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FUNDAMENTOS DE ECONOMIA

MÓDULO 3 DE EXERCÍCIOS APLICADOS

ELASTICIDADES E INTERVENÇÃO ESTATAL

Ano letivo 2018 / 2019

Caderno elaborado pela equipa docente de Economia do DGE da ESTGLeiria

2º Semestre 2018/19 Maria Eduarda Fernandes e Guillermo Hunter 1


Figura 1. Mapa Conceptual sobre Elasticidades.

SENSIBILIDADE GRAU REACÇÃO

ELASTICIDADE

DA PROCURA Cálculo: no Arco vs. no Ponto DA OFERTA

Face ao Face ao

PREÇO PREÇO DE
Superior a 1 RENDIMENTO
DO BEM OUTROS BENS PREÇO
(valor absoluto)
DO BEM
procura
elástica

Elasticidade Influenciada por


Preço da Positiva Negativa Positiva Negativa
Procura Inferior a 1
(valor absoluto) >1 Facilidade
procura Elástica com que a
Influenciada rígida Substitutos capacidade
por produtiva
Complementares <1
pode ser
Rígida
expandida
1ª necessidade ou
não Bens Bens
Longo prazo
Disponibilidade de Relação entre normais Inferiores
versus curto
bens substitutos Elasticidade e
prazo
Peso do bem no Receita Total
orçamento Custos
Longo prazo versus
curto prazo

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Figura 2. Mapa Conceptual sobre Intervenção Estatal.

Eficiência, Equidade, Estabilidade

IMPOSTOS INTERVENÇÃO SUBSÍDIOS


ESTATAL

UNITÁRIOS:
UNITÁRIOS:
• Sobre o consumo (procura):
• Sobre o consumo Deslocação paralela da curva
(procura): Deslocação da procura para a direita
paralela da curva da procura
REAJUSTAMENTO •Sobre a produção (oferta):
para a esquerda
AUTOMÁTICO NO Deslocação paralela da curva
•Sobre a produção (oferta): MERCADO da oferta para a direita
Deslocação paralela da
curva da oferta para a
esquerda
NOVO PONTO DE
EQUILÍBRIO PROPORCIONAIS:
PROPORCIONAIS: • Sobre o consumo
(procura): Rotação da curva
•Sobre o consumo da procura para a direita
(procura): Rotação da curva
da procura para a esquerda •Sobre a produção (oferta):
Rotação da curva da oferta
•Sobre a produção (oferta): para a direita
Rotação da curva da oferta
para a esquerda

• Variação dos Incidência económica


excedentes do vs. incidência legal dos
consumidor e do impostos/subsídios
produtor
• Perda líquida de Relação com a
bem-estar social elasticidade preço da
procura e da oferta

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Caixa Nº1

“Elasticidade Preço da Procura

Patrick L. Anderson, Richard D. McLellan, Joseph P. Overton, e Dr. Gary L. Wolfram |


Nov. 13, 1997

A “lei da Procura”, que estabelece, nomeadamente que quanto maior é o preço de um bem, menos
quantidade será adquirida pelos consumidores, tem sido designada como a lei mais conhecida em
economia e aquela sobre a qual os economistas mais têm certeza. Para prever o comportamento dos
consumidores, os economistas utilizam técnicas bem definidas para avaliar a sensibilidade da quantidade
a variações no preço. Tais técnicas, preconizadas pelo grande economista britânico Alfred Marshall
(1842-1924), no início do século XX, constituem os fundamentos da microeconomia. A medida mais
comum para avaliar a sensibilidade dos consumidores ao preço é designada de elasticidade preço da
procura. Esta mede simplesmente a variação percentual na quantidade procurada como resposta a uma
dada variação percentual no preço. Se uma descida de 1% no preço de um determinado bem provocar
uma subida de 1% na quantidade procurada do mesmo bem, diz-se que a elasticidade é igual a 1 ou
unitária. Ao longo dos anos têm sido efetuados numerosos estudos para calcular elasticidades da procura
no curto prazo e no longo prazo. Para a maioria dos bens e serviços de consumo, tem-se concluído que a
elasticidade preço da procura tende a encontrar-se no intervalo entre 0,5 e 1,5. Uma vez que a elasticidade
preço da procura para a maioria dos produtos se situa em torno de 1, este valor tem sido usado como
referência: bens cuja elasticidade preço da procura seja, em valor absoluto, superior a 1 possuem uma
procura “elástica”, enquanto aqueles que apresentam uma elasticidade inferior a 1, em valor absoluto,
caracterizam-se por uma procura “rígida” ou “inelástica”. Bens mais essenciais à vida quotidiana e / ou
com menos substitutos apresentam tipicamente uma elasticidade mais reduzida – os produtos de
mercearia são um bom exemplo. Bens considerados não essenciais, com muitos substitutos e / ou cuja
compra pode ser facilmente adiada, apresentam frequentemente uma procura elástica.

A Tabela que se segue mostra a elasticidade preço da procura estimada para uma variedade de bens e
serviços de consumo:

[…]”

Elasticidade preço da procura estimada para alguns bens e serviços de consumo

Bens Elasticidade preço da procura estimada

Inelástica / Rígida

Sal 0.1

Fósforos 0.1

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Palitos 0.1

Viagens de avião, curto-prazo 0.1

Gasolina, curto-prazo 0.2

Gasolina, longo-prazo 0.7

Gás natural residencial, curto-prazo 0.1

Gás natural residencial, longo-prazo 0.5

Café 0.25

Bacalhau, consumido em casa 0.5

Tabaco, curto-prazo 0.45

Taxi, curto-prazo 0.6

Automóveis, longo-prazo 0.2

Elasticidade aproximadamente unitária

Filmes (cinema) 0.9

Habitação, longo-prazo 1.2

Ostras, consumidas em casa 1.1

Pneus 0.9

Elástica

Refeições no Restaurante 2.3

Viagens ao estrangeiro, longo-prazo 4.0

Viagens de avião, longo-prazo 2.4

Ervilhas frescas 2.8

Automóveis Chevrolet 4.0

Tomates frescos 4.6

Fonte: Economics: Private and Public Choice, James D. Gwartney and Richard L. Stroup, 8ª edição 1997, 7ª edição 1995; Hendrick
S. Houthakker e Lester D. Taylor, Consumer Demand in the United States, 1929-1970 (Cambridge: Harvard University Press,
1966,1970); Douglas R. Bohi, Analyzing Demand Behavior (Baltimore: Johns Hopkins University Press, 1981); Hsaing-tai Cheng e
Oral Capps, Jr., "Demand for Fish" American Journal of Agricultural Economics, August 1988; e U.S. Department of Agriculture.

(Traduzido e adaptado a partir do artigo original disponível em: http://www.mackinac.org/article.aspx?ID=1247)

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Exercícios Propostos

1. Considere a seguinte Tabela, que consiste num excerto da que consta na Caixa nº1,
registando valores (absolutos) estimados para as elasticidades preço da procura de
diferentes bens:

Tabela: Elasticidades preço da procura por tipo de bens

Bens Elasticidade Preço da Procura

Sal 0,1
Viagens de avião, curto-prazo 0,1
Viagens de avião, longo-prazo 2,4
Pneus 0,9
Ervilhas frescas 2,8
Refeições no Restaurante 2.3
(Fonte: http://www.mackinac.org/article.aspx?ID=1247)

a) Interprete os valores específicos da elasticidade preço da procura para cada um


dos bens indicados na tabela, justificando as diferenças observadas.
b) Tomando por referência o valor indicado para a Elasticidade preço da procura
das Refeições no Restaurante, e considerando que se verificou uma quebra na
quantidade procurada deste produto em 15%, calcule a variação percentual de
preço que terá estado na origem dessa variação na quantidade procurada.

2. Considere a seguinte Tabela de preços e quantidade:

Momento Preço do Bem X Preço do Bem Y Quantidade Procurada


do Bem X
T0 10 4 2
T1 10 6 4
T2 13 6 3

a) Recorrendo ao conceito de elasticidade no arco, determine


i) A elasticidade da Procura do Bem X face ao preço do Bem X, na passagem de
T1 para T2;
ii) A elasticidade da Procura do Bem X face ao preço do Bem Y, na passagem de
T0 para T1.
b) Classifique a procura do bem X de acordo com o valor obtido na alínea a)i).
c) Qual dos seguintes pares de bens corresponderá aos bens X e Y? Fundamente
devidamente a sua resposta.
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• Hipótese A: Bem X – Refrigerante da marca “Fanta”; Bem Y - Refrigerante da
marca “Sumol”;
• Hipótese B: Bem X – Café; Bem Y – Leite.

3. Considere o excerto de notícia abaixo e responda aos pedidos que se seguem:

Web Summit faz preços de hotel em Lisboa disparar


3/11/2016, 13:09

O Web Summit é considerado o maior evento de empreendedorismo e tecnologia da


Europa e atrai oradores de todo o lado. Entre os convidados a falar, existem 29
portugueses. A sua realização, em Lisboa, está a fazer com que os preços dos hotéis
disparem, segundo estudo elaborado pela Trivago.

http://observador.pt/2016/11/03/web-summit-faz-precos-de-hotel-em-lisboa-dispararem/

Admita que a curva de procura por quartos de hotel em Lisboa, estimada para o período
de realização da Web Summit 2016 é a seguinte: Q = 50000 − 100 P , em que Q
representa o número de quartos de hotel e P representa o preço da estadia / noite.
a) Represente graficamente a curva da procura.
b) Determine o valor da Elasticidade Preço da Procura quando os preços são,
respectivamente: P = 150 e P = 300. Interprete os resultados obtidos.
c) Identifique o Preço que permite maximizar a Receita Total do setor
hoteleiro e calcule o valor correspondente da Receita máxima.

4. Considere que mercado mundial de trigo é composto pelas seguintes curvas de


procura e oferta: Qd = 60 – 3P e Qs = P. Sendo assim:
a) Determine, em termos gráficos e analíticos, o equilíbrio de mercado.
b) Determine e represente graficamente os excedentes do consumidor e do
produtor. Explique o seu significado.
c) No ponto de equilíbrio, calcule a elasticidade-preço da procura.
Interprete o valor encontrado e verifique, explicando, se o produtor está
no seu ponto de maximização da receita. Caso não esteja, explique qual
deve ser a movimentação do preço de mercado para se alcançar a receita
máxima.

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d) Suponha que, devido a políticas públicas de combate à fome, é atribuído
um subsídio unitário de 3€ com incidência legal sobre os consumidores.
d.1) Determine, de forma gráfica e analítica, o novo ponto
de equilíbrio (Nota: represente no gráfico da alínea a)).
d.2) Explique o mecanismo de ajustamento que permite ao mercado
voltar ao equilíbrio após a intervenção estatal.
d.3) Como se divide (em %) a incidência económica do subsídio entre
produtores e consumidores?
e) De acordo com a FAO (Food and Agriculture Organization, 2009), um
dos factores determinantes da oferta mundial de bens agrícolas tem sido
os efeitos climatéricos (enchentes na Austrália, seca prolongada na
Argentina e em algumas zonas dos EUA). Esta organização prevê que o
mercado mundial dos bens agrícolas possa entrar num desequilíbrio onde
a procura excede a oferta, originando assim um grave risco para a
população mais carenciada.
Nesse sentido, considere duas novas funções oferta mundial de trigo:
Qs = -5 + P e Qs = 3 + P. Represente graficamente a função que possa
corresponder aos efeitos perversos do clima sobre a oferta mundial de
trigo. Explique o que aconteceria ao preço mundial do trigo.

5. Depois de ler o texto abaixo e considerar as expressões para a curva de procura e


oferta do mel, Q d = 18 − 0,4P e Q s = −2 + 0,6P , responda aos pedidos que se seguem.

“Nos pomares de laranja é comum os agricultores contratarem apicultores para polinizarem a florada de
laranja, a render grande produtividade, tanto de laranja, como de mel, conhecido como mel flor de
laranjeira”.
http://campoenegocio.com/index.asp?c=paginas&modulo=informativo_exibe&url=56&categoriaextra=1
&menuextra=1

a) Determine gráfica e analiticamente o ponto de equilíbrio.

b) Calcule os excedentes do consumidor e do produtor e interprete os valores


encontrados.

c) Sabendo que os proprietários de pomares em terrenos próximos do local onde os

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apicultores exercem a sua actividade beneficiam da mesma (através da polinização
proporcionada pelas abelhas) o Estado intervém com o intuito de incentivar ainda mais
a produção do mel. Para o efeito atribui um subsídio de 2 u.m. aos produtores de mel
que se fixem em zonas próximas de pomares.

i) Determine, gráfica e analiticamente, o novo ponto de equilíbrio.

ii) Explique o mecanismo de ajustamento que se desenrolou para que o novo ponto de
equilíbrio fosse alcançado.

iii) Calcule a variação de bem-estar social que ocorreu com esta intervenção Estatal.

6. Leia com atenção o seguinte texto:

“Com a reforma da tributação automóvel, concretizada em 1 de Julho de 2007, através da


publicação do Código do Imposto sobre Veículos e do Código do Imposto Único de Circulação,
as emissões de CO2 passaram a deter um peso de 30% no ISV, tendo passado a integrar,
também, a base tributável do Imposto Único de Circulação.

Em 1 de Janeiro de 2008, as emissões de dióxido de carbono representavam, já, 60% do Imposto


Sobre Veículos, detendo a cilindrada a percentagem restante.

Tendo por objectivo a penalização dos veículos mais poluentes, foram fixadas taxas
progressivas, em função do escalão de emissões de CO2. Por outro lado, as taxas foram
diferenciadas, em função do tipo de combustível, já que as emissões entre os veículos a gasolina
e os veículos a gasóleo são substancialmente diferentes.

Ministério das Finanças e da Administração Pública, DIRECÇÃO-GERAL DAS ALFÂNDEGAS E DOS IMPOSTOS
ESPECIAIS SOBRE O CONSUMO, Direcção de Serviços dos Impostos sobre os Veículos Automóveis e o Valor
Acrescentado, “A VERTENTE AMBIENTAL DO IMPOSTO SOBRE VEÍCULOS”, pg.5

Considere ainda que as condições do mercado de uma determinada marca de


automóveis em Portugal se podem representar da seguinte forma: Qd = 25 − 0,2P e

Qs = −11+ 0,55 P .
a) Determine o ponto de equilíbrio e represente graficamente o mercado.
b) Considere agora que os veículos desta marca, tendo em conta a poluição que
emitem, passam a ser penalizados, através do lançamento de um imposto.

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i) Determine, gráfica e analiticamente, o novo ponto de equilíbrio após a
cobrança às empresas de um imposto de 20% sobre o preço dos automóveis.
ii) Calcule a incidência económica deste imposto e explique por que motivo
difere da incidência legal.

7. Suponha que a expressão da procura de mercado de doces na Suécia (bem X)


corresponde a Qd=20-20Px-Py+2R, sendo Px o preço dos doces, Py o preço dos
refrigerantes (bem Y) e R o rendimento disponível dos consumidores suecos. Considere
ainda que, atualmente, Px=1,5, Py=2 e R=11.
(Nota: Em caso de necessidade, utilize 2 casas decimais para arredondamentos)
a) Determine a elasticidade rendimento da procura de doces. Interprete o valor
encontrado e classifique este bem com base nesta elasticidade.
b) Calcule a elasticidade cruzada da procura de doces face ao preço dos
refrigerantes e interprete o valor encontrado. O que pode concluir acerca da
relação entre estes dois bens?
c) Suponha agora que a curva da oferta de doces na Suécia é dada pela expressão
Qs=-5+10P e que a curva da procura é Qd=40-20P.
i. Determine, gráfica e analiticamente, o ponto de equilíbrio no mercado de
doces.
ii. Calcule a elasticidade preço da oferta no ponto de equilíbrio. Classifique-
a e interprete o valor encontrado.
iii. Os produtores de doces suecos encontram-se a maximizar a receita?
Justifique a sua resposta.
d) Leia com atenção o seguinte texto antes de responder às alíneas que se seguem.
“Cientistas propõem imposto sobre doces e refrigerantes

Cientistas do prestigiado Instituto Karolinska (Suécia), propuseram a criação de um


"imposto do açúcar", a fim de reduzir o consumo de doces que, naquele país, atinge os
índices mais elevados do Mundo.

"Já é hora de a Suécia debater um imposto do açúcar e usar o dinheiro arrecadado para
reduzir os preços de frutas e verduras", dizem os pesquisadores, num artigo publicado
no jornal sueco "Dagens Nyheter".

O texto afirma que os suecos são os maiores consumidores globais de rebuçados, doces
e chocolates. A média de consumo anual é de 17 quilogramas por pessoa. No que
respeita a refrigerantes e outras bebidas à base de açúcar, os suecos bebem, em média,
90 litros por ano.

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(…)

Na opinião do investigador, não se trata de proibir, mas sim de aplicar medidas que
provoquem uma diminuição do consumo de açúcar, à semelhança do que se faz com o
tabaco. Na Suécia, a introdução de altas taxas sobre o tabaco contribuiu para baixar
drasticamente o número de fumadores. (…)”

(Jornal de Notícias 2010-04-04)

i. Suponha que, com base no estudo referido na notícia, o governo sueco


decide aplicar aos consumidores de doces um imposto de 10% sobre o
preço. Calcule, gráfica e analiticamente, o novo ponto de equilíbrio no
mercado.
ii. Determine a incidência económica do imposto para ambos os lados do
mercado.
iii. Calcule a perda líquida de bem-estar social causada pela atribuição do
imposto aos consumidores.
e) Considere agora que o outro bem de consumo referido na notícia, o tabaco, tem as
seguintes curvas de procura e oferta no mercado sueco: Qs=-10+20P e Qd=50-0,5P.
i. Calcule o ponto de equilíbrio deste mercado. Represente graficamente.
ii. Caracterize a elasticidade preço da procura de tabaco no ponto de
equilíbrio.
iii. Considere que foi também lançado um imposto sobre o consumo, de
10% sobre o preço do tabaco. Determine, gráfica e analiticamente, o
novo ponto de equilíbrio.
iv. Compare a repartição deste imposto entre consumidores e produtores
(em %) com a que tinha encontrado para o caso dos doces. Justifique a
diferença tendo em conta a elasticidade preço da procura de ambos os
bens.

8. O mercado de determinado bem é caracterizado pelas seguintes curvas Qd = 32 − 2P e


Qs = 4P −10 .
a) Determine o ponto de equilíbrio.
b) Admita que o governo, por considerar este bem essencial para toda a população, decide
estabelecer um preço máximo de 5€ para este bem. Analise, analítica e graficamente, as
consequências de tal medida ao nível do mercado.

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c) Indique e quantifique uma medida que o Governo poderia adotar para que o preço de
mercado fosse o desejado, 5€, mas evitasse o desequilíbrio no mercado.

9. Suponha que o mercado de trabalho dos recém-licenciados em Portugal é, relativamente ao


primeiro emprego, descrito pelas seguintes curvas Qd = −P +1500 e Qs = 2P − 600.
a) Qual a quantidade e o preço que se estabelecem quando todos os agentes económicos estão
satisfeitos?
b) Suponha que o Estado para proteger os recém-licenciados estipula um salário mínimo de
1000€. Quais as consequências desta medida para a economia?
c) Apresente e quantifique a alternativa que o Estado poderá apresentar a esta medida.

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EXERCÍCIOS RESOLVIDOS

1. A elasticidade preço da procura pelo bem X para o preço actual de mercado é


E D = 1,5 e a elasticidade preço da oferta é E S = 1 .

a) O produtor estará a maximizar a sua receita? Caso não esteja, indique como
terá que evoluir o preço no mercado para que tal aconteça. Justifique
devidamente.
O produtor maximiza a sua receita quando se encontra no ponto médio da curva da
procura, onde a elasticidade preço da procura assume, em termos absolutos, o valor
unitário. Logo, no exemplo em questão o produtor não está a maximizar a receita.
Como, neste caso, |ED|>1, a procura é elástica logo o preço de mercado teria de baixar
para que o produtor visse aumentadas as suas receitas. Com a redução do preço, a
quantidade procurada aumenta e, uma vez que é elástica, numa proporção superior à
redução do preço possibilitando assim um aumento da receita do produtor.

b) Sabendo que uma subida no preço do bem Y de 78u.m para 82u.m. deverá
provocar um aumento na procura de X de 80 para 85 unidades, determine a
elasticidade preço cruzada da procura e indique a relação existente entre os bens X
e Y. Justifique.
A expressão a utilizar neste caso é a expressão de cálculo da Elasticidade no Arco:

∆Qx
Qx1 ∆Qx Py1 (85 − 80) 78
EQx , Py = = * = * ≈ 1,22
∆Py ∆Py Qx1 (82 − 78) 80
Py1
Como o valor encontrado para esta elasticidade é positivo (EQx,Py>0), concluímos que se
tratam de bens substitutos. Face ao aumento do preço de Y, os consumidores diminuem
o consumo de Y, substituindo-o pelo consumo de X (cuja procura aumenta). Uma vez
que o valor absoluto encontrado é superior a 1, podemos ainda afirmar que os bens

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evidenciam uma relação de substituição forte entre si – em concreto, quando o preço do
bem Y aumenta 1%, a quantidade procurada do bem X aumenta 1,22%.

2. Suponha que o mercado do bem Z pode ser representado pelas seguintes curvas
de procura e oferta: QD = 500 − 10P e QS = −200 + 25 P .

a) Determine a elasticidade preço da oferta para um preço de 10€ e interprete o


valor obtido.

Quando o preço é 10€ a quantidade oferecida é 50: QS = −200 + 25 * 10 = 50

A elasticidade preço da oferta num determinado ponto calcula-se recorrendo às


dQ Z PZ 10
derivadas, assim: E S = * = 25 * =5
dPZ Q Z 50

Este valor indica-nos que, naquele ponto, perante um aumento de 1% no preço os


produtores aumentam a quantidade oferecida em 5%.

b) Um aumento de 7,5% no rendimento dos consumidores do bem Z deverá


provocar uma alteração da quantidade procurada de 300 para 285 unidades.
Tendo em conta esta informação, determine a elasticidade rendimento da procura
e classifique o bem Z.

285 − 300
∆ %QD 300 − 0,05
EQD , y d = = = = −0,6(6) <0, ou seja, estamos perante um
∆ %Y d 7,5% 0,075
bem inferior (bem cuja procura diminui quando aumenta o rendimento).

3. O mercado do bem X pode ser descrito pelas seguintes funções de procura e


oferta: Q D = 250 -2P e Q S = -50 + P .
a) Determine o preço e a quantidade de equilíbrio e faça a respectiva
representação gráfica.
300
QD = QS ⇔ 250 - 2 P = - 50 + P ⇔ 250 + 50 = P + 2 P ⇔ P = = 100
3

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Depois de encontrado o preço de equilíbrio (Pe=100), encontramos a quantidade de
equilíbrio substituindo o mesmo na expressão da função procura ou da função oferta
(sendo o preço de equilíbrio significa precisamente que as quantidades procurada e
oferecida são iguais).

Optando pela função procura encontramos: Qe = 250 - 2 *100 = 50

Para a representação gráfica do equilíbrio precisamos ainda de encontrar os pontos


extremos das curvas da procura e da oferta:

Oferta: QS = 0 ⇔ 0 = −50 + P ⇔ P = 50

250
QD = 0 ⇔ 0 = 250 − 2 P ⇔ 2 P = 250 ⇔ P = = 125
Procura: 2
P = 0 ⇔ Qd = 250 − 2 * 0 ⇔ Qd = 250

P S

12

100

5 D

0 50 250 Q

b) Suponha que é atribuído um subsídio de 5u.m. aos consumidores.


i) Determine o novo ponto de equilíbrio e represente-o graficamente.

Nova procura: Q D’ = 250 -2(P-5) ⇔: Q D' = 250 - 2P + 10 ⇔ Q


= 260 - 2P
D'
310
QD ' = QS ⇔ 260 - 2 P = - 50 + P ⇔ 260 + 50 = P + 2 P ⇔ Pe = = 103, (3)
3
Qe = −50 + 103, (3) ⇔ Qe = 53, (3)

Para a representação gráfica da nova curva da procura:

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260
QD = 0 ⇔ 0 = 260 − 2 P ⇔ 2 P = 260 ⇔ P = = 130
2
P = 0 ⇔ Qd = 260 − 2 * 0 ⇔ Qd = 260

S
P
130
125

103, (3)
100 Perda líquida de bem estar
98,(3)

50
D’
D

0 50 53,(3) 250 260 Q

ii) Quantifique e mostre graficamente a repartição económica do subsídio pelos


dois lados do mercado.

Repartição (ou incidência) económica do subsídio:


Consumidor Produtor
Pagava: 100 Recebia: 100
Paga: 103,(3)- 5= 98,(3) Recebe: 103,(3)
Incidência: 100-98,(3)=1,(6) Incidência:103,(3)-100=3,(3)

Ou seja, ainda que o subsídio tenha legalmente sido atribuído aos consumidores
(indicando-se-lhes que receberiam 5 u.m. por cada unidade adquirida), os produtores
beneficiam igualmente desta medida (via acréscimo na procura resultante da atribuição
do subsídio que, através do mecanismo de ajustamento no mercado, dá origem a um
novo preço de equilíbrio, superior ao anterior).

Em termos relativos:

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1, (6)
Consumidor: = 0,3(3) *100 = 33, (3)%
5
3, (3)
Produtor: = 0,6(6) *100 = 66, (6)%
5

iii) Determine a perda líquida de bem-estar social associada a esta medida e


assinale-a no gráfico anterior.

(103, (3) − 98, (3)) * (53, (3) − 50) 5 * 3, (3)


Perda líquida de bem-estar social: = = 8, (3) u.m.
2 2
(que corresponde à diferença entre a despesa do Estado, com a atribuição do subsídio e
o acréscimo nos excedentes do consumidor e do produtor)

4. A procura e oferta do bem x podem ser representadas pelas seguintes curvas:


QD = 500 − 20P e QS = −25 + 50 P
a) Determine a quantidade e o preço de equilíbrio no mercado deste bem e faça a
respectiva representação gráfica.
525
QD = QS ⇔ 500 - 20P = - 25 + 50P ⇔ 500 + 25 = 50 P + 20 P ⇔ Pe = = 7,5
70
Qe = 500 - 20 * 7,5 = 3 50

Para a representação gráfica do equilíbrio precisamos ainda de encontrar os pontos


extremos das curvas da procura e da oferta:
25
Oferta: QS = 0 ⇔ 0 = −25 + 50 P ⇔ P = = 0,5
50

500
QD = 0 ⇔ 0 = 500 − 20 P ⇔ 20 P = 500 ⇔ P = = 25
Procura: 20
P = 0 ⇔ Qd = 500 − 20 * 0 ⇔ Qd = 500

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P

25 S
23,25

8,75
7,5
7

0,5
0 325 350 465 500
Q

b) Admita que é lançado um imposto unitário sobre os consumidores.


i) Determine o valor do imposto, sabendo que o novo preço de equilíbrio é de 7
u.m.
QD ' = QS ⇔ 500 - 20(P + I) = - 25 + 50P ⇔ 500 − 20 P − 20 I = −25 + 50 P ⇔
⇔ 70 P = 525 − 20 I
Sabendo que o novo preço de equilíbrio é de 7 u.m., basta então substituir na expressão
acima para encontrarmos o valor do imposto:
35
P = 7 ⇔ 70 * 7 = 525 − 20 I ⇔ 20 I = 525 − 490 ⇔ I = = 1,75u.m.
20
O imposto lançado sobre os consumidores foi de 1,75 u.m.

ii) Determine a repartição do imposto entre consumidores e produtores.

Repartição (ou incidência) económica do imposto:


Consumidor Produtor
Pagava: 7,5 Recebia: 7,5
Paga: 7+1,75=8,75 Recebe: 7
Incidência: 8,75-7,5=1,25 Incidência:7,5-7=0,5

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iii) Determine a receita fiscal associada a este imposto e a variação nos excedentes
do consumidor e do produtor. No gráfico da alínea a) represente a situação depois
de imposto e assinale as áreas correspondentes à receita fiscal e à variação de
excedentes.

Para respondermos aos pedidos desta alínea, necessitamos de determinar a nova


situação de equilíbrio. Como já nos é dado o preço de equilíbrio, basta substituí-lo numa
das expressões, da oferta ou procura.

Substituindo na expressão da oferta: Qe = −25 + 50 * 7 = 325

Assim, neste momento estamos em condições de dar resposta ao 1º pedido desta alínea:
receita fiscal que o Estado consegue arrecadar com este imposto. Vimos acima que o
Estado cobra (aos consumidores) 1,75 por cada unidade comprada. Isso significa então:

Receita fiscal = 1,75 * 325 = 568,75 u.m. (que, no gráfico, corresponde à área dos dois
rectângulos – o azul claro mais o azul escuro)

Para a representação gráfica da nova situação, temos de determinar os extremos da nova


curva da procura:
QD' = 500 - 20(P + 1,75) ⇔ Q D' = 500 − 20P - 35 ⇔ Q D' = 465 − 20P
P = 0 ⇔ QD ' = 465 − 20 * 0 ⇔ QD ' = 465
465
Q = 0 ⇔ 0 = 465 − 20 P ⇔ P = = 23,25
20
Para determinarmos a variação nos excedentes do consumidor e do produtor temos de
os calcular para a situação inicial (antes de imposto) e para a situação final (depois de
imposto).
Antes de imposto:
350 * (25 − 7,5)
Excedente do consumidor: = 3062,5u.m.
2

350 * (7,5 − 0,5)


Excedente do produtor: = 1225u.m.
2
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Depois de imposto:
325 * ( 23,25 − 7)
Excedente do consumidor: = 2640,625u.m.
2

325 * (7 − 0,5)
Excedente do produtor: = 1056,25u.m.
2

Variação no excedente do consumidor = 2640,625 - 3062,5 = -421,875 u.m.


Perda no excedente do consumidor que corresponde, no gráfico, à área do rectângulo
azul escuro mais a área do triângulo preto.

Variação no excedente do produtor = 1056,25 - 1225 = -168,75 u.m.


Perda no excedente do produtor que corresponde, no gráfico, à área do rectângulo azul
claro mais a área do triângulo cinzento.

(Desta forma se verifica que as perdas de bem-estar dos agentes económicos – perda dos
excedentes do produtor e do consumidor – não se traduzem na totalidade pelas receitas
arrecadadas pelo Estado. Os triângulos assinalados na figura correspondem à perda
líquida de bem-estar social causados pela intervenção estatal na economia).

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Objetivos de Aprendizagem
• Medir a sensibilidade da quantidade procurada a variações de preço através da
elasticidade.
• Calcular a elasticidade preço da procura (directa e cruzada) num ponto e num
arco.
• Compreender que factores influenciam a elasticidade preço da procura e da
oferta.
• Medir a elasticidade rendimento e perceber como varia segundo diferentes tipos
de bens.
• Medir a elasticidade de oferta e perceber o que esta nos informa sobre as
condições de produção.
• Compreender de que forma a intervenção do Estado na economia, através da
atribuição de subsídios ou impostos, provoca deslocações da curva da procura
e/ou da oferta.
• Determinar o impacto desses impostos e subsídios sobre o equilíbrio dos
mercados, através da activação do mecanismo de ajustamento automático de
preços.
• Perceber quais as variações nos excedentes do produtor e consumidor, causadas
pela atribuição de impostos e subsídios e determinar a perda líquida de bem-
estar social.
• Distinguir entre incidência legal e incidência económica dos impostos e
subsídios. Perceber a relação entre a incidência económica e a elasticidade da
procura e da oferta.

Leitura Recomendada
Frank, R. e Bernanke, B. (2003), Princípios de Economia, McGraw-Hill, págs.
122 a 128 e 183 a 189.
Samuelson, P. e Nordhaus, W. (2010), Economia, 19ª Edição, McGraw-Hill,
págs. 65 a 77.

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