, quando ocorre o "dia claro" mais longo do ano para o hemisfério sul, o Sol atinge a posição
angular mais ao sul do equador celeste. É o dia do solstício do verão austral, que ocorre por volta de 21 de
dezembro. No verão, a incidência dos raios solares acontece de forma menos oblíqua à superfície. Em lugares
próximos ao Trópico de Capricórnio, a incidência é quase perpendicular. Portanto, a insolação é maior. Após o
solstício de verão, os "dias claros" se tornam cada vez mais curtos novamente.

Em duas ocasiões especiais intermediárias, o "dia claro" e a noite têm a mesma duração (isso ocorre para todo o
globo terrestre). São os dias dos equinócios de primavera e outono, que ocorrem, respectivamente, em torno de 22
de setembro e 21 de março no hemisfério sul. A palavra equinócio, de origem latina, significa noites de igual
duração. Os equinócios ocorrem quando o Sol está sobre o círculo do equador celeste, caminhando do hemisfério
celeste norte para o sul, no caso do equinócio da primavera austral, e fazendo o caminho inverso, no equinócio do
outono austral. Nesses dias, ambos os hemisférios terrestres recebem a mesma quantidade de insolação. Entre o
início do outono austral e o fim do inverno, os "dias claros" são mais curtos do que as noites (a noite mais longa
ocorre no início do inverno), e entre o início da primavera e o fim do verão, a situação se inverte (o dia mais longo
ocorre no início do verão).

Ponto de vista Histórico:

Há milhares de anos a humanidade festeja o nascimento do sol como sendo o acontecimento mais importante da
Terra.

Muitas adaptações e más interpretações históricas foram realizadas por nossa civilização, com bases nessa data
tão importante.

Não há mistérios na vida, a não ser que se criem segredos...

As civilizações mais antigas consideravam o Sol como sendo o filho da luz, a luz para aqueles povos representava
Deus em vida.

Entre os druidas, por exemplo, o solstício era comemorado como o dia da fertilidade. Muitas virgens escolhiam essa
data para perderem sua virgindade e muitas mulheres tentavam engravidar no mesmo dia do nascimento do sol.

Entre os povos asiáticos, o solstício era representado por um velho de barbas brancas e roupagem vermelha e
branca. Esse ser representava Deus na Terra e os asiáticos acreditavam que esse Deus encarnado trazia para a
humanidade o seu filho sol.

Na astrologia esta data do solstício é reconhecida como o dia em que o sol atinge o seu grau mínimo de
luminosidade na Terra. Por esse motivo, os magistas e filósofos chamam esse dia de dia do renascimento da luz...
Depois do solstício, o sol renasce e recomeça o seu ciclo em torno do planeta.

Os Egípcios festejavam o solstício com rituais de magia que envolvia os cultivos de sementes e as fecundações...

Os Indianos festejavam o solstício transcendendo os corpos em rituais dimensionais mágicos...

Baseando-se nos escritos antigos encontrados na Índia, no Egito, nas escolas iniciáticas antepassadas e nos
templos sagrados, os ministros de Roma elaboraram uma religião para o até então império pagão. Roma era um
império que recolhia taxas dos territórios ocupados pelo Imperador e não um império religioso. Roma era uma
potencia de guerra que implantava um poderoso comercio financeiro entre os povos. Até Constantino I, Roma
deixava os territórios ocupados livres para praticarem suas religiões, depois de Constantino, Roma passou a ser
conhecida como sede da religião Católico Apostólica Romana.

Foi a partir dos significados místicos e das informações sagradas deixadas pelas antigas civilizações, que o Império
de Roma construiu as bases de sustentação para a formação de sua religião, até então inexistente.

Muitas das informações sobre o nascimento da luz pela virgem mãe na Terra, sobre os seres de luz que estavam na
Terra, sobre os mestres que curavam, andam sobre as águas e ressuscitavam. Quase todas as informações
verdadeiras foram recolhidas pelo império. Foram interpretadas e readaptadas pelos ministros do imperador com o
intuito de formatar uma religião única para o Império.

A comemoração do solstício de inverno foi totalmente modificada e readaptada pelo Império Romano e as gerações
subseqüentes e esse Império.

Roma simplesmente usou uma data que já existia como festejo tradicional dos povos e criou um novo motivo para
as pessoas de todas as religiões continuarem comemorando.

Essas informações do solstício ainda estão registradas nas paredes dos monumentos egípcios e nos registros dos
indianos. O solstício também estava registrado nas antigas escrituras sagradas e em muitos livros que foram
destruídos e queimados pelo Império Romano.

Nos períodos de 21 de dezembro e 21 de junho, a radiação do sol na Terra atinge o seu momento Maximo e os Maias
projetaram esses ciclos num calendário que vai até o dia 21 de dezembro de 2012.

Os povos que habitavam as Américas, não festejavam o solstício de inverno em dezembro porque o sol atua
diferente na área das Américas. Os incas mais antigos e os indígenas comemoravam o solstício de inverno no dia
21 de junho e o solstício de verão no dia 21 de dezembro.

Ponto de vista das religiões celtas e neopagãs

Para todos os efeitos, o Solstício de Inverno marca a noite mais longa do ano. É o apogeu do inverno, o ponto
culminante da escuridão e do frio que afasta a vida. Como todo apogeu, marca também o início da decadência. Se
este é o apogeu da sombra, ela agora entra em decadência, e temos então o retorno da luz. Gradualmente, a noite
começa a encolher, começa a durar menos, até que, no solstício de verão, os papéis se invertam na eterna gangorra
que determina o equilíbrio da natureza. Vivendo no Hemisfério Sul, onde as estações do ano são invertidas com
relação ao norte, estamos atravessando agora em junho os últimos momentos do outono – a estação da colheita –
que nos leva ao inverno. Para muitos neopagãos (wiccanos, neodruidas e outros), é chegado o momento de
celebrar YULE – um termo amplamente usado para designar o Solstício de Inverno. Afinal, é um período que marca
um ciclo da Terra Viva e de sua relação com o Sol – independente da religião adotada, um Solstício de Inverno é
sempre um Solstício de Inverno...

No hemisfério sul, essa data é comemorada em junho, após o Beltane. Esse é o período negro do ano e o Sol está
mais fraco. A noite de 21 de junho é considerada a noite mais longa do ano.

Esse é um ritual de contenção, e de armazenamento de forças para o Inverno, mesmo que aqui no Brasil não exista
uma passagem marcante das estações. Mas não podemos esquecer que nosso corpo também é dividido em ciclos
de estações e esse é um período de repouso e armazenamento de forças. Neste dia, ou próximo dele, o Sol entra em
Câncer, com a regência de Lua. Mas quais são os significados desse momento? As culturas européias do neolítico
atribuíam grande importância a este período, como atestam as muitas construções megalíticas a ele relacionadas.
Dentre estas, a mais conhecida é Stonehenge – um verdadeiro computador para o cálculo de solstícios e
equinócios. Mas seguramente a mais impressionante é BRÚ NA BÓINNE, Na Irlanda – também conhecida como
Newgrange. Essa enorme estrutura, erguida pelos habitantes da Irlanda neolítica há mais de 4500 anos, é uma obra
prima da engenharia pré-histórica. Trata-se de um monte artificial erguido sobre uma câmara em forma de cruz que
penetra mais de 24 metros no interior do monte. Lá dentro, escuridão total e silêncio. A não ser durante três dias por
ano: o Solstício de Inverno e os dias imediatamente antes e depois dele.
Atualmente, com o auxílio de computadores e cálculos de precessão, é possível determinar com exatidão o ponto
exato do horizonte oriental em que o sol nasce num determinado dia. Mas naquela época, em 2500 a.e.c. (antes da
era comum, ou antes de Cristo), seriam necessários muitos anos de observação e conhecimento da movimentação
da terra e dos astros para definir com precisão esse momento celeste. Isto por si só já mostra claramente que o
Solstício de Inverno é uma data importante para a humanidade desde há muito tempo.
Mas tem mais. Nenhum povo dedicaria tanto esforço físico e mental para construir tamanha estrutura se não fosse
por um motivo muito forte. Mas qual seria esse motivo?
As pesquisas arqueológicas indicam que, no interior da câmara subterrânea de Newgrange, eram depositados os
corpos e as cinzas dos mortos daquela cultura ancestral. Ali permaneciam, intocados, durante a escuridão que ali
reinava durante praticamente todo o ano. Mas nos três dias próximos ao Solstício de Inverno, um milagre: entram
na câmara os primeiros raios do sol nascente, o Novo Sol que volta a crescer depois do Inverno, trazendo consigo a
certeza de que, após o frio invernal, sem dúvida virá o brilho e o colorido da primavera e da vida que renasce. Pois
esse parece ser o tema de Brú na Bóinne. A entrada dos raios solares somente no Solstício de Inverno – o Novo Sol
– ilumina todo o interior da câmara interna, num espetáculo disputado a peso de ouro pelos neopagãos da Europa e
de todo o mundo. Só quem já entrou em Brú na Bóinne é capaz de descrever o maravilhamento causado por esse
fenômeno. Ao iluminar o interior da câmara, os raios do sol – um verdadeiro falo celeste – penetram no útero da
Terra, onde as cinzas dos mortos haviam sido depositadas, fecundando-as novamente, e assim garantindo a
continuidade da vida após a morte. Esse é o tema do Solstício de Inverno. A união do Sol (masculino) com a Terra
(feminina) é o milagre do renascimento e a preservação da vida. É essa união em EQUILÍBRIO que traz a certeza de
que a Primavera retornará, e com ela a alegria, a fertilidade e o amor da Terra e de suas criaturas.

Ponto de vista da mitologia egípcia

Os filhos de Geb e Nut, os quatro filhos do Céu e da Terra, dois homens e duas mulheres (embora haja versões que
dão um quinto filho, chamado Horoeris), formam a primeira geração de seres que vivem no solo do Egito, os quatro
primeiros deuses que se ocupam dessa terra escolhida e que velam por ela, ou que entram no mundo egípcio para
completar o binômio do bem e do mal, da vida e da morte. O primeiro dos homens e o mais velho dos quatro, Osíris,
é o deus da fecundidade, a divindade que representa e sustenta a continuidade da natureza; ele é quem faz nascer a
semente, quem a amadurece e quem traz as colheitas; Osíris é o princípio da própria vida. Ísis, a sua irmã e esposa,
reina em igualdade sobre o extenso domínio do Nilo, em perfeita harmonia com o seu irmão, formando o casal
positivo do binômio. Se Osíris se encarrega de proporcionar a vida aos humanos, Ísis está sempre à frente, após a
invenção de todas as artes necessárias para desenvolver a vida, desde a moagem do grão até às complexas regras
e leis da vida familiar. Neftis, a segunda irmã e a menor de todos, não podia ter a sorte de Ísis, a sorte de ser esposa
do bom e belo Osíris; por isso Neftis ficou à margem da felicidade; também por isso era a representação do resto do
país útil, a deusa das terras menos felizes, as terras secas junto dos campos de cultivo; as parcelas de sequeiro que
não tinham a sorte de ser regularmente inundadas pela água e pelo limo do rio nas suas cheias anuais. Set, o
segundo homem e o terceiro dos filhos, é a criatura que pressagiou o seu destino ao nascer prematuramente, dado
que abriu o ventre da sua mãe Nut, fazendo-a sofrer cruelmente; Set é o deus da maldade, o espírito negativo e o
representante do deserto sem vida, a personificação da morte.

Naturalmente, Set odeia desde a infância o primogênito Osíris; esta é a fábula constante do bom irmão diante do
mau; é a lenda exemplificadora do mau assassinando o bom, tentando evitar a sua clara superioridade, tentando
apagar com a morte a distância entre ambos. Mas continuemos com a história dos quatro filhos de Geb e Nut, e
digamos que Set casou com a sua irmã Neftis, mantendo a tradição iniciada pelos seus antecessores divinos. Mas
Neftis foi esposa do malvado Set também mau grado seu, porque ela amava Osíris, e deste casamento não surgiu
nenhum filho, porque Set tinha que ser forçosamente estéril pela sua maldade. Mas não sucedeu a mesma coisa
com Neftis, dado que ela sim, conseguiu ter um filho e, precisamente um filho de Osíris. Para conseguí-lo,
embebedou o seu irmão e deitou-se com ele. Esse filho nasceria mais tarde e seria conhecido com o nome de
Anúbis. Neftis amava tanto Osíris e tanto desprezava o seu marido que, quando se produziu o seu assassínio, a boa
e infeliz Neftis fugiu do seu perverso marido, para poder estar ao lado do amado, junto da sua irmã Ísis, ajudando-a
no embalsamamento. Após aquele momento, Ísis e Neftis permaneceriam sempre unidas à morte, acompanhando o
piedoso defunto na sua sepultura, para proporcionar-lhe a ajuda que necessitasse no outro lado da morte. Ao
assassinar Osíris, Set só conseguiu divinizar ainda mais o seu odiado irmão, porque o Osíris triunfante sobre a
morte ia estabelecer-se como a personificação divina do ciclo, e voltaria a nascer e morrer eternamente, reinando na
vida eterna do céu e deitando sobre o seu traidor irmão na terra, ao ficar com as suas posses e ser a figura amada
pelas duas irmãs Ísis e Neftis, a figura adorada e homenageada por todos os egípcios, a divindade bondosa que
governava as estações e o benéfico Nilo em proveito dos homens.

Não foi demasiado difícil a Set terminar com a vida do seu bom irmão, o grande rei Osíris, apesar da constante
vigilância que Ísis mantinha sobre as suas idas e vindas, dado que ela sim conhecia bem o seu malvado irmão e não
confiava de maneira nenhuma nas suas artes. Depois de tentar uma e outra vez assassiná-lo sem êxito, finalmente
Set tramou um plano que lhe permitia iludir Ísis e assim mandou construir uma caixa muito rica e bela, com o
tamanho exato do seu irmão. Com a caixa em seu poder, Set organizou uma grande festa, à qual convidou Ísis e
Osíris, junto com outras setenta e duas personagens, que não eram outras que os seus aliados no sinistro plano.
Terminada a festa, Set comentou que tinha idealizado um jogo, que consistia em ver quem de todos os presentes
cabia melhor naquela magnífica arca, e para o feliz tinha reservado um grandioso prêmio. Os convidados provaram
sorte, mas nenhum dava o tamanho adequado, de maneira que chegou a vez de Osíris e ele sim, enchia
completamente o buraco da caixa. Mas não havia tal prêmio; os presentes lançaram-se em tropel e encerraram o rei
dentro dela; depois lançaram-na ao Nilo e o rio arrastou a caixa e a sua carga para o mar. Ísis saiu em perseguição
do baú e Neftis uniu-se ela rapidamente na procura, enquanto Set e as suas seis dúzias de cúmplices celebravam
precipitadamente a suposta vitória do usurpador. As duas irmãs entretanto, encontraram a caixa onde Osíris tinha
sido encerrado e comprovavam que já era simplesmente um cadáver. Com os seus tristes lamentos e prantos, as
irmãs comoveram os deuses e estes decidiram trazer de novo à vida ao infeliz Osíris, mandando-as que
amortalhassem o seu corpo embalsamado em ligaduras, dando assim a pauta para o posterior rito funerário, ou que
reunissem os seus restos para poder insuflar de novo a vida no seu destroçado corpo, segundo a versão
correspondente.

Também se conta, em outros relatos sagrados, que a arca tinha saído para o mar quando Ísis chegou à foz do Nilo, e
só terminou a sua viagem na muito longínqua costa da Fenícia, indo de encontro a um tronco que crescia à beira do
Mediterrâneo, muito próximo da cidade de Biblos. A árvore, milagrosamente, cresceu num instante, englobando o
féretro flutuante no seu tronco para dar-lhe o último abrigo. Movido pelo destino, o rei de Biblos viu aquela
gigantesca árvore e mandou cortar o seu tronco e com ele ordenou construir uma coluna para o seu palácio. Mas
Ísis soube também do portentoso fato e empreendeu a viagem até chegar à cidade de Biblos, onde pediu ser
recebida pelo rei, para fazer-lhe saber razão da sua penosa expedição. O rei ouviu o relato da rainha e ordenou
imediatamente que lhe fosse devolvido o caixão onde repousavam as restos mortais do bom Osíris. Concedido o
seu desejo e com o caixão em seu poder, regressou sigilosamente para o Egito, não sem antes tentar ocultar o
cadáver do infeliz esposo da maldade de Set. Mas Set, senhor da noite e das trevas, deu com ele e voltou a tentar
terminar com a ameaça que Osíris representava, fazendo com que os seus restos fossem dispersos por todo o
imenso e intransitável delta do grande rio. De novo Ísis empreendeu a procura dos restos de Osíris nos pântanos do
Nilo e, um a um, reuniu outra vez o cadáver. Quando os conseguiu, tomou a forma de uma grande ave de presa e
pousou-se sobre os despojos, batendo as suas asas até que com o seu ar benfeitor insuflou uma vida renovada em
Osíris. O esposo ressuscitado tomou-a e a boa Ísis ficou grávida de Hórus, o filho que teria de vingar o pai
assassinado e restauraria a ordem divina no Egito. Mas, enquanto chegava o momento do nascimento de Hórus,
Ísis ocultou-se de Set nos pantanosos terrenos do delta do Nilo.

Osíris retornou ao reino dos mortos, mas já tinha deixado a sua semente em Ísis e dela nasceu felizmente Hórus em
Jenis. Com a presença devota da sua mãe foi educado no maior dos segredos, preparando-se com esmero e
paciência o sucessor do rei assassinado no seu esconderijo do Delta, enquanto a mágica Ísis o cobria com a
impenetrável couraça dos seus conjuros, esperando até que chegasse a hora da vingança definitiva. E esta hora
chegou, mas a luta entre Set e Hórus seria longa e angustiosa; uma briga que aparecia não ter fim, na qual um e
outro infringiam tanto mal como o que recebiam do seu adversário. Tão penoso era o combate que Tot, o deus da
Lua e a divindade da ordem e a inteligência, se apiedou dos combatentes e interveio para mediar na disputa,
levando a ambos perante o tribunal dos deuses e fazendo comparecer também Osíris, para que todos pudessem
ouvir as razões de um e dos outros. O tribunal sentencia que, na causa entre Set e Osíris, seja Osíris quem recupere
o reino que teve em vida, e acrescenta à sua coroa a parte do país que originalmente correspondeu ao seu irmão e
assassino. Na longa e controversa vista da briga entre Set e Hórus, que durou nada menos que oitenta anos, os
juízes celestiais terminaram por sentenciar o pleito sobre os direitos sucessórios a favor de Hórus. O filho póstumo
de Osíris recuperava o que correspondia pela sua linhagem: a sucessão no trono de Egito. Assim, o filho era
reconhecido pela divindade como soberano indiscutível, dentro da tradição clássica que adjudicava aos reis e aos
reinos um sentido de vontade divina. Por estas duas sentenças Set perde o seu poder, conquistado com enganos,
mas não é castigado senão afastado do mundo; Set passa a ser também uma divindade necessária ao ser acolhido
por Ra, divindade solar, para que se ocupe nos céus de alternar a noite com o dia e deixe que sejam os reis os que
governem sobre a terra. Hórus, por sua vez, engendra quatro filhos: Amsiti, Hapi, Tuemeft e Kevsnef; embora não se
especifique com exatidão quem pode ser a mãe, se é que existe tal (há quem dizem que são filhos de Hórus e da sua
mãe Ísis). Estes filhos, que acompanharão Osíris nos julgamentos aos mortos, também cuidam dos quatro pontos
cardeais e se ocupam de velar pelas necessidades e pela saúde das entranhas de Osíris.

Ponto de vista da mitologia greco-romana:

Desenvolvendo seus mitos através dos tempos, a humanidade sempre fez do Solstício de Inverno o momento de
nascimento de deuses e heróis: Arthur, Dioniso, Mithras, Átis, Osíris, entre outros.

Segundo a mitologia greco-romana, o solstício de Inverno é aquela época em que se celebra a ida de Perséfone aos
Infernos, onde residirá com seu marido Hades, por força de um acordo havido entre este e sua mãe Ceres, na
tentativa de apaziguar o desentendimento entre estes, porque cada qual queria ficar sempre com Perséfone, e esta
pediu a Zeus que a auxiliasse na tomada de decisão.

Mais sobre as duas figuras:

Ceres (ou Deméter), a Mãe Terra, representa a soberania da natureza e proteção para as criaturas jovens e
indefesas.Responsável pelo amadurecimento do trigo, ao final do verão o povo lhe rendia graças pela fartura que o
solo lhes havia proporcionado. Regia os ciclos da natureza e de todas as coisas vivas.Presidia a gestação e o
nascimento da vida nova, e abençoava todos os ritos do matrimônio como meios de perpetuação da natureza.

É uma deusa matriarcal, a imagem do poder das entranhas da Terra, o qual não necessita de nenhum
reconhecimento espiritual dos céus.

Deméter reflete a experiência da maternidade, não está restrita apenas aos aspectos físicos de gestação,
nascimento e aleitamento, mas também à experiência anterior da Grande Mãe, ou seja: a descoberta do corpo como
algo valioso e precioso e que requer muita atenção. É a conscientização de sermos parte da natureza e de estarmos
ligados à vida natural. É a apreciação em todos os sentidos dos prazeres simples da vida cotidiana. Se não tivermos
a Grande Mãe dentro de nós, não poderemos gerar nada, e não seremos capazes de dar frutos, pois este é o
aspecto da natureza humana que sabe Ter paciência e esperar com tranqüilidade, até o momento em tudo esteja
maduro, quando teremos condições de agir.

Pelo lado negativo, Deméter pode também representar a estagnação, a apatia e a lentidão que impedem as
mudanças. É também a Mãe Enlutada, que não consegue abrir mão de suas posses e que se rebela contra qualquer
invasão ou intromissão em seu mundo harmônico. Pode ser uma pessoa cheia de rancores e mágoas, pois a vida
requer mudanças e muitas separações.

Perséfone, rainha das trevas, é a filha de Ceres, e guardiã dos segredos dos mortos. Segundo o mito, Hades, senhor
das trevas, enlouquecido de amor por ela, raptou-a enquanto colhia flores no campo.

Assim que a levou ao seu reino sombrio, fez com que ela comesse a romã, fruta dos mortos. A partir daí ela ficou
ligada a ele para sempre.

Depois de uma discussão em que Ceres pede a interferência de Zeus para forçar Hades a devolver-lhe a filha
raptada, Zeus se manifestou no sentido de deixar-se que a moça passasse três meses com o marido nas
profundezas e o resto do ano com a mãe na superfície, ficando assim todos satisfeitos.

Assim, Perséfone governa o mundo das trevas durante três meses, na companhia do marido, e tornou-se guardiã
dos segredos e mistérios de seu sombrio domínio.

É a representação do elo com o misterioso e insondável mundo interior, denominado “inconsciente" pela
psicologia.

É como se, debaixo do mundo diário, sob a luz do dia, e que consideramos real, existisse um outro mundo,
profundo e denso, cheio de riquezas ocultas e mistérios a serem desvendados.

Neste mundo não podemos entrar sem o consentimento de seus governantes invisíveis. Neste universo estão
contidos nossos potenciais latentes, e também as facetas sombrias e mais primitivas de nossa sociedade.Lá se
encontra também o segredo do destino do homem, que permanece em estado germinativo e embrionário, até o
momento de estar pronto para ser manifestado.

Esta é uma figura sedutora e fascinante que jamais fala de seus segredos. Da mesma forma, o inconsciente penetra
nos sonhos, nas fantasias e intuições, o que também é sedutor e fascinante; contudo, sempre que tentamos
dominá-lo e colocá-lo ao lado do intelecto em nosso próprio benefício, este mundo se emudece e escapa ao nosso
alcance. Vemos apenas lampejos da movimentação em ação dentro de nós, e precisamos de paciência e tempo
antes que as verdades sejam trazidas, uma a uma, para a luz.

Perséfone é a imagem da lei natural atuando dentro das profundezas da alma, que governa o desenrolar do destino
a partir de um mundo invisível, apenas revelado por meio do sentimento, da intuição e dos sonhos.

Da relação entre estas duas personagens, da tristeza que representava para Ceres a ida de Perséfone para o mundo
inferior a partir do solstício de inverno, e do tempo passado por esta dentro da terra, como a semente que hiberna
antes de nova germinação, é que temos a razão da lembrança destas duas deusas ao tratar do início do inverno.

Ponto de vista das religiões sul americanas:

Nós que vivemos no Hemisfério Sul, no paraíso de Hi-Brasil, temos o privilégio de viver junto a uma natureza mais
amena e menos hostil do que a da Europa – por aqui, é bom que se diga, o deus sol nunca morre. Nem mesmo no
Solstício de Inverno. Mas com certeza nós sentimos nesse período que algo está mudando – a Natureza, em sua
imutável (posto que eterna) transformação, dá prosseguimento à sua ciclicidade. Podemos sorrir felizes, pois
nossos invernos são mais brandos do que os dos outros; e sorrimos ainda mais, com a certeza de que, a partir das
10:23 da manhã da próxima Sexta-feira, 21 de junho, o retorno do sol nos trará de volta a alegria da primavera em
setembro. Essa certeza nos ajuda – como ajudava aos povos da Antigüidade – a suportar os rigores do inverno que
se anuncia, enchendo-nos de esperanças e de energia para aguardar a primavera.

Localização da festa no calendário Celta:

A Roda do Ano - Representada pelos Oito Sabás, tem por objetivo, sincronizar a nossa energia com as Estações do
Ano, ou seja, com os ciclos do Planeta Terra e o Universo. Ela descreve o Caminho do Sol durante o ano,
representando as várias faces do Deus: - Seu nascimento, crescimento, união com a Deusa, e finalmente seu
declínio e morte. Da mesma forma que o Sol nasce e se põe todos os dias, e da mesma forma que a Primavera faz a
Terra renascer após o Inverno, o Deus nos ensina que a morte é apenas um ponto no Ciclo Infinito de nossa
evolução, para podermos renascer do Útero da Mãe. Para algumas Tradições da Wicca, o ano se inicia no Solstício
de Inverno, é conhecida como Halloween ou Dia das Bruxas, mas seu nome tradicional é Samhain, que significa
"Sem Sol", referindo-se ao tempo de Inverno. Essa época também é correspondente ao Ano Novo Judaico.

Sabás – hemisfério sul

Lammas Lugnasadah - Festa Agrícola=> 02 de Fevereiro

Mabon Equinócio de Outono=> 21 de Março

Semhain Halloween => 01 de Maio

Yule Solstício de inverno=> 21 de Junho

Imbloc /Canddlemas - Deusa Brigit => 01 de Agosto

Ostara Equinócio da Primavera => 21 de Setembro


Beltane- Fogo de Belenos => 31 de Outubro

Litha Solstício de Verão=> 21 de Dezembro

Comentário final:

A cerimônia do Solstício de Inverno, como se viu, remonta às origens do ser humano sobre a Terra: aos antigos
celtas, egípcios e talvez, atlantes.

E, não por coincidência, celebra sempre a mesma coisa: o momento em que a vida se retrai, se esconde e se
recolhe, para ganhar forças a fim de poder renascer ao fim do período que chamamos de Inverno.

Assim é com o homem: nasce, cresce, em algum tempo de sua existência sente a necessidade básica de se
reconhecer, buscar as origens de seus atos, de entender o que se passa em seu interior; então passa por períodos
de recolhimento e meditação (maiores ou menores conforme a elevação espiritual e cultural do referido homem),
onde se encontra consigo mesmo e , por estar mais ciente de seus objetivos, consegue renascer e seguir em frente
mais um pouco.

O ciclo aqui representado: recolhimento, hibernação, renascimento, nos relembra do Cristo após a Cruz, do período
que Ele passou no deserto antes da Vida Pública, da semente dentro da Terra, das gestações em geral.

No caso da Maçonaria, forçosamente nos lembramos do episódio ocorrido com o Postulante dentro da Câm.’.de
Refl.’., onde é encerrado para buscar forças em si mesmo a fim de, retornando à superfície, renascer como Maç.’.,
em uma vida que deve ser muito diferente da anterior.

Este período, por mais que pareça traumático ou desnecessário, é de fundamental importância para tudo o que
ocorrerá ao A .’.M.’. na seqüência.

As análises feitas neste local, a fé buscada, a oração dita, a disposição corajosa de enfrentar novamente a vida, com
certeza constituem-se em uma das mais valiosas experiências que pode ter uma pessoa na vida. Assim, atrevo-me a
comentar que a celebração do Solstício de Inverno nas Loj.’.M.’. deve ser, se não fisicamente, pelo menos
energeticamente, uma celebração da Ressurreição do Homem, pronto a dar mais frutos e trabalhar pelo bem da
humanidade.